Sete

Escrito por Laura Weiller - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Natashia Kitamura



Parte do Projeto Songfics - 11ª Temporada // Música: Show Me Love, por The Wanted

Como começar a contar algo que eu não gosto de relembrar? É complicado tentar explicar como tudo aconteceu, talvez eu fosse jovem demais, negligente demais, idiota demais, burro demais. É acho que é isso mesmo. Só sei que perdi aquela que eu sempre amei, e vou tentar contar isso para vocês. Quem sabe algum jovem desavisado esteja vendo isso e se interesse, talvez eu esteja aconselhando alguém que está passando pelos mesmos problemas que eu tive.
Bem, vamos lá. Meu nome como vocês sabem é e todo domingo a tarde dou as caras por aqui - é bem vocês não me veem diretamente, mas eu estou aqui, entenderam né? - a pergunta é: Porque depois de 7 anos resolvi expor em público está minha história? Sete é o número favorito dela.

07/07/2007

Era sábado e meu celular tocava desesperadamente na mesinha da cabeceira. Virei pro lado e o ouvi caindo no chão, mas por algum motivo ele continuava tocando e eu infelizmente conhecia aquela música. Era ela. Atendi desesperadamente já imaginando o pior, algo devia ter acontecido com ela, só pode porque alguém me ligaria de madrugada?
- ? - Meu tom de voz já estava desesperado, ouvi ela rindo do outro lado e um Sabe que dia é hoje?, oh céus eu não acredito.
- , sabe que dia é hoje? Hoje é dia sete, do mês sete, de dois mil e SETE e são sete horas e sete minutos. - Ela disse empolgada, consegui a visualizar sentada na cama com as pernas cruzadas dando pequenos pulinhos. Bufei. - não ouse bufar para mim! Você tem exatos 37 minutos para levantar, escovar os dentes, tomar um banho, colocar uma roupa confortável e estar sorridente na porta da sua casa para sair comigo. E ahh... Não esqueça a Nutella. – Enfim, ouvi um ‘tchau’ e ‘não demore’, joguei o celular pro lado e puxei as cobertas. Ninguém me tiraria da cama em pleno sábado nas férias, mesmo se esse alguém fosse Valentina Miller.
E eu estava enganado.

"Não pense em voltar a dormir.
xoxo
Já estou a caminho, ."

Ri ao ler a mensagem dela e resolvi me dar por derrotado, hoje é um dos dias especiais dela e ela o vem planejando a vida inteira. Conheci a senhora no primeiro ano do ensino médio, não posso dizer que era uma garota comum. Cabelos grandes, encaracolados, usava óculos, nem baixa e nem alta, - perfeita para eu abraçar e ela colocar sua cabeça no meu pescoço - e com uma constante mania de observar tudo e contar tudo.
Esbarrei com ela no corredor do colégio, estava contando os armários. Já tinha se passado 10 minutos que o sinal havia tocado e ela estava parada no meio do corredor contando os armários. Disse que havia 24 armários em cada parede, contando que o corredor havia 7 paredes que eram separadas pelas portas das salas de aula. Então no segundo andar teria 168 armários, isso só no segundo andar. O seu andar favorito por ter sete paredes.
- Você está perdida? - Disse a vendo apontar o dedo para os armários.
- 18, 19, 20. Não, não estou. 21, 22, 23 e 24. São 7 paredes, então são 168 armários. - Ela sorriu, um sorriso pequeno de quando conseguia completar alguma tarefa. Eu a achei uma louca.
- Você está bem? - Cocei atrás da nuca, vai e ela resolvia me dar um tapa ou começar a gritar, talvez ela tivesse algum problema mental, sei lá.
- Sim, e você? - Seus olhos eram redondos e de um tom de verde tão profundo que eu fiquei perdidos neles, talvez fosse a pele branda, com as bochechas avermelhadas ou a armação escura dos seus óculos, eu não sei dizer. Sei que essa foi a hora em que eu me apaixonei por ela.
- Err... Sim, sim. Eu sou e você? - Estendi a mão para ela.
- . Caloura. Apaixonada por física e indo para a sala 207 B do segundo andar onde tem 7 paredes. - Ela bateu as mãos juntas, animada.
Se eu soubesse no que estava me metendo, não teria a questionado no meio do corredor e nem a acompanhado até a sala de aula. Mas às vezes são os nossos erros que geram os nossos maiores acertos e assim foi com ela.

[...]

