There isn't Such Things as Happy Endings

Escrito por Babi Lorentz - Siga a autora no Twitter
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Era pra ser um romance. Tudo indicava que viveríamos isso. Tudo indicava, na verdade, que era isso que estávamos vivendo. Ele me tratava bem, me enxergava como uma princesa... Se pudesse, me dava o mundo. Estava na cara, na cara mesmo, que tudo seria perfeito, que eu veria a minha vida se transformando num conto de fadas. Mas não foi bem assim que tudo aconteceu.

Eu tinha 12 anos quando o conheci. Era um molequinho magrinho e alto, todo desengonçado, com um corte de cabelo esquisito. Usava aparelho nos dentes e óculos de grau: um típico nerd.
Ele era meu novo vizinho. Ou eu era a sua nova vizinha, pra ser mais exata, já que eu era a garota nova no bairro. A garota nova na rua. A bonitinha e apressadinha, que deixaria qualquer menininho com vontade de dar uns beijinhos. Sim, havia menstruado cedo, então, perto de minhas amigas (colegas, pra ser mais exata) eu sempre me destacava por causa dos meus seios já em formação.
Quando eu o vi, ri de sua aparência, mas ele me deu um sorriso e acenou, todo vergonhoso. Acho que tinha medo de que eu não respondesse sua gentileza. Mas, por incrível que pareça, acenei de volta, antes de entrar em casa e começar a arrumar meu quarto.
No outro dia, nos topamos no ponto de ônibus. Aquela foi a primeira vez que ele falou comigo.
- Oi, eu sou o . Você não vai querer ser chamada de perdedora na escola, então acho melhor a gente nunca se falar.
Não tive nem tempo de responder, ele já havia me dado as costas há bastante tempo quando criei, ou pensei ter criado, uma resposta. Então entrei no ônibus e fui pra escola. E assim continuei fazendo por muito tempo.

Eu só via o quando chegávamos da escola. Ele sempre acenava e eu sempre respondia, mas nós nunca nos falávamos. Eu não entendia a lógica dele, ele não havia nem deixado que eu me apresentasse. Mas, assim que as aulas começaram a engrenar, percebi o que ele havia dito. Na verdade, estava tentando me proteger. Os valentões da escola não perdoavam quem andava com . Não importava idade, tamanho ou sexo, todos eram tratados como lixo. Por esse motivo eu não podia falar com ele, ou seria tratada da mesma maneira.
Os anos foram se passando e ainda não falava comigo. Nem na escola, nem em casa, nem na rua, nem em lugar nenhum. Acho que ele nem sabia o meu nome. E o mais engraçado em tudo isso é que eu era sua vizinha. Nós morávamos lado a lado. Aquilo incomodava, mas eu respeitava o espaço dele. Mais engraçado ainda é que o garoto que eu havia achado engraçado e desengonçado estava, dia após dia, chamando mais a minha atenção por causa de seu jeito fofo de ser.
Um dia, quando acordei para ir pra escola, fazendo o mesmo caminho de sempre, não vi o passando por mim. Não o vi na escola e nem o vi chegando em casa. Não o vi em parte alguma. E aquilo voltou a se repetir. Começou a se repetir sempre. Era a minha nova rotina – eu não via o – nunca. Naqueles dias eu senti que faltava algo. Parecia que, de certa forma, mesmo sem que ele falasse comigo quando me encontrava, eu me sentia diferente. Faltava ver o . Meus dias começaram a ficar mais longos e diferentes.
Então, finalmente, me acostumei. Coloquei em minha cabeça que se eu nunca havia falado com o , não havia motivos para que eu sentisse sua falta. Então tudo fluiu como fluiria se eu nunca o houvesse conhecido. E eu realmente não o conhecia. Sabia apenas que ele era o meu vizinho desengonçado, o esquisito e perdedor da escola.

Quando comecei o terceiro ano, um novo rapaz chegou na rua para morar na casa ao lado da minha. Ele era alto, tinha olhos vivos e cabelos grandes e lisos. Não eram cumpridos, eram apenas grandes – o cabelo dele não era aparado, isso que quis dizer. Também era magrelo. Mas daqueles magrelos que você percebia, olhando, que malhavam. Era muito bonito e parecia ter minha idade.
Sorriu pra mim ao me ver e acenou. Eu fiz o mesmo, me lembrando de uma cena parecida com aquela. Foi aí que percebi que aquele rapaz tão lindo era o mesmo menininho desengonçado que um dia havia tentado me proteger à sua maneira.
Entrei em casa com aquela cena na cabeça. Então era verdade, eu sabia, o havia voltado. O havia chegado de volta em sua casa. Será que hoje, depois de tanto tempo, ele finalmente falaria comigo? Finalmente teria coragem de me conhecer? Aquelas perguntas ficavam em minha cabeça. Era difícil achar respostas, saber o que aconteceria. Eu queria que ele desse mais um passo e tentasse me conhecer. Queria mesmo que ele viesse aqui, perguntasse meu nome e conversasse comigo. Mas só o tempo me daria essas respostas.
E o tempo realmente me deu as respostas.
Depois de uma semana, ele resolveu falar comigo. Novamente, no ponto de ônibus.
- Oi, eu sou o .
- Sim, eu me lembro. Eu sou a . Só não pede pra eu não falar com você e vire as costas.
- Eu estava tentando te proteger.
- Eu entendi sua intenção naquela época.
Ele sorriu pra mim e, finalmente, começamos a nos falar. Ele era muito mais do que eu imaginava. Conseguia conversar sobre qualquer assunto, desde os mais simples até os mais complexos. Disse que havia se mudado por tanto tempo porque não aguentava mais o que sofria na escola. Também disse que a maior vontade dele era ter me conhecido naquela época. Ele tinha uma vizinha bonita que acenava pra ele e aquilo o fazia muito feliz, então ele queria ter, pelo menos, conversado comigo. Mas disse também que eu era bonita demais pra ele. Que era dever dele me defender. Eu apenas agradeci por aquilo e disse que não teria me importado se tivéssemos conversado.
Depois que começamos a conversar direito, acabamos por gostar da companhia um do outro. Então uma coisa levou a outra, até que um dia ele me beijou. Foi quando voltávamos da escola. Quando paramos na porta de minha casa para nos despedirmos, ele segurou em meu queixo com as pontas dos dedos e me beijou. Não foi aquele beijo de cinema, de um engolir o outro, com troca de saliva e tudo mais – não. Foi apenas um beijo terno. Um encostar de lábios. E, depois disso, ele sorriu e me deixou lá. Passei o dia inteiro com a mão nos lábios, lembrando daquele momento e querendo, desesperadamente, que aquilo acontecesse de novo.
Os beijos voltaram a acontecer e, depois de um tempo, também começaram a esquentar. Nós não mais nos desgrudávamos. Íamos e voltávamos juntos da escola, arranjávamos qualquer coisa para fazermos juntos, começamos a frequentar um a casa do outro... Até que um dia ele me apresentou aos pais como sua namorada. Eu não tive como negar já que era exatamente aquilo que eu queria.

