Living in the Moment

Escrito por Ma | Revisada por Jubs

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Capítulo 1

Sai daquele carro batendo a porta com força e me direcionando aos portões altos e pretos. Para qualquer lugar que eu olhava, via muito verde, árvores altas, pássaros voando e pessoas sentadas na grama, lendo um livro, colocando a conversa em dia ou apenas olhando os outros. Pelo local ficar a uns quarenta minutos de Londres, era bem aberto, o barulho de carro e toda aquela movimentação quase não era ouvida. Respirei fundo, arrumei minha bolsa de lado e andei pelo caminho de pedra procurando a secretaria e ignorando os olhares sobre a aluna nova, não que eu ficasse tímida com os olhares, eu não me importava, mas eles me analisavam tanto me dava vontade de duas coisas: gritar perguntando se perderam alguma coisa ou cavar um buraco e me esconder. Minha mãe resolveu me trancar nesse internato quando eu disse que não queria seguir a carreira de administração e sim surfar. Deixa eu me apresentar primeiro e explicar tudo.

Meu nome é Chavelier, 17 anos e costumava morar na Califórnia, mas com 15 anos nos mudamos para Londres. Toda minha vida, fomos minha mãe e eu, meu pai morreu quando eu tinha 13 anos. Durante os primeiros meses minha mãe disse que era difícil olhar para mim sem se lembrar dele, e conforme eu fui crescendo foi ficando ainda mais difícil já que sou sua cópia. Então ela foi se trancando no escritório, com a desculpa de que iria trabalhar, enquanto eu ficava com a Joana - ela trabalhava com a gente e praticamente me criou. Quando comecei a sair escondida para surfar minha mãe ficou louca, queria que eu parasse a todo custo, claro que eu não parei. Então nos mudamos para Londres, onde ela disse que tinha recebido uma boa oportunidade de emprego. Eu fiquei longe do mar e agora ela resolveu que eu devia estudar no mesmo internato que papai estudou. Claro que eu não estava nem um pouco feliz com isso, mas eu não posso fazer nada a respeito.

A recepção ficava em um prédio de tijolos vermelhos. Havia uma placa imensa escrita recepção, para não deixar dúvidas. Entrei dando de cara com duas meninas que pareciam estar discutindo com a secretaria. A mais velha parecia sem bem elegante, usava um vestido preto, os cabelos estavam presos em um coque firme, sem nenhum fio fora do lugar e usava óculos do tipo gatinho, tinha olhos grandes e bem escuros que intimidavam, mas o sorriso mais simpático que já vi. Sentei e fiquei esperando minha vez, mas comecei a prestar atenção na discussão quando ouvi a palavra sapos.

- Ela disse que vai criar sapos no quarto, SAPOS, Madeline. Que tipo de pessoa cria SAPOS? Isso não devia ser proibido? - a garota falava exasperada. Segurei a risada só de pensar em alguém criando sapos, mas calma, eu poderia ficar em um quarto com alguém estranha assim.
- Eu vou criar meus sapos e quero ver quem vai me impedir - a outra garota falava de forma calma - Também tenho que acender meus incensos, e todo pôr do sol eu preciso ficar sozinha no meu quarto para aplaudi-lo, sua energia negativa vai me atrapalhar, - a garota continuou.
- A única coisa que vai te atrapalhar é o soco que eu vou dar na sua cara. Seu olho vai ficar tão inchado que você não vai saber se está aplaudindo o sol ou a lua - a garota chamada falou irritada - Madeline, me troca de quarto pelo amor de Deus. Deixa essa lunática sozinha, ninguém vai querer dividir nada com ela
- Eu não me importo em ficar sozinha - a outra garota falou calmamente.
- Certo, vamos fazer assim: , você espera aqui um pouco; Delphine, você vai para o quarto de vocês e eu vejo o que resolvo - Madeline falou, querendo acabar com aquela discussão.
- Muito obrigada, que os astros estejam sempre ao seu favor. Namastê! - a garota que eu ouvi ser chamada Delphine sorriu e saiu. A garota chamada se sentou ao meu lado para esperar e eu finalmente pude ver como ela era. Não muito mais alta que eu, negra, com os cabelos cacheados mais lindos que eu já vi. Eles eram extremamente definidos, alguns reflexos nas pontas, mas o que chamava mais atenção eram seus olhos azuis e cílios longos.
- Pode vir - Madeline me chamou, sorrindo calmamente.
- Oi, eu sou nova aqui, meu nome é Chavelier e eu vim pra saber o número do meu quarto – sorri, enquanto a moça digitava algo no computador.
- Chavelier... Seu quarto é o 505 - Madeline sorriu, mas logo seu sorriso sumiu - Droga, suas malas foram mandadas para o dormitório masculino, houve uma confusão com os nomes - Madeline fez careta.
- Eu posso ir lá buscar - dei de ombros.
- Certo. , acompanhe a menina até o dormitório dos meninos do segundo ano - Madeline falou e não fez expressão nenhuma, apenas arqueou a sobrancelha e parece que Madeline sabia o que ela queria - Tem uma cama vaga no quarto da . Você pode ficar no quarto dela e a Delphine fica sozinha.
- Você não cria nada estranho, certo? - perguntou, arqueando a sobrancelha.
- Mesmo se eu criasse ia ter medo de te falar – respondi, dando de ombros e finalmente tirando uma risada dela.
- Então vamos, vou te mostrar onde suas malas estão - saiu andando, comigo ao seu lado.
- Aqui nós temos vários prédios separados - começou a falar enquanto me guiava - O nosso fica ali - apontou para um prédio - O dos meninos ali - apontou para outro e eu percebi que o dormitório feminino e masculino ficavam um de frente para o outro, mas com o campo separando de forma que se alguém quisesse aparecer ali escondido teria problemas, já que o campo é aberto e para se esconder era praticamente impossível.
- Qual foi a discussão com a garota lá? - perguntei sem esconder a curiosidade.
- Delphine... Ela pirou, surtou, deu pane depois que terminou com Harry - viu minha expressão perdida e respirou fundo - Ele é tipo um dos mais desejados por aqui, ele ficou com a Delph por um mês, mas a garota já tava jurando amores e preparando o casamento. Quando terminaram ela entrou nessa vibe de que a partir de agora só vai se focar em astros, energias positivas e esses caralhos - deu de ombros. Chegamos ao dormitório e era uma confusão de meninos gritando, jogando videogame na sala de convivência, tacando bolinha de papel um no outro. Os rostos se viraram para , que os olhava com tédio, como se já estivesse acostumada.
- Ela falou que deu confusão com as malas, onde será que está? - falei mordendo a boca. me puxou para um canto mais afastado e apontou para 2 meninos olhando curiosos para uma mala branca e vermelha, com bocas desenhadas. Um deles era alto, tinha os ombros largos, o cabelo escuro e olhos da mesma cor. O outro tinha os cabelos também castanhos, bagunçados e olhos azuis esverdeados. Os dois eram extremamente lindos, aposto que estava com cara de boba olhando para eles.

Quando entrei no quarto e vi Delphine eu surtei, sério. Nunca que eu ia ficar naquele quarto com aquela lunática. A Madeline ia ter que dar um jeito nisso e graças a Deus ela deu. Madeline diz que não tem favoritismo, mas nós sabemos que com os alunos antigos rola um carinho maior. Não dá para culpá-la, ela praticamente nos viu crescer, foi uma segunda mãe para mim, já que a minha estava sempre ocupada com sua carreira de atriz e raramente conseguia me ver. Mads era tipo a segunda figura feminina mais forte que eu tinha. Não odeio minha mãe por não ter tempo para mim, é a carreira dela, o que escolheu fazer e o que ama. Eu não podia julgá-la ou culpá-la, mas claro que nos momentos de brigas eu acabava jogando isso na cara dela sem querer. Eu tenho o gênio forte, as palavras saíam e quando eu via já tinha falado; é algo que eu tenho que trabalhar.

Nem tinha reparado na menina parada ali até Mads pedir para que eu a acompanhasse. Ela tinha o cabelo escuro, com poucas ondas e algumas californianas na ponta, o cabelo dela brilhava de dar inveja. Sua pele não era pálida como a da maioria, era bronzeada e os olhos eram castanhos, extremamente brilhantes, com cílios enormes. O tipo de menina que vai fazer os manés daqui babar, por ser nova e bonita. Estou até vendo todo mundo falando.

Quando chegamos ao dormitório masculino demos de cara com os dois otários olhando a mala dela com uma interrogação no rosto.

- Sabe, não tem uma bomba ai, vocês não precisam ficar assustados, é só uma mala - sorriu. Já percebi que ela é do tipo simpática com todos.
- É sua? - Liam apontou para a mala.
- É. Algum jumento confundiu o nome da e mandou para cá, provavelmente achando que era do Lou. As boquinhas são a cara dele - falei dando de ombros e Louis mostrou o dedo do meio.
- Ou foi o Carter querendo dar trabalho para Madeline. Não seria a primeira vez - Louis arqueou as duas sobrancelhas.
- Esse é o Liam - apontei e ele sorriu e abraçou - E esse é o Louis, com quem provavelmente confundiram sua mala - apontei novamente e Louis sorriu abertamente a abraçando forte e levantando do chão; ele é bem intenso quando quer.
- Olha só, essa cor combina comigo - Niall apareceu rindo com um sutiã rosa. arregalou os olhos vendo aquilo e bateu a mão na testa.
- Me devolve isso aqui seu... Seu branquelo estranho do inferno - falou, fazendo todos rirem, e foi pegar o sutiã - Se eu ver que vocês mexeram em mais alguma coisa eu volto e mato todo mundo enquanto estiverem dormindo - falou com as mãos na cintura. Eu queria rir, porque ela não colocava medo em ninguém, mas os meninos pareciam realmente assustados.
- Branquelo estranho do inferno? - Niall repetiu o que ela disse e riu - É sua? - perguntou apontando para a mala, onde agora ela guardava o sutiã e olhava para ver se algo faltava.
- O que você acha, gênio? - revirou os olhos, enquanto Niall segurava a risada e Louis ria descontroladamente.
- Vem, eu vou te mostrar nosso quarto - segurei em sua mão
- E rosa não combina com você, preto talvez ficasse melhor - Louis apontou para Niall antes de sair. Ele continuou parado lá a olhando e provavelmente gostando do que via, já que assim que ela virou de costas os olhos dele desceram... Garotos, sempre tão patéticos...

[...]

- Então vai ficar mais alguém aqui com a gente? - perguntou, se jogando na cama ao lado da porta - Quarto legal - comentou olhando ao redor.

Nosso quarto era até que grande. Uma cama ficava do lado da porta, uma do lado da janela e a outra do lado do closet. Havia uma mesa com um abajur do lado de cada cama, também havia uma televisão embutida na parede; o rádio nós que trazíamos. No quarto não tinha um banheiro, o banheiro ficava no corredor e tinham diversos boxes separados. Nosso quarto era branco com uma parede pintada de lilás e violeta. O diretor pediu para um profissional em feng shui pintar os quartos e ele explicou que essas cores trazem paz de espírito, tranquilidade e sossego. Uma vez que, os tons de azul estimulam a meditação, ele disse que o violeta transforma energia negativa em positiva e acalma o coração e a mente. Ele também disse que pra funcionar você tem que acreditar, claro que muita gente é cética com isso, mas eu até que tento não julgar. Todos os quartos femininos são dessa cor, acho que ele quer acalmar todos esses hormônios. No meu quarto também havia tipo uma poltrona vermelha em forma de boca que minha mãe havia mandado para enfeitar o quarto.

- Não sendo a Evans, para mim está ótimo – falei, mais comigo mesma do que com ela.
- Quem? - perguntou distraída, tirando algumas roupas da mala.
- Nós costumávamos ser amigas. Ano passado eu sumi nas férias, por motivos pessoais, ela pirou e falou um monte. Desde então ela vem me dando um gelo, segundo ela "Eu só volto a olhar na sua cara quando você me contar o que aconteceu. Amigas contam as coisas uma para outra" - revirei os olhos.
- Sente falta dela? - se sentou na cama e me olhou.
- As vezes eu sinto, mas se ela não consegue entender que eu não posso falar o que aconteceu, então eu não posso fazer nada. Deixa ela lá, fazendo drama - dei de ombros.
- E aqueles meninos de agora pouco? - apontou com a cabeça para a porta.
- São amigos daquele lá que eu te falei - ri - Eles são muito legais, tipo, aqueles caras que dá para contar sempre. Mas, quando se trata de garotas, meninos são sempre meninos - dei de ombros
- Por que eu sinto que você está falando mal da gente? - Zayn apareceu na porta do quarto sorrindo
- Porque você sempre pensa o pior da minha pessoa - coloquei a mão no peito, fingindo estar ofendida, levantei e corri até ele o abraçando - Senti sua falta seu moreno ridículo
- E eu a sua, sua morena deliciosa - Zayn brincou e olhava curiosa
- Essa é a , nova boarder e colega de quarto. Esse é o Zayn, meu melhor amigo e um babaca - falei apontando para ele, riu e acenou com a mão.
- Achou a chatinha? - Harry colocou a cabeça dentro do quarto - Achou ela e uma aluna nova? Mandou bem - Harry riu.
- E eu realmente achei que ia me ver livre de você esse ano – suspirei.
- Nunca meu amor, nunca - Harry sorriu mostrando a covinha - E você é?
- Ela é a , aluna nova - respondi por ela, vendo que se sentia meio perdida.
- Bom, é um prazer te conhecer . Vejo que infelizmente já conheceu a , mas não esquenta, eu tenho umas pessoas legais para te apresentar - Harry se aproximou dela e sentou ao seu lado, dando um abraço desajeitado.
- Eu já conheci uns estranhos mexendo nas minhas coisas - riu se lembrando da cena.
- Niall tava usando o sutiã dela falando que a cor combinava – expliquei.
- Bem a cara dele mesmo - Zayn balançou a cabeça.
- E qual o motivo dessa visita? - perguntei olhando para meu melhor amigo
- A festa de boas vindas - Zayn sorriu, mostrando todos os dentes.
- Não é só na sexta? - perguntou sem entender.
- Não, linda. Essa "festa" é coisa nossa. Tipo, nós vamos juntar nossos amigos na sala de convivência, vai rolar música, vai ter bebida e tal, mas é só pro pessoal mais chegado mesmo - Harry explicou, enrolando uma mecha do cabelo de em seu dedo.
- E você está convidada - Zayn apontou para ela.
- Mas e os coordenadores dos dormitórios? Não vai dar problema? - tombou a cabeça de lado.
- Fica tranquila, está tudo sob controle - Harry balançou a cabeça, sorrindo para Zayn.
- Então vejo vocês mais tarde - Zayn deu um beijo na minha testa, acenou para e se direcionou até a porta. Harry deu um beijo na testa da garota e me abraçou, sabendo que eu o empurraria. E assim foi feito, ele riu ainda mais e foi até a porta.
- Bem vinda a Waterford, - Harry piscou ao sair, me fazendo revirar os olhos.
- Todos os meninos desse lugar parecem Deuses gregos? - perguntou, com uma expressão engraçada, me fazendo rir.
- Eu pensei que você ia precisar de um babador quando viu o Zayn – provoquei.
- Você não pode julgar uma garota - deu de ombros.
- Você se acostuma - assegurei tacando uma das almofadas nela.

Capítulo 2

Entrei no quarto, tendo que carregar aquelas duas malas e ainda por cima atrasada. Não que eu tivesse uma hora certa para chegar, mas meu pai demorou para me trazer e adivinha? Nos atrasamos. E se tem uma coisa que eu odeio é me atrasar, mesmo que eu não tenha um horário certo, eu só gosto de organizar meus horários. , percebi que nosso quarto só tem duas camas esse ano. Continuava tudo do mesmo jeito exceto pela poltrona branca que provavelmente mandou colocar no quarto. Aposto que pediu para ser transferida de quarto, eu já esperava por isso depois da nossa briga, mas o que eu posso fazer se ela não me conta o que está acontecendo? Odeio que escondam as coisas de mim, eu sou amiga dela, poxa. Poderia ajudar no que quer que fosse, mas não, Gonzales é toda desconfiada, quase não se abre, não sou obrigada.

- Minha ruiva chegoooooooou - apareceu pulando nas minhas costas e me derrubando na cama - Como eu senti sua falta nessas férias, foi um tédio - se sentou em cima da minha barriga.
- Eu preciso respirar - falei apontando para onde ela estava sentada.
- Ta me chamando de gorda por acaso? - fez força para baixo.
- eu vou te derrubar nesse chão se você não sair - falei, mas ela se manteve no mesmo lugar, então comecei a me mover, fazendo a loira rir e logo em seguida realmente cair no chão.
- Ai, sua ogra! - se levantou passando a mão na bunda - Minha bunda ta doendo por sua causa - fez manha.
- HAAAAAAARRY! - e lá se foi a escandalosa se jogar nos braços do "melhor amigo/irmão/confidente", como ela sempre costuma o chamar.

e Harry são muito parecidos em alguns aspectos. O que eu mais admiro é que os dois sempre estão dispostos a ajudar quem quer que seja e sempre colocam os problemas dos outros acima dos seus. Por um tempo todo mundo achou que essa amizade viraria romance, mas agora só a ideia me dava vontade de vomitar. Eles parecem irmãos, agora eu acredito quando eles diziam que isso nunca ia acontecer.

- E que coisa azul, verde, sei lá que cor, é essa no seu cabelo? - Harry perguntou brincando com as pontas do cabelo de
- Mecha sereia - piscou.
- Você e essa obsessão por sereias, é assustador – comentei, fazendo Harry olhar para mim.
- Ruivona linda, sabe quem ta ansioso para te ver? - Harry perguntou com um sorriso sacana.
- Quem? - perguntei já desconfiando.
- Louis - Harry abriu um dos seus sorrisos enormes.
- E eu com isso? -perguntei estranhando. Eu e Louis somos completamente opostos, ele é um louco inconsequente que não está nem ai pra nada, só para zoar. Perdi a conta de quantas vezes tive que dar um jeito de salvar esse garoto de alguma idiotice.
- Quem sabe esse ano não vai rolar? Você e o Rick terminaram mesmo - Harry mordeu o lábio, segurando a risada.
- A única coisa que vai rolar é minha mão na cara dele se ele resolver jogar tinta no ventilador no último dia de aula de novo - respirei fundo, fazendo os dois rir.
- Ah! Eu acabei de ver a no 505, ela ta de amiguinha nova - Harry comentou, começando a fuçar nos produtos de beleza de .
- Quem? - quis saber quem era a novata; ela consegue ser bem ciumenta as vezes.
- Uma aluna nova, bem gatinha pra falar a verdade, a bunda dela é ó - Harry falou fazendo ok com os dedos e logo em seguida levou um tapa de - Que mão de homem, . Não precisava de tudo isso, você é a única na minha vida - Harry abraçou a amiga e deu um beijo no topo de sua cabeça - Vocês vão conhecer a novata hoje, ela vai ta na reuniãozinha.
- Mas já chamaram? Não sabe nem se ela é legal - comentei dando de ombros
- Os meninos já conheceram ela e gostaram - Harry falou. e eu arqueamos a sobrancelha e ele percebeu que teria que contar como conheceram a garota - A mala dela foi mandada pro nosso dormitório. Quando ela foi buscar, os meninos estavam em volta da mala e ela foi toda simpática, só sorrisos... Menos com Niall que resolveu que o sutiã rosa dela combinava com o tom de pele dele, ai ela chamou ele de branquelo estranho e falou que se alguém tivesse mexido em outras coisas ia matar todo mundo - começou a rir e eu acabei rindo junto.
- E o que você achou da novata?
- Sei lá, cara. Falei pouco com ela, mas parece ser bem na dela e agora que vocês abandonaram a ... - Harry alfinetou; ele achava errado a forma que eu a pressionava.
- Eu não abandonei ninguém - levantou as mãos em rendição.
- Mas a não está dando nem gelo na garota, está dando o polo norte inteiro; e isso faz qualquer um se sentir mal. Quando ela começar andar pra cima e pra baixo com a novata não reclama , você que a afastou - Harry terminou o discurso, me fazendo respirar fundo - Agora eu tenho que ir chamar o resto das pessoas, vejo vocês mais tarde - saiu do quarto sem falar mais nada.
- Você sabe que ele está certo, não é? - apontou para onde Harry havia acabado de sair.
- , faz um favor e vai procurar um macho que eu sei que é sua especialidade - sorri para minha amiga que abriu a boca, se fazendo de ofendida.
- Eu até poderia rebater, mas isso é uma verdade - piscou e saiu do quarto.
- Que? Eu tava brincando sua retardada. Volta aqui! - sai do quarto atrás da loira.

505, quarto 505 cadê você meu paraíso? Sério, eu só preciso entrar no quarto, deixar as coisas e ir dar uma volta por aqui. Se bem que a ideia de ficar na cama até eu me fundir com o colchão é bem tentadora. E por que ainda não colocaram um elevador aqui? Eu já faço exercícios, não preciso dessas escadas infinitas para subir. Se bem que nem são tantas assim, eu só tenho um pouco de preguiça mesmo. E outra coisa, cadê aqueles veadinhos do Louis e do Niall? Eles juraram que iam me ajudar a trazer as coisas, mas daqueles ali não dá pra esperar muito cavalheirismo; eles me tratam como se eu fosse um dos caras. Se bem que eu também os trato como se fossem uma das meninas. E eu tenho que desacelerar o pensamento, daquela vez que eu fui à psicóloga fazer teste vocacional ela disse que eu tenho síndrome do pensamento acelerado. Eu nem sabia que isso existia, ai ela começou a perguntar se eu tinha insônia, se pensava em muitas coisas ao mesmo tempo, se trocava de assunto o tempo todo e depois disse que eu tinha que arranjar um jeito de me acalmar, mas tipo, não tem como eu arranjar um jeito de me acalmar, é impossível. E por que caralhos eu to no chão?

- Meu cacete colorido! Quem foi o animal de tetas que me derrubou? - perguntei olhando para cima
- Oi meu amorzinho, que saudadezinha - se jogou em cima de mim.
- MONTINHO! - gritou e em seguida se jogou, me esmagando ainda mais.
- Sai, porra! Latina morrendo debaixo de duas malucas, chama o 911! – gritei.
- O número de emergência daqui é 999, sua jumenta - deu tapa na minha testa e saiu de cima de ; que saiu de cima de mim e me ajudou a levantar - Se nós precisarmos da em uma emergência, está todo mundo fodido.
- Ai! Calem a boca que eu assisto muito filme americano e é tudo 911 pra mim - joguei o cabelo para trás - Por que vocês estavam correndo no corredor?>br /> - Sua amiga loira nojenta que tava indo falar pro Louis que eu quero uma noite de prazer com ele - revirou os olhos.
- E você quer? Eu sempre soube que era tudo tensão sexual - afirmei com a cabeça fazendo rir.
- Você ta bebendo? Claro que eu não quero - falou, como se fosse óbvio.
- Ta tudo muito lindo, tudo muito belo, mas eu tenho que ir pro meu quarto deixar essas coisas. Vejo vocês mais tarde, chicas?
- Claro! Dormitório dos meninos mais tarde, você já sabe. Agora vai procurar seu quarto - deu um tapa na minha bunda e saiu com . Essas duas são a luz do meu amanhecer, elas super me acolheram quando cheguei aqui; vim de Puerto Rico com minha mama e minha abuelita. Eu estava perdida, porque nunca tinha entrado em um internato. Errei o caminho da recepção e fui parar no lago onde tentava jogar na água e pronto, nossa amizade começou ai. As duas ficaram com dó da latina perdida, me levaram até a recepção, depois me acompanharam até meu quarto e não me largaram mais. Falaram que meu sotaque era fofo demais pra me deixar escapar, vai entender.
- Cama1 - corri para a cama vazia, me jogando sem nem perceber a presença de duas garotas ali.
- ! - correu se jogando em cima de mim.
- Mas que porra! Hoje é dia nacional do "vamos se jogar em cima da e matar essa gata sem ar"?
- Eu não sei do que você está falando, mas senti sua falta - sorriu se sentando.
- Então nós vamos dividir um quarto finalmente? - sorri animada - Eu sei que você é mais na sua e eu sou meio assim - falei fazendo gestos com os braços - Mas eu te amo e você me ama e no final o amor vence todas as barreiras; que no caso vai ser minha desorganização e...
- , mais devagar - falou calmamente, me fazendo rir.
- do céu, a menina dos sapos está fazendo barraco com uma... Epa! Oi - uma garota que eu nunca tinha visto parou na porta sorrindo
- Garota dos sapos? Tem uma garota dos sapos aqui? Eu pensei que era a única que gostava de anfíbios. Falando em anfíbios meu lagarto morreu nas férias.
- Lagartos não são répteis? - a garota nova perguntou confusa.
- Não liga, não. A caiu de cabeça quando era pequena e esse foi o resultado - deu de ombros - E essa é a , vai dividir o quarto com a gente. , essa é a Martinez.
- Eu gostei do seu cabelo, ele brilha pra caralho. Até que parece com o meu, tipo, sua californiana é bem loira e...
- Vocês fez mexas mel. Eu jurava que ia morrer sem ver você tocando nesse cabelo - falou de repente.
- Agora me conta a dos sapos - perguntei curiosa.
- A Delphine. Lembra como ela surtou depois que terminou com Harry? Ela ta numa brisa das galáxias e com isso eu não to falando gíria nenhuma. Ela literalmente ta vivendo com a cabeça lá em cima, falando de astros, energias positivas, aplaudir o sol e essas coisas. Ai entrei no meu quarto pra dar de cara com aquela louca preparando um aquário pra colocar vários sapos; já não bastava eu encontrar seu lagarto no meio das minhas roupas. Nem fudendo que eu ia acordar no meio da noite com um sapo na minha cabeça - falou revirando os olhos.
- Eu quero saber o que acontece com essas pessoas que terminam com Harry e surtam. É um tipo de maldição? – perguntei
- Do tipo, se você for a pessoa certa ótimo pra você, se não se fodeu. Vai perder a cabeça e começar a empilhar sapos e se vestir de cigana para dançar a meia noite no cemitério? - continuou o pensamento.
- Já vi que vamos nos dar bem – sorri, piscando para ela
- Só o Zayn que se salva nesse meio, vocês todos precisam de tratamento. E eu pensando que a se salvava
- Mas eu só tava brincando, você realmente acha que é sério? - perguntou.
- Tem uma história que rola ai sobre...
- Ai, nem começa! Vamos, vamos que daqui a pouco dá a hora de ir pro quarto dos meninos - bateu palmas, assustando .

Louis

Deu o horário e nossos amigos começaram a chegar, menos as nossas meninas. e nos conhecem desde, acho que, sempre. Eu nem consigo lembrar como nós nos conhecemos, só sei que quando vimos já estávamos amigos. O meu hobbie preferido é infernizar a , desde que me conheço por gente. Antes era só puxar as tranças dela ou roubar alguma Barbie, depois eu comecei a realmente infernizá-la, porque é engraçada a expressão dela quando fica irritada. No período passado, eu joguei tinta no ventilador, era último dia de aula, alguma coisa legal tinha que acontecer, todo mundo ficou todo sujo e até que curtiram a brincadeira, mas eu jurava que a ia me tacar no ventilador pra ver se conseguia me desmembrar.

Ela costumava ser a presidente de classe. Ela não gostava disso, mesmo sendo toda organizadinha e essas coisas, nosso professor achava que ela conseguiria manter eu e os meninos na linha. Claro que isso não aconteceu. Primeiro, porque somos amigos, ela nunca nos entregaria, até mesmo a mim; e segundo que às vezes, com muita força de vontade, nós conseguíamos fazer ela se juntar a nós, então ela acabou largando esse posto e relaxando. Se ela já se estressa normalmente, imagina tendo essa responsabilidade? Eu jurava que ela ia explodir a qualquer momento.

- Você! - ouvi alguém gritando - É um maldito! - recebi um tapa - Eu subi todas aquelas escadas carregando aquelas malas sozinha! - outro tapa, mais ardido - Da próxima vez eu chamo o Carter - dessa vez foi um soco - Ele pelo menos gosta de me ajudar - e finalmente um chute na canela. Vos apresento a louca descontrolada da melhor amiga do Niall.
- Eu meio que esqueci - sorri amarelo - E precisa dessa agressividade toda?
- Precisa pra você aprender a nunca mais fazer isso, seu anão - finalmente me abraçou.
- Também senti saudades, sua latina descontrolada - falei bagunçando seu cabelo.
- Cadê os meninos? - perguntou olhando para os lados
- Ali com a novata e a - apontei - Já conheceu a ? Achei ela maneira, quase que ela matou o Horan mais cedo. Eu juro que ele realmente achou que ia morrer, mesmo ela não dando medo nenhum.
- Eu vou dividir o quarto com ela e com a . A garota é legal, meio doidinha, falou uns negócios de cigana e cemitério, mas é uma boa pessoa - balançou a cabeça
- Você querendo chamar alguém de doidinha? Aposto como você até apoiou a ideia
- Me conhece como ninguém - suspirou exageradamente - Vem cá, aquele é o Zayn? - apontou e eu segui seu olhar - Nossa como ele ta gostoso, né? - bateu no meu ombro me fazendo revirar os olhos.
- Às vezes eu acho que você esquece que eu sou homem.
- Ah! Eu te aguento falando das gostosas do internato, deixa eu compartilhar aqui também - abanou o ar com a mão e continuou secando Zayn descaradamente. Se tem uma coisa que ela nunca conseguiu ser é sutil. Enquanto eu ria da maluca ao meu lado, vi um cabelo em chamas chegando, sorri e esperei alguns minutos. Peguei pelo pulso e fui até onde o pessoal estava.
- ... Ai a bola pegou no saco dele e ele começou a fazer o maior drama falando que estava estéril, depois parou no meio do drama pra perguntar se essa era a palavra certa. Nisso outra garota chegou chorando e jogando outra bola nele, ai que o garoto realmente acreditou que nunca mais ia conseguir ter filhos - ria descontroladamente e secava as lágrimas de rir, enquanto Harry olhava para elas com tédio.
- Só que isso foi totalmente injusto, porque elas sabiam que não era nada sério. Foram elas que deram a ideia, isso que me deixou puto - Harry se defendeu - Elas deram a ideia e depois começaram se fazer de vítima falando que eu dava mais atenção pra uma que pra outra, ai eu que sai como o cara mal da história.
- Ninguém mandou ser uma cachorra - falei chamando atenção - , como é bom te ver limpa.
- Como é bom te ver com os dentes inteiros. Quer mantê-los na boca? - cruzou os braços.
- Calma ai, lutadora, deixa as brigas para amanhã! - Liam chegou amansando a fera, o único que conseguia, de alguma forma, acalmar essa garota.
- Não posso prometer nada - murmurou, mas todos ouvimos. não é do tipo que segura a língua, o que ela tem pra falar ela fala. Maior parte do tempo ela ta quieta, na dela, só olhando, mas quando abre a boca também... Uma vez ela brigou com . Ela fez a garota chorar, agora, não é do tipo que chora com tudo, mas o negócio da é que ela acaba jogando umas verdades na sua cara que você se nega a ver e ai já viu, o barraco ta armado e a treta é certa.
- Se tiver que falar alguma coisa é só falar - a encarou
- Se eu fosse você, ficava quietinha. Ninguém está a fim de ver a brava – aconselhei.
- Eu não tenho nada para falar, . Você resolveu que ia ser afastar, porque é mimada e egoísta e, se as pessoas não fazem o que você quer, ai você dá uma surtadinha, esperando que resolva. Mas eu já te falei um milhão de vezes que eu não vou fazer seus caprichos e se você não pode aceitar que eu não quero falar sobre o que aconteceu, então esse é um problema completamente seu, porque eu estive do seu lado em todos os momentos; quando você descobriu que sua mãe tinha ido embora e todas as outras coisas. Mas você não pode ficar do meu, então eu acho que quem saiu perdendo aqui não fui eu - terminou e saiu da roda, se aproximando da mesa de bebidas e pegando um copo enquanto sorria para Josh. Todos ficamos estáticos esperando uma reação de , mas em vez disso uma cabeça loira chegou.
- Olha, se não é a menina do sutiã... Trouxe o preto pra ver se realmente combina comigo? - Niall provocou que sorriu.
- Trouxe, na verdade eu estou usando ele no momento - sorriu docemente.
- Isso é um convite para eu retirá-lo? - o irlandês perguntou, cheio de segundas intenções, e riu nasalmente.
- Você não é homem o suficiente pra isso. Essa sua fixação com os meus sutiãs só pode significar duas coisas: Você ta na falta ou quer fazer alguma operação pra troca de sexo - falou fazendo careta e nos fazendo rir, inclusive Niall.
- Eu amo essa garota - falei abraçando pelos ombros.
- Talvez eu realmente devesse fazer a operação, eu seria uma linda mulher - Niall entrou na brincadeira.
- Você já é um lindo homem - deu de ombros na cara de pau e nós arregalamos os olhos. Essa menina é imprevisível. Como ela fala isso sem corar?
- Love is in the air - Harry zombou, mas estava olhando para o outro lado da sala onde conversava com Zayn e dava risada. Harry e são complicados, eles já tiveram uma história. Não, eles não ficaram, um era gamadinho no outro, e eles não se odeiam, só amam se provocar. sempre mantém Harry afastado e ninguém sabe o motivo, na verdade eu acho que o Zayn sabe, mas ele nunca abre a boca. Harry também nunca tentou nada com e eu nunca entendi o porquê.
- Então, você ta dividindo o quarto com as meninas? - perguntou analisando que concordou sorrindo - E o que ta achando do local?
- Até agora ta tudo bem, não tenho muito o que falar, já que acabei de chegar - deu de ombro - Vem cá, ninguém escuta toda essa bagunça?
- Claro que escutam - Niall sorriu sacana.
- Mas ninguém fala nada - Harry completou - Aqui tem filhos de muitas pessoas importantes, tipo, o pai da é senador... Imagina o tanto de dinheiro que rola aqui dentro pra manter os filhos dos caras fora de problemas? Se o diretor expulsasse todo mundo que tem que ser expulso, não ia sobrar um filho de gente importante aqui, então eles se fazem de surdos. Claro que as vezes rola uma expulsão, mas só quando o diretor ta de péssimo humor - Harry explicou.
- Tipo suborno?
- Você fala como se fosse ruim - a empurrei com o ombro.
- Não, tipo, só achei estranho não ter vindo ninguém reclamar.
- Os coordenadores do andar são meio que um mito. De tanto os alunos serem pegos um no quarto do outro, eles ficavam de saco cheio e sempre saiam, nenhum durava mais de quatro meses. Então agora eles fazem vista grossa. Os pais não queriam os filhos sendo punidos por isso, achavam uma regra antiquada, mas muitas mães apoiaram porque não querem as filhas engravidando, então, depois das duas da manhã, é melhor você estar no seu quarto - expliquei e apenas concordava com a cabeça.
- Apesar de tudo isso, esse é um bom lugar, o ensino é ótimo - sorriu para .
- Vai ser divertido - Niall piscou para que sorriu de volta. Peguei me olhando e arquei a sobrancelha para a ruiva que bufou e saiu andando para conversar com , provavelmente. É , não adianta fugir não, esse ano você vai ver.

Eu já estava meio alta pelas bebidas que os meninos deram um jeito de trazer, então, quando Dangerous começou a tocar, eu não me agüentei. Joguei meus braços para cima e puxei e pela mão para dançar. Nós ríamos e dançávamos como se não existisse mais ninguém no local, eu passava as mãos no cabelo os bagunçando e rebolava na batida da música, até que senti mãos me segurando e me virei para dar de cara com Derek, capitão do time de Lacrosse. Era gatinho, mas tinha uma péssima reputação e quando eu digo isso não to falando do tipo "pega todas as meninas, as ilude e parte seu coração", mas do tipo, leva as meninas perto do celeiro e as força a fazer certas coisas. Ninguém nunca teve provas para fazê-lo ser expulso, mas bem que ele tinha cara de quem fazia tal coisa.

- Que bom te ter de volta, - Derek sorriu me fazendo revirar os olhos.
- Vaza daqui, garoto! Não ta vendo que eu to com as minhas amigas?
- Eu to vendo, mas uma festa sem pegar alguém não é uma festa pra você, certo? - sorriu sensualmente, me dando náuseas.
- Se for pra ficar com alguém como você então eu prefiro morrer - balancei a cabeça. De canto do olho, vi Harry observando a cena.
- Quem você pensa que é pra fala assim comigo, sua vadia? - segurou meu braço com força, o apertando.
- Me larga, seu ogro! Agora! – mandei, tentando me soltar de seu aperto.
- Derek, é melhor largar a garota - Liam apareceu atrás de mim com sua voz grave.
- Ou o que Payne?
- Sério que você quer mexer com o melhor boxeador da escola? - apareceu atrás de Derek, com ? Então elas se resolveram?
- Vocês todos são um bando de nojentos que se acham melhor que todos desse lugar. Eu vou acabar com cada um de vocês! - Derek escorria ódio enquanto falava conosco.
- Eu só vou falar uma vez. Larga.A.Minha.Amiga - Harry se postou ao lado de Liam e fechou as mãos em punho. Os dois lutam boxe, Harry só por esporte, Liam até chegava a competir, então o receio que se passou nos olhos de Derek quase me fez rir. Quase, porque o aperto no meu braço ainda machucava.
- Não ir pra minha cama não te faz menos vadia - Derek falou olhando nos meus olhos e me soltou, me fazendo cambalear. Fiquei entre Liam e Harry olhando Derek sair de perto da gente e respirei aliviada. "Não te faz menos vadia", só por ser solteira e gostar de curtir a vida as pessoas me chamam de vadia. Não é como se eu fosse pra cama com todo cara que eu fico, na verdade eu só transei com 3 caras desde que perdi a virgindade, mas claro que em toda escola tem que ter a "vadia que quer todos" e por algum motivo me escalaram para esse papel. Na maioria das vezes eu não me importo, pois eu sei qual é a verdade, mas vezes como essa, quando algum babaca acha que tem algum direito de fazer uma coisa dessas, me deixam realmente irritada.
- Você ta bem? - Harry perguntou, segurando minhas duas mãos e dando um beijo na minha testa.
- Eu só queria cortar as bolas dele fora - dei de ombros os fazendo rir - Vai se divertir, não precisa se preocupar comigo não! - empurrei Harry pela barriga o fazendo andar de costas, ainda me olhando. Ele sorriu e se virou para conversar com Louis e .
- Se acertaram? - perguntei para e que sorriram.
- Eu vou parar de ser uma vadia que pressiona os outros e a vai pegar mais leve no veneno - riu abraçando a morena que deu de ombros.
- Pelo menos nós vamos tentar - mordeu o lábio. Eu sabia que essa frescura não ia durar muito, essas meninas não vivem sem a outra.
- Agora vamos ali assistir a Delphine dando uma aula de purificação pra , porque ta realmente engraçado, a dá corda e eu to começando a achar que ela vai colocar uma dessas coisas em ação - riu divertida e puxou que foi revirando os olhos e balançando a cabeça.

Fiquei encostada em um canto, pensando em como aquelas pessoas tinham essa mania escrota de julgar todo mundo sem conhecer. Às vezes eu gostava de ficar imaginando qual seria a história de cada um, se cada sorriso era verdadeiro ou se elas estavam tão machucadas que usavam uma máscara o tempo inteiro só pra não demonstrar a dor, como eu fazia às vezes. Mas o pior é quando você mente tanto pra si mesmo que está tudo bem e acaba acreditando. Eu não quero mudar meu jeito por ninguém e a maioria das vezes eu to pouco me fodendo para o que dizem de mim, mas quando eu sinto que sou tratada como um objeto eu me pergunto por que deixo isso acontecer. E então, antes dos meus amigos perceberem que algo está me afetando, eu coloco um sorriso no rosto e faço brincadeiras. Odeio demonstrar fraquezas, antes do meu pai nos deixar ele me ensinou a esconder toda vulnerabilidade, porque as pessoas se aproveitam disso para te colocar para baixo, então eu tinha que engolir tudo que sentia e me fazer de forte.

- Vem, vamos ali fora um pouco - ouvi Liam me chamando, nem tinha reparado que ele permaneceu ali depois do que aconteceu. Apenas acenei com a cabeça e o segui para fora do dormitório. Fomos andando até chegar perto das árvores, onde o vento era mais forte, a iluminação era fraca e dava para ver as sombras das árvores nos prédios. Nos sentamos e encostamos em uma árvore, tudo em silêncio, e então me encostei no ombro de Liam respirando fundo. Nós nunca fomos muito próximos, acho que convivíamos por causa dos nossos amigos, mas sempre soube que ele era um bom ouvinte.
- Sabe, eu gosto de ficar aqui sozinho, às vezes, pensando - Liam me olhou.
- Pensando em que?
- Em tudo, é difícil achar um lugar vazio aqui. A essa hora nunca tem ninguém, então eu venho aqui, me deito e fico olhando as estrelas pensando em qualquer coisa que passar pela minha cabeça - Liam falou se deitando e colocando as mãos atrás da cabeça. Me deitei também e olhei para ele.
- Você concorda? - perguntei, sabendo que ele entenderia.
- Não e você não deveria deixar o que eles falam te afetar - Liam me olhou também - Eu sei que você não se importa, mas às vezes os comentários te atingem. mas , foda-se, nenhum deles tem nada a ver com a sua vida.
- É, mas esses caras pensam que podem chegar aqui e fazer isso... Eles acham que tem algum direito sobre mim só porque eu meio que gosto de me divertir.
- Por isso você ficou toda quieta ali no canto? - Liam perguntou, se sentando novamente, e eu apenas assenti com a cabeça - Se serve de consolo, eu te acho uma pessoa incrível e te admiro por fazer o que quer sem se importar com o que vão falar - Liam me olhou sorrindo, seus olhos fechando um pouquinho. E por algum motivo aquilo serviu sim de consolo, me fazendo sorrir de volta e abaixar a cabeça.
- Eu gosto de ver as estrelas - suspirei olhando para cima - Me lembra meu pai.
- Ta vendo aquela ali? - Liam apontou para uma estrela e eu concordei, mas logo abaixei sua mão.
- Não aponta, dá má sorte. Vai nascer um dedo extra ou vai nascer uma verruga em você, não sei ao certo só sei que dizem que não é bom - Liam riu.
- Eu não acredito nessas coisas - balançou a cabeça - Eu não faço a menor ideia de qual constelação é, mas finge que eu entendo do que to falando - Liam sussurrou, me fazendo rir alto, logo em seguida cobri a boca com as mãos.
- E eu pensando que você ia ser clichê a ponto de me explicar sobre as estrelas pra me impressionar
- Assim você me ofende, . Achei que depois de todos esses anos já havia te impressionado - Liam sorriu e eu mordi o lábio pensamento "Sem camisa você é realmente impressionante". Por algum motivo Liam começou a rir ainda mais - Muito obrigado. De biquini você também é impressionante.
- Ai, não me diz que eu falei em voz alta - tampei o rosto com as mãos e ele riu ainda mais.
- Vamos fingir que não aconteceu então - Liam falou se levantando - Vamos voltar antes que o Harry me mate por ter sequestrado a melhor amiga dele - Liam estendeu a mão para me ajudar - E lembre-se, , se você gosta de quem você é, então a opinião de mais ninguém importa - sorriu e me abraçou.

Capítulo 3

Harry

Estava preocupado com , apesar dela dizer que está bem eu sei que algo está errado, mas ela é teimosa demais para dizer o que a incomoda, então é melhor deixar isso de lado e falar com ela mais tarde. Olhando para o lado, pude ver conversando com Zayn e sorri, ela se soltava bastante com ele, não que fosse tímida, ela só gostava de ficar no canto dela, de ter seu próprio espaço, acho que por isso ela me afasta tanto. Eu sou do tipo de cara que gosta de demonstrar carinho, abraçar e tudo mais, ela já não gosta de tanto contato, foi assim desde que a conheci, por um tempo pensei que ela me achava irritante, mas ela só gosta de me provocar mesmo, e eu faço o mesmo. É diferente de Louis e , aqueles dois parecem realmente não se suportar, as brigas são pra valer. Comigo e é só brincadeira, eu sei que se um dia precisar conversar ela vai me ouvir.
- Pensando em que, Styles? - ouvi uma voz e olhei para baixo, vendo Delphine. Respirei fundo, me perguntando o que essa louca estava fazendo aqui.
- Oi, Delph - sorri forçadamente.
- Sabe, depois de terminar com você tudo melhorou - ela se encostou do meu lado e sorriu para o nada - Eu ouvi o canto da natureza me chamando, encontrei o balanceamento, me purifiquei. Você foi, tipo, a ferramenta para me fazer entender que eu precisava me livrar dessa vida fútil e seguir o que o universo tem planejado para mim - ela falava tudo com uma voz calma, enquanto eu mordia o lábio, tentando segurar a risada - Se um dia desses você quiser que eu te ensine é só me ligar - piscou e saiu andando.
- Cara, isso foi bizarro - apareceu fazendo careta - Me diz que ela era normal quando vocês ficaram - apontou para onde a garota saiu.
- Eu não sei o que aconteceu com ela, ta estranhona - dei de ombros - Vem cá, e todo aquele flerte com Niall? Você chegou hoje e ele já ta se oferecendo para ele tirar seu sutiã? - arqueei a sobrancelha, arrancando uma risada dela.
- É tudo brincadeira - falou balançando a cabeça - Aquele carinha ali foi o que falou merda pra ? - apontou com a cabeça para Derek que estava em um canto com seus amigos do Lacrosse.
- Babaca. Eu juro que se tivesse fora da escola eu ia arrebentar ele - fechei as mãos.
- Guarda essa raiva, bonitão! Ódio não faz bem não - apareceu do meu lado.
- Isso ta meio chato, né? - Zayn comentou.
- Eu tenho uma ideia! - sorriu, aparecendo do inferno - Chama todo mundo e me encontra aqui fora - deu um pulinho e saiu arrastando . Olhei para os meninos que deram de ombros e fomos procurar o resto do bando. Só não achei e Liam, mas quando chegamos lá fora eles já estavam com e perguntou.
- Sendo ideia da , não deve ser coisa boa - Niall provocou a melhor amiga e levou um pisão no pé em resposta – Nossa, grossa! - gemeu de dor.
- é bem agressiva quando quer - Louis explicou para que só observava.
foi andando na frente, tagarelando com Zayn, e nós fomos a seguindo. vinha por última, apenas observando tudo. Desde que voltou das férias ela andava meio estranha, mais quieta que o normal, e ninguém conseguia tirar dela qual era o problema, esse foi o principal motivo da briga dela com .
- ... Ai ela não viu a pedra e caiu, só que ela caiu de cara no chão e acabou abrindo o queixo. Eu juro que tentei não rir, mas ela conseguiu ser mais desastrada que eu - contava sobre sua prima para Zayn e arrancava risada de todos com seu jeito de contar histórias.
- O Louis podia cair de boca e morder a língua pra ver se deixa de falar tanto - alfinetou.
- Você que podia cair de boca no meu...
- Nem ouse terminar! - o olhou irritada e deu um tapa na nuca de Louis. Ouvi rindo atrás de mim, desacelerei para que ela me alcançasse e andamos lado a lado.
- Eu adoro olhar para a lua! - ela comentou do nada. A olhei de canto de olho e vi que a garota sorria.
- , eu sei que você não curte muito falar sobre o que ta rolando, mas, se você precisar, eu sou um bom ouvinte – falei, fazendo-a virar o rosto para mim.
- Styles, você não é exatamente conhecido por ouvir as meninas, e sim por levá-las pra cama - comentou e eu levei a mão ao meu peito em falsa ofensa.
- Eu sei que tenho essa má reputação, alguém precisava ter - levantei as mãos - Mas eu não quero fingir me importar pra te levar pra cama, se eu quisesse já teria levado - cocei o queixo e levei um soco no braço, mas ela estava rindo, pois sabia que eu só estava curtindo com a cara dela.
- Quando eu voltei pra casa foi bom ficar um tempo com a minha mãe, mas aconteceram umas coisas e eu não sei como tirar da cabeça, ou como falar, prefiro guardar pra mim, pelo menos por enquanto, mas valeu por se oferecer pra ouvir meu drama - riu falsamente.
- Você que sabe – falei, botando fim ao assunto, e a abracei pelo ombro, fazendo-a andar mais rápido e alcançar o pessoal. Percebi seu desconforto com o contato, mas ignorei e continuei andando com ela.
- Como você descobre esses lugares? - Louis perguntou, enquanto entrávamos por uma trilha.
- Explorando, meu caro, adoro aventuras - sorriu.
- Tipo Indiana Jones? - Niall balançou as duas sobrancelhas.
- É seu parente? Como eu não conheço ele, Niall? Eu pensei que fosse sua melhor amiga - falou de forma inocente. Um fato sobre a : ela, as vezes, faz umas perguntas bestas.
- Tipo o personagem do filme, animal - deu um tapa na testa da amiga. Um fato sobre a : ela não é nada delicada! , que normalmente estaria zoando e sendo escandalosa, estava parada ao lado do Liam pensativa; falei que tem alguma coisa errada.

Niall

Terminando a trilha, nós começamos a ouvir barulho de água caindo. Franzi o cenho, sem entender o que podia ser. Pelo visto nem no internato nós estávamos mais, parecia que havíamos entrado em uma fazenda por aquela trilha da . Eu sabia que a gostava de sair por ai procurando lugares, mas não sabia que conhecia esses lugares legais perto da escola.
- Um dia eu me perdi e segui a trilha, deu aqui, da segunda vez que eu tentei voltar eu errei, ai tive que lembrar onde me perdi pra fazer o caminho certinho - sorriu orgulhosa.
- E quantas vezes você já voltou aqui? - perguntou.
- Essa é a quarta - sorriu novamente.
- Então, deixa eu ver se eu entendi... Você se perdeu aqui uma vez, na segunda errou o lugar, a terceira acertou e hoje resolveu nos trazer... De noite... Sem ter certeza de que ia acertar? - perguntou se alterando, enquanto Louis ria.
- Eu sabia que ia acertar. Relaxa , ta tudo sob controle! - fez o sinal da paz com os dedos.
- É, , relaxa - Louis cutucou a menina.
- Se não quiser perder o dedo, então para de me cutucar - rosnou e Louis revirou os olhos.
- Isso é normal? - perguntou do meu lado, acabei esquecendo que ela era nova por aqui.
- É, deixa eu te explicar - falei e voltamos a andar atrás de - Harry e vivem se provocando, mas é só brincadeira, eu acho que rola uma tensão sexual ali - comentei e começou a rir - Louis e realmente não se suportam, quer dizer, ele não tem nada contra ela, mas a não suporta meu amigo e ele adora vê-la perdendo a linha, então as brigas dele são sempre de verdade, mas você se acostuma - dei de ombros - Eu, Liam e o Zayn somos tranquilos, a gente se dá bem com todas elas - resumi para que balançava a cabeça mostrando que estava entendendo.
- Certo, e todos vocês se conhecem faz tempo?
- Faz um tempinho, sim, mas não esquenta, nós somos bem receptivos - falei bagunçando seu cabelo e ela me empurrou. parou do nada, fazendo Zayn, que vinha atrás, esbarrar nela e quase a derrubar, mas ele a segurou a tempo e ela fez uma joinha com a mão agradecendo.
- O que é isso? - finalmente abriu a boca.
- Isso, , é uma cachoeira - sorriu ainda mais - Eu sempre quis nadar em uma cachoeira de noite – suspirou.
- Você ta locona? - se pronunciou - Nunca, eu não vou deixar! Vai que você se machuca?
- Mas eu já nadei aqui de todas as vezes que eu vim - fez bico.
- Sozinha? - arqueei a sobrancelha - , isso é perigoso, você não conhece o lugar - cruzei os braços. Agora, eu não sou do tipo chato, mas a é praticamente um bebê e a gente cuida dela como se fosse um mesmo.
- Ai! deixa de ser chato, Horan! Eu to viva, não to? Nunca vi uma cobra por aqui, não tem pedras por baixo, dá pra gente pular dali tranquilo - apontou para um local de uns 5 metros de altura.
- Você quer pular de um lugar que tem uns 5 metros de altura, de noite, em águas desconhecidas?
- Eu conheço - bateu o pé.
- Tanto faz... Continuando, no escuro, escurão mesmo, só com a luz da lua? - Louis perguntava, como se fosse um absurdo, e apenas concordou com a cabeça - TO DENTRO! - gritou indo para o lado da minha melhor amiga.
- Pode ser legal - dei de ombros, indo para o lado deles também.
- Eu gostei da ideia - Harry e fizeram um high five e vieram para o nosso lado.
- Eu não sei nadar - Zayn deu de ombros, desinteressado.
- Eu não sou retardada - ficou ao lado de Zayn.
- Liam? ? ? - perguntou olhando para os três.
- Payne, não! - apontou para ele.
- Ele pode tomar as próprias decisões, princesa - Louis sorriu cinicamente.
- Eu vou - falou baixinho, parecia com medo, mas com vontade ao mesmo tempo. Liam deu de ombros e veio conosco, fazendo gritar animada.
- Eu passo, to menstruada - deu de ombros e se sentou ao lado do melhor amigo.
- Vocês bebem - apontou para todos nós, Zayn e apenas riam ao seu lado.
- Tirando a roupa - , que parecia mais animada, tirou a blusa e a calça sem a menor vergonha dos meninos. Pude ver Liam praticamente babando no corpo da loira, Harry revirou os olhos e deu um tapa na nuca de Liam que sorriu nervoso. seguiu o exemplo de . Eu queria cobrir minha melhor amiga, mas provavelmente ela me espancaria. As duas olharam para que balançou a cabeça.
- Sem chances, eu tiro a calça, mas fico com a blusa - ela ainda balançava a cabeça negativamente. Fiquei decepcionado, queria ver o corpo dela sem todas aquelas peças, se com roupa já era uma gostosa imagina sem... Pelo menos ela vai tirar a calça e vai dar pra ver aquela bunda melhor... Assistimos enquanto ela tirava a calça, meio desconfortável com os olhares, e, assim que tirou jogou, em pedindo para segurar, assim que ela virou de costas todos os meninos inclinaram a cabeça para dar uma olhada em seu traseiro. Nós já havíamos visto as meninas de biquini incontáveis vezes, mas a era novidade, não podíamos perder a oportunidade.
- Parece que alguém faz agachamento - Harry cochichou, mas ouviu e deu um tapa em cada um de nós nos fazendo calar a boca. nos levou até uma entrada onde havia umas rochas grandes onde pisamos para chegar à outra trilhazinha que dava no topo do lugar onde pularíamos.
- Não parece ser fundo e não tem nenhuma rocha no caminho, mas é sempre bom ter cuidado então tentem pular no meio - nos avisou.
- VAMOS NESSA! - Louis gritou abraçando e pulando de uma vez, só consegui ouvir o grito dos dois e depois o corpo batendo na água. Logo em seguida, com muito esforço, devido a pouca luz, o vimos na superfície e todos nos animamos ainda mais. Liam, Harry e se afastaram um pouco, correram e pularam gritando e então restou apenas e eu. Ela parecia meio nervosa, receosa e eu não entendia bem o motivo.
- Não precisa pular se não quiser - falei a olhando.
- Não, eu não to com medo, é que eu costumava fazer essas coisas com meu pai, ai fico lembrando - sorriu singelamente e esticou sua mão para mim - Juntos? - perguntou sorrindo, enquanto a luz da lua batia em seu rosto e iluminava seus olhos. Por um momento, me perdi ali e esqueci que ela havia me feito uma pergunta.
- Juntos! - sorri de volta e segurei em sua mão. Contamos até três e pulamos juntos ainda de mãos dadas. Quando nossos corpos bateram na água, nossas mãos se separaram e eu senti aquela água extremamente gelada. Procurei chegar logo na superfície e respirei pesadamente, mas rindo e indo de encontro ao pessoal que já havia pulado. olhei para trás e vi que vinha junto sorrindo.
- Cara, a gente precisa fazer isso de novo! - falou, jogando água no rosto de Louis.
- Outro dia, porque nós precisamos ir para o dormitório - Liam cortou o barato da loirinha.
- Olha, , pelo menos uma vez você teve uma boa ideia - brinquei a fazendo me mostrar o dedo do meio.

Voltamos para onde os outros nos esperavam. Os meninos iam se empurrando e sendo bestas na frente, correu e se pendurou nas costas do Louis, que se assustou, mas logo a segurou e correu com ela. riu com a cena e se enfiou entre Liam e Harry, enquanto eu ia, distraída com as árvores no fundo. Da última vez que fui a uma cachoeira uma cobra d'água caiu bem na minha frente, não sei o que aquele bicho queria, se tava dormindo em uma árvore e caiu, se queria pular, se queria me matar, só sei que eu fiquei assustada e corri para perto do garoto que morava por aqueles lado, ele simplesmente pegou a cobra, rodou no ar e jogou ela pra longe, tipo arremesso de cobra. Sabe no jogo do Harry Potter, quando você tem que tirar os gnomos do jardim dos Weasley e ai você roda eles e joga longe? Foi tipo isso, e eu queria fazer isso, como não existe gnomo, o negócio tinha que ser com cobra, mas todo mundo me fala que é perigoso pegar em uma cobra, eu não quero uma sucuri, só uma cobrinha pra saber como é...
- Isso foi demais! - sorriu animada quando chegamos, eu nem tinha reparado que já estávamos aqui.
- Eu bem que queria, mas não sei nadar - Zayn fez uma carinha triste e eu fiquei com vontade de abraçá-lo, e foi isso que eu fiz - , você ta bem? - Zayn perguntou rindo.
- É que você fez cara de quem precisava de um abraço - expliquei - Um dia a gente vem aqui de dia e ai eu pulo com você, não vou deixar você se afogar – sorri.
- Vamos ver se eu tenho coragem - respondeu se levantando. Como nós já estávamos meio secos, colocamos a roupa e fizemos o caminho de volta para o internato.
- E você, ? Vai tentar um dia desses? - Louis perguntou.
- Quem sabe...
- Devia, é muito bom, amiga - sorriu, passando os braços pela cintura de .
- Eu ainda quero fazer arremesso de cobra – comentei.
- Nem começa, ! - Niall apontou para mim.
- O menino fez parecer tão fácil.
- Meu pai fez isso uma vez - , que fez Louis a levar de cavalinho, comentou - Sempre acontecia de aparecer alguma cobra voadora e...
- COBRA VOADORA? - escandalosa voltou.
- É, tipo, ela se joga de uma árvore ai ela se movimenta no ar e cai onde quer, e, às vezes, a gente tava na cachoeira e uma maldita caia perto da gente, ai ele fazia isso de girar a cobra e mandar longe, mas ela era inofensiva sabe? O veneno não é tão tóxico e elas não matam adultos - deu de ombros, como se fosse normal.
- Viu? Inofensivas – insisti.
- Então, fica procurando uma nas árvores pra você - Louis disse ironicamente.
- Nem dá ideia, essa dai é piradinha!
- Harry, você ficou com a Delphine, não tem moral nenhuma - Liam provocou.
- Eu podia tentar rebater, mas é verdade - Harry deu de ombros.
- Deixa o menino em paz! Como a gente ia saber que ela ia surtar? - riu, lembrando da história do sapo, provavelmente.
- Louis, animal, não corre, ta escuro e a ta nas suas costas, vocês vão... - tentou avisar, mas foi tarde demais e os dois estavam no chão. Cheguei perto e só consegui ver segurando o tornozelo com cara de dor - Sua anta, olha o que você fez! - deu um chute no pé dele e Liam segurou a amiga para que ela não espancasse Louis.
- Muitas emoções hoje, né? - comentei com Zayn que riu.
- Como você consegue ficar sempre tão calma? - perguntou me olhando.
- Sei lá, acho que não vale a pena eu me estressar por qualquer motivo, sabe?
- Eu nunca te vi estressada em todos esses anos - Zayn comentou meio admirado.
- Tem coisa que não vale a pena, Zayn. Se eu ficar pensando nas coisas que me irritam, o tempo inteiro, como eu vou viver? Eu prefiro ignorar toda a tensão e focar no que me faz bem, em vez de prestar atenção nas coisas que estão me atormentando – expliquei.
- A gente ainda ta falando sobre a mesma coisa ou isso é sobre seu pai? - arqueou a sobrancelha.
- Os dois, eu acho – ri. Fiquei olhando para ele e percebi como ele era lindo, não que eu nunca houvesse reparado antes, mas algo estava diferente, talvez fosse eu que passei a reparar mais, só sei que fiquei o encarando e só fui desperta com o grito da .
- VOCÊ NUNCA OUVE, PARECE QUE TEM DEFICIÊNCIA AUDITIVA. OLHA AI! AGORA A MENINA QUEBROU O PÉ E É MADRUGADA, A GENTE TEM QUE ESPERAR ATÉ AMANHECER PRA LEVAR ELA NA ENFERMARIA E...
- , calma, respira! - colocou a mão nos ombros de - Ele não fez de propósito, os dois estavam só brincando, não tinha como ele adivinhar que tinha um galho bem ai.
- , ta doendo muito? - se agachou.
- Não. relaxa, gente! Já me machuquei pior - tentou se levantar, mas não conseguiu. Niall e Louis logo a ajudaram.
- Desculpa, , eu não queria te machucar, mesmo - Louis tinha uma expressão culpada.
- Eu sei, não se preocupa que não foi sua culpa, acontece - sorriu docemente - Só me ajuda a andar que ta difícil - fez careta - E não precisa ficar nervosa, . Ta tudo bem, sério - piscou para ela e sorriu, fazendo sorrir de volta.
- Ta. Desculpa surtar, é que o Louis é um cabeçudo.
- Sou mesmo, quer ver? - mordeu o lábio.
- Você consegue levar alguma coisa a sério na sua vida? - começou a se irritar novamente, parecia que Louis tinha isso como missão de vida.
- E você? Consegue relaxar alguma vez na sua vida? - fez cara de tédio e revirou os olhos, ela odiava ficar sem palavras.
- Vamos, eu te levo no colo - Louis, que ainda parecia se sentir culpado, pegou no colo e começou a andar cuidadosamente com ela.
- Depois você precisa me mostrar mais lugares assim - Zayn falou, me fazendo virar a cabeça para ele.
- Para pintar?
- Também, mas pra me inspirar - deu de ombros.
- Você ainda vai me mostrar todos seus desenhos! - apontei para Zayn.
- Quem sabe... - arqueou a sobrancelha e saiu andando na frente.
- Quem sabe uma vírgula, vai sim! - fui discutindo atrás dele, mas percebi todo mundo parando, meio assustados, e parei também, tentando ver quem era.

Capítulo 4

Zayn

Existem algumas coisas que você deve evitar na vida: os tapas ardidos da , a quando está de TPM, as ideias do Louis e a Dorothy. Se você imagina a Dorothy como uma menina linda e doce, de vestido azul, uma cesta e vontade de encontrar o Mágico de Oz então você errou. Essa Dorothy está mais para o Cérbero, o cão que guarda a porta do inferno, sabe? Ou algum tipo de mensageira demoníaca do diabo. O fato é que se você acha a meio certinha, então tenta conviver com a Dorothy. Qualquer deslize ela ia correndo contar para o diretor, eu sei que hoje ele não vai expulsar ninguém por ser o primeiro dia, mas isso não o impede de dar algumas suspensões. Existe um número limite de suspensões antes da expulsão, certo? Eu estou quase chegando ao meu limite. Quer ouvir falar sobre preconceito? Tenta ser um aluno descendente de paquistanês que tem como religião o islã, em uma escola dirigida por um homem cristão. Eu não tenho absolutamente nada contra quem é cristão, sua religião não te define, eu só fico na minha fazendo o que é meu, agora eu estaria sendo cego se não apontasse o tanto de preconceito que existe. Claro que não são todos, e, na maior parte do tempo, eu convivo bem com meus colegas de internato, mas sempre existem pessoas como o diretor, que tentam me atingir usando minha religião como arma, o que quase nunca dá certo já que sou bem seguro de quem sou e no que acredito. Agora experimenta ser mais calado e ter algumas tatuagens, a fama de bad boy vai vir de graça e a perseguição também. Então, não é de se admirar que, por causa disso tudo, eu leve mais suspensões do que meus amigos.
- Eu pensando que ia conseguir um, e consigo o grupo inteiro - Dorothy olhou para todos nós sorrindo - Ainda consegui a aluna nova de bônus - arqueou a sobrancelha.
- Sério, Dorothy? Você ainda ta tentando ser uma versão mais chata e menos fashion da Regina George? - falou com tédio.
- Se eu fosse você, não brincava muito, < SCRIPT>document.write(Alice). O diretor vai adorar saber que vocês saíram do internato a essa hora.
- É, e ele vai fazer o que? Perder 10 alunos que dão dinheiro pra caralho para essa escola? Acho que não, hein - Louis falou, arrumando em suas costas. parecia meio assustada com a ideia de ser entregue logo no primeiro dia.
- Dorothy, você não quer fazer isso. Eu não sei qual sua implicância conosco, mas você devia voltar para o seu dormitório - falava calmamente e Dorothy vacilou por um momento, algo naquela troca de olhares me fazia pensar que sabia mais do que deveria sobre Dorothy.
- Dori, minha linda, vem aqui - sorriu e foi andando até Dorothy que sorriu de volta. conseguia fazer amizade com absolutamente todo mundo, é raro ver uma pessoa que não goste de e essa pessoa provavelmente não gosta de se sentir feliz. Por que é isso que a faz, ela traz alegria para todo mundo e falando assim eu vou parecer um garotinho apaixonado, mas não. A verdade é que a sempre consegue animar todo mundo. Perdi as contas de quantas vezes ela conseguiu tirar uma risada de mim, sem nem saber que algo me preocupava. E claro que eu reparei mais nela, essas férias a fizeram bem, ela mudou um pouco o cabelo e aquelas coisas mel davam um contraste lindo com sua pele, sem falar que eu conseguia ver melhor suas curvas. Acho que ela ganhou um pouco de peso também, ela está parecendo tão saudável, sua pele parecia tão macia que me dava vontade de tocar.
- Zayn, para de encarar! - cochichou, enquanto me observava olhando para sua amiga.
- Não é por nada não, , mas a ta mais gostosa que o normal.
- Sério, Malik? Minha melhor amiga? - revirou os olhos.
- Ela é minha amiga também, só estou comentando - dei de ombros despreocupadamente.
- Cala a boca que ela não é pro teu bico não, e fica quieto que ela ta voltando - me cutucou, enquanto víamos as duas andando em nossa direção novamente.
- Eu não vou contar nada, mas você - apontou para - Vai me deixar entrar para a torcida - e assim que Dorothy terminou de falar começou a rir. ainda observava tudo meio perdida e os meninos fizeram careta com o pedido.
- Dorothy, eu não posso simplesmente te colocar na torcida, você tem que fazer como todas as meninas e se inscrever - falava cansada.
- Eu sei, mas eu nunca consigo me inscrever, sempre lota antes - Dorothy parecia realmente frustrada.
- Certo, vamos fazer assim, eu coloco seu nome na lista hoje mesmo e você não abre a boca, fechado? - arqueou a sobrancelha, Dorothy não conseguiu sustentar seu olhar e apenas concordou com a cabeça.
- Agora vão andando antes que outra pessoa ache vocês - abanou a mão - E a enfermaria é 24 horas, deve ter alguém lá, levem sua amiga - falou de forma autoritária e foi embora. As vezes eu achava que ela era um sargento.
- , suas ideias conseguem ser piores que as do Louis algumas vezes - comentou, recomeçando a andar.
- Eu nunca dou ideias ruins - Louis e falaram juntos e riram em seguida.
- Ela não ia abrir a boca de qualquer forma - sussurrou, mas Louis parecia estar sempre atento à garota, sempre pronto para encher o saco dela, e dessa vez não foi diferente.
- O que você sabe sobre ela hein? - Louis perguntou curioso.
- Nada importante - deu de ombros.
- Eu vi o medo nos olhos dela. Ela já matou alguém? - continuou o interrogatório.
- Já, ela é assassina profissional - falava naturalmente - E se você não parar de me encher o saco vai entrar na lista, porque eu não vou hesitar em pedir pra ela te mandar pro inferno.
- Eu ainda vou descobrir o que você sabe - Louis estreitou os olhos e apenas deu de ombros, rindo da frustração do meu amigo.
- Sabe, na maior parte das vezes eu acho que a tensão sexual é entre o Harry e a - começou a falar, e levou um soco de - Mas eu to começando a achar que também ta rolando entre o Louis e a , é a única explicação.
- , você estava melhor quando tava caladinha - Harry empurrou a cabeça da melhor amiga.
- Eu concordo - Louis comentou e apenas mostrou o dedo do meio para os dois.
- O que você falou para ela? - perguntei à .
- Nada demais, só falei que ela não precisava fazer isso e que era só o primeiro dia, que ela também estava fora da cama na hora errada, e que se ela pedisse com jeitinho talvez a deixasse ela entrar no time esse ano.
- Quem diria que você tem poder de persuasão? - falei admirado e vi a morena ri alto.
- Por favor, Malik, eu fiz vocês concordar em vir comigo, sem vocês nem saber onde estavam indo e não é a primeira vez que vocês aceitam o que eu tenho a propor - me olhou sorrindo, mas não era o sorriso inocente que normalmente estampava seu rosto - Você já devia ter percebido que muitas vezes quando eu quero alguma coisa, eu consigo - piscou e saiu correndo para conversar com Niall. Fiquei ali parado, olhando como o cabelo dela balançava enquanto andava e me perguntando de onde isso saiu. Até onde eu sabia não esbanjava sensualidade, claro que ela sempre foi sexy, mas a inocência dela as vezes falava mais alto, e agora ela me manda uma dessas? Talvez eu que esteja reparando demais novamente. Só sei que se no primeiro dia essa garota já deu um nó na minha cabeça, não quero nem ver como vai ser o resto do ano.

Dorothy era irritante demais, eu daria tudo para apagar aquele sorrisinho dela com um tapa, não acredito que realmente aceitou dar uma chance para que ela entrasse no time. Ela vem desde o começo tentando fazer a minha vida e de meus amigos mais difícil, é irritante e mais irritante ainda saber que se eu contar o segredo dela é capaz de eu estragar a vida de alguém. Não se deixem enganar pela pose de boa moça e puritana, é tudo fachada e ela consegue ser mais podre que todos, porque as outras não se escondem atrás de uma mentira, de quem não são, mas Dorothy se aproveita da pose de boa moça e todos compram essa história, são poucos que sabem a vadia que ela realmente é.
- Então eu vou te levar na enfermaria e depois te levo pro quarto - Louis conversava com que parecia sentir ainda mais dor.
- Não, você vai conversar comigo - falei firmemente, fazendo Louis me olhar sem entender - O Niall pode ficar com a , ele nunca dorme mesmo - dei de ombros.
- Conversar sobre? - Louis perguntou sem esconder a curiosidade.
- Só conversar Louis, nada demais - revirei os olhos.
- Devemos ficar preocupados? Chamar a ambulância caso algo aconteça? - Harry soltou, fazendo todos rir.
- Não, não é hoje que eu vou matar o bonitinho ali - sorri sarcástica. Permanecemos em silêncio até chegar à entrada do pátio coberto. Combinamos que apenas Niall e entrariam, assim ninguém suspeitaria de todos acordados à essa hora. Depois de nos despedir de todos, olhei para Louis e apontei com a cabeça para que ele me seguisse, e assim o fez. Fomos em direção ao campo de futebol e sentamos na arquibancada, era tão diferente dos dias de jogos. Eu sentia uma calma tão grande aqui, o vento batia no meu rosto livremente, eu conseguia ouvir o silêncio, isso sempre me acalmava, o silêncio era cortado por uma coruja ou outra, mas não deixava de ser um momento gostoso.
- E então? - Louis perguntou depois de alguns minutos quietos.
- Olha, eu to cansada de toda essa briga desnecessária – suspirei.
- Você que sempre começa, , você é intolerante - Louis se sentiu ofendido e era isso que nos fazia brigar sempre. O gênio de Louis era forte demais, ele brincava o tempo todo, mas nunca escutava nada quieto. Ohumor e sarcasmo dele eram coisas perigosas, você nunca sabe detectar um do outro, essa já foi a causa de muitas de nossas brigas, e sim, talvez eu seja intolerante, mas ele não fica muito para trás.
- Pode ser que eu seja, mas isso não vem ao caso e...
- Isso é o que vem ao caso? Ninguém pode brincar ou ter uma opinião que você se sente atacada - Louis falava sem me olhar.
- Não é verdade, eu aceito brincadeiras, é você que me deixa irritada - falei tentando não mostrar a irritação na voz.
- Ah sim, então o problema sou eu, na é? Esse seu problema de controlar a raiva é minha culpa! - falou se virando para me olhar, eu conseguia ver a raiva em seus olhos e por um momento me senti intimidada - Você não aceita as coisas, quer sempre ter o controle e é isso o que te irrita mais.
- Do que você ta falando? Ficou doido?
- Você se irrita, porque eu to pouco me fodendo para o que você tem a falar. Normalmente todo mundo para pra te ouvir, te bajular, e te incomoda o fato de que eu não dou a mínima - Louis falou chegando mais perto, em nenhum momento eu me movi ou mostrei fraqueza. Ele não tinha o direito de falar essas coisas.
- Você é um nada - falei, também aproximando meu rosto do dele - Se tem alguém que ta pouco se fodendo para algo aqui, sou eu, com sua existência. E é isso que te incomoda, o fato de que eu não sou mais uma menininha babando por você e fingindo achar todas as suas atitudes lindas - falei lentamente para que ele ouvisse bem. Sua respiração ficou mais pesada devido a raiva, e por culpa da aproximação, eu conseguia sentir seu hálito quente no meu rosto.
- Você está tão enganada - Louis sorriu friamente - Se eu faço questão de te irritar é porque você se sente atingida com facilidade, eu nunca tive nada contra você, sempre foi só uma diversão, mas a cada dia que passa você fica mais irritante e a minha raiva mais real.
- Como se eu me importasse - ri em deboche, o que o fez se irritar e segurar meu braço - Me solta, Louis, você não quer mexer comigo!
- , meu amor, eu não tenho medo de você, porque, no final do dia, você é só mais uma garotinha assustada fingindo ser durona - Louis falou passando o dedo no meu rosto - E eu também estou cansado de tanta briga, mas eu não posso fazer nada se você se deixa atingir.
- Eu te chamei aqui pra pedir pra parar com tanta briga, eu te ignoro e você me ignora, mas você tinha que começar outra briga - suspirei cansada. Louis me deixava mentalmente esgotada.
- Eu posso fazer isso tranquilamente, mas nós dois sabemos que você não vai conseguir me ignorar, e logo, logo, vai estar gritando comigo novamente - Louis sussurrou - Porque é um vício para você, ruiva - sorriu cafajeste e eu já nem sabia mais o que falar. Ele estava tão perto que eu conseguia ver direitinho as cores de seus olhos azuis esverdeados, e eu odiava quando ele me chamava de ruiva com tanta ironia, ele sabia como eu odiava.
- Vamos tentar, nossos amigos não merecem ficar ouvindo essas discussões, sempre acaba com todo clima - falei me recompondo e soltando meu braço de seu aperto. Ele riu reparando que aquela proximidade fez com que eu me perdesse. Me levantei arrumando a blusa e comecei a andar, mas ouvi a voz de Louis e olhei para trás.
- Isso é engraçado, porque eu sei que consigo te ignorar, mas você sabe que não vai conseguir me ver ou ouvir sem fazer um comentário, e isso vai ser divertido - Louis piscou. Babaca.

