Sleepwalking

Escrito por Lary Melo - Siga a autora no Twitter
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"O mal sempre está em desvantagem."

A sua realidade é mortal, mas seus sonhos imortais. Ela sonha com a realidade. Ele é a vida de seus sonhos. Ela sonha com a morte dos pais. Ele vive na realidade da morte. Ela não o conhece. Ele sabe todos os seus segredos, mas sempre aconselha-o a largar essa menina de vez.
? Amigo de . ? O desconhecido de .
? Uma garota que todos consideram louca, menos . ? Única amiga de .
Às vezes, conta para que está tendo sonhos estranhos. dúvida que pode estar sonhando com alguém que nunca conheceu, mas o pior são os sonhos consecutivos. nunca poderia imaginar que estaria sonhando com uma pessoa que pode entrar nos sonhos das pessoas e tornar a vida desta, a pior. Hoje vai à um lugar diferente, à um lugar que ela nunca imaginaria estar.

1 Ano Atrás

POV

Sonho ON
- Você sabe que isso não é um sonho, que aqui é sua realidade, não é? - ele se aproximou, ainda escondendo o rosto.
- É claro que eu sei, mas eu queria saber seu nome... e ver seu rosto. - tentei encostar minha mão em sua “capa”, vi seus olhos, mas ele me impediu de ver o resto.
- Você verá meu rosto, verá tudo que eu sou e nunca mais sairá de lá. - se aproximou, até que tudo ficou escuro e eu só podia ouvir gritos.
Sonho OFF

Acordei, suando frio. Sentei-me, com a respiração ofegante. Passei a mão pela testa, e percebi meu pijama rasgado. Me levantei e fui até o banheiro. Enquanto tomava meu merecido banho quente, meus pensamentos voltaram-se para o dia da morte dos meus pais. Eu tinha 13 anos, não sabia quase nada sobre a vida e hoje, com 19, trabalho e moro sozinha. Deixei as lágrimas caírem, enquanto lembrava de como minha vida ficou difícil e diferente após a morte deles. Eu não tinha ninguém, ou pelo menos achava que não. Me chamavam de maluca, porque eu sentia como se não estivesse sozinha nessa casa. Sempre foi assim e, até hoje, é assim. Sonho coisas estranhas, acordo soando frio e nervosa, tomo banho para tentar esquecer, vou para o trabalho, chego em casa cansada, tomo banho, janto e durmo. E é assim todos os dias. Consecutivamente. A única pessoa que, mesmo achando que sou um pouco louca, não me deixou sozinha, foi . Por mais que eu diga que sinto coisas dentro de casa, ela nunca acredita e sempre me chama de louca, diz que tenho que arranjar um namorado para me ocupar e parar de pensar nessas coisa, mas eu não quero me relacionar com ninguém, pelo menos não agora.

POV

Sou uma pessoa consideravelmente obcecado por . Por que? Os pais dela me devem uma alma, então... Escolhi . Não só porque quero sua alma, mas porque, depois de segui-la por anos, ela mexe comigo. , meu melhor amigo, sempre diz para ficar longe dela, mas eu sei que ele também gosta dela, por isso pede para me “desapegar” Ela é bonita e atraente, mas aos olhos do mundo, é feia e esquisita. Como isso acontece? Eu manipulo o pensamento das pessoas, mas os pensamentos daqui, eu não posso manipular, infelizmente. Ela cresceu sendo vigiada por mim, e é bem difícil esquecer ou tentar não se atrair por uma pessoa que você “ajudou” a crescer. Claro, ela teve seus altos e baixos, mas eu à ajudei. Do meu jeito, mas ajudei. Agora, ela tem 19 anos e eu vou segui-la, tanto nos sonhos, quanto na realidade, até ela finalmente perceber que eu quero ela aqui, no meu mundo.
- , - se aproximou. - seguindo-a novamente?
- Óbvio. - não o encarei momento algum. - E você?
- Tentando tirá-lo dessa obsessão. - pousou uma das mãos em meu ombro.
- Porque todos acham que isso é uma obsessão? - perguntei, finalmente, encarando-o.
- Será porque você vigia ela vinte e quatro horas por dia, não só à cada passo que ela dá, mas também nos sonhos que ela tem. - cruzei os braços. - , ela sonha com você e não sabe!
- Pois não irá sonhar mais. - sorri irônico. - Hoje será o último sonho.

Flashback OFF

estava lá, parada, recordando-se de quando conheceu . Naquela mesma tarde, quebrou o braço e acompanhou-a até o hospital. sabia que podia confiar em , mas naquele dia, não demonstrou nem um pouco de interesse.
- Porque eu não acreditei em você? - disse chorando, com muitas rosas em mãos.

