Surprises

Escrito por Danielle - Siga a autora no Twitter
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[Prólogo] [1] [2]

Afinal, aquilo que amamos sempre será parte de nós." - Harry Potter

White Day (Dia do Marshamallow): tradicionalmente em países orientais, é o dia em que os homens retribuem presenteando suas namoradas, depois de receberem, um mês antes, no Dia dos Namorados, chocolate como demonstração de afeto por parte delas. O presente deles por algum tempo resumiu-se a marshmallows e chocolate branco (daí o nome “White Day”/“Dia Branco”), mas hoje já engloba os mais variados objetos e artifícios.

Prólogo

Dia dos Namorados (12 de Junho de 2012)

e

abriu os olhos para uma manhã chuvosa. O barulho do vento contra a janela provocava um zumbido um tanto sinistro e ele podia ouvir também os galhos da árvore arranhando o vidro.
- ? – perguntou virando-se de lado na cama. Ele sabia que sua namorada havia passado a noite ali, as lembranças do jantar ainda eram vívidas em sua mente. Mas, embora quem fosse a dorminhoca da relação e sempre quem acordava por último, naquela manhã não a encontrou no seu espaço oficial do lado esquerdo do colchão de casal dele.
- Fique aí. Eu já estou voltando. – disse usando seu tom de voz mais empolgado.
- O que você está aprontando, hein? - o namorado da menina questionou recostando-se contra a cabeceira e imaginando o que a garota estaria planejando daquela vez.
- Você já vai saber.
era uma pessoa conhecia por sua impaciência. Ele simplesmente era ansioso e controlador demais para gostar de surpresas em que ele não estava por trás do preparo. E mesmo que fosse uma namorada incrível exatamente por não ser a pessoa mais criativa do mundo em inventar acontecimentos, além de ter várias outras qualidades boas e até necessárias ao convívio com , ele ainda via os segundos passarem dolorosamente devagar quando resolvia fazer uma coisa como aquela que estava acontecendo naquele momento. Depois de contar cinquenta e quatro gotas caindo dentro de algum vasilhame do lado de fora do prédio, acendeu a luz do quarto – um gesto um tanto desnecessário porque o dia, embora nublado, já lançava luminosidade suficiente no cômodo.
- Uau. – deixou sua boa despencar quando sua namorada apareceu de corpo inteiro na sua frente com um traje de animadora de torcida nada colegial.
- Lembra-se de como nós nos conhecemos? – ela perguntou jogando os cabelos pretos e compridos de lado.
- Eu era novato na sua escola, um verdadeiro nerd do tipo bom em xadrez e tudo mais. E você, a chefe das animadoras de torcida, estava deixando a equipe porque não suportava mais sacudir pompons. O que eu só descobri depois de passar meses me esforçando para entrar para o time de futebol e me aproximar de você.
- E você só conseguiu se apresentar mesmo a mim quando me viu chorando na arquibancada em pleno Dia dos Namorados. O desgraçado do Brian terminou comigo só porque eu havia largado a equipe na semana anterior e ele precisava bancar o gostosão que pega uma animadora.
- Aquele foi o meu melhor Dia dos Namorados em 16 anos de vida... – refletiu com um sorriso. – Nosso primeiro beijo.
- Foi o primeiro Dia dos Namorados que eu ganhei um presente.
- Eu te dei uma caixa de trufas de chocolate com morango. Eu havia visto no seu Facebook que você adorava chocolate e morango.
- E aqui estamos nós, oito anos depois, comemorando nosso aniversário de oito anos de primeiro beijo e o oitavo Dia dos Namorados juntos. – disse apanhando uma pequena caixa na cômoda e indo até a cama para sentar-se de frente para . – Eu tive um trabalhão pra descobrir onde você comprou isso na ocasião, mas consegui encontrar a padaria no seu antigo bairro em que ainda fazem as trufas por encomenda. Eu quero retribuir, .
- Você retribuiu me dando o melhor Dia dos Namorados pelos últimos anos da minha vida, . – o rapaz pegou a caixa das mãos de sua namorada e inclinou-se para beijá-la.
- Eu te amo. – sussurrou pouco antes dos lábios dos dois se tocarem.  