Niall

Depois que o Louis e saíram juntos, nós ficamos sem saber se ir atrás ou não, os dois juntos nunca dá certo, sozinhos então. Demos de ombros e deixamos os dois se resolver, os meninos e as meninas se despediram e foram para o dormitório se empurrando, um correndo atrás do outro e sendo os idiotas que são. Louis, antes de sair, havia colocado no chão e se desculpado um milhão de vezes, disse que amanhã iria vê-la assim que acordasse e que se ela precisasse de alguma coisa era só pedir para ele, acho que ele estava se sentindo meio culpado por tê-la machucado sem querer, mesmo dizendo que ele não precisava se preocupar ele disse que a ajudaria enquanto precisasse. Ela estava no chão apoiada no meu ombro, e eu percebi como ficar com o pé apoiado estava a incomodando, por isso a peguei no colo.
- Ta fazendo o que, garoto? - perguntou rindo, e se segurando no meu pescoço.
- Se você forçar mais o pé até lá pode piorar - dei de ombros e continuei a carregando. Esse contato mais íntimo não parecia incomodá-la, se fosse ela já teria me socado, também demorou para se acostumar com tanto contato, mas parecia até gostar, já que durante o caminho ela se ajeitou melhor nos meus braços e apoiou a cabeça no meu ombro - Ta doendo?
- Mais do que parece - falou com a voz abafada.
- E como você não demonstra? - perguntei rindo.
- Eu sempre me machuco, já estou acostumada. Já quebrei o nariz umas duas vezes - falou rindo.
- Como isso? - tentei imaginar, ela parecia tão cuidadosa.
- Surfando - ela riu e sua risada me contagiou.
- Então você sabe surfar? - perguntei admirado já que não conhecia muitas meninas que gostavam do esporte.
- Sei, mas dei uma parada - pude ouvir a tristeza em sua voz.
- Por quê? - arquei a sobrancelha.
- Nada demais - deu de ombros e ficou quieta. Passamos o resto do caminho em silêncio. O pátio fechado era enorme, e de noite ficava escuro, havia um tipo de janela meio arredondada na pedra, era baixa e dava para sentar, por causa dessa abertura a luz de fora iluminava um pouco o lado de dentro. Chegamos à enfermaria e bateu na porta, já que eu estava ocupado a segurando. Quando a enfermeira abriu a porta e nos viu fez uma expressão surpresa e nos deixou entrar.
- O que aconteceu para vocês aparecerem aqui essa hora? - ela perguntou desconfiada, engoli em seco e ia responder, mas foi mais rápida.
- Eu estava no quarto e como cheguei hoje ainda não arrumei minhas malas, como tava tudo espalhado eu acabei tropeçando e torci o pé - fez careta.
- E por que ele te trouxe e não suas colegas de quarto? - a enfermeira continuou desconfiada.
- Porque elas não conseguiriam me trazer, e como eu já conhecia o Niall de hoje mais cedo, mandei uma mensagem e pedi para ele me ajudar - respondeu naturalmente que até eu quase acreditei nessa mentira, até lembrar que ela havia se machucado voltando da cachoeira.
- Ah! Tudo bem, então, vou dar uma olhada nisso, coloque ela ali em cima, Horan - apontou para a maca onde a coloquei cuidadosamente. sorriu e piscou para mim, me fazendo rir. Enquanto a enfermeira olhava o pé, eu olhava , ela fazia careta vez ou outra, mas não reclamou em momento nenhum, até a enfermeira ter que colocar seu osso no lugar. Beth não era apenas uma enfermeira, ela havia feito faculdade de medicina, e quando o diretor precisou de ajuda ela se prontificou. O diretor é seu tio e Beth sempre o ajudou, já que o homem era um segundo pai, ela aceitou vir para cá fácil, não ganharia tanto, mas ela só queria ficar perto da família. mordeu o lábio, quando Beth disse que teria que colocar no lugar, aquele gesto me fez encarar sua boca e entrar em hipnose.
- Niall, segura minha mão, pelo amor de Deus! - pediu, me fazendo voltar à terra.
- Tenta deixar meus dedos vivos – pedi.
- Não posso prometer nada - deu de ombros e segurou minha mão.
Passou a mão direita pelo rosto nervosa e apoiou a cabeça no meu peito. Quando a enfermeira colocou no lugar ela soltou um gemido de dor e apertou os olhos, pude ver uma lágrima rolando e entrei em agonia, odiava ver quem quer que fosse sentindo dor. Ela realmente apertou minha mão e eu não sabia que alguém daquele tamanho tinha tanta força, mordeu o lábio com tanta força que quando soltou estava sangrando. Sua respiração estava mais acelerada, devido a dor, quando abriu os olhos ainda havia lágrimas. Passei o dedo em seu rosto, limpando as lágrimas, e depois em sua boca onde havia um pouquinho de sangue. Ela ficou me observando, enquanto eu fazia isso, e mais uma vez me perdi olhando sua boca, até ouvir Beth e despertar.
- Eu vou colocar o gesso, você vai ficar pelo menos 6 semanas. Não bata o gesso, não pode molhar, eu vou te dar muletas também e um analgésico caso você sinta dor - Beth falou e soltou um muxoxo.
- Não acredito que vou ter que ficar todo esse tempo de gesso, eu odeio isso - cruzou os braços parecendo uma criança.
- Quem mandou ser desastrada? - zombei, sabendo que ela reviraria os olhos, já que ela não teve culpa nenhuma.
- Fica quieto, tingido! - mostrou a língua, me fazendo rir. Beth terminou o que tinha que fazer e deu o remédio para , que tomou na hora sem questionar, tamanha era sua dor.
- Você pode levá-la na porta do quarto, porque ela não vai conseguir subir aquelas escadas sozinha, mas sem ficar por lá, se eu souber você vai levar suspensão - Beth apontou para mim.
- Beth, meu amor, não precisa se preocupar, eu não sou desses - abracei a mulher.
- Quem não te conhece que te compre, Horan - me empurrou e sorriu - Eu levo as muletas amanhã, ok? E pode ser que o remédio te deixe com sono - falou ternamente para que apenas assentiu.
- Vamos, escravo, me carregue! - brincou, esticando os braços para mim como uma criança.
- Não abusa, não, Chavellier, só vou fazer isso para ser simpático - falei indo pegá-la no colo - Você ta mais pesada do que quando te trouxe.
- Talvez seja porque o gesso pesa - fez cara de tédio.
- Cavala! - falei e ela puxou o cabelo da minha nuca como vingança - Boa noite, Beth - nos despedimos da mulher e saímos de lá. estava bocejando e deitou a cabeça no meu ombro novamente.
- Você é confortável - comentou baixinho.
- Disponha da minha boa vontade - falei prestando atenção no caminho, a última coisa que eu precisava era cair com a garota no colo.
- Eu to cansada - comentou olhando para mim - Será que a e o Louis se mataram?
- Vamos descobrir amanhã. Tenta tirar dela o que eles conversaram, ta?
- Deixa de ser fofoqueiro, Horan - me cutucou, me fazendo rir - Eu odeio andar de muletas, não tenho coordenação nenhuma - fez bico.
- A gente te ajuda, não se preocupa, não. Se não tivéssemos te arrastado para cachoeira você não teria quebrado o pé.
- Eu fui porque quis, ninguém me arrastou - suspirou e fechou os olhos, sentindo o vento bater no rosto, sorri a observando. Era tão fácil conversar com , nem parecia que havia chego aqui apenas ontem.
Quando chegamos na frente do dormitório, ela já estava mais sonolenta e respondia as coisas apenas com "uhum" ou "não".
- Qual seu quarto?
- O mesmo da e da - murmurou com preguiça. Fui até a porta e bati, esperando alguém atender. abriu a porta e não parecia ter dormido.
- Legal, vou poder desenhar no gesso dela e fazer minha arte - sorriu animada, olhando o gesso da garota meio adormecida nos meus braços – Anda, Niall, entra e deixa ela dormir! Olha a cara de acabada que ela ta - ralhou comigo e foi me empurrando.
estava deitada com fones e apenas acenou com a cabeça. Andei até a cama e deite que ficou do jeito que a deixei, seus olhos estavam fechados e a luz da janela batia em seu rosto. Ela havia escolhido a cama do lado da janela e dava para ver a lua direitinho dali.
- Boa noite, - sussurrei sabendo que ela não ouviria e dei um beijo em sua testa.
- Você não é carinhoso assim comigo, seu fresco - comentou olhando a cena.
- Você não merece meu carinho.
- Você é um nojento, agora sai que eu quero dormir! - falou, me empurrando.
- Boa noite, sua louca - ri a abraçando - E cuida da ! O remédio ta no bolso da calça, amanhã a Beth vem trazer as muletas, ela não pode forçar o pé e nem bater o gesso.
- Niall, relaxa! Ta comigo, ta segura - fez o sinal da paz.
- Disso que eu tenho medo - falei olhando para o lado.
- Quer apanhar garoto? - falou levantando a mão. Antes de receber o tapa, sai correndo dali, ouvindo aquela latina louca gritando "isso, corre mesmo!". Ri balançando a cabeça e sai do dormitório das meninas, lembrando que amanhã teria que vir aqui novamente para levar até o café da manhã, já que ela não se dava bem com as muletas.

Capítulo 5

Liam

Segundas feiras competem com os domingos como dia mais chato da semana, segunda feira de primeiro dia de aula consegue ganhar de tudo. Entrei na sala para aula de Inglês e sentei no canto do fundo, com a cabeça encostada na parede eu observava todos os alunos entrando com a mesma cara de morto que eu, e então a cena mais engraçada aconteceu. Louis entrou chamando atenção como sempre, gritando algo como "to passando com um conteúdo frágil, saiam da frente" e então ele aparece carregando , que tentava esconder o rosto no peito do garoto, se eu conseguisse ver seu rosto com certeza a veria corando. Niall vinha logo atrás com as muletas dela, e apenas balançava a cabeça tentando pedir para Louis ser menos escandaloso.
- É o primeiro dia da menina e olha o que você me faz - deu um tapa na nuca de Louis, que tentou se esquivar, e deu de ombros, sentando na cadeira ao lado da minha. Muita gente olhava de forma curiosa, já estava acostumada com todas as olhadas, ela não se importava, nunca se importava em chamar atenção, mesmo porque ela não força, é algo natural, tudo nela chamava atenção. Depois da nossa conversa na festa ela parecia estar melhor, já estava sorrindo fácil novamente, brincando, nunca se deixa abater.
- Fiz o favor de trazer ela pra cá, no maior estilo príncipe encantado - Louis se sentou na cadeira que ficava na frente da de .
- Só se você for o cavalo - mostrou a língua e se sentou na minha frente, sorriu para mim e piscou.
- Eu sou o príncipe, claro - Niall se apoiou na minha cadeira. As vozes pararam de conversar assim que a professora entrou na sala sorrindo e dando bom dia, deixou as coisas na mesa e olhou para Niall.
- Senhor Horan, até onde eu me lembro o senhor não tem essa aula - cruzou os braços e sorriu divertida.
- É que eu não aguentei chegar minha aula para ver a senhora, dona Robertson, meu coração não aguentava de ansiedade - Niall sorriu e andou até a mulher, dando um beijo em seu rosto, a fazendo empurrá-lo.
- Vai logo pra sua sala, Niall, anda! - expulsou o garoto, rindo. Niall mandou um beijo para nós, e foi até a porta dizendo que mal podia esperar sua aula com senhorita Robertson. Ela era uma das professoras mais legais por aqui, do tipo professora amiga, por isso Niall se sentia a vontade para fazer esses tipos de brincadeira, quando as coisas passavam do limite ela sempre dava um corte, mas no geral você podia falar com ela sem medo.
- Vejo alguns rostos novos por aqui - falou escaneando a sala com os olhos - Bom, vamos ter o ano inteiro para nos conhecer, hoje eu só vou falar um pouco sobre o que vocês podem esperar desse ano - falou se virando para a lousa e começando a escrever algo. Logo já estava com a cabeça abaixada dormindo, parecia interessada no que a professora falava, e Louis jogava bolinhas de papel em Dorothy, que parecia pronta para matar alguém.

[...]

- Acorda, Liam - ouvi uma voz doce e uma mão leve mexendo no meu cabelo. Abri os olhos e vi que a aula havia acabado - Vamos, o sinal já bateu! - ria da minha cara de perdido.
- Vai indo, te encontro lá fora! - bocejei, ela apenas acenou com a cabeça e saiu da sala.
Comecei a guardar minhas coisas, mas parei assim que vi Derek passando pela sala e indo para o mesmo lado que . Franzi o cenho e joguei minha bolsa nas costas, tentando ir atrás dele, mas o garoto já havia sumido. Ele havia cismado com , vi as olhadas que ele deu desde a festa, e, como Harry não estava por perto, eu mesmo resolvi ver o que ele estava fazendo; ele só foi para o mesmo lado que ela, não quer dizer nada, mas se tratando de Derek pode dizer tudo. Resolvi continuar andando pelo corredor e ver se o achava. E foi quando eu ouvi um grito abafado perto de uma das salas que agradeci por ter vindo atrás. Andei mais rápido e vi que Derek havia prensado na parede que havia ali. Os botões da blusa dela já estavam estourados e ele tentava beijar seu pescoço, se debatia e tentava chutá-lo em vão. Aquilo me deu um ódio tão grande que eu não vi o momento em que andei até ele, muito menos o momento em que o afastei abruptamente de , também não percebi em que momento comecei socá-lo. Não parecia eu, era uma raiva que eu nunca havia sentido e parecia que algo havia tomado conta de mim, eu não ouvia nada e só via aquele desgraçado que agora estava caído no chão.
- Liam, para. LIAM, CHEGA! - ouvi um grito e alguém se colocando na minha frente, segurando meus ombros e me fazendo olhá-la nos olhos. estava chorando, estava assustada, e eu estava parecendo um monstro. Tentei controlar a respiração e me acalmar, para poder falar com ela.
- Eu... Desculpa... Eu não consegui ver ele fazendo isso e... Você ta bem? - perguntei colocando minhas mãos nos ombros da garota e descendo pelos seus braços, até segurar suas mãos, ela apenas negou e me abraçou, chorando mais ainda
- Me tira daqui - pediu baixinho.
- Nunca mais encosta nela, não olha para ela, não se atreva nem a pensar nela, se não eu vou quebrar mais que o seu nariz - falei apontando para Derek que agora se apoiava na parede para levantar - E é melhor ir para a enfermaria - sorri friamente.
- Isso não vai ficar assim - Derek ainda conseguiu soltar uma ameaça.
- E você vai fazer o que? Falar com o diretor? Ele vai amar saber o que você estava tentando fazer aqui - cheguei perto dele tencionando o maxilar - Você não vai abrir a boca, se vira para arranjar uma desculpa. E, se você mexer com mais alguém que eu me importo, eu não penso duas vezes em te arrebentar, dessa vez de verdade - Derek apenas me olhava, sem falar nada. Passei meu braço pela cintura fina de e a puxei para perto de meu corpo, saindo dali com ela. A levei até meu dormitório, ninguém estava por lá mesmo, ela foi o caminho inteiro quieta e chorando, odiava vê-la daquela forma, ela havia entrado na sala tão feliz, e agora estava tão triste.
- Coloca! - dei uma das minhas blusas para ela vestir e sorriu fraco. Me virei para ela colocar a blusa e ela assim o fez - Desculpa por aquela cena, eu não devia ter feito aquilo, eu não sei o que deu em mim, você deve ta achando que...
- Liam, você só me ajudou - me cortou, com a voz fraca - Ele provavelmente ia ter conseguido o que queria se você não tivesse chego - mordeu o lábio segurando o choro - Ele disse que se todo mundo conseguiu o que queria comigo ele também iria - deixou as lágrimas rolar - Eu senti tanto medo - se encolheu na cama. abraçou os joelhos e chorou novamente. Me sentei ao seu lado a puxando para perto, ela estava praticamente sentada no meu colo e chorando no meu ombro.
- Ele não vai mais olhar na sua direção - falei beijando sua cabeça - Eu não vou deixar ele te machucar, ta bom?
- Por que eu nunca falei com você direito? - se afastou, me olhando nos olhos.
- Acho que porque eu to muito ocupado mantendo a longe do Louis - falei a fazendo rir - Sei lá, a gente se acostumou um com o outro, porque você é melhor amiga do meu melhor amigo, o grupo inteiro se juntou, mas eu realmente não sei porque nós nunca paramos pra conversar direto - dei de ombros.
- Você disse que se preocupa comigo - abaixou a cabeça, parecia tão frágil.
- Eu me preocupo, ninguém devia te tratar assim - coloquei o dedo embaixo do queixo dela a fazendo olhar para mim.
- Por quê? A imagem que eu passo para as pessoas não é exatamente essa? De uma vadia? - riu sem achar a menor graça.
- Não, pra mim você passa a imagem de uma pessoa incrível - falei a olhando nos olhos para que ela soubesse que eu falava a verdade - , você nunca quis isso, nunca quis que pensassem isso, porque não é verdade. E só o fato de você não se incomodar, e muito menos ficar desmentindo o que inventam, só mostra que você sabe quem realmente é e o que faz, quem acredita nessas coisas são pessoas desocupadas - falei a apertando mais forte.
- Você, senhor Payne, é um garoto de ouro - ela sorriu, agora de verdade - E eu tenho sorte por você ter sido meu herói - falou sem quebrar o contato visual.
- Eu sempre vou te salvar - falei aproximando meu rosto do de .
- Que sorte a minha – sorriu, também se aproximando. A boca dela estava tão próxima, seus olhos estavam fechados e eu sentia sua respiração se misturando com a minha. Acariciei sua cintura e rocei minha boca na dela, estava prestes a realmente beijá-la, quando se afastou do nada - Desculpa, eu não posso fazer isso - olhou para o outro lado.
- Tudo bem, eu entendo - falei tentando não demonstrar minha decepção.
- Não, você não entende - falou de forma doce - Você não pode ser só mais um Liam, você é especial demais pra isso - falou enquanto fazia carinho na minha nuca - Eu quero sim te beijar, mas não assim, não nesse estado, não com tanto medo e assustada e eu não quero que você seja só mais um carinha que eu beijei - explicou, me fazendo sorrir por dentro e por fora.
- Então eu espero seu tempo - mordi meu lábio.
- Prometo que não vai demorar muito - beijou minha bochecha de forma demorada e se levantou - Eu acho que devia ir para o meu quarto, antes que os meninos cheguem - apontou para a porta, me levantei para abrir a porta para - Qualquer coisa me avisa - a abracei e ela retribuiu o abraço.
- Obrigada por hoje - se afastou e acenou com a mão. A observei sumir pelo corredor e sorri. Quem diria que eu ia desejar logo a ? Claro que ela é muito gata, gostosa pra caralho e o sonho de qualquer cara, todos fariam de tudo para ter uma chance com ela, mas eu não falo desejá-la apenas superficialmente, e sim por inteiro.

Louis

Fiquei a noite inteira repassando aquela conversa. Eu não entendia porque queria uma trégua, talvez ela estivesse tão cansada das brigas quanto nossos amigos, mas nós somos assim e se fosse de outra maneira não teria tanta graça. Acho que nós nunca tentamos ter uma conversa civilizada e eu realmente não faço a menor ideia de como é sem toda aquela pose de superior que ela tem, não que eu queira descobrir também. Os meninos vivem zoando dizendo que um dia acabaríamos ficando juntos, eles acreditam nessa história de que ódio e amor andam de mãos dadas, mas acho que o ódio quebrou as mãos do amor, porque ninguém ta de mãos dadas. Pode até ser que isso exista, mas não comigo e , no nosso caso não tem muito amor, só porrada mesmo, o amor ta precisando achar o caminho até aqui, porque aquela menina tem a mão pesada, só não mais pesada que a da . Claro que já senti vontade de dar uns pegas nela, ela é gata, gostosa e inteligente, pelo que eu vejo dela com os meninos, também é uma boa amiga. Eu sei que é, quer dizer, nós convivemos a tanto tempo, mas nunca tivemos chance de ser bons amigos um para o outro.
Falando em ser bons amigos, aqui estou eu carregando e a levando para seu quarto. Era hora do almoço e ela queria passar no quarto antes, Harry me acompanhou, porque ele queria achar , que havia sumido desde a primeira aula. podia andar com a muleta, mas para ir para o dormitório tem que passar pelo campo, se ela já não se dá bem de muleta, imagina a combinação de muleta com grama; nunca foi minha intenção machucar a coitada. Eu jurava que ia se transformar no Ciclope e lançar raios ópticos na minha direção. Ri com o pensamento, enquanto chegava à porta do dormitório.
- Olha quem ta saindo - cutuquei Harry que olhou para entrada. saía do prédio, acompanhada de , as duas riam de alguma coisa, mas parecia meio abatida - Fecha a boca Harry.
- Ela ta cada dia mais linda - Harry ainda observava a garota - Mas não quer nada comigo, porque "você é conhecido por levar meninas pra cama". Sério, essa fama já perdeu a graça.
- Só perdeu a graça, porque a não te da moral – provoquei.
- Eu acho que ela só sente medo - se pronunciou, olhamos para ela sem entender - Até onde eu ouvi, você já foi visto com um monte de meninas, não to julgando, só comentando o que ouço... Ninguém gosta de coisas incertas, as pessoas gostam de ter certeza, ninguém quer um relacionamento instável, talvez ela te afaste só pra se manter protegida - deu de ombros e deixou Harry pensativo.
- Vocês falam como se eu fosse apaixonado por ela. É, eu acho ela uma gostosa, eu queria ficar com ela, mas não é como se eu quisesse casar com ela, vocês são tão exagerados - falou daquele jeito lento.
- Ainda bem, né, porque se não você ia viver no sofrimento, na punheta e na imaginação se quisesse.
- Você não é engraçado, Louis - Harry me olhou com tédio.
- Sua dor de cotovelo cansa minha beleza, Harry - falei chegando perto das meninas - Bom dia, flores mais belas do meu jardim - dei um beijo no rosto de cada uma.
- Cada dia mais brega - mostrou a língua e abraçou o melhor amigo, me abraçou por uns 10 segundos e logo desfez o abraço. Entrei no dormitório rapidinho, para deixar , enquanto os outros conversavam, veio junto.
- Eu vou me trocar rapidinho, essa blusa ta me incomodando, chamo quando terminar - falou e logo bateu a porta na minha cara.
- Obrigada pela simpatia - gritei e a ouvi rindo. Sai do prédio e fiquei conversando com pessoal. Logo vi saindo também e Harry praticamente babando.
- ta pronta?
- Sim, tava ajudando ela se trocar, porque a quase derrubou a em cima da penteadeira - tentava segurar a risada - E nós vamos indo. Vocês também ,certo?
- Sim, a gente se encontra lá.
- Espera, que eu vou com vocês! - Harry pediu para as meninas esperarem, quando começaram se afastar - Você percebeu que a ta mais distante?
- Percebi, acho que só o Zayn entende, mas não deve ser nada demais - abanei o ar com a mão.
- Eu vou descobrir o que é - Harry falou sorrindo.
- Ela nunca te contaria. Deixa de ser iludido, garoto! - dei um tapa na cabeça dele.
- Aposto 100 libras que ela me conta - Harry falou seguro de si.
- Vai ser ótimo arrancar 100 libras fácil assim de você - sorri e apertei a mão dele.
- Andam Harry, depois você fofoca com o namoradinho! - gritou impaciente.
- Te vejo depois, amor - Harry gritou, apenas mostrei o dedo do meio para ele e entrei no dormitório. A sala de convivência das meninas estava mais lotada do que quando deixei no quarto. Passou tanto tempo assim? A sala não era diferente da nossa, tinha as alucinadas no vídeo game, as que tentavam desconcentrar quem tava jogando, gente de fone, ignorando o barulho, alguns lendo livro e uma bagunça enorme.
Assim que entrei alguns rostos viraram e sorrisos maliciosos surgiram, ignorei aquilo, porque não queria me atrasar, e fui direto para o quarto de , onde encontrei no caminho de colocar outra blusa e fiquei estático na porta. Ela passava a blusa vermelha pela cabeça, seu sutiã azul parecia pequeno para seus seios, a barriga dela era lisa e a pele parecia macia.
- TA LOUCO, GAROTO? - gritou, jogando um desodorante na minha direção.
- A porta tava aberta - apontei para a porta e tentei me defender de tudo que ela jogava em mim - DEIXA DE SER LOUCA MAYA, PARA DE JOGAR COISA! - falei entrando no quarto e pegando um travesseiro para usar de escudo.
- Nossa, eu te mato! - pulou em cima da cama e veio tentear me estapear. Comecei a rir, segurei o pulso dela e a joguei na cama e coloquei uma perna de cada lado de seu corpo – Sai, Louis, eu vou te arrebentar! - fez força para cima, mas eu segurava seu pulso e ela não podia fazer nada. Abaixei a cabeça para ficar de frente para ela com nossos rostos alinhados.
- Eu já falei que a porta estava aberta, eu só vim buscar a . Como eu ia saber que você tava no quarto dela? - falei calmamente.
- E QUEM DEIXOU A PORTA ABERTA? - tentou soltar os pulsos, mas eu era mais forte e apenas ri, ela bufou e me olhou nos olhos. tinha os olhos tão lindos para uma bruxa e, conforme ela olhava de volta, seu corpo foi relaxando, eu podia ouvir sua respiração e sorri vendo a fera se acalmando.
- Talvez, assim, pode ser que tenha sido eu - levantou a mão com medo, tinha até esquecido que ela estava no quarto. virou o pescoço em uma imitação perfeita da menina do exorcista e deu uma olhada para , que até eu tive medo - Foi porque a tinha que ir ao banheiro, eu estava com medo de derrubar ela e nem lembrei de fechar a porta - encolheu os ombros.
- Viu? Não tenho culpa - sorri, saindo de cima dela - E a propósito, belos seios - olhei seu decote e vi corar, mas ela resolveu ignorar.
- E cadê a ? - se levantou e ficou de costas para mim.
- Ué, eu já falei, ela tinha que ir ao banheiro.
- E VOCÊ LARGOU A MENINA NO BANHEIRO? , você caiu de cabeça quando nasceu? - perguntou, não aguentei e comecei a rir das duas.
- Na verdade eu cai, sim.
- Isso explica muita coisa - balançou a cabeça rindo - Eu vou buscar a e depois nós vamos encontrar os outros. E, a propósito, bela bunda - passou por mim depois disso e saiu do quarto.
- Ela te odeia - constatou o óbvio.
- Eu só falei que ela tem belos seios - dei de ombros, despreocupado - E ela não me odeia tanto assim, acabou de falar da minha bunda - apontei para onde a ruiva havia acabado de sair.

Harry

Depois do almoço fomos para o campo, onde algumas pessoas estavam fazendo teste para entrar nos esportes. Aqui todo aluno tem que fazer algum esporte, se não como extra, na aula de educação física, é uma forma de incentivar a vida saudável, quem não queria fazer esporte podia participar de algum clube, mas quase ninguém ficava parado. Fui andando ao lado e Zayn e , que observavam tentando andar de muleta e Niall rindo da garota.
- Conseguiu colocar o nome da Dorothy? - pergunte para , quando Zayn e Liam começaram a brincar de lutinha.
- Consegui, vamos ver hoje no que dá - falou observando os meninos e rindo.
- , você percebeu que a ta estranha e...
- E bem próxima do Liam? Sim, percebi - falou me olhando - Você está preocupado!
- Claro que eu to, é minha melhor amiga - falei olhando para , que andava distraída sem prestar atenção no que dizia - Ela sumiu hoje na primeira aula, depois ela saiu do dormitório e parecia bem, mas ela não ta bem, eu sei que não.
- Já perguntou pra ela? - arqueou a sobrancelha.
- Ainda não, ela não gosta de falar sobre problemas em público - bufei - Juro que se foi aquele pau no cu do Derek eu mato aquele desgraçado.
- Ele também sumiu nas primeiras aulas pra falar a verdade - olhou para frente - Na verdade, até agora ninguém o viu.
- Se ele não deixar a em paz...
- Nunca te vi assim - foi vaga como sempre, a olhei pedindo para continuar - Nervoso assim, você ta sempre de boa, rindo, sendo simpática, só alegria, primeira vez que te vejo puto – sorriu.
- Por que isso é bom?
- Você realmente se importa com a , é bonito - deu de ombros.
- Eu não sou um monstro vazio, . Eu não sei o que andaram te contando, mas eu me importo sim com as pessoas, principalmente meus amigos, e eu sempre vou fazer o impossível pra vê-los bem - olhei em seus olhos
- Não seria o possível?
- Não, eu faria até o que ta fora do meu alcance pra ver um sorriso no rosto deles - falei calmamente - Você ta incluída nessa lista, você pode não confiar em mim, mas não significa que eu não seja digno da sua confiança.
- Vem cá! Por que diabos você ta tão interessado em saber o que ta acontecendo? - parou irritada, me fazendo parar também.
- Porque eu to te vendo mais afastada e eu sei que tem alguma coisa errada, eu não vou te forçar a falar nada porque é sua escolha , mas eu to preocupado sim, sou seu amigo, to no meu direito - falei e continuei andando. ficou quieta sem saber o que falar, sorri sabendo que havia a deixado sem resposta.
- Quem sabe um dia eu não me abro? - sorriu e saiu correndo em direção a Zayn. Ri sozinho balançando a cabeça com aquela frase, essa ambiguidade foi proposital ou ela não fazia ideia? é extremamente difícil de ler, ela me deixa completamente perdido no que quer dizer, e ela sabia disso, eu podia ver no sorriso que ela estava dando que ela sabia como me deixava sem entender suas intenções.

Zayn

saiu para o vestiário para colocar aquele uniforme de torcida que fazia a alegria dos caras, inclusive dos meus amigos, porque homem é homem quando se trata dessas coisas. Como eu não fazia nenhum esporte resolvi me sentar na arquibancada com meu caderno, os meninos foram para o campo de futebol, que dizer, Louis e Niall foram, Liam e Harry, que faziam boxe, foram encher o saco das meninas que estavam lá para baixo vendo as animadoras. Tinha muita menina ali para tentar fazer parte do time, umas estavam nervosas, outras pareciam no seu habitat natural, algumas pareciam se encaixar completamente naquele perfil e outras pareciam perdidas naquele meio, ri balançando a cabeça e abri o caderno pegando o lápis. Antes de começar a desenha senti um perfume conhecido, e vi dois pés na minha frente, fui subindo a cabeça e vi pernas bronzeadas, torneadas e extremamente convidativas, mais um pouco um pedaço de sua barriga aparecia, mostrando um pequeno piercing no umbigo, subi o rosto de vez vendo , me olhando divertida ao perceber que eu a secava descaradamente. É, ela realmente está mais gostosa do que eu me lembrava.
- Por que não ta lá com o pessoal? - apontou para baixo
- Eu ia desenhar - apontei para o caderno.
- Vem cá, nunca vai tentar um esporte não? - se sentou ao meu lado, tentei olhar para seu rosto e não suas pernas.
- Eu gosto de alguns esportes, mas eu prefiro tirar esse tempo pra desenhar, sei lá - dei de ombros sem ter muito o que dizer.
- Posso ver? - ela apontou para o caderno, eu ia negar, mas sempre conseguia o que queria, então nem tentei, logo entreguei para a garota que sorriu, soltou um gritinho animada e logo começou a folhear o caderno, ela olhava tudo atentamente, seus olhos pareciam não perder um detalhe - Isso é incrível, você tem um talento enorme - falou ainda olhando os desenhos - Nossa que inveja - fez bico.
- Com a prática você vai ficando bom, é só tentar - falei a empurrando com o ombro.
- Cara, eu não consigo desenhar nem árvore, sou uma negação nisso, meu negócio é a dança mesmo.
- Alma latina - zombei e ela mostrou o dedo do meio.
- O ritmo ta no meu sangue, minha mãe dança, minha avó dança, todo mundo na minha família. Quando a gente se junta é sempre uma grande festa, eu não tenho o talento do desenho - riu - Só meu pai desenhava...
- Como sabe? - perguntei me virando para olhá-la, ela não conhecia o pai.
- Um dia eu encontrei uns desenhos nas coisas da minha mãe, tinha desenho de tudo, e tinha um desenho dela grávida - me olhava, mas eu sabia que não estava realmente me vendo, estava lembrando do desenho - Foi um dos desenhos mais bonitos que eu já vi, tirando os seus - riu, me fazendo rir junto - Eu perguntei pra mamãe quem era porque eu realmente tinha gostado, ela ficou tensa de repente, foi a primeira vez que a vi daquela forma, e ai eu já sabia que era dele antes mesmo dela me falar - mordeu o lado de dentro da bochecha - Eu nunca mais vi aquele desenho... - quando ela terminou de falar eu não sabia o que falar. Nunca sabia quando era algo tão pessoa, não tinha problemas em falar sobre isso comigo, ou com qualquer um de nossos amigos, ela era bem verdadeira com seus sentimentos, mas nem todo mundo sabe o que falar nessas horas, eu sou uma dessas pessoas. Então apenas passei meu braço pelo seu ombro.
- Sem dó, Zayn...
- Ei! Eu não tenho dó, só to te abraçando porque não sei o que falar - ri nervoso - Sua mãe parece ser uma mulher forte, e você parece ter herdado isso dela, por isso eu não sinto dó de você, eu até te admiro por conseguir falar disso tão abertamente.
- Sério? - sorriu me olhando.
- Sério, você não se faz de vítima nem nada do tipo, você fala com naturalidade.
- Ah! Acontece - deu de ombros, reforçando o que eu falava sobre ela não se fazer de vítima - Acho que a ta te chamando - apertei os olhos para ver melhor.
- Me salva daquele sargento, Zayn, sua melhor amiga é louca, ela acha que nós estamos no exército - voltou a ser a doida que eu conheço - Ela vai acabar com a gente e hoje só é teste, eu vou ter que entrar em uma banheira com gelo e eu vou morrer, a culpa vai ser dela, você devia dar um jeto naquela descontrolada - falava sem parar, eu só conseguia rir.
- Quando acabar e você tiver morrendo eu faço uma massagem em você.
- Olha aqui, Malik, você não me iluda com falsas promessas, eu acredito em massagens, massagens mudam o mundo e você ta me dizendo que vai fazer isso e...
- Eu juro de dedinho - segurei a risada, sempre jurava de dedinho.
- De dedinho? - me olhou desconfiada e levantou o dedo mindinho, entrelacei o meu com o dela ainda rindo.
- De dedinho! - sorri e ela sorriu de volta. Se levantou e me deu a mão para que eu me levantasse também, piscou para mim e desceu enquanto eu fui atrás tentando não olhar como seu quadril se movia quando ela andava. E mais uma vez me mostrou seu lado mulher e seu lado infantil, e eu gostava de descobrir esses lados dela.

Niall

Louis podia ser um retardado e parecer não se importar com muita coisa, mas quando se tratava de seu time ele se transformava e só queria o melhor, por isso os dias de teste eram tão intensos, eu já estava todo soado, cansado e queria muito um descanso, mas ainda havia algumas pessoas para o teste e Louis só iria parar quando estivesse satisfeito. Olhei para arquibancada e vi sentada sozinha, e estavam animando, e estavam sentadas do lado delas fazem gracinha para desconcentrá-las e nesse momento de distração eu perdi a bola e ouvi Louis gritando comigo. Eu nem precisava estar aqui, só estava dando uma força para o capitão, quando Louis parou na minha frente eu suspirei.
- A ta sozinha - apontei para onde ela se encontrava ouvindo música e olhando tudo distraída.
- Vai lá fazer companhia então - Louis falou ainda olhando para a garota, arqueei a sobrancelha sem entender - O Josh é o vici-capitão, ele não pode sair daqui, se eu te liberar você pode - deu de ombros.
- E por que você ta me liberando?
- Por que eu não quero que a fique sozinha, olha aqueles caras olhando pra ela - apontou pra um grupo de meninos do último ano.
- Ta interessado nela? - perguntei rindo.
- Não animal - deu um tapa na minha cabeça - É só que sei lá, eu senti uma conexão com ela e...
- Coisa mais fresca, Louis, "eu senti uma conexão" - imitei sua voz.
- Cala a boca, o boçal! - deu outro tapa na minha cabeça - Sei lá, ela me lembra minhas irmãs, eu disse que ia ajudar e vou, não só com o pé quebrado, mas em tudo - deu de ombros.
- Awn, Louis achou a melhor amiga dele - aperte sua bochecha.
- Some antes que eu te faça andar esse campo 27 vezes de quatro, Horan - Louis falou se afastando.
- DE QUATRO SÓ NO QUARTO, AMOR - gritei atraindo atenção e ouvindo a risada de Louis. Corri até onde estava, não sem olhar para as líderes de torcida antes, e quando cheguei ao seu lado ela se assustou.
- Você tava ali até agora - apontou para o campo.
- Tava me observando, ? - arqueei a sobrancelha rindo.
- Observando o time, não se acha, não - riu, batendo ao seu lado para que eu me sentasse, assim o fiz e a abracei de lado.
- Sai garoto, ‘cê' ta todo suado, ta nojento - fez careta me empurrando.
- Esse é meu odor natural, querida. Me aceite do jeito que eu sou! - falei esfregando meu rosto suado no seu.
- Você é ridículo, Niall - riu, esfregando o rosto na minha blusa. A última menina que eu resolvi brincar assim e a abraçar suado resultou em um tapa na minha cara, era bom saber que não tinha tanta frescura assim.
- Muita gente quer o ridículo aqui - dei de ombros.
- To vendo - sussurrou, a olhei sem entender - Olha ali, do lado das líderes, tem um bando de menina olhando pra cá - olhei na hora e ela bateu na própria testa – Niall, meu filho, nunca te falaram sobre ser sútil?
- Não é meu forte - gargalhei a fazendo rir junto, mas ela não conseguia parar de rir.
- Sua risada - continuou rindo - Ai, sua risada é a melhor - parou de rir e suspirou, fechou os olhos balançando no ritmo da música, tirei um de seus fones e ela não pareceu se incomodar, coloquei no ouvido e me surpreendi - Trust issues?
- Drake é rei – sorriu.
- Tenho que concordar - balancei a cabeça - É, você tem um bom gosto musical, e um bom gosto pra amigos também - falei balançando a blusa, a blusa grudada de suor começava a me incomodar - Como ta o pé?
- Ah! Às vezes eu ainda sinto dor, não vejo a hora de tirar isso, odeio ter que ficar com gesso e dependente dos outros - sua expressão mudou para irritada, mas logo suavizou - se desenhou no meu gesso ó - se virou e colocou as pernas no meu colo, como ela usava um vestido sua coxa exposta me chamou atenção, mas logo olhei para o gesso e vi o desenho de , havia uma seta também e do lado escrito " rainha da minha vida" ri com aquilo - Sua melhor amiga não bate bem.
- Eu sei que não, mas nem todo mundo é perfeito - ri e pedi o estojo dela, me entregou, peguei uma caneta preta e comecei a desenhar também.
- Todo mundo vira artista quando vê um gesso - brincou - O Zayn grafitou atrás, não dá pra eu mostrar agora - deu de ombros enquanto eu fazia minha obra de arte. Fiz uma bonequinha com a perna quebrada pra zoar , desenhei uma cerveja e escrevi “booze”*, também escrevi meu nome com corações em volta.
- Pronto - sorri e ela olhou os desenhos, enquanto olhava resolvi tirar a camisa porque estava toda suada e começando a me incomodar.
- Nossa, que artista, o Zayn que se cuide! - mexeu a cabeça de forma engraçada, e olhou para mim, percebi que ela olhava meu tronco nu e ri - Sério que você me desenhou? - falou rindo, olhando para os desenhos novamente - Sou sua musa inspiradora - jogou os cabelos. Continuamos ali conversando, e ouvimos o apito de .
- Vamos? - perguntei me levantando e colocando a bolsa dela nas minhas costas.
- Vamos sim, quer apostar uma corrida? - falou da forma mais irônica que podia.
- Eu só estava me preparando pra te carregar, agora vou te deixar morrer ai - falei começando a andar.
- Tudo bem, eu arranjo um daqueles carinhas ali pra me carregar - falou, na mesma hora voltei e abaixei passando meus braços pelas suas pernas - Ué, mas eu não ia morrer aqui?
- Mais fácil você morrer com eles - falei enquanto ela passava os braços pelo meu pescoço, o contato com a pele dele me fez arrepiar, mas não porque naquele momento algo mágico aconteceu, e sim porque eu estava gelado e ela quente, mas os arrepios começaram de verdade quando , inconscientemente, começou a passar as unhas pelo meu ombro. Chegamos onde as meninas estavam, e estava animada com o time, mas parou na hora olhando algum lugar atrás de mim.
- Ainda tem lugar pra mais uma? - ouvimos uma voz conhecida e nos viramos.
- Britt? - a olhava sem esboçar reações.
- Oi, , oi meninas - sorriu - Niall, ta namorando? - Que? - começou a rir - Não, ele só ta me ajudando por causa do pé - apontou para o gesso.
- Então, ainda tem lugar na torcida? - olhou para .
- Não, e os testes acabaram, só próximo semestre agora - foi seca, normalmente ela é fria, mas ela foi mais seca que o normal.
- Então ta, próximo semestre eu tento - se virou e deu de cara com Louis, Harry e Liam, que assim que viram Britt vieram ao nosso encontro - Oi meninos, tudo bem?
- O que você quer? - Louis foi direto como sempre.
- Fazer parte da torcida, mas não dá, então vou deixar pro próximo semestre - sorriu e se afastou, indo se encontrar com Bethany.
- Pensei que ela tinha saído - olhou para o lugar onde a menina estava.
- Ela voltou, o irmão dela ta no internato que fica 20 minutos daqui, ele foi expulso, mas ela quis continuar aqui - falou e todos a olhamos sem saber como ela tinha essas informações - Ela ta na minha aula de filosofia e a gente conversou bastante - sorriu, assentimos pensativos.
- Quer ir para o quarto? - perguntei para .
- Preciso tirar o seu suor de mim, que nojo - fez careta, todo mundo riu com o comentário. Fui andando em direção ao dormitório e ela perguntou para nós quem era Britt.
- Ah, nós eramos amigos, mas ela teve uma briga com a e se afastou do nada - explicou.
- Ela que inventa a maioria das histórisa sobre nossa loirinha - falou com raiva - Mas enfim, vamos falar de coisas boas, a Dorothy é uma ótima animadora - sorriu.
- Aposto que é bem flexível - soltou o veneno nos fazendo rir. Chegamos no dormitório e vi Britt passando pela frente, para ir em direção ao dormitório do pessoa do último ano.
- Eu vou quebrar a cara dela - falou irritada - Se ela tocar no nome da ...
- Ninguém vai mexer com a - Liam falou seguro nos fazendo olhar para ele, que estava abraçando a garota, Harry olhou aquilo também e riu.
- Olha lá, o Liam todo pra cima da - Harry continuou rindo até ser acertado no ombro por Liam, e então os dois começaram a correr um atrás do outro, nos sentamos no degrau esperando para ver quem iria cansar primeiro.

*booze é bebida alcoólica, não uma bebida específica, no geral mesmo, tipo "Vamos tomar uma?" "Cadê a bebida?".

Capítulo 6

Sexta-feira seria o melhor dia da semana... Seria se eu não tivesse acordado com uma mensagem da mulher que me deu a luz, porque me recuso a chamar aquilo de mãe. Fiquei com vontade de jogar o celular na parede, mas respirei bem fundo e comecei me arrumar. Olhava dormindo e queria muito estar no seu lugar, ela não teria a primeira aula por um problema com o professor de história, fiquei com uma inveja enorme, sim. Sai do quarto, parecendo um zumbi, e não senti vontade nenhuma de ir comer, fui direto para a sala e me sentei na última cadeira. Normalmente eu sentaria pelo meio, mas hoje não tinha vontade absolutamente nenhuma de participar da aula, eu só queria deitar a cabeça naquela mesa e dormir até 2049 se fosse possível, mas não era. Fico pensando se ela também mandou mensagem para o meu pai, e se sim, como ele estaria se sentindo no momento. Um lixo como eu, ou revoltado. Provavelmente a segunda opção, meu pai lida com os problemas muito melhor que eu. Minha personalidade foi o motivo de eu ter desenvolvido um problema diferente, mas isso fica para depois, porque minha cabeça está a mil e eu já sinto algumas pontadas.
- Caiu da cama, ? - a professora de inglês perguntou, sorrindo docilmente.
- Mais ou menos - forcei um sorriso.
- Está tudo bem, querida? - perguntou se sentando na minha frente.
- Tudo sim. Seve ser só mais uma daquelas manhãs, sabe? - ri pelo nariz. Ela ficou me analisando, não parecia acreditar no que havia lhe dito.
- Seja lá o que for que aconteceu, não deixa isso te consumir, ninguém é importante o bastante para mexer com os seus sentimentos, você tem que se colocar em primeiro lugar, querida - sorriu passando a mão no meu braço - Não quer dizer que você seja egoísta, só quer dizer que você tem amor próprio - piscou e se levantou - Sem falar que em um filme tem um ótimo conselho "Pessoas egoístas vivem mais" - foi para sua mesa, e me fez rir com a frase.
- Quem disse isso?
- A Nicki Minaj em um filme que eu não lembro o nome - olhou para o teto pensando - Mas até que é um conselho válido. Você não precisa pensar em todo mundo o tempo todo, não precisa ser totalmente egoísta e fechar os olhos para o próximo, mas também não pode deixar todo mundo passar por cima de você, não é saudável - suspirou e parou de falar quando os alunos começaram a entrar na sala. Fiquei pensando no por que desse conselho, com certeza ela foi magoada a ponto de começar a pensar assim, mas talvez esse seja meu maior problema, não ser nem um pouco egoísta. Quando minha mãe foi embora, eu ficava pensando se ela estava bem, se tinha dinheiro o suficiente, se estava feliz, com frio, com fome, eu me preocupava com a mulher que havia acabado de nos abandonar, e agora eu vejo como isso foi ridículo, pois em momento nenhum ela se preocupou conosco.
- Você está com uma cara péssima - Liam riu e se sentou na minha frente - A não te deixou dormir, falando sobre alguma festa de novo?
- Antes fosse isso - bufei - Mas enfim, você e a ? - subi e desci as duas sobrancelhas e ele riu.
- Não tem "eu e a " - deu de ombros, mas viu que eu não ia desistir tão fácil - Ela não quer que eu seja só mais um que ela ficou, e eu não quero que ela seja só mais uma, e eu entendo o lado dela, depois do que aconteceu com o maldito do Derek - tensionou o maxilar e apertou as mãos, meu melhor amigo estava ficando puto - Eu não vou pressioná-la nem nada, vou dar o tempo dela.
- Liam Payne, você tem mil e uma fases e eu não sei qual eu gosto mais - sorri, desejando que a maioria dos homens fosse como meu melhor amigo.
- Ta falando de que? - me olhou estranhando.
- Bom, tem a fase nerd, a fase nerd e obcecado por desenhos da Disney - tossi Toy Story e ele mostrou a língua - A fase responsável sem rim, a propósito eu ainda adoro o apelido "Sem rim" e vou te chamar assim sempre que puder - avisei e continuei contando nos dedos - A fase "Oi mãe, to musculoso por causa dos treinos, só tenho regatas no meu guarda roupa e elas babam em mim", essa fase meu deu muito problema, acho que ainda tenho mil e um números de garotas que queriam que eu te passasse...
- E por que não passou? - perguntou indignado.
- Você era bom demais para elas - abanei o ar com a mão - E a fase príncipe encantado, que na verdade sempre ta presente e é uma das que eu mais gosto - sorri - Toda menina merece ser tratada bem e respeitada, você faz isso, por isso eu tenho certeza que logo a vai se abrir para você - falei e ele sorriu malicioso - Esqueci da fase corrompido pelo Tomlinson - revirei os olhos.
- E quais são minhas fases? - Louis sorriu, se sentando na cadeira ao meu lado.
- É só falar do demônio... Você só tem uma fase que é a do babaca, acho que você não evolui mais - dei de ombros.
- É impressão minha ou você ta mais mal humorada que o normal?
- Louis, hoje não - respirei fundo. Era incrível como só a presença dele já me deixava irritada. Liam ficou me analisando por um tempo, tentando entender minhas mudanças de humor, e suspirou.
- Depois a gente conversa - apontou para mim. Mordi o lábio, nervosa, eu sabia que ele ia ficar puto por eu estar me sentindo assim por quem não merecia, e eu realmente não queria ouvir um sermão no momento, mesmo que os sermões normalmente terminassem em um abraço, eu não queria conversar sobre isso agora, ou nunca.

[...]

Assim que o sinal da última aula bateu, eu sai praticamente correndo e fui para as arquibancadas, sentei nas do meio e fechei os olhos, sentindo o vento no meu rosto. Apertei mais o moletom contra meu corpo, Londres estava fria como sempre, e o céu nublado ameaçava uma chuva que não demoraria muito a chegar. Aquele céu preto e feio parecia refletir meu humor, não restava um resquício de felicidade em mim hoje, nem enquanto brincava com meu melhor amigo ou falava com as meninas. Eu queria tirar essa angustia de dentro do meu peito com as mãos, por tanto tempo sentindo isso eu aprendi a mascarar tudo, ao ponto de que eu acabava enganando a mim mesma. Senti as lágrimas querendo vir, mas me recusei a derramar uma que fosse. Respirei fundo, olhando para cima com os olhos fechados, sentir o vento no meu rosto parecia amenizar as coisas por um momento. Talvez fosse verdade que o vento leva embora suas tristezas, mas nesse momento era passageiro, pois, ao mesmo tempo que eu me sentia aliviada, o nó em meu peito só crescia. Eu sabia muito bem o que precisava para me fazer sentir melhor, mas não tinha aqui comigo no momento.
Comecei a sentir a falta de ar que há tempos não sentia e um formigamento nas minhas mãos. Eu sabia o que estava acontecendo, por tanto tempo eu não senti nada, e agora, por causa daquela vagabunda, estava começando a ter uma crise, sozinha e sem ninguém para me ajudar. Minha visão começou a embaçar e eu já começava a me desesperar, já não conseguia enxergar nada, minha boca formigava, o ar faltava e eu lutava para conseguir me controlar, mas parecia só piorar. Foi quando senti uma mão na minha que apertei forte, eu não sabia quem era, mas sabia que queria me ajudar. Senti a mão quente esfregando meu peito, e minhas costas, a pessoa queria me incentivar a respirar direito uma vez que minha respiração estava totalmente descontrolada. Provavelmente ela estava falando comigo, mas eu não conseguia ouvir nada também. Comecei a controlar a respiração com a ajuda daquele anjo, aos poucos o ar foi adentrando meu pulmão e aos poucos fui ouvindo uma voz meio longe falando "Isso, respira fundo, ta tudo bem, você sabe que consegue voltar" e isso me acalmou ao ponto da minha visão começar a voltar, o aperto na mão da pessoa foi ficando mais folgado, e então finalmente eu conseguia ouvir direito. Fiquei mais alguns minutos olhando para frente, até ver quem foi meu anjo.
- Você? - falei surpresa vendo Louis me olhar preocupado.
- Essa crise foi forte, , fazia tempo que você não tinha uma desse tipo - falou me olhando - Você ta tremendo, vem cá - tirou o moletom e me entregou, eu ia negar, mas eu realmente estava com frio, então aceitei.
- Valeu, se você não tivesse chego eu provavelmente eu ficar aqui tendo uma crise até amanhã – suspirei. Estava exausta, meu corpo doía e eu só queria deitar.
- O Liam pediu para todo mundo te procurar, mas eles são todos burros e você previsível, você vive aqui - deu de ombros - Agora me fala o que aconteceu, fazia tanto tempo que você não tinha uma crise.
- Não aconteceu nada - dei de ombros.
- Você sabe que um dos motivos de ter desenvolvido esse transtorno sei lá eu das quantas de movimento foi por você guardar absolutamente tudo e não falar o que você ta sentindo, certo? - Louis tomou uma postura rígida, revirei os olhos e suspirei.
- Transtorno dissociativo conversivo de movimento*, Tomlinson - estralei o pescoço - E eu sei de tudo isso, sei que eu guardo as coisas, que não gosto de falar quando tô triste, que não gosto de dar meus motivos, mas essa é minha personalidade...
- E olha o que isso te causou - Louis falava calmamente.
- Primeiro que isso também é um problema biológico, alguma coisa que eu passei desencadeou isso e eu sei muito bem o que foi - bufei - No momento que aquela mulher partiu eu fiquei assim, ela me destruiu - mordi o lábio querendo segurar o choro.
- Ela apareceu? - Louis perguntou se aproximando.
- Me mandou uma mensagem de manhã "Oi filha, eu sei que sumi por um tempo, só queria dizer que está tudo maravilhoso na minha vida, encontrei alguém que realmente me ama. A vida é incrível, né? Eu queria contar que você vai ser irmã, não é maravilhoso? Falo com você logo" - recitei a mensagem que havia lido e relido diversas vezes - Ela é muito cara de pau. Sumiu por um tempo? Ela sumiu por 4 anos, porra. E é maravilhoso que eu vou ter uma irmã? É mais uma criança pra ela abandonar - comecei a gritar - Nem UM pedido de desculpas, nem uma explicação, nem um "eu te amo". NADA - comecei a respirar errado novamente.
- Vem cá! - Louis esticou o braço, mas eu não me movi - Como já dizia o ditado: Se você não vai ao Louis, o Louis vai até você - falou me fazendo rir, e sentou praticamente no meu colo.
- Esse não é o ditado - respirei fundo.
- Não importa - passou o braço pelo meu ombro - Agora você vai respirar comigo e se acalmar, ok? - ele pediu e eu apenas afirmei com a cabeça - Então vamos com tio Louis: respira fundo, segura por 3 segundos e solta! - ele fez comigo, com minha cabeça encostada no peito dele. Eu ia me acalmando, sentindo sua respiração em sincronia com a minha e ouvindo seu coração bater. Fui me acalmando novamente enquanto ele mexia no meu cabelo. Eram raros os momento que ele ficava sério assim.
Demorei muito tempo para contar para meus amigos sobre meu transtorno, quando contei para Louis realmente achei que ele me zoaria demais, mas, ao contrário disso, ele me surpreendeu perguntando tudo, o que causava, como eles podiam me ajudar, foi um dos únicos momentos que vi ele sério, e aqui está aquele mesmo Louis. Nesses momentos eu não sentia vontade de espancá-lo, mesmo porque seria injusto, ele vem com toda boa vontade me ajudar. Além dele, Liam e são os únicos que conseguem me acalmar. Louis e foram as pessoas que me surpreenderam, nunca pensei que logo eles iriam conseguir me acalmar, e quem eu menos esperava era justamente quem conseguia lidar melhor com tudo isso.
- Obrigada - falei fraquinho. Ele apenas riu e apertou meu braço.
- Agora você pode chorar - ele falou também baixo, balancei a cabeça - Você tem que aprender que chorar não é uma fraqueza, significa que você é forte o bastante para lidar com suas emoções, . Você não tem que ser forte 24 horas por dia, ninguém, nem mesmo eu que sou maravilhoso em todos os sentidos - falou me fazendo rir novamente - Você é humana e dói quando te machucam, principalmente quando é alguém que devia cuidar de você e te proteger - ele continuava esfregando meu braço, e as palavras dele foram suficientes para que eu deixasse as lágrimas caírem e que o aperto no peito começasse a desfazer - Você não precisa dela, nunca precisou, você é forte por você, seu pais e seus amigos. Eu posso te zoar e te irritar o tempo inteiro, mas eu estaria mentindo se falasse que você não é uma garota incrível, e ela não está aqui para ver isso. Seu pai fez um ótimo trabalho cuidando de você e ela não tem direito nenhum de aparecer assim, eu concordo – falou, agora me soltando e me fazendo olhar para ele - Mas você não precisa fingir que está tudo bem quando não está, porque isso vai te destruir e você não é assim. Seja aquela menina forte que você mostra todos os dias e usa isso para lidar com seus sentimentos.
- Eu nunca soube lidar com eles. Por que você acha que eu tenho essa droga de transtorno? - falei, tentando limpar as lágrimas.
- E é por isso que você tem que entender suas emoções e lidar com elas. Qual é ? Você nunca se faz de vítima e não é isso que vai te vencer - Louis suspirou e passou a mão no meu rosto limpando as lágrimas - Dá o apelido de Louis pra isso que você tem, aposto que rapidinho você se vê livre disso - falou me fazendo rir verdadeiramente - Um sorriso? Devia ter guardado o momento que Evans riu de uma piada minha e usar pra esfregar na sua cara.
- Eu não acreditava quando o Liam disse que você era bom com conselhos quando precisava - falei mordendo o lábio.
- Eu tenho meus momentos, mas não deixa ninguém saber, isso acabaria com a minha reputação.
- Ninguém acreditaria em mim mesmo - dei de ombros.
- Ai, chuva, você demorou - Louis falou quando sentimos algumas gotas caindo, se levantou e começou a andar, mas parou quando me viu parada no mesmo lugar - Minha filha, vai chover, vamos andando!
- Não - respondi e levantei a cabeça sentindo as gotas caindo - Eu quero que essa chuva leve embora esses sentimentos ruins, tudo isso que eu senti hoje, eu não vou sentir nunca mais - falei olhando para ele e falando mais alto quando começou a chover para valer - Ela nunca mais vai me fazer sentir assim, você tem razão, ela não merece - sorri sentindo a chuva gelada. Tirei os moletons, pois eu queria sentir a chuva direito.
Consegui sentir meus pelos arrepiados, pelo contato da água com minha pele, até então quente, passei a mão pelos cabelos e olhei para frente, vendo Louis sorrindo.
- Você é imprevisível, garota - Louis gritou para mim e começou a rir. Fui até ele e o abracei, senti ele ficando rígido, mas logo se soltou e me abraçou de volta - Você ta me assustando hoje, ruivinha.
- É porque eu sei que amanhã nós vamos voltar a ser nós mesmos, brigando, gritando, nos irritando, então eu vou aproveitar esse momento - expliquei suspirando e deitando a cabeça em seu ombro. Nunca havia abraçado Louis, não de verdade, e ele tinha um abraço bom... Eu sei que não suporto o garoto, mas sei reconhecer um abraço gostoso, sem falar que hoje ele me ajudou mais que ninguém - Você foi a última pessoa que eu pensei que me ajudaria hoje, quando eu senti aquela mão na minha eu pensei "Quem é esse anjo?". Você ta longe de ser um anjo, mas Lúcifer já foi um, certo? - falei e senti o corpo dele balançando devido à risada.
- Não sei se me ofendo ou se me sinto lisonjeado - falou no meu ouvido - Por que nós não conseguimos ser assim?
- Porque nós não somos assim, e não teria graça se a gente não se irritasse o tempo todo. Quem traria emoção pra esse grupo? - perguntei me afastando um pouco para poder olhar seu rosto, mas ainda assim o abraçando.
- Bom, já que nós estamos nesse momento bandeira branca você não vai se importar - Louis deu de ombros.
- Com o que? - franzi o cenho sem entender, raramente eu entendia o que ele queria dizer .
- Isso - sorriu, passou a mão no meu rosto e antes que eu pudesse pensar seus lábios se encontraram com os meus. Me assustei na hora, eu não esperava isso.
Louis Tomlinson me beijando? Minha cabeça me pedia para empurrá-lo, mas meu corpo não queria, muito pelo contrário, quando ele percebeu que eu não estava fazendo um escândalo, o aperto em minha cintura aumento ao mesmo tempo que sua língua invadiu minha boca, e dessa vez os arrepios não eram causados pela chuva, e sim pela sua língua em contato com a minha. O beijo dele não era rápido ou devagar demais, era o suficiente para matar a vontade e ser doce ao mesmo tempo. Ele me apertava cada vez mais contra seu corpo, e mordeu meu lábio inferior, gemi com aquilo e voltei a beijá-lo. Eu realmente estava fora de mim, beijando Tomlinson assim, deixando ele me apertar e descer a mão para minha bunda. Eu tenho certeza que isso foi pelo meu momento de fraqueza e que ver ele tão prestativo e me dando conselhos válidos me fez fraquejar, não significava que eu gostava dele, só significava que no meu momento de fraqueza eu encontrei nele alguém que me fez sentir bem pela primeira vez no dia. E, enquanto o beijo durou, eu não pensei naquela sujeita uma vez sequer. Parti o beijo lentamente e dessa vez minha respiração acelerada era por outro motivo, olhei para ele que ainda mantinha os olhos fechados, a boca entreaberta com a respiração também acelerada. Seus lábios estavam mais vermelhos e levemente inchados, quase que o beijei novamente, mas meu lado racional apitou novamente.
- Eu... - tentei falar algo,mas nada saía. Louis sorriu e começou a rir logo em seguida, ri também sem saber o que falar.
- Te deixei sem palavras, hun? - empurrei seu ombro assim que ele falou isso.
- Nunca mais vai acontecer, espero que você saiba - passei a mão no cabelo e ele riu.
- Eu sei, mas valeu a pena - deu de ombros. Ele estava absurdamente lindo molhado da chuva, com a camisa preta colada no corpo, seus olhos azuis esverdeados pareciam mais aparentes que nunca, o cabelo colado no rosto me fazia querer passar a mão para tirar, mas ele fez isso jogando o cabelo para trás e eu quase o beijei novamente. E não, eu não tive um momento de revelação enquanto Louis me ajudava, eu não estava perdidamente apaixonada e muito menos passei a reparar na beleza dele agora, Louis sempre foi muito lindo e eu posso reconhecer isso sem problemas nenhum, ele só era muito chato na maior parte do tempo e nossa personalidade raramente batia, causando todas as nossas discussões.
- É, pode ser que sim - dei de ombros também - Eu preciso deitar que tô toda dolorida - mordi a boca - Valeu mesmo, Louis, você não tinha obrigação nenhuma de me acalmar, ouvir e dar conselhos, mas mesmo me odiando você o fez.
- Eu não te odeio - franziu o cenho e deu de ombros ao mesmo tempo, me fazendo rir de sua expressão - Você só é chata às vezes, a gente já teve essa conversa - falou se lembrando daquele dia que nós discutimos quando pedi para parar com as brigas por causa de nossos amigos.
- Enfim... - falei sem saber o que fazer. Ele percebeu que eu fiquei parada ali, o que era estranho, eu sempre sabia o que falar ou fazer, mas parecia que eu estava exausta e meu cérebro não funcionava direito. Eu sentia todos os meus músculos doendo por causa da crise, precisava de uma cama, mas não queria me mover pelo cansaço.
Louis se aproximou novamente e eu fui andando para trás, ele riu e eu ri também, balançando a cabeça e olhando para o chão, e ele foi rápido novamente ao me tomar pela cintura, mas dessa vez não me beijou de primeira, apenas olhou nos meus olhos e roçou a boca na minha. Eu não entendia porque ele estava fazendo isso, mas no momento não me dei ao luxo de me importar, já era muita coisa para um dia.
- Eu sei que você disse que nunca mais ia acontecer - sussurrou contra minha boca. Eu sentia seus lábios se mexendo e queria que ele parasse de me provocar logo - Mas eu acho que posso aproveitar esse momento "amiguinhos" - falou mordendo o próprio lábio. Desceu a boca para meu pescoço e começou a beijar ali enquanto uma de suas mãos se mantinha na minha cintura, a outra foi para minha bunda novamente onde ele apertou levemente. Os beijos foram subindo do pescoço, para o maxilar, rosto e então ele chegou a minha boca, onde me deu aquele beijo que eu já havia conhecido e gostado. Passei a mão pelos seus cabelos macios e desci as mãos pelos seus ombros, os apertando, desci pelo seus braços e também apertei sua bunda o fazendo rir entre o beijo.
- Chega - o empurrei.
- Você se aproveita desse corpinho e fala chega? Eu to chocado com você. , que tipo de homem você pensa que eu sou? - Louis se fez de ofendido, apenas ri e comecei a andar o deixando para trás - Eu sempre soube que você tinha uma tara pela minha bunda - fingiu jogar o cabelo para trás e eu mordi o lábio - A sua também é bem gostosa - continuou, segurei a risada e balancei a cabeça.
- Até amanha, Tomlinson - acenei com a mão.
- Até, Evans - acenou de volta - E é sério, para de esconder o que sente, você vai se sentir bem melhor quando for verdadeira com o que realmente está sentindo - Louis falou, e eu sabia que ele não se referia ao beijo, pois não havia sentimento ali, ele se referia a tudo que minha mãe me fez passar e eu escondia todos os dias. No final aquela minha primeira opção para me fazer sentir melhor não foi preciso. Quem diria que justamente Louis Tomlinson me ajudaria dessa forma?

* Transtorno dissociativo conversivo de movimento é uma das "doenças" modernas e as vezes pode ser confundido com a síndrome do pânico, mas um não tem a ver com outro já que esse transtorno tem cura, parte dele é biológico, e é de movimento.

Capítulo 7

entrou completamente molhada no quarto, pegou roupas, uma toalha e se mandou para o banheiro, fiquei ali sem entender nada, ela estava com um sorriso no rosto e parecia animada, o que era meio raro de se ver desde que sua mãe foi embora. tentava disfarçar ao máximo toda a dor que sentia, mas eu seria uma péssima melhor amiga se não percebesse quando algo está errado com a minha amiga. Às vezes eu parava para comparar nossa vida: ela foi abandonada pela mãe, e eu era praticamente abandonada pelo meu pai; o trabalho dele requer que ele fique longe da família, mesmo que eu ache que ele também não pare em casa por causa da minha mãe, assim nós temos raros momentos juntos, o que é chato já que quando eu paro para lembrar do passado só lembro dele sendo extremamente atencioso e carinhoso, o que meio que falta no momento. Parece que minha amizade com as meninas se formou devido às famílias fodidas, coisas em comum que nos fizeram ter compaixão uma com a outra e acabou criando um laço enorme. Claro que eu conheci antes de sua mãe partir, mas parece que essas coisas só serviram para fortalecer nossa amizade. Acho que a única que não tem a família toda fodida é a , e mesmo assim eu sempre sinto que ela esconde alguma coisa, mas pressioná-la não adianta em nada, a não ser patadas.
- Atrapalho o pensamento? - Liam bateu na porta sorrindo.
- Não, por quê?
- Quer dar uma volta? - perguntou, apontando com a cabeça para fora.
- Liam, ta chovendo - ri do garoto parado ali na frente.
- Eu sei, vamos dar uma volta na áre de convivência - Liam explicou me fazendo revirar os olhos. Sai com ele, eu sabia que demorava anos no banho e nem iria notar minha ausência, então dei de ombros e andei pelo corredor com Liam. Sendo melhor amiga do Harry, eu sempre convivi com os meninos, mas isso não quer dizer que eu tinha certa intimidade com todos, claro que nós brincamos e tudo mais, mas antes de Derek, eu nunca havia parado para realmente conversar com Liam, apenas nós dois, sempre havia alguém junto, e eu me pergunto por que nunca parei para reparar nele.
- Louis chegou lá no quarto todo molhado e sorrindo - Liam comentou me fazendo franzir o cenho.
- A também - falei rindo, Liam arqueou a sobrancelha e começou a rir também.
- Não, é muito estranho pensar que eles estavam no mesmo ambiente sem se matar - Liam balançou a cabeça e ligou a televisão, colocando em um canal de música qualquer - E por que esse lugar ta tão vazio? - perguntou olhando ao redor, onde havia apenas a Katherine sentada em uma mesa afastada lendo um livro, Delphine tentando ler algumas cartas de tarô e a Lia. Lia olhou para nós e sorriu acenando, retribuímos rindo. Nós sabíamos que ela tinha um abismo pelo Niall, ela era uma fofa, mas toda tímida, quase nunca abria a boca.
- Porque é tipo - falei olhando as horas no celular - Cinco horas da tarde e ta todo mundo arrebentado dos ensaios, treinos, aulas. Como você não ta cansado? Você pratica um esporte onde você é socado o tempo inteiro - falei olhando para ele e ouvindo uma risada gostosa.
- Eu não apanho o tempo inteiro, eu também bato - falou como se fosse óbvio, o que era.
- Eu nunca vou entender porque essa adoração a lutas - inclinei a cabeça um pouco - Por acaso você tem algum fetiche? Gosta de apanhar? - perguntei mordendo o lábio para conter as risadas.
- Na verdade eu prefiro bater - ele olhou nos meus olhos e eu engoli em seco, mas logo comecei a dar risada.
- Muito 50 tons de cinza pra mim - brinquei para descontrair e estiquei a perna, colocando em cima da mesa de centro, enquanto me encostava em Liam. Ao contrário de e que odeiam que alguém fique muito perto, eu me sinto confortável com tal contato, me sinto segura, seja alguém que eu conheça a anos, ou alguém que acabei de conhecer, eu simplesmente amo abraçar, ou tocar na pessoa, enquanto falo. As meninas dizem que por isso acham que eu flerto o tempo inteiro, o que não é verdade, é totalmente inconsciente.
- Mas agora é sério, eu ‘tava’ pensando em te dar umas aulas - ele falou, passando os braços pelo meu ombro e fazendo carinho na minha cabeça.
- Pra que? Eu não, já tenho o time de vôlei - falei com preguiça.
- Pra você se defender sabe? - Liam falou meio desconfortável - Só o básico caso ninguém esteja por perto se algo aconteça, o que eu espero que não aconteça, mas é sempre bom se...
- Liam fala mais devagar - ri e ele relaxou - Eu aceito, mas eu quero minhas luvas azuis - apontei para ele.
- Ótimo, é só você comprar - ele deu de ombros.
- Ridículo, pensei que ia ser cavalheiro e compraria para mim.
- Já vou fazer o favor de te ensinar, linda - ele falou rindo e me analisando, e por algum motivo eu corei quando me chamou de linda. Eu estava acostumada com caras dando em cima de mim - não querendo ser fresca ou me achar, mas era verdade -, e eu nunca ficava com vergonha, muito menos corava; nunca me sentia desconfortável com caras me analisando, mas quando Liam fazia isso eu podia sentir meu corpo formigar e eu só queria que isso parasse, por isso desviei meus olhos para a televisão onde tocava alguma música do Bruno Mars.
- Um dia eu que vou estar ai - falou apontando com a cabeça para a televisão.
- Harry fala a mesma coisa - sorri - E eu acredito, sabe? Que vocês dois realmente possam, não só os dois, mas todos vocês, não sei porque ainda não se juntaram para fazer uma banda - revirei os olhos.
- A vida anda corrida - Liam deu de ombros.
- Então cancela as aulas comigo e se junta com os meninos, ué.
- Até parece que eu prefiro ficar na presença de 4 machos do que na sua - Liam me olhou, me fazendo corar novamente. Será que dá para você parar com isso, ? Desde quando você é assim sua louca? Se controla, é só o Liam!
- Você devia parar com isso - murmurei, esperando que ele não ouvisse.
- Parar com o que? - Liam sussurrou no meu ouvido, me fazendo fechar os olhos e respirar fundo.
- Liam...
- OI, LINDOS, CHEGUEI, LIMPEM AS LÁGRIMAS - apareceu sem chamar atenção, magina, e se jogou no meu colo, com as pernas em cima das do Liam. Seu grito assustou Delphine, a fazendo derrubar as cartas pelo chão – Nossa, Delph, calma, garota, você anda muito desastrada - falou, como se não tivesse percebido que seu grito que a assustou - Então, adivinha quem veio me infernizar na saída do ensaio? Se vocês pensaram na Britt vocês estão completamente certos, meus amigos. Acho que parar de falar com você afetou o cérebro dela, . A garota ta pior que nunca, acredita que ela veio falar que eu quero roubar a atenção de todas as dançarinas? Eu falei que não tenho culpa se eu sou uma latina com ritmo e ela uma inglesa sem sal, nada contra - virou para Liam rapidamente, que apenas riu - Ai ela veio cheia de "Esses imigrantes... Você devia me respeitar, ta no meu território" - revirou os olhos - Falei pra ela que ia fazer ela engolir minha cidadania britânica, se ela continuasse me infernizando - continuava falando rápido, e eu apenas respirava fundo tentando me livrar da sensação que apenas ter Liam sussurrando no meu ouvido me causava.
- , alguém te deu energético? - Liam perguntou, fazendo a latina olhar para ele incrédula.
- Liam Payne, se você quiser falar alguma coisa, fale.
- É que você ta mais acelerada que o normal - ele deu de ombros.
- É a adrenalina, eu quase matei uma Britânica loira nojenta, sem ofensas - se virou para mim.
- Eu não sou britânica, , sou americana, lembra?
- Mas é uma loira nojenta - balançou as mãos como se fosse óbvio e dei um tapa nela - Sem ofensas - completou, esfregando o local do tapa - Bom, eu vou lá falar com a , provavelmente ela vai me ajudar com alguns planos de tortura - sorriu e se levantou rapidamente.
- Não é a toa que é melhor amiga do Niall - Liam riu - Mas, , por que você e a Britt se afastaram? Eu lembro que quando você não tava com a gente, tava com ela.
- Ah, ela meio que ficou puta comigo por causa de umas coisas com o melhor amigo dela, não me deixou explicar nada, me falou coisas horríveis e nunca mais olhou na minha cara – suspirei.
- E só mais uma pergunta - Liam falou mordendo o lábio, assenti para que ele continuasse - Por que esse seu medo de compromisso? - falou, me pegando de surpresa, abri a boca diversas vezes sem saber o que responder.
- Acho que a ideia de ter que me prender em alguém não me agrada, eu gosto de ser livre, sabe? E ter que ficar dando satisfações, me preocupando, tendo que agradar alguém, não é para mim - falei dando de ombros - Ver o relacionamento fracassado dos meus pais também não me ajuda em nada - ri pelo nariz.
- E o melhor amiga da Britt não tem nada a ver com isso? - ele perguntou, como se já soubesse de alguma coisa e só queria me ouvir falar. Abri a boca para responder, mas chegou novamente.
- Eu, você e as meninas no quarto da . AGORA! - saiu me puxando pela mão, sem me dar tempo de responder Liam. Sibilei um "sorry" com a boca e ele apenas piscou, me fazendo sorrir.

