Roses

Escrito por Laura Weiller - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Hels



- Por que nada nem ninguém irá nos separar. - O garoto jogou as rosas vermelhas em cima da terra batida, uma única lágrima escorreu pelo seu rosto enquanto ele colocava as mãos no bolso e dava as costas para aquela que sempre esteve do seu lado. Talvez fosse para ser assim, ou talvez não fosse. Quem sabe eles não iriam se reencontrar em algum lugar?


Em um grande jardim uma pequena criança corria pelo jardim brincando com seu cachorro. Sua risada infantil podia ser ouvida de dentro da bela casa coloquial, dentro da mesma as empregadas trabalhavam para que o almoço saísse perfeito. Hoje era uma data especial, estaria completando cinco anos. A mãe do garoto bordava calmamente na varanda do jardim observando seu garoto, enquanto aos seus pés sua filha mais velha de oito anos brincava com suas bonecas.
O choro do mais novo interrompeu a concentração das duas mulheres, a mais velha saiu correndo em direção ao garoto que chorava com as pernas machucadas. Ele havia caído no roseiral de sua mãe, a pequena ficou observando aquela cena. Sua mãe pegou seu irmão no colo e foi correndo com ele para dentro de casa, pela fresta da porta ela viu o colocarem em cima da grande mesa e limparem os arranhões. A garota portadora de longos cachos dourados caminhou calmamente até o roseiral e de lá pegou a rosa mais vermelha que tinha.
Dentro da cozinha o menor choramingava, enquanto a empregava passava ungüento em suas pequenas pernas. Ela parou na porta e ficou a observar aquela cena, a mãe abraçava gentilmente o menor enquanto lê dizia palavras de consolo, repousou um beijo em sua bochecha dizendo que tudo ficaria bem. Ela subiu rapidamente as escadas para pegar uma gaze limpa.
- Tira isso daqui. - O pequeno resmungou tampando os olhos com as mãos. - Isso machuca. deu um pequeno sorrido e passou a pétala da rosa delicadamente pelo rosto de seu irmão.
- Ela é delicada. Toque. - passou seus dedos com certo receio pela as pétalas da rosa. - Sabe o que ela representa? - Viu seu irmão balançar a cabeça pro lados e logo respondeu. - Alguns dizem que representa a paixão ou amor. Mas para mim representa a vida.
- A vida? - Perguntou o menor admirado com as palavras da irmã.
- Sim. - Ela respondeu com simplicidade. - Se você observar suas pétalas irá ver que algumas são perfeitas e outras não. Ela possui espinhos, assim como na vida. Você ainda encontrará várias rosas em sua vida e vários espinhos, só tem que aprender a lidar com cada arranhão.

1875 - Paris - França


A garota olhou para baixo e sentiu uma leve vertigem, mas o sorriso presunçoso de Amanda a fez tomar coragem. Respirou fundo, inalando aquele ar congelante, rapidamente subiu na barra de proteção da sacada e se jogou ao ar livre. Sentiu a água encharcar sua roupa e seus cabelos, subiu a superfície e viu lá de cima as outras meninas gritando e aplaudindo, logo as outras sacadas foram se enchendo de mais garotas. Mas toda essa algazarra foi interrompida por um apito longo e estridente, Irmã Simone estava a caminho.
- Senhorita Weiller me acompanhe, por favor. - Disse ríspida. A garota saiu de dentro da piscina dado um leve aceno para as amigas que a observavam lá do quinto andar. Logo estavam na porta da sala do diretor da escola, a menina revirou os olhos e bufou alto.
- Com licença, Padre . Eu sei que é tarde, mas a Senhorita Weiller passou dos limites dessa vez. - A cada palavra proferida pela freira seu tom de voz ia aumentado.
- Pode deixar comigo irmã, vá descansar. - O padre deu um simples sorriso indicando a porta com a mão. A mulher saiu dando um olhar mortal para .
- Então Senhorita Weiller, o que te trás a minha sala? Pela oitava vez essa semana? - Ele perguntou cruzando as mãos e olhando risonho para a garota. A mesma se jogou na cadeira a frente do homem e começou a secar seus cabelos com a toalha.
- Eu pulei na piscina. Só. - Disse com naturalidade.
- A senhorita apenas pulou da piscina? - Sua sobrancelha direita se ergueu levemente.
- Sim. Apenas pulei do quinto andar na piscina.
- A senhorita sabe que isso é algo muito grave, não sabe? Poderia ter se machucado, mas graças ao bom Deus nada te aconteceu. - Ele se ajeitou na cadeira e soltou o ar de leve pela boca. ? Não sei mais o que farei contigo, senhorita. A cada dia você apronta alguma coisa. Está querendo ser expulsa?
- Você pegou o espírito da coisa. - Ela deu uma piscadela sorrindo.
- Ficará um dois meses de detenção. Deverá ajudar as irmãs na cozinha durante esse tempo.
- O que? Eu não sou empregada dessa escola, eu sou a a-l-u-n-a. Entendeu? - levantou-se brutalmente deixando a toalha cair no chão. - A Melissa Wards cortou o cabelo da Susan e o senhor só deu uma suspensão de uma semana, e irá me transformar na cozinheira da escola?
- Bem , eu ainda tenho esperanças em você. Você é apenas uma pequena rosa com muitos espinhos, que aprendeu a se defender da pior forma possível. As outras eu já perdi a esperança, nelas só restam espinhos. Mas eu ainda vejo delicadas pétalas em você.

