So What? I Love Him

Escrito por Lilá - Siga a autora no Twitter
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Era terça-feira, mais um dia de reunião do Grupo de Ajuda às Comunidades Carentes do Hibiscos, mais conhecido como GACC, um grupo formado pelos jovens de um condomínio de alto luxo da cidade de São Francisco, Califórnia, chamado Hibiscos. O objetivo é arrecadar dinheiro através de eventos, leilões e afins e doá-lo para as comunidades e entidades carentes da região. Mas a minha verdadeira opinião sobre ele é que não passa de um puro marketing para o condomínio e para a promoção dos moradores em geral. E eu digo isso mesmo sendo a vice-presidente; meus pais me obrigam a frequentar as reuniões desde que mudamos para lá, e eu tinha apenas 10 anos. Tenho 18 hoje e ainda tenho que frequentar o GACC até os 21. Os jovens entram com as idéias e os pais, quando preciso, com o dinheiro, depois sorriem orgulhosos para os paparazzi, dizendo que foi tudo pelos pobres. Quanta mentira.

Sentei-me ao lado de Ashley, a presidente, e enquanto esperávamos que todos também sentassem, ela me passou a ata para que eu assinasse.
- Bem - ela começou a dizer com aquele seu sorrisinho convencido no rosto - estamos nos aproximando ao fim do ano e, consequentemente, ao Natal, o que significa que a nossa maior festa...
Alguém abriu a porta do grande salão onde nos reunimos semanalmente, fazendo o maior barulho, interrompendo a fala de Ashley, o que a fez estalar a boca, ato que ela sempre fazia quando era interrompida, ou quando estava irritada com alguma coisa.
Todos à mesa pararam para olhar o garoto que entrava assobiando e rodando um chaveiro no dedo; o cabelo e as roupas molhados pela chuva que caía lá fora e um sorriso maroto no rosto.
- Hey, Ash, não comece sem mim - ele disse andando até o lado oposto de onde eu estava da mesa.
- O que você está fazendo aqui, ? - Ashley perguntou irritadiça. - Você tinha desistido no meio do ano.
- É... Mas eu voltei! - esticou a mão para alcançar o livro com a ata, puxou até ele e assinou seu nome logo abaixo ao meu.
Ashley o fitou completamente insatisfeita. Ela era perfeccionista e não só ela, mas todos naquele salão, incluindo eu, sabiam que não era o tipo de pessoa que ajudava na perfeição exigida por ela.
- Quem disse que você pode voltar? - ela voltou a perguntar.
- Ashley, esse grupo é aberto a qualquer morador menor de 21 anos. Você, como presidente, sabe isso muito bem.
Ela estalou a boca mais uma vez e respirou fundo antes de começar, pela segunda vez, seu discurso. sorriu convencido enquanto ouvia, se prestava realmente atenção, eu não podia dizer, mas tinha quase certeza que não; já o conhecia há tempo suficiente para conhecer sua personalidade, ele não levava nada a sério.
- Eu não acredito que ele voltou! - cochichou na minha orelha. - é um mala!
- Pois é - concordei vendo pegar um amendoim e jogar para o alto para tentar pegá-lo com a boca. Rolei os olhos.

- Bom, este é o cronograma que eu sugiro - Ashley juntava os papéis em suas mãos. - Alguém tem alguma sugestão a acrescentar?
Eu nem olhei ao redor para averiguar se alguém iria dizer alguma coisa, ninguém enfrentava a autoridade de Ashley. Mas é claro que tinha algo a dizer.
- Eu acho o salão Premium do condomínio muito abafado, ele pode ser luxuoso por causa dos detalhes em ouro, mas ninguém aguenta a temperatura daquele lugar, sugiro o Golden da Avenida 4 de julho, um lugar mais simples, mas bem arejado. Quanto ao Buffet, aqueles garçons são uns malas, pois não servem bebida para menores de 21.
Todos ficaram em silêncio e olhavam de Ashley para . Ela estalou a boca, juntou as mãos, entrelaçando os dedos, apoiando-as sobre a mesa.
- Eu não quero menores bebendo na minha festa.
rolou os olhos.
- Ai, Ashley, parece que você começou hoje com isso. E, antes de tudo, a festa não é sua, é de todos nós. Se os adolescentes não puderem beber, eles não irão, se eles não forem, a festa será um saco. Já aconteceu isso antes, nós ficamos sentados sozinhos na mesa, ouvindo velhos ricos nos elogiando e blá, blá, blá.
Isso era uma total verdade.
Ashley respirou fundo mais uma vez e olhou para os papéis sobre a mesa.
- Vou pensar no assunto - ela disse sem olhar para ninguém. - Amanhã nós teremos uma reunião extra para que eu possa distribuir as tarefas para vocês e sexta veremos os resultados. - Ela finalmente olhou para todos. - Obrigada pela presença e até amanhã.
Ashley, , Blaze e eu ficamos após todo mundo ter saído para discutirmos sobre a reunião.
- Esse. . Me tira. Do sério! - Ashley falou entre os dentes, puxando o copo d?água da mesa e bebendo um grande gole. - Eu o odeio profundamente, tudo o que sai da boca dele não presta!
Ficamos em silêncio enquanto Ash se acalmava.
- Mas, me digam - começou ela novamente, colocando o cabelo atrás da orelha - o que vocês acham da opinião... dele? - ela revirou os olhos.
Eu queria dizer que concordo, porque era verdade, festas sem adolescentes não têm graça! Mas eu não podia, ou ela iria me olhar com aquela expressão e me imploraria mentalmente para não concordar... Ou podia acontecer pior, ela começaria a chorar e dizer ?Logo você, , em quem eu tanto confio! Não acredito!?.
- é um estúpido! - exclamou .
- É - concordei.
Amber também concordou e então nós terminamos de definir as tarefas.

