Segunda Lei de Newton

Escrito por Mah Vargas - Siga a autora no Twitter
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[Prefácio] [1] [2] [3] [4] [Epílogo]

Prefácio

“Toda ação tem uma reação”, essa é a Segunda Lei de Newton, ele não poderia estar mais certo. Seja quando você empurra o chão com o seu pé ao andar ou quando você quica uma bola ou no choque entre dois carros.


A Segunda Lei de Newton não vale só para a física, mas ela também vale para a vida. Seja quando você fala mal de alguém e ela descobre ou quando rouba um banco ou quando você faz a escolha errada.


A minha morte foi regida pela Segunda Lei de Newton, ela foi a reação de uma escolha errada, uma escolha que eu não percebi ter feito. Agora eu sofro com ela, por isso sempre pensem antes de agir ou aceitar algo. A Segunda Lei de Newton sempre te acha.


Christie Elliot


Capítulo 1

Christie andava pelas ruas de Nova Orleans rapidamente, era sexta feira, 13 de outubro de 1939, ela sabia que ia morrer. Fazia uma semana que ela ouvia coisas que ninguém mais ouvia, mas ela sabia o que era e quem os controlava.


Christie, com seus 25 anos era cantora de jazz em um bar no centro da cidade das seis horas da tarde até às onze horas ela cantava um jazz melancólico com sua voz rouca que seduzia vários homens. Depois dela começava J.A.M (jazz after midnight) que os negros apreciavam tanto. Usualmente ela ficaria, adorava ouvir aquele tipo de música, mas essa semana ela estava muito assustada.


Chegou em casa e trancou a porta, apesar de ser inútil, o que estava atrás dela não seria parado por barreiras físicas. Christie começou a tirar a roupa ali mesmo na sala, a casa era pequena e ela morava sozinha. Quando terminou se dirigiu para o banheiro, queria tomar um banho relaxante.


Ligou o jato do chuveiro, a água estava quente do jeito que ela sempre gostou, saía vapor d’água, embaçando os vidros. Christie cantarolava uma música qualquer, lavou o corpo com um sabonete com cheiro de rosas, em um dado momento as luzes piscaram e poucos segundos depois ela jurou ter visto um vulto do outro lado do box, que tinha o vidro fosco. Christie gritou, desligou o chuveiro e pegou o frasco de shampoo, abriu a porta do box lentamente e ao terminar de abri-la soltou um suspiro por não ver ninguém do outro lado.


Christie guardou o frasco de shampoo e pegou sua toalha, saiu do box e ao parar na frente do espelho seu sangue gelou dentro de suas veias, no espelho estava escrito.


“Voltei vadia;


- – Christie sussurrou assustada.

As luzes voltaram a piscar e isso assustou Christie ainda mais, pois quando as luzes piscaram minutos atrás, a mensagem apareceu no espelho. Correu para o quarto, uma idéia tinha surgido em sua mente, colocaria uma roupa e iria para algum lugar lotado, a chance de tentar matá-la em um lugar cheio eram mínimas.


Escolheu um vestido rosa e sapatilhas brancas, sentou-se em frente à penteadeira para arrumar seus cabelos dourados e Christie a viu, encostada no batente de sua porta. Ela tinha acabado de aparecer, Christie não se lembrava dela parada em qualquer canto da casa, bastou Christie piscar os olhos uma vez e lá estava ela, não tinha mudado em nada.

- Eu falei para você se lembrar do meu nome, não falei? – disse.

Capítulo 2

10 anos atrás...

Christie estava sentada em uma praça perto de sua casa observando as pessoas passarem, senhoras a olhavam feio por ela estar desacompanhada, algumas meninas mais jovens a olhavam com inveja. Aos 15 anos de idade, Christie Elliot era uma menina além do seu tempo.

Apesar de causar tantos olhares, Christie não os notava, estava presa em seus próprios pensamentos. Ela não acreditava no que seus pais estavam fazendo, negociando o futuro dela, Christie não queria se casar tão nova, queria viver, queria cantar jazz, como Peggy Lee fazia.

Ela suspirou alto, teria que desistir do seu sonho de ser cantora, seu futuro marido, Ford Charleston, um homem muito rico e poderoso, não a deixaria ser nada se não dona de casa.

