A Química das Sapatilhas

Escrita porRay Dias
Editada por Natashia Kitamura

CAPÍTULO • TRÊS

Tempo estimado de leitura: 23 minutos

A • Q U Í M I C A • D A S • S A P A T I L H A S •

  Na manhã seguinte, %Clair% despertou ainda mais cansada que o habitual, virou o café todo em seu copo térmico, puxou sua mala recém montada de cima do sofá e saiu em disparada. Não haveria tempo de comer direito se não se atrasaria de novo. Fechava a porta de casa apressada, e bateu o portão com tamanho barulho que, Nicholas, de dentro do carro estacionado um pouco distante assustou-se bocejando. Ele buzinou para ela, e %Clair% olhou para trás bebendo seu café.
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  — Merda… — Ela sussurrou ao notar o carro dele — Será possível!
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  %Clair% continuou andando até o ponto de ônibus. Ainda mais apressada. Nicholas irritou-se ao perceber que ela estava fugindo dele, e bateu a chave na ignição dirigindo até alcançá-la, o que não foi difícil. Baixou o vidro e gritou para ela:
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  — Deixa de ser infantil! Está muito cedo para isso e me deu muito trabalho acordar antes do meu horário para vir te buscar!
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  — Pfff! Eu não pedi para você vir!
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  — %Clair%! Para! Entra logo!
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  A garota continuou andando. Nicholas bufou e olhou o retrovisor. Não vinha carro algum e nem ônibus. Ele deu uma leve acelerada e fechou o caminho da bailarina invadindo parte da calçada. %Clair% parou de olhos arregalados e boca aberta. Começou a xingar o homem, e Nicholas revirou os olhos, abrindo a porta do carro para ela, que entrou emburrada.
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  — Bom dia, %Clair%. — Young puxou assunto — Como dormiu?
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  — Cala a boca.
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  Nicholas sorriu e seguiu para o destino dos dois. Ao chegarem na academia, os dois entraram à sala discutindo. %Clair% exigia que Nicholas parasse de a perseguir daquele jeito e Nicholas apenas a provocava ainda mais. Contudo, logo os dois concentraram-se no ensaio. Ela havia finalizado a ideia que tivera para incluir um padedê na coreografia. Ele observava os passos que ela executava e explicava com calma e dedicação incomum. Os olhos de Nicholas começaram a brilhar sobre a figura da mulher. %Clair% havia posto um instrumental de balé, para auxiliar Nicholas a adentrar naquela atmosfera. E ao sentir os acordes de Feel Again tocando num ritmo animado, mas leve, Nicholas se hipnotizou em %Clair%.
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  Sua hipnose não durara muito, uma vez que seu corpo foi acometido pela música, e ele levantou-se do chão de repente, assustando-a. Tomou as mãos de %Clair% nas suas, e guiou a mulher num padedê totalmente íntimo. Havia mescla dos passos dela, do improviso dele, mas principalmente, uma mescla de seus corpos. %Clair% estava ofegante ao final, não pelo cansaço, mas, pelas sensações que aquela troca mútua causara.
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  — O que você está fazendo? — perguntou olhando-o nos olhos.
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  Não desviaram o olhar um do outro. Ela percebeu a pupila de Nicholas dilatada e um brilho que lhe pareceu erótico demais, refletidos ali. Ele, por sua vez, observava o movimento ofegante da respiração dela, e sabia o que significava.
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  — Eu estou dançando. — respondeu ele, com voz baixa e rouca.
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  %Clair% não admitiria, mas, aquela entonação mexia com ela de uma maneira totalmente eufórica.
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  — Não são estes os passos.
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  — E você vai dizer que nunca foi levada por um momento? — Aquela pergunta dele, pareceu-lhe sugestiva demais.
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  Fred havia chegado mais cedo na academia, a ressaca não o deixara dormir e era responsável demais para perder um ensaio por conta de bebedeiras. Desde que chegou ali e ouviu o barulho da música encontrando %Clair% e Nicholas ensaiando, Frederico estava escondido à porta observando os amigos. Sorriu e baixou a cabeça. Com as mãos nos bolsos saiu dali, deixando novamente o par a sós, ciente de que havia muito mais do que uma dança ali.
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  — Nicholas, não podemos inventar muita coisa, até porque essa música foi apenas para te ajudar a entender a construção das oitavas e…
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  Nicholas interrompeu-a.
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  — Eu sei, %Clair%. Estou apenas contribuindo. Sei que essa é a sua área. Contudo, temos que literalmente gerar um filho aqui. O resultado de nós dois.