No dia seguinte, saí de casa com o fone de ouvido do meu iPod na orelha e caminhei até o local da reunião. Quando passava pelo corredor que dava acesso à Sala de Reuniões 1, mais conhecida como ?grande salão?, trombei com alguém e logo vi que era .
- Opa - ele disse distraído, depois olhou bem pra mim e sorriu. - ! E aí?
- E aí? - repeti tirando um dos fones da orelha.
- O que você está ouvindo aí?
Franzi o cenho. Por que ele queria saber o que eu estava ouvindo?
- Hum... Nada. - respondi desligando o iPod.
- Ei! Por que não vai me contar?
- Por que você quer saber?
- Sei lá! Curiosidade. Te conheço há anos e não sei quase nada sobre você!
- ! - chamou no final do corredor. - Ashley quer falar com você!
Assenti para ela e olhei para , me despedindo com um aceno.
- Avisa a Ash que já estou indo! - pediu ele.

- Então, - começou Ash enquanto os outros se sentavam à mesa ?, ontem nós estávamos discutindo sobre as tarefas e tínhamos decidido que você e a fariam o mesmo de sempre, mas eu estive pensando e... - Ela hesitou. - Eu quero que você ajude a entregar os panfletos pelo condomínio. Eu preciso de alguém de confiança junto dele, mesmo sendo uma tarefa simples. - Ela me olhou cuidadosamente enquanto esperava a minha reação.
- Hum... Tudo bem. - Eu sorri. - Se você acha que ele precisa, então tudo bem.
- Você nunca me decepciona! - Ashley puxou meu rosto com as duas mãos e me deu um beijo estalado na bochecha. - A Blaze, o Eric, o Philip e a Coreene vão ajudar também.
Olhei para e ela sorriu culpada.
- Eu tentei fazer ela mudar de idéia, mas você sabe como ela é, né?
- Tá tudo bem.
Ashley chamou a atenção de todos e começou a distribuir as tarefas. Ela sempre fora muito rígida e explicava a mesma coisa milhões de vezes para que todo mundo entendesse exatamente o jeito que ela queria. E era melhor que fizessem tudo certo, ou escutariam.
- ? Cadê o ? - Ash olhou em volta com uma expressão nada agradável.
- Ele disse que já vinha - eu disse cuidadosamente.
Antes que Ash pudesse responder, entrou, guardando o celular no bolso.
- Eu fiz de novo, né? Eu estava aqui no horário, mas tive que sair pra fazer um telefonema importantíssimo. - Ele ergueu as sobrancelhas.
Ashley o ignorou e anunciou qual era a sua tarefa.
- Tá bom - ele respondeu erguendo os ombros.
Ao final da reunião, chamei para marcarmos um horário para nos encontrarmos e distribuirmos os panfletos.
- Boa sorte - desejou quando passava por mim para sair do grande salão.
revirou os olhos.
Olhei sem jeito para ele.
- Não se preocupe - ele disse - Já estou acostumado com elas. Você não é como elas...
Parei para pensar no que ele havia dito e ele tinha razão, eu não tinha nada a ver com elas, mas não disse nada.
- Até amanhã, ! - piscou com um olho e saiu.
Eu o observei tirar a chave do bolso e rodá-la no dedo, enquanto assobiava, até ele sumir do meu campo de visão.

Entrei na padaria, fui até o balcão, pedi um pedaço de torta de maçã e uma água e me sentei em uma das mesas. Tirei o fone de ouvido, desliguei o iPod e enrolei os fios. A funcionária logo trouxe o meu pedido, junto com um cartãozinho com o número 10 escrito nele.
- Obrigada - eu disse a ela, que sorriu.
Enquanto comia minha torta, pude escutar um barulho de chaves e alguém assobiando. Eu não precisava nem olhar para saber quem era.
sentou-se à minha frente, colocando seu chaveiro sobre a mesa.
- Oi, ! - cumprimentou-me.
- Oi - respondi sorrindo.
Peguei o cartãozinho sobre a mesa e levantei-me a fim de ir pagar no caixa.
- Ei! - chamou , me segurando pelo pulso. - Não vai me convidar para beber ou comer alguma coisa? Senta.
Sentei-me novamente e olhei para ele.
- Desculpa, você quer alguma coisa?
Ele sorriu, pegou o cartão da minha mão e se levantou, voltando segundos depois com o celular na mão, que, na verdade, era um smartphone.
- Mais uma ligação importante? - perguntei.
riu.
- Ligação importante? Não... Tava só no facebook. - Ele me mostrou o aparelho para que eu confirmasse.
- Ontem também?
Ele sorriu travesso.
A funcionária colocou um copo de suco vermelho sobre a mesa.
- Aqui está seu suco de Melancia, - anunciou ela.
- Obrigado - pegou o canudo com os dedos e deu um pequeno gole no suco, fazendo uma careta em seguida. Pegou um saquinho de adoçante, o abriu e despejou o conteúdo no copo. - Ah, eu adoro provocar a Ash, sabe como é, ela é um pé no saco!
Eu tive que rir do seu comentário.
- Mas é verdade! Fala, , ela deve falar muito na sua orelha também!
Continuei rindo.
- Você tá de carro? - perguntei, mudando de assunto.
Ele apenas pegou seu chaveiro sobre a mesa e o sacudiu, bebendo mais um grande gole de seu suco.
- Ah, claro. - Desviei meus olhos dos dele. - É que a gente precisa pegar os panfletos lá na gráfica e depois deixar alguns na casa da Coreene e na casa da Blaze.
- Ah, é mesmo... Por isso que estamos aqui! - pegou o cartão sobre a mesa e se levantou, deixando menos da metade de suco no copo.
- Você não vai pagar isso! - eu disse.
- Vou sim.
- Não, eu que te convidei.
- Eu pedi pra que você me convidasse.
Levantei-me da mesa também e fui até ele, tentando pegar o cartão de sua mão, mas ele era bem mais alto e ficou muito humilhante para mim.
- Tá, tudo bem, mas na próxima será minha vez.
rolou os olhos e foi até o caixa para pagar.
- Vamos? - chamou ele já rodando o chaveiro no dedo.
- Vamos - assenti pegando meu iPod - que eu havia escutado no caminho de casa até lá - de cima da mesa.
- Ah, iPod da ! - arrancou o iPod da minha mão sem que eu tivesse tempo de reagir.
- Ei! - gritei tentando pegá-lo de volta, mas foi inútil, como antes, quando tentara pegar o cartão de sua mão. - , devolve, por favor!
Ele andava ao meu lado com o iPod no alto, enquanto ?fuçava? nas minhas músicas.
- Humm... Umas músicas meio emo, mas tem Blink e The Beatles, legal!
Eu estava impaciente tentando pegar meu iPod de volta, enquanto só se divertia às minhas custas. Ele destravou o carro com o controle e, logo depois, me devolveu o aparelho, rindo da minha cara.
- Acalme-se, - abriu a porta do carona para que eu entrasse ?, eu não vou te zoar, ou te julgar só por causa das músicas que você ouve, se é isso que você acha. - Ele deu a volta e entrou pelo lado do motorista, dando partida no carro. - E, se quer saber - ligou o som do carro e apertou a opção de tocar CD ?, eu também curto umas músicas emo.
Então eu percebi que estava tocando Generation, do Simple Plan.
- Ei! - protestei. - Simple Plan não é emo!
- Não... - sorria olhando para o trânsito.
- Não é! - Eu dei um tapa em seu braço.
Ele começou a rir, ou melhor, a gargalhar.
Eu franzi o cenho e o observei rir, mas não aguentei por muito tempo e caí em tentação, soltando uma gargalhada junto à dele.
- Do que você está rindo? - eu perguntei entre as risadas.
- Da sua cara e você?
- Da minha cara? - Olhei brava para ele, mas voltei a rir no segundo seguinte.

