Youth

Escrito e revisado por Natashia Kitamura - Siga a autora no Twitter



Prólogo

O que é juventude?
Para a sociedade, pode-se dizer que juventude se compreende entre a idade dos 16 a 29 anos; outros dizem que ela é entendida como a forma imatura do ser vivo, sendo o período antes da maturidade sexual.
Para mim, tudo isso é uma grande besteira.
Ser jovem não é apenas um título dado para aqueles que são mais novos, ou que não tem experiência. Ser jovem é sair, descobrir, aproveitar. É cair e se levantar, derrubar; é não ter medo de viver enquanto tem força e tempo. É ter suas irresponsabilidades. É trilhar o caminho à responsabilidade. Não é preciso de muito para ser jovem ou ter uma juventude. Carpe diem, é o que minha avó diria. Aproveite o momento.
O que posso dizer a você sobre mim, é que essa não é uma história diferente das outras sobre jovens ricos e prodígios. Sou exatamente do estereotipo criado pela sociedade: Irresponsável, arrogante, frio e sem coração. Mas para convencer você a não desistir de ler é: Nenhum irresponsável é completamente irresponsável. Todo arrogante tem uma razão por detrás de seu comportamento, e nenhuma pessoa sem coração é incapaz de aprender a amar.
Foi o suficiente?

Capítulo 1

Meu pé direito obedecia às minhas ordens enquanto eu diria meu carro até o ponto de encontro que Luna, minha ex-namorada, havia pedido para eu ir como um último pedido antes de sumir da minha vida assim como eu havia mandado. Não que eu pareça um completo canalha que manda todas as pessoas simplesmente desaparecerem de minha vida; eu faria, se fosse necessário, o que não é o caso. Luna, como disse anteriormente, é minha ex-namorada de sete meses. Fora um namoro relativamente longo, depois de Rachel, que, de acordo com meus amigos, só durou porque ela morava no Vietnã e eu aqui nos Estados Unidos. Namoro a distância... Sempre uma boa solução.
O que aconteceu é que o governo americano decidiu cair de cabeça nos casos de órgãos sendo ilegalmente retirados do país, tráfico esse mais conhecido por mercado negro. O governo nunca fez isso, mas a notícia teve uma repercussão tão forte em países tanto aliados, quanto os invejosos, que eles se obrigaram a simplesmente voltar com o caso e punir todos aqueles que os obrigaram a se ver nessa delicada situação. Luna era uma delas; o que ela fazia era organizar todos os esquemas da imigração dos órgãos e enviá-los para o México, onde o policiamento era bem mais fraco.
No meio de toda essa confusão, obviamente eu não poderia sair ileso. Tive de pagar sete advogados e comprar mais doze policiais para que eu conseguisse provar minha inocência e não rodar que nem todas as pessoas envolvidas no caso. Toda a situação fora grave demais para eu continuar não tendo nojo de ver o corpo adotado como espetacular pela People; Luna era modelo sul-africana que conquistou o mundo com seu corpo cheio de curvas, seus olhos azuis, os fios loiros do cabelo e os lábios carnudos. Era uma tentação de mulher, tanto quanto uma decepção. Na frente de todas as autoridades, mandei-a ficar longe de mim antes de lhe dar as costas e ouvir seu choro. Lágrimas. Sou o tipo de homem que não se comove com lágrimas em olhos femininos. Se ela chora ou se faz escândalo, quem estará pagando o mico será somente ela.
Mas Luna me ligou há dois dias e disse que lhe obrigaram a devolver as joias que eu havia lhe dado durante o nosso relacionamento. Meu secretário agendou um horário em um restaurante, onde soube que estariam com ela um representante da justiça e vários policiais, apenas por segurança para que ela não fugisse deles.
Assim que entrei no Gabbana, um restaurante havaiano que ela adorava por causa das cores reluzentes e chamativas, pude sentir o cheiro do coco e abacaxi, duas frutas que eu odeio. O caminho até a mesa era repleto de folhas de bananeiras absurdamente grandes e paredes de madeira criadas para imitar coqueiros do Havaí; o chão de vidro por mostrar uma vitrine de conchas abaixo ou pequenos lagos com peixes de diversas cores faziam com que as pessoas parassem ou andassem mais lentamente, me fazendo ter de ultrapassá-las sem paciência. As luzes eram amarelas, parecendo que eu estava em uma rua deserta em um filme de terror, além disso, irradiavam um calor insuportável para quem estava trajando terno como eu. Caminhei com meus sapatos de couro de jacaré até a mesa reservada em um espaço privado do restaurante, o mais rápido que chegasse lá, mais rápido sairia. Fui servido de um coctel que ignorei assim que sentei na mesa sem dizer uma única palavra à ela.
Luna estava vestida em uma jeans com moletom, os cabelos presos em um coque malfeito e tinha olheiras debaixo de seus olhos. Vi que o formato de seu rosto estava um pouco mais inchado, me perguntando se ela havia apanhado na prisão, antes de ser enviada para o Kuait em alguns meses. Se eu a visse nesse estado quando nos conhecemos, certamente ela não teria chamado tanto a minha atenção e eu não teria tido uma dor de cabeça nos últimos meses. Respirei fundo e cruzei a perna, encostando na cadeira e demonstrando meu completo aborrecimento por estar ali com ela. Sua presença me incomodava incontavelmente mais do que a presença dos oficiais, que perto de mim pareceram bem simpáticos; talvez eles esperasse que eu os pagasse também, como fiz com os colegas deles.
- Onde estão? - pergunto com a voz grossa e sem emoção. Virou sua cabeça para o lado e o policial colocou uma sacola de plástico na mesa e levantei as sobrancelhas, pasmo com a falta de cuidado que estavam tratando joias que, juntas, valiam mais do que a casa de todos eles juntos.
- Gostaria que o senhor conferisse todo o conteúdo e nos diga se há mais algo que deu e não está aí. - o representante disse, certamente simpático. O encaro aguardando uma explicação, afinal, mesmo que não sejam muitas as coisas que dei para Luna, tudo o que comprei não valia menos que quinhentos mil dólares. - Precisamos ter certeza de que todos os bens que não fora comprado pelo dinheiro dela sejam devolvidos. Vamos confiscar os bens e congelar sua conta, portanto, se há algo que o senhor queira de volta, deve dizer agora para que possamos providenciá-los ao senhor.
Respiro fundo, pegando a sacola de má vontade. Aquilo era uma tremenda perda de tempo, além de um completo desconcerto. Me fazer verificar joias dentro de uma sacola de plástico? Além disso, meus advogados sabem muito bem a lista de materiais que comprei para Luna durante nosso relacionamento, eles poderiam tê-los chamado juntamente com o meu contador e não me fazer cancelar três reuniões com empresas internacionais.
Não afim de discutir com nenhum oficial por um longo tempo, verifiquei joia por joia.
- Está tudo aí. - digo fechando a sacola e voltando a me encostar na cadeira. - Era só isso?
- Não, há algo mais. - o oficial diz, olhando agora para Luna, que abaixou a cabeça, envergonhada. Imaginei o que poderia ser, mas não consegui pensar em nada que pudesse deixa-la sem graça em frente a mim. - Imagino que ela mesma queira dizer ao senhor.
- Que seja logo então. - olho para o relógio Rolex que eu havia ganhado de minha mãe no meu aniversário de dezessete anos. O único bem que carregava comigo a todo lugar. - Greg disse que queriam apenas vinte minutos, tenho uma reunião logo às duas.
Ficamos calados olhando para Luna, que olhava para a mesa como se tivesse hipnotizada. Revirei os olhos, mexendo a cabeça ao ver que os oficiais não iriam pressioná-la a dizer logo, assim, perguntei impaciente:
- Você vai dizer ou...
- Estou grávida. O filho é seu. - ela disse rapidamente e de uma vez. Mantive-me com a boca aberta por um tempo até soltar um riso nasalado e balançar a cabeça, agora descrente.
- Você não se cansa de mentir? De causar? Olha a besteira que está falando para mim! – meu tom de voz elevou sem minha permissão. - Senhor ... - o oficial parecia compreensivo com Luna, deve tê-la conhecido durante sua época de modelo. Antes que eu pudesse descontar minha raiva nele, retirou de sua pasta de plástico um papel branco. - Leia isso antes.
- Eu não tenho tempo de ler nenhuma mentira! - aquilo parecia até uma brincadeira daqueles realities shows estúpidos. Levanto, nervoso, e pego a sacola brutamente e aponto para ela. - Saia de minha vida e veja se dá um jeito nessa sua mania de falar mentiras.
- Senhor . - o representante da justiça se levanta e vem até mim. - Por mais mentiras que ela tenha lhe contado... Dessa vez não é.
Me viro para ele pronto para retrucar, mas ele fora rápido o bastante para dizer antes:
- Um teste de DNA fora feito durante os testes exigidos pelo governo. Está aprovado que o filho que ela espera é do senhor.

Capítulo 2

A semana não parecia acabar. Durante todos os dias desde aquela maldita reunião, tive que entrar em contato com todos os advogados novamente e dar um jeito de tirar a minha pele debaixo dessa chuva ácida. Desta vez, parece que eles foram mais ineficientes do que imaginava, pois no final das contas, eu acabei sendo sentenciado à morte:
- , o senhor está sendo intimado a manter a criança sobre sua custódia, cuidando, alimentando-o e educando-o como seu filho. Durante este primeiro ano, o senhor será acompanhado de perto por dois oficiais que garantirão que Luna Ginger Weifare não tenha contato com a criança. - a batida do martelo da juíza no prato fora como se ela tivesse socado meu pulmão, me deixando completamente sem ar. Olhei para Luna, que tinha seus olhos lacrimejados e desço os olhos para sua barriga que agora estava enorme.
Sem dizer sequer uma palavra, me levanto e encaro bem os olhos da juíza, antes de lhe dar as costas e sair seguido dos meus advogados e seguranças.

O dia seguinte do julgamento fora um tormento, jornalistas e a mídia internacional... Todos atrapalhando minha vida, como sempre. Anunciando minha paternidade obrigatória e me colocando nos olhos do povo. Recebi ligações de parabenizações que não atendi; os donos da empresa que patrocino enviaram presentes de bebê e tudo o que fiz foi enfiá-los em um quarto qualquer de minha mansão. Klein, o único advogado que, na minha opinião, presta, se reuniu comigo para um almoço em casa. Fora de casa havia sempre alguém tirando fotos de longe, perguntando sobre o dia do nascimento do bebê ou achando que eu estava feliz por ser um futuro pai. Desde quando um homem de vinte e cinco anos, rico como eu, quer se tornar pai de uma criança cuja mãe é uma condenada?
- Está claro no documento redigido pela juíza Martinez que você deve, pessoalmente, cuidar da criança. A contratação de babá integral é proibida, o horário permitido é das nove da manhã a uma da tarde, tempo que fica na empresa. - Klein dizia olhando para a folha dentro da pasta de papel pardo intitulado como Caso 9355854. 9355854 outros homens estiveram nessa mesma situação a que estou agora. 9355854 outros homens que estão na berlinda até hoje. - Como ela sabe de seu poder financeiro, também colocou como obrigatório o tipo de educação e proteção que a criança deve ter, além da conta que deverá ser aberta como poupança para que o futuro da criança seja bem estabelecida durante a vida universitária. O juizado estará de olho no senhor, cada multa por infração lhe custará de setenta a oitenta mil dólares.
- Isso é um absurdo! - bato na mesa com o punho fechado, nervoso e estressado. - Quem ela pensa que é? Ela está descontando em mim a raiva que possui do provável homem que a engravidou! Ela sabe que eu não posso ter uma criança vinculada a mim. Diversos homens no mundo engravidam mulheres e sequer lhe pagam uma pensão e eu tenho de pagar uma multa de quase um milhão porque aquela imbecil fazia o trabalho sujo? Dê um jeito nisso!
- Eu tentei, . - ele diz, visivelmente cansado. - Conversei com todos os melhores profissionais da área para achar uma brecha, mas todos nós conhecemos a juíza Martinez e seu espírito maternal. Foi um grande azar termos pega-a para o caso.
Bufo e massageio as têmporas.
- Tem que ter uma maneira. – resmungo e ouço o suspiro de meu advogado. Quando eles suspiram, quando Klein suspira, entendo a mensagem de que não há outra maneira senão seguir a sentença ordenada pela juíza. - Quando essa coisa nasce? - pergunto depois de um tempo, quando me senti humorado o suficiente para falar do assunto sem ter de fincar a faca do peixe na mesa. Klein pega outra pasta e abre-a, passando os olhos em uma folha branca por alguns minutos e então volta-se para mim:
- Duas semanas.
- Aonde?
- Einstein. - ele murmura e fecho a expressão novamente.
- Achei que tivessem congelado a conta dela. - tomo um gole do gim antes de colocar uma garfada de salada na boca. Albert Einstein era o hospital particular mais particular dos Estados Unidos. Assim que ele fora lançado, os maiores economistas do mundo compraram quartos que seriam usados para benefício próprio, podendo alugá-los para o hospital para manutenção interna, recebendo pacientes de fora que pagariam um preço nada simbólico. Eu tinha sete quartos no prédio A, o melhor prédio.
Klein nada diz. Seu silêncio fora o suficiente para eu saber que aquilo passara de apenas uma exploração em cima de mim.
- Você está dizendo--
- Está no contrato.
- Para o inferno este contrato! - jogo o garfo no prato. - O que eles pensam que estão fazendo comigo? Por acaso sou eu o criminoso? Como se não fosse o suficiente ter de lidar com essa criança e tudo ao redor dela, eu ainda tenho que cuidar daquela mulher? - me levanto, o fazendo nada dizer. - Isso é um absurdo! De jeito algum permitirei que ela fique naquele hospital por minha custódia! Se ela quiser ter esse monstro lá, que pague com o dinheiro que conseguiu vendendo órgãos!
Abruptamente e sem pensar, levantei e deixei Klein sentado sem reação em minha mesa de refeições. Caminhei para longe de casa, as mãos no bolso e o vento gelado do inverno tentando me passar frio. Senti meus sapatos deslizarem pelo asfalto coberto por uma fina camada de gelo e me arrependi de não ter colocado algo com sola de borracha. Minha cabeça estava como panela de pressão depois de cinco horas ligada, prestes a explodir. Cenas inventadas sobre minha vida daqui para frente passavam em minha cabeça como filme. Uma tragédia. Com um final ainda mais trágico. Infelizmente, meu egoísmo não era forte o suficiente para mandá-la abortar, ou me fazer arranjar uma maneira de dar um fim nesse bebê que estava para chegar. Encaro o céu escarlate enquanto voltava para casa depois de várias horas andando. Obviamente, os seguranças haviam me encontrado e me acompanhavam onde quer que eu fosse; depois de um tempo na companhia deles, você acaba se acomodando. Ao pisar no chão de mármore da cozinha, prestes a pedir um jantar para as cozinheiras por estar faminto por ter deixado o almoço pela metade, pude ver minha mãe sentada com uma xícara de chá em mãos. Virou sua cabeça para mim e levantou a sobrancelha, de modo que analisou meu estado.
- Encontrei com o doutor Klein quando cheguei. - ela disse depositando calmamente a xícara no pires. Olhei para a expressão em seu rosto, e se não a conhecesse tão bem, acharia que ela era uma mulher sem coração. No entanto, eu conheço, e muito bem, minha própria mãe. E sei exatamente que ela estava extremamente aborrecida com toda a situação; ela não gosta de escândalos envolvendo seu nome. Sophia é um nome forte no mundo. Uma mulher de negócios que consegue fazer das tripas um corpo inteiro; não importa quem fosse, o cachorro ou o filho, ninguém poderia envolver seu nome em um escândalo como eu estou fazendo agora.
- Sim, tive uma reunião com ele. - vou até a geladeira e abro a porta na esperança de achar algo para comer. Se aquilo tudo que estava ali era comestível instantâneo, eu não sabia, mas não iria arriscar. - Faça alguma coisa para eu comer. - olho para as cozinheiras que veermente balançam a cabeça e se movimentam rapidamente de um lado para o outro para prepararem algo. Recentemente, meu humor esteve terrível, admito. Demiti dois jardineiros e três faxineiras por puro azar deles terem me pego em um mau dia. Por esta razão, todos estão receosos sobre quem será minha próxima vítima. - O que veio fazer aqui? - olho para Sophia.
- O que mais acha que vim fazer? Você está em absolutamente todas as manchetes do mundo. - sua voz poderia estar na mesma altura de quando entrei há pouco na cozinha, mas havia um tom de aborrecimento bem claro. - Por que é que insiste em se manter em problemas?
- Vou repetir o que disse da última vez: são os problemas quem vêm até mim. - me sento na cadeira da mesa enquanto uma das assistentes da cozinha trazia algo para eu beliscar e beber enquanto elas preparavam algo para comer. Geralmente quando eu me dava ao trabalho de pedir, era porque minha fome estava fora do controle e elas eram treinadas a me deixar à vontade. Apesar de terem sempre as expressões receosas no rosto, eram mesmo boas nas ações, senão não aguentariam uma semana em minha casa. - E não se preocupe, isso não irá interferir na sua empresa, mamãe.
- Não desconte sua raiva em quem não tem a ver, . Você sabe muito bem que isso já está interferindo na imagem da empresa. - sua voz era ríspida, o que me fez voltar à época escolar, quando ela era chamada no colégio por eu ter feito algo de errado. - Vim resolver este fardo. - ela levantou a xícara novamente e a levou até a boca. Levantei novamente uma de minhas sobrancelhas e aguardei ela dizer sua solução: - Encontre uma mulher que goste de crianças. Dê um jeito, mas encontre-a. Li este contrato absurdo e vi que não se pode contratar uma babá integral, portanto, se houver uma mulher que se passe por sua namorada, ela poderá ficar com a criança o tempo que for. - ela se levanta e começo a colocar minha cabeça para funcionar ao redor do que ela havia dito. - No pior das hipóteses, pague-a. - colocou um lenço ao redor de seu pescoço e saiu da sala sem se despedir como uma verdadeira mãe.
Sophia era, ao contrário do que muitos pensavam, minha mãe biológica. Fora criada na alta-sociedade e teve a infelicidade de engravidar do meu pai quando ainda tinha vinte e dois. Ao contrário do meu azar, ela pode me deixar na companhia de diversas babás, enquanto fora obrigada a começar a trabalhar na empresa de meu avô. Diferente da minha mãe, eu sempre tive interesse em herdar o mais rápido possível toda a empresa. Eu gostava de mexer com o dinheiro. Dei-me o luxo de eu mesmo entrar pela porta da frente em um dia qualquer de trabalho e dizer que começaria a trabalhar naquele mesmo dia. Depois de dois meses, minha mãe já havia se acostumado com a ideia e agora eu já estava na direção da empresa por quatro anos e meio. Com o passar do tempo, ela começou a perceber as vantagens de se estar no topo e ter seu nome vinculado a uma grande quantia de dinheiro. Assim, passou a interferir em meus negócios como se fosse os dela, afinal, ela possuía 51% das ações da empresa, sendo a dona de mais da metade de tudo.
Tomei um gole do vinho enquanto pensava no plano de minha mãe. Não era completamente absurdo. Arranjar uma mulher que goste de crianças não era um trabalho muito difícil. A parte que exigiria mais trabalho seria convencê-la a fazer o que eu quero que faça e, ainda mais impossível, ser bonita como todas as mulheres que passaram por meus braços. Olho para o céu já escuro afora e suspiro enquanto começo a sentir o cheiro do jantar. Talvez eu devesse começar a fingir ser um pouco mais consciente sobre todo esse assunto de bebê.

