Lonely Girl

Escrito por Beatrice Lachesth - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Mariana



Capítulo 1: This is it, the apocalypse

piscou repetidas vezes, tentando fazer seus olhos se acostumarem com a luz forte que vinha em sua direção. Finalmente, conseguiu distinguir as duas luzes dos faróis do carro e levantou-se de súbito, desequilibrando-se no ato e fazendo uma careta ao lembrar que havia machucado o pé esquerdo enquanto corria de uma horda de zumbis dentro do que um dia havia sido um grande supermercado. O rapaz já reconhecia o Ford F-150 Harley-Davidson preto, que se aproximava cada vez mais lentamente enquanto diminuia a velocidade e parava em frente a ele.
- ! - gritou um rapaz que desceu do veículo assim que ele parara, correndo em direção ao outro.
- Eu estou bem, Ethan. - disse, tentando tranquilizar o amigo. Ele tentou caminhar alguns centímetros, mas tudo o que conseguiu fazer foi dar um passo em falso antes de gemer de dor. - Outch. Acho que torci o pé. - admitiu e o mais velho aproximou-se, pegando um dos braços de e passando pelo seu ombro.
- Vamos, antes que algum zumbi apareça.
Ethan caminhou rapidamente para caminhonete, abrindo a porta traseira direita e ajudando o amigo a entrar antes de correr para o outro lado. Dentro da caminhonete ainda estavam Luke, Michel e Katherine. Luke era pai de , mas não era possível descobrir isso logo de cara. Luke era relativamente jovem para ser pai de um garoto de 17 anos e a única coisa que eles tinham em comum eram os olhos. A única diferença era que, enquanto o olhar de era cheio de esperança e infantillidade, Luke carregava uma imensa culpa e tristeza em seus olhos escuros. Ele perdera a mulher e a filha mais velha para a praga e isso o destruíra tanto quanto o deixara superprotetor em relação a . O banco do carona da frente do carro estava ocupado por Michel, um rapaz bonito de mais ou menos 23 anos de idade que tinha belos olhos cor de mel e cabelos loiros. Katherine era irmã de Ethan e a mais nova do grupo. Enquanto o irmão mais velho tinha olhos de ônix, assim como os cabelos, os olhos da garota de apenas 16 anos tinham cor de indicolita e eram particularmente bonitos para . Mas no momento, tudo o que ele pôde ver nos olhos dela foi preocupação antes que ela o abraçasse desajeitadamente. Ele retribuiu o abraço brevemente, mas logo a afastou de si.
- Eu... Eu fiquei preocupada, . Você disse que ia buscar mantimentos sozinho, e eu... Eu... Eu não devia ter deixado! - ela o abraçou de novo enquanto Luke dava a partida no carro, colocando no aparelho de som alguma música do Nickelback.
- Não, não. Você fez certo, Kath. Tudo bem. - ele sorriu para ela, afastando o abraço apesar de ter deixado a cabeça dela apoiada em seu ombro antes de voltar-se para frente.
- O que houve? - Michel perguntou, dando um longo suspiro. bufou.
- Eu queria tentar conseguir mantimentos, ouvi a Maya dizendo que estavam escassos lá no acampamento. Eu precisava tentar. - ele disse.
- Custava ter pedido ajuda? Consultado um dos mais velhos? Você só tem 17 anos, . Não decide por si próprio. - Luke disse, fazendo uma careta. bufou.
- Tenho maturidade o bastante para fazer as minhas próprias escolhas. - afirmou com convicção.
- E qual foi a sua escolha? Morrer? Ser infectado? Por Deus, ! - Luke balançou a cabeça. - Não achei que você pudesse ser tão irresponsável a esse ponto.
- O que você chama de irresponsabilidade eu chamaria de heroísmo. - Ethan disse baixo, cruzando os braços em frente ao peito.
- Não é nada heróico ter o seu cérebro comido por duas dúzias de zumbis. - Michel disse, lançando um olhar repreensivo para Ethan pelo retrovisor do banco do carona, fazendo o mesmo encolher-se ligeiramente. Michel bufou antes de continuar. - O.K. Chega de falar da imprudência do , o que está feito, está feito.
- Só mais uma coisa, Goulding, você está de castigo. Para o trailer assim que nós voltarmos. - escancarou a boca, surpreso. Seu pai nunca havia falado daquele jeito com ele.
- Desculpe, o quê? - perguntou.
- Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa, .
- Vai me colocar de castigo citando O Pequeno Príncipe? - bufou e Luke fechou a cara. Os demais permaneceram calados, desviando o olhar para as janelas enquanto voltou sua atenção para o enorme corte em sua mão causado por uma das prateleiras do supermercado.

caminhava impacientemente pelo pequeno espaço livre do chão do trailer. Ele não havia conseguido dormir. É lógico que não. Sempre fora agitado e não estava com sono. Estava distraído e não ouviu quando Karen abriu a porta, entrando no trailer com uma bandeja contendo um sanduíche e um copo d'água.
- Luke me pediu para trazer seu jantar. - ela disse e ele virou-se para ela, finalmente percebendo sua presença ali.
- Não estou com fome. - ele murmurou, parando ao lado da janela do trailer e observando além da enorme cerca de arames que haviam construído ao redor do acampamento ao longo dos anos. Karen inclinou a cabeça, suspirando.
- Olha, - começou, deixando a bandeja com o sanduíche e a água em cima de uma mesinha que ali havia e se aproximando dele. - você não tem que ficar chateado com o seu pai porque ele te deixou de castigo, . Você sabe que ele só fez isso porque ama você.
abriu a boca, incrédulo.
- Se ele realmente me amasse se importasse comigo não me deixaria aqui, trancado, dentro dessa droga de trailer. - falou, chutando algo que Karen achou ser um sapato.
- . - ela balançou a cabeça, sentando-se na cama de baixo de um beliche que havia do lado esquerdo do trailer. - Você sabe como seu pai ficou depois que a sua mãe e a sua irmã... Bom, você sabe... - ela hesitou, apertando os lábios. bagunçou os próprios cabelos, bufando.
- É, eu sei. Eu também sofri com a morte delas. Ela era minha mãe, e a Lucy era minha irmã. Mas ele tem que entender que não pode me proteger de tudo. Essa é a nossa realidade agora. Vivemos cercados de mortos-vivos. Ele não pode me trancar dentro de um carro com água e comida suficientes para eu não morrer de fome!
- ... - Karen balançou a cabeça levemente e bufou ao perceber que receberia um enorme sermão. Estava se preparando para ouvir qualquer coisa que Karen tivesse a falar quando de repente um estrondo foi ouvido. Parecia uma espingarda. Ambos arregalaram os olhos simultaneamente. Karen correu até a janela do trailer e a seguiu. Não conseguiram ver nada. Karen virou-se para , tentando se recompor. - Fique aqui, está bem? Não deve ser nada, eu volto logo. - Karen tocou o ombro do garoto e saiu correndo do trailer, deixando um ansioso ali dentro. Ele nunca fora de desobedecer as ordens do seu pai ou de sua madrinha, mas não podia ficar ali parado, dentro de um trailer, sem saber o que estava acontecendo lá fora. Assim, ele pegou uma espada da mala de armas que eles guardavam embaixo da cama e desceu rapidamente do trailer, sendo apanhado por uma dor intensa em seu pé esquerdo.
- Droga! - o garoto mancou por alguns metros pelo estacionamento dos carros, mas ainda estava longe de onde quer que os outros estivessem. Estava prestes a parar para descansar quando avistou, ao longe, meia dúzia de zumbis rastejando para dentro do acampamento. O garoto arregalou os olhos e se jogou atrás de uma picape e mordeu a própria bochecha para não gritar de dor com o impacto de seu pé no chão. Ele se arrastou lentamente até a ponta do veículo para olhar para o lugar onde havia visto os zumbis e ouviu um barulho de tiro quando o primeiro deles caiu no chão, seguido de outros dois. Aproveitando a distração o rapaz soltou o ar, que nem sabia que estava prendendo até agora, e correu o máximo que pode, o que não foi muito, já que seu pé não parava de doer. Então ele tropeçou e caiu no chão, junto a um outro carro. Ele se encolheu e apertou os lábios e arfou. rasgou a manga da camiseta xadrez e, com dificuldade, sentou-se apoiado no carro e amarrou o calcanhar com um nó forte, para que a torção não piorasse. Ele estava sujo. Suado. E agora sentia-se muito cansado. Não só pela correria de agora, mas pela fuga da horda de zumbis mais cedo. Não podendo mais aguentar, ele cedeu ao cansaço, mas não sem antes ouvir passos aproximando-se de onde ele estava... Passos lentos, como se a pessoa estivesse se arrastando. Quase como... um morto-vivo.