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  Nicholas já havia soltado-a de seus braços, e falava normalmente. E %Clair% não entendia os motivos, daquela analogia tê-la desconcertado tanto. “Gerar um filho… O resultado de nós dois”... Ela pôs os dedos, de modo delicado, sob os olhos. Lambeu os lábios calma e suspirou de cabeça baixa.
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  — Nós temos uma química invejável e tudo o que fazemos juntos dá tão certo… — Young afirmou sorrindo abertamente — O que achou da minha contribuição no seu padedê?
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  Afinal, do que Nicholas estava falando? Ela estava tão confusa com aquelas frases que lhe pareciam tão subliminares!
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  — É nós somos bons mesmo! — disse categórica com as mãos na cintura e ele sorriu satisfeito em ouvir aquilo — Eu… Gostei.
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  — Ótimo! Você entra com seu início e finalizamos o padedê com o meu final, depois voltamos ao street.
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  Ele caminhou diretamente ao som, animado em retornar à música. E ela sentiu-se extremamente envergonhada por notar que Nicholas estava apenas falando da dança. Estava constrangida pelas sensações estranhas, que aparentemente, afetaram exclusivamente a ela. E queria logo sair dali.
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  Ensaiaram até o momento que Fred retornou. Ele os cumprimentou, assistiu o que estavam preparando, parabenizou-lhes e quando finalizaram, Fred se aproximou de %Clair%, mais carinhoso. Ela sorriu indo abraçá-lo, mas, foi pega de surpresa por outro beijo na boca. Apenas um selinho, mas ou Fred estava louco, ou ela havia perdido alguma coisa! Nicholas não pode evitar ver a cena, uma vez que estava bem à frente dela.
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  De novo, sentiu-se como houvesse levado um soco na boca do estômago, e lidar com a surpresa deste sentimento estava deixando-o maluco! Nicholas quis sair correndo dali e socar a primeira coisa que encontrasse. Notando que se tratava de um ciúme — e em sua opinião, sem razão plausível —, Nicholas bufou.
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  O que durou menos de um minuto, na visão de Nicholas foi uma eternidade.
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  Fred e %Clair% se separaram brevemente após o beijo e olhavam-se ignorando a presença de Nicholas. Para %Clair% havia algo mais importante do que dar atenção ao fato de que, Nicholas, que havia sondado-a sobre Fred, estava ali naquela sala observando-os. Ela tinha que esclarecer o que estava acontecendo antes de se preocupar com impressões aparentes.
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  — Fred! O que está fazendo? — %Clair% sussurrou para ele, um tanto chocada.
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  E quanto a Fred, divertir-se com as reações de %Clair% eram mais importantes.
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  — Eu disse que sempre quis…
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  — É você disse. — ela interrompeu ele de maneira, dura.
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  Nicholas não sabia o que estava acontecendo, mas pegou o seu pendrive no aparelho de som, e colocando-o no bolso saiu dali. Os outros dois notaram a saída dele, silenciosos e sem olhá-lo. Quando estavam a sós, retornaram o diálogo.
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  — Não é nada demais %Clair%, só que você estava muito linda dançando e também… Eu disse que sempre quis te beijar ontem, e aquilo não foi bem um beijo, não é?
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  — Frederico deixa de ser idiota. Não combina com você este papel... Nunca mais faça isso. Você sabe que eu odeio quando me tocam ou agem como se meu corpo pertencesse a qualquer pessoa, menos a mim.
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  — Desculpa %Clair%… Mas, você sabe que não foi a minha intenção.
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  — Eu sei muito bem qual foi sua intenção, e é melhor você parar.
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  Ela disse dando as costas para Fred. Dessa vez ele não esboçou nenhuma expressão. Enfiou as mãos no bolso e observou a mulher trocar suas sapatilhas pelo sapato de jazz.
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  — Sabe? Então qual foi a minha intenção? — Fred perguntou com um sorrisinho ladino.
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  — Fazer uma ceninha ridícula na frente do seu amiguinho, só não entendi por que motivo!
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  — Sério? Não entendeu mesmo? — Fred zombou e %Clair% o ignorou lançando-lhe um olhar cortante, então ele suspirou mudando de brincadeira: — Mas, você gostou?
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  — Não foi o melhor beijo que já recebi. — Ela respondeu e Fred riu do fora.
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  Nicholas, havia saído da sala apenas para espairecer. Ficou caminhando de um lado ao outro até que sua mente ousou imaginar que deixar Fred e %Clair% a sós, poderia ser uma vantagem para eles. Subitamente, tomado por uma contraditória vontade de impedir o que quer que fosse, ele retornava para a sala de dança. Havia chegado bem no momento em que Fred a perguntava se havia gostado do beijo dele, e se escondeu à espreita da resposta. Quando escutou a resposta de %Clair%, Nicholas sorriu aliviado.
