Se Você Voltar

Escrito por Carol Ramos - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Any



- O que foi, tem algum problema com a comida? - Gabriela perguntou num fio de voz, franzindo um pouco a testa, porém sem deixar de sorrir. Sorri de volta e segurei a mãozinha pequena da minha namorada, olhando as unhas cuidadas e pintadas de branco. Tudo nela tinha aquele jeito delicado.
- Nenhum problema - entrelacei meus dedos compridos e calejados de tanto escrever nos dedos gordinhos e pequenos dela. Trouxe sua mão até minha boca e beijei a aliança prateada que selava nosso compromisso. - Está tudo perfeito, assim como você.
Eu disse aquelas palavras com a maior convicção possível, querendo que fosse verdade. Mas não era. Não sei se conseguia enganá-la, mas não conseguia enganar a mim mesmo. Ela é doce, bonita e carinhosa. É fácil estar perto dela e ela faz tudo por mim. E, até hoje de manhã, tudo estava perfeito. Mas ela voltou. . Depois de tudo, ela tinha que voltar e bagunçar tudo. Porque é isso que ela faz.
Tenho o costume de ir ao jornal onde trabalho de metrô. Caminho um pouco da estação até a redação e tenho tempo para observar as pessoas. Eu sempre tive esse hábito de analisar tudo, então eu virei colunista para usar meu trabalho como desculpa para minha bisbilhotagem. Mas hoje eu acordei tarde e fui de carro, achando que ia evitar um atraso. Bobagem minha, o trânsito estava um inferno. O trânsito dessa cidade sempre é um inferno. Fiquei uns vinte minutos completamente parado. Sem saco para ouvir as notícias no rádio (não conte isso ao meu chefe), revirei o meu porta-cd à procura de algo que combinasse com meu humor. Achei algo que nem deveria estar ali: um disco branco, sem nada escrito. Fiquei me perguntando que diabos ele estava fazendo no meio dos outros, eu nem sabia que ainda existia.

#Flashback on

- Toma, é pra você - me entregou uma caixa enorme e pesada. Sorria abertamente, mostrando a covinha solitária na bochecha direita.
- Obrigado - beijei a ponta do nariz dela e abri a caixa. Havia um bolo muito grande de cartas, um cd branco, uma barra de chocolate branco, uma miniatura do meu uísque favorito, uma camiseta do Jimi Hendrix, algumas camisinhas e uma gravata.
Antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, ela se adiantou. Era sempre assim, eu nem precisava falar. Ela foi apontando os itens e explicando:
- Sua comida e bebida favoritas, uma camiseta do seu maior ídolo que eu mesma pintei, a gravata pra você usar no baile de formatura combinando com meu vestido, uma playlist que eu fiz pra você... e... - ela limpou a garganta e colocou o cabelo atrás da orelha. Ela colocou aqueles olhos muito nos meus e continuou, exibindo um sorriso nervoso - As camisinhas... Eu quero que seja com você.
Senti meu coração acelerar enquanto ela ruborizava. Eu esperava por isso. Eu era um moleque cheio de hormônios, ela era minha namorada há um tempo e também a garota mais bonita que eu conhecia. Eu sabia que uma hora ia acontecer, só estava esperando que ela "estivesse pronta". Agora estava. Eu também era virgem, mas uma hora isso tinha que mudar, certo? Não importa o quão nervoso eu ficasse com a ideia de fazer tudo errado na hora. Deixei a caixa de lado e beijei o topo de sua cabeça, abraçando-a apertado.
- E as cartas?
Ela se calou. O sorriso desapareceu e os olhos se encheram de lágrimas muito rapidamente. Ela fechou os olhos devagar, derrubando as lágrimas, e apressou-se em limpá-las.
- Depois você lê. Me beija.