Em exatos 37 minutos ela estava na minha porta sorrindo mais do que nunca. Ela era insuportavelmente pontual.
- Não da para estacionar. - Disse inclinada sobre o volante olhando a vaga.
- , claro que dá. Olha o tamanho dessa vaga. - Cabia uma caminhonete na vaga e sobrava muito espaço para o pequeno Gol dela.
- Eu acho que não... - Ela mordeu o lábio.
- Meu Deus, como você pode ser a melhor aluna de física e não consegue ver que seu carro cabe nesta vaga? - A olhei incrédulo.
- Não briga comigo ! - Devagar ela foi estacionando o carro na vaga e enfim viu que cabia. - Óh coube direitinho. - Disse olhando pro acostamento, onde por algum milagre dessa vez ela não subiu na calçada.
Olhei para trás do carro, ainda caberia umas três motos no espaço que havia sobrado.
Procuramos um canto no parque onde tivesse sombra e que desse para ficar conversando. Mais para o meio do parque era cheio de árvores e não eram nem 9 horas, então estava bem fresco. estendeu uma colcha sobre a grama, colocou uma cesta do lado, pegou uma pequena caixinha de som e deixou na rádio tocando. Ela gostava de rádio, eu odiava, eu aprendi a amar.
Tomamos nosso café da manhã ouvindo as notícias do dia, ela estava deitada no meu colo brincando de fazer formas nas nuvens quando sua barriga roncou. Eu ri alto e ela começou a rir, fomos a uma lanchonete que havia perto e almoçamos por lá mesmo. Hoje era dia 07, era o dia dela.
tinha ido comprar sorvete para nós, o único problema é que eu não vi ela saindo com a chave do carro. Quando ela voltou estava com uma arminha de água e atirava na minha cara.
- Vamos lá soldado, é assim que irá reagir a guerra? Vamos, lute como um homem! – E jogou água na minha cara de novo.
- Eu vou te matar ! – Disse levantando e correndo atrás dela, ela jogou a outra arma para mim e eu sai correndo atrás dela pelo parque a molhando.
Corríamos feitos loucos e acabávamos molhando outras pessoas, mas isso não importava. Ela ria e me provocava correndo na minha frente e me molhando, quando caiu. Aproveitei que ela estava no chão e comecei a molhar ela toda e eu só conseguia a ouvir gritando. Minha água havia acabado e eu estava tentando molhar ela com o restinho, quando ela aproveitou minha distração e me deu uma rasteira.
Eu cai de literalmente de bunda no chão e ela começou a jogar água em mim, consegui sentar e a puxar pelos braços. Estávamos nós dois em uma lutinha, quando ela ficou por cima de mim e ficou me olhando nos olhos. Eu sabia o que poderia acontecer e ansiava por isso há três anos.
Ela sorriu e vi que suas bochechas ficaram vermelhas, foi então que ela me deu um selinho. Isso era o que eu mais amava nela, ela tinha atitude! Foi um leve roçar de lábios e ela olhou para mim, eu ainda estava de olhos fechados e quando abri tive a visão do paraíso. Ela estava vermelha e mordiscava os lábios, quando viu que eu a olhava lançou aquele sorriso de lado como se tivesse se desculpando. Eu a abracei e a beijei, e fui correspondido. Tem ideia do quanto isso foi surreal? Ela correspondeu ao meu beijo!
Começamos a namorar.
Não era um namoro perfeito, se como amigos não éramos perfeitos, como namorados não podia dizer que seríamos. Brigávamos, discutíamos e ríamos muito. As risadas ultrapassavam qualquer coisa entre a gente, mas eu tinha ciúmes dela e talvez foi esse meu ciúmes que estragou tudo.
não era mais a menina de óculos estabanada, ela tinha se tornado uma mulher muito bonita. Nas aulas continuava usando óculos, mas aderira as lentes de contato, também começou a vestir com roupas mais bonitas, um visual meio indie geek como ela dizia. Ela chamava atenção, já no primeiro ano foi escolhida como representante e oradora da turma e as coisas não mudaram.
Era a editora do jornal interno da faculdade, trabalhava no rádio e ainda era monitora. Era fluente em espanhol e francês, e todos a adoravam. E eu? Bem, eu era apenas mais um jogador gigantesco de basquete.
Ela iria viajar com o seu grupo de física para mais um campeonato, e eu sabia que o Adam estava dando em cima dela. Eu queria a proibir de ir, trancar ela em casa e ficar a vida inteira abraçado à ela. Mas isso não aconteceu.
não é o tipo de menina que você a impede de fazer alguma coisa, ela que te impede. E ela me impediu de viver sem ela, tenho que conversar que aprendi muitas coisas com ela e me tornei uma pessoa muito melhor. Foi o seu desejo pela leitura que me fez tornar jornalista, um jornalista meia boca, mas estou aqui no New York Times. Acho que eles tem problemas, tipo tenho certeza, sabe?
Ela foi, iria passar duas semanas longe de mim. As duas últimas semanas de aula iria voltar exatamente no dia do baile de formatura, o único problema foi a festinha que ocorreu um dia antes.
Por mais que eu falasse com ela todos os dias, ainda estava com raiva. Ela estava na Califórnia e estava amando tudo que via e eu preso em Virgínia. Meus amigos acabaram me influenciando a ir à festa e eu fui.
Comecei a beber, não foi muito agradável, mas eu bebi muito. Não lembro do que aconteceu, tenho apenas alguns flash na minha mente. Alguns eu estou dançando com umas garotas do meu lado, no outro estou bebendo vodka do umbigo de outra e no outro estou beijando Stacy Maldore, a garota mais vadia da escola e em seguida acordei nu do lado dela, ela também nua.
Acordei já era tarde, querendo me matar. Como eu pude ser tão estúpido ao fazer isso e justo com ela? Corri para casa, meus pais já estavam preocupados com minha demora e não menti ao dizer que eu havia bebido. O único problema foi mais tarde.
Eram exatos 19:00 horas, o horário que eu havia ficado de passar na casa da , eu estava atrasado. Ela não havia me ligado, avisando que tinha chegado, mas minha mãe disse que ela apareceu de manhã e eu não estava em casa. A campainha tocou e ouvi minha mãe me gritando.
Ela estava na porta linda com um vestido azul, nunca a vi tão perfeita em toda minha vida. Desci as escadas sorrindo pronto para beijá-la e sentir seu corpo perto do meu, quando cheguei mais perto e senti o tapa na minha cara.
- Como você foi capaz de fazer isso comigo ? – Vi as lágrimas escorrendo de seus olhos, eu tentei segurar ela, mas ela me deu um soco no rosto.
Infelizmente sabia lutar, havia aprendido jiu jitsu na infância e sabia defesa pessoal. Ela me deu vários socos no rosto, torceu meu braço e lançou um chute em na boca do meu estômago. Resultado final? Um olho roxo, um corte no supercílio, um corte no lábio inferior, hematomas na barriga, um nariz quebrado. Mas nada disso se comparava com a dor de a ver indo embora e nunca mais a ver.
Agora caros leitores, vocês devem estar se perguntando? Por que diabos ele está se humilhando em rede nacional? Por que ontem eu a vi, ela sorriu para mim, me deu um beijo no rosto e disse para eu ouvir uma música. Mesmo depois de 10 anos ela ainda continua fã de The Wanted, e a música me encheu de esperanças.
eu nunca tive a chance de te pedir desculpas, de implorer pelo seu perdão. No dia em que tudo isso aconteceu – mais precisamente quando sai do hospital – seu pais me proibiram de te ver e você adiantou sua viagem para Stanford. A minha nerd esquisita foi aprovada em Stanford, na verdade foi aprovada em mais de 10 universidades, mas escolheu essa. Só fiquei sabendo três dias depois quando sua mãe me contou, iríamos juntos para Yale. Mas você foi ver o Sol para me esquecer, como havia dito na pequena carta que havia deixado para mim.