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A • Q U Í M I C A • D A S • S A P A T I L H A S •

  Naquela manhã de ensaio %Clair% saiu mais cedo. Precisava chegar impreterivelmente às nove da manhã na lanchonete, e por uma confusão anunciada na cidade, no dia anterior as rotas dos ônibus estariam modificando-se. Ela não quis arriscar chegar atrasada. E partiu para o ponto de ônibus, meia hora mais cedo. Estava sentada no ponto, curvada, com os cotovelos nos joelhos, e as mãos aos cabelos. E olhava para a direção que o ônibus viria.
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  Nicholas passava de carro, e outros colegas da academia chegavam também ao ponto. Ele diminuiu a velocidade e jogou o carro para o acostamento. Ficou com o pisca alerta ligado observando-a quieto, quase que escondido, do outro lado da rua. Cada trejeito dela o intrigava. O modo como sorriu para os colegas que se aproximaram, indicando a nula intimidade ali. O modo como mexia em seus cabelos demonstrando agitação e olhava incessante ao relógio. A mordida de lábios que esclareciam a sua impaciência.
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  Nicholas sorriu. %Clair% sempre o fizera sorrir, desde que se conheceram. Ele sempre soubera daquilo, só nunca havia entendido por qual motivo escondia aquilo todo aquele tempo. A bailarina levantou-se do banco no ponto de ônibus, dando o lugar a uma senhora e olhando feio para os colegas de academia que não fizeram aquilo. Nicholas sorriu com o “revirar de olhos” habitual de %Clair%, seguido por um resmungo. Tinha o espírito de uma idosa rabugenta, quando queria. Ela olhou mais uma vez para o relógio e Nicholas cogitou oferecer-lhe carona.
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  Ela havia dispensado todas as caronas, e ele teve que praticamente forçá-la aceitar, mas, %Clair% foi bastante direta aquela manhã quanto ao “pare de me perseguir”. E nem mesmo ele tinha palavras para explicar, ou justificar aquela “perseguição”. Contudo, uma última vez não mataria-os não é? Bem no exato momento em que pensou em seguir atrás da garota, o ônibus chegou e ele observou a mulher sumir entre os passageiros. Lamentou, e partiu dali para seu trabalho assim como ela estava fazendo dentro do ônibus.
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  Nicholas estava feliz na Brown Engineer, e durante suas reuniões e momentos projetando o novo empreendimento da empresa, ele pegou-se pensando em %Clair% %Stefanini% de novo. O que teria causado a mudança súbita de padrão de vida dela? Ele sabia que o senhor Dante %Stefanini%, um dos maiores advogados do país, sempre tivera aversão à ideia de %Clair% seguir veias artísticas, mas não lhe parecia motivo forte para que ela não fosse mais bancada por ele.
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  Ou talvez, %Clair% havia sido tomada de um senso de independência assim como ele? Young não conseguia ter certeza do que aconteceu ou como a vida dela realmente estava, mas queria saber mais. Desde os primeiros ensaios para essa nova parceria, Nicholas sentia-se como antigamente: magnetizado à presença implicante dela. Aquele sentimento velho que ele havia enterrado no peito, oculto sob falsas trocas de rusgas, ficara difícil de manter trancafiado ou disfarçado. Principalmente depois de ver Fred beijando-a.
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  Ao anoitecer, %Clair% estava livre do trabalho no bar, já que era o seu dia de folga. Assim que soubera daquilo, ela telefonou para Nicholas. Combinaram de se encontrar no centro. Mas, foi só a porta dos fundos abrir, e %Clair% sair dali aliviada que, o carro de Young surgiu estacionando à sua frente.
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  — Eu acho que falei “te encontro no centro”.
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  — E perder mais tempo para chegar lá se pode ir comigo? Só entra logo, %Clair%.
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  Nicholas sorria, não conseguiu levá-la mais cedo, entretanto, o destino estava literalmente tirando uma com a cara de %Clair%. Eles seguiram até a casa dela, mas a mulher só se deu conta após acordar da breve soneca, ao chegar. Havia dormido o caminho todo.
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  — Estamos na minha casa?
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  — Eu não sabia para onde seguir. Você não deixou claro onde queria ensaiar já que a academia já está fechada e não pegamos as chaves com o Fred. Tudo bem se nós ensaiarmos aqui? — Ele perguntou e ela bocejando olhou para a garagem de sua casa.