Capítulo 2: I’m waking up to ash and dust

A ventania que ouvia fracamente lembrava-lhe dos filmes de faroeste que seu pai costumava assistir quando ele era criança. Ele quase podia visualizar as bolas de feno sendo levadas pelo vento, enquanto dois homens desciam de seus cavalos e apontavam as armas um para o outro. Uma luz fraca antigiu as pálpebras do garoto, que piscou fortemente para expulsá-la. Não queria acordar. Mas, de repente, um cheiro o atingiu e ele levantou abruptamente, procurando por sua espada. Dois zumbis estavam parados a mais ou menos dois metros de distância de onde ele estava, em frente a um sofá sob uma janela fechada, e uma porta entreaberta que era a fonte de luz no interior daquele lugar escuro, revelando a chegada do amanhecer. Ele desesperou-se ao perceber que sua espada não estava ao seu lado. Na escuridão, tudo o que ele podia dizer sobre os dois zumbis era que deveriam ter sido mulheres, por conta da silhueta delicada. Uma era razoavelmente alta enquanto a outra era muito, muito baixa. Ao lado desta, numa pequena mesinha de madeira, estava a espada. não pensou duas vezes e deu um passo para a frente, ouvindo algo semelhante a um rosnado sair da garganta da zumbi menor. Isso o pegou de surpresa e ele recuou. A zumbi mais alta direcionou-se para a mesinha e pegou a espada, em seguida arrastou-se um pouco para a frente, deixando que a fresta de luz vinda da porta aberta iluminasse seu rosto. E então ele a reconheceu. Sua boca se mexia, mas o som não saía. Ele sequer podia acreditar que a estava vendo ali, na sua frente.
- Lucy? - sua voz saiu fraca, quase sufocada. Era ela. Sua irmã. Ele tinha certeza. Apesar do rosto pálido, cheio de sangue e cicatrizes antigas, as olheiras profundas debaixo dos olhos escuros que antes eram tão brilhantes quanto os dele e agora eram foscos e tristes. Ela usava a blusa preta de crochê com rasgos ao longo do braço que ele lembrava que ela havia vestido quando a viu pela última vez. Seus shorts que algum dia haviam sido brancos agora estavam imundos, assim como o gorro e as botas brancas Classic Combat. Ele caiu sentado no sofá, encarando fixamente a figura de sua irmã a sua frente.
havia sido preparado para isso. Quase podia ouvir a voz de seu pai no extremo mais profundo de sua mente.
"Ela não é sua irmã. Ela não é a nossa Lucy. Sua irmã morreu. Isso é só um cadáver."
Mas a voz de seu pai era fraca em sua mente. Ele sempre acreditara que estaria pronto para isso, mas agora, ele via que não. Não conseguiria matar sua irmã... e sabia que morreria se não o fizesse. Ele podia lembrar-se dela, mas ela não lembraria dele. Ele respirou fundo uma última vez, fechando os olhos e tentando pensar em alguma solução. Não, ele não queria ser um morto-vivo. Não queria ter de vagar pelos cantos, se alimentando de seres-humanos e correr o risco de entrar no caminho de algum de seus amigos, fazendo-os sentir o mesmo que ele estava sentindo agora. Ele poderia tentar correr e pegar a espada. Não teria nada a perder se fosse mordido, ele mesmo enfiaria a espada no próprio peito imediatamente. Ele não teve tempo de pensar em outra coisa. Seus olhos se abriram de surpresa quando ele sentiu algo tocar sua mão. Uma outra mão, cheia de cicatrizes e sangue, cobriu a sua esquerda, assustando-o. Seu primeiro instinto foi de puxar a mão, repugnar aquela criatura hedionda que lhe tocava. Mas, assim que ele olhou nos olhos de sua "irmã", viu que havia algo de diferente ali. Algo que lhe parecia reconhecimento... afeição. Ele viu os lábios dela tremerem levemente antes que ela sussurrasse algo que o fez entrar em choque.
- ? - a voz dela era ininteligível, rouca e abafada, mas ele soltou o ar de uma vez ao perceber que ela o reconhecera.
- Lucy. - repetiu. - Lucy, você... - e então ele sorriu. - Eu... senti sua falta. Muito. Lucy... - ela ergueu os lábios de uma maneira torta que o fez rir brevemente. - Como eu vim parar aqui? - ele perguntou. Lucy pareceu lembrar-se de algo e virou-se para trás de maneira lenta. seguiu seu olhar e viu que a outra zumbi se aproximava lentamente de onde eles estavam. Assim que a fresta de luz vinda da porta iluminou seu rosto, ele pôde vê-la melhor. Os cabelos eram , caídos em longos cachos que um dia já deviam ter sido brilhantes e sedosos, mas que agora estavam ofuscados e sujos de poeira. Ela era ainda mais pálida do que sua irmã e os olhos eram intenso, que deveriam ser lindos quando ela era humana. Mas agora era só um círculo , fosco e sem-vida. Seus converses All Star Chuck Taylors estavam imundos, e a calça de couro estava rasgada em uma das coxas. A regata com a figura de um esqueleto estava como as outras peças, suja e rasgada na parte inferior, com uma enorme mancha de sangue, sendo coberta apenas por uma jaqueta de couro que parecia a peça mais bem conversada dali. Ainda assim, apesar de todos aqueles defeitos que o apocalipse zumbi havia causado nela fisicamente, ela continuava... bonita. E parecia familiar a ele, de alguma maneira. Como se ele já houvesse visto aquele rosto... Ele percebeu que ficara tempo demais olhando para a garota zumbi e desviou o olhar de volta para sua irmã, apertando os lábios. Lucy abriu a boca diversas vezes antes de finalmente falar.
- . - ela apontou para a e assentiu. Lucy olhou para a e apontou para o irmão. - . Irmão. Amigo. - a garota zumbi, que se chamava , olhou para , mas não demonstrou reação. - Zumbis... por... perto. - Lucy continuou e sua última palavra pareceu mais um rosnado. - , eu, ajudar você a voltar. Para casa. - ela disse com esforço. a encarava admirado.
- Eu não sabia que vocês conseguiam produzir sons além de rosnados. - comentou. Lucy deu um sorriso torto, mas contorceu a boca numa careta e arrastou-se para a porta, abrindo-a um pouco mais e saindo. - Hã... - olhou para Lucy, que apenas deu de ombros e se começou a andar devagar até a porta. Ele se levantou para segui-la e parou atrás dela, que ficou mais ou menos um minuto observando o lugar lá fora antes de finalmente sair. a seguiu. Eles estavam exatamente...
No meio do nada.
Literalmente.
Era um lugar deserto. Tudo o que deveria ter havido lá eram casas rústicas, destruídas com o tempo ou talvez com a queda do meteoro que gerou o apocalipse. Tudo o que havia no chão era areia e pedaços de rocha. deu alguns passos, sem tirar os olhos das costas de Lucy e finalmente percebendo algo. Bom, ela podia ser sua irmã. Ela podia não parecer um monstro em carne viva e podia até mesmo falar. Mas ela era um zumbi. Uma morta-viva. Ela ainda poderia matá-lo. Ele percebeu que sua espada continuava com Lucy, que agora estava ao lado de e pigarreou, estendendo a mão para a espada.
- Será que eu poderia... - Lucy se encolheu, puxando a espada para trás de si e olhou de um para o outro, como se um chifre de unicórnio tivesse nascido bem no meio da testa dos dois.
- Não. - ela rosnou. - Eu e . Proteger. Você. Basta. - disse com dificuldade.
- Mas... - ele tentou argumentar, mas logo fechou a boca. Desde quando ele argumentava com zumbis? Em um sinal que ele não viu, seguiu a frente e Lucy o cutucou com um dedo para que ele a seguisse.
- Mostrar. Uma. Coisa. - ela disse, apontando novamente. parou e lançou um olhar impaciente a , que logo a seguiu. Confiar em cadáveres comedores de cérebros? Onde ele estava com a cabeça?
É, ele definitivamente estava louco.