#Flashback off

Coloquei o cd para tocar. A primeira música era Come As You Are do Nirvana. Um pouco masoquista da minha parte fazer isso, mas eu só deixei que as lembranças chegassem e me deixassem mal. Lembrar aquela garota sempre me deixava mal pra caralho. Finalmente consegui acelerar um pouco, mas logo tive que parar de novo por causa do sinal vermelho. Já estava tocando Little By Little do Oasis e, por acaso, só por acaso, eu vi uma garota parecida com ela atravessando a rua. Loucura minha, mas foi suficiente para mexer com a minha cabeça e me deixar retardado pelo resto do dia.
- Você tá definitivamente aéreo hoje - Gabriela me trouxe mais uma vez à realidade.
- Perdão, meu amor, perdão - apertei a mão dela e a beijei novamente. Enrolei um pouco de macarrão no garfo e comi com gosto. - Isso tá delicioso de verdade, você ainda vai me engordar desse jeito...
- Vai continuar lindo - ela sorriu. - Vamos pegar um filme?
- Claro.
Como a Gabriela tinha feito o jantar, fiquei com a função de lavar os pratos. Enquanto isso, ela foi à locadora buscar alguma coisa. Falei que podia ser qualquer coisa mesmo, até aquelas comédias românticas insuportáveis, só porque eu queria deixá-la feliz. Terminei rápido e fui tomar banho. Ficar embaixo do chuveiro deixando a água quente correr pelas minhas costas me deixa sempre mais calmo.
Saí do banheiro e encontrei a Gabriela já deitada na cama, de pijama e enrolada nos cobertores. Ela assistiu a um filme água com açúcar qualquer, como eu imaginei. Eu dormi assim que deitei.
No dia seguinte, acordei na hora certa. Cheguei à estação do metrô com o jornal embaixo do braço e os fones de ouvido tocando Foo Fighters no volume máximo. Fiquei observando duas adolescentes de uniforme que conversavam animadamente. Eu não sabia o assunto e não estava com vontade de pausar Walk para ouvir a conversa. Mudei o foco para um pouco além delas e senti um calafrio percorrer todo meu corpo. Uma garota muito parecida com a , a vaca que destruiu todas as minhas expectativas sobre mulheres, estava há uns cem metros de mim.
Pensei em ir até lá, só para checar se eu não estava ficando completamente maluco. Ela não podia ter voltado. Não, de jeito nenhum. O trem chegou antes que eu pudesse me mover. Ela se apressou em entrar no vagão a sua frente e eu fiz o mesmo. Eu precisava tomar café. Precisava muito.
Cheguei à redação com meu café sagrado de todos os dias nas mãos e me joguei na cadeira pequena demais. Eu tinha muita coisa para fazer, mas não conseguia tirá-la da cabeça. Tentei escrever minha coluna, mas ficou uma porcaria. Joguei um pouco de paciência. Tentei de novo. Joguei Pacman. Tentei de novo. Desisti. O relógio marcava onze e quarenta e cinco. Num gesto de rendição, apoiei os cotovelos sobre a mesa e abaixei a cabeça, segurando a nuca. Imaginei-me como um desenho animado, um piano de cauda caindo em mim.
- ?
Levantei num sobressalto com a voz da secretária. Estupidamente, coloquei as mãos sobre o teclado para fingir que eu estava trabalhando.
- Você está legal?
- Claro. Tudo numa boa.
- Certo... Tem uma moça bonita querendo falar com você. Disse que é uma emergência.
Só podia ser a Gabriela. Mas ela nunca vinha ao meu trabalho. Por que não ligou? Deveria ser algo muito sério.
- Você me dá cobertura, Vick?
- Dou.
Se eu não estivesse tão preocupado e sobrecarregado, eu teria repensado o tom que ela usou para dizer "dou". Mas eu só beijei o rosto dela e saí correndo. Desci as escadas - tenho medo de elevador, e daí? - aos tropeços e me deparei com... Puta que pariu.
- ?
A ergueu os olhos para mim. Que merda, como eu senti falta desse olhar. O cabelo estava mais comprido e mais cheio. Ela tinha mais curvas agora e fazia questão de foder minha cabeça com aquele decote. E a maquiagem que ela usava era mais pesada que a de antigamente. Mas os olhos eram os mesmos. Grandes e vivos. Ela sempre teve esse poder escroto de me fazer reparar nos mínimos detalhes.
- Antes que você diga qualquer coisa, me escuta. Eu preciso de um pouco do seu tempo. A que horas você sai para o almoço?
- Na verdade, daqui a alguns minutos - menti, colocando as mãos no bolso. Ainda faltava mais que uma hora.
- Topa comer aquele cachorro quente? - ela sorriu. Não precisei perguntar para ter certeza de qual cachorro quente ela estava falando. Sorri de volta. Mas que caralho, por que eu estava sendo bonzinho com ela? Eu sou um imbecil.
- Sim, eu só vou pegar minhas coisas. Já volto.
Dei as costas a ela e subi as escadas pulando os degraus.
- Vicky, eu preciso sair mais cedo. Se você puder me ajudar, eu... Eu faço o que você quiser. Volto em uma hora.
Não a deixei responder; peguei minha carteira e desci de novo, antes que eu me arrependesse. Quase caí dessa vez. Cheguei à porta do edifício sem fôlego algum. ainda estava lá, encostada num poste e digitando alguma coisa no celular. Ela tinha mudado muito e ao mesmo tempo era a mesma de sempre. Quando me viu, veio sorrindo na minha direção. Caminhamos em silêncio por um tempo.
- E então, como você tá? - ela puxou assunto.
