The Song

Escrito por Virginia Oliveira - Siga a autora no Twitter
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San Diego, Março de 2007

Eu estava caminhando a passos largos quando ouvi o grito abafado.
Eu estava passando por uma rua que havia várias vielas perpenduculares à ela e tinha certeza que o grito havia vindo de algumas vielas mais a frente e à direita.
Andei mais rápido ainda, quase correndo e escutei alguém falando e a voz ficava mais alta a medida que eu andava.
Por todas as vielas que eu passava eu olhava bem, mas não havia ninguém.
Quando eu cheguei na quarta viela à direita, foi que eu vi.
Um homem, que deveria ter em torno de uns 25 anos, estava agarrando uma mulher, que deveria ter em torno de uns 21 anos. A blusa que ela estava usando estava rasgada desde o decote pequeno, que deveria haver antes, até o umbigo e mostrava o sutiã preto, da mesma cor da blusa.
Me escondi antes que o homem me visse e rapidamente saquei minha arma.
Caminhei bem devagar para que o elemento não escutasse quando cheguei a poucos metros, disse:
- Parado, polícia! Saia de perto da moça e coloque as mãos na cabeça! - Gritei.
- Qual é, cara! Vá embora e deixa eu me divertir um pouco! - Ele disse. Percebi que ele estava sobre efeito de algum tipo de droga. Supus que seria maconha e talvez tenha ingerido bebida também.
- Saia de perto da moça e coloque as mãos na cabeça - Disse com uma voz ameaçadora.
- Qual é, cara! Eu quero só comer ela mesmo depois eu caio fora.
- Você não percebe que você está forçando a moça? Levante e coloque as mãos na cabeça antes que eu atire!
- Você não é louco de atirar!
- Ah, não? - Atirei em um saco de lixo que havia ao lado dele, talvez há um metro, um metro e meio de distância.
Ele se levantou rapidamente e colocou as mãos na cabeça. Antes de eu ir em direção a ele, tirei rapidamente da minha bolsa um par de algemas e caminhei até ele. - Não faça nenhuma gracinha, okay?
Antes que ele pudesse tentar algo, prendi as mãos dele e coloquei sentado no chão o mais longe da vítima.
Peguei meu celular e digitei o número do meu chefe, o delegado Johnson.
- Oi . O que devo a honra?
- Delegado, acabei de prender um homem em uma tentativa de estupro.
- Que!? Onde? Vou mandar uma viatura agora mesmo. - Disse a ele o endereço e 10 minutos depois, uma viatura apareceu. Colocaram o homem na viatura e fui na direção da moça.
- Oi - Eu disse.
- Oi. Obrigada por ter chegado antes que ele pudesse fazer algo pior comigo.
- Não há de quê. Não fiz mais do que minha obrigação. Sei que você deve estar em choque, se você quiser, posso te levar a um hospital.
- Eu agradeço. - Percebi que ela ficara receosa, não é pra menos. Meia hora atrás ela estava sendo agarrada por um louco que quase a estrupara.
- Vamos.
Pegamos um táxi na avenida e fomos em direção ao Hospital Geral de San Diego que, por sorte, ficava apenas há alguns minutos do local do incidente.
- Qual o seu nome? - Perguntei.
- . E o seu?
- . Olha, Mrs. ...
- Apenas , por favor.
- Certo. Olha, eu sei que você deve estar com trauma e vejo que você está um pouco receosa em relação à mim. Quero que você saiba que jamais eu lhe faria algum mal, muito pelo contrário. Odeio esses tipos de homens que acham que só por que veem uma mulher bela na rua acham que podem ter o direito sobre ela.
- Eu sei. Desculpe. É só que... Eu to com medo, entende? Sei que você não me faria algum mal. Desculpe. Eu sou a culpada por isso ter acontecido. Eu deveria ter ido por outro caminho, estar usando outro tipo de roupa...
- Shhhh. , não. Você não tem culpa de absolutamente nada. O único culpado é aquele psicopata. Você não tem que esconder sua beleza por conta desse tipo de gente.
- Obrigada, Mr. .
- . - Ela sorriu. Era o sorriso mais lindo que eu já vi na minha vida.
- Obrigada, .
Pode parecer clichê, mas de alguma forma eu sabia que aquela mulher, no futuro, faria parte da minha vida.