.

não sabia exatamente há quanto tempo havia começado o apocalipse. Talvez anos, meses, semanas. Ela acreditava que a radioatividade do meteoro infectara o lado lógico de seu cérebro. E isso era uma bela droga. Essa vida de se arrastar pelos cantos, comendo cérebros e grunhindo que nem um animal não era das melhores. Às vezes, ela pensava seriamente em acabar consigo mesma. O problema era que... ela realmente não sabia como fazer isso sozinha e achava se entregar aos humanos talvez não fosse a melhor das ideias. Bom, agora talvez pudesse ser uma boa hora. Ela poderia pedir ao irmão de Lucy para destruí-la rapidamente antes que meu lado zumbi falasse mais alto e ela o mordesse durante o ataque. Mas o problema é que era orgulhosa demais para implorar a morte para aquele garoto que lhe parecia ser tão esnobe e insuportável.
- Lucy. - chamou com certo esforço. Lucy caminhou lentamente até ela, mantendo o olhar fixo em , que observava as duas de longe, cauteloso. - Você lembra? Onde fica?
- Não. - Lucy confessou, abaixando a cabeça levemente. - Encontrar. Rápido. não confia na gente.
- Também não confio. - disse, lançando um olhar duro em direção ao rapaz que agora rasgava as duas mangas de seu moletom preto surrado e as amarrava nos pulsos. Lucy deu de ombros. Estavam se arriscando com aquela ideia. Poderiam salvar toda a humanidade, pelo menos parte dela, ou acabariam morrendo. O futuro era inesperado. Zumbis não deveriam confiar em humanos... E humanos não deveriam confiar em zumbis.

Capítulo 3: I wipe my brow and sweat my rust

.

Eles caminharam durante mais ou menos duas horas. a frente guiava o resto, com a seguindo, enquanto Lucy fechava a fila, cuidando para que não acabasse destruindo sua amiga. Ou o que ela podia chamar de amiga.
passara todo o caminho pensando qual seria a melhor opção para ela e Lucy caso acabasse tentando matá-las. Matá-lo? Se entregar? Lutar? Ela concluiu que a primeira opção não era uma ideia adequada para quem estava tentando salvar os seres humanos. Assim como percebeu que tanto a terceira quanto a última acabariam tanto com ela quanto com Lucy. Talvez até com . Quem sabe se ele conseguiria voltar para o acampamento dos humanos?
Lucy só tinha em mente que não conseguiria machucar seu próprio irmão caso quisesse matá-la. E ... tinha certeza de que não conseguiria matar sua irmã caso ela quisesse machucá-lo.
- Lucy? - chamou, fazendo a mesma voltar sua atenção para ele, arqueando as sobrancelhas. - Aonde estamos indo?
- Mostrar uma coisa. Eu disse. - o tom dela fez ele entender que a conversa estava encerrada para ela. Mas ele não ia desistir.
- O que você tem de tão importante para me mostrar? E por que vocês duas me trouxeram pra cá? Eu tenho certeza que eu não saí do acampamento! - ele disse, apontando para ambas as garotas e parando onde estava. virou-se para eles e Lucy o encarou sem piscar. - Vocês... Vocês me sequestraram? - ele riu sem humor. - Era só o que faltava, ser sequestrado por duas garotas comedoras de cérebro. - lançou-lhe um olhar confuso.
- Idiota. - ela rosnou. Ele virou-se para ela, cerrando as mãos em punho. - Não sabe... Do que está falando. Idiota! - repetiu.
- Me chamou de idiota? Ora, cale essa boca, sua... aberração! - ele disse, cuspindo a última palavra e apontando para ela. - Por favor, você nem está viva de verdade. - se encolheu ao ouvir aquilo. Era o seu ponto fraco. Porque ela sabia que ele estava certo. Ela não estava viva. E ela era uma aberração. De repente, ela se sentiu ainda menor. Como se pudesse esmagá-la se quisesse. E a verdade era que ele poderia. Ela duvidava que Lucy conseguisse machucar seu irmão para protegê-la. Lucy observava os dois, atônita, os olhos escuros endurecendo.
- . Não. - pediu.
- Então me explica logo o que eu estou fazendo aqui! - ele gritou, voltando sua atenção para a irmã.
- É importante. - ela disse. - Vamos.
- Eu quero ir para casa. Eu não consigo confiar em vocês... Eu não posso confiar em vocês. Entende? - ele suspirou, esfregando as palmas das mãos no rosto. Lucy soltou o ar.
- Se acharmos te levamos pra casa logo. - disse vagarosamente. tirou as mãos do rosto, olhando para ela com certa dúvida. - Promessa. - ela ergueu o dedo mindinho da mão direita e ele o encarou um tanto boquiaberto. Lembrou-se de quando faziam isso quando eram crianças. Lucy sempre fazia isso quando prometia algo a ele. E ela nunca descumpria. sabia disso. Ele confiava na sua irmã mais velha mais do que em qualquer coisa. Ela abaixou o dedo repentinamente, como se lembrasse de algo e acenou com a cabeça. - Vamos.

Eles caminharam durante horas, mas nada encontraram. não sabia o que procurar enquanto Lucy e não sabiam exatamente onde procurar. Tudo o que sabia era que, para chegar ao pequeno lago, teriam que estar perto das árvores trigêmeas e de um esqueleto de arbusto. Não seria exatamente uma tarefa fácil. Estava perto da hora do almoço quando pediu alguns minutos para se recompor. Ele conseguiu algumas bananas de uma bananeira que havia logo na entrada da floresta. sentou-se numa pedra e começou a comer, sendo observado pelas duas. Por Lucy, com curiosidade. Por , com impaciência.

- A gente devia ter trazido um guarda armado até a cabeça. - ela disse com certa ironia. riu no mesmo tom.
- O apocalipse tirou sua humanidade, mas não tirou seu humor, hein, ? - fez uma pequena careta.
- Vamos. Rápido. - Quanto mais rápido isso acabar, mais rápido eu me livro de você. pensou, mas não disse mais nada. Aquele humano estúpido e idiota não podia ser irmão de sua amiga Lucy. Ela tinha sérias dúvidas disso. levantou-se e tirou a casca de outra banana, começando a comer.
- Estou indo. Não vejo a hora de não ter mais que olhar na sua cara. - olhou para Lucy com incredulidade e apontou para , dizendo com o olhar algo como "ele começou". Lucy deu de ombros e elas o seguiram. começou a acompanhá-las, imerso em pensamentos. Seu pai devia estar preocupado. Muito preocupado. E Katherine também. Ela sempre se preocupava com ele. Sorriu ao imaginar como ela o receberia quando ele voltasse... Se ele voltasse. Abraços, pontapés? Mordeu o lábio para reprimir uma risada.

