The Croydon Streets

Escrito por Luisa Silva
Beta-Reader: Mariana



Parte do Projeto Songfics - 10ª Temporada // Música: Green Day - Boulevard of Broken Dreams

- Boa noite, filho. Durma bastante que amanhã seus tios chegarão cedo. – disse minha mãe, apagando as luzes do quarto.
- Boa noite, mãe. – eu respondi e ela saiu.
Esperei alguns minutos e me levantei, já vestido e abri a porta do quarto, olhando pra ver se ainda tinha alguém acordado. Como eu esperava todos já tinha dormido e ninguém perceberia que eu não estava no quarto. Fui pra sala, peguei um casaco e sai de casa, fechando a porta silenciosamente.
Enquanto andava pelas ruas da cidade Croydon, nos arredores de Londres, avistei um beco com alguns pontos de luz parecidos com cigarros acesos. Perfeito, pensei, enquanto entrava no beco. Logo alguns caras me cercaram, oferecendo vários tipos de drogas e cigarros comuns. Aceitei um cigarro e me apoiei em uma das paredes do beco, acendendo o cigarro logo em seguida. Depois de alguns minutos, uma garota apareceu e ficou do meu lado, fumando cigarro também.
- Dia ruim? – eu perguntei, depois de algum tempo em silencio.
- Vida ruim. – ela respondeu e ficou em silencio novamente.
- Sou .
- Bom pra você, que tem um nome normal. – ela respondeu, seca. Ui, essa é esquentadinha.
- Qual é o problema com o seu nome?
- Ele simplesmente não é normal.
- E você vai me dizer qual é ou...
- . – ela disse quase como um suspiro.
- É um nome bonito.
- Poupe-me de suas mentiras.
- Você é sempre mal educada assim ou é só hoje? – eu perguntei ironicamente.
- Não fale da minha educação. Você não sabe nada sobre mim. – ela respondeu.
- Muito bom conhecer você, mas já estou indo, .
- À vontade. – ela respondeu e eu fui andando.
Estava voltando para casa, mas no meio do caminho decidi que eu ainda tinha um tempo. Fui andando pelas ruas, sem rumo, completamente sozinho. Logo percebi que a minha sombra era a única que estava ao meu lado, e a batida do meu coração era a única coisa que eu escutava, enquanto pensava que um dia alguém chegaria e me salvaria, mas, enquanto isso, eu andava sozinho.
Voltei pra casa e fui direto pra cama, para passar mais uma noite sem sono.

***

No dia seguinte, acordei com a gritaria dos meus priminhos e de sua babá tentando acalmá-los. Levantei da cama e fui escovar os dentes e trocar de roupa para encontrar os meus tios lá em baixo.
- Olha só quem acordou! – disse tia assim que me viu na porta da cozinha. Ela se levantou e foi me abraçar, juntamente com tio , seu marido. Logo as três crianças barulhentas me viram e correram para cima de mim, quase me derrubando.
- Também estava com saudades de vocês, pestinhas! – eu disse me recuperando do impacto.
Depois de algumas horas conversando e brincando com as crianças, finalmente tive um pouco de paz. Tia viu que eu estava sozinho no sofá e veio me fazer companhia.
- E aí, , como está indo? Sabe que pode me contar tudo, não sabe? Além do mais, está com cheiro de cigarro.
Eu adorava a tia , ela sempre escutava tudo o que eu tinha a dizer, sem me interromper ou me julgar e ainda dava ótimos conselhos. Olhei pra ela, suspirei e disse:
- Difícil. Depois que meu pai foi embora mamãe está sempre triste e chorando pelos cantos. A única coisa que eu tenho para me distrair é sair na rua e fumar um pouco. – Mas, por favor, não conte para a minha mãe, eu pensei em dizer, mas sabia que tia nunca faria uma coisa dessas.
- Ah, ... Sinto tanto por tudo o que está acontecendo – disse de maneira simpática –, mas você sabe que não é sua culpa, certo? Não precisa matar o seu pulmão por isso, muito menos se arriscar nesses becos por ai de madrugada. Essa cidade é perigosa, , quem sabe o que pode acontecer?
Nessa hora uma menina apareceu na janela acenando com a mão para mim. Depois de alguns segundos a reconheci, era a menina mal-educada do beco. Ela parecia estar me chamando pra ir com ela em algum lugar. Logo a minha tia a viu e disse que eu podia ir, levantei-me e saí de casa, sentindo frio na hora.
- Posso ajudar? – eu perguntei quando cheguei perto dela.
- Oi , só queria me desculpar por ontem, eu estava muito irritada por umas coisas. – ela disse e percebi que o seu tom de voz não estava tão agressivo.
- Tudo bem. Quer dar uma volta? – eu chamei e ela aceitou.
Ficamos andando por aí, conversando sobre coisas bobas, até que começou a cair um temporal completamente do nada. Eu e ficamos encharcados enquanto eu a puxava pela mão até a loja mais próxima, mas quando tentamos entrar o dono da loja não deixou, justamente por que estávamos molhados. Quando eu ia começar a correr novamente, me puxou e me beijou. No inicio fiquei surpreso, mas depois me deixei levar. Quando tivemos que romper o beijo por faltar de ar, abri os olhos e estava rindo e eu também, ficamos nos encarando e rindo por algum tempo, até percebermos que ainda estávamos na chuva, no meu da rua.
- Tenho que voltar pra casa, minha mãe deve estar doida. – eu disse, mas sem conseguir me afastar dela.
- Tudo bem, também tenho que ir. – ela disse, mas não moveu um músculo para se afastar, invés disso, ela se aproximou e me beijou novamente.

***

- , ONDE VOCÊ ESTAVA? – perguntou –gritou- minha mãe antes mesmo de me ver. – Você está encharcado! Vá tomas um banho e coloca roupas secas, depois nós conversamos.
No caminho para o meu quarto, encontrei . Ela simplesmente me deu um sorriso e disse:
- Vai ter que me contar o porquê desse sorriso gigante depois do sermão da sua mãe. – só depois que ela disse isso me toquei que estava sorrindo, e que não conseguia parar.

FIM

 

Comentários da autora



Ficou meio tosco, mas é o que a criatividade permitiu. Não gostei muito desse final, mas não consigo fazer outro então vai assim mesmo. Muito obrigada por ler e comentem, por favor, é um incentivo e tanto!! :DD

The End (que significa O Fim)