Lust

Escrito por Zã Nogueira - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Natashia Kitamura



Lust é o local onde todos querem ir para ver e serem vistos, porém poucos possuem o privilégio de fazê-lo. Ainda assim, muitos tentam e a fila de simples mortais querendo uma chance de pecar faz voltas no quarteirão onde aquele pedacinho do inferno emerge. Pois é exatamente isso que a Lust representa, um lugar onde o mais divertido dos pecados não somente é permitido, mas incentivado.

Capítulo 1

Mais uma sexta-feira à noite, centenas de pessoas haviam gastado horas se arrumando e agora tentavam a sorte na fila da porta do Lust. Isso não era problema para , obviamente. Ela nunca soube que é enfrentar uma fila, não desde os catorze anos, quando estrelou um filme teen de sucesso mundial, dando início a uma carreira esplendorosa. Até hoje, oito anos depois, pessoas ainda passavam por ela em carros em movimento gritando o bordão da personagem. Porém, ela não era mais uma garotinha, usando um Valentino e sapatos Jeffrey Campbell, desceu de seu carro se despedindo do seu motorista, caminhando confiantemente até a porta do Lust, onde foi recebida por Dallas, o forte segurança que ganhou um beijo na bochecha após desejar uma boa noitada à garota, enquanto a dava passagem. Já emergida nas sombras e sons da boate, foi até o segundo segurança, Carlos, que guardava o acesso aos camarotes. Se entrar na boate já era uma tarefa difícil para qualquer um, chegar até a área VIP era impossível. Como não era qualquer uma, ela nem ao menos teve de parar sua trajetória, já que Carlos prontamente abriu a longa cortina de veludo vermelho permitindo a passagem dela. Ela pôs-se a andar entre os camarotes, cada um tinha sofás e pufes de couro preto e vermelho, que combinavam com a decoração do lugar e eram separados por duas cortinas laterais formando as paredes que davam privacidade e permitia uma vista da pista de dança que ficava no andar de baixo, mas caso fosse desejado, elas podiam ser fechadas, envolvendo todo o camarote e dando privacidade total aos convidados. Eram quase duas da manhã, a maioria já estava ocupada, mas somente um estava fechado então enquanto caminhava, cumprimentava à distância outras celebridades como ela, que retribuíam os acenos, a maioria chamando-a para se juntar a eles, mas ela apenas sorria e prometia voltar em breve. Finalmente achou um sofá vazio e sentou-se, sendo logo atendida por uma das garçonetes.
A funcionária vestia um corpete de renda, shorts de couro e uma mascara também de renda que lhe cobria os olhos, tudo em preto, exceto os sapatos de salto alto vermelhos. A garota estendeu um menu para que logo pediu um drink. voltou a ficar sozinha, mas não por muito tempo.
- Não esperava te ver por aqui – Ela ouviu o sotaque britânico em seu ouvido antes de perceber a presença do garoto em seu lado.
- Olá, Harry – Ela disse beijando o ruivo na bochecha avermelhada dele – Ou deveria dizer, sua alteza?
- O que você preferir, docinho. Escute, eu tenho que ir, mas que tal você me acompanhar? Você pode ir para Londres de manhã comigo, vamos fazer como daquela vez, lembra?
- Não acho que sua avó ficou muito satisfeita com aquilo, Haz – disse sorrindo – E se bem me lembro, você até foi proibido por ela de aparecer em Las Vegas.
- Que nada, ela já esqueceu. Nem rola mais os olhos quando menciono você!
- Você fala de mim para a rainha? – A garota gargalhou.
- Ah, você sabe como é, ela tem que dar a sua benção para que nós possamos casar.
- Casar? Nos seus sonhos, príncipe...
- Outch, você já foi mais amável, – O garoto respondeu com uma piscadela e se esforçou para não suspirar.
- Da próxima vez que estiver na cidade, me avise com antecedência, assim podemos sair decentemente e não nos esbarrarmos por coincidência, tá bem? – Ela disse pondo-se de pé e encerrando a conversa, caso o garoto continuasse insistindo, ela cederia e não era aquilo que procurava naquela noite.
- Tudo bem – Ele disse assumindo a derrota, mas não satisfeito em sair de mãos vazias, tocou os lábios da garota rapidamente com os seus, antes de sair com um sorriso travesso.
apenas riu e voltou a sentar, a garçonete voltou com o seu drink e ela tomou um gole sentindo a tequila e limão em sua boca, relaxando enfim. Agora a noite poderia começar de fato.