Saímos da gráfica com muitos, mas muitos panfletos no carro, deixamos alguns nas casas de Coreene e Blaze e nos dirigimos a um local próximo de onde faríamos a distribuição.
- Ashley é uma exagerada - reclamou .
- É - concordei erguendo as sobrancelhas.
- Então, você prefere que a gente se divida e vá cada um para uma rua, ou...
- Ashley me obrigou a não tirar os olhos de você nem por um segundo. - Comprimi os lábios e ergui os ombros.
- Eu devia ter imaginado... - Ele rolou os olhos. - Que seja, eu gosto da sua companhia.
Eu sorri pegando dois montes de panfletos de dentro do carro.
- Toma, vamos distribuir esses, depois a gente volta e pega mais.
- Sim, senhora - pegou um dos montes da minha mão.
Começamos a andar para chegarmos à primeira rua do condomínio.
- , posso te fazer uma pergunta? - perguntei.
- Acabou de fazer - ele brincou sorrindo. Olhou para mim. - Pode.
- Por que você voltou para o GACC? Você não parece gostar muito.
- É, eu não gosto, quer dizer, a proposta é legal, o fato de ajudar os pobres, mas me irrita a superficialidade com que o pessoal o encara. Desculpa, eu sei que você é a vice-presidente e ajuda em várias idéias, mas é isso que eu penso.
- Na verdade eu não dou idéia alguma, é tudo da cabeça da Ashley, eu só sou a vice-presidente porque já estou no grupo há muito tempo e ninguém mais queria esse cargo por causa da Ash. E você não respondeu à minha pergunta.
- Ah! Então, eu voltei porque eu bati o carro e meus pais disseram que só liberariam a grana do conserto se eu voltasse ao grupo.
Franzi o cenho.
- E que carro é o que você está usando?
- É do meu irmão, ele está fazendo intercâmbio no Brasil, mas volta daqui uns dois meses.
Chegamos ao início da rua que começaríamos o nosso trabalho e eu disse a ele que atravessasse. Começamos a entregar os panfletos, eu nos números pares e ele nos ímpares, a cada casa que passávamos, olhávamos um para outro, para ver se terminávamos ao mesmo tempo.
- Ei! - ele chamou da outra calçada - Vamos ver quem termina primeiro?
- Não acho uma boa idéia...
- Está com medo?
Estreitei os olhos para ele.
- Não.
- 1... 2... 3... Já!
E nós começamos a correr, colocando os panfletos de baixo das portas e rindo. Se Ashley visse aquela cena, teria um ataque cardíaco, com certeza. Mas é claro que eu, , iria estragar toda aquela brincadeira, porque como meu pai sempre dizia, eu era a rainha dos tropeços.
Quando vi, os panfletos estavam todos espalhados pelo chão e eu me contorcia de dor no joelho. Ele provavelmente estava ralado, mas não dava para saber, pois estava coberto pela calça jeans.
correu até mim e se agachou.
- Ei - ele fez uma careta ao reparar em minha situação e eu pude olhar em seus olhos , pela primeira vez bem próximos aos meus. - Você tá bem?
- Não - respondi sem quebrar o contato visual. - Acho que machuquei meu joelho.
- Espera, já vou te ajudar. - levantou-se e começou a recolher os panfletos espalhados pela calçada. Ajeitou tudo debaixo de um braço e com o outro me ajudou a levantar do chão. - Acha que consegue andar?
- Consigo - respondi dando um passo bem dolorido. - Ai. - Fiz uma careta e ri.
também riu.
- Se apóia em mim que é mais fácil - sugeriu apontando seu ombro.
- Tá - segurei seu ombro com uma mão e nós andamos até a próxima casa, onde deixou um panfleto.
Fizemos a mesma coisa por todo o resto da rua; primeiro descemos distribuindo e depois subimos.
- Acho melhor a gente voltar pro carro e eu te levar direto pra casa, pra você dar um jeito no seu joelho, está sangrando. - olhou para baixo e eu acompanhei seu olhar, vendo uma mancha de sangue na minha calça.
- É. - Eu ri. - Eu disse que não seria uma boa idéia.
Fomos andando até onde estava o carro.
- Disse - concordou . - Desculpa.
- Não! Você não tem culpa, eu que sou uma desastrada mesmo!
- Mas eu que dei a idéia da brincadeira!
- Tá tudo bem, , eu vou sobreviver a isso, está bem?
Ele tirou a minha mão de seu ombro e a segurou, sem nem me olhar, e continuamos andando assim, de mãos dadas.
Que porra era aquela?
Chegamos ao seu carro, ou melhor, ao carro do irmão dele, e ele abriu a porta para mim. soltou minha mão lentamente e, assim que o fez por completo, andou até o outro lado e entrou no carro.
- Rua 6, né? - ele perguntou como se não tivesse acontecido nada.
- É - respondi. - Casa 30.
- Eu me lembro.
Tentei me lembrar quando fora a última fez que esteve em minha casa. Não era algo muito comum, já que nunca fomos amigos, nossos encontros eram sempre por causa de outras pessoas. Lembro-me de uma vez que resolveu dar uma festa em casa e convidou uns amigos, não estava na lista dos convidados, mas alguma menina o levara como acompanhante.
estacionou o carro em frente minha casa e eu peguei a chave para destrancar a porta da frente. Abri a porta e chamei:
- Mãe? Pai? - aparentemente não havia ninguém. - Quer entrar? - perguntei a .
- Preciso me verificar se você não vai se machucar de novo.
- É claro que não! - fingi-me de ofendida. - Entra logo. - Puxei-o pela mão e fechei a porta em seguida.
Pedi a que ele me esperasse na sala enquanto eu tomava um banho e trocava de roupa. Quando estava pronta, vestindo uma blusinha branca com o famoso ?I?, ?coração?, ?NY? estampado nela e um shorts jeans.
- Pronto - eu disse ?, agora só falta fazer um curativo.
levantou-se do sofá e olhou para mim de cima à baixo.
- O que foi? - perguntei olhando para meu próprio corpo para verificar se havia algo errado. Só notei meu joelho em carne e viva.
- É... - ele piscou algumas vezes. - Nada.
- Vem aqui - chamei indo para o quartinho dos fundos.
Abri o armário e tirei de lá uma caixinha de primeiros socorros. Sentei na cama, peguei um curativo e comecei a tirar os adesivos.
- Quer ajuda? - perguntou se sentando ao meu lado.
- Não, obrigada. - Desviei os olhos do que estava fazendo para olhá-lo e sorri.
retribuiu o sorriso e voltou a olhar para o que eu estava fazendo; e devo dizer que eu estava encontrando dificuldade. Queria ser um pouco menos desastrada.
- Sério, quer ajuda?
Sorri envergonhada pela minha falta de coordenação e lhe entreguei o curativo. ajoelhou-se no chão, de frente para mim e, delicadamente, pegou minha perna com ambas as mãos, o curativo grudado na ponta de um dos dedos, e começou seu trabalho lentamente, para não me machucar.
- Prontinho - anunciou ele quando meu machucado estava todo coberto.
- Obrigada.
- De nada. - olhou bem em meus olhos e eu comecei a reparar em seu rosto, aqueles seus olhos brilhantes, seu sorriso inocente e seu cabelo caindo um pouco pela testa.
Eu não sei por que fiz isso, mas foi como num impulso; estiquei meu braço e coloquei minha mão sobre sua cabeça, enroscando meus dedos em seus cabelos. Desci minha mão até sua orelha, seu pescoço e, por último, seu ombro, onde parei e olhei para baixo, envergonhada do que acabara de fazer.
, repetindo seu movimento de mais cedo, retirou minha mão de seu ombro e a segurou, acariciando-a com o dedão. Ele subiu um pouco seu corpo, deixando sua cabeça na mesma altura que a minha e, com a mão livre, ergueu meu rosto pelo queixo. Seu rosto foi se aproximando do meu lentamente, não quebrávamos o contato visual de maneira alguma, até que minha mãe gritou pelo meu nome da sala.
soltou minha mão e se levantou, passando a mão pelos cabelos. Eu joguei a cabeça para trás, de olhos fechados e bufei.
- Estou aqui, mãe! - gritei, chamando com a mão para que me acompanhasse de volta à sala.
Expliquei a minha mãe por que estávamos lá e ela mandou sairmos logo para terminarmos o ?trabalho do GACC?, sem nem se importar com meu joelho machucado.