Capítulo 3

Na quinta-feira, quando fui informado que Luna estava em processo de parto no hospital, tive imediatamente de parar a reunião com os japoneses e eles rapidamente concordaram ao saberem que a razão era o nascimento do meu filho. Ao contrário de qualquer pessoa normal enquanto está no meio de uma negociação, eles se curvaram me parabenizando e não pude fazer nada senão dar um sorriso de agradecimento de volta. Revirei os olhos assim que saí da sala e mandei a secretária marcar outro horário com eles.
No hospital, tive de passar por um momento terrível de espera, onde outros pais e familiares estavam sentados conversando sobre o nome da criança, ou o quarto do bebê. Me limitei a olhar no relógio e enviar mensagens de textos para todos que eu lembrava que tinha compromisso. Isso era serviço das minhas secretárias, mas uma vez que eu não podia sair daquela sala por causa da imprensa, e não podia fazer muito barulho por estar em um ambiente que necessitava silêncio, era a única escolha que eu tinha para me distrair.
Duas horas haviam se passado e eu ainda estava sentado naquela poltrona dura. Perguntei pela nona vez a uma enfermeira que passava se iria demorar muito mais, mas, novamente, ela não soube me responder. Disse que o processo de parto é demorado e que eu tivesse paciência que tudo daria certo. Eu não queria saber se daria certo, seria até melhor que não desse; mas eu queria ir embora. Respirei fundo e perguntei onde havia uma cafeteria e ela apontou para uma máquina onde uma mulher analisava o menu, provavelmente escolhendo alguma bebida. Ouvi a enfermeira se retirar ao ouvir uma chamada. Me levantei, marcando em minha memória de reclamar à administração sobre essa falta de consideração com os proprietários de parte dos quartos do hospital, e segui até a tal máquina, onde a mulher continuava pensativa.
- A senhora vai... - começo a dizer e aponto para a máquina, ela vira seu rosto para mim em uma expressão surpresa e ri sem graça.
- Ainda estou decidindo, fique à vontade. - deu um passo para trás e sorri agradecido em retorno. Aulas de etiqueta enfim dando resultado. Madame Lou ficaria orgulhosa, se já não estivesse a sete palmos abaixo da terra.
Olhei para as opções da máquina e eles realmente tinham alguns nomes esquisitos para os tipos de bebida. Me endireitei e voltei as mãos no bolso sério. Talvez um deles fosse meu café di latte. Deveria ser um nome comum ou minhas secretárias não teriam tanta dificuldade em encontrar para trazerem a mim todas as manhãs.
- São um pouco diferentes, não é? - ouço a voz da mulher logo atrás de mim. Desvio o olhar para ela, que encarava a máquina com a mesma expressão que a minha. Balanço a cabeça: - Um pouco. - concordo. - Existe alguém que explique qual é o café tradicional? – olho para os lados. Já que não havia o di latte, pelo menos o tradicional poderia ser facilmente explicado.
- Perguntei à enfermeira, mas ela murmurou qualquer coisa e saiu. Acho que estão ocupadas demais para dar uma informação assim banal... - ela sorri sem graça. Encaro seus olhos e a vejo corar. - E-er... Eu vou... Ver se descubro. - e dá dois passos para trás, se virando rapidamente e mexendo a cabeça a procura de alguém.
Levantei a sobrancelha e, como não tinha nada para fazer, me deixei observar a mulher que tentava perguntar para um grupo de adolescentes que estava com um senhor - provavelmente pai de uma das crianças que estava nascendo -, qual a diferença dos cafés da máquina. Os jovens pareciam ter em torno dos dezesseis anos e falavam em voz alta sobre um ter mais leite, outro ser descafeinado, outro para diabéticos, etc. Por mais arrogante que aqueles adolescentes fossem, em momento algum a mulher pareceu se aborrecer com seus comportamentos. Vi-a agradecer ainda com um sorriso e voltar até a máquina, onde eu estava parado com as mãos no bolso. Ao ver que eu aguardava uma resposta, limpou a garganta:
- Esta é a clássica. - apontou para o quinto botão. Balanço a cabeça e pego minha carteira à procura de alguma moeda, mas nada acho. Solto o ar impaciente e ela sorri mais uma vez sem graça:
- Pode deixar. - diz, tirando uma moedeira de tecido em formato redondo e retirou de lá algumas moedas, colocando-as no compartimento da máquina. Três minutos depois, nós dois estávamos com o café quente em mãos.
- Obrigado. - levanto o copo de isopor e ela balança a cabeça.
- Não há de quê.
Voltamos a nos calar e, por não estar afim de voltar a me sentar, não me movi de meu lugar.
- Menino ou menina? - ouço a mesma voz de há pouco. Olho para o lado e a mulher me olhava.
- Como?
- O bebê. É menino ou menina? - ela aponta para a porta por onde os enfermeiros ou enfermeiras saíam para dar a notícia do nascimento do filho de diversos pais que estavam ali, informando peso e sexo, além do estado de saúde da mulher.
- Não sei. - respondo friamente, a fazendo balançar a cabeça.
- Ser uma surpresa deve ser muito mais emocionante... - ela comenta, concordando com a cabeça. Vi-a abrir um pequeno sorriso e encarar as famílias que chegavam para acompanhar a comemoração dos pais no nascimento de seus filhos. - É uma boa escolha...
Nada falei. Manter um diálogo com uma estranha, por mais que ela tenha pago meu café, não era o que eu queria no momento, portanto, me mantive calado até ouvi-la falar novamente.
- É admirável, seu comportamento.
Olho de esguela para ela e a vejo sorrindo enquanto observava as pessoas naquele espaço. Ao perceber que eu não falaria nada, continuou:
- A maioria dos pais aqui estão nervosos ou fora de controle por causa da tensão. Alguns estão no terceiro filho e mesmo assim não conseguem evitar o stress. O senhor é o primeiro que vejo controlado.
Troco o peso de perna.
- Hoje obtive essa estranha informação sobre os pais que são donos de quartos deste hospital. - ela insiste. Fecho os olhos impaciente e dou um longo suspiro tentando me manter são. - Eles não esperam nesta sala pelo nascimento dos filhos. São avisados quando as crianças nascem, e então aparecem por obrigação com a mídia. Eu me pergunto de onde eles tiram essa coragem... Quero dizer... É um filho.
- Algumas pessoas possuem outras prioridades. - respondo obviamente me pondo do lado do que ela achava um absurdo.
- Pode ser... - disse ainda calma. - Mas se sabem que será assim... Por que fazem? O que as crianças têm a ver com as prioridades egoístas de seus pais? Ser educada por um estranho... Alguém pago... - até então meu olhar não pode evitar se virar para ela. Sua expressão era dolorosa, como se ela sentisse a dor de ser educada por uma babá. - Quero dizer, sei que não há tempo o suficiente para essas pessoas importantes; mas uma educação dada com amor não é diferente de uma educação comprada?
- O melhor lugar para ser educado é a escola, até onde eu sei, as melhores são as pagas. - digo jogando o copo de isopor no lixo.
- Não esse tipo de educação... O do tipo, aprenda a amar e respeitar. Não a ler e escrever.
Solto uma risada deboche, o que a fez virar seu rosto para mim.
- O quê? Acha isso uma piada?
- Parece uma. - digo em tom de riso. - Para estas crianças, elas terão as aulas de etiqueta, onde aprenderão a se portar. Então terão as aulas de filosofia, que questiona os sentimentos e as razões. Crianças nascidas em berços assim... Não são azaradas.
- Pois eu acho que sim! Que memórias terão elas sobre seus passados?
- Para quê viver do passado, quando há um futuro para se preocupar? - a retruco mais uma vez. A conversa, apesar de estar estampado na testa dela que a estava aborrecendo, a mim estava divertido. Olhava com um sorriso nos lábios, e a vi soltar um muxoxo e balançar a cabeça.
- Senhor ? - ouço a voz de uma enfermeira, chamando a atenção da sala inteira. Silêncio. Algo que achava impossível ouvir naquele local onde eu estava, mas todos estavam ocupados demais em me olhar para poderem soltar algum tipo de ruído. A única pessoa que não tinha interesse em mim era a mulher com quem estava discutindo até há pouco. - Seu filho nasceu, três quilos e duzentos. A mãe--
- Obrigado. - corto a mulher, que sorri e volta de onde havia saído.
- O senhor... É ? - um homem diz receoso se aproximando. O olho e confirmo. - Sou Gordon Streiss da Mart. Estamos tentando entrar em contato com o senhor há meses!
- Minha agenda anda bastante cheia. - respondo o que sempre respondo quando alguém fala sobre tentar me contatar.
- Entendo, o senhor não teria um espaço? Temos esse novo projeto que é muito inovador...
- Não é por nada - a moça com quem discutia há pouco se intromete. -, mas o senhor aqui acabou de receber a notícia que seu filho nasceu. - olhamos os dois para ela. - Ele quer ver a criança.
- Ah - o homem diz, olhando para o lado e então de volta para mim sem graça -, claro, claro. Desculpe o inconveniente, senhor ... - balanço a cabeça, mostrando que não havia me importado, mesmo tendo. - Parabéns pelo bebê.
Abro um sorriso por educação e caminho em direção ao local por onde a enfermeira havia se retirado.
Antes de entrar, olho para trás e vejo todos ainda com suas atenções em mim, menos a mulher com quem havia discutido, que olhava atentamente para seu relógio. Logo que a porta se fechou atrás de mim, pensei sobre a proposta de Sophia.
Talvez...

Capítulo 4

Assim que vi a criança, achei que aquele conceito sobre "bebê recém-nascido ter cara de joelho" era realmente verdade. Todos iguais, diferenciados por uma pulseira e a cor da manta que os cobriam. Fui chamado para ver a mãe, mas recusei. Perguntei se ela já havia visto a criança, mas por ordem da justiça, ela não tinha a permissão de sequer saber o sexo do bebê. Levantei as sobrancelhas visivelmente surpreso, mas não disse nada sobre o assunto. Voltei a encarar o bebê que estava no berço e respirei fundo.
Saí da sala para discutir sobre o processo de retirada da criança do hospital. Enquanto o médico conversava com meu advogado sobre os papéis que eu deveria assinar, olhei para o lado, onde a moça que eu havia discutido estava parada em frente do berçário com um sorriso nos lábios. Surpreso, resolvi me dirigir até ela, para não ter que encarar a conversa burocrática que os dois estavam amigavelmente tendo.
- Qual deles é seu?
- Aquela garotinha ali - ela aponta com uma voz terna e sorriso nos lábios. -, tão linda quanto à mãe.
Encaro-a um tanto desconfiado e por sentir que eu não falava nada, me encarou esperando por algum cumprimento. Ao ver minha expressão, provavelmente deve ter pensado o que eu exatamente estava pensando naquele momento, pois sua expressão logo mudou para uma mais desconcertada:
- Não sou lésbica! - disse levemente ofendida. - A mãe é minha irmã... - e volta a encarar o bebê, trazendo de volta o sorriso nos lábios tão rapidamente quanto os tirou.
Balanço a cabeça finalmente entendendo e olho para o berçário, vendo a sobrinha dela a alguns berços de distância do meu filho. Meus olhos voltam para a moça, que agora tinha os olhos cheios de lágrimas.
- Você está chorando porque sua sobrinha nasceu? - pergunto, a achando um tanto maluca e emotiva demais. Eu sempre soube que mulheres descontroladas não tivessem controle também sobre suas emoções, mas assim dessa maneira...
Ela me encarou surpresa e seu sorriso rapidamente saiu do rosto como se tivesse se lembrado de algo ruim. Em seguida, um sorriso sem graça toma conta de seus lábios:
- Claro... - sua voz era distante. - É isso mesmo.
Voltamos a nos calar, até eu me lembrar que devia um agradecimento à ela:
- Sobre a sala de espera e o cara inoportuno... Obrigado.
Ela virou seu rosto para mim, mais uma vez surpresa, e balançou a cabeça:
- Existem pessoas que às vezes não sabem o momento e lugar para discutir certas coisas.
- Concordo. - respondo. Não posso deixar de mencionar minha surpresa em ter de consecutivas vezes puxar conversa com a mulher. Nunca, em todos os relacionamentos que tive, precisei me esforçar tanto em chamar a atenção de alguém. - Então. Você só veio para ver sua sobrinha nascer?
- Minha irmã é mãe solteira, quero dizer, o infeliz do ex-namorado dela a engravidou. Tem dezesseis. - balança a cabeça pesarosa. - É uma longa história e você não deve gostar de pessoas falando sobre seus problemas pessoais no seu ouvido.
Viro meu corpo para ela visivelmente admirado. Poucas eram as pessoas que falavam na hora certa coisas que eu queria ouvir. Principalmente as que eu havia acabado de conhecer. Elas geralmente pareciam desesperadas sobre quererem conhecer mais de mim, principalmente as mulheres, que sempre que me viam, podiam enxergar as cédulas dos dólares que eu tenho em minha conta bancária serem direcionadas a seus prazeres.
- Engraçado - comento -, estou interessado agora.
Eu estava começando a me acostumar com os olhares de surpresa que recebia dela. Analiso seu perfil e vejo que ela não era nada de se jogar fora. Nada como minhas ex-namoradas manequim zero, mas era bonita demais para uma mulher comum. Com mais essa personalidade maternal e compreensível que tinha, olho para meu filho ainda sem nome, e volto a encará-la. Um sorriso se forma dentro de minha mente.
Talvez... Não. Com certeza.

Capítulo 5

A chamei para tomar um café comigo, e como todos os compromissos de hoje e do resto da semana estavam cancelados por causa do nascimento do monstrinho, eu tinha o tempo que eu quisesse para pensar sobre o que fazer e como fazer. O que fazer já estava decidido, como fazer eu descobriria durante a conversa, quando a conhecesse melhor.
- Conte-me sobre sua história. - digo antes de colocar a xícara de café que a cafeteria do hospital oferecia. Havia pedido uma sala privada para que nenhum ambulante disfarçado de paciente ou parte da equipe pudesse ouvir e tirar conclusões precipitadas. Atualmente eu andava muito na mídia, portanto, qualquel notícia sobre mim valia tanto para eles, que eu não me surpreenderia se alguns deles quebrassem alguma parte do corpo somente para terem acesso ao hospital. - Mas antes, me diga seu nome. Sou . , da companhia . Já deve ter ouvido falar.
- Claro. - ela diz ainda não tocando em sua xícara e olhando para os lados. - Sou . , uma atual autônoma. Por que precisamos de uma sala privada?
- Autônoma? - levanto minha sobrancelha, ignorando a pergunta dela. Vi seu dedo da mão direita coçar atrás de sua orelha, mostrando seu desconcerto.
- É um modo educado de dizer que sou uma desempregada.
Solto uma risada.
- Bom humor. - comento e a vejo com um pequeno sorriso nos lábios.
- Não é muito legal brincar com a própria situação... - diz baixo e desfaço o sorriso, limpando a garganta. - Com a gravidez de Belle, minha irmã, meus pais a deserdaram. Coisa de pais que acreditam fortemente na religião. - ela balança a mão querendo dizer muita coisa, mas não dizendo nada, o que para mim é ótimo, porque ateu como eu era, Deus e crenças não era meu assunto favorito a conversar. - Ela apareceu em casa há alguns meses chorando e não pude deixá-la na rua, é minha irmã mais nova. Meus pais, ao saberem, ficaram extremamente aborrecidos comigo e decidiram não querer falar comigo por um tempo. Então decidi que nos mudar para Nova Iorque era melhor do que ficar em Kansas.
- Você é do interior?
- Qualquer um que chega em Nova Iorque é do interior. - ela comenta e solto uma risada. Ao ver que não a acompanhei, fechou o sorriso: - Chegamos há um mês.
- E como está se mantendo?
- Tiramos algum dinheiro do pai da criança, mas ele sumiu. - ela levanta os ombros. - Controlando os gastos, conseguiremos nos manter até daqui a uns dois meses. Enquanto isso, estou procurando algum emprego.
- O que você faz?
- Sou formada em fisioterapia.
Concordo com a cabeça.
- Solteira?
Vejo sua boca abrir em um 'O' grande, transformando-se logo em seguida em um riso.
- Afinal, qual é o ponto disso tudo? - ela aponta para nós dois, me fazendo abrir meu sorriso branco número 2, usado em casos urgentes, quando devo conquistar a presa rapidamente. – Me parece uma entrevista de emprego misturado com flertes.
- Na verdade, eu estou deixando a conversa rolar. Não há um ponto no meio disso tudo, mas convenhamos que você foi a única que não me deu atenção como se eu fosse uma celebridade ou um cara rico. Muito rico. Não acha normal eu me interessar em ter um relacionamento com alguém assim?
Ela soltou uma risada e balançou a cabeça, enquanto encarava a mesa. Levantou a cabeça e disse:
- Honestamente? Não, não acho que esse seja seu tipo.
E não era.
Abro um meio sorriso. Havia sido pego de surpresa. Minha cabeça automaticamente começou a trabalhar, tentando arranjar um modo de contornar a situação. Não precisei me esforçar muito, pois logo voltava a tomar conta da conversa:
- Qual é o seu problema? Para chegar ao ponto de paquerar uma mulher nada atraente?
A encaro desconfiado por um tempo. Foi quando suas sobrancelhas foram erguidas que eu resolvi ser honesto. Respirei fundo e me inclinei de modo que ela percebesse que era algo bem mais pessoal do que ela imaginava:
- Você não ouviu falar sobre o meu caso, não é?
Ela levantou os ombros:
- Não, tenho um emprego a achar, não tenho tempo para acompanhar as fofocas da sua vida, sinto muito. Mas deve ser algo relacionado à mãe do seu filho, já que não quis vê-la.
- Perceptiva. - a elogio. - Ela fazia parte do clã que exportava os órgãos aos países baixos. Quase rodei por causa disso. Acontece que depois disso tudo, ela chegou com o papo de ter engravidado. O teste de DNA confirmou. Não gosto de crianças e acho que tenho muito o que viver ainda antes de sequer pensar em cuidar de uma segunda vida. Preciso de alguém que se passe por algo mais próximo a mim, porque a juíza especificou que não devo contratar babás. Você precisa de dinheiro, eu preciso de alguém para fingir por mim. E não me importo com quanto irei gastar com isso, desde que dê certo.
Parei de falar, olhando bem no fundo dos seus olhos. Não consegui distinguir através de seus olhos, o que ela achava sobre o assunto. Olhou para o lado diversas vezes e demorou um tempo até finalmente dizer para mim:
- Por isso a sala particular. – apontou ao redor.
- Sim. – confirmei.
- Você quer alguém para fingir ser sua namorada.
- Sim.
- E você trairá essa namorada com outras mulheres, em festas ao redor do mundo.
- Procurarei ser discreto e minha equipe de relações estará a postos para abafar tudo antes de ser lançado.
Com uma risada descrente, a vi balançar a cabeça e me olhar com um sorriso:
- Você não acredita mesmo em amor, não é?
Solto uma risada, encarando-a com uma expressão irônica, como se ela tivesse dito a coisa mais hilária e ao mesmo tempo, ridícula.
- Eu não acredito em nada que não tenha acontecido comigo.

Capítulo 6

Demorei um tempo para conseguir alguma resposta dela. Aguardei pacientemente sua decisão, dando alguns empurrõezinhos.
- Há quanto tempo você está procurando um emprego? - chamo sua atenção. - Aqui, se você não tem um bom currículo ou uma boa indicação, não será nada fácil conseguir algo que sustente vocês três.
Ela me olhou feio e voltou a olhar para a mesa pensativa. Algum tempo depois, voltei a falar:
- Vocês morarão em casa, onde terão tudo o que precisarem e muito mais. Sem custos para nenhuma das três. E uma mesada bem recheada.
- Deixe que eu decida sozinha, sim? - ela disse já aborrecida.
Dei uma risada e voltei a me calar. Passados mais ou menos vinte minutos, ouvi seu suspiro, fazendo-me desligar o celular.
- De quanto estamos falando?
Abro um sorriso:
- Cinco mil mensal. - perdi o tempo em que ela se decidia criando uma estatística de gastos. Seria muito, mas valeria a pena. Valeria minha liberdade. - Condução, moradia, estudos e alimentação por minha conta. Da sua irmã e da sua sobrinha. - acrescento, vendo-a levantar as sobrancelhas.
- E tudo o que tenho que fazer, é fingir ser sua namorada?
- Só isso. - sorrio. - Com os beijos e alguns encontros só nós dois. A mídia é esperta.
Ao invés de, como qualquer mulher, ela concordar veermente, apenas assentiu com a cabeça e disse, depois de um longo suspiro:
- Até quando?
- Sem prazo.
- Quero um prazo. - ela diz séria. - Não posso, não quero e não vou dedicar minha vida à você. Tenho metas.
Levanto as sobrancelhas visivelmente atormentado. Ninguém nunca fizera tão pouco caso de mim assim. Suspiro:
- Cinco anos.
Ela suspira e concorda com a cabeça, se levantando:
- Ficarei aqui até amanhã à tarde. O quarto de Belle é o 782, traga o contrato para assinarmos juntos.
Me levanto e estendo o braço para um aperto de mão:
- Foi bom fazer negócio com você, .
Ela não me respondeu. Apenas um sorriso e, sem demonstrar a menor animação por ter certeza de que me viria em breve, se retirou da sala.
Eu logo me acostumaria com o pouco caso que ela faz de mim.

Assim que encontrei meu advogado, falei sobre o contrato que ele deveria de criar para o mesmo dia. Ele achou um tanto esquisito, mas como sempre, não fez nenhum comentário. Eu retiraria o bebê no dia seguinte, junto com . Fui para casa depois de ter acertado as documentações de Liam, meu filho. Fora o primeiro nome que me veio à cabeça e eu aposto que ninguém iria se importar com ele.
Mandei as empregadas arrumarem o quarto do bebê e também o da irmã de . Me perguntei se deveria arrumar um quarto separado para a filha dela, mas acabei deixando-as juntas. A governanta achara um tanto esquisito, mas não discutiu. Quando falei com Sophia pelo celular no caminho de volta para casa, ela disse que achava melhor ninguém além do advogado e ela saberem disso. Não falei que sabia de toda a situação.
Por esta razão, ela teria de dormir no mesmo quarto que eu. Minhas empregadas não eram das mais confiáveis, e se tinha alguém disponível a dar uma boa quantia de dinheiro para elas dividirem uma informação sequer, elas o fariam.
Enquanto as empregadas arrumavam os quartos, que seriam melhor decorados depois, eu tratava de pensar em como eu iria fazer para que a mídia não estranhasse eu trazer e a irmã para casa. Eu já era conhecido por ser um tanto apimentado nas relações, havia prometido à mim mesmo que iria parar, mas parecia que desta vez, a fama viera por uma boa causa.
No dia seguinte, fui ao hospital pela parte da manhã. Vi sair do quarto onde estava a irmã e me olhar com os olhos cansados. Levantei a sobrancelha e antes mesmo de perguntar, ela respondeu:
- Ela deve dores e tive de ficar acordada a noite inteira.
Peguei em sua mão e a levei para um quarto vago.
- Vou te explicar como serão as coisas. - digo, fazendo-a me olhar exausta, mas balançar a cabeça para eu começar a falar. Disse tudo o que deveria fazer, tudo o que provavelmente iria acontecer, os modos como ela iria agir e a nossa história. - Entendeu? - ela confirmou com a cabeça. - Sua irmã irá sair pelos fundos com sua sobrinha, meu motorista estará a esperando. Você sairá comigo e Liam.
- Liam? - ela sorri, parecendo que finalmente havia prestado atenção em alguma coisa que eu havia dito. - É o nome dele?
- É. – Respondo, sem o menor interesse. - Que horas sua irmã terá alta? - olho para o relógio.
- À tarde.
- Avise-a que meu segurança ficará aqui para ela, quando ela sair, ele a levará até o carro que a estará esperando.
- Não posso ficar com ela?
Respiro fundo, impaciente.
- Você não ouviu o que eu disse? Você deve sair comigo.
Ela revira os olhos e se dirige à porta:
- Eu preferia você quando estava me paquerando. - disse antes de sair.
Solto uma risada e balanço a cabeça, seguindo para a área do berçário, onde pude ver Liam apenas por causa da placa com seu nome no berço.
A enfermeira olhou em uma plaqueta as informações de Liam e então fora pegá-lo para mim. Demorar quinze minutos para a enfermeira prepará-lo. Assim que ela saiu com ele e colocou-o em meus braços, sorriu carinhosamente, esperando que eu olhasse a criança com um grande sorriso de orgulho, como se eu quisesse Liam ali comigo. Agradeci pelo trabalho e lhe dei as costas, vendo parada do outro lado do corredor, encostada na parede com os braços cruzados. Caminhei até ela, que tinha um sorriso calmo no rosto:
- Hiperativo? - apontou com a cabeça para Liam, que não parava de se mexer em meus braços. - Ele parece bem pequeno mesmo nos seus braços.
- Pode segurar. - digo, oferecendo Liam e a ouvindo rir.
- Fique com ele um pouco, ele deve entender que você é o pai, ou ficará agitado assim toda vez que você o pegar. - me vê levantar as sobrancelhas. - Você não irá querer um vexame na frente da imprensa, irá?
Olhei para o menino, que ainda me encarava agitado, voltei a olhar para , que disse:
- Vou lhe provar que a educação maternal vale muito mais do que a lavagem cerebral que dão nas escolas elitistas.

