Starbucks Coffee Company

Escrito por Dana Rocha - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Hels



- Manda um Espresso, Mac! - Pedi ao carinha que preparava os cafés. Tinha que correr com os pedidos naquele dia porque a loja estava cheia.
Quer dizer, cheia estava sempre, afinal era a Starbucks e não a padaria da esquina que vendia aquele café meia boca, mas naquele dia em especial eu quase não conseguia me mover dentro do estabelcimento.
- Saindo! - Mac colocou o pedido na minha bandeja e eu fui entregá- lo ao meu cliente, que agradeceu ao mesmo tempo em que outra das minhas mesas fora preenchida por dois caras. Fui atendê- los, sem prestar atenção em quem eles eram.
- Bom dia . - Um deles sorriu pra mim, aquele sorriso lindo que não tive como não retribuir.
- Dia, . - Desfiz o sorriso para cumprimentar o outro cara, me limitando a usar um sorriso falso. - .
- Hmm. - Ele devolveu, sem nem desviar os olhos do livro que estava lendo. Grosso.
- O que trago hoje pra vocês? - Me dirigi à novamente, sem precisar fingir a simpatia. Eu o adorava.
É claro que o fato de ele tocar numa banda, ser incrivelmente lindo e sarado e ter olhos maravilhosos contava bastante, mas a simpatia e a fofura dele ganhavam de tudo. Podia dizer que era o meu Mr. Right, mas (minha melhor amiga) dizia que misturar negócios com prazer não era saudável.
Se bem que Burger King também não era, mas eu não deixava de comer lá.
- O de sempre pra mim. - Ele devolveu com aquele sorriso lindo.
- Quero um Iced Caffè Mocha. - se pronunciou. Infelizmente, tinha que assumir que o cara tinha bom gosto e o seu café preferido era o mesmo que o meu.
também tocava em uma banda. Ele também tinha olhos, cabelos e corpo maravilhosos, mas era arrogante e idiota demais para despertar a minha simpatia. Ou o meu interesse.
- Ok então um Latte e um Mocha. Vão comer alguma coisa?
- Hoje não, estamos com pressa. Nem vou poder conversar com você. - fez bico. Normalmente os dois vinham todas as manhãs e eu ficava uma meia hora conversando com , enquanto lia algum livro e rolava os olhos, rindo ironicamente das nossas conversas.
- Acho que ela não teria tempo pra isso mesmo, , olha como isso daqui tá cheio. Ela acabaria perdendo o emprego. - e seus irônicos comentários inoportunos.
- Obrigada por se importar, . - Sorri com sarcasmo para ele, que deu de ombros.
- Não há de que. - Imbecil.
- Vou pegar seus pedidos. - Pedi licença, indo para o bar.
Como dissera, eles pareciam mesmo estar com pressa e saíram de lá tão rápido que eu achei que eles estivessem fugindo de alguém.
Conversar com me fez falta pelo resto do dia.
Quando meu turno acabou, troquei de roupa rapidamente, pedi um Mocha para mim e o tomei rapidamente, me preparando para ir para casa.
Meu nobre apartamento que dividia com ficava a cerca de 4 quarteirões do meu trabalho, então podia ir a pé até lá.
Estava um lixo.
Fui me arrastando até lá e assim que cheguei me joguei no sofá, sem nem lembrar de conferir se Gaby estava em casa ou não.
Fiquei olhando para o teto, pensando no sorriso de e ouvindo de longe aquela voz gostosa, até conseguir fechar os olhos e pegar no sono.
Acordei cerca de dez segundos depois, quando o rosto de bebê de deu lugar ao rosto de uma outra pessoa, que eu preferia esquecer que existia. Os grandes olhos de olhavam profundamente para mim, seu cheiro, sempre de quem acabara de tomar banho, que lembrava algo como o frescor do verão e um bom perfume, me golpeou sem dó nem piedade e eu pulei assustada, ficando sentada no sofá.
- , tá tudo bem? - ligava a luz da sala, me olhando assustada. Acabara de chegar, ao julgar que a porta para o corredor estava aberta e ela ainda segurava a sua bolsa.
- Foi só um sonho. - Respondi atordoada, me acostumando com a claridade.
- Bom ou ruim? - Perguntou distraída, trancando a porta.
- Ruim. - Pensei de novo. Eu podia não gostar de , mas ele não era (nem de longe) feio nem nada. - Eu acho.
- Ai , volta a dormir, vai. - riu. - Na sua cama, de preferência.
- Tá bom mãe, estou indo. - Fui, novamente, me arrastando até a minha cama e dessa vez dormi até o dia seguinte.