e

Ser namorada de um rockstar não é nada fácil – sabe muito bem disso. O Dia dos Namorados terminaria dali a trinta minutos e ela ainda estava tentando entender o mapa que o cara do último posto de gasolina havia lhe emprestado – empréstimo esse possível por causa de um pequeno incentivo de cem libras que ela havia lhe dado.
Só em pensar que seus planos para aquele dia era estar trancada em uma suíte de hotel na capital francesa e tomando vinho, enquanto cantava em seu ouvido e os dois se beijavam, tinha vontade de explodir. Quando o empresário informou cada membro da banda que eles fariam uma apresentação em pleno Dia dos Namorados em Londres e aquela seria uma oportunidade boa demais para promover o grupo em solo europeu, todos vibraram com o convite tão ilustre. Menos , é claro; e, com certeza, menos a sua namorada que adorava comemorar qualquer data que surgisse no calendário – Natal, aniversários, Páscoa...! Nada passava despercebido por . E, na tentativa de não deixar suas tradições pessoais falharem, a moça havia pegado um avião para a Inglaterra, alugado um carro numa locadora que encontrara ao pesquisar pela internet, e agora tentava desesperadamente achar seu namorado. Se pelo menos o Big Bang estivesse indicando alguns minutos a mais... Se o Dia dos Namorados não tivesse sido tão curto, ou se o voo não tivesse atrasado, ou se ela tivesse pensando em pegar um táxi em vez de alugar um caro...!
- , não diga ao que está falando comigo. Onde é que vocês estão? – disse assim que o melhor amigo de seu namorado atendeu ao telefone, sem preocupar-se em cumprimentá-lo ou com qualquer saudação.
- Oi, tudo bem comigo sim, e com você? – ele respondeu provocando.
- Não estou brincando, garoto. Preciso saber onde vocês estão, e preciso da informação tipo assim, pra ontem.
- Estamos no camarim quase prontos pra subir ao palco, garota. E por que não posso falar que estou falando com você? – sussurrou do outro lado da linha.
- Porque eu quero fazer uma surpresa pro . Eu estou em Londres.
- O quê?
- Olha, eu estou perto da ponte, no centro, eu acho. Me diga como chegar aí rápido.
- Tá, vou tentar... - o rapaz falou depois de uma risada e deu as instruções para a garota.

Cinco minutos. Dentro de cinco minutos o Dia dos Namorados teria oficialmente terminado e não havia dado sequer um beijo em ainda. Dentro de cinco minutos a banda dele já estaria sobre o palco – só não estava ainda porque havia convencido a inventar uma dor de barriga para atrasar as coisas, e sua melhor amiga, Phoebe, teria de perdoá-la por ter prometido que poderia sair com ela de novo, mas era uma emergência, afinal. Felizmente, já estava correndo como uma louca pelo estacionamento do local a céu aberto onde a banda de seu namorado tocaria aquela noite. E as horas de voo até ali e as outras horas enfrentando o trânsito britânico e tentando desvendar as ruas de Londres compensaram quando ela colocou os olhos em , de costas para a porta e de braços cruzados – tão tenso quanto ela há poucos minutos atrás, antes da adrenalina ocupar todo o espaço disponível em seu corpo.
- ! – gritou quando estava a poucos metros de distância dele.
- ?! – ele perguntou virando-se para ela e estreitando as vistas como se estivesse tentando enxergar melhor.
- Meu anjo! – a garota disse pulando no pescoço dele e dando-lhe um abraço esmagador.
- Como... como...
- Como eu vim parar aqui?
- É!
- Eu precisava te entregar seu presente do Dia dos Namorados. – ela respondeu ainda um pouco ofegante e tirando um embrulho azul de dentro da bolsa.
nem precisava olhar para saber que eram seus bombons preferidos, de chocolate branco com brigadeiro, feitos pela sua avó que morava em Chicago.
- Você foi até Chicago para conseguir isso de novo?
- Eles estragariam se viessem sozinhos por alguma empresa de entrega. – deu de ombros.
- Eu amo você, minha baixinha. – disse puxando sua namorada para outro abraço apertado.
- , o finalmente saiu do banheiro. Vamos que o show já está super atrasado. – o produtor da banda chamou com uma expressão de poucos amigos e indicando isso pelo seu tom de voz também.
- Eu preciso ir... – o rapaz disse à soltando-a.
- Ei, espera. – ela puxou-lhe pelo braço enquanto ele ainda dava-lhe as costas. – Arrebenta, ok? – disse e beijou seu namorado deixando transbordar toda a saudade que sentia.