Quando ainda estávamos no elevador, olhei para , que conversava com Liam enquanto ele estava no meu colo. Fora ela começar a falar e tocar em sua mão, que ele instantaneamente parara de se mexer, como se agora ele tivesse algo para dar atenção. Não me importava com o monólogo de com Liam, tampouco ligava para a educação que ela disse dar a ele. Quem iria ter de aguentá-lo seria ela. Saímos do elevador e pude ver diversos seguranças e fotógrafos no lado de fora, tirando fotos de mim com Liam. Gritavam por meu nome, como sempre faziam, e, como sempre, os ignorei.
- Me dê sua mão. - disse, e com a mão que estava livre, pois carregava Liam com apenas um braço de tão pequeno que era, estendi para ela que pegou e enlaçou nossos dedos sem se importar com o que eu diria.
Eu não diria nada.
Agradeci com um sorriso os donos do prédio, que sempre vinham cumprimentar seus clientes de honra - aqueles que possuíam mais de cinco quartos ali - e caminhei com para fora do hospital, sentindo-os agora ainda mais agitados ainda, por verem que eu já estava com uma nova companheira. Ela havia se arrumado, dissera que meu advogado pedira à ela que se arrumasse para que a imprensa achasse que ela vinha de uma família de prestígio.
Em momento algum ela reclamou por ter de fingir qualquer coisa, e antes de sairmos do elevador, colocou uma manta em cima de Liam, dizendo que não era bom ele ver toda aquela agitação dos paparazzis em cima dele.
Ainda de mãos dadas, caminhamos em direção ao estacionamento, seguidos sempre dos fotógrafos. As pessoas comuns que estavam na rua paravam para ver quem era a celebridade que estava ali, e assim que viam minha cabeça no meio de todos aqueles fotógrafos, apontavam e falavam entre si. Ouvia algumas pessoas mais próximas falarem "ele já está com outra?", ou "eu queria ver a cara do neném, aposto que puxou a mãe", e até "eu não esperava que ele fosse tão alto e bonito assim". Já estava acostumado com todos os comentários que chegava em mim pela boca do povo. Parei por um minuto para soltar a mão de e colocar os óculos de sol que estavam pendurados na gola de minha camisa. Ao olhar para ela, vi que ela já usava a dela. Voltei a pegar em sua mão e voltamos a caminhar para o carro, que agora estava mais perto.
- Segure ele. - falei para , que se virou para mim pronta para pegar Liam no colo, barulhos incessantes de fotos sendo tiradas, mais a berraria do povo gritando ao nosso redor. Ela se arruma e a acompanho até o lado passageiro, onde a ajudei a entrar e colocar o cinto. Dei a volta no carro enquanto via o aglomerado ao redor de meu carro. Não perguntei se estava tudo bem com ela, nem com o bebê. Dei a partida no carro e saí do local, me afastando de toda aquela muvuca. Peguei a avenida principal que me levaria até uma rua mais calma, onde eu poderia diminuir a velocidade e combinar as coisas melhores com . Assim que virei a esquina, diminuí dos 80 para 60 quilômetros por hora.
- Há uma coisa que eu não te contei. – falo, fingindo atenção ao trânsito. Vi seu rosto virar para mim, enquanto ela retirava a manta de cima de Liam. - Ninguém, a não ser nós e meu advogado, sabe sobre este acordo.
- Tudo bem. - a ouço responder.
- Por isso, você dormirá comigo. - finalizei, finalmente atraindo a atenção dela.
- Você quer dizer, na mesma cama?
- É.
- Você não se importa? - seu tom era surpreso e um tanto aborrecido. Solto uma risada:
- Já dividi cama com milhares de mulheres...
- Sim, mas não com a mesma todos os dias por cinco anos, aposto.
- Não é como se eu fosse dormir em casa todos os dias. - olho para ela com um olhar intencional e a vi entender bem minha mensagem.
- Tudo bem, desde que você se lembre que há pessoas que dormem com você com a intenção de apenas dormir.
- Vou tentar deixar isso em mente. - digo em tom de riso e a ouço soltar uma risada. Olho para Liam quando pego um farol vermelho. Ele dormia tranquilamente no colo de , enquanto ela fazia carinho em sua bochecha com o dedo indicador e cantarolava algo com a boca fechada. Sem dizer nada, volto a atenção para a rua.

Capítulo 7

Durante o tempo que estava em casa, eu fazia tudo o que sempre fiz quando estava em casa. Dificilmente esse tudo era em meu quarto, lugar onde mais ficava, depois do quarto de Liam ou Belle. A irmã de era a típica garota que você não fica surpreso em saber que engravidara aos 16 anos. Prodígia e com os mesmos pensamentos das mulheres com quem eu saía. a tratava como uma criança.
Dormir na mesma cama não era um problema para mim e . Ela dormia cedo demais, e acordava mais cedo ainda - principalmente quando Liam chorava. Nós não passávamos parte do tempo que nós tínhamos juntos. Apenas durante a manhã de domingo, quando eu gostava de acordar cedo para nadar na piscina, pois não haviam empregados na casa, era quando nós ficávamos juntos. Ela descia com os nenéns para fazê-los tomar o sol fraco da manhã, e obrigava Belle a vir junto. Um tipo de castigo por ter engravidado:
- Sabe, não estou surpresa que você tenha engravidado a sua ex. - ouço sua voz, enquanto esquentava o leite das crianças na mamadeira, já que Liam não tinha mãe e Belle não produzira o leite por causa dos silicones colocados há dez meses e meio. - Você é muito gostoso.
Dou risada e balanço a cabeça, jogando meu cabelo para trás, e apoio os braços na borda da piscina.
- Você é bem ousada. - comento.
- Aposto que você gosta disso. - vejo-a sorrir maliciosa e retorno.
- Sinto lhe dizer, mas você está abaixo da idade média do que eu gosto.
- Pois saiba que eu consigo ser muito melhor do que você julga ser a idade ideal para você.
- Tipo sua irmã. - respondo, a ouço soltar uma longa risada.
- Minha irmã, fala sério. - seu tom deboche é bem claro. - Dormir juntos não quer dizer que vocês estejam transando. E além do mais, eu conheço minha irmã. Conheço ela bem o suficiente para saber que você não faz o tipo dela.
- Interessante... - digo pensativo, então olhando para ela. - Não achava que ela tinha um tipo.
- Ah, ela tem. - Belle diz, comendo um pedaço do sanduíche que fizera para ela. Balançou a cadeira de Vita com o pé. - Ela gosta dos inteligentes.
Diminuo meu sorriso, surpreso com a ousadia de Belle. Continuei calado, esperando ela dizer algo:
- Minha irmã sempre atraiu homens como você, que acham que podem tê-la em suas mãos. Ela é muito mais bonita do que eles esperam, sabe? Alguns procuram por ela, mas ela nunca retornou nenhuma ligação. Não gosta de gente correndo atrás dela.
- Eu acho que para toda regra tem sua exceção.
- Ah, sim... Mas desista. A exceção dela foi há dois anos com o primeiro e último marido dela.
Levanto os olhos visivelmente surpreso. Belle riu:
- Minha irmã fora uma mulher casada, sim. Jake morreu de tuberculose, ele não era rico e quando descobriram, já era tarde. De qualquer maneira, essa não foi a pior notícia do ano para . - ela para de balançar a cadeira de Vita e volta com os pés para cima da espreguiçadeira. Olhou as unhas e disse: - teve um problema de saúde quando adolescente e agora não pode ter filhos. E acredite: ela queria muito um filho.

Descobrir que ela aceitara minha proposta para ser um tipo de mãe na vida de Liam não foi tão espantoso quanto qualquer pessoa sã imaginasse que fosse ser. O único problema era que eu não podia mais chantageá-la dizendo que ela fazia aquilo pelo dinheiro, porque não era inteiramente verdade.
Eu passava o dia inteiro na empresa, e nos finais de semana ia para as festas, saindo na quinta e só voltando para casa na madrugada de sábado para domingo. Via Liam apenas no domingo, quando acordava para nadar e preparava o almoço.
Adentrei na cozinha para pegar algo para beber. preparava algo com manjericão, pois o cheiro estava quase chegando a ser insuportável de tão forte.
- Posso falar com você um minuto? - ouço sua voz e viro meu rosto, vendo-a me encarar séria.
- Sobre?
- Minha irmã.
Sento na banqueta que havia de frente para a bancada do fogão e a espero começar a falar:
- Eu sei que ela deve estar dando em cima de você. - ela inicia a conversa. - E o que ela faz quando acha alguém "gostoso demais". - faz as aspas com os dedos. - Mas quero saber se eu consigo dar um jeito nela. Então se você puder ficar longe dela...
- Por que eu ficaria com ela? A garota é praticamente dez anos mais nova que eu.
- O pai de Vita tem a mesma idade que você. - ela diz, me calando. - Eu sei que você a acha nova demais para você... Mas eu já vi minha irmã fazer de tudo para ter o cara que ela quer na cama com ela.
- Se você sabe que ela é assim, por que acha que tem chance de mudá-la? - termino de beber o energético e jogo a lata no lixo.
- Ela é minha irmã. - levanta os ombros. - Não tem como explicar.
Solto uma risada.
- Você poderia não dormir com ela, por favor? - ela diz, deixando a ansiedade dela à mostra.
- Você não quer transar comigo e agora não quer que eu transe com a sua irmã, que você sabe fazer o meu tipo... - digo pensativo, com uma cara de riso. - Isso não estava no contrato, estava?
- ... - ela começa, mas a calo:
- Sabe , eu não gosto de pessoas que mandam em mim. As que querem mandar em minha vida pessoal então...
Eu sabia onde iria querer chegar com isso. Meu sorriso era tão expressivo quanto o aborrecimento dela. Olhou em meus olhos e pode ver minhas intenções. Disse:
- Eu não vou transar com você. - e desligou o fogão. - Faça o que quiser da sua vida - retirou o avental e foi até o forno, retirando as mamadeiras prontas das crianças. -, mas não estrague a da minha irmã mais do que já está estragada.
Fecho meu sorriso e levanto uma sobrancelha incomodado.
- Continue fingindo que nós não estamos aqui. - sua voz sai rancorosa. - O almoço está pronto. - e sai rapidamente da cozinha, me deixando sozinho com meus pensamentos.

Quando Liam e Vita estavam completando seis meses de vida, Belle começara a dar uma de esperta para e sair para as noites, voltando apenas na tarde do dia seguinte. Depois de um mês aguentando isso, peguei as duas discutindo domingo à tarde em um dos quartos de hóspedes. Encostei na parede ao lado da porta e cruzei os braços, curioso pela gritaria:
- ... Você não aprende, Belle! Quantas vezes tenho que te pedir para que pare de dar para qualquer um que surja na sua vida?
- ! Você sabe que eu gosto dessa vida! E daí que ela não é boa no SEU ponto de vista? A vida é minha, não é? Deixe que eu...
- Acontece que independente da vida ser sua ou não, sou eu quem tenho de arrumá-la para você! Belle, eu só pedi para você parar de transar com um cara por dia! Não pedi para você parar de sair, nem a proibi!
- Pare de querer me mudar! Eu não vou mudar, ! Eu estou fazendo tudo o que você está mandando; eu não falto na escola, eu estou tentando entrar em uma boa faculdade e estou trabalhando. Enquanto você fica o dia inteiro na folga aqui...
- Eu já pedi para não tocar nesse assunto. - ela responde mais baixo, de modo que eu tive de dar um passo para mais perto da porta para ouvir melhor. - Você sabe que eu comecei com isso por causa de você e de Vita.
- Não jogue a culpa em mim. Admita que você faz isso porque não quer que eu crie Vita e não quer Liam nas mãos do . Porque sabe que eles serão uns merdinhas quando crescerem, se nós ficarmos com eles.
- Belle...
- Você parece mais uma prisioneira aqui que só sai quando o manda! - minhas sobrancelhas eram mantidas erguidas quando eu entrei na conversa. - , eu te amo e só faço o que você pede por causa disso. Eu não falo nada para você, então não quero você falando para mim sobre minha vida social.
- Belle, você pode contrair DST...
- Que se dane. , você se lembra das sensações enquanto está transando? É claro que não. Bom, eu que não quero me esquecer.
- Há outras...
- Você quer calar a boca? - Belle diz agora alto. Por não ter respondido, acredito que estava sensibilizada demais para retrucá-la: - Você está preocupada em eu engravidar de novo? Não que eu tenha que me preocupar, mas tenho certeza que você no fundo gosta disso, afinal, você sabe muito bem que eu não faço questão nenhuma de ser chamada de mãe aos dezessete anos. Tudo o que acontece, é que você terá mais filhos para chamar de seus, já que você mesma não pode ter os próprios.
Solto uma risada. A menina era mesmo um livro aberto. Olho para o chão, quando ouço a porta do quarto se abrir bruscamente e sair dele com os olhos marejados. Olha para mim surpresa e ao ver que eu estava ouvindo tudo, suas bochechas se avermelharam e ela saíra caminhando até o quarto de Liam. Desencosto da parede assim que a ouvi fechar a porta com todo o controle - Liam deveria estar dormindo -, e entrei no quarto onde estava Belle sentada na cama. Vira o rosto ao ouvir o barulho da porta e pude ver as lágrimas em seus olhos. Solta uma risada no meio das lágrimas e funga o nariz:
- Quem sabe assim ela pense mais nela. - diz.
- Você sabe que ela fez isso por você. - digo, me sentando ao lado dela.
- Claro que eu sei. - ela olha para cima. - Isso é o que mais dói. - Volta a olhar para baixo. - Ela parou a vida dela para se dedicar à mim e a você. Um de nós tem de libertar ela da responsabilidade. Como você não é nada dela para fazer algum bem...
Nada respondo. Então ela estava sendo uma boa irmã. Eu não tinha reação quando as pessoas tinham boas intenções com as outras.
Querendo sair daquele ambiente onde eu sabia que não tinha controle, fui até o quarto de , onde ouvi o choro dele cessar antes mesmo de eu abrir a porta do quarto. Me pergunto se eu deveria entrar lá e agir como um humano adulto ao menos uma vez na vida. Olhei para a porta por um longo tempo até me decidir que aquela não era a vida que eu queria para mim.
Eu ainda tinha muito o que aproveitar.

Capítulo 8

- Volto em uma semana. - se encontrava na cama, pronta para dormir na quinta-feira. Lia um livro concentrada e, como sempre, não prestava atenção em mim, apesar de estar me ouvindo. - Saia um dia ou outro com Liam para fazer compras. Use o seu cartão, transferi algum dinheiro lá.
Vou até meu closet, pegando meu casaco apenas por precaução e volto até o quarto, onde o motorista pegava algumas malas:
- Te ligo amanhã. - digo por dizer, apenas porque Hori estava no quarto. A vejo desviar o olhar ao ouvir algo em um tom que não estava acostumada.
- Não demore muito. - responde o que uma namorada deve responder, sentindo meus lábios contra os dela. O gosto de pasta de dente de menta toma conta do beijo e a sinto me empurrar ao ver o motorista ter saído do quarto. Solto uma risada. Em nenhum de nossos beijos técnicos se atreveu em me deixar envolver nossas línguas. Respirei fundo e me retirei do quarto sem reclamar.
Ouvi o choro de Liam do quarto dele. Pensei em dar as costas, mas algo mais forte que eu me fez caminhar até a porta. Do quarto dele. Olhei para a maçaneta, e antes mesmo de tocar nela, ouço a porta do quarto de Belle se abrir, a própria saindo do mesmo. Parou ao me ver parado na frente do quarto de Liam e soltou uma risada:
- Fez o que para fazê-lo chorar assim?
- Não entrei. - digo, lhe dando as costas. - Achei que estivesse obedecendo sua irmã. - comentei depois de ver o curto vestido que usava.
Não ouvi uma resposta, então tive que virar meu rosto para ver sua expressão de culpa.
- Eu vou fingir que nunca soube que você planeja algo pelas costas dela. - digo, voltando a caminhar até as escadas.
- Obrigada. - ela responde, me fazendo desfazer o sorriso ainda de costas. Passou por mim e saiu de casa sem olhar para trás.
Parei por um momento, pensando no que ela queria dizer com aquele repentino agradecimento. Olhei para as escadas que eu havia acabado de descer e visualizei lendo seu livro deitada na cama, a parte de toda a situação que acontecia aqui fora.
Balancei a cabeça, ignorando todos os pensamentos que surgiram com uma única palavra que Belle havia dito. Uma festa em Cancún, no México, me esperava de braços abertos. Era o tipo que eu gostava de ir. Por ser em um país onde o policiamento não era forte quando nós tínhamos dinheiro para pagar os oficiais, o proibido do nosso país era bem mais fácil de ser pecado.
No aeroporto, ninguém estava a par de minha viagem, portanto, não haviam muitas pessoas, à não ser as comuns a me observar e tirar fotos de longe. Estava caminhando em direção à entrada dos jatos particulares, quando passo por uma empresa, e vejo Belle parada na bancada, agradecendo.
- Dispersem. - falo para os seguranças, que rapidamente se separam. Caminho para atrás de um poste e passo a observar Belle com um homem bem mais velho, ele mantinha o braço ao redor de seu pescoço e ela sorria para ele, se juntando com um grupo de mais alguns casais, as garotas todas novas como Belle.
Eles caminham até o portão de embarque internacional e levanto as sobrancelhas. Então era assim. Ela iria abandonar a irmã e a filha.
Abro um pequeno sorriso, descrente que uma garota tão nova pudesse ser tão igual às que conheço de minha idade.
Bom, isso não era problema meu.

Durante todo o tempo que estive em Cancún, foi como se a mesma coisa tivesse ocorrido sempre. As mesmas orgias, mesmos rostos, até os mesmos nativos. Diversas foram as vezes que olhei para meu celular, pensando se eu deveria fazer aquela ligação. Não era a resposta que eu me dava. O resto dos dias que completavam uma semana fora não foi nada especial. As pessoas perguntavam sobre meu filho, cujo nome fora anunciado a cerca de dois meses na People. Outras - mulheres - perguntavam sobre . Meus amigos riam quando estavam presentes na conversa. Eu mantinha meu sorriso de sempre. O sorriso que dizia o que eles queriam saber, mas talvez não o que eles gostariam de ouvir.

Assim que desci do carro no domingo de tarde, vi algumas luzes da casa acesa. Entrei, como se nunca tivesse sabido de nada. No caminho para as escadas, ouvi as vozes de Liam e Vita resmungando sem parar vindo da cozinha. Fui até o local e adentrei, vendo os dois sozinhos, sentados em seus cadeirões, com a TV ligada, provavelmente para fazer barulho e eles não sentirem a casa vazia. Olhei para os lados a procura de , mas não a encontrei. Quando estava prestes a sair da cozinha, ouvi o barulho de algo quebrando na despensa. Ao abrir a porta, vi agachada, juntando os cacos do pote de vidro que havia ido ao chão. Quando ouviu o barulho da porta se abrindo, virou seu rosto para ver quem era e, ao constatar que era eu, voltou a dar atenção ao que fazia.
Ouvia seus fungos e então revirei os olhos:
- Deixe aí. - falo.
- Está tudo bem. - ela responde.
- Claro - falo aborrecido. -, é exatamente o que seus olhos vermelhos e cheios de lágrimas com sua voz trêmula dizem. - pego em seu braço. - Anda, saia daí.
Ela fungou e parou mexer nos cacos. Passado um tempo, respirou fundo e se levantou. Dei dois passos para trás com as mãos nos bolsos e a vir sair da despensa, pegando um pedaço de papel toalha e então enxugar os olhos e soar o nariz. Foi até as crianças e antes de pegá-las no colo, desligou a TV.
- Eu levo ele. - falo, pegando Liam no colo, que ria e mexia seus pequenos braços sem controle.
A segui até o banheiro de Liam e, ao entrar no quarto, vi que ambos os berços estavam juntos e um colchão havia sido posto no meio deles.
- Deixe ele aí, vou dar banho em Vita antes. - ela diz com a voz um pouco fanha devido ao nariz entupido do choro.
Sem dizer nada, deixei Liam onde ela havia pedido e me retirei do quarto, indo até o nosso. Ao entrar nele, tudo estava intacto. Como se nunca estivesse estado ali. Tomei um banho e, com apenas a calça de moletom, caminhei pelo quarto, decidindo deitar. O voo havia sido cansativo, com algumas turbulências; me deitei em meu lado da cama e pude sentir o cheiro de lençol lavado. Fechei os olhos e rapidamente adormeci.

Ao abrir os olhos, constei que ainda não estava na cama. Me lembro da cama improvisada que ela havia feito no quarto das crianças; eu não devia me importar com aquilo, se ela queria dormir lá, eu não iria impedi-la. Me revirei na cama mais algumas vezes até me decidir levantar.
Fui até o quarto das crianças e abri a porta lentamente. O colchão estava vazio. Abri mais um pouco para enxergar melhor e o colchão estava mesmo vazio. Fui até o quarto que Belle dormia e ele também estava vazio. Todos os pertences dela haviam sido retirados dali e o quarto voltou a ser de hóspedes. Cocei a nuca, pensando se também havia fugido, deixando duas crianças comigo. Passei a mão no rosto agora bem mais nervoso e desci as escadas correndo, parando rapidamente ao ver a porta para a piscina aberta. Saí e a vi deitada na espreguiçadeira com uma manta lhe cobrindo até a cintura. Dormia calmamente, mas pelos rastros de lágrimas no rosto, pude saber que fora difícil deixar os sentidos se afastarem. Olhei para a carta que ela segurava com a mão frouxa e a peguei para ler.
A carta era de Belle, dizendo que havia encontrado este cara que lhe daria uma boa vida. Iria com as amigas e provavelmente não voltaria mais. Mandou ela pensar mais nela e dar um jeito de eu deixar Liam com ela para que ela pudesse se ver longe de mim logo.
Olhei para adormecida e rasguei a carta em picadinhos, jogando tudo na piscina. Fui até e a peguei no colo, me surpreendendo do quão leve ela era. Subi até nosso quarto e a coloquei em nossa cama. Fiquei observando-a dormir até sentir o sono bater.

No dia seguinte, ao contrário dos outros dias, eu acordei antes de . Olhei para o relógio achando que havia madrugado, mas ele marcava nove horas, horário que eu normalmente acordava. Resolvi fazer minha higiene matinal e quando saí, ela já estava acordada, porém, ainda deitada. Olhava para a janela ainda fechada. Fui até ela e a abri, sentindo o cheiro do ar nova iorquino. Olhei pela janela a paisagem de outras casas do condomínio e o jardineiro limpando a piscina.
Me virei para falar com , mas ela havia virado para o outro lado, como se não quisesse acordar.
Respirei fundo, ainda com a toalha enrolada na cintura. foi a primeira mulher - fora minha mãe - que não quis me despir, mesmo com a toalha quase caindo. Fui até a cama e lhe virei de frente para mim, colocando a mão em sua testa. Queimando.
- Por que insiste em achar que é invencível? - resmungo, pegando o telefone no criado mudo ao lado da cama e digitando alguns números. - Sandra, é . Preciso de Daniel aqui agora. Minha namorada está ardendo em febre. - a ouço dizer que ele estava com a agenda cheia. - Diga que eu quem pedi pessoalmente e ele ignorará essa agenda cheia dele em três segundos. - falo grosseiramente e sem dizer mais nada, desligo o telefone.
- Não precisa...
- Apenas melhore, tudo bem? - a corto. Me sento na beirada da cama e passo a mão nas têmporas. - Aprenda a seguir em frente.
Vi seu olhar surpreso em minha direção e quando olhei para ela, desviou o olhar. Suspiro e me levanto, indo até meu closet me trocar para trabalhar. Ao sair, mandei as cozinheiras fazerem tudo o que fosse nutritivo e ficarem de olho em Liam e Vita. Saí de casa sem olhar para trás. Porém, assim que entrei no carro, fechei os olhos, batendo a testa na direção.
- Isso não está certo.