Capítulo 2

- Uma margarita, Lewis – A garçonete pediu para o bartender enquanto observava o príncipe Harry se aproximar do sofá onde estava. Olhava os dois de longe e pensava na infelicidade de estar tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe daquele mundo. Imaginava como seria uma vida aonde um príncipe vem falar com você por livre espontânea vontade e não porque você não havia colocado vodka o suficiente no drink dele. E o que aquela tinha, de qualquer jeito? Ela nem era tão boa atriz e não era a mulher mais linda do mundo, ainda assim tinha milhares de homens aos seus pés. Não sabia se a odiava ou se a invejava, se queria que ela sumisse ou se queria ser ela, mas sabia que o rosto dela sempre estava na capa de revistas, em filmes e programas de tevê, em anúncios de marcas famosas. Todos os olhares eram para , enquanto ela estava ali, escondida por uma máscara e uma bandeja.
- Terra chamando ! – Lewis passou a mão em frente aos olhos da garota, trazendo-a de volta a realidade.
- Oh, obrigada – Ela colocou o drink na bandeja e caminhou até , que agora estava sozinha. A atriz sorriu e agradeceu, tomando um gole da bebida. voltou a caminhar pela sua seção da área VIP, nenhum copo deveria permanecer vazio, essa era a regra número dois ali – a primeira era não veja, não escute e não fale, segredos eram importantes para aquela gente.
- Querida! – Ela ouviu enquanto passava em frente a um sofá que mais parecia um harém. Alex Pettyfer cercado de “modelos” e “atrizes”. Elas sabiam que estavam ali somente porque ele permitira, então estavam fazendo seu melhor para trata-lo bem e quem sabe teriam a sorte de ser a escolhida da noite. Aproximou-se ao ver que ele balançava uma garrafa vazia de whiskey – Você pode me ver outra dessa? – Enquanto ele estendia o seu cartão para a garçonete, uma das garotas que o acompanhava beijava o pescoço do garoto e outra apertava a coxa dele, chegando cada vez mais perto da virilha, ambas sendo observadas pelas demais garotas que dançavam por perto, esperando a sua vez de tentar impressionar o garoto. Aquela cena enojava , ver aquelas garotas se diminuindo daquele jeito por uma chance com alguém que nem ao menos ligava para elas. Ela apenas acenou afirmativamente e se foi, não poderia ficar olhando aquilo por muito tempo sem que sua expressão entregasse o quanto ela achava aquilo repulsivo.
- Lew, uma garrafa de Johnnie Walker, por favor – Ela disse ao chegar ao bar, tirando a garrafa vazia de sua bandeja e colocando-a no balcão.
- O seu queridinho está aqui – Ele disse, apontando para o sofá de com a cabeça. Ela estava conversando com Josh Hutcherson.
- Não que eu tivesse chances antes – Ela disse colocando a garrafa cheia em sua bandeja – Mas contra ela nem é um jogo justo.
- Eu escolheria você sem pensar duas vezes – Lew disse.
- Você escolheria Josh, Lewis.
- Certo, mas se eu gostasse de mulher, seria você – Ele disse e a garota riu, voltando até o sofá de Alex. Quando chegou lá, Alex estava ocupado revezando-se em beijar outras duas garotas e pretendia deixar a garrafa e sair, mas o garoto levantou os olhos e afastou as suas acompanhantes por um momento.
- Obrigado, querida – Ele disse, tocando a mão da garçonete que apenas forçou um sorriso.
- Você quer que eu feche as cortinas? – perguntou percebendo que as garotas não pretendiam deixa-lo em paz por mais muito tempo.
- Olha, ela fala! – Ele disse fazendo uma cara de falsa surpresa.
- Somente o necessário – respondeu ainda com seu sorriso de aeromoça.
- Tem uma coisa extremamente necessária que eu ainda não ouvi saindo de seus lábios, querida. Qual o seu nome?
- Anukis – Ela respondeu. Aquela era a resposta padrão das funcionárias ali, na verdade aquele era o nome da deusa egípcia da sexualidade.
- Engraçado, da última vez que vim aqui, outra garota me atendeu e quando eu perguntei o seu nome ela disse que era .
- Acho que você está me confundindo com alguém – A garçonete respondeu ainda sorrindo, mas fazendo uma nota mental de matar Alisson assim que possível.
- Eu nunca confundiria esse traseiro, – Ele falou e piscou. A garota respirou fundo e se afastou, apesar da vontade de acertá-lo com a bandeja na cabeça, não valia a pena.

