The Rain and The Train

Escrito por Gabi Gemignani | Revisada por Natashia Kitamura

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Projeto Songfics - 1ª Temporada // Música: Secret Love Song - Little Mix

CAPÍTULO 1

We keep behind closed doors [Nos mantemos atrás de portas fechadas]
Everytime I see you I die a little more [Cada vez que te vejo morro um pouco mais]
Stolen moments that we steal as [Momentos roubados que roubamos enquanto]
The curtain falls [As costinas caem]
It’ll never be enough [Nunca serão o suficiente]

É manhã de quinta-feira e não importa o quão cansado esteja, todas as manhãs Daniel precisa se levantar de sua cama e se arrumar para outro dia de trabalho. Assim como nos outros dias, beija sua esposa uma despedida e desce as escadas. Em seu carro liga alguma música alta ou fala ao telefone com sua irmã, que sempre telefona para ele nas primeiras horas da manhã. Ele segue para a empresa de advocacia para a qual começou a trabalhar a pouco e se senta em seu escritório, indo e voltando entre as pastas e papeladas.
Em dias normais, Harry, seu novo colega de trabalho, passaria às quinze horas para irem tomar um café no estabelecimento em frente ao prédio e lá eles iniciariam uma competição para descobrir quem estaria cuidando do pior caso. Como faziam todos os dias.
Naquela quinta-feira, porém, Danny fica preso em uma reunião com um novo cliente que estaria o contratando para cuidar de seu divórcio. Para Daniel, é uma situação delicada. É como se a vida estivesse tentando lhe mostrar o que poderá acontecer com seu até-então-estável casamento. Daniel sente tanto medo de acabar como o homem sentado a sua frente, mostrando uma fala irritada e aborrecida, mas um fundo de tristeza em seu olhar. O homem é jovem, se tiver mais que vinte e cinco já é exagero. Daniel se pergunta por que alguém casaria tão jovem. Por outro lado, ele
Harry bate à sua porta às quinze horas e Daniel acena com a cabeça que não poderia sair e fica por lá por mais duas horas. Danny tem certeza que Harry cuidaria de um caso desses mil vezes melhor do que ele. Harry é tão calmo e tem uma presença leve, ele é o tipo de advogado perfeito para essas coisas. Daniel não é lá alguém que nasceu para cuidar dos problemas dos outros, ele ama a lei, viveria quantos anos precisasse para garantir que ela seja honrada. Porém, em momentos como uma reunião com um futuro divorciado, ele se questiona se realmente deveria fazer isso de sua vida.
Quando finalmente se vê livre de seus deveres, recolhe suas coisas, guarda o celular na mochila (com três ligações perdidas de sua esposa) e desce o corredor até o escritório de Harry.
― Ei, buddy ― ele recebe como cumprimento assim que abre a porta. ― Café? Chá? ― Daniel dá de ombros, não ouvindo muito do que o colega pergunta. ― Cerveja, vodca, energético? ― Frustrado com a falta de resposta, Harry bufa e senta-se de volta em sua cadeira. ― Tenho uma maconha aqui na bolsa se você quiser também.
Os olhos de Daniel se erguem em extremo choque. Boquiaberto, pensa em uma forma de perguntar se é sério sem parecer que estava interessado.
Nah, não tenho maconha. ― Harry chacoalha a mão em descaso. ― Não aqui.
Danny estreita os olhos para ele, já negando com a cabeça.
― É brincadeira.
― Ah, é mesmo? ― Daniel replica, irônico.  
Harry ri despreocupadamente, jogando suas pastas para dentro de sua mala sem amassar uma única folha. Com dois ou três toques de sua mão, Harry organiza toda a sua mesa de vidro e a deixa perfeitamente arrumada.
― Vamos tomar uma cerveja ― ele diz, levantando de sua mesa. Danny ergue as sobrancelhas.
― Achei que não bebesse cerveja.
Dando de ombros, Harry ri.
― Você bebe. ― Saindo da sala, ele dá um amigável tapa nos ombros de Danny e comemora o fim do expediente de trabalho.