Capítulo 8

Plena sexta-feira a tarde e eu presa na sala da treinadora. Depois do treino ela disse que queria conversar comigo sobre sei lá eu o que e agora, em vez de descansar, eu estou sentada aqui ouvindo ela falar que eu precisava pegar mais leve nos treinos, bolar uma coreografia nova, e que a Mandy se machucou andando de cavalo e vai ter que ser substituída por um mês, mas ela estava com medo de falar comigo e pediu para a treinadora me informar. E agora eu tenho que ouvir um sermão sobre como as meninas muitas vezes tem medo de falar comigo porque eu não sou acessível, que culpa eu tenho se elas tem medo até da própria sombra?
- Isso é sério, . Uma capitã não tem que ter apenas a sua garra e vontade, tem que ser gentil e simpática também, muitas vezes a simpatia que faz um líder conquistar as pessoas, e no momento isso está faltando em você. Suas animadoras tem medo da própria capitã, isso não é certo, a Mandy praticamente chorou falando que você ia mandar cortar a cabeça dela - segurei a risada nessa última parte, já bastava esse sermão da Tracie, eu não preciso que ela me dê outro. E sério, cortar a cabeça? Eu tenho cara de Rainha Vermelha? A Mandy realmente fez um trocadilho por meu segundo nome ser ? Eu não sabia nem que ela conseguia fazer trocadilhos, quem dirá trocadilhos que fazem sentido.
- Por acaso você já leu O príncipe, de Maquiavel? - perguntei entediada.
- O quê? você andou bebendo? O que isso tem a ver com a conversa? - Tracie parecia confusa.
- Ele diz que é melhor um príncipe ser temido do que amado...
- A gente não ta falando de monarquia aqui - Tracie me olhou entediada e eu comecei a rir.
- O príncipe nesse caso seria o líder político, não importa se monarquia ou republica, enfim... A, ele também defende a ideia de que os fins justificam os meios, sabe, e que não importa o que o governante faça desde que se mantenha no poder - falei dando de ombros. Claro que eu não comentei a parte de que o príncipe deveria parecer piedoso e fiel, eu só estava enchendo Tracie de fatos para ela me liberar logo.
- Ta, mas você não ta aqui para governar um estado, e sim um bando de meninas adolescentes que tem medo de você.
- Se elas não tivessem medo então isso seria uma palhaçada, ou você esqueceu de quando a Lucy era a capitã e ninguém ouvia o que ela falava? Ninguém nem aparecia nos treinos? Olha, elas sabem como eu sou fora do campo, eu posso não ser a pessoa mais fácil de lidar do mundo, mas eu não sou um monstro. A Mandy só tava fazendo drama para não ter que falar diretamente comigo por pura preguiça, isso sim, e ela sabe que em época de jogo e campeonato ela não devia fazer nada que a colocasse em risco de se machucar; e como ela sabe que eu tenho razão não queria que eu jogasse isso na cara dela - encostei na cadeira e cruzei os braços.
- Só me promete que vai tentar ser um pouco mais simpática com as meninas - Tracie suspirou cansada.
- Ta, tanto faz, eu vou tentar, mas elas me estressam Tracie, eu não tenho culpa - falei, me levantando e andando até a porta.
- E para de ler O príncipe que até eu fiquei com medo de você - ouvi Tracie falando - Os fins justificam os meios, vê se pode... - ouvi sua voz fraca enquanto eu fechava a porta rindo. Tracie me escolheu justamente por não pegar leve com as meninas e agora eu tenho que ouvir isso... Ta, talvez eu até exagere um pouco às vezes, mas elas são muito frescas, não podem dar 5 voltas no campo sem reclamar que estão morrendo, bando de fracas, isso que elas são. Não tenho paciência pra quem fica de mimimi e agindo como se 5 voltinhas fosse o fim do mundo, não tenho tempo para frescura. E agora eu vou ter que ir lá bancar a preocupada com a Mandy...
- Bom, ele diz que você tem que fingir ser piedoso, né... Não que eu ache graça dela tendo se machucado, mas eu sempre falo pra ninguém fazer nada que vá causar danos quando ta perto de apresentações... Problema é dela, não meu - dei de ombros.
- Falando sozinha? - Harry apareceu rindo assim que estava indo atravessar o campo.
- HARRY, DEVOLVE MEU CELULAR! - ouvi Niall gritando e no segundo seguinte estava no chão, enquanto Harry fugia do Niall, e a chuva começava a cair. Ótimo, é hoje que eu mato 3 pessoas, Mandy, Niall e Harry. Me sentei e fiquei vendo aquelas duas crianças correndo na chuva, Niall pulou nas costas de Harry e o derrubou, logo em seguida pegou o celular rapidamente e saiu correndo mais rápido ainda enquanto Harry gargalhava e eu o olhava com tédio; esse garoto ta sempre vendo o lado rosa da vida, me pergunto qual tipo de ácido ele usa pra isso. Me levantei e vi que minha calça estava toda suja e com grama, respirei fundo e fui até Harry dando minha mão para ele se levantar também, mas ele parecia ter outra ideia porque assim que segurou minha mão, me puxou para o chão e lá estava eu caída novamente.
- "Mate se for preciso, mas alcance seu objetivo" - respirei fundo - Meu objetivo é te matar mesmo - olhei para Harry que sorria para mim. Sério, Harry, não dói sorrir tanto? Ta pior que o Niall.
- Você anda muito estressada, agora fecha os olhos e sente a chuva - Harry olhou para cima deixando a chuva cair em seu rosto.
- A única coisa que eu to sentindo é a gripe que vou ficar - bufei e fui me levantar novamente, mas Harry colocou a mão na minha coxa me impedindo. Travei no momento que senti sua mão e me afastei abruptamente. Ele me olhou curioso, mas não perguntou nada.
- E que história é essa ai de matar, e fingir ser piedoso? - Harry falou fingindo que quase não sofreu uma contusão por colocar as mãos em mim, agradeci mentalmente por ele saber respeitar esse momento desconfortável.
- Nada, são só pensamentos - dei de ombros.
- Seus? Por que são bem perturbadores, talvez você precise de um psicólogo...
- Não, são de Maquiavel na verdade.
- E por que você ta lendo isso?
- O príncipe é tipo o livro de cabeceira de todo político... Ter um pai deputado é ser obrigada a ler essa droga; a também conhece, o pai dela é senador, sabe? Só que diferente de mim, ela não fica louca lendo essas coisas. Eu juro que fecho meus olhos e vejo as palavras Virtú e Fortuna... Eu to lendo Harry Potter pela 385 vez pra esquecer esse outro livro, sabe? Só que ai eu vejo o Voldemort...
- Aquele que não deve ser nomeado... Ou você sabe quem - Harry me corrigiu.
- Nossa, cala a boca, Harry. Como já dizia Hermione "O medo de um nome só faz aumentar o medo da própria coisa" - falei e ele riu - Continuando... Eu só vejo o Voldemort fazendo o possível pra alcançar o objetivo dele e só penso nessa droga de príncipe, e fins justificam os meios. Sério, ele fala que os reinos fáceis de conquistar são difíceis de manter, e os difíceis de conquistar são mantidos facilmente; e o Voldemort queria tudo imediatamente com as trevas dele, eu só ficava pensando que se ele tivesse lido “O príncipe” tava todo mundo fodido. Enfim, depois que eu li esse livro eu fiquei louca, tudo tem ligação - despejei nele como faria.
- Eu não faço a menor ideia do porquê ele quer que você leia isso, mas, enfim, como você ta? – perguntou, ignorando meu momento . Agora ele que se levantou e me ajudou.
- Bem, por quê? - estranhei a pergunta. Começamos a andar lentamente, eu sentia Harry me olhando e analisando, mas deixei quieto.
- Eu vi que seu tio foi preso e tal...
- Ah, isso! - falei e tossi em seguida ficando ainda mais desconfortável - É, ele foi, mas tanto faz, nós não éramos próximos.
- Não? - Harry franziu o cenho - Mas ele não é aquele que estava sempre na sua casa? E, desculpa perguntar, qual foi o motivo da prisão? Ninguém deu detalhes, parece que ninguém sabe o motivo - Harry parecia realmente preocupado comigo, e curioso sobre o assunto.
- Não, Harry, nós não éramos próximos, não é porque ele 'tava’ sempre em casa que eu tenho que ser próxima dele, ele só era irmão da minha mãe, mas eu não tinha nenhum tipo de proximidade com ele - falei irritada - E eu não faço a menor ideia do motivo da prisão, provavelmente foi corrupção, quem sabe - dei de ombros despreocupada, enquanto Harry ainda me olhava e foi parando de andar. Parei também e me virei para encará-lo, me arrependi de ter o feito. Seus olhos verdes procuravam o que quer que fosse no meu rosto, e pareceu que ele encontrou algo pois no momento seguinte me senti sendo abraçado por ele, e quase sumi em seus braços. Me assustei e retrai por um momento, mas depois lembrei que era apenas Harry, o Harry que é simpático com todo mundo mesmo que a pessoa não mereça, o Harry que sempre quer ver o sorriso das pessoas, o Harry que mesmo com fama de galinha e pegador é uma das pessoas mais doces que eu já conheci, o Harry que não faria mal para ninguém. Então apenas o abracei de volta e esperei que ele me explicasse.
- Parecia que você precisava de um abraço - falou no meu ouvido, ainda me abraçando. Suspirei e passei meus braços pelo seu pescoço, descansando minha cabeça em seu peito - Eu juro que ainda te faço se abrir , agora é questão de honra - sussurrou, me fazendo rir.
- Harry, até meus ossos estão molhados, dá pra gente ir pro dormitório logo? - ignorei sua fala e ele riu.
- Você é mestre em fugir de situações desconfortáveis, não? - desfez o abraço e voltamos a andar. Durante o caminho permaneci calada, e ele respeitou meu silêncio, mas eu sentia seu olhar em mim e queria que ele parasse, odiava me sentir vigiada.
- Ei, eu ouvi que a Mandy se machucou, é verdade? - Harry pareceu se divertir com a situação me deixando curiosa.
- É, por isso a treinadora me chamou, parece que as meninas sentem medo de falar comigo e a Mandy pediu para ela me informar - rolei os olhos.
- Me pergunto o porquê desse medo - Harry zombou e levou um soco em resposta - Fraquinha você - mostrou a língua e eu balancei a cabeça, vendo um homem de quase 2 metros mostrando a língua como uma criança. Me perguntei se as meninas que acham ele o mais sedutor do mundo já viram esse lado, provavelmente, já que ele não esconde esse lado bobo, talvez por isso as meninas caem tanto aos seus pés...
- Mas, como você ficou sabendo? - arqueei a sobrancelha, e parei na frente do meu dormitório.
- Ué, o Rick falou que eles foram tentar uma posição nova e não deu muito certo - Harry falou e logo em seguida começou a rir. Ele chorava de rir e eu comecei a rir também, até me tocar que ela havia mentido.
- Ela falou que se machucou montando a cavalo - balancei a cabeça, ainda rindo.
- Bom, em alguma coisa ela tava montando - Harry falou e eu abri a boca com sua fala, logo em seguida ri e o empurrei, ele apenas segurou minha mão e me abraçou novamente - Agora eu vou te deixar entrar pra você não morrer de gripe. Fica bem, ta? - falou me olhando nos olhos, apenas afirmei com a cabeça e me virei para entrar, mas dei de cara com Liam saindo do dormitório.
- Acho bom você ir ao quarto da , as meninas tão tendo um momento ‘mimimi’ de fofoca - revirou os olhos - Mas antes é melhor tomar banho pra não ficar doente - Liam sempre cuidando da gente.
- Valeu, Li, to indo lá - dei um beijo em seu rosto e finalmente entrei na sala de convivência, subindo as escadas.
Eu queria entender porque me dou tão bem com os meninos, mas fico tão tensa quando é o Harry, porque eu tento afastá-lo tanto, eu sei que ele não vai me fazer mal nenhum, então porque todo esse receio e cuidado? Essa era uma resposta que livro de pensador nenhum ia me dar.

Capítulo 9


Depois de perder mais uma vez para o Niall eu cansei e sai da sala de convivência dos meninos, subi as escadas para ver se achava algum deles, mas até agora nada. No corredor esbarrei em Derek e fiquei uma enorme vontade de quebrar o nariz dele, mas Liam já tinha feito isso, eu juro que ri na cara dele e acho que ele ficou com vontade de me bater, mas tinha muitas testemunhas lá, ele não faria isso, ouvi dizer que os psicopatas são muito inteligentes... Mas o Derek não é inteligente, então não tem como ele ser um psicopata, ele só é meio estranho mesmo, ele saiu andando no corredor olhando para trás pra ver se eu ainda estava rindo, e eu estava. Eu queria tanto que ele fosse expulso, mas o diretor sabe das coisas que ele faz, ele sabe de todas as meninas que já foram parar no celeiro, só que o pai do Derek faz muita doação para a escola, claro que ele não seria expulso facilmente, se fosse pego no flagra até que vai, e eu nem sei porque to pensando tanto nisso, deve ter sido o encontrão ali. Mas eu to ouvindo uma música vinda de um dos quartos, é um hip hop legal, acho que é J Cole, não tenho certeza, mas vem do quarto a esquerda e esse é o quarto do Liam, então é bem provável que seja J cole, ele e o Zayn que gostam desse tipo de música, tem uma batida muito boa, dá vontade de dançar, vou lá no quarto perguntar o nome, talvez eu ache alguém para fazer a coreografia dessa música comigo.
- Liam, me diz o nome dessa música - falei entrando no quarto sem nem bater.
- O Liam não ta aqui não - Zayn levantou a cabeça de seu caderno e me olhou - Oi , ta fazendo o que perdida por aqui? - arqueou a sobrancelha me olhando. E eu me perdi nos olhos dele, o que é esse menino? O cabelo dele estava grande e eu agradecia por ainda não ter cortado, a barba estava crescendo, ele usava uma regata que deixava sua tatuagem de dedos cruzados a mostra, Zayn tinha umas 4 tatuagens, sempre falando que queria fazer mais, ele quer fechar um braço de tatuagem e bom, eu sou uma garota que tem um fraco enorme por braços fechados e eu mais do que ninguém apoiava essa decisão dele, para ontem se pudesse. Havia um lápis atrás de sua orelha e outro em sua mão, ele estava com a boca entreaberta esperando minha resposta e eu quase não consegui falar, parecia que a cada segundo ele ficava mais bonito, eu juro que não consigo entender como funciona, vai ver ele foi feito em um laboratório.
- Eu estava jogando com Niall, mas cansei de perder - dei de ombros e fechei a porta do quarto, me encostando na mesma - Ele é muito chato quando ganha, eu sai de lá pra não matar um irlandês - revirei os olhos e Zayn riu.
- Ele fica gritando e esfregando na sua cara, né? - Zayn perguntou e eu apenas assenti com a cabeça, ainda tentando entender o que estava acontecendo. Eu nunca fui de agir igual uma estranha com Zayn, mas olha, esse garoto está diferente - , você ta bem mesmo? Ta tão quieta - ele riu e eu mostrei a língua, me sentando ao seu lado da cama.
- Eu to cansada, a quer me matar, você devia dar um jeito na sua melhor amiga Zayn, ela não é uma capitã, é um carrasco - me arrumei em sua cama e estiquei as pernas - Ela é louca, isso que ela é, assim que terminou o treino eu sai correndo dali, vai que ela inventa alguma coisa? Eu estou toda dolorida, eu acho que não vou sobreviver o resto do ano - disparei, voltando a ser eu mesma.
- E ai está a que eu conheço - Zayn brincou - E eu concordo, ela é louca - Zayn voltou sua atenção para o papel e eu estiquei a cabeça para ver.
- Outro desenho?
- Tava fazendo nada, comecei ouvir música e deu vontade de desenhar - Zayn deu de ombros despreocupado, ainda rabiscando. Fiquei vendo sua concentração e sorri, sua boca estava entreaberta, as vezes ele passava a língua pelos lábios e olhava o desenho, balançava a cabeça no ritmo da música, e ele parecia uma obra de arte.
- Ta, qual o seu segredo - perguntei séria, e ele me olhou lembrando que eu estava ali.
- Que segredo? - perguntou divertido.
- Você foi feito em um laboratório? Não, espera, você é um projeto do governo? Uma conspiração? - perguntei o analisando e ele apenas ria.
- , você ta mais estranha que o normal hoje, por acaso te deram energético? Não me diz que você aceitou a bala que o Tyler anda distribuindo, você sabe que aquilo não é doce né? - Zayn de repente parecia preocupado.
- Que? Eu não sou idiota, eu sei o que aquilo é - fiz careta - É que cara, seus pais tão de parabéns - falei esquecendo a vergonha na cara, não que eu tivesse muita, mas essas coisas são a que fala, tudo bem que normalmente eu falo sem pensar, mas eu não ia conseguir ficar quita, ele precisa saber que parece um Deus grego. E depois do que eu falei só consegui ouvir sua risada alta, era legal fazer o Zayn rir assim, ele era sempre tão controlado, tudo bem que com a gente ele se solta e mostra o lado bobo, mas ainda assim, era bom saber que você consegue tirar uma risada assim dele.
- Você é a melhor pessoa - Zayn se aproximou e passou o braço pelo meu pescoço - Mas você não fica pra trás sabe? - Zayn falou e mordeu o lábio - Desde que a gente voltou eu percebi... Você ganhou peso, ganhou mais corpo - falou olhando para minha coxa, e pela primeira vez em muito tempo eu fiquei sem saber o que falar. Claro que eu tinha visto as olhadas dele, não só dele, mas enfim... Eu não pensei que ele falaria assim na cara, como já falei antes, ele é bem reservado. É a música, só pode ser, essa música é sexy demais, a batida faz coisas com as pessoas, essa é a explicação lógica.
- Você... Então, você ta me devendo uma massagem e vai fazer agora - falei me afastando lentamente e colocando os pés no colo dele.
- Não acredito que você lembra disso - fez careta.
- Claro que eu lembro, tenho memória de elefante - falei jogando o chinelo no chão - Fica a vontade, eu tomei banho antes de vir pra cá - falei balançando o pé na frente dele, que ficou apenas olhando - Zayn, é sério. Você prometeu, eu te falei que acredito em massagens, você falou que era sério, isso não se faz com as pessoas - fez meu melhor bico, ele bufou e revirou os olhos.
- Você é muito persuasiva pro seu próprio bem - falou pegando meu pé e começando a fazer massagem, e cara, como ele era bom com aquelas mãos, bom demais...
- Você não gostava de mim quando a gente se conheceu, né? - falei, fechando os olhos enquanto ele apertava os lugares certos.
- Não é isso, é que você era... Como eu posso explicar? - parou um momento para pensar - Demais. Eu já estava acostumado com o Louis e o Niall, mas você é um nível totalmente diferente, sério, consegue ser pior que os dois juntos. No começo eu achava que era forçada toda sua hiperatividade, mas ai eu comecei a reparar que você nem percebia quando tava falando demais, ou muito rápido, ou que não parava nunca - Zayn riu me fazendo rir junto.
- Muita gente acha que é forçado mesmo, mas eu não ligo - dei de ombros - Eu te achava estranho - falei, e ele parou de apertar meus pés e me olhou com a sobrancelha arqueada - Você tava sempre quieto, só olhando, eu ficava com medo, era tipo "Zayn sabe o que você fez no verão passado" - ele começou a rir, e voltou a apertar meus pés - Sério, era muito mistério para mim, eu nunca sabia o que você estava pensando, ficava tão na sua, e era medonho quando você olhava diretamente pra gente, parecia que você sabia alguma coisa que eu não sabia.
- Adoro sua sinceridade - Zayn fez joinha com os dedos.
- Ai eu vi que você é um bobo controlado!
- E eu vi que você é uma louca legalzinha até.
- Legalzinha? Legalzinha, Malik? - cruzei os braços e ele riu.
- Faz bico não, . Eu to entendendo a sua - Zayn falou e soltou meus pés me fazendo gemer em protesto - Já deu por hoje, volta no próximo treino.
- Sério? - sorri animada - Olha, você tem que parar porque eu cobro, eu não sou que nem a que deixa quieto, eu cobro mesmo - apontei para ele que riu e bagunçou meu cabelo, sem dar uma resposta concreta - Cadê o Liam?
- Foi lá no dormitório de vocês - Zayn falou e bocejou - E não volta tão cedo, olha a chuva - olhou pela janela e eu me encolhi. Ta, é idiota, mas eu tenho medo de chuva sim, todo mundo tem medo de alguma coisa, o meu é a chuva... Não necessariamente a chuva, mas os raios, trovões e acidentes que vem com isso.
- Odeio chuva – murmurei.
- Sério? Mas é gostoso, só ouve esse som - Zayn me olhou, eu provavelmente estava com uma expressão estranha, pois ele sentou ainda mais perto e me olhou - Fecha os olhos.
- Não - me recusei a fechar os olhos assim que ouvi o primeiro trovão e comecei a mexer a perna.
- Sério, , você ta dentro de um quarto, não vai acontecer nada.
- Nada? Um raio pode muito bem atingir o prédio, e ai a gente morre, já vi várias vezes isso acontecendo - falei, e Zayn começou a rir novamente - Para de rir seu imbecil, eu to falando sério. Olha você ta risonho demais hoje, não to reclamando, só que não tem graça agora, raios matam. Pelo menos 50 pessoas morrem atingidas por raios por ano, eu não quero ser uma dessas.
- Você não vai ser - Zayn ainda ria, e eu dei um dos meus tapas nele para ver se ele parava, e ele parou - Você consegue ser bem violenta quando quer né? - falou massageando o local vermelho - Bem que eles falam que seus tapas são ardidos - ele falou me fazendo rir.
- Eu não chego a ter astrofobia, mas eu tenho bastante medo sim de raios e trovões - mordi o lado de dentro da boca - Eu não sei porque, só sei que eu odeio, as vezes eu chego a ficar com falta de ar e tremer, se eu tiver sozinha isso acontece - mexi na unha. Zayn colocou o dedo no meu queixo me fazendo olhar pra cima.
- Fecha os olhos - pediu mais uma vez, mas eu neguei com a cabeça, me assustando quando ouvi outro trovão. Ele colocou a mão na minha perna me fazendo parar de mexer - Confia em mim - Zayn sorriu, e eu respirei fundo, golpe baixo Malik, golpe muito baixo. Fechei os olhos e senti seu peso sumir da cama, me assustei, por que esse maldito me manda fechar os olhos e some do quarto? Ele vai ver só, se achou aquele tapa ardido vai ver os próximos, vou bater até ficar roxo e ele pedir arrego. Agora que eu não abro os olhos mesmo! Comecei a balançar a perna impaciente, era uma mania que todo mundo odiava; mas eu não conseguia controlar. A música mudou, era Foreing do Trey Songz, ele aumentou bastante, eu quase não conseguia ouvir a chuva. Comecei a rir na primeira parte da música "Eu amo se ela fala outra língua", balancei a cabeça e mordi a boca rindo. Tudo bem que ele fala Colombiano no começo, e eu sou de Porto Rico, mas mesmo assim, ainda era fofo ele colocar essa música. Fofo entre aspas né, porque a música era bem explicita.
- Eu meio que lembro de você quando ouço essa música - ouvi a voz de Zayn do meu lado esquerdo, me surpreendi com a confissão, ainda mais essa música tão... Suja? Não que eu me importasse claro- Não pelas coisas que ele fala - logo se corrigiu, mas eu estava cética, claro que não era pelas coisas que ele falava aham! - Agora você relaxa e esquece que ta chovendo, ok? - Zayn perguntou, assenti com a cabeça e senti suas mãos nos meus ombros, apertando levemente.
- Isso é bom - falei quando ele apertou novamente.
- É? - apertou novamente, e eu suspirei jogando a cabeça para trás, a apoiando no peito de Zayn - Acho que a gente finalmente encontrou um jeito de te acalmar - sussurrou, e eu engoli em seco. Calma era a última coisa que eu estava sentindo no momento, mas ele não precisa saber disso.
- Zayn, e sua namorada? - falei, ainda de olhos fechados. Ele continuou massageando o local, as mãos dele não eram tão fortes como eu pensei, o toque dele era suave e gentil, ele estava me fazendo relaxar mesmo, e eu não queria que ele parasse.
- , a gente terminou já tem umas 3 semanas, você sabe disso - Zayn falou, deu um beijo no meu ombro me fazendo arrepiar, mas ignorei o arrepio e também o sorriso dele quando viu. Tirou as mãos do meu ombro e se sentou ao meu lado, virei a cabeça para o lado, e abri os olhos lentamente - Não precisa se preocupar com o que ela ou quem quer que seja vai achar de você aqui, nós somos amigos, eu posso trazer quem quiser pro meu quarto - Zayn encostou seu braço no meu me empurrando lentamente. Sorri sem saber o que falar, era incrível como eu sempre tinha um milhão de coisas para falar, mas quando se tratava de Zayn parecia que as palavras sumiam.
- Eu vou querer sua playlist - apontei para o rádio e ele riu.
- Vai usar todas para dançar?
- Talvez - dei de ombros - Tem umas músicas muito boas ai, tipo a que você escolheu - olhei de canto de olho, ele segurava a risada - Você lembra de mim ouvindo, agora eu que vou lembrar de você - olhei para ele novamente.
- Tipo nossa música - Zayn ironizou.
- Só que bem menos romântica - balancei a cabeça rindo, e ele também. Olhei para a janela e vi que a chuva estava parando - Vou aproveitar que ta parando e não ta trovejando pra correr pro meu dormitório, talvez eu chegue lá sem ser acertada por um raio.
- Já? - Zayn franziu o cenho - Ta, melhor aproveitar agora mesmo, mas não corre , você é desastrada, vai que sofre um acidente no meio do caminho.
- Qualquer coisa é melhor do que ser acertada por um raio - me levantei arrumando a roupa, e fui até a porta com Zayn atrás - Valeu, pelas duas massagens e por me distrair - o abracei e senti os braços de Zayn envolver minha cintura.
- Quando precisar se distrair você sabe onde me achar - Zayn falou assim que o soltei, ri e acenei com a mão enquanto saia pelo corredor. Acho que a missão desse garoto esse ano é me enlouquecer.

Capítulo 10


Depois que todo mundo chegou ao quarto da , claro que eu sempre com ajuda graças ao meu pé, cada uma se jogou em um canto do quarto para entender o motivo de ter chamado todo mundo. A chuva já estava bem leve, fiquei sabendo do medo de de trovões, ainda bem que parou de trovejar, se não ela ia entrar em um monólogo sobre como vai morrer acertada por um raio.
É engraçado porque em toda minha vida eu tive poucas amigas, algumas delas só se aproximavam por interesse, outras se afastaram quando acharam algo melhor, minha amizade mais duradoura é com Andrew, nós crescemos juntos, fomos criados juntos, somos como irmãos. Minha mãe conheceu seu pai, Sidney, na faculdade, os dois sempre foram muito amigos, depois da graduação nada mudou, quando eu nasci a mulher de Sidney estava grávida de 6 meses. Andrew me ajudava a fugir para surfar quando minha mãe quis me proibir, eu sentia tanto sua falta, tinha a Belle também, ela andava com a gente quando saíamos da escola, mas ela tinha seu próprio grupo. O engraçado é eu estar em um quarto com outras 4 garotas e me sentir tão a vontade, não estou muito acostumada com esse clube da luluzinha, mas eu não sabia que podia ser tão engraçado.
- [...] Ai ele desparafusou a mesa do professor, e como ele tem mania de ficar encostado a mesa caiu, na hora o professor olhou para o Louis, mas não tinha como provar nada - ria, enquanto contava.
- Mas no final foi o Niall que fez isso - finalizou e eu apenas ria vendo as memórias delas.
- Agora conta, - se sentou ao lado da amiga. hesitou por um momento, mas acabou falando o que aconteceu com Louis. Assim que ela falou que os dois se beijaram as reações foram diversas; gritou um "Eu sabia que era tesão reprimido"; deixou o tubo de creme cair; deu um tapa em gritando "MENTIRA" e depois teve que se desculpar pelo tapa porque foi involuntário.
- Eu sabia que isso ia acontecer - falou apontando para .
- Calem a boca, foi só nossa trégua naquele momento - revirou os olhos.
- Nossa, queria eu ter trégua assim com as pessoas - falou, e logo em seguida espirrou - Droga, sabia que ia ficar gripada - espirrou novamente e fungou.
- Mas e ai, tem pegada? - perguntei arqueando a sobrancelha e segurando a risada.
- Ai gente, sei lá... - desconversou, mas quando viu que nós esperávamos a resposta se deu por vencida - Ta, ele tem sim, e o beijo dele é bom, mas é só isso, podem parar de me olhar assim, ainda somos só o Louis e eu, lembram? Nós dois juntos é a guerra mundial 3, já podem parar - revirou os olhos.
- Você ta doidinha pra beijar ele de novo - falei, e recebi uma almofada no rosto.
- Eu - espirrou novamente - Preciso de um chocolate quente - se levantou.
- Boa ideia, eu vou com você, na sala de convivência tem, vamos? - se levantou rapidamente e saiu arrastando , tentando fugir de nós e das perguntas.
- Você volta aqui que eu quero todos os detalhes, onde ele colocou a mão? Ele apertou sua bunda? - saiu atrás das duas gritando.
- EU TAMBÉM QUERO CHOCOLATE - foi atrás e eu fiquei ali rindo sozinha.
Calma, rindo sozinha... Sozinha... Eu e muletas... Ta, calma, você consegue andar com esse troço sem se machucar , você tem mais equilíbrio do que pensa. Respirei fundo e peguei a muleta para me levantar, tudo bem, até aqui foi, consegui ficar de pé, agora é só eu chegar no meu quarto sem causar nenhum acidente. Nossa como eu odeio essa muleta, não vejo a hora de tirar esse gesso do pé, Louis se desculpa comigo até hoje por isso, acho que se fosse ou no meu lugar já tinha matado ele, mas eu sei que acidentes acontecem né, mas ele podia ter quebrado meu braço em vez do meu pé, isso aqui é uma droga e...
- Ai, acho que quem quebrou o tornozelo fui eu agora - ouvi uma voz e levantei a cabeça, eu havia acertado Niall na perna com a muleta.
- Eu não consigo controlar essas coisas - falei querendo jogá-las no chão - Ta fazendo o que aqui? - perguntei estranhando.
- A ficou bravinha porque tava perdendo pra mim no vídeo game, saiu de lá e esqueceu o celular, só que essa coisa não para de apitar e eu não aguentava mais - falou, mostrando o celular - Cadê ela?
- Elas foram pegar chocolate quente na sala, não viu?
- Não, eu subi direto, nem prestei atenção na sala - ele falou rindo quando me viu andando com as muletas novamente - Cara, você é péssima nisso.
- Não tenho experiência nisso não - ri com ele.
- Vem, eu te ajudo - falou passando a mão pela minha cintura para me ajudar andar.
- Me leva? - fiz bico e ele riu, eu já estava me acostumando a ser carregada por ele e por Louis, já perdi a vergonha de pedir.
- Você dá liberdade pra pessoa e é isso que acontece - Niall brincou, guardando o celular de no bolso e encostando as muletas na parede - Já pensou eu te derrubo e quebro seu outro pé? - Niall riu, provavelmente imaginando a cena, me pegou no colo, e eu peguei as muletas.
- Já pensou eu te esfaqueio acidentalmente? - sorri e ouvi sua risada escandalosa.
- Acho que vou te proibir de passar muito tempo com a e com a , ta ficando violenta - falou, parando na porta do meu quarto.
- Preciso da sua permissão agora? - franzi o cenho e abri a porta para ele, que entrou e me colocou na cama cuidadosamente, antes de se sentar ao meu lado.
- Só quero o melhor pra você - deu de ombros e olhou para a escrivaninha do lado da minha cama - O que é isso tudo? - perguntou olhando o tanto de revista que tinha ali.
- Não tenho nada pra fazer, fico vendo as revistas - ri fraco, ele pegou uma das revistas e olhou a capa.
- Andy Chavelier? Ele não era tipo um dos melhores surfistas do mundo? - Niall arqueou a sobrancelha - Você curte isso? - falou, abrindo a revista.
- Hmm... Ele era meu pai - abaixei a cabeça olhando a revista e sorrindo para a foto. Na foto ele fazia a batida do lip - quando a parte de baixo da prancha bate na crista da onda - e sorria tanto, foi o primeiro campeonato dele depois de 8 anos parado.
- Nossa, eu não sabia... Devia ter ligado o sobrenome, que burro - Niall parecia sem graça - Por que você fica vendo isso? - coçou a nuca, parecia realmente não saber o que falar.
- Por que eu não veria? - perguntei, achando graça na falta de jeito do garoto à minha frente - São as coisas que mantém ele vivo pra mim sabe? Os vídeos das competições, as fotos, as revistas, as entrevistas... É como se ele ainda tivesse aqui, alguns dias eu realmente olho para essas coisas e choro, quando a saudade é demais sabe? Mas, a maior parte do tempo eu só tenho boas memórias vendo essas coisas - falei, ainda olhando a revista e sorrindo. Depois disso o silêncio tomou conta, ele apenas segurou minha mão e fez carinho com o dedo; era sempre assim quando alguém tocava nesse assunto. As pessoas que me conhecem sabem como eu era extremamente apegada a meu pai, nós fazíamos basicamente tudo juntos, então sempre esperavam que eu me debulhasse em lágrimas, se Niall que não sabe disso está assim imagina se soubesse como éramos próximos.
- Vou acabar me acostumando com vocês me carregando pra todo canto, e quando eu tiver que tirar esse gesso vou fingir que to com dor pra continuar sendo carregada - empurrei Niall que finalmente riu.
- Isso é trabalho escravo - Niall comentou e eu dei de ombros. Olhei para fora vendo a chuva e pensando em quem ainda estava treinando.
- To feliz que não to precisando fazer parte de nada, esportes, líder de torcida e tal.
- Acho que você devia tentar a animação sabe? Ia aquecer meu coração te ver naquele uniforme - Niall falou na maior cara de pau me fazendo abrir a boca e dar um tapa em seu ombro.
- Na verdade eu vou tentar vôlei - falei, e ele faz cara de decepção, rindo logo em seguida.
- Ainda acho que você devia ser da animação, e torcer só pra mim - falou, me fazendo corar - Se bem que os shorts do pessoal do vôlei são bem curtos - Niall falou pensativo, resolvi ignorar.
- Se eu for torcer pra alguém vai ser pro Louis – provoquei.
- O cara que quebrou seu pé? Então você gosta de relacionamentos abusivos? Posso te dar uns tapas se você quiser - Niall brincou e eu revirei os olhos.
- Claro, se você quiser perder a oportunidade de ter filhos - dei de ombros.
- Nossa, você curte um tough love, to amando isso. Quando a gente namorar vê se amolece o coração - Niall falou, distraído com as revistas novamente e eu arregalei os olhos.
- Quando a gente... Quando a gente namorar? - perguntei, tossindo logo em seguida.
- É, você é a menina mais namorável daqui.
- Eu não sei se fico ofendida ou levo como um elogio...
- Continuando - ele fez um sinal para eu parar de falar - Nós vamos morar na minha Irlanda, obviamente...
- Prefiro na minha Califórnia, lá eu posso surfar...
- Não me interrompa mulher - Niall reclamou segurando a risada - Eu ainda não sei o que você vai fazer porque a gente não se conhece direito, mas eu vou ser um artista famoso claro, vou fazer muita música boa. Nossa lua de mel vai ser na Espanha, e nós vamos ter uns 3 filhos, uma menina e dois meninos pra cuidar dela...
- Coitada da minha filha, vou ter que ajudar a dar umas escapadas - falei e ele se fez de ofendido.
- Minha princesa vai ser extremamente protegida... Continuando, no primeiro ano de casamento nós vamos tirar um ano para viajar pelo mundo, quando voltar eu volto a fazer música e você a trabalhar.
- E se você me largar por uma groupie? - arqueei a sobrancelha.
- Eu sou fiel, não me desrespeita, né? - Niall terminou, me fazendo rir mais ainda. Eu sabia que ele estava tentando aliviar a tensão que havia ficado quando nós tocamos no nome do meu pai, e estava dando certo - Agora é sério, você pensa no futuro? - Niall se deitou na cama, cruzou os braços atrás da cabeça e me olhou.
- Não - falei o olhando nos olhos - Eu gosto de aproveitar o momento, deixar as coisas acontecer. Eu costumava pensar muito no futuro, em momento nenhum mudar para Londres só com um dos meus pais estava nos planos. O meu futuro era na Califórnia, meu pai continuaria surfando e treinando as pessoas, minha mãe continuaria sendo sucedida no escritório, Andrew, Belle e eu iríamos para faculdade, eu só iria pra minha mãe não ficar me enchendo, mas continuaria surfando, e provavelmente minha mãe teria mais um filho. Mas tudo mudou e eu parei de pensar no futuro, não gosto de planejar pra não me decepcionar, prefiro deixar acontecer - suspirei - Você? - me deitei de lado o olhando.
- Eu gosto de pensar que vou conseguir fazer o que eu amo.
- Música? - falei e ele sorriu, seus olhos se iluminaram.
- Tocar para muitas pessoas, alegrar ou ajudar com a minha música, esgotar shows, ter um nome - Niall sorria enquanto falava, ele realmente gostava daquilo - E eu vou tentar, não quero ficar pensando "E se"...
- Você vai conseguir, e eu vou estar lá torcendo por você - sorri me deitando.
- Com o uniforme das animadoras?
- Não abusa da minha boa vontade - apontei para ele.
- Você que anda abusando da minha me fazendo de carregador - riu me puxando para perto e me abraçando. Deitei a cabeça em seu peito e ri. Era tão fácil lidar com Niall, eu me sentia a vontade para brincar sobre qualquer coisa ou contar qualquer coisa, não consigo explicar, ele só sabe deixar as pessoas a vontade.
- Não finge que não gosta - brinquei, meus olhos já estavam fechados, e o carinho que ele fazia na minha cabeça me deixava com sono.
- Gosto mesmo, me faz sentir útil.
- Bom saber - bocejei e ele riu - Você é confortável.
- Bom saber - me imitou, ri fraco porque já estava quase dormindo - Vai dormir? - ele perguntou, mas não respondi - Vou embora, então.
- Naaaão - pedi de forma arrastada, nunca que ia deixar ele sair dali, estava extremamente confortável - Dorme também - falei, me arrumando melhor em seu peito.
- Se a responsável por esse dormitório resolver aparecer hoje...
- Ela nunca aparece - falei, com preguiça - Fica! - pedi novamente, ele não falou nada, apenas deu um beijo na minha cabeça e me abraçou com o outro braço, me envolvendo inteira, eu sumi em seu abraço, e gostei disso. Seu corpo era quente, o que me dava ainda mais sono, e seu abraço era um dos melhores que já havia provado.
Quando eu pensei que mudar para Londres ia me render um grupo de 9 pessoas? E um deles estaria deitado na minha cama me fazendo sentir tão confortável assim em menos de 2 meses? Isso realmente não estava nos meus planos, mas não é como se eu me importasse!

Capítulo 11

Louis
Os dias passaram rapidamente e me evitava cada vez mais. Nossa trégua foi mantida, mas não porque nós nos respeitamos e sim porque ela começou a se afastar depois do beijo. Não, eu não estava apaixonado. é uma garota extremamente linda, mesmo que sua personalidade seja meio explosiva e difícil de lidar as vezes, é claro que atração existe, não sou cego, mas também sei que nunca rolaria algo a mais entre nós dois; somos opostos. O beijo foi coisa de momento mesmo, ela estava lá depois de uma das crises fortes, frágil por causa da mãe e nós finalmente não estávamos brigando, e não, eu não sou um monstro aproveitador; mesmo porque quando 1 não quer 2 não beijam, e ela retribuiu com muita vontade.
As meninas estavam cada vez mais próximas, cada vez mais fechada, se dava bem com todos os meninos e chamava atenção de muitos caras justamente por conseguir se encaixar em qualquer lugar, e ela também descobriu sobre o breve relacionamento entre e Niall – foi o momento mais estranho no nosso grupo, eles dois… Credo, não gosto nem de lembrar – ainda continuava totalmente estranha, mas estava meio tensa e não contava o motivo para ninguém, , apesar de continuar sendo o espírito livre que sempre foi, estava mais comportada e ninguém entendia o porquê, ela não parecia feliz com isso. Eu e os meninos continuamos o de sempre, aproveitando a vida, curtindo, zoando, e tentando não levar muitas suspensões, afinal, ninguém queria ser expulso da escola no último ano.
O outono chegou com Outubro e todos estavam animados, as meninas da torcida teriam alguns campeonatos, nós do futebol também, e havia entrado no time do Vôlei. era a única que estava tendo problemas no time de dança, Britt estava fazendo o possível e impossível para conseguir seu lugar como dançarina principal e não é uma pessoa muito paciente, apesar de estar sempre de bom humor. De noite o time jogaria, e eu já estava sentindo a tensão, ser capitão do time me dá muitas responsabilidades, e eu não gosto de perder, Niall andava por ai animado como sempre e eu queria muito dar um soco nele, mas infelizmente ele é do meu time e eu preciso daquele animal para vencer.
– 1, 2, 3, e vai – ouvi as meninas da torcida no campo - NÃO, QUANTAS VEZES EU VOU TER QUE DIZER QUE NÃO É ASSIM? - gritava com uma das meninas, vi as garotas se encolhendo e ri com aquilo, elas tinham tanto medo de , talvez eu devesse ir oferecer um ombro amigo.
- se acalma, você parece um sargento, as meninas vão ficar com medo assim, coitadinhas - falou, alisando , parecia não ter medo de morrer porque todos sabiam que quando estava nervosa era melhor ficar longe. Mas era imune a isso, parecia a única capaz de acalmar a garota
- Toma conta de tudo, eu vou tomar um ar - jogou os pons pons no chãos e saiu batendo o pé. Levantei da arquibancada e tentei seguir para conversar com a garota, tentar acalmá-la pelo menos, mas ela já havia sumido, e em vez de topar com ela, acabei dando de cara com .
- Opa, vai com calma - a segurei pelos ombros, e ela se soltou rapidamente - Sai da minha frente, Tomlinson, to sem tempo para suas graças, tenho um monte de trabalhos para terminar, as meninas do jornal estão infernizando minha vida e segunda eu tenho uma prova. Me deixa em paz - falou tudo rapidamente, e eu sabia que ela era meio obcecada com as aulas - todos sabiam-, tentou continuar andando, mas a puxei pelo braço
- Todo esse nervoso é saudade do meu beijo? Eu posso dar um jeito nisso - falei, me aproximando apenas para zoar com a cara dela, e colocou a mão no meu rosto empurrando minha cabeça para trás, me fazendo rir.
- A não ser que sua boca queira beijar meu punho é melhor você ficar ai. Por acaso você viu a ? O pai dela ligou umas 3 vezes - perguntou, parecia preocupada, mas ela sempre parecia preocupada com algo.
- Saiu para tomar um ar, tentei ir atrás, mas perdi ela de vista. Ela ta bem irritada - comentei, e vi bufar - Ta tudo bem?
- Eu não sei, ela anda extremamente estressada e ninguém sabe o motivo, nós brigamos de novo - respirou fundo - Vou me desculpar com ela e dar o recado, se você a ver antes de mim, avisa – falou.
- Por que você ta me evitando? - fui direto como sempre era, e vi ficar sem jeito, era raro quando acontecia.
- Não estou te evitando - colocou uma mexa de cabelo para trás - Só... Eu tenho muita coisa para fazer, Louis. Eu to exausta - falou, e eu pude ver as olheiras enfeitando seus olhos, e o suspiro que ela deu deixava claro que estava esgotada.
- Tem certeza? Porque desde o beijo que você nem ameça minha vida, isso é estranho.
- Você sabe como meu pai é - suspirou e se sentou, batendo no chão para eu sentar ao seu lado - Eu tenho que ser a filha perfeita, desde que meu irmão saiu de casa toda a pressão é em cima de mim. Melhores modos, educação, melhores notas, melhor aluna, nem mesmo só da sala, da escola, da Inglaterra, do universo, sei lá. Ele vai me deixar louca. Ele quer que eu volte a ser representante de sala e eu odeio isso... Melhores roupas, melhor aparência, melhor tudo…
- , ele não podem exigir isso de você, ninguém é perfeito, isso não existe - falei, olhando para a garota.
- Eu não sei o que fazer - confessou, e seus olhos encheram de lágrimas, que ela logo tratou de expulsar - E aquela louca que me deu a luz não para de mandar mensagem, eu já bloqueei o número, mas ela conseguiu o novo
- Você contou para o seu pai?
- Não, ele vai querer matá-la se descobrir que ela ta me procurando - fungou, e encostou a cabeça na parede.
- Você teve mais crises? Depois daquele dia? - perguntei realmente preocupado, ela havia tido uma crise muito forte, não acontecia a muito tempo.
- Não, meu psiquiatra aumentou a dose do meu remédio. Até isso ela fez comigo, Louis. Como uma pessoa pode destruir outra de uma forma dessas? - me olhou em procura de explicações. Eu nunca entenderia como se sente confortável para desabafar comigo quando ela não me suporta, deve ser porque quando descobriu das crises que tem, os únicos capazes de acalmá-la, surpreendentemente, foram eu, Liam e .
- Você é mais forte que tudo isso e você sabe - olhei em seus olhos.
- Mas eu to cansada, Louis. Cansada de ter que ser forte, responsável e perfeita, cansada de ter tudo jogado sobre mim. Quando ela saiu de casa eu senti toda a pressão, mesmo que meu pai tentasse amenizar tudo, quando meu irmão saiu de casa, novamente veio tudo em cima de mim. Parece que eu tenho que ser tudo que aqueles dois não foram para que meu pai tenha algum tipo de satisfação - balançou a cabeça - Eu amo tanto meu pai, todos sabem disso, e eu sou tão grata por tudo que ele fez e faz por mim, só nós sabemos como foi difícil quando ela foi embora - suspirou - Mas, as vezes eu sinto que ser quem eu sou não é o suficiente pra ele - mordeu o lábio. Naquele momento eu vi uma diferente, ela estava frágil, queria que alguém tomasse conta dela, mesmo que nunca fosse confessar.
- Você sabe que isso não é verdade. Ele te pressiona porque acredita em você e não porque quer que você seja uma pessoa diferente, seu velho te ama do jeito que você é, nunca vi um cara ter mais orgulho da filha do que ele, e olha que você é bem chatinha com essa mania de ser centrada - falei, e recebi um leve tapa em resposta. - Mas você também precisa falar essas coisas para ele, . Não só pra mim, ou para o Liam. Você não pode ter medo do seu pai, se isso ta te prejudicando ele tem que entender.
- Eu não quero magoar ou decepcioná-lo - suspirou- E o Liam ainda não sabe... Que ela ta me procurando - falou baixinho - Só você sabe - desviou os olhos do meu, e eu sorri com aquilo. Era legal saber que mesmo com nossas brigas e diferenças ela ainda confiava.
- Você não vai decepcionar seu pai, e você tem que cuidar mais da sua saúde. Pelo amor de Deus, , até eu que sou eu, sei que toda essa pressão não faz bem pra você, ainda mais com todas as suas crises - falei, e vi a garota ficando desconfortável, odiava falar desse problema, por isso resolvi aliviar o clima pesado - Então nós temos um segredinho, uuuh? - arqueei a sobrancelha
- Não tem como manter uma conversa séria com você - revirou os olhos, mas sorria aliviada pela mudança de assunto, e se levantou - O que foi falado aqui fica aqui! - apontou para mim, e começou a correr para procurar .
- Não vou nem receber um beijo de boa sorte?
- O jogo é só mais tarde, não testa minha paciência - gritou, e eu fiquei ali rindo. Ela é totalmente confusa de entender, uma hora me ignora completamente para logo depois me tratar como antes. Coitado do cara que um dia vai ter que lidar com , ela vai deixá-lo completamente maluco.

Zayn
- No flex zone - falava, jogada na minha cama, logo em seguida se levantou - Era a coreografia, mas Britt deu uma de louca falando que era música de marginal, aquela preconceituosa nojenta, já não bastava ela vir falar pra eu voltar pro meu país, eu te contei né? Que eu quase a fiz engolir minha cidadania britânica? - bufou irritada - Eu to pensando seriamente em deixar o time de dança e ficar só na torcida, eu só entrei naquela coisa pra fazer uma favor para a professora porque faltavam dançarinas, mas eu não aguento mais aquela garota, você sabe como eu sou pacífica, mas ela faz nascer uma vontade assassina dentro de mim. Cabrona, hija de puta, quiero matar a ese asqueroso - começou a tagarelar como sempre, e xingar em espanhol, apesar de ser extremamente sexy, eu não entendi absolutamente nada, então fiquei quieto vendo a menina se movendo de um lado para outro do meu quarto tentando abrir um buraco no chão, apenas observando o movimento de seu quadril e a forma que ela enrolava a língua para falar. Era sexy - Você nem ta me ouvindo - recebi um tapa no peito.
- Você começou a falar que nem a latina descontrolada que você é, impossível acompanhar, não tenho culpa - falei, e recebi outros tapas ardidos no peito, segurei nos pulsos de e a puxei para cima de mim, fazendo a menina parar de tentar me bater e começar a rir - Relaxa linda, você nunca se estressa assim, que isso? A Britt só quer te irritar mesmo, ela quer afetar a de todas as formas possíveis e começar a afetar as amigas dela é o começo.
- E como você sabe disso? - ela perguntou daquela forma inocente que só tem, ainda estava deitada em cima de mim, mas agora se apoiando no meu peito.
- Você que diz que eu sou observador - dei de ombros, ouvindo sua risada. Ela rolou para o lado, deitando e se virando para me olhar.
- Zayn, as meninas do time tão fazendo uma aposta com seu nome no meio - falou, e eu arqueei a sobrancelha - Tipo aquela coisa ridícula que os meninos fazem: “eu fico com ela antes que você” - revirou os olhos, e eu abaixei a cabeça sabendo que já tinham feito essa aposta com ela, eu sabia e não falei nada, ela me ignorou por uns 3 meses, foi a primeira vez que vimos realmente brava.
- Desculpa de novo por não ter te contado, na época você sabe que a gente não se dava muito bem e…
- Já passou - deu de ombros, mas eu sabia que aquilo ainda a magoava.
-
- Não, Malik, nem começa - falou, desviando os olhos dos meus, usou o sobrenome, a coisa tava feia para mim.
- Eu quero saber como você ta, só isso. Você se esconde atrás dessa imagem de bom humor infinito, eu sei que você é uma pessoa alegre, mas ninguém é feliz o tempo inteiro, eu sei que aquela aposta que fizeram ainda mexe com você - tentei ser cuidadoso ao falar, apesar de ser uma pessoa fácil de lidar, ela era imprevisível e estourava sem que ninguém esperasse.
- Lógico que mexe caralho! - ok, ela começou a xingar, não é um bom sinal - Só porque eu não tenho o corpo como o das americanas e das britânicas eles ficavam me zoando, é, tá, eu sei que meu quadril é largo, minha coxa grossa, minha bunda grande, adivinha só, eu sou latina, inferno! - passou a mão pelo cabelo, e eu me controlei para não falar que era realmente grande, mas que não era uma coisa ruim, era ótimo na verdade! - Eu nunca consegui me aceitar e nenhuma dessas pessoas ajudaram em nada, eles só pioravam minha situação.
- Mas você é linda, - falei, mas ela revirou os olhos decidindo ignorar, nunca aceitava elogios, era sempre assim.
- Eles me chamavam de tantos nomes, por ser Latina, por ser diferente, era horrível, Zayn. Desde que nós viemos para cá era assim, eu sempre fui a garota com o corpo diferente e sempre achei que tinha alguma coisa errada comigo pelas piadinhas que as crianças faziam, crescendo só piorava e eu não entendia qual era o problema comigo, mas não tem forma errada de ter um corpo, não tem forma errada de ser mulher, o problema era eles e não eu. E ai uma imbecil qualquer conta pro garoto que você curte que você tem uma quedinha por ele e os babacas do time de basquete resolvem fazer uma aposta comigo no meio - abaixou a cabeça e respirou fundo - Eles falaram que o Robert tinha que ser muito corajoso pra ficar comigo, sabe como eu me senti quando descobri isso? - sua voz saiu fraca.
- Eu devia ter te contado quando descobri, não conversar direito com você não me dava o direito de esconder isso quando eu sabia que ia te machucar, me desculpa - pedi, passando meus braços por seu ombro e dando um beijo no topo de sua cabeça - E ele realmente teria que ser corajoso, você é mulher demais pra ele… Pra qualquer um - falei, ouvindo rir e balançar a cabeça. Ela passou por poucas e boas quando chegou aqui, além de certo preconceito por ser de fora e não ter a aparência considerada “perfeita”, mesmo que seja extremamente linda, as pessoas gostavam de pegar no seu pé, agora eu me identifico com ela. Talvez seja por isso que nos aproximamos. Minha cultura é diferente, minha religião também, as pessoas me infernizam por isso, o apelido de “homem bomba” e coisas do tipo me perseguia por aqui, entendia como é se sentir de fora, ela me entendia mesmo que nós nunca tenhamos parado para falar sobre isso, mas essa era uma das coisas que me fazia ter certa conexão e me sentir confortável perto dela, mesmo com toda diferença; ela totalmente doidinha e não para de falar um minuto, eu mais na minha, de canto.
- Enfim, não é pra você ficar com nenhuma delas - retomou o assunto, ignorando meu elogio mais uma vez, um dia eu faço essa garota entender que é linda do jeito que é, não importa o que tenha sido falado no passado ou a forma que ela se sente.
- Por quê? Eu que ia sair ganhando - falei, apenas para provocá-la.
- Porque eu não quero, porque você não vai, porque eu mando aqui, eu posso falar o dia inteiro como você mesmo sempre faz questão de jogar na minha cara. É eu falo muito e sei disso, ganho as pessoas pelo cansaço, posso começar fazer uma lista enorme aqui de motivos e...
- Ta, já entendi, você ta com ciúme - falei rindo.
- Exatamente eu to com cium... Não calma, que ciúme o que garoto, ta louco? - se sentou na cama, mas deixou as pernas em cima de mim. Olhei a coxa da garota e mordi o lábio, desde o começo das aulas que venho reparando mais na , no dia da cachoeira comentei que ela tinha ganhado peso, tava com um corpão, e eu falo sério quando digo que se ela não para eu não vou nem tentar me controlar. As vezes parece que ela provoca de propósito, mas a é tão desligada que é só o jeito mesmo, ela é tão inocente, mas também é naturalmente sexy, mesmo com toda sua hiperatividade e jeito doidinho.
- É ciúme sim, pode falar - dei de ombros.
- E eu pensei que eu que não falava nada com nada - revirou os olhos. Ri, puxando sua perna e a trazendo para mais perto. Desde a primeira vez que prometi as malditas massagens que ela vem aqui, eu havia prometido e não tinha problema nenhum em cobrar, e desde então que eu venho reprimindo a vontade de beijá-la, dizendo que é só coisa de momento, que eu e não temos nada a ver, somos completamente diferentes, mas quando estava perto dela era difícil lembrar dessas coisas, só conseguia pensar no desejo, mas eu sabia que era arredia quando se tratava dessas coisas, toda a experiência ruim que ela teve com garotos - principalmente a aposta - a deixou desconfiada e com pé atrás, eu tentava respeitar essa característica de sua personalidade, mas era difícil, muito difícil de tentar controlar.
- Pode confessar, fica só entre a gente - falei, segurando a risada, e passando meu dedo em sua perna descoberta, fazendo seus olhos irem até o local, e voltar para mim. No momento ela não era a menina, que vive rindo de tudo e falando besteira, era a mulher, mas que não fazia ideia do efeito que tinha nos homens simplesmente por ser insegura, e mesmo assim olhava de forma provocante, sem nem fazer esforço, era um lado da garota que quase nunca se mostrava, mas era incrível quando acontecia.
- E se eu tiver? - se ajoelhou na cama, e aproximou o rosto do meu. E lá estava a que me surpreende, como no dia da cachoeira. Eu lembro das palavras exatas “Você já devia ter percebido que muitas vezes quando eu quero alguma coisa, eu consigo” -Hein, Zayn? E se for ciúme mesmo? - perguntou novamente, percebendo que eu havia me perdido em pensamentos. Não respondi nada, mordi o lábio, vendo os olhos dela desceram, e depois voltar em meus olhos, aproximei nosso rosto mais ainda, sentindo a respiração de .
- , não brinca com fogo – sussurrei.
- Você me conhece e sabe que eu adoro uma aventura. Eu não ligaria em me queimar - respondeu, e aquilo foi o suficiente para eu tentasse terminar com a distância entre nós, mas ela resolveu me surpreender mais uma vez e virou o rosto, fazendo minha boca ir de encontro com seu pescoço, abaixei a cabeça rindo, e beijando o local de novo - Não é tão fácil assim, Malik! - piscou, e se levantou.
- Ta indo onde? - falei, jogando a cabeça para trás.
- Tem jogo daqui 3 horas, preciso fazer umas coisas antes - deu de ombros e saiu pelo corredor, minutos depois ouvi a voz de Niall pelo corredor e fui ver o que era - Não quero saber, você anda sumido e eu não aceito isso, você é meu melhor amigo ou só meu burro de carga?
- eu vou te derrubar nesse chão - Niall falou, ameaçando derrubar a garota, que estava em suas costas.
- Você não é nem louco, eu conto pra e ela acaba com sua vida em um piscar de olhos, agora anda logo que eu tenho coisas para fazer, lugares para ir e pessoas para...
- Pessoas pra conhecer coisa nenhuma, só tem coisas pra fazer mesmo, deixa de ser exagerada.
- Deixa de cortar minha vibe. Isso é falta de sexo - falou do jeito espontâneo que só ela tinha, e eu ri encostado na porta.
- Você nem sabe o que é isso, - Niall falou irritado, ele tratava a garota como uma irmã mais nova, era hilário ver essas cenas, quando ela mostrava que não era mais a criança que conhecemos, e ele ficava incomodado com isso.
- Você acha que eu e meu ex ficávamos fazendo o que no meu quarto? Tricotando? - revirou os olhos, e eu fiquei desconfortável ouvindo aquilo. O ex da garota era um cuzão, ninguém gostava de ouvir sobre ele, nem mesmo ela gostava de falar sobre o infeliz.
- Vou fingir que não ouvi - Niall balançou a cabeça, ainda com a expressão séria.
- Te vejo mais tarde, Zayn - piscou, e sorriu daquela forma inocente dela.
Essa garota vai me deixar louco.

Harry
Finalmente consegui sentar com a . Ela andava tão distante de mim, mas tão próxima do Liam, não que eu não quisesse os dois juntos, mas eu precisava saber o que estava acontecendo. Ela anda tão triste e isso não combina com a garota, por isso quando finalmente consegui achá-la sozinha nós fomos para o lago. Era meio que proibido porque 2 pessoas já morreram aqui, mas nós sempre vinhamos, não é como se o diretor mantivesse guardas e essas caralhadas para observar o local, acho que ele até esperava que mais alunos se afogassem para falar a verdade, aquele homem odeia algumas pessoas daqui e deixa isso bem claro.
- Não sei se consigo fazer isso - finalmente falou, depois de ficar calada por minutos, e eu apenas esperando que ela começasse a falar. Era sempre assim, eu dava seu tempo, respeitava seu silêncio e logo ela começava a despejar tudo.
- Isso o que? - olhei de canto de olho, ela permanecia olhando o lago.
- Ficar com uma pessoa só - falou, e então começou a rir, me fazendo rir junto - É sério, ter que reprimir esse meu lado ta me deixando bem confusa.
- Ta me zoando que sua crise de identidade ta sendo por esse motivo? Eu tava super preocupado e você ai com viadagem - baguncei seu cabelo, e ela me empurrou rindo. Era um alívio saber que sua falta de animação não era causada pelo pai que sumiu no mundo.
- É sério. Eu to afim desse cara, e ele é legal sabe? Ele merece uma pessoa descente, e eu não sou uma pessoa descente - deu de ombros me olhando.
- , que porra você ta falando? Como não é uma pessoa descente? - franzi o cenho.
- Eu não ligo que digam que eu sou uma vadia só por ficar com vários meninos, é minha vida e eu sou solteira, então tanto faz sabe? Fico mesmo, se to com vontade transo mesmo, essa sou eu, mas... Ele não merece, as pessoas vão falar, vão debochar “Você é namorado da vadia do internato? Já vai aumentando o batente da porta pros chifres passar” - fez careta, e eu comecei a rir demais daquilo, me deu um tapa para que eu parasse.
- Desde quando você liga para o que os outros falam? Tirando aquele dia do babaca do Derek, eu nunca te vi preocupada com isso.
- Aí que ta, eu não ligo quando é comigo, mas eu não quero que fiquem infernizando o coitado por minha causa - seus ombros caíram em total desanimo.
- , seu lema não é “foda-se”? Eu te zoava demais porque não era nada profundo e você resolveu que esse ia ser seu lema na primeira vez que ficou bêbada, mas com você eu aprendi que não importa o que as pessoas falam contanto que você esteja fazendo o que gosta, o que te deixa confortável. E se esse carinha quer ficar com você é porque ele te conhece e sabe o que as pessoas falam, e mesmo com todos os rumores que inventam e toda merda que falam, ele conhece quem você é de verdade, a garota incrível que você é. Essa não é e nem pode ser uma escolha sua, você tem que deixar que ele diga se quer ficar mesmo com você ou não, e se o Liam não quiser ele vai ser um grande otário.
- Quem falou em Liam garoto, ta chapado? - falou, fazendo careta.
- Eu não sou tão desligado que nem você e todo mundo pensa princesa, me conta como vocês se aproximaram.
- Lembra do Derek? - perguntou, sem nem fazer esforço para negar, e eu apenas assenti - Ele tentou me agarrar outro dia depois da aula, eu não te contei porque você ia querer matar o cara e eu não te quero metido em confusões, nem adianta me olhar assim - apontou para mim vendo que já estava com o punho fechado, e me olhou novamente - Liam me ajudou, a gente se aproximou desde e então e o resto você sabe.
- Não me pede pra não olhar assim, o Derek não sabe tratar uma mulher e eu ainda quero muito quebrar os dentes dele pelo que ele falou na festa, e agora isso? - bufei, mas vendo que não queria falar sobre o assunto resolvi parar de reclamar, depois eu voltaria nisso - Nossa e você é tão romântica contando como vocês se apaixonaram – falei.
- Eu não to apaixonada, deixa de ser exagerado.
- Mas vai se apaixonar, eu te conheço e conheço meu amigo. Anota o que eu to falando - continuei, mas logo fiquei quieto quando ouvi uma movimentação atrás de nós. apareceu ali, seu rosto estava vermelho, ela parecia irritada e se levantou para ver se estava tudo bem.
- Não sabia que vocês estavam ai - apontou com a cabeça.
- Pode ficar, eu to indo procurar o Liam! - deu de ombros e piscou para mim - Ta tudo bem? - perguntou, e ela apenas negou - Não quer falar agora né? - negou novamente - Ok, mais tarde eu passo no seu quarto, fica bem! - abraçou rapidamente, e saiu correndo.
hesitou antes de se sentar ao meu lado, e ficou em silêncio por pelo menos 10 minutos. O silêncio nunca me incomodou, normalmente é confortável com as pessoas que você está acostumado e tem intimidade, mas o dela me incomoda porque eu sei que ela não vai ser a primeira a quebrar o silêncio e puxar assunto, diferente de , vai simplesmente ficar sentada ali ignorando totalmente sua existência, perdida no próprio mundo, e com a raiva que ela parece estar qualquer assunto que for puxado vai ser respondido com uma patada. Eu apenas a observava tentando ler a garota, os olhos dela brilhavam mais que o normal enquanto olhava o lago, e vez ou outra mordia o lábio.
- Ainda ta de pé o que eu falei antes, sabe? Sobre eu ser um bom ouvinte - comentei, ela precisava entender que eu não sou esse cafajeste que todos tentam me fazer parecer, mas ela parecia preferir acreditar nos outros do que em mim, só não entendia o motivo.
- Ainda acho que você só sabe levar mulheres para cama - a primeira patada veio.
- Até hoje não tentei te levar - arquei a sobrancelha ignorando a ignorância, e ela apenas riu pelo nariz.
- Porque eu nunca te dei abertura pra isso - a segunda resposta veio seca, me olhou rapidamente, antes de voltar a atenção para o lago - Não é estranho pensar que duas pessoas morreram aqui - virou a cabeça - Provavelmente elas estão melhores que eu – bufou.
- Você ta me assustando - brinquei, fazendo rir - Seu tio foi solto né?
- Infelizmente - falou, xingando baixo logo em seguida - Finge que não ouviu.
- , bota pra fora - ela me olhou confusa - Você quase matou as meninas da torcida semana passada, jogou um caderno na cabeça do Louis, mandou o Zayn ir para puta que pariu e olha que ele é seu amigo, você e a brigaram de novo. Eu sei que você tem o gênio forte, mas isso é…
- Se mete na sua vida, Styles. Não é só porque você é gostosinho e consegue tudo que quer que eu tenho que me abrir toda para você, entende que eu não quero e não vou te contar os meus problemas, foda-se que eu to dando uma de louca esses dias, isso é problema meu e você não tem absolutamente nada a ver com isso, desiste de tentar me entender. Eu sei que você é todo Zen, acredita no melhor das pessoas, acredita na paz mundial e essas idiotices todas, mas adivinha só? O mundo não é assim, as pessoas são completamente fodidas, e não contente com isso elas fodem os outros e…
- Cala a boca! - falei calmamente sem alterar a voz, e arregalou os olhos. Eu sempre fui educado, principalmente com as meninas, mas a única forma de ficar quieta era assim, então assim será - Eu não vou ficar aqui ouvindo você me ofender quando eu só quero te ajudar. É , eu te acho uma puta de uma gostosa, e sim eu ficaria com você no momento que você deixassem de ser tão fechada e não só pela sua aparência, mas porque mesmo sendo uma louca estressada você é uma garota legal. Mas não, os motivos de querer te ajudar não é porque eu quero te levar pra cama, se bem que não seria nada mal - me perdi um pouco no pensamento, e quando vi o olhar matador que ela me lançou balancei a cabeça. Péssimo momento para brincadeiras! - Ta, deleta a última parte. Eu só ajudo porque nós somos amigos, eu te conheço a anos e eu não suporto ver as pessoas pra baixo, eu faria o mesmo pela , , e até pela que nós conhecemos só tem 1 mês, para de achar que todo mundo só quer sexo com você…
- Meu tio tentou me estuprar, Harry. - As vezes as pessoas só querem o seu bem mesmo, só que você não deixa ninguém se aproximar e... O seu tio o que? - parei de falar na mesma hora, e quando olhei em seus olhos, eles estavam cheios de lágrimas.
- Por isso ele foi preso - abaixou a cabeça, e deixou as lágrimas rolarem. Minha única ação foi me aproximar da garota e deitar sua cabeça no meu peito, deixando suas lágrimas molharem minha camisa enquanto ela colocava tudo para fora - Não te quero me olhando com pena, por isso não contei para ninguém ainda.
- Não, eu não tenho pena, tenho raiva - falei, e ela levantou o rosto para me olhar.
- Começou quando…
- Não precisa contar, , agora eu entendo sua relutância, não quero te fazer relembrar o que aconteceu - acariciei seu cabelo, mas ela balançou a cabeça e se sentou com a postura ereta, virada totalmente para mim.
- Quando eu tinha uns 11anos, ele ia entrar no meu quarto e me acariciar, eu ficava tão assustada - começou a brincar com os dedos - Eu não queria contar para os meus pais, ele ameaçava sabe? E falava que meus pais iam me odiar e me mandar embora, eu só era uma criança, claro que eu acreditava! - suspirou, limpou as lágrimas e me olhou - Quando eu tinha 12 ele tentou me beijar, mas eu mordi a língua dele e sai correndo para onde a governanta da casa estava, ela me viu assustada, mas eu falei que era medo de palhaço, você sabe que eu sempre tive - deu de ombros - Com 13 eu comecei evitar nossa casa, principalmente quando ele tava lá, mas os abusos continuavam, era por cima da roupa, mas era nojento. Conforme eu fui ficando mais no internato pensei que eu tava livre daquele nojento, mas nessas férias quando voltei pra casa ele tava lá... - botou a mão na boca deixando as lágrimas rolarem - Ele falava tantas coisas asquerosas, me chamava de nomes, rasgou minha roupa e ele… Ele enfiou os dedos dele em mim Harry, ele não tinha dó, doía, eu tentava gritar, mas ele tampava minha boca, dizia que eu merecia aquilo. Quando eu finalmente comecei gritar alguém deve ter ouvido, ele foi descuidado, não sabia que tinha gente em casa, ele tava quase - engoliu em seco - Já tava sem a roupa, eu não tinha nem força pra chorar mais, eu só queria que aquilo acabasse logo, mas ai meu pai entrou no quarto - ela respirou, como se lembrasse do alívio de ver o pai - Quase matou ele de porrada enquanto eu chorava abraçada na minha mãe. Fomos no médico, fiz os exames e ele foi preso.
- , vem cá - a abracei, sentindo a garota deitar a cabeça no meu ombro - Eu nem imagino o horror que você passou, e muito menos a forma que você ta se sentindo, mas ele nunca mais vai te machucar, seus pais não vão deixar que esse cara chegue perto de você, e nem eu - falei, fazendo carinho na sua cabeça.
- Harry, você não pode fazer nada quanto a isso - ela riu baixinho.
- Como não? Nós moramos perto, eu vou ser seu novo segurança.
- Deixa de ser idiota - fungou, e me olhou - Eu me afastei de todo mundo, comecei fazer terapia, eu me sentia nojenta. Por tanto tempo eu achava que era minha culpa, eu nem sei porque, só sei que ele me fazia sentir culpada e eu acreditava.
- Ta tudo bem agora, ele não pode mais te atingir - fiz carinho em seu rosto, vendo a garota fechar os olhos.
- Não ta tudo bem! Eu acordo no meio da noite tendo pesadelos com ele, não consigo me relacionar com ninguém, tenho medo quando vejo algum cara me olhando por muito tempo, minha raiva e estresse aumentaram, to com insônia…
- Por isso você evita contato?
- Eu não me sinto confortável - deu de ombros - Só com Zayn, e ele é o único que sabe disso - suspirou - Eu só queria deixar isso pra trás e viver normalmente sabe? Sem medos, receios, sem ficar sempre com pé atrás…
- Deixa a gente te ajudar - segurei sua mão, fazendo carinho com o polegar, vendo a garota analisar nossas mãos.
- Eu… Olha, eu vou tentar. Eu to bem melhor do que quando aconteceu, as terapias tem ajudado demais, mas eu ainda não to 100%, Harry, nem sei se um dia vou ficar.
- Ei, confia em mim - sorri, tentando passar segurança, elas apenas balançou a cabeça.
- Mas isso fica entre nós dois e o Zayn, quando eu me sentir pronta eu conto para o pessoal! - ela falou, apertando minha mão um pouco mais forte - E nem fica com complexo de herói porque essa história de que se um carinha bonitinho falar um “fica bem” todos seus problemas vão se resolver é mentira, isso só acontece nos filmes e livros, na vida real não é assim - falou da forma de ser.
- Eu não vou ser seu herói, , não sozinho. Você tem muitos amigos… Não, família, nós somos uma família, e nós vamos te ajudar - falei da forma mais firme que consegui - Você é uma guerreira - a abracei, sendo abraçado de volta por ela pela primeira vez.