Capítulo 3

Josh Hutcherson era o tipo de cara que você queria apresentar para os seus pais, simpático, educado e sabia como fazer uma garota rir. Ele e eram amigos desde que fizeram um filme juntos três anos atrás, mas, apesar de todos os rumores e o fato de serem um casal na ficção, eles nunca foram e nem quiserem ser mais do que bons amigos. Ele é o tipo de cara que ela liga para convidar pra comer uma pizza enquanto assistem a algum jogo na tevê e ela é a amiga que ele pede conselhos quando quer impressionar uma garota. São como irmãos, mas melhor do que isso, não são irmãos de verdade. Naquele momento ele estava contando como ele estava interessado em uma garota que não dava bola para ele, o que para parecia impossível. Ela se surpreendia como Josh sempre aparentava ser mais velho do que era, enquanto todos os garotos da idade dele queria exatamente não ter compromissos, ele estava na contramão, querendo algo real para variar. A garçonete se aproximou perguntando se os dois queriam mais alguma coisa e Josh agradeceu, mas disse que não queria nada.
- Duas doses de tequila – disse recebendo uma olhada dele – Ah, você vai ter tempo de ficar se lamentando por causa da sua falta de sorte amanhã, quando estiver com muita ressaca para fazer qualquer outra coisa.
Ele apenas sorriu tímido e ela entregou o seu cartão para a garota, que saiu prontamente. Josh voltou a ficar pensativo e estava começando a ficar sem ideias para anima-lo, então quando uma música qualquer começou a tocar, ela pôs-se de pé e estendeu a mão para ele.
- Você já me viu dançando e acha que eu vou repetir aquele fiasco? Sóbrio?
- Você não é um ator? Atue! – disse fechando os olhos e dançando. Logo ela sentiu a mão do amigo em sua cintura e abriu os olhos, vendo-o sorrindo para ela. Missão cumprida, ela pensou ao passar um braço pelo ombro dele e os dois continuaram dançando. Josh se afastou um pouco e fez um dos seus passos, arrancando gargalhadas da amiga que fez um passo ainda mais ridículo. Os dois ficaram rindo e tentando superar um ao outro na arte de ser o pior dançarino.
- Certo, você ganhou – disse ao abraça-lo.
- Obrigado – Ele disse e os dois se afastaram somente o suficiente para olharem um para o outro.
- Não precisa agradecer, você fez por merecer, acredite – Ela riu, sendo acompanhada por ele.
- Não por isso... Por tudo.
- A qualquer hora, Joshua – Ela disse voltando a abraça-lo.
- Tequila! – Ele disse empolgado quando a garçonete retornou. Ele agradeceu a garota e estendeu o copinho para antes de fazerem todo o ritual para bebê-lo.
Assim que o fizeram, percebeu que Josh voltou a ficar tenso, mas dessa vez não tinha nada a ver com um amor que deu errado. Não dele, pelo menos.
- , Josh, quanto tempo! – O ex-namorado da garota se aproximou.
- Oi, John...
- Eu vou dar uma volta – Josh disse beijando a testa de . Ele não gostava de John, depois de passar tantas noites consolando depois de mais um término no namoro ioiô dos dois, era difícil achar que ele era um bom rapaz, muito menos que ele era bom o suficiente para namorar sua irmã.
- Josh, aproveita e fecha as cortinas para nós, campeão? – John disse enquanto passava o braço pelos ombros de . Josh parou e o fuzilou com o olhar, voltando a caminhar em seguida – Eu resolvo isso depois – John disse e ela não sabia se ele falava das cortinas ou de Josh, mas de qualquer jeito aquilo me irritava.

