Capítulo 02 • Cinderela suicida
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No dia seguinte, Amelie levantou da cama cedo, abriu a janela do seu quarto, viu o sol nascendo e percebeu que levantou cedo demais. Cruzou os braços, saiu da janela, abriu as cortinas, cada dia era menos um, ela ficava mais angustiada por ter perdido dois dias desde o diagnóstico, ela pegou o celular e jogou no lixo para que não a encontrasse para levá-la para quarentena.
Amelie tomou um banho rápido, chorou durante o banho, depois se enrolou na toalha, entrou no seu enorme closet. Vestiu um vestido vermelho justo, não fez maquiagem, nem arrumou seu cabelo loiro claro, colocou seu Louboutin vermelho, pegou sua bolsa Prada roxa.
Andou pela sua casa, começou a se despedir das suas coisas que havia comprado com tanto sacrifício. Respirou fundo, olhou para o crucifixo de madeira que estava pendurado na sua parede, fez o sinal da cruz e percebeu que deveria pedir perdão pelos seus pecados para não ir ao inferno. Lembrou-se do padre que visitava o seu orfanato e resolveu ir a paroquia que ele congregava.
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Ao mesmo tempo, Jimmy acordou ao lado de uma mulher desconhecida, não conseguia parar de pensar na bela mulher que salvou do suicídio. Parecia precisar dele, ele iria encontra-la, pelo menos sabia seu nome. A mulher agradeceu pelo sexo, foi embora. Jimmy abriu a gaveta do móvel ao lado da cama, pegou um maço de Marlboro e a caixa de fosforo. Acendeu o cigarro, deu um trago, ficou suspirando o nome de Amelie.
Ele levantou da cama somente de cueca samba canção preta, tocaram a campainha, Jimmy deu um trago no cigarro, soltou a fumaça pelo nariz. Colocou uma bermuda e uma camiseta preta do Black Sabbath. Chegou até a porta, abriu era todos os seus amigos, ele achou estranho e os deixou entrar. Zacky correu para geladeira, abriu para pegar uma pizza de pepperoni, ele pegou um pedaço e comeu.
- O que vocês fazem aqui tão cedo? – Jimmy terminou o cigarro.
- Brian contou que você salvou uma deusa na boate. – Johnny tentou abraçar a amigo e levou um empurrão. – Qual é o nome dela?
- Amelie Potter, vocês vão me ajudar a encontrá-la. – Matt e Johnny olharam um para o outro. – Algum problema?
- Vai ser fácil encontrá-la, ela é paparazzi do LAgossip.com. – Johnny se jogou no sofá da sala de estar. – Só ter um escândalo que ela estará lá.
- Vou no escritório dessa porcaria e procuro por ela. – Jimmy deu um sorriso. – Aquela mulher me balançou, tão linda.
- É só uma mulher. Verdade que você finalmente se livrou da oportunista da Gale? – Zacky apareceu com a caixa de pizza. – Quero você semana que vem na festa de noivado, senão a Gena te mata.
- Como eu fosse faltar, eu sou seu padrinho de casamento. – Jimmy o abraçou. – Quem vai comigo a LA procurar a bela dama de vermelho? – Os rapazes se olharam.
- Eu vou! – Brian levantou a sua mão. – Eu sou seu melhor amigo, faz tempo que Jimmy não se empolga com alguma garota.
Jimmy pegou seu celular, pesquisou no Google onde ficava o escritório do LAgossip.com, ele achou rapidamente. Anotou o endereço, jogou no GPS do celular, Brian e ele foram correndo para Jimmy encontrar sua Cinderela suicida.
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Chegando ao prédio onde ficava o site de fofocas, eles entraram, viram um segurança distraído com o celular e uma recepcionista entediada, então Brian chegou ao balcão, começou a jogar seu charme para a mulher que gostou do papo do guitarrista. Jimmy entrou correndo no elevador, apertou o botão 10 e subiu. Ele estava um pouco ansioso, chegando ao andar.
Parecia que a redação estava sendo desinfetada, pessoas com trajes protetores e máscaras. Jornalistas digitando freneticamente em seus computadores, Jimmy coçou a sua cabeça, de repente as pessoas olharam para ele, cruzou os braços e uma estagiária cheia de papeis chegou perto dele, deu um sorriso.
- Não publicamos nada a seu respeito. O que deseja, The Rev? – Ela jogou o bloco de papeis no chão.
- É que eu queria falar com uma funcionária… - A garota ficou curiosa. – Amelie Potter. – Ela arregalou os olhos.
- Aquela vadia não trabalha mais aqui. – Foi a vez de Jimmy arregalar seus olhos. – Ela era terrível como pessoa, mas Deus a castigou. Ela pegou ebola e vai morrer dentro de alguns dias, estamos fazendo uma festa de comemoração. – A estagiária pegou os papeis e foi embora.
Jimmy ficou triste, ela realmente morreria de algo tão sério como ebola, precisava encontra-la antes que ela morrer, mesmo que fosse para vê-la de longe. Ele chegou ao térreo, Brian ainda estava de conversa fiada com a recepcionista, o baterista o chamou, Brian acenou para a mulher, piscou e foi embora.
- E aí, Jimmy? Encontrou sua Cinderela? – Brian perguntou enquanto eles iam para o carro de Brian, um BMW preto 320i.
- Ela está com ebola. – Brian se espantou. – Preciso encontra-la pela última vez, parece que está em estado terminal.
- Cara é uma agulha no palheiro, se ela estiver morta? – Brian cruzou os braços, eles entraram no carro e se sentaram, Jimmy colocou cinto de segurança e o celular de Jimmy tocou.
- Eu não vou desistir dela, ainda não.