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rolou os olhos ao ouvir abafando uma risada. Idiota. No que estaria pensando? A sentiu uma leve pontada na cabeça, a parte de seu cérebro que lhe dizia que ela estava com fome. A verdade era que ela não comia há horas. Estavam indo caçar por perto do acampamento quando Lucy vira seu irmão e tivera aquela ideia. concordou, mas agora estava quase se arrependendo de tê-lo feito.
Eles seguiram por uma trilha no meio da floresta durante toda à tarde, enquanto o sol descia em direção ao horizonte. Já estava quase anoitecendo. Mas, diferentemente de como seria há anos, não havia sons na floresta. Nada de sibilar de cobras. Coaxar de sapos. Crocitar de corvos. Absolutamente nada. Só o silêncio. Além do arrastar de passos de e Lucy e as pisadas fortes de fazendo barulho nas folhas secas.
- Vocês deveriam me dizer o que estão procurando, quem sabe eu possa ajudar? - disse, um tanto ofegante. Eles estavam em um caminho de subida, como uma ladeira de terra ladeada de árvores.
- Não. - disse. fez uma careta.
- Desde quando você decide as coisas por aqui? - ele perguntou. Ela não respondeu. Apenas continuou caminhando lentamente. apressou o passo e colocou uma mão no ombro dela, virando-a para trás bruscamente. - Responde! - arregalou os olhos e entreabriu a boca. Ela encarou os olhos escuros do garoto fixamente, assustada.
- , solta! - Lucy rosnou e virou-se para ela, soltando quase que imediatamente. - . - Lucy se aproximou da , colocando uma mão em seu ombro antes de voltar-se para . - Vamos. Você precisa dormir.

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Eles encontraram um espaço entre de duas árvore enormes e escolheram aquele lugar para acampar. cobriu uma parte do chão com o máximo de folhas novas que conseguiu para que o chão ficasse menos desconfortável e deitou-se, observando o céu distraidamente. Estava estrelado. Do jeito que ele achava mais bonito. Pelo menos uma coisa o apocalipse não poderia destruir. sorriu. Lucy aproximou-se e sentou ao lado dele enquanto sentou-se há alguns metros depois, encostada em um canto da árvore onde tudo o que eles podiam ver dela eram alguns cachos .
- Qual é a do mal humor dela? - ele riu com ironia. - Comeu algum cérebro estragado? - brincou. Lucy fez uma careta. - Desculpe. - ele pediu, suspirando.
- Você a irritou. - ela disse.
- Eu? Mas eu não fiz nada! - protestou.
- "Morta-viva"? odeia ela mesma por ser assim. Por que você tinha de lembrá-la disso? - apertou os lábios, encarando a silhueta escondida de . - Peça desculpas.
- Não! - disse, incrédulo. - Não vou pedir desculpas a... a essa c... A ela. - ele corrigiu-se, sabendo que magoaria sua irmã caso dissesse algo errado. Lucy suspirou.
- Sempre assim. - murmurou e levantou-se. sentou-se, arqueando as sobrancelhas.
- Aonde vai? - ele perguntou. Lucy trocou a mão que segurava a espada e suspirou antes de responder.
- Também sou uma coisa. Esqueceu? - engoliu em seco e deitou-se novamente, ouvindo a voz de em sua mente antes de cair em um sono profundo. "Ele me odeia, Lucy. Me dá medo. Ele vai me matar. Ele vai..."

acordou pouco depois do que devia ser a metade da manhã. Eles voltaram a caminhar, agora com Lucy à frente enquanto fechava a fila atrás de . Nenhum dos três havia dito uma palavra desde a hora em que acordara. Ele estava pensativo. Lembrando-se repetidamente do que havia ouvido antes de dormir, como se fosse uma fita arranhada ou um gravador quebrado. Ele me odeia, Lucy. Me dá medo. Ele vai me matar. Ele vai... despertou-se de seus devaneios quando a voz de sua irmã chegou aos seus ouvidos.
- ? - ela chamou.
- Hm? - ele murmurou, encarando as costas da irmã.
- E o... papai? - Lucy perguntou, a voz falhando na última palavra. abriu a boca e desistiu de falar várias vezes. Ele não sabia como começar.
- Ele sente sua falta. E sente falta da mamãe também. Eu... Ouvi ele chorando esses dias, murmurando o nome dela. - disse. - É... horrível, Lucy... Nós não sabíamos se vocês haviam morrido ou... virado cadáveres. Era uma tortura. Saber que um dia poderíamos encontrar com vocês por aí, comendo cérebros e... - ele suspirou. - Eu não conseguiria te matar. Na verdade, eu não consigo. Eu achava que poderia. Fui treinado para isso durante um ano. Só cadáveres... Nossos amigos, familiares, não restava nada deles em vocês... - abaixou a cabeça e Lucy parou, virando-se para ele.
- ... - começou a falar.

.

sentiu compaixão do garoto ao ouvir sua declaração. Ela sabia que, se fosse humana e seu irmão um zumbi, não conseguiria matá-lo. Michel. Quanta falta ela sentia dele. Ele estaria vivo? Ou seria como ela? Um cadáver se arrastando pelos cantos? Sua linha de pensamento se desfez no momento em que ela ouviu um barulho. Um barulho de... água caindo. Era forte. Alto. Como se estivesse perto. arregalou os olhos e lançou um olhar para Lucy, que fez o mesmo. Então começou a andar em direção ao barulho, sendo seguida por uma Lucy esperançosa e um confuso.
- O que houve? - perguntou. parou, esticando os braços para que os outros parassem. esbarrou em seu braço e ela virou-se, encarando-o estupefata antes de voltar a olhar para frente.

Capítulo 4: I’m breathing in the chemicals

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Os olhos cor de ônix de Goulding se arregalaram com tamanha magnitude daquele lugar. Era uma pequeno lago com uma cachoeira. Não era muito grande. Ficava em uma clareira que deveria ser no centro da floresta. Estava cheio de rochas enormes, como qualquer lugar com uma queda d'água seria. Mas a água... A água era cristalina. Aquilo não era exatamente natural. Parecia até uma piscina. Ele contornou o braço de e aproximou-se da beira do lago, ajoelhando-se ali. Estava prestes a tocar na água quando sentiu uma mão em seu ombro. Ele virou-se para trás, surpreso ao ver o rosto de bem próximo ao seu.
- Não. Não é seguro. - ela disse. as encarou, confuso. A água não era muito funda, era límpida, calma e parecia extremamente inofensiva para ele.
- Não temos... certeza. - foi a vez de Lucy falar.
- Como assim? - ele perguntou. - Era isso o que vocês queriam me mostrar? - Lucy assentiu. - Mas... Bom, é realmente lindo. Mas o que tem de tão importante? - Lucy direcionou um olhar para , hesitante. A assentiu, sorrindo levemente.
- Você, Lucy. - Lucy sorriu e suspirou.
A morena caminhou lentamente até a beira do lago e levantou a espada que segurava. A lâmina acabou fazendo um corte em sua mão no ato, mas ela não sentiu dor. A parte da lâmina onde ela havia se cortado ficou suja de um líquido preto espesso. Lucy apertou os lábios.
- Desculpe. - pediu. a encarou, estreitando os olhos por conta do sol do meio-dia que se aproximava. E então escancarou a boca ao ver Lucy virando de costas para o lago e se jogando com a espada na mão. Ele levantou-se depressa, dando dois passos para trás e se juntando a , que não esboçou reação alguma.
- O que ela pensa que está fazendo? - perguntou. colocou uma mão em seu peito e ergueu um dedo, avisando-o que esperasse. surpreendeu-se com a atitude dela e encarou sua mão, fazendo com que ela a retirasse dali, envergonhada. Se ela estivesse viva provavelmente teria corado. Eles esperaram durante um minuto e Lucy não voltara. já estava ficando extremamente preocupada quando viu as longas madeixas escuras e cacheadas de sua irmã surgindo na superfície, próximo a margem do lago. Ela subiu a margem um tanto cambaleante, jogando a espada a sua frente enquanto começava a tossir. Lucy arrastou-se deitada pelo chão gramado, até estar totalmente fora da água. E então ela virou-se. Os olhos de e arregalaram-se simultaneamente ao ver Lucy daquele jeito. Humana...