Liam
- Não, não é assim - ri, vendo a garota toda confusa - Primeiro você tem que separar os pés na mesma distância dos ombros - falei, vendo arrumar a postura e me olhar, balançando a cabeça para que eu continuasse - Você é destra né? - perguntei e ela assentiu - Ta, então…
- Liam isso ta muito chato, não to aprendendo nada importante - fez careta, o que me fez rir de sua impaciência.
- Você que pensa, linda. A postura é importante porque isso que determina sua vantagem, isso que vai permitir que você dê bons socos e desvie de golpes, sem falar que te mantém firme no chão - expliquei, vendo ela apenas concordando - Seu pé esquerdo vem pra frente - bati na sua perna, enquanto ela seguia o que eu falava - Isso, tem que ta virado em 45 graus pro oponente.
- Liam, você acha mesmo que se eu tiver que me defender eu vou parar pra contar em quantos graus eu to virada pro maldito? - , colocou as mãos na cintura.
- Se eu vou te ensinar tem que ser direito, agora para de reclamar e continua - bati na sua perna novamente, para ela voltar com a postura.
- Você é muito mandão - revirou os olhos.
- No momento eu que mando mesmo - dei de ombros, e ela riu - Agora, seu calcanhar esquerdo tem que ta alinhado com seu dedão direito, isso eu te mostrei como é - parei na sua frente, vendo a garota fazendo direitinho - Boa garota!
- Eu não sou um cachorro, garoto - me deu um soco com a luva, me fazendo rir.
- Seu peso vai no pé de trás, cotovelos juntos e mãos erguidas, esquerda abaixo da bochecha, direita debaixo do queixo, deixa o queixo abaixado o tempo todo - falei rapidamente, vendo a garota ficar confusa.
- Você fala rápido demais, na verdade faz tudo rápido demais, é sempre assim? - perguntou com um sorriso sugestivo, enquanto eu andava por trás dela vendo sua posição.
- É, sou rápido na maioria das coisas - falei em seu ouvido, vendo-a arrepiar - Calcanhar do pé de trás levantado, isso te dá mobilidade, deixa os joelhos flexionados, vai te dar mais força e equilíbrio, quadril relaxado e pesado - falei, colocando a mão no quadril da garota, e ela não ficou tensa em momento nenhum, o que eu devia imaginar, já que não se intimada com homem nenhum, mas eu percebi a forma que ela moveu os ombros enquanto minha mãe esquerda permanecia em seu quadril - Ombro relaxado - coloquei a mão direita no ombro dela, apertando levemente.
- E mais o que? – sussurrou.
- Seu ombro tem que ta na direção do oponente, e não muito aberto pra não deixar o estômago exposto - tirei a mão do seu ombro, a colocando em cima de sua barriga.
- Esse assédio faz parte da aula? - falou sendo a cara de pau que sempre foi, o que era diferente para mim, estava acostumado com as meninas sempre esperando o cara mostrar interesse, dar o primeiro passo, mas não escondia o interesse, ela deixava explícito e ainda brincava com as indiretas que dava. Abaixou a cabeça, e eu podia praticamente ver o sorriso em seu rosto.
- Faz parte do que eu quero fazer com você já faz um tempo, mas você sempre recua - falei, a apertando contra meu peito, ouvindo a garota respirar fundo.
- Já te falei que não quero que você seja só mais um - murmurou, e eu ri vendo os papéis trocados, normalmente a garota que tem medo de ser mais uma, nesse caso ela estava mostrando que isso não tem nada a ver, que mulheres podem se divertir tanto quanto homens e ser sinceras sobre isso sem medo de ser julgadas, era uma pessoa corajosa se for parar para pensar em toda babaquice que rola hoje em dia sobre mulheres tendo que ser submissas e puritanas, ela gritava um grande foda-se para isso tudo e fazia o que queria, e isso me encantava demais.
- Nós dois sabemos que eu não sou só mais um só pelo fato de você pensar em mim assim - falei em seu ouvido, beijando seu pescoço logo em seguida, eu precisava tê-la - Qual o seu medo? - mordi o lóbulo de sua orelha, vendo seu corpo arrepiar.
- Eu não tenho medo - se virou, meio desajeitada tirou as luvas, e colocou as mãos em volta de meu pescoço, enquanto as minhas foram novamente para seu quadril - Meu melhor amigo é um cara esperto e me disse umas coisas hoje.
- É? - mordi o lábio - E o que o grande Harry tinha pra dizer.
- Que eu que devo deixar você escolher se quer ser zoado pelas pessoas por ficar comigo ou não - olhou nos meus olhos, seus lábios estampados com um leve sorriso.
- As pessoas sentiriam inveja de me ver com você - abaixei a cabeça, subindo uma mão para seu pescoço.
- Nós dois sabemos que não vai ser assim - suas unhas arranhavam minha nuca levemente.
- Eu sei o que eu quero, , e ninguém tem nada a ver com isso.
- E o que você quer? - arqueou a sobrancelha. era muito segura de si, isso era mais uma das coisas que me atraia nela, a forma que não se abalava facilmente e não deixava pessoa nenhuma intimidá-la, foi a primeira coisa que chamou atenção quando nos conhecemos.
- Você! - falei, e não dei nem tempo de ver sua reação, pois com a mão que estava em sua nuca eu trouxe seu rosto para perto do meu. Sua boca era macia, e ela que teve a iniciativa de aprofundar o beijo, nossas bocas se moviam em sincronia, e sentir sua língua na minha me fez arrepiar, fazia tempo que eu queria saber qual era a sensação de beijá-la, e ela sabia exatamente o que fazer. Suas mãos não se decidiam se ficavam em meu peito, ombros ou nuca, e as minhas estavam no mesmo dilema entre sua cintura, bunda, e nuca. Ela mordeu meu lábio e logo voltou a me beijar, ela estava em total controle, e isso era novidade para mim, por isso fui empurrando seu corpo para a parede, e prendendo suas duas mãos em cima de sua cabeça, enquanto beijava seu pescoço, dando mordidas, passando a língua pelo local, e soprando.
- Payne, se isso deixar marca eu juro que uso tudo que você me ensinar sobre boxe contra você - resmungou, tentando se soltar.
- Eu adoraria te ver tentando! - ri contra seu pescoço, e a beijei novamente, dessa vez com mais calma.
- Nossa, se eu soubesse que treinos de boxe eram assim eu tinha tentado antes - ouvimos uma voz, e uma risada e demos de cara com e Louis - Você consegue distinguir onde o corpo de um acaba, e do outro começa, Louis? - perguntou, se virando para o garoto que nos olhava com um sorriso malicioso.
- Algum lugar entre as mãos do Payne na bunda da , e das mãos dela no...
- Ta bom, nós entendemos, vocês dois são insuportáveis e foi uma péssima escolha deixar que vocês se aproximassem - bufei irritado com os dois, enquanto ria e arrumava a blusa.
- Sério, pior aquisição desse ano, aceitar a no grupo fodeu tudo porque ela e o Louis só infernizam - brincou, recebendo um dedo do meio dos dois.
- Em minha defesa, ta louca atrás da , e de todas nós na verdade, o jogo dos meninos é em uma hora, e…
- Vocês deviam nos agradecer por ter entrado aqui antes de vocês fazer um filho - Louis completou a frase da amiga, e os dois fizeram um toque. Eles pareciam gêmeos, era assustador.
- Melhor eu ir, quando a fica brava ela parece a , e isso dá medo - falou, e me deu um selinho
- Isso lá é beijo, , volta aqui! - a puxei pela mão, dando um beijo de verdade.
- Se eu quiser assistir pornô eu uso a conta da net do Niall, já pode parar - Louis bateu palmas, me fazendo revirar os olhos e mostrar o dedo do meio, sem cortar o beijo.
- Ele assinou os canais? - perguntou.
- Assinou! - Louis riu.
- Mal posso esperar para usar isso contra ele - falou rindo.
- Foi ótimo você ter aparecido - Louis riu - Agora você vai parar de tentar procriar que eu preciso de apoio moral, daqui uma hora to em campo.
- E você vai parar de encher o saco, e vem comigo - puxou pela mão, e as duas saíram correndo em direção ao dormitório ver o que queria.
- Liam, desarma a barraca - Louis falou, balancei a cabeça e joguei a luva de boxe nele.

Niall
- Louis se eu aquecer mais um pouco na hora do jogo eu vou abraçar o chão - falei, tentando fazer meu amigo perceber seu exagero.
- Eu odeio os caras da outra escola, se a gente não ganhar eu vou matar todo mundo desse time - Louis falava, ainda aquecendo. A arquibancada estava uma zona, o nosso lado fazia mais festa que o do time adversário, mas o fato de jogar em casa ajudava. e estavam ali com as torcedoras, sorria indo de um grupinho até outro, conversando com todo mundo, enquanto permanecia no canto do campo de braços cruzados apenas observando tudo, vez ou outra ela e Harry sorriam um para o outro; lembrar de perguntar em que mundo paralelo viemos parar. estava sentada no meio de Harry e Liam, com a maior cara de tédio do mundo, enquanto os dois se debruçavam nela para falar sobre qualquer coisa que eu não estava interessado, e Zayn olhava seu celular sem dar muita atenção para uma garota do seu lado tentando chamar sua atenção.
- Vamos pro vestiário cara, dá uma relaxada - falei, andando ao lado de Louis.
- Só vou relaxar quando acabar com eles - olhou para Scott, capitão do time adversário e ex namorado de . Ao chegar ao vestiário, e estavam na porta conversando e rindo.
- Não, mas o loirinho alto era muito gato, dei meu número pra ele - falou, piscando para .
- Confraternizando com o inimigo? - cruzei os braços, encarando as duas.
- A gente ta em zona de guerra e esqueceram de me avisar? É só um jogo, deixem de exagero - revirou os olhos.
- Louis, sua amiga acabou de dizer que é só um jogo - olhei para ele, que bufou mostrando que estava ofendido com a fala da garota, um jogo de futebol nunca era apenas um jogo de futebol para ele.
- Não é só um jogo, é um jogo com o nosso pior adversário, eu não te ensinei nada nesse tempo que te conheço?
- Me ensinou que você consegue ser bem dramático quando quer, e que o Niall assinou o pacote de pornô - olhou para mim com um sorriso contido. Eu devia saber que essa amizade dos dois seria péssima para todos nós, eles dois infernizam noite e dia, é realmente engraçado quando eles se juntam, só não é engraçado quando você é o alvo.
- Caralho Louis, precisa sair espalhando, ô boçal? Você é um viado mesmo - dei um tapa na cabeça dele.
- Sai porra, ninguém mandou ser um pervertido, punheteiro do caralho - Louis se desviava dos meus socos enquanto as duas riam.
- Olha o linguajar - fez careta - Chega de putaria, nós só viemos desejar boa sorte - falou, separando nós dois.
- Olha o linguajar - Louis imitou a menina, como a grande criança que era - Veio dar meu beijo? - Louis perguntou, arqueando a sobrancelha mordendo o lábio, pensando que estava sendo sexy.
- Doce ilusão a sua - jogou o cabelo ruivo para trás e saiu andando.
- Ela consegue fazer uma saída mais dramática que o drama do Louis - falou.
- Imagina eles dois juntos, ia ser novela mexicana o dia inteiro - comentei, encostando meu ombro no dela.
- Eu ainda to aqui - Louis comentou.
- Ninguém se importa - respondi, levando um soco no peito em resposta - Filho da puta, eu tenho um jogo pra ganhar, para de agredir.
- Para de ser um animal! - deu de ombros - To entrando pra falar com os outros viadinhos do time, quero você lá dentro em 5 minutos -se não eu volto aqui e te levo na porrada - apontou para mim - Quero você gritando que eu sou gostoso o mais alto que conseguir - apontou para - E quero você queimando o número do tal loiro alto se não eu queimo por você - nem esperou uma resposta e entrou no vestiário.
- Loiro alto gato, né? - arqueei a sobrancelha.
- Nós temos que aproveitar todas as oportunidades que a vida dá - balançou as mãos e olhou o horizonte, como se estivesse filosofando.
- Você já tem um loiro alto gato aqui - apontei para mim.
- Você é tingido - mexeu no meu cabelo.
- Sem preconceitos, por favor - bati em sua mão, vendo rir - Quando as meninas do vôlei jogam?
- Semana que vem, to meio que com medo.
- Sempre dá aquele frio na barriga, mas é legal sabe? Toda essa atmosfera animada, até os confrontos e tal.
- É, uma vibe diferente do que to acostumada, mas...
- “Uma vibe diferente”. E lá vai seu lado surfista mostrando - provoquei, a vendo sorrir.
- Sinto falta do mar - fez bico.
- Sinto falta de te ver de biquine e olha que isso nunca aconteceu - eu sempre fazia esse tipo de brincadeira porque sabia que ela não se importava e não ia querer me matar. sempre me dava os tapas ardidos, ignorava totalmente, e só faltavam enfiar facas em mim em certos momentos, o legal de era que ela levava tudo na esportiva, não que as outras meninas não fizessem isso, mas elas ainda ficavam meio irritadas as vezes. era diferente, ela não se importava nem um pouco, então você podia zoar o quanto fosse que ela ia entender que era apenas uma brincadeira e ia entrar na onda. Eu já falei que se alguma das minhas brincadeiras a deixar desconfortável é pra ela me avisar que eu paro, até hoje ela não reclamou de nada. é uma garota legal, foi bom das meninas terem a acolhido quando chegou aqui.
- Você ta muito abusado garoto, vai entrando que você tem um jogo pra ganhar! - riu, me deu um beijo no rosto e saiu pelo mesmo caminho que havia feito antes. Quando entrei no vestiário Louis falava de forma calma com a treinadora- sim, no feminino, nosso time era treinado por uma mulher que tinha pulso firme e fazia muito marmanjo chorar - do seu lado o apoiando, era seu discurso de sempre sobre dar seu melhor não importa o placar, jogar sempre como se fosse o último jogo; morrer sem desistir ou algo do tipo - eu achava exagerado, mas é sobre o Louis que estamos falando. Os animais começaram a gritar, fazer zona, bater nos armários enquanto Louis sorria com a animação, era disso que a gente precisava antes de qualquer jogo.
Entramos, no cara ou coroa ficamos com a bola, e o juiz apitou. Naquele momento a adrenalina tomava conta do corpo conforme corria, driblava, passava e chutava, ouvia Louis gritando para passar, via os caras se enfrentando e ouvia a torcida toda gritando, cantando, as meninas animando, e nossos amigos de pé no banco da arquibancada atrapalhando quem estava atrás e mostrando o dedo para quem reclamava, quem mais dava para ver era e , as duas gritavam, pulavam, dançavam e riam, era contagioso. Enquanto e animavam do lado o campo com as animadores, e parecia estar com menos tédio pulando e bagunçando com Harry. O placar estava apertado, 1x1, o outro time era bom, não dava para negar, mas a briga de Louis com Scott era chata, os dois ficavam se trombando, e apesar de Louis manter a concentração, o outro cara era um pé no saco que ficava provocando, uma pessoa só aguenta até certo ponto antes de perder a cabeça, e eu estava vendo a hora de Louis surtar e mandar o cara direto pro inferno com passagem só de ida.
- Cara, fica calmo e não faz besteira, sério - falei, batendo em seu ombro quando o primeiro tempo terminou.
- Ele fica na dele e eu na minha, se o otário continuar provocando eu não vou ver problema nenhum em quebrar aquele nariz dele - falou, e correu para tomar água. Me sentei no banco com os caras e vi me mandando um beijo, pra zoar fingi que peguei no ar e guardei no coração, mandei outro fingindo que havia mandado em uma flecha, a garota fingiu que pegou, e depois abriu a mão me mostrando o dedo do meio, ri balançando a cabeça.
- Ta de gracinha com a novata? - Britt apareceu do nada, parando na minha frente com a mão na cintura.
- Saiu do inferno? Pode voltar pra lá - respondi, sem encará-la.
- Sério, Niall? Você ainda me odeia?
- Por ter tentando me separar da ? Claro que não, achei ótimo, quer tentar estragar minha vida mais um pouquinho?
- Eu só tentei te mostrar que vocês não nasceram um para o outro - passou a unha comprida pelo meu braço.
- Aquilo não te dizia respeito, agora vaza daqui que eu tenho que me concentrar.
- Então eu tiro seu foco? - fez uma voz sedutora que funcionava com outros otários, mas não com esse.
- Não, você tira minha paciência, e isso é bem difícil de acontecer! - levantei, me afastando da garota. Quando eu ficava com , essa louca ainda era amiga das meninas, quer dizer, fingia ser, ela fez de tudo para que nós dois não déssemos certo, inclusive mentir dizendo que eu havia a beijado a força, não acreditou na época, mas para reforçar Britt fez uma ceninha e eu estava no lugar errado na hora errada - ou no lugar certo na hora certa se for o ponto de vista daquela psicopata, barbie do capeta - virou o bicho, só faltou arrancar minha cabeça e pendurar no pátio. Depois de um tempo, quando elas brigaram, Britt acabou deixando escapar que era uma vaca mal amada - com todo respeito às vacas -, se desculpou e nós percebemos que realmente não daríamos certo.
- É pra ir com tudo, eles estão jogando sujo, nós vamos jogar com talento, mas sem ser trouxas. Fiquem espertos - Louis falou antes de começar o segundo tempo. A marcação tava forte, principalmente em cima de Louis, o capitão do outro time sabia que ele tinha talento, depois de várias faltas e de um jogo sujo do cacete faltava pouco. Eu já estava pingando de suor e sentindo uma dor chata no joelho que eu não sentia já fazia um tempo, e ai tudo aconteceu rápido demais. Já estava no meio do campo driblando, fui passar para Julian quando vi um cavalo vindo na minha direção, a próxima coisa que eu sei é que to no chão abraçado no joelho sentindo uma dor filha da puta e ouvindo Louis gritando. Começou uma zona, os caras começaram se peitar, só vi o juiz tentando separar Louis de Scott, mas eu vi os dois trocando socos, e a maca vindo me buscar. Deitei a cabeça sentindo a dor ficar mais forte, ignorando a luta livre que acontecia no campo, e fui levado para a enfermaria, ótimo jeito de sair de campo. Fiquei ali por uns 10 minutos ouvindo o médico falando, o pessoal passou por aqui, mas como estavam fazendo muita zona foram mandados embora. Logo entrou sorrindo e se sentando na cama ao meu lado.
- Ta doendo muito? - perguntou, vendo o gelo no meu joelho.
- Não, e eu não to fazendo pose de macho alfa, não ta doendo absolutamente nada - falei, fazendo careta, ouvindo a garota rir.
- Eu te vinguei sabe? - quando ela viu meu olhar confuso continuou - Foi o loiro alto e gato que te machucou, quando ele veio falar comigo no fim do jogo eu meio que dei um tapa na cara dele e enfiei o papel com número na boca dele - falou dando de ombros.
- Você acaba com a minha masculinidade assim - coloquei a mão no peito.
- Agora é sério, o que o médico falou? - perguntou, sentando mais perto.
- Aê seu caralhudo, mesmo com você fora nós ganhamos e te vingamos, me dá um abraço aqui irmão - Louis entrou gritando, e me abraçou.
- Sai caraio, você ta todo soado e nojento - falei rindo - Ganhamos? - fiquei de pé - Você não foi expulso pela briga?
- CLARO QUE SIM, PORRA! - me abraçou novamente - Fui, mas mesmo assim ganhamos, sem o Scott no campo o time deles fica ridículo - Louis revirou os olhos, eu ia responder, mas logo senti uma mão puxando minha blusa.
- Você senta agora! - me fez sentar - E você deixar o garoto descansar, ele quase morreu no campo.
- Exagerada quase nada - assobiei, vendo Louis rir.
- Eu só vim te avisar, tenho que voltar antes que a Nina me veja e me arraste pela…
- Menino Louis, já falei pra deixar o garoto descansando, só a pode entrar porque ela é a única pessoa que age como um ser humano normal entre você e sabe se comportar em uma enfermaria, sai, sai, sai - Nina saiu puxando Louis pela orelha enquanto nós ríamos da cena.
- Então…
- Sabe o problema que eu tenho no joelho, né? Que minha patela desloca? - perguntei e ela apenas assentiu - Então, dessa vez não saiu, não rompeu nenhum ligamento, não teve nenhum osso quebrado, mas foi por pouco que não saiu, tenho que voltar a colocar gelo por 20 minutos.
- E?
- E ficar em repouso, não posso mais jogar - suspirei, futebol era algo que eu gostava e não poder mais fazer isso era horrível.
- Não tem o que fazer? - perguntou, fazendo carinho na minha mão.
- Fisioterapia pra fortalecer, e se não adiantar cirurgia, mas mesmo assim eu não vou poder voltar a jogar. É bem complicado, sempre que sai é uma dor insuportável, ai a perna imobilizada, fisioterapia, é um saco - bufei, jogando a cabeça para trás - Eu fui teimoso de tentar continuar jogando, é um saco saber que não posso mais, é tipo, minha forma de extravasar saber? Uma saída quando to irritado - passei a mão pelo cabelo, eu estava me sentindo completamente frustrado.
- Eu entendo, quando parei de surfar foi a pior época da minha vida - arrumou uma mexa de cabelo que caia - Mas você tem outra coisa além do futebol.
- Tenho? - perguntei, tentando ignorar aquela sensação ruim de saber que não poderia mais fazer uma das coisas que gostava - Você? - brinquei, vendo ela revirar os olhos rindo.
- Suas cantadas são péssimas - comentou - To falando de música! - abriu um sorriso enorme - Já te vi tocando violão e cantando, você tem talento - se balançou empolgada, me fazendo rir.
- É a única coisa que eu gosto mais que esportes - confessei - É, sua positividade e good vibes até que ajudam - fiz o sinal da paz com os dedos e levei um tapa no braço - Por favor, já to enfermo, não preciso da sua agressividade.
- Eu não sou good vibes, deixa de ser idiota - riu - Só to te mostrando que, as vezes a gente acha que ta sem saída, mas só estamos olhando pelo ângulo errado – explicou.
- Qual foi seu ângulo errado quando parou de surfar?
- Pensar que nunca mais ia ser feliz. Meu pai tinha acabado de morrer, a água era minha forma de sentir conectada com ele, ter isso tirado de mim foi como ter que enterrar ele de novo - manteve a expressão séria, e foi uma das únicas vezes que vi séria, fiz carinho na sua mão e a vi sorrindo fraquinho - Quando veio a notícia do internato eu senti tanta raiva da minha mãe, odiei a ideia, e ai pensei que nunca mais seria feliz trancada aqui e longe do mar, só que eu conheci todos vocês, clichê eu sei - revirou os olhos rindo - E to viva, descobri que sou uma boa jogadora de vôlei, descobri que eu tava errada e que, apesar de não estar surfando, eu tenho outras coisas que me fazem feliz.
- Quando nós começamos a ter conversas profundas assim? - perguntei, a fazendo rir.
- Deixa de ser ridículo - riu, falando das expressões que eu fazia - Vai pro seu dormitório hoje mesmo?
- Vou, só tenho que esperar o doutor voltar - fiz careta.
- Quer que eu espere?
- Não precisa, deve ta tendo uma comemoração na sala de convivência dos meninos - falei, bufando. Eu não perco uma festa, e to aqui deitado nessa cama com um saco de gelo no joelho sabendo que vou ter que sair do time, uma ótima noite.
- Nunca fui muito de festa, eu só vou pra sair do tédio mesmo. Chega mais pra lá, tem uns memes engraçados pra te mostrar - falou, se arrumando ao meu lado, enquanto a garota procurava as coisas no celular, eu a olhei sorrindo.
- Você sabe que não tem que fazer isso, certo? - chamei sua atenção, e ela me olhou. era uma boa amiga, sempre queria o melhor para todos, sempre tentava animar quem esta para baixo, pensava mais nos outros que nela mesma - o que as vezes é ruim pois ela se anula -, deixa seus sentimentos de lado para cuidar dos amigos e esquece que também precisa de cuidados, ela esconde o que sente, é meio parecido com , no caso de ela demonstra que algo não está bem com a irritação, já com é difícil dizer, ela esconde absolutamente tudo bem demais, ela sorri e brinca, e nós só vamos saber se algo não está bem dias depois. Ela é uma boa garota.
- Você acha que eu quero ficar dentro de uma sala com 274 garotos bêbados e soados gritando por causa de futebol? - perguntou, e voltou a atenção para o celular.
- E aquele lance de beijinho pra curar? – perguntei.
- Tava demorando pra começar com as piadinhas - revirou os olhos - Não sou tão clichê assim, Horan, pensei que você já me conhecesse. Agora olha isso - falou, me dando o celular enquanto eu ria de sua resposta. É, apesar de não ir na festa e estar com joelho fodido, eu estava em boa companhia.

Capítulo 12

A sexta-feira começou mais animada que o normal e o motivo era: festa. Eu estava correndo de um lado para o outro entregando trabalhos, exercícios, decidindo algumas coisas com o pessoal do jornal da escola, e negando com toda a força que eu tinha o convite para fazer parte da organização do baile de formatura, ainda estava tão longe e todo mundo estava no meu pé para ajudar, tudo enquanto ignorava as ligações e tentativas de aproximação da minha mãe, e escondia isso de meu pai; eu realmente não precisava de mais essa responsabilidade nas minhas costas. Enquanto eu me estressava, todo mundo estava empolgada com a primeira festa fora do internato; seria na casa de Michael, um garoto de outro internato. Eu andava em um nível de estresse tão grande que minhas crises começaram aparecer mesmo tomando os remédios, , que era nova no grupo e não estava acostumada, ficava assustada quando acontecia. era quem as meninas sempre chamava, e era sempre quem me ajudava, eu não queria Louis me ajudando novamente, todos nossos momentos calmos estavam começando me assustar; ele sempre me inferniza e do nada começa ser legal, vai ver o garoto está amadurecendo.
- Para um pouco, sério - falou, tirando aquele monte de papéis da minha mão e colocando em cima da mesa. Respirou fundo, colocou a mão no quadril e me olhou.
- Fala logo, eu preciso terminar isso aqui - falei, passando a mão na testa e apontando para os papéis em cima da mesa.
- Você vai terminar, mas não hoje! - sorriu, eu ia resmungar, mas ela fez sinal com a mão para que eu ficasse quieta - Eu não aguento mais te ver nesse nível de estresse e como sua amiga eu estou fazendo uma interferência - começou a pegar os papéis da cama, quando percebi o que ela estava fazendo me levantei para correr atrás dela, subiu na cama e colocou uma cadeira entre a gente para atrapalhar minha passagem - Eu juro que jogo pela janela se você der um passo na minha direção - falou, colocando as folhas para fora da janela.
- E eu juro que arranco fio por fio do seu cabelo com uma pinça - falei irritada, fechando as mãos - Eu preciso terminar isso pra quarta-feira, eu não ligo se você e os outros são irresponsáveis que deixam tudo pra última hora, eu não sou assim - minha voz começava a elevar, e eu sabia que não era por causa das folhas, também sabia, por isso não se abalou com meus gritos - DEVOLVE!
- O que ta acontecendo aqui? - a cabeça de Harry apareceu no quarto, já que ele parecia passar mais tempo aqui com do que no próprio dormitório. Louis apareceu logo em seguida e eu não me surpreendi uma vez que os dois não se largavam nunca - Dá pra ouvir os gritos lá da sala de convivência.
- Está acontecendo uma interferência. Harry segura ela no três, Louis você fecha a porta e se por algum motivo estranho da vida ela conseguir se soltar do Harry, não deixa ela passar por essa porta - falava rapidamente, enquanto eu a olhava confusa - Um... Dois... Segura ela, Styles - passou por mim correndo, ainda tentei ir atrás dela, mas Harry me segurou, senti meus pés saindo do chão e Louis fechou a porta. Olhei para os dois irritada, sabendo que esconderia minhas folhas, e me sentei na cama derrotada, já sentindo a falta de ar.
- , o que ta acontecendo? Fazia tempo que você não ficava assim! - Harry falou, se agachando na minha frente e segurando minhas mãos. Os olhos verdes e grandes dele me olhavam com atenção, e eu entendi porque nunca conseguia esconder nada do melhor amigo, parecia que os olhos dele viam sua alma, mas eu não me sentiria confortável para conversar.
- Não ta acontecendo nada! - cruzei os braços, na defensiva.
- Você é a única de todos nós que consegue lidar com pressão, então por que você ta assim agora? - Harry perguntou, ainda me olhando, dei de ombros sem saber o que falar.
- Harry, ela é o estresse em pessoa, não sei qual a surpresa - Louis abriu a boca com seu tom despreocupada, mas me olhava com atenção. Ele só queria desviar a atenção de Harry para que eu não ter que ficar mentindo.
- E você é um babaca que dá opiniões que ninguém quer! - respondi, apenas para Harry não achar estranho eu ter aceito o comentário de Louis assim, e também para descontar minha raiva em alguém.
- Vocês são insuportáveis com essas briguinhas - fez careta.
- O problema não é que nós somos insuportáveis, é que...
- A existência dele já é insuportável - Louis e eu falamos juntos, e Harry revirou os olhos. A porta se abriu, e uma sorridente sem as minhas folhas entrou no quarto me fazendo bufar. Eu sabia que era para o meu bem, mas eu precisava me distrair e por mais que trabalhos escolares sejam um saco, era minha forma de me distrair. Eu não tenho um hobbie como todas as meninas, não tenho talento nenhum, a única coisa que eu sei fazer é ser estudante, quer dizer, eu cantava e escrevia, mas fazia tantos anos que não tinha um tempo livre que eu não o fazia mais, e acho que nem sentia falta, ou não tinha tempo de sentir falta.
- A Lola disse que precisa te mostrar alguma coisa, e algo me diz que é dentro das calças dela - apareceu no quarto apontando para Harry - Você precisa parar de dar corda pra essas meninas, Styles, elas não merecem se iludir tanto com você - balançou a cabeça, realmente preocupada com as meninas.
- Eu só sou educado com elas! - deu de ombros, e ele realmente era educado com todas, não as tratava como qualquer uma, por isso elas ficavam sempre encantadas com o garoto.
- Sua educação um dia vai fazer uma delas aparecer grávidas, ou pior, apaixonadas - fez careta.
- Sério que pra você se apaixonar é pior do que engravidar? - Louis perguntou para ela, que deu de ombros. Harry deu um beijo em cada um de nós, inclusive Louis, e saiu para conversar com Lola.
- ...
- Não, essa tarde vai ser nossa, e você vai se distrair.
- Eu estava me distraindo - falei, derrotada.
- Fazendo trabalhos? - Louis fez careta, e eu dei de ombros - , você precisa contar logo pro seu pai...
- Ele sabe? - pareceu surpresa porque demorei para contar para ela, mas Louis já sabia. Eu apenas assenti - Eu concordo com ele, ficar guardando isso ta te fazendo mal, olha seu estado. Seu estresse não é por causa dos estudos, isso vai acabar com você - falou preocupada, e eu me soquei mentalmente, quase nunca se preocupava, mas quando acontecia ela ficava no seu pé, e eu não queria ninguém no meu pé.
- Olha, eu vou contar no momento certo - respirei fundo.
- Ok, e hoje nós vamos na festa - sorriu, batendo palmas.
- Não vou - neguei com a cabeça, eu realmente não queria ir. Queria ficar no meu quarto assistindo um filme, só isso, mas eles não me deixariam em paz e eu devia saber. Louis se sentou ao meu lado e segurou minha mão, fiz careta com aquilo, mas esperei para ver qual ia ser a da vez, riu vendo a cena, e arqueou a sobrancelha.
- Vai sim! - sorriu cheio de si - Nós somos 9, você uma, vai ser fácil demais te levar até lá.
- Vai ser fácil demais dar um chute nas suas...
- Opa linda, vamos com calma - se aproximou, abaixando na minha frente - Sabe por que você vai e não tem escolhas? - perguntou, e eu neguei com a cabeça, e então tudo aconteceu rápido demais pois eu estava prestando atenção no rosto, e não nas mãos de . Quando vi, minha mão e de Louis, que ainda estavam conectadas, agora estavam conectadas por tempo indeterminado já que havia tirado uma algema debaixo da blusa e nos prendido - Eu sou um gênio! Sabe como o pai da Nina é delegado e ela sempre tem alguma coisa dele por ai né? Foi fácil convencê-la de me emprestar essa, é tão bom ter contatos!
- ZOE BENETT, PARA DE BRINCADEIRA! - levantei, sendo puxada já que Louis ainda estava sentado olhando para nossas mãos.
- Eu pensei que o Harry que ficaria ai com você tentando te acalmar, o plano era prender vocês dois juntos porque ele é bom em convencer as pessoas, e em dar conselhos, mas vai o Louis mesmo - deu de ombros, e Louis a olhou fazendo careta.
- Nossa, , obrigado mesmo pela preferência e pela oportunidade, tudo o que eu mais queria na vida era ficar preso com uma louca controladora que só sabe gritar no meu ouvido pelo resto do dia - revirou os olhos - Nesses momentos eu queria muito te mandar de volta para os Estados Unidos com uma carta deixando claro que nós não aceitamos devoluções.
- Ai, vocês dois são muito dramáticos, a chave ta comigo - abanou a mão - Eu sempre quis fazer isso mesmo, você pode me odiar , mas eu sou sua amiga, e você precisava de uma interferência, é pro seu bem.
- Ela precisava, não eu - Louis levantou a mão e a minha foi para cima, o olhei irritada puxando nossos braços para baixo.
- Você estava no local errado na hora errada - deu de ombros, não conseguindo nem fingir que sentia muito e que não estava se divertindo com a situação.
- E você precisa parar de assistir filmes - Louis falou, se sentando na cama, me puxando junto, o empurrei com braço.
- , eu juro pra você que quando você me soltar eu vou te dar tanto tapa que você vai ficar dormente - falei, sentindo meu rosto esquentar de raiva.
- Bom, se divirtam crianças. Você vai me agradecer por isso - sorriu, mas ao me ver discutindo com Louis, e nós dois nos empurrando, ela fez careta - Ou não... Enfim, tentem não se matar e se acontecer, tentem não fazer muita sujeira - sorriu, e saiu do quarto. Olhei para o garoto ao meu lado sem achar graça alguma, diferente dele que começou a rir e não parava.
- Me conta a piada, porque até onde eu to vendo nós dois estamos acorrentados juntos pelo resto da eternidade.
- É, algemados, e não vai ser pela eternidade, mesmo que esse seja seu desejo - Louis piscou.
- Quando eu começo a te suportar essas coisas acontecem - falei derrotada, jogando as costas na cama, Louis se inclinou para não machucar nossos braços.
- Vem, eu vou te ensinar a se divertir - falou, me puxando - Anda, não quero te machucar - falou, balançando nossos braços.
- Me divertir?
- Eu não queria ficar o dia todo algemado com ninguém, mas já que aconteceu não dá pra fazer nada. Você precisa aprender a relaxar e esquecer as coisas um pouco, . Vai, deixa de ser irritadinha e vamos fazer alguma coisa pro tempo passar mais rápido, juro que tento não ser tão implicante se você jurar desfazer essa cara feia - falou, cutucando meu rosto, e levando um tapa na mão em resposta.
- Ta, eu juro! Agora anda logo - falei, empurrando as costas de Louis para ele sair do quarto.
- Pra quem não queria passar o dia comigo você até que ta ansiosa - pude ouvir o tom característico de brincadeira na sua voz. Descemos as escadas, e todo mundo olhava a situação, enquanto Louis ria e eu revirava os olhos.
- O que ta acontecendo, é algum tipo de desafio novo que os garotos do segundo ano tão fazendo? - , que estava jogada em um dos sofás, perguntou animada - Eu quero, será que o Niall topa? - falou, olhando para os próprios braços.
- Coisa da, - expliquei - Nós estamos indo nos “divertir”.
- Sem as aspas, nós realmente vamos nos divertir - Louis me corrigiu.
- Tanto faz... Quer vir?
- Quero, to com um puta tédio e eu com tédio não combina, eu começo a fazer coisas estranhas que nunca acabam bem e...
- Alguém sempre se machuca. Vem, vamos logo que o Louis aqui vai entreter as damas essa tarde - Louis falou, e saiu me arrastando enquanto nos seguia rindo. Eu mato a e mato o Louis, isso se eu não me matar antes.

Música

Louis inventou coisas para fazer a tarde inteira, e enquanto eu consigo acompanhar o ritmo dele, queria morrer. Ela já estava cansando, e ele não parava um minuto. Pelo lado bom ela conseguiu relaxar um pouco, porque assim, minha amiga anda muito irritada, por mais que achem que eu sou desligada eu consigo reparar nisso, sem falar que tinham parado de me chamar para ajudá-la com as crises, e agora ela está tendo tudo novamente, eu só não sei o que está acontecendo, mas também não quero ficar perguntando porque é bem óbvio que ela não quer falar, por isso acham que eu sou tão desligada, mas eu só respeito o espaço dela, porque eu não sou muito boa em respeitar espaço pessoal, então eu sou boa em respeitar espaço emocional, se é que isso existe.
- , para de viajar, nós vamos jogar futebol agora - Louis começou a bater palmas na minha frente, e eu me diverti vendo os braços de sendo levados por causa dele, enquanto os dois esperavam minha resposta.
- Ah, certo! Não dá agora porque eu to ocupada - os dois me olharam com a sobrancelha arqueada - Não agora, mas agora. Tipo, não no momento, mas eu vou ficar - expliquei.
- Essa é sua forma de explicar? - fez careta - E por que toda quarta-feira você some? - me olhou curiosa.
- Eu não sumo, vocês que não me acham - dei de ombros - E eu to tentando explicar que eu to indo embora e deixando vocês se divertindo sem mim - sorri.
- Não, não, não! , fica, não quero ficar sozinha com ele - fez bico.
- Tudo o que você quer é ficar sozinha comigo - Louis sorriu.
- Eu nem sei jogar futebol - revirou os olhos.
- Eu vou te ensinar, afinal, eu sou só o capitão do time da escola - Louis revirou os olhos.
- Nós dois vamos nos machucar se jogarmos assim - levantou a mão, mostrando as algemas, e Louis abaixou o braço olhando para ela.
- Deixa de pensar em tudo o tempo todo e só curte, . O dia hoje é pra você parar de pensar nas coisas, então nós vamos jogar assim e se você reclamar eu vou achar algum esporte pior - Louis sorriu - E onde você vai? - Louis lembrou que eu estava lá - O time de dança precisa de uma nova coreografia - respirei fundo - Tem que ser diferente da torcida né, as meninas da dança não fazem todos os truques, saltos e tudo que as meninas da torcida fazem, então a Britt como a boa filha da puta que é resolveu reclamar da coreografia anterior, e agora querem que eu monte uma nova sozinha - joguei a cabeça para trás.
- Por que você não para com o time de dança se já ta na torcida? - Louis perguntou.
- Foi um favor pra coordenadora do time, e eu acabei ficando pra não desfalcar. Eu gosto porque são coisas diferentes, na torcida eu posso explorar tudo, mas tem uma técnica certa, no time de dança eu posso explorar tudo também, mas sem me preocupar tanto com a técnica - expliquei - Mas se a Britt me encher o saco mais uma vez eu não vou conseguir me segurar gente, vocês sabem, tenho sangue quente e não vou conseguir segurar a vontade de matá-la.
- É tão bonitinho ver você falando como uma pessoa normal - Louis falou ignorando totalmente minha raiva por Brittany, e eu tombei a cabeça o olhando sem entender.
- Ele quer dizer que é raro te ver falando sério, e quando você faz é pra falar sobre a dança, que é algo que você gosta muito, portanto é muito legal te ver falando assim sobre algo que gosta - explicou, e eu só conseguia rir vendo quão diferente os dois eram.
- O que seria de mim ser ter uma interprete, , você me conhece como ninguém, casa comigo? - Louis ajoelhou, e o empurrou esquecendo que os dois estavam algemados, caindo em cima dele. Enquanto eu ria, eles discutiam.
- Certo, eu vou nessa enquanto vocês tentam sobreviver a isso - ri dos dois, e fui me afastando, enquanto ainda ouvia xingar Louis de babaca.
Corri até a academia da escola, e quando entrei estava lotada de gente. Normalmente os times não treinam na sexta, só se tem algum campeonato muito importante, caso contrário as sexta-feiras ficam para descansar e terminar as tarefas da escola, por isso não fiquei tão surpresa. Liam estava na parte onde os caras treinam boxe fazendo tudo menos lutando, ele e Zayn estavam com as luvas, mas os dois estavam brincando um com outro parecendo crianças. Liam me viu e acenou, me fazendo mostrar a língua e continuar andando até chegar ao corredor que levava a sala de dança. Era uma sala grande e escura, lotada de espelhos e meu lugar preferido nessa escola inteira. Meus amigos acham que meu lugar preferido é um que fica subindo a trilha que fica perto do celeiro, de lá de cima dá para ver tudo, mas meu lugar preferido mesmo é essa sala de dança. Liguei o rádio e aqueci um pouco, fiquei uns 15 minutos só nessa brincadeira de aquecer, pensar, e brincar um pouco com os movimentos antes de começar de verdade. Andei até parar de frente para o espelho e tirei a calça de moletom, ficando apenas com o short preto que estava por baixo da calça, uma blusa de frio aberta, e minha blusa preta debaixo que deixava a barriga a mostra, fiz careta odiando o que via no espelho, tombei a cabeça para o lado tentando gostar de algo no meu corpo, mas era impossível,. Meu quadril era largo demais, minha bunda grande demais, minhas coxas, apesar de malhadas, também eram grandes demais. Ter a cintura fina não me ajudava em nada já que eu odiava o resto. Respirei fundo tentando não ligar para aquilo, e fechei os olhos ignorando meu reflexo e sentindo apenas a música. Youknowyoulike it do DjSnake& AlunaGeorgecomeçou a tocar e eu sorri. Fiquei de costas para o espelho de olhos fechados, sentindo a batida, movi o pescoço de um lado para o outro começando a mover meu corpo; eu estava finalmente em casa.
Virei para o espelho e eu havia me transformado, nada mais importava, nada mais me incomodava, andei lentamente para frente fazendo movimentos com a blusa de frio que me cobria, inventando coreografia com os braços e os dedos enquanto levantava a blusa, e começando a dançar de verdade, imaginando as meninas do time dançando comigo. Elas ficariam orgulhosas dessa coreografia. No refrão da música tirei a blusa de frio sem ligar para as imperfeições que eu odiava e prestando atenção apenas na música e nos movimentos, era a única coisa que importava. Assim que a música terminou me ajoelhei no chão e ouvi palmas, me virei rapidamente.
- Cara, isso foi demais. Me ensina, é assim? - Liam entrou pulando na sala, rodando e tentando imitar meus movimentos, tirando a blusa e se soltando, enquanto Zayn estava encostado na porta rindo da idiotice do amigo - Sério, me ensina - Liam me puxou pela mão me levantando e me rodando, começando a dançar comigo.
- Não, assim ó - mostrei um dos movimentos para ele, que ria. Olhei para a porta e Zayn não tirava os olhos de nós dois. Movi o dedo chamando-o para dançar conosco e ele balançou a cabeça negativamente. Revirei os olhos e andei até ele, puxando o garoto pela blusa, andando lentamente para trás e trazendo ele comigo, que apenas me acompanhava rindo e olhando nos meus olhos. Liam havia voltado a música, e eu comecei a cantar olhando para Zayn, sem desviar os olhos.

Ifyouwannatrain me likean animal
Se você quer me treinar como um animal
Betterkeepyoureye in myever move
Melhor ficar de olho em cada movimento meu

Alguma coisa sobre ele me fazia agir assim. Sem me importar com olhares, comentários ou a forma que eu me sinto. Algo sobre ele me faz querer provocar, me faz fazer coisas que nunca faria antes, muda meu lado menina boba e me transforma em uma mulher que quer fazê-lo me desejar. Eu só não sabia o motivo e não sabia controlar, quando vejo já está acontecendo e eu já estou fazendo isso. E depois eu fico envergonhada e fujo; sempre fujo. Ele continuou me olhando, mesmo quando deixei ele lá e fui dançar rindo com Liam, mesmo enquanto eu tentava incluí-lo na nossa dança boba, ele começou a se soltar e nós ríamos como 3 idiotas. Quando a música terminou Liam se jogou no chão rindo, e eu fui buscar minha blusa de frio, começando me sentir consciente de que estava apenas de short e blusa curta na frente de 2 garotos lindos. Apesar dos 2 serem meus amigos, eu não me sentia tão confortável quanto fazia parecer, então coloquei a blusa que cobria pelo menos a parte de cima do meu corpo e virei para eles novamente.
- Se você quiser desistir da luta já tem espaço garantido como gogo boy - apontei para Liam que riu.
- Sempre foi meu sonho - levantou e começou a rebolar.
- Se você se soltar um pouco pode seguir o caminho do seu amigo gogo boy ali, só precisa mexer mais o quadril - apontei para Liam, que revirou os olhos rindo e colocou a camisa.
- Acho que fico com a arte mesmo - riu - Mas você, cara, que talento! - Zayn bateu palmas, me fazendo rir sem saber o que falar. E então eu travei, eu realmente não sabia mais o que falar para ele. Pela primeira vez na história da minha vida, Martinez estava sem ter o que falar, e tudo por causa de um elogio. Apontei para a porta.
- Eu tenho que ir... Me arrumar pra festa e tal - falei, apontando novamente.
- Vou com você, quero achar a antes dela passar 23 horas se arrumando, ela que falou pra eu não encher o saco dela quando estivesse se preparando - Liam comentou, e passou os braços pelo meus ombros me guiando até a porta.
- - Zayn me chamou, me virei sem entender.
- Pode ir, Liam. Se ela começar se arrumar você não vai conseguir falar com ela - falei, vendo que ele queria ir, mas queria me esperar. Concordou com a cabeça, e eu me virei olhando para Zayn.
- Sua calça - apontou para a calça de moletom que eu havia esquecido, se abaixou a pegando, e eu ri nervosa. Fui até ele, que esticou a calça para mim, e me entregou, olhando cada movimento que eu fazia. - Por que você faz isso? - perguntou, e quando terminei de vestir a calça e terminar de colocar o tênis - Você se aproxima, e ai do nada faz isso, foge - me olhou, me fazendo tombar a cabeça para trás.
- Eu não faço isso - ri balançando a cabeça negativamente, sabendo que era uma puta de uma mentira, e que eu sabia que fazia aquilo mesmo. Comecei andar para trás, indo em direção da porta, mas ainda virada para ele.
- Até você sabe que é verdade - Zayn falou, andando comigo.
- Fazia quanto tempo que vocês estavam ali? - mudei de assunto, e ele riu sabendo o que eu estava fazendo, ri também dando de ombros.
- Desde que você começou fazer strip tease, foi bem sexy, a propósito - mordeu o lábio, e cada parte de mim arrepiou, enquanto eu ria sabendo que ele sempre brincava assim comigo, sempre soltando frases ambíguas. E então eu percebi que ele havia visto meu debate comigo mesma, enquanto me olhava no espelho analisando tudo que odiava em mim.
- As meninas precisam de uma nova coreografia, só não sei se essa está boa o bastante.
- Usa essa - Zayn me olhava intensamente, para fortalecer o que falava - Ficou muito boa, de verdade. Você tem muito talento.
- Valeu! - sorri, ainda andando e parando na porta - E eu realmente não sei por que eu faço o que você disse que eu faço, só sei que acontece, e quando eu descobrir o motivo você vai ser o primeiro a saber, e agora pra não deixar o momento ainda mais estranho eu vou correr pra tomar banho e me arrumar, e te vejo mais tarde na festa - falei tudo rapidamente, e já me virei para sair, quando Zayn me puxou de volta.
- Promete! - falou, e eu apenas o encarei. Nossas conversas eram ridículas, eu sempre falava muito e ele sendo ele mesmo, sempre falava pouco, mas por algum motivo parecia que nós falávamos muito. Não dá para explicar, é só que, mesmo falando pouco, eu sempre entendia tudo que ele queria dizer, então parecia que ele não era esse idiota monossilábico que ele é - Promete que quando descobrir eu vou ser o primeiro a ficar sabendo!
- Eu prometo - balancei a cabeça de forma afirmativa, e abracei Zayn, eu sempre me senti confortável para demonstrar carinho com absolutamente todo mundo, mas com ele sempre ficava com pé atrás, faz pouco tempo que comecei a realmente soltar esse lado, os outros já estavam todo soltos. Ele me abraçou de volta, rindo - Agora me deixa ir que eu to com vergonha de verdade, isso nunca acontece e você devia se sentir extremamente culpado e nunca mais fazer isso na vida - me soltei dele, e sai correndo para meu quarto, ouvindo a risada de Zayn, e rindo também no caminho.

ainda não tinha voltado para o quarto e isso podia significar 3 coisas: ou ela queria me matar e estava evitando o momento, ou ela tinha matado Louis e estava tentando esconder o corpo algemada no cadáver, ou os dois se mataram. Então eu resolvi que seria ótimo ir me arrumar no quarto de , e , porque assim eu evitava encontrar com uma ruiva que queria minha cabeça em uma bandeja de prata, e ainda tentava pegar alguma roupa emprestada de . Terminei de tomar banho, e todas as meninas no banheiro do andar só falavam da festa e dos meninos e meninas do outro internato que estariam presentes na casa de Michael, o garoto que daria a festa. Enrolei-me na toalha comentando coisa ou outra com elas, e sai de toalha mesmo, essa hora só as meninas ficavam andando por aqui, quando dava 20h a coordenadora do andar aparecia do inferno para dar uma olhada ou outra, então os meninos evitavam aparecer, mas alguns ainda apareciam, e esse foi o motivo de quando abri a porta do quarto das meninas dar de cara com Liam sentado na cama, discutindo qual cor de esmalte era melhor com .
- Esse verde água parece com as mexas da , mas esse vermelho é sexy, e eu não sei com qual ir. Tipo, verão - mostrou a mão do verde-água - Ou, sexy - mostrou a outra, enquanto Liam olhava para as duas mãos. estava arrumando os cabelos naturalmente enrolados na frente do espelho, e terminando a maquiagem.
- Eu gosto mais do verde-água porque é uma house party, se fosse em uma balada ou algo menos informal eu escolheria o vermelho - Liam conversava, analisando seriamente a unha de e eu não aguentei, começando a rir. Todas as cabeças do quarto se viraram para mim, e eu balancei a cabeça.
- Você realmente ta ajudando a escolher uma cor de esmalte - falei, tirando a toalha do cabelo, e deixando meus cabelos caírem pelas costas, fazendo a água escorrer.
- Você ta de toalha - apontou com sua expressão desinteressada de sempre, e se virou para terminar o delineador.
- É, eu acabei de sair do banho e não queria molhar o quarto inteiro - dei de ombros - Não pensei que ele ia estar aqui, se a Jojo aparece...
- Eu cresci com duas irmãs mais velhas, elas inclusive me vestiam de menina - fez careta, enquanto comecei a rir mais ainda - E ela não vai me pegar, ta tudo sob controle.
- Certo, e o que você queria? - perguntei, mexendo nas coisas da .
- Só te ver antes da gente ir, não te vejo direito faz uns 2 dias - deu de ombros, e me segurou pela mão saindo do quarto. Dois dias não era muito tempo, ainda mais considerando que moramos no mesmo lugar, mas eu não falaria nada, sabia que Liam era desses caras fofos que prestam toda atenção do mundo com a garota que está, e eu precisava me acostumar com isso se quisesse que nosso lance fosse pra frente, o que eu realmente queria. Encostou-se à porta, e me deu um selinho que logo se transformou em um beijo de verdade, enquanto algumas meninas passavam por nós gritando. Ri apoiando a testa em seu peito.
- Você realmente não se importa em todo mundo ver a gente?
- Eu quero que vejam a gente - deu de ombros - Vou tirar isso que você tem na cabeça, de que os caras só ficam com você por interesse.
- Minha vida toda foi isso. "Nossa você é linda", uma ficada e nada mais, todo mundo só se aproximava por interesse, eu comecei a me acostumar com isso e eu realmente não me importo, é difícil ser uma gata - falei, fazendo Liam rir - Eu só não quero prejudicar as pessoas a minha volta sabe? Demorou para as pessoas pararem de achar que as meninas eram como eu só porque andavam comigo e...
- Para de falar como se você fosse uma pessoa ruim só porque gosta de se divertir - Liam me cortou, olhando nos meus olhos, e eu sorri vendo aqueles olhos castanhos sendo tão sinceros, ele realmente parecia não se importar com meu passado, e isso que me assustava, pois meu último relacionamento começou exatamente assim.
- Você não existe - passei meus braços pelo seu pescoço, o abraçando forte enquanto ele ria no meu ouvido. Beijei a marquinha que ele tinha em seu pescoço, sentindo o carinho que ele fazia na minha cintura. Eu não tenho medo de muitas coisas, mas uma coisa que me assusta são esses sentimentos, e ainda mais perceber que eu gostava do que sentia quando estava com ele. Eram coisas novas para mim, me prender a um cara só, pensar mais na imagem dele do que na minha, sentir as borboletas que todo mundo fala e eu nunca havia sentido antes; eu estava com medo, e acho que naquele abraço ele percebeu, porque o fogo que sempre acendia quando estávamos juntos ficou controlado no momento em que ele se afastou de mim, segurou meu rosto com as duas mãos e deu um beijo na minha testa, me fazendo fechar os olhos e sorrir. A única pessoa que beijava minha testa dessa forma, para mostrar proteção, era Harry, o único homem que me tratava bem assim era meu melhor amigo, e agora Liam.
- Eu sei que é cedo, mas... - Liam começou, e me coração começou a acelerar, não... Não me pede em namoro, ainda ta cedo demais. Eu iria estragar tudo se ele conseguisse continuar falando, por isso eu quase suspirei aliviada quando ouvi um grito.
- QUE POUCA VERGONHA É ESSA? - a voz estridente que quase me fez sentir aliviada, me fez arregalar os olhos rindo, enquanto Liam fechava os olhos dele fazendo careta - quantas vezes vou ter que te falar que garotos são proibidos aqui? E você está só de toalha com esse garoto... , eu não posso aceitar esse tipo de comportamento, você está dando um péssimo exemplo para as outras garotas.
- Jojo, a culpa é minha, eu vim sem avisar - Liam se virou, e Jo se assustou ao ver quem era.
- Liam, eu espera tudo dela, mas de você... - falou, me fazendo revirar os olhos - Vou ter que reportar ao diretor - bufei ao ouvir aquilo, eu estava completamente ferrada se ela o fizesse, minha mãe surtaria.
- Não faz isso - Liam falou, segurando nas mãos da mulher, me fazendo arquear a sobrancelha - Eu nunca causei problemas, você sabe. E olha, nós estamos no corredor e não dentro do quarto - sorriu para mulher, que o olhava em dúvida - Jo, você sabe que pode confiar em mim, nós só estávamos conversando.
- O que era tão importante que não podia esperar? - Jojo perguntou ainda desconfiada.
- passou por algumas coisas difíceis com um aluno daqui, e eu queria saber se estava tudo bem com ela, Jo - Liam falava calmamente, e eu me segurando para não rir, ele se referia a Derek, mas eu não tinha problemas com ele desde que Liam deu uns belos socos no garoto. Não acredito que essa será a desculpa dele - E por isso nós estamos aqui fora, e não lá dentro, porque estamos apenas conversando - falou a última palavra pausadamente - Vamos lá, Jo, deixa só essa passar, eu nunca te dei problemas, e dessa vez não foi culpa da - Liam fez sua melhor carinha de cachorro que caiu da mudança, e aquilo pareceu aquecer o coração da mulher. Isso e o fato dela ter uma estranha proteção em relação a Liam desde basicamente sempre.
- Vai pro seu quarto agora, se eu te pegar por esses lados novamente não vou pensar duas vezes em mandar os dois para o diretor - Jo fez careta. Todos sabiam da aversão que um tinha pelo outro, eu tenho essa teoria de que Jojo e o diretor já tiveram um estranho relacionamento que não deu certo, resultando nessa briga dos dois. Sempre que conseguia proteger os alunos, ela o fazia, mas eu já estava passando dos limites com ela e sabia disso, por isso nem tentei abrir a boca. Liam apenas assentiu com a cabeça, e saiu andando sem nem olhar para mim, com certeza com medo da mulher mudar de ideia. Jo olhou para mim com olhos estreitos, e eu levantei os braços.
- Ele já explicou tudo! Eu realmente não sabia que ele viria.
- Eu voltei a trabalhar aqui porque as mães me pediram, eu sei que as outras coordenadoras não apareciam e nem prestavam atenção no que acontecia por aqui - Jojo riu - Teve uma reunião, e as mães de vocês pediram alguém que realmente se importava com o que acontecia nesses quartos, por isso eu to aqui. É pro bem de vocês - Jo falou, e eu apenas concordei com a cabeça - E boa escolha dessa vez, Liam é um bom garoto! - sorriu - Agora entra e vai se arrumar.
- Valeu, Jo, você é a melhor! - dei um beijo no rosto da mulher, e entrei no quarto correndo. O fato é que com tantos alunos filhos de pessoas importantes era raro quando alguém realmente era expulso por estar nos dormitórios depois da hora permitida. Um aluno era pego, e misteriosamente aparecia uma nova doação para escola e tudo era esquecido, então os coordenadores que vieram faziam pouco caso, vista grossa, e deixavam passar, mas Jo era diferente, ela realmente fazia questão de pegar a pessoa pela orelha e levar até o diretor exigindo uma detenção ou suspensão, não me admira alguns pais pedirem a moça para voltar. Sentei na cama encarando a porta tentando não pensar no que Liam queria falar, quando entrou correndo, pegou as coisas dela sem falar com ninguém, e saiu provavelmente indo tomar banho.
- Já ta apaixonadinha - zombou, e eu fiz careta - Nem adianta fazer careta, essa cara de idiota encarando a porta não engana ninguém - falou, se sentando ao meu lado.
- Curta ou curtíssima? - ignorei o comentário de , e mostrei as duas saias, fazendo revirar os olhos, sabendo que eu estava fugindo da conversa sobre sentimentos; algo que eu sempre evitava.
- O que for mais confortável - deu de ombros, desinteressada. estava com um short bem curto de lantejoulas iridescentes, que deixava sua perna completamente descoberta - ela explicou que iridescente é tipo, quando a luz bate e reflete outras cores, mas eu só estava vendo branco que entrava em um contraste lindo com sua pele escura, então pra mim era um short branco que parecia ter muito glitter e que eu, com certeza, pegaria emprestado, e ela que não me ouça falando assim sobre sua roupa, porque é bem ligada em moda, enquanto eu sou totalmente ignorante no assunto -, uma blusa de mangas longas de cequim igual ao short, e um salto de renda que eu achava que era da Bailmain, e que eu também pegaria emprestado sem ela ver.
- Pergunta - falou, me olhando - Você não se importa? Porque assim, eu ouvi tantas meninas falando sobre você por causa das suas roupas e...
- Eu to pouco me fodendo - respondi antes mesmo dela terminar a pergunta - Por um tempo eu realmente me importava com isso, e já deixei de usar tanta coisa que eu gostava com medo do julgamento dos outros, ai um dia eu cansei e gritei foda-se - dei de ombros - Eu uso o que eu quero e gosto, o tamanho da minha saia não define quem eu sou, e eu sinto pena de quem decide me julgar baseado nisso - sorri para , que balançava a cabeça mostrando que entendia - Essas pessoas são hipócritas, elas gostam de falar de mim, mas ninguém aqui é santo, eu decidi que se vivesse tentando agradar todo mundo então eu não viveria de verdade, eu prefiro me fazer feliz do que ligar pro que os outros pensam, assim eu atraio pessoas que realmente valem a pena, que querem me ter por perto por quem eu sou, e não pela imagem que eu tento passar. Ser verdadeira é sempre o melhor - falei, e ouvi batendo palmas enquanto mantinha sua expressão de tédio, mas logo ela começou a rir e me empurrou com o ombro.
- Então eu voto na curtíssima porque é mais simples e esse seu salto merece toda atenção do mundo - me olhou com carinho, e eu pisquei para ela. Eu estava toda de preto, uma saia de cintura alta preta, com um crop top da TopShop com transparência no colo e na barriga, e o salto Giuseppe Zanotti cheio de pedras douradas que é meu xodó.
- Quero ver Liam conseguir não te agarrar - falou, me fazendo dar uma voltinha. Meu estômago revirou lembrando que ele achava cedo demais para alguma coisa, então para evitar pensar, fui até nosso frigobar e tirei um frasco de shampoo.
- O que você ta fazendo? Ta querendo se matar? , beber shampoo faz mal - falou tirando o frasco da minha mão, e não aguentou, começou a rir como não ria fazia tempo, vendo franzir o cenho sem entender.
- Linda, senta aqui! - segurou na mão de , e a sentou na cama - Você às vezes é tão inocente que chega a ser fofo. Cheira o frasco - falou, abrindo-o e vendo o semblante de mudar para compreensão - Se alguém ver alguma garrafa de vodca pelo quarto vai achar estranho, mas quem suspeitaria de vodca em um frasco de shampoo, perfume ou qualquer outra coisa do tipo? - falou, dando um gole na bebida.
- Cara, isso é genial! - riu, batendo palmas, vendo fazer reverências já que havia sido ideia dela.
- Gente, acho que o Liam vai me pedir em namoro! - falei de uma vez, tirando o frasco da mão de e bebendo, enquanto a morena me olhava de forma divertida como quem queria dizer que sabia que isso aconteceria.

Capítulo 13

Depois de me trocar resolvi sair do quarto. havia voltado do banho e estava sendo a pessoa elétrica que ela é, e eu sendo a pessoa reclusa que gosto de ser comecei a me irritar com a zona daquele quarto. , e juntas era o equivalente a 4856 pessoas dentro de um estádio gritando; elas não tinham noção do volume da voz, e às vezes eu preciso do meu silêncio. ainda estava sumida, e explicou o que havia feito, eu tinha certeza que estava evitando . Respirei fundo enquanto andava no escuro com uma toalha na mão, era horrível andar de salto na grama, mas eu estava acostumada e de forma alguma tiraria meu Bailmain dos pés, não era uma opção. Algumas pessoas já estavam saindo com uma pequena mochila, já que a maioria fica fora do internato no fim de semana, ou vão para a casa dos pais, ou de algum amigo, e, com certeza, depois da festa eles não voltariam para o internato. Ouvi a bagunça ficando para trás conforme me aproximava do lago, e não me surpreendi ao ver Zayn sentado ali com um cigarro na mão. Estiquei a toalha e me sentei ao lado dele, respirando fundo, quando ele me olhou com um sorriso preguiçoso e eu percebi que não era um cigarro comum. Peguei da mão dele tragando, encarando o lago, lembrando das mortes que já aconteceram no mesmo local, e lembrando que foi nesse mesmo local que eu contei para Harry sobre meu passado; a pior coisa que eu havia feito. Uma vez que eu me abro para alguém eu me apego a essa pessoa, e esse era o motivo de não me abrir. Ta, um dos motivos, eu gostava de guardar as coisas para mim porque ninguém precisava saber, a não ser meu melhor amigo.
- Então você contou pra ele? - Zayn finalmente quebrou o silêncio, pegando o cigarro de volta, apenas concordei com a cabeça - Como você ta?
- Anestesiada - olhei para Zayn - Foi bom contar para mais uma pessoa, me deu um alívio por um momento. Eu to bem, apesar de tudo - falei, percebendo que estava um pouco melhor mesmo - As terapias ajudam, e aquele grupo de apoio que eu não queria ir de forma alguma também - ri, me sentindo calma.
- Quem diria, logo você em um grupo de apoio! - Zayn me empurrou com ombro - E você, como ta?
- Me mantendo invisível pra evitar gente idiota, já faz uma semana que ninguém fala da minha religião - Zayn deu de ombros - Só quero terminar logo o colegial, sair daqui, viajar pra alguns lugares pra desenhar - Zayn falou, olhando o céu escuro - Fiz um acordo com meu pai de que se eu ficasse longe de encrenca eu poderia fazer o que quisesse quando saísse daqui, em vez de já ir direto pra faculdade.
- fez um com a mãe, de que ela vai falar onde o pai se enfiou se ela ficar o ano inteiro sem receber reclamações - ri, fazendo Zayn rir junto - Por que nossas famílias tem que ser tão fodidas? - perguntei, o olhando.
- Vai ver é por isso que a gente se entende tão bem, sabe? Todo mundo aqui tem algum problema na família, a gente sabe como o outro se sente! - Zayn deu de ombros - Nossa família é influente, pessoas com dinheiro e influência são completamente fodidas, é normal pra gente - Zayn me olhou, passando o cigarro - Exceto Liam, aquele deu sorte com a família.
- Acho que... Todo mundo pensa que a minha é perfeita - ri da ironia - “Nossos valores familiares são o que nós temos de mais importante” - imitei meu pai - Se ele soubesse antes o que o irmão dele fazia duvido que ia aparecer com essa frase.
- Ei, ta tudo bem - Zayn sorriu - Você sabe que é forte, e quando você resolver contar para nossos amigos eu vou ta lá segurando sua mão. Pro Harry que era mais difícil você já contou, agora é só esperar pra juntar todo mundo e contar! - Zayn terminou, e eu sorri de volta - Agora vamos, devem achar que a gente se escondeu pra não sair - Zayn revirou os olhos. Nós dois sempre sumíamos e nossos amigos achavam que era realmente para nos esconder, mas era só pra ter esses momentos calmos e poder conversar sobre essas coisas sem ter que responder muitas perguntas.
- Vai lá gatão, mata essas meninas do coração - falei para Zayn, antes de mandar uma mensagem para as meninas pedindo para elas descer para irmos logo, mas elas estavam enrolando, então eu teria que subir nos quartos novamente.
- Se olhou no espelho hoje, ? - Zayn riu, se afastando e fazendo várias cabeças o acompanhar. Entrei no quarto vendo já vestida, e discutindo com , quer dizer, discutia e apenas sorria tentando argumentar.
- Esse vestido representa totalmente quem eu sou, não sei o motivo do drama, , olha só, tem minha essência - rodopiou, parada na porta da casa. E realmente, era um vestido branco de cequim escrito com letras pretas em inglês “Eu não tinha nada para vestir então coloquei esse vestido da Moschino”.
- meu amor, você não entende muito de moda. Esse vestido custa uns 5 mil dólares - falei, me jogando na cama.
- É o que? - arregalou os olhos, de nós ela era a única bolsista - Quem me daria um presente desse preço? - fez careta.
- Foi presente? - perguntei, achando estranho, ela apenas confirmou com a cabeça.
- Minha mãe disse que chegou lá em casa pra mim e me enviou - deu de ombros,
- Eu só aceito por causa dessas botas maravilhosas - falou, babando na bota acima do joelho da menina. Uma batida na porta foi ouvida e nós estranhamos, normalmente as meninas já invadem o quarto, e os meninos não iriam entrar aqui agora, Jo estava na sala de convivência. Olhamos uma para a outra e demos de ombro, abri a porta do quarto dando de cara com Harry, ele me olhou de cima a baixo, mordeu os lábios e sorriu. Revirei os olhos e vi que Jo estava parada atrás dele.
- , me diz o que você tem na cabeça - Jo falou, olhando a menina - Que história é essa de algemar dois alunos? - Jo continuou, fazendo ficar tensa.
- Era brincadeira - riu nervosa - Eles aceitaram, então eu não to infringindo nenhuma lei...
- Regra - a corrigi.
- Regra... Nenhuma regra do colégio - sorriu satisfeita consigo.
- Cadê a chave? ta quase matando o Louis, e eles precisam se arrumar - Harry olhou para melhor amiga, que sorriu nervosa novamente.
- Faz assim. Jo linda, fofa, coração - falou sorrindo para Jojo - A aqui vai levar a roupa que vai usar, ela ajuda nossa amiga se trocar sem que o Louis veja, você fica junto o tempo inteiro só pra ter certeza, enquanto eu vou buscar a chave - terminou, e eu ouvi a risada de , que tentava se controlar, mas não conseguia.
- Vocês só me dão dor de cabeça, por isso eu não quero ter filhos. Bando de irresponsáveis - Jojo bufou - Vamos , você parece ser a única com alguma coisa na cabeça - me esperou pegar uma das roupas preferidas de , e saiu na frente, enquanto eu e Harry íamos atrás em silêncio. O perfume dele estava forte, mas ele ainda não estava arrumado, ele sempre estava cheiroso mesmo. E eu me mantive quieta como sempre, ainda mais depois de ter contado coisas para ele que apenas Zayn sabia.
- Alguma coisa na cabeça? Ela não reparou nos olhos vermelhos - Harry se abaixou para sussurrar no meu ouvido, me fazendo engolir seco - Eu não vou contar, pode ficar tranquila! Mas, por quê?
- Porque eu gosto - olhei para ele - Não conta pra , por favor - pedi - Eu uso porque gosto, e não por ter algum problema com... Você sabe o que. Ela não pode saber Harry, promete! - parei na sua frente, segurando sua mão para fazer ele parar de andar.
- Prometo! - franziu o cenho - Calma, , pra que esse desespero? A pode ser toda certinha, mas ela não vai te matar por isso - riu sozinho, e eu forcei uma risada.
- É, tem razão. Mas, fica entre a gente - falei, voltando a andar.
-Te falei que era bom com segredos - falou, olhando para frente. Ignorei o que foi falado, e quando vi já estávamos entrando no dormitório dos meninos, no quarto que Harry divide com Louis. Enquanto Harry ajudava o amigo, eu ajudava que quando viu a roupa que eu escolhi quase me fez engolir a peça, eu apenas ri dando de ombros. Era uma das roupas preferidas da garota, mas ela nunca teve coragem de usar, um vestido preto com renda nas mangas e um decotão, então resolvi fazer uma boa ação e forçá-la. Depois de muitos tapas e farpas entre Louis e , e uma dificuldade imensa para conseguir ajudar os dois a se vestir ainda algemados, de alguma forma nós conseguimos.
- Nós somos um ótimo time - Harry bateu suas mãos na minha, enquanto eu concordava com a cabeça.
- Vamos animal, eu tenho que encontrar a , sei que aquela palhaça ta fugindo de mim - saiu arrastando Louis, sem esperar o garoto responder. Harry ficou parado me olhando com um sorrisinho que me fez revirar os olhos, logo ele abriu uma gaveta e veio até mim com um colírio nas mãos.
- Levanta a cabeça - pediu, e eu o fiz sem reclamar. Olhei para cima enquanto o garoto pingava o colírio nos meus olhos com todo cuidado que conseguia, e quando terminou me peguei olhando para ele já que estávamos perto demais para meu gosto. Harry tinha o rosto lindo, seus olhos eram ainda mais lindos, e eu me perguntava por que não baixava essa barreira de vez, porque não deixava o garoto se aproximar da forma que queria, mas também sabia que era tudo medo, um trauma causado pelo que passei que me deixava desconfiada e com problemas de relacionamentos; seja nas amizades ou romance. Eu era completamente fodida e não sabia lidar muito bem com quem tinha interesse em mim, apesar de encher o saco dele falando sobre as meninas que ele sempre fica eu sabia que Harry sabia tratar uma mulher, mas eu queria distância porque no final do dia ninguém quer acordar do lado de uma pessoa desconfiada que acorda nas madrugadas com pesadelos. Enquanto me perdia em pensamentos não percebi o sorriso do Harry sumindo, apenas senti sua mão grande na minha nuca e seus lábios gelados sobre os meus em um selinho quase tímido, mas isso não durou 5 segundos, no momento seguinte eu já o tinha empurrado com o coração acelerado, e agindo por impulso minha mão foi de encontro com seu rosto.
- Nunca mais faça isso! - falei pausadamente, enquanto sentia minha respiração pesada e as mãos tremendo - Eu to falando sério, fica longe de mim - falei, sentindo a garganta seca, e andando de costas vendo o garoto em choque me olhando.
- , me desculpa,eu não queria te assustar... Eu só - Harry falava, e mesmo com o choque estampado em seus olhos ele falava com uma calma que quase me fez relaxar.
- Fica longe! - falei, me virando e saindo dali sem olhar para trás. Eu não queria que ele tivesse que lidar com minha mente confusa, eu não queria arrastá-lo para esse drama que eu ainda não aprendi a lidar, e eu também não estava pronta para deixar ninguém se aproximar. Eu simplesmente não queria que ele me visse em outro momento de fraqueza, e por isso eu sempre acabo afastando as pessoas.

entrou no quarto cuspindo fogo pela boca e todas nós sabíamos que não devíamos falar absolutamente nada para não receber uma resposta atravessada. é uma pessoa difícil de lidar, mas uma vez que você aprende é brincadeira de criança. Eu já estava trocada, e estava sentada vendo as meninas terminando de fazer o que tinham que fazer, e ainda enchendo o saco de por causa da roupa, mas apesar do vestido que não havia gostado muito, ela tinha colocado 3 cores de anéis e 4 de pulseiras diferentes, os acessórios chamavam bastante atenção. Elas duas amavam se provocar sempre que podiam, sempre rolavam essas discussõezinhas bobas, era saudável para a amizade. Eu só conseguia pensar que tudo estava tão louco, daqui 5 dias seriam o halloween e seria minha primeira festa grande longe da minha mãe e de Andrew, meu melhor e único amigo. Pensar em como tudo tinha mudado em pouco tempo me fazia perceber que não fazer planos foi a melhor decisão que eu tomei após a morte de papai; caso contrário eu estaria decepcionada. Mas por outro lado ganhei vários amigos, essa cena era algo que não acontecia muito de volta em casa, várias meninas jogando roupas e maquiagens por ai. Eu estava amando tudo isso, por mais brigas que tenham acontecido com minha mãe antes de vir para cá.
- Levanta! - falou, me olhando.
- Isso, vai encher o saco sobre a roupa de outra pessoa, obrigada! - provocou, recebendo o dedo do meio de em resposta. Eu estava com um crop top de renda rosa, um salto branco com transparência, e a peça que fez torcer o nariz; uma calça de couro.
- Eu só perdoo o uso da calça porque te deixou extremamente gostosa - falou, analisando a pena que usei no cabelo, e meu bracelete.
- É mais confortável - falei agachando e me movendo para cima e para baixo para dar o exemplo, enquanto ela me olhava achando estranho.
- O que ta acontecendo aqui? - Niall apareceu no quarto, e logo em seguida ouvi sua risada, e a risada contida de Zayn, enquanto eu caia no chão com o susto. olhou para eles sem expressar emoções, revirou os olhos e veio me ajudar levantar, enquanto abraçava o melhor amigo. E esse foi meu primeiro momento estranho na frente desses dois, porque momentos desastrados já aconteceram diversos.
- Eu juro que ainda dou uns belos tapas em vocês - Jojo apareceu, e estava irritada - Já tive que expulsar o Liam daqui, trazer o Styles escoltado e agora vocês dois? Meninas, vocês 4 já me davam tanto trabalho porque esses garotos não respeitam o horário, e agora tem mais uma pra coleção? Quer dizer, sempre foi um anjo, ela nunca me deu problemas, mas agora tem mais uma? Poxa, , eu pedi pra você me ajudar!
- Mas Jojo, eu não fiz nada! - falei, fazendo bico - Eles que apareceram do nada, e ainda me fizeram cair. Eu to me recuperando de uma lesão ainda - olhei para os dois, que ainda riam - Você também, quer que eu quebre seu outro joelho? - falei para Niall que fez careta, negando com a cabeça - Então para de rir, palhaço!
- Nós só queríamos saber se elas vão querer carona com o motorista do Zayn, ou se elas vão sozinhas - Niall falou, abraçando a mulher - Sem estresse, Jo! Você ainda ta nova demais pra ficar com rugas, ta gatona - Niall falou, dando um beijo na testa da mulher e me fazendo revirar os olhos. Todo mundo sempre fala como Harry é galinha coisa e tal, mas se for prestar bem atenção Niall sabe bem como amolecer o coração de uma mulher, ele só é um pouco mais sútil porque age sempre na brincadeira, mas ele não me engana, já conheci vários assim quando morava na Califórnia, não vale nada esse loiro.
- Na próxima me dá o recado que eu entrego. Só não vou levar vocês hoje pro diretor porque estão todos animados com a primeira festa do ano, e eu já tive a idade de vocês - Jojo falou - E porque o diretor está um saco e eu não quero discutir - murmurou a última parte.
- Larga ele e fica comigo - Niall falou, segurando a mão da mulher.
- Não testa minha paciência, e saiam logo daqui. Qual a resposta, meninas?
- A mãe da mandou um carro, vai ter muito champagne, vodka, e... Doces - falou, e logo disfarçou quando viu a olhada de Jojo - Doces, algodão-doce, o meu preferido, azul ainda, pra lembrar o sol. Suco de laranja, porque a mãe da odeia refrigerante, e uma salada pra gente não ficar com fome - sorriu - Não se preocupa Jo, ta tudo sob controle - fez um sinal de ok com a mão, enquanto Jojo revirava os olhos.
- O sol é amarelo, . O céu que é azul - Niall corrigiu a amiga, enquanto nós ríamos e dava um tapa na cabeça da garota.
- Andem, vão, elas já falaram que não precisam de vocês - Jojo enxotou os dois dali.