- Trabalho onde sempre quis trabalhar, tenho um apartamento só meu, um carro legal... É, acho que tá tudo bem. - Não consegui acrescentar a parte da namorada linda e brava que me mataria se soubesse que eu estava com ela. Nem que ela fazia uma falta do caralho e que eu ainda queria entender que diabos ela estava fazendo aqui de novo. - E você?
- Não tão bem, mas é bom voltar.
- Por quê? Onde você esteve?
Eu nem percebi, mas já estávamos a alguns passos da barraquinha de cachorro quente que frequentávamos anos atrás. O dono ficou bem surpreso em nos ver. Era um senhor bem idoso e simpático, adorava ficar conversando com os clientes. Nós costumávamos vir aqui juntos pelo menos toda semana. E eu não tinha voltado nenhuma vez depois que ela foi embora.
- Vocês dois! - ele sorriu - Achei que tinham enjoado do meu molho. Mas quem é vivo sempre aparece, não é? Que bom que ainda estão juntos, vocês formam um casal bonito.
Limpei a garganta e encarei o chão. De repente, meu suéter parecia apertado demais.
- Dois completos, por favor. Mas um deles sem ervilha e sem batata - ela se apressou em dizer, sorrindo abertamente, fingindo que não tinha ouvido. Achei engraçado ela ainda saber o que eu pedia. O velhinho deve ter percebido a tensão no ar, porque ficou sem graça e se apressou em fazer os lanches. não me deixou pagar o dela. Ela sempre foi assim.
Comemos sentados em um gramado ali perto. Parecia um déjà vu. A diferença é que, há alguns anos, nós falávamos sem parar. Agora comíamos em silêncio. Ela realmente parecia concentrada em seu almoço, mas eu sabia que era só para evitar minha pergunta. Entretanto, se ela não queria conversar, por que foi até mim? Não foi para ficar olhando a minha cara, não sou tão bonito assim. Eu estava comendo mais devagar que um pássaro. Primeiro porque eu não estava acostumado a comer tão cedo e segundo porque meu estômago estava num nó. Era bom tê-la por perto, mas ao mesmo tempo me dava instintos suicidas.
Dando a última mordida em seu cachorro quente, ela finalmente me olhou. parecia uma criança com a boca cheia de pão. Havia uma pequena mancha de molho em sua bochecha, bem perto da covinha. Tomei a liberdade de tocá-la ali, retirar a sujeita com o dedo e limpá-lo no meu guardanapo. Ela ficou me encarando. Era a primeira vez que nós havíamos realmente nos tocado hoje.
- Você quer mesmo saber? - ela suspirou.
Fiz que sim com a cabeça, porque eu estava mastigando.
- Meu irmão. Ele estava se envolvendo com uma galera da pesada. Mesmo. Se afundando, usando drogas realmente fortes, se envolvendo em brigas... então meu pai resolveu que nós tínhamos que nos mudar, todos nós. Eu quis ficar, mas eu não tinha idade suficiente para morar sozinha. E minha família precisava de mim. Naquela noite... na nossa noite, eu tentei falar. Mas eu queria que meu último momento com você fosse perfeito e não uma despedida de novela mexicana, entende? E eu pensei que, se depois você me odiasse por ter ido embora, seria mais fácil.
Engoli o último pedaço do cachorro quente com dificuldade. Sentia as palmas das mãos suando frio, a garganta fechando. Não encontrei as palavras certas. Apenas a envolvi com os braços, aninhando sua cabeça no meu peito e acariciando o cabelo cheiroso. Na minha versão da história, nós tínhamos tudo e ela jogou tudo para o alto porque era uma vadia egoísta que não me amava. Eu não podia estar mais errado. E eu me senti culpado por pensar tudo aquilo.
- E é claro que você sequer chegou a abrir as cartas. Se você tivesse as lido, saberia tudo isso.
- Foi mal. Eu fiquei com raiva.
- Eu entendo. Mas sabe de uma coisa? Passou. Tudo isso é passado.
A pequena se levantou e ergueu o braço para mim. Segurei a mão dela e me levantei também, sacudindo a grama da minha bunda com a outra mão. Nossos dedos ficaram entrelaçados e ela foi andando à minha frente, me guiando.
- E o seu irmão?
- Está bem. Ficou no Sul, junto com os meus pais.
- E você, voltou de vez?
- Ainda não decidi, depende de muita coisa.
Chegando perto da pista, ela acenou para um táxi que estava chegando. Entramos no veículo e ela falou o endereço de um lugar que eu também conhecia muito bem. Mas eu queria continuar a conversa, que tinha chegado a um ponto importante.
- Depende do quê?
- Tenho um mês para organizar minha vida. Arrumar um emprego, um lugar para viver... me estabelecer.
Eu abri a boca para falar, mas fechei-a novamente. Eu quase disse "você pode morar comigo, se quiser". Como se realmente fosse assim. Por um segundo, eu esqueci a existência da Gabriela. Eu não queria nem pensar no que ela faria se descobrisse onde e com quem eu estava. Ela morria de ciúmes da , mesmo nunca tendo a visto, porque tinha achado a caixa. "Tem muito tempo que ela foi embora, Gabi. Não existe mais nada", eu dizia. "Por que guardar essa tralha, então?", ela rebatia. Brigamos por isso incontáveis vezes. E agora eu olhava para baixo e percebia que continuávamos de mãos dadas durante todo o trajeto. Foi a minha vez de pensar no que a falaria se soubesse sobre a Gabi.