Assim que saí da farmácia, ainda batia as nove da noite no relógio. Graças à expressão fraca de , eu não pude trabalhar direito o dia inteiro. Pensei diversas vezes em seu bem estar e em nenhum momento atendi aos telefonemas de minha mãe, perguntando se eu havia fechado o contrato com Hutler na semana passada. Era claro que eu o havia feito, pedi para enviar o contrato assinado diretamente para ela durante a semana. Não perguntou por , nem por Liam. Nem nunca perguntou. O máximo que fez foi querer saber quem era, se parecia uma garota para eu namorar, e não uma babá. Depois disso, nunca mais tocou no assunto ou se interessou em conhecê-la pessoalmente. Ela sequer sabia que o nome do neto dela era Liam. Eu duvidava que ela sequer o considerasse parte de sua família. Às vezes eu desconfio até se eu estarei no testamento dela, ao invés de seus acionistas - as únicas pessoas que ela um dia elogiou.
Cheguei em casa e subi as escadas direto para o quarto. As empregadas já não estavam mais em casa, então não poderia saber sobre o estado de sem ter de perguntar à ela mesma.
Ao entrar no quarto, não pude evitar ficar calado observando a cena dela dormindo com Liam e Vita em nossa cama, os travesseiros ao redor dos dois para que não caíssem.
Um sentimento de inveja surgiu em mim. Me perguntei se alguma vez minha mãe deixou o trabalho de lado e cuidou de mim. Se mesmo doente, veio até mim quando queria sua atenção. Se dividiu uma cama comigo quando eu me sentia solitário.
Meus olhos percorriam por toda a cama, as respirações calmas de Liam e Vita e o corpo de virado para eles, como se usasse a si mesma de muralha para que eles não caíssem. Por mais que uma pessoa normal precisasse sorrir, eu não conseguia parar de olhar para os três com o coração diminuindo rapidamente. A vi abrir seus olhos lentamente e ao me ver ali, olhou em meus olhos. Ficamos minutos ali, eu parado olhando para os dois e ela, ela parada olhando-me sozinho ao lado da porta já fechada.
Ergueu a mão que antes estava depositada em cima de Liam e com um aceno, me chamou.
Retirei meus sapatos e o cinto. Daquela maneira, fui até o lado onde estava cheio de travesseiros, e os empurrei para o chão. Me deitei no lugar deles, de frente para . Seus olhos ternos fizeram com que os meus fechassem em cansaço.

Capítulo 9

Senti o cheiro da brisa bater em meu rosto. Abri os olhos lentamente, de acordo com que eles foram se acostumando à claridade. Logo, tomei um tapa na barriga. Levantei parte do meu tronco para ver quem era o ser que estava me estapeando antes mesmo de eu recobrar meus sentidos. Vi Liam de joelhos na cama e as mãos em minha barriga. Solto um riso e volto a deitar.
- Pa... - ouço-o falar e abro os olhos rapidamente, voltando a me apoiar em meus cotovelos e olhá-lo sério. Ouço sua risada e bate em mim novamente. - Pa! Pa!
O barulho da porta do banheiro se abrindo não fez com que eu movesse sequer um músculo.
- . - a chamo, ouvindo os movimentos pararem. - Ele está falando. - aponto para Liam, que ria e continuava falando o 'Pa' dele.
ri.
- É claro que ele está falando. - diz, como se fosse a coisa mais natural do mundo um bebê de nove meses falar. - Ele está te chamando.
A encaro sério.
- Como?
- Pa... pai. - ela completa, me fazendo arregalar os olhos e voltar a olhar para Liam, que continuava me estapeando e... me chamando. - Você provavelmente está bravo, mas eu não acho certo Liam olhar para você e te chamar pelo nome, uma vez que...
- Não. - a corto, fazendo-a provavelmente se calar surpresa. Me arrumo na cama, sentando e encostando no encosto de minha cama, que era estofada com o propósito de nos apoiarmos enquanto sentássemos. - Ele sabe mesmo quem eu sou? - olho para ela, finalmente vendo-a apenas com a toalha enrolada no corpo, não evitando dar uma boa analisada no corpo dela:
- Hey, aqui em cima. - ela diz e olho para seu rosto, a vendo apontando para seu rosto, com uma expressão de riso. - Eu te disse que educação maternal é milagrosa. - ela levanta os ombros. - Mesmo que eu não... - e olha para o lado sem graça.
Nada digo. Eu não fora educado para dizer coisas boas para as pessoas se sentirem confortáveis com a minha presença. Eu fui apenas educado a intimá-las para me respeitar e me obedecer. Ou querer ir para a cama comigo. E então, agora, sem essa tal da educação maternal, eu vi que na verdade eu não sei nada mais do que uma pessoa deve saber. Sem nada em especial. Nenhuma brincadeira interna, ou canção de ninar.
- Se eu quiser... - digo, ao vê-la se mexer até o closet. Parou ao me ouvir voltar a falar. - Se eu quiser acompanhar... essa educação maternal...
- Podemos transformá-la em familiar, se você quiser.
Solto uma risada deboche.
- O que eu ensinaria a eles? - olho para ela com o tom de riso irônico que eu sempre usava quando alguém próximo a mim dizia alguma besteira.
- Bom, primeiro, a não fazer pouco caso de si mesmo. - ela aponta com a cabeça para mim, me fazendo desfazer o riso dos lábios. - Quando é com amor, qualquer coisa vale, . - ela diz antes de ir até o closet.
Volto a olhar para Liam, que me encarava ainda sorridente. Vita continuava adormecida e não acordava com os gritos que Liam dava de vez em quando para chamar minha atenção. Pego-o e coloco-o de pé em meu colo.
- Você quer mesmo um pai? - pergunto para Liam, que tinha seus braços minúsculos erguidos em minha direção. O coloquei sentado ainda em meu colo, e tudo o que ele fez, foi engatinhar até meu peitoral e se encolher ali, como se procurasse por abrigo. Sorri e desengonçadamente o abracei, dando o primeiro beijo em sua cabeça.
Minha primeira ação intencional com meu filho. Coberto de emoções. Boas.

Sophia não estranhou quando liguei para a secretária dela, dizendo que havia pego uma gripe. estava bem melhor, mas usamos o diagnóstico dela para enviar para Sophia. Eu estava com excesso de estresse por causa do trabalho, por isso, ela não se importou quando eu falei que tiraria algum tempo de férias. Há tempos ela mandava eu sair para férias, enquanto meu primo e amigo cuidaria do negócio para mim. Claro que eu nunca confiei completamente nele e nem em Sophia. Mas de um tempo para cá, eu aprendi a ser esperto. Criei minhas próprias ações sem ninguém saber, contas no exterior, transferindo mares de dinheiro para cada um. Contratei novos advogados escondido e os coloquei para cuidar tudo. Comprei terras em diversos países para serem vendidos em meu nome e criei uma companhia construtora, dessas que compram um terreno, constroem algo em cima dele e então vendem por um preço milionário. Eu estava mais bilionário do que Sophia pensava. E se ela quisesse me tirar da risca apenas porque Christopher, meu primo, e ela tinham um caso escondido, eu não me importava mais. Nunca me importei desde que vi minha conta bancária depois de um ano investindo neste negócio "clandestino".
Disse que se eu quisesse ficar os seis meses que ela havia me dado há dois anos e eu não aceitei, eu poderia tê-lo. Aceitei e disse que talvez ficasse mais do que ela tivesse me dado. A notícia deve ter sido boa, pois ela disse que não se importava, desde que não causasse nenhum escândalo que atrapalhasse a imagem da empresa - o modo dela dizer que estava feliz em me ver fora de seu caminho. Fui até o escritório uma última vez para deletar todos os meus registros. Se eles queriam mesmo me tirar do jogo, eu não poderia facilitar para eles. Na madrugada, fui até o escritório mais uma vez e fiz um backup nos documentos, deletando-os todos dos computadores dos funcionários.
De onde surgira o sentimento de maldade contra Sophia, eu sabia muito bem. Durante anos me mantive cego pelas coisas que ela fazia, apenas porque me sentia acomodado aos seus modos. Mas então abri os olhos sobre a educação maternal, e ao ver que não tinha nenhum, decidi usar isso contra ela. Apenas para ela nunca se esquecer de que tem um filho muito eficiente. Principalmente quando se trata em deixar gravado em sua memória algo que ela nunca irá esquecer.

- ... então você gruda este durex aqui. Firme. - dizia ao meu lado, apontando para o local que eu devia grudar aquela fita na fralda de Vita. - Firme, !
- Está firme! - digo, a olhando perturbado.
- Isso está tudo, menos firme. - ela diz, levantando Vita e vendo que a fita descolava da fralda. Reviro os olhos:
- Isso que está fora da validade. Me dê outra! - pego Vita de suas mãos e a devolvo na cômoda, retirando a fralda dela, ouvindo-a rir, como se estivesse se divertindo em ser usada como boneca, já que era a quarta fralda que eu tentava colocar nela.
Passamos mais meia hora tentando, já que todas as fraldas daquele pacote estavam invalidadas para mim. Liam engatinhava de um lado para o outro falando sozinho e então se sentava em um canto onde tinham bichos de pelúcia, conversando com eles, como se fossem amigos vivos. Fiquei o encarando como se ele fosse uma criança bizarra, ria e pegava Vita em seu colo:
- Crianças gostam de falar com quem os entende. Faz bem para o cérebro.
- Isso não é normal. - digo boquiaberto e a encaro.
- Você precisa ver sua expressão. - ela ri. - Deixe-o aí, você não vai querer estragar a conferência com os amigos dele.
- É seguro? - a sigo para fora do quarto.
- Sabe, é muito bom saber que você nutriu um interesse repentino pelas crianças. - ela se vira para mim. - Mas não fique obsesso por isso. - e coloca uma mão em meu ombro.
Endireito minha postura e a olho com desdém:
- Quem está obsesso aqui?
Ouço sua risada e então vejo suas costas se afastar de mim. Olho para trás e antes de vê-la descer as escadas, corro de volta para o quarto.
Apenas para ter certeza de que Liam não era um débil mental.

Capítulo 10

Para fugir da responsabilidade de ter de lidar com Sophia, falei a que nós estávamos indo para Dubai viver um tempo por lá. Como sempre, ela não questionou. Arrumou as malas com todas as nossas roupas e no dia e horário que a avisei que iríamos sair, ela estava pronta, com as crianças em suas cadeiras móveis. As malas foram despachadas antes e nós fomos logo em seguida. Fora questão de o avião começar a se mover, que meu celular tocou. Olhei no visor e vi o nome de Sophia nele, atendi:
- O que foi?
- Onde diabos está toda a documentação da empresa?
- Como irei saber, não vou no escritório faz uma semana. - respondo no mesmo tom rude que ela usara comigo. Mexi a mão e a comissária de bordo correu até o piloto, pedindo para ele atrasar alguns minutos a decolagem. O som do motor sendo desligado fez com que me encarasse confusa. Me levantei e fui até a cabine de trás.
- Não minta para mim, . É sua responsabilidade ter um backup de tudo.
- Está em meu computador, e no de Casandra.
- Os dois computadores estão vazios.
- E a senhora quer que eu faça o quê? Meu avião está para decolar. - olho para a comissária e mexo a mão, fazendo-a ir até o piloto e dizer que ele poderia iniciar a decolagem. - A propósito, eu tenho que desligar.
- ! Não ouse desligar este telefone...
Eu daria de tudo para ver o rosto em tom púrpura dela. Gastaria uns bons milhões para recuperar tudo. Nada que não tenha gasto antes com Christopher.
Voltei para minha poltrona e desliguei o celular, assim como o piloto pedira. olhara para mim, depois que checara os cintos das crianças e perguntou:
- Está tudo bem?
Olhei para ela e abri um sorriso, voltando a relaxar em minha poltrona:
- Melhor, impossível.

O lugar onde iríamos morar por um tempo, não era como os outros lugares fáceis de achar e viver. Era preciso milhões para conseguir se manter ali. A casa ficava um tanto afastada da cidade e mantinha diversas famílias trabalhando nela. Famílias que viviam confortáveis em chalés próximos e ao redor da mansão. Eu havia migrado todas as famílias carentes para aquele local, abastecendo-as com comida e energia, além de educação que os projetos sociais ofereciam para o mundo. Eles deviam tudo à mim. Não havia guerra interna ou desentendimentos sobre poder. Assim que chegamos na mansão, fora muito bem recebida pelos nativos, que treinavam seu inglês com ela, a fazendo rir com o sotaque deles.
- Cuidarão bem das crianças. - digo, a vendo sorrir para mim e concordar com a cabeça.
Meus advogados teriam de lidar com os oficiais da justiça sobre as visitas deles a nós. Não queria nosso paradeiro divulgado e nem muito menos receber a visita inesperada de Sophia.
- Então - ela me chamou, quando estávamos em nosso quarto com as crianças rolando no chão com a bola que os nativos haviam dado aos dois. -, vai me dizer aonde achou este lugar?
- Quando você quer ter algo que alguém jamais teve... você começa a procurar, até achar. - deito na cama, não quebrando o contato entre nós.
Ela passou os olhos pelo lugar, e correu até Vita, que colocava a bola na boca:
- Isso é feio, Vita. Não pode! - diz, fazendo a menina balançar os braços com manha. - Eu vou te dar, mas você não pode colocar na boca. - devolve a bola à Vita, que a deixa rolar até um canto do quarto, engatinhando até ela.
- Por que você não fala como todas as mulheres falam com crianças e cachorros?
- Elas entendem a gente pelo tom de voz. Se eu falar sempre dengosa com ela, ela não vai saber diferenciar o certo do errado.
Aquilo fazia bastante sentido. Olhei para os dois, que deixavam propositalmente a bola rolar de um lado para o outro, se divertindo em tentarem se levantar para caminhar até a bola.
- Posso te perguntar algo pessoal?
Desvio minha atenção a , aguardando a pergunta. Ela se senta à beira da cama e diz:
- Quando foi que você viu que queria se relacionar com ele? - e olhou para Liam. Acompanho seu olhar e aperto meus lábios. Suspiro e me deixo deitar na cama, colocando as mãos atrás da cabeça e olhando para o teto.
Demorei um tempo até me decidir dizer à ela a real visão.
- Nunca fui uma pessoa necessitada de atenção, sempre soube me virar muito bem sozinho. Em todas as situações. - me viro, olhando para Vita, que estava mais próxima a cama. - E então, quando vi você dormindo com os dois, descobri que nunca havia recebido esse carinho que você estava dando aos dois. E fiquei curioso.
- Curioso?
- Talvez invejoso... - me forço a não olhar para .
- Ninguém peca por querer atenção, . - ela diz terna, me obrigando a encará-la. Tinha o sorriso calmo nos lábios.
Hipnotizado por aquele sorriso, me sentei, me aproximando dela, que desfaz o sorriso, encarando meu rosto sem nenhuma expressão. Me aproximei, com a intenção de beijá-la, ela sabendo disso, não se afastou. Fechou seus olhos e esperou que eu tomasse a iniciativa. Quando estava tocando seus lábios de leve, ouvimos o choro de Liam, nos fazendo separar rapidamente, olhando em direção ao choro. Ao vê-lo parado na sacada, rapidamente correu até ele, me fazendo levantar ainda mais rápido. Ela o pegou no colo antes que ele caísse dali, e o trouxe para dentro. Fechei a porta atrás dela e ouvimos seu choro até um dos empregados trazer a bola lavada para ele.
- Como fala para ele, Liam? - diz com ele no colo, tendo o empregado um pouco afastado pelo respeito que tinha por ela.
Liam olhou para a bola e então para o empregado. Ergueu os braços e somente quando fez sinal para ele se aproximar, pude ver meu filho, sangue do meu sangue, abraçando um empregado e dando-lhe um beijo em sua bochecha.
- Muito bem! - sorria e olhou para o empregado, que se curvava na frente dela enquanto se afastava. - Muito bem, meu amor, você fez direitinho, viu só, Vita? - e o coloca sentado junto com Vita, que tenta pegar a bola dele de sua mão.
- Você fez meu filho beijar o empregado? - perguntei em tom de riso, a vendo me encarar surpresa.
- Ah... bem... é a maneira que eles dizem obrigado. - diz desconcertada. Solto uma risada e o desconcerto dela se torna confusão.
- Isso é a coisa mais impressionante que já vi.
Vi o sorriso sem graça de e então ouvimos a empregada dizer que o almoço estava pronto.

As crianças tinham uma agenda bem lotada, tudo para fazê-las dormir mais fácil e mais tempo durante a noite.
- Elas acordam bem cedo. - disse assim que saímos do quarto dos dois. - Lá pelas sete.
- Sete? - faço uma careta. Ouço sua risada. - É por isso que dorme às oito?
- Oras, eles acordam durante a noite.
- Empregados estão aí para isso. Elas tem bem um sentimento maternal que você gosta. - falo ironicamente, a vendo me encarar aos risos.
- Você não perdoa nem essa?
- Estou de férias. - digo, retirando minha camiseta e jogando-a no cesto de palha criado pelas nativas.
Olho para a tempo de vê-la balançar a cabeça em negação e ir em direção de sua mala, já que passara o dia inteiro arrumando as coisas das crianças. Mesmo morando no meio do nada, a mansão era completa, como se fosse retirada de Nova Iorque e levada para Dubai. Fui até ela e me sentei em seu lado.
- O que foi?
- Você arrumou as malas, estou esperando minha troca de roupa.
- Você dorme apenas de boxer. - ela me olha com uma sobrancelha levantada. Solto uma risada.
- Então eu fui pego. - respondo de bom humor, a vendo levantar ainda mais a sobrancelha. - Eu vim terminar o que nós começamos antes de Liam quase se suicidar.
Ela abriu a boca em surpresa, e então tornou a fechá-la, ainda mais surpresa. Olhou para o lado e para meu corpo descoberto. Limpou a garganta e se levantou rapidamente:
- Acho melhor você ir tomar seu banho logo. Acho que não há água quente como em Nova Iorque. - e se afasta de mim. Solto uma risada e me levando, pegando em seu braço e a puxando para mim.
- Você não pode fugir para sempre.
- , não podemos...
- E por que não? Somos um casal, não somos? Somos os pais dos dois, não somos?
- Não sou mãe...
- Você é mais mãe do que qualquer mulher no mundo. - falo sério. Ela arregala os olhos e abriu sua boca. - Mãe não é quem dá a luz, é quem cria. - respondo. - Eu, por exemplo, nunca tive uma mãe. - olho em seus olhos, a vendo fechar a boca. - Não é porque você não pode conceber filhos, que não pode tê-los.
Não me respondera. Olhara para baixo sem graça e encostou sua testa em meu peitoral. Ouvi seu nariz fungar e a abracei, finalmente ouvindo seu choro.
Assim como era a primeira vez que ela chorava em minha frente, demonstrando o quão frágil ela era de verdade, era a primeira vez na minha vida inteira que demonstrei carinho para alguma mulher.

Capítulo 11

Com as férias, tudo o que eu precisava fazer, era ficar de olho em Liam quando estávamos na praia, já que Vita era dorminhoca e gostava de dormir debaixo do guarda-sol. Mesmo com a piscina limpa, as crianças gostavam da areia. Liam, principalmente. ficava tomando sol ao lado da sombra onde Vita dormia e eu levava Liam até a borda do mar, onde ele se divertia com as ondas e as conchas quebradas. Mesmo com os chinelos, ele gostava de ouvir o barulho delas quebrando ainda mais debaixo de seus pés.
Nós ficávamos o dia inteiro com as crianças, e à noite, depois de jantarmos os quatro às sete da noite, geralmente estava cansada e ia dormir assim que punha os dois na cama. Diferente do que eu achava ser, a vida dela era tão agitada quanto era a minha quando eu ainda trabalhava na empresa de minha mãe. Liam era hiperativo e Vita gostava de ficar com sempre, portanto, ela tinha de ter tempo para olhar os dois e ainda cuidar de toda a alimentação dos dois, além de mim.
Comigo ali, ela tinha mais tempo para se dedicar à ela, como aceitar o banho de ofurô que as nativas faziam uma vez na semana. Ela havia se dado bem com as mulheres do local, aprendia algumas palavras básicas, mas sempre se comunicava no inglês.
- Soraia disse que gostaria que eu fizesse um jantar para você. - diz quando deixou minha limonada na mesa ao lado de minha espreguiçadeira, enquanto Liam tirava uma soneca com Vita no cercado; um local coberto por colchas de pluma cercado por um cercado de bambu forrado com pele de carneiro. Olhei para ela através de meus óculos de sol, e sorri:
- E o que pretende preparar?
Ela levanta os ombros:
- Algo daqui, acho. Ainda não sei o que tem de ingrediente.
- Então vá para a cozinha, eu sou bem exigente quanto ao paladar.
- Não sou uma boa cozinheira. Digo, para coisas novas. - ela olha para o lado sem graça.
- Gosto de viver perigosamente. - comento, a fazendo rir e então olhar para os dois. - Eu acho que consigo colocá-los para dormir sozinho.
- Tem certeza?
- Não. Mas eu tento. - sorrio e a vejo se virar e caminhar até a porta que dava para a cozinha. - Tudo bem, antes de tudo, acordá-los. - me preparo, levantando e indo até o cercado.

Já faziam três horas que eu havia ido com as crianças até o banheiro delas e tentava dar-lhes banho para colocá-los no berço. Aparentemente, eu era uma péssima pessoa para dar banho e pior ainda para fazê-los se aquietarem. Soraia entrou no banheiro aos risos e me tirou do posto, mexendo as mãos para que eu saísse dali, murmurando as palavras 'jantar pronto' para mim. Olho incerto para ela, e quando ela balançou as mãos novamente, agradeci, saindo do banheiro.
Desci até o primeiro andar e senti o cheiro bom de peixe assado. Eu não era o maior fã de peixe, mas o cheiro não estava ruim. Assim que entrei na cozinha, vi o ambiente mudado, com velas e folhas de bananeira importadas do Brasil. Levantei as sobrancelhas e , ao ver minha expressão, disse sem graça:
- Soraia me obrigou.
Rio.
- Você quis que fosse assim. - a provoco. A vejo abrir a boca sem graça e olhar para o lado. - Bom, a decoração está boa, o cheiro está bom...
- Senta, senta. - ela diz correndo até o forno e pegando a luva térmica.
Me sentei na cadeira que não estava servido o vinho, e olhei para ela chegando com a assadeira. Vi um embrulho de papel alumínio e sorri ao vê-la abrir. O peixe estava dourado e bem cozido, o cheiro estava bom, e era acompanhado de batatas souté.