[...]

Chegamos na festa de Michael depois de um longo caminho da reclamando que não devia estar com a roupa que estava, e revirando os olhos o caminho inteiro. Eu ria de tudo, como sempre. E me falava como eu tinha um bom humor que não se comparava com nada, ela dizia que "você consegue ver o lado bom em tudo, e se eu achava que o bom humor da era demais, era porque eu ainda não te conhecia, ". Acho que era um elogio.
A casa do garoto era enorme como todo clichê de garoto rico que dá festas, tinha um jardim grande com uma fonte que, com certeza, estaria cheia de bêbados caídos de manhã, a porta de entrada estava aberta, e a explicação para a falta de medo era o fato de que antes de entrar uns caras grandões estavam pegando a identificação do internato de todo mundo, o que foi esperto do garoto. Ele convidou todo mundo de 3 internatos, e a galera tinha que levar a carteirinha para confirmar que estudava ali, quem esqueceu a carteirinha ou fosse tentar entrar na festa sem fazer parte de um dos 3, só ia passar raiva.
estava sexy e nem percebia, já perdi a conta de quantos meninos já pararam para olhá-la, mas ela nunca reparava, nunca via os olhares lançados em sua direção e tudo por conta de sua insegurança. era como uma irmã mais nova para mim e , que podia ser um monstro com quem quer que fosse, mas com ela era impossível.
- Vocês estão umas gatas - Louis aparece com , que estava olhando para com sangue nos olhos; ela ainda estava algemada em Louis, e quando viu arregalou os olhos.
- Não me diz que você esqueceu - falou, e a irritação era óbvia em sua voz.
- Não me mata - foi andando para trás, e uma risada rouca me fez olhar para o lado vendo Harry.
- Corre - falou.
- , você ainda ta algemado comigo - Louis levantou o braço.
- Então é melhor os dois correr! - falou, e assim mesmo ela começou a correr atrás de , enquanto Louis ia atrás tropeçando e todo mundo parava para olhar. Arregalei os olhos com aquilo, parecia sempre tão controlada. Vi indo para o lado de Zayn e sussurrando algo, ele arregalou os olhos e olhou para Harry em seguida, me fazendo perguntar se o motivo da raiva da garota era Styles, o que era bem provável, eles sempre se irritavam.
- Para de encarar, é feio - Niall falou, me fazendo prestar atenção no garoto.
- Pegou a roupa emprestada do Harry? E esse peito cabeludo? - perguntei, puxando os pelos do peito do garoto, que se encolheu e deu um tapa na minha mão, massageando o local que foi puxado logo em seguida.
- Ele ta orgulhoso que conseguiu deixar essa coisa crescer - Liam provocou o amigo, que revirou os olhos.
- Vocês todas estão extremamente gatas hoje, mas se eu tivesse que dar um prêmio, seria para - Niall falou, e eu balancei a cabeça já esperando pela zoeira que viria. Desde o dia que cheguei aqui nós dois ficamos com essas graças, já não era mais surpresa para ninguém quando um começava a provocar o outro - Porque a ta ocupada demais atrás de , que já ta com Liam e olha o tamanho do cara, eu que não vou ser burro de falar sobre a garota dele - Liam deu um soco no braço de Niall como quem concorda com o que ele está falando e logo soltou um “garoto esperto”. - é capaz de me dar um soco se eu comentar algo sobre ela, então sobrou você, porque a é minha irmãzinha.
- Prefiro um prêmio do moreno gato do time de...
- Não fala rugby que se o Louis ouvir ele te tira do posto de melhor amiga - Liam falou - O time de futebol tem rivalidade forte com o outro, os caras do rugby se acham demais.
- Então é só eu não deixá-lo ouvir.
- Assim você me magoa. Primeiro o loiro que me contundiu, e agora isso? - Niall colocou a mão no coração, apenas dei de ombros fazendo pouco caso dele. observava tudo de sobrancelha arqueada, e até o fim da noite ela comentário comigo o que quer que ela estava observando, seus olhos sempre me intimidavam, desde o primeiro dia, quando a vi discutindo com Delphine sobre os sapos. Lembro que eu pensei que nunca me meteria com aquela garota, nunca pensei que me tornaria sua amiga, muito menos dos meninos que estavam mexendo na minha mala, e o idiota que resolveu “provar” meu sutiã; Niall, que no momento estava parado do meu lado me irritando mexendo na pena que enfeitava meu cabelo.
- Na próxima eu juro que te faço engolir as algemas - chegou bufando irritava, enquanto Louis ria de algo.
- Ela levou um tombo tão bonito, mas tão bonito.
- Nós, né animal? - revirou os olhos.
- Você que caiu, só fui junto porque to preso a você.
- Enfim... A gente devia decidir onde vamos passar o Spring break - falou animada, mesmo que ainda faltasse muito tempo, tipo, lá pra abril, e nós ainda estamos em outubro, mas é assim mesmo.
- Deixa isso pro futuro - fiz careta, sem saber se ela me incluía na discussão, afinal, sou nova no grupo.
- O futuro é agora - Niall rebateu.
- Não, agora é o presente - me virei para ele.
- Eu insisto que o futuro é agora.
- Não, o agora está acontecendo no momento, 10 segundos daqui vai ser o futuro, mas agora não é.
- Mas se for pensar assim então 1 minuto atrás foi passado, o que significa que 10 segundos após aquele minuto já era o futuro então o presente é ao mesmo tempo o futuro do passado que passou - Niall terminou, e me olhou como se tivesse falado a coisa mais inteligente do mundo.
- Do passado que passou - repeti a frase do loiro.
- Às vezes eu acho que vocês dois entram em um universo paralelo onde só vocês se entendem- fez careta.
- Eu também entendi - parecia orgulhosa.
-Você não conta, um dia desses a nave-mãe vem te buscar - Louis provocou a menina, que apenas mostrou a língua. Niall passou o braço pelo meu ombro e sorriu.
- Essa aqui me entende - deu um beijo no meu pescoço, e eu achei super estranho porque não tinha essas intimidades com o pessoal em casa, e saiu me arrastando para a entrada - Pronta pra sua primeira festa dos internatos com seus novos melhores amigos? - perguntou, ainda com os braços ao meu redor.
- É só ninguém sumir que eu vou ficar bem - dei de ombros.
- Não vou sair do seu lado, você é minha gata! - piscou brincando, e logos fomos empurrados por que estava mais animada que tudo para entrar logo - Você não parece tão animada como as meninas - Niall falou, enquanto o pessoal estava distraído.
- É que me deu saudade de casa. Do Andrew - fiz careta, e Niall arqueou a sobrancelha - Meu melhor e único amigo... Quer dizer, que eu deixei na Califórnia.
- É normal ter saudade de casa, olha pra mim, um Irlandês vivendo em Londres - brincou com meus dedos - Mas você tem uma família aqui agora. Mesmo que você ainda não se sinta totalmente por dentro por ter acabado de chegar, nós te acolhemos, . Não por dó ou qualquer outra coisa, foi porque nós realmente gostamos de você, e se você ta aqui com a gente agora então é porque nós vamos cuidar de você - sorriu, e foi a segunda vez que eu vi esse garoto falando sério - Quando eu cheguei aqui era assim, mas esses doidos ai me fazem sentir melhor!
- Mas não é só isso! Depois que eu vim o Andrew parou de mandar mensagem, e... - olhei para baixo mordendo o lábio.
- E você sente falta do seu pai! - completou, me olhando no fundo dos olhos, e os azuis do dele me lembrou os mares que eu tanto amava e estava longe no momento. Depois disso eu não soube o que falar, porque eu não me sentia confortável falando sobre o que estava sentindo, eu sempre tive muito medo de me abrir. Depois que papai morreu e eu tive que procurar uma psicóloga - mesmo que eu não quisesse, mas minha mãe me forçou -, ela me disse que eu tinha medo de me abrir, de relacionamentos de qualquer tipo, medo de deixar as pessoas me ver de verdade, e uma inclinação incrível em colocar os problemas de todos acima dos meus, querer cuidar de todo mundo, me anulando e esquecendo que eu também preciso desabafar, que eu também preciso me cuidar. Segunda ela eu sou uma pessoa muito sincera e transparente, mas apenas com quem já conheço há algum tempo, caso contrário eu mostro algo para as pessoas, o que não é totalmente verdade. Por exemplo, todos acham que eu nunca fico triste, acham que eu sou segura e confiante, essa é a imagem que eu mostro para os outros, quando na verdade eu tenho momentos onde vou dormir chorando, quando eu tenho mais inseguranças do que gostaria, e eu escondo essas coisas passando a ilusão da pessoa que eu gostaria de ser. E nesse processo eu acabo me fechando para as pessoas, não deixando que elas me conheçam de verdade, e minha queridíssima psicóloga falava que eu devia deixar as pessoas conhecer esse meu lado mais sensível. O problema com Niall é exatamente esse. O garoto é simplesmente amigo de todos, ele sabe fazer todo mundo se sentir bem a ponto de querer falar o que está incomodando, ou apenas ficar ao redor dele pela leveza que ele passa. Sempre sorrindo, sempre brincando, sempre pra cima, isso dá vontade de ficar perto dele o tempo todo para esquecer qualquer coisa que esteja se passando na sua cabeça, e eu sentia que se ele tentasse derrubar essas paredes eu não faria muito esforço para impedir, isso que me assustava. Ele viu que eu não ia falar nada, apenas fiquei olhando para baixo sem ter muito o que falar. E então me surpreendi com o abraço que veio a seguir. Era forte, confortável, algo como “vai ficar tudo bem”.
- Niall, ta todo mundo olhando - falei, vendo que as pessoas estavam estranhando aquele momento uma vez que todos estavam dançando e gritando.
- Deixa olhar, abraços curam tudo e você precisa de um agora - falou no meu ouvido, me fazendo soltar um sorriso fraco e passar os braços ao redor da cintura do garoto.
- Será que os bonitinhos podem deixar pra se agarrar mais tarde? Tem uma festa acontecendo aqui - Louis falou, nos empurrando, e passando na nossa frente. Niall sorriu e me soltou, começando a andar, mas antes eu segurei em sua mão.
- Niall... - chamei, e ele se virou - Valeu, por, sabe... Entender! - falei, ele apertou minha mão sorrindo.
- Não é nada demais, . Sério, se sentir assim é normal. Agora esquece isso um pouco e vamos nos divertir - deu um puxão na minha mão, me fazendo rir.
- Que a noite comece! - sorriu para nós.

Capítulo 14

Liam

Assim que entramos alguns olhos se viraram para as meninas, os caras olhavam e suas pernas a mostra. Ela não ligava para os olhares, já estava acostumada, falou com algumas meninas que conhecia enquanto eu passava meus braços por sua cintura deixando bem claro para quem olhava que ela estava acompanhada; não que eu quisesse tratá-la como propriedade, mas também não os queria achando que ela estava sozinha. Me puxou pela mão para o bar, e pediu um adios motherfucker - vodka, rum, tequila, gin, blue curaçau, mix de limão e soda 7 up, aquilo era forte, era uma bebida pra te deixar louco, ela queria ficar bêbada.
- Quem diria que uma pessoa pequena que nem você bebe assim - falei, ao vê-la colocar a bebida azul na boca e lamber os lábios de forma sexy; parecia que tudo que ela fazia era sexy, hoje ela queria se perder, e aquela roupa estava me enlouquecendo.
- Pareço pequena por causa do seu tamanho, meu amor. E eu não sou fraca - falou, bebendo novamente e piscando. Virou as costas se juntando a e na pista de dança, e me deixou ali esperando minha bebida sozinho. era assim e eu já havia reparado. Mesmo quando estava com alguém não ficava com aquela pessoa 24 horas por dia, não ficava grudada com o cara nas festas, era independente, ia para balada sem o namorado, não gostava de ninguém lhe falando o que fazer; e eu teria que me acostumar com isso.
- Cara, aquele ali é das minhas, sabe se é solteira? - o cara que havia feito a bebida de me perguntou, o encarei pegando minha bebida sem responder. Fui até onde ela estava a abraçando por trás e dançando com a loira. Ela rebolava contra meu corpo propositalmente, sabia o que estava fazendo e o que queria causar em mim, mas os suspiros que soltava ao sentir meu corpo cada vez mais pressionado ao seu não me deixava para trás; ela não era a única que sabia o que fazer. Se virou segurando meu pescoço e levando a bebida até a boca novamente, pegando a cereja do copo e colocando na boca. Balancei a cabeça e ouvi sua risada, enquanto descia meus lábios até seu pescoço beijando e mordendo o local.
- Niall nem precisa mais do canal pornô dele, esses dois tão quase procriando aqui - comentou fazendo rir, lembramos da presença das duas ali, mas ignorou e virou a bebida, me beijando logo em seguida, fazendo sentir o gosto do líquido e a sensação gelada de sua boca - Ok, finjam que não tem ninguém aqui, já é o que os dois indecentes estão fazendo mesmo - falou, senti o corpo de mexer indo para frente e sua mão soltou meu pescoço, abri os olhos para ver o motivo, ela estava mostrando o dedo do meio para as meninas.
- E para de bater na minha bunda, isso é só na cama - parou de me beijar para gritar isso para e e se virou para mim.
- Isso conta pra mim também? - sussurrei no seu ouvido, mordendo o lóbulo em seguida.
- Quem sabe você não descobre um dia? - sorriu e saiu, me deixando sozinho mais uma vez na noite. Eu que quis me envolver com uma pessoa autossuficiente e segura de si, mas não era agradável ver o tanto de cara que secava e saber que ela queria ficar sozinha naquela festa, suas atitudes de me largar sozinho eram o bastante para deixar claro, então apenas dei de ombros e fui procurar os caras, achando Niall e Zayn jogando beer pong. Niall era o campeão do nosso internato em beer pong, e Zack, do outro internato, a concentração dos dois naquele jogo beirava o ridículo, parecia que a vida de alguém estava sendo decidida naquele jogo; as pessoas ao redor torcendo e assistindo com atenção tornava tudo mais engraçado, era coisa séria mesmo e os dois eram tão competitivos, que as vezes rolava discussão.
- Então, você é o brinquedinho da vez? - Britt estava parada ao meu lado com os braços cruzados.
- Você não cansa não? - perguntei, pegando a cerveja que Zayn me oferecia - Deve ser frustrante ser triste ao ponto de ter que infernizar todo mundo para sentir alguma satisfação na vida!
- Não precisa me atacar só porque to falando a verdade. Você sabe que se entendia fácil. Assim que ela cansar de você a única coisa que você vai lembrar é de como ela te fez de trouxa - Britt sorriu cinicamente.
- Você é amarga assim por falta de amor e atenção? Eu aposto que deve ter algum serviço telefônico pra pessoas que procuram por carinho, sei lá, até disc sexo tem, deve ter algum tipo de “amigo de aluguel”, você ta precisando porque só pagando alguém pra te aguentar mesmo, até sua melhor amiga sumiu no mundo - falei, vendo Britt ficar tensa.
- Repete - a voz que ouvi era mais grave que a de Britt e quando virei dei de cara com seu irmão. Isaac havia mudado de internato pois foi expulso do nosso, a irmã preferiu ficar a acompanhar o irmão e eu havia esquecido como aqueles dois se pareciam.
- Não preciso repetir nada, você já ouviu e antes de vir dar uma de irmão briguento é melhor aconselhar a princesa a não se meter onde não é chamada. Eu não tenho culpa se ela provoca as pessoas, mas depois não aguenta ouvir algumas verdades, Isaac, você sabe que eu to certo - revirei os olhos e vi o garoto rindo.
- Eu sei cara, só queria ouvir pra ver a expressão que ela fez de novo! - Isaac me abraçou, dando um tapa nas minhas costas, Isaac e a irmã se pareciam fisicamente, mas a personalidade era totalmente oposta.
- Isaac! - aquela voz aguda protestou - Você não serve pra nada mesmo, seu ridículo - jogou os cabelos e saiu andando.
- Ela não muda, não posso protegê-la quando ela pede por isso - deu de ombros - Como ficaram as coisas depois das meninas do lago?
- Na mesma, ninguém investigou mais nada, ainda tem gente que vai naquele lado do lago mesmo sendo “proibido”, nada vai mudar naquele lugar.
- As vezes eu sinto falta de lá, das pessoas, mas foi melhor sair mesmo, foi injusta minha expulsão, mas sei lá, lembrar que uma das minhas amigas morreu naquele lago era pesado. Todo mundo fala que a conhecia uma delas.
- Sinto muito por isso cara! - bati em seu ombro - Mas a não sabia nada não, ela nem conhecia as meninas - o olhei curioso.
- Não esquenta comigo não, to bem. Se não foi ela então devem ter confundido, mas deixa isso pra lá, melhor ficar de olho na sua garota! - Isaac falou, apontando para um ponto onde dançava em cima de uma cadeira com uma das meninas da torcida, ela estava com outra bebida na mão, e eu nem sabia se aquela era a segunda ou a décima segunda. - hein, quem diria.
- Nem eu sei como aconteceu, mas não é fácil não cara, aquela ali faz o que quer quando quer.
- E ninguém muda o jeito dela - Isaac riu - Sempre gostei disso nela, mas melhor você ir ali que uns caras tão se divertindo com a saia subindo - bateu no meu ombro me dando boa sorte. Andei até onde a garota estava, totalmente descontrolada como sempre ficava nas festas, chamando atenção como gostava, mesmo que não fosse proposital, e se divertindo com as amigas. Seu sorriso deixava claro que ela estava adorando aquilo; e as pessoas ao redor também. Eu não queria ser o chato estraga prazeres, eu também estava alterado, mas não daquela forma. Ela bebia um atrás do outro sem parar; eu sabia beber. Ela queria ficar bêbada; eu bebia porque gostava. Ela acordaria e se arrependeria de ter bebido tanto, e eu me arrependeria se não fosse até lá tentar pedir para a garota se controlar um pouco.
- Vem, amooor! - a voz de estava arrastada e estranhei a forma que ela me chamou. não era a pessoa mais carinhosa do mundo, não queria um relacionamento sério no momento, mas relevei pelo alto teor de álcool no sangue da garota.
- Vem aqui, - tentei puxá-la da cadeira, mas ela se esquivou e continuou dançando – Sério, linda, vamos tomar um pouco de água!
- Água ardente - riu achando a coisa mais engraçada do mundo - Sabe qual é uma das coisas na minha lista de fazer antes de morrer? - perguntou, apenas neguei com a cabeça achando engraçada a animação da menina - Strip tease! - gritou e tirou a blusa do nada, fazendo todos ao redor gritar. Meus olhos provavelmente saltaram, pois não esperava por aquilo, parte de mim queria cobri-la e tirá-la dali na hora, mas outra parte me impediu e eu fiquei parado olhando a forma que o sutiã rendado cobria seus seios e imaginando tudo que queria fazer com a garota, mas aquilo não durou muito, logo a peguei no colo ouvindo seus protestos - e protestos de quem curtia o showzinho que ela estava fazendo - e a levei a um canto entregando a blusa, tentando controlar minha irritação.
- Coloca isso - falei esticando o braço que segurava a blusa e ouvindo a risada dela, que negou com a cabeça e grudou seu corpo no meu. Meus olhos desceram para seus seios, ela parecia se divertir com aquilo.
- Gosta do que vê? - perguntou, virando a cabeça e me olhando nos olhos - Baby, relaxa, aproveita o momento e sente a música - sussurrou, aproximando os lábios do meu e fazendo o contorno da minha boca com a língua, eu não sabia o que havia dado nela, mas estava mais impulsiva do que nunca. Eu queria pará-la, mas seus beijos no meu pescoço e suas mãos apertando minha ereção não me deixava. Nosso beijo estava intenso, a respiração ofegante e parecia querer terminar com o que começamos ali mesmo.
- , para - falei, a afastando gentilmente - Coloca sua blusa, por favor - usei todo meu autocontrole, sabia que ela não estava no seu normal, não me aproveitaria disso. A preocupação era maior do que qualquer coisa que eu queria fazer com ela. Todos nós sabíamos como era aquela festa, tudo que rolava e como era comum alguém sair mais louca do que pretendia.
- Mas pra que? Eu quero tirar tudo - fez bico - Eu to com tanto tesão e é sua culpa, nada mais justo do que você cuidar disso - mordeu o lábio, tive que me segurar para não voltar a beijá-la ali mesmo.
- O que você bebeu? - perguntei, a olhando atentamente.
- Várias coisas. Sabe aquele ruivinho do outro internato, cara legal ele né. Me deu um pouco do copo dele - sorriu - Nossa, parece que eu to nas nuvens, mas meus pés estão no chão - falou, e finalmente aceitou colocar a blusa..
- Chega de beber né? Já deu, e não aceita nada de ninguém! - pedi. Esse ruivo do outro internato é amigo dos meninos que vendem todo tipo de droga em todas as festas que vamos. Eu não sabia o que havia bebido, mas tinha certeza que tinha algo no copo e eu tinha que avisar as meninas para que nenhum delas aceitasse mais nada, já basta . Sem falar do acidente que aconteceu no lago, todo mundo achava que alguém no nosso internato que estava vendendo, mas Valeria havia falado que tinha certeza que era alguém do outro, ninguém chegou a nenhuma conclusão e as meninas juraram que tomariam cuidado quando saíssemos, o que não foi o caso hoje.
- Ai Liam, me deixa curtir, que saco. Você tá parecendo o babaca do meu ex querendo me controlar, ele me machucou bastante, não me faz lembrar dele, não me faz comparar vocês dois, por favor – pediu com a voz fraca - Sem falar no melhor amiga da Britt, nós duas brigamos feio né? Nem somos mais amigas - cruzou os braços e fez bico, seus olhos começaram a lacrimejar, mas logo ela piscou voltando ao normal, me deixando extremamente confuso – Você não pode me diz o que fazer, ninguém pode! - falou irritada, apenas revirei os olhos ignorando o chilique dela. Uma coisa sobre é que ela sempre quer as coisas da sua forma, parte disso foi cousado pelo tanto de mimo que sua mãe dava desde que seu pai sumiu.
- Vamos ficar aqui um pouco vai - a puxei pela cintura, mas ela se esquivou.
- Quero dançar com as meninas, você ta muito chato, me procura quando voltar ao normal, não quero um cara grudento no meu pé. Você é fofo demais, eu sei que é um príncipe, mas para de querer me controlar- se virou e saiu andando irritada, mas voltou e me deu um beijo me pegando totalmente de surpresa – Você é bom demais pra mim, Liam, eu sei disso. Por que a vida é uma droga? - deu um soco no meu peito, e saiu novamente me deixando ali também irritado e confuso, essa garota é completamente louca. Eu ia atrás, mas vi que a garota havia parado ao lado do casal algemado e resolvi deixá-la com eles, era melhor do que ir atrás e discutir novamente. Eu queria muito discutir, queria mesmo, queria falar que ela estava sendo injusta, que foi idiota de aceitar bebida logo de quem aceitou e não sabia o que estava falando, que ela devia ser mais inteligente porque não perde uma festa e sabe como as coisas são, mas ela não lembraria de nada no dia seguinte e eu ficaria irritado enquanto ela estaria tranquila. Essa garota vai me dar muita dor de cabeça, só espero que valha a pena.

Louis
Eu sei que a intenção de era boa, fazer a amiga relaxar, esquecer as obrigações e viver como uma adolescente normal que ela não era; mas isso estava me afetando. A última coisa que queria era passar a festa algemado com aquela ruiva louca, ela estava parada com cara feia resmungando e eu parado ao seu lado vendo todo mundo se divertindo enquanto bebia, a coisa boa de ficar ao lado de era que ela é tão fria que acaba deixando minha cerveja ainda mais gelada. Passei a tarde inteira tentando animar essa garota cabeça dura e na maior parte do dia eu realmente consegui, mas agora ela havia voltado ao seu estresse quando estava ao meu lado e eu não queria fazer o menor esforço para tentar distraí-la, só queria me livrar daquela algema logo. Ela bufou novamente depois que Harry saiu, terminou de beber seu terceiro copo e me olhou.
- Nós vamos dançar - falou com a firmeza de sempre na voz.
- Nós vamos? - perguntei, franzindo o cenho.
- Sim, nós vamos! Você me distraiu o dia inteiro, e eu sei que nós dois estamos odiando passar essa festa algemados, eu sei que to acabando com todos os seus esquemas e que to um saco, quero muito matar , mas eu não aguento mais ficar parada aqui reclamando - falou rapidamente, enquanto me puxava até o meio da pista improvisada.
- Que bom que eu não precisei falar tudo isso e você chegou nessas conclusões sozinha, facilita meu trabalho! - sorri para a garota, que revirou os olhos.
- Não faz com que eu me arrependa disso, por favor - arqueou a sobrancelha e saiu me arrastando até o local que queria chegar, se movendo de um lado para outro enquanto eu apenas ria. era imprevisível, eu nunca sabia o que a garota faria a seguir e acho que essa era uma das coisas que mais gostava nela. Nem lembro quando exatamente foi que começamos com essa guerrinha, acho que foi desde o primeiro momento, nós dois somos tão diferentes, meus pais a amam e sempre falam como eu precisava de uma pessoa como ela para dar um sentido na minha vida. Digamos que minha mãe e meu padrasto, apesar de me apoiar em muitas coisas, me acham extremamente irresponsável - o que realmente sou, não vou negar-, toda vez que nos encontrávamos era a mesma coisa, o pai de me olhando feio - o velho nunca gostou de mim e eu nunca me importei em tentar conquistar sua simpatia, não era algo que estava na minha lista de coisas para fazer e não tinha a menor importância, mesmo que meus pais me pedissem para tentar ser educado com o cara -, e meus pais babando na ruiva; era ridículo e engraçado de ver.
- Ta rindo de que? - perguntou, colocando as mãos nos meus braços e me movendo, em uma tentativa de me fazer dançar.
- Só pensando que se nossos pais nos visse agora meus pais provavelmente ficariam felizes pela aproximação e seu pai iria querer me matar - comentei, tomando a liberdade de colocar a mão na cintura dela, já esperando pelo tapa que eu levaria, mas que não veio.
- Meu pai não te odeia, ele só não gosta dessa sua vida de “libertinagem” - fez aspas com os dedos, e continuou dançando - Palavras dele - deu de ombros.
- Libertinagem? - ri, balançando a cabeça e me aproximando mais.
- É, ele diz que você usa a liberdade de forma errada, que você não se importa com as consequências, que você é irresponsável e que isso pode prejudicar as pessoas que te cercam - falou, fechando os olhos e balançando a cabeça no rimo da música. Parei de dançar e senti uma dor no pulso quando as algemas balançaram conforme ela dançava, quando percebeu que eu não estava mais acompanhando abriu os olhos - Que foi?
- Você concorda com ele? - quis saber a opinião dela e nem ao menos sabia o motivo. Eu não havia ficado nervoso pelo comentário de seu pai, mas me incomodava pensar que concordava que eu poderia prejudicar alguém. - Por favor, Louis, que isso agora? Você sabe que meu pai gosta de regras e quem não as segue não é digno o bastante de sua atenção, por que você acha que meu irmão saiu de casa? - soltou os ombros e mordeu o lábio - Por um tempo eu até concordava com ele, mas sei lá, você só quer se divertir sem se importar com o amanhã, não acho que prejudicaria alguém de propósito - falou e voltou a dançar colocando as mãos nos meus ombros, me pegando de surpresa mais uma vez no dia. Minhas mãos voltaram para sua cintura e as pessoas que passavam achavam estranho justamente nós dois naquela situação, até olhar as algemas.
- Não tem problema nenhum querer aproveitar o momento, quer dizer, seu pai coloca tanta pressão em cima de você que… - parei antes de terminar a frase, não queria brigar com a garota justo quando conseguimos agir de modo civilizado.
- Que eu acabo surtando - respirou fundo - É verdade, eu sei que posso ser bem insuportável as vezes com essa mania de querer tudo certinho, de respeitar a maioria das regras, mas eu cresci assim, é tudo o que eu conheço - virou a cabeça sorrindo levemente e de tanto conviver eu sabia que não era um sorriso verdadeiro. A puxei com força fazendo seu peito bater no meu, fiz com que rodasse e a deitei no colo a subindo logo em seguida, enquanto ela me olhava rindo.
- Então vamos fazer algumas mudanças - falei, vendo que ela me olhou com mais interesse e se aproximou para ouvir melhor - Como foi o dia pra você?
- Suportável - gritou, para que eu ouvisse através da música, me aproximei mais para que não precisássemos ficar gritando - Confesso que achei que ia odiar, mas você sabe se divertir e acabou me contagiando, quase não tive preocupações.
- Claro, com uma companhia como a minha não tem como não amar né - pisquei, segurando sua cintura com mais força, seus olhos foram das minhas mãos para meu rosto, mas ela não falou nada. Essa era outra coisa sobre que eu gostava, ela pagava para ver, queria saber até onde eu iria e na maioria das vezes eu levava isso como um desafio; eu gostava que ela me desafiasse.
- E quais seriam as mudanças que você quer propor? - perguntou, passando a unha nos meus ombros sem nem perceber o que fazia.
- Você disse que tudo que conhece é essa vida chata, vamos mudar um pouquinho. O dia foi suportável certo? Então eu vou te ajudar a se soltar mais, você sabe que precisa e vai ser um favor para todos nossos amigos que tem que lidar com esse seu humor carregado - falei, vendo que ela abriria a boca para reclamar, então continuei - Nós vamos tentar até você conseguir passar um dia inteiro sem se preocupar com nada, vamos fazer as coisas que você sempre quis, mas sempre foi covarde demais pra tentar.
- E o que você ganha com isso? - cerrou os olhos e foi essa pergunta que me pegou de surpresa. Eu não esperava nada em troca daquilo, um pequeno lado meu sentia pena de ver a vida que levava. Ela vivia para a escola, as atividades extracurriculares e o pai, sem falar na preocupação de saber onde o irmão está e a mãe sumida-recém-aparecida, esse meu lado se sentia sufocado só de vê-la passando por isso que só de imaginar viver essa vida me dava claustrofobia. Ver seu esforço para tentar se distrair hoje me mostrou que talvez eu conseguisse trazer para fora um lado de que estava implorando para sair; por algum motivo eu achava que só eu conseguiria isso e talvez seja por nossas personalidades tão incompatíveis.
- Ganho o título do mais foda do internato, se eu conseguir fazer você se soltar um pouquinho eu vou ser o rei daquele lugar, vou virar uma lenda - resolvi brincar porque não falaria o motivo real, não queria que ela soubesse que as vezes, em momentos de surto, eu me preocupo com ela - E talvez em algum momento dessa jornada eu pense em algo! - dei de ombros. Ela parou de dançar e ficou me analisando por vários minutos, provavelmente se perguntando se eu tinha bebido demais ou usado alguma coisa, com certeza estava “estudando a proposta”- é uma coisa que ela faz, estudar absolutamente tudo -, pesando prós e contras, e um monte de coisas que eu nunca pensaria em fazer se alguém propusesse algo - E a primeira lição vai ser: aceitar logo as coisas sem ficar pensando no que poderia acontecer no futuro! - falei, quando cansei de ser analisado.
- Fechado - esticou a mão para que eu apertasse, mas balancei a cabeça e, com a mão que estava em sua cintura, a puxei para um abraço.
- Segunda lição: não ter medo de demonstrar o que quer que você tenha que demonstrar. No momento eu sei que é gratidão, nós vamos trabalhar nesse seu problema de comunicação, orgulho e…
- Se você não parar de apontar meus defeitos eu vou arrancar essa algema com os dentes - falou no meu ouvido, mas não partiu o abraço, mesmo que parecesse meio incomodada.
- Quem diria que a pequena pode ser selvagem assim? - sussurrei em seu ouvido, a senti tremer e dei risada - Tem que aprender o que é brincadeira também, ruiva. Se bem que nesse caso pode ser ou não - dei de ombros e ouvi a garota rindo, tentando relaxar conforme voltávamos a nos mover no ritmo da música. Me afastei para pegar uma bebida para nós dois, mas assim que meus braços a soltaram senti um empurrão e a próxima coisa que sei é que estou no chão com , que fazia careta de dor e massageava o pulso.
- Você junto desse otário de novo, ? - Scott, capitão do time rival e ex-namorado da ruiva falou, ignorei o babaca e me levantei, ajudando a garota.
- Machucou? - perguntei, olhando seu braço avermelhado, ela fez careta, mas negou.
- Que cena bonitinha. Desde quando você se importa com ela, maluco? E você , desde quando anda com esse verme? - Scott parecia puto e eu queria rir da sua cara de otário.
- Scott, a gente terminou, lembra? Eu não te devo satisfações de nada, se não devia nem quando estávamos juntos imagina agora - falou, colocando o cabelo para trás.
- Esquenta não, ele ta putinho porque perdeu o último jogo… De novo - arqueei a sobrancelha, vendo os amigos do garoto o cercando - Que fofo, Scott, não consegue sair sem seus guarda-costas? Tem medo de que? - falei, me colocando na frente de . O animal ainda não tinha visto as algemas, ou fingiu que não viu, se ele viesse para cima de mim a ruiva também se machucaria e eu não queria ser processado pelo pai poderoso e que me odeia.
- Que porra é essa, Louis. Se colocando na frente dela? Por acaso vocês tão juntos? Toda aquela histórinha de que você odiava esse cara era só pra eu não desconfiar de nada? Faz quanto tempo que você dá pra esse cara, ? Você é uma vagabunda assim mesmo?- Scott gritava, e as pessoas ao redor olhavam curiosas, senti ficando tensa ao meu lado.
- Relaxa irmão, você não é corno, a tem integridade demais pra fazer isso, mesmo que seja com um babaca como você - respondi, fazendo meu melhor para não ir pra cima. Violência não é a resposta, eu precisava lembrar disso.
- Louis, não provoca. Você também precisa mudar umas coisas, ser impulsivo é uma delas- sussurrou no meu ouvido e parece que aquilo foi o bastante para Scott, que parou na minha frente.
- Qual é cara, quer me beijar? Ta com ciúme de mim e não da ? - provoquei, mas devia ter ficado quieto, porque no segundo seguinte senti uma dor no nariz e meus olhos lacrimejando.
- Scott, chega! - gritou, massageando o pulso novamente - Você não ta só machucando a ele, saco! Olha aqui - balançou nossos braços na frente do garoto, enquanto eu apertava o nariz e sentia uma das mãos dela no meu ombro - Deixa a gente em paz, já deu. Você já fez seu teatrinho, pode ir embora.
- Você já bateu mais forte, perdeu o jeito? - falei, movendo o nariz para ter certeza que estava no lugar e senti um tapa na cabeça vindo de .
- Na próxima eu te arrebento - Scott apontou para mim.
- Na próxima eu não estarei algemado cara, então melhor não ter uma próxima porque nós dois sabemos quem vai arrebentar quem - movi a cabeça para o lado enquanto apontava com o dedo.
- Sério, ? Ele foi o melhor que você conseguiu? - Scott me olhava com nojo e aquilo me fez rir, o cara era patético.
- Não que eu te deva explicações, mas se isso vai fazer você sumir então lá vai: Nós não estamos juntos, mas mesmo que estivéssemos você não ia ter direito nenhum em se meter nisso, o que nós tivemos é passado, Scott! Coloca isso na sua cabeça e me deixa em paz - falou irritada, pegou o copo e deu um golo, tentando se acalmar - Ah, e mais uma coisa - se aproximou dele, fazendo com que eu me aproximasse também - Você ficou comigo por tanto tempo e ainda teve coragem de perguntar se eu te traia? Só prova que você nunca realmente me conheceu e que você me vê só como mais uma das meninas que você fica. Se você achava que tinha alguma chance da gente se acertar, então pode esquecer.
- , me escuta... - tentou segurar a menina, mas ela se esquivou e derramou a bebida do copo na cabeça do ex, enquanto eu olhava aquilo rindo. - Isso foi por ter me chamado de vagabunda na frente de todo mundo! - jogou o copo nele e virou as costas enquanto eu a seguia ainda rindo. Chegamos no jardim da casa e eu esperava que a garota começasse um monólogo sobre a falta de respeito de alguns homens com relação a mulheres, e como ela tinha liberdade de fazer o que quisesse com seu corpo já que ela é a dona do mesmo, mas o que veio foi um suspiro aliviado e risada, seguidas de me forçando a sentar na grama com ela.
- Fazer o que sempre quis, mas sentia medo, certo? - olhou para o céu por alguns segundos e se virou para mim - Eu nunca soube como colocar um ponto final de verdade na nossa história, ele continuava enchendo o saco achando que tinha alguma chance. E eu também sempre quis jogar bebida em alguém – sorriu.
- Já vi que você vai ser uma ótima aluna - mordi o lábio, vendo uma que nunca se mostrava. Seria no mínimo interessante.

Niall
havia pedido para não ficar sozinha, mas ela que desapareceu assim que pisamos ali dentro. segurou em sua mão e as duas foram para a pista, era a primeira vez que via dançando, e como ela era boa naquilo. Tentei não reparar muito porque somos amigos, mas eu não sou cego e ela sabe como mover o corpo. Também percebi os olhos de Zayn em e revirei os olhos, o tanto que já ouvi essa garota falando sobre todas as qualidades de Zayn era ridículo, não aguentava mais. Dei de ombros vendo que ela estava em boas mãos e fui até a mesa de beer pong onde os meninos jogavam. Zack tirava um cara atrás de outro, e uma menina atrás de outra, quase foi vencido por Alana, uma gata de cabelo azul do outro internato, mas Zack era um dos campões daquilo, ninguém tiraria o cara; a não ser eu ou Zayn, que logo cansou e foi para fora fumar.
- Onde tem bebida tem um irlandês, hun? - uma voz doce falou, e quando virei dei de cara com Lia, a menina mais tímida daquele internato, até estranhei vê-la por lá e acho que não consegui disfarçar muito bem - Connor que me arrastou - indicou o primo com a cabeça, que vinha com um copo de refrigerante para a prima e deu um soco no meu ombro.
- Não podia deixar minha prima sozinha, as amigas dela foram pra casa e ela ia ficar mofando naquele internato.
- Nós negociamos algumas revistas em quadrinhos, ele conseguiu me comprar - lia deu de ombros rindo, mas nunca me olhava nos olhos.
- Mas ta gostando? - perguntei, me encostando na mesa ao seu lado e cruzando os braços.
- É diferente dos lugares que estou acostumada, mas até que é agradável.
- Você só conhece a biblioteca - Connor empurrou a prima e eu ri vendo os dois se zoando. Era sempre engraçado ver Lia fora da biblioteca, ela era uma boa menina, só tímida demais para se misturar. Continuamos conversando até que minha vez chegou, Zack me cumprimentou com um toque e começamos a jogar. Parecia a final de um jogo grande, todo mundo em volta olhava com atenção torcendo para um ou outro, as vezes as coisas ficavam tão tensas que dava briga, não da minha parte, mas as pessoas realmente vão a fundo nesse negócio, não importa qual seja o jogo. Estavam 4 a 3 para mim, quando ouvi Lia gritando palavras de incentivo, sorri em sua direção e vi procurando alguém, logo que me viu cruzou os braços e ficou olhando o jogo, pisquei para ela, que revirou os olhos. Voltei minha atenção para o jogo acertando a última bola e ganhando. Claro que o fato de Zack já estar bêbado ajudou na minha vitória, mas nossos jogos sempre eram justos, então ele não ficou enchendo o saco.
- Quem é o próximo? - perguntei, abrindo os braços.
- Eu até tentaria, mas sou uma droga nisso! - Lia fez bico, me fazendo sorrir, ela era muito fofa cara.
- Eu até tentaria, mas não sou de beber - falou, se aproximando do grupo, dando um abraço em Connor e um sorriso para Lia - Eu sou a , mas me chama de
- Eu sei - Lia falou, mas logo se corrigiu enquanto eu e seu primo ríamos - Quer dizer, meu nome é Lia, prazer. Eu só sei quem você é porque você anda com o pessoal e…
- Calma garota, respira - riu, empurrando a loira levemente com o ombro, lembrei dela sendo a miss simpatia desde o primeiro dia que chegou no interato - Já que você não é tão boa e eu não bebo, ta afim de tentar uma? - perguntou, apontando com a cabeça para a mesa. Ela ainda não havia falado comigo e meu alarme sobre o sexo feminino indicava que algo estava errado, mas eu não fiz absolutamente nada, então dei de ombros deixando pra lá, provavelmente só queria incluir Lia na brincadeira mesmo.
- Pode ser - Lia sorriu, e piscou saindo para o outro lado da mesa, mas foi parada por um altão que eu não conhecia, ele tentava lhe oferecer uma bebida. Connor e eu fomos até lá para ver o que estava acontecendo.
- Ela não quer nada não irmão, valeu! - Connor falou, enquanto eu pegava a bebida da mão dela, derramando em uma das plantas que tinha pela casa.
- O que foi isso? - perguntou, cruzando os braços e olhando de um para outro.
- Cara, to ligado que você acha que pode confiar nas pessoas aqui porque são os internatos mais amigos, mas não aceita nada de ninguém não, - Connor falou, passando o braço pelos ombros da menina, arquei a sobrancelha com aquilo, desde quando eles são tão próximos?
- Eles colocam de tudo nas bebidas, principalmente MD, você fica louca, dá uma viajada nervosa - expliquei, enquanto andava de volta para a mesa do jogo com os dois.
- Os caras aqui gostam de se aproveitar, não só aqui né, mas o pessoal cai nessa de que pode confiar porque todo mundo se conhece e se fode - Connor olhou para com atenção, enquanto Lia apenas observava a festa, provavelmente já tinha tido essa conversa com o primo - Fica esperta, de verdade.
- Meu herói - abraçou Connor rindo e me abraçou rapidamente em seguida - Agora vamos jogar - foi para o seu lado, enquanto Lia olhava assustada para a mesa, sem saber direito o que fazer.
- É fácil, olha - falei, ficando atrás da menina tímida a minha frente - Essa bola tem que acertar um dos copos dela, caso isso aconteça ela bebe e você fica com 2 pontos - falei, colocando a bola em sua mão e a fechando - O mesmo vale para - sorri confiante - Agora tenta - falei com calma, vendo a menina jogando a bolinha e errando por pouco - Viu? Não é difícil – sorriu.
- É, nem um pouco - me olhou nos olhos e falou com a voz fraca. Nem consegui responder, porque logo sentimos pingos de cerveja nos acertando e olhamos para frente vendo sorrindo e indicando o copo onde a bolinha havia caído, Lia pareceu sem graça e eu balancei a cabeça rindo, não podia ser; não estava com ciúme .
- Continua assim que quem vai ter que beber é ela - falei, tirando a bola do copo e dando para Lia, que bebeu fazendo careta. Fui até o lado de , enquanto Connor dava conselhos para a prima sobre como jogar e parei ao lado da morena rindo, ela apenas ignorou e olhou as unhas, se balançando no ritmo da música enquanto esperava Lia jogar - Como você joga tão bem se não curte beber? - perguntei, quebrando o silêncio.
- Não é que eu não curto, só não to acostumada. Eu era uma atleta e tal, preferia não usar nada que fosse prejudicar meu metabolismo e desempenho - deu de ombros, as vezes eu esquecia que a garota surfava - Aprendi a jogar com Andrew, aquele meu amigo sabe? Ele jogava com os irmãos, acabei aprendendo - falou, pegando a bolinha que Lia havia errado novamente e jogando; acertando mais uma.
- Pega mais leve, , ela não sabe jogar e nem beber - ri, ao ver Lia fazendo careta de novo - E você? Não tem irmãos? Nunca falou de nenhum - a pergunta fez a menina olhar para mim novamente, mas ela logo desviou os olhos ao ver Lia acertando seu primeiro copo.
- Ae, Lia, com prática vai! - sorriu pegando um copo e fazendo careta antes de virar o líquido - Ela quis jogar, eu não to reclamando de beber, to? - deu de ombros e eu arqueei a sobrancelha vendo não ser tão amigável pela primeira vez - É complicado, eu tenho um irmão, acho… Mais ou menos - revirou os olhos e eu entendi que sua irritação não era com Lia, mas com o assunto.
- Como assim mais ou menos? Ou você tem ou não - falei, segurando em seu braço para fazê-la me olhar novamente.
- Então eu não tenho - riu dando de ombros ignorando minha confusão e jogou acertando novamente - Fica esperto, Horan, vou tirar sua coroa - apontou, ela havia ganhado e Lia fazia bico enquanto Connor ria. Fomos os dois até lá e passou os braços pelo ombro da perdedora - Você foi bem pra primeira vez - apertou Lia em seus braços.
- Niall tem concorrência - Connor me mostrou o dedo do meio, enquanto secava e eu revirei os olhos.
- Ganho dela qualquer dia - a olhei arqueando a sobrancelha.
- Só me falar onde e quanto - cruzou os braços me encarando. Começamos a rir e voltamos a conversar, mas por não querer excluir Lia da conversa acabei dando mais atenção para ela e foi ai que perdi de vista, acho que vi aparecendo, falando algo em seu ouvido e as duas sumiram novamente. Quando olhei pela sala lotada novamente avistei dançando sozinha com os olhos fechados. Ela não queria ficar sozinha, mas não via problema nenhum caso acontecesse, a vendo dançando ali sozinha eu percebi que ela não precisava de ninguém.
- Já volto! - avisei os dois e fui lentamente até onde ela estava, a abraçando por trás. Ela deu um pulo assustada e virou um tapa no meu ombro, logo vendo que era eu e balançando a cabeça enquanto respirava fundo, comecei a rir chamando atenção de algumas pessoas, enquanto ela depositava vários tapas em meu ombro.
- Não tem graça, palhaço - falou, me empurrando para longe.
- Foi bem engraçado visto daqui - levantei as duas mãos.
- Quero ver você ver alguma coisa quando eu deixar seu olhos roxos - mostrou a língua.
- Isso é algo que diria - ri, a fazendo rir junto.
- Você é tão desengonçado dançando, me acompanha - colocou a mão no meu quadril guiando de um lado para o outro, tentando me fazer dançar com ela. Company do Justin Bieber tocava e eu murmurei "Maybe we can be each others company", ela balançou a cabeça - Sei lá, a gente pode até ser se você não estiver ocupado demais - deu de ombros, e, apesar das palavras, manteve o bom humor.
- Isso é ciúme, ? - mordi o lábio para segurar uma risada e a segurei mais perto - Quem diria hein! Depois que eu falo que você é minha garota ainda acha ruim.
- Ai se enxerga né, Horan, por favor! - revirou os olhos, aproximando seu rosto do meu, era uma distância que nunca ficamos antes e eu não me importaria nem um pouco se ela se aproximasse mais, e falou baixo - E eu não sou sua garota, não sou garota de ninguém… Por enquanto - a última frase foi um sussurro e tive que fazer leitura labial para conseguir entender. Aquela da primeira semana apareceu, com insinuações que me fazia questionar se era apenas uma brincadeira ou não. Com era fácil saber, sua ambiguidade era sempre proposital e com segundas intenções, com eu não sabia se era apenas nossa forma de brincar ou se alguma dessas era coisa séria.
- Tipo de quem? Connor? Eu vi vocês sendo amiguinhos desde que chegamos - falei e foi sua vez de rir, conforme afastava o rosto do meu.
- Quem ta com ciúme de quem agora? - provocou - Não tem motivo, somos amigos, certo? - deu de ombros ainda dançando. Quando eu a olhava dessa forma esquecia que eramos amigos porque o desejo que aparecia era maior - Certo? - perguntou novamente, ela sabia bem que eu estava secando e estava se divertindo com isso., apesar do leve rubor em sua bochecha. Me empurrou, mas eu a segurei e a abracei ouvindo a garota rir.
- Você tentou me ignorar, nunca mais faça isso, não curti - falei, bagunçando seu cabelo.
- Você falou que não ia me deixar sozinha hoje e eu passei a maior parte dessa droga de festa sozinha - falou, mas não partiu o abraço.
- Desculpa, é que eu te vi com a e não achei que ela ia te deixar sozinha, eu esqueço que a não para quieta em festas - falei, me afastando um pouco para olhá-la nos olhos - Eu mereci o gelo que você me deu mais cedo.
- Mereceu mesmo - bufou - Mas eu não gosto de dar gelo nas pessoas - riu - Foi estranho mesmo, nós dois somos tão amigos desde o primeiro dia, melhor você não me dar mais motivos pra te dar outros gelos, Niall.
- Não vou, fica tranquila.
- Te achei - Connor apareceu sorrindo - Ai que lindo, Niall e sua garota - falou e levou um cutucão de Lia, que vinha logo atrás.
- Vocês ficam colocando isso na cabeça desse garoto e o ego dele fica insuportável - me empurrou, mas como sempre a puxei novamente para um abraço. O negócio é que eu gosto de abraços, sou um "hugger" e também gosta, então vou aproveitar mesmo já que ela não se importa.
- Fala logo, Connor - Lia cutucou o primo novamente, parecia incomodada e eu começava a achar que aquela história que as meninas falam dela ter uma quedinha por mim era verdade.
- A ta te procurando , falou alguma coisa sobre a - deu de ombros, e bateu a mão na própria testa.
- Ela sumiu, disse pra eu não me preocupar porque ela devia ta com uns amigos, mas acho melhor eu ir ajudar - falou para que só eu ouvisse - Parece que ela discutiu com Harry antes de vir pra cá - explicou ao ver minha confusão quando disse que estaria com alguns amigos e não conosco - Vou lá ajudar - se soltou de mim e saiu andando dançando ao ritmo de I took a pill in Ibiza, enquanto Connor seguia seu quadril com os olhos, dei um tapa na cabeça dele, que me olhou e deu de ombros.
- Qualquer coisa avisa - gritei e ela sorriu. Voltou rapidamente e me deu um beijo na bochecha.
- Sem motivos pra te dar outro gelo, entendeu? - apontou e eu ri a empurrando para ir procurar a amiga. É, ela estava com ciúme mesmo, mas nunca admitiria.

Capítulo 15

Zayn
Não que eu não goste de festas, mas eu preciso do meu momento sozinho. Sempre fui assim, quando tem muita gente começo a ficar irritado e preciso me isolar, todos já estavam acostumados por isso nem se importavam com meus sumiços. Eu tentava não julgar, mas era impossível. Ali um tentava chamar mais atenção que o outro para ser o mais falado no dia seguinte à festa, faziam coisas ridículas para conseguir a atenção desejada e muitos se arrependeriam na manhã seguinte. Era engraçado como alguns sentiam essa sede por ser comentado enquanto outros - como eu - preferiam o anonimato. A galera zoa falando que meu jeitão mais calado me dá tudo menos anonimato e o tanto de gente que passa encarando, enquanto eu só tento fumar meu cigarro em paz, me faz perceber que eles estão certos quando dizem isso. Por mais que eu tente o contrário, sempre acabo me destacando e minha maneira de lidar com isso é ignorando. Nada de excepcionalmente bom vem com todos esses olhares, os comentários são nojentos, tantos falando como se realmente te conhecessem quando só sabem seu nome. Já perdi a conta de quantas histórias já foram inventadas, uma mais ridícula que a outra, até falar que eu já havia levado revólver para escola inventaram, o que me rendeu pessoas fuçando meu armário e quarto. Algumas pessoas são patéticas. Mas se tem alguém que não tenta e sempre consegue chamar atenção, essa pessoa é . Todo mundo fala como Niall parece iluminar os locais, o mesmo vale para sua melhor amiga. Toda festa é a mesma coisa; andando por ai de grupo em grupo, sempre sorrindo e brincando, sempre acompanhada de alguém; sempre iluminando o local. É como se ela tivesse um ímã, era impossível não virar para olhá-la e todas as cabeças se virando era prova do que eu estava falando, quer estivessem olhando pelo seu jeito doidinho ou beleza, sempre olhavam.
Ela estava conversando com algumas meninas da torcida do outro internato e eu soltava a fumaça quando seus olhos encontraram os meus enquanto ela sorria. Foi ai que uma música do Enrique Iglesias com Descemer Bueno e Gente De Zona começou a tocar que ela soltou um gritinho animado e começou a dançar. Era o que faltava para sua festa ficar completa; uma música latina, sua raiz. Eu achava incrível como ela honrava as raízes e sentia orgulho, o mesmo orgulho que eu sentia da minha religião, era nossa conexão mais forte e o que me atraia para ela cada vez mais. Eu não sabia o que o cara estava cantando porque não falo nada de espanhol, só sei que vê-la rodar e dançar da forma que estava era sempre lindo de se ver. Era diferente vê-la dançando hip hop como mais cedo, isso é quem ela é e parece que conforme ela cantava em sua língua nativa com os olhos fechados uma luz emanava dela e atingia todos, que se animavam para dançar com a garota. já foi muito insegura e algo me dizia que ainda era, mas nesses momentos era até difícil olhar diretamente para a latina sem se sentir intimidado; ta ai, era uma das poucos que as vezes me intimidava. Não sei o que Shakira queria dizer com aquela música "meus quadris não mentem", mas seja o que for se aplica a , os dela se moviam de forma absurda, era até difícil acreditar.
- Bailando amor - parou na minha frente e estralou os dedos - Tem alguém ai? - perguntou, rindo.
- Eu só entendi quando ele falou da Tequila - confessei, a fazendo rir.
- La cerveza y el tequila y tu boca con la mía – cantarolou, meus olhos não perdiam um movimento de sua boca - A cerveja e a tequila, a sua boca com a minha – sorriu, e eu queria sua boca na minha agora, mas ela sempre fugia.
- La cerveza y el tequila? - tentei fazer seu sotaque, mas era impossível - Não dá - ri, fazendo a garota rir junto.
- Falando em tequila, não tomei nenhum ainda e eu ouvi dizer que o Zack guardou uma para os mais chegados - limpou o ombro, se achando.
- Me deixa terminar aqui e nós vamos lá - garanti, fazendo a garota bater palminhas e continuar dançando no local.
- Adrenalina, Wisin com Jennifer Lopez e Ricky Martin - respondeu minha pergunta muda sobre qual música era - Não é a melhor música para dançar? Sente esse ritmo - levantou os braços se movendo de um lado para o outro, enquanto meus olhos iam de seu rosto até o pedaço descoberto de sua coxa pela bota de cano alto e descendo até seus pés, cada dia ficava mais difícil controlar o que quer que seja que me dá quando estou perto dessa garota, e isso está me deixando louco.
- Não vai reclamar? - perguntei, apontando para o cigarro. Estava tão acostumado a ouvir todos sempre reclamando, até quem não me conhecia, que ver tão natural sobre isso era estranho, e eu precisava de um assunto para resistir a vontade de agarrá-la ali.
- Você é grandinho e eu não sou ninguém para julgar as escolhas de alguém. Quando você quiser parar vai pedir ajuda, não tem como ajudar quem não quer ser ajudado – falou me olhando, mas seus olhos estavam longe.
- Posso fazer uma pergunta? - perguntei, vendo o tanto de gente no jardim e ouvindo um "uhum" em resposta - O que aconteceu aquele tempo que você sumiu nas férias? - ela me olhou e mordeu o lábio.
- Por que eu ganhei peso? Por que eu to diferente? Qual o motivo da pergunta?
- Você sempre vai pra sua cidade natal com sua mãe e sua avó, mas sempre dá notícias, dessa vez foi diferente.
- Eu fui internada, Zayn - respirou fundo e eu me senti culpado pela pergunta - Lembra como eu fiz as provas antes de todo mundo, fui embora primeiro e só voltei no último dia mesmo? Quando todo mundo já tinha chego? - perguntou e eu concordei com a cabeça – Reabilitação! - suspirou, e eu a olhei – Como eu tinha que voltar pra Londres e pra escolar não pude ficar internada muito tempo, sabe como eu sumo toda quarta-feira? - perguntou e eu lembrei das meninas comentando sobre isso – Eu tenho encontros, grupos de apoio, e nos sábados que eu não to no internato não é visita familiar, é terapia – encolheu os ombros.
- Nossa, eu não fazia ideia - foi a única coisa que consegui pensar em dizer.
- Ninguém sabe ainda, eu sei que elas são minhas amigas, mas elas vão ficar em cima de mim 24 horas por dia quando souber. Elas já ficam no meu pé por causa dos distúrbios alimentares que eu tive, se contar que cheguei a esse ponto vai ser pior, elas não vão me deixar em paz com medo que eu tenha uma recaída e eu só quero viver uma vida normal, eu vivo com medo de recaídas, não posso viver assim, vai ser pior quando elas souberem - deu de ombros - Nossa, como é bom botar pra fora – sorriu e eu a olhei sem entender, como ela pode se sentir aliviada em contar algo tão íntimo logo pra mim?
- Mas não seria mais fácil com a ajuda delas?
- Depende porque cada um reage de uma forma. Elas podem achar que estão ajudando e só vão me deixar com mais medo ainda vendo o medo delas - começou a brincar com os dedos - Por isso eu nem ligo cada vez que alguém vem falar que eu ganhei peso, faz parte do tratamento, significa que eu to bem sabe? Eu to saudável, eu estou me sentindo bem, mas eu tenho medo de que quando eu contar para as meninas elas vão surtar, porque eu sei que se elas surtarem então eu vou começar a pirar - coçou a testa e eu sorri olhando para aquela pequena na minha frente. Sabia que algo estava diferente nela, desde o primeiro dia eu havia reparado as mudanças em seu corpo e comportamento.
-Se ajuda em alguma coisa eu te prefiro agora - dei de ombros, e ela balançou a cabeça.
- Alguns meses atrás ouvir isso justo de Zayn Malik seria meu objetivo de vida, mas hoje eu já não me importo mais para o que ninguém tem para falar, porque eu to bem comigo mesma... Na maior parte do tempo - sorriu genuinamente – Ainda to trabalhando nisso, a terapia ajuda bastante sabe? É bom não me odiar 24 horas por dia – confessou e eu não sabia exatamente o que falar, não estava preparado para uma conversa dessas.
- Agora entendi porque você falou aquilo de pedir ajuda e não poder julgar ninguém - segurei sua mão - Você é nosso orgulho sabia? Mesmo não contando para ninguém eu tenho certeza que todo mundo reparou as mudanças e estão felizes.
- Ta, chega desse papo pesado, você me prometeu tequila, vamos - virou de costas, colocou minha mão em cima de seu ombro e saiu me puxando para a cozinha, era sempre assim quando ela não sabia o que responder. Depois de virar 3 shots, estava mais animada que nunca, eu não sabia de onde ela tirava tanta energia, mas ela tirava. Acabou comentando comigo que não tinha visto durante toda a festa, eu sabia que ela queria ficar longe por causa de Harry, também sabia que estaria com alguns amigos do outro internato, e isso me preocupava - Como é quase halloween eu vou te mostrar uma coisa muito legal - falou me puxando pela mão e entrando em uma porta da cozinha. Acendeu uma luz e subiu as escadas, acho que estávamos no segundo ou terceiro andar da casa, dava para ver a piscina dali, era tipo um terraço.
- Como você sabe desse lugar?
- Eu sou amiga do Michael, tipo, de verdade - deu de ombros, indo atrás da bancada - Quando as festas são menores ele traz aqui para cima, aqui é a banca dos bartenders - falou, abrindo a geladeira e pegando umas garrafas. - O nome é Flaming Pumpikin Pie - arqueou a sobrancelha.
- Qual é, um flamejante com gosto de torta de abóbora? - ri, mas ela ignorou e colocou os dois copinhos na bancada.
- Kahlúa, licor a base de café mexicano vai embaixo. Baileys, um creme de licor irlandês feito de uísque vai no meio, normalmente se faz Goldschlager, licor suíço em cima, mas como não tem então a gente coloca tequila prata - ia falando enquanto colocava as quantidades certas em cada copo - Ah, e canela se você quiser - deu de ombros, veio até onde eu estava e colocou a mão nos meus bolsos me fazendo arregalar os olhos levemente, mas logo se afastou com meu isqueiro em mãos - E voilà - falou, olhando as chamas dançando no copo e sorrindo. Se encostou no balcão na minha frente e me entregou um copinho - Conforme o álcool vai queimando a bebida diminui e o sabor ficar concentrado, bebe - apontou com a cabeça, apagou a chama do copo dela e com cuidado virou a bebida. Fiz o mesmo e a senti descer queimando, como não tomei o mesmo cuidado acabei queimando a boca levemente, era gostosa mesmo.
- E como a senhorita sabe de tudo isso? - perguntei, colocando uma mão de cada lado da bancada, a mantendo presa entre o balcão e eu.
- Meu tio me ensina tanta coisa sobre bebidas, é engraçado. Uma vez ele perguntou se eu gostava de tomar na bundinha, eu fiquei horrorizada, mas ele é a pessoa mais zoeira que tem, quando eu vi, ele tava com uma cerveja aberta no fundo com sol na borda enfiando no meu rosto me pedindo pra experimentar - ela falou rindo, me fazendo rir junto - Eu tenho uma família grande, é engraçado quando junta todo mundo.
- Também tenho uma família enorme - falei, a fazendo rir novamente e era tudo efeito das bebidas que ela já havia bebido, mordi o lábio e passei a língua sentindo arder e reclamando, ela olhou sem entender – Queimei, enquanto bebia.
- Desculpa, eu devia ter avisado, mas eu tava empolgada demais pra beber isso - falou, passando o dedo na minha boca.
- Já que a culpada é você nada mais justo que fazer algo sobre isso - arqueei a sobrancelha, olhando em seus olhos, mas ela desviou - Não vou te deixar fazer isso de novo, - falei com a voz baixa.
- Ta falando de que?
- Me provocar e sair correndo, duas vezes no mesmo dia é injusto - me aproximei, sentindo sua respiração acelerada no meu rosto. Minhas mãos apertaram sua cintura, enquanto as dela passeavam no meu peito.
- Eu ainda to tentando entender porque faço isso - falou sinceramente, me fazendo sorrir.
- Sinto muito, mas não vou nem tentar controlar dessa vez - falei, vi a confusão em seus olhos, mas não esperei nada, juntei nossos lábios no momento seguinte, sentindo a língua de fazendo o contorno da minha, ela queria tanto quanto eu. Sorri contra sua boca, mordi seu lábio e a beijei da forma que queria ter beijado já fazia semanas, coloquei toda vontade que estava sentindo naquele beijo, ignorando a ardência na minha boca, e ela fez o mesmo. A senti puxando alguns fios do meu cabelo e grunhi em sua boca, só parecia doce mesmo, aquela menina era o diabo. Nos separamos e ela passou o nariz pelo meu pescoço, logo o beijando em seguida, minhas mãos em sua bunda da forma que eu queria a um tempo. Nunca pensei que logo seria a pessoa a me fazer perder o controle assim; ela sempre me surpreende.
- Zayn, eu... - ia falar, mas não deixei e a beijei novamente. Perdi a conta de quanto tempo ficamos ali, mas ela se separou de mim em um pulo quando ouvimos alguns gritos vindo da parte debaixo da casa.
- Melhor a gente descer - falei, arrumando meu cabelo que ela havia bagunçado.
- Eu vou procurar a - falou, sem olhar nos meus olhos, e saiu na minha frente, mas segurei sua mão e a puxei para perto novamente.
- Sem fugir, - dei um beijo em sua testa, e logo em seguida em seus lábios.
- Não to fugindo, é que ela realmente sumiu hoje - deu de ombros, e me puxou pela mão escada a baixo, me deu um último beijo antes de se afastar de mim de vez. Sorri mesmo sabendo que ela ignoraria completamente nosso beijo no dia seguinte; eu tinha conseguido fazê-la ficar um pouco mais dessa vez e isso já era o bastante.