Ela só soltou minha mão para mexer em sua bolsa e pagar o táxi. Eu estava tão retardado que não me manifestei para contribuir. Ela não se importou. saiu do veículo e foi andando em passos largos pelo velho e abandonado estacionamento até um carro vermelho. Eu a segui. Chegando mais perto - santa miopia -, eu percebi que era o carro que ela dirigia no colegial. O carro onde nós ficávamos conversando sobre tudo e sobre nada, nesse mesmo lugar.
- Você não o vendeu?
- Vendi e comprei de novo.
- Como?
- Implorando ao novo dono. Fala sério, eu sou mulher - ela riu e abriu o carro com o pequeno controle. Deu a volta no automóvel e entrou. Ficou me esperando fazer o mesmo. Eu fiz. Ela colocou Beatles para tocar.
- E por que você comprou um novo?
- Não sei, o Mick - era assim que ela chamava o carro - significa muito para mim. Mas isso não importa agora - ela virou o corpo para mim - Preciso te mostrar uma coisa.
Terminando a frase, ela tirou a própria camisa de uma vez. Vestia um sutiã de renda roxa. Os peitos dela realmente estavam maiores, mas não parecia silicone. Era isso que ela queria mostrar? Levou as mãos às costas e abriu o sutiã, retirando-o devagar. Pigarreei. Ela tinha feito um piercing no mamilo.
- Lembra que eu sempre quis fazer?
- Lembro.
- Tomei coragem.
- Ficou legal - tentei continuar com um tom neutro - Doeu?
- Pra caralho.
Eu estava ficando sem graça com a situação, mas eu não conseguia parar de olhar. Ela foi para o banco de trás e começou a tirar a calça. A calcinha era uma linha minúscula combinando com o sutiã. Eu queria poder me mexer, mas estava rígido como uma estátua. Todo rígido, se é que você me entende.
chegou para frente no banco e segurou meu maxilar, fazendo com que eu me virasse para ela. Ela segurou minha nuca e os dedos frios na minha pele me causaram um arrepio. Foi o suficiente para me acordar. Fazendo a primeira coisa sensata desde que ela apareceu hoje no meu trabalho, beijei-a. Foi um beijo intenso, por causa de todos os anos que se passaram. A saudade, a angústia e a tensão sexual presente naquele carro pequeno se somaram a todas as coisas remanescentes e mal-resolvidas do nosso namoro e, quando eu percebi, estava só de cueca. Em cima dela. No banco de trás.
Ela me virou desajeitadamente naquele aperto e ficou por cima. Começou a distribuir beijos pelo meu pescoço e a descer. E descer.
- , não.
- Eu sei o que eu estou fazendo, - ela sorriu maliciosamente e arranhou minha barriga. Ela definitivamente sabia. Mas não!
- Eutenhonamorada - cospi as palavras rápida e fracamente.
- Como? - ela perguntou num gemido, colocando as mãos dentro da minha cueca para retirá-la.
- Eu tenho namorada - falei pausadamente, em alto e bom tom, fechando os olhos. Senti congelar e se afastar.
Silêncio.
Abri os olhos e ela estava encostada à janela, encolhida, abraçando-se e escondendo os seios com uma mão; a outra tampava a boca.
- Você me odeia? - perguntei num fio de voz. Ela balançou a cabeça negativamente. - Desculpa. Eu tentei falar mais cedo, mas...
- Relaxa. Eu também não perguntei, exatamente. Acho que secretamente eu esperei que você ainda tivesse 17 anos e acne. Eu imaginei que tudo seria igual.
Ouvindo o que ela tinha a dizer e sem ter muita coisa para falar, sentei-me, virado para ela. Peguei minha camisa e coloquei sobre a minha cueca, tentando esconder o volume. Ela percebeu e começou a rir.
- Que merda de situação. Que bagunça. Eu sou uma bagunça.
- Você é uma bagunça, sim. Mas é linda.
Ela suspirou e apoiou o rosto nos joelhos. Parecia que ia chorar. Me aproximei e a abracei, apoiando o queixo no topo da cabeça dela.
- E agora? - a voz dela saiu abafada.
- Eu não sei.
- ? - ela levantou a cabeça e me olhou.
- Hm?
- Você ainda me ama?
Desviei o olhar. Eu sabia que sim, mas eu me sentia culpado por isso. A Gabriela não merecia. Não mesmo. Eu não podia simplesmente chegar para ela e dizer "Hey, sabe a , minha ex-namorada que você odeia" Então, ela estava no Sul esse tempo todo e não disse nada, mas hoje de manhã ela voltou e eu descobri que ainda a amo. Foi mal, não é nada pessoal, mas a gente vai ter que acabar nosso relacionamento sério e estável de três anos porque eu quero reviver meu amor de adolescência."
- Amo - respondi, finalmente, voltando meu olhar para a pequena figura com maquiagem borrada e cabelo armado que esperava por uma resposta.
- E isso é o bastante?
Me encolhi. Eu não sabia responder.
- Tudo bem, não quero te pressionar.
- Só me dê um tempo, ok?
- Certo - ela encarou os dedões pintados de esmalte verde.
- E agora? - minha vez de perguntar.
- Agora você se veste e vai trabalhar.
- E você?
- Vou tentar consertar outras besteiras que eu fiz. E esperar você me ligar.
Colocamos as roupas amarrotadas de volta e ela dirigiu até o jornal. Eu sabia que estava prestes a levar um sermão do meu chefe, mas isso não era minha maior prioridade no momento.
Virei-me para me despedir de no carro e eu não sabia onde beijá-la, então acabei beijando a testa.
- Você acha que consegue esperar?
Ela sorriu sem mostrar os dentes e fez que sim. Entreguei meu celular a ela e ela digitou seu número.
- Eu te ligo. Eu prometo.
Vi fazer o retorno e ir embora. Dessa vez, não por muito tempo.