me tratava como a menina dos olhos dele. Era tão carinhoso comigo que eu achava que às vezes ele pensava em mim como uma bonequinha de porcelana. Aquilo me fazia rir, eu achava fofo. Ele dizia que apenas me tratava da maneira que eu merecia ser tratada. E não demorou para que tivéssemos nossa primeira vez juntos. Foi como se eu estivesse perdendo novamente minha virgindade. Eu me senti, pela primeira vez na vida, amada por um cara. Porque eu sabia que aquilo que estávamos fazendo era diferente do que eu já havia feito. Havia sentimento envolvido. Era o que as pessoas chamavam de “fazer amor”.
Pra ser sincera, nunca havia imaginado que fazer sexo fosse diferente de fazer amor, mas quando você faz amor pela primeira vez, você entende a diferença que há entre eles. Como eu disse, há sentimento envolvido quando você faz amor. Sexo você faz por fazer. Pode ser que você transe com um cara da maneira mais louca e exótica possível, mas se há um sentimento entre vocês (mútuo), você sabe que aquilo que vocês fizeram foi amor.
Com o foi assim. Fizemos amor. Não apenas uma vez, mas várias. Depois de termos feito pela primeira vez, sempre que nos víamos, tínhamos uma vontade inexplicável de fazê-lo.
Mas, um dia, não entendi o porquê, brigou na escola. Brigou feio na escola. Bateu muito e apanhou muito. Não quis me dizer o motivo, mas eu percebi que havia algo ruim na maneira que ele me olhava. Tentei cuidar de seu rosto, já que estava todo machucado, mas ele não deixava. Entrou em casa sem nem ao menos me abraçar. Pensei que aquilo passaria no outro dia. Que nos encontraríamos normalmente, como se nada tivesse acontecido. Eu estava disposta a perdoá-lo pelo jeito que havia me tratado. Mas ele nem me esperou para irmos juntos. Não apareceu, não me deu notícias. Não o vi na escola e nem o vi quando voltei pra casa. Passei em sua casa na parte da tarde e ele não teve vontade alguma de me atender. Eu sabia que ele estava lá, mas ele fez questão de falar pra mãe dele me dizer que ele não tinha intenção nem vontade alguma de me ver mais.
Fiquei sem entender o que ele queria dizer com aquilo. O que aquilo significava. Era nosso fim? Era o fim de tudo o que havíamos vivido até então? Eu não tinha vontade alguma de terminar. Nós nos amávamos, aquilo era visível. Ele simplesmente, de uma hora pra outra, ficou estranho, brigou na escola e quis se afastar de mim. Mas o que eu tinha haver com aquilo? Nada!
Nossa relação acabou ali. Eu gostaria de poder falar algo diferente. Que havia acontecido de uma maneira diferente. Que tivemos a oportunidade de conversar e que ele me explicara o que havia acontecido, mas nada disso aconteceu.
Vejo o saindo de casa todos os dias pra trabalhar. Ele passa por mim como se não me conhecesse. Não me diz bom dia, não me cumprimenta, não me trata nem mesmo como uma conhecida.
Incrível como as coisas acontecem em nossas vidas, não é mesmo? Em um momento eu achava que havia encontrado o meu príncipe encantado, no outro, descobri que coisas como contos de fadas realmente não existiam.

Fim

 

Comentários da autora



n/a: Tiff, eu fiquei esse tempo todo tentando achar a história que mais pudesse impressionar alguém e eu ainda acho que não consegui tal feito.
Quando vi que você era minha amiga secreta, confesso que senti um medinho, já que eu amo suas fanfics e queria fazer algo a sua altura.
Ainda acho que não consegui, mas espero que tenha gostado. Tentei misturar um poquinho de romance com um tantão de drama, mas acho que saiu um tantão de romance com um pouquinho de drama. Ainda acho, sim, que as coisas ficaram mal explicadas, mas acredito que até posso pensar em fazer uma parte dois e te dar mais esse presente, o que acha?
É... Adorei ter te tirado e espero, de verdade, que tenha gostado de There Isn't Such Things as Happy Endings.
Babi.