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  — Tudo bem… Só não repare a bagunça.
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  Nicholas estacionou na porta, pegou sua mochila no banco de trás do carro e seguiu a garota que entrou primeiro. O portão gradeado branco, rangendo, fez com que Nicholas observasse a nova %Clair% com admiração. Talvez fosse aquilo: andava muito admirado pela força de superação da jovem, e seus sentimentos se confundiam devido a isso.
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  Ela abriu a porta da sala, e sorriu para ele sem graça. A casa não estava absolutamente bagunçada, mas, também não estava impecável. A primeira coisa que ela fez, foi recolher as cobertas e os papéis sob o sofá. Deixou cair um e Nicholas o pegou lendo: “Barreiras”, o título o chamou atenção, e as primeiras frases também. Entregou o papel a ela, intrigado. Mas, ela não mencionou nada sobre aquilo.
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  — Quer alguma ajuda?
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  O dançarino perguntava, para muito além da organização do local. Estava realmente oferecendo, de uma maneira velada, ajuda para o que quer que ela precisasse.
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  — Não, obrigada. Pode sentar. A casa está limpa, eu não tenho tanto tempo de sujar. Só mesmo, algumas coisas fora do lugar.
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  — Eu entendo…
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  Ainda que ela houvesse negado, ele seguiu a garota: reuniu os chinelos espalhados no chão, se perguntando porquê alguém que mora sozinho teria tantos pares de chinelos e pantufas e entregou-os a ela. %Clair% sorriu ao notar a face curiosa dele.
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  Depois, ela pegou uma jarra de suco na geladeira e serviu-o.
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  — É natural. Eu sei que você não bebe sucos artificiais. — Ela explicou entregando-o.
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  E Nicholas riu baixo, por saber que ela ainda tinha aquela memória. Ficaram se olhando por um tempo, em silêncio até ela indicar que iria tomar banho. Deixou-o confortável à sala com controle remoto do aparelho de som e da tv. Ao retornar ela abriu a porta lateral da sala.
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  Nicholas notou que ali, dava-se passagem à garagem. Diferente arquitetura, mas, bem útil. Ela ligou o aparelho de som na sala, que graças àquela passagem se faria ouvir muito claramente.
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  — Você não quer comer nada?
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  — O quê? Você quer comer? Me desculpe! — Ela perguntou assustada e quando ia em direção à cozinha, Nick segurou seu braço impedindo-a de passar por ele.
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  — Eu já comi. Eu estou perguntando se você não vai se alimentar.
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  — Não, não. Se finalizarmos o padedê hoje, amanhã passamos ele e a coreografia toda e segunda estaremos prontos!
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  — %Clair%… Você comeu hoje?
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  — Claro que comi.
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  — Porque eu posso ficar a noite toda ensaiando se preciso for.
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  — Relaxa, eu estou bem. Então vamos começar? Eu realmente não quero passar a noite toda ensaiando. Preciso dormir um pouco mais esta noite.
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  Ele concordou e ensaiaram os mesmos passos da parte da manhã, com algumas ressalvas aqui e outra ali. Um giro retirado, uma pegada acrescentada, uma ou outra marcação de posição mais difícil de gravar… O relógio marcava as três horas da manhã, quando Nicholas obrigou a mulher a parar. Para alguém que não queria dormir tarde, ela estava esquecendo-se daquilo. Ele pegou seu casaco sobre o sofá e sorriu para ela.
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  — Anda, vá dormir. Eu não quero ter que suportar o seu mau humor logo mais.
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  E ela riu. A primeira, após tanto tempo, verdadeira risada de %Clair%. E Nicholas em silêncio ficou admirando-a.
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  — O que foi? — Ela perguntou apreensiva.
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  — Você e o Fred estão juntos? — A pergunta saiu espontânea, um tanto surpresa para ele como para ela.
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  Nicholas estava sério e concentrado ao olhar dela. E ela por sua vez abriu a boca, em uma expressão de desconforto.
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  — De novo essa pergunta?
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  — Sim ou não, %Clair%? Você não foi muito clara da última vez, e hoje…
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  — Qual é, Nicholas?! — Ela o interrompeu: — Por que quer tanto saber?
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  — Eu não sei porque, exatamente. Mas não gosto da ideia de estarem juntos.
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  Ela não esperava que ele fosse tão direto. %Clair% apenas tomou para si uma postura defensiva, encarando o olhar decidido de Nicholas sobre ela.
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  — Não estamos, eu já disse… — Ela respondeu quase sussurrado.
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  Nicholas observou a reação amedrontada dela e sorriu desconversando:
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  — Ei! Vê se descansa! E acorde bem, tome café e chegue de bom humor, por favor! Eu ando muito à flor da pele por sua causa.