Comi muito mais do que deveria, mas como ela não acreditava que eu havia gostado, me obriguei a comer tudo, a fazendo sorrir aliviada.
- Vou saber se é verdade se não vomitar até amanhã. - comentou, tirando a mesa e colocando tudo na pia.
- Que tal uma volta? - digo, abrindo a porta. Ela levanta o olhar para mim e aponto com a cabeça para fora, onde a luz estava ainda crescendo, e não havia muitas estrelas no céu, o que não era tão ruim. A noite não estava muito clara. Ela olhou para o andar de cima. - Soraia está com eles.
- Você não conseguiu colocá-los na cama, não é? - ela diz aos risos, me acompanhando até a praia.
- Não passei da fase da banheira ainda. - respondo em tom culpado. - Eles são fogo!
Ouço mais risadas de e então ela se espreguiçar.
- Daqui a quatro anos... - pergunto, a vendo ainda olhar para o céu. - Quais são seus planos?
Ela me olha antes de voltar a atenção aonde estava. Levantou os ombros e resolvi acompanhá-la, apenas a ouvindo.
- Eu não tenho planos... os que eu tinha, Belle estragou com uma carta.
Nada digo.
- E você?
Respiro fundo.
- Eu pretendo morar longe de minha mãe.
- Você está morando longe dela.
- Então eu pretendo continuar morando longe dela.
- Por que a odeia tanto?
- Porque é isso o que ela quer.
- Por que ela gostaria disso de seu próprio filho?
- Porque eu lembro o marido dela que a deixou para morrer com a outra.
- Ah...
- Não é uma história legal. - comento.
- Ainda assim, é sua história. Eu gosto de histórias.
- Não a minha. - digo sério.
- Romeu e Julieta é uma linda história. Trágica. Eles acabam separados. E mortos. Mas não deixa de ser linda. - sorrio, enquanto encaro a lua e sou guiado pelas ondas que quebravam na praia. - Você está vivo, se divertindo com seu filho... quem se importa com um passado, quando o futuro é próspero?
- Você acabou de dizer que gosta de histórias.
- Quando eles valem a pena.
Desvio meu olhar para ela. Pego em sua mão, a fazendo parar de andar, e a vejo olhar para mim surpresa:
- Você está apaixonada por mim, não está? - pergunto, a fazendo arregalar os olhos e olhar para o lado sem graça.
Eu não sei bem quando foi que eu me aproximei dela. Apenas sei que quando senti seus lábios nos meus, não foi diferente de todos os outros lábios que toquei, mas era o único que eu não queria soltar. Minhas mãos percorreram seu corpo, fazendo-a estremecer diversas vezes. Seus braços enlaçados ao redor de meu pescoço, desabotoei sua saída de praia e deixei que o vento retirasse-o de seu corpo para mim. O biquíni branco e bege que usava escorregava de seu corpo com a maneira que nós nos mexíamos. Meus lábios desceram até seu pescoço, enquanto minhas mãos desciam de acordo com que eu ia agachando.
As ondas abafaram o som de nossas respirações aquela noite.

Capítulo 12

Quando abri meus olhos na manhã do dia seguinte, finalmente senti a areia pinicar em meu corpo. Respirei fundo o cheiro de maresia e vi com seu biquíni já colocado em seu corpo. Ela encarava as ondas se quebrarem. A praia era inteira minha, mas tenho certeza que Soraia, por ter planejado parte daquilo, fez com que nenhum empregado ou pescador aparecesse por lá. Foi como um dia de folga para eles.
Me sentei, procurando minha bermuda que estava dobrada ao lado de mim, e uma toalha branca ao lado.
- Desde quando isso está aqui? - pergunto, chamando a atenção de .
- Fui ver as crianças e trouxe. - ela diz, me fazendo perceber que realmente, ela havia mudado de biquíni.
- Você me deixou sozinho na praia? - levanto as sobrancelhas.
- Não que isso fosse um problema para você, já que é o dono da ilha que nós estamos. Você sabe que meu sono psicológico desperta às sete e eu sei que o seu sono desperta só depois das nove.
Eu não tinha como retrucá-la. Diferente de outras mulheres, por mais que eu soubesse que ela estava gostando de mim, ela não demonstrava como se fosse, o que não é normal. Isso me pegava de jeito, porque, mais uma vez, eu não fui treinado para lidar com mulheres autossuficientes - que não fosse minha mãe.
Coloquei o calção, bem depois que tomei minha ducha, ria internamente ao vê-la arduamente tentar evitar me olhar. Afim de provocá-la ainda mais, assim que me aproximei, ameacei beijá-la, e ela não conseguiu mais ficar estática:
- Vamos? Está quase na hora da natação das crianças. - se levantou e tirou o excesso de areia do corpo, sorri malicioso e mantive assim até ela desviar sua atenção para mim, dando dois passos para trás. - Nem pense nisso.
- Nisso o quê? - me levanto, indo até ela que dá o dobro de passos por ter as pernas mais curtas que as minhas.
- Nisso o que seu sorriso está acusando. - aponta para mim.
- Este é meu sorriso normal, .
- Não, este é o sorriso que você usa com as mulheres com quem quer transar, aposto.
- E quem disse que você não era perceptiva? - solto uma risada. - Você deveria ter posto uma roupa quando voltou para casa, mas ao invés disso, colocou novamente o biquíni. Admita, você quer transar comigo.
- Eu posso até querer, mas este não é o lugar e hora apropri... ! - se desvencilha de meus braços, dando um enorme salto para trás e voltando a amarrar o laço do biquíni. - Me leve a sério e pare com isso! - e caminha com passos pesados para longe de mim.
Reviro os olhos e silenciosamente a acompanho de volta para a mansão.

Às vezes me sentia um pouco como se estivesse em um centro de reabilitação. Proibido de beber, sair e transar quantas vezes eu quiser e com quem eu quisesse. agia como a mulher da casa, preparando a nossa alimentação e cuidando das crianças.
Olhava para os três agora na sala de desenhos, com paredes rabiscadas com giz e diversos papéis espalhados pelo chão com os gizes. Faz um tempo desde que toda vez que eu pensava em dar uma fugida e pegaria o avião para um dos lugares que sei que tem festa, eu me obrigava a ir passar dez minutos com , Liam e Vita. Eu nunca saí da ilha.
Havia alguma coisa de errado, eu sabia. Elas estavam perfeitas demais e é quando isso acontece que nós devemos começar a nos preocupar, não é?
Belle nunca enviara nenhuma carta, o que fazia ficar pensativa de vez em quando. Mesmo não contando para mim, eu sabia que essa era a razão simplesmente por ser a única razão que a fazia pensar tanto.

Eu estava orgulhoso de mim mesmo. As crianças estavam para fazer um ano e eu já conseguia trocar as fraldas e faze-los dormir - um de cada vez, claro. Dar banho era missão de . Eu, água e crianças não éramos uma combinação certa, descobrimos quando sem querer deixei Vita escorregar de minhas mãos dentro da banheira. disse para eu nunca mais tentar até que os dois estivessem tomando banho de chuveiro.
O aniversário era particular. Nós quatro e os nativos, a quem as crianças já estavam acostumados a ver. preparara doces e eu importara alguns brinquedos novos para os dois. As crianças não sabiam fazer nada além de bater palmas e soltarem altas gargalhadas, fazendo com que seus rostos ainda muito redondos ficassem vermelhos. Mesmo sendo da mesma idade e dia, Liam era em disparado mais alto que Vita, que olhando bem, se parecia mais com do que Belle.
Assistia as crianças nativas fazerem gracinhas para os dois, que se divertiam assistindo-os e riam com o acompanhamento de . Durante todo o tempo me mantive calado apenas observando. Fora somente quando ouvi Liam me chamando que caminhei até ele, vendo me encarando com um sorriso. Ela segurava Vita no colo e, diferente de mim, não conseguia pegar os dois de uma vez. Por isso agora Liam estava com seus curtos braços erguidos em minha direção com os olhos brilhantes e a boca se mexendo sem parar. Com a maior facilidade, o peguei no colo e me virei em direção à máquina fotográfica que Soraia usava para marcar o momento.
Olhei para desconfortável e ela sorriu para mim completamente segura de si. Falava para Liam e Vita sorrirem para Soraia, não era preciso nem pedir já que os dois estavam quase se jogando por cima do bolo.
Depois de uma breve guerra de doces e não os deixando mais comer, ela lhes deu um bom banho e colocamos eles para dormir. Seguimos para o lado de fora do quarto das crianças, quando decidi pegar na mão de e levá-la para um passeio na praia. Sem malícias. Apenas com um único pensamento:
Eu não podia estar apaixonado assim.

Capítulo 13

O céu estava claro por causa da quantidade de estrelas que haviam, além da lua estar enorme por estar mais próxima da Terra. Nós estávamos calados, ouvindo as ondas do mar se quebrarem na beira. A brisa jogava com facilidade os cabelos de para trás, deixando à mostra seu fino pescoço.
Fora ela quem acabou iniciando o assunto:
- Você sabe que um dia teremos que voltar, não é? - finalmente vi seus olhos em minha direção e levantei as sobrancelhas: - Sei que temos tudo o que precisamos aqui, mas não podemos privar as crianças de ficarem excluídas do mundo. Elas têm de interagir com outras crianças.
- Queria deixar para pensar nisso mais tarde. - resmungo.
Era mentira.
Eu não havia pensado nisso, porque eu não queria pensar. Por mais que eu sentisse falta de viajar sem parar, trabalhar e ter minha liberdade, depois de seis meses parado e sossegado, eu não sabia se queria voltar àquela vida. E também havia um outro problema: Sophia.
Eu tenho certeza que ela está mandando detetives me procurarem ao redor do mundo, e tenho ainda mais certeza de que ela nunca irá me encontrar. Por mais que ela não fosse boa com palavras, ou escolher a maneira certa de me castigar, sei que ela iria direto em , que convenhamos, não é lá a pessoa mais apropriada para enfrentar Sophia Fouvré.
Assim que meu pai a abandonou para fugir com a garota de Yale, ela voltou a usar seu nome de solteira. Por mais que eu quisesse levar o nome dela também, ela não deixou; alguém tinha que levar o sobrenome do meu pai na empresa, afinal, ele valia milhões.
Olho para ela com milhares de perguntas a fazer, mas não tenho coragem o suficiente para pronunciá-las. ainda não tinha visto meu lado emocional e sensível, para dizer a verdade, eu também nunca tinha visto, por isso as dúvidas. O que eu estava pensando para achar que ela saberia me responder? Não era difícil responder; ela não tinha medo de mostrar suas fraquezas, e era uma pessoa franca.
- Um dólar pelo seu pensamento. - ouço-a dizer. Desvio o olhar para ela e a vejo caminhar ao meu lado com as mãos para trás.
- Ele vale mais que um dólar. - respondo. - Acho que muitos pagariam milhões para ter meus pensamentos.
Ouço sua risada, mas nada além disso.

Aquela caminhada que deveria ser uma solução, acabou por se tornar mais uma incógnita na minha vida. Passamos o caminho de ida inteiro calados. Fora apenas na volta, que eu perguntei espontaneamente:
- O que você faria? Se estivesse no meu lugar?
- Pararia de fugir. - sua resposta imediata me pegara de surpresa. Eu não esperava que ela fosse ser tão sincera assim.
Depois de passado a surpresa, soltei uma risada e a olhei:
- Você é dura assim com quem ama?
- Só com quem merece. - vejo-a colocar os braços para trás enquanto olhava para o céu já escuro.
- Você já pensou que essa pode ser a razão de nenhum cara se interessar por você?
- Isso é porque eles, assim como você agora, insistem em enxergar apenas o meu lado negativo. - ela olha para mim com um olhar calmo e sereno. - Eu, ao contrário de vocês homens, enxergo os dois lados, considero o lado bom e, através dos meus comentários duros, ajudo a solucionar o caso do lado ruim.
Solto uma risada descrente no que eu ouvia. Não que ela estivesse errada. Ela não estava. Mas uma pessoa da idade dela ter este tipo de pensamento e comportamento... Me fazia indagar que tipo de experiências anteriores ela teve para que se tornasse essa pessoa séria.

Um ano já havia passado dos cinco que estavam em nosso contrato. A vida estava bem menos interessante do que quando havíamos chego. Eu olhava para o céu afora e a saudade da minha liberdade batia. As crianças agora tinham uma pequena porcentagem de consciência e sabiam distinguir o certo, do errado. Vita gostava de falar com , mas Liam era ainda mais tagarela com seus bichos de pano.
estava, como sempre, ocupada e preocupada. Sempre que a via no computador, por mais raro que fosse e mais difícil que pudesse ter conexão naquele lugar, uma vez por mês eu a pegava em um site de alguma boa escola.
Fora quando Liam falara sua primeira palavra depois de seis meses da minha conversa com , que eu vi que estava na hora de voltar à realidade e encarar Sophia.
nada dissera, mas eu ouvi durante a última noite naquela ilha, a impressora funcionar a noite inteira.
Com relação a nós dois, estava tentando não sei apaixonar ainda mais por mim. Era claro que ela evitava olhar para meu corpo e minhas ações afetivas com Liam e Vita, mas não conseguia evitar se desfazer de meus abraços quando eu fingia estar dormindo, ou quando eu queria fazer sexo. Ela parecia de vez em quando entender minhas necessidades.

Eu me sentia como se nunca tivesse estado naquele lugar, e ao mesmo tempo, me sentia em casa. Ao descer do carro em frente à nova casa que eu havia comprado pela internet, fora como se eu tivesse saído dali a bem mais de um ano. Era impressionante como as pessoas quando tinham interesse, conseguiam descobrir até o que não deviam.
Depois de dois dias em Nova Iorque, eu não parava de receber telefonemas e cartas de boas-vindas. Meu escritório, que estava sendo reformado em um prédio que eu comprei para mim, já possuía diversos vasos de flores e cestas de café da manhã. saíra com as crianças para visitar algumas escolas e me ligou não muito depois que saíra de casa:
- , você pode fazer alguma coisa com a nossa segurança? Deve ter uns trinta homens com câmeras aqui e as crianças estão com medo de sair do carro.
Fecho os olhos aborrecido, eu já havia mandado a empresa de segurança dar um jeito nesta situação, eu sabia que isso iria acontecer:
- Aonde estão?
Fora fácil. Liguei para a empresa de segurança e fui aonde ela estava com Liam e Vita. Segundos depois eu pegava Liam no colo e cuidava de Vita, acompanhadas por oito seguranças que tentavam manter os fotógrafos longe.
Entramos na escola cujos diretores nos aguardavam à porta. Estavam um pouco ofegantes, o que significava que ao saberem da minha presença, vieram correndo paparicar a decisão de matricular as crianças ali.
Quando se é rico como sou, dois anos é uma idade boa para começar as aulas recreativas, como natação. Na verdade, isso foi o que disse. Tendo uma escola que pudesse oferecer este tipo de recreação que deixasse os dois em constante movimento, seria esse o lugar que nós os colocaríamos.
O diretor e as pessoas importantes da escola caminhavam ao nosso lado, enquanto observávamos o espaço do colégio. Olhamos todos os andares e as salas recreativas. Era óbvio o fato de que nenhum deles dava a devida atenção à , que também pouco se importava. Conhecendo do modo que eu a conhecia, eu sabia que ela até preferia assim. Sem toda atenção, poderia analisar todos os aspectos que julgava necessária para as crianças.
- Claro que temos o melhor a oferecer a seus filhos, senhor . - ouvia o diretor me dizer. Mexia a cabeça demonstrando interesse, mesmo não tendo a menor noção se aquilo era ou não bom para as crianças. Virei minha cabeça para , que caminhava com Vita em seu colo conversando com ela de vez em quando.
- O que você acha? - pergunto à ela, que, ao perceber a atenção dirigida a si, abriu um pequeno sorriso sem graça. Olho para todos que me acompanhavam. - Ela é quem decidirá qual escola eles entrarão, sabe, devem saber que ela entende mais sobre isso do que eu. Mães. - falo, finalizando com um riso, sendo acompanhado por todos.
E então a atenção fora para quem deveria. Sou um homem livre.

- Você não poderia ter esperado até a hora da saída para fazer seu comentário desnecessário? - ela dizia enquanto entrávamos em casa. Ainda tinha os óculos de sol no rosto, utilizávamos de propósito por causa dos flashes dos paparazzis, por ser final de tarde. Solto uma risada. - Isso não tem graça, ! Não pude prestar atenção no ambiente do berçário feminino para Vita. - ela diz mais emburrada.
- Não seja tão mala, você sabe que eles não pecariam em parte alguma naquela escola.
- Toda escola peca, . Assim como você, Senhor Perfeito. - ela diz, me fazendo fechar a cara. Eu não gostava quando as pessoas se tornavam irônicas comigo. Levanto uma sobrancelha e faço uma careta bem feia para que ela entendesse que estava caminhando para o lado errado da conversa. Como ela tem uma boa percepção, suspirou exausta e balançou a cabeça: - Vou dar banho nas crianças e ir dormir. Tenho outra escola para conhecer na zona Oeste amanhã.
- Oeste? Você quer levar meu filho para uma escola na zona pobre de Manhattan?
- Pare com isso, eu já disse. - ela fala com Liam em seu colo, subindo as escadas. - Há uma ótima escola...
- Ela pode ser ótima, mas e a localização? Se descobrirem que meu filho está estudando lá, é bem capaz de invadirem a escola para raptá-lo.
- Pare de falar besteiras.
- , você pode escolher a escola, mas eu sei o que é ou não seguro para eles. Eu cresci neste mundo e sei o que as pessoas fazem por dinheiro.
Peguei em sua mão assim que ela colocou Liam com a babá e a puxei para fora do quarto, mandando as duas colocarem as crianças para dormir depois do banho.
- ! É importante estar presente no banho...
- Eles sobreviverão por um dia. - falo, a levando para meu escritório, local onde ela dificilmente entrava. Talvez fosse a primeira vez, do modo em que olhou ao redor. - Veja essa foto. - lhe dou uma moldura em que estavam eu e mais alguns amigos. - Está vendo este cara aqui? - aponto para um que estava ao meu lado. Ela assente e me encara:
- O que tem ele?
- Era meu irmão mais velho. - falo sério, a fazendo arregalar imensamente os olhos e abrir a boca em choque. - Ele morreu durante um sequestro que fizeram em uma escola onde participava de projetos sociais. Os bandidos queriam dez bilhões, praticamente oitenta por cento da nossa conta na época. Meu pai queria dar, mas minha mãe foi contra. Colocara toda a polícia dos Estados Unidos para trabalhar no sequestro. Quando eles descobriram que ela não lhes daria o dinheiro, torturaram meu irmão e o mataram. Enviaram a cabeça dele de lembrança.
Sentia meu estômago revirar ao me lembrar da cena da caixa sendo aberta pelos policiais no hall de casa. Meu pai berrando com minha mãe e ela em choque demais para respondê-lo. Fora neste mesmo dia que eu decidi que ela não era mais nada em minha vida.
Olhei para que fitava o chão ainda absorvendo parte da história da minha vida, algo que ninguém a não ser eu, minha mãe e os policiais que participaram do resgate sabemos. Agachei em sua frente e disse:
- Eu não vou passar por isso. O máximo de segurança não é nada quando os bandidos querem as pessoas. Eles são bebês, não tem nem como correr. - toco em sua perna e a vejo me olhar ainda assustada com a história. - Você me entende?
Demorou um tempo para ela responder. Abro um pequeno sorriso e encosto meus lábios nos dela. Eu nunca havia pensado em contar minha história para uma outra pessoa. Mas ela tinha de saber. Se eu quisesse continuar tomando conta da minha vida e de Liam, dela e de Vita, eu teria de contar algumas verdades. Ainda há muito o que ela saber sobre mim. Assim como eu tenho certeza que verdades dela virão à tona durante estes quase quatro anos que temos juntos pela frente.

Capítulo 14

Os dias que se seguiram foram intensos para .
Saía todos os dias com a companhia das crianças para visitar escolas na cidade, porém, sempre que eu chegava em casa, lá estava ela terminando de alimentar os dois e pronta para irmos até o banheiro banhá-los. Como dizia, o banho é um momento importante para os pais acompanharem as crianças. Por mais que eu soubesse que fosse o jantar, ela deixara claro que aceitava o banho enquanto as crianças não tivessem consciência do quanto a presença de um pai é importante em suas vidas. Outra razão por ser obrigatório, era porque este era o único momento que eu tinha para passar com Liam. Por mais que eu e ela soubéssemos o quão ruim eu era com banhos, apenas minha presença para distraí-lo e não deixá-lo fazer um estrago com as paredes ou deixar cair sabão em seus olhos era importante.
Assim que saíam do banho, ela os deitava em seus devidos berços e aguardávamos eles adormecerem, o que não demorava tanto, já que estavam quentes por causa do banho e com a barriga cheia por terem jantado.
Ela espreguiçou seu corpo assim que saí do quarto e respirou fundo.
- Cansada? - pergunto, assim que fechei com delicadeza a porta do quarto das crianças.
- Exausta. - exausta ela movimenta a cabeça de um lado para o outro com os olhos fechados.
- Massagem? - abro um pequeno sorriso e ela abre os dela, abrindo seu sorriso um tempo depois.
- Sim, por favor. - ela se dirige para nosso quarto e retira sua camisa durante o caminho, ficando nua da cintura para cima e deitando de bruços em nossa cama. Pego a loção que ela sempre deixava em sua cabeceira por passá-lo pela manhã nas mãos e rosto, para sua sempre querida massagem facial, e deslizo minhas mãos por seus ombros.
Ela suspirava mais forte toda vez que pegava um nó.
- O quão tensa você está? - pergunto, a vendo não responder, apenas aproveitar o momento da massagem. - Melhor marcarmos uma sessão para você em uma boa massagista. Posso pedir para minha secretária fazer isso para você.
- Não tenho tempo para massagens, . As crianças tomam todo meu tempo. A sua massagem é o suficiente. - sua voz sai arrastada. Dou uma pequena risada. - O que foi?
- Nada, nada. Só acho que você se dedica demais às crianças. Poderia deixá-las um pouco para se dedicar à si mesma.
Ela me olha e levanta uma sobrancelha:
- Você fica o dia inteiro longe delas, não quero deixá-las com a babá.
- . - paro a massagem. - São apenas algumas horas. Não é como se eles fossem se lembrar que você os deixou com a babá por algumas horinhas.
Não obtenho resposta, o que quer dizer que eu poderia pensar e dizer o que quisesse, mas isso não mudaria nada do fato de que ela não deixaria as crianças por um minuto.