e eu entramos no carro mais uma vez.
- Pra onde vamos? - perguntou.
- Ué, para a rua de cima da que estávamos...
- É que eu tive uma idéia melhor...
Olhei , avaliando sua expressão, ele não parecia travesso, mas cuidadoso.
- Nós precisamos terminar de distribuir os panfletos.
- , nós temos tempo e... - Ele colocou uma das mãos no volante, apertando-o com força. - Que saco! Por que a Ashley não envia a merda desses panfletos por correio, ou não faz a merda de um e-mail?
Eu ergui os ombros, me assustando com sua ira repentina.
- Eu já tentei sugerir isso a ela, mas ela gosta assim, porque ela não confia nos correios e, dessa maneira, ela garante que os panfletos cheguem em todas as casas. E e-mail ela também acha muito superficial.
- Queria te levar a uma sorveteria, tem um sorvete de doce de leite que é muito bom!
- ...
- Ah, , vamos! Vamos esquecer um pouco esse assunto ?GACC?, esquecer a Ashley... Ela pensa que é quem, a rainha da cocada preta?
- Provavelmente sim - eu disse rindo.
se virou para mim - o carro ainda estava parado - e pegou em minha mão pela terceira vez naquele dia.
- Olha, , eu sei que você quer se livrar desse assunto, tanto quanto eu. Quem é que precisa de panfleto? Todos que moram nesse condomínio sabem dessa bendita festa, é tudo capricho da Ashley!
Eu suspirei, mas ele tinha razão. Estava mesmo na hora de eu jogar tudo para o ar, por um dia que fosse!
- Tá bom - concordei finalmente.
- O quê? - sorriu surpreso.
- Vamos para a sorveteria, !
- Isso! - Ele beijou minha mão, soltando-a em seguida, para dar partida no carro.
dirigiu para fora do condomínio até chegar a uma sorveteria de esquina. Havia várias mesas e quase todas ocupadas, seus detalhes eram em amarelo claro e na fachada podia-se ler: Pinguim.
- Nome interessante - comentei.
riu.
Entramos na fila para pegarmos nossos sorvetes e depois seguimos para uma mesa vaga.
- Ei! Você não pegou o sorvete de doce de leite! - reparou .
- Nossa, eu tava tão preocupada querendo saber se tinha de pistache que até me esqueci do doce de leite!
- É o melhor daqui, quer provar? - ele perguntou erguendo a sua colher com sorvete de doce de leite nela.
- Quero. - Sorri. - Vai me dar na boca?
- Fecha os olhos - pediu ele.
E eu fechei, esperando com a boca semi-aberta que ele chegasse com a colher, mas não foi bem isso que aconteceu, ele enfiou uma grande quantidade de sorvete no meu nariz, rindo da minha cara em seguida.
- Ah, , tem sorvete dentro do meu nariz! - reclamei pegando um guardanapo.
- Deixa que eu te ajudo - ofereceu ele pegando outro guardanapo.
- Não, você me suja e agora que ajudar a limpar!
- Tá bom - ele deu de ombros e enfiou o dedo na minha tigela de sorvete e depois passou na minha testa.
- Ei! - Foi minha vez de enfiar o dedo na tigela dele, mas quando tentei alcançar sua testa, segurou meu braço.
Começamos a rir e atraímos a atenção de todos da sorveteria. Levantei-me para tentar ter mais sucesso na minha missão ?sujar com sorvete?, mas eu não planejei bem meu movimento e acabei derrubando minha própria tigela no chão, espalhando o sorvete.
- Opa - eu disse e riu alto da minha cara.
Um homem gorducho se aproximou da nossa mesa, fazendo uma cara feia. Aparentemente era o dono do local.
Nós nos sentamos novamente como se nada tivesse acontecido e sussurrou:
- No três, a gente corre, combinado?
- Correr? - perguntei fazendo uma careta.
- Ah, claro. - rolou os olhos. - Eu vou levantar, você pula nas minhas costas e eu saio correndo.
- Tá - concordei, mesmo achando uma maluquice.
Então foi o que fizemos, ele se levantou, pulei em suas costas e ele saiu correndo.
Eu quase chorava de tanto rir, por um lado estava com medo de cair e minhas risadas eram puro nervosismo e, por outro, estava adorando o que tínhamos acabado de fazer. E só para que fique bem claro, nós não fugimos da conta, já tínhamos pagado quando pegamos os sorvetes; nós estávamos fugindo do homem gorducho, que seria capaz de fazer-nos limpar a sujeira.
