The Best Day Ever

Escrito por Nathy-chan - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Laura Weiller



Capítulo Único

A manhã estava fria, e lá estava eu, com os braços cruzados em uma tentativa falha de me aquecer, e com uma sacola em mãos. Eu iria visitá-lo, como fazia todos os dias durante duzentos e noventa e quatro dias de minha vida, ele se chama e depois da morte do irmão ele nunca mais foi o mesmo, os pais resolveram interná-lo em uma clínica psiquiátrica, finalmente cheguei, tirei as luvas e o casaco grosso. Aquele lugar era realmente imundo, como sempre fui tratada com grosseria, eu estava preocupada com , se eles me tratam assim imagina o que fazem com os pacientes, uma psiquiatra me acompanhou até o quarto de . Abrindo a porta, eu literalmente pulei no colo dele, a doutora fechou a porta novamente, notei alguns ferimentos no rosto e no braço de , sem contar que suas olheiras estavam maiores que as de ontem - isso realmente me preocupava - e pensar que os pais não ligavam para ele, o jogaram em um lugar qualquer, que mal conheciam, os pais diziam que ele foi o culpado pela morte do irmão, que deveria estar morto e não o irmão, isso só fazia com que ele se sentisse mais culpado.
- , o que eles fizeram ? - agachei-me em sua frente e acariciei seu rosto, ele nada respondeu, olhou no fundo dos meus olhos e beijou minha testa.
- Aqui, eu trouxe pra você - levantei a sacola até a altura de seus olhos. Puxei de lá dois potinhos com comida chinesa, dois cupcakes e uma garrafa com suco de manga. - Toma - abri um dos potes com a comida, pus um garfo e lhe dei junto com o suco. Ele sorriu, provavelmente estava agradecendo, sorri também ao vê-lo comer, me parecia que ele estava com fome a dias. A hora passou rápida, quando vi já estava botando meu casaco para partir.
- Lhe vejo amanhã, grandão - lhe dei um abraço apertado, eu e éramos amigos desde pequenos , ele é quatro anos mais velho que eu, que tenho dezenove, eu realmente fico triste com que está acontecendo com ele, acho uma total injustiça.
Cheguei em casa, batendo meus pés no pequeno tapete que sempre ficava em frente à porta, entrei, mas não encontrei meus pais, o que é estranho. Eles quase nunca saíam de casa, resolvi ignorar o fato, dirigi-me à cozinha para fazer um leite quente, encontrei um bilhete colado na geladeira, era de minha mãe.

"Filha, se estiver nos procurando saiba que estamos na casa em frente, fomos convidados para um jantar, venha, não demore."

Então eles estavam na casa dos pais de ? Interessante! Desisti do leite, deixando-o no fogão desligado, coloquei novamente o casaco e fui em direção a casa que prometi não chegar mais perto enquanto não estivesse lá. Dei duas batidas leves na porta, fui recebida com o sorriso caloroso de Sra. e logo após um abraço.
- Oh querida, quanto tempo. Vamos, entre! Entre! - ela me puxou pelo braço.
- Filha, aonde estava ? - meus pais não sabiam que eu visitava .
- E-eu... Estava no shopping com Hinny - desviei o olhar.
- Ora não minta para sua mãe, - Sr. sorriu amarelo.
- Como assim? - perguntei nervosa, eles não podiam descobrir, meus pais me matariam, bem, eu acho.
- Nós sabemos que você foi visitá-lo - concluiu a Sra. .
- Visitar quem? - tentava negar com todas as forças.
- ! - repreendeu-me a Sra. .
- Tudo bem, eu o visito sim. Por que, ao contrário de vocês eu me preocupo com ele - soltei tudo de uma vez.
- ! - eu não sabia se minha mãe gritou comigo por ter visitado , ou por que elevei meu tom com os .
- Me diga , como ele está? – A Sra. perguntou esperançosa.
- Por que quer saber? Você não liga pra ele, você não está nem ai, acho que não adianta gastar minha saliva com você - olhei algum ponto qualquer cruzando meus braços.
- Você acha que eu tenho culpa? Acha que o pus lá por que queria? Acha que eu não ligo pro MEU filho? - ela tinha lágrimas nos olhos prestes a cair, meus pais me olharam reprovando.
- Sim! , eu acho. Você já se esqueceu do que disse pra ele no dia do enterro? - minha voz estava embargada, aquilo também mexia comigo.