Capítulo 4

foi até o bar pedir as tequilas de e Josh e enquanto Lew as preparava, ela foi dar uma volta rápida, recolhendo copos vazios e pegando mais cartões enquanto memorizava o que deveria trazer. Aquela noite estava lotada, mas a maioria das mesas preferia garrafas de bebidas do que drinks, então ela não tinha tanto trabalho. Kanye West estava em um camarote com alguns amigos, gostava dele, sempre de bom humor e muito educado, ele era um dos poucos que gostava de ir para a pista e dançar com os mortais. Ashton Kutcher e Mila Kunis em outro, mas eles pareciam ocupados demais para beber qualquer coisa. Em outro estavam um grupo que ela não conhecia, mas deveriam ser famosos para estarem ali em cima, provavelmente modelos, já que eram lindos. Falando em modelos, um dos camarotes era ocupado por algumas, que bebiam vinho e dançavam, às vezes acenando para a plebe na pista de dança no andar de baixo.
Voltou ao bar, onde os shots de tequila já esperavam por ela, agradeceu Lew que apenas sorriu enquanto preparava algum outro drink. Caminhou até o camarote de e ela e Josh estavam abraçados. Apenas bons amigos uma ova, pensou, colocando os shots, limão e sal na mesa. Josh olhou para a garota e parecia empolgado em tomar a bebida. Ela gostava do jeito que ele sorria e ficaria encarando-o a noite inteira se possível, mas tinha mais o que fazer, então saiu dali. Voltou ao bar para pegar os drinks e garrafas que as demais mesas haviam pedido e continuou o seu trabalho.
- Esqueceu-se de mim, ? – Ela ouviu quando passou em frente ao camarote de Alex. Ele sorria, como sempre e parecia não se importar que duas de suas acompanhantes estivessem desmaiadas, cada uma em uma das pontas do sofá.
- Você quer que eu chame um táxi para as suas amigas? – disse. Aquele era outro serviço que o Lust oferecia, levavam os seus brinquedos para fora quando você se cansasse deles ou para a sua casa, caso você quisesse brincar um pouco mais, mas não pudesse ser fotografado com eles.
- Somente se você vier substitui-las – Ele disse e as garotas que ainda estavam acordadas se entreolharam assustadas com a possibilidade de nenhuma ser escolhida, como se aquilo fosse injusto e não fizesse parte do acordo. algumas vezes ouvira a mesma proposta de outros caras, a maioria jovens e irresponsáveis como Alex, mas ela não estava ali para isso. Não para caras como eles, de qualquer jeito.
- Isso não vai acontecer – Ela respondeu mantendo o sorriso no rosto, não queria dar motivos para que ele fosse reclamar dela para a gerência ou algo assim.
- Vejamos – Ele disse e se retirou visto que ele não precisava de nada além do que não podia ter.
A garçonete terminou mais uma ronda e foi até o bar deixar os pedidos com Lew, quando viu e John Mayer.
- Desde quando ele está aqui?
- Não muito tempo – Lew respondeu - Josh saiu assim que ele chegou.
- Espero que não dê briga, você sabe como essas coisas terminam.
- Sex on the beach.
- O que?
- O drink está pronto – Ele falou.
- Obrigada – Eu disse indo levar o drink de Chanel Iman até o camarote das modelos.