- que bom que chegou! - Meu chefe veio para cima de mim assim que cheguei. Ih, aí tem coisa.
- Bom dia. - Sorri sem graça.
- Tenho notícias pra todos os partners.No final do dia falo pra vocês. - Ótimo, ele aguçava minha curiosidade pra não dizer mais nada. Coisa linda.
Ah, caso tenham duvidas, partner é como nós - funcionários da loja - somos chamados.
Resignada, coloquei meu uniforme e fui atender os meus clientes, esperando que um em especial chegasse logo.
Assim que eles entraram na loja, uma quantidade consideravel de olhares femininos se viraram para eles, como sempre. Eu não ligava mais para isso, embora já tenha me irritado bastante. Ficava estressada somente quando umazinha atrevida resolvia ir falar com eles (lê- se com ), mas, por sorte, isso não acontecia com frequência.
Os dois sorriam enquanto caminhavam para a mesa de sempre e devo admitir que o sorriso de era bastante atraente, quando verdadeiro.
Os dois olharam para mim e, enquanto sorriu, mostrando seus dentes e olhos brilhantes, fechou sua risada em um sorriso cínico, levantando a sobrancelha para mim.
Fui até eles, pegando um bloquinho no meu avental. Não que fosse necessário, sabia de cor os seus pedidos.
- .- cumprimentou, simpático como sempre. Devolvi, sem disposição para cumprimentar e ser ignorada, então eu mesma o ignorei.
- Bom dia, . - Tá, aquilo veio mesmo de onde eu penso que veio? realmente me cumprimentou? Ah não, o mundo não podia estar acabando! Não antes de eu me tornar rica e famosa!
- Bo... Bom dia. - Devolvi, meio desorientada. Ele riu cínico.
- Hey , o que vai fazer amanhã à noite? - perguntou daquele jeito descontraído dele. Senti meu coração pular.
- E... Eu? Nada. - Dormir assim que eu chegar e acordar só ao meio dia de sábado não conta, certo?
- Hmm, na verdade vai fazer algo sim. - Ele continuou.
- Calma, a garota vai passar mal. - riu. - Melhor explicar pra ela.
- Vai participar do evento de lançamento de uma música que fez com .
- Eu vou? - Quase não conseguia respirar. Mal ligava para a expressão de divertimento de . Só conseguia pensar em mim numa festa com . Convidada por ele mesmo.
- Vai! - Ele sorriu.
- É, só explicando algo que o meu amigo aqui esqueceu de dizer... - se intrometeu na conversa, me fazendo ter vontade de acertá-lo com uma marreta. - Você vai sim. Assim como todos os seus partners.
Tá, agora não entendi.
- Como?
- Nós somos tipo totalmente viciados no café da Starbucks, você sabe, certo? - tomou a dianteira, parecendo irritado com a intromissão do amigo.
- Certo. - Sorri.
- Então, quando tivemos que escolher quais seriam os comes e bebes da festa, Starbucks veio direto na minha cabeça. Aí foi só fazer algumas ligações e pronto: tinha todos os funcionários dessa loja reservados para amanhã à noite. - rolou os olhos, enquanto conservava seu grande sorriso fofo.
- E é assim que você vai à nossa festa.
- Mas é claro... - cortou . - Que você, por ser nossa amiga especial, vai ter privilégios. Fiz questão de pedir que o seu chefe te liberasse depois da metade da festa para curtir com a gente.
- Isso é... - Tentava pensar em algo que não soasse muito estranho, mas não podia deixar de imaginar a cara dos meus colegas quando descobrissem que eu teria atenção especial. De certo começariam a cochichar por aí que eu dormia com o .
Eu não me importaria com isso, se ao menos fosse verdade.
- Você só tem que dizer obrigada. - O forçou uma voz feminina. Eu riria, se não tivesse saído da boca dele.
- Obrigada, . - Frizei bem essa última parte. Ele sorriu para mim enquanto abriu um meio sorriso escondido atrás de seu livro e balançou a cabeça negativamente.
- Não há de que, .
- Vão querer o mesmo de sempre?
- Ahan. - respondeu. concordou em silêncio e eu fui até o bar balançando a cabeça, mas sem conseguir conter o nervosismo. Mesmo que fosse à trabalho, aquela seria a primeira vez que encontraria fora da loja.
Precisava ficar irresistível e sabia quem podia me ajudar.