Atualmente
Sorri ao lembrar do dia que conheci ela. é a mulher mais fantástica que eu conheci em toda minha vida.
Lembro que levei ela ao hospital e ficou tudo bem.
Pedi que ela deixasse que eu a levasse em casa e ela concordo com um sorriso e murmurou um "sim".
Peguei o número dela e liguei no dia seguinte para ver se ela estava bem e ela me convidou para tomar um café em uma cafeteria que ficava no bairro onde ela morava.
Quando ela disse, fiquei totalmente surpreso. Aceitei de imediato.
tinha 22 anos, cabelos castanhos que ia até sua cintura e olhos de um azul tão belo que me lembrava as praias do Havaí. Era em torno de quinze centímetros mais baixa do que eu; estava fazendo mestrado em arquitetura e já estava trabalhando em uma empresa do seu ramo.
Conversamos por quase duas horas na cafeteria e a chamei para jantar comigo no Frank's, um restaurante italiano que havia há uns três quarteirões da minha casa. Ela sorriu e disse sim.
Depois disso, começamos a ter muitos encontros e depois que se passaram um pouco mais de um mês, a pedi em namoro e ela aceitou.
Depois de dois anos, quando ela estava perto de concluir o mestrado, a pedi em casamento.

Califórnia, Junho de 2009
Eu já estava com todo o esquema pronto. Rosalie, ou Rosie para os íntimos, era a melhor amiga de e estava me ajudando.
Eu estava super nervoso.
- Calma, . Vai dar tudo certo! - Rosie dizia sorrindo.
- Como você pode ter tanta certeza?
- Você não percebe como a te olha? Não vê o quanto ela te ama? - Eu fiz que sim com a cabeça, mesmo sabendo que eram perguntas retóricas; ela sorriu - Então? Não há o que temer.
- Obrigado, Rosie.
- Não há de que. Ah, esqueci de dizer: você está muito bonito com esse blazer. - Ela riu. - Ande, se apresse. daqui a pouco vai chegar.
Saí da casa de Rosie e entrei no meu carro. Depois que dei a partida, fui direto para a praia de San Diego.
Cheguei e vi Paul sentado na areia. Caminhei até ele.
- Oi.
- Oi.
- Obrigado por ter ficado aqui, Paul.
- Você é o meu melhor amigo, . Amigos são para essas coisas, não é?
- Obrigado mais uma vez.
- Bom, é melhor eu ir. Boa sorte, cara! - Demos um abraço com tapinhas nas costas.
Paul saiu e eu vi que estava tudo do jeito que Rosie, Paul e eu organizamos.
Senti meu celular vibrar no bolso e vi que era uma mensagem de Rosie.
", estaremos aí em cinco minutos. Me espere no local combinado. Rosie xx"
Fui até o local onde Rosie e eu combinamos e minutos depois, elas apareceram.
Quando vi , mesmo com os olhos vendados, fiquei paralisado, com a respiração falha e com a boca abrindo e fechando, querendo falar algo, mas não consegui.
Rosie sorriu satisfeita e chegou segurando pelo braço.
- A bonitinha aqui ficou com medo de eu estar preparando uma pegadinha com ela, acredita?
- Com quem você tá falando, Rosie? Parou a brincadeira!
- Calma, amor.
- ?
- Sim, querida.
- O que está acontecendo?
- Bom, vou deixá-los a sós.
Peguei pelo braço e conduzi até onde estava tudo preparado.
Beijei seu pescoço e sua bochecha e tirei a venda.
Ela ficou paralisada e sorrindo.
- Você fez tudo isso? E pra mim?
- Tive ajuda de Rosie e Paul e sim, é pra você, meu amor.
Era uma tenda e havia um tapete por cima da areia e nela havia comidas e uma garrafa de vinho.
- Oh, querido, eu te amo!
- Eu te amo também, amor! - A tomei nos meus braços e a beijei suavimente - , eu te trouxe aqui por um motivo. Você é a mulher da minha vida. Nunca nenhuma mulher me fez sentir o que você me faz sentir. Nunca amei ninguém como eu te amo. É com você que eu penso e quero formar uma família. , você aceita casar comigo e se tornar Mrs. ? - Me ajoelhei e tirei a caixinha com o anel de dentro do bolso do blazer.
- Nem precisava perguntar, querido. Sim, sim, sim, mil vezes sim!

