The Girl From Last Summer

Escrito por Angel - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Natashia Kitamura



Parte do Projeto Songfics - 14ª Temporada // Música: Don't, por Ed Sheeran

Eu estava extremamente nervoso, andando inquieto por todo o camarim. Não importava há quanto tempo eu estivesse nesse ramo, eu sempre ficaria nervoso antes de um show. Acho que era uma coisa natural do ser humano, ficar nervoso e apreensivo diante do desconhecido. Porque por mais que esse fosse meu trabalho, eu não sabia o que me esperava nas próximas duas horas. Mesmo que eu tivesse milhares de fãs na plateia, ainda assim eu tinha que estar preparado para qualquer tipo de público.
Três batidas na porta me tiraram de meu devaneio nervoso. Mandei quem quer que fosse entrar, e quando uma cabeça loira espiou pela porta, senti cada músculo do meu corpo congelar. Minha respiração saiu ofegante quando reconheci quem era.
— Posso entrar ? — , a garota que dominava meus últimos pesadelos, perguntou.
Sem conseguir que minha voz saísse pela garganta, apenas assenti. Ela entrou e ficou parada em minha frente, os olhos brilhando de expectativa. A encarei por algum tempo, e de repente um turbilhão de imagens e lembranças invadiram minha mente.

Estava reunindo com minha equipe e mais alguns amigos, comemorando meu último show em Las Vegas. Tudo estava fluindo incrivelmente bem em minha carreira e não me importei em tomar alguns drinks além do necessário. Afinal, eu estava em Vegas. A madrugada de descontração estava me fazendo incrivelmente bem, e quando eu a vi acreditei que tudo poderia ficar ainda melhor. Ela vestia um lindo vestido azul, que destacava suas curvas, e seus cabelos loiros se espalhavam em ondas por suas costas, quase chegando à cintura. Não sabia o que uma garota tão linda quanto ela fazia ali, aparentemente sozinha. Mas agradecia internamente às forças que a trouxeram para o mesmo ambiente que eu.
Encarei-a pela maior parte da madrugada, mas ela não parecia me notar e eu já estava ficando frustrado com isso. Não que eu fosse um cara tão desejado a ponto de nenhuma garota resistir ao meu charme, era só simplesmente frustrante que justo ela não olhasse em minha direção uma vez sequer.
Em um momento de distração, quando meu amigo incrivelmente bêbado chamou minha atenção, acabei perdendo aquela garota de vista. Ela havia sumido e eu nem ao menos vira a direção que ela seguira. Ainda mais frustrado do que antes, decidi encerrar minha noite, apesar dos protestos de meus amigos. Peguei mais um drink qualquer e saí em direção ao meu quarto de hotel. Andava distraído com a iluminação da cidade que podia ser vista através das enormes janelas de vidro que ladeavam o corredor do meu quarto que nem percebi que ela estava parada logo após a curva do corredor, bem próxima da porta do meu quarto. Trombei nela e minha bebida manchou o azul perfeito de seu vestido.
— Ah, me desculpe. — Tentei ajudá-la, mas eu estava atrapalhado demais. Ela apenas riu e naquele instante eu tive certeza, ela era a garota mais linda que eu via em meses.
— Tudo bem. A culpa não foi sua.
— Mesmo assim, me desculpe. Eu estava distraído demais com a iluminação da cidade. — Apontei para as janelas.
— É uma bela vista. — Ela olhou para as vidraças por um instante, e então voltou a olhar para mim. — Tem algo que você queira me dizer?
— C-como assim? — Gaguejei e ela riu.
— Bom, eu percebi seus olhares insistentes sobre mim. Pensei que você quisesse me dizer algo. — Ela sorriu convidativamente e então percebi que eu tinha me dado bem, afinal.
— E eu achando que não tinha conseguido chamar sua atenção. — Eu ri.
Ela nem mesmo esperou eu terminar direito a frase e já avançou em minha direção, chocando seus lábios macios e quentes contra os meus. Sua reação me pegou totalmente desprevenido, mas é claro que isso não foi o suficiente para me impedir de beijá-la com a mesma voracidade. Foi um beijo quente demais, me deixando parcialmente sem fôlego.
— Eu não só percebi seus olhares, como fiquei louca para beijar sua boca. E foi ainda melhor do que eu planejara. — Ela disse, me beijando novamente em seguida.
Será que eu estava sonhando ou ficando louco e tendo alucinações? Isso estava de fato acontecendo mesmo? Quase pedi para que ela me beliscasse, para provar que eu não estava sonhando ou tendo alucinações, mas a mordida que ela deu em meu lábio inferior foi prova o suficiente.
Quando as coisas estavam ficando bem mais interessantes, meu celular vibrou em meu bolso. Bem que eu tentei ignorar, mas a pessoa estava insistindo demais. Relutante, atendi o celular sem nem mesmo ver quem era. Era meu empresário avisando sobre um pequeno imprevisto e que por isso teríamos que ir para o aeroporto em alguns minutos e pegar o próximo voo de volta para Londres. Eu sabia que estava bom demais para ser verdade...
— Gata, vou ter que ir agora. — Falei e ela fez bico. Amaldiçoei meu empresário, mesmo sabendo que ele não tinha culpa de nada.
— Tudo bem. — Ela avançou em meus lábios como uma fera faminta. Sua voracidade me inebriava e me assustava ao mesmo tempo. Não podia acreditar que teria que deixá-la agora. — Nos vemos por aí, .
— Você sabe meu nome?
— É claro. Acho que praticamente todo o mundo sabe. — Ela riu. — E a julgar por sua expressão, você não sabe quem eu sou, certo?
— Não me diga que você é famosa também? — Arqueei a sobrancelha.
— Não tanto quanto você, eu acho. Sou .
— Já ouvi falar de você. Canta também, não é? — Ela assentiu, rindo.
— Bom, isso explica porque você está em Vegas e porque disse que nos veremos em breve. — Ela assentiu novamente e então um último beijo foi dado.