Capítulo 5

- John—
- Você ouviu?
- Faixa treze, claro que sim.
- O que achou?
- É muito bonita.
- É pra você. Sobre você. Eu sei que vacilei algumas vezes com você, mas foi um jeito de te mostrar que eu me importo.
- Obrigada – sorriu.
- Eu sei que não é a primeira vez que alguém escreve uma música para você...
- John...
- Eu sei, as coisas entre nós não dão certo. A gente se machuca demais, eu sei. Sei também que é minha culpa, meus ciúmes, minha indiferença, minha vontade de querer tudo e nada ao mesmo tempo, eu sei. Sou um péssimo namorado e você merece alguém melhor.
- Você também merece alguém melhor, John. Alguém que ame você do jeito que você é e não alguém que tente mudar tudo o que faz você ser você – disse séria, mas depois sorriu, sendo acompanhada pelo ex.
- Posso te pedir uma coisa? Pelos velhos tempos?
- Você quer que eu ignore a sua existência? Ou prefere que eu jogue um drink no seu rosto? Ou que te ligue de madrugada? Você sabe que precisa ser mais preciso, não é querido? – Ambos ainda sorriam.
- Na verdade, queria que você estrelasse nosso clipe. Para a faixa treze. Vai ser o próximo single.
- Claro, me liga qualquer hora dessas, vamos combinar as coisas – Os dois se levantaram e trocaram um abraço. sabia que eles não seriam grandes amigos, passaram por coisas demais pra voltarem a esse estágio, mas não havia motivos para se odiarem.
Ele se foi e ficou sozinha, mas agora aquilo a incomodava. Decidiu dar uma volta, quem sabe encontraria Josh por ali. Começou a caminhar, mas não foi muito longe, chegando à um camarote com dois rapazes.
- ! – Um deles disse e ela se aproximou, cumprimentando-os.
- O que há de errado com a Inglaterra que faz com que vocês britânicos estejam todos aqui essa noite? – A garota disse à Nicholas Hoult.
- Na verdade é a América que tem coisas mais interessantes para oferecer – Robert Pattinson disse piscando para a garota.
- Vocês viram Hutcherson por ai? – Ela disse mudando de assunto, a tensão sexual entre ela e Robert sempre foi grande, mas ela sabia que ele só estava agindo daquele jeito pela confusão que a sua vida pessoal se encontrava e não queria entrar naquela confusão.
- Ele estava aqui até agora, saiu pra te procurar. Disse que estava preocupado com você...
- Ah, nada demais, meu ex estava aqui e Josh não é o maior fã dele – abanou no ar – Mas chega de falar de ex, sobre o que vocês estavam conversando? – Ela perguntou e os garotos ficaram em silêncio se encarando – Não acredito! O que há de errado com vocês? Josh também estava se lamuriando por causa de um amor não correspondido ou algo assim. Eu acho que deveria escolher as futuras namoradas de vocês, porque convenhamos vocês tem um péssimo gosto. Menos você, Nick, obviamente. Aliás, porque Jennifer não está aqui?
- Ela está gravando o Tonight Show com Jay Leno.
- Ah, verdade, ela me falou! Bom, acho que deveríamos arranjar uns drinks para vocês e dançarmos um pouco, o que acham?
- Na verdade, nós já estamos indo embora – Robert disse.
- Já?
- Acho que foi meio prematura essa nossa ideia de sair – Nick disse olhando para Robert que deu um sorriso sem graça.
- Bom, amanhã Josh vai lá pra casa, se vocês quiserem ir, estão convidados.
- Infelizmente, eu tenho que viajar, divulgação do filme – Robert fez uma careta – Aliás, você vai na première de Los Angeles, não é?
- Com certeza! E você, Nick, pronto pra ver alguns caras suados atrás de uma bola?
- Muito tentador, mas eu vou encontrar Jen, quem sabe numa próxima?
- Com certeza – abraçou os dois – Eu vou atrás de Josh então, se cuidem!

Eles tomaram caminhos opostos e finalmente ela encontrou Josh, no corredor principal da área VIP.
- Está tudo bem? – Josh perguntou assim que ela se aproximou.
- Sim, John não ficou muito tempo de qualquer jeito.
- Olha, eu estou indo, você vai ficar?
- Porque está todo mundo me abandonando?
- São quase cinco da manhã, você quem deveria ter vindo mais cedo! – Ele sorriu colocando a mão no ombro dela – Mas está tudo confirmado para amanhã, né? Eu levo o sorvete de nozes.
- Certo, certo. Uma última dança, J Hutch?
- A gente se vê amanhã, – Ele sorriu e a beijou na testa, indo embora em seguida.

