Capítulo 01 • Como eu era antes de você
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36 horas antes
- O sindicato de vocês me obrigou que todos vocês fizessem um check-up de rotina... – O editor chefe do LAgrossip.com falou fumando seu charuto. – Desde da morte do Barry Stinks por ebola. – Os outros jornalistas riram. – Não tem graça morrer de ebola, ah o sobrenome engraçado. Como não quero que o sindicato e a família de vocês me processem, façam a porra do exame de ebola e quem estiver, vai ter férias não remuneradas. – Todos reclamaram. – Uma quarentena de seis meses num hospital referência e talvez uma arma carregada. Alguma pergunta?
- Quero saber quando você vai falar quem vai ficar no seu lugar como editor chefe? – Uma das jornalistas, Amelie Potter falou, a bela loira sentou na mesa do chefe, os outros colegas a odiavam com todas as forças.
- Eu ainda estou aqui, saia da minha cadeira, Amelie! – Ele ordenou e ela se levantou. – Tenho duas pessoas, ambas têm o mesmo sobrenome. Você e a Amanda. – Amelie revirou os olhos, os colegas abraçaram a Amanda, ela era mais sociável e simpática com os colegas. – Eu vou deixar a seleção natural escolher vocês, quem estiver doente cai fora.
- Se as duas estiverem? – Amelie cruzou os braços e se afastou dos colegas. – Ou se as duas estiverem saudáveis?
- Há sempre uma terceira opção e se estiverem saudáveis, vou escolher num gerador de sorteio online. – Ele fumou seu charuto e tocou sua careca. – Qualquer uma das duas seria uma boa escolha.
- Que seja.
Todos os jornalistas foram até a clínica Moonstar que ficava no centro comercial de LA. Chegando lá, formou-se uma fila imensa de jornalistas de todos os sites para os quais Berry Stinks prestou serviços, Amelie foi para o final da fila, seus colegas a odiavam, ela não facilitava a vida deles. Somente pensava quando fosse editora-chefe, ela faria a vida deles um verdadeiro inferno.
A fila andou rapidamente, Amelie nunca trocou palavras com Berry, ou se aproximou dele, ela tirava fotos de celebridades e inventava notícias. Estava chegando a sua vez, entrou naquela sala estranha. Onde um enfermeiro tirou seu sangue, ela não tinha medo de nada, ele reparou na enorme cicatriz de queimadura no braço de Amelie que retirou seu braço rapidamente e saiu da sala.
Tinha um médico com roupa protetora separando as pessoas que havia feito o exame de sangue, pois alguns resultados estavam prontos. Algumas pessoas estavam rogando praga para que Amelie Potter pegasse ebola e não fosse a editora-chefe da LAgossip.com porque ela seria ainda mais cruel, se tivesse poder em suas mãos.
Quem recebia o resultado de ebola era levado para outra sala, a maioria dos resultados positivos eram mulheres que transaram com Berry. Os homens eram amigos dele, ou seus subordinados. Quem havia tido algum tipo de relacionamento com ele começou a se preocupar. Então o médico chamou Amelie, Amanda e Jax para uma sala separada.
Na sala, os três ficaram na antessala, Amelie cruzou as pernas tranquila, pois nunca trocou mais do que duas palavras com Berry, Amanda suava como um porco, pois já tinha saído com o homem algumas vezes, mesmo sendo casada. Jax era homossexual assumido, nem se importava porque todos sabiam que Berry era homofóbico e não se aproximaria dele, nem no trabalho.
Jax foi primeiro receber seu resultado, deu negativo para ebola, ele foi embora e deu boa sorte somente para Amanda. Então o médico chamou Amanda Potter, a morena entrou preocupada, o médico afirmou que ela não tinha ebola, mas deveria cuidar da sua anemia. Ela não se importou, saiu da sala e riu de Amelie. O médico chamou a loira que entrou de braços cruzados.
- Vamos logo com isso que eu tenho mais o que fazer. – Ela se sentou na cadeira.
- Não seja apressada, senhorita Potter. – O médico abriu o envelope com o resultado, arregalou os olhos.
- O que há de errado? – Amelie ficou preocupada.
- Bem, de acordo com isso aqui, a senhorita tem febre ebola. – Não entendeu nada, ficou espantada, caiu na gargalhada. – O que é tão engraçado?
- Não pode ser, é piada dos meus colegas. Sei que eles me odeiam e não querem que eu seja chefe deles, mas isso já passa dos limites. – Continuou rindo, o médico estava sério. – Cadê as câmeras?
- Senhorita Potter, não é piada. Você tem ebola, de acordo com seu exame você tem uma semana de vida. Tem sentido algo? Sangrado? – Balancei a cabeça negativamente. – Estranho, você está na fase final e parece assintomática, essa semana vai difícil para você. Vamos te colocar imediatamente em quarentena.