correu até a praia, que não era tão longe, comigo nas costas, e me deixou na areia, onde deitamos um ao lado do outro.
- Você é louco, ! - acusei me virando na areia para encará-lo.
Ele fez o mesmo.
- Sou? Louca é você que não deixa os outros verem a música que está ouvindo, porque tem vergonha, que faz tudo que a Ashley manda porque tem medo de a decepcionar, que aguenta o GACC porque seus pais a obrigam, que esconde quem é verdadeiramente por ser insegura, que é linda, mas não sabe, que é incrível, mas não sabe. Eu que sou louco?
Eu abri a boca tentando achar uma resposta para ele, mas não sabia o que dizer.
colocou uma mecha de meu cabelo atrás da minha orelha e acariciou meu rosto.
- Por que você acha isso de mim, ?
- Eu não acho, eu sei. - Ele passou o dedo pelo meu nariz, me fazendo sorrir.
- Mas nem eu posso dizer isso de mim!
- Claro que não - ele virou de barriga pra cima, olhando para o crepúsculo, e puxou minha mão para seu peito.
Fiquei sem entender. Eu estava com o cotovelo na areia e apoiava minha cabeça em minha mão, enquanto o olhava. Meus dedos eram delicadamente acariciados por ele.
- Eu sou louca mesmo - disse finalmente.
riu de leve e se virou para mim novamente.
- Já faz tempo que eu reparo em você, . Não foi só sua beleza que me chamou atenção, eu vi que você era diferente das outras meninas desse condomínio e você, com certeza...
- Com certeza... - o incentivei.
- Eu estou apaixonado por você. É isso.
Era uma revelação e tanto, como eu poderia imaginar?
piscou seus olhos brilhantes e algumas vezes e percebi que ele se aproximava. Ele pôs sua mão em minha cintura, me puxando para mais perto e quando sua boca estava a milímetros da minha, eu consegui me desvencilhar e me sentei, olhando para o mar.
- A gente devia voltar - eu disse.
se sentou ao meu lado e segurou os joelhos com os braços, também olhando para o mar.
- Desculpa se eu te assustei...
Olhei para ele.
- Olha, - comecei esperando que ele olhasse para mim, mas ele não o fez ?, eu gosto de você. Eu achava que não, mas eu passei um dia muito legal com você, mas é muito cedo para... Você sabe...
soltou os joelhos, olhou para mim e perguntou:
- Tudo bem, mas a gente pode ser amigos, certo?
- Claro, claro que sim!
se levantou e me puxou para um abraço, o que me pegou de surpresa, mas eu retribuí, sentindo o cheiro do seu perfume masculino e a batida acelerada de seu coração. Quando nos afastamos, ele disse:
- É melhor você se limpar, ou não entra no meu carro.
- No carro do seu irmão - corrigi.
- Que seja.
Comecei a bater na minha roupa para tirar a areia e tirei meu All Star e minha meia, fazia a mesma coisa.
- Espera aí - pediu ele. - Vira de costas.
Obedeci.
- Ainda tá cheio de areia nas suas costas, posso te ajudar? - Ele sorriu maroto.
- Hum... - ponderei. - Tá - respondi desconfiada.
Então começou a tirar a areia das minhas costas, mas sua mão foi descendo até minha bunda.
- Ei! - protestei.
Ele ergueu os dois braços em forma de rendição e, rindo, começou a correr.
- Não acredito - lamentei. - Volta, aqui, ! Eu não posso correr! - gritei dando alguns passos na direção dele, mas eu não iria alcançá-lo.
Vi dar meia volta e começar a voltar, mas quando se aproximou, me pegou pela cintura e me jogou por cima de seu ombro. Eu dei um berro de susto e medo de cair, mas ele nem ligou e começou a correr comigo no alto. Eu dava tapas desesperados em suas costas para que ele me soltasse, enquanto ele apenas gargalhava. Chegamos até o carro e ele finalmente me pôs no chão.
- Comigo você pode correr - disse quase sem fôlego.
- Muito engraçado, você quase me matou do coração.