Harry
Fiz merda beijando antes da festa, e o arrependimento só piorou depois de vê-la totalmente arrumada; ela parecia uma deusa e não queria chegar perto de mim. A roupa fazia um contraste com sua pele e eu só conseguia pensar em beijar aquela boca, mas dessa vez de verdade; só que ela estava me dando gelo. Fui muito estúpido em fazer isso depois da garota me contar o que havia acontecido, um de seus maiores traumas e eu devia saber que isso afetou sua relação com pessoas - principalmente do sexo masculino. E agora Zayn estava me olhando como se fosse me matar, eu queria muito dar um perdido, porque, apesar de ser um de meus melhores amigos, ele protegia como ninguém; e eu estava fodido.
Muita gente lotava a casa, a piscina estava praticamente com superlotação, já tinha gente sem blusa, desmaiada pelos cantos, se pegando em todo lado e parecia longe de acabar. Enquanto bebia com um garoto do time de lacrosse vendo Louis fazer careta olhando na nossa direção, um grupo de garotos do outro internato parou do nosso lado e começaram a conversar, o assunto chamou minha atenção e de Ryan quando tocaram no nome da melhor amiga de Britt.
- Falaram que viram a Valerie pela cidade - um ruivo cheio de sardas falou.
- Cara, mentira que aquela gostosa voltou! - o amigo do ruivo, que lembrei se chamar Tobby, falou.
- Tava tudo muito calmo por aqui, quando ela chegar quero só ver a reação da Britt e daquelas gostosinhas que não gostavam da Brit. Também falaram que a e a Valerie sabiam alguma coisa sobre aquelas meninas que morreram, mas a Val sumiu - um dos caras comentou, e eu estranhei. não conversava com aquelas meninas.
- Que gostosinhas? - um dos caras só ouviu a parte que era conveniente.
- Aquelas lá que andam com Louis, Niall… Os caras do outro internato, que deu aquela briga com a e tal!
- Ah, já to ligado em quem são, inclusive elas estão mais gostosas que o normal hoje, a bunda daquela é uma delícia, ela ta bem melhor que antes - o ruivo falou, e revirei os olhos, era nossa criança, não aguentava ouvir ninguém falando dela.
- Viram a amiguinha nova delas? Aquela ali vai entrar pra minha lista.
- Faz uns 2 anos que eu tento pegar a e ela só me ignora, mas hoje vai - e ao ouvir aquilo só consegui fechar as mãos e respirar fundo, sai de perto para não arranjar confusão e fui até onde Louis estava com . Minha amiga já estava alterada e não parecia ser apenas bebida, ela não parava quieta no lugar e eu não queria dar a notícia de que parecia que Valerie estava de volta; ela ficaria extremamente irritada. Britt e Valerie achavam que viviam em um filme adolescente e sempre queriam botar o terror na escola, mas por ser amiga de , Britt pegava um pouco mais leve, até acontecer uma discussão besta entre as duas, ai Britt resolveu que seria pior que Valerie, as duas juntas novamente tentariam fazer um inferno daquele internato.
- Cansou de papo com seu amigo do Lacrosse? - Louis perguntou, ao me ver chegando, , que ainda estava algemada com garoto, não parecia se divertir muito.
- Você que tem rivalidade com o time de Lacrosse, não eu. Já te falei amor - mandei um beijo para Louis, que mostrou o dedo do meio - , eu vi uns caras dizendo que iam tentar chegar na , mas ela ta meio estressada hoje, vai cuidar dela vai? E para de beber, seus olhos já estão minúsculos - falei, tirando o copo da mão dela e virando.
- Você não é meu pai, eu nem sei onde aquele merda tá, então porque todo mundo quer ficar mandando em mim?- revirou os olhos - Mas eu vou, se ela resolve bater em alguém já era - falou, saindo de perto, a vi pegar a bebida do copo de algum menino aleatório que passava por ali e ri; fazia o que queria, ninguém conseguia mudar isso na garota.
- Qual é a da revolta? - apontei com a cabeça.
- Liam falou a mesma coisa: que ela devia beber menos e ela tava tentando dançar com as meninas, mas ele queria ficar com ela, ai ela falou pra ele ir atrás dela quando tivesse menos chato - Louis riu - Mas você não expulsou ela por isso, qual a treta?
- Parece que a Valeria voltou! - falei, e vi fazendo careta.
- Contanto que não volte a estudar conosco... - falou, ainda fazendo careta.
- Gostosa, mas meio psicopata - Louis comentou - vai odiar essa notícia.
- Eu sei, por isso mandei ela embora - respirei fundo - A vida dá dessas.
- Cala boca, Styles - Louis deu um tapa na minha cabeça - Lola dançando sensualmente na sua direção, vai lá meu garoto - Louis me empurrou, fazendo reclamar pois estava presa a ele e seu movimento brusco a fez se mover também. Balancei a cabeça indo na direção da garota. Meu lance com Lola era amizade, apesar dela tentar uns avanços, todo mundo achava que nós ficávamos e que eu usava a garota para sexo, mas eu estou na seca a uns bons 6 meses, então é óbvio que esses rumores são totalmente falsos; as pessoas ficam com tédio e resolvem inventar sobre a vida dos outros, isso cansa. Enquanto dançava e conversava com a garota, vi saindo do banheiro com cabelo bagunçado e o batom borrado, até pensei que era Liam, mas quando olhei para frente vi o garoto a olhando com uma expressão decepcionada. não parecia feliz, mas do banheiro só saiam meninas. Vi minha melhor amiga tentando conversar com Liam, que apenas deu as costas e saiu andando. Balancei a cabeça indo atrás dela, mas no meio do caminho vi com o carinha que disse que tentaria ficar com ela, quando nossos olhos se encontraram o tempo parou. Não, mentira, não parou nada, ela apenas desviou e fingiu que não me viu, o que era algo esperado, ela sempre fingia que eu era invisível quando não queria lidar comigo. A música parecia mais alta e a atmosfera mais pesada, passou por mim pisando firme e eu sabia que ela não iria atrás de Liam; era muito orgulhosa. Enquanto estava distraído vendo aonde ia - ela não parecia bem -, não percebi saindo do meu campo de visão.
- Harry, ta com calor? - Niall gritou, e quando me virei ele estava com uma bacia cheia de água jogando em mim, senti a água gelada e minha blusa grudando no corpo enquanto algumas pessoas ao redor gritavam, algumas reclamando pela água, e outras achando incrível Niall jogando água em mim; bêbados acham tudo incrível, era só água.
- Filho de uma puta, sorte sua que eu realmente to com calor! - dei um soco no braço do garoto. Peguei a bacia que estava nas mãos de e joguei em Niall, que bateu seu punho no meu e saiu escorregando pela sala. Procurei pela sala, mas não a achei em lugar nenhum, passei a mão no cabelo tirando um pouco da água, e abri os botões da blusa que estava grudando, enquanto passava tentando achar ou , uma aleatória caindo de bêbada me parou me pedindo para beijá-la, atrás dela vinha seu namorado e aquilo já estava saindo do controle. Não vi nenhuma das meninas, mas vi quem estava evitando a festa inteira vindo na minha direção.
- Harry, cade a ? - Zayn perguntou, cruzando os braços.
- Isso que eu quero saber!
- Cara você é um otário, como você vai beijar ela de surpresa depois dela contar o que tinha acontecido? - Zayn parecia realmente nervoso e eu entendia o motivo. Ela tinha razão em me evitar, ele tinha razão em protegê-la e eu devia ter pensado melhor antes de agir.
- Não foi planejado cara, eu só não consegui controlar.
- Melhor começar controlar, eu não quero ter que te bater porque você machucou minha melhor amiga! - Zayn avisou.
- Eu também sou seu amigo, lembra? - falei, na defensiva.
- Nem tenta comparar, você sabe o que aconteceu com ela. Agora me ajuda achá-la.
- A última vez que a vi foi na sala com o Chuck do outro internato.
- Aquele desgraçado! - Zayn fechou o punho e saiu andando esbarrando em quem estivesse na frente, fui atrás me desculpando com as pessoas que Zayn tirava da sua frente com agressividade - Ele tenta ficar com ela faz uns anos, mas ela nunca dá chance, ele tem uns esquemas nojentos de colocar droga na bebida das meninas, você sabe que ele e o Tobby que vendem aqui, eu juro que se ele fizer isso com ele é um cara morto - Zayn falava, a veia em seu pescoço ia aparecendo cada vez mais e então a preocupação bateu de verdade. Me senti culpado, se ela estava evitando o grupo era pelo que aconteceu mais cedo, se ela estava com Chuck era porque queria ficar perto de qualquer um menos de mim e, se acontecesse alguma coisa, ele realmente seria um cara morto. Vi o grupo de amigos que estava falando sobre as meninas mais cedo e cutuquei Zayn, que tentava se livrar de uma menina que estava agarrada em sua blusa.
- São amigos do cara – apontei e tirei a menina de perto de Zayn com cuidado - Aqui linda, fica quietinha aqui ok? - a menina apenas concordou aceitando o que quer que falassem para ela. Fui atrás de Zayn, que já chegou segurando um dos garotos pela gola da blusa - Zayn cara, calma.
- Cadê o verme do seu amigo?
- Qual é cara, por que essa grosseria? - o garoto falou, tentando se livrar de Zayn - Ta putinho porque sua amiga deve ta dando pro Chuck? - Zayn soltou o cara com força, fazendo-o bater na parede, enquanto um grupo de pessoas já se juntava ao redor adorando ver que finalmente uma briga acontecendo e eu procurando com os olhos em todos os cantos, torcendo para que ela estivesse em qualquer lugar por ali.
- É melhor você me falar onde eles estão - Zayn falou, tensionando o maxilar.
- Sei lá irmão, se vira! - o cara virou, mas Zayn o segurou.
- Eu sei que você tava envolvido naquelas duas mortes do lago, tem uma conversinha ai sobre umas drogas que você tava vendendo e que acabou de forma fatal…
- Eu não to envolvido em nada, ta louco? - o garoto falou, enquanto eu perguntava para todos que via se haviam visto , inclusive para que havia passado ali perto preocupada com a discussão.
- Uma ligação pra direção do seu internato e seu quarto vai ser revirado, eu sei que achariam algumas coisinhas lá que acabariam com sua chance de conseguir uma bolsa de futebol na faculdade, seria uma pena né? - Zayn falava, seus olhos estavam pegando fogo.
- Melhor falar logo cara - avisei, já perdendo a paciência.
- Na casa da piscina tem uns quartinhos no fundo - falou com irritação na voz - Melhor ser rápido, quem sabe o que ta acontecendo? - sorriu de forma maliciosa, nem esperei ver o que aconteceu, só sai correndo dali, quando olhei para trás Zayn havia dado um soco no garoto e alguém o afastava enquanto pessoas ao redor gritavam. Fui correndo até onde o filho da puta havia avisado e encontrei na porta do quarto tentado abri-la.
- Ta trancada, eu não consigo... - falou irritada, nem deixei-a terminar de falar e joguei meu corpo contra a porta, - precisava achá-la logo -, senti a dor no ombro, mas ignorei. Quando entrei no lugar não vi ninguém, bufei frustrado jogando os lençóis da cama no chão, mas ouvi um barulho no banheiro e abri - estava destrancada. E lá estava sentada na pia parecendo meio sonolenta, tentando afastar Chuck que tentava beijá-la a força, mas parecia não ter reflexo nem forças; não pensei duas vezes em puxar o garoto para trás violentamente, fazendo com que ele se desequilibrasse caindo no chão e batendo a cabeça na parede. me olhava assustada.
- Ta louco, Harry? Vai matar o garoto? - perguntou, com a voz enrolada vendo Chuck caído, ignorei e vi o garoto levantando e tentando me dar um soco, mas graças ao boxe consegui desviar antes, só senti meu punho acertando o rosto dele em seguida.
- Não chega mais perto dela ou eu juro que você vai sair daqui com mais do que a sobrancelha aberta - apontei para Chuck, uma raiva que eu não sabia ser capaz de sentir me consumiu, mas eu estava mais preocupado com do que em acabar com ele.
- Então ela é sua putinha da vez? Desculpa cara, não sabia - provocou, e ao ouvi-lo falando daquela forma de não me controlei e o acertei novamente. Eu sei que violência não é a resposta, mas foda-se, ele é o pior tipo de pessoa que existe e isso não justifica, mas só de pensar no que ele estava planejando fazer já me embrulhava o estômago. Ia bater nele novamente, quando ouvi gritar meu nome.
- Chega! - falou, vendo o garoto sangrando.
- Você realmente preferiu sair com esse cara do que ficar perto da gente, ? Tudo por causa de um selinho? - perguntei, chegando perto da menina, que parecia mais sonolenta que nunca.
- Me tira daqui! - sussurrou e eu suspirei, a pegando no colo.
- Eu juro que não te entendo, ! - falei, dando um beijo em sua cabeça.
- Eu queria aquele beijo, Harry, mas eu tenho medo! - falou e ficou em silêncio por um tempo, me deixando digerir suas palavras. Quando Zayn chegou e viu sua amiga no meu colo ele surtou, queria ir matar Chuck, mas quando viu que eu já tinha dado um jeito no garoto me olhou agradecido por ter achado . Passei com a garota em meus braços, enquanto Zayn trancava Chuck no quarto e chamava a polícia e chamava uma ambulância para cuidar da garota desmaiada em meu colo; Chuck não sairia dessas. O pior é saber que ele tentaria fazer algo com pelo qual ela já havia passado, parecia uma brincadeira de mau gosto da vida, e eu não conseguia nem pensar em como ela reagiria ao acordar.
Rape drugs* são normais em festas, nós só nunca pensamos que isso vai acontecer conosco ou com alguém com que nos importamos; nesse caso o fato de já ter um trauma só piora a situação, eu não conseguia entender porque esse tipo de coisa acontecia com a garota. Sua beleza era um fardo, dava para ver em seus olhos o peso que carregava.
- Você ainda vai me deixar louco tentando te entender, pequena! - suspirei olhando a garota sendo colocada na maca, esperando que tudo ficasse bem e que a droga não causasse nenhum dano a sua saúde. Balancei a cabeça irritado e acompanhei a menina.
- Eu vou com ela! - falei, ao ver que Zayn ia se pronunciar - Não adianta nem me convencer, eu sei que é sua melhor amiga, mas eu vou com ela! - falei com firmeza, Zayn nem tentou argumentar, apenas concordou com a cabeça.
- Vou avisar os outros e te encontramos lá - falou - E Harry, eu sei que você nunca a magoaria, pelos menos não de propósito - falou, e virou as costas para procurar nossos amigos, enquanto eu pedia em silêncio para que tudo ficasse bem.
Chegando ao hospital expliquei para o médico o que havia acontecido, mas estava sem os documentos dela, por isso tive que fazer o que menos queria; ligar para seus pais. Eles ficaram extremamente preocupados, como era de se esperar, e o fato de não estarem na cidade só piorou o estado dos dois, mas disseram que já estavam ligando para o piloto do jatinho – sim, são poderosos assim -, e já estava voltando, nesse tempo mandariam a tia de para trazer os documentos. Falaram com os médicos, que quando entenderam quem eram os pais da garota foram cuidar dela imediatamente, e juraram confidência. Assim que pude entrar no quarto vi deitada ali pálida, mas salva. Respirei fundo e fui até sua cama, fazendo carinho em sua cabeça.
- Desiste de me afaste e me deixa cuidar de você, não é muito o que eu to pedindo, é? - falei, vendo a menina se mexer e ir acordando. Mas logo pegou no sono novamente, ela estava assim já fazia uma hora, nessa de dormir e acordar.
- Cadê essa peste? Essa garota não consegue ficar longe de confusões por um minuto, já to de saco cheio disso – a tia da menina entrou no quarto reclamando – E você é? - perguntou ao me ver.
- Um amigo, e a senhora?
- Tia dessa ai. Com tanta coisa pra tratar do meu marido, inclusive nem sei porque fiz esse favor de vir aqui, se ele foi preso foi porque…
- Ele mereceu? E você fez esse favor porque é o mínimo que podia fazer depois de tudo? Se ela tá nessa cama hoje é sua culpa e do nojento do seu marido, se ela se esconde atrás de bebidas ou o que quer que seja, é pra esquecer toda merda que ele a fez passar, foi…
- Cala essa porra, pirralho, você não sabe o que está falando – respondeu com o nariz empinado – Ela que sempre foi uma vadiazinha que se insinuava e…
- Deixa os documentos dela aqui e vai embora – falei, abrindo a porta do quarto – A não ser que a senhora queria que uma nota anônima saia na imprensa contando como seu marido é um pedófilo estuprador nojento e como você acobertava as atividades dele – falei, respirando fundo para controlar a irritação. Ela me olhou ofendida e fez menção de reclamar, mas apenas jogou o cabelo e saiu pisando firme. Quando virei novamente estava acordada me olhando com atenção, olhou para baixo e colocou o cabelo atrás da orelha. Me aproximei da cama sentando e segurando sua mão.
- Desculpa por você ter ouvido isso eu… - falei, mas fui parado quando senti a garota me abraçando forte.
- Obrigada, por tudo! - acariciou meu cabelo.
- Você lembra? Do que aconteceu?
- Não de tudo. Eu tenho uns tipos de flashbacks, é estranho. Mas ter acordado aqui e a primeira pessoa que eu vi foi você me mostra que você cuidou de mim. E também falou umas verdades pra tia – riu – Me conta tudo que aconteceu – pediu, e assim comecei a contar tudo, enquanto ela ia ficando tensa.
- Parece a droga do meu destino ser fodida por homens e não de um jeito bom – fez careta, deitando novamente – Por mais que eu fuja isso me persegue, eu não sei mais o que fazer.
- Para de fugir! - falei, olhando em seus olhos – Você tem que encarar seus medos de frente, , e não é enchendo a cara que vai te ajudar. Escuta, Liam tá ensinando a lutar, eu posso te ensinar algumas coisas sobre defesa pessoal!
- Ai que tá, eu não devia ter que aprender defesa pessoal porque um babaca não sabe o que é consentimento – bufou, cruzando os braços.
- Eu sei disso, linda. Mas infelizmente a sociedade é assim, em vez de ensinar respeito eles ensinam medo. Faz a vítima se sentir culpada quando nós sabemos muito bem de quem é a culpa – fiz carinho em seu rosto – O mais importante você já fez; procurou ajuda. A gente só tem que continuar trabalhando nisso e logo você não vai sentir tanto medo assim – segurei sua mão.
- Eu acho que nunca vou parar de ter medo – fungou – Mas eu posso tentar né? Quer dizer, o que aconteceu hoje foi tipo pra me acordar – virou a cabeça – Eu aceito sua ajuda! - falou como se as palavras machucassem sua boca ao sair, não contive o sorriso que apareceu.
- Você não vai se arrepender, o próximo que chegar perto de você sem sua permissão vai sair no mínimo sem orelha.
- Tipo Mike Tyson? - perguntou, rindo.
- O básico de lutadores você já sabe, eu acho que posso trabalhar com isso – cocei o queixo fazendo me dar um tapa.
- Harry, eu queria te perguntar… Eu ainda tava meio tonta e… Tá tudo ainda meio confuso, mas por acaso você…
- Eu pedi pra você me deixar cuidar de você, não foi sonho nem nada, foi sério. E mesmo que você não deixe eu viu, da mesma forma que fiz hoje.
- Acho que não tem problema aceitar ajuda de amigos né? Quer dizer, ninguém vai muito longe sozinho – mordeu o lábio me olhando, sorri com aquilo, primeira vez que ela me chamava de amigo – E me desculpa pelo tapa.
- Eu mereci. E também vai ser uma boa história, apanhei da garota mais gata do internato – falei, a fazendo balançar a cabeça. Enquanto conversávamos sua aparência ia melhorando, já não parecia mais tão triste e abatida e saber que eu estava ajudando era bom. A enfermeira avisou que nossos amigos haviam chegado e eu sai para deixar eles entrarem. Depois que todos saíram do quarto para que ela descansasse e nós pensamos que também descansaríamos, apareceu nada mais nada menos que a polícia, mas graças a Deus temos a .
- Nós ouvimos um grito na piscina e descemos e…
- Tavam fazendo o que lá em cima sozinhos? A ainda é nosso bebe, Mali, respeito – , que parecia bem alterada, cutucou o garoto.
- Continuando… Tinha alguém desmaiado na piscina, assim que fomos procurar a a ambulância chegou pra levar a pessoa para outro hospital e agora querem nos fazer umas perguntas – Zayn falou, vendo os políciais falando com os médicos, e logo chegando onde estávamos. Começaram a fazer perguntas e se irritou.
- Isso é um interrogatório? Porque os senhores não podem nos interrogar sem avisar nosso pais e sem a presença de um adulto, ainda somos de menor – falou, cruzando os braços e todos a olharam chocados. Os caras começaram a falar que precisavam fazer aquilo porque não conseguiram falar conosco na festa uma vez que fomos embora, mas assim que os pais da chegaram no hospital a festa acabou e nos deixaram ir embora, mas antes de pedir para os médicos darem uma olhada em , que foi confirmada com MD no sistema e acabou ficando por lá com Liam.
- E a toda fodona citando a lei – Niall falou, nos fazendo riru.
- Ta passando muito tempo com Louis e ficando impulsiva.
- Eu só falei o óbvio, eu tenho meus direitos e não ia ser tratada como suspeita ou sejá lá o que for sendo que eu não fiz nada – deu de ombros. Estávamos saindo do hospital e já estava amanhecendo, nem parecia que fazia pouco tempo que estávamos no internato.
- Cara, to quebrado, parece que esse dia não vai acabar nunca – Zayn bocejou.
- E como nós vamos voltar? Quer dizer, ia todo mundo pra casa da , não? - falei, lembrando que das casas a dela era a mais próxima. Todos começaram a reclamar, até um caro parar buzinando na nossa frente e uma loira abrir a janela.
- Sorte a de vocês que eu voltei, né? - Becky falou, todos olhamos para Zayn e , que estava abraçada no garoto, se afastou lentamente – Quem vai querer carona? - a ex de Zayn falou, abrindo a porta do passageiro e sorrindo. foi a primeira que pulou para dentro do carro, mesmo sem saber quem era a garota que oferecia.
A única coisa boa do dia foi ter aceito se aproximar de mim mesmo.
- Cara, ela devia tá na faculdade – Zayn sussurrou, antes de entrar no carro.
- Sua ex seus problemas, Malikão! - bati no ombro dele e fui no passageiro. Pelo menos essa eu ia fazer pelo meu amigo.



*Rape drugs também são conhecidas como drogas do estupro (ghb, ketamina, clorofórmio...)

Capítulo 16



Minha cabeça e corpo estavam pesados, a visão embaçada e a boca seca; estava exausta. Me movi reclamando da claridade e senti algo incomodando meu braço, quando olhei vi que estava recebendo soro na veia, bufei sabendo que havia feito merda mais uma vez, e uma sensação ruim de tristeza se apossava de mim. Me sentei com dificuldade e esfreguei os olhos podendo finalmente ver que me encontrava deitada em uma cama de hospital. Minha mãe se moveu quando ouviu meus movimentos e abriu os olhos me olhando cansada, olheiras enfeitavam seus olhos intensos e eu quase me encolhi na cama. Ela não falou nada, apenas pegou um copo com água e esticou para mim, se sentando ao meu lado e passando a mão no meu cabelo.
- O que eu faço com você? - perguntou, sua voz estava rouca, sabia que havia chorado - , eu não aguento mais esse comportamento, eu sei que você sempre foi meio maluca, mas desde que seu pai sumiu tudo piorou e eu não aguento mais isso filha. Uma garota da sua idade não devia ter os níveis de álcool no sangue tão altos como estavam noite passada, e as drogas encontradas no seu sistema, eu…
- Mãe, eu não usei nada, juro! - falei, sentindo meus olhos lacrimejando, a decepção dela não era maior do que a minha - Eu bebi sim, mas não usei nada.
- Liam me falou que colocaram coisas na sua bebida - falou, fungando e se sentando mais perto - Eu sei que as coisas estão difíceis desde que seu pai me abandonou, mas você não pode ficar agindo assim, , eu não consigo ver você se destruindo aos poucos - mamãe chorava novamente e tudo que pude fazer foi abraçá-la. Eu não queria magoar quem mais amo no mundo e sabia que estava deixando minha mãe mais preocupada do que nunca, mas algo dentro de mim sempre gritava para perder totalmente a cabeça sempre que pudesse. É como se ficar pensando nos motivos que possam ter levado meu pai a sair de casa, onde ele está, se está bem, o que está fazendo, começasse a me sufocar trancando a divertida no fundo da minha mente e então, quando eu finalmente me dou a oportunidade de relaxar, é como se aquela estivesse enlouquecida pedindo para sair e fazer todas as merdas que ela quer. Muitas pessoas dizem que é apenas para chamar atenção do meu pai e ver se ele aparece, pode até ser, mas eu só sei que quando coloco meu pé em um local cheio de pessoas e seguro um copo de bebida na mão, tudo é esquecido e eu perco o controle, mas eu não posso continuar perdendo o controle dessa forma, não posso machucar minha mãe assim. Prometi para ela que não faria mais isso, mesmo sem saber se seria capaz de cumprir tal promessa. Depois de um tempo fui liberada e ela me levou até a casa de Becky, Liam estava junto, mas não me olhou nenhuma vez o que me fazia questionar que outras merdas eu havia feito, mas minha cabeça doía e tentar lembrar todos os detalhes da noite passada só piorava tudo. Minha mãe explicou que Becky havia aparecido na saída do hospital para pegar o pessoal, eles acabaram indo para sua casa e minha mãe só me deixou ir porque estaria lá, caso contrário teria me levado para casa, mas eu achava que tinha mais nisso, ela não me queria perto no momento eu só não sabia o motivo, ela não me deixaria ficar longe logo após sair do hospital. Quando entrei na sala, com ele ao meu lado ainda me ignorando, minha boca se abriu ao ver que a ex de Zayn realmente tinha voltado e estava lá sentada com todos meus amigos. A maioria desconfortável, parecia que a única pessoa confortável com aquela situação era Niall.
- O que ta acontecendo? - perguntei, cruzando os braços. , que estava com a cabeça encostada no braço do sofá, levantou-se rapidamente ao ouvir minha voz e correu para me abraçar, trazendo Louis junto e me fazendo rir fraco.
- Você é uma sem juízo , eu vou te matar! - falou, segurando meu rosto com as duas mãos e virando de um lado para o outro.
- Deixa a menina respirar, para de ser louca - Louis falou, ele estava de olhos fechados. Todos pareciam extremamente cansados e exaustos, percebi que não estava ali.
- Cade a ? - perguntei, sentando no colo de Harry, que logo me abraçou fazendo mil perguntas sobre como eu estava. Quando fiz a pergunta senti meu melhor amigo ficar tenso e todos ficaram quietos, balancei a cabeça pela falta de resposta e perguntei novamente.
- Bom, vou fazer alguma coisa na cozinha pra deixar vocês conversando – Becky sorriu tentando ser simpática e sumiu pela porta. Assim que ela saiu eles me contaram tudo que havia acontecido, abri a boca querendo voltar para o hospital no mesmo momento, mas ninguém deixou, disseram que ela estava bem, com os pais, e nos encontraria no internato segunda-feira. Enquanto eles retomavam o ânimo, percebi que e Louis ainda estavam algemados e balancei a cabeça indo até a mochila que minha mãe havia arrumado, a chave havia ficado ali e eu tinha esquecido totalmente. Joguei a chave na direção deles, e eu juro que eles não pareceram tão felizes como pensei que ficariam ao ver que estavam livres.
- Minha ideia deu certo, então? - perguntei, vendo que os dois continuaram sentados um ao lado do outro mesmo depois de soltos.
- Nós entramos em um acordo, né ruiva? - Louis jogou o braço pelo ombro de , apenas para ser negado.
- Não abusa garoto, só porque concordei não quer dizer que você tem toda essa intimidade, não vem invadindo meu espaço pessoal não - falou, se sentando direito.
- Mas eu tinha intimidade quando sua língua tava dentro da minha boca né? - Louis falou, e todos abriram a boca rindo enquanto ficava da cor de seu cabelo. E então ela começou estapeá-lo, ele tentava segurar suas mãos, enquanto todos ríamos.
- Vocês ficaram? - Niall estava perdido como sempre.
- Cara, que mundo você vive? Ele contou no mesmo dia - Zayn deu um tapa na cabeça de Niall, e estapeou Louis mais ainda ao ouvir aquilo.
- Mas eu pensei que ele só tava zoando, quer dizer, é a , pensei que ela tinha bom gosto né! - Niall deu de ombros, apontando para seu corpo nos fazendo lembrar de quando eles dois ficavam. Era tão estranho pensar naqueles dois juntos que nós até esquecíamos.
- E ela tem, por isso te largou, fica tranquilo - Louis falou, jogando uma almofada em Niall.
- Parem de falar como se eu não estivesse aqui, eu vou matar vocês dois, mas antes eu vou ajudar a Becky - levantou e seguiu pelo mesmo caminho que a ex de Zayn. Eu sabia que ela só estava evitando ficar ali depois daquela cena porque estava com vergonha, sempre fugia de tudo quando estava com vergonha e nossos amigos sempre faziam de tudo apenas para piorar a situação, o que a deixava cada vez mais irritada. Ela começava ficar vermelha pelo pescoço e ai você já sabia que estava fodida.
- Então eu fiz algo certo? - perguntei animada, olhando para Louis.
- Como se anulasse as coisas erradas! - Liam murmurou, mas todos nós ouvimos. Respirei fundo tentando não me irritar e entender seu lado, mas aquele silêncio dele estava me deixando louca. Normalmente eu que faço essas coisas, eu que dou indiretas, eu que os deixo loucos, eu que sumo ou fico em silêncio. Ele estava me fazendo provar do meu veneno e eu estava odiando cada momento.
- Se você tem alguma coisa pra falar então fica a vontade - me virei para ele, cruzei os braços e fiquei esperando, mas ele não estava retribuindo nem meu olhar, o que me fazia sentir a pior pessoa do mundo, que tipo de coisa eu fiz que impede ele de olhar para mim? - Payne, eu sei que você tem uma queda pela Disney e quadrinhos, e tem uma coleção fofinha do batman, mas ta na hora de deixar seu lado infantil de lado e me falar que porra ta acontecendo! - falei irritada.
- Meu lado infantil? Você agiu como uma criança mimada a noite inteira e eu que sou infantil? - gritou, sua voz que já era grave ficou ainda mais, assustando que dormia encostada em Niall. Ela olhou com os olhos arregalados e quando me viu correu para me abraçar perguntando como eu estava, achava fofa a preocupação dela, ainda mais pelo fato de que nós nos conhecemos faz pouco tempo, mas já havíamos criado um grande laço. Ela então olhou para Liam o repreendendo com o olhar, mas ele ignorou totalmente e continuou me encarando com fogo nos olhos e eu sentia a ardência. Se olhares queimassem eu já teria virado cinzas. Um por um eles começaram a sair da sala para nos deixar sozinhos, exceto por Niall, que continuo sentado no sofá olhando de um para outro.
- Se manda, Horan! - Liam falou, enquanto puxava o loiro pela manga.
- Vocês são um bando de estraga prazer, eu queria ver tudo em primeira mão, não vai ser o mesmo que ouvir os gritos deles - Niall saiu reclamando, e eu quase sorri com o que o loiro havia falado. Eu sempre acabava gritando, ele já havia presenciado várias discussões minha com algum carinha e sempre terminava aos berros. Todos nós sabíamos que Liam podia ser um cara controlado na maior parte do tempo, mas também sabíamos que quando ele estourava era forte; eu nunca havia presenciado.
Parei na frente de Liam vendo sua expressão cansada, seus olhos estavam pequenos e vermelhos pela falta de dormir, e ele estava com algumas olheiras também. Já tinha trocado a roupa que estava na festa. Seu maxilar estava tensionado, a veia do pescoço aparecendo e eu sabia que ele estava muito puto comigo, só não entendia bem o motivo. E eu me sentia cada vez mais cansada, exausta e aquela sensação de tristeza, que eu não sabia explicar de onde vinha, só parecia piorar.
- O que eu fiz? - perguntei, finalmente me rendendo, sabia que estava errada, não adiantava bancar a orgulhosa agora.
- Primeiro de tudo que você me deixou lá sozinho plantado duas vezes...
- Liam, você me conhece cara, sabe que eu não gosto dessas coisas de ficar grudado. Eu queria curtir com as minhas amigas e você podia ir curtir com os seus, você sabe que eu sou assim desde que me conheceu, não vem tentar me fazer sentir culpada por isso! - suspirei, colocando a mão no quadril.
- O problema não é esse , você quer curtir então vai curtir, mas não vem me fazer de idiota. Enquanto eu tava lá conversando com os caras você tava aceitando bebida de qualquer um e olha a merda que deu. Você não é criança, você sabe como aquelas festas são e vocês juraram que iam tomar cuidado depois daquelas duas meninas que morreram, mas ai você tinha que dar um jeito de chamar atenção ficando mais bêbada que a puta que pariu e ainda ser drogada.
- Calma, então a culpa por ter sido drogada foi minha? Você ta realmente dizendo que eu tenho culpa por algum otário ter colocado coisa na minha bebida? Vai me dizer agora que também é culpa da quase ter sido estuprada pelo Chuck? Você é tão babaca assim, Liam? Porque se for me fala logo que eu já começo manter distância de você começando agora - perguntei, andando para frente conforme ele andava para trás, agora sim eu estava irritada, eu tentava manter o volume da voz baixo, mas era impossível.
- Que? Não, não tenta distorcer o que eu falei. Claro que vocês não tem culpa de nada, ta louca? - falou, ele estava assustado pela forma que eu havia interpretado sua fala e por um momento perdeu a pose de machão - Eu mataria qualquer um que tentasse fazer mal a alguma de vocês. Caralho, , vocês são nossas meninas, eu nunca acharia que a culpa foi de vocês, eu me expressei mal. - esticou a mão, mas a abaixou antes de encostar em mim.
- Então o que você quis dizer com isso, Payne? - bufei.
- Que você tem que se controlar um pouco. Porra, , quantas meninas do nosso internato mesmo você não conhece que já foi drogada por esses otários? Foi óbvio do momento que você entrou naquela festa que você queria ficar louca e pra que isso? Ta, você gosta de ficar bêbada vez ou outro, isso é problema seu, mas você virava um atrás de outro sem nem ver o que era, presta atenção no que você faz, . Bancar a irresponsável podia ter tido consequências piores, e eu sei que se as pessoas forem menos filhas da puta você não ia nem precisar tomar cuidado, mas esse não é o caso.
- Eu não banco a irresponsável - revirei os olhos pensando “eu sou irresponsável”, mas talvez isso pioraria nossa briga - E eu não pedi por nada do que aconteceu, então se você vai tentar me fazer sentir culpada melhor desistir - virei as costas para sair dali. Confesso que meu coração amoleceu quando ele falou que mataria quem tentasse fazer mal a nós, mas eu não queria conversar com ninguém no momento. Minha cabeça estava explodindo e parecia que cada palavra dele me atingia de uma forma que aquela tristeza piorava cada vez mais. Antes de conseguir me afastar, ele segurou minha mão me puxando de volta. Liam era decidido, se ele queria conversar então ele conversaria, não gostava de deixar para depois e isso era um problema porque nós dois de cabeça quente não seria nada bonito.
- PORRA, SERÁ QUE DÁ PRA VOCÊ PARAR DE FALAR E OUVIR UM POUCO? - gritou, e nesse momento meu coração acelerou, eu não gostava quando ele gritava. Os meninos sempre falaram que quando Liam ficava irritado era assustador, eu nunca quis descobrir e ele nunca havia gritado comigo, mas eu já havia visto algumas discussões dele e não era nada legal quando ele se alterava.
- VOCÊ NÃO GRITA COMIGO, TA PENSANDO QUE É QUEM, LIAM? - gritei de volta, escondendo que havia ficado assustada e o empurrando, fazendo com que ele batesse na parede, e dei um soco na mesma. Normalmente o cara que faz isso, eu sei, mas eu estava com tanta raiva que precisava descontar em algo, eu não bateria nele, não seria descontrolada a esse ponto, eu só precisava daquela terapia que bater em um saco de pancadas me trazia, Liam havia me ensinado, e toda raiva que eu estava sentindo estava começando a sair de controle. Raiva de não saber exatamente o que aconteceu, raiva de saber que o magoei e nem tinha como pedir desculpas porque não consigo lembrar todos os detalhes, raiva de me sentir dessa forma e raiva por ele me fazer sentir assim quando eu nunca me importei. Eu precisava liberar ou falaria coisas que me arrependeria. A dor na minha mão começou a distrair minha mente da fúria e eu sabia que ficaria com aquela parte roxa.
- EU? SOU SÓ UM BABACA QUE SE PREOCUPA COM QUEM NÃO MERECE, ME FALARAM QUE EU IA SER FEITO DE IDIOTA SÓ NÃO PENSEI QUE SERIA TÃO CEDO, PENSEI QUE TALVEZ VOCÊ NÃO SE ENTEDIASSE COMIGO TÃO CEDO! - meu coração deu um solavanco por dois motivos: nenhum cara já havia falado que se preocupava comigo com aquela convicção, e por ele achar que eu o estava fazendo de idiota. Se ele soubesse…
- Eu não to te fazendo de idiota seu… Idiota, eu… - respirei fundo, batendo os dois punhos no peito dele - Droga, Liam, você me deixa louca - suspirei, encostando a cabeça em seu peito, sentindo uma de suas mãos fechar em meu pulso e a outra no meu cabelo. Quase senti vontade de rir da nossa situação; os dois gritando um com outro, querendo machucar e ao mesmo tempo querendo consolar.
- Eu te deixo louca? , eu fiquei a noite inteira te observando pra ter certeza que você estava bem, passei a noite naquela porra de hospital pra ter certeza que você ia sair inteira, agora me sinto um otário de não ter arrancado as bebidas da sua mão só porque você queria se divertir. Eu respeitei isso, eu te respeito. Você me comparou com seu ex e, eu não sei o que ele fez, mas não me pareceu uma coisa boa ser comparado com ele, falou que eu era chato, grudento, tentou fazer um strip e saiu do banheiro com a maquiagem borrada. Você quer mesmo comparar quem deixa quem louco? - falou, a voz ainda estava meio alterada, mas agora além da raiva eu podia ouvir a decepção. Eu não lembrava de ter feito essas coisas e eu queria muito me bater, mas a merda já estava feita e não tinha como voltar atrás.
- Eu não entrei no banheiro com ninguém, eu… Não lembro - falei confusa, eu não lembrava de muita coisa que tinha acontecido, mas eu não podia tê-lo traído, quer dizer, não tínhamos nada oficial, mas eu estava só com ele e ele só comigo, seria traição, e, pode até ser que eu havia traído alguns ex's no passado, mas eu nunca faria isso com Liam, faria? Eu sei que é errado e talvez o fato de ter traído quem traí foi porque eles eram um bando de babaca que nunca me trataram bem, eu não sentia remorso e é, posso ser uma vadia filha da puta falando assim, mas Liam sempre me fez sentir especial, eu não faria isso com ele, nem sobre efeito de bebidas e drogas, certo? Eu simplesmente não conseguia me forçar a lembrar, minha cabeça ainda doía e conforme fechei os olhos para ver se algo vinha, só consegui uma pontada e nada mais.
- Eu não sei o que aconteceu lá e nem com quem, mas eu não vou ser feito de otário por você, ! Você pode ta acostumada a brincar com quem for, mas comigo não vai ser assim - falou, sua voz era forte e decidida, ela me perfurava e eu sabia que de certa forma merecia a dor que elas me causavam. Balancei a cabeça e segurei seu rosto com as duas mãos, sorri fraco ao olhar em seus olhos.
- Eu nunca te magoaria - sussurrei.
- Você já fez isso! - deu de ombros. É, ele realmente estava fazendo comigo o que eu costumava fazer com os outros. Fechei os olhos ao ouvir aquilo e aproximei meu rosto do seu vendo que ele não se moveu, nem para retribuir muito menos para se esquivar, beijei sua bochecha de forma demorada, não arriscaria mais que aquilo, eu realmente havia feito muita merda noite passada.
- Olha, eu não vou te contar agora porque eu estava do jeito que estava ontem, eu ando muito confusa, Liam. Talvez eu só queria chamar atenção do meu pai como todos dizem, talvez eu seja mimadinha mesmo como você sempre brinca dizendo, mas... Eu não tenho certeza de nada no momento ok? Eu ouvi minha mãe no telefone outro dia e ela falava do meu pai ou com ele, não tenho certeza, só sei que… O que eu ouvi não me deixou nem um pouco feliz, isso envolve não só a mim, mas a também - sussurrei, eu sabia que nossos amigos provavelmente estavam tentando ouvir, não queria ninguém sabendo disso - Se eu estiver certa e não contar pra ela a vai me odiar muito, só que eu não sei o que fazer ok? Meu comportamento ontem foi o reflexo de muita coisa que ta acontecendo e se isso acabou te atingindo eu sinto tanto, eu nunca quis te magoar ou fazer você sentir como se eu estivesse brincando com você, eu... - ele me olhava com atenção, parei de falar sem saber realmente como expressar o que queria, não estava acostumada a isso, não estava acostumada a querer me explicar para alguém. Ele parecia pensar no que eu falava, e então tirou minhas mãos de seu rosto, segurou uma enquanto a outra desceu para minha cintura.
- Eu não sei o que está acontecendo, mas se você precisar conversar pode falar comigo ok? - falou, de uma forma mais doce - Mas você não pode fugir do que for que esteja te magoando assim, isso acaba te ferindo e ferindo as pessoas a sua volta. Você tem amigos então pede ajuda, ninguém vai negar - suspirou, encostando sua testa na minha. Ficamos em silêncio por um tempo, e eu teria que ser a primeira a quebrar.
- Como nós estamos? - perguntei, buscando seus olhos que ainda estavam fechados. E pela primeira vez eu estava realmente preocupada com minha situação com algum garoto. Normalmente eu estaria bem foda-se, acharia ótima a briga para ser um motivo para terminar tudo, mas Liam me fazia tão bem e eu não queria perder isso, pode soar egoísta, mas é a verdade. Eu precisava dele pra me manter um pouquinho sã.
- Eu não sei - sussurrou, seu nariz fazia carinho no meu.
- Liam, não faz isso - pedi, eu sabia que o que o magoava mais foi o fato de sair do banheiro com o batom borrado, o cabelo meio bagunçado e não fazer a mínima ideia do que havia acontecido, foi não tê-lo respeitado quando ele deixou bem claro que me respeitava. Eu sentia sua respiração batendo no meu rosto enquanto minhas mãos faziam carinho no seu peito. Ele não abriu os olhos em momento nenhum, evitando contato visual. Quando pensei que ele fosse me beijar e dizer pra deixar isso para lá, ele me afastou um pouco, suas mãos ainda estavam na minha cintura me mostrando que ele não queria realmente isso.
- Você vai ter que me mostrar que realmente quer isso, ! - falou, limpando a garganta - Você ta acostumada a ter qualquer um aos seus pés e você brinca com isso porque sabe que pode, eu posso estar muito na sua, mas isso aqui só vai continuar quando você me mostrar que vale a pena! - se afastou lentamente, indo na mesma direção que todos estavam. Antes dele sumir eu percebi o que estava acontecendo ali e resolvi chamar sua atenção.
- Ei, você ta me zoando? - perguntei e ele riu da forma que eu havia falado, me fazendo rir também e revirar os olhos.
- Pelo menos uma vez na sua vida você que vai ter que correr atrás de algo. Quer dizer, se for o que você realmente quer - sorriu, saindo dali. Me joguei no sofá abafando um grito na almofada. Que porra é essa de “você ter que correr atrás”, as pessoas que vem atrás de mim não o contrário. Ele queria me castigar, só pode. Ele estava fazendo de propósito e não fazia nem questão de esconder, ele queria mesmo fazer comigo o que eu fazia com os outros. Esse garoto sabe o efeito que tem em mim, e tudo bem, eu não estou apaixonada, mas é bom ficar com ele, todo carinho e atenção que ele dá me faz sentir especial e agora por não conseguir me controlar eu vou perder isso? E sério mesmo? Eu, logo eu, correndo atrás de homem? Ele ta realmente achando que isso vai acontecer?
- Aqui - a voz doce de falou, me estendo um comprimido e uma garrafa d'água - Como foi? - se sentou, colocando minha cabeça em seu colo e fazendo carinho quando deitei novamente - depois de tomar o remédio.
- Uma grande bosta - falei, de olhos fechados - Acredita que ele veio com uns papos de que eu que vou ter que ir atrás dele agora? - perguntei indignada e começou a rir, abri um olho sem entender a graça.
- Que? Eu sempre te falei que um dia você ia achar um cara que ia fazer com você exatamente o que você faz com todos, e pra piorar você ainda ia ter sentimentos por ele!
- Eu não tenho sentimentos por ele, eu só curto a sensação que ele me dá - bufei - E de que lado você ta, sua traíra?
- Não tem sentimentos ainda. Ele é diferente, sua tonta - deu um tapa na minha testa, se desculpando logo em seguida lembrando que eu estava com dor - E é óbvio que eu to do lado dele - revirou os olhos rindo.
- É, ele é, se eu soubesse tinha evitado. Ele é um príncipe né? Nada a ver comigo - ri - Claro que do lado dele, ele é seu melhor amigo mimimi - fiz uma voz fresca, sentindo rindo.
- Se ele é um príncipe - imitou minha voz - Então porque você não mostra pra ele que vale a pena?
- Eu to acostumada com os dragões, . Não sei lidar com príncipes - falei, tirando uma risada dela.
- Você é idiota - falou, ainda rindo - Vai dar tudo certo, , você só precisa de um pouco de juízo nessa cabecinha, ele vai te ajudar com isso - sorriu.
- Eu quero um chocolate... - antes que pudesse terminar, Harry apareceu sorrindo com sua covinha e uma xícara de chocolate quente. Era sempre assim quando eu estava triste, nervosa, ansiosa ou coisa parecida, ele sempre me trazia chocolate quente, sem falta. - Eu tenho o melhor amigo do mundo - sorri, aceitando a xícara, soprando antes de beber. Harry me olhava o tempo todo - Pode falar vai – suspirei.
- Não, você já levou sermão demais por hoje - sorriu, afagando meu cabelo. Fiz careta para ele que fez de volta e olhei para a parede pensando no que havia falado. Ele me ajudando a ter juízo, eu queria mesmo isso?
- Eu não quero que ele me mude, , tenho medo dele querer que eu seja algo que não sou, ou que ele pense que eu sou algo que não sou e acabe se arrependendo no final - falei do nada, retomando o assunto, e vendo Harry franzir o cenho.
- Deixa de ser besta, ele te conhece, o cara só quer te ajudar, não quer te mudar – falou, da forma paciente de sempre.
- Ele sabia onde tava se metendo quando resolveu se aproximar de você , ele nunca tentaria te mudar. Conheço meu amigo - Harry assegurou. Suspirei cansada, o fim de semana já podia acabar logo porque só estava me dando dor de cabeça.




Noite passada foi no mínimo interessante. Tirando as brigas, duas das nossas amigas no hospital, policiais e alguém desmaiado na piscina. Ser a mãe daquele grupo era a pior coisa do mundo e eu decidi que não teria filhos porque cuidar deles me deu uma experiência que eu não quero nunca mais. Louis havia cuidado do machucado que o soco do meu ex lhe causou, andava distraída e evitando Zayn e eu sabia o que aquilo significava, teria que falar com ela mais tarde porque tonta do jeito que é ela, com certeza, ficaria fingindo que nada aconteceu. parecia morta, ela dormia em qualquer lugar que encostava, estava dormindo em um dos quartos de hóspedes e nossa querida anfitriã, que atende pelo nome de Rebbeca, estava tentando conversar com Zayn que arranjava motivo para fugir dela da mesma forma que fugia dele.
Rebbeca Petterson, a menina mais popular do internato quando estudava lá; mais velha que nós, linda, inteligente, simpática até demais, participava de vários clubes, do jornal e por isso sabia tudo sobre todos, era a queridinha de todos e então começou a namorar Zayn; mais novo que ela, o desvirtuado do lugar, o que sumia para o lago para fumar, o que tinha algumas tatuagens, pose de bad boy e era perseguido pelo diretor. Todo mundo estranhou o relacionamento, mas eles pareciam se gostar mesmo, apesar de todas as brigas - que eram muitas, e causadas por “ciúme” do lado dela. O relacionamento dos dois chamou atenção de todos para Zayn, que acabou ficando famosinho por lá, até uma mensagem mandada para o e-mail - que todos os alunos tinham já que era a forma do diretor das informações sobre o internato, mas nós usávamos como chat entre nós, sem o diretor claro - de um número anônimo mostrar que Becky só estava com Zayn para irritar seus pais, típica atitude de patricinha sem noção. Eles terminaram, ela se formou e nunca mais nos vimos… Até ontem.
- Pensando em mim? - Tomlinson se sentou ao meu lado. Eu estava na varanda de um dos quartos com uma xícara de café, o céu não estava dos mais bonitos, mas eu gostava do tempo nublado, as nuvens pesadas e o cinza. Dava para ver a bagunça que eles estavam fazendo na piscina de Becky, - eles não podiam ver água que queriam se jogar, mesmo com o frio que estava fazendo e eu me perguntava qual era o problema deles - que ficava bem debaixo da varanda, e era tão estranho estar na casa dela novamente depois que todos paramos de falar com a garota. - Café? Péssima britânica, vou ter que te ensinar as maravilhas do chá - falou, me fazendo rir.
- Por que você acha que ela resolveu ajudar a gente do nada? - perguntei, ainda olhando a piscina, onde tentava afogar Niall e Becky segurava o garoto para ajudá-la.
- Você precisa achar motivos em tudo? - pude ver que ele me olhava de canto de olho.
- Ninguém faz coisas sem esperar algo em troca, ou sem um propósito, sem segundas intenções - apertei os olhos e mordi o lado de dentro da boca, vendo Zayn conversando com Harry em um canto, os dois olhavam para Becky e eu não sabia se estavam falando sobre o corpo da garota, que era lindo, ou sobre qualquer outra coisa.
- Você precisa parar de ser tão racional, a gente falou disso ontem. Talvez ela tenha vindo pra cidade ver os pais, ouviu que estávamos encrencados e precisavamos de ajuda, nós já fomos amigos - Louis deu de ombros, mas eu balançava a cabeça discordando.
- É a Rebbeca, ela não faz nada sem um motivo, ela é prima da Valerie, Louis. São duas cobras - mordi o lábio, ele me olhou rindo - Que? Valerie foi uma nojenta com a , peguei raiva, não é normal?
- Sei lá, eu não pego raiva dos caras que os caras não gostam se eles não me fizeram nada. Quer dizer, se o que eles fizeram para os meus amigos for sério mesmo ai eu pego raiva, caso contrário é irrelevante - deu de ombros.
- Enfim… Não quero elas de volta - olhei para ele - Ta tudo tão calmo sabe? Tudo tão bem, não quero elas atrapalhando isso e eu sei que vai acontecer - suspirei. Louis tirou xícara da minha mão e colocou no batente, puxou a cadeira sentando de frente para mim.
- Chega de pensar nisso - falou - Cara, para de se preocupar com o que pode acontecer, vive o agora, . Eu juro que se tiver que te falar isso todo dia vou ficar de saco cheio, você é difícil de convencer a deixar as coisas de lado.
- É porque eu não sou irresponsável - arqueei a sobrancelha.
- LIAM! - Louis gritou de repente, fazendo todo mundo olhar para nós - Eu sou irresponsável?
- Isso é sério? - Liam perguntou - A resposta não é óbvia?
- Filho da puta, eu queria uma ajuda aqui - Louis falou, fazendo meu melhor amigo dar de ombros - Por acaso você tem aquela coisa fresca que umas pessoas fazem de sei lá eu quantas coisas pra fazer antes de morrer? - perguntou do nada.
- A me forçou a fazer uma, você sabe como ela curte essas coisas, um dia ela falou que nós tínhamos que fazer, todas nós, mas ela também procrastina bastante então não fez nenhuma até agora - dei de ombros, não dando muita importância para o assunto.
- Ótimo, vamos começar amanhã - bateu palmas e se levantou. Eu tentava muito entender o que ele queria com isso, mas nada vinha na cabeça a não ser Louis querendo uma trégua, nossas brigas realmente eram chatas e cansativas, era um alívio não ter que ficar rebatendo o que ele falava toda hora, poupava muita energia, e só agora que nós tentávamos ser civilizados que eu percebi como ficava cansada com todas as farpas que trocávamos. Enquanto refletia sobre isso, vi Louis tirando a blusa e subindo no batendo da varando, arregalei os olhos e corri para seu lado, não pude deixar de reparar em sua pele bronzeada, seu corpo não era malhado como o de Liam ou Harry, mas ele não ficava tão para trás.
- Gosta do que vê? É só você falar e pode ter mais uma vez - falou, sorrindo de forma perigosa. Engoli em seco respirando fundo, eu lembrava sim daquele beijo vez ou outra, que culpa eu tenho se o desgraçado beija bem?
- Deixa de ser ridículo e desce dai, você quer se matar? Ta frio, coloca a blusa pelo amor de Deus.
- Não precisa se preocupar tanto comigo, amor. O máximo que vai acontecer é que eu vou cair na piscina - riu, e esticou a mão para mim. Balancei a cabeça rindo, ele só podia estar brincando.
- Você acha mesmo que eu vou fazer isso? Você ta ficando louco? Sem falar que essa água deve estar congelando.
- Deixa de ser careta, aquele dia na cachoeira você não pulou. A gente ta debaixo da piscina, literalmente, e nem é tão alto - olhava nos meus olhos, com a mão ainda esticada. Balancei a cabeça deixando bem claro que eu não faria o que ele estava propondo - Sai da sua zona de conforto, . Não vai acontecer nada, sabe quantas vezes nós fizemos isso nessa casa nas festas? E bêbados, pra melhorar tudo - falou - Você concordou em deixar eu te ajudar.
- Me ajudar, não me jogar nos braços da morte, seu sem noção - fiz careta, ouvindo sua risada.
- Vou te jogar nos braços do paraíso, porque quando a gente pular eu estarei te segurando - mordeu o lábio - Vai, anda logo - falou, e eu suspirei olhando para baixo. Não era alto, não tinha perigo, tinha? - Para de pensar tanto, quando a gente faz isso nós perdemos a coragem. Se você quer fazer algo então vai e faz sem pensar duas vezes, deixa pra pensar depois - continuou. Passei a mão no rosto e balancei a cabeça.
- Essa é uma péssima ideia e não faz sentido pensar só depois que fez merda, a intenção é justamente pensar antes pra merda não ser feita - balancei as mãos e fechei os olhos - Não acredito que vou fazer isso - cocei a testa, enquanto ele sorria. Segurei em sua mão subindo ali, meu coração estava a mil por hora, minhas mãos soavam e, apesar de querer descer, eu queria saber como seria, qual seria a sensação.
- Não quer tirar a roupa? - dei um tapa nele - Ok, foi só uma pergunta, eu tinha esperanças mas...
- Louis, cala a boca antes que eu te empurre - falei, me virei cuidadosamente para ele. Agora ele estava virado de frente para a piscina e eu de lado, o encarando - Pelo amor de Deus, vamos fazer isso logo, eu vou vomitar e... - antes de terminar senti os braços dele ao meu redor, e então ele pulou comigo, não lembro de ter gritado tão alto na minha vida, eu sentia um frio gostoso na barriga e, apesar do vento frio no meu rosto, a sensação era uma delícia; sensação de ser livre. Batemos na água, meu corpo se arrepiou com a temperatura que estava, mas o frio não me incomodava no momento. Quando voltamos a superfície nossos amigos riam e Louis sorria para mim. O sorriso estampado em meu rosto seria difícil de tirar. Pode ser uma coisa besta para muitos, mas para mim era grande. Eu estava me permitindo fazer coisas que queria, mas tinha medo, estava me permitindo não pensar duas vezes antes de fazer algo, não ficar pesando prós e contras; eu estava finalmente vivendo.
- Não falei que ia ser bom? - Louis jogou água no meu rosto - E você ta muito sexy com essa roupa colada no corpo e essa parada de cílios borrado - falou, e então eu tentei empurrar sua cabeça para baixo - Que agressividade é essa? To tornando sua vida mais interessante e ganho isso em troca? Eu posso pensar em outras formas de você usar essa agressividade comigo.
- Porque você sempre tem que fazer um comentário idiota e estragar o momento? - bufei, eu nunca sabia reagir a palavras com segundas intenções, ficava desconfortável e irritada; ele sabia. Apenas riu e passou a língua pelo lábio, o cabelo molhado estava jogado para trás, os olhos mais azuis que nunca e eu senti minha respiração ficar presa na garganta; Louis é muito lindo.
- Você não pode me culpar pelos meus comentários quando me olha desse jeito - arqueou a sobrancelha. Balancei a cabeça nadando para longe dele e perto de e Liam, ouvindo sua risada. - Você sabe que eu estou certo! - gritou, recebendo apenas o dedo do meio como resposta. Me sentei na borda da piscina com as pernas ainda lá dentro, apesar do vento que batia me fazendo tremer, eu não queria sair dali, era bom ficar ali com eles se precisar me preocupar, mas vez ou outra minha mente dava umas voltas se perguntando como estava no momento, o que Becky queria aqui, se era verdade que Valerie havia voltado. Eu precisava me desligar de verdade, mas era tão mais difícil do que Louis fazia parecer. Olhando para ele rindo com Harry eu só conseguia imaginar qual a sensação de ser leve como ele sempre aparentava ser; como era não ter preocupações. Ele nunca parecia preocupado, será que era apenas uma máscara ou esse é realmente o Louis?
- Vou começar achar que você ta apaixonada - me olhou, sorrindo. só parecia boba, mas sempre pegava as coisas no ar.
- Eu só não entendo como ele consegue ser tão tranquilo - expliquei.
- Ele tem as preocupações dele, mas ele não deixa isso consumir - Liam não escondeu a crítica em sua voz, balancei a cabeça rindo.
- , você ta trabalhando no jornal? - Becky apareceu do nada, sorrindo. Apenas concordei com a cabeça, não queria estender a conversa - Ótimo, eu tenho um pen drive com vários artigos que devia ter deixado no internato, mas no dia que fui embora eu acabei esquecendo. Vou te entregar e você deixa por lá, pode ser? - sorriu ainda mais.
- Ok - fui tudo que falei, e vi Liam me olhando, tentando me pedir, com os olhos, para pegar leve.
- É tão bom saber que alguém como você está por lá, sem pulso firme vira uma bagunça, né? - ela não parava de sorrir nunca? Eu não queria ser amiguinha dela, a garota não se tocava.
- Pois é! - arqueei as duas sobrancelhas. não aguentou e começou a rir, fazendo Becky a olhar com desprezo, eu odiava quando ela fazia isso, achava que era melhor que todos.
- Que bom te ver, - olhou a garota da cabeça aos pés - Ganhou peso?
- E você? Perdeu o senso do ridículo? Ta correndo atrás do Zayn igual uma cachorrinha sem perceber que ele quer ficar o mais longe possível! - rebateu, e saiu para falar com Niall. Eu sabia que o comentário havia a afetado de alguma forma. Becky parecia horrorizada com a respeita da minha amiga, pois em um passado recente ela abaixava a cabeça para esse tipo de comentário e nunca rebatia.
- Deixa o pen drive em cima da mesa que eu pego, nós estamos indo embora - falei, e senti duas mãos na minha coxa, quando olhei era Louis, curioso com a óbvia discussão que estava prestes a acontecer. Eu estava tão irritada que nem o repreendi pelas mãos ali.
- Ah, deixa de ser sensível, foi só um comentário - abanou a mão no ar, e jogou o cabelo para trás.
- Guarde seus comentários para quem quer ouvir, o que não é nosso caso. Já agradeci pela carona e por ter nos trazido pra cá mesmo falando um milhão de vezes que a mãe da nos receberia na casa dela de qualquer forma. Eu não sei o que você quer, mas você não vai atingir meus amigos e eu já vou deixar isso claro de agora!
- Nossa, parece que eu to falando com a - fez careta - Ou comigo mesma - olhou para cima, pensativa.
- Não querida, se ela estivesse aqui ela não seria tão simpática como eu estou sendo o dia inteiro - arquei a sobrancelha - E eu nunca vou poder ser comparada com você, nós duas sabemos disso.
- Vocês são muito sensíveis, na faculdade não é assim, as pessoas aceitam brincadeiras - tombou a cabeça para o lado, e subiu as escadas - Bom, vou pegar o pen drive e deixar vocês livres.
- Foi a melhor coisa que saiu da sua boca até agora - cruzei os braços, vendo a menina sair da piscina e rebolar até a porta. Bufei nervosa, e vi meus amigos me olhando, balancei os ombros sem saber o que falar. Eu não admitia que destratassem meus amigos, muito menos . Do outro lado da piscina, abraçada em Niall e , ela sorria para mim.
- Você precisa esfriar a cabeça! - Louis falou com convicção, e me puxou pela coxa para a piscina. Até esqueci que queria matar a garota de cabelos vermelho fogo, Louis tinha um jeito peculiar de tirar minha mente das coisas que me irrita e essa forma era me deixando ainda mais irritada. Quando subi a procura de ar, a maioria já havia saído da piscina para tomar banho e ir embora.
- Isso não vai dar certo - olhei para ele, que estava perto demais e sorrindo.
- Você precisa canalizar sua raiva, você se irrita fácil demais com tudo. O objetivo da Rebbeca é irritar todos nós, não deixa ela conseguir - colocou as mãos no meu ombro, apertando. Eu estava ficando com frio de verdade, já começava sentir meus dentes batendo.
- É mais forte que eu - falei passando a mão no cabelo. Louis me olhou atentamente, parecia analisar cada detalhe do meu rosto e aquilo me deixou desconfortável, eu odiava quando ele ficava sério do nada, era atípico dele e eu nunca sabia como agir. Com o Louis babaca sempre com uma piadinha era fácil, mas com esse Louis que eu estava começando a conhecer eu nunca sabia o que fazer. - Para, sério, você ta me assustando - desviei os olhos dele.
- Não, é que... Seu lábio ta roxo - passou o dedo na minha boca - Sua pele arrepiada - seu dedo desceu pelo meu braço - Sua maquiagem ta toda borrada - riu, e o dedo que desceu pelo braço agora fazia carinho na minha cintura - E apesar dessa expressão irritada e de não calar a boca nunca, acho que…
- Que? - perguntei, sentindo meu coração batendo forte e odiando cada segundo disso.
- Você fica bonita assim - concluiu, umedecendo o lábio e olhando para o meu. Era a primeira vez que ele fazia esse tipo de elogio, e eu pude sentir minha bochecha queimando conforme ficava vermelha.
- Não - coloquei a mão em seu peito, mas não fiz esforço nenhum para empurrá-lo - Não dá, não rola, não vai acontecer de novo, eu me recuso e…
- Você fala demais, ! - sussurrou e colocou a mão na minha nuca levando meu rosto de encontro ao seu sem nenhuma delicadeza. Senti seu nariz gelado no meu, e sua boca molhada na minha, ele não fez menção nenhuma de aprofundar o beijo e eu sabia o motivo. Ele apenas mordiscava meu lábio e passava a língua em cima do mesmo, até que me cansei daquilo e resolvi o beijar de verdade, ele sorriu e apertou minha cintura, me fazendo arrepiar mais ainda. Ouvi alguns gritos lembrando que, apesar de alguns dos nossos amigos ter saído, outros estavam lá. e Harry nunca me deixariam em paz.
- Eu consegui ver a língua, ela que enfiou - gritou.
- Credo, não quero ver Louis beijando outras bocas - Harry comentou - Isso tá errado, eu jurava que a só tinha beijado ele por dó da primeira vez, e agora ela vai e me dá uma dessas, as decepções não acabam - Harry falou, me fazendo rir. A boca de Louis não deixava a minha por nenhum segundo, até eu senti um dedo no meio do nosso beijo, e gritando um “eca” - Porra, , eu vou te fazer conhecer Jesus agora mesmo - ouvi Harry, e parei para ver o que estava acontecendo.
- Baba de Louis e , que nojo - a garota passava o dedo, que havia passado entre nossa boca, no braço de Harry, que começou a correr atrás dela na piscina. Joguei o cabelo para trás rindo e suspirei. Me afastei de Louis, que sorria para a cena dos dois e sai da piscina rapidamente. Notando minha ausência, ele olhou com a testa franzida. Olhei para uma das varandas e vi Becky nos olhando. Peguei a toalha que estava em cima da cadeira e me sequei, entrando na casa, mas antes olhei para trás, vendo que Louis ainda me encarava.
Se a intenção dele era me fazer não pensar em nada ele havia conseguido porque eu só pensava em como ele ficava lindo molhado, como na primeira vez que nos beijamos, e como estava lindo agora. E em como meu coração batia forte, de uma forma que eu não estava acostumada, quando sua boca estava na minha. E em como apesar de odiá-lo na maior parte do tempo, essa atração acabava levando a melhor.



Voltar para o internato na Segunda-feira foi um inferno. Meus pais não queriam deixar de forma alguma e eu não podia culpá-los, primeiro meu tio e agora Chuck. Eu pensava que o raio nunca caia duas vezes no mesmo local, mas pensar que eu estava salva desse tipo de coisa só por já ter acontecido era besteira minha. As pessoas não nojentas e ninguém está a salvo de algum louco psicopata que acha que pode fazer o que bem entender, achando que não vão sofrer consequências, apenas querendo satisfazer suas necessidades sem se importar na marca que isso vai deixar na vida dos outros.
Ver as cabeças me olhando curiosas era o que me dava vontade de não sair do quarto. Eu nunca contei o que houve com meu tio justamente porque não queria esses olhares na minha direção - e porque não me sentia confortável -, mas a essa hora todos já sabiam sobre o cara que havia desmaiado na piscina ainda estava em coma, sobre a briga de Louis e Scott; e sobre o que aconteceu comigo. O diretor já havia chamado todos para o refeitório para dizer como estava decepcionado e que, mesmo a festa acontecendo fora das propriedades da escola, ele ainda zelava pela nossa segurança - o que era uma grande mentira -, e que esperava que tal coisa não voltasse a acontecer ou nossa oportunidade de sair do internato não seria mais concedida; claro que todos reclamaram, e mais óbvio ainda que aquela ameaça não os faria pegar mais leve.
Eu estava sentada no lago onde sempre ficava com Zayn, não estava fugindo, estava apenas evitando as perguntas e olhares, pessoas sabem ser insuportavelmente indiscretas quando querem. Ficava repassando minha conversa com Harry, como ele foi super compreensível e sensível. Nunca pensei que ele teria tanto tato em situações do tipo, eu não queria confiar nele, a partir do momento que você se abre com alguém abre portas para a intimidade e o pior que vem com isso é o apego; se apegar nunca era uma boa, ainda mais quando se tratava de mim. Eu não deixo ninguém se aproximar, não por ser um monstro insensível, mas para poupá-los de lidar comigo, nem eu sabia, não queria mais ninguém tentando. Até hoje eu não entendia como Zayn e eu criamos essa cumplicidade, deve ser porque se tratando disso nós somos iguais. Estava com o vaporizador fumando quando ouvi ele chegando, sentou ao meu lado sorrindo e ficou em silêncio, com nós dois era sempre fácil assim, o silêncio pode ser desconfortável, mas para nós dois era nosso lugar seguro; só de saber que ele estava ao meu lado já era suficiente, eu não precisava ficar falando, chorando, berrando como muito precisavam, só o silêncio já era suficiente.
- Vaporizador, uh? - apontou, pegando da minha mão e tragando, sorri preguiçosa sentindo os efeitos no meu corpo, rezando para não ter uma bad trip, o que era extremamente capaz de acontecer considerando meu emocional.
- É mais discreto se alguém aparecer por aqui - dei de ombros - E não irrita a garganta nem o pulmão - falei, deitando na grama e olhando para o céu, imaginando como seria lá em cima, ou como seria olhar de lá aqui para baixo, se todos os problemas pareceriam insignificantes diante de tanta grandeza. Havia chovido bastante o dia anterior e parecia que choveria novamente, como seria ver a chuva de lá? Eu não queria o tempo combinando com meu humor, queria sol pra ter uma perspectiva de que, apesar de tudo, no final sempre teria luz, é nisso que todos tentam acreditar, certo? Quando cheguei aqui as meninas vieram correndo saber como eu estava; eu odiava essa atenção, odiava qualquer tipo de atenção, por isso na primeira oportunidade sai do quarto para me isolar, só Zayn sabia o ponto exato de me achar.
- Já pensou ter tipo, claustrofobia do mundo - falei, olhando para Zayn, que ficava com cenho franzido - Fobia de sei lá, lugares aberto? Não isso existe, eu to querendo dizer tipo, do aberto mesmo, ai você tem que viver em outro lugar, uma galaxia seyfert.
- Que porra é galaxia seyfert? - Zayn ria.
- É uma galáxia que tem o núcleo luminoso pra porra - balancei a cabeça - Queria viver em uma, levaria um macaquinho comigo - Zayn continuava me olhando - Esse mundo é muito podre, Zayn, eu não quero mais ficar aqui! - sentei, vendo meu amigo se aproximar e passar os braços em volta de mim.
- Vai ficar tudo bem - beijou minha cabeça. Normalmente quando ele dizia isso eu acreditava, mas eu já não sabia mais e também não queria pensar nisso.
- Odeio quando bate a brisa filosófica, pensar na vida é cansativo - me levantei, passando a mão na perna, Zayn se levantou e foi me guiando até meu dormitório. Até as 18h eles podiam entrar sem problemas e ficar na sala de convivência, depois disso Jojo ia querer matar um deles e fazer casaco com a pele. - Você acha que a Jojo se inspirava no Ed Gein? - perguntei, pensando sobre o casado de pele humana.
- Quem? - me olhou rindo.
- Aquele serial killer que fazia várias paradas com a pele dos cadáveres, tipo abajur e tal. Você achou que era só histórinha de cinema? - perguntei, encostando na parede e virando a cabeça para Zayn. Ele digitava no celular sem prestar muita atenção em mim - Ta ouvindo essa música Holandesa? Deve ser a Delphine.
- A Delph é Francesa, . E essa música é Lady Gaga ou algo do tipo - Zayn ria da minha confusão. Dei de ombros e vi aparecer para me pegar, o único pensamento que veio foi um grande fodeu. De todas as pessoas do mundo, de todas as pessoas que não me julgariam, de todas que eu poderia não brigar, ele me escolhe logo a menos provável de todas as opções, ela me olhava com atenção e eu tentava segurar a risada.
- Eu chamei a - Zayn estranhou, mas deu de ombros - Ela ainda ta meio desorientada, devem ser os remédios que deram para ela tomar, mais tarde eu volto aqui para ver como ela ta, ok? - Zayn falou tentando aliviar para o meu lado e se virou para mim - Não faz nada que vai se arrepender depois, princesa - deu um beijo na minha testa e me deixou para seguir , que ainda estava me analisando. Subimos as escadas lentamente e eu tentava segurar os comentários que queria fazer de que eu jurava que as escadas podiam se mover como em Harry Potter. Quando entramos no quarto todas as meninas olharam para mim e eu revirei os olhos.
- Banheiro - falei, me levantando e vendo que havia se levantado para me seguir. Quase gritei que não precisava de babá, até ver que ela estava com um o.b na mão, então dei de ombros e fomos até o corredor dos banheiros. Eu não queria conversar e ela respeitava, isso até e olhar para o vaso sanitário e sentir uma sensação ruim - , me ajuda aqui!
- O que aconteceu? - perguntou, rindo da minha expressão de pânico encarando o objeto - O vaso te ofendeu?
- Não, mas se eu sentar nele eu vou ser sugada - falei, começando a figar ofegante, ouvi a risada exagerada de e a olhei sem entender, era óbvio que isso aconteceria, por que ela não me ajudava?
- Você ta chapada, né? - falou, segurando meu rosto com as duas mãos - Não vai acontecer nada se você sentar aqui, quer ver? - falou, soltando meu rosto e ela mesma sentando no local, gritei para tentar impedi-la já me preparando para ver minha amiga sendo engolida pelo sanitário, mas ela estava me olhando de forma doce.
- Você é tão corajosa - puxei pela mão e a abracei. Depois de ter sobrevivido àquilo, sai do boxe vendo apoiada na pia me olhando - Se a me ver assim ela vai me matar, me ajuda - fiz bico, vendo rindo e balançando a cabeça.
- Primeiro lava o rosto, mas pelo amor de Deus não se olha no espelho - pediu, e eu fiz o que foi pedido, sem olhar no espelho pra não ter uma sensação estranha - Deve ter um colírio por aqui, e toma essa bala - me entregou um pacote com bala e começou a fuçar nos armários até achar o colírio e colocar nos meus olhos. - Nós vamos voltar, você vai ficar quietinha, vai ouvir uma música ou qualquer coisa do tipo, não vai falar sobre ser sugada por objetos, enquanto eu vou pegar algo pra você comer e beber, ok? - falou devagar, concordei e voltamos para o quarto. Todas elas pararam de falar e era óbvio que falavam sobre mim, saiu rapidamente para pegar o que disse que ia pegar, e eu tentava acalmar a mente.
- Confissões! - bateu palmas e elas riram, era sempre assim quando voltávamos de alguma viagem ou festa. - A começa, que droga foi aquela do Tomlinson brigando com seu ex e como assim rolou beijo? - falou animada.
- Eles querem saber quem é o macho alfa - comentou.
- Nossa, eu amo teen wolf, as vezes dá vontade de ser, sei lá, uma banshee fodona, só um grito e puff, todo mundo tava fodido- falei, vendo todas as cabeças se virando, parei de falar na mesma hora e sorri - Só tava lembrando que to atrasada em alguns episódios, podem continuar!
- Você ta estranha - falou, me olhando, mas deu de ombros para ouvir contando o que havia acontecido, enquanto eu tentava não imaginar Louis como um lobisomem e Scott como qualquer coisa, mesmo o nome do ex dela sendo do verdadeiro alfa, eu só conseguia imaginar ele como uma coisa bem inferior.
- Então. Ai nós combinamos que ele vai me ajudar a ser mais espontânea e foi por isso que ele me fez dar aquele pulo suicida na piscina…
- E o beijo? - a cutucou.
- Sei lá gente. As vezes eu sinto atração por ele - tampou o rosto com a almofada, parecia odiar ter que confessar aquilo.
- Eu acho que vocês dois vão se envolver - falou, chegando com um copo de café e alguma coisa para comer que eu nem fiz questão de ver, apenas enfiei na boca para mantê-la ocupada. - É sério, dá pra sentir o cheiro do tesão, dá até pra ver as cores em vermelho quando vocês dois ficam perto um do outro, as vezes eu fico em dúvida se vocês vão se bater ou se agarrar - falou, sentando ao lado de .
- Eu que fumo e ela que sente cheiro de tesão e fica vendo cor, as ideias - sussurrei, vendo que havia ouvido e arregalado os olhos, desviei o olhar e fingi que não era comigo, eu era ótima em fingir que não havia nada de errado comigo. Até hoje elas achavam que minha família era perfeita, era uma piada tão grande.
- Mas e você e o Niall? Aquela ceninha de ciúme não engana ninguém - tacou a almofada no rosto de , que a empurrou em resposta e riu.
- É normal, olha pra , ela é amiga do Harry e é totalmente possessiva, normal sentir ciúme dos amigos e é isso que nós somos: amigos - falou com firmeza.
- As vezes na vida, acontece umas viagens onde as linhas são tênues, amizades se confundem e rola umas pegações loucas - falei, vendo todo mundo olhar para mim novamente; se levantou irritada e veio até onde eu estava.
- Você usou drogas!
- Usei, remédio são considerados drogas né? - falei, vendo balançando a cabeça.
- Por quê? Só me diz porque, . Por que você quer acabar com a sua vida assim? Por que você ta sempre tão revoltada? Todo mundo aqui tem mais motivos que você. Minha mãe sumiu, o pai da também, a não faz a menor ideia de quem a concebeu e o pai da morreu, então me diz porque você acha que tem mais direito de fazer cena de revoltada com a vida, por que você ta usando essas coisas? - falava sem parar, o pescoço ficando vermelho mostrando que estava irritada de verdade. A merda de não contar nada era ela achando que minha família era perfeita e que eu não tinha motivos para ficar irritada; e mesmo se minha família fosse perfeita, todos tem o direito de sentir raiva vez ou outra.
- Tadinha da , a filha gênio que só tira notas boas e tem todo tipo de regalia por ser perfeitinha não consegue aceitar que a mãe foi embora. Troca o disco, , se você quer que eu sinta pena de você melhor tentar com outra coisa - falei irritada, sem me importar no impacto das palavras. E era sempre assim, me atacava eu atacava de volta, nós nos machucávamos e depois tínhamos que engolir o orgulho para tentar nos desculpar. De todas as meninas eu e somos as que mais batemos de frente, mas também somos as que mais nos entendemos quando queremos.
- Não fala assim - colocou a mão no meu ombro, mas eu me esquivei.
- E você, que diz que nunca quer tomar lados, prefere ficar de fora e sempre acaba ficando do dela? Eu to cansada dessa porra toda, de vocês. É , eu to chapada, fumei sim e a erva era boa, quando você quiser deixar de ser careta me avisa que eu te arranjo - sorri para ela, vendo todo mundo segurar a respiração.
- Você passou dos limites, - falou, sem me encarar.
- Até você, ? - revirei os olhos - Mas eu jurava que os limites não existiam pra vocês, sempre fazendo o que querem quando querem sem se importar com as consequências - gritei, abrindo os braços - Não é isso que nós fazemos? Não é isso que somos? Não é legal essa vida de ser completamente fodidos e usar isso como desculpa pra fazer cada merda que a gente faz, usando o motivo de que nós só estamos aproveitando a porra do momento e sendo livres? Melhor se acostumar, , daqui as coisas só pioram - olhei para a garota, que parecia assustada com a discussão que se iniciou do nada.
- A gente só quer te ajudar, , nós sabemos que você não quer contar alguma coisa pra gente e guardar esse segredo ta acabando com você - se aproximou, segurando minha mão.
- Vocês querem ajudar, mas eu não quero ajuda, qual a dificuldade de entender essa merda? Sabe, eu odeio hipocrisia. Todo mundo aqui guarda alguma porra de um segredo, por que eu sou pior que vocês por não querer falar sobre a droga que me deixou assim? Eu não fico forçando pra saber porque a fica sussurrando pelos cantos no celular, ou porque a desaparece toda quarta feira ou o caralho que for. Quer saber, vão todas vocês se foder, se vocês não conseguem entender que falar sobre isso só vai me deixar pior então eu quero que vocês todas vão pro inferno, é pra lá que pessoas como nós vão de qualquer jeito, certo? Eu só queria ficar na minha depois de quase ter sido estuprada de novo, mas a como sempre tem que ser uma vadia egoísta e só se importar com suas vontades. Aprende uma coisa princesa, nem tudo tem que ser como você quer e quanto mais rápido você entender menos você vai se machucar! - falei tudo com a voz alta, e ouvi as respirações travando, até reorganizar os pensamentos e perceber que entreguei o que me fazia tão mal. Todas elas estavam assustadas com minha explosão e me olhava com lágrimas nos olhos.
- Como assim “estuprada de novo” ? - apesar da raiva em seus olhos, sua voz era cuidadosa.
- Finalmente você conseguiu tirar de mim o que eu não queria falar, ta feliz agora? - falei, sem esperar sua resposta, sai correndo dali e batendo a porta com força, esperando para ninguém vir atrás de mim. Eu estava exausta, meu emocional estava uma merda, brigar com drenava minha energia e eu não sabia o motivo da gente sempre bater de frente, eu só precisava me distrair, sair dali, a sensação que eu estava era horrível e eu só queria fugir daquela bad trip que se aproximava. No meio do campo, a caminho de voltar para o lago, esbarrei em Harry e Liam, os dois abriram o maior sorriso quando me viram; que não foi retribuído.
- Nós estávamos indo chamar vocês pra ir pra sala de jogos - Harry falou, mas parou quando viu minha expressão - Aconteceu alguma coisa?
- Aconteceu. Aconteceu que eu tava bem sabe? Na minha, pensando em morar em lugar luminoso com um macaquinho, imaginando o Louis como o verdadeiro alfa, ai a tinha que ser ela mesma e estragar tudo, nós brigamos e eu sei que fui cruel porque eu sou uma bosta de ser humano, mas ela não fica atrás. Eu desvalidei totalmente a tristeza dela pelo abandono da mãe, e o pior foi que eu me senti bem quando vi a expressão dela, sabe por quê? Porque eu cansei de ser machucada por todo mundo e ela não entende que eu não quero conversar - falei tudo rapidamente, com lágrimas nos olhos. Eu devia estar parecendo com uma criança, e Liam me olhava assustado. Eles acharam graça até a parte de Louis alfa, mas quando contei sobre a briga as expressões mudaram e provavelmente me achavam descontrolada.
- - Liam gemeu, sabendo que ia ter que ouvir reclamando sobre mais uma briga - Vou lá ver como ela está - afagou meu cabelo e saiu.
- Você não é uma bosta de ser humano - se aproximou.
- Meus pais não conseguem nem me olhar sem chorar e agora eu falei um monte de merda pra minha melhor amiga, até com a eu briguei - eu sabia que estava fazendo bico. Harry começou a rir entendendo que eu não estava no meu normal e me abraçou sabendo que dessa vez eu não recuaria, não negaria, me encolheria, hesitaria ou ficaria tensa quando sempre acontecia com tal proximidade; eu precisava de um abraço. E ele era tão quente e grande, eu me sentia meio protegida, o que é ridículo pois nunca acreditei nessas histórias de se sentir protegida nos braços de alguém, mas Harry me segurava com tanta delicadeza que eu finalmente entendi. Seu cabelo era macio, o perfume dele forte e eu resolvi tomar uma atitude. Foi totalmente sem aviso e o corpo dele ficou totalmente tenso quando encostei minha boca na dele. Foi como no dia que ele me deu um selinho e eu surtei totalmente, mas dessa vez eu tomei a iniciativa, os papéis foram trocados e nenhum de nós esperava. Ele continuou me abraçando, não fez movimentos bruscos pra não me assustar e eu agradeci mentalmente, nenhum de nós tentou mais do que isso, as mãos dele não foram invasivas, permaneceram ao meu redor, me respeitando. Foi só isso, mas foi bom. Era o que eu conseguia por enquanto. Um encostar de bocas, um selinho prolongado que tirou minha cabeça da briga por um momento, e foi tudo que deu para fazer porque pensar em beijá-lo de verdade ainda me assustava. Eu nunca tive um namorado, eu nunca deixei que se aproximassem, mesmo com a terapia eu ainda me sentia acuada em relação a isso, e sentir essa vontade de ter a boca dele na minha era um avanço. Me afastei devagar olhando em seus olhos que pareciam sorrir para mim.
- Quando eu te pedi pra me deixar ficar por perto, pra me deixar cuidar de você, não foi por causa disso, eu não quero me aproveitar da abertura que você me deu - Harry falou, passando o dedo na minha bochecha.
- Mas fui eu quem se aproveitou! - levantei os ombros e comecei a me afastar, sentindo meu coração acelerado sem saber dizer realmente qual era o motivo. Não esperei por uma resposta pela segunda vez no dia, apenas me afastei para poder pensar um pouco.