abraçava fortemente sua irmã enquanto ambos choravam. Estavam os três numa pequena caverna que havia ali perto. estava na entrada da caverna, desprotegida da enorme tempestade que caía. Ela não ligava. Não poderia ficar resfriada. Ela era uma morta-viva, como mesmo havia dito. Lucy estava com um pouco de febre. Parecia que a volta à vida havia deixado ela um pouco doente, cansada. apertou os lábios, sentindo as gotas insípidas de chuva escorrerem de seu cabelo, rosto e corpo. Ela encarava o céu, vendo a forte chuva caindo, enquanto pensava no que havia feito. Deixado que Lucy voltasse a ser humana, e não ela. Ela era tão altruísta assim? A verdade é que ela sentia, de alguma maneira, que Lucy teria mais utilidade do que ela. Lucy tinha uma família, já ela... Não tinha nada além do irmão, que ela nem sabia se estava vivo, morto ou se era um zumbi. Ela estava distraída e não percebeu quando se aproximou da entrada da caverna onde ela estava e agachou-se ao seu lado, sentindo a chuva forte começar a encharcá-lo.
- E a Lucy? - ela perguntou.
- Ela está bem, está dormindo. - ele quase sorriu. - O que você está fazendo aqui na chuva? Está muito frio.
- Não tenho frio. - ela disse, conseguindo dar um sorriso irônico. - Sou uma aberração. Não estou viva de verdade. Esqueceu? - ela abraçou as pernas e apoiou o queixo no joelho. sentiu como se tivesse levado um tapa. Ele olhou para baixo, lembrando-se do que Lucy havia dito. Peça desculpas. Peça desculpas. Peça desculpas. Vamos, não seja orgulhoso.
- ... - a estremeceu ao ouvir seu nome na voz dele. Ela resistiu a vontade de virar-se para encará-lo. - Eu queria te pedir desculpas. Eu não acho que você é uma aberração, eu...
- Mas é verdade. - ela o interrompeu. Não queria que ele inventasse pedidos de desculpa incoerentes para o que ele havia dito. Ela sabia que era verdade. Não havia como retirar o que ele disse.
- Não, não. Não é culpa sua. O apocalipse não foi culpa sua, o meteoro não foi culpa sua, ser desse jeito... Você não escolheu isso. - ela virou-se para ele, surpresa. - Eu não tinha o direito de ter te xingado. Desculpe-me, de verdade. - ela estava chocada ao perceber tanta sinceridade na voz dele. Ao ver que ele realmente estava arrependido. balançou a cabeça levemente antes de voltar a olhar para a frente.
- Tudo bem. - ela disse, suspirando. colocou uma mão em seu ombro, aliviado.
- Eu prometo a você... Que não vou deixar que te machuquem. Vamos te trazer aqui de novo e você vai voltar a ser humana, assim como a Lucy. - ela assentiu, suspirando. - Não vai entrar mesmo? - ele perguntou.
- Não. - ela disse. - Obrigada. - ela virou-se brevemente para ele e sorriu. apertou os lábios e reprimiu um sorriso enquanto se direcionava ao interior da pequena caverna, sem saber ao certo se havia imaginado aquilo ou se ele realmente vira os olhos foscos de brilharem.

Outra manhã havia chegado. acordara os dois irmãos dizendo que havia ouvido um arrastar de passos aproximando-se de onde eles estavam. Os três andaram o mais rápido que podiam, o que não era muito. já era naturalmente devagar enquanto estava se atrasando por ter de apoiar sua irmã enquanto caminhavam. Lucy ainda estava exausta. Eles haviam seguido uma direção totalmente diferente para se afastar do que quer que se aproximasse deles na floresta e estavam perdidos. Eles pararam em um espaço onde as árvores ficavam mais afastadas umas das outras e tentaram descobrir onde estavam.
- Temos companhia. - Lucy arregalou os olhos e apontou para frente, fazendo e virar-se para lá. Uma enorme horda de zumbis aproximava-se deles. Pareciam famintos.
- Rápido. - falou o mais alto que fosse e então eles começaram a ir ainda mais rápido. tropeçava diversas vezes enquanto tinha dificuldades para correr com Lucy junto a ele.
- , é melhor você me deixar. Foge! - Lucy disse para o irmão, tentando afastá-lo sem sucesso. Era óbvio que ele era mais forte.
- Não vou te deixar, Lucy. - eles haviam saído da floresta, entrando num espaço aberto que reconheceu de imediato. parou.
- Vão. Eu distraio eles. - olhou para o tanto de zumbis que se aproximavam e puxou pela mão.
- Não, vem. - e então ele correu. Como se sua vida dependesse disso. Bom, dependia. Tanto a sua quanto a da sua irmã. E a de . Aqueles zumbis poderiam destruí-la se ela entrasse em seu caminho. Aquela pequena garota corajosa não era mais do que isso. Uma inocente vítima do maldito apocalipse. não demorou a localizar a entrada do acampamento que estava cercada de guardas. Guardas de seu pai. - Matthew, Isaac, ajudem! - os homens arregalaram os olhos e imediatamente um deles começou a abrir a porta.
- , o que houve? - gritou um deles. não largou Lucy e um só segundo.
- Vamos entrar logo, eles não vão demorar a chegar. - apontou para a horda de zumbis e os dez homens abriram passagem imediatamente, deixando-os entrar e trancando o enorme portão. arrastou-se por mais alguns metros e finalmente caiu de joelhos no chão, exausto, levando juntas e Lucy. Ele deitou uma Lucy grogue no chão e apertou a mão de ao ouvir o barulho dos gatilhos sendo apertados. Ele levantou a cabeça lentamente e encarou os guardas que fizeram um círculo ao redor dele, apontando suas armas em direção a ele... Em direção à . Ele sentiu ela se encolhendo ao seu lado e respirou fundo.
- ! - ouviu a voz de seu pai se aproximando rapidamente. Alguém devia ter corrido para dizer que ele havia voltado. - ! - Luke Goulding finalmente chegou em um dos cantos do círculo e encarou a cena estático, sendo seguido de Katherine e Ethan, que fizeram o mesmo. Luke mal podia acreditar.
Seu filho. Segurando a mão de uma zumbi. Com a irmã caída ao seu lado.
- , o que você fez? - ele perguntou.
- Pai, eu... Eu explico. - ele ergueu sua mão livre.
- Saia de perto dela! - quando não fez menção a se mover seu pai apertou a arma em sua mão. - , eu estou mandando.
- Não. Não vou deixar que a machuquem. - ele disse. - Vão ter que passar pelo meu cadáver primeiro. - todos o encararam de olhos arregalados, em silêncio. - Eu posso explicar tudo. - ia começar a explicar quando ouviu Lucy tossir e voltou-se para a irmã. - Lucy?
- , não... Não deixa eles machucarem a , por favor. Não... - ela tossiu outra vez. - Por favor. - pediu com a voz fraca antes de fechar os olhos e acabar perdendo a consciência.
- Lucy! - ele chamou, segurando a mão da irmã. voltou-se para o seu pai. - Vocês precisam ajudá-la, por favor. Eu prometo que explico tudo. Só pede para Karen cuidar da Lucy e pra seus homens abaixarem as armas. Não vou deixar que eles machuquem a . - olhou para ao ouvi-lo dizer seu apelido. Ela poderia ter sorrido se a situação não fosse tão amedrontadora.
- Você é louco, ? - Katherine gritou. virou-se para ela. - Você some por três dias. Três dias! E depois volta com a sua irmã e com uma... uma dessas coisas? Ela é uma morta-viva, por que você a está protegendo?
- Cale a boca! - ele gritou. - Não chame ela assim. Você não sabe do que está falando. - Kath arregalou os olhos ao ouvir aquilo. voltou-se para o seu pai. - Por favor. - implorou. Luke Goulding era conhecido por ser um homem imparcial, que nunca renunciava a fazer o que era certo. Mas, naquele momento, o que deveria ser certo parecia totalmente insano para ele. Luke suspirou, derrotado, lançando um olhar a cada um antes de virar-se para .
- ... - ele foi interrompido pela voz de Michel que corria em direção a eles. O rapaz parou ao lado de Luke e arfou, como se houvesse levado um chute no estômago. virou-se para ao senti-la se mexer.
- Mike? - ela sussurrou. virou-se de volta para Michel, surpreso.
- Por favor, não façam nada com ela. - ele disse com dificuldade. - Ela é minha irmã...