Flashback ON

POV

Após me arrumar, fui para casa da . Ela disse que eu poderia contar com ela, para qualquer coisa, então, decidi contar tudo o que está acontecendo. Peguei meu skate na garagem e dirigi-me até sua casa. Chegando lá, pude vê-la no quarto pela enorme janela. Sabia que ela estaria ouvindo música, por isso, joguei uma pedra lá dentro.
- QUEM FOI O... ! - sorriu ao me ver. Desceu correndo. - ! O que você está fazendo aqui?
- Vim lhe dar uma péssima notícia. - vi seu rosto mudar de expressão. - Calma, é algo que eu não contei para ninguém.
- Ah, então conta. - fechou o portão e levou-me até o sofá. - Você sabe que pode confiar em mim.
- Fico feliz por isso. - respirei fundo. - Bem, desde que meus pais morreram, eu tenho tido sonhos estranhos.
- Como assim? - perguntou, ajeitando-se no sofá.
- Alguém está sempre conversando comigo e eu tenho esses sonhos umas três vezes na semana, ou até mais.
- Explica direito. - suspirei.
- Alguém fica conversando comigo, mas não são conversas comuns. Eu sempre sonhei com esse alguém, mas ontem eu quase vi seu rosto, por isso vim aqui lhe contar tudo.
- E por que você só me contou hoje?
- Porque eu fiquei com medo de você não acreditar em mim, já que todos me chamam de louca. Mas também tem outro motivo, como eu quase vi seu rosto dele ontem, hoje eu posso descobrir quem ele é e talvez... Não acordar mais. - soltou uma alta gargalhada. - Porque você está rindo?
- Você? Sonhos estranhos? Não acordar amanhã? Depois eu me pergunto porque te chamam de louca. - fiquei boquiaberta.
- Então você acha que eu inventei tudo isso e que eu sou mesmo louca? - meus olhos encheram-se de lágrimas rapidamente. - Achei que eu podia contar com você. - corri o mais rápido que pude, peguei meu skate e fui andando para casa.
No meio do caminho, começou a chover. “Ótimo”, pensei. Minha simples maquiagem ficou toda borrada e minha casa ainda estava um pouco longe. Minha roupa, já encharcada, grudava no meu corpo e isso era desconfortável. Finalmente cheguei em casa e pude trocar de roupa. Coloquei meu pijama, eu sei que hoje não saio mais de casa.

Flashback OFF

Quem diria que aquele dia, era o último. Quem diria que se arrependeria até a morte por não ter acreditado nela. E, agora, ela está arrependida, ela está chorando, ela está desacordada, ela está lembrando de como achou-a.

Flashback ON

POV

Sleepwalking - Bring Me The Horizon

Escureceu. Eu ainda estava com medo, porque a intuição de que amanhã não irei acordar só aumenta? Porque eu não posso simplesmente dormir e amanhã dizer: ``Eu estava errada.´´
O que eu faço? Durmo? Viro uma sonâmbula? Fico a noite inteira comendo, só para não ficar com sono? Eu não sei o que fazer.
Talvez seja melhor assim. Talvez seja melhor eu dormir.
Deitei-me. Parecia que eu estava sendo forçada a dormir naquele momento. Meus olhos se fechavam rapidamente, mas eu não estava com sono. Era como se eu estivesse indo para outro mundo, bem distante daqui. Eu não estava conseguindo acordar, revirei-me na cama, sabia que estava aqui, mas ao mesmo tempo . De repente, apareceram milhões de espelhos, o único reflexos eram os olhos dele, milhares de sombras em volta de nós.

Seus olhos estão me engolindo
Espelhos começam a sussurrar
Sombras começam a ver
Minha pele está me sufocando
Me ajude a achar um jeito de respirar

Acordei, ou pelo menos achava que estava acordada. Levantei-me sem entender nada, o tempo parecia ter parado, a imagem de meus pais mortos estava ali, parada, e eu, parecia uma sonâmbula.

O tempo parou
Do mesmo jeito que antes
É como se eu estivesse sonâmbulo
Se transformou em outro buraco que eu tenho
É como se eu estivesse sonâmbulo

Eu estava em um lugar diferente, em outro mundo. Sem dúvidas, aquele não era o meu mundo, aquele não podia ser o meu mundo.

Estou nos confins do mundo
Para onde vou a partir daqui?
Devo desaparecer?
Confins do mundo
Devo afundar ou nadar?
Ou simplesmente desaparecer?

A sala voltou, os espelhos, os olhos. Tudo. Tudo estava lá de volta. Eu reconheci os olhos como os olhos que eu consegui ver no meu último sonho. Só podia ser ele, mas o que ele quer comigo? O que eu fiz para ele? Eu queria correr dali, eu queria acordar, mas não conseguia, algo estava me prendendo naquele lugar, algo não me deixava acordar. Não sabia se era ele, mas algo me impediu totalmente de voltar para o meu mundo.