dirigiu até minha casa e me levou até a porta.
- E os o panfletos que não entregamos? - perguntei preocupada. - Se Ashley descobre, ela me mata.
- Deixa que eu entrego - ofereceu .
- Agora?
- É, e um pouco amanhã de manhã.
- Então eu vou junto.
- Não vai, não. Você está com o joelho machucado e precisa ficar paradinha!
- Mas, , é só um... - Fui interrompida por , que colocou um dedo sobre meus lábios.
- Você fica aí quietinha que eu termino o serviço.
Assenti com a cabeça e olhei para o seu dedo ainda em meus lábios.
Ele abaixou o braço e pegou minha mão.
- Até amanhã - despediu-se ele.
- Até.
deu um beijo em minha bochecha e, em seguida, acariciou meu cabelo com a mão livre.

Era sexta-feira, mais um dia de reunião do GACC, mas eu só fui descobrir mais tarde que aquela reunião seria bem diferente, pelo menos pra mim.
Passei o dia inteiro pensando no dia anterior, em como ele tinha sido ótimo! era um cara legal, afinal. Mas só de pensar no que Ashley e diriam quando descobrissem, me dava frio na barriga.
Arrumei-me para a reunião e quando abri a porta de casa, vi um carro conhecido estacionado na frente. saiu de lá vestindo sua melhor jaqueta jeans. Pelo menos era o que eu achava. Se eu dissesse que ele não estava bonito, seria mentira, das grandes.
- Boa noite - ele disse cordial e fofo.
- Boa noite, , o que você tá fazendo aqui? - Andei até ele.
- Vim te buscar, oras. Para a reunião.
- , é pertinho, eu sempre vou a pé.
- Não quando você tem um amigo legal pra te buscar de carro! - Ele piscou com um olho.
Sorri para ele, que abriu a porta do passageiro para que eu entrasse.
- Você não precisava ter vindo aqui - eu disse depois que deu partida no carro.
- Nós somos amigos agora, e é isso que amigos fazem.
Eu sorri olhando para seu rosto.
- Distribuiu os folhetos? - perguntei.
- Claro. Antes que o sol tivesse sumido completamente, eu já tinha terminado.
Estreitei os olhos.
- Mentira.
- É - concordou e nós rimos. - Mas eu entreguei todos, fica tranquila.
Chegamos à área social do condomínio, onde ficavam as piscinas e as áreas de convenções. veio até mim assim que descemos do carro e segurou minha mão.
- ... - chamei cuidadosa. - Achei que nós éramos amigos, amigos não andam de mãos dadas.
- Mas eu gosto de segurar sua mão... Deixa, vai? - Ele fez um biquinho com a boca.
- Tá - respondi, mas estava totalmente insegura. E se alguém visse aquilo e contasse à Ashley, ou à ?
Andávamos assim e pude perceber que estava feliz e eu também, mas quando chegamos à porta do grande salão e vi Ashley, não pensei duas vezes antes de soltar sua mão e caminhar para o meu lugar ao lado dela. Percebi que permaneceu parado à porta, olhei para ele, porém ele desviou o olhar e começou a andar, indo para o seu lugar, que era de frente para Amber, que se sentava do outro lado de Ashley. Permaneci o observando, mas ele não me olhou, apenas virou para conversar com Victor.
Depois que a reunião terminou, que eu convenci Ashley que estava tudo certo com os panfletos e consegui me desvencilhar dela e de , eu corri para fora do local, vendo ao longe caminhando até seu carro. Ele não rodava o chaveiro no dedo e nem assobiava, apenas mantinha as duas mãos nos bolsos da jeans.
Eu gritei chamando por ele, mas ele continuou caminhando. Então eu corri, desviando-me das pessoas pelo caminho, e cheguei até ele quase sem fôlego e com o meu joelho machucado latejando de dor.
- - soltei seu nome junto com o ar.
Ele relutou até olhar para mim, a expressão explodindo de raiva.
- É assim, né, ?
Assustei-me com seu tom de voz.
- Assim como?
- A gente passa um dia juntos, eu falo que estou apaixonado por você, você promete ser minha amiga e aí é só surgir alguém mais importante que eu que você me ignora!
- Eu te ignorei? Foi você que não olhou mais pra mim depois que entramos!
Ele riu, nervoso, e passou a mão pelos cabelos.
- Assim que a gente chegou, você soltou minha mão e se afastou rapidamente para que suas ?amigas? - ele fez aspas no ar, enfatizando a palavra ?amigas? - não nos vissem juntos. Eu disse que você era diferente delas, mas me enganei...
- Mas, ...
- Eu não quero ouvir! - ele interrompeu-me rudemente.
Senti algumas lágrimas acumularem nos cantos dos meus olhos, eu sempre sentia vontade de chorar quando gritavam comigo. É, isso é coisa de gente fraca, eu sei, mas o que eu posso fazer, eu sou assim.
Vi entrar no carro, então dei um passo para trás para que ele pudesse dar partida e sair dali sem me atingir.