e

Namorar um rapaz de apenas 20 anos quando você já tem 31 pode ser muito difícil. Mesmo que você aparente ter 25 anos e ele também, mesmo que a sociedade já esteja moderna o bastante para que seu relacionamento seja visto como algo normal, só você e ele sabem os problemas que essa diferença de idade pode representar. não se lembrava mais de quantas noites de sexta-feira passara vendo um filme ou lendo um livro porque estava “atolado de trabalhos e provas da faculdade”. Ela sabia que aquilo era necessário, ela entendia porque não havia tanto tempo assim estava vivendo a mesma situação. Mas, parte de sua mente ainda lhe dizia vez ou outra que ela era louca por estar revivendo aqueles momentos, que ela tinha parafusos a menos por estar com . No entanto, ali estava ela, suja de doce até os cotovelos, se jogando como uma adolescente de 18 anos no que estava preparando para o seu namorado dez anos e oito meses mais jovem.
havia tirado a terça-feira de folga, pegado alguns utensílios na cozinha de seu restaurante, e levantado cedo para colocar em prática as ideias malucas que tivera na semana anterior de uma receita de bombons – tudo para fazer para um presente que ela sabia que lhe agradaria mais do que qualquer outra coisa. De certa forma, tinha certeza de que conquistara pelo estômago.
- Amor, o almoço vai ter que ser super rápido hoje. Tenho prova de Patologia às uma da tarde. – disse enquanto tirava seu casaco. , que estava na cozinha de sua casa terminando de decorar os doces só escutou a frase até a palavra almoço.
- O que... – ela começou a perguntar tirando o avental quando surgiu na soleira da porta.
- Que cheiro fantástico é esse? – ele perguntou fechando os olhos e inspirando o aroma. – Nozes, chocolate meio amargo...
- Feliz Dia dos Namorados. – interrompeu-lhe com um beijo rápido e colocou diante de um bombom. A resposta dele foi um sorriso e iniciar outro beijo.

Capítulo Um

Um mês depois (12 de Julho de 2012) [Manhã]

e

Parecia que tudo havia decidido dar errado no último mês. As coisas não estavam como havia planejado em sua empresa – o rapaz era o herdeiro e diretor de uma linha de hotéis localizados nos melhores lugares do mundo -, embora ele estivesse trabalhando mais de oito horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados. E aquela decisão de aumentar sua carga horária para fazer os investimentos darem certo pelo visto não havia sido mesmo muito boa – não estava nem um pouco satisfeita com aquilo. Depois de sair de uma reunião longa e muito estressante, decidiu tirar o resto do dia de folga e incluir sua namorada em seus planos.
- Oi, meu amor. Onde você está? – ele perguntou quando a moça atendeu o telefone no terceiro toque.
- Chegando em casa do estágio. Tenho prova amanhã à noite e vou estudar agora. Por quê? – questionou com o tom de voz sério demais, e sabia que ela ainda não estava muito feliz com ele.
- Eu queria te raptar hoje.
- Ué, pensei que você fosse trabalhar o dia inteiro de novo, então já fiz meus planos.
- Você ainda está chateada sobre o que eu disse ontem à noite sobre ter que preservar o patrimônio da minha família?
- Olha, , - disse e suspirou alto – eu te entendo, você só quer honrar o que seus avós lutaram pra conquistar e o seu pai lutou para manter e desenvolver. Mas, honestamente, eu não sei se estou preparada para ser o segundo plano na sua vida. Acho isso desigual e injusto demais comigo mesma, porque eu não coloco nada acima de você.
- Eu não coloco o meu trabalho acima de você. – disse um tanto ofendido.
- Desculpe, mas eu preciso de mais do que palavras para acreditar nisso. – ela respondeu simplesmente. – Eu marquei de almoçar com as minhas amigas porque vamos estudar depois de comer. Preciso desligar.
- Certo. Bons estudos. – o rapaz falou refletindo sobre as palavras de .
O plano ainda não era muito claro em sua mente, mas ele precisava desenvolvê-lo o mais rápido possível para que aqueles pensamentos não durassem muito na mente de sua namorada. E já sabia por onde começar.

