Maybe

Escrito por Gabriela Pereira - Siga a autora no Twitter
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Música: Little Things, por One Direction

caminhou em passos largos pelo corredor, as cores das paredes brancas, as poltronas de espera azul, as pessoas que choravam encolhidas em suas cadeiras, o cheiro de hospital que começava a impregnar a sua roupa, tudo isso o deixava tonto, maldito acidente!

Passou pela porta do quarto e a fechou atrás de si, agora ele teria um tempo com quem ele mais desejava, estava deitada na cama com tubos ligados em seu nariz, as marcas do acidente do carro já tinha saído, capotar três vezes, ela sempre gostou de aventuras, não é mesmo? Ele sentou na beirada da cama e segurou na mão de , as mãos dela sempre se encaixaram na dele, como se fossem feitas uma para a outra, ‘Coisa do destino’, ele costumava dizer, a mão dela menor que a dele, com dedos longos e finos e a mão dele com seus dedos grossos, um encaixe perfeito, elas foram feitas para ficar juntas.

- Está melhor meu amor? – ele fez carinho nas bochechas de com a mão livre – soube que seu quadro está melhorando, não gosto de hospitais, saia dele por favor! – sorriu – suas sardas estão marcando mais com essa sua pele pálida sabia? Você iria odiar se ver agora, sem bronze nenhum – seu indicador deslizava pelas bochechas da menina, como quem liga os pontos, ele como sempre imaginando formas, ele seguiu com seus dedos para os olhos dela, os contornando com delicadeza, observando o pequeno desenho que eles faziam, ali no canto, marcadas bem fraquinhas estavam as rugas que se formavam quando sorria, ela simplesmente as odiava, mas agora ali, quase imperceptíveis elas pareciam lembra-lo de momentos dos quais ele não queria esquecer, ele queria vê-la reclamar das rugas novamente, ele queria ver ela sorrir, para elas então ficarem marcadas. Uma lágrima se formou no olho de , sua pequena estava ali tão indefesa, tão vulnerável, não era justo, três meses nessa situação, três meses de comam, ele como sempre fez o que considerava ritual, buscou dentro do armário o hidratante dela e a descobriu, ele colocou um pouco do creme na mão e passou nela, começando pelo pé, e subindo aos poucos pela panturrilha e coxas, a lágrima que havia se formado um pouco antes agora escorreu pelo rosto de , o casamento deles seria ser em duas semanas, se ainda fosse haver um, ele observou a pequena tatuagem de pássaro na coxa direita da garota, ele sorriu se lembrando do dia em que ela foi feita:

- Sério , olha essa barriga enorme! – ela dizia parada em frente ao espelho, a barriga não era enorme, era normal – e para ajudar ela junta com essa coxa enorme! Você já viu o tamanho delas? Eu as odeio, odeio! – estava sentado na cama rindo enquanto olhava se observar em frente ao espelho, ela vestia um top e a calcinha, o vestido estava estendido na cadeira ao lado – quando eu sair do estúdio de tatuagem hoje, essa coxa será muito mais bonita – gargalhou em frente ao espelho  e se virou para o – desculpe, eu estou parecendo uma idiota! – ele se levantou sorrindo
- De forma alguma! Está parecendo...a ! – ele deu um beijo na ponta do nariz da garota, e depois a beijou com carinho – e não reclame das suas covinhas aqui atrás – ele falou colocando a mão ao final da espinha da menina, onde pequenas covinhas se formavam – você não diz, mas sei que não gosta delas, elas são perfeitas!

beijou a testa de e sussurrou em seu ouvido o quanto ele a amava, ele voltou para o carro e para casa, ligou a luz e se jogou no sofá, ele contou até dez antes de deixar as lágrimas descerem pelo seu rosto, e quando elas finalmente pararam ele subiu para o quarto, tomou um banho demorado, comeu um lanche improvisado na cozinha e foi para o sofá da sala ler alguns e-mail no notebook, ficou um tempo fazendo seu trabalho quando viu a pasta ‘Para o casamento’ salva, havia feito ela para o grande dia que deveria chegar logo, e ele iria, ia se recuperar, ele tinha certeza de que ela iria.