Estavam Luke, , e Michel no pequeno escritório improvisado de Luke, embaixo de uma tenda cercada, acompanhados de Matthew e Isaac. Michel segurava a mão de sua irmã, custando a acreditar que ela estava mesmo lá. estava encostado na pequena mesa que seu pai tinha enquanto o mesmo andava de um lado para o outro, balançando a cabeça.
- É difícil de acreditar. Quer dizer que vocês encontraram a cura para o apocalipse? Isso é... é inacreditável! - Luke disse, rindo com incredulidade.
- É sério, pai. Você não viu a Lucy? Ela era uma zumbi há um dia e agora, veja como ela está.
- Você tem mesmo certeza de que ela era uma zumbi? Você não pode provar, .
- Foi por isso mesmo que a não entrou no lago. Nós queríamos que vocês mesmos pudessem ver, com os próprios olhos, para que acreditassem.
- Então vamos. O que estamos esperando? - balançou a cabeça, encostando um dedo na boca, pensativo.
- Devem ter dúzias de zumbis lá fora. Temos que esperar alguns dias.
- Você não espera que eu deixe ela - ele apontou para , com desprezo. - solta pelo acampamento durante alguns dias, não é?
- Eu me responsabilizo por ela. - disse, tirando o dedo dos lábios. Michel assentiu.
- Eu também.
Luke suspirou. era seu filho e Michel um de seus melhores soldados. Ele teria de confiar neles. E era isso o que o preocupava.
- Tudo bem. Eu permito que ela fique aqui enquanto esperamos os cadáveres se afastarem do acampamento. Depois disso, vamos até o lago. E se não der certo... - ele começou a caminhar para a saída do escritório, mas, antes disso, apontou o indicador para . - Já sabe o que te espera. - a garota abaixou a cabeça assentindo brevemente.
E então Luke saiu, sendo seguido por Matthew e Isaac.
Michel deu um meio abraço na irmã.
- Eu devia ter percebido que ela sua irmã. Ela me era familiar, de alguma maneira. Vocês são muito parecidos, exceto pelos olhos. - riu, sendo seguido por Michel, que logo voltou-se para .
- Senti sua falta, pirralha. - sorriu.
- Eu também, Mike.
sorriu ao observar a cena. Ele estava para se retirar e dar privacidade aos dois quando Michel o chamou.
- ? - ele murmurou um "hm?", erguendo as sobrancelhas. - Obrigado. Por ter trazido a e... a Lucy. - os dois sorriram.
- Não há de quê, cunhado. - brincou antes de sair do escritório, balançando a cabeça.

.

- Cunhado? - ela perguntou, curiosa. Michel sorriu, envergonhado.
- É uma longa história. - Michel admitiu. ergueu uma sobrancelha, incentivando-o. - Tudo bem. - ele riu, sentando-se numa cadeira de plástico que ali havia. - Depois que você, a mamãe e o papai sumiram, eu comecei a fugir sozinho, até que encontrei o Matthew. Nós chegamos ao acampamento juntos e fomos bem recebidos. Eu acabei ficando amigo de todo mundo. Principalmente da garota morena de belos olhos escuros. - sorriu ao ouvir aquilo. - Todos diziam que o que eu sentia pela Lucy era bem mais que amizade. E, bom, acho que eles estavam certos. A verdade é que eu comecei a amar a Lucy cada vez mais, a cada dia. Eu estava a ponto de me declarar. Havia falado com o sobre isso. Foi quando a Lucy sumiu. - ele abaixou a cabeça. - Eu perdi tudo o que eu amava, . E agora o volta com vocês duas... É como um milagre. E eu acho que nunca vou poder agradecê-lo por isso. Nem a ele, nem a Deus.
E então finalmente entendeu algo que antes parecia tão complicado e agora estava tão óbvio para ela.

Capítulo 5: Give me love like never before

havia deitado no chão da enorme barraca de acampar de seu irmão. Não, era óbvio que ela não ia dormir. Zumbis não dormem. Talvez essa fosse uma parte ruim. Ter muito tempo para não fazer absolutamente nada. Ela olhou para o lado, para seu irmão, que dormia tranquilamente enquanto roncava baixo. Ela começou a acompanhar o som de sua respiração, tentando imitá-la, procurando se distrair, quando ouviu a voz de chamando-a.
- ? Será que eu posso falar com você?

.

Ele não sabia exatamente o que o havia levado a querer conversar com ela. Na verdade, ele não tinha exatamente o que falar, e só havia se dado conta disso agora, quando eles se deitaram na grama ao lado do trailer onde ele dormia. tossiu, esperando que ele dissesse algo.
- Ahn... Desculpe, é que... - ele riu, apertando os lábios. - Acho que eu só queria companhia, não é nada sério. Eu só... não estou com sono. - riu. Um som baixo, gutural, e sorriu ao perceber que gostava de como aquilo soava.
- Eu também não estava conseguindo dormir. - brincou. riu.
- Engraçadinha. - ele apertou os lábios. - Bom, saiba que isso vai acabar. Em pouco tempo vamos voltar aquele lago e você vai voltar ao normal. - ele virou o rosto para ela, que fez o mesmo.
- Será que vai funcionar? - ela perguntou. - Eu sei que funcionou na Lucy, mas...
- . - ele pronunciou seu apelido lentamente e ela apertou os lábios. - Eu tenho certeza de que vai funcionar. Você e a Lucy não são como eles. Vocês são diferentes. Veja só, vocês falam. Já viu algum outro zumbi fazer isso?
- Sempre achei que eu fosse problemática. - ela admitiu. - Assim como achei que você me odiasse.
- Longe disso. As duas coisas. - ele disse, apoiando-se no cotovelo e tirando uma mecha de cabelo dos olhos dela. piscou. - Eu acho que você deve ficar ainda mais linda como humana. - sussurrou. arregalou os olhos, abrindo a boca uma, duas, três vezes, antes de finalmente fechá-la, decidindo que não havia nada que pudesse falar. não sabia o que estava fazendo quando começou a aproximar seu rosto lentamente do de , os lábios entreabertos. Ainda estavam numa distância razoável quando ouviram a voz de Michel.
- ? - a sentou-se, virando para o lugar onde ouvira a voz de seu irmão. Ela e ainda estavam numa proximidade um tanto constrangedora quando Michel chegou ao local, encarando a cena um tanto surpresa. - Eu acordei e você não estava lá, eu... - ele tossiu, sem saber o que falar.
- Ela estava fazendo companhia a um colega de insônia. - disse, fazendo sorrir. - Bom, eu já vou indo, de qualquer maneira. Boa noite. - o garoto levantou-se, limpando a poeira das calças jeans e seguindo em direção ao seu trailer.