1917 - Moscou - Rússia


Ao longe ouviram o som das bombas serem disparadas. A mãe tentava, inocentemente, fingir que tudo era normal, a mais velha dos três irmãos brincava com eles na sala de estar, mas foi quando um longo apito interrompeu a brincadeira dos três. A senhora Weiller apareceu desesperada na porta da sala, pegou o pequeno Isaac no colo e gritou para que pegasse o caçula. Ela correu até a porta da frente da casa, mas foi surpreendida com tiros vindo em sua direção.
apenas conseguiu se jogar no chão com o pequeno Benjamin no colo, enquanto sua mãe caiu do outro lado.
- Corra. , rápido. - Sua mãe dizia com a voz falha, olhou para o peito da mesma e viu seu pequeno irmão todo ensangüentado.
Ao olhar pela porta, viu os soldados vindo em sua direção, correu para o segundo andar, mesmo sabendo que essa seria uma luta perdida. Eles a acharam e arrastaram-na até o térreo. Ela se encolheu em um canto com Benjamin chorando.
- Judia imunda. - Um dos soldados chutou o corpo de sua mãe, a garota tentou gritar, mas nada saiu pela sua garganta além de um pequeno soluço.
- O que iremos fazer com eles? - Perguntou outro soldado para um dos mais velhos. Ele olhava tudo com superioridade e uma pitada de arrogância.
- Iremos levá-los para Belsen. - Sua voz fria vez gelou o corpo de , ela levantou seu olhar até ele. Seus olhos se encontraram. Por algum motivo que não soube explicar, ela sentiu esperança.

Algumas semanas, ou meses, ou talvez apenas dias houvesse passado. e Benjamim sempre dormiam na barraca do tenente Ziel, ele passava a maior parte do seu tempo fora, mas nunca faltava comida para os dois. Quando ele chegava à noite, perguntava se alguém havia a tratado mal, dava-lhes comida e dormia. Mas foi em uma noite, que tudo mudou. Ele chegou em silêncio, pediu para que ela vestisse umas roupas que havia levado e que agasalhasse bem seu irmão.
Rapidamente a menina o obedeceu. Ele os conduziu até um carro. Havia apenas um jovem rapaz que dirigia em silêncio e os três iam atrás. Ela se atreveu a olhar pela janela, mas nada viu além da neve caindo. Benjamim há muito tempo parara de chorar pela mãe e aprendera a ser forte pelos dois. O Tenente Ziel saiu do carro e logo abriu a porta para a garota, estendendo a mão para ela com um doce sorriso.
- Venha pequena. - Disse gentilmente, guiando os irmãos a um pequeno avião. - , você agora terá uma nova vida. Estou te mandado para outro país onde poderá começar uma vida nova com seu irmão. Terá todo o conforto do mundo, irá viver em minha casa como minha irmã, não terá que ter mais medo. - Ele sorriu e beijou suavemente sua testa. - Não se preocupe minha pequena rosa, eu te protegerei.

1935 - Baixa Saxônia - Alemanha


Vários alunos desciam as escadas apressados, os mais velhos passavam pelos menores sem se importar. Mas uma pequena garotinha com seus cachos loiros, olhava lá do topo segurando firmemente sua mochila.
- Não vai descer, ? - Perguntou um de seus coleguinhas.
- Ela é muito grande. E mamãe disse para eu cuidar dela direito. - Disse apontado para a grande mochila de carrinho cor de rosa. O menino deu um sorriso debochado e pegou sua mochila pela alça e saiu carregando.
- Ande logo. - Disse já a um lance de escada abaixo.
- Ela está muito pesada. - A loirinha reclamou, soltando a mochila na escada e puxando ela. Cada vez que a mochila batia em um degrau da escada, essa fazia um enorme barulho.
- Não vai estragar? - Perguntou o garoto olhando a menina, enquanto, com grande esforço, descia as escadas com sua mochila.
- Vai. - Ela deu de ombros. - Mas eu que não vou ficar carregando peso.
Aquela cena seria o inicio de muitas cenas e de uma longa história.
A menina entrou no quarto do garoto, deu um rápido ?oi? e se jogou na cama, já quase dormindo. Ele continuou no computador ignorando os murmúrios da mesma.
- Eu não agüento mais aquela escola, . - Ela disse se sentando na cama. - Se eu acordar mais um dia cedo, juro que vou morrer.
- Se eu fizer mais uma prova de matemática eu juro que vou morrer. - Ele ergueu a sobrancelha rindo, logo os dois começaram um assunto que não tinha fim. O trabalho que era pra ser feito foi deixado de lado.