e

levantou-se de manhã e procurou por em todos os cômodos de seu apartamento, mas não o encontrou. Então, ela apanhou seu celular e acendeu a tela – uma mensagem de texto de seu namorado havia sido recebida. Dizia:
Bom dia, minha linda. Fui à casa de , por isso você não me encontrou quando acordou. Os guys querem jogar bola contra uns amigos hoje à tarde, então eu só devo passar por aí depois da sua aula hoje à noite. Qualquer coisa, me liga, tá? Beijos.
A garota leu e releu a mensagem várias vezes, mas não conseguia acreditar ainda no que dizia. havia voltado de turnê no dia anterior – os dois se viram duas vezes desde que ela o encontrara em Londres, no mês anterior, no Dia dos Namorados. E, mesmo depois de passar tanto tempo na companhia dos amigos, seu namorado ainda não podia reservar um dia inteiro para os dois passarem juntos, sem interferência de mais ninguém além deles mesmos. Porque ele não sabia dizer não para seus amigos.
- Oi, amor. – atendeu com um sorriso na voz no primeiro toque. teria amolecido se não estivesse com tanta raiva da atitude dele.
- Você enjoa de mim fácil, mas do e do resto do grupinho não, né? – ela perguntou com sete pedras em cada mão.
- Como é?
- , você chegou de viagem ontem e não tirou o dia hoje pra ficar comigo? Será que a sua namorada não pode ter algumas horas suas exclusivamente para ela?
- Mas eu pensei que você tivesse outras coisas pra fazer hoje...
- Você me perguntou se eu tinha?
- Não. – ele respondeu depois de suspirar alto.
- Pois é, eu não tinha. Mas agora você vai passar seu dia todo com seus amiguinhos. Só vou deixar claro uma coisa: eu estou cansada de largar tudo aqui e correr para o outro lado do oceano para te dar um beijo no Dia dos Namorados e não te ver fazendo nem um milésimo disso de esforço ou se dedicar nem um pouco a mim. Uma hora, , as pessoas cansam de correr atrás das outras. E a minha paciência nunca foi muito comprida. Bom futebol pra você. – disse tudo com a raiva pulsando dentro de suas artérias. Segundos depois de ter desligado o telefone, no entanto, ela já estava derramando lágrimas. Ela havia lido em algum lugar que, em um relacionamento, uma das pessoas sempre ama mais que a outra. Por que, em seu namoro, essa pessoa tinha que ser ela?

e

O dia de estava lotado. Ela serviria um almoço para mais de oitenta pessoas – seu restaurante havia sido fechado para atender apenas a uma refeição oferecida a executivos. E era a responsável por coordenar a equipe de cozinheiros que prepararia a comida para o evento. No entanto, aquele era exatamente o dia em que ela levantara com a mente a mil. Porque estava tendo enjoos há alguns dias, porque ela quase desmaiara na noite anterior, porque sua menstruação estava atrasada, e porque há quase dois meses ela havia trocado seu anticoncepcional e cometido alguns “deslizes” com . Portanto, quando chegou em seu local de trabalho às oito horas da manhã, a única coisa que queria era correr de volta para sua casa.
- Eu preciso que você reorganize as mesas da área... – dizia, mas foi interrompida por Jane, uma de suas funcionárias, que vinha lhe dizer que estava ao telefone insistindo para falar com ela.
- Diga ao que eu não posso atender agora, Jane.
- Eu já disse isso várias vezes, , mas ele insiste em falar com você.
já havia ignorado todas as ligações de desde a noite anterior, quando sua melhor amiga, Kate, lançou-lhe a ideia de uma gravidez. Por que ela estava se comportando como uma adolescente de 15 anos fazendo aquilo? Porque era a primeira vez em sua vida que se sentia mesmo como uma garota de 15 anos – completamente insegura e com a sensação de que estava deslocada no mundo, perdida em sua própria vida.
- Alô. – ela pegou o telefone da mão de Jane e disse a palavra mais rispidamente do que planejava.
- , pelo amor de Deus, eu estou te ligando desde ontem à noite, mas seu telefone só dá Caixa Postal! Fiquei preocupado! – disse apavorado e aliviado, ao mesmo tempo.
- Notícias ruins vão longe, . Se algo tivesse me acontecido, você já saberia a essa altura. – ela revirou os olhos.
- Mas por que seu celular pessoal está desligado?
- Porque deve ter descarregado, sei lá. – respondeu e suspirou. - Olha, eu estou muito ocupada agora. Tenho aquele almoço pra servir daqui duas horas e ainda falta muita coisa pra fazer por aqui. Eu te vejo hoje à noite, ok?
- Tudo bem, então. – respondeu triste do outro lado da linha, deixando sentindo-se a pior pessoa do mundo.