Christie estava tão desligada do mundo real, que não notou a menina que se sentou ao seu lado. Ela devia ser poucos anos mais velhos que ela, tinha os cabelos bem curtos e negros, tinha os olhos negros como a noite e a pele extremamente branca.

- Você é uma rebelde não? Bem a frente do seu tempo - a menina disse para ela e Christie soltou um grito por causa do susto causado.
- Quem sabe? – ela respondeu dando de ombros - Se eu fosse tão a frente do meu tempo, não deixaria meus pais controlarem minha vida como estão fazendo nesse momento.
- Você se importa se eu perguntar o por quê?
- Não, eu preciso desabafar e quem melhor que um estranho? – com o olhar perdido no horizonte, Christie começou a desabafar. – Meus pais estão me arrumando um marido, um homem nove anos mais velho que eu, ele precisa de uma esposa jovem e bonita para ajudá-lo com a sua imagem, e não teria um modelo melhor que uma menina de 15 anos, loira e com grandes olhos azuis? Mas eu não quero ser madame, quero ser cantora.
- Uma pena isso, tenho certeza que você daria uma ótima cantora.
- Eu faria qualquer coisa para me livrar disso. – E essas foram as palavras mágicas para sua companheira de banco.
- E se eu te falasse que eu posso te ajudar? – e foram com essas palavras que a menina misteriosa captou a total atenção de Christie. – Mas é lógico que por um pequeno preço, nada na vida é de graça.
- Eu não tenha nada agora, mas se você esperar alguns minutos eu volto com o seu dinheiro, é só falar o preço.
- Pode ficar tranqüila, não quero nada agora, mas daqui a alguns anos eu volto - a garota estendeu a mão para Christie e elas trocaram um aperto de mão – Você Christie Elliot aceita esse pacto?
- Aceito – ela disse, uma onda gelada passou por todo seu corpo a fazendo se arrepiar.
- Meu nome é , guarde esse nome – Então Eduarda se levantou e foi embora. Então algo veio à cabeça de Christie, como a garota sabia seu nome se ela nunca se apresentou? Resolveu deixar isso de lado e caminhou pelo centro da cidade e parou em frente a um bar chamado “House of Blues”, em um impulso insano Christie entrou no bar que estava vazio por causa da hora e se dirigiu ao barman.
- Oi, eu gostaria de falar com o dono do bar – ela disse e o barman a mediu com os olhos.
- Você não acha que é muito nova para entrar em um bar desacompanhada?
- Não vim aqui buscando diversão, quero um emprego.
- Não precisamos de garçonetes, já temos garçons e eles estão dando conta do bar sem ajuda de mais um.
- Quem disse que eu quero ser garçonete? Quero cantar jazz, e quero fazê-lo aqui!
- Ei baixinha, o que seus pais vão achar de você se você virar cantora de jazz em um bar que nem esse, onde depois da meia-noite só se tem negros? – o barman debochou.
- Eu não ligo para a opinião deles, só para a minha, e eu quero trabalhar aqui – Christie disse com um brilho nos olhos.
- Teimosa você hein? Vamos fazer um teste baixinha, escolha a música e a cante, depois veremos o que fazer sobre isso – o barman propôs, ainda não acreditando que ela podia cantar.

Christie se dirigiu ao palco e começou a cantar Fever da Peggy Lee, a sua favorita. A voz rouca de Christie se espalhou por todo o recinto, a letra combinada com sua voz, era uma combinação perfeita, qualquer homem se arrastaria no chão de joelhos para tê-la cantando qualquer coisa em seu ouvido durante um momento de paixão. Quando ela terminou a música, encarou o barman com aqueles grandes olhos azuis e arqueou a sobrancelha direito o desafiando a fazer algum comentário negativo.

- Nada mal baixinha. Qual seu nome, aliás? Para eu poder te dar os seus futuros cheques de pagamento.
- Então você é o dono do bar? Interessante... Meu nome é Christie Elliot.
- Sim, eu sou, mas fico no bar para poder ficar de olho nos encrenqueiros. É um prazer tê-la trabalhando para mim Christie Elliot, eu sou Louis Smith.