#Epílogo

- Boa tarde, Seu Marcos! - cumprimentei o velhinho do cachorro quente.
- Vocês! E essas caras felizes? Aconteceu alguma coisa especial?
- Estamos noivos - sorriu abertamente, mostrando a covinha.
- Noivos? Eu sabia! Podem me convidar para o casamento, sim?
- Com certeza.
- Acho bom. Vai ser o de sempre?
- Sim. Para a viagem, por favor. Temos que achar uma igreja e marcar a data. - expliquei, orgulhoso.
Minha noiva estava usando um vestido colorido e perigosamente apertado. Sorria como uma criança. Eu acho que também estava assim. Pegamos o almoço e voltamos ao carro.
- Por que você mentiu para ele? Não estamos com pressa para ir à igreja, temos hora marcada e ainda falta um tempão.
- É que, te vendo assim, eu tive uma ideia... Será que o padre se importa se a gente passar num motel antes de ir à igreja?
gargalhou. Aquilo queria dizer que ela gostava da ideia. Segurei a nuca dela com as duas mãos e distribuí alguns beijos naquele rosto bonito. Depois de tanto tempo, ela estava comigo de novo. Eu tinha a garota que eu amei e sempre amaria nos meus braços e nada estava errado. Casaríamos e teríamos filhos nerds como eu e bonitos como ela. Nós tínhamos todo o tempo do mundo. E, se algo se metesse na nossa felicidade, nós passaríamos por cima disso. Juntos.

 

Comentários da autora

 Hey! Essa fic é baseada em Se Você Voltar, da Fresno. Vale a pena dar uma escutada. Adorei escrevê-la, mas é possível que ela tenha alguns errinhos porque eu deixei pra mandar em cima da hora e amanhã eu tenho prova de física. Olhem que delícia. Pois bem, espero que vocês gostem E COMENTEM! Votem também, nhac xx