Agora que havíamos voltado para a cidade, os tabloides estavam direcionados todos a mim e minha "família". A maior incógnita dos jornalistas era o real relacionamento meu e de . Por causa disso, era normal que eu lesse artigos em que as pessoas se questionavam se nós estávamos casados ou não, devido à falta de aliança em nossos dedos. Como eu estava evitando dar entrevistas, as pessoas mantinham essa angústia em saber sobre a verdade de nós dois. Outro fato que os perturbavam, era saber se Vita era nossa ou não. Como ela era muito parecida com e tinha algumas características que eles insistiam em dizer ser parecida a mim, a dúvida sobre Vita ser nossa filha tirava o sono de vários paparazzis. Por vê-los nos chamando de mamãe e papai, fazia com que não apenas os "pesquisadores", mas também aos que acompanhavam as notícias corressem atrás de informações sobre o nosso status.
Era impossível ela não se sentir incomodada com a falta de privacidade que tínhamos, e era sempre possível vê-la saindo com vários seguranças depois do problema que tivemos. As manchetes agora acompanhavam diariamente ela, já que somos a notícia que mais vendemos atualmente. O fato dela estar correndo atrás de uma escola perfeita para colocar as crianças e eu ter deixado claro que seria ela quem decidiria sobre isso fazia com que recebêssemos diversos telefonemas com convites de várias escolas do país inteiro. Tive de contratar uma secretária para ela, já que toda noite, quando chegava do trabalho, era possível ouvir o irritante 'bip' da secretária eletrônica lotada de mensagens de voz. Ela não ouvia nenhum. Nossa caixa de correio era cheia todas as manhãs e haviam diversas pastas e panfletos com programas estudantis para crianças de 2 a 12 anos, todos querendo meus filhos como alunos de suas escolas. Houveram escolas internacionais enviando programas de verão e universidades interessadas em garantir uma vaga para cada uma das crianças, algo que deixou horrorizada.
Minha mãe não havia aparecido em nossas vidas até o momento, o que me deixava ligeiramente preocupado, já que ela sempre fazia questão de vir me atormentar a vida. Solicitei a um detetive que investigasse o que ela fazia e se havia algum plano por detrás da ausência dela, mas até então eu não havia recebido nenhuma informação.
A notícia de meu novo negócio agora era público. Minha construtora estava repleta de trabalhos e eu estava nadando no dinheiro e cuidando para que nenhum acionista meu saiba sobre todo o meu negócio. Eu sou cauteloso e não estou afim de arriscar todo meu dinheiro em uma única pessoa. Eles são bons e sabem disso. Um bom empresário sempre sabe o quão arriscado é investir em diversas coisas diferentes. Mas apenas os bons sabem como manter o dinheiro chegando por anos e anos.
Vários outros empresários agora me julgavam por não ser o mesmo cara ousado de antes. Que fora a razão de eu ter sido estragado. Outros a elogiavam por me tornar uma pessoa mais consciente e responsável. O fato de ter tido Liam e me dedicado a ele durante todo o um ano e meio fez com que eu fosse o indicado número um a marido perfeito das mulheres do mundo. Com isso, estava no topo da lista das mulheres mais influentes do mundo; não oficialmente, mas em questões fúteis, como uma revista de fofoca conceituada, algo que ela não deu a mínima quando a revista chegou em casa com ela na capa. Não é qualquer uma que faz com um homem o que ela fez comigo.
Admito que houve grande mudança, mas não deixo de dizer nunca que há um certo exagero no meio disso tudo, afinal, ninguém muda do dia para a noite assim. Talvez eu fosse mais consciente do que todos nós achávamos.
- ... entendeu? - ela perguntava durante o nosso jantar no Luna Belle. Pisco fortemente. - Está tudo bem?
- Desculpe, me distraí com meus pensamentos, sobre o que falava?
- Sobre essa história de nós dois, as crianças e a mídia. - ela parecia um pouco aborrecida. Não lhe contrario, estava muito estressado por ver suas fotos sempre em todas as revistas da banca que passava no caminho de meu novo escritório.
- O que quer que eu faça sobre isso?
- Eu gostaria que você informasse a todos que eu não estou casada com você. - ela diz séria, me fazendo levantar a sobrancelha. - Me atormentam querendo depoimentos e entrevistas, , você sabe que eu não gosto de toda essa pressão em cima de mim. Sei que não é sua culpa, mas me preocupa ter as crianças sempre no meio disso.
- Você sabia que teríamos de enfrentar isso. Você me preparou para isso, se lembra? - falo sério.
Nós estávamos em uma área completamente reservada do meu restaurante favorito em Nova Iorque. Quando voltei pela primeira vez, o próprio dono veio me prestigiar, e hoje, quando decidi vir sozinho com , deixando as crianças com as babás e seguranças em casa, fora o "must" do momento, tendo milhares de pessoas querendo acesso ao restaurante para, principalmente, ouvir nossas conversar. Gerard era bom demais para nos deixar perto do público.
suspira e mexe em sua salada ainda intacta.
- Talvez eu tenha me preocupado demais em te preparar e acabei esquecendo de mim.
De alguma maneira, aquilo havia me tocado. Saber que ela estava preocupada comigo me fez com que minha proteção acima dela aumentasse ainda mais. Mas o que eu poderia fazer?
- Independente de onde formos, eles irão nos seguir.
- Eu sei. - ela diz aborrecida. - Mas não é possível, não sei, criar alguma lei para que eles não subam em cima de nós três? Quando você está por perto as coisas parecem tão mais fáceis de lidar...
Vê-la insegura daquela maneira me fez decidir que o melhor era que eu tomasse alguma atitude. E a lei do mundo explica: Se não consegue derrotá-los, junte-se a eles.

- E nos diga, ? Sua primeira entrevista depois de anos afastado da mídia. - Sergio, o entrevistador da rede BBC de televisão dizia sorridente. Eu concordei apenas com a BBC, pois é um canal renomado no ramo das empresas. Seria perfeito para a mídia, e eles estavam oferecendo uma boa quantia para minha aparição. - Por que sumiu?
- Eu precisava de um tempo para amadurecer. - respondo. - As coisas são diferentes até termos um filho. Uma vida a mais para cuidar é uma grande responsabilidade. Se eu continuasse em Santa Mônica, as coisas continuariam as mesmas e eu me sentiria terrível no futuro por Liam. Foi uma ótima solução, me fez uma pessoa muito mais sensata.
- Isso não deixa de ser um problema para seus admiradores e seguidores. O que acha sobre essa nova onda de opiniões sobre seu retorno? Digo, o que acha dessas pessoas que acham que ousadia é a chave do sucesso?
- Concordo com elas. Mas elas tem de entender que, mais que ousadia, você deve ser repleto de sensatez. Sem isso, você não tem o poder de tomar as decisões certas.
- De fato, sua carreira está muito mais promissora de quando você trabalhava na empresa de seu pai. Por que decidiu se afastar?
- Chega um ponto da vida que algumas pessoas se cansam de serem reconhecidas por algo que outra pessoa fez. O reinado do meu pai foi algo fantástico e o admiro muito. Mas não sou eu. Se quero ser valorizado, acho que devo fazer por merecer este título. Devo merecer as palavras admiradoras dos que me respeitam, não porque meu pai fez algo, mas porque eu fiz algo.
- Imagino que tenha sido difícil decidir abandonar a carreira de seu pai. A empresa está passando por algumas mudanças e houve o boato de uma falência há algum tempo atrás. Os boatos sobre a causa da falência ser sua ainda corre pela mídia, o que você diz sobre isso?
- Eu digo que um filho que ama o pai não deixaria nunca seu patrimônio desmoronar sem mexer as mãos antes. A empresa não está mais em minhas mãos, então não tenho opinião alguma sobre o andamento dela.
- Agora nos diga, . Seu relacionamento com ? Isso é algo que não cala, você precisa falar sobre ela para nós.
Dou uma breve risada, já que chegamos exatamente no ponto pela qual aceitei fazer a entrevista.
- É uma mulher fantástica, ela. A razão de meu sucesso, de fato. - concordo, com a perna cruzada, olhando para Sergio. Era possível ver claramente sua animação sobre o assunto que todos gostariam de ver.
- E vocês estão ou não casados?
- Não estamos. - falo calmo e tranquilo. Vejo-o levantar as sobrancelhas. - Todos nós sabemos que não sou homem de laços. - solto mais uma risada.
- Mas vocês parecem bem íntimos.
- Somos íntimos. Ela é a mãe de Liam e Vita.
- E não rola nenhuma química entre os dois? Nada? - ele queria tirar muito de mim. Queria me ver declarando para .
- Somos bastante compatíveis.
- E esperamos por um casamento futuramente?
Dou uma risada e balanço a cabeça.
- Quem sabe?

Capítulo 15

Fazer com que o mundo ficasse ainda mais curioso sobre nosso relacionamento fez com que ficasse sem falar comigo por dois dias. Por mais que minhas empregadas tenham dito que ela estava bem mais alegre do que antes, fazia com que eu tivesse certeza de que ela estava mesmo apaixonada por mim. Podia ser que eu pudesse retribuir este sentimento, mas ainda havia muito o que acontecer, e eu precisava lavar muitos pratos para chegar ao ponto de dar um passo à frente com ela.
Sem sombra de dúvidas, o fato de as pessoas saberem que nosso relacionamento estava mais sério fez com que as pessoas tivessem mais cuidado com o que falasse e como agiam com ela. Ninguém gostaria de aborrecer a suposta futura mulher de um dos caras mais ricos do mundo. Ao contrário do que esperam, sempre foi muito atenciosa com todos, fazendo receber vários elogios. Mas, como sempre, sua atenção era somente às crianças.
Liam e Vita já estavam começando a falar palavras completas, o que para mim não era tão mal, tirando o fato de toda vez que, principalmente Liam, falava alguma coisa, olhava para mim ou a procura de algum tipo de aprovação. Com o tempo aprendi que eu não precisava querer ensinar mais coisas, mas sim sorrir, mostrando que eu estava orgulhoso e para que ele continuasse assim. Eu nunca entendi muito a razão de eu não poder ajudar Liam neste momento importante; tudo o que disse foi que as coisas devem vir em seu devido tempo. Sem alguém pressionar a fazer.
Todos os dias em meu escritório chegava alguma lembrança de uma importante loja. Artigos de casamento. Nunca levei nenhum para casa. Por morarmos em um bom condomínio, não recebia as encomendas que vinham pelo correio. A meu pedido, proibi que entregasse qualquer coisa em casa, até contas. Porém, hoje, aparentemente recebeu uma carta. E aparentemente, ela era bastante importante, pois a fez se deslocar de casa até meu escritório, lugar que ela nunca viria por conta própria.
Assim que ouviu o barulho da porta ser fechada atrás de si, andou dois passos e depositou um envelope cor creme com um emblema que eu sabia muito bem de quem era. A encarei:
- Quando recebeu isso?
- Ontem.
- E por que está vindo me mostrar somente agora?
- Porque achei que devia saber que sua mãe quer conhecer o neto dela. - ela disse séria. Minha expressão mudou repentinamente para uma surpresa. Olhei para a carta e a abri grosseiramente, sem nenhum cuidado, vendo a letra muito bem desenhada de Sophia.

"... contudo, recentemente, quando vi a foto de Liam na revista, pude sentir que não faz bem a uma avó não conhecer seu neto mesmo depois de um ano de seu nascimento. Como mãe, você deve entender que as coisas se tornam mais difíceis, principalmente com a idade que se aproxima como bombas, rápida e destruidora..."

Ela só poderia estar brincando.
A cada linha que meus olhos passavam, o sangue me subia fervendo aos olhos. Aquilo tudo era uma tremenda baboseira.

"... nunca fui uma boa mãe a . De fato, a educação que ele recebeu foi graças às boas escolas que frequentou, por isso, digo com firmeza que o melhor caminho a ser seguido é..."

Três folhas.
Três folhas de carta. Perfeitamente dobradas. Um envelope brilhante. O que diabos ela queria com tudo isso?
Fico alguns minutos com meus olhos parados na carta, esperando o sangue esfriar para que eu pudesse ter uma conversa decente com ou os novos acionistas de minha empresa.
Assim que olhei para cima, a vi ainda de pé me encarando calmamente, os braços jogados ao lado do corpo, seus olhos analisando meu comportamento, esperando por alguma reação.
- Ela te convidou para almoçar. - comentei. - E pediu para levar as crianças. - ela assentiu. - E o que você respondeu?
- Não respondi. - ela disse, séria. Levantei as sobrancelhas. - É a sua mãe e avó de . Acho que quem deve decidir se um neto pode conhecer a avó não sou eu, certo?
- Você é a mãe.
- ...
- Não ouse me contrariar. - ela então imediatamente se calou. Vi finalmente soltar o seu peso, apoiando seu peso em uma das pernas. Meus olhos não desviaram dela, e então pode perceber que ela era quem devia uma resposta.
- Você sabe bem minha opinião. - ela comentou.
- Seja clara. - a obrigo dizer em voz alta.
Desde quando voltamos para os Estados Unidos, tem sido muito mais compreensiva comigo do que era antes. Ao me ver esforçar para ficar com a família e recusar os convites de todas as festas e inaugurações que estavam por ali, ela procurava me tratar melhor do que antes, fazendo carinho e aceitando sentir meus braços ao seu redor durante a noite. No entanto, depois da entrevista as coisas esfriaram um pouco. Não aceitei fazer nenhum e recusava bem em sua frente para que pudesse entender que não iria mais fazer aquilo.
Porém, parece que ela ainda não me perdoou por completo.
- Eu gostaria de me encontrar com sua mãe e levar Liam comigo.
- Resposta errada. - falo esperando uma reação oposta, mas ela se manteve neutra. - Por quê?
- Talvez ela esteja tentando se redimir. O tempo que não gastou com você...
- , vou lhe explicar somente uma vez, porque sei que irá entender. - falei calmamente, a vendo se calar e ouvir. - Se lembra da história do meu irmão? - a vi assentir. - Pois então. O sentimento materno dela morreu com ele.
Não pude ouvir sequer sua respiração. era muito frágil com a história de Evan. Depois de anos de superação e muita terapia, pude finalmente deixar essa fase da vida passar. Não me sentia mais um infeliz por ter vivido no lugar do meu irmão. Aprendi a aceitar, porém, ela, por alguma razão, não conseguia entender que isso passou. Não consegue aceitar que alguém como eu já não me importo mais com o passado ou os sentimentos de alguém.
- , qualquer um pode...
- Sophia não é qualquer uma, , você deve entender isso. Se existe uma víbora, ela é essa pessoa.
- Não fale assim de sua mãe...
- Escuta. - me levanto nervoso, a vendo dar um passo para trás. - Faça o que você quiser, tudo bem? Se quer encontrar com ela, encontre. Mas não leve Liam junto com você! Não permito que ela entre na vida do meu filho e acabe com a vida dele da maneira que acabou com a minha. E se fosse você, manteria Vita também longe dela!

ficou sem falar comigo por uma semana. Porém, ao que eu entendi, ela respeitou minha opinião e não se encontrou com minha mãe. As babás das crianças informavam para mim o dia-a-dia delas e pude ver que não foram levadas a mentir para mim. Liam e Vita se mantiveram dentro de casa e aos passeios matinais com , que saía para correr de modo a se exercitar.
Porém, três semanas depois do meu surto com ela, pude ver que, na verdade, ela ainda estava brava com a situação do nosso relacionamento e minha entrevista. Por mais surpreso que eu estivesse quando li aquela revista de fofocas que vi jogada na mesa da sala de espera de um dos escritórios do meu prédio, no fundo eu sabia que ela iria fazer aquilo. Eu sabia que ela iria se encontrar com Sophia.

"É QUENTE!

e Sophia - Encontro matrimonial?

Então talvez seja verdade: e estão juntos. Mas juntos de verdade.
fora vista na última quinta-feira com Sophia Guarnic, mãe biológica de . As duas, no início sérias e aparentando serem de poucas palavras, pareceram se entender melhor do que Sophia com seus consultores. Noiva e sogra de passaram a tarde no restaurante do Hotel Merriott, em Manhattan. Fontes seguras informam que Sophia fora à cidade somente para encontrar com a nora. Discutir detalhes do casamento, talvez? Não!
De acordo com pessoas que se sentavam próximas à mesa do centro das atenções, as duas pareciam estar finalmente se conhecendo, depois de um longo tempo apenas se reconhecendo por nomes e fotos. Sophia, diferente da mulher que vemos nas televisões ou convenções ao redor do mundo, falou muito mais do que a nora, dizendo o quão ansiosa está para conhecer seu neto, Liam, de um ano e oito meses. A avó, devido à crise que ocorreu na empresa , não pode visitar o neto desde então. pareceu entender a situação, porém, não dera indício de que traria a criança para conhecer a mãe do noivo.
E então nós forçamos os rumores. Talvez seja realmente verdade que e Sophia não sejam o exemplo de mãe e filho felizes. Desde a morte de Evan há nove anos, a família -Guarnic se manteve afastada sem dar indícios de serem uma pequena família feliz.
Nossas fontes informaram que uma segunda data de encontro de sogra e nora não fora marcado e que o papo em torno do casamento dos dois foi mencionado, mas nada confirmado, o que nos deixa a dúvida: Estão mesmo e noivos?"

Capítulo 16

Abri a porta bruscamente. As babás se encontravam com Liam e Vita na sala, que, ao me verem, riam e gritavam "Papai, papai!", porém, por estar cego com meu nervosismo, ignorei os dois e perguntei diretamente para as duas babás que me olhavam assustadas:
- Onde está ?
- Saiu para as compras, senhor.
- Pois liguem para ela e mandem-na voltar para casa imediatamente, quero falar com ela.
- Mas senhor, ela acabou de sair...
- É uma ordem! - grito, as fazendo pular e saírem correndo com Liam e Vita no colo gritando por mim.
Segui para meu escritório e não ouvi mais nenhum ruído do lado de fora. Estava tão nervoso que mal conseguia me sentar. Andava de um lado para o outro esperando chegar; olhava para o relógio toda hora, mas não adiantava. O tempo passava e ela não chegava. Olhei meu celular para ver se ela havia telefonado para informar algum atraso, mas nada. Apenas depois de uma hora e dez que ela foi entrar na sala.
- Você me... - não a esperei dizer nada. Peguei em seu pulso e a puxei para dentro, fechando a porta e trancando-a antes de virar para ela.
- Sente aí. - falo nervoso, e a vi me obedecer lentamente. - Agora me diga. - joguei a revista nela. - O que diabos é isso?
Vi seus olhos percorrerem, com o susto, rapidamente a capa e então seguir mais lentamente para o meio da revista. Parecia ter se acalmado depois que viu sobre o que eu estava falando. Leu a pequena matéria sobre o encontro dela com Sophia e então me olhou para mim:
- Estão falando sobre eu e sua mãe.
- É mesmo? - respondi ironicamente. - Por que fora se encontrar com ela? - pergunto mais alto, a vendo suspirar.
- Você disse que eu poderia fazer o que eu quisesse, contanto que eu não levasse Liam e nem Vita. - não pude respondê-la. Eu havia dito aquilo. - Eu fiz o que eu quis. Fui conversar com sua mãe. Você quer saber sobre o que nós falamos?
- Por que eu iria? Não me importo com nada do que aquela mulher faz ou fala. - viro de costas para ela. Na verdade, eu queria saber. Queria saber se Sophia falou algo sobre mim ou tentou mudar algum sentimento de sobre mim.
Ficamos calados por um longo tempo. Eu me mantinha de costas para ela, pensando na melhor maneira de sair daquela situação. deveria estar muito nervosa comigo, para me fazer sofrer em meu próprio silêncio. Olhei para os livros em minha estante. Livros nunca tocados, colocados ali apenas para transparecer um ambiente sério. Não sabia sequer se o conteúdo era escrito ou em branco. Assim que me virei para ela, pude-a ver olhando para mim com atenção.
- Você não vai apresentar Liam à ela. Me ouviu?
- Sim. - ela respondeu.
- E não quero que você encontre mais com ela.
- E por quê? - ela perguntou. - Por que eu não deveria encontrar com a sua mãe, ? Entendo a razão de você não querer que ela conheça Liam, mas eu não tenho nada a ver com sua família. Não faço parte dela, posso ir embora quando eu quiser, o que irá acontecer dentro de alguns anos. Por que não posso tentar entender...
- Porque você não entende! Você não sabe como foi meu passado e o passado dela! O que um fez para o outro, o que eu recebi dela para odiá-la! E você não quer saber! Porque você continua com aquela imagem de mim de anos atrás! Porque você ainda acha que eu irei sair por aquela porta e ir para festas foder com garotas como era sua irmã! - o sangue bombeava meu cérebro tão rápido que eu não conseguia sequer pensar em parar de respirar. - Você não percebe todo o esforço que estou fazendo aqui!
- , eu sei o quanto está se esforçando...
- Então por que diabos faz tudo o que eu não quero que faça?
- Porque eu também sou humana! - ela fala mais alto e me calo surpreso. - Porque eu não entendo como pode um filho odiar sua própria mãe! Você não entende que eu tinha de encontrá-la? Tinha de conversar com ela? Como é que você acha que eu irei aceitar que você não a quer na sua vida, se eu simplesmente aceitar? Desculpe, mas eu não sou como garotas como a minha irmã que apenas concordam com tudo o que você fala apenas porque você é rico e gosta de sexo! Eu queria ver pelos meus olhos como era sua mãe!
Assim que percebi nossos tom de vozes, despertei do meu mundo e vi que estava em pé nervosa, o peito subindo e descendo rapidamente devido à gritaria, as bochechas avermelhadas. Não demorou muito para também perceber que havíamos nos exaltado. Deu um passo para trás envergonhada e passou a mão na testa, clamando por paciência. Ficamos os dois calados, provavelmente pensando se aquela briga fazia algum sentido. Apenas depois que meu coração desacelerou que pude perceber que mais uma vez estava muito à frente de mim. Percebi que, na verdade, ela estava apenas tentando se desapegar do meu desapego com relação à Sophia para que então ela conseguisse se sentir bem com minhas reclusões sobre o afeto mãe e filho.
Dei dois passos para frente e me surpreendi ao vê-la dar dois para trás. Meus olhos se arregalaram levemente com a ação. Me perguntei a razão dela ter agido daquela forma, sendo que sabia que eu não iria maltratá-la. Tentei encontrar um motivo para que ela estivesse se afastando de mim; pensei em várias coisas que poderia ter feito de errado e, na minha opinião, foi um grande erro, pois várias cenas anteriores ao dia chegaram em minha mente, atrapalhando meus pensamentos e me deixando ainda mais infeliz com minhas atitudes. Porém, o que mais me assustou foi, de fato, a sensação de estar vendo-a se afastar de mim por contra própria. Foram apenas algumas as vezes que me peguei pensando no dia que ela for embora, ou talvez no dia que ela perceber que é muito melhor do que eu. Agora era um destes momentos. A encarei com a boca entreaberta e tentei me aproximar novamente, fazendo menção de dar alguns passos para frente, em direção à ela, mas eu mal pude terminar o primeiro passo e ela se afastou novamente, dizendo:
- Pare.
Aquilo me fez me preocupar. Ela estava mesmo nervosa. Estava mesmo se afastando de mim por vontade própria.
- Por que... - comecei a dizer, mas, mais uma vez, ela foi mais rápida que eu.
- Estou apenas colocando meus pensamentos no lugar. - explicou.
Não foi o suficiente para me fazer acalmar. As coisas então pioraram quando a vi levantar o rosto e olhar para mim. Vi em seus olhos que ela já não era mais a garota inocente que decidiu aceitar minha proposta apenas porque se preocupava com a educação que o meu filho, uma criança que ela mal conhecia, iria receber.
Vi ali em seus olhos uma mulher de atitude. Independente. Que não precisa de um homem como eu para correr atrás.
Foi quando vi que eu precisava me apressar em amadurecer, e que ser somente jovem já não era mais um fator favorável para mim.