XXX
Enquanto isso, Amelie entrou na Igreja Católica do Espirito Santo em Fontaine Valley. Ela fez o sinal da cruz, sentou nos fundos da igreja, começou a rezar todas rezas que conhecia. Começou a chorar desesperadamente, as lágrimas caiam sobre seu vestido vermelho caríssimo. O padre John reconheceu Amelie nos fundos da igreja, ele se sentou ao lado dela, ela se afastou dele.
- O que faz aqui, Amelie Potter? – O padre falou. – A última vez que nos vimos você renegou a igreja.
- Eu sei, eu sei… - Amelie continuou chorando. – Agora a vida não faz sentido, fui diagnosticada com febre hemorrágica ebola, vou morrer em alguns dias, cinco, na verdade. – Soluçou um pouco. – Deveria fazer algo de útil na minha vida, eu não quero morrer desse jeito. – Pegou toalhas de papel dentro da sua bolsa, secou suas lágrimas.
- Você deveria pedir perdão pelos seus pecados, tentar se reconciliar com as pessoas que você fez mal. – Ela limpou o nariz. – Pedir perdão pelas pessoas que prejudicou e vou pedir a Deus salvar sua alma.
- Obrigada, padre. Eu te abraçaria, mas posso te passar isso. – Ela colocou o lenço sujo dentro da bolsa. – Melhor eu ir, desinfete o banco depois de sair.
- Vá em paz, minha filha. – Ele a abençoou. – Deus te abençoe. – Fez o sinal da cruz.
Amelie levantou do banco, padre olhou com pena, ela ajeitou a bolsa e saiu da igreja. Então Jimmy estava conversando com seu pai na porta da igreja, ele a viu na porta da igreja, Jimmy deixou o pai falando sozinho e saiu correndo atrás de Amelie. Ele tentou se aproximar dela, ela se afastou e o baterista se lembrou da doença que ela tinha.
- Achei que nunca fosse te encontrar, Amelie! – Jimmy ficou feliz e deu um enorme sorriso.
- Como sabe meu nome? – Estava confusa.
- Na boate, procurei você em todos os lugares, até no seu trabalho. – Jimmy estava encantado. – Quem diria que você estaria numa igreja!
- Alguém já disse que você é louco? – Ele riu dela. – O que você quer de mim? Você já deve saber que vou morrer em cinco dias, o problema é que nem sei o seu nome.
- Eu me chamo James Owen The Rev Sullivan. – Amelie ficou impressionada. – Pode me chamar de The Rev ou Jimmy. Podemos beber no Johnny’s bar. – Ela negou com o dedo. – Eu não aceito não como resposta. – Amelie revirou os olhos.
- Eu não posso ficar em locais fechados, por causa do ebola, merda. – Ela levou as mãos a cintura, Jimmy se aproximou de braços abertos para abraça-la e Amelie deu passos para trás. – Não me toque para seu próprio bem, Sullivan.
- Amelie é um nome lindo por sinal. – Ela revirou os olhos. – Você está de carro?
- Estou.
- Ótimo, vamos para minha casa, tem mais bebidas do que um bar. – Jimmy sorriu.
Eles andaram separados, chegaram até o Audi A3 conversível vermelho de Amelie, Jimmy ficou impressionado. Ela abaixou a capota, abriu as portas, a loira pediu um momento, ela pegou álcool dentro do porta-luvas, limpou os bancos, as maçanetas, as portas do carro. Amelie deixou Jimmy sentar no banco do passageiro, ela entrou em seguida.
Jimmy pediu para Amelie colocar o endereço no GPS, assim ela o fez. Continuou dirigindo até a casa de Jimmy, ela pensou o quanto ele era louco. Ela dirigiu lentamente, sem dizer uma palavra e Jimmy apenas observava a beleza da bela loira que balançava a cabeça negativamente.
Chegando à residência de Jimmy, Amelie estacionou o seu Audi na porta da mansão de Jimmy e ficou impressionada. Eles saíram do carro, Amelie ligou o alarme, Jimmy riu dela. Amelie não quis entrar para não contaminar a mansão, então Jimmy lhe pediu uns minutos. Amelie sentou na porta, olhou toda aquela riqueza, pegou seu celular e fez uma busca com o nome de Jimmy e não acreditou que ele fosse um baterista famoso.
Ao mesmo tempo, Jimmy foi até sua adega pegou um vinho branco, abriu. Foi a cozinha, pegou um copo descartável enorme, foi até a entrada onde Amelie estava sentada, sentou-se ao seu lado, ela se afastou um pouco. Jimmy revirou os olhos e encheu o copo de vinho. Entregando a ela, a loira deu um sorriso para o baterista, percebeu o quanto o sorriso dela era lindo.
- Você tem um sorriso lindo. – Virou a garrafa de vinho.
- Obrigada. Você ainda não disse que realmente quer comigo. – Ela bebeu um pouco.
- É, eu sei, Amelie. – Olhou para ela. – Toda essa situação é muito triste, você é terrivelmente curiosa. – Amelie percebeu que ele a estava enrolando.
- Como você percebeu, eu não tenho todo tempo do mundo. – Bebeu mais um pouco.
- Você deve ter desejos. – A loira balançou a cabeça positivamente. – Pretendo realizar todos como um gênio da lâmpada.
- Isso não faz sentido. – Deixou o copo no chão.
- Faça uma lista de coisas que você quer fazer antes de morrer, quero te incentivar e ajudar a realizar tudo que você quiser. – Jimmy se aproximou um pouco, Amelie percebeu que não queria morrer sozinha.
- Eu faço a lista, com duas condições. – Ela pegou o copo novamente e bebeu o resto da bebida. – Primeiro e mais importante, não me toque de forma alguma. Segundo não se apaixone por mim.
- Fechado. – Jimmy levantou a garrafa.