Fiquei inquieta até o fim do dia.
Nas quintas-feiras o meu expediente terminava somente às nove e meia da noite, me deixando ainda mais ansiosa. Tudo o que eu queria era voltar para casa e contar tudo para . Já fazia algum tempo que não parávamos para conversar, tinha saudades da minha amiga.
Já eram nove e quinze e eu encarava nervosa o relógio, como se isso pudesse fazer com que o tempo passasse mais rápido. Estava de costas para a porta, tomando conta do bar.
Ouvi alguém se sentar em um dos banquinhos atrás de mim e senti um perfume conhecido. Não era o de , era um que lembrava o verão e tudo o mais. Devia estar louca pra pensar no àquela hora.
- Hmhmm. - Alguém pigarreou. Só podia ser brincadeira.
- . - Me virei para ele. estava deplorável: Tinha a roupa toda amassada, olhos fundos e o cabelo extremamente bagunçado.
Ou ele acabara de transar ou acabara de sair de uma briga de bar por aí.
Seja lá o que fosse, não parecia nada bom.
- Tá tudo bem?- Perguntei um pouco preocupada. Ele sorriu amargurado.
- Essa por acaso é uma das lojas da Starbucks que vende cerveja, né?
- É sim. - Rolei os olhos. - Mas temos seguranças do lado de fora, caso você resolva exagerar na bebida e fazer alguma loucura.
- A única loucura que eu poderia fazer nesse momento seria passar para o outro lado desse balcão e te beijar.
- Que? - Engasguei. AimeuDeus, ele já estava bêbado. Só podia.
- Cadê a cerveja?
- Ca... Calma. - Peguei uma garrafa gelada sob o balcão e despejei o líquido amarelo de dentro dela em um copo, deixando a garrafa em cima da bancada mesmo. Quando empurrei o copo para perto de , ele colocou sua mão por cima da minha, olhando de lá para os meus olhos.
Eu estava assustada. Meu coração batia rápido e minha respiração estava da mesma forma. Queria fugir dali para o lugar mais longinquo possível. Fiz o mesmo caminho que ele, das nossas mãos para seus olhos, me arrependendo completamente depois.
Olhar para aquelas grandes órbitas era quase como declarar suicídio.
- Com licença. - Pedi, tirando a minha mão de baixo da dele. sorriu mórbido, antes de beber o conteúdo do copo de uma vez só. - Acho melhor você maneirar. - Sugeri, me certificando de manter uma distância saudável.
- Eu vou pagar, posso beber o quanto quiser. - Grosso como sempre.
- Ok, foda- se então. - Ele estendeu o copo para mim e eu o enchi até a borda. riu.
- Eu adoro isso em você, sabe? - Ele olhava para o copo em sua mão, mexendo a bebida lá dentro. Como não respondi, continuou. - Você me odeia.
Achei melhor continuar sem responder porque a resposta óbvia ia ser que sim e não parecia precisar de palavras negativas naquele momento.
- Não vai dizer nada?
- Quer a verdade?
- Quero. - Ele riu.
- Odeio. - Disse, mas não consegui sentir sinceridade naquilo.
- Sei. - Bebeu a metade do líquido no copo, ainda com aquele sorriso amargo.
- Aconteceu alguma coisa?
- Por que quer saber? Você me odeia. - Rolei os olhos. Parecia criança.
- Porque eu posso tentar ajudar, se você me disser o que houve.
- Eu gosto de uma garota. - Ele ainda não olhava para mim e, não sei porque, senti algo se embrulhar no meu estômago quando ele disse aquilo.
- E qual é o problema nisso? - Sem que eu percebesse o que estava fazendo, fui me sentar no banco ao lado de . - Ela não gosta de você? - Ele riu, virando-se para me encarar de frente.
- Ela me odeia. - Senti meu corpo fraquejar e só não me desequilibrei no assento porque segurei firme no balcão, com a mão de sobre a minha novamente. Ele me olhava profundamente.
Qual era a chance de ele estar falando de mim?
Vou dizer, antes de tudo o que aconteceu nesses minutos, diria que uma em um milhão, mas os olhos dele encarando os meus tornava difícil de crer que fosse outra garota.
Como ele podia gostar de mim? Nós mal nos falavamos.