- Mas o quê? – Ela não queria ficar isolada como um ratinho num laboratório, começou a chorar, precisava, pelo menos avisar seu noivo. – Posso, pelo menos ir ao banheiro?
- Claro, depois fique com as pessoas que vão para quarentena, não queremos um surto de ebola em Los Angeles. – As lágrimas caiam de seus olhos, ela abraçou seu braço.
Ela saiu da sala, tinha tantas pessoas no local, passou por algumas pessoas, ninguém a notou quando ela fugiu da clínica. Amelie foi condenada à morte, pensou que era jovem demais para morrer, entendeu que sua vida era um verdadeiro carma. Respirou fundo, estendeu o braço e chamou um taxi. Entrou rapidamente, sentou-se no banco de trás, abriu as janelas para não contaminar o pobre latino que dirigia o taxi e não deveria ter o seguro saúde.
O homem a deixou na porta da CNN, ela deu um sorriso e pagou no cartão de crédito para que ele não tocasse nela ou no dinheiro que ela desse. Saí do taxi, colocou o cartão dentro da bolsa Prada que usava. Chegou ao portão, o porteiro que também odiava Amelie por ela ser tão arrogante e prepotente, deu um sorriso falso e a deixou entrar.
Ela entrou na emissora sem a permissão, a produtora ficou com medo porque Thomas Wayne, ele tinha o mesmo nome do pai do Batman, estava dando uns amassos na estagiária no camarim. Se Amelie os visse, ela faria a vida dos dois um verdadeiro inferno, ninguém famoso gostava de uma jornalista de fofoca e alguém tão chata como Amelie Potter. O único que conseguia amansar a fera, era Thomas, mas ele a traia constantemente.
Amelie não ouviu ninguém, só chorava e queria ver seu noivo pela última vez. Ela não percebeu que estava sendo seguida por vários funcionários da CNN, a loira correu até o camarim onde achava que poderia esperar pelo homem da sua vida. Ela abriu a porta, pegou seu futuro marido transando com uma mulher com quase da metade da idade dela. Eles estavam colados na parede, a saia da mulher levantada na cintura dela e as calças dele nas pernas.
- Thomas! – Amelie gritou, os funcionários saíram correndo. – Que porra é essa?
- Amelie, meu amor. – Ele levou as calças e a estagiaria se ajeitou, cruzou os braços. – Pode sair, Gizelle? – A tal Gizelle saiu de perto, olhou para Amelie com olhar de desprezo e saiu do camarim.
- Pelo menos usou camisinha? – Amelie foi irônica, ele tentou abraçar a mulher, mas ela se afastou. – O que está fazendo aqui sem avisar?
- Eu queria te ver pela última vez e… - Ele a olhou com curiosidade. – Isso não é importante agora.
- Claro que é, meu amor. – Ele foi falso com a bela mulher a sua frente. – Eu te amo, isso foi um deslize. – Ela franziu as sobrancelhas e passou a língua nos dentes. – Uma brincadeira, sexo não quer dizer com amor, não vai jogar 12 anos de relacionamento por uma coisa sem importância.
- Você age como se não fosse nada, eu te peguei transando com uma estagiária que deve ter no máximo 19 anos! – Amelie gritou. – Eu posto traições no site todos os dias, como pude ser tão cega e não vi que meu próprio noivo me traí com essa fedelha que cheira a leite. Ela nem pode beber sem uma identidade falsa!
- Calma, meu amor. – Thomas estava irritando Amelie com tanto cinismo. – Você pode marcar a data do nosso casamento, eu juro que vou me controlar.
- Vou mandar adestrar você. – Amelie se afastou, tirou o anel de noivado cheio de diamantes enormes e jogou na lixeira. – Isso que o nosso relacionamento se tornou, uma porra de lixo! Quer saber…
- Esquece, vamos conversar em outra hora. Que tal, amanhã à noite no Final Hunter? – Thomas segurou os ombros, virou a loira e lhe deu um selinho a força. – Não aceito não como resposta.
- Claro, você e eu precisamos conversar. – Soltou seus braços, deu um sorriso falso. – Até amanhã, Thomas.
XXX
Final Hunter club, Los Angeles, California – Na noite seguinte
Amelie colocou vestido vermelho mais lindo que tinha no armário, fez uma bela maquiagem, ela chorou um pouco, queria que as coisas não fossem daquele jeito. Pensou quanto queria se casar com Thomas, mas ele não era a pessoa certa. Pegou um taxi, o taxista a achou linda, ela abriu as janelas e o taxista a achou que ela fosse maluca.
