Terror Noturno

Escrito por Lelen - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Lelen



Desde que minha memória falhou em alguns aspectos depois de um terrível acidente, minhas noites andavam turbulentas.
Havia imagens em minha mente que eu não conseguia apagar, tampouco saber de que se tratavam. Os pesadelos eram freqüentes, e a dúvida do que era real e do que era alucinação me acompanhavam sempre.

Estava eu sentado na beira do lago observando ela, mergulhar apenas com as roupas de baixo. Seu corpo era perfeito demais para ser real. Ela olhou para mim sorrindo, seus traços delicados acompanhando o gesto.
- Venha, ! A água está uma delícia! - Ela acenou do meio do lago me chamando.
- Talvez mais tarde, . - Sorri de volta colocando apenas os pés na água.
Nadar naquele momento não era meu lazer favorito, ela sabia sobre meu acidente no rio do acampamento, é claro que sabia. Ela estava lá quando aconteceu.

Era dia de chuva no acampamento de verão, e como todos sabem, no verão as piores tempestades acontecem.
Estávamos no meio de uma trilha na mata, não tínhamos conseguido voltar ao acampamento antes da chuva nos pegar. Nosso grupo ia bem até chegarmos a travessia do rio. Precisávamos passar por ele seguindo um caminho de pedras que o atravessava. As pedras estavam lisas e escorregadias demais para podermos chegar a outra margem com segurança, mas Dylan insistia que era possível, e que nós éramos um bando de medrosos.

Para provar que o grupo é que estava com medo, ele saltou para a primeira pedra perto da margem com facilidade.
- Dylan, volta por favor! - gritou chegando um pouco mais perto da margem barrosa, eu a segurei.
- Não, eu vou atravessar. - Ele foi teimoso.
- Dylan, você vai acabar escorregando, e ninguém vai entrar nessa água agitada para te salvar. - Carter vociferou tentando convencer o irmão a voltar.
- Não vou escorregar, cala a boca seu amarelão! - Dylan reclamou pulando mais duas pedras e chegando na metade do caminho.

Ele estava confiante, e estava quase chegando na outra margem. Todos nós soltamos um suspiro de alívio, mas foi cedo demais.
Quando Dylan estava prestes a pular para a margem, uma pequena onda bateu em seus pés, fazendo-o se desequilibrar, escorregar e bater a cabeça.
- DYLAN! - Carter e gritaram juntos.
Todos estavam parados estaticamente observando a cena aterrorizados. O corpo de Dylan ia afundando cada vez mais rápido. Foi quando eu percebi que o que Carter dissera anteriormente era verdade: Ninguém mergulharia para dentro do rio para salvá-lo. Mas eu era ninguém? Eu ficaria parado ali vendo meu amigo morrer sem fazer nada?
Não, definitivamente eu não era desse tipo.

Sem mais delongas, tirei meu tênis já completamente encharcado e o joguei aos pés de que me olhou assustada, mas quando ela entendera o que eu ia fazer, já era tarde. Eu já tinha pulado para dentro do rio em direção ao corpo de Dylan.
Pude sentir a correnteza tentando me empurrar mais rapidamente para o fim, mas eu conseguiria. Precisava conseguir.
Cheguei até Dylan que estava inerte e se afogava. Puxei-o para a superfície, e tentei manter a cabeça dele alí. Foi quando ouvi gritar...
- CUIDADO, ! - Mas já era tarde demais, algo acertou minha cabeça, e tudo que me lembro foi sentir dor intensa antes de mergulhar na escuridão.

O que havia acontecido com Dylan? Ele estava bem?
"Calma, Carter. Você não podia ter feito nada quanto a isso..." Ouvi a voz doce porém, afetada de minha namorada ao longe falando com Carter. E só podia ser sobre Dylan... Então ele estava morto... Eu não consegui salvá-lo.

Senti a água do rio invadir meu corpo novamente, mas não era mais fria, era morna e calma, sem correnteza me puxando ou tentando me afundar.
- , ! - Ouvi gritar meu nome em algum lugar da escuridão. Então senti mãos frias e desesperadas baterem de leve nas laterais de meu rosto.
Abri meus olhos agora embaçados piscando algumas vezes para retomar o foco. A primeira coisa que vi foi o rosto angelical e preocupado de me encarando. Assim que percebeu que eu havia despertado, ela me abraçou com força soluçando alto.
- Aah , eu pensei que perderia você! - Ela choramingou perto de meu ouvido.
- O que houve? - Perguntei confuso. Não estávamos no acampamento, mas sim no pequeno lago da reserva perto de casa.
- Eu não sei... Eu estava falando com você, e de repente você parou de responder. Tinha o olhar vago e começou a falar sozinho... Foi então que você pulou para dentro do lago e começou a se afogar! - Ela estava realmente desesperada.
Eu fizera isso?