- Odeia? - pigarreei. - Meio impossível. Você tem uma banda e tudo o mais, garotas gostam do cara da banda. Difícil de achar que ela te odeie... - Fui falando tudo muito rápido, pretendendo me levantar e voltar para trás do balcão, de onde não deveria ter saído. Mas claro que o tinha que segurar meu braço, levantando-se junto comigo.
- . - Ele me chamou com uma voz profunda, me fazendo encará- lo. Seus olhos brilhavam, pedindo misericórdia. - Não foge de mim.
- , eu... - Eu não consegui terminar a minha frase. Não com a boca de silenciando a minha, num beijo razoavelmente calmo. Não o afastei. Não queria que ele ficasse ainda pior.
Seus movimentos eram um tanto lentos, prejudicados pela bebida. Não que fosse ruim ou parado, longe disso, era delicioso, mas não parecia certo.
E foi no meio desse pensamento que o rosto de surgiu em minha cabeça, me obrigando a empurrar com o máximo de força que consegui.
Ele me encarou, desnorteado e tonto. Achei que ele fosse cair.
Ele já chegara aqui bêbado, comecei a me arrepender de ter concordado em lhe dar mais álcool.
- Eu sinto muito. - Disse baixinho, praticamente só movendo os lábios. Ele ainda me encarava sem dizer nada, com uma expressão totalmente machucada. - Eu não posso.
- Claro. - Ele sorriu sem humor. - .
Tentei não demonstrar a surpresa que senti quando ele disse aquilo. Meu interesse por seu amigo estava tão óbvio assim?
- , não dá, ok? - Dizia tudo devagar e com calma, como se tentasse consolar uma criança. - Eu... Eu gosto do . Demais.
- Eu já sabia. Mas não custava nada tentar. - Sentia que havia mais coisas no meio daquilo tudo, coisas que não queria me contar. - Quem sabe a festa de amanhã pode ser sua grande chance.
- Quem sabe. - Agora não me importei mais com o tom de minha voz, graças ao sarcasmo com que me tratara.
Ele olhou para mim mais uma vez, jogou uma nota na bancada e me deu as costas, rumando para a saída. Nesse momento, uma curiosidade maior do que eu mesma se apossou de mim e não resisti a chamá-lo de volta.
- ! - Ele se virou, me encarando com uma sobrancelha erguida. - De onde veio esse interesse repentino pela minha pessoa?
sorriu esperto, aproximando-se.
- Ele sempre existiu. - Senti os pelos da minha nuca se erguerem. - Desde que eu passava aqui na frente todos os dias e via você. Há mais ou menos 5 meses.
- Ma... Mas, você nunca falou comigo direito.
- Eu resolvi começar a frequentar essa loja e trouxe o junto. Quando ele te viu, ficou interessado também. - Ele assumiu aquilo relutante, enquanto eu senti meu coração pular. - E então parece que você não foi com a minha cara desde o começo. - Riu com amargura. - E eu me dediquei a só te ouvir.
- Me ouvir?
- Enquanto você conversava com , eu ouvia tudo e recolhia o máximo de informações possível. - Me senti corar. dizia tudo aquilo na maior tranquilidade e eu só queria afundar meu rosto em algum lugar!
- O que você descobriu? - Perguntei curiosa.
- Hmmm. - Ele pensou. - Sei que suas flores preferidas são tulipas, que você gosta de preto e tentou aprender a tocar violão uma porção de vezes. Sei que você não dá bem com sua mãe, que nasceu numa cidade pequena, que gosta de rock clássico e uma vez, quando pequena, quebrou a perna quando caiu de uma árvore, tentando pegar um passarinho.
Eu estava paralizada. Aquele cara sabia tudo sobre mim! Ele realmente prestara atenção às coisas idiotas que eu dissera!
Simplesmente não sabia o que fazer. Queria correr, gritar, bater nele, chorar... Tudo de uma vez só.
Era muita informação para ser jogada sobre mim tão repentimamente assim. Sem opção, fiz a coisa mais sensata no momento: Corri para a cozinha, parando somente quando cheguei à uma área vazia.
Me sentei no chão mesmo e fiz o que eu mais precisava fazer: chorei. Chorei por toda a confusão que eu sentia naquele momento. Pensei em , sorrindo para mim daquele jeito que eu tanto amava, e pensei em , com aquele jeito todo misterioso, que agora se revelara ser algo totalmente diferente.
O que diabos eu teria que fazer?