Atualmente
Ri novamente enquanto lágrimas escorriam por minhas bochechas.
Como eu pude ser tão idiota, tão imbecil?
Eu tinha que consertar tudo que eu fiz de errado.
Eu estava sendo um péssimo marido, um pésimo companheiro e não merecia nada daquilo. Ela sempre estava sempre comigo, sempre me apoiando.
Quando consegui o cargo de delegado, há um ano e meio ela comemorou comigo e até fez um bolo especial para mim.
E quando ela conseguiu abrir sua empresa junto com Rosie o que eu fiz? Apenas sorri e a abracei dizendo um mísero parabéns.
Eu tinha que resolver isso. Consertar todo o mal que eu causei.
Eu prometi que a amaria e que não a faria sofrer.
Me levantei da poltrona do hotel que eu estava hospedado e mandei rapidamente um sms para Paul, explicando a ideia que eu tive.
Ele me mandou uma de volta e disse que às 07h da manhã de amanhã tudo estará resolvido.
Me deitei, porém não consegui dormir.
Quando o sol nasceu, me levantei da cama. Tomei um banho, vesti minha melhor roupa, passei meu melhor perfume e liguei para Paul.
Ele me disse que estava tudo pronto e eu sorri em resposta. Ele me disse que havia conversando com Rosie e depois de um tempo, conseguiu convencê-la. Marcamos para às 09h e quando faltava vinte minutos para o plano, Paul apareceu com o violão que eu pedi.
Coloquei a toalha na grama e a cesta que Rosie mandou por Paul e fiquei sentado, afinando o violão, e na hora marcada Rosie apareceu com .
- Oi.
- Oi . O que você está aprontando?
- Me dê apenas cinco minutos, tudo bem? Depois, se você quiser ir embora, eu prometo que te deixo em paz.
- Promete... Você normalmente não cumpre suas promessas, não é mesmo? - Ela desparou, olhando para ele fixamente. Ele via raiva, dor, mas também via amor naquele olhar e naquelas palavras.
- Por favor, .
- Tudo bem.
- Sente-se. - Nos sentamos e eu comecei com as notas.
- Que música é essa? I'd Come For You, do Nickelback - Ela riu.
- Você e esse seu fanatismo por Nickelback.
Cantei a música toda e no final, comecei a chorar.
- , eu sei que eu fui e sou um péssimo marido e só vim perceber isso agora. Essa música resume tudo o que eu queria te dizer, mas eu peço mais um minuto para te dizer mais algumas palavras.
Sei que eu não fui atencioso com você, talvez nem muito carinhoso, porém era o meu jeito. Sim, era. Depois que eu te perdi, eu vi que eu sou um idiota por ter deixado a melhor mulher que eu poderia ter escapar das minhas mãos.
Eu não via que eu não estava te merecendo, não estava merecendo o seu amor, mas eu não me importava.
Eu estava cego, mas agora eu vejo perfeitamente e só vejo você, .
Me perdoa, querida por tudo o que eu disse, tudo que eu fiz a você, todos meus atos... Eu te amo e nunca, nunca mesmo vou conseguir amar alguém como eu te amo.
Pode passar até cinquenta anos, mas será sempre você, só você.
estava chorando e por instinto, a abracei. Eu não conseguia vê-la chorando, partia meu coração.
- Oh, ! Eu posso me arrepender, mas eu te perdoo sim, meu amor. Eu te amo mais do que qualquer pessoa desse mundo. ?
- Sim.
- Estou esperando um bebê. Estou com três, quase quatro meses. - Foi aí que eu percebi a blusa larga que ela usava.
- Já sabe o sexo?
- Não, vou saber amanhã.
- Não, querida. Nós iremos. Eu te amo.
- Eu te amo.
- Para sempre.

 

Comentários da autora



Yeah, mais uma fanfic! Antes de tudo, venho dizer que escrevi essa short em um dia. Tive a ideia em um dia, comecei a escrever no outro e para que saibam, terminei meia noite e meia haha.
Obrigada a todos que leram "Promises" e digo uma coisa: esperem, que vem mais por aí!
Beijos xx