Aparentemente sim. Meus pais ficaram sabendo e desesperados por ajuda procuraram uma clínica de reabilitação psiquiátrica.
Kendrac ficava no meio de um vasto nada, e para quem achava que era são, assim como eu, esse era o lugar para se tornar completamente louco.
Os pacientes daquela clínica eram os sem cura nem tratamento, viviam presos naquela enorme casa com milhares de quartos brancos espalhados. Eu estava trancafiado em uma cela acolchoada para evitar qualquer tipo de dano que eu pudesse causar a mim mesmo.

Era sábado de manhã, dia de visitas na clínica. Eram poucos os pacientes que tinham esse privilégio. Na verdade, a maioria deles não tinha mais família, ou ela simplesmente os haviam abandonado ali para as traças.
Eu estava animado naquela manhã, meus pais e viriam me ver, e eu queria estar de boa aparência para minha namorada. Vesti meu uniforme limpo, e tentei arrumar o cabelo. Fiz o melhor que se pode fazer sem um espelho. Eu torcia para meu rosto não estar com péssima aparência para não assustá-los. As noites em Kendrac eram muito mais fáceis com a ajuda dos remédios calmantes e soníferos, eu dormia uma noite inteira sem sequer acordar para ir ao banheiro.

Nove horas, hora da visita.
A porta de minha cela foi aberta e eles entraram.
estava a frente com um enorme sorriso no rosto. Aquele sorriso que eu tanto amava.
Meus pais vieram logo atrás um pouco acanhados.

Passamos uma hora inteira conversando, até o limite de tempo da visita se esgotar. Meus pais se despediram primeiro, deixando por ultimo. Ela me deu um beijo carinhoso e logo se levantou caminhando em direção à saída. No mesmo instante a porta se abriu, e ela levara um susto. Um rapaz estava a minha porta com um olhar completamente desnorteado, ele encarava de certa forma que me deixou preocupado. Ela como sempre fazia sorriu se desculpando e pedindo licença, logo tentando sair. Sua passagem foi bloqueada pelo rapaz que a segurou pelo braço.

voltou o olhar para mim um pouco assustada, e o mesmo fez o homem a sua frente. Eu me levantei para tirar satisfações, mas quando senti seus olhos em mim, meu corpo simplesmente parou, não respondendo mais aos meus comandos. Ele segurava uma faca e um garfo, aqueles que todos nós pacientes usávamos para comer.
Eu o encarei perplexo, o que ele tentaria fazer?
Minha resposta veio rápido, o homem num movimento rápido derrubou , a fazendo arquejar, prensou-a contra o chão e passou a tentar cortá-la com o garfo e a faca.
Meu corpo continuava sem reagir aos meus comandos, eu tentava me impulsionar para impedir aquela coisa horrível acontecendo a minha frente, mas nada acontecia. O que me restou foi gritar em desespero, pedindo por ajuda.

Logo tudo estava acabado, estava completamente desfigurada. Seus rosto de anjo agora não tinha mais seus traços delicados, apenas aranhões e cortes profundos que iam desde o rosto até certa parte do pescoço. E seus olhos... Seus olhos verdes já não se encontravam nas órbitas. O globo ocular tinha sido arrancado a garfadas pelo homem. Agora estava morta, e mais um grito de horror surgiu em minha garganta.

- , , ACORDE! - Ouvi uma voz me chamar. Mas quem era?
- Ah meu Deus, vou chamar uma enfermeira ou um médico. Howard, venha comigo pelo amor do Senhor! - Ouvi a voz de minha mãe gritar.
- , acorde meu amor! - Agora eu reconhecia a voz... Era de . Me forcei a abrir os olhos, e me vi deitado em seus braços quentes e macios.
Tudo que pude fazer foi sorrir.
- Foi só uma alucinação, . Fique calmo. - Ela sussurrou me abraçando.

Então tudo voltou ao normal, depois da enfermeira me dar um remédio qualquer, eu estava pronto para a visita de verdade.
Eles ficaram mais meia hora comigo. Meus pais saíram do quarto e me deixaram com . Ela sorriu e selou nossos lábios em forma de despedida. Quando estava prestes a sair de minha cela acolchoada, um homem a deteve na porta, o mesmo homem que eu já tinha visto em algum lugar...
Em poucos segundos a cena de meu pesadelo se repetiu. O homem jogou no chão e passou a dilacerá-la.
- , me ajude! - Ela exclamou com pavor, me encarando.
- Está tudo bem, ... É só mais uma alucinação. - Sorri para ela me voltando para minha cama. Eu deitei e adormeci com os gritos de dor de ecoando em minha cabeça.

 

Comentários da autora

 Apesar de tudo, eu gosto dessa fanfic :B
Ela é nojenta e surreal, mas mesmo assim HAHAHAH
Faz muito tempo que escrevi ela, então relevem LOL



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