Capítulo 17



- Amiga, se concentra aqui: ela ta magoada, por isso falou aquelas coisas. Para com isso, chica, você sabe que não é egoísta, você pode até ser controladora, mas você só quer nosso bem - eu afagava o cabelo de , que estava perdida tentando entender o que havia acontecido. Todos nós estávamos perdidos tentando entender o que foi esse surto de e o que aquela frase significava, até eu tinha parado para pensar no que estava acontecendo com a morena.
- Já faz umas 2 horas que ela saiu daqui, já deve estar no quarto, você devia ir lá sabe? Ver se ela melhorou - levantou, secou as lágrimas e olhou para Liam - E nós devíamos ir na sala de jogos.
- Tem certeza? - Liam perguntou, ela apenas concordou com a cabeça e nós 3 saímos do quarto. Fui andando pelo corredor meio alheia a tudo, só vi que parei em frente a nossa porta porque eu havia decorado nossa lousa e estava tão colorido que os olhos chegavam a doer. Eu devia bater, mas eu não sou muito discreta e não queria dar chances para me despachar, por isso entrei de qualquer jeito vendo que ela estava deitada debaixo do edredom, ouvindo música. era tão linda, nós costumávamos chamá-la de Barbie dourada, ela parecia mesmo uma boneca, mas odiava o apelido e começou ameaçar todo mundo que a chamasse assim, os beliscões dela doíam tanto que acabamos parando. Ela abriu um dos olhos e quando me viu e se sentou.
- Desculpa! - falamos ao mesmo tempo e rimos. Me sentei na cama e vi que ela brincava com os dedos sem me olhar nos olhos, o que não era normal, ela sempre olhava nos olhos.
- Eu não queria ter dito aquelas coisas – suspirou.
- Nós sabemos. A no fundo também sabe que não foi pessoal, sabe que ela forçou a barra e a reação foi só você dando uma de louca mesmo - falei,e ela riu.
- Eu adoro seu jeito, - fungou, e finalmente me olhou.
- Eu nunca escolheria lados, você sabe disso. Todas vocês são minhas amiguitas, todas acolheram a latina perdida aqui, vocês são minha família e eu seria incapaz de escolher. A gente só quer te ajudar - segurei sua mão.
- Eu sei, mas é difícil falar de uma coisa que te faz tão mal e te faz reviver tudo quando o que eu mais quero é esquecer, . Vocês não podem me culpar por isso.
- E nem estamos. É tudo preocupação, . Você realmente nos assustou hoje, a gente nunca te viu assim. Eu entendo que você não quer conversar agora, mas no momento que você precisar nós estaremos aqui, ok? Eu vou aparecer com minha super espada pra matar seus dragões, porque ninguém mexe com as amigas de Martinez - falei, movendo o dedo e a cabeça, fazendo rir.
- Você é a melhor, mas ainda é estranho te ver falando sério, nunca vou me acostumar - me abraçou.
- To acostumadíssima a não ser levada a sério, faz parte do meu charme - dei de ombros, levantando e me sentando na cama de , que dava para o campo. Hoje não teria ensaio ou treino, as aulas já haviam acabado e agora só as extracurriculares. e estavam no teatro e lembro de ter zoado tanto as duas, até elas ameaçar jogar meu cd do Rick Iglesias no fogo, ninguém meche com Rick então tive que parar.
- Eu estraguei o “confissões”, o que mais foi falado? - perguntou do nada.
- Só que a e o Liam são duas antas que gostam de joguinhos, em vez dela falar logo que não lembra de ter ficado com ninguém no banheiro e ele com umas historinhas de que ela que vai ter que ir atrás dele agora - dei de ombros.
- Essa eu quero ver - arqueou a sobrancelha - E você? Impossível não ter acontecido nada na festa, pode ir falando.
- Ah, sabe como é né, sou muito sociável, as pessoas pedem minha presença, fiquei em tantos lugares que nem lembro que…
- Você ta enrolando, fala logo - cerrou os olhos.
- Então, pode ser que assim, eu e seu melhor amigo tenhamos ou não nos beijado - falei, colocando a mão na boca logo em seguida. abriu a boca e arregalou os olhos. Tudo bem, eu entendo que Zayn e eu somos totalmente improváveis, mas precisava dessa reação? Se ela não fechasse a boca eu ia enfiar meus pompons nela.
- Eu falei pra ele ficar longe de você - gemeu, e eu a olhei sem entender - No dia que nós fomos pegos pela Dorothy na cachoeira ele tava te secando muito, eu falei que você não era pro bico dele, mas o animal não escuta.
- Sério? Eu tava secando ele no mesmo dia, é uma sintonia incrível, não? - falei, vendo a cara de tédio que ela fez - Que? Só to comentando.
- Como isso aconteceu? Você é uma cachorra, não me contou que vocês dois tão de graça, não foi do nada - apontou para mim.
- Sei lá, nós nos aproximamos sabe? E ao mesmo tempo que eu me sinto confortável com ele me sinto totalmente desconfortável, é totalmente contraditório. Ele me faz sentir a vontade, mas eu sempre acabo ficando sem jeito, e isso nunca acontece comigo - suspirei - Eu fico sem saber como agir ou o que falar, e depois daquele beijo eu não quero nem ver ele na minha frente - falei, vendo que ela sorria.
- Tarde demais - arqueou a sobrancelha - Ele ta vindo ai.
- Será que o closet é um lugar muito óbvio pra se esconder? - levantei, abrindo a porta e entrando - É, confortável. Dispensa ele rápido, ok? - falei, vendo rir de mim.
- Você é ridícula, sai dai - me puxou pela manga da blusa - Você não tem que fugir dele, que besteira é essa, ? Se o Zayn quer se aproximar de você então deixa, não é como se você não quisesse. Sabe como é difícil ele se sentir confortável assim? Pelo amor de Deus, não quero ser a única tendo que aguentar ele.
- Não era você que queria que ele ficasse longe de mim?
- Porque você é um bebê e nós não queremos que você se machuque, mas é o Zayn, ele não faria isso, sabe que seria morto em segundos. Promete que não vai fugir?
- Promessas são coisas sérias e eu não quero ir pro inferno, minha abuelita não ficaria feliz com isso e provavelmente ela me bateria com uma bíblia por fazer uma promessa vazia - falei, revirou os olhos e ia falar algo, mas ouve uma batida na porta e antes de conseguir me esconder no meu esconderijo super bem planejado, ela abriu a porta. Zayn abriu a boca para falar, mas seus olhos encontraram os meus e ele a fechou, passando a mão na nuca, parecia tão desconfortável quanto eu. Olhei para fora da janela e peguei fragmentos da conversa, eles falavam sobre a briga com e a ausência de nós duas na sala de jogos.
- Né, ? - , falou, me fazendo voltar para terra.
- O quê?
- Amanhã não dá pra almoçar com os pais dele porque nós vamos fazer compras pra…
- Festa de Halloween - fiz uma dancinha na cama tirando risada dos dois - E sua mãe me assusta, eu inventaria qualquer coisa pra não ir.
- A sinceridade dessa garota é admirável - Zayn riu, me fazendo rir também.
- Ahn.. Tenho que ir ao banheiro - levantei, passando por Zayn rapidamente, ouvi falando algo e sabia que ela o encorajava a vir atrás de mim, apressei o passo, mas não fui rápida o bastante. Ele segurou minha mão e me puxou para dentro do armário de produtos de limpeza, me encostando na parede rapidamente, sem me dar chances de fugir, eu sentia meu coração descompassado pelo susto. Ficamos ali no escuro por uns 2 minutos sem falar nada, apenas tentando enxergar os olhos um do outro, até que ele resolveu quebrar o silêncio.
- Você disse que não ia fugir - sua voz estava baixa, mas alta o bastante para que eu pudesse entender.
- Eu só queria ir ao banheiro - tentei soar despreocupada, fazendo de tudo para minha voz não sair tremida, mas era difícil já que eu estava tremendo.
- O banheiro é pro outro lado - ouvi o tom de riso em sua voz.
- Eu sempre me perco por aqui - abaixei a cabeça, e ele riu de verdade me fazendo rir também - Ok, eu estava fugindo.
- Por quê?
- Como por quê? Não é possível que só eu esteja sentindo todo esse climão, nenhum de nós dois sabe como agir e isso ta bem óbvio - dei duas batidinhas no peito dele, que riu da minha espontaneidade. Era bom fazê-lo rir, mesmo que nessas condições.
- Você disse que me contaria quando soubesse o motivo de fugir tanto de mim.
- E eu ainda não descobri - sussurrei. Eu tinha algumas opções, e tinha medo de todas estarem certas, mas não falaria para ele, tinha vergonha demais para isso.
- Vem na festa comigo? - pediu, o olhei com uma expressão assustada que provavelmente ele conseguiu ver, agora que nossos olhos haviam se acostumado com o breu. Nós sempre íamos para festas separados, era um combinado para que ninguém fosse sozinho, os meninos sempre iam juntos e nós juntas - Eu falei com eles, comentei que ia te chamar e ninguém achou ruim, essa não vai poder ser sua desculpa - falou, sua respiração batendo no meu pescoço me arrepiando. Fechei os olhos aproveitando as sensações que ele me passava, seu corpo quente contra o meu me impedindo de sair dali; não que eu faria, tendo ele tão perto assim sair não era uma opção.
- Se eu falar não você não vai sossegar até eu aceitar, né?
- Que bom que você me conhece e sabe que eu não desisto do que quero! - segurou meu queixo para me fazer olhar em seus olhos. Ele não falava apenas sobre a festa e eu sabia bem disso, ele não fazia questão de esconder.
- Fantasias combinando, ou não? - perguntei, ouvindo sua risada.
- Eu te aviso! - falou, e me deu um beijo rápido, assim, do nada. Arregalei os olhos e coloquei a mão no peito dele tentando entender de onde esse garoto tirou tanta confiança pra fazer esse tipo de coisa quando alguns meses atrás nós não tínhamos intimidade nenhuma.
- Você não pode fazer isso quando bem entender, sabe? - falei, afastando seu corpo do meu, sentindo falta do calor dele.
- Você pode fazer quando quiser, eu não vou reclamar! - olhei para ele, o vendo com a manga da blusa dobrada e as mãos no bolso da calça, que estava suja de tinta, naquele momento eu quase considerei a oferta. Balancei a cabeça e sai dali de dentro, mais alguns minutos na presença dele e eu perderia a cabeça. Eu só queria entender porque eu, e porque agora sendo que nos conhecemos a tanto tempo. Normalmente eu não sou como que procura motivos em tudo, eu não sou de analisar, faço o que me dá vontade; mas quando se tratava de garotos gatos como Zayn me dando atenção, eu sempre ficava com o pé atrás e surgiam o anjo e o capetinho no meu ombro: era e . Eu tentava muito não ouvir o anjo dizendo que eu devia analisar todas as variáveis, pesar os lados positivos e negativos, manter os olhos abertos para qualquer sinal que indicasse que havia algo errado, e o capeta me dizendo para ignorar tudo e fazer o que eu queria, me preocupar só depois e se possível nem me preocupar; eu não queria ouvir nenhum dos lados, eu não queria nem ter que considerar isso. Queria ser como Niall e , eles são tão tranquilos, parecem inatingíveis.
- O que vocês estavam fazendo ali dentro? - Jojo apareceu com os braços cruzados, Niall logo atrás rindo.
- Procurando produtos de limpeza? - falei, ouvindo Zayn rir, me segurei para não pisar no pé dele.
- Você não limpa nada, , pelo amor de Deus - Jojo passou a mão na testa.
- É um trabalho sobre como é viver como uma pessoa que sofre TOC por uma semana, tem uma lista de várias coisas pra fazer pra saber como é estar nessas condições, e depois fazer um relatório - falei, vendo Niall segurando a risada.
- Ah, sim! É complicado, minha cunhada tem e isso traz muito sofrimento para as pessoas, algumas pensam que é besteira, mas não é, muito complicado. Qual matéria? - perguntou, realmente interessada.
- Psicologia... Ex... perimental - falei lentamente, torcendo para ela acreditar naquilo, enquanto os meninos riam - Zayn se ofereceu pra me ajudar, vai me ajudar com o relatório também - cruzei os braços, enquanto ele beliscava minha cintura, me fazendo mover a cintura para o lado, olhei para ele com um sorriso inocente.
- Ótimo, quero ver esse relatório depois, agora anda crianças, vocês não tem treino hoje? - falou, nos empurrando. Balancei a cabeça sem acreditar que teria que fazer um relatório sobre um trabalho falso, eu só me fodia mesmo. Jojo saiu andando depois que chegamos à sala de convivência.
- Porra, , olha o que você arranjou pra gente - Zayn jogou a cabeça para trás.
- Você que me arrastou pro armário, e nem ajudou, só ficou rindo, preferia uma detenção? - falei, o empurrando - E por que você ta com essa cara? - perguntei para Niall, que estava de braços cruzados e emburrado.
- Sua amiga é louca, por isso que eu to com essa cara!
- Qual delas?
-
- Como assim? Vocês nunca brigam, os planetas não estão alinhados - gritei, assustando Delphine que lia um livro esotérico chamando “O livro de enoch” até tentou me fazer ler, mas eu passei a oferta.
- O que provavelmente está acontecendo é Marte em quadrado com Netuno, isso causa muita confusão - falou - Eu posso tirar as cartas pra vocês, se quiserem - falou animada.
- Não, ta tudo bem, valeu! - sorri, essas coisas me assustavam. Os meninos riram de mim, quando Lia apareceu de sua forma tímida, querendo saber qual era a graça e distraindo Niall. Não gostei daquilo, eles dois estavam muito amiguinhos, Niall tinha que ficar com , eles são meu casal dos sonhos, alguém tinha que fazer alguma coisa.
- Então, amanhã te aviso sobre a fantasia - Zayn sussurrou no meu ouvido, me fazendo lembrar que ele ainda estava ali, e me fazendo lembrar de minhas inseguranças - Agora vou voltar pro atelier que esse trabalho é pra semana que vem - fez careta e se afastou, fazendo algumas pessoas que estavam por perto acompanhar seu andar. Eu teria que engolir meus medos e hesitações pra conseguir agir como uma pessoa normal perto de Zayn, o problema era conseguir isso quando você se sente tão vulnerável perto de alguém como eu me sentia perto dele.



estava pirando. Depois da festa sua mãe resolveu que ela deveria ocupar a cabeça com mais coisas, além dos estudos e do treino de vôlei, e por isso ela teve que se oferecer para ajudar no teatro sendo diretora de palco, não contente ela acabou me indicando para ajudar com o cenário e figurino, eu queria matá-la, mas essas coisas são boas para crédito extra, então resolvi aceitar. Ela estava totalmente estressada tendo que supervisionar tudo quando poderia estar no quarto ou fazendo qualquer outra coisa mais interessante, e depois da discussão com só ficou ainda mais irritada, e aqui estou eu, plena quarta-feira ouvindo as reclamações dela tentando ser uma boa amiga, mas eram reclamações de todos os lados. Ouvi , e agora , eu estava a ponto de transbordar, esse é o problema de quem se importa com todos e coloca os problemas em último. Amanha teria treino e ela descontaria na bola de vôlei onde alguém sairia com uma contusão e eu estava torcendo para não ser atingida. e não tinham se entendido, elas nem se olhavam, se desculpou por ter me feito sentir fora daquilo, mas era verdade, eu havia chegado agora, não sabia como era a amizade deles quando estavam em crise, eu nem me sentia totalmente parte daquilo; por mais que eles tentassem me incluir. Britt havia dado um tempo das provocações, mas vira e mexe ela passava encarando com uma expressão debochada e queria arrancar fio por fio do cabelo loiro da garota.
- Sério, com tantas peças ela vai logo com Footloose? - Jesy reclamava, enquanto voltávamos do atelier, tivemos que pegar alguns materiais que faltavam para fazer o cenário. Os garotos do futebol treinavam no campo, time de camisa contra os sem camisa e eu até considerei ficar sentada ali assistindo, até Jesy me cutucar para voltar a andar, mas ainda virei o pescoço para ver os garotos soados e sem camisa.
- É um clássico - respondi, fazendo a garota revirar os olhos.
- Qual dos?
- Pra te falar a verdade eu só assisti a regravação, mas a trilha sonora é legal e as danças… Sei lá, ela viu na lista das 10 peças mais feitas nos colégios e resolveu que queria essa, deixa a mulher, imagina o desespero dela de se imaginar vivendo em um lugar onde a dança é proibida - abanei o ar.
- De que lado você está? - Jesy brincou.
- Do lado da arte! - falei da forma mais dramática possível e a garota riu me empurrando. Jesy e eu tínhamos aula de Algebra II juntas, e eu desconfiava que ela era satanista porque enquanto eu quase morria para entender algo ela tirava de letra e me ajudava depois. Eu gostava de falar com pessoas diferentes do nosso grupinho enquanto as meninas se restringiam, as vezes ela ficavam de graça com “vai lá com suas outras amigas”, o que só tirava risadas de mim.
- Quem diria que você é tão artística assim? - Connor falou, me virei para olhar e ele estava sorrindo com uma bola de basquete na mão. Ele era muito gatinho, nunca havia parado para reparar assim. Seus olhos eram escuros, seu maxilar bem marcado, o cabelo escuro tinha um corte undercut, sua pele era morena e os braços eram torneados. Acho que encarei tempo demais pois senti Jesy me cutucando.
- Você ficaria surpreso! - respondi, movendo os ombros.
- Eu vou levando isso antes que venha me puxar pela orelha - Jesy piscou para mim e saiu andando.
- Como ficaram as coisas depois da festa? - Connor perguntou, e começou a me acompanhar conforme eu ia andando. Ele estava lá e ficou sabendo de tudo e provavelmente também sabia mais por ser amigo de Niall, mas parecia querer puxar assunto.
- Não sei. Não sei se é normal a forma que eles agem quando tem crise no grupo - o olhei de canto de olho, o sol batia no rosto dele e meu Deus, como eu não reparei antes na beleza desse garoto? - Eles fingem que está tudo bem mesmo as meninas quase não se falando, eu sou um péssimo ser humano por ficar feliz em me ocupar com o teatro e não ter que ficar no meio do campo de guerra? - perguntei, parando na entrada do prédio e subindo alguns degraus para ficar na altura dele.
- Claro que não, acho que é normal, você ainda ta se adaptando a tudo, inclusive a eles - riu - Vai fazer parte da peça? Você parece ter talento pra essas coisas.
- Ah sim, claro, um talento enorme pintando cenários e dando ponto em roupas, se tivesse uma premiação pra melhor ajudando de palco eu ganharia todos os prêmios - falei, ouvindo sua risada - Prefiro ficar longe dos palcos, não é minha praia.
- E qual é a sua praia? - perguntou, colocando a bola de basquete no chão e passando a mão no cabelo.
- Apesar de curtir uma multidão, as vezes eu gosto de ficar sozinha. Eu não tenho realmente “uma praia”, não gosto de ter poucas opções, as vezes eu vou querer ficar no meio da zona, mas as vezes…
- Vai querer ficar quieta, sem ninguém por perto, só você e seus pensamentos - completou, me fazendo rir - Na verdade foi o Niall que me falou isso sobre você, e eu sou parecido nesse sentido - falou. Então eles falavam sobre mim? Sorri com aquilo, mas não falei nada.
- Eu tenho que…
- Será que você… - falamos ao mesmo tempo e rimos.
- Fala - apontei para ele.
- Então, vai ter a festa de Halloween e todas as meninas legais já tem alguém, quer ir comigo? - perguntou, passando a mão no pescoço, ele parecia a coisa mais fofa parado ali esperando minha resposta.
- Então eu sou sua última opção? - apontei para ele com o pincel, e vi Niall se aproximando com Louis.
- Não, não foi isso que eu quis… - ele ergueu os braços como em rendição e eu comecei a rir - Não faz isso, eu pensei que você tinha ficado irritada mesmo.
- Nós podemos ir juntos sim, vai ser legal! - falei, olhando para o chão e mordendo a boca.
- Legal, então a gente se fala depois - acenou e virou dando de cara com os dois - E ai? - fez um toque com os dois e saiu, me deixando lá sendo analisada. Olhei para eles sem entender e levantei as duas mãos como quem pergunta “que foi”.
- Não sabia que vocês eram amigos - Niall falou, curioso.
- A gente só troca algumas palavras desde a festa, nada demais - dei de ombros.
- O que ele queria? - Louis também estava curioso, revirei os olhos. Ele me tratava como um irmão mais velho e todos os meninos acabavam assumindo a mesma postura, me dava vontade de tacar alguma coisa na cabeça de todos eles.
- Me chamar pra festa - falei.
- Ele o quê? - Niall perguntou e eu bufei.
- Você explica que eu tenho que voltar pro treino. Tenta fazer ela mudar de ideia por favor, seja útil - Louis bateu no ombro de Niall e saiu, o loiro o seguiu com os olhos e meu coração pesou.
- Você sente falta né? De jogar? - perguntei, recuperando sua atenção. Ele se sentou no degrau me chamando para sentar de volta, o que fiz, eu já estava fazia uns 24 minutos fora do teatro e sabia que iria querer minha cabeça em sua cabeceira, mas eu nem queria ajudar naquilo, ela que me arrastou contra minha vontade.
- Sinto, eu tento me concentrar na música que nem você falou, mas as vezes eu quero ta lá fora sabe? Jogando…
- Talvez você devesse procurar outro esporte, não é porque você jogava futebol que não pode jogar mais nada, só falta procurar algo que você goste - mordi o lábio - Depois a gente dá um jeito nisso - coloquei a mão no seu joelho. Ele me olhou e sorriu.
- Então, você vai na festa com ele? - sua voz já não estava mais tão leve, assenti com a cabeça e ele bufou - Nós sempre vamos juntos, tipo, as meninas vão juntas, eu e os meninos vamos juntos e lá a gente se separa. Pensei que você ia comigo, mas não né, vai com seu novo amiguinho - Niall se levantou, mas eu permaneci sentada o olhando em choque por causa da reação inesperada. Franzi o cenho tentando entender aquilo e balancei a cabeça.
- Primeiro que vocês estão tão preocupados em fingir que não tem porra nenhuma acontecendo entre todos que esqueceram de mencionar isso pra mim, não tinha como eu adivinhar, não sou ligada em tirar as cartas que nem a Delph. Segundo que eu não preciso da sua permissão pra ir à festa com ninguém, o que é isso agora? - cruzei o braço, o encarando.
- Em nenhum momento eu falei que você precisava de permissão, mas eu pensei que era óbvio, a última festa foi assim.
- E acabou muito bem né? E de que adianta esses combinados? Você disse que não me deixaria lá sozinha, mas ficou a festa inteira com a Lia - prendi o cabelo, irritada com ele caindo no rosto e vi Niall sorrir, eu queria apagar o sorriso dele com um tapa, sabia muito bem que ele achava que era ciúme.
- Como se você não tivesse se arranjado com o Connor, né? - bufou. Revirei os olhos com aquela palhaçada, eu odiava quando tentavam exigir coisas de mim que eu não devia a ninguém, como dar satisfações para ele.
- Se você queria ir comigo devia ter me chamado primeiro, eu não tinha como adivinha que você queria isso. Fica ai de lição pra próxima - me levantei, virando as coisas para subir os degraus.
- Que? Vai me deixar aqui falando sozinho mesmo? A gente não conversou direito desde sábado e você vai realmente virar as costas e sair andando?
- Meu, você é muito engraçado, fica reclamando que a gente não conversou, que eu vou com Connor, disso e daquilo, mas não toma uma atitude. Você ta todo amiguinho da Lia e eu não fui gritar com você por isso, fui? - perguntei, virando para ele - Foi por isso que nós não conversamos direito esses dias e eu respeito isso porque você pode ter amigos, então por que eu não posso? Eu só vou pra festa com Connor, não pro altar, deixa de paranoia, essa mania que vocês tem de me tratar como irmã enche o saco as vezes - falei irritada. Não sei se era porque eu era a garota nova e eles queriam me proteger de só Deus sabe o que, mas as vezes irritava.
- Não quero brigar com você - Niall falou, bufando novamente. Ele sempre fazia isso, não gostava de brigas, evitava como podia, mas veio me confrontar sobre algo que nem tinha motivos, minha amizade com Connor estava o deixando irritado, mas eu não falava nada sobre sua amizade com Lia, por que ele tinha que dar um de louco então? E depois ele vem dizendo que não quer brigar.
- Tarde demais, né? - falei, virando novamente - Da próxima vez me chama primeiro antes de sair por ai presumindo coisas - entrei, andando rapidamente para achar . Quando cheguei ela me olhou irritada, com as mãos na cintura - Ah, não, você também não!
- Que foi? - se assustou com meu tom, já que eu era sempre a mais calma entre eles.
- Seu amigo é louco, isso que aconteceu - coloquei o pincel em cima de uma mesa.
- Qual deles?
- Niall - revirei os olhos.
- Vocês brigaram? O que ta acontecendo, ta tudo muito confuso e eu acho que não vou conseguir sobreviver a tantas mudanças – dramatizou.
- Você devia ta em cima daquele palco - zombei e ela mostrou a língua.
- A devia, se fosse musical, quer dizer, se ela tivesse que cantar, porque aqui é mais dança e tal.
- Ela canta? - perguntei, andando com até o centro do palco.
- Canta, compõe e blablabla - falou, balancei a cabeça em compreensão, e percebi que eu não sabia nada sobre eles, por mais tempo que passássemos juntos. Era estranho estar ali no meio quando eles se conheciam assim, e se conheciam desde fetos já que seus pais eram amigos desde a faculdade, eu me sentia uma intrusa na maior parte do tempo. - Não se preocupa, daqui a pouco você e o Niall se entendem logo, vocês são a e o Niall - revirou os olhos. Dei de ombros, não estava me importando com essa briga, eu era meio fria quando se tratava de garotos e elas estavam começando a perceber isso. O celular de vibrou e ela tirou do bolso irritada porque não queria interrupções, mas quando ela olhou ficou pálida.
- Ta tudo bem? - peguei o celular que ela havia derrubado e abri a boca ao ver a foto que alguém mandou.
- Parece que a Valerie voltou! - falou me olhando. Eu não sabia quem era essa Valerie, mas sabia que meus amigos a odiavam, e pela expressão de ela queria estar em qualquer lugar, menos perto dessa Valerie.

Capítulo 18



Ela realmente havia voltado e eu não sabia o que pensar disso. Com Valerie não havia meio termo, ou você amava ou odiava; eu faço parte da segunda opção. Ela sempre conquistou tudo, com simpatia ou chantagem, não importava o método, ela sempre tinha que conseguir o que queria. Até hoje acho que o fato de Brit ter se transformado no que se transformou, e no motivo de nossa briga foi por causa de Valerie. A foto que ela havia me mandando já havia sido apagada, mas o que eu não conseguia apagar eram meus erros, que eram muitos e que, infelizmente, ela sabia. Valerie era aquela amiga de ir em festas. Se você estava se sentindo para baixo e queria se divertir, ela sabia onde te levar, mas conforme a atenção lhe era roubada, a raiva começou a crescer e ela passou a fazer da minha vida um inferno. A maioria dos rumores inventados eram obra dela e de Brittany, sua prima, Rebbeca, também era uma verdadeira vadia.
- Você não vai contar o que aconteceu mesmo? - , que estava mal humorada desde a briga com , andava de um lado para o outro.
- Já falei, . É só desconforto por saber que ela tá por perto de novo – dei de ombros.
- Você sabe que ela não vai ficar por muito tempo – revirou os olhos, impaciente. Saber eu sabia, mas isso não me impedia de sentir receio pelo que ela pudesse fazer. Algo me dizia que ela estaria na festa a fantasia hoje e, pela primeira vez, senti vontade de ficar no internato. Eu não tinha medo dela, tinha medo das feridas que ela poderia abrir nas pessoas que eu amo.
- Certo, pode olhar – falei, fazendo encarar o espelho e arregalar os olhos – Eu sei, nem parece você. E eu sei que você vai reclamar horrores, mas hoje é isso, ok? Um dia pra você ser o que você quer sem que julguem – dei de ombros.
- Tem como eu ser menos filha da puta controladora? - suspirou, se sentando na cama, depois de se analisar no espelho por minutos. Suspirei sem saber o que falar. Nossa situação não estava boa, nós não resolvemos nada e o clima estava pesado até entre nós duas, que não brigamos. estava evitando ficar por perto, era vista o tempo inteiro com aquela menina da aula de Geometria e com Connor, eu entendia seu lado, ela acabou de chegar e nós a deixamos completamente perdida. estava distante, parecia mais chateada e não se abria com ninguém, o sorriso que sempre estava em seu rosto estava sumindo. E não queria nos ver nem pintadas de ouro, segundo ela eu sempre escolho o lado de e sou injusta, tudo por querer me manter fora das brigas delas. Essa festa de Halloween devia ser divertida, todas nós nos arrumando juntas, bebendo dos frascos disfarçados e tentando adivinhar com qual fantasia cada pessoa estaria; mas nós estávamos totalmente desanimadas e só vamos porque já compramos os ingressos. Com tudo acontecendo e mais a volta de Valerie eu não havia falado ou visto Liam. Eu precisava lembrar o que aconteceu naquele banheiro antes de falar com ele, mas eu nem sabia se queria mesmo falar com ele. Meus sentimentos estavam uma completa bagunça e eu não queria ter que lidar com absolutamente nada no momento.

[...]


Eu e chegamos na entrada da festa e sentimos arrepios vendo a decoração. Os grandes portões eram negros, a iluminação era baixíssima, deixando a noite fria iluminada apenas com as estrelas e 4 lanternas que ficavam acima do portão. Ainda em frente aos portões, a grama parecia mal cuida de forma proposital, e lápides foram colocadas ali dando um ar meio assustador ao local.
- Eles capricharam esse ano – falou, passando comigo pelas lápides que estavam empoeiradas.
- Brittany e o irmão sempre capricham, eles amam atenção – revirei os olhos – Pelo menos as festas são boas – sorri, arqueando a sobrancelha. Passando o portão, o jardim estava com uma iluminação alaranjada e diversas abóboras de halloween, com desenhos assustadores, estavam dispostas pela grama, em volta de uma escultura enorme de uma abóbora que também estava iluminada por dentro. Do lado direito havia uma pista de dança ao ar livre com a decoração roxa e no chão desenhos de teias de aranha.
- Aquela é a ? - perguntou, vendo uma garota vestida de no país das maravilhas, só que morta, com o vestido curto manchado de sangue, a maquiagem mostrava um rasgo no peito esquerdo, um na garganta e outro na bochecha, e por incrível que pareça ela conseguiu deixar a fantasia sexy – ela também carregava um coelho de pelúcia todo “ensanguentado” e todo mundo olhava para ela quando passava – Que fantasia mórbida – fez careta.
- Vai entrando que eu vou procurar o Liam, tenho que pedir desculpa pelo sumiço dessa semana e explicar o que anda acontecendo – fiz careta, vendo sorrir e morder o lábio.
- Vai nessa, não deixe ele escapar – piscou e saiu andando me fazendo suspirar. Olhei ao redor tentando imaginando onde e como ele estaria. As pessoas tinham caprichado nas fantasias e certas pessoas eu não conseguia reconhecer de forma nenhuma, não sabia se eram amigos dos irmãos que estavam dando a festa, do meu internato ou de outro. Eu não estava animada como aquelas pessoas, a última festa foi um desastre e eu sabia que essa também seria. Sabia porqueValerie estava de volta, e ela nunca perdia uma festa.
Observei a piscina totalmente modificada para a festa. As bordas estavam roxas e havia gelo seco – sim, gelo seco – na superfície o tempo inteiro. Em uma das boias havia um esqueleto, mais do lado uma cabeça boiando e, acima da piscina, uma aranha negra inflável gigante. Eles deviam ter gastado muito dinheiro com essa festa, estava louca para ver a piscina aquecida. Enquanto me divertia vendo a decoração, vi Liam conversando com uma garota do segundo ano e me aproximei lentamente, eles falavam sobre música e eu revirei os olhos, todas as meninas sabiam que para chamar atenção dele bastava uma conversa do tipo. Cutuquei seu ombro e ele virou, me olhando de cima a baixo.
- Desculpa linda, mas seu Justin não está por aqui – segurou minha mão me fazendo dar uma voltinha, ri com aquilo e mordi o lábio.
- Hoje eu to mais inclinada para super-heróis do que ex membros de boy bands – falei, o fazendo rir. Liam estava de batman e aquela fantasia combinava totalmente com ele – e também o deixava mais gostoso que o normal. Eu estava vestida como a Britney Spears em sua apresentação na MTV em 2011, do top verde às botas, estava exatamente igual, só faltava a cobra – Escuta, eu queria conversar com você – mordi o lábio nervosa, ele concordou e apontou com a cabeça para um local do lado esquerdo do jardim. Paramos ao lado de duas madeiras grossas enfeitadas com uma teia de aranha.
- Eles realmente sabem dar festas – riu, bebendo de seu copo, que era uma caveira negra com um fantasminha demoníaco segurando na borda – O nome da bebida é The hauting, quer? Tem rum, vinho branco e sei lá eu mais o que – ofereceu, mas fiz careta e me sentei no banco negro, com uma cortina preta rendada no encosto – Como estão as coisas depois da briga?
- Tudo muito estranho, eu não consigo me concentrar em nada. Minhas notas caíram tanto, vou ter que escrever um trabalho sobre um livro que nem comecei a ler pra recuperar a nota e eu to exausta – suspirei.
- É assim mesmo, . Balancear escola, com atividades extras, com amizades te deixa cansada, mas pelo menos a vida não fica parada.
- Preferia uma vida parada, tudo acontece ao mesmo tempo – mordi o lábio – E eu ainda não lembrei o que aconteceu aquele dia no banheiro, mas…
- Mas? - ele me olhou, pedindo para que continuasse.
- Eu nunca te trairia, disso eu tenho certeza.
- Seu histórico não condiz com isso – falou, me fazendo arquear a sobrancelha – Desculpa, eu não quis…
- Quando eu estava evitando ficar com você foi porque eu sabia que isso ia acontecer. Eu não queria que você fosse só mais um e deixei claro, e eu também sabia que se alguma coisa acontecesse você jogaria meu passado na minha cara. Se me tratando assim é sua forma de me fazer ir atrás de você então melhor desistir. Essa história de que quanto mais você pisa em uma pessoa mais ela fica atrás de você é só pra quem não tem amor-próprio e eu tenho uma novidade pra você, Payne: eu me amo demais pra deixar alguém me maltratar – respirei fundo me levantando, enquanto Batman ficava ali me encarando de boca aberta.
- Espera, … Eu não queria te ofender, falei sem pensar e… - segurou minha mão, mas eu me soltei rapidamente.
- Ultimamente você vem fazendo muito isso, mas eu não aceito esse tipo de tratamento, Payne. Você me livrou do Derek justamente por ele me tratar como uma vagabunda, se eu fosse você não cometia o mesmo erro – sai andando antes dele falar algo e antes de ver as lágrimas que estavam surgindo em meus olhos. Sabia que não devia ter saído da cama hoje, a festa mal havia começado, mas para mim já havia terminado. Não apenas pela briga com Liam, mas pelo mal estar com as meninas, por saber que esse é nosso último ano e nós não estamos aproveitando como devíamos, em vez de criar boas memórias estamos apenas nos machucando. Enquanto limpava as lágrimas, tentava ignorar as piadinhas e dei de cara com Derek me olhando.
- Ta faltando uma cobra na sua fantasia, a minha tá a sua disposição – sorriu de forma maliciosa, sorri de volta, vendo ele se aproximar.
- Sua minhoquinha não chega perto da Piton que falta na minha fantasia – continuei sorrindo, vendo que sua expressão havia se fechado enquanto seus amigos riam da cara dele. Quando Derek fez menção de vir para cima, senti uma mão quente no meu ombro e me virei, pensando que uma das meninas havia visto e vindo me ajudar, mas dei de cara com o demônio. Valerie estava na minha frente, fantasia de Anabelle e eu não consegui pensar em nenhuma fantasia que daria tão certo com ela. Seus cabelos continuavam vermelhos, o sorriso ainda convidativo, mesmo para quem sabia a cobra que era, e eu só conseguia pensar em como se fantasiar de uma boneca que, a primeira vista é inofensiva, mas no fim é uma maldição, combinava perfeitamente com a garota.
- Sentiu minha falta? - sorriu, enquanto os garotos a olhavam contentes – Claro que sim, eu que trago animo pra esse lugar chato – arrastou a voz na última palavra – Com licença meninos, eu gostaria muito de ficar aqui para vocês me admirarem, mas tenho que conversar com uma antiga amiga – segurou meu braço, mas eu o larguei e sai andando na frente. - Nossa, , não me diz que você agora é careta como a – falou, apenas ignorei e peguei uma bebida da mão de qualquer um, sentindo descer rasgando e fiz careta, lembrei que havia sido drogada na última festa justamente por beber do copo dos outros e me xinguei mentalmente; eu só fazia merda.
- Fala logo, não tenho todo tempo do mundo pra você – cruzei os braços, vendo ela rindo.
- Você não tá brava por causa da foto né? Foi só uma brincadeirinha – moveu o nariz para cima enquanto ria.
- Suas brincadeiras não tem graça e sempre machucam alguém. Era isso o que você tinha pra falar? - perguntei, ficando impaciente. Ficar perto dela me fazia mal, sua energia era negativa e eu sempre me sentia doente e sobrecarregada, lidar com Valerie era difícil.
- Claro que não, boba. Vim dizer que estava com saudade das nossas saídas e que, pra provar como era só uma brincadeira mesmo, eu resolvi te ajudar com um probleminha que eu sei que você anda tendo com Liam – sorriu mordendo o lábio.
- Brittany! - suspirei.
- Ela me deixa sabendo de tudo que acontece no internato – olhou as unhas que pareciam garras – Ta vendo aquela garota baixinha ali? - apontou para uma menina que estava em um grupinho, todas vestidas como um personagem da disney; ela estava de Elsa. - Ela vai te explicar o que aconteceu naquele banheiro, foi muito nobre da sua parte, por falar nisso.
- Por que eu confiaria em você? - estreitei os olhos.
- Eu não sou um monstro, . Eu só cometo o mal necessário, ninguém é santo e fingir perfeição é exaustivo.
- Você me dá nojo – balancei a cabeça, a olhando de cima a baixo.
- Você costumava ser como eu. Eu te fiz.
- Não, você me transformou em algo que eu não queria ser, eu fiz a mim mesma, e graças a Deus eu percebi como você é doente antes que fosse tarde.
- Você pode continuar ai agradecendo seu Deus inexistente ou pode ir conversar com a Elsa falsificada ali e salvar seu pseudo-relacionamento com o gostosinho do Liam – quase dei na cara dela ao ouvi-la falando daquela forma sobre Liam – Ta gostoso amiga, cuida dele porque agora eu to de volta – mandou um beijo e começou a se afastar – E para de me ofender, . Aquelas fotos, vídeos e tudo mais ainda estão comigo – piscou e se afastou, me fazendo respirar novamente. Resolvi falar com a menina para saber se era sério o que Valeria havia falado e tentei ignorar sua ameaça explícita, não podia me dar ao luxo de pensar nisso agora. Quando chamei a menina de canto ela arregalou os olhos, nos afastamos alguns passos de seus amigos, que olhavam curiosos, e ela olhou para baixo.
- Cara, você é a – riu fraco, a olhei sem entender – Todo mundo naquele lugar te conhece sabe?
- Então você deve saber que…
- Não precisa se explicar, sua amiga falou comigo… Sobre o dia da festa – olhou para o nada e fechou os olhos. - Você não lembra de nada?
- Já ouviu falar sobre a amnesia que a boa noite cinderela causa? - ela concordou – Tinha essa, além de outras drogas, na minha bebida. Eu não lembro de muita coisa que fiz aquela noite, por isso se você puder me ajudar…
- Certo – ela tossiu, meio desconfortável – Eu tenho depressão, e um monte de outros problemas – respirou fundo – No dia da festa eu estava um caco, eu venho tendo recaídas já faz um tempo e aquele dia ir na festa foi um risco, lugares lotados e fechados me fazem passar mal, eu também tenho agorafobia que é tipo o medo de estar no meio de uma multidão e não conseguir sair de lá, também tenho ataques de pânico e os sintomas da agorafobia são parecidos, eu nunca sei qual to tendo porque ainda é recente. Aquele dia eu comecei a me sentir mal e uma amiga me levou ao banheiro, você estava lá se olhando no espelho e falando sozinha. Eu me descontrolei, falei pra minha amiga que não aguentava mais todos aqueles problemas, as sensações ruins e viver tendo que tomar remédio, acabei falando sobre suicídio e, enquanto ela tentava me acalmar, eu fui pegar meu frasco de remédio, eu realmente pensei nisso. E foi quando eu comecei a ter um ataque de ansiedade que levou a uma crise de pânico – ela falava tudo calmamente, e eu prestava atenção em todos os detalhes – Eu não estava conseguindo respirar, estava com muito medo e minha amiga não conseguia me acalmar, foi quando você se sentou na minha frente, falou algo sobre ter uma amiga que tinha umas crises parecidas e me pediu pra respirar com você – falou e fungou, me fazendo segurar sua mão – Depois de te ouvir e começar a me acalmar você sorriu e ai eu te beijei, esquecendo total sobre os frascos – ela falou, e eu arregalei os olhos, pisquei lentamente 3 vezes e franzi o cenho – Você retribuiu – pisquei mais forte ainda – Disse que viu em um episódio de teenwolf que ajudava a controlar a respiração e sair da crise ou algo do tipo e por isso tinha retribuído, mas eu disse que havia te beijado porque senti vontade.
- Eu realmente não sei o que dizer – cocei a testa – Você não tá, tipo…
- Apaixonada? Não – riu, me fazendo rir junto – Sim, eu sou lésbica, é verdade, mas acho que eu só estava muito vulnerável naquele momento, você estava realmente tentando e conseguiu me ajudar quando nem minhas amigas conseguiram. Eu me senti tocada com aquilo, nunca pensei que logo você, a gostosona do internato e ex amiga da Brittany e das outras, tinha um coração bom o bastante pra ajudar uma estranha, foi por causa do momento, eu só não sabia que isso te traria problemas. - Mas que tipo de beijo foi esse, eu sai de lá toda bagunçada – fiz careta, vendo-a rir.
- O primeiro foi tranquilo. Quando você começou a se explicar dizendo que só fez aquilo pra me ajudar como no episódio eu não entendi se você estava se sentindo culpada ou não, ai te beijei de novo como uma forma de mostrar que não estava nervosa, mas você surtou, levantou com pressa e acho que foi quando você saiu do banheiro toda bagunçada e meio desnorteada. Você não olhou pra mim desde então e eu pensei que estava com raiva, mas ai sua amiga me explicou que você não lembrava de nada…
- Como ela sabia disso?
- Tinha uma loirinha que conhece ela no banheiro – revirei os olhos, sempre Brittany – Você não tá puta.
- Não tenho porque ficar puta – ri – Só to feliz por saber o que realmente aconteceu, a dúvida tava me matando. E olha, não deve ser fácil lidar com tudo que você tem que lidar diariamente, mas nunca mais pensa em tirar sua vida. Pode ser egoísta da minha parte pedir isso, mas as coisas melhoram, podem não melhorar agora, mas eventualmente tudo fica bem. Você só precisa ser forte e continuar lutando, pode ser cansativo, mas no final vale a pena. Ainda tem tanta coisa boa pra acontecer com você. Deve encher o saco ter medo o tempo todo, mas tem pessoas do seu lado que vão te ajudar, mesmo quando você achar que está sozinha. Só não desiste, tá? E muito obrigada por tirar esse peso das minhas costas – apertei sua mão, vendo que ela sorria.
- Eu que tenho que agradecer, você nem me conhecia e foi me ajudar. E me desculpa por ter te agarrado, foi errado e eu sei, mas naquela hora eu não pensei em nada, e desculpa a confusão que causei com seu namorado.
- Nós não chegamos nesse nível ainda, nem sei se vamos – fiz careta, e quando ela abriu a boca para falar eu a cortei – Não tem nada a ver com você, nós só somos diferentes demais.
- Sabe, se relacionar com uma pessoa tão oposta a você pode trazer a tona seu pior lado, mas o seu melhor também. Ter um balanceamento é sempre bom e o que você aprende tendo que lidar com alguém que tem manias e opiniões tão diferentes é difícil, mas faz bem. Você me ajudou, então me escuta. Não desiste só porque parece mais fácil, no final você vai se arrepender de não ter tentado. - deu de ombros e olhou para os amigos – Vou voltar lá, provavelmente vão perguntar como eu te conheço – riu, me fazendo rir de novo – Desculpa o mal entendido.
- Não, relaxa, já tudo resolvido – a abracei fraco, e vi a garota se afastando. Eu queria lembrar daquele dia, queria muito lembrar de tudo, não por não acreditar na garota, mas por saber qual foi a sensação de tê-la ajudado, e me senti decepcionada porque não havia sido uma traição pensada com Liam, mas um beijo é um beijo, certo?
Andei lentamente até a entrada da festa, eu não havia pisado o pé ali ainda, e me impressionei com o tamanho do lugar. A iluminação era escura, como de se imaginar, havia um fantasma pendurado no lustre do meio, vários esqueletos pintados com algumas luzes neon pelos cantos, um altar, com uma cruz iluminada, e um velho barbudo assustador em um outro canto. Vi muito vermelho, roxo e laranja, e as pessoas estavam se divertindo no bar onde os garçons estavam fantasiados com a máscara do pânico com luz de LED – sim, as luzes de LED vinham das máscaras. Harry, que estava fantasiado de chapeleiro maluco. Ele estava com um óculos em forma de caveira e começou a dançar na minha frente me fazendo rir.
- Você e a combinaram a fantasia? - ele franziu o cenho – Ela tá fantasiada de Países das Maravilhas, morta, mas está
- Não sabia, ainda não a vi – deu de ombros e me puxou para dançar.
- Ah, eu descobri o que aconteceu no banheiro aquele dia – sorri e contei para Harry, que fez mil piadinha sobre como agora eu tinha uma namoradinha, dei um soco em seu braço, e ele fez careta.
- Agora você pode explicar pro Liam e o reino fica em paz – Harry falou, me fazendo girar. Ri com aquilo comecei a procurar Liam com o olhar, mas parei quando meu celular tocou:
“Pra te mostrar como sou uma ótima amiga. Xo, Valerie”
Fiz careta e vi a foto anexada, engoli em seco e balancei a cabeça. Eu era mesmo muito idiota.
- , tá tudo bem? - Harry riu, ao ver minha expressão e pegou meu celular, fazendo careta e me olhando.
- Eu devia saber que a amizade deles nunca foi só uma amizade, né? Quer dizer, olha o jeito que ele sempre a tratava – olhei para baixo – Eu só não sabia que eles fariam isso comigo, os dois são meus amigos. Todo mundo tem a mania de achar que eu não penso nos sentimentos de ninguém, mas olha isso – mostrei a foto para Harry.
- Foi a Valerie que te envio, não dá pra confiar nela – Harry me lembrou, mas eu balancei a cabeça. - Fotos não mentem – falei.
- Fotos não mentem, que fotos? - ouvi Liam perguntando, atrás de mim e engoli em seco. Harry me olhou e formou as palavras “conta da festa” com a boca, mas eu balancei a cabeça.
- Foto nenhuma. - respondi, sem olhar para ele e me afastei.
- , espera, você ainda tá nervosa? Eu não queria ter falado aquelas coisas.
- Liam, chega ok? Isso nunca vai funcionar e nós sabemos disso, pra que ficar nessa coisa cansativa quando nós podemos simplesmente ficar livre? Você não quer alguém como eu e eu não quero alguém como você, certo?
- Que? Do que você tá falando? Você bebeu? - ele gritava, para se fazer ouvir através da música, e me seguia pelo salão lotado de pessoas dançando, enquanto Me, myselfand I tocava. - Porque você sempre explica as coisas pela metade? - me puxou pela mão e segurou minha cintura – Eu quero alguém como você sim e eu sei que você também me quer. As coisas estão confusas, mas não acabadas. Seu medo de se envolver precisa acabar, .
- Envolvimentos trazem sofrimentos – virei a cabeça, olhando para ele e lembrando da foto – Ainda mais quando não existe honestidade – ele parecia realmente confuso. DangerousWoman estava tocando e quando olhei para o lado vi que , que estava maravilhosa naquela fantasia, havia pedido para colocar. Sorri ouvindo a batida e a letra sexy da música, era a mulher mais sexy daquele local e nem percebia.
- Então eu vou ser honesto. Você está linda de Britney e, mesmo dizendo que você que tem que vir atrás de mim essa noite, eu to louco pra te beijar e é isso que eu vou fazer – falou tudo de uma só vez, retomando minha atenção, e encostou sua boca na minha, calmamente. Fazia tempo que eu não sentia sua boca na minha, e a forma como meu coração disparou só me trouxe a confirmação de algo que eu evitava. Eu estava apaixonada por Liam Payne e eu já estava machucada antes mesmo disso se oficializar. Ele havia me feito querer tentar algo novo, ele havia me feito querer estar apenas com uma pessoa. Ele havia me feito sentir tudo que eu nunca quis sentir, tudo que sempre evitei, tudo que sempre lutei contra. E ele havia me quebrado sem nem perceber. Quando sua língua entrou em contato com a minha eu senti que cairia no chão se seus braços não estivessem me segurando, e quando ele me puxou para mais perto eu senti meu corpo todo arrepiar.
- Eu te trai no banheiro, aquele dia – falei, quando ele finalmente se afastou. Sua expressão, antes contente, se transformou em decepção. Engoli em seco, não contaria tudo, apenas o suficiente para que ele desistisse de mim. - Com uma garota – continuei, sentindo suas mãos me soltarem, senti um vazio, mas me mantive firme – No final você estava certo, meu histórico me entregou. Você é ar e eu fogo, Liam – lambi o lábio, vendo ele se afastar – Mas você também não é tão inocente assim, é?
- Você não presta! - Liam falou de forma seca.
- Nunca falei que prestava.
- Você e o Derek se merecem – foi como um soco na boca do estômago. Ele estava ferindo e tentando me ferir.
- Então você finalmente viu quem eu sou – dei de ombros e virei de costas, vendo Harry olhando preocupado. Andei até meu melhor amigo, que me esperava ansioso para saber os detalhes, não consegui nem rir ao pensar que ele era exatamente como eu e as meninas.
- Então, eu sou oficialmente a vadia do grupo. Contei que trai e ele ficou se fazendo de vítima, eu queria esfregar essa foto na cara dele – olhei para a foto, de uma garota de vestido vermelhos o beijando.
- As vezes é um mal entendido – Harry tentou defender o amigo.
- Eu to cansada de maus entendidos. Não era pra ser, relaxa – ri, mas, no fundo, queria chorar – Agora vem dançar comigo que eu amo essa música – comecei me balançar conforme Justin cantava Sorry e algumas pessoas tentavam a coreografia. Entrei no modo automático como na época das festas de Valerie. Eu me sentia como naquela época, mas naquele momento eu não me importei, porque era quando eu conseguia me desligar dos sentimentos e preocupações. Bebi novamente e senti quatro pares de olhos em cima de mim. Liam me olhava decepcionado e repreendendo. Ergui meu copo para os dois e continuei dançando, andando até . A festa estava boa demais para não aproveitar por coisas que só fazem mal como sentimentos.




As meninas da animação me faziam companhia enquanto eu não achava . Era tão estranho chegar em uma festa sem as meninas quando desde o começo nós vivíamos juntas desde o começo. Amizades são estranhas, você nunca sabe realmente quando se tornou dependente daquelas pessoas e o medo delas te abandonarem é constante. E se conhecer alguém mais legal? E se cansar de mim? E se só fala comigo por obrigação ou costume? Com as meninas eu não sentia isso, não a todo momento, apenas o medo do abandono que as vezes me acompanhava, mas isso era pela minha falta de entusiasmo com as coisas como elas tinham. As vezes eu sentia que não pertencia aquele lugar e, apesar delas me fazer sentir incluída, eu sempre acabava me isolando, talvez isso dava a ideia de que eu não as queria por perto, mas eu só precisava do meu momento. Depois da briga não falei mais com ou , não queria vê-las na minha frente, por isso acabei atrapalhando a ideia de Zayn vir sozinho com , me convidei para vir com os dois, nenhum pareceu chateado pois sabiam que chegando aqui cada um iria para um lado.
- , não é a Valerie arrastando a , ali? - Cindy perguntou, apontando para uma Britney Spears e uma Anabelle. Apertei os olhos para enxergar melhor e eram as duas mesmo, parecia na defensiva a conversa inteira enquanto Valerie estava sempre despreocupada, olhando para algumas pessoas e dando piscadinhas.
- Estranho, não sabia que ela tinha voltado – mordi o lábio – sempre se mete em encrencas por causa dela – balancei a cabeça.
- Mas e dai, vocês não são mais amigas, né? - Cindy sorriu. Ela não gostava de porque quando seu namoro acabou seu ex foi direto pedir o telefone da loira.
- Uma amizade não acaba por causa de uma única briga, Cindy. As coisas não acontecem assim.
- Quando as pessoas fazem questão da sua amizade, mas eu não vi nenhuma das duas vindo te procurar depois da discussão de vocês. E você nunca me contou o motivo – colocou a mão no meu ombro, me desvencilhei e ignorei o comentário verdadeiro que ela fez. Nenhuma das duas havia me procurado e eu não daria o primeiro passo.
- Não contei porque não é da sua conta – falei, da forma de seca de frente e elas já estavam tão acostumadas que nem se sentiam abaladas. Revirei os olhos e sai de perto delas. Não que eu não gostasse das meninas da torcida, nem todas são fúteis como os filmes nos fazem acreditar, assim como nem todas são magras, altas e loiras, eu só não andava muito com elas porque não sabia lidar com pessoas e isso já ficou óbvio para todos. Meu grupo de amigos se limitava as pessoas que eu havia conhecido a maior parte da minha vida, assim eu não precisava me preocupar em ter que fazer contatos novos. Eu não confiava em muitas pessoas e, a esse ponto da minha vida, seria impossível me sentir conectada com alguém que não fossem aqueles cujos eu estava afastada.
Sentei em um daqueles bancos medonhos e observei todo mundo, fiz careta imaginando como seria se sentir normal. Não ter medo de alguém te olhando por mais de 5 segundos, não ter medo de ser tocada, não ter receio e nem sentir vontade em se afundar em álcool e drogas pra esquecer toda merda que já aconteceu. Fiz careta ao ver tentando se livrar de Derek, garotos como ele apenas me inspiravam nojo. Ele achava que por ser popular e bonitinho podia fazer o que quiser com as pessoas. Ouvi histórias de que, além de levar garotas para o celeiro, ele também as levava a capela, total falta de respeito. Também ouvi que ele forçava algumas a fazer certas coisas e eu só não sabia como ele ainda não havia sido expulso… Na verdade eu sabia e o motivo era dinheiro. Ele me dava arrepios, odiava ficar na presença dele e nós tínhamos Psicologia juntos. As vezes eu me perguntava se ele era algum tipo de sociopata. Sociopata não, eles não são bons em socializar, ele estava mais para psicopata mesmo. Encantador, popular e com todos os lados negativos de quem tal transtorno. Balancei a cabeça ao ver que ele percebeu meu olhar e , seguindo seu olhar, sorriu fraco para mim, que não retribui. Ela estava maravilhosa vestida de Jessica Rabbit. Aquele vestido longo, vermelho e brilhante deixava seu corpo deslumbrante, o decote deixava seus seios lindos e aquela abertura na perna a deixava super sexy. Seu cabelo, que já era ruivo, estava penteado exatamente como o da personagem e não era de se admirar que todos os olhares se viravampara ela. parecia meio envergonhada aos olhares, e mais incomodada ainda com a proximidade de Derek. Suspirei e sinalizei com dedo para ela vir até onde eu estava. Mesmo com a briga eu ainda me importava com o bem-estar delas e, se ter que conversar com ela a faria se livrar daquele indivíduo nojento, então eu conversaria com ela. sorriu nervoso enquanto se aproximava e se sentou ao meu lado.
- Sua fantasia… País das Maravilhas?
- É, cai no buraco e morri, mais maravilhoso que isso não fica! – arquei as duas sobrancelhas ouvindo sua risada – E você tá uma gata de Jessica Rabbit, aposto que foi ideia da , você nunca escolheria algo tão chamativo – ri, ouvindo-a rir comigo
- Senti falta do seu humor negro – riu, me olhando – E foi ela mesmo – olhou para baixo, parecia lutar contra seus pensamentos - Se eu não falar eu vou morrer com as palavras entaladas na garganta – se virou para mim.
- Você sempre faz o que quer mesmo – dei de ombros, vendo que ela havia olhado para o céu e respirado fundo. Olhei para a piscina toda coberta de gelo seco e vi um imbecil que se inclinou para saber se a piscina estava ou não cheia, acabou se desequilibrando e descobrindo que a piscina estava, de fato, cheia.
- Não adianta me dar patadas, eu não vou sair daqui!
- Não te pedi pra sair e mesmo se tivesse pedido eu sei que não daria certo – dei de ombros. Eu ainda estava muito chateada por tudo que havia acontecido e talvez ainda mais por nenhuma delas ter falado comigo, sei que também não fui atrás, mas eu me senti tão atacada aquele dia, eu só queria ficar quieta no meu canto.
- Eu sei que é difícil lidar comigo.
- Tenta substituir difícil por impossível – continuei com os comentários maldosos, eu queria fazê-la sentir o que eu estava sentindo.
- Mas eu me importo com você.
- Você tem uma forma singular de demonstrar – arqueei a sobrancelha.
- Dá pra parar de me atacar e só me ouvir? - falou irritada, se levantando e parando na minha frente de braços cruzados.
- Ok, eu posso te ouvir, não te garanto que vou me importar com o que você tá falando. Pode começar! - levantei também e cruzei os braços . Virei a cabeça para a entrada do salão e vi Harry cutucando Liam e apontando para nós, revirei os olhos ao ver os dois se aproximando e levantei a palma da mão para que eles entendem que era para ficar onde estavam. - Então, vai começar ou não?
- Eu entendo que você está morrendo de raiva de mim no momento e com toda razão do mundo. Eu não tinha ideia do que você estava passando e eu nunca quis te sentir como se você não tivesse o direito de guardar esse segredo. Mas eu também fiquei chateada por você não ter confiado na gente sobre o assunto quando o Harry sabe…
- Cara, você só pode tá brincando – ri, ela me olhou sem entender – Sua forma de se desculpar é fazendo esse assunto ser sobre você? Porque eu só ouvi um monte de “eu, eu, eu”…
- Não, você não tá entendendo.
- To entendendo perfeitamente. Você tá tristinha porque achou que eu devia correr para contar pra você o que havia acontecido e agora tá se sentindo traída porque contei para um garoto que não confiava muito até pouco tempo atrás. Você tornou isso sobre você, como sempre…
- Eu não faço isso – parecia realmente chateada e eu cada vez mais irritada.
- Você não faz por mal e não percebe que faz – corrigi sua fala – Você não é uma pessoa ruim, mas você consegue ser bem egoísta e controladora quando quer. O único motivo de eu ter contado foi porque você me pressionou e começou uma briga desnecessária.
- Então você nunca contaria? - se sentou, me olhando.
- Contaria , mas no meu momento. No dia que contei pro Harry eu tava em um dia horrível e precisava conversar, ele me fez sentir confortável o bastante para deixar as palavras saírem. Precisa ser no meu tempo, uma coisa dessas não é fácil de lidar e você não entende.
- Claro que eu…
- Não, você não entende. Quando você disse que ficou chateada por eu não ter te contado você só pensou em você. Não pensou em como é difícil pra mim falar sobre isso, lidar com isso ou a vergonha que eu sinto do que aconteceu. Você acha que entende, mas você não entende e eu não contei porque sabia que nenhuma de vocês ia saber lidar com isso. Não to falando que não quero o apoio de vocês, é claro que eu quero e preciso disso.
- Então me explica, . Me diz como te ajudar, eu não quero que a situação fique assim, eu não quero ser egoísta, eu quero que você saiba que pode contar com a gente – ela parecia a beira das lágrimas. Sentei suspirando e segurei sua mão, comecei a contar desde o começo o que havia acontecido da mesma forma que contei a Harry na beira do lago, ela começou a chorar e me abraçou.
- Você é tão forte e eu tenho tanto orgulho de você – falou, me apertando cada vez mais – Me desculpa te gritado com você, me desculpa tudo que eu falei, nunca imaginei que você passava por isso. Nós sempre pensamos que sua família era perfeita, mas aparências realmente não são tudo – balançou a cabeça.
- Você precisa entender que com isso vem mais um monte de coisas. Ansiedade, estresse, depressão, raiva…
- Abuso de álcool? - ela perguntou de forma tímida, fechei os olhos e concordei com a cabeça.
- Medo, problemas de se relacionar com pessoas, insônia… Acho que por ele não ter conseguido ir até o fim com isso eu consigo lidar um pouco melhor, mas abuso é abuso e… Eu ainda lembro dele forçando os dedos em mim. Ainda é uma droga, eu ainda tenho pesadelos e as vezes os flashbacks são horríveis. Por um tempo eu fiquei em negação e não quis procurar ajuda, mas eu entendi que sozinha não ia conseguir dar conta e comecei a fazer tratamento. Eu ainda me encontro com meu terapeuta e por isso não to mais tão destruída.
- Por isso você nunca se interessou por ninguém! - falou, como se, de repente, tudo fizesse sentido.
- Eu tenho medo, – olhei para baixo, deixando-a ver pela primeira vez toda vulnerabilidade que aquilo me causava – Eu nunca vou ser normal ou me sentir normal, as pessoas não vão saber lidar comigo e eu não quero ter que explicar pra algum carinha que eu ficar afim que as vezes eu vou querer evitá-lo, que eu vou ter medo de ir em frente com ele, que a ideia de fazer sexo agora me assusta, eu não quero ter que relembrar tudo quando for explicar porque acordo gritando no meio da noite com pesadelos e porque as vezes vou me sentir retraída com toques, porque eles vão começar a cansar…
- Você não sabe se é isso que vai acontecer, . Você não pode se privar de ter essas experiências, você passou por isso e tá viva. Você pode não estar 100%, mas não significa que você tem que se privar de tudo. Eu não imagino como deve ser difícil, mas, por exemplo, o Harry sabe lidar com você e ele já sabe de toda a história – falou, me fazendo rir.
- Ele é um amorzinho, totalmente compreensivo.
- E totalmente na sua, amiga. Porque você não dá uma chance pra ele e vê no que dá? - me olhou sorrindo e eu balancei a cabeça.
- , pessoas não curam pessoas, não dessa forma e não quando o corte é tão profundo.
- Eu discordo amiga. O corte pode ser fundo, mas até o mais profundo deles cicatriza se os certos cuidados forem tomados. E eu sei que ele vai cuidar direitinho desse.
- Mas a cicatriz vai tá sempre lá pra me mostrar o que aconteceu – falei, já irritada com sua insistência.
- Mas não é melhor uma cicatriz do que uma ferida aberta? - arqueou a sobrancelha, me deixando sem palavras. Ela sorriu quando percebeu que eu não sabia o que falar e se aproximou lentamente – Me perdoa? Eu juro que estou tentando ser melhor, sabe? Menos neurótica e tudo mais, eu não vou mais te pressionar e nem ser uma vaca insensível – ela mordeu a boca e eu ri.
- Eu não estava no meu melhor momento. O que aconteceu na festa trouxe várias memórias e porra, pela segunda vez sabe? Eu fiquei imaginando qual a droga do meu problema e percebi que não sou eu, são esses homens que acham que nós somos brinquedos sexuais. Infelizmente eu preciso tomar cuidado porque eles não sabem o que limites são – suspirei, me sentindo estranhamente aliviada, e percebi que ter tirado aquilo de dentro de mim dava uma sensação nova. Ter contado para me mostrava que meus amigos não me julgariam pelo que aconteceu, não se afastariam e nada do que minha mente doente criou era verdade; eles permaneceriam ali e eu teria mais pessoas com quem compartilhar meus medos, teria mais apoio. - Eu não me arrependo das coisas que falei aquele dia, eu realmente sentia aquelas coisas e talvez fosse só pelo momento que eu estava, eu só me arrependo da forma que foram ditas. Todas nós temos defeitos e uma ficar jogando na cara da outra só machuca, me desculpa por isso. Cada dia que passa nós aprendemos coisas novas, sobre nós mesmas e uma sobre a outra, em vez de nos atacar nós precisamos nos dar apoio. É assustador se sentir sozinha, sentir que ninguém te entende e amigas deviam fazer esse sentimento não ser tão grande e não tomar controle, certo? - falei, vendo limpando as lágrimas e concordando com a cabeça. - Então nós vamos começar a conversar em vez e apontar o dedo uma para outra.
- Eu concordo com tudo e to sem condições de falar – engoliu em seco e me abraçou novamente, me fazendo rir. - E eu fiquei brava com o negócio da maconha por causa do meu irmão, você sabe que foi por isso que ele saiu de casa e todas as brigas com meu pai.
- Eu gosto de usar, . Eu sei que foi difícil pra você e eu não vou fazer isso na sua frente, mas eu não tenho um problema ou um vício, só uso as vezes e só quando preciso mesmo relaxar. Eu sei que muitas pessoas não acham certo e eu nunca vou incentivar ninguém a fazer o mesmo, mas essa decisão é minha e somente minha – falei, deixando claro que não mudaria de opinião.
- Ok, respeito isso contanto que você não mude sua forma de agir por causa dessa coisa – fez careta.
- Eu vou continuar sendo a mesma de sempre, fica tranquila – balancei a cabeça e respirei fundo.
- Nós estamos bem? - perguntou, olhei para baixo sem saber o que falar.
- Nós estamos melhor… Uma hora vamos ficar bem – baguncei seu cabelo, vendo que ela se afastava rindo. Muita coisa não foi dita nessa conversa. Algumas foram esclarecidas e uma certe leveza se fez presente ao perceber que, por enquanto, estava bem com . Mas eu sabia que a ter acusado de ser egoísta ficaria em sua cabeça, sabia que eu ainda estava chateada com suas palavras e julgamentos, sabia que se não sentássemos todas um dia para conversar isso explodiria novamente e seria mais feio do que anteriormente. - Agora vamos aproveitar a festa – levantou, passando a mão pelo vestido e estendendo a sua para que eu segurasse. Resolvi esquecer isso por enquanto e a acompanhei, enganchando meu braço no de Harry, quando passei por ele, enquanto fazia o mesmo com Liam. Entramos e pegamos algo para beber, nosso copo veio com uma beirada decorada com tinta vermelha fazendo parecer sangue e o líquido dentro era verde fluorescente.
- Você está linda de zombie – Harry zombou, me fazendo revirar os olhos – Nós somos um casal tão em sintonia, nem precisamos combinar nossas fantasias – deu uma voltinha e colocou a mão no chapéu.
- Chapeleiro maluco é a sua cara, não sei como não desconfiei – ri, sentindo a mão de Harry em minha cintura e tentei não me afastar com o toque, ao perceber ele sorriu gentilmente e fez carinho no local.
- Não sou tão previsível, vai!
- Um pouco – ri novamente, era até engraçado como a maior parte do tempo eu estava com uma expressão mais séria, mas ao chegar perto de Harry os sorrisos saiam naturais. Talvez tivesse razão ao me pedir para dar uma chance ao garoto, mas eu ainda ficava com tanto receio.
- Não vi a hoje – falei, procurando a garota com os olhos – Acho que ela tá meio chateada com tudo que aconteceu sabe? Meio perdida – falei, pegando algo que um dos garçons pânico passavam segurando.
- Ela também meio que discutiu com Niall, então nós estamos a vendo menos. Acho que ela veio com Connor e aquela Jesy de uma das aulas dela – deu de ombros.
- Ai Harry, nosso ano está uma bagunça. Esse é nosso último ano e devia ser tudo maravilhoso – falei, respirando fundo .
- Ei, só porque algumas dificuldades estão surgindo não quer dizer que tudo tá perdido. Nós estamos aqui agora , pelo que eu vi você se resolveu com a , as coisas vão entrando no lugar. Ainda tem muito tempo pra nossa formatura, não pensa nisso agora.
- Espero que você tenha razão – fechei os olhos, sentido ele mais perto.
- Sempre tenho – deu um beijo na minha testa, que me fez apertar os olhos mais forte. Passei os braços pelo pescoço de Harry tentando algo totalmente novo para mim, porque eu sempre evitava esse tipo de contato, mas eu meio que estava me acostumando com a sensação de seu abraço e era engraçado ver as reações dele cada vez que eu fazia algo a qual ele não esperava. O abracei pelo pescoço e ouvi ele rindo no meu ouvido. Meu coração estava acelerado e a respiração um pouco acelerada. Estar com Harry era contraditório. Eu queria me afastar pois não queria essas sensações, mas ficar por perto me fazia bem. Eu queria deixá-lo se aproximar, mas não queria entregar tudo que sentia. Queria que ele me ajudasse, mas não queria que ficasse achando que poderia me concertar ou que histórias de romance em que um “eu te amo” cura tudo são reais.
- Vem, vamos dançar – falei, segurando sua mão e o arrastando até a pista. Ri vendo ele totalmente desengonçado ao dançar e balancei a cabeça colocando a mão no rosto – Eu sou uma líder de torcida, não posso ser vista nesse desastre.
- Você que tem que dançar bem, não eu – mostrou a língua – Não sou tão ruim assim – fiz careta.
- Deixa eu falar. Trabalho de literatura – falei e ele fez careta – Eu sei, não quero falar sobre escola aqui, mas só pra você saber que fomos sorteados juntos e se você não fizer sua parte eu vou raspar sua cabeça, então você já tá avisado.
- Os céus estão a meu favor, olha o universo querendo que nós fiquemos perto um do outro.
- Nós sempre percebemos os sinais do universo, não é mesmo? - Delphine falou, me fazendo arquear a sobrancelha e olhar para Harry.
- Ela tá aqui desde quando? - sussurrei para ele, que deu de ombros.
- Quando as coisas estão para acontecer nós somos avisados. Os sinais vem de forma disfarçada, mas eles vem, nós só precisamos aprender a ler. O que tiver que acontecer vai acontecer, não adianta se apressar porque a ansiedade só atrapalhada, tudo vem no momento certo. Nós somos colocados onde devemos estar no momento que devemos estar – falou, com uma voz etérea me fazendo segurar a risada, Harry me beliscou na cintura para que eu parasse, mas isso só serviu para que eu risse alto, fazendo Delphine me olhar – Eu falo sério e você é a prova viva disso.
- Desculpa? - a olhei, balançando o pescoço de um lado para o outro.
- Você sempre foi a mais intimidadora do seu grupinho. Sempre de cara fechada e um olhar feroz, sempre um aviso para não se aproximar mais do que o permitido. Sempre achei que era um mecanismo de defesa, e você sempre foi a única que nunca caiu nos encantos desse conquistador cafajeste – falou, apontando Harry com a cabeça.
- Ei, eu não sou um…
- Continuando – o cortou, e eu senti vontade de rir novamente – E agora olha só, você descobriu o que é humor, se aproximou de Harry e ele até parou de ser visto com uma garota nova a cada semana – sua voz ficou fria, talvez ela realmente se apaixonou por ele quando ficaram. - Talvez umestava faltando na vida do outro. Você na vida dele pra ensinar que ficar indo de cama em cama não traz felicidade nenhuma e que se importar de verdade com alguém é bom. E ele na sua, pra te mostrar que nós não precisamos nos levar a sério o tempo todo. O universo uniu vocês e vocês devem continuar unidos. - falou, e eu fiz careta – Vejo que você não acredita, mas talvez um seja o destino do outro. Juntos vocês funcionam, separados vira tudo uma bagunça. Ele sem saber controlar os hormônios e você sem sorrir verdadeiramente – falou, juntando as mãos e olhando para o lado, onde um casal discutia. - As pessoas hoje em dia buscam motivos bestas pra se manter separadas quando o que mais querem é ficar juntos – suspirou – Vou ali ajudar duas almas necessitadas. Namastê – falou, e se afastou me fazendo segui-la com os olhos.
- Eu não sei o que é mais assustador, essa mania dela de aparecer do nada ou essa nova vibe zen – fiz careta, vendo Harry sério – Não vai me dizer que realmente acreditou naquelas besteiras.
- Você é muito cética, .
- Qual é, Harry. Destino, universo e bla-bla-bla?
- Teve sentido o que ela falou – levantou os ombros, e colocou a mão na minha cintura para dançar novamente. Handstomyself tocava alto na caixa de som depois de uma hora de uma eletrônica – dubstep, para ser mais exata- pesada, alguém devia ter pedido aquela música.
- Sentido onde? - perguntei
- Você nunca acreditou que eu queria realmente te conhecer, você sempre me achou galinha e achava que eu não ligava para nada – falou, lembrando de tantas vezes que falei aquelas coisas – E eu posso ter ficado com algumas garotas, mas você sempre foi quem me interessou, , você só nunca me deu abertura.
- Harry… - sussurrei.
- Eu sei de tudo que você passou e agora entendo seu receio, mas eu concordo com a quando ela diz que você devia me dar uma chance e ver o que acontece.
- Você ouviu a conversa, seu cachorro! - abri a boca e bati em seu peito, vendo ele rindo e se afastando.
- Liam e eu achamos que vocês iam se matar, achamos melhor estar perto caso precisássemos intervir – explicou e eu fiz careta sabendo que era uma explicação perfeitamente aceitável, também ignorei o fato de que agora Liam sabia de tudo; eu já estava planejando contar para todos mesmo. Olhei para o lado ignorando o fato de que ele se aproximava cada vez mais. - Eu não vou te machucar e você sabe disso – chegou mais perto, sua boca agora no meu ouvido – Não vou me afastar, como você disse que poderia acontecer – sussurrou, e mordeu o lóbulo, me fazendo arrepiar – Eu só quero te ajudar – acariciou minha cintura – Você só precisa deixar o medo de lado – colocou uma mão na minha nuca, fazendo carinho ali – Eu não vou fazer nada que você não queira, comigo você não precisa ter esse receio – falou, agora com a boca a centímetros do meu. Aquela música estava fazendo algo comigo, ter ele perto demais estava me deixando tonta e ele sabia exatamente quais palavras usar e o que fazer para me desarmar; isso não era nada bom. - Você só precisa falar. E quando Selena cantou “All of the downs and the uppers, keep making love to each other, and i'm trying i'm trying i'm trying”, foiquandoeupercebi queeuqueriaaquilo. Não foi pela música, mas foi a frase que eu sabia que marcaria pois foi o momento que eu resolvi deixar os medos de lado.
- Você realmente não consegue manter suas mãos para si né? - brinquei com a música, vendo-o rir
- Desculpa, é que… Te ter perto assim, seu cheiro… - a música mudou, eletrônica novamente, mas uma coisa mais suave.