Dois dias haviam passado lentamente naquele lugar. e Michel revezavam seu tempo para acompanhar aonde quer que ela fosse, o que ambos achavam um exagero um tanto ridículo. Lucy já havia saído da enfermaria improvisada dentro de um trailer, onde ela havia passado um dia inteiro em observação. Eles tinham medo de que ela acabasse se "zumbificando" de novo. Luke pediu que arrumassem uma cama para Lucy no mesmo trailer de ao finalmente perceberem que ela havia voltado a ser humana permanentemente. Lucy havia se reaproximado de Michel enquanto e se tornavam cada vez mais próximos.
estava sentada na entrada da barraca de Michel no início da manhã. O ar frio não a incomodava e ela estava distraidamente brincando com os cadarços de seus sapatos quando se aproximou dela juntamente com Isaac.
- As hordas foram embora. Vamos aproveitar. - Isaac disse. - Vou chamar o Matthew e a Elise. , acorde o Michel. - assentiu, observando o mesmo se afastar.
- Ei. - ele se abaixou ao lado de , sorrindo. - Não tenha medo. Vai dar tudo certo. Eles não vão te machucar. - sorriu, apesar de ainda sentir medo. Medo do que quer que pudesse acontecer.
Saíram do acampamento Luke, Matthew, Isaac e outros três guardas armados, além de Elise, uma caçadora de zumbis com habilidades exorbitantes, Lucy, Michel, e, é claro, . A última seguia na frente de todos, escoltada por Matthew e Isaac pelos lados com armas carregadas e por Elise atrás, com uma enorme espada. , para a sorte de todos, havia prestado atenção no caminho e sabia exatamente onde ficava a cachoeira. Luke parou juntamente com , Lucy e Michel, estando esses dois últimos abraçados, na entrada da clareira. Matthew, Isaac e Elise seguiram escoltando até a margem do lago.
- E agora? - Isaac perguntou.
- Ela precisa entrar na água. Sozinha. - disse, tentando dar um passo para a frente mas sendo impedido pelo seu pai.
- Não. - voltou-se para e viu que ela lhe lançava um olhar cansado. Ela tentou lhe sorrir antes de começar a entrar no lago até submergir por completo. Um minuto se passou. Dois. Três. E não voltava. já estava ficando preocupado quando voltou para a superfície devagar. Diferente de Lucy, ela começou a se levantar assim que chegou a margem. Então todos arregalaram os olhos. Exceto . Não havia dado certo. Ela ainda era uma zumbi. Agora ela tinha certeza. Ela iria morrer.
- Eram ideias da sua cabeça, Goulding. - Elise disse.
- Não, eu juro. Não foi minha imaginação. Lucy!
- Ele está falando a verdade. Eu era uma morta-viva e olhem como eu estou agora! - ela gritou, soltando-se de Michel, que estava estático ao seu lado, como uma rocha. Ele sabia o que viria a seguir. E não poderia fazer nada.
- Alguma coisa não está certa. - murmurou.
- Sabe o que não está certo? Essa coisa ainda estar aqui. Se me permitem. - e então, num movimento rápido que apenas preveu, fechando os olhos, Elise cravou a espada no peito de e a retirou imediatamente.
- Não! - gritou, se desvencilhando do braço insistente de seu pai para correr até .
Não. Não. Não. Não. Não. Não.
Aquilo não podia estar acontecendo. Não com ela. Não com a única garota que ele...
- !
- , por favor. Não! - ajoelhou-se ao seu lado, apoiando a cabeça dela em suas pernas. Começava a jorrar um líquido escuro e espesso do lugar onde a espada havia perfurado seu peito, manchando toda a camiseta. abriu os olhos e encarou , apertando os lábios.v - Não, eu... - ela piscou fortemente. - Eu estou bem. Eu só preciso que isso tudo saia de mim. - ela apontou para o líquido escuro que saia cada vez mais. - Assim eu... Vou poder morrer. - Michel e Lucy aproximaram-se dos dois. Michel segurou a mão dela na sua, apertando os lábios.
- Você não pode morrer, pirralha. - Michel disse. - Não pode! Eu... A culpa é toda minha. Se eu não tivesse me descuidado de você naquele dia, se eu não tivesse sido tão irresponsável...
- Não, não, shiu. Não se culpe. - ela gemeu. - Vocês precisam ir antes que os zumbis sintam o cheiro disso e venham até aqui.
- Não posso ir embora. - disse. - Não vou te deixar aqui.
- ... - ela tossiu, virando a cabeça para o lado. - Eu não entendia porque alguma coisa havia me dito que eu devia deixar a Lucy entrar no lago primeiro, e não eu. E eu entendi isso quando o Michel me contou sobre a Lucy. - ela sorriu para o irmão. - A Lucy é importante para vocês dois. Vocês dois precisam dela. Enquanto eu... Ninguém precisa realmente de mim. Você não precisa de mim, Mike. Você já é maior de idade. - ela riu, fazendo uma pequena careta ao ver que mais daquele líquido saia de seu peito.
- Eu preciso de você. - disse. voltou sua atenção para ele, apertando os lábios.
- Sou substituível. - ela disse.
- Não é! - disse. - Eu preciso de você, , porque... Porque eu estou apaixonado por você. - colocou a mão sobre o peito, apertando os lábios e fechando os olhos.
- Me desculpe, . - ela disse num sussurro quase inaudível. - Eu também. - deixou que as lágrimas que ele estava reprimindo escapassem aos poucos e ao sentir uma delas caindo em seu rosto virou o rosto para Lucy. - Cuida bem do Mike, tá bem? - pediu.
- ... - Lucy já estava chorando, sendo amparada por Mike, que também já cedia às lágrimas.
- Eu te amo, pirralha. - Mike disse.
- Também te amo, parasita. - ela sorriu. - Me coloquem no lago, por favor? Eu... - ela tossiu novamente. - Não quero que eles venham atrás de mim. - disse. Não foi um pedido para alguém exatamente. fechou os olhos e percebeu que ela estava evitando encará-lo. - Obrigada por tudo... - foi tudo o que ela sussurrou antes de dar um último suspiro e deixar a cabeça tombar para o lado.
- ! - soluçava sem cessar, assim como Lucy e Michel, que era o mais contido do trio. Ele disse que deveriam respeitar o desejo de e assim o fizeram, colocando o corpo da garota dentro do lago.
levantou-se, encarando seu pai, Matthew, Isaac e Elise, demorando-se nessa última, que estava mais afastada do grupo. Ele viu que a arma de Michel estava presa em sua cintura e, num movimento rápido, a puxou, apontando-a para Elise. Michel não pôde impedi-lo.
- Você. Você a matou. Como pôde fazer isso? - ele disse, puxando o gatilho. Elise ergueu as mãos.
- , ela era uma zumbi. Só isso.
- Ela era uma garota! - gritou. Todos observavam a cena, atônitos. Ninguém ali presente havia visto que dois zumbis, que havia sentido o cheiro do sangue de , como ela havia dito, se aproximavam, vindo por trás de Elise. Tudo o que queria fazer naquele momento de raiva era deixar que eles pegassem a mulher que havia matado a garota que ele amava.
- Goulding! - Michel gritou. Os zumbis estavam perto o bastante para alcançarem Elise com um bote. Foi quando ele apertou o gatilho, disparando duas vezes, diretamente nas cabeças dos zumbis, que caíram imediatamente no chão. Todos arregalaram os olhos, inclusive Elise, que pulou para longe dos cadáveres com um grito agudo. entregou a arma de volta a um Michel perplexo e seguiu na frente dos outros, reprimindo mais lágrimas que queriam escapar.