Acorde!
Pegue minha mão e
Me dê uma razão para recomeçar
Acorde!
Me puxe pra fora e
Me dê uma razão para recomeçar.

Eu estava sentindo tudo em mim arder. Minha mão, minha perna, meu pé. Meu corpo. Meu corpo estava queimando e eu não sabia o porque. Ele saiu do espelho e veio até mim.
- Olhe o seu reflexo. - mesmo com o corpo ardendo em chamas, eleele vestido completamente de preto. - Ouça.
Eu tentava gritar, mas não conseguia, tentava sair dos braços dele, mas não conseguia. O tempo parou, novamente, e eu pude ouvir o que o ``reflexo´´ dizia.
- Vocês me devem uma alma, esse era o prometido, agora... - meus pais começaram a flutuar, enquanto minhas lágrimas não paravam de cair. - Eu quero sua filha.

O tempo para
Do mesmo jeito que antes
É como se eu estivesse sonâmbulo.

Black Veil Brides - Days Are Numbered (feat. Bert McCracken)

Ver meus pais ali, com ele só me encorajou mais ainda, tentei correr o mais rápido que pude, mas ele flutuava em minha direção. Ele não tinha perna, apenas dois ``braços´´ estranhos que, infelizmente, conseguiram me segurar.

Antes de sua vida acabar, saiba que isso é verdade
Todo o ódio que temos dentro de nós ainda não vai salvar a sua juventude
Não desperdice seu tempo em tragédia, fácil de esquecer
O tempo perdido para lutar contra inimigos não vale o preço de viver

- Porque você insiste em sair daqui? - perguntou.
- Porque eu quero minha vida de volta, para sempre.

Um dia de cada vez, um dia de cada vez
Ouça quando estamos chamando
Sua hora chegou.
Nossos dias são contados em um mundo de tolos
Nós sentimos a fome e não seguimos as regras de ninguém
Todo mundo quer a vida eterna
Ninguém parece fazer por merecê-la
Nossos dias estão contados e você não é nenhum tolo,
Ninguém é tolo.

- Você achou mesmo que iria sair daqui? - apertou meu braço, forçando-me a encará-lo. - Você nunca mais sairá daqui. Seu mundo pode até não ser esse, mas tenha certeza de que você irá se acostumar.
- Como posso me acostumar em um mundo aonde eu não conheça nada?
- Mas você vai conhecê-lo, você vai ser a dona dele. - se afastou. - , não se faça de tola, pois eu sei que você não é.
- Você não me conhece... - me interrompeu.
- Você acha que eu não te conheço, mas na verdade... - se aproximou novamente. - Conheço muito bem.
- Por que eu não posso ir embora!? - deixei as lágrimas caírem mais uma vez. - Eu quero ir embora!
- Você não tem que querer ir embora, porque você não vai.

Vivendo como um demônio, um fardo posto à prova
Você pode viver sua vida no céu ou criar o seu inferno
Nós vamos escrever nosso resultado final com cada conto que contarmos

- Você não pode me prender aqui. - me aproximei.
- Claro que posso. - segurou meu maxilar. - Graças aos seus pais, você é minha.
- Mas você é o... - me interrompeu.
- Eu sou o que eu quero ser, e você não tem nada a ver com isso. - apertou meu rosto.
- Me solta. - disse, entre dentes.
- Você ainda não entendeu, né? - soltou-o.
- Entendi o que?
- Que nada tirará você daqui e que agora seu mundo é esse. - ele começou a ``entrar´´ em mim, até que apaguei.

Nossos dias estão contados e você não é nenhum tolo,
Ninguém é tolo.

Flashback OFF

ajoelhou-se diante o túmulo de sua amiga. Olhou-o por minutos. Ela não sabia o que fazer, não sabia se desculpas por tudo e um pouco mais, ou se esperava até enterra-la totalmente. decidiu pensar que, agora, ela está em um lugar bom, em um lugar que tenha amor, paz e tudo o que sua melhor amiga tinha direito. Mas, infelizmente, estava errada.

Flashback ON

POV

- Bem-vinda ao meu mundo. - olhou ao redor e fez cara de espanto. Dor e sofrimento rodeavam meu maravilhoso mundo. Tudo o que ela menos esperava, estava aqui.
- Porque você me trouxe aqui? - gritos e mais gritos. Isso sim me dava prazer.
- Você foi escolhida, e juntos... - me aproximei. - Comandaremos.
- Mas eu quero voltar! - tentou soltar-se.
- Mas não vai. - me afastei. - Você está morta.
- Porque você fez isso comigo? - ri, irônico.
- Porque seus pais me deviam algo. - encarou-me confusa. - A propósito... Meu nome é , senhora Shwedishk.
- Mas meu sobrenome é . - sorri, novamente.
- Não é mais.

 

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