Capítulo 6

sorriu agradecida para Kanye quando ele saia dali deixando uma gorjeta considerável para ela.
- Se cuide, garota – Ele disse e ela acenou enquanto todos iam embora. Enfiou as notas no bolso e começou a colocar os copos na bandeja. Britney Spears ecoava em seus ouvidos quando sentiu uma mão firme em sua cintura. Virou-se para dar de cara com Alex com o mesmo sorriso sacana, mas dessa vez ele não se satisfazia em olhar, e suas mãos provavam isso.
- Me larga! – Ela disse firme, mas ele não parecia se abalar com aquilo. Na verdade, parecia se divertir com as tentativas da garota em se livrar dele.
- Seja boazinha – Ele falou deitando sobre ela no sofá. A cortina fechada impediria qualquer pessoa de ver a cena e mesmo que ela gritasse dificilmente alguém distinguiria as palavras dela da música que tocava – e naquela hora da noite era normal ouvir sons estranhos vindos de camarotes fechados. tentava resistir, mesmo com o peso de Alex sobre o seu corpo e as mãos dele segurando os seus pulsos. Eles usavam mais roupas do que ele gostaria, então foi logo tratando de mudar isso. Passou a imobilizar somente com uma mão e com a outra tentava abrir os shorts dela, o que não demorou muito para acontecer. Logo ele resolveu abrir a própria calça, mas o ângulo não era bom. Quando ele se afastou um pouco foi o suficiente para a garota o acertar no meio das pernas e sair correndo dali.
Assim que saiu de trás da cortina, esbarrou em Josh, que caminhava em direção à saída. Ela perdeu o equilíbrio - correr de saltos não era uma tarefa fácil – e caiu aos pés do garoto, ainda assustada com o que acabara de acontecer.
- Desculpa – Ela disse tentando pôr-se de pé. Alex logo ia aparecer ali e ela tinha que sair.
- Deixa eu te ajudar – Josh falou, pegando-a pelo braço. Foi então que ele notou uma marca no pulso dela – Está tudo bem?
A garçonete apenas balançou a cabeça afirmativamente, mas o garoto não estava muito convencido. Assim que ela se levantou, ele levou a mão até a máscara dela, removendo-a com cuidado. O rímel dela estava borrado por algumas lágrimas que caíram e ela se esforçava para se acalmar, mas a respiração ainda acelerada a entregava. Ela tentava engolir a bola em sua garganta e respirar, mas ainda não se sentia segura.
A cortina do camarote se abriu e Alex saiu de lá. Olhou para ela com raiva, mas logo notou a presença de Josh. Ele manteve o nariz empinado e Josh o encarou de volta ao notar que a garçonete ficara mais nervosa com a presença do outro.
- Vamos – Josh disse, guiando a garota para longe.

- Obrigada – Ela disse quando eles já estavam distantes – Mas eu deveria voltar ao trabalho.
- ? O que houve? – Lewis deu a volta no balcão ao ver a amiga se aproximando sem usar sua máscara que ainda estava na mão de Josh, que a acompanhava.
- Alex, eu acredito – Josh disse e ela confirmou.
- Alisson disse que faz tempo que ele está interessado em você.
- Não importa o quanto ele esteja interessado, não pode tratar uma garota assim – Josh disse.
- De novo, obrigada – limpou o rosto com um guardanapo – Mas preciso voltar a trabalhar.
- Não, vá pra casa, vamos fechar em menos de meia hora, peço para Ali cuidar da sua seção e depois eu faço a limpeza, não se preocupe.
- Lew—
- Eu posso te levar para casa.
- Eu ficaria agradecido e bem mais tranquilo se você fizesse isso – Lewis disse para Josh, virando-se para em seguida – E você me liga assim que chegar em casa.
- Gente, sério, não é necessário. Ele é só um idiota que bebeu demais, estou bem.
- Bom, então tá, se cuide – Josh deu um sorriso e partiu.
- Você sabe que nunca vai se perdoar por deixa-lo ir, não é? – Lewis disse depois que ele se foi.
- Eu pretendo esquecer cada minuto dessa noite, Lew – Ela respondeu ganhando um abraço do amigo – Agora me dê outra bandeja!
- Pode deixar – Ele disse passando para o outro lado do balcão – E também irei avisar a segurança sobre Alex, não se preocupe.
- Obrigada!