Capítulo Dois

(12 de Julho de 2012) [Tarde/Noite]

e

- Onde nós estamos indo, ? – perguntou alguns minutos depois de seu namorado ter vendado seus olhos.
- Você vai passar as próximas oito horas sem saber onde estamos indo, . Eu sugiro que você durma ou se distraia com alguma outra coisa. Eu não vou dizer nada até que você veja do que se trata.
- , eu tenho uma prova amanhã, sabia? E o que é tão longe ou tão demorado assim que eu vou ter que passar o dia inteiro vendada?! – a garota questionou nervosa com a ideia de ficar tanto tempo sem enxergar ou saber o que está acontecendo. – Quando você disse mais cedo sobre me raptar eu não imaginei que estava falando tão sério.
- , você confia em mim?
- Não sei. – ela respondeu e riu.
- Bom, sinto muito então. – ele disse e também gargalhou em resposta.
O tempo pareceu se arrastar para , portanto, ele poderia imaginar como o dia estava sendo agonizante para sua namorada. No entanto, não reclamou mais depois da primeira hora, mas limitou-se a tentar adivinhar para onde eles estavam indo a cada vez que mudavam de atmosfera ou que alguém dizia alguma coisa por perto.
Felizmente, às onze horas da noite, como havia planejado, os dois chegaram ao local de destino e o rapaz pôde acordar . Depois de alguns passos e de aguardarem no elevador até alcançarem o topo do “edifício”, posicionou-se atrás de sua namorada e libertou suas vistas. Ela esfregou os olhos com as mãos e, então, os abriu para a Paris iluminada ao redor.
- Me belisca. – disse seriamente.
- Não vou fazer isso, . – cruzou os braços e fechou a cara.
- Isso só pode ser um sonho, . Você não fechou a Torre Eiffel para mim. Você não me trouxe à Paris simplesmente numa quinta-feira e sem nenhuma data especial à vista. Isso não pode estar acontecendo. Não tem como isso acontecer, sabe? – a garota murmurou debilmente completamente chocada.
- Na verdade, existem dois motivos para que hoje seja sim um dia comemorativo. Primeiro, hoje é o White Day, o dia em que eu, o namorado desnaturado que não lhe deu sequer uma bala no Dia dos Namorados tem sua chance de se redimir e devolver o presente. E, se você aceitá-lo, haverá mais uma razão para que o dia 12 de Julho seja especial. – disse olhando nos olhos de que, se pudessem ser traduzidos naquela hora, representariam uma interrogação. Então, o rapaz colocou-se de joelhos e tirou a caixinha preta de dentro do bolso. Ele a abriu delicadamente e expôs o lindo anel dourado com uma pedra inteira e consideravelmente grande de brilhante em seu centro. – Quer se casar comigo, ?
- Er... – murmurou e respirou fundo antes de responder: - Oui. – ela disse, por fim, com os olhos cheios de lágrimas, e beijou , ainda sem acreditar que tudo aquilo estava de fato acontecendo.

e

O dia de havia sido péssimo. Ela passou a tarde inteira estudando Direito Penal – uma matéria que já sabia de cor e salteado -, fez suas unhas e as de sua melhor amiga, Phoebe, e ainda arrumou todo o seu guarda-roupas em ordem de cor e apego pela peça e/ou objeto. Embora ela estivesse decidida a não atender ao telefone caso ligasse, ficou agarrada ao seu celular o dia inteiro, esperando pelo momento em que ele telefonasse pedindo-lhe desculpas ou enchendo-a de mimos. Mas não mandou nenhuma mensagem, não deu nenhum sinal de vida ou de arrependimento.
- Porta desgraçada que vive emperrando! – a garota xingou no corredor de seu andar no prédio enquanto forçava a maçaneta da porta para adentrar o local. Ela havia acabado de chegar da faculdade, depois de cinco aulas monótonas e cansativas.
- Não é força, , é jeito. – disse do lado de dentro liberando a passagem para ela.
- O que está fazendo aqui? – perguntou passando por ele e ignorando completamente quando o rapaz inclinou-se para beijá-la.
- Eu quero te mostrar uma coisa. – ele respondeu pegando a garota pela mão e puxando-a para o quarto.
- Eu já conheço todas as pintas que você tem no bumbum, . E eu ainda não estou boa... – interrompeu-se quando, ao entrar em seu quarto, viu que o local estava iluminado por velas e a cama cheia de pétalas de rosas cor-de-rosa, as preferidas da moça.
- Você adora datas comemorativas, mas deixou essa passar. Hoje faz exatamente um mês desde o Dia dos Namorados. Sabe o que isso significa?
- Sinceramente, não.
- Feliz White Day, amor. Eu queria, de certa forma, que você estivesse longe hoje para que eu tivesse o trabalho de levar para você essa caixa de marshmallows. Assim, você veria que eu estou disposto a fazer por você tudo o que você faz por mim há tanto tempo. Mas como eu tenho a sorte de só precisar dirigir por 15 minutos para chegar até você... – deu de ombros. – Bom, obrigado. – ele estendeu a caixa rosa cheia de marshmallows para a sua namorada.
- Tudo bem. Eu te perdoo. – ela disse e puxou-lhe para um abraço. – Você sabe que vai ter que repetir isso todo ano agora, né? Tipo, tradição é tradição. – completou no ouvido de .
- No ano que vem eu planejo um acampamento para assarmos os marshmallows.
- Você sabe que eu adoro barracas, né? – ela piscou para ele maliciosamente.
- Bom, eu conheço uma coisa que pode ser feita em camas e em barracas... – ele devolveu a piscada e pegou no colo, ao passo que a beijava animadamente.