Amelie desceu em frente à boate, pagou no cartão e chegou até a porta, os seguranças a conheciam, por causa de Thomas. Ela entrou, as pessoas começaram a reclamar na fila, Amelie simplesmente sentou-se na mesa de sempre. Gale a viu, revirou os olhos, pois conhecia o temperamento da loira, então serviu um martini de maçã. A loira bebeu seu martini, mas não tinha o gosto de sempre.
Gale cruzou os braços, Amelie não deixou que a morena pegasse a taça dela, mas a loira impediu. Gale se afastou e foi para o bar, então Jimmy entrou na boate com Brian, as mulheres os tornaram o centro das atenções, Gale largou a bandeja. O bartender revirou os olhos, Gale puxou a saia para cima, abriu uns botões da blusa para mostrar mais seus dotes. Ela se aproximou do baterista e lhe deu um selinho, ele ficou sem jeito.
- Jimmy, estava com tantas saudades de você! – Colocou as mãos no peito dele, Brian revirou os olhos.
- Vou sair de perto, senão Gale boca de veludo rouba a minha carteira. – Brian esbarrou na mulher de propósito.
- Boa noite, Brian. – Gale o abraçou pela cintura. – Não sei porque seus amigos não gostam de mim, ele tem que respeitar nosso relacionamento.
- Relacionamento? – Jimmy tirou as mãos dela. – Gale, a gente faz um sexo gostoso, sua chupada é perfeita, mas bebê… não temos nada, eu sou livre e você não é mulher para mim. – Ele se afastou, viu Brian rodeado de mulheres, Gale ficou indignada. – Se você acha que temos algo que não seja apenas sexo, acho melhor, a gente não se ver.
- O quê? – Gale ficou indignada. – Não! Eu não aceito que você me largue! – Ela começou a fazer escândalos no meio da boate barulhenta. – Qual é o nome dela?
- Não tenho mulher, ainda. – Uma garçonete serviu um copo de bebida. – Vai trabalhar e me deixa me divertir em paz. – Ele a empurrou até o bar. Jimmy foi até área VIP. – Hoje vamos nos divertir, eu já me livrei da vadia da Gale. – Uma das dançarinas da boate começou a dançar na frente de Jimmy. – Adoro essa boate.
- Eu também.
Amelie olhou para o celular, viu que Thomas estava atrasado, ela revirou os olhos. Cruzou os braços e as pernas, Thomas apareceu com um buquê de rosas vermelhas e brancas, o anel de noivado nas mãos e Amelie fez bico. Ele se ajoelhou aos pés da loira que não se comoveu, fez sinal com a mão para que o ex-noivo se levantasse.
- Eu te amo, te juro que nunca vou fazer aquilo de novo. – Ele sentou ao lado de Amelie, se afastou um pouco.
- Eu não posso demorar, preciso falar algo sério. – Ele a olhou preocupado achando que a loira estava gravida. – Eu não estou pensando em te perdoar, mas preciso de você, você é a única pessoa que eu tenho e… - Ela passou as mãos nos cabelos. – Eu descobri que estou morrendo.
- Você não está morrendo. Gale, traz um uísque inglês! – Gale revirou os olhos.
- Sim, estou morrendo. Eu tenho ebola! – Thomas arregalou os olhos e se afastou. – Você ainda vai ficar comigo?
- Nem pensar, você tem que entrar em quarentena, eu te beijei. – Thomas a olhou com nojo. Jimmy subiu até o terraço, Gale deixou a bebida no balcão e o seguiu. Outra garçonete pegou a bebida no balcão.
- Você não vale porra nenhuma, espero que você morra assim como eu. – A garçonete trouxe um copo de uísque sem gelo, Amelie pegou o copo, cuspi no uísque e jogou no rosto de Thomas que começou a gritar. – Espero que sangre até morrer!
Thomas saiu correndo, Amelie começou a chorar novamente, seu coração doeu muito. Pegou seu celular, fez uma pesquisa no Google sobre a morte por ebola, vi vídeos e as fotos, era algo muito doloroso e espantoso. Ninguém choraria pela sua morte, ninguém gostava dela, Amelie viu a porta do terraço aberto, começou a subir as escadas para que seu destino fosse laçado.
Depois de tudo, Amelie correu pela boate, viu um taxi e entrou, deu seu endereço e pediu para correr. Jimmy correu desesperadamente pela boate, começou a procurar a bela mulher, ele chegou perto do segurança que lhe deu um abraço.
- The Rev, o que deseja?
- Eu queria saber se você viu a mulher mais linda do mundo, ela estava de vestido vermelho e provavelmente saiu correndo? – Jimmy perguntou.
- Amelie Potter, essa mulher problemática… se procura por ela, acabou entrar num taxi, sinto muito cara. – O segurança respondeu.
- Amelie, belo nome, bela mulher. – Jimmy deu um sorriso. – Eu vou me casar com ela.
- Boa sorte.