Capítulo 7

Eram quase cinco da manhã, aquele lugar estava prestes a fechar. fez seu último pedido e foi observar a pista de dança estava bem mais vazia. Pegou a sua bebida da bandeja da garçonete e resolveu descer, dançar até as luzes se acenderem.
- Finalmente – Ela mal havia pisado na pista de dança quando ele se aproximou.
- Faz horas que cheguei aqui, querido – Ela respondeu sem parar de dançar.
- Estava nos camarotes?
- Claro.
- Eu fiquei aqui embaixo a noite toda...
- Porque quis, ou você acha que algum segurança em sã consciência iria barrar Adam Levine?
- Eu prefiro ficar aqui embaixo.
- Você prefere ter centenas de mulheres e mais alguns caras babando por você, não é?
- Talvez – Ele sorriu torto e se aproximou ainda mais – Mas você sabe que eu não preciso de centenas se terei você, não é?
Ela podia sentir o cheiro dele exalando de sua camisa cinza, era convidativo de uma forma inexplicável. Tomou um longo gole de margarita e passou a mão pelos cabelos do rapaz, descansando-a no pescoço dele. umedeceu os lábios e os aproximou do rosto de Adam.
- E quem disse que você me tem? – Ela falou em seu ouvido. A intenção da garota era se afastar e deixa-lo correr atrás dela, mas ele não a deixou ir, passando ambos os braços pela cintura dela.
- Não tenho?
- E eu tenho você?
- Você está me vendo indo pra algum outro lugar?
- Em algum momento nós vamos responder alguma dessas perguntas?
Ele apenas negou com a cabeça e sorriu, antes de colar os lábios dela aos seus. retribuiu, ambos sabiam que fotos de baixa qualidade iriam estampar sites de fofocas em poucos minutos, mas estavam ocupados demais para pensar em qualquer outra coisa.

Capítulo 8

não podia estar mais aliviada com o fim daquela noite. Finalmente todos haviam ido embora, ela já havia feito a parte dela e se dirigia para o banheiro das funcionárias para se trocar.
- Onde está a sua máscara? – Alisson disse assim que ela pisou no banheiro.
- Oh, droga. Ficou com Josh!
- Duhamel? Faz tempo que ele não aparecia aqui!
- Não, Hutcherson.
- Você e essas crianças...