Ollie não poderia amar algo mais do que amava ficar com Brenda. Talvez fosse a magia do segredo, o medo de serem encontradas fechados no banheiro da escola, o medo dos pais dela gastarem um pouco de sua fortuna para pagar alguém para matá-lo... Ou talvez fosse só Brenda.
Ela tinha o abraço mais bondoso que ele já recebeu. Seus pais a destinaram a uma vida tão serena que ela jamais ficaria preocupada com as contas que chegam em sua casa, nem se não conseguir uma faculdade com uma bolsa e, muito menos, se perder seu emprego. Brenda tinha tudo na mão e, embora ela garantisse que não era como se ela tivesse dinheiro sobrando para desperdiçar, já era bem mais do que Oliver tinha.
Ela também era a pessoa mais destemida que ele já conheceu. Nunca estava satisfeita e sempre queria alcançar um degrau acima ao que estava. Ela tinha medo da solidão, mas desejava poder viajar para Marte e passar um tempo lá. Tinha medo do futuro, mas mal podia esperar para crescer e destruir cada plano que o “destino” tinha para ela. Temia o amor, mas isso nunca a impediu de cair de amores.
Brenda era tudo que surpreendia Oliver e, se ela não carregasse com orgulho suas indecisões, ele jamais teria percebido-as. E ele a amava cada dia mais, tanto que todas as manhãs jurava que correria até a porta do pai dela e diria qualquer coisa para que ele não o cortasse da vida dela, para que ele parasse de apresentar Brenda a filhos ricos de conhecidos.
Seus pais tinham planos, queriam mandar a filha para as melhores universidades e mudariam atrás dela até para a China. Queriam para ela o melhor emprego, o melhor casamento, a melhor formação... Um namorado de ensino médio, alguém que comparado a eles era mais pobre do que o senso de humor do pai de Brenda, só a impediria de ter um futuro brilhante.
― Eu não estou nem aí pra eles, Ollie ― Brenda garantiu mais de uma vez. Na verdade, todas as vezes que Oliver tocou no assunto.
― Eu sei. Eu não quero que seus pais tirem de você o que é seu por direito.
― Meus pais nunca vão tirar nada de mim. Eles não me negariam estudo, casa, comida... Seja lá o que eu faça da minha vida que eles não gostem, eles não vão me deixar na mão.
Oliver se apoiou contra a parede do banheiro, frustrado.
― Queria que eles mudassem de ideia...
Brenda abaixou o olhar por alguns segundos, dando dois passos para perto dele, seus dedos cheinhos correndo pelo rosto de Oliver.
― Não vão ― ela sussurrou, sorrindo em seguida. ― Mas eu também não vou.

CAPÍTULO 2

It's obvious you're meant for me [É obvio que você é feito para mim]
Every piece of you it just fits perfectly [Cada parte de você se encaixa perfeitamente]
Every second, every thought [Cada Segundo, cada pensamento]
I'm in so deep [Estou entregue profundamente]
But I'll never show it on my face [Mas eu nunca demonstrarei]
But we know this, we got a love that is [Mas nós sabemos disso, temos um amor que é]
Hopeless [Sem esperança]

― Ei, cara ― com apenas a cabeça para dentro da sala de Danny, Harry chama, às quinze horas da sexta-feira. Ele abaixa o olhar para a mesa de Daniel, vendo os papéis espalhados sobre ela. ― Caso novo?
Danny dá de ombros.
― Um garoto. Vinte e um anos de idade e quer se divorciar.
Harry assovia impressionado.
― Os jovens de hoje... ― Danny ergue as sobrancelhas, empurrando a cadeira em que senta para longe da mesa, pronto para se levantar. ― Venha, vamos tomar um café e ouvir a história dessas crianças.
Daniel assente e se levanta, finalmente, seguindo Harry para fora da sala. Eles descem o corredor e pegam o elevador para o térreo.
Harry puxa seu celular do bolso e apenas olha a tela de bloqueio por alguns segundos. Então, ele ergue a cabeça e bufa.
― Ok ― ele murmura. ― Qual é a coisa com esse trabalho? É algum problema em casa ou algo do tipo?
Daniel franze as sobrancelhas para ele e nega com a cabeça. Harry baixa os olhos à aliança na mão esquerda de Danny e bufa novamente.
― Quanto tempo?
Seguindo o olhar do colega, Daniel percebe o que ele quer saber.
― Três anos e alguns meses... E nós nos toleramos muito bem.
― Achei que vocês deviam se amar muito bem.
― Harry.
Harry assente e ergue as mãos em rendição quando a porta do elevador abre.
― Só falando, buddy, sou um advogado e já ouvi histórias tristes por horas... O que é mais uma, né?
Danny assente, empurrando a porta da frente da empresa e seguindo até o café. Porém, antes de olhar para frente de vez, ele faz a Harry um breve agradecimento com a cabeça.