Passaram-se meses e não tinha saído dos meus pensamentos um minuto sequer. Tudo que eu pensava era em como seu jeito atirado me conquistou. Eu não era do tipo que curtia garotas que ‘’partiam para o ataque’’ assim tão rápido, mas eu sentia que era diferente. Ela havia me deixado completamente louco por um segundo encontro. Mas eu estava em turnê pela Europa, e estava perdendo as esperanças de encontrá-la novamente, embora eu soubesse que ela estava fazendo shows pela Europa também. Mas quais eram as chances de nos encontrarmos na mesma cidade? Ou no mesmo hotel? Nenhuma! Pelo menos, era o que eu pensava. Voltava para meu quarto totalmente exausto depois de um show daqueles realmente incríveis. Andava a passos lentos, completamente distraído, mas dessa vez por puro cansaço. Eu só queria chegar o mais rápido possível em minha cama, e desabar por ali por longas horas. Eu teria alguns dias de folga antes de entrar em mais uma série de shows pela Inglaterra.
Abri a porta do meu quarto de hotel e nem me dei ao trabalho de acender as luzes. Estava exausto demais, e nem banho eu queria tomar. Simplesmente queria minha cama quente e confortável. E qual não foi minha surpresa ao encontrar uma mulher deitada em minha cama? Ainda sem saber quem era, acendi a luz e me deparei com , vestida de uma forma totalmente convidativa.
— Não disse que nos encontraríamos novamente? — Ela piscou, erguendo os dedos e me chamando para me juntar a ela.
— Como você sabia que eu estava aqui?
— Eu sempre sei das coisas. — Sem perder mais tempo, ela me puxou para a cama. Novamente eu estava assustado com as atitudes dela, mas não podia negar que isso era tudo que eu queria. Que eu passara cada dia dos últimos meses desejando estar em uma cama com ela.

Foram as duas semanas mais incríveis da minha vida. ficou comigo durante aqueles catorze dias, e tudo que fazíamos era beber o dia todo. Nossa comida se resumia a pizzas e eu não queria que aquilo tivesse um fim. Eu estava me divertindo como nunca, e embora não falássemos em compromisso, nós éramos como namorados. Comportávamos-nos como um casal.
Consegui férias em meio a uma época tumultuada da minha vida, mas eu precisava daquilo. Precisava passar meu tempo com sem me preocupar em ter que ir para outra cidade fazer um show. Ela foi comigo para minha casa e dormia toda noite lá, o que provava, mais uma vez, que estávamos namorando.
Cantávamos músicas pela casa toda e à noite, não queria dormir, e é claro que eu também não. Era tudo simplesmente incrível e eu queria aproveitar cada minuto que eu pudesse ao lado dela. Meu empresário não conseguiria mais adiar minha volta ao trabalho, e mesmo sabendo que iria comigo, eu queria mais dias com ela. Só com ela.
Mais dias se passaram e eu já não podia mais protelar com minhas férias. Eu precisava voltar ao trabalho, mesmo que minha vontade fosse ficar no sofá, assistindo filmes, abraçado com . Mas eu tinha shows a fazer, e ela também. Mas até que era um ponto positivo trabalharmos no mesmo ramo, assim era mais fácil para que um compreendesse o outro, mesmo que nossa agenda não batesse com os mesmos compromissos.