~.~

Sexta- feira, hora em que e costumavam chegar à loja.
Tento me distrair atendendo os clientes, mas me viro para a porta cada vez que alguém a abre.
Vejo chegando, parecendo totalmente alheio ao que acontecera na noite anterior, sorrindo para mim.
não entrou atrás dele.
Não que eu esperasse vê-lo ali depois do que houve, mas ainda havia uma posssibilidade remota, que fora completamente extinta quando se sentou sozinho.
Ele fez sinal para mim e eu fui atendê- lo.
- Oi. - Disse. Ele sorriu e fez o mesmo.
- Preparada para hoje à noite?
- Acho que sim. - Dei de ombros. - Vou pegar o seu café.
- Ok.
Fiquei conversando com por mais ou menos meia hora, porém, por mais que me custasse admitir, vez ou outra meus pensamentos fluiam para a cadeira vazia na mesa. Como será que estava?

O chefe nos liberou mais cedo naquele dia, para que pudessemos descançar e voltar para a festa com bastante energia.
não estava em casa quando cheguei. Havia um bilhete dizendo que ela saíra e voltaria bem tarde, então não me preocupei. Tomei um banho e escolhi a melhor roupa que encontrei.
Eu não tinha idéia de como deveria agir quando visse e aquilo me deixava bastante nervosa.
Fiquei me arrumando até dar a hora de voltar à loja, que foi o que eu fiz, toda animada.
Aquela podia ser a noite que eu tanto esperara.