Brenda tinha primos na escola, amigas que frequentavam a casa dela todos os dias e que conheciam os pais dela há anos. Na maioria das vezes, Oliver esquecia completamente disso, às vezes nem dava a esse fato devida importância. E então, em dias como o anúncio da festa de formatura, a lembrança o acertava como uma pedra na cabeça.
Ele não poderia levar Brenda como acompanhante, não poderia tirar fotos ao lado dela, nem combinar suas roupas da mesma cor. Todos esses meses em que estiveram juntos, ele foi uma presença sem evidências, uma parte da vida dela tão fácil de apagar quanto um post no Facebook.
Então, quando chegou em casa com os convites para festa e a ficha de inscrição que seus pais precisavam assinar, mandando o cheque da primeira parcela, ele apenas deixou os papéis sobre a mesa da cozinha e subiu para seu quarto.
Esperou Brenda ligar, como fazia todos os dias ao chegar em casa, e eles conversaram por vários minutos sobre tudo. Menos a festa. Oliver sabia que ela queria tocar no assunto tanto quanto ele, mas, certamente, nenhum dos dois acreditava que faria alguma diferença. 
Portanto, eles terminaram a ligação e Ollie seguiu para sua lição de casa e só saiu do quarto quando a mãe o chamou para a janta.
Na mesa da cozinha, tanto sua mãe quanto seu pai se sentavam em frente aos papéis, a mesa posta para a janta, mas nenhuma panela estava no fogo.
― Podemos conversar?  ― Seu pai questionou, sorrindo para ele. Ollie se sentou à mesa ao na frente deles, certo de que coisa boa não ia ouvir. ― Nós pensamos muito antes de conversarmos com você e, mesmo que adoraríamos ir com você nessa festa de formatura, nós não podemos pagar por ela.
Oliver reclinou-se contra a cadeira e encarou os pais, boquiaberto.
― Mas parcelaram...
Sua mãe suspirou e esticou a mão para tocar a do filho.
― Tá, Oliver, mas tem o gasto com roupas, sapatos, salão...
― Dá pra parcelar também.
Seu pai suspirou, levando a mão ao rosto.
― Nós sentimos muito ― a mãe continuou. ― Não diríamos que não podemos se realmente não pudéssemos.

CAPÍTULO 3

Why can't you hold me in the street? [Por que você não pode me abraçar na rua?]
Why can't I kiss you on the dancefloor? [Por que não posso te beijar na pista de dança?]
I wish that it could be like that [I wish that it could be like that]
Why can't we be like that? [Por que não podemos ser assim?]
'Cause I'm yours [Porque sou sua]

― Ei ― Harry diz, abrindo a porta do escritório de Danny às seis da tarde, mas ele já está de pé, sua mochila carteiro já em seu ombro. Harry ergue a sobrancelhas, surpreso.
Daniel sorri e puxa a porta, saindo ao lado de Harry. Surpreso, Harry observa o amigo alegre.
― O seu caso já terminou?
Daniel assente.
― Praticamente sim.
― Nós deveríamos comemorar. Hambúrguer? Vou até tomar uma cerveja por você.
Danny hesita conforme a porta do elevador abre.
― Sei não, ontem não foi um bom dia, nós...
― Uh, problemas de casados.
Danny ri e assente, confirmando. Discretamente, Harry insinua ser mais um motivo para saírem e, sem enrolar, Daniel concorda.
Daniel dirige uma moto, enquanto Harry anda no seu Fiat Linea 2010, então, para irem ao lugar aonde Harry queria passar a noite, Daniel deixa sua moto dentro da empresa. Quando for a hora de voltar, Harry o dará uma carona até em casa.
― Então, qual o problema da família Lessa?
― Ela não usa o meu nome.
― Não é a senhora Daniel Lessa? ― Harry ergue as sobrancelhas. ― Cheia de personalidade, huh?
Danny dá de ombros.
― Você nem imagina.
Um silêncio permanece no carro pelo menos nas próximas duas curvas que Harry faz. Danny percebe que ele abre a boca para dizer algo várias vezes, mas sua hesitação o cala antes que fale. Até que, finalmente, ele parece deixar para lá o que lhe mantém quieto.
― Por que divórcios te incomodam tanto?
Danny desvia o olhar, dando de ombros mais uma vez. Ele gesticula com a mão para a rua, tentando voltar a atenção de Harry para o trajeto. Harry porém, mesmo que com a concentração voltada à rua, ainda exerce uma pequena pressão sobre Danny.
― É esse negócio todo de não tentar o suficiente antes de pedir o divórcio ― Daniel admite, por fim. ― Não sei o quanto é o suficiente.
Harry encosta o carro na frente de um restaurante de hambúrguer. Ele desce do carro em silêncio e não olha para trás para ver se Danny o segue. Os dois entram no restaurante, praticamente vazio e silencioso, exceto pelo rock dos anos 90 tocando.
Danny escolhe uma mesa e senta em um dos sofás. Harry se senta do outro lado da mesa e agarra seu menu.
― Espero que você não seja vegetariano.
Danny nega com a cabeça e passa os olhos pelo cardápio, esperando virem anotar seu pedido.
― Sabe, esses trabalhos me fazem cair na real. Enquanto um namoro é um lindo e agradável sonho, casamento é aquele alarme irritante que toca às seis da manhã.
Daniel não consegue impedir-se de rir.  
― Não estou sendo pessimista, mas, não sei, as pessoas estão meio “se der ruim é só pedir divórcio” ― Harry murmura, bebendo da cerveja que a atendente trouxe. ― Quem está casado quer cair fora e quem não está praticamente carrega uma placa “estou solteiro e desolado, me ajude”.
― Mal posso esperar pra você morder a língua.
Harry dá de ombros.
― Não me entenda mal. Eu quero me casar, só não agora. O seu cliente tem vinte e um anos! Como ele já se casou e agora quer divórcio? Meu Deus!
― É, tenho que concordar.
Quando os hambúrgueres chegam, Danny percebe que Harry não é lá a melhor pessoa para sair para jantares. Ele não para de falar e chega a se esquecer seu hambúrguer por tanto tempo que Danny tem certeza que ele esfriou.
Porém, Harry é tão engraçado que por várias vezes Danny quase se engasgou com sua bebida, quase cuspiu o que mastigava e quase chorou de tanto rir. Então ele deixou Harry sentar lá, deixando o hambúrguer enfeitando o prato, contando histórias de sua vida, coisas que já viveu e que quer viver.
Quando Danny percebe, metade de seu hambúrguer está gelado no prato também.