Eu demorei pra dormir àquela noite; fiquei horas pensando em tudo que dissera. Depois que acordei, procurei como uma louca pelo telefone dele; sabia que tinha em algum lugar, só não sabia onde. No meu celular não estava, nem na antiga agenda de telefones da família, mas quando procurei em uma agenda minha, que costumava usar no ensino fundamental, achei escrito em uma das últimas páginas, junto com vários outros telefones. Liguei do meu celular para ele, mas tocou até cair na caixa postal. Tentei mais algumas vezes durante o dia e nada.
Não liguei mais pra ele durante todo o final de semana e a segunda-feira, se ele não queria atender, azar dele, falaria com ele na terça-feira.

Saí apressada para a reunião e cheguei bem cedo a fim de tentar falar com o mais cedo possível, mas ele não apareceu; nenhum sinal de durante toda a reunião. me perguntou diversas vezes por que eu estava tão tensa, mas eu não consegui contar-lhe a verdade, apenas disse que não era nada, mas a única coisa que martelava na minha cabeça era que eu queria muito falar com .

A sexta-feira chegou e também não deu sinal de vida e eu realmente estava me sentido péssima, era tudo minha culpa. Se eu não fosse tão insegura de mostrar quem eu realmente sou às minhas amigas, do que eu realmente gosto, porque tenho medo do que elas vão dizer a mim, vão pensar de mim, nada disso estaria acontecendo; eu e estaríamos dançando a música que tocava no coquetel que estávamos dando na reunião do GACC, estaríamos felizes e rindo um com o outro, como fora há mais de uma semana atrás.
Eu precisava mudar aquilo de uma vez por todas, eu não podia continuar sendo a mesma de sempre que só pensa na opinião do outro, na felicidade do outro em relação a ela e não na própria felicidade. Como ser feliz se o que importa são os outros?
A primeira atitude que fiz foi chamar .
- Onde que é a casa do mesmo? - perguntei a ela.
franziu o cenho.
- Por quê?
- Eu vou atrás dele.
- Tá. Por quê?
- Porque eu gosto dele.
Ela fez uma careta.
- Gosta como?
- Olha, , só me fala onde é a casa dele que depois você vai entender, tá bom?
- Tá. A casa dele fica há uns dois quarteirões atrás da minha, uma casa verde e branca, lembrou? Nós já fomos lá uma vez...
- É, acho que sim. Obrigada, . Agora, uma coisa, se você for minha amiga de verdade, você não vai me julgar, você vai me entender, tá?
me olhou séria.
- Tá.