Capítulo 6: All I want is the taste that your lips allow

brincava com um pequeno colar em sua mão. Uma correntinha fina de ouro com um estojinho em formato de coração com uma pedrinha azul clara no centro. Dentro do estojinho, uma foto de e Michel. Ambos sorriam com algodões-doces azuis nas mãos. Ele sorriu ao observar aquilo. Michel havia lhe dado quando eles voltaram para o acampamento depois do ocorrido com . Aquele objeto se tornara quase parte dele, já que ele nunca o largava. Segundo Michel, tinha medo de que algo acontecesse com ela e havia lhe entregado aquele colar pedindo que ele desse a para que ele lembrasse dela. guardou o objeto no bolso da blusa xadrez vermelha que usava por cima da camiseta branca.
- Então, eu ainda não consegui entender porque o lago conseguiu trazer a Lucy de volta. - Ethan disse, cruzando os dedos embaixo da cabeça apoiada no travesseiro. Eles dois estavam conversando dentro do trailer onde ele, Lucy, Ethan e Kath dormiam. Ethan deitado em sua cama enquanto ele estava sentado na beira do móvel.
- Eu acho que foi lá onde o meteoro caiu. E acredito que a radioatividade deixou a água cristalina. É um lugar realmente lindo. - ele disse, estalando os dedos, distraído.
- Talvez a gente pudesse ir lá algum dia. - Ethan disse.
- É, talvez. - disse, mas sabia que ele não iria. Ele não conseguia pensar em ir naquele lugar sabendo que era lá onde estava o corpo de . Ele encarava fixamente a parede do trailer, distraído, quando Karen abriu a porta do veículo, arfando.
- , vem logo, você precisa ver isso!
olhou para Ethan antes de os dois correrem trailer a fora seguindo Karen. Chegaram próximo a entrada do acampamento e quase caiu ao ver quem estava ali, com um pouco de falta de equilíbrio.
. A sua . Humana. Como ele a imaginara daquele jeito... Ela era linda. Realmente linda. Com os belos olhos brilhantes, assim como os longos cachos. Ele sentiu seu coração acelerar e seus lábios se erguerem num sorriso.
- ! - a olhou para ele e sorriu brevemente antes de cambalear em direção ao chão, sendo amparada por um que correra imediatamente em direção à ela. - Você voltou. Você... está viva. - ele mal podia conter sua felicidade. Um pequeno círculo já se formava ao redor deles e tudo que pode sentir antes de perder a consciência foi o outro braço de sendo posto na parte interior de seus joelhos enquanto ele a colocava nos braços.

acordou dois dias depois na pequena enfermaria improvisada do acampamento. Na verdade, era um dos trailers que eles haviam equipado com alguns objetos resgatados de hospitais e prontos-socorros. Ela mal pode conter a surpresa ao encontrar Michel sentado na cama ao seu lado e e Lucy encostados na parede juntamente com Karen. Ela encarou os quatro fixamente, tentando tomar coragem para fazer a pergunta, que não foi necessária já que Karen entendeu de imediato.
- Você está livre. - ela disse. - É humana de novo. - sorriu. sentou-se na cama, abraçando o irmão com lágrimas nos olhos.
- Você voltou, . Voltou pra gente. - ele ria, acariciando as costas da irmã. olhou para os outros três mas demorou seu olhar em enquanto falava.
- Qual é, vocês vão ficar aí só olhando? Não vão me dar os parabéns também? - os três riram, aproximando-se e juntando-se ao abraço.
- Sentimos sua falta. - Lucy disse. era o único que permanecia calado. Ele olhou para Karen e apertou os lábios, fazendo um gesto discreto com a cabeça em direção à . Karen assentiu, reprimindo um sorriso e colocou as mãos nos ombros de Lucy e Michel.
- Venham cá, preciso de ajuda com uma coisa. - Michel e Lucy olharam confusos para Karen, mas logo entenderam o que estava acontecendo e a acompanharam até a saída.
- Depois eu volto, irmãzinha. - Mike sorriu, abraçando Lucy de lado enquanto eles saiam. manteve seu olhar fixo na superfície lisa do fino colchão em cima do catre onde ela estava. sentou-se de frente para ela, mexendo em seu bolso da blusa. o olhou, curiosa, quando ele tirou seu colar do bolso. Ela sorriu.
- Você guardou.
- É claro que guardei. - ele sorriu. - E acho que está na hora de devolver. - apertou os lábios quando levantou-se e ficou atrás dela. A garota puxou seus cabelos para frente e deixou que ele passasse o cordão pelo seu pescoço delicadamente, atacando o fecho e assoprando sua nuca ao terminar, fazendo com que ela se arrepiasse, antes de voltar para frente dela novamente. - Eu realmente acreditei que você estava morta. - admitiu.
- Acho que a radioatividade do lago só funciona se estivermos com algum corte aberto. - disse. Então lembrou-se de que Lucy havia se cortado com a espada dele antes de entrar no lago.
- É claro... Por isso você voltou, porque você tinha um corte aberto. Deus, faz sentido. Por que não pensei nisso antes? - ele colocou uma mão na boca e riu.
- Acho que devo um agradecimento a Elise. - o acompanhou. A risada dos dois foi cessando aos poucos e eles já não tinham mais o que falar. É agora ou nunca. pensou, umedecendo os lábios antes de se aproximar de .
- Você... Você é mais linda do que eu pensava, sabia? - ele perguntou, encarando os lábios rosados da garota. encarou seus olhos escuros, quase hipnotizada.
- E é por isso que você se apaixonou por mim? - ela perguntou, apertando os lábios e sorrindo.
- Não. - ele riu. - Não só por isso. Mas por você ser uma das garotas mais corajosas que eu conheci em toda a minha vida. Por você ter despertado em mim algo que eu nem sequer conhecia. - apertou os lábios. - Eu amo você. - sussurrou, roçando os lábios levemente nos dela. fechou os olhos.
- E eu amo você. - sussurrou, antes de ambos finalmente selarem seus lábios em um beijo doce e calmo, do qual os dois aproveitaram cada segundo...

FIM

 

Comentários da autora



Vou começar dizendo que sou péssima fazendo notas de autora. Mas eu acho que eu tinha de fazer essa, enfim. Vocês não sabem um terço da minha luta para terminar essa fanfic, sério auhau Quando eu vi o tema do especial do All Time Fics eu fiquei "Uau, eu preciso participar e escrever uma fic!". É a minha segunda fanfic para um especial e, bom, eu espero que tenha realmente ficado a altura disso aqui. Acreditam que eu escrevi toda a fic ouvindo a trilha sonora de "Warm Bodies" e duas músicas do álbum "Salute"? Feist, John Waite, Jimmy Cliff, Foy Vance, Guns N' Roses, M83, Chad Valley, Bruce Springsteen e Little Mix, muito obrigada! O que acontece é que eu tinha todas as ideias para a fanfic, mas não conseguia escrevê-las, então, eu não acredito que tenha ficado suficientemente bom. Então, não me julguem, eu queria participar do especial e quando soube dele já faltava pouco tempo para o fim do envio das fanfics! Eu só espero que vocês tenham gostado de serem mortas-vivas por um tempinho, e que tenham gostado de se apaixonar pelo "caçadorzinho de zumbis arrogante". Bom, é isso, até a próxima, babycakes!