― Não é justo, eu quero muito ir nessa festa, Ollie!
Oliver desviou o olhar, respirando fundo.
― Eu não quero te proibir. Só quero tentar, Brenda! Não é justo você não querer brigar com ele! Nós estamos juntos há tanto tempo...
Brenda se afastou, revirando os olhos.
― Eu não esconderia se não soubesse como ele reagirá! Eu conheço os meus pais e sei que eles não vão gostar. Ficarmos juntos depois disso será ainda mais difícil. ― Ela se afastou um pouco mais, o rosto ficando vermelho de nervoso. ― Eu posso pagar a sua festa.
― Não. O que eu vou fazer lá? Vou dançar com a minha esposa?  Ficar com meus “amiguinhos”? Que merda, Brenda! Tô cheio disso, viu? Cansei de brincar de esconder, ainda mais porque seu pai vai descobrir um dia.
― E aí teremos um plano. Agora é melhor deixar quieto.
Oliver revirou os olhos, desprezando-a com a mão.
― Tá. Te vejo na escola amanhã.
― Ollie!
― Só tô cansado ― ele murmurou, dando-lhe um beijo na bochecha. ― Amanhã vai melhorar.

CAPÍTULO 4

When you're with him do you call his name? [Quando você está com ele você chama o nome dele?]
Like you do when you're with me does it feel the same? [Como quando você está comigo a sensação é a mesma?]
Would you leave if I was ready to settle down? [Você me deixaria se eu estivesse pronto para me comprometer?]
Or would you play it safe and stay? [Ou você seria cautelosa e ficaria?]
Girl you know this [Garota, você sabe disso]
We got a love that is hopeless [Nós temos um amor que é sem esperança]

― Por favor, ― Harry chama a atendente mais tarde, bem depois de terminar seu hambúrguer, ― quanto está o café?
― Quatro, senhor.
― E o refil?
― O refil é grátis.
Harry sorri e assente.
― Então eu quero um refil.
A atendente olha para Harry por um momento, parecendo incomodada, mas então cede à risada.
― Vou pegar, Harry ― a atendente diz, com uma intimidade antiga. Danny se pergunta quantas vezes Harry já não esteve por aqui.
Danny ri, negando com a cabeça. Ele cruza os braços e apoia-os na mesa, suspirando. Deveria voltar para casa logo.
― Hora de voltar pro paraíso?
Daniel ergue o olhar e sorri, assentindo.
― Parece que sim.
― Certo. 
Os dois pedem a conta, dividem os gastos e voltam para o carro, onde terminam suas cervejas. Danny se sentia leve, livre. Faz algum tempo que não sai despreocupado assim. Sua esposa não gostava que ele saísse com amigos, não amigos que não são casados.
Harry não parece cansado, muito menos bêbado, o que tirou o medo de Danny de vê-lo atrás da direção. Ele parece bem seguro e preciso na direção.
― Foi divertido ― ele murmura, enquanto Danny dá o último gole disponível em sua garrafa. ― Devíamos fazer isso mais vezes.
Danny sorri e assente, concordando absolutamente. Ele se inclina para pegar a garrafa de Harry, murmurando que ele já bebeu o suficiente para um motorista.
Harry ri e afasta a mão com a garrafa e Daniel só se estica mais.
― Falo sério ― ele murmura, encarando. De perto, Harry parece mais velho do que seus vinte e oito anos. Ele tem rugas ao lado dos olhos e da boca, tudo muito bem disfarçado com um pouco de distancia e o espírito adolescente de Harry.
Harry para de rir e lentamente entrega a garrafa a Daniel, mas este permanece imóvel. Movido por algo que gostaria de culpar na cerveja, Harry inclina-se para frente também e segura Daniel pelas orelhas, segurando seu rosto parado para que eles não colidam narizes assim que Harry o beija.
Ele deveria pensar que está fazendo algo errado, que aquele homem era casado, mas não há muito o que pensar no momento. Danny também o beija, mesmo que tenha ficado um momento imóvel, em choque, mas Harry não se deixa iludir com a possibilidade de ele não estar bêbado.
Então Danny o empurra pelos ombros, sorrindo levemente.
― É melhor irmos logo.
Harry suspira e liga o carro, dirigindo rápido até a casa de Danny. Ele recebe sim um último beijo antes de Daniel descer do carro, mas quando a porta do carro é aberta, Harry vê a esposa de Danny descer as escadas da porta e quando Daniel entra e fecha a porta da frente, pela sombra feita pela luz da sala nas cortinas, Harry vê a mulher gesticulando e Danny de cabeça baixa, apenas tentando se afastar.