Festas de bandas são uma loucura, juro!
O tanto de garotas quase peladas desfilando pra lá e pra cá não estava escrito. Carinhas bonitinhos também não faltavam, mas a minha mente só estava ligada em um: .
Ele vestia uma camisa social azul escura e uma calça preta. Seus cabelos estavam - como sempre - jogados e meio bagunçados.
Ele sorriu pra mim no momento em que me viu, chamando-me para ir até ele.
- , sabe o que eu acho? - Ele chamou, bastante animado.
- O que?
- Que vou ter que te liberar pela festa inteira.
- Por que? - Ri. Ele estava tão solto!
- Porque eu quero dançar com você. - disse aquilo bem perto do meu ouvido, para que eu pudesse ouvir apesar da música alta. Me arrepiei.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa sobre aquilo, ele me puxou para o meio da pista de dança e começou a se mexer de um jeito desengonçado. Ri.
- você dança tão bem!
- Eu sei, sou foda, né? - Nós gritavamos, para que um pudesse ouvir o outro. Ele se aproximou de mim, dançando colado à meu corpo.
Foi enquanto dançávamos que, numa maldita hora resolvi olhar para outro lado, avistando uma pessoa que eu jamais pensei encontrar ali, com outra que eu não tinha tanta certeza se queria encontrar.
vestia uma camisa escura e uma calça igual. Seus cabelos - que eu achava um máximo - estavam sendo bagunçados por ninguém mais ninguém menos do que a minha melhor amiga, Ford.
Congelei, olhando para os dois de boca aberta. percebeu que eu não o acompanhava mais e seguiu meu olhar.
- Ah - Riu. - É a garota do , .
- Há quanto tempo eles estão juntos?
- Um mês, eu acho. Ou menos que isso.
Saí com pressa da pista depois disso, sentindo algo estranho dentro de mim. Cheguei até , com logo atrás de mim.
- ? - Chamei-a, vendo-a se virar para mim.
- ? - Ela fez cara de surpresa. Cínica. - Ai meu Deus, o que você faz aqui? - Me abraçou e eu retribui, mesmo irritada.
Os garotos nos observavam. surpreso e nem tanto.
- Ah, deixa eu te apresentar o , estamos saindo há um tempo e...
- Oi . - Sorri falsamente para ele.
- . - Ele retribuiu da mesma forma, parecendo achar aquilo divertido.
Como era possível alguém ser tão imbecil?
Em um dia dizia que gostava de mim e no outro desfilava com a minha melhor amiga por aí.
- Vocês já se conhecem? - perguntou, parecendo tão surpresa quanto .
- Ele toma café todos os dias na Starbucks em que eu trabalho. - Rolei os olhos.
- Assim como eu. - sorriu para ela. - Por isso conhecemos a .
- Ai, que legal, então todos já nos conhecemos! A é minha melhor amiga e divide um apê comigo!
- Uau cara, pegando a amiga da , que mundo pequeno! - cutucou o amigo. É, realmente, pequeno até demais.
- Quem diria. - Sorriu amarelo. Não me engana, .
- Que tal dançarmos? - sugeriu.
- Eu não estou a fim agora. - Me manifestei, sentando-me no grande banco da mesa onde estava com antes de chegarmos lá.
- Eu vou contigo, pode ser? - se orefereceu, percebendo que também não pretendia levantar-se.
- Claro. - estendeu a mão para e logo os dois se misturaram às outras pessoas na pista de dança.
- Já conseguiu o que queria? - dirigiu-se à mim.
- Perdão?
- . Vocês já...
- Acho que isso não é da sua conta. - Olhei para ele com desprezo. Estava sim com raiva dele por ficar com , isso é crime por acaso? Querer arrancar o junior de seu pai também era crime?
É, talvez isso fosse sim.
- E você, conseguiu o que queria? - Perguntei. Ele ergueu uma sobrancelha.
- Acho que não, você ainda está com ele. - Quase me engasguei. Deus, aquele cara não tinha noção de nada, não? A mãe dele não lhe ensinou que certos pensamentos jamais deveriam ser ditos?
- O que você quer com a ?
- Usá-la pra te deixar irritada.
Mas não 'tô dizendo? Juro que um dia eu bato nesse cara!
Abusado, onde já se viu?
- Acho que funcionou. - Gargalhou. Eu bateria nele, se não tivesse me distraído ouvindo o som de sua risada. Era tão gostosa.
- Imbecil. - Fiz menção de me levantar, mas ele me segurou pelo pulso.
- Já vai?
- Pelo visto não.
- Dança comigo? - Ele franziu a testa, como se tivesse dor. Suspirei derrotada. Não sabia dizer o porquê, mas segui com ele até a pista. Chegamos lá no momento que One Direction começou a tocar. fez careta. - Não gosto deles.
- Eu gosto. - Levantei uma sobrancelha para ele, começando a dançar com o ritmo da música.
não tirava seus olhos dos meus de jeito nenhum, o que me deixava extremamente tímida e me fazia olhar para o chão quando nossos olhares se encontravam.