Capítulo 17

Depois da discussão que tivemos, pareceu manter sua rotina da maneira que sempre foi. Eu, ao contrário, mudei a minha de maneira exagerada, ficando até mais tarde no trabalho e dando mais atenção às coisas que eu achava que deveria ter mais atenção. Demiti várias pessoas, revi tudo o que precisava ser revisto; liguei para minha mãe.
- Estou ocupada agora.
- Bem, você pareceu bem menos ocupada semana passada quando veio até aqui apenas para conversar com . - não pude evitar parecer uma criança pedindo pela atenção da mãe, com minha atitude mimada e infantil. A ouvi hesitar por alguns instantes. - Você sabe que isso saiu na mídia, não é?
- Um 'obrigado' é o que eu deveria ouvir.
- Obrigado? - perguntei em tom descrente. - Por que deveria agradecer a você?
- Parece que está se esforçando, . - sua voz séria e fria me fazia ainda sentir o leve arrepio na espinha que tinha quando recebia algum sermão aos 15 anos. - Achei que demoraria mais para você resolver virar um adulto.
- Não liguei para receber algum tipo de lição. Principalmente vindo da sua parte.
- Oras, então por que se deu ao trabalho?
Nós dois parecíamos estranhos no telefone. Estranhos que não se davam bem. Desde que Evan morreu, minha mãe se fechou em um muro e não deixou nunca mais ninguém se aproximar de si. Só seus amantes. Depois que meu pai se foi, as coisas ficaram ainda piores para mim. No início, logo depois da morte de Evan, achei que como mãe, ela iria ser como eram as outras mães carinhosas do mundo, se fazendo de forte e consolando o filho que perdeu o querido irmão mais velho. Ao contrário disso, ela se importou em apenas cuidar de si e do seu pêsame. Depois que meu pai se foi, ela se tornou dura. Começou a me tratar como um estranho, como se fosse o culpado pelas desgraças de sua vida.
Talvez essa seja a razão de estar se aproximando novamente de mim. Talvez ela não esteja conformada que seu filho esteja tendo uma nova vida familiar feliz. Algo que ela não conseguiu ter depois de ter perdido aquilo que nem ao menos se esforçou eu criar. Era muito claro as notícias que saíam sobre eu e , minha relação com as crianças. Não pude evitar pensar o pior e imaginar que ela, na verdade, não queria que eu tivesse a vida que estou tendo com uma família de verdade porque ela não teve. Que quer que eu continue me sentindo miserável por estar vivo ao invés de Evan, afinal, o mais velho nunca é a ovelha negra.
- Você nunca vai deixar de ser uma velha rabugenta?
Minha pergunta pareceu dar um tapa na cara dela. Senti sua hesitação, e foi tamanha que ela não conseguiu se reconstituir a tempo de eu antes dizer:
- Por que você simplesmente não aceita que as pessoas podem seguir em frente sem sair do luto? Por que é que eu tenho que sofrer as merdas que aconteceram na sua vida?
- Não ouse entrar neste assunto...
- Então por que está correndo atrás de mim? De Liam? Você nem se deu ao trabalho de perguntar sobre ele quando nos falamos pela última vez.
Não ouvi sua resposta. Eu sabia que não iria ouvi-la. Dei uma leve risada e então coloquei o telefone de volta ao gancho. Olhei para minha sala, muito menor do que a que eu tinha quando ainda cuidava da empresa de meu pai, mas muito mais a minha cara do que a antiga. Fiquei por horas pensando na vida, algo que eu aprendi a fazer pouco tempo atrás, quando ainda estávamos isolados do mundo. Assim que meus pensamentos voltaram aos seus devidos lugares, me levantei, vesti meu paletó e sai caminhado até a garagem do prédio, fazendo o caminho de volta para casa. e as crianças não estavam, por isso, pude conversar com as cozinheiras e o chef de cozinha para decidir o menu do dia. Por ser uma sexta-feira, o cardápio estava relaxado no quesito de calorias, portanto, não havia muito o que reclamar. Ouvi as crianças gritando no lado de fora e ouvi o barulho da porta se abrindo. Coloquei as mãos no bolso da calça e segui até a sala, vendo entrando com as duas babás, Liam, Vita e o motorista com várias sacolas em mão. Liam ao me ver, veio correndo em meu encontro. Tive de abaixar para pegá-lo e pegar a Vita, que também viera a procura de atenção. olhou para mim, mas logo ignorou, voltando a caminhar e seguindo com o motorista e as babás para o segundo andar. Lentamente, no meu ritmo, segui a todos, parando no quarto das crianças, onde pediu para que as sacolas fossem deixadas no chão e solicitou às babás que banhassem as crianças.
Assim que elas se retiraram do quarto em direção ao banheiro, fiquei calado voltando as mãos nos bolsos e observando retirar as roupas que havia comprado para as crianças, dobrando-as novamente ou colocando em cabides para que fosse pendurados nos armários do closet dos dois.
- Como foi o dia? - perguntei, sentindo que ainda não havia desfeito a gravata e afrouxando o nó. Vi seus olhos olharem para mim e voltar para as roupas.
- Bem.
Abri um pequeno sorriso ao vê-la evitar conversar comigo. Durante os últimos dois dias desde nossa discussão, dormira no quarto com as crianças, principalmente porque Liam estava muito hiperativo e sempre acordava no meio da noite e, por saber andar, saia de dentro do berço e pegava seus próprios brinquedos dentro do quarto, de vez em quando até acordando Vita, que começava a chorar como qualquer criança normal. Encostei no batente do closet com as mãos de volta ao bolso e a vi agora dando atenção nos armários.
- Falei com Sophia hoje.
Foi quando consegui a atenção de . A vi olhar para mim surpresa e virar seu corpo em minha direção.
- É mesmo?
- Sim. - respondi. Ficamos calados por mais um tempo. Quando vi que ela voltou a prestar atenção nas roupas, soube que ela não iria tentar prolongar a conversa. - Nós brigamos.
- Isso não é novidade.
- Não, não é.
Mais uma vez nos calamos. Suspirei e, desistindo de resistir, perguntei:
- Até quando irá me tratar assim?
A vi pendurar a última roupa no armário e então fechá-la. Se virou para mim e, antes de sair disse:
- Até quando se desculpar por ter sido um idiota.

Talvez eu não me importasse em não conversar com ela.
Na verdade, eu estaria mentindo se me convencesse de que isso era uma verdade. A verdade verdadeira é que eu, como qualquer homem em um relacionamento, estou com saudades da atenção de . Estava nervoso por ela estar me punindo dessa maneira. Mais nervoso com ela do que comigo, o que me faz pensar que por mais que eu tente mudar da maneira que eu acho que ela mereça que eu mude, isso nunca irá acontecer.
Toda vez que a encontrava durante o resto do dia naquela sexta-feira, eu tentei dar as devidas desculpas, do jeito que ela esperava que eu fosse fazer, mas isso não aconteceu. Ao contrário, eu pedi uma pizza e me tranquei em meu escritório, enquanto ouvia Liam e Vita brincarem, chorarem e então se calarem depois que foram postos para dormir. Ao perceber que eles já não mais faziam barulho, resolvi me levantar e me retirar do meu refúgio, indo em direção ao hall para subir as escadas até o segundo andar. Encontrei com descendo com os cabelos molhados. Usava o pijama de verão, um conjunto de short e regata. Viu que eu estava subindo, mas mesmo assim me ignorou. Terminou de descer as escadas e foi até a cozinha. Ao invés de subir e tomar o banho que eu queria, dei meia volta e fui até onde ela estava. A vi procurando algo para fazer na tela que havia embutida na mesa de mármore da cozinha. Apertava o botão "próximo" com cansaço.
- Tem pizza na geladeira. - falo parado na porta. Ela me ignora. - Você me ouviu?
- Ouvi, obrigada. - responde sem me olhar. Reviro os olhos e passo a mão no rosto. A vejo então me dar as costas e abrir a geladeira lotada para pegar os ingredientes para fazer seu próprio jantar.
- Você pode chamar Gertie.
- Não preciso de uma cozinheira para cozinhar. - responde séria.
- Ela está sendo paga para cozinhar para você. - falo mais nervoso.
- Não às onze e meia da noite.
- A qualquer horário que você quiser.
- Eu quero que ela descanse para fazer o café da manhã das crianças. Se você não se importa, gostaria de cozinhar com o som do rádio apenas. - ela segue até o aparelho e o liga. Solto o ar impaciente e vou até ele assim que a vejo se afastar, desligando. Ela me olha nervosa.
- Devemos conversar, não é? - falo. Ao me ver sério, ela desvia o olhar e volta às ações que realizava antes. - , não podemos ficar assim...
- Qual é a dificuldade em pedir desculpas? Hein? Pedi para você amputar uma perna? Pedi para você dar um tiro no pé, ou para dar mil dólares à primeira pessoa que encontrar? Não, ! Eu apenas pedi por um pedido de desculpas! - ela apoia a faca em cima da tábua, me fazendo dar um passo para mais longe dela. - Estou há semanas esperando por essas desculpas, tendo de lidar com todos os problemas do mundo e não poder fazer nada porque você é orgulhoso demais para admitir um erro e vir se redimir! Pois saiba que eu não sou como os seus milhares de empregados que são pagos para fazer o que você quiser e ouvir todos os seus desaforos calados! Eu posso estar sendo paga para cuidar e educar o Liam, mas isso não faz de mim uma pessoa inferior a você! - ela aponta para mim acusadora. - Você sabe que se eu não quiser ficar aqui, eu não preciso ficar! Você sabe...
- Eu sei! Eu sei! Mas que diabos! Você não consegue ao menos se calar para ouvir o que eu tenho a dizer? - digo nervoso, a calando assustada. - Não consegue enxergar todas as minhas ações em um modo de pedir seu perdão? Achei que você soubesse melhor do que ninguém o tipo de pessoa que eu sou! Eu não sou alguém que pede desculpas à primeira pessoa que vê, nem muito menos corre atrás dela quando ela simplesmente resolve fazer uma birra por um comentário que você fez! E olhe eu aqui, , correndo atrás de você durante toda a semana e fazendo exatamente o que eu acho que devo fazer que irá te fazer feliz; mas você insiste em querer que eu peça desculpas verbalmente! Você não consegue entender que algumas pessoas têm mais dificuldade em lidar com determinadas situações que outras? Que por ter esse problema, elas recorrem a outros métodos? Não é porque eu não corri atrás de você que eu não estou me esforçando em pedir as desculpas que você tanto quer! Você quer um "me desculpe" sem a intenção nenhuma em me desculpar? Então aqui vai: Me desculpe! Tudo bem?
Assim que parei de falar, a vi com o rosto muito vermelho. Fechei os olhos e respirei fundo, colocando as mãos em minha cintura e balançando a cabeça. Quando fui dizer algo, ela disse com sua voz baixa:
- Por que sempre que estamos discutindo e não sou eu a errada, você me faz sentir como se fosse? - fecho a boca surpreso, não conseguia entender a razão dela se sentir assim. - Você joga as coisas na minha cara como se eu fosse a razão da culpa. A razão de você se sentir mal.
- Bem, é o que está sendo durante essas últimas semanas. - falo rancoroso. Ao ver seu rosto indignado, procuro me explicar: - Tudo o que eu fiz foi pensar em maneiras de ir até você e pedir desculpas pelas minhas maneiras. Mas como eu faria isso? Apenas dizendo "hey, me desculpe, foi mal". Você ficaria pior do que já está!
- Sabe , você é uma pessoa que cresceu com tudo, e de repente não ter o que quer pode parecer um grande problema. - ela diz séria. - Mas veja bem, você está dando muito mais valor para as coisas que está perdendo do que com o que está ganhando. Se você acha que eu estou sendo algum tipo de fardo por ocupar sua mente a todo tempo, então talvez seja a hora de repensar em maneiras de lidar com toda essa situação. Você pode muito bem chamar o seu advogado, eu chamo o meu e nós verificamos aquele contrato que assinamos a quase dois anos atrás.
Estou mudo. Não consigo raciocinar. Pode ser que eu esteja chocado em como consigo ser um completo canalha, mesmo tendo a intenção em melhorar. Mas o que mais me deixa surpreso, é a habilidade que eu tenho em fazer as pessoas boas se afastarem de mim.
- Eu nunca disse que queria que você se afastasse de mim. - falo com a voz mais fraca. A vejo arregalar levemente os olhos ao me ouvir. - Eu só esperava que, da maneira que você me fez ver uma nova vida, pudesse também ver o meu passado e entender o meu presente. - sigo até o banco da bancada e me sento lá, apoiando os braços. - Eu não sou homem de entender as pessoas, , nunca fui, você sabe disso. Sabe que a educação que eu recebi é diferente da sua, por isso Liam e Vita estão crescendo como crianças normais. - aponto para o quarto acima de nós. - Mas eu não sou tudo isso, , eu sou apenas rico. Muito rico. E é assim que eu lido com todo o resto na minha vida. Você deveria saber melhor do que ninguém o quanto dinheiro chama a atenção das pessoas. O que eu aprendi é a ter dinheiro para ter quem eu quiser perto de mim. Era assim que eu achava que havia conseguido você.
- Eu nunca pedi para você mudar.
- Você não precisa pedir para querer. - respondo um tanto magoado. Olhei em seus olhos e a vi me enxergar. - Eu só quero ter uma vida normal de um cara que possui um trabalho e uma família. Que passa por maus bocados, mas ao chegar no fim do dia, encontra todos aqueles que o amam de verdade esperando por ele na mesa de jantar. - desabafo finalmente. - , eu só quero que você fique na minha vida, porque você faz dela algo normal. Eu não quero mais estar na mídia ou utilizá-la para bens pessoais. Eu quero ver Liam crescer. Quero ser chamado de pai e sentir que sou eu a quem ele está se referindo. Quero que ele cresça em uma escola normal, sem crianças falando três línguas diferentes aos três anos. Eu não quero que ele seja extraordinário, mas ele será. Porque o pai dele cresceu em uma comunidade onde ter pouco é não ter nada. Minha dignidade é baseada no tanto de zeros que há antes da vírgula. Mas você está aqui, mantendo meus pés no chão, me ajudando a me manter sóbrio. Entenda que eu não vou mudar. Eu apenas irei melhorar.
A vi fungar e então agachar, sumindo de minha vista. Passados alguns minutos, me levantei de onde estava sentado e dei a volta na bancada, indo até o corredor onde ela ainda estava agachada chorando em silêncio. Me agachei ao seu lado e a abracei, recebendo retorno.
- Me desculpe por ter sido uma idiota. - ela rapidamente diz e abro um sorriso por ver como ela se esqueceu de que estava aguardando as palavras que ela mesmo pronunciou sem ao menos ser necessário.
- Eu não quero te perder. - sussurro em seu ouvido. Ela solta uma risada nasalada e se afasta de mim. - Você pode voltar para o nosso quarto hoje? - ajudo-a a se levantar. Ela limpa as lágrimas e responde:
- Apenas depois de eu jantar.

Capítulo 18

No sábado, pedi para as babás e a governanta ficarem com as crianças, pois eu iria passar o dia com . Achei que seria melhor se nós dois pudéssemos ter um pouco de privacidade das crianças que não paravam de chamar por mim e por ela. Ao saírmos de casa, rapidamente sacou o telefone, verificando se ele estava com bateria.
- Hoje, somente o segurança ficará com celular. - retiro o aparelho de suas mãos e ela arregala os olhos assustada. - Está tudo certo, Miss Mags sabe como cuidar de crianças, lembra? Pare de ser paranoica, apenas aproveite o dia comigo.
- Você diz isso porque fica o dia inteiro longe deles. - ela responde entrando no carro.
O dia estava completamente programado. Eu já havia visto tudo. Mesmo assim, quando fosse sete da noite, nós já estaríamos em casa para podermos colocar Liam e Vita para dormir.
O carro seguiu até o píer, onde meu iate estava aguardando ancorado logo à frente. Alguns fotógrafos se aproximavam desajeitadamente devido ao número de equipamentos pendurados em seus ombros e pescoços. Gritavam por nossos nomes a fim de ter uma melhor posição nossa. Mas, obviamente, nós não demos atenção ao grupo. Fomos cumprimentados pelos marinheiros assim que entramos no iate e os garçons logo nos serviram alguns petiscos.
- Eu acho que nunca andei num barco desses antes. - ela dizia maravilhada dentro do iate, onde era o hall.
- Isso não é um barco, . - a corrijo. - É um iate.
- Ah! - ela coloca a mão na boca, como se tivesse dito um palavrão. - Desculpe. - e ri sem graça.
Sorrio e me aproximo dela, inclinando meu corpo para frente e tocando levemente seus lábios. Fazia um bom tempo que eu não beijava . Estava quase me esquecendo o quão carnudo eram seus lábios e como ela mexia a língua de modo que massageava a minha. Se eu a conhecesse em uma festa, diria que ela teve muito treino até me encontrar.
Antes do almoço, fomos até a cabine master para que ela pudesse colocar um dos biquínis que mandei comprar para a ocasião. Assim como esperado, as peças ficaram perfeitas em seu corpo. Por mais que ela tivesse ausência de curvas, parecia que aos meus olhos aquilo fosse o suficiente para mim. Coloquei a mão em sua cintura e a dirigi até a frente do iate, onde havia uma hidromassagem e lugares para tomar sol. Passamos a parte da manhã inteira ali, então fomos chamados para o almoço.
- Eu não acredito que existe um lugar desses. - ela sorri olhando para todos os lados. - Você não tem medo de ficar assim em alto mar?
- Não estamos em alto mar, . - respondo rindo. - Estamos apenas um pouco afastados da costa porque há uma lei que nos proíbe de ficarmos próximos para os nadadores não serem atropelados.
- Oh, sim, faz todo o sentido. - ela diz com um sorriso. - Bem, parece que estamos em alto mar. - olha mais uma vez para os lados. - Há botes aqui, não há?
Dou muita risada com a insegurança de . Se eu soubesse que ela tinha medo do mar, eu teria planejado outra programação. Assim que comentei, ela logo se endireitou:
- Quem disse que tenho medo do mar? Apenas vejo nos noticiários os acidentes causados por iates, não é como se eu estivesse com medo.
- Tudo bem, não estou dizendo mais nada. - bebo um gole do vinho branco que haviam nos servido. - Que tal um mergulho durante a tarde?
- Não há tubarões? - ela me olha assustada e então faço minha cara de convencido e a vejo corar. Começo a rir e ela me dá um chute de leve. - Não ria!
- , eu nunca te levaria para um lugar com tubarões. Afinal, eu tenho amor à minha vida. - disse indicando que se alguém fosse ser empurrado do iate seria eu, e não ela.
- Rá-rá, você é muito engraçado, nossa. - a ausência de empolgação em sua voz me fez rir ainda mais. - Que horas são?
- Não comece. - falo sério, a vendo encolher os ombros. Havíamos combinado durante o caminho que ela não iria pensar no bem-estar das crianças. Apenas por esta tarde.

O dia que passamos juntos foi como se tivéssemos ficado anos naquela ilha isolada que havíamos voltado há pouco, porém, sem as crianças. Sempre ouvi que quando estamos com alguém que apreciamos muito a presença, o tempo é rápido e passa num piscar de olhos. Porém, mesmo não existindo um relógio dentro do iate, podíamos ter uma noção do horário pelo sol. Mesmo assim, eu e parecemos não nos lembrarmos mais de nossas verdadeiras responsabilidades.
Foi quando a vi tomando sol que percebi que eu já não era mais aquele cara que achava que ainda era um adolescente e culpava a juventude para não ter responsabilidades. A vendo com os olhos fechados e um sorriso nos lábios, pude perceber que eu havia amadurecido muito mais rápido do que o tempo da minha vida inteira antes de conhecê-la. Há alguns anos, tudo o que eu queria era orgias. Agora passo um tempo maior do meu dia pensando se já se decidira em qual escola e aulas extras iria colocar as crianças. Olhei para o céu por detrás de meus óculos de sol e me perguntei se meu pai alguma vez havia sentido aquilo por mim e Evan.
Lembro-me bem de quando nós tínhamos doze e dezesseis anos, respectivamente, dois anos antes de Evan morrer; nós estávamos em Saint Barts, hospedados em um hotel cinco estrelas com uma praia particular. Por mais que fosse particular, haviam muitos hóspedes no tal hotel e principalmente famílias grandes. Eu e Evan ficamos brincando à beira da praia com as babás por perto; me lembro de sempre procurar por Evan, e não meus pais, por medo de me perder. Lembro quando Evan olhou para mim, mas não prestei atenção no que disse, porque o sol estava se pondo atrás do mar e lembrei da aula de história, quando haviam dito que antigamente os cientistas achavam que a Terra não era esférica. Ao ver o sol atrás de Evan se pôr, pensei se eles não estavam corretos. Levei um tapa na cabeça e um pedido para prestar atenção no que dizia. Enfim, tudo o que eu ouvi foi uma pergunta sobre meu ponto de vista sobre nosso pai. Eu respondi que gostava dele porque ele me trazia jogos de video-games de suas viagens, mas acho que Evan tinha muito mais coisas na cabeça do que eu.
Abro os olhos e vejo ainda com seus olhos fechados, aproveitando o sol mais um pouco. Os tripulantes dos iates estavam em um barco ancorado consideravelmente perto de meu iate para que pudessem almoçar. Enquanto isso, eu e apenas aproveitaríamos o lugar vazio.
- Como era seu pai? - perguntei de repente, a vendo olhar para mim surpresa, fazendo sombra com a mão direita.
- Como?
- Você. - começo a falar. - O que achava de seu pai?
- Meu pai? - pergunta confuso. Murmuro um 'uhum' e a vejo olhar para o céu. - Bem, ele era bastante conservador. Se você fosse filho dele, provavelmente brigariam sempre. - ela dá uma risada e abro um pequeno sorriso. - Apesar de ser rabugento, ele sempre teve um bom coração. Não acho que tenha sido um mau pai, apenas não soube muito bem como educar meninas; como somos apenas eu e Belle, a arte de educar ficou por conta de minha mãe.
Fiquei calado pensando em diversas coisas. Mal percebi que depois de um tempo, fizera um comentário que me fez realizar que ela é muito mais perceptiva do que eu imaginava.
- Não se preocupe, você está sendo um bom pai. Enquanto as crianças correrem atrás de você quando chegar em casa, quer dizer que está fazendo um bom trabalho. Claro que as regras mudam de acordo com a fase ou idade, mas para as crianças, agora, você está nota nove.
- Nove? - levanto uma sobrancelha. - Bem, e por que não dez?
- Você ainda não ensinou nada a Liam, o que desconta meio ponto da nota. - ela fazia as contas com os dedos das mãos.
- E o outro meio ponto?
- Você não sabe dar banho nas crianças.
- , eu já disse que isso requer coordenação motora, algo que eu não tenho. Desculpe se só meu sexto sentido com negócios funciona bem.
Entre conversas, indiretas, brincadeiras e carinhos, nós passamos uma tarde maravilhosa. Olhei para no caminho de volta e ela lia um livro calmamente. Minha mente colocou em minha cabeça então a ideia de casamento, mas casar é algo que não gostaria de ter, talvez se apenas juntássemos nossas peças, as coisas poderiam dar mais certo.
Mas o que eu quero que melhore?