Oliver não tinha ânimo para sair de seu quarto no dia da festa de formatura. Ele era oficialmente um rapaz formado no ensino médio e pronto para o mundo da faculdade. Nunca teve planos para esse momento, então os pais o deixaram tirar um ano apenas para trabalhar e decidir. Claro que, não sendo cego nem nada, Ollie sabe que eles na verdade não tem condições de pagar uma faculdade.
Brenda e ele falaram ao telefone fazia pouco tempo, quando ela estava prestes a sair de casa. Agora, Oliver encarava o teto do seu quarto, tentando pensar em qualquer coisa que não fosse Brenda e a festa que ela estaria aproveitando. Os amigos dela estariam lá, rapazes que nem imaginam que eles estão juntos e, mesmo sabendo que ela jamais faria algo, ele gostaria de estar lá para manter todos longe.
Oliver sonhava com a chance de poder dançar com ela no meio da pista e todos olhariam para eles e pensariam o quão sortudos eram. Ele queria que todos falassem deles e ele não ligaria para nada. Acabara. Sem mais encontros secretos nas saletas da escola, no banheiro. Nunca mais.
Exceto que ele nunca pensou que o pai dela ainda seria tão incompreensível.
Três batidas na porta de seu quarto o despertaram da fantasia. Ele ouviu a voz da mãe chamando-o do lado de fora e Oliver se deu ao direito de ignorar. Ela sabia o que ele estava passando e já tentara conversar com ele o dia todo. Oliver só queria dormir um pouco e esquecer.
Mas então a mãe começou a girar a chave reserva na porta.
Eles tinham um acordo, jamais desrespeitar portas fechadas. Oliver não fecharia a porta se não quisesse um momento de paz. O mesmo valia para quando os pais fechavam a porta deles. As chaves reserva eram para emergências, apenas.
Porém ele estava tão cansado que simplesmente esperou a mãe entrar.
― Oliver, Brenda está aqui.
Ele se sentou na cama, chocado. Não conseguia acreditar em seus ouvidos, mas então Brenda entrou pela porta de seu quarto em um vestido amarelo longo, com pequenos brilhos no decote. O cabelo dela estava preso em um coque e ela estava sem cor alguma nos olhos.
― Eu tenho que voltar antes da festa acabar, mas isso já são quatro horas de folga.
Ela sorriu e então, automaticamente, Oliver sorriu também, pulando de sua cama e abraçando-a. Sua mãe começou a fechar a porta e fez com as mãos uma mímica para comida chinesa. Eles sairiam da casa.
Naquela noite, apenas cobertores sobre eles, os dois juraram desistir de qualquer coisa que imporia separação. Nenhuma memória seria boa se só um deles a carregasse.

CAPÍTULO 5

And nobody knows [E ninguém sabe]
I'm in love with someone's baby [Que eu estou apaixonado por alguém, amor]
I don't wanna hide us away [Eu não quero nos esconder]
Tell the world about the love we makin' [Diga ao mundo sobre nosso amor]
I'm living for that day, someday [Estou esperando por esse dia, algum dia]

Eles se beijavam no carro de Harry de novo. Desta vez, na rua lateral à casa de Danny, sob uma árvore e longe do poste de luz. Não há uma única alma na rua, as luzes das casas, em sua maioria, apagadas.
Harry se afasta para dar um gole em sua garrafa de cerveja.
― Mamãe ficaria triste ― ele murmura enquanto seca a boca. ― Más influencias e tal.
Danny e ele riem, os dedos de Danny correndo pelos cabelos de Harry.
― E o caso dos dois jovens?
― Quase acabando. Ele disse que vai entrar em contato com a moça, que já mudou de cidade. Algo assim.
Harry assente, passando a mão no nariz.
― Quão bravos seus pais ficariam de saber sobre nós?
Danny se poupa a rir. Harry assente, rindo também e mostrando que entende.
― Acho que deveríamos fugir dessa cidade.  Nós seremos os Srs. Lessa-Morales. Vamos para o campo, ou para a praia. Vamos ter um filho e dar para ele uma irmã,  serão os pequenos Lessa-Morales. Você quer ter filhos?
Danny ri.
― Meu Deus! está pensando nisso? Vamos com calma aí.
Porém, Harry continua como se ele não tivesse dito nada.
― Eu sempre quis. Considere-se avisado.
Danny ri, puxando a garrafa da mão dele e tomando um pouco da cerveja. Harry inspira profundamente e segura o ar por alguns segundos antes de expirar, relaxando.
― É uma merda, sabe. Quero passear na rua, quero ir a restaurantes e festas...
Danny acaricia seu rosto.
― Sinto muito. Não posso.
― Venha pra casa comigo hoje.
Custa apenas um sorriso hesitante para Harry ligar o carro e correr rua abaixo, virando na avenida. O vento entra pelas frestas nas janelas e papéis que Harry tem jogado pelo carro voam descontroladamente.
Os dois riem alegres como adolescentes em sua primeira balada.