“Eu não posso te ver, pois irei te perdoar e eu não quero te perdoar. Talvez não fosse o nosso destino ficar juntos, por isso vou para a Califórnia. Vou ver o Sol nascer e se por todos os dias para eu lembrar sempre de você. Quando ele nascer irei lembrar dos nossos bons momentos e quando ele se por irei chorar, mas irei lembrar que ele voltará a nascer. Talvez um dia , a gente se encontre. Eu só não estou preparada para te ver agora, a magoa que está dentro de mim é forte demais. Por isso resolvi fazer o curso de verão de física de Stanford.
Com carinho, De sua .”

” Você deveria saber que eu te amo
Mesmo que eu não diga muito
Talvez você não tenha me entendido
Talvez eu nunca saberei o que fiz

[...]

Eu poderia ter te mostrado a América
Todas as luzes brilhantes do universo
Poderíamos ter alcançando as maiores alturas
Um lugar diferente, uma vida diferente
Lembre-se daquela noite debaixo das estrelas
Por um minuto eu pensei que o mundo era nosso
Tudo o que você tinha que fazer era me mostrar amor”

Não se preocupe, eu irei te mostrar amor. Irei te mostrar o quanto eu te amo. A continuação dessa história, vocês vão poder acompanhar no próximo domingo.

 

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