As duas se trocaram e encontraram Lewis, que as acompanhou até a porta, enquanto iam se despedindo do restante do staff. A calçada estava vazia, nem de perto parecia ser a mesma que horas atrás atraia centenas de pessoas, paparazzis e fãs enlouquecidas.
- Até amanhã – disse se despedindo dos outros dois. Ela morava do lado oposto do bairro que eles, apesar de não ser muito longe dali. Ela iria esperar por dez minutos pelo primeiro ônibus do dia e depois mais vinte até a sua casa e enfim poderia dormir e esquecer aquela noite. Ela caminhava pela rua quando um carro diminuiu de velocidade ao seu lado. colocou sua mão em sua bolsa, segurando o tubo de spray de pimenta com força, quando o carro parou alguns passos de distância de onde ela estava e Josh saiu do veículo.
- Oi, desculpe, não queria te assustar. É que eu fiquei com algo que é seu – Ele disse estendendo a máscara de renda preta para ela.
- Obrigada! Você ficou aqui até agora só para me devolver? – Ela a guardou na bolsa – Poderia ter deixado na portaria...
- Na verdade, eu estava quase em casa quando percebi que ela ainda estava comigo, eu estava pensando em você e no Alex e toda aquela situação e só quando me acalmei é que a vi no banco do carona.
- Ah, bom, sã e salva...
- Falando em carona, já que eu estou aqui e você não tem nenhuma desculpa para me dar, me deixe te levar em casa.
- Tudo bem – disse sorrindo e entrando no carro de Josh. Quem sabe ela não ia querer esquecer aquela noite por completo, no fim das contas.
- E então, certo? – Josh disse quando ambos estavam no carro.
- Certo – Ela disse com um sorriso nos lábios enquanto colocava o cinto de segurança.
- Eu sou Josh – Ele disse estendendo a mão para a garota que mantinha o sorriso no rosto.
- Eu sei – Ela apertou a mão dele e ele sorriu de volta, finalmente dando partida no carro.
- Acho que deveríamos igualar as coisas então, me fale de você – Josh disse, queria ouvir toda e qualquer coisa que aquela garota quisesse falar. Então ela contou sobre a vida antes da Lust, sobre a faculdade e a falta de dinheiro, sobre o trabalho indicado por Lewis, um colega de classe que virou seu melhor amigo desde então, sobre o minúsculo apartamento alugado em cima de uma delicatessen que provavelmente custava bem mais do que valia, sobre o orgulho grande demais que a impedia de voltar para casa sem estar bem sucedida, sobre a falta de tempo para namorados e quando se deram conta, ela já estava indicando o prédio que morava. Mas Josh queria continuar ouvindo e ela não se importava de ficar ali com ele, muito pelo contrário, então estavam os dois ali, sentados, carro estacionado, quase seis da manhã, em uma manhã fria e sem graça, mas ele não ligavam. Ele começou a falar também, sobre ele de verdade, Joshua Ryan Hutcherson e não o ator. Falou sobre a vida no Kentucky, sobre seus cachorros e seus gatos, sobre a família que ele sentia tanta falta. E então vieram os interesses em comum, Batman, motos e jogos de futebol americano.
- Sério? Amanhã eu irei assistir um jogo na casa de uma amiga, você poderia vir e torcer pelos Cincinnati Bengals!
- Então, foi um prazer te conhecer, mas acho melhor eu ir agora.
- Ah – Ele arregalou os olhos em surpresa – Tudo bem... Olha, me desculpa se eu falei alguma coisa errada, tá?
- Eu posso te desculpar por qualquer coisa, menos torcer pelos Bengals... – Ela sorriu, sendo acompanhada por ele.
- Então você pode ir e torcer pela nossa derrota – Ele tentou novamente.
- Hm, acho que posso fazer isso.
- Ótimo – Ele sorriu satisfeito e depois tentou se recompor, não querendo parecer desesperado demais, mas na verdade estava muito empolgado com aquilo – Posso te pegar aqui então? Podemos almoçar e depois ir assistir o jogo, tudo bem para você?
- Claro, mas eu tenho que estar no trabalho às oito.
- Tudo bem, eu te levo.
- Quem sabe você pode aparecer lá depois, se bem que eu vou estar trabalhando...
- Na verdade, eu não sou tão fã de noitadas assim.
- Como assim? Eu te vi no Lust todo fim de semana do ultimo mês ou mais, até!
- Ah, eu meio que estava tentando impressionar essa garota, mas não deu muito resultado.
- Oh...
- Quer dizer, nós vamos sair amanhã, mas ainda acho que ela não está muito interessada – Ele se esforçou em fazer sua melhor cara de cão abandonado e piscou para a menina que deu risada.
- Ela seria boba se não te desse uma chance – Ela disse. O sol já havia nascido, mas o calor ainda era tímido. Todos os músculos do corpo dela gritavam exaustos, mas ela não queria realmente ir embora, apesar disso, ele pegou o número de telefone dela e a garota se despediu.
Já em sua cama, um pouco mais tarde, queria se beliscar, mas limitou-se a sorrir e adormecer, o dia seguinte seria ainda melhor.

Capítulo 9

acordou com os olhos cansados. Precisou piscar os olhos algumas vezes antes de se acostumar com a claridade que invadia o quarto pela leve cortina entreaberta na janela. Aquela cama não era confortável quanto à dela, mas ela estava esgotada demais quando foi dormir para deixar aquilo impedi-la. Entretanto, agora que seu corpo parecia descansado, ele reclamava apesar do colchão de molas ensacadas e lenções de mil fios de seda egípcios. Ela levantou-se e começou a se vestir silenciosamente, se preparando para sair.
- Ao menos vai me deixar um bilhete? – Ouviu a voz sonolenta de Adam enquanto colocava os sapatos.
- Oh, desculpe, não queria te acordar...
- Esse é o plano de quem sai de fininho, não é?
Ela apenas sorriu e ele se levantou e colocou sua cueca, apesar de aparentar confortável com sua nudez, e caminhou até ela, tomando o rosto da garota em suas mãos enquanto beijava seus lábios.
- Vamos parar de fugir um do outro, só pra variar? – A voz dele estava uma pouco mais grave do que o normal, graças à sonolência que ele ainda apresentava. apenas assentiu com a cabeça sorrindo, ganhando outro beijo em seguida – Ótimo, então vamos achar alguma coisa mais confortável pra você usar e preparar um café da manhã?
- Parece uma boa ideia.

Fim

 

Comentários da autora



Hey, gente! Finalmente uma fic sem bandas {well, quase sem} e com vários britânicos <3 espero que vocês gostem de pecar um pouco ;)