― Como?
Brenda se afastou, cruzando os braços.
― Eu não estou pronta para a faculdade. Essa nem é a faculdade que eu quero. Não vou estudar em qualquer escola.
― Mudar de cidade não é difícil, mas você precisa ser aceita na universidade de lá antes que comecemos a mudar.
― Eu vou estudar mais.  Vou entrar, pai.
Os pais de Brenda trocaram um olhar, mas cederam a dar de ombros. Brenda os encarou aflita, esperando aceitarem sua decisão. Queriam tirá-la da cidade e ela precisava de tempo para decidir o que faria para ou levar Oliver consigo ou ficar para trás. Ela nem imaginava como contaria isso a ele. Conseguira enrolar seus pais até então. Conseguiu dizer que passaria a véspera de Natal com sua melhor amiga, que finalmente decidiu apoiá-la em seu namoro com Oliver, e conseguiu finalmente conhecer e passar um dia inteiro com os pais de Ollie. Conseguiu escapar da festa de ano novo por uma curta meia hora para poder visitar Oliver e vinha procurando emprego junto dele. Se tivessem sorte trabalhariam no mesmo lugar e se encontrariam todos os dias.
Agora precisava encontrar um bom jeito de não ser finalmente levada para alguma cidade perdida há milhares de quilômetros. Sentia-se muito sortuda por sua mãe ter tirado da cabeça de seu pai a ideia de mandá-la para estudar na Europa. Graças a ela, ele tinha visto o gasto enorme e imprevisível que ele teria.
Oliver estava tentando entrar na universidade local, mas ele finalmente admitiu que não tem condições de bancar seu curso. Então, assim que terminou de discutir o que precisa com  os pais, Brenda subiu para seu quarto e deitou sobre a cama, encarando o teto e, pela primeira vez em muito tempo, se perguntando quanto tempo passaria vivendo desse jeito.

CAPÍTULO 6

Can I hold you in the street? [Posso te abraçar na rua?]
Why can't I kiss you on the dancefloor? [Por que eu não posso te beijar na pista de dança?]
I wish that we could be like that [Eu queria que pudéssemos ser assim]
Why can't we be like that? [Por que não podemos ser assim?]
Cause I'm yours, I'm yours [Pois eu sou sua, eu sou sua]

― Daniel, se você quer falar sobre isso...
― Aconteceu ― ele grita. ― Fim da história.
Harry o encara por vários segundos, aflito. Já faz três dias que Danny adormeceu na casa de Harry e sua esposa acordou de manhã sem a moto do marido na garagem. Danny não ri mais com Harry e nem estende assuntos e conversas. Os últimos dias têm sido basicamente normais, Danny parece tentar se comportar como se nada tivesse acontecido, mas é a falta de uma briga, de uma discussão. Ele permanece calmo e educado de forma que chega até a ser irritante.
― Não pode me tratar como se fosse culpa minha, eu não forcei você a nada! Não pode me odiar por isso!
Danny riu ironicamente e bem baixinho, quase como se não tivesse ânimo para isso.
― Eu sei. Não é culpa sua, é minha. Eu casei com ela. Eu gosto de você.
Harry inspira fundo, pasmo e deixa o corpo reclinar-se contra a parede. Boquiaberto, ele encara o chão.
― Então por que nos sete infernos você ainda...
Danny dá as costas para ele, negando com a cabeça. Por mais de uma vez, Harry pensa em simplesmente deixar Daniel respirar um pouco, mas as palavras se prendiam à sua própria garganta como algo impedindo ele mesmo de respirar. Harry precisa falar.
Um pequeno flash de realização, porém, de repente o deixou sem ideia do que dizer sem magoar Danny.
― Você casou por obrigação. Por isso se casou tão novo. Quando ia me contar?
Daniel lentamente começa a virar o rosto para Harry, mas para no meio do caminho, deixando apenas seu perfil à mostra.
― Eu a adoro. ― Mas não como esposa, seu tom implicou. ― Nós temos problemas porque eu não sei brincar de marido, mas ela não merece o que estou fazendo com ela. Não posso deixar ela.
Harry esfrega a mão na testa, suspirando. Daniel se vira por completo e se joga em sua cadeira, o rosto baixo ao chão. Aborrecido, Harry nega com a cabeça e se levanta, saindo da sala sem bater portas ou chutar coisas. E é a calma dele que preocupa Danny.