O calor que emanava dele era no mínimo intenso. Devo confessar que perdi no mínimo um minuto admirando o corpo dele e... Como não tinha visto nada daquilo antes?
Nossos olhares se encontravam cada vez com mais frequência e eu ia aumentando o tempo que demorava para desviar o olhar do dele.
Nós estavamos mais próximos também e seu cheiro ia fazendo o seu efeito sobre mim, me deixando embriagada. De repente me dei conta de que estava despertando coisas estranhas em mim. Coisas que eu jamais pensei em sentir perto de .
- . - Parei de dançar, me sentindo enjoada. Abaixei o rosto, sem conseguir olhar para ele.
Estava confusa.
Eu gostava de , estava apaixonada por ele.
Mas aqueles pensamentos à respeito de me confundiam. Não fazia sentido eu reparar tanto num cara que eu nem gosto.
- Tá tudo bem? - Ele levantou meu rosto, me segurando pelo meu queixo.
- Sim, eu... - Eu cometi o erro de olhar nos olhos dele. Aquele azul intenso, brilhando de preocupação para mim. Tudo parou. Nós paramos de dançar e todo o resto sumiu. reparou no meu silêncio, fazendo uma expressão de dúvida. Ele olhou para os meus olhos e depois para os meus lábios. Fiz o mesmo caminho que ele, ajudando-o a tomar a decisão final.
se aproximou devagar, ainda com a mão no meu queixo.
Eu não conseguia me decidir sobre o que fazer. Se nos visse daquela forma, eu provavelmente perderia minha única chance com ele. Pior, perder a chance de ficar com o cara que eu gosto por algo que eu mal sabia classificar o que era.
- Podemos trocar? - surgiu do nada, com a mão estendida para mim. estava logo atrás, sorrindo para nós. e eu nos entreolhamos rapidamente, antes de eu pegar a mão de e segui-lo.
ocupou o lugar onde eu antes estivera. Não consegui olhar para trás.
Me sentia tonta. Não podia acreditar que eu quase beijara por vontade própria.
Será que percebera alguma coisa?
- Quer tomar alguma coisa? - me chamou de volta à Terra.
- Hm? Ah, claro. Uma coca pra mim. - Respondi, ainda aérea.
- Só um minuto. - Ele soltou a minha mão, mas o chamei antes que se fosse.
- , espera!
- O que? - Voltou-se para mim.
- Tem uma coisa que eu... - Me arrisquei a olhar para a pista, onde parecia entediado dançando com . Ele olhava para mim. - Eu preciso testar.
- Claro, o que? - Cheguei bem perto dele, ficando na ponta dos pés para cumprir meu objetivo. Quando percebeu o que eu queria, sorriu, me ajudando na tarefa. Ele colocou a mão na minha cintura e colou seus lábios nos meus.
Foi como imaginei, com as borboletas e tudo o mais. Quando ele se afastou o suficiente para olhar nos meus olhos, achei que eu fosse cair.
- Eu já volto. - Ele sorriu pra mim, depositando um selinho em meus lábios antes de ir.
Foquei por mais ou menos um minuto no local onde ele sumira, soltando um longo suspiro. Só então me lembrei de virar para trás.
não estava mais na pista. estava sozinha lá. Encontrei-o perto do sofá onde estivera sentado antes e nossos olhos se encontraram também. Porém, dessa vez foi ele quem os desviou dos meus.
Logo também sumira naquele mar de gente.
E me deixara com aquele último olhar na cabeça.
Um olhar que fora capaz de neutralizar toda a alegria que eu sentia naquele momento e transformá-la em dor.
Ainda mais quando ele foi embora.
Decidi por não ficar ali sozinha e segui pelo caminho onde vira pela última vez.
Acabei num lugar escuro e vazio, a não ser por duas pessoas se agarrando em um canto.
Eu sei que não é certo encarar, mas o cara me parecia familiar, então estreitei os olhos até conseguir ver melhor.
E então o casal se separou.
- Você não devia estar aqui, Tina. - A voz do homem disse. Senti meu coração parar. Justo aquela voz? Não podia ser.
- Eu sei, mas não consegui parar de pensar em você aqui com aquela garota. - A tal de Tina se manifestou, com uma voz dengosa. Queria vomitar.
- A ? Qual é, você sabe que é a única, a é só alguém que eu conheço.
- Então por que eu não podia vir e ela sim?
- Porque... Olha, é complicado. Eu tenho tentado ficar com ela faz um tempo e essa noite parecia perfeita para isso. Mas você sabe que depois eu ia passar na sua casa.
- Ah claro, depois que cansasse de brincar com a garçonete?
- Tina, vamos, você tem que ir. - Ele disse com o mesmo tom fofo que costumava usar comigo. Tentei sair dali antes que ouvisse mais merda, mas acabei tropeçando em alguma coisa que eu não vi no chão, fazendo bastante barulho.
Os dois se viraram para mim e tudo o que fiz foi sair correndo.