Era hoje, o dia do enterro de Devon, o dia mais doloroso para e seus pais. Todos, incluindo eu, estávamos totalmente tristes, as lágrimas pesadas que caíam dos olhos de fazia com que eu chorasse junto dele, o olhar insípido do pai me deixava intrigada, a mãe também aos prantos ao lado do caixão, eu podia jurar que sentia a mesma dor que ela.
Devon , assassinado no dia 13 de março, enquanto voltava pra casa com seu irmão, , ambos foram assaltados, porém Devon reagiu, levando assim um tiro e caindo involuntariamente no chão. Totalmente assustado ajoelhou-se em frente ao irmão, o ladrão vendo o alvoroço que criou, saiu com sua moto. Chorando desesperadamente, gritou por ajuda , uma senhora que estava no meio da multidão, ligou para emergência, a mesma sentou-se ao lado do ruivo e tentou consolá-lo, algo totalmente em vão, ele não conseguia escutar, falar ou sequer ver, a dor era maior que tudo, depois de longos minutos a ambulância chegou.
Já no hospital, na sala de espera, a família estava em silêncio, esperavam por uma resposta, precisavam de uma, enquanto o pai consolava a mãe, resolveu tomar um copo d'água, por ironia do destino passou em frente ao quarto em que o irmão estava, se arrependeu segundos depois, o irmão estava em um estado deplorável, ficou boquiaberto , deixando assim o copo descartável ainda com água cair no chão, percebendo que um garoto observava a cirurgia, o doutor saiu de sala e o puxou para sala de espera, aonde os pais ainda esperavam.
- Sente-se , por favor - pediu o médico, o obedeceu.

~Horas depois~

- Senhora, eu sinto muito. Seu filho faleceu - aquilo veio como uma bomba para todos, que tentava se distrair com o celular, levantou-se rapidamente, sentiu seus olhos queimar, isso não podia ser verdade, seu irmãozinho não podia ter ido, num impulso sua mãe abraçou-lhe fortemente, como sempre, deu sua crise dando tapas no peitoral do filho, não que fossem os tapas mais doloridos do mundo, apenas fazia isso para que se acalma-se, perdera um filho tão novo, tão sadio, que tinha um futuro brilhante pela frente. Já o pai dava socos leves na parede, na hora veio-lhe a cabeça os poucos momentos especiais com o filho, sentia-se inútil por não tê-lo amado como deveria.
Voltando ao enterro, o corpo já estava abaixo da terra, a mãe ainda chorava, já não tinha mais forças pra isso, estava sentado ao meu lado com a cabeça apoiada em meu ombro, acariciava seus cabelos numa tentativa falha de acalmá-lo, o enterro já havia terminado, mas a Sra. continuava ali, pedi para vir comigo de volta pra casa, ele concordou, mas antes de ir disse que avisaria à mãe.
- Mãe, eu to indo, você não quer vir também? - ele perguntou fungando.
- Você acha que eu vou embora? Você é louco? Vai me abandonar quando eu mais preciso? Era VOCÊ que deveria ter ido no lugar dele, VOCÊ, VOCÊ é um inútil , totalmente inútil, ele morreu por culpa sua, . Você não fez nada pra salvar seu irmão, você realmente é um cretino - arregalou os olhos, nunca vira sua mãe desse jeito, assustou-se e desviou o olhar, levei-o para casa , depois de muita insistência o fiz tomar um banho quente e bem, depois desse dia ele nunca mais foi o mesmo, e esta lá, naquela maldita clínica.

- Eu lembro sim, eu estava num momento difícil, ele deveria entender – A Sra. cruzou os braços.
- Você é uma idiota! Como você quer que ele entenda? Você não acha que ele também 'morreu' por dentro? Eu amo seu filho, faria te tudo por ele, ele é dócil e gentil, é uma pena que ele tenha uma família assim - virei-me acompanhada de meus pais que não disseram sequer uma palavra.
- Ah, , o que eu faço com você? - já em casa, meus pais me davam sermões.
- Filha, você não era assim, eu já disse pra você ficar longe daquele garoto - agora era a vez de meu pai, ele andava de um lado pro outro massageando as têmporas. Ficamos alguns minutos em silêncio.
- Já acabou? Eu já posso subir? - levantei-me da cadeira, minha mãe logo me puxou para um abraço.
- Ah filha, nós só queremos te proteger - ela acariciou meus cabelos.
- Me proteger? Me proteger do meu melhor amigo? Vocês estão loucos, só pode - dei uma risada sem humor, fui em direção ao meu quarto. Ah que vida, eu queria tanto que ele melhorasse, queria tanto que ele tivesse uma vida boa.
E cá estou eu novamente, sentada a seu lado na cama, apoiada em seu ombro.
- Sabe... Eu sinto sua falta, eu sei que é difícil, mas... - olhei-o nos olhos - Eu fui à sua casa ontem - tentei mudar de assunto, ele me olhou atentamente. - E bem... Eu e sua mãe brigamos, sabe ... Eu ... - não pude terminar, a doutora adentrou ao quarto.
- Desculpe senhorita, mas eu preciso que você saia por alguns minutos, tenho que ter uma conversinha com o Sr. - olhei-o preocupada, mas sai no mesmo instante, fiquei em frente à porta escutando.