Dirigi até a casa de , desci correndo do carro e toquei a campainha. Vi uma mulher elegante, de olhos , abrir a porta para mim. Era a mãe de , ela já esteve em casa jantando com meus pais.
- Oi! - cumprimentou-me.
- Oi - respondi ansiosa. - O está?
- Ah, ele deve estar chegando... Ele foi trabalhar.
- Trabalhar? - espantei-me.
- Pois é, eu disse a ele que preferia que ele fosse estudar, pra entrar logo na faculdade, mas ele preferiu ir trabalhar em um restaurante!
Uni as sobrancelhas.
- Ele está trabalhando pra pagar o conserto do carro? - perguntei.
- É. - Ela pareceu insatisfeita. - Eu daria o dinheiro a ele se ele voltasse a frequentar o GACC, pois dou meu maior apoio a esse grupo, mas por algum motivo ele desistiu.
- Eu sei... - disse baixinho.
- Olha lá, querida, deve ser ele... - Ela olhou adiante e pude ver um carro se aproximando.
estacionou o carro em frente ao portão da garagem. Eu corri até ele, vendo-o passar a mão pelos cabelos e guardando a chave no bolso da jaqueta.
- , preciso falar com você!
Ele olhou ao redor, imitei seu gesto e vi sua mãe adentrar a casa novamente.
- Ah, tá, porque aqui não tem ninguém que possa nos ver juntos, né?
- Eu vim te pedir desculpa, , e a sabe que estou aqui, foi ela que me lembrou onde era sua casa.
trocou o peso de uma perna para a outra, olhando-me um pouco mais interessado na conversa.
- Me desculpa, , o que eu fiz foi ridículo. Eu passei o melhor dia da minha vida com você, pela primeira vez um cara disse que estava apaixonado por mim e eu jogo tudo no lixo porque eu sou uma insegura que tem medo do que as minhas amigas vão pensar!
- É sério? - ergueu uma sobrancelha.
- Foi você mesmo que me disse, !
- Não... É a primeira vez que alguém diz que tá apaixonado por você?
Fitei o chão envergonhada.
- É - admiti.
- Duvido.
- É verdade!
Ele riu baixo.
- A gente passou um dia incrível mesmo - parecia indiferente.
- Me perdoa, por favor - pedi, implorando também com os olhos. - Eu estou apaixonada por você, .
moveu-se incomodado.
- Desde quando?
- Olha, é horrível imaginar o tanto que Ashley vai falar na minha orelha, o tanto que todo esse pessoal esnobe do GACC vai me achar louca por estar com você, mas foi ainda pior ficar longe de você por todos esses dias e imaginar nunca mais poder falar com você.
Ele ponderou, olhando no fundo dos meus olhos. Eu queria muito saber o que passava na cabeça dele.
- Por favor, - repeti, vendo seus olhos mexerem-se novamente, analisando meu rosto.
Eu me aproximei lentamente e o abracei pela cintura, grudando meu rosto em seu peito. Lentamente, retribuiu o abraço, colocando suas mãos em minhas costas.
- , você diz isso agora e eu achei demais! - ele dizia na minha orelha. - Mas e se quando você tiver que enfrentar as pessoas, você recuar de novo?
Afastei-me dele, segurando em seus braços.
- , eu prometo que não vai acontecer isso de novo e eu quero te provar, vem comigo, vamos lá no GACC, está tendo um coquetel.
- Eu não quero mais voltar àquele lugar - ele disse com ódio.
- Se você for comigo agora, prometo que será a última vez... De nós dois. Eu vou largar meu cargo, Ashley não precisa de uma vice-presidente mesmo.
riu e me puxou para o abraço novamente, dando-me um beijo no rosto. Rapidamente eu me afastei e o puxei pela mão até meu carro, onde entramos e eu dirigi até a área social do condomínio.
Quando desci do carro, já havia descido do outro lado, andei até ele e peguei em sua mão.
- Achei que você não gostasse disso.
- Eu disse isso quando éramos... Apenas amigos.
- E nós somos o que agora? - Ele perguntou com um sorriso maroto estampado em seu rosto.
- Ah, não sei, mas mais que amigos.
Ele sorriu olhando para frente.
Andamos até a porta do grande salão, ainda de mãos dadas, e paramos bem em frente, observando as pessoas que bebiam - coquetéis sem álcool, porque, afinal, era produção de Ashley - e dançavam. Eu o puxei para dentro e, no início, quase ninguém pareceu perceber a nossa presença ali, mas conforme fomos passando entre elas, suas cabeças foram virando-se para nossa direção, mais especificamente para nossas mãos. Eu sorri, satisfeita por ter alcançado meu objetivo. Vi Ashley mais ao canto, que parou de conversar com Marcus só para nos olhar. Então eu cochichei para :
- Vamos dançar?
Ele assentiu, puxando meus braços e os colocando sobre seus ombros depois colocando os seus atrás de minhas costas, fazendo-me aproximar mais dele. Nós começamos a dançar e eu sentia os olhares queimando minhas costas. Encostei minha testa a dele enquanto seguíamos o ritmo da música; nem rápida, nem lenta.
Alguém se aproximou e vi que era .
- Agora eu entendi o que você estava dizendo.
Eu apenas sorri para .
- Entende?
- É, entendo, mas depois a gente conversa, amiga! - Ela riu e eu senti um imenso alívio.
Subi minhas mãos até o rosto de , acariciando com os dedões sua face. Ele sorriu, acariciando minha costas.
Então eu fiz o que pretendia e o beijei, sentindo sua língua quente entrar em contato com a minha e um gosto muito bom, mas impossível de caracterizar. Ele correspondeu ao beijo muito bem, apertando-me mais contra ele e afagando meus cabelos. Eu puxei o cabelo de sua nuca e o senti rir. Paramos por alguns segundos e estávamos muito ofegantes. Ele me deu mais alguns selinhos e eu o encarei, mordendo o lábio inferior.
- Que tal se a gente...
- Fosse para um lugar mais reservado - ele completou o que eu ia dizer.
- Onde ninguém possa nos ver! - Nós rimos.
, puxando-me pela mão, saiu correndo para fugirmos de todos os olhares curiosos e sermos só nossos.
Eu ri daquela situação, já que o objetivo inicial era que o assunto ?nós? se tornasse público, mas tem coisa que, realmente, não dá para ser pública.


Hoje, no primeiro dia de 2011, eu me lembro desse dia, que aconteceu em dezembro de 2010, e o pego como exemplo para que em 2011 essa insegurança não me atrapalhe mais em nada. Pelo menos eu tenho agora, que me abre os olhos, que me aconselha e me ajuda sempre que eu preciso. E eu só o tenho, pois deixei minha insegurança de lado e assumi aquele sentimento que me queimava por dentro. Este ano será bom, pois eu farei aquilo que gosto, e não o que os outros gostam.


Uma pessoa insegura se priva de muitas coisas, pois tem medo, medo de não dar certo, medo do que os outros vão pensar ou dizer. Mas deixar de fazer algo, não é certeza de que não vai dar errado, as pessoas também erram quando não fazem. É preciso tentar e pensar um pouco em si mesmo, ao invés de só dar valor à opinião dos outros, para ser feliz. Nem tudo vai dar certo, mas, no final, o melhor é dizer que pelo menos tentou; se falhar, falhou. Mas nada impede de começar de novo, tudo são tentativas.

Fim.

 

Comentários da autora




N/A: Heeey, people! Primeira fic para um especial, primeira fic no site (algo que eu já devia ter feito há muito tempo, vamos combinar, mas quem disse que eu consigo terminar uma fic?). Eu demorei mais do que pretendia para escrevê-la, mas terminei no limite e adorei escrevê-la. Tem muito de mim na personagem, mesmo! Espero que gostem e votem muito! HAHAHA
Ah, queria muuuito agradecer a Natashia Kitamura, essa diva das fanfics, por me dar algumas dicas e ser a primeira a saber da história. ;)
Beijooos,
Lilá


N/B: AWN, QUE FIC MAIS DIVA *---* Amei! Boa sorte no Battle, Lilá! *-*
Adorei ser sua beta, Lilá! Espero mais fics aqui no ATF! *O*
Qualquer erro, só chamar, ok galera? (: xx