― Eu tenho um emprego, estive guardando dinheiro. Sei que até agora era só planos e mais planos, mas agora podemos ir embora. Vamos embora.
Brenda arregalou os olhos.
― O que? Não posso, meus pais...
― Brenda, você já enrolou eles por um ano inteiro. Agora eles querem que você entre na faculdade. Podemos trabalhar, meus pais até tem guardado para nos ajudarem com um apartamento. Seria muito pequeno, mas...
― Mas...
― Já temos quase dezenove, sabemos o que estamos fazendo, né?
Brenda assentiu, hesitante. Oliver segurou seu rosto e a olhou nos olhos em silêncio por vários momentos.
― Aonde quer que formos.
Ela sorriu e finalmente assentiu com certeza.
― Aonde quer que formos.

CAPÍTULO 7

Oh, why can't you hold me in the street?[Por que você não pode me abraçar na rua?]     
Why can't I kiss you on the dancefloor? [Por que não pode me beijar na pista de dança?]
I wish that it could be like that [Eu queria que pudesse ser assim]
Why can't it be like that? [Por que não podemos ser assim?]
Cause I'm yours [Pois eu sou sua]

― Danny? É você, querido?
Daniel encosta a porta da frente de sua casa e grita de volta uma confirmação. Ellie, sua esposa, aparece no corredor.
― Tudo bem? Você parece nervoso.
Danny dá de ombros, alegando puro estresse, mas sua mente não o deixa esquecer-se da discussão com Harry no dia anterior.
― Já me sinto melhor ― ele diz, tirando o casaco. Ellie anda até ele para pegar suas coisas e ajudá-lo, mas quando ele entrega-lhe sua mala ela a coloca sobre a mesa da cozinha e volta até Danny, abraçando-o por trás e abrindo os botões de sua camisa.
― Estamos bem, né?
Danny assente, sentindo a mão dela escorregar pela sua barriga.
― Ellie, hoje talvez...
Ela o empurra para o quarto e em seguida para cima da cama, puxando sua camisola para baixo e tocando-o, tentando animá-lo.
Danny tenta se concentrar, mas a sensibilidade ao toque de Ellie não dura muito tempo. Logo ele está olhando o teto, nervoso, receoso. Sente que não disse a Harry tudo que precisava, tudo que agora vinha à sua mente de uma vez só.
E, fácil assim, o ânimo escorre para fora dele e Ellie ergue o olhar, imóvel. Danny fecha os olhos e grunhe, mas a esposa o toca no ombro.
― Tudo bem, você só está estressado. Venha, vou te fazer um chá.

Oliver e Brenda já não aguentavam mais sair escondidos quando os pais dela estavam ou dormindo ou trabalhando. Então, quando a paciência de Oliver explodiu e Brenda não conseguiu segurar, ela o jogou para dentro do carro e dirigiu até sua casa. Sentou-o em frente ao pai e esperou.
Para sua surpresa, seu pai gritou com ela, não com ele.
O pai não fazia ideia dos anos em que Brenda e Ollie estiveram juntos, não fazia ideia de quantas vezes Brenda não disse que ia a algum lugar e acabara em outro. Até que, no meio da gritaria, Oliver se levanta e grita:
― Nós queremos nos casar.
Todos no cômodo pararam e encararam-no por vários segundos. Brenda baixa o olhar para seus pais, receosa. Finalmente, seu pai assente.
― Certo. ― Assim, os olhos voam desesperados para cima do pai de Brenda. Se todos já estavam chocados, ficaram mais ainda. ― Ela vai morar com você e você cuidará de cada gasto que ela tiver. E eu a quero em uma faculdade.
Apesar de aliviados, tanto Brenda quando Oliver sabiam que tudo tinha sido muito fácil para ser algo bom. Mas Brenda sabia o que era aquela atitude do pai:
Ele não botava fé que o relacionamento deles duraria.

CAPÍTULO 8

Why can't I say that I'm in love? [Por que eu não posso dizer que estou apaixonada?]
I wanna shout it from the rooftops [Eu quero gritar para todo mundo ouvir]
I wish that it could be like that [Eu queria que pudesse ser assim]
Why can't we be like that? [Por que não podemos ser assim?]
Cause I'm yours [Pois eu sou sua]

― Preciso falar com você.
Harry respira fundo, engolindo qualquer comentário maldoso que queira compartilhar. Ele abaixa o olhar para os papéis em sua mesa. Olhando a janela da sala com o canto do olho, ele vê outros funcionários da empresa pelo corredor. Péssima ideia.
― Estou ocupado com alguns casos. Pode ser mais tarde?
― Tá ― Danny murmura. ― Vamos sair para tomar café?
Harry ergue o olhar, sobrancelhas franzidas.
― O que aconteceu?
― Nada. Só queria sair.
Harry reclina-se na cadeira.
― Vamos a um restaurante.
Por um momento, Danny se cala e abaixa o olhar.
― Você sabe que eu não posso.
―Tá, Daniel Lessa, é o seguinte: Isso não é justo comigo e com ela, sabe? Das duas uma: ou me diga que não quer mais isso ou me diga que quer. Se não quer, podemos voltar a ser amigos ou você pode me ignorar pro resto da vida. Se quiser isso, deixe aquela pobre mulher ser livre e acredite em mim, eu vou ficar com você ― Harry diz, erguendo as sobrancelhas. ― Você não pode continuar bancando o gay que foi obrigado a manter aparências que não te representam, você não ama a sua esposa como mulher então, de vez em quando, quer ter o gostinho de alguém só pra matar a vontade.
Danny o encara, calado, enquanto Harry se levanta e entrega para ele alguns papéis.
― Eu não quero ser o amante. Quero andar na rua com você debaixo do mesmo guarda-chuva e quero abaixar o teto do meu conversível e andar pela rua sem medo de ninguém. Se separe dela se é isso que você quer também.
― Eu não posso ― Danny sussurra, hesitante e trêmulo. ― Não posso fazer isso. Eu... Esses meses foram...
― Então eu preciso trabalhar ― ele corta, abaixando o olhar de volta ao seu trabalho. ― Adeus.