~No quarto~

- , vamos lá, me diga, como se sente? - a doutora perguntou suavemente, pelo jeito ele não respondeu.
- , você não pode ficar assim pra sempre, você tem uma vida lá fora, diga algo, pelo amor de Deus - a mulher alterou o tom - Eu não quero ter que usar o outro método, - e mais uma vez não respondeu. - Eu não tenho escolha - não ouvi mais nada, só depois de alguns segundos, ouvi algo como um estalo - E agora? Quer me dizer algo? - o tom de voz da mulher ainda estava alterado.
- Quem é que está ai? - uma paciente perguntou assustando-me.
- Meu amigo - respondi virando-me.
- Eu sinto muito - o rosto dela estava totalmente pálido, tinha olheiras grandes, assim como Castiel.
- Sente muito? - perguntei desentendida.
- Sim, ela está agredindo-o - ela apontou para porta. - Você pode me emprestar seu celular? - ela pediu estendendo as mãos, lhe entreguei o celular, ela olhou o aparelho e saiu correndo.
- Es-espera - Chamei-a. Ela nada respondeu, continuou a correr, refleti sobre o que ela me disse e entrei rapidamente.
- Seu idi... - a doutora parou o que estava fazendo, bem, o que ela estava fazendo? Era até um pouco constrangedor, ela tentava beijá-lo e ele não podia fazer nada, estava preso a correntes, na mão dela tinha sangue e no rosto de também .
- O que você está fazendo? - empurrei-a, cheguei mais perto de tentando tirar suas correntes.
- Sai daqui, sua vadia - ela puxou meu braço, empurrando-me contra a parede. - Não se mete, sua idiota - ela me deu um tapa muito forte no rosto, tentava de todos os jeitos livrar-se das correntes, ela ficou me dando tapas por alguns minutos e eu tentava revidar, sem sucesso.
- Prendam-na - alguns pacientes entraram no quarto, junto com policiais. Alguns pacientes foram em direção à , depois disso eu não pude ver mais nada, meus olhos estavam tomados pelas lágrimas.
- A senhora está presa - disse um dos policiais prendendo-a, senti algo gélido em meu rosto.
- T-tenha calma , , eu... Eu estou aqui, eu estou aqui - ah, como tinha tempo que não ouvia essa voz, doce e calma, mas dessa vez um pouco mais fraca.
- ! - chamei-o pulando em seus braços, ele retribuiu o abraço e beijou-me a testa.
- Vamos gente, estamos livres! Estamos livres! - olhei para o que estava acontecendo, os policiais estavam levando a 'doutora' para fora e ela estava algemada.
- O que... O que está acontecendo? - perguntei levantando-me com ajuda de , a mesma menina que vi no corredor chegou perto de nós e me entregou o celular.
- Aqui está, , não é? - ela sorriu gentil, apenas balancei a cabeça positivamente pegando o aparelho de suas mãozinhas. - Prazer, me chamo - ela estendeu sua mão, eu apertei tentando sorrir. - Obrigada, - ela sorriu novamente - pelo celular - continuou - sem você , nós continuaríamos aqui, apanhando desse pessoal - desse pessoal? Alguém mais foi preso?
- Mais gente foi presa? - perguntei confusa.
- Sim, Nathy. O pessoal todo, eles não tinham paciência com os pacientes, entendeu? - ela deu uma risadinha, ri de sua piadinha sem graça.
- Você está bem? - olhei para , ele apenas deu um sorriso de canto, seu rosto ainda estava ferido.
- Vamos pessoal, vocês estão livres - alertou o policial. Depois de arrumados, todos foram para fora da clínica.
- Isso não é emocionante ? - tentei transmitir um sorriso confortante para ele, enquanto andávamos pela enorme calçada. - Você está livre - senti a leve brisa tocar minha pele.
- Hum... - ele olhava atentamente para o chão.
- Não vai me dizer que você gostava daquele lugar - olhei-o desconfiada, ele também me olhou, acenando negativamente com a cabeça.
- Ah - suspirei derrotada, como eu pude ser tão idiota? É claro que ele voltaria a ficar no seu silêncio, um pouco irritante, tenho que admitir. - Você vai voltar pra casa? - perguntei olhando para receber a resposta, ele balançou a cabeça negativamente. - Pra onde vai, então? - o olhei confusa, ele apontou pra mim e eu logo entendi. Ele iria dormir lá em casa, o problema é meu pai, mas eu iria resolver isso. Andamos em um silêncio totalmente constrangedor, já estávamos prestes a entrar em nossa, digamos assim "vila", ali moravam poucas pessoas, a maioria delas eram fofoqueiras e estavam na calçada, fofocando sobre alguém, já sabia quem seria a próxima "vítima", , ou até mesmo eu, por estar com ele, mas eu não ligava. Pensava que o dia não poderia ficar pior, mas vem aquele maldito ser pra cima dele, Shayanne, esse é o nome do ser.
- , ... Você voltou, senti saudades - Ela pulou pra cima dele, quem é ela pra chamá-lo assim? Só eu o chamo desse jeito, ele grunhiu, talvez ainda estivesse com dores. - Ah, me desculpe... , seu rosto - ela apontava para o enorme corte que tinha em sua bochecha esquerda, ele olhou inutilmente para a ferida, já que ele não conseguiria ver. - E você, ? - ela me olhou sínica - Sua cara está vermelha, o que houve? - ela riu.
- Humpf - suspirei.
- Não interessa, vem ... Eu vou cuidar do seu machucado - ela puxou pelo pulso até a casa dela, porém antes se virou e disse "desfaz essa sua cara de bunda, ", mas que pu**. Tomara que eles se casem, tenham os piores filhos do mundo, ela tenha que se prostituir pra ganhar dinheiro e que ele seja um alcoólatra e tenha que ficar em casa cuidado dos filhos pestinhas deles, assim eu não me preocupo com aquele mané. Resolvi ficar com minha "cara de bunda" sentada na calçada.
- Olá - senti algo gélido em meus ombros.
- Ah, oi, - virei-me para vê-la.
- Pode me chamar de - ela riu sem graça, sentando ao meu lado.
- Oi, - ri. - o que faz aqui?
- Eu vim pra ficar com minha tia, Alice Hampton - ela sorriu.
- A Hampton fofoqueira? - perguntei sem pensar. - Quer dizer... Não... - gaguejei.
- É, eu sei, minha tia é bem fofoqueira - ela riu, acompanhei-a.