Ele abriu a pasta e encontrou ali várias fotos e vídeos, ela estava escolhendo qual iria usar para o casamento, ele passou de foto em foto, ele então abriu um vídeo, os dois estavam sentados no sofá olhando para a câmera rindo, segurava um violão e Manianna prendia o cabelo em um rabo enquanto ele falava.
- Vamos lá , será só um vídeo nosso cantando, não vai ser tão ruim assim – as bochechas delas estavam coradas devido a quantidade de álcool ingerida antes da filmagem
- Eu odeio a minha voz gravada! – ela falou em meio a risadas
- Disso eu já sei mocinha! – ele lhe deu um selinho e começou com as primeira notas, ela então o acompanhou nas primeiras frases da musica, e logo depois foi se soltando, os dois gargalhavam nas pausas entre um verso e outro, sorriu no sofá, ele então trocou de vídeo, colocou um em que os dois estavam viajando, apareci no vídeo com cara de sono, ele ainda estava deitado na cama com a cara amassada.
- Estamos em Roma e ao que parece eu não posso acordar tarde, porque a senhorita mandona já está de pé – ele virou a câmera para filmar uma que se apertava para entrar no jeans
- Bom dia senhor dorminhoco – ela sorriu  - hora de levantar! E pare de filmar o meu fracasso com a minha calça!  - ela jogou um travesseiro na direção da câmera.
- Você é perfeita sabia? – ele disse ainda filmando ela, que sorriu envergonhada e mandou um beijo para a câmera antes de entrar no banheiro, voltou a se filmar.
- Olha, você nunca vai se amar da forma como eu te amo – ele coçou o olho- e você talvez nunca vá se tratar bem, mas querida eu quero que você faça isso, e quando você parar para ver os vídeos da viagem e ver esse aqui, bem, eu estou aqui por você e eu amo muito você.

trocou de vídeo, era o ultimo, onde eles estavam sentados na cama enquanto tomavam um chá.
- Vai mesmo me filmar tomando um chá ? – sorriu – por que disso?
- Estou juntando provas!
- Provas?
- Você vai tomar o chá como faz todas as noites, e depois vai dormir – concordou com a cabeça enquanto tomava um gole da xícara- e depois você vai começar a falar, enquanto dorme.
- Eu não falo enquanto durmo! –ela olhou para ele seria.
- Sim, você fala, todas as vezes em que toma chá antes de dormir
- Isso é mentira! – ele riram.
- Tá, se você acha! – ele filmou mais alguns segundos e depois a tela ficou preta para voltar cinco segundos depois com foco na que estava com o rosto afundado no travesseiro e o cabelo cobrindo um pouco o rosto, ela murmurava algumas coisas, falava sobre um pintinho que nadava – viu, eu falei que você dormia falando – comentou de fundo rindo, ele tirou o cabelo dela da cara deixando a mostra o rosto sereno da menina – o que mais você tem para me dizer querida? – ela murmurou algo sobre pássaros que falam, e apesar de não fazer sentido nenhum, ainda tentava tirar mais dela, enquanto ria.

Ele terminou os vídeos e pegou um pedaço de papel e caneta, ele estava cansado de não ter mais por perto, ele estava casado de não ter mais todas essas pequenas coisas dela para fazer ele a amar mais, então ele escreveu:

Sua mão se encaixa na minha como se fosse feita só para mim, isto era destino querida. E estou ligando os pontos com as sardas em suas bochechas e mesmo que você não esteja vendo isso,  tudo faz sentido para mim.  Sei que você nunca amou as rugas nos seus olhos quando você ri, mas eu daria tudo para te ver reclamar delas novamente, você nunca amou a sua barriga e as suas coxas e muito menos as covinhas em suas costas, mas eu as amarei para sempre!
Eu não vou deixar essas pequenas coisas saírem da minha boca, porque sei que você ficaria muito brava, mas  se deixar é porque é  você, quer dizer, é você que elas formam, estou apaixonado por você e por todas essas pequenas coisas.
Você não consegue ir para a cama sem uma xícara de chá e talvez seja por isso que você fala enquanto dorme, e você não acredita em mim quando digo isso, mas de qualquer forma, todas essas conversas são os segredos que eu guardo, embora isso não faça sentido para mim. Sei que você nunca amou o som da sua voz gravada e que você nunca quer saber quanto você pesa  e reclama porque tem que se apertar para entrar em seus jeans, mas você é perfeita para MIM!
Você nunca irá se amar com metade da intensidade com que eu amo você e você nunca irá se tratar bem, mas quero que você faça isso e se eu lhe disser  ‘Estou aqui para você’, talvez você se ame como eu amo você
Eu simplesmente deixei essas pequenas coisas saírem da minha boca, ou dos meus dedos, porque é você, é VOCÊ !
E eu sou apaixonado por você e todas essas pequenas coisas, volte para casa depressa meu amor!

Assim que terminou de escrever a carta o telefone tocou, limpou as lágrimas dos olhos e caminhou em passos lentos até o telefone, já estava tarde e ele não podia imaginar quem era, mas ficou surpreso com o que ouviu.
- Desculpe incomodar, mas eu sou a enfermeira do Hospital St. Luzia e preciso falar com o responsável pela senhorita – o coração de disparou naquele momento, ele fitou a carta em sua mão e viajou para dentro dela, ele respirou fundo e então respondeu.
- Sou , o responsável por ela.

 

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