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  Apesar da frase novamente sugestiva, ao fim de sua fala, %Clair% riu do comentário. Acompanhou-no ao portão e com um aceno discreto se despediram. Os dois seguiram seus caminhos, não menos pensativos sobre o curto momento entre si. Nicholas dirigia com um sorriso largo em seu rosto, e tamborilava os dedos, em um ritmo que estava apenas em sua mente. “My Girl”, ecoava em seus pensamentos, e quando notou, lá estava ele cantando baixinho e sorrindo: “I've got sunshine on a cloudy day. When it's cold outside I've got the month of May”.
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  %Clair% caminhava para seu quarto, com a vitamina recém-batida em mãos. Ela não havia comido nada o dia todo, e realmente após aquele momento em sua sala não tinha mais fome. Ultimamente, %Clair% se alimentava de dança e trabalho. A qualquer momento sabia que seu corpo iria colapsar, por isso pensou que no dia seguinte precisava entrar em qualquer restaurante que fosse e comer um prato de pedreiro. Ela sentou-se em sua cama, e recostada à cabeceira terminou de beber sua vitamina. De olhos fechados, sorria repassando cada passo do ensaio, cada momento de descontração. Ela depositou o copo em sua mesa de cabeceira, e ainda de olhos fechados, reflexiva deu-se conta do que acontecia: o sentimento antigo, mascarado sob o ódio vinha à tona. Estava novamente, após tanto tempo, deixando-se levar pelo carinho reprimido que sentia por seu ex-atual-parceiro.
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  O que seu pai diria se soubesse daquilo? Não interessava-lhe mais, afinal, já havia libertado-se das ordens do pai. Restava saber, o que ela decidiria fazer. Adormeceu que nem mesmo sentiu. O gosto amargo em sua boca denunciou-lhe que apagou sem ao menos, dar-se conta que nem escovara os dentes. Levantou-se urgente por um banho. Não sentia fome, apesar de ter apenas uma vitamina como refeição do dia anterior. Ela comeu algumas torradas com café naquela manhã, e levou duas frutas em sua bolsa.
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  Ao sair pela calçada, %Clair% dançava à medida que caminhava, alguns poucos vizinhos observavam o astral da garota com felicidade: desde que chegara ali, a moça mais jovem daquele bairro de artistas não sorria. E oras, estava dançando no meio da rua!
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  Ela dirigiu-se ao ensaio com outro astral, e determinada vontade de vê-lo. Apesar do susto de perceber aquilo: queria ver Nicholas; %Clair% não deixou de sorrir e sentir-se leve. Porém, naquela manhã, Nicholas não foi ao ensaio, e ela se viu totalmente incomodada com aquilo. Mas, não deixou-se perceber pelos demais. Antes de ir embora, ela parou Fred na porta:
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  — Ei, Fred! Por acaso, Nicholas avisou por quê não veio?
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  — Ele disse que tinha uma reunião importante.
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  Ela “fez que sim” com a cabeça, e sorriu para Fred. Ajeitou a bolsa nos ombros, e o amigo coreógrafo sorriu:
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  — Ele não te avisou?
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  — Não teria porquê também… Não marcamos nenhum ensaio extra de manhã.
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  — Hm… Se preocupou com ele?
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  — Só estranhei ele não ter vindo mais cedo. — Ela falou convicta.
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  — Mas você disse que não marcaram nada extra...
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  — Nosso ensaio anterior a este não é algo extra. Estamos nessa desde o início dos preparativos para a Mostra.
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  Ela bufou como se estivesse incomodada e saiu apressada. Fred sorria por cada vez mais perceber %Clair% imersa em um sentimento que insistia em negar.
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  Quando era hora do almoço, Nicholas telefonava para ela.
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  — Está almoçando?
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  — Não, não. Pode falar.
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  — E por quê não está almoçando?
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  — Me telefonou para isso?
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  — Não. Eu quero saber se tudo bem ensaiarmos hoje à noite em minha casa.
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  — Tudo bem, eu combinei de pagar um colega para trocar a folga comigo. Mas, segunda eu não vou poder e nem terça.
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  — Os ensaios noturnos eram apenas para a avaliação de Fred, não? — Ele disse pegando-a de surpresa.
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  — Ah sim, claro… Eu tenho que voltar ao trabalho Nick… Até mais.
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  Desligou sem deixá-lo responder, mas, se Nicholas não estava louco, ela o chamara pelo apelido depois de tanto tempo. Algumas coisas estavam voltando a ser como antes?
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