- Ahh... Droga, droga, droga. Por que todo homem tem que ser tão filho da puta? - xingava na porta da escola, andado de um lado para o outro.
- O que houve ? - Perguntou seu professor.
- O filho da puta do retardado do Alberto que até agora não veio me buscar. - Ela deu um sorriso irônico. Logo avistou um fusca azul vindo em sua direção. Entrou como um vulcão dentro do carro. Eles foram para o ginásio onde estava havendo uma feira de exposições.
Chegando lá, foi correndo para o stand do Izidoro para eles poderem ir para a festa. Mas ele ainda não podia sair, ela resolveu dar uma volta com o Alberto e encontrou com a Camila, a mesma disse que iria para festa. Ao voltar no stand, Izidoro ainda estava fazendo uma pequena apresentação.
- Izidoro, vamos embora. - A menina disse autoritária. - Eu que organizei toda a festa para ele, e não vou estar lá? - Perguntou chorosa. O menino abraçou a namorada sorrindo e deu um selinho nela.
- Vou ali conversar com meu professor e nós vamos. - Logo ele voltou. já havia chamado a Camila e o Dudu para a festa e os cinco foram correndo.
- CHEGUEIIII. - Gritou a garota, correndo na direção de seu amigo para abraçá-lo fortemente.
- Todo mundo dizia que você não iria vir, mas eu sabia que viria. - disse num abraço apertado.
- Está achando mesmo que eu perderia a festa que eu organizei? - Ela falou balançando o cabelo e pondo a mão na cintura. - E do meu melhor amigo? - Riu o abraçando mais forte ainda.


- E ai o que achou? - Os dois estavam do lado de fora da casa.
- Gostei. Sério, muito obrigado. - Ele sorriu sincero para a amiga. - Só não gostei muito de terem trazido bebida alcoólica, sabe eu pedi para não trazerem.
- Não podemos ter tudo que queremos. Eu impedi os meninos de trazer, e, sério, quando vi a garrafa fiquei com vontade de jogar fora. Sabia que ficaria chateado. - comeu mais um pedaço de seu bolo. - Mas que meu bolo ficou uma delicia, ele ficou.
- O Jhonathan me contou como foi. O forno explodiu. - O garoto começou a rir, e logo o acompanhou na risada.
- Sim, eu pensei que ia morrer. Ai, lá vai eu, linda e poderosa, junto com o Jhonatan atrás de um forno emprestado. Fomos parar na padaria. Os dois lindos, com farinha no cabelo. Você se lembra do L²?
- Nada nem ninguém irá nos separar. - abraçou a garota forte, os dois voltaram pra festa rindo. - Dez anos te aturando garota, como eu aguento?

2010 - Itumbiara - Goiás - Brasil


- Mas é o que todos estão dizendo Mehiel. - A pequena criatura deixou algumas lágrimas escorrem pela sua face. - Querem nos separar.
- Não se preocupe, eles não vão fazer isso Melahel. - O querubim, que era alguns centímetros mais alto que o outro, o abraçou, logo depositou um beijo em sua testa. - Eles não podem nos separar, fomos criados para ficarem juntos. Não vê? - Eles eram iguais, nem a cor dos olhos ou a tonalidade de suas peles mudava em nada, apenas alguns centímetros. Mehiel era o mais alto, e Melahel um pouco mais baixo, batia no ombro de Mehiel. Eles tinham a altura perfeita, perfeita para se abraçarem.
- Querubins venham. - Um anjo alto chamou os pequenos, eles se levantaram e, de mãos dadas, foram ao encontro de seus destinos.
- Eu não queria dar essa noticia. Mas é minha obrigação. - A voz de Cahethel soava calma. - Vocês irão para a Terra. Vocês se esquecerão que foram feitos da mesma matéria. Deverão aprender a se amarem e a cuidar um do outro. Voltarão para cá e deverão retornar à Terra quatro vezes. O quarto retorno será o mais longo e doloroso. Será o mais difícil e a prova final. Vocês devem permanecer juntos, um sempre protegendo do outro. Deverão ser irmãos, deverão ser um só, assim como são aqui.
- Mas por que nos separar? - Ouviu-se a voz de Mehiel como apenas um assovio.
- Essa será a prova de que as tentações da Terra não separam um amor de verdade. Será a prova de que o Pai Celestial fez a escolha certa ao criar dois seres do mesmo núcleo. Lembrem-se: haverá momentos em que um não desejará ver o outro, vocês irão se separar, vocês irão brigar, mas sempre deverão se amar.


- Bem que você disse minha amiga, não passaria dos trinta. Mas fico feliz em saber que durante todos esses anos nossa amizade só se fortaleceu. Nunca vou esquecer daquela menina magrelinha descendo as escadas puxando a mochila. Nunca vou esquecer nossas dificuldades e nossos sonhos. Trouxe rosas para você, lembra? Rosas são como a vida, elas tem os espinhos e as pétalas. Quantos espinhos não encontramos em nosso caminho, não? - respirou fundo. - Por que nada nem ninguém irá nos separar.
A amizade é feita nos céus e separada na terra, é uma prova para saber se os verdadeiros amigos se reencontraram.

 

Comentários da autora