― Quanto?
― Mil e cem quilômetros.
― Você não pode ir.
Brenda abriu a boca para responder, mas hesitou. Ela desviou o olhar para o chão e cruzou os braços.
― É de teatro. É o meu sonho, Ollie. Aonde quer que formos.
― Não. Eu tenho meus pais, minha família. Eu não vou ficar a catorze horas de distância deles. Você não pode ir, nós vamos encontrar outro lugar, mais perto. Depois de todo esse tempo lutando pra ficar juntos você quer ir embora?
― É a escola dos meus sonhos. Como pode fazer isso?
Oliver jogou os braços para cima.
― Eu já cedi a todos os desejos do seu pai. Nós somos uma família agora. Você não pode escolher só o seu lado! 
― Ollie, é o meu futuro. Eu iria se fosse você.
Oliver revira os olhos.
― É diferente pra você. Você quer ir? Vá. Mas eu fico.

CAPÍTULO 9

Why can't we be like that? [Por que não podemos ser assim?]
Wish we could be like that [Queria que pudéssemos ser assim]

Danny encara a chuva pela janela de seu escritório. Já passa das cinco e ele olha pelo vidro enquanto todos guardam suas coisas. Ele não consegue acreditar que chegou a esse ponto. Por um momento deseja que tivesse sido mais cauteloso e tivesse feito tudo de uma forma diferente.
Ele abraça sua pasta e cruza as pernas sobre a cadeira, tentando encontrar motivos para desistir do que está acontecendo. Apesar disso, Daniel se levanta e anda até a sala de Harry, hesitante até o último fio de cabelo.
Ele abre a porta e encontra a sala vazia. Olhando pela janela, o vê abrir um guarda-chuva e andar até seu carro. Danny corre os andares abaixo, empurrando as pessoas para pegar o elevador e chegar ao térreo. Ele alcança Harry quando ele liga o carro.
Ensopado da chuva, Daniel bate na janela do carro, chamando por Harry, que exclama em choque.
― O que você está fazendo?
Danny tira papéis da pasta que segurava e os encosta na janela molhada.
― Eu estou me divorciando.
O queixo de Harry cai e ele encara Danny por cima da folha. Sem pensar duas vezes, Daniel entra pelo lado do passageiro e joga os papéis no banco de trás.
― Você ganhou. Podemos andar de mãos dadas na rua agora.
Harry ri e o abraça, seu corpo quente contra a água gelada da chuva.
― Eu amo você ― Danny sussurra, inseguro. ― Queria ter dito antes.
― Eu também.

Oliver fechou os botões de seu casaco e levantou do banco quando o aviso da partida do trem. Ele acompanhou Brenda até o vagão, no qual ela subiu e estendeu a mão para ele, entregando sua aliança de casamento.
― Sinto muito, Ollie.
Oliver ergueu os ombros e pega o anel.
― Eu vou procurar um advogado.
Brenda arfou, lembrando-se de algo e puxando um papel de dentro do bolso da calça.
― Na verdade, ― ela murmurou, ― meu pai já encontrou um. Disse que é um homem eficiente.
Oliver pegou da mão dela um cartão e Brenda congelou no lugar, olhando-o calada.
― Espero que você consiga o que quer, Ollie. De verdade.
Ele forçou um sorriso.
― Você também.
― Se você algum dia precisar de algo, pode contar com o meu pai.
Sem coragem de responder, ele apenas concordou com a cabeça e se afastou da porta do vagão. Outro aviso soou avisando a partida do trem e Oliver encostou-se à parede atrás de si.
Enquanto observava o trem acelerar e partir ele ergueu o cartão do advogado à altura dos olhos. Ele viu um número escrito à mão e o nome do advogado ao lado do endereço onde encontrá-lo. Conforme andava para longe da plataforma, Oliver se perguntou como esse advogado reagiria ao ver um rapaz de vinte e um anos com um pedido de divórcio.
Em silêncio, ele andou até a rua e pediu um táxi, partindo direto para a empresa de advocacia para encontrar seu novo advogado, Daniel Lessa.

FIM

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