~Casa da Shayanne~

- Entre, , não seja tímido - Shayanne puxava-o. Depois de muita insistência, cedeu e entrou no quarto. - Espere aqui, eu irei pegar a caixinha - sorriu virando-se. foi em direção à sacada do quarto mediano de Shayanne, estava observando com um sorriso bobo na cara, lembrou-se de quando sempre a perseguia, chegava a irritá-la, lembrou-se do seu primeiro beijo, que infelizmente não foi com ela e sim com Shayanne, lembrou-se de como havia ficado irritada por isso, o xingou de todos os nomes possíveis, ele não se importava, até achava graça nisso, adorava vê-la irritada, era fofo vê-la toda vermelha por conta da raiva.
- Ah, você está ai - Shayanne apareceu do nada o assustando - Lembra do nosso primeiro beijo? Foi aqui, foi tão mágico, a brisa batia em nosso rosto... E... - Shayanne tinha um olhar "apaixonado", na mão tinha uma caixinha branca com detalhes vermelhos. desviou o olhar para a caixa . - Ah, claro... Por favor, sente-se ai - Shayanne apontou para uma das cadeiras na sacada. Já sentado, grunhia a cada toque do algodão em seu rosto. - Aguente firme, já estou quase acabando - pegou um curativo e o pôs na bochecha de . -Pronto! - se afastou um pouco. levantou-se com os olhos semicerrados, e fez um joinha com os polegares indo em direção a porta, Shayanne nada fez, apenas admirou-o.

...

- - ouviu seu nome ser sussurrado, olhou para cima e encontrou com um curativo na bochecha ferida.
- Ah, agora você resolveu aparecer né? Olha... Sai daqui, melhor... Por que você não vai ficar agarrado lá com tua quenga? Seu idiota! Seu... Seu - tentava encontrar palavras.
- Shhh - beijou-a, um beijo calmo, porém desejado por ambos. Em meio ao choque, ouvi gritinhos vindo de , sem fôlego separei-me de que tinha um sorriso bobo na cara.
- Obrigado, obrigado por tudo - beijou-me mais uma vez, logo após encostou nossas testas, pude ouvir sua respiração descompassada, aquele era, definitivamente o melhor dia de todos.

FIM!

 

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Nota da Beta:

Erros de script, por favor me informe pelo e-mail. - Laura Weiller