e

Tudo que queria era tomar um banho demorado e depois ligar para e implorar que ele fosse o mais rápido possível a casa dela, porque ela precisava concertar as coisas entre eles. Não era porque ela não se sentia segura, preparada ou o que quer que fosse para o que pensava que estava acontecendo em sua vida naquele momento que seu namorado que nem fazia ideia de nada daquilo precisava receber patadas, um gelo ou aguentar grosserias. Como se tivesse adivinhado que ela estava pensando nele, o celular de vibrou dentro de seu bolso indicando uma ligação de .
- Oi, . – ela atendeu depois de respirar fundo.
- Oi, . Já está indo pra casa? – o tom de voz dele não estava nada normal, e isso preocupou mais ainda.
- Estou sim. Você vai até lá hoje? – perguntou cautelosa.
- Eu queria que você passasse aqui no meu apartamento o mais rápido possível, na verdade. Nós precisamos conversar sobre hoje mais cedo. – o modo de conversar do rapaz foi tão gélido e distante que precisou engolir o choro. Será que o estrago que ela havia feito fora tão grande e irreparável assim? Será que havia tirado o dia para se concentrar nos contras de namorá-la, uma vez que pensar nos prós depois de tanta estupidez por parte dela ficaria mesmo difícil?
- É, eu sei. Eu sei que te tratei mal, mas...
- Acho melhor nós conversamos pessoalmente. – a interrompeu no meio de sua frase colocando um ponto final à conversa.
- Certo.
dirigiu lentamente até o apartamento de , localizado perto da Universidade da California, onde ele estudava. Cumprimentou o porteiro que a conhecia bem e subiu até o sétimo andar. Seu namorado a cumprimentou sem sorrir e sugeriu que ela entrasse – uma formalidade que não existira entre eles nem no início do relacionamento, há quase um ano.
- , me desculpe. Eu sei que fui estúpida com você hoje, mas você nem imagina a quantidade de coisas que tem na minha cabeça agora. – começou a dizer lutando contra as lágrimas.
- Vem cá. – pegou-lhe pela mão e a conduziu até o quarto ao lado do seu, desabitado há meses, quando seu colega de faculdade decidiu trancar a matrícula por tempo indeterminado e ele preferiu não substituir o aposento por ninguém mais.
O rapaz abriu a porta do quarto, e então encarou o berço à sua frente com um urso de pelúcia dentro. tirou de dentro do bolso de sua calça um pé de meia de bebê e entregou-o a . Ela sorriu e soluçou, ao mesmo tempo.
- A Kate me disse que você está suspeitando, mas ainda não tem certeza. Mas eu quero através disso te mostrar que eu não vou te deixar sozinha em nada só por causa da minha idade, . Você é tudo o que eu quero, e um bebê nosso só aumentaria a minha certeza disso. Eu estava preparando uma coisa mais a dois hoje para retribuir o monte de chocolate que você me deu no Dia dos Namorados, afinal de contas, hoje é a minha chance de fazer isso de acordo com o White Day que você me apresentou no ano passado... Mas veja só: quem acabou presenteado novamente fui eu. Ter um filho com você é a melhor coisa que pode me acontecer.
- ... Eu não sei o que dizer. Eu, sei lá, estou com medo.
abraçou sua namorada forte e murmurou:
- Shiu, eu estou aqui.
E soube naquele instante que só isso já lhe bastava.

 

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