Ao chegar em casa, o sol já havia se posto. A televisão estava ligada quando entramos. resmungou que as babás não podiam fazer as crianças assistirem à TV, pois não queria que elas ficassem sempre querendo assistir à grande tela. Porém, ao contrário do que havíamos imaginado, não era as babás e as crianças que estavam ali. Era Sophia.

Capítulo 19

- O que quer aqui? - pergunto assim que ouço a porta ser fechada atrás de mim. Sophia olhou para mim com seus meus olhos frios de sempre. Se levantou e arrumou o terno que usava, mesmo ele estando completamente impecável.
- Vim ver meu neto.
- Que eu me lembre, você não tem um neto, já que não tem filhos. - falo rancoroso.
- Não seja tolo. - ela diz. - Achei que fosse mais inteligente, .
- Fui inteligente o bastante para perceber a tempo que deveria sair da sua vida.
- Pare de ser um garoto mimado, belo exemplo está sendo para seu filho. - ela olha para Liam, que agora vinha andando até mim. - Que tipo de educação estão recebendo? Gritam e riem alto a todo momento.
- São o que crianças fazem. - responde dessa vez. Talvez tenha se achado no direito de responder, já que ela era a responsável pela educação das crianças. Sophia a encarou séria e então colocou as mãos na cintura.
- Isso foi mais longe do que eu imaginava. Eu deveria saber que você tinha um coração mole demais para negócios. - olhou para mim séria.
- Não sei do que está falando. - comentei. Sophia deu uma breve risada, bem irônica, e cruzou os braços.
- Quer dizer que este é mesmo um relacionamento falso?
- Pare de se achar a amante mais nova, Sophia, você é mais velha do que a idade de todos nós juntos. - digo ofensivamente, a fazendo voltar a ficar séria.
- Ela, por acaso sabe que você está apenas a usando?
Me calei. Era óbvio que ela não sabia. Na verdade, ela sabia em partes. Sabia que eu havia dado uma moradia e pedido para ela se fazer de minha namorada para que eu pudesse me divertir e fazer o mundo achar que eu traía minha namorada e ela mal sabia disso. Sabia que isso era um trato e que ele acabaria em cinco anos. Porém, ela não sabia que, na verdade, eu havia a usado apenas para ser uma babá e que eu tiraria ela de minha vida antes da data marcada em nosso acordo. De fato, essas coisas mal passaram pela minha cabeça, afinal, sempre fui o tipo de cara que apenas resolve os problemas de última hora.
- Parece que ela não sabe de nada. - a voz de Sophia parecia bem mais calma agora. olhou para mim e pegou Liam no colo quando ele tentava chamar minha atenção. - Há finalmente algo em você que vi que puxara a mim.
- Não ouse... - começo a dizer, mas eu sabia que não iria adiantar. Ela estava ali para acabar com a única coisa que eu havia construído com sucesso.
- Você sabe que ele está te usando, não sabe? - Sophia olha para , que nada responde. - Sabe que terá de sair da vida de todos eles quando Liam fizer cinco anos. - aponta com a cabeça para o menino que estava no colo de .
- O que isso tem a ver? - ela pergunta. Sophia abre um minúsculo sorriso:
- Você será deportada, garota. Para a China.
- Cale-a-boca. - falo com a voz grave e travada, mas quem disse que mães ouvem o mandato de seus filhos?
- Você terá que sumir da mídia por um tempo, para que ele tenha a vida normalizada. - apontou para mim. me olhou boquiaberta. - Acredito que ele não tenha contado ou colocado isso no contrato?
não respondeu. Ficou me encarando séria, seu olhar me pedindo uma explicação.
- A cada multa infringindo as regras do contrato com a polícia, ele perde quase um milhão. É bem mais fácil pagar uma garota com rosto bonitinho e em seguida dar o valor de meia multa para ela se virar na China, não é? - Sophia pergunta séria.
- Ou você se cala, ou retirarei eu mesmo você da minha casa. - falo sério.
- não gosta de se apegar, garota, e sabe por quê? - Sophia pegou sua bolsa que estava no sofá da sala. - Porque ele se apega muito fácil às pessoas, sempre foi assim. Por isso ele as compra, porque se lembra de que são medíocres prostitutas vendendo seus corpos para um homem necessitado; pensando dessa maneira, fica mais fácil de se apaixonar, não acha? - em sua pose mais ereta, ultrapassa . - Mande esse menino para um internato, ele está barulhento demais para um . E você - olha para , que não a encarava. -, é apenas uma prostituta de , não se esqueça. - e se retira da sala, provavelmente me vendo querer subir em cima dela e esquecer que foi a pessoa que me deu a vida.
Olhei para sem saber o que falar. Minha falta de reação foi completamente inusitado. Nunca esperei perder para Sophia em uma discussão, mas o tópico era muito complicado para mim. A vi ir até o sofá e se sentar perto de Vita, que olhou para ela e voltou a brincar.
- ... - começo a falar.
- Talvez você devesse me explicar, . - ela diz tentando manter seu tom de voz. - Eu mereço uma explicação.
- Você não é nada do que ela disse. - falo me aproximando rapidamente e me sentando em sua frente. - Você sabe disso, não sabe?
- Sei? - ela pergunta me olhando séria. - Talvez eu desconfie, .
- Por que iria desconfiar? Vivemos juntos a quase 2 anos, você sabe que...
- Eu sei o seu passado e eu sei o porquê de estarmos juntos agora.
- Sim, mas eu mudei, você abriu meus olhos, sabe que...
- Eu gostaria, pela primeira vez, que você fosse sincero comigo. - ela diz nervosa.
Suspirei e passei a mão no rosto. Eu não tinha escolha, tinha?
- O que ela falou é verdade. Eu não me apego às pessoas, porque elas são interesseiras demais, porque sempre me desapontam. Eu acho mais fácil pagá-las para ficar perto de mim a hora que eu quiser do que serem intrometidas. Amigos são intrometidos, namoradas mais ainda. Você foi uma pessoa que surgiu na minha vida quando eu mais precisava de alguém para usar. Tornei as coisas convenientes para você porque estava desesperado por achar alguém que pudesse tomar conta de Liam para que eu pudesse sair à farra. - de acordo com o que eu ia falando, seus olhos começavam a ficar umedecidos. Hesitei por um segundo em continuar, mas por mais que seus olhos estivessem brilhando pelas lágrimas, sua expressão se mantinha dura. - No meio do próximo ano, quando Liam estivesse chegando aos 4 anos e indo à escola, eu a levaria para a China e a deixaria lá. Seria bom para você sair da visão dos paparazzis quando...
- Você apenas não teria que lidar comigo. - ela me conta amargurada. Me calo. - Eu não sou idiota, .
- Não estou dizendo...
- O idiota aqui é você. - ela diz rancorosa. Minha boca se fecha. Com essa nova personalidade dela eu ainda não havia aprendido a lidar. Tudo o que eu podia fazer era me manter calado e pensar em uma solução, no entanto, com essa pressão toda dela saber da verdade, eu não conseguia tirar a imagem dela deixando a mim e Liam sozinhos. - Você reclama da sua mãe, mas na verdade, quem acaba com sua própria vida é você.
- Poderia não colocar...
- Você apenas não quer sentir o peso de ser um fardo na própria vida. - ela continua dizendo, não ouvindo nenhuma das palavras que tentava dizer. Suspiro, a deixando jogar em mim toda a raiva que eu merecia receber, mesmo achando que haviam algumas palavras que eu não merecia ouvir. - Eu estou cansada de sempre ser surpreendida por algo ruim por você. Eu vejo se esforçar e então, um dia depois, estragar tudo com uma mentira ou uma verdade mal contada. Isso é um ciclo, . E eu não quero ter de encará-lo a todo momento.
- ...
- Apenas... - ela começou, levantando a mão para mim. - Apenas vamos acabar tudo aqui.
- Não pode...
- Por quê? - me corta novamente. Vi seus olhos me olharem com raiva, me pegando desprevenido; dei um passo para trás. - Por que eu não poderia quebrar nosso contrato e você sim? Por causa de nossas diferenças econômicas? Pois saiba, , que para ser feliz é preciso muito mais do que oito ou nove dígitos na conta. É preciso saber viver. E isso eu sei muito bem.
- , eu não estou dizendo isso. - falei rapidamente, a vendo se calar para me ouvir. E então eu não soube o que fazer. Ser ouvido é algo que eu não esperava acontecer; ficamos longos minutos calados, esperando que ela conseguisse ler meus olhos da maneira que sempre fizera. Mas, aparentemente, ela estava cega de ódio por mim. Soltou o ar e então balançou a cabeça. Segurei seu braço: - Não vai, vamos conversar.
- Você não tem o que falar, . - ela diz calma. - E eu não quero ouvir. - olhou em meus olhos. - Eu dei todas as chances que você precisava para fazer nós dois termos dado certo. Eu me deixei confiar e começar a te admirar. Eu até deixei que meu coração fosse seu. Mas você se esqueceu que eu não sou como as outras pessoas, que não suporta mentiras. Você acabou com todas as chances que eu te dei. Por que eu tentaria mais uma vez?
- Porque eu te amo.
- Não passe a mentir para você mesmo, . Você não sabe amar.

Capítulo 20

Os dias que se passaram foram tortuosos da maneira que Sophia havia planejado para mim.
Com a ida de , a mídia caiu em cima do término de nosso relacionamento, questionando a razão de estarmos nos separando, quando parecíamos tão felizes há pouco. Não dei entrevistas, não aparecia muito em público, não ia a festas ou congressos.
No primeiro dia sem e Vita, Liam ainda não havia percebido a ausência das duas. Ficamos juntos o dia inteiro, o levei para suas atividades rotineiras, de modo que ele pareceu estar feliz. Sempre que o olhava durante o tempo que ficamos à beira da piscina, pensei em diversas maneiras de ir até e pedir desculpas. Depois de várias horas pensando, entendi que eu apenas estava colhendo o que plantei. Assim que coloquei Liam para dormir, verifiquei meu celular uma vez mais apenas para ter certeza de que ela não iria voltar. Não haviam chamadas ou mensagens dela. Entrei em meu quarto e, assim que deitei em minha cama, coloquei em minha cabeça que eu deveria voltar a ser o que era, independente.

Ao fim da primeira semana sozinho com Liam, pude perceber que ele estava aborrecido, chamando por ela. O fato dele a chamá-la de ‘mãe’ fazia com que meu peito apertasse mais do que deveria. Constantemente de mau humor, eu teria que fazê-lo se acostumar à minha presença, coisa que ele pareceu não querer depois de perceber que e Vita não voltariam. Chorava, esperneava, demorava a dormir e não queria comer e nem brincar. Fui a um psicólogo especialista em crianças e passei a ter consultas três vezes na semana, passando a duas depois de seis meses.

Liam estava crescendo rapidamente, assim como era com os homens de nossa família. Com dois anos e três meses, ele parecia uma criança com três anos formado. Já falava sem parar e parecia ter se esquecido de e Vita, por conta da árdua rotina que eu tinha com ele. Como pai, havia sido instruído a permanecer ao seu lado até vê-lo correr saudável até a mim na saída da escola. Era muito claro que isso ainda não havia acontecido, pelo fato dele sempre ser carregado até mim.
A mídia continuava em cima, porém, menos do que tempos atrás. Liam não gostava dos fotógrafos e sempre os mandava ficar longe de nós quando éramos pegos pelas lentes. Eles achavam uma graça, as pessoas ao redor achavam uma graça, mas eu e Liam não. De vez em quando, antes de sairmos do carro e o amontoado de fotógrafos nos rodeavam, Liam perguntavam se eu não poderia expulsá-los dali. Eu apenas ria e dizia que eles ficariam longe enquanto estivesse em meu colo. Mesmo assim, Liam de vez em quando era pego fazendo caretas e mostrando a língua para os fotógrafos.
Não ouvi notícia sobre . Admito ter procurado um pouco por ela. Durante a época do aniversário de dois anos de Liam e Vita, contratei uma pessoa para verificar como estava, mas ela não a encontrara. Não sabia se ela estava em Nova Iorque ou se havia saído da cidade. A mídia, por conta do exaspero, a perdeu de vista. Não pude saber muita coisa senão que ela passara a visitar sua família, depois que recebeu uma ligação de seus pais pedindo para ela encontrar com eles. Como a briga dos três foi por causa de Bella, imagino que não tenha hesitado em voltar a ver os pais e apresentar a neta.

Depois de um ano e meio aprendendo sozinho como ser um bom pai, tenho uma boa segurança em afirmar que estou expert em criar filhos, mas que não tenho vontade alguma de ter outro Liam Hiperativo . Há alguns meses, fui nomeado como pai exemplar pela revista People, o que, de acordo com a mídia, foi um marco digno pelo fato de eu não ser uma pessoa cuja fama contribuía para este prêmio. Liam e eu somos como panela e tampa. Aprendi a me apegar ao meu filho, tanto quanto ele era apegado a mim.
Durante esse tempo, namorei uma garota que parecia ser uma boa pessoa para Liam, mas ele não estava interessado em ter uma mãe. Chorava toda vez que saíamos com ela e nunca queria ser pego no colo por ela. Depois de alguns meses, quando ela perguntou a mim se eu tinha algum interesse nas escolas da Suíça, soube que ela não deveria estar em minha vida e na de Liam.
Havia apenas uma característica das escolas da Suíça: Elas eram internas e serviam para pais que queriam se verem livres de seus filhos. Eu nunca enviaria Liam para um lugar mais longe de mim, a não ser quando entrasse na universidade, algo que demorará alguns quatorze ou quinze anos.

Por pior que tenha sido a experiência de ser um pai solteiro, parecia que, depois de ter uma mãe como , era a melhor escolha para mim.
Sophia procurou se aproximar de mim, já que era confirmado que a empresa estava falida. Em um modo de descontar toda minha dor de ter sido abandonado pela única pessoa que eu havia amado na vida, resolvi lhe dar um último presente como filho rebelde, desbancando meio bilhão de sua conta. Sete meses depois, ela saíra na mídia alemã, onde havia se casado com um empresário milionário.

Capítulo 21

- Papai! - sorri ao ouvir a voz de Liam gritar. Agachei para pegá-lo no colo, maneira que ele achava se livrar de todos os fotógrafos. Porém, naquele dia, ele não pulara em cima de mim como sempre fizera.
Levantei a sobrancelha e arrumei o gorro de modo que tapasse suas orelhas pequenas. Com apenas quatro anos, ele era um garoto muito desengonçado que ainda conversava com seus bonecos como se fosse verdade. Perguntei ao psicólogo se aquilo era um problema e ele disse que a tendência era que acabasse assim que ele fizesse novos amigos. De fato, a mania diminuíra, mas não cessara.
- Liam, está bastante frio aqui fora, podemos ir para dentro do carro? Você vai pegar uma gripe.
- Mas papai, papai! - ele pulava como um filhote de cachorro em torno de seu dono recém chegado.
- O que foi? - pergunto entre risos. - Desse jeito você vai cair, me dê sua mochila.
- Não! Não! Olhe para mim! - ele levanta os braços, me fazendo não ter escolha senão agachar e sentir suas duas mãozinhas segurar meu rosto. - Eu tenho uma surpresa! Adivinha!
- Se é uma surpresa, como espera que eu adivinhe? - perguntei ainda rindo.
Eu sabia que ele preparava algo especial para mim, já que o Natal estava chegando e a escola ligara para os pais para enviar o orçamento do presente de natal que as crianças fariam para nós.
- Espera aqui! - ele apontou para o chão e concordei com a cabeça, sentindo sua mochila e lancheira em meus braços.
Me levantei e vi as mães e pais rirem ao meu lado e comentando o quão grande ele estava. Sorri e conversei com alguns por alguns minutos, até o ver voltando até mim com alguns amiguinhos.
- Eles podem brincar comigo em casa hoje? A mamãe da Amy já deixou, e o papai da Kelly, e a mamãe do Rian e Connor e a mamãe do Kevin...
- Filho, você já os convidou? - rio ao vê-lo apontar para cada amigo e cada pai que estava por perto, provavelmente aguardando minha chegada para falar sobre o suposto convite.
Liam olhou para mim e concordou com a cabeça entre pulos.
- Bem, se você os convidou e os pais deles permitiram, imagino que tenham que entrar no carro?
Ouvi gritos de felicidade entre o grupo e conversei com os pais para combinarmos o horário para buscarem os filhos em minha casa. Era a primeira vez que Liam chamava os amigos para se divertirem. Havia permitido ir à casa de alguns duas ou três vezes e sempre que o buscava, ele perguntava se poderia convidá-los para brincar em seu playground em casa. Nunca esperei que ele tomasse uma iniciativa de ir ele mesmo conversar com os pais dos amiguinhos.
Assim que olhava as crianças entrarem nos carros que tive de pedir para meu motorista chamar, Liam puxou o tecido de minha calça, chamando minha atenção. Olhei para baixo e ouvi o que ele tinha para dizer:
- Papai, a mamãe de uma amiguinha minha ainda não chegou, podemos esperar?
- Ela irá demorar? - olho para o relógio. Eu teria uma importante reunião em uma hora e meia, porém, o tempo de levá-los para casa e comer com todos poderia tornar o tempo um pouco apertado.
- Ela disse que a mamãe dela disse que está apenas virando a esquina.
- Então podemos esperá-la. - sorrio.
Enquanto Liam voltava à porta da escola para esperar a mãe da amiga com a amiga, liguei para casa para verificar se as cozinheiras estavam providenciando um grande almoço. Por ser sexta-feira, eu permitia que elas fizessem lanches a escolha de Liam, como celebração do início do final de semana. Ele sempre pedia hot dog com batata frita.
- Papai! Vem aqui! - senti a pequena mão de Liam me puxar e mandei os seguranças olharem as crianças no carro. Dei a volta e segui com Liam até a porta da escola, desligando o celular. - Essa é a mamãe da Vita!
Assim que apertei o botão de desligar e ouvi o nome da amiga, levantei o rosto e vi ali parada olhando tão surpresa para mim quanto minha expressão ao vê-la.
- Você... ? - perguntei. Olhei para Vita, que me olhava ansiosa, provavelmente por me ver falar com sua mãe para eu fazer com que ela permitisse a filha de vir para minha casa.
- Boa tarde. - ela disse sem graça. - Bem, parece que... - olhou para Liam.
Era engraçado como as crianças não se recordavam da outra. O psicólogo dissera há anos atrás que era possível que Liam não se lembrasse de por ser muito pequeno, mas era mais provável que se lembrasse pelos momentos que passaram. Pelo jeito, Liam pareceu não perceber que em sua frente estava a pessoa que ele teria chamado de mãe por um longo tempo. Olhei para Vita, que, assim como Liam, não percebeu que eu era o cara que ela chamou de pai. Encarei , que parecia bastante sem reação, mas, acima de tudo, sem graça por me encontrar.
- Não sabia que Liam estava aqui nessa escola. - olhou para o prédio. - Achei que ele fosse para um elitista.
Coloquei as mãos no bolso e abri um pequeno sorriso:
- Eu optei por ser um bom pai.
A vi levemente arregalar seus olhos e sorrir sem graça. Colocou o cabelo atrás da orelha e disse:
- Claro.
- Bem, Vita pode passar a tarde em casa com os amigos? - aponto para os carros estacionados à porta da escola. Tive de voltar à razão de estarmos ali, pois Liam puxara o tecido de minha calça novamente.
- Creio que sim. Se eu disser não terei uma garotinha emburrada durante todo o final de semana. - ela coloca a mão na cabeça de Vita, que olha para a mãe com um enorme sorriso. - Que horas devo pegá-la?
Olho em meu relógio, ele marcava quase uma hora.
- Talvez às... Seis? - olho para , que sorri.
- Buscarei às seis e meia então. Tudo bem? - ela olha para Vita, que abraça a cintura de , lhe dá um beijo na mão por não querer esperá-la agachar e então sai correndo com Liam até o carro onde estavam os outros amiguinhos. - Bem, o lugar...
- É o mesmo. - finalizo a frase, a vendo assentir. - A vejo mais tarde então.
- Tudo bem. - ela sorri.
Ficamos por mais alguns minutos nos encarando até ela sorrir enquanto arruma a touca que usava e dá meia volta, seguindo até seu carro com a mochila de Vita. A vejo dar partida e sair.
Caminho até um dos meus carros e vou à frente com o motorista, tendo os outros três carros seguindo em fila indiana atrás do veículo que eu estava. Peguei meu celular e liguei para Alvin, meu secretário.
- Alvin, cancele as reuniões de hoje. Tive um imprevisto. - olho para a paisagem afora. - Marque para daqui duas semanas, eles irão aguentar.
Olhei para o céu acinzentado e, antes que Alvin desligasse, o ouvi perguntar "Mais alguma coisa, senhor ?" Sorri:
- Sim, reserve uma mesa privada no melhor restaurante da cidade e chame a babá para cuidar de Liam e uma amiga. - olho para o retrovisor externo do carro e me vejo com um sorriso que não via há tempos no meu rosto. - Ligue para o assistente de Vick Beckham e peça por um vestido para hoje. Ele deve estar em casa às seis em ponto, ligue para Margot e diga que preciso da equipe de cabelo e maquiagem dela em casa neste mesmo horário.
Na ordem que ia falando, Alvin repetia para confirmar meus pedidos. Antes dele perguntar se havia mais alguma coisa que pudesse fazer para mim, digo:
- Ah! E confirme minha presença na festa de lançamento da nova coleção da Ferrari. Com acompanhante. - desligo o celular e olho para o retrovisor externo, me pegando com um sorriso confiante que já não via fazia um bom tempo, desde a minha época festeiro.
Depois de dois anos e meio sem comparecer a uma festa, seria muito interessante mostrar ao mundo que, ao contrário do que eles pensam, nunca será velho o bastante para festejar. E que, acima de tudo, ele ainda era o garanhão que conseguiria conquistar a mulher que o ensinou a amar.

Fim.

 

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