Louis era um homem forte, alto, esguio, tinha ombros largos, era de origem européia, seus cabelos eram negros, mas seus olhos eram do mais profundo azul, devia estar na casa dos 30. Christie tinha que admitir, Louis era bem formado.

- Você começa amanhã baixinha – ele disse - Vá contar para seus pais a sua decisão.

E foi exatamente o que ela fez.

Capítulo 3

Como Christie tinha previsto seus pais não gostaram nada de sua notícia e tentaram convence-la de desistir daquilo, ameaçam-na de várias maneiras possíveis, mas Christie não cedeu.

A briga terminou com Christie de mala feita indo embora da casa dos pais, mas não antes de pegar dinheiro no quarto dos pais. Nos primeiros meses ela morou em um quarto que ficava em cima do bar e ela pagara por ele limpando o bar. Logo Christie achou um imóvel barato que ficava perto do bar e se mudou para lá.

Christie esperava encontrar esperando por ela em cada esquina, mas ela nunca estava lá. Os anos foram passando, Christie começou a relaxar, parou de esperar por e de procurá-la na multidão, e quando ela finalmente relaxou, apareceu.

Capítulo 4

13 de outubro de 1939

- Eu falei para você se lembrar do meu nome, não falei? – Eduarda disse
- Nunca me esqueci dele, – Christie que até o momento só a olhava pelo espelho, se virou e ficou frente a frente com – 10 anos hoje.
- Para você ter uma vida razoavelmente boa. Você sobe o porquê de eu estar aqui, não sabe?
- Cobrar a minha dívida... – Christie disse calmamente.
- Você não tem medo de morrer Christie? Porque é exatamente isso que vai acontecer com você. – chegava cada vez mais perto de sua vítima enquanto. – E tudo porque você não pensou duas vezes antes de aceitar o que eu lhe propus. – olhou a com um ar de pena, mas Christie sabia que era forçado, pois no fundo de seus olhos negros ela podia ver que se divertia bastante.
- Cantar já não tem mais graça, não se eu não possuo ninguém para dividir meus momentos de glória. – posou sua mão direito no rosto de Christie e acariciou sua bochecha com o polegar.
- Esse é o problema dos pactos, eles nunca valem o que vocês nos oferecem. – Depois disso disse algumas palavras em latim e então Christie sentiu uma dor aguda por todo o corpo, como mil facas penetrando sua pele e cortando seu corpo. Essa era a dor causada pela saída e separação de uma alma profana de um corpo humano, como um castigo de Deus por terem maculado algo tão puro. Logo uma luz vermelha saiu dos olhos de Christie e quando ela se apagou o corpo dela caiu no chão inerte, seu cabelo loiro estava todo espalhado no chão de madeira e seus olhos azuis que já tiveram um brilho único, agora estavam brancos e sem vida.

O demônio olhou para o trabalho feito com um ar de orgulho e sumiu, indo atrás de sua próxima vítima.

Epílogo

A Segunda Lei de Newton me pegou, eu poderia ter tido uma vida longa e feliz, Ford morreria no dia que nós nos conhecemos, ele iria atrás de mim e seria atropelado. Um ano depois eu iria conhecer o homem da minha vida, um “barão do petróleo”, nós nos casaríamos, teríamos três filhos, nenhum iria procurar por sexo em outra cama. Meu marido me deixaria cantar sempre, e eu dividiria todos meus triunfos e minhas derrotas com ele, mas juntos nós superaríamos o que viesse se colocar no nosso caminho.

Minha decisão mudou tudo, Ford viveu por anos e abusou de suas três esposas, o que deveria seu meu marido casou-se com outra e foi extremamente infeliz, terminando sua vida em uma terça chuvosa depois de pegar a esposa e seu sócio na cama juntos e eu fui fadada a uma meia-vida com a mesma ocupação de quem me colocou aqui, eu sou um demônio.

Christie Elliot

Fim

 

Comentários da autora

 Gostaram? Eu gostei de escrevê-la, foi divertido. KKKKKKKKK O que vocês acharam de serem as vilãs? Um demônio que compra e vende alma de pessoas indefesas que faziam qualquer coisa para atingir seu objetivo. KKKKKK Alguém aqui é assim? Desistiria de sua alma para conseguir algo que deseja muito? Eu não. Che




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