As lágrimas rolavam sem parar. Não podia acreditar que eu magoara o cara que gostava de mim de verdade por causa de outro que me considerava só uma garota conhecida.
Eu estava apaixonada por um imbecil.
Aliás, eu era a imbecil.
Deixei que aquele sorriso e aquelas conversas idiotas me enfeitiçassem. Ele nem devia ter prestado atenção nelas.
Saí correndo para fora da boate, indo parar no estacionamento.
Não conseguia ver nada por causa das lágrimas embaçando meus olhos, mas enxerguei a luz forte de um carro vindo rapidamente em minha direção.
Nem dava para fugir, então só fechei os olhos e não tenho certeza se cheguei a gritar.
Só ouvi a freada forte que o motorista deu, mas não consegui abrir os olhos. O som da porta do carro se fechando com força também não me passou despercebido. Eu só queria saber se eu estava caída ou ainda estava em pé.

(Agora coloquem essa música.)

- ! - Era a voz de . - Meu Deus, , você enlouqueceu?
Abri os olhos, assustada com os gritos dele. Eu estava caída no chão, afinal. Mas sem nenhum arranhão sério. Tinha a impressão que eu mesma me jogara, quando percebi o carro perto.
- ... - Disse baixinho, meio tonta.
- Merda, você tá bem? - Ele tremia de nervoso. Me colocou em pé, com meu braço atrás de seu pescoço e sua mão enlaçada em minha cintura.
Ele me levou até seu carro e me colocou no banco do carona, dando a volta até o banco do motorista.
- Obrigada. - Disse mecanicamente, assim que ele se sentou ao meu lado.
- Você queria se matar?
- Eu... - Baixei os olhos, sentindo as lágrimas voltarem. olhou de mim para fora do carro.
- Tina? - Olhei para ele e depois para onde ele olhava, vendo a mesma garota que se esfregava em à pouco. Ele então voltou a olhar pra mim. - Você descobriu tudo, então?
- Eu saí correndo. - Dizia lentamente enquanto balançava a cabeça em negativa. - Quem é ela?
- A pseudo namorada do . Eles tem um relacionamento aberto, mas mesmo assim é um relacionamento. - Suspirou.
Namorada, então ele era comprometido todo esse tempo. E eu me iludira.
Imbecil.
Não consegui segurar mais as lágrimas, a ponto de chorar como um bebê. Senti os braços de me envolverem num abraço torto, mas mesmo assim confortável.
- Me desculpe. - Ele pediu depois de um tempo. Olhei para ele, conseguindo conter as lágrimas por um momento. - Por não ter te dito antes. Você não ia acreditar, de qualquer forma.
- Tudo bem. - Funguei. - Me desculpe.
- Pelo que?
- Por não poder retribuir o que você sente por mim.
- É oficial? - respirou fundo. Sentia sua tensão.
- Eu ainda gosto dele. E não sei se vou conseguir gostar de outro tanto quanto. - Franzi a testa. Queria poder transferir o que eu sentia por para . Tinha certeza de que seria melhor.
- Você ainda me odeia?
- Não. - Sorri.
- É um começo. - Retribuiu, mesmo que fracamente.
- É.
- Pode me dar um chance? - Pensei por somente um segundo.
Ele gostava de mim de verdade, certo? Ele poderia me ajudar a esquecer , certo? Ele era incrivelmente lindo e tudo o mais, certo? E eu não teria nada a perder, certo?
Certo.
- Posso. - Respondi, pressionando meus lábios contra os seus. colocou as mãos ao redor do meu rosto e me puxou para mais perto, tornando o beijo mais intenso. Coloquei minhas mãos em seus cabelos, bagunçando-os.
Uma das mãos de foi parar na minha cintura, me fazendo sentir um calafrio subir pela minha espinha.
Sorri por isso.
Afinal, não seria tão dificil assim me apaixonar por se ele continuasse a me trazer essas sensações.
E que sensações!

Fim

 

Comentários da autora

 N/A:HEEEY!
Cara to em cima da hora pra enviar essa fic, FINALMENTE terminei!
Fiquei preocupada com o prazo porque, PORRA, e o tempo livre pra escrever? Meninas, final de ano é uma loucuuuura, deus me livre ai, FERIIIAAAS, KDKDKDKD?
Enfim, todas as minhas fics pra especiais normalmente são ultra fofas e cheias de romance clichê, resolvi fazer algo diferente nessa. A idéia original era que você ficasse com o 2º no final, mas achei que vocês me bateriam muito, é -q
Então é isso, bjs pra vocês, espero que tenham gostado e não esqueçam de deixar sua opinião nos comentários para me fazer feliz hm!
AH, E QUEM TÁ SURTANDO COM THE MAINE NO BRASIL TANTO QUANTO EU LEVANTA A MÃÃO AAAAAAAAAAH (ok, tchau) KSALDJSJ