Uma nova remessa de shows começou para mim, e eu fui para um canto do mundo enquanto foi para outro. Nos falávamos todos os dias e achei que isso significasse que nossa relação continuava do mesmo jeito, que quando voltássemos a nos encontrar, as coisas seriam exatamente como antes. Eu estava me iludindo e permitiu que isso acontecesse.
Quando minha turnê finalmente chegara ao fim, combinei de me encontrar com em um hotel em Londres. Ela já estava na cidade há algumas semanas, e eu estava louco para reencontrá-la e achava que ela também estivesse. Quando eu cheguei com minha equipe ao hotel, ela estava no bar, me esperando. Ela me recebeu de uma forma diferente, não tão calorosa como antes. Pensei que fosse apenas impressão minha, e decidi deixar isso para lá.
No fim da noite estávamos todos reunidos, comemorando o final de uma turnê fantástica, que eu esperava que outra igual não demorasse a acontecer. Eu estava mudando de ideia a respeito de , já que ela não parecia se importar muito com minha presença. Ela conversa empolgadamente com , um grande colega de equipe. Não vi problema nisso, já que eu não era o tipo ciumento controlador, e por saber que era meu amigo. Nunca o vi como uma ameaça, nem mesmo quando os olhares que dirigia a ele se tornaram evidentemente mal intencionados. Apenas me concentrei em beber e nem percebi quando desapareceu da minha frente em um piscar de olhos. Perguntei para alguém qualquer onde ela estava, e me falaram que ela havia saído com . Não precisei de mais confirmação para saber o que estaria fazendo. Não precisei de mais nenhuma palavra para saber que eu havia me enganado completamente em relação ao caráter dela. Não precisei de mais nada para ter certeza de que era uma vadia. E da pior espécie. Ela me traiu com meu amigo bem em frente à minha cara. E eu não estava nem em turnê. Estávamos hospedados no mesmo hotel, no mesmo andar. Agora eu me dei conta de que eu deveria ter percebido que ela não valia nada quando se atirou para cima de mim naquele dia em que nos conhecemos. Eu devia ter percebido. Mas fui burro demais, e agora não tinha como voltar atrás. Eu tinha que seguir em frente e fingir que nada daquilo havia acontecido.

Quando voltei ao presente, ainda estava parada em minha frente, me encarando com seus olhos azuis brilhantes.
— O que você está fazendo aqui? — Perguntei indignado.
Depois daquele fatídico dia, eu nunca mais me encontrara com . Atendi apenas a um telefonema dela, apenas para dizer que sabia o que ela havia feito e que nunca mais queria olhar para a cara dela novamente. E tudo tinha funcionado perfeitamente bem. Até hoje. Eu nunca mais a havia visto, a não ser em programas de TV ou em revistas, o que geralmente acontecera por acaso, e sem prender minha atenção por mais que míseros dois segundos.
Mas de repente eu sabia por que ela estava ali. Eu tinha composto uma música sobre nosso breve relacionamento. Não porque significou muito, mas simplesmente porque eu gostava de falar sobre o que acontecia em minha vida nas músicas que eu cantava. E eu tinha certeza que mais pessoas se sentiam como eu, e era incrível ver uma multidão cantando comigo, talvez até se identificando com a letra. Eu tinha certeza que metade do mundo sabia para quem era a música que eu compusera, mesmo eu nunca tendo confirmado.
— Você sabe. — Ela disse, por fim.
— Se é por causa da música, nem perca seu tempo. Eu escrevi sobre um relacionamento que eu tive, só isso. Nada garante que é sobre o nosso relacionamento. Você quer o quê? Os créditos? — Eu ri. — Eu posso dar desde que você queira ser mundialmente conhecida como a vadia da minha música. — Sorri ironicamente e ela bufou.
— Eu só queria te pedir desculpas.
— Não acha que é meio tarde demais para isso? — Arqueei a sobrancelha. — De qualquer forma, não importa. Você não vai brincar comigo de novo.
, você precisa entender que não tínhamos um compromisso sério.
— Não era oficial, mas era sério para mim. É uma pena que eu tenha achado que significava o mesmo para você.
, me escuta...
— Não, . Você se aproveitou da minha inocência, e eu não quero saber o que você tem para dizer. — Virei às costas para ela, mas fui puxado pelo braço. Reconheci seu toque quente em minha pele.
— Eu sinto muito.
— Não, você não sente. Eu preciso ir. — Puxei meu braço, me livrando de seu toque, e me dirigi à porta. Antes de desaparecer pelo caminho do camarim até o palco, me virei para olhá-la uma última vez. — Adeus, . Aproveite o show, e é claro, a música. Vai ser bem interessante ver a “musa” da minha música presente na plateia. Tenho certeza que meus fãs irão amar. — Pisquei e sorri da forma mais irônica que consegui.
Não deixaria que ela estragasse o meu show, o momento mais maravilhoso que se podia imaginar. Pelo contrário, eu iria provocá-la ao máximo, porque eu sabia que ela estaria presente durante o show. Sabia que ela me ouviria cantar a música que era uma piada sobre ela.

 

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