Made in the Canada

Escrito por Hannah Avans - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Natashia Kitamura



Parte do Projeto Sorteio Surpresa - 6ª Temporada // Tema: Canadá

Peguei uma xícara de café na cozinha e voltei para o sofá assistindo um filme romântico qualquer. Eu estava depressiva, com saudades, saudades daquele país frio e confortável com o nome de Canadá, daquele inverno na capital ou até mesmo na maior cidade do país Toronto (onde morei por dois anos), saudades das mais variáveis comidas típicas e principalmente, o que eu mais sentia falta, era do meu grande amor, . Assim, , um garoto de vinte anos que parecia ter quinze, ele era um menino bom, querido por todos, odiado por poucos, também tinha uma beleza adorável (mesmo que beleza não mostra caráter), tinha olhos azuis, alto, seu cabelo loiro era perfeito e sua pele lisa, me lembrava da pele de um bebê. Como sentia falta disso.
Delicadamente, deixei a xícara no chão e me deitei no sofá, eu já não prestava mais a atenção na droga do filme, eu estava viajando para um ano atrás, na festa da independência do Canadá, primeiro de Julho, que lá é mais conhecido como Canada Day.

Flaskback
Eu estava tinha acabado de sair do banho, já vestida para uma festa que iria acontecer na faculdade onde estuda, era uma comemoração e cultura, era a festa da Confederação do Canadá, a independência conquistada.
Peguei minha bolsa branca e fechei o apartamento, me esperava lá embaixo, tinha prometido de me levar, já que deveria levar uma dama. Quando passei pela portaria, senti as famosas borboletas no estomago, ele estava perfeito, usava um terno preto, também tinha uma gravata vermelha e nas mãos um buque de rosas da cor.
- Feliz dia do Canadá – sorriu – É para você, minha cara Dama – me entregou o buque.
Sorri. Não é preciso dizer que é fácil se apaixonar quando é .
- Obrigada – agradeci e peguei o buque – criança, não precisava se importar – ao o chamar de criança, fez um careta.
- Tenho dezoito anos, – resmungou.
- Com um mental de quinze, – ri, entrando no carro, em seguida, ele – Te amo mesmo assim.
Ele balançou a cabeça e deu partida no carro. Liguei o som em um tom perfeito para escutarmos sem ficar surdos, tocava em seu CD uma música romântica que não identifiquei, mas eu tinha uma leve impressão que ela era bem antiga.
- Quem canta? – perguntei a ele.
- Uma cantora canadense que foi famosa da década de setenta, não faria diferença para você – respondeu rindo.
- Hey!
- Não protesta minha querida dependente – sorriu.
- Você é um chato – emburrei.
- Você é uma gata – rebateu isso me fez arrepiar.
[...]
O salão estava enfeitado em branco e vermelho, as pessoas estavam vestidas como se vestiriam numa festa de luxo e não com as cores da bandeira, isso me fez parecer idiota.
- Não adianta você ser independente de mim – sussurrou ele em meu ouvido – Você já depende de mim.
Novamente me arrepiei, virei meu rosto, encarando seus olhos azuis e cristalinos.
- O que você quer dizer com isso ? – perguntei, descendo meu olhar para sua boca.
Senti que seu olhar também estava firme em meus lábios.
- Bom, já esta na hora de você ser minha namorada – respondeu e me beijou.
Fim de Flashback

Depois daquele beijo, namoramos durante um ano, até que meu intercâmbio acabou, junto com a faculdade de publicidade. Foi tão doido terminar com ele, foi como se eu deixasse naquele lugar, também deixasse um pedaço de mim. Aquilo fora horrível.
Encarei a parede um breve momento, debati comigo mesmo sobre eu ter pintado a bandeira do Canadá nela por um instante até tomar uma decisão que mudaria minha situação e meu astral.
“Apesar, nosso amor foi feito no Canadá” – lembrei da frase mais usada por ele no dia que fui embora.
Peguei meu celular e disquei seu número, não importo de gastar todo meu crédito nessa ligação, ele era parte de mim e essa parte eu queria recupera-la, porque eu sei que isso é o certo fazer. É esse “sei” que constrói tudo em nossa vida, pois quando você sabe que pode, não vai haver ninguém para te impedir, é esse “sei” que você pensa quando você pode confiar em uma pessoa, é essa pequena palavra que muda tudo, que muda você quando ela aparece.
- – ouvi sua voz – Saudades.
- – sorri – Que bom ouvi sua voz.
- Sempre soube que era dependente – disse rindo.
- Descobri isso hoje – falei – por isso , estou abandonando tudo aqui para voltar para o Canadá.
Breves segundos de silêncio até ouvi sua voz novamente.
- Eu te amo.
- Também te amo – falei – Te amo muito garoto.
- E esse amor é para sempre – falou.
- Pois foi feito no Canadá – completei.
Também completei a vida dele, como ele completou a minha.

 

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