Let me disarm you
Deixe-me desarmar você
I'm not trying to own you
Eu não estou tentando te possuir
I just wanna know what it feels like
Só quero saber como é
To have your body so close
Ter seu corpo tão perto
Let me absolve you
Deixe-me te absolver
Of the past that controls you
Do passado que te controla
I just wanna know what you look like
Só quero saber como você é
Without a weight on your soul
Sem um peso em sua alma.


Ri da ironia da música, enquanto ele sorria sabendo exatamente o que eu estava pensando. Respirei fundo lembrando do pequeno beijo que te dei e de como me senti. Fechei os olhos e balancei a cabeça.
- Me beija, mas dessa vez de verdade. - falei, antes que perdesse a coragem, e não precisei pedir duas vezes. Sua boca veio de encontro a minha imediatamente e nós ficamos ali parados por alguns segundos, até ele começar a mover seus lábios em sincronia com o meu. Minha respiração estava ofegante, meu coração disparado e por algum motivo eu queria chorar. Ele me segurava com tanto cuidado, suas mãos fazendo movimentos suaves em meu quadril, sua língua acariciando a minha. Mordi seu lábio e me afastei, encostando minha testa na dele e sentindo sua respiração descompassada, como a minha.
- Então em deixe te desarmar, tem um exército que estou lutando em torno do seu coração. Deixe-me desarmar você, porque eu só quero amar quem você realmente é – sussurrou o refrão contra minha boca, e eu o beijei novamente, desesperadamente. Ele retribuía com a mesma intensidade e eu ouvi os gritos que, com certeza, vinham de nossos amigos.
- Você já desarmou, só não tinha percebido – falei, olhando para ele, que estranhou minha expressão.
- Ta tudo bem? Eu fiz alguma coisa? - falou preocupado, balancei a cabeça e sorri.
- Na verdade tá tudo bem – ri – Não faça com que eu me arrependa, eu só te peço isso.
- Nunca! - ele deu um beijo no topo da minha cabeça e a encostou em seu peito. Seu coração estava acelerado, ainda mais que o meu.

Capítulo 19

.

- Eles são perfeitos um pro outro – fiz bico, balançando o braço de Liam, que ria com aquilo. Vi e Harry se beijando na pista de dança e só faltei pular, finalmente ela estava se permitindo ser feliz. Eu nem imaginava tudo que minha amiga havia passado e agora eu me sentia tão culpada por todas as brigas que já tivemos. Eu sempre começava as brigas dizendo que ela não confiava na gente, sempre disse que ela escondia as coisas e eu não entendia o motivo, as brigas eram sempre por esse motivo e no fim ela só queria se proteger de todas as memórias amargas. Suspirei, olhando para ela sem saber como havia sido lidar com tudo sozinha e me senti mal por não ter conseguido ser uma ajuda melhor antes.
- Não precisa ficar com essa cara, Jessica, as coisas se resolveram! - falou, me chamando pelo nome da personagem e me fazendo rir.
- Cadê seus amigos? - perguntei, reparando que não tinha visto nenhum dos meninos.
- Por ai zoando como sempre – riu, me fazendo acompanhá-lo. - , e sua mãe? - perguntou. Suspirei e fiz careta, eu havia contado para ele que a mulher estava me procurando e ele agora não me deixava mais em paz.
- Não sei dela ou do meu irmão – olhei para o nada, mordendo a borda do copo – E nem quero saber, eu to cansada dessa história na minha cabeça o tempo inteiro, eu só quero ter paz. Você não pode me pedir para dar uma chance pra ela – falei, já sentindo a respiração acelerar – Merda de transtorno.
- Você não devia beber, sabe… Com os remédios que toma e…
- Não tomei eles hoje – falei, sabendo que levaria bronca – Eu só queria saber como eu ficaria sem tomá-los, não me olha assim
- Eu só fico preocupado. Suas crises andam mais frequentes.
- E nós sabemos de quem é a culpa. Ta vendo porque você não pode me pedir pra dar uma chance pra ela? Não faz sentido nenhum – tombei a cabeça e o vi rindo.
- E eu posso saber quem deixou você sair com essa roupa?
- Eu deixei, porque é meu corpo e eu faço o que quero! - botei a mão na cintura, vendo Liam levantar os braços.
- E ainda bem que faz – Louis apareceu com Niall, e passou os olhos pelo meu corpo sem pudor nenhum. Quase me encolhi com seu olhar, mas lembrei de dizendo que hoje eu sou quem eu quero ser, faço o que quiser fazer sem me preocupar com nada. Talvez ela tivesse razão e eu deveria fazer o que quiser. O que acontecer hoje vai ficar no passado, amanhã as coisas estarão diferentes e eu me arrependeria de não fazer o que queria. Por isso ao ver um jogo de bebidas eu sorri e chamei os meninos para irem comigo.
Em cima de um balcão 6copos de shot estavam dispostos. A brincadeira se chamava “doces ou travessuras”, em alguns copos estavam bebidas fáceis de beber, em outros, alguma bebida forte. Você devia jogar um dado e dependendo do número que tirasse bebida daquele shot, só Deus sabia o que acontecia conforme os copos iam sendo reabastecidos. Os meninos pegaram o dado e me entregaram. O número 3 sempre foi meu número da sorte, por isso pensei que ia começar com doce, mas ao virar a bebida e sentir meus olhos lacrimejando percebi que 3 nem sempre era um número bom.
- Não aguenta, amor? - Louis perguntou, me desafiando.
- Fala menos e joga mais! - entreguei o dado para ele, enquanto os meninos riam da minha resposta. Ele virou o corpo tranquilamente e eu não sabia dizer se era o hábito de beber ou se era algo doce, estreitei os olhos e ele deu de ombros – Você nunca vai saber o que era, a não ser que queira provar – se aproximou, mas coloquei a mão em seu peito
- Não to bêbada o bastante pra isso – falei, esperando chegar minha vez. Muitas rodadas e vários shots diferentes depois eu já estava meio tonta, trocando palavras, falando mole e rindo de besteiras. Liam estava ali há um bom tempo e me lembrei de o procurando. Segurei em sua mão e o arrastei pela pista de dança me movendo no ritmo do que tocava nas caixas de som, parecia Duke Dumont, mas eu não tinha certeza.
- Ta me levando onde, doida? - perguntou, me fazendo rir.
- A estava te procurando quando eu a deixei lá fora – falei, tropeçando e voltando a andar. Percebi que Liam não estava por perto e franzi o cenho ao sentir uma mão na minha cintura, pensei que era Louis, mas dei de cara com Derek. - Ah não.
- Por que não, olha pra nós dois, totalmente compatíveis.
- Eu não sabia nem que você conhecia palavras difíceis – ri do que falei, e o vi arqueando a sobrancelha.
- Você tá bêbada? Evans, a princesinha do internato e primeira da classe está bêbada? - perguntou, colocando o braço em volta dos meus ombros.
- Ela está acompanhada, com licença – falei na terceira pessoa e andei rapidamente até Liam – Rápido, finge que tá me beijando, o babaca do Derek não me deixa em paz e você é o único com quem ele não mexe desde que você quebrou a cara dele – pedi, falando tudo rapidamente.
- Eca, não, você é tipo uma irmã
- Eu falei pra você fingir, e não pra me beijar, imbecil – revirei os olhos, e coloquei meu dedão em cima da boca de Liam, encostando minha boca no dedo, evitando qualquer contato com ele porque seria nojento, ele era meu irmão, credo! Suas mãos foram até minha cintura para deixar tudo mais real, ficamos assim por alguns segundos até ouvir uma tosse, me virei dando de cara com o sujeito. Liam encostou a cabeça no meu ombro enquanto olhava par Derek.
- Algum problema?
- Primeiro , agora a ? E o Harry ainda é o mal visto do lugar? Por acaso sabe desse rodízio que você faz? - Derek perguntou, coçando o queixo.
- Derek, por acaso você tá querendo apanhar de novo? - Liam falou, sem paciência nenhuma.
- Era só uma dúvida, mas se a relação de vocês funciona assim quem sou eu? - sorriu divertido – Depois ainda falam de mim, vocês são todos escrotos – revirou os olhos e saiu andando.
- Ele me irrita – falei, colocando a mão na cintura – E você é o melhor irmão do mundo, te amo. Agora vai procurar a .
- Eu já falei com ela, lá fora. Nós discutimos, lembra? - falou rindo, fiz careta ao lembrar que ele contou do desastre que foi a conversa quando ele disse algo que não devia.
- Mas ela já deve ter entrado
- Por hoje acho que já deu, nós não vamos conseguir conversar e… - falei, e olhando por cima de seu ombro vi que mostrava algo para Harry no celular – Ela tá bem ali, vai lá e conquista a garota. - o empurrei, e sai andando rapidamente. estava em um canto com , e aquele Connor não desgrudava da americana, Niall estava do outro lado com Lia, fazendo careta para os dois. Dei de ombros e fui até as meninas.
- Casal um já está formado. Casal 2 em andamento, falta vocês – falei, me apoiando nos ombros das meninas – Esse que é o garoto do maxilar divino que você falou outro dia? - perguntei para , que arregalou os olhos e balançou a cabeça – Ele realmente tem lindos braços – concordei com a cabeça.
- , que porra você bebeu? - perguntou, enquanto Connor ria – Desconsidera tudo, por favor.
- Nunca, vou usar isso a meu favor – ele falou – Continua, . A algo mais que eu precise saber?
- Bom, nós nãos nos falamos muito esses dias porque eu cometi vários erros sabe, mas ela falou bastante sobre como queria…
- Sobre como queria que tudo se resolvesse para o climão acabar – me interrompeu, e me segurou pelo braço – Nós já voltamos – sorriu para ele, e me puxou para perto dos banheiros. - Você tá ficando louca? - perguntou
- Relaxa, , você tá parecendo eu quando to sóbria – falei, fazendo o sinal da paz.
- Falando nisso, porque você bebeu tanto? Você nunca faz isso – cruzou os braços, se encostando na porta enquanto digitava no celular.
- Porque eu to seguindo os conselhos do Luke.
- Quem é Luke? - ela parecia perdida.
- Como quem é Luke, o Luke ué. Ele que vive dizendo que eu tenho que me soltar, me preocupar menos, viver e tal…
- O Louis?
- Sim, o Louis, você tá ficando doida, ? Eu to falando dele faz meia hora – falei, olhando para o lado e vendo uma garota vestida de Anabelle
- , você nesse estado? - riu, achando graça,
- E desde quando você me conhece, demônio? - perguntei, vendo arregalando os olhos.
- Desculpa, ela tá bêbada e acho que quando ela fica bêbada ela fala tudo que vem na cabeça, normalmente ela é a pessoa mais educada que existe – explicou.
- Não se preocupa, fofa, eu conheço bem essa dai – falou com como se ela fosse uma criança.
- Me conhece de onde?
- É, conhece ela de onde, fofa? - falou, com a voz mais dura.
- Já esqueceu de mim, ruiva? - perguntou novamente. Respirei fundo e olhei direito para a pessoa. Aqueles cabelos vermelhos e sorriso que pegava o rosto inteiro não me era estranho e eu queria que tivesse ficado no passado. Ter Valerie por perto nunca era um bom sinal e eu queria muito que ela desaparecesse de novo, desaparecesse de vez. Ela manipulava todo mundo e o pior é que todos a idolatravam. Quando ela foi embora as pessoas fizeram uma festa de despedidas e nem presente ela estava, me dava nojo em ver como as pessoas ficavam cegas só por achar que tem a oportunidade de desfrutar da influência que ela tem, as pessoas se vendiam e não percebiam como ela era uma cobra.
- Esqueci, coisas ruins eu deixo no passado, agora se você me dá licença – segurei na mão de . Se você acha que eu falei essa frase corretamente então pensa melhor, me embolei nas palavras e isso tirou risadas da garota.
- Agradável a amiga de vocês – comentou, enquanto saiamos juntas pela pista de dança. Sorri ao ver dançando com e resolvi me aproximar para aproveitar a noite com as meninas. Do outro lado da pista, onde ficava o bar, os meninos estavam todos juntos rindo de algo e vez ou outra olhando para onde eu estava com as meninas. Liam havia me contato o ocorrido com , eu não entendia o que acontecia na cabeça daquela loira e por isso resolvi me aproximar dela na pista, mas ela se afastava o tempo todo e me ignorava, eu não estava entendendo nada, mas quando Britney Spears começou a cantar “I'm a slave 4 u”, andou como se estivesse desfilando e começou a dançar, nós rimos vendo que ela havia realmente levado a fantasia a sério e ela nos puxou pela mão para dançar também. Achei que as coisas estavam normais enquanto nós 5 dançávamos juntas, estava tudo da forma que deveria ser, apesar de não ter chego na festa juntas, nós finalmente nos reunimos e estávamos agindo como as amigas que éramos. Mas isso só durou os minutos da música, assim que nos abraçamos no final da música e rimos ao ver as pessoas em volta de nós, me olhou com raiva e saiu de perto.
- Espera – andei até ela tropeçando e a segurei pelo cotovelo.
- Que? - se virou rapidamente e cruzou os braços.
- De quem foi a ideia de pintar esqueletos com tinta neon? - comecei a rir, mas parei ao ver me olhando com ainda mais irritação – Qual o problema?
- Nenhum! - deu de ombros
- , fala logo, o que eu fiz? Você só me trata assim quando tá puta comigo!
- Cara, eu devo ter cara de otária né? Você sempre me encorajando com seu melhor amigo, ele achando que eu devia correr atrás dele e no final vocês estavam juntos. Por acaso foi algum combinado idiota de vocês pra me fazer de trouxa? Eu pensei que você era minha amiga, porra! - gritou, e no meu estado de bêbado eu não assimilei nada do que ela falou, mas comecei a rir – Ta ai a resposta! - virou as costas
- Não, espera! - limpei as lágrimas causadas pela risada – Eu e o Liam? De onde você tirou isso? - perguntei, ela apenas revirou os olhos e tirou o celular do decote me mostrando uma foto. Era uma garota de vestido vermelhos beijando Liam
- Que ridículo, deve ter algum engano, . Ele não ficaria com outra na sua frente
- Você é retardada? Esse é seu vestido, ele não ficaria com outra na minha frente, ele ficaria com você na minha frente. Não sei se pra me atingir ou o motivo que for, mas eu quero que vocês dois se fodam – falou, ficando com o rosto vermelho – Eu estava realmente pensando em deixar de ser quem sou por causa de um babaca, mas no final eu não precisei.
- Eu não beijei ele – falei, eu estava lenta demais para uma discussão
- Então eu to mentindo? - perguntou, cada vez mais irritada.
- Ah, não, não foi um beijo de verdade. Eu coloquei minha mão na frente, o Derek sabe, ele tava me enchendo o saco, ai eu fiz isso pra fingir que tava com Liam e ele me deixar em paz, tá vendo como tudo faz sentido – sorri, sabendo que agora tudo se resolveria.
- Essa desculpa é patética. Tal mãe tal filha não? As duas sempre arruinando minha vida – falou com a voz amarga, e eu franzi o cenho. O que ela sabia sobre a minha mãe? Ela não tinha esse direito e…
- Como assim estragando sua vida? O que você sabe sobre minha mãe? O que tá acontecendo? - perguntei, sentindo meu corpo ficar gelado e um pouco da minha consciência.
- Esquece, . Aproveita e me esquece também – virou e saiu esbarrando nas pessoas para sair do salão. E de repente aquele lugar estava me incomodando. Comecei a me sentir sufocada, minha garganta parecia fechada e aquela multidão me assustava. As palavras de me feriram como lâminas afiadíssimas e eu precisava sair dali. Por que ela teve que tocar na ferida que mais doía? Por que falar de um machucado que nunca cicatrizaria? Por que ela foi tão cruel quando nós estávamos nos divertindo tanto.
- Cansou de beber? - Louis falou, quando me viu chegando perto dele e dos meninos.
- Me tira daqui! - pedi, colocando as duas mãos em seu peito – Por favor!
- Aconteceu alguma coisa? Ta passando mal? São as crises? A bebida? - perguntou tudo de uma vez, enquanto me arrastava para fora do salão. Só então reparei na sua fantasia e balancei a cabeça com sua falta de criatividade, mas resolvi não comentar nada sobre isso por enquanto. Do lado de fora, perto da piscina, conversava com ninguém mais ninguém menos que Valerie, elas pareciam discutir, mas eu ignorei aquilo.
- Vem, tem um lugar legal aqui! - Louis falou, segurando minha mão e passando reto pela piscina. Havia um caminho de pedra que levava a uma escadaria também de pedra, descendo aquele lugar dava em um tipo de campo, e mais para frente havia uma cada de árvore enorme. Ele sorriu me encorajando e eu subi na frente, segundo ele eu estava muito louca e se eu caísse ele poderia tentar me segurar antes do meu crânio abrir. Sentei no chão de madeira e deixei minhas pernas para fora balançando, ele logo me alcançou e sentou do meu lado. Esticou um copo com água que eu bebi sem discutir. Ficamos em silêncio por bons minutos, apenas sentindo o vento frio da noite tocando a pele e ouvindo a música que vinha de longe. A decoração do local parecia ainda mais legal daqui de cima e as luzes hipnotizavam, dava para ver pontos pequenos andando de um lado para outro.
- Agora fala – Louis pediu, me olhando.
- Primeiro: eu não acredito que você veio de jogador de futebol, você é jogador, que falta de criatividade.
- Não foi falta de criatividade, foi preguiça mesmo! - deu de ombros rindo. Ele ficava muito gostoso com aquele uniforme, eu não reclamaria
- falou algo estranho sobre minha mãe arruinar a vida dela e eu não entendi nada. Até pouco tempo atrás eu não tinha nem sinal dela, então por que ela falou aquilo? - olhei para minhas mãos, sentindo a garganta cega e a falta de ar começando a chegar. Era sempre assim quando eu ficava nervosa ou ansiosa, mas, pelo menos, consegui sair de lá antes de uma crise completa.
- Ela te mostrou a foto? - olhei para ele sem entender como sabia da foto – Harry me contou – Explicou.
- Você acredita em mim? Que não aconteceu nada? - perguntei, de repente eu estava preocupada se ele se afastaria por causa daquilo ou não. Ele estava me ajudando e a ideia de perder isso por causa de um mal entendido me assustou, e me assustou mais ainda perceber que eu não queria que ele se afastasse, mesmo que no passado o que eu mais queria dele era distância.
- Eu acredito – sorriu – Você não ficaria com Liam. Não faria isso com e também não ficaria com alguém que é como irmão. Não precisa se preocupar, ruivinha, você ainda vai me ter por perto – falou, me fazendo revirar os olhos.
- Então por que ela me atacou assim? - meus olhos encheram de lágrimas.
- Não me diz que você é da bêbada chorona – Louis gemeu – É óbvio, . Ela tá procurando motivos pra se afastar do Liam, no fundo ela sabe que naquela foto não estava acontecendo nada, mas ela precisa de uma saída fácil. Nós sabemos que ela tem medo de se apegar, Liam faz ela querer ser alguém que ela nunca quis. Não é pessoal.
- A partir do momento que ela falou da minha mãe é pessoal! - funguei – Eu quero gritar.
- Então grita – falou, o olhei como se ele estivesse louco – Só tem nós dois aqui, tá todo mundo na festa, ninguém vai te ouvir. Grita! - se levantou e começou a gritar, me fazendo rir – Ta esperando o que? - estendeu a mão, a qual segurei para me levantar. Sua mão era grande se comparada com a minha e também estava quente, mesmo com o vento que batia ali. Me levantei e fiquei olhando como o vento levava o cabelo dele e como os olhos brilhavam ainda mais, talvez pelo vento que fazia os olhos lacrimejar, talvez pela noite ou talvez pelo álcool nas minhas veias. - Coloca pra fora, , é isso que te falta! - me empurrou com o braço. Sorri e fiz o mesmo, gritei. Gritei por tudo que havia sentido no passado, gritei por tudo que estava sentindo no presente. Coloquei para fora todos aqueles sentimentos negativos que eu tinha desde que me lembro. E enquanto gritava o nó no peito se desfazia porque as lágrimas finalmente desciam.
- Por que sempre que eu to com você eu acabo chorando? - perguntei para Louis, que me olhava atentamente.
- Porque eu te desafio, . Te desafio a fazer tudo o que você quer, mas se recusa. - apertou minha mão, me fazendo olhar para as mãos entrelaçadas.
- Não me faz gostar de você, Tomlinson – fiz careta ao ouvir a bebida falando por mim.
- E por que não?
- Porque nós vamos nos destruir. A liberdade causa destruição e é isso que você quer fazer comigo; me dar liberdade. E eu sei que isso vai trazer a destruição, eu não quero isso, não quero mais olhar minha vida e ver destroços, já basta os que a minha mãe e meu irmão deixaram – fechei os olhos, sentindo os batimentos acelerados e ao abri-los novamente me deparei com Louis sorrindo.
- E se eu te ajudar a reconstruir o que a gente destruir? - se aproximou, me encostando na porta de madeira e segurando minha cintura.
- Não é assim que funciona.
- Como não? Eu te encontrei completamente quebrada naquela arquibancada aquele dia e desde então você está melhor do que imagina. Você não vai fazer como a e a , vai? Elas ficam fugindo do Liam e do Zayn, perdendo um tempo que nenhum de nós tem pra perder – aproximou seu rosto do meu – Eu não estou te pedindo em casamento, também não quero que as coisas mudem entre a gente, mas se divertir não faz mal – mordeu minha boca, e um gemido involuntário saiu da minha boca – Eu ainda te acho controladora e irritante, mas você é corajosa e determinada, isso é sexy. Você não consegue mais nem negar que rola uma atração sim, então pra que continuar tentando se enganar? - suas mãos desciam e subiam em minha cintura, fazendo arrepios surgir em meu corpo, deixando um rastro quente por onde suas mãos passavam.
- Pode até ser, mas no momento que isso começar a ser um fardo eu vou parar, Tomlinson – falei, colocando as mão em seu ombro e os apertando. Não adiantava negar mesmo, eu queria isso. Queria a bagunça que Louis causava na minha vida que era a mais organizada de todas. Queria a confusão que ele causava na minha mente que sempre procurava ser racional. Queria ver até onde ele conseguiria me empurrar, ate onde meus limites iam quando se tratava dele.
- Isso é um sim?
- O que você acha? - falei, olhando dentro de seus olhos, e recebendo um sorriso, seguida de uma mordida nos lábios, o necessário para que eu o puxasse para mais perto e o beijasse.
Desde o nosso primeiro beijo eu sabia que não tinha mais jeito. Louis tem um jeito de envolver as pessoas que era difícil escapar. Amando ou odiando, você ficaria intrigada com ele, ficaria curiosa sobre o que o garoto faria a seguir. Eu o odiava por ser tão imprevisível quando eu sempre queria ter o controle de tudo que acontecia. Ele trazia desordem pra minha vida e eu já estava cansada de sempre tudo organizado, eu precisava dessa baderna e ele sabia. E foi pela raiva causada pelas palavras de – as quais Louis me fez esquecer enquanto acariciava minha língua com a sua -, que eu tomei a decisão de me deixar levar em vez de ficar pensando. Na manhã seguinte as coisas estariam diferentes porque eu finalmente dei a luz verde para Louis.



havia voltado de sei lá onde ela tinha levado , talvez ao posto de socorro, devia ter um aqui, Brittany nunca fazia nada pela metade. Eu nem sabia porque ela havia me convidado, ela não me suporta e dava para ver só pela forma que ela me olhava. Rebecca e ela estavam do outro lado da piscina me encarando e eu me senti intimidada com isso. Respirei fundo olhando a decoração da piscina coberta. Ela havia gastado muito dinheiro para cobrir a piscina com piso vermelho, dava um ar meio fantasmagórico já que a decoração do local estava toda preta, era pra dar uma cara de altar de sacrifício para o local ou algo do tipo. Uma cruz enorme estava atrás do balcão do DJ. Ela havia transformado sua piscina em uma espécie de pista de dança, claro que havia um número de pessoas limitados que podia curtir ali, por isso dois seguranças enormes estavam por ali fazendo o controle. Balancei meu corpo no ritmo de For theThrill com os olhos fechados. Era sempre assim com a música. Eu ignorava tudo ao meu redor e sentia as batidas em cada célula do meu corpo. Esquecia que estava intimidada, esquecia que tinha alguém me olhando, esquecia a droga daquela saia de sereia que estava me incomodando, esquecia que não estava no meu melhor momento já fazia semanas. O sorriso que estava se espalhando em meu rosto era o mais sincero possível.
- Não sabia que você tinha encomendado uma orca pra festa! - ouvi alguém falando perto de mim e abri os olhos. Rebbeca me olhava com seus olhos felinos e sorriso de escárnio, Brittany estava ao seu lado me olhando sem qualquer expressão. Aquela menina pequena e loira não parecia capaz de causar nada a uma pessoa, mas era só se juntar a Rebecca e Valerie que era o inferno. Ignorei o comentário tentando não mostrar que aquelas palavras me afetaram e continuei dançando.
- Repete! - falou, cruzando os braços, ao contrário de mim ela não queria fingir que não havia escutado.
- Você que é o novo brinquedinho do Horan? - Rebecca arqueou a sobrancelha – Esses meninos tão cada vez pior. Zayn foi de mim pra orca da , Horan largou a que é até bonitinha pra ficar com uma coisinha que nem você? E o Liam, aquele gostoso tá com a vadia da ? Foi só eu e minha prima ir embora pra tudo desandar.
- Gata, tudo isso é insegurança? Você sabe que atacar as pessoas desse jeito são grandes problemas de autoestima né? Já ouvi muita coisa sobre você e sua priminha e deve ser difícil saber que as pessoas fingem gostar de você né? Eu entendo toda essa sua amargura deve ser por isso, por saber que ninguém realmente gosta de você ou quer te ver por perto, certo? Quer dizer, se você fosse tão boa assim seu ex estaria aqui tentando puxar assunto e não se escondendo de você a festa inteira. Em vez disso ele prefere uma conversa legal com a . Nós duas sabemos quem é a perdedora aqui, né amor? - falava tudo com um sorriso e eu arregalava os olhos tentando segurar a risada. Nunca havia visto brigando para valer, apenas sabia as histórias que ela contava. Parecia que ela era uma pessoa bem calma, mas quando precisava brigar ela pegava pesado. No começo achei que era tudo invenção dela porque ela tem uma cara de boazinha, mas depois dessas palavras eu vi a força dela. Ela havia simplesmente jogado na cara de Beck que ela não tinha amigos e ninguém gostava dela sem sentir o menor remorso. A narina inflada da garota mostrava que aquelas palavras não lhe agradaram.
- Fica esperta novata, eu posso não estudar mais nessa escola, mas eu sei de tudo que acontece. - Vai arranjar alguma coisa pra fazer da sua vida garota, deixa essa obsessão com as meninas de lado e vai tentar fazer algo de útil – revirou os olhos – E para de ser maria vai com as outras, você é melhor que isso – se virou para Britt.
- Já falei pra ficar esperta, não vou falar duas vezes – Becky falou, e saiu andando com Brittany em seu encalço. Olhei para que sorria para mim, eu queria muito sorrir de volta, mas não conseguia.
- Mas ela tem razão, eu realmente to parecendo uma baleia nessa roupa – falei, sem olhá-la nos olhos. Eu nunca reclamava do meu corpo para as meninas, elas não sabiam que eu era complexada com isso, para todas eu era a pessoas mais feliz, segura e confiante do mundo, essa era a verdade que eu queria elas acreditando quando a minha verdade é totalmente o contrário disso.
- Você tá parecendo uma sereia, – riu – Sua fantasia é mesmo de sereia e tá perfeita, eu queria ter esse seu corpo, olha todas essas curvas – falou, me fazendo dar uma voltinha. A saia do vestido era bem justa e colada, alargando no fim para dar a impressão da causa de sereia, era um verde bem forte e brilhante, a parte de cima era branco imitando conchas na parte dos seios, os colares que coloquei eram de pérolas e o cabelo havia ficado solto e ondulado para dar a impressão de praia, havia me ajudado com umas mechas meio esverdeadas para entrar ainda mais no personagem. Era uma fantasia bonita, mas eu não estava me sentindo nada bem. O vestido era tomara que caia e meus braços descobertos estavam incomodando uma vez que eu os sentia gordo, por ser tão justo eu sentia que estava ridícula, eu estava me sentindo nojenta naquela roupa mesmo com o tanto de elogio que havia recebido – em cada lugar que passava alguém me parava para comentar. Para mim aqueles elogios eram apenas por educação ou zombaria; eu estava me sentindo ridícula e ninguém me convenceria do contrário. Eu não queria ser convencida do contrário.
- Eu vou pegar algo pra beber – sorri de forma forçada, fui até o bar da piscina, vendo que Zayn havia saído de seu esconderijo e me observava com um sorriso brincalhão enquanto Connor conversava com ele, Niall e Lia ao seu lado. Vi olhando para eles e fazendo careta, mas foi até Connor uma vez que ele era seu companheiro. Zayn estava vestido de Jack Sparrow e eu devia estar com alguma fantasia que combinasse, ou de pirata ou o que quer que fosse, mas nenhuma fantasia coube em mim e isso começou a me desanimar de uma forma que eu não queria mais ir para a festa. No fim das contas a única que serviu foi essa que alguém havia deixado na portaria do internato com meu nome e minhas medidas exatas. Mais um presente anônimo de alguém que tinha dinheiro, eu não queria aceitar porque já estava desconfiando disso, mas faltava pouco para a festa e eu não sabia onde mais procurar fantasia, também não tinha dinheiro para mandar fazer uma já que sou bolsista naquele lugar. Acabei aceitando e até que minha fantasia combinava em partes com a de Zayn, mas o olhando dali ele era tão fora do meu alcance que passei a noite o evitando. Até vê-lo chegar dançando perto de mim
- Gata, eu só não te fisguei ainda porque não tenho anzol pra sereia – Zayn piscou e eu só consegui pensar em como ele ficava lindo naquela fantasia e com lápis de olho. Quando me dei conta da cantada barata comecei a rir e neguei com a cabeça – Liga pro mar e avisa que você tá aqui porque eles podem dar falta de uma sereia! - continuou, tirando mais uma risada de mim.
- Seu pai é pirata? Porque você é um tesouro – resolvi entrar na brincadeira, ouvindo sua risada sair alta – Você não é um mapa de pirata, mas é o X do meu tesouro – continuei, vendo que ele ria ainda mais – Também sei brincar, viu? - fiz pose, vendo ele me olhar atentamente.
- Você não parecia tão bem quando te olhei agora pouco
- Impressão sua, to ótima, como sempre – dei de ombros, vendo que ele não acreditava em mim. Respirei fundo e levantei os ombros novamente – É sério, para de me olhar assim, eu to ficando sem graça – olhei para baixo, colocando o cabelo que havia caído atrás da orelha.
- Você sem graça é raríssimo, por isso gosto de ver – falou, sorrindo.
- Não tem graça, para, é sério – coloquei as mãos na frente do rosto, ouvindo os passos dele mais próximo e sentindo sua mão por cima da minha, ele a abaixou logo em seguida e olhou nos meus olhos
- Eu estava brincando aquela hora, mas você, com certeza, é a garota mais bonita daqui. Não me surpreenderia se ganhasse como melhor fantasia – falou, ainda segurando minhas mãos.
- Foi de última hora, tem gente aqui cuidando da fantasia já faz meses! - suspirei – Desculpa não ter conseguido uma fantasia certinha pra combinar com…
- Você me ouviu reclamar? Eu to com uma sereia na festa mais foda de Halloween, eu to ganhando aqui, todos os caras devem estar sentindo inveja no momento – deu de ombros, me fazendo corar. Ele sempre conseguia me deixar sem graça e eu nunca acreditava em suas palavras. Não acreditava que ele estava ali comigo porque queria e não por caridade, ele pode ter a garota que quiser e estava aqui, tendo uma conversa boba comigo.
- Vamos dançar? - pedi, querendo mudar de assunto e fazer algo que me deixava feliz.
- Eu odeio dançar. E aquilo ali é piso em cima de uma piscina, eu não sei nadar – fez careta
- Vamos, vai – fiz bico – É seguro – continuei fazendo bico.
- Alguém alguma vez já disse não pra você? - perguntou, me seguindo até a pista-piscina.
- Não – balancei a cabeça mordendo a boca e sorrindo
- Você se diverte com isso, né? - perguntou novamente, me fazendo rir. FWU começou a tocar e eu comecei a mover o corpo da melhor forma que meu vestido permitia. Zayn como sempre ficou parado de braços cruzados olhando enquanto eu dançava e cantava fazendo caras e bocas para ele. Olhei para onde Rebecca nos observava com fogo nos olhos. Encostei minhas costas no peito de Zayn para fazê-lo dançar comigo e nosso quadril começou a mover no mesmo ritmo, ele segurava minha cintura e eu sorria me sentindo poderosa, porque era assim que eu me sentia quando dançava; sexy. “He fuckingwith me cause i'mloyal” cantei, encarando Beck que parecia a ponto de espumar pela boca. Sorri fechando os olhos ao sentir Zayn beijando meu pescoço, ela devia estar puta e eu estava me divertindo. Depois de me fazer sentir um lixo ela estava vendo o ex dela se esfregando em mim e a sensação de saber que aquilo a incomodava era ótima. Não por eu ser ruim, mas para mostrar que não importava as palavras ou o que ela achava de mim, no fim ele não se importava. He says mamitequiero, papi is a hustler chasing mucho dinero
Cantei na minha língua, vendo os olhos de Zayn na minha boca. Eu já estava acostumada com isso, era sempre assim quando eu falava alguma palavra na minha língua nativa. Ele se aproximou e eu fingi que ia deixar ele fazer o que queria, apenas para afastar a cabeça no último momento, vendo ele olhar para baixo e sorrir.
- Porque nós sempre acabamos assim? - perguntou, com o corpo completamente encostado no meu. Eu sabia que ele se referia a dança, e eu sabia porque era sempre nesses momentos que algo acontecia. Era o momento que eu sentia que podia fazer o que queria porque a dança me transformava. Nesses momentos a insegura sumia, mesmo que por alguns segundos, e então eu tinha coragem de deixar Zayn se aproximar assim. Mas era só as luzes se apagar, a música morrer e a multidão ficar quieta que meus medos voltavam com força total – As vezes eu sinto que vou ter que ficar atrás de você pra sempre. Você só me deixa aproximar nesses momentos e as vezes eu acho que é algum tipo de jogo pra você.
- Eu não sei jogar, Zayn – engoli seco.
- Sabe mais do que pensa. Sabe o que você faz? - aproximou sua boca – Me instiga e se retrai. Me provoca e depois corre. Me deixa curioso e nunca esclarece minhas dúvidas. Parece acidental, mas eu sei que é de propósito. Você me quer atrás de você, não quer? - começou a andar, me fazendo andar para trás, assustada com sua reação – Me falaram que isso aqui é tudo uma brincadeira pra você.
- Você acha que se fosse brincadeira eu teria te falado sobre o pior momento da minha vida quando nem as meninas sabem? - falei, querendo gritar que a última coisa que eu queria era ele atrás de mim. - Eu fujo sim, porque eu tenho medo. Era isso que você queria ouvir? - quase gritei. Era sempre assim, eu escondia todas as minhas emoções, mas quando explodia simplesmente tudo saia e nunca era bom porque eu falava mais do que devia ou queria.
- Medo de que? - perguntou, parando de andar e erguendo minha cabeça. Seus olhos pareciam querer ler cada parte de mim, e meus olhos fugindo de seus deixavam bem claro que eu não queria que ele conseguisse me entender.
- De ser uma brincadeira pra você – respondi, o olhando – De amanhã você perceber que quer voltar com a Rebecca – falei, ouvindo ele rir pelo nariz.
- Isso nunca vai acontecer. Para de ser paranoica.
- Não dá. Principalmente depois dessa semana. Todos vocês acham que eu sou feliz 24 horas por dias e eu to destruída essa semana. Eu não esperava que vocês notassem, as brigas da e da sempre tomam a atenção de tudo e eu me escondo atrás dos sorrisos, mas eu to exausta – falei, e ele se sentiu alarmado pelo meu tom sério, que era usado em ocasiões raras – Você quer ouvir o que eu tenho pra falar? Pra mim não é uma brincadeira, mas você resolveu se interessar por mim do nada e isso é estranho, você me deixa confusa e eu nunca sei como agir, o que é raro – continuei, dessa vez eu que chegava perto dele.
- Você tá arranjando motivos!
- Talvez eu tenha motivos pra querer arranjar motivos pra não ter que te dar motivos – falei, e ele riu
- É dessa que eu gosto – riu novamente, me fazendo morder o lábio
- É dessa que todo mundo gosta, a que tá sempre brincando e de bom humor. Vocês já pararam pra se peguntar se essa é real? - perguntei, praticamente gritando.
- Você quer me afastar, eu só não sei o motivo – cerrou os olhos e parou de andar, me fazendo bater em seu peito – Mas eu não vou me afastar, não importa o quanto você tente – me segurou, sem me deixar escapar – , você é difícil de entender, todo mundo acha que é fácil e um livro aberto, mas é o oposto.
- Eu sou complicada – olhei para trás de seus ombros, onde as meninas nos observavam. era a única que havia percebido que algo estava errado e por isso sua atenção. estava ao lado dela conversando, com Harry e havia sumido. Eles prestavam atenção em nós dois e eu queria sumir.
- Eu nunca disse que queria que fosse fácil – sussurrou e eu tive que fazer leitura labial porque aquela música alta me impedia de ouvir sua voz maravilhosa. Eu estava lutando tanto para que aquilo não acontecesse porque eu sabia o que viria a seguir. Piadas, brincadeira de mal gosto, comentários ofensivo, mais coisas do que eu era capaz de aguentar, ainda mais agora que estou tentando me recuperar. Ele era o único que sabia do meu transtorno alimentar, o único para quem eu havia contado como me sentia e como era difícil, por isso não queria afastá-lo, porque eu podia conversar sobre isso com ele, mas, ao mesmo tempo, essa proximidade estava me fazendo mal, me fazia duvidar de mim e do meu valor, eu odiava essa sensação porque ela era constante na minha vida e só piorava quando ele estava por perto. - Eu queria vir com você nessa festa pra poder me aproximar. Eu não vou mais ficar fingindo que não estou interessado porque já ficou bem claro, então porque você também não começa a ser sincera? Comigo e com você? - continuava sussurrando, ainda perto demais para minha sanidade.
- Você não vai gostar da minha sinceridade! - sussurei de volta, e me soltei dele andando o mais rápido que meu vestido permitia, sumindo entre a multidão, o deixando parado no meio da pista de dança com um olhar confuso. Segurei as lágrimas e sorri para quem sorria para mim, porque eu sempre fazia isso, lutava contra os sentimentos, os deixava guardadinhos dentro de mim para que ninguém percebesse e só os deixava sair sozinha no banho. Andei ainda mais rápido quando vi o irmão de Britanny se aproximando, desviei dele e cheguei na parte de fora do salão, onde algumas pessoas fumavam e conversavam animadas. Respirei fundo me encostada na parede encarando as abóboras demoníacas e vendo alguns meninos brincando com uma ou outra, enquanto outras pessoas tiravam fotos da decoração ou gravavam vídeos. Minha paz não durou muito porque Rebecca, ou a filha do chuck como ela estava vestida e como eu a chamaria daqui em diante, parou na minha frente com um sorriso maldoso.
- Ele já cansou de brincar com você? - perguntou, mas a ignorei, ela odiava ser ignorada, por isso sua expressão fechada me fez sentir uma grande satisfação – Ótimo, não quer falar eu falo. Você é patética e isso você já deve saber. Sua amiguinha foi te defender lá, mas eu sei que sem suas amigas você não é nada. Se não fosse pela e pela você seria só mais uma mexicana na escola e…
- Eu sou de Porto Rico, eu sei que você é ruim em geografia, mas não sabia que era tão burra assim – falei, sem paciência.
- Continuando. Seria só mais uma latina com quem os meninos iam tentar se divertir, ninguém te respeitaria ou chegaria perto de você porque você é gorda e nojenta – suas palavras, por mais que eu não quisesse, me atingiam em cheio e eu sentia aquelas lágrimas que eu havia conseguido lutar querendo voltar – Nós duas sabemos que o Zayn é bom demais pra você, não sei qual a palhaçada que ele tá fazendo, mas não vai durar e todo mundo sabe disso. Então se afasta, porque isso não vai a lugar nenhum e você só vai passar vergonha… Mais vergonha, porque com essa roupa você já tá passando muita. É só um conselho – sorriu, me fazendo olhá-la de baixo a cima. Balancei a cabeça negativamente rindo, mas eu não havia achado graça nenhuma, na verdade havia concordado com tudo que ela havia falado.
- Por que você não some? Ninguém sentiu falta de vocês, nenhuma das 2 são adoráveis como gostam de pensar – falei, suspirando – E se você tá com tanto medo assim de que algo aconteça entre nós dois então é porque você não acredita realmente que eu seja tão nojenta assim – movi os ombros – Tentar usar minha aparência pra me atingir só mostra quão baixa e ridícula você é, Rebecca, e eu não vou ficar aqui brigando por causa de homem, ainda mais um garoto que nem na sua vida está, ou sente vontade de estar. Tenta aprender o significado da palavra ex, e tenta entender que eu não to nem ai pro que você pensa. O Zayn já é grandinho pra sabe o que fazer da vida dele e ele é um ótimo garoto, até hoje eu não entendo como uma pessoa tão boa e sincera como ele conseguiu ficar tanto tempo com uma cobra como você, mas dá pra ver o alívio que ele sente pelo fim disso. Me deixa em paz, eu não vou me afastar de ninguém porque você tá pedindo e eu definitivamente não vou mais abaixar minha cabeça pro seu bullying – cruzei os braços, vendo que ela não esperava por isso, e seus olhos se arregalaram quando ela olhou por cima dos meus ombros. Quando acompanhei seu olhar vi que Zayn estava parado nos observando.
- Você já pode ir embora – ele falou para ela, com a voz mais seca que eu já ouvi. Ela revirou os olhos e mostrou o dedo do meio, saiu rebolando e empurrando algumas pessoas. - Desculpa por isso, eu…
- Sua ex que é louca, não foi você que falou aquelas coisas – falei, me abraçando. Ele fez menção de se aproximar, mas eu dei um passo para trás e balancei a cabeça
- , não faz isso – veio em minha direção, mesmo contra minha vontade. Eu queria tanto evitar esse tipo de coisa, esse sentimento, fraqueza, vulnerabilidade que vinha com gostar de alguém. E acima de tudo a insegurança de saber que tudo que Rebbeca havia falado era sim verdade, eu não podia odiá-la pelo que havia falado quando ela apenas externou os pensamentos que vem rondando minha cabeça há dias. - Nada daquilo é verdade, você não é pouco pra mim e as pessoas não gostam de você só por causa das meninas – segurou minha mão e encostou sua testa na minha – Não me afasta de novo, não agora que eu consegui me aproximar de você – suspirou, e sua respiração em meu rosto fez com que meus sentidos despertassem, meu coração começou a acelerar e os arrepios apareceram. Quando sua boca encostou na minha eu tentei lutar contra, mas tudo a respeito dos meus sentimentos sobre Zayn era contraditório. Ele me fazia mal, não havia dúvidas de que, desde que resolvi deixar que ele se aproximasse, eu piorei sobre tudo. Sobre meu problema de imagem, sobre meu valor, sobre minha depressão. Mas, ao mesmo tempo que tudo havia piorado, também havia melhorado porque ele me distraia e me fazia esquecer certas coisas quando estávamos juntos. Por isso ao sentir sua língua contra a minha, eu senti vontade de chorar. Eu precisava me afastar, mas não tinha forças e ele não deixaria.
- Eu não consigo – suspirei, mordendo sua boca – Eu não consigo lidar com isso, Zayn. Não agora – falei, passando meu dedo em sua boca, vendo ele sussurrar algo que eu não entendi e voltou a me beijar.
- Consegue – falou, partindo o beijo novamente – Eu te ajudo.
- Me ajuda como, eu preciso me ajudar primeiro – funguei – É melhor nós deixarmos as coisas como estavam no começo do semestre
- Você quer que eu finja que não te conheço direito? Que eu finja que não me sinto confortável quando nós estamos juntos, e que eu fico louco pra te beijar a cada segundo porque já provei uma vez? - falou, minha respiração estava completamente descompassada. Fechei os olhos com força, sentindo sua testa contra a minha – Você não pode me pedir isso, porque não dá – abri os olhos, vendo os dele tão atentos em meu rosto. Eu ia responder, mas começaram a chamar nos auto-falantes.
- A votação para melhor fantasia chegou ao fim, e os vencedores foram ZaynMalik e Brittany – a voz chamou, e eu suspirei. Claro que ele ganharia, mesmo não estando de príncipe. E claro que Brittany ganharia, ela é toda perfeitinha. Eu não fazia parte daquilo. Não tinha todo aquele dinheiro para gastar em uma festa de uma noite, não tinha pais que faziam todas as minhas vontades como Zayn, Britt e minhas amigas. E não tinha forças para fazer parte daquele mundo.
- Vai lá pegar seu prêmio – sorri fraco, virando as costas novamente. Eu me sentia a rainha do drama.
- Eu não quero prêmio nenhum, só quero que você pare de fugir – Zayn falou, mas os garotos que o arrastava para dentro do salão e meus passos fizeram sua voz ir morrendo junto a minha vontade de continuar naquela festa



Eu estava parada sozinha dançando Lush Life. As meninas simplesmente sumiram e eu tinha até medo do que estaria acontecendo porque parece que problemas perseguem esse grupo de amigos. Para muitas pessoas era um saco ser deixava sozinha em festas, mas eu já estava acostumada; e não falo isso de uma forma trágica. Em casa eu só tinha um melhor amigo, que sumiu depois que comecei estudar no internato, em toda festa que nós íamos juntos ele acabava sumindo e eu ficava sozinha, aprendi a lidar com a “solidão” e eu até que me dava bem com ela. Havia vindo na festa com Connor, mas era meio estranho porque eu só queria amizade e eu percebia certas atitudes dele que dava a ideia de que ele queria mais que isso. Reparei em algumas olhadas feias que Niall dava em nossa direção e eu queria ir dar uns tapas nele, desde o dia da discussão não nos falamos direito e não tem motivo, foi uma discussão tão estúpida. Sua fantasia era aquele macacão do Tom Cruise em topgun e ele estava tão sexy. Me pegando olhando para ele mais do que o normal e quase me dei um tapa na cara, era o mesmo Niall de sempre, aquele com quem eu passo mais da metade do tempo brincando, flertando de brincadeira, nada havia mudado, ele só estava com uma fantasia sexy.
Eu estava preocupada com , ela não parecia bem essa semana e eu a vi conversando com Zayn. Depois daquela discussão com Rebbeca e Britt eu também não havia a vista mais, queria saber como ela estaria, por isso sai pelo meio das pessoas a procurando.
- Me procurando? - Connor apareceu sorrindo, passando a mão na nuca, uma mania que ele tinha e que eu amava.
- Bem que você queria! - arqueei a sobrancelha – Procurando a , na verdade.
- O que eu tenho que fazer pra ser o cara que você vai procurar? - brincou, mas seus olhos me olhavam tão atentamente que me senti constrangida.
- Ai já é com você, não posso entregar assim, certo? - dei de ombros e ele balançou a cabeça rindo.
- Você não facilita pro meu lado
- E que graça teria se eu facilitasse? - franzi o cenho, rindo. Vi Lia parada perto do bar meio perdida e estranhei não ver Niall por ali – Sua prima precisa de companhia e eu preciso achar a , daqui a pouco eu volto! - dei um beijo em sua bochecha e sai antes que ele continuasse o assunto. Meu problema maior era ser simpática e dar a ideia de que estava flertando quando estava apenas sendo eu, isso acontecia mais que o normal e tenho certeza que Connor está entendendo os sinais errados e por isso anda tentando essas graças comigo.
Olhei para os lados tentando achar uma sereia, mas nada de Vicaparecer, me assustei quando chamaram Zayn como melhor fantasia, ele estava bem de Jack Sparrow, mas sabia que havia ganhado porque as meninas piram no estilo quietão bad-boy dele. Fiquei esperando aparecer com ele, mas o que aconteceu foi um Malik com uma expressão carregada passando por mim,
- Cadê a ? - perguntei, antes que ele passasse.
- Não sei, . E se você conseguir entender a cabeça da sua amiga me avisa – bufou e saiu andando. Ok, ele nunca havia sido grosso comigo por isso dessa vez passa. Britt estava vestida de princesa do gelo ou algo do tipo, sua fantasia era toda branca, continha algumas pedras no corpete e aquilo devia custar mais que minha casa, carro, vida, juntos. Sua bota branca ia até o joelho e os pelos nela pareciam macios, a pele era tão branca que o batom vermelho dava um enorme destaque, ela realmente mereceu o prêmio.
- Certo, voltar a procurar – falei sozinha, vendo algumas meninas me olhando torto e fui para o jardim. Sentada para trás, meio camuflada no escuro, mas não tão camuflada por causa de sua fantasia verde brilhante, estava sentada sozinha com os braços cruzados olhando algumas meninas que estavam vestidas de Índias – parecia.
- Vem nadar no meu mar, seria! - sentei perto dela, a fazendo rir fraco. Pude ver algumas lágrimas, já secas, em seu rosto e fiquei preocupada. Eu nunca havia visto chorando, nunca havia visto nem triste, por isso fiquei alarmada.
- Sabe, eu odeio festas a fantasia – a olhei sem entender – Essas meninas tão se achando as maiores gostosas vestidas de índias, mas isso é apropriação cultural – revirou os olhos – Ta vendo aqueles imbecis vestidos de Mexicanos? Apropriação cultural. Eles acham que são tão criativos, mas são um bando de nojentos – a olhei sem entender sua raiva.
- Como assim? - eu estava realmente confusa.
- Ta, primeiro de tudo, apropriação cultural é quando algumas pessoas com privilégios exploram a cultura da minoria, eles não sabem e não entendem a cultura, a tradição, mas acham legal e vão usando – suspirou – É ofensivo usar algum símbolo, fazer alguma dança ou usar algum acessório de outra cultura sem autorização, ainda mais de quem é oprimido, pior ainda quando são objetos sagrados porque eles não entendem o significado por trás, é extremamente ofensivo – revirou os olhos
- Mas tipo, por que é tão ruim?
- Aqueles caras vestidos de Mexicanos acharam a fantasia legalzinha, mas sempre que eles me olham fazem comentários extremamente racistas sobre ser latina. O problema com a apropriação é que eles usam de coisas que carregam um significado maior, acabam desrespeitando e ai a ofensa não é só pra uma pessoas, é pra cultura inteira. Sabe como muita gente usa cocar em festivais de música? É errado, o cocar é sagrado, é usado em cerimonias sérias Esse povo ainda é oprimido, ai vem uma classe dominadora usar os objetos deles, estereotipando e desrespeitando, mas todo mundo acha tendência, quando são as pessoas da própria cultura usando eles são ofendidos e ridicularizados, é nojento. Não tem problema gostar, apreciar, ouvir a música e tudo mais, vai conhecer o que você tá fazendo antes de apropriar, eu fico puta com isso – balançou a cabeça – Mas esses dias eu ando puta com tudo – abaixou os olhos.
- Eu não fazia a menor ideia sobre apropriação, já devo ter feito algumas dessas coisas sem saber, mas agora eu entendi melhor – olhei para o pessoal que ela olhava, estava realmente nervosa - E também não sabia desse seu lado – sorri, a abraçando de lado.
- Eu não me levo a sério então ninguém me leva a sério, eu não ligo – deu de ombros
- , você não é negativa assim, o que tá acontecendo? - perguntei, achando estranha a reação dela, mas ela apenas olhou para mim com um sorriso fraco.
- Você chegou não faz nem 5 meses e já percebeu que tem algo errado, minhas amigas de anos não perceberam nada – fungou – Eu nunca exijo atenção sabe, não gosto, mas eu sempre to do lado delas quando precisam, elas acham que eu vivo em um mundo cor de rosa e ficam tão focadas nelas mesmas que esquecem todo mundo ao redor – desabafou de uma forma que eu nunca havia ouvido antes – Eu to meio cansada, acho – mordeu o lábio.
- Você sabe que nada do que elas falaram é verdade, certo? - perguntei, apertando sua mão. Ela parecia bem frágil e eu sabia que Zayn tinha algo, ou tudo, a ver com aquilo.
- Vou te contar uma coisa que só uma pessoa sabe, mas promete não contar para mais ninguém, tá? - ela falou, parecendo uma criança que aprontou. Sorri, concordando com a cabeça. Ela ia abrir a boca para falar, mas Lia apareceu bem na hora com Delphine.
- Quê? - perguntei, meio impaciente e soando até meio rude
- A energia aqui anda bem carregada, por acaso vocês não estariam interessadas em fazer uma limpeza espiritual, como andam seus chakras? - Delph perguntou, me fazendo a olhar com uma cara bem confusa – Certo, você não sabe o que são, já deve ter ouvido falar, mas não entende. Vamos, lá…
- Delph, a organizadora pediu pra você não se distrair – Lia falou com a voz fraca, sua fantasia de anjinha era óbvia demais, mas ficava uma graça na garota – Vai rolar tipo uma brincadeira lá dentro, ela pediu pra gente chamar uns amigos – Lia explicou.
- Que brincadeira?
- Assim, alguns meninos e meninas foram chamados pra trocar de fantasia, algumas pessoas foram chamadas pra entrar – ela começou a falar e eu ia concordando com a cabeça – Ta vendo essa máscara? - ela perguntou e eu apenas concordei – Tem 2 pares iguais, um vai ser dado pra uma pessoa e outro para outra pessoa, vocês vão ser um par, vão passar algumas músicas juntos, tipo uma meia hora, mas vocês não vão saber quem é quem – sorriu animada – No fim dos 30 minutos vocês têm que descobrir quem é quem.
- Mas calma, eu não estou disfarçada – franzi o cenho, sem entender – Ele ou ela já vai saber quem eu sou.
- Vocês que tão sendo chamados que vão ter que descobrir quem é – explicou, tombei a cabeça a olhando – Tem um prêmio pra quem ganhar. Uma viagem pra Maui e…
- Uma viagem pro Havaí? Quero, topo, quando começamos? - comecei a falar animadamente, fazendo as meninas rir.
- Deixa ela falar o outro prêmio – me cutucou, fiz bico para ela.
- Ingressos pra um festival – sorriu
- Por que esses prêmios pra uma brincadeira boba?
- Vão ser 5 ganhadores. Vocês vão ficar hospedados no hotel do pai da Britt em Maui o que dá uma boa visibilidade já que a maioria das pessoas aqui tem pais influentes e essa é uma nova franquia. E quem tá organizando o festival é o irmão mais velho dela, ou seja… Não são prêmios pra vocês, é propagando pra eles – deu de ombros.
- Só de ter a oportunidade de ir pro Havaí já to aceitando. Eu coloco a máscara agora? - perguntei e ela apenas concordou com a cabeça. Coloquei a máscara que era vermelha com strass, linda, perguntei se ficaria comigo e ela concordou. - A gente conversa depois? - perguntei para , que concordou com a cabeça e me seguiu para dentro do salão. Olhei ao redor para ter uma ideia de quais meninos estariam faltando e bufei ao ver que eram muitos, mas eu também poderia ser colocada de par com uma menina. Olhei para cima do palco onde uma garota explicava o que Lia já havia me explicado e em seguida várias pessoas com fantasias muito bem disfarçadas entravam. As músicas já rolavam altas e eu ainda procurava a pessoa que estava com a mesma máscara que eu, até que vi Deadpool parado no bar com uma máscara vermelha de strass. - Vestida de Ariana em “dangerouswoman”? - perguntou, olhando meu vestido, luvas e máscara pretas de couro.
- Eu até queria colocar a vermelha, mas essa aqui foi tão difícil de achar – dei de ombros – Algo me diz que você tá com um sorriso debochado, mesmo que essa máscara não me deixe ver
- É que eu te vi passar por mim umas 5 vezes sem perceber que eu era seu par – rodou a máscara na mão
- E por que não me chamou? - perguntei, cruzando os braços
- Porque eu tava me divertindo te vendo igual uma barata tonta – ouvi sua risada, e era gostosa, mas por causa da fantasia, que tampava sua boca, eu não conseguia reconhecer.
- Rude – fiz careta – Vai, me fala sobre você – falei, vendo o barman colocando duas bebidas em cima da bancada.
- Já fiz o favor de pedir algo para nós – me entregou um copo que vinha com uma bebida vermelha – Pra combinar com nossas máscaras – estendeu o copo em minha direção. Aceitei e bebi, sentindo que era algo doce, o vi levantando a máscara apenas até a boca e era uma pena eu não conseguir reconhecer aquela boca.
- Vai me ajudar a ganhar isso? - perguntei, após beber.
- Você quer muito ganhar isso?
- Uma viagem não é nada mal, certo?
- To mais interessado nos ingressos do festival – riu, me fazendo rir também. Sem falar nada, ele me segurou pela mão e me arrastou até a pista – Nós temos que ficar onde a Nina possa nos ver, assim ela sabe que não estamos roubando – explicou o motivo de ter me puxado tão de repente. - Com licença – colocou a mão na minha cintura, e começamos a dançar juntos. Eu nunca havia sentido aquele perfume antes, podiam ser tantas pessoas do internato e eu não conhecia nem metade delas.
- Nós nos conhecemos? - perguntei e ele apenas concordou – Temos alguma aula juntos? - concordou novamente – Somos amigos? - perguntei, ele tombou a cabeça de lado.
- Não sei! - falou, e por algum motivo eu sabia que ele sorria.
- Me ajuda nessa – cutuquei seu ombro, o fazendo rir – Eu te vi pela festa hoje?
- Até mais do que você imagina – falou, me fazendo suspirar.
- Pode ser tanta gente, eu não faço a menor ideia – falei, olhando para os lados. Ele começou a rir novamente e eu balancei a cabeça. Pela forma de brincar podia ser Connor, mas também podia ser Seth, o garoto do time de lacrosse que é amigo de Niall. Na verdade podia ser tanta gente que eu nunca acertaria, mas a brincadeira estava sendo legal para parar por ali, e ter as mãos daquele ser misterioso na minha cintura estava gostoso.
- Banda preferida? - ele perguntou e eu franzi o cenho.
- Eu que devia fazer as perguntas aqui, minha viagem tá na reta, amigo – falei, o fazendo rir – Mychemical romance!
- Nossa, não pensei que você fosse emo – o empurrei assim que terminou de falar.
- Com certificado e tudo mais – sorri. Eu não sabia o que ele estava pensando, até ai tudo bem, mas eu não sabia qual eram suas expressões e isso me irritava. Se tem uma coisa que gosto é de ver a reação das pessoas a tudo, algo sempre entrega, não conseguir ver se ele sorria, não ver seus olhos, não vê-lo, estava me deixando louca. - Se eu pedir pra você levantar a máscara vai ser…
- Contra as regras, você precisa saber quem eu sou, não posso entregar assim – segurou minha cintura com mais firmeza, senti minha pele arrepiar. Algo estava acontecendo ali, eu sabia que os minutos estavam passando com a minha oportunidade de acertar quem era, mas no momento eu queria saber quem era não pelo prêmio, mas porque ele estava me deixando curiosa e interessada.
- Nem só até a boca? É estranho ouvir as palavras saindo e não ver nada se movendo.
- Você odeia ficar no escuro, né? - falou como se já me conhecesse, concordei com a cabeça e o vi se virando para falar com Nina, que confirmou com a cabeça – Só porque hoje eu to me sentindo inclinado a ajudar as pessoas – levantou a máscara e foi um alívio poder ver aquela boca rosada, pelo menos isso. - Seu tempo tá passando – acompanhei o movimento de sua boca com os olhos.
- O seu também – respondi, vendo ele sorrir e morder o lábio. Cogitei pedir para que ele colocasse a máscara novamente – Eu não ganho você não ganha e, pelo visto, você não quer que eu saiba quem você é.
- Você tem que descobrir, eu respondi todas as perguntas – deu de ombros. Anunciaram os últimos minutos e era impossível que nós estivéssemos a tanto tempo ali.
- Eu amo essa música – fechei os olhos, sentindo seu corpo mais perto do meu. A esse ponto eu já estava quase desistindo. Muitos nomes vinham na cabeça, mas eu não achava que era nenhum, eu estava no escuro e por algum motivo não queria sair dele. Os poucos minutos que passei conversando com aquele garoto me fizeram ficar curiosa sobre quem era a pessoa que se escondia ali, mas o medo de me decepcionar ao descobrir quem era também era grande, por isso eu não estava fazendo muito esforço para descobrir; e ele não se esforçava para me ajudar. Eu havia até esquecido que estava rodeada de pessoas.
Não acredito em amor a primeira vista e nunca vou, mas paixões acontecem o tempo todo. Todo dia eu me apaixono por algo novo, um perfume, uma comida. Uma risada, um sorriso, um olhar. São muitas paixões com coisas que me encantam e ele havia me encantando. Eu não estava apaixonada necessariamente por ele, mas pelo mistério de não saber quem era. Pela conversa que fluiu natural. Pelo sorriso que eu finalmente consegui ver. Paixões de uma noite acontecem o tempo todo e essa foi uma delas.
- Suas chances estão acabando – falou, e eu me perguntei se aquela frase era apenas sobre as chances de ganhar ou algo mais
- Eu já chutei o Seth, o Scott, Nate, Dan, Luke, Sid, até o Derek… Ou você tá me enganando ou…
- Você ainda tem uns 3 minutos – falou, quando me aproximei ainda mais. Eu queria estar perto e nunca havia sentido algo daquela maneira, era intenso e eu sabia que precisava tirar a dúvida de quem era, mesmo que não gostasse da resposta no final.
- Vamos só dançar – dei de ombros, colocando as mãos em seus ombros e me movendo. Ele acompanhou meus movimentos, suas mãos pareciam grandes, eram firmes e me seguravam com certa possessão, sorri quando ele acabou totalmente com a distância entre nossos corpos, era o que eu queria desde o começo.

I can feel it, when you hold me, when you touch me
(Eu posso sentir quando você me abraça, quando me toca)
It's só powerful
(É tão poderoso)
Hold me in your arms burns like fire, electricity
(Me segure em seus braços, queima como fogo, eletricidade)
When you're close i feel sparks
(Quando você está perto eu sinto faíscas)
Takes me higher to infinity
(Me eleva além do infinito)


- Eu vou fazer algo e se você não gostar me avisa – ele falou baixinho. Eu odiava não ver seus olhos e não saber para onde ele estava olhando. Concordei com a cabeça e, aos poucos, sua boca foi se aproximando da minha, lenta e tortuosamente, me fazendo ansiar por aquele momento e quase pedir para que ele acabasse logo com aquela distância. Sua boca encostou na minha levemente enquanto ele as roçava. A reação mais natural do meu corpo foi o coração acelerado e o frio na barriga. Quando ele passou a língua pela minha boca, me fazendo abri-la para que ele pudesse fazer o que ambos queríamos, tive que reprimir um gemido de satisfação. Sua boca estava gelada pela bebida de minutos antes, seu beijo era doce e sexy, sua mão que subiu para minha nuca fazendo carinho, me seguravam com a intensidade certa; eu não queria que aquilo acabasse nunca, mas quando a música terminou nosso beijo acabou junto.
- Era pra me ajudar a descobrir? - perguntei, de olhos fechados. Apenas dois nomes vieram na cabeça, eu queria falar um, mas acabei falando outro e nem eu sabia o motivo – Connor? - perguntei, abrindo os olhos novamente. Vi que ele sorria e logo em seguida começou a rir, balançando a cabeça.
- Uma oportunidade perdida! - falou, rodando a máscara na mão de novo e se virando, mas eu o segurei antes que pudesse se afastar.
- Sério que você não vai me falar? - perguntei, abismada com aquilo. Eu pensei que depois de me beijar ele me falaria quem era ou que quando a brincadeira acabasse ele o faria.
- Você não acertou, agora vai ter que ficar na dúvida – falou, se virando e me deixando ali, parada, tentando assimilar o que havia acontecido.

[…]


Eu ainda pensava nele e já fazia 1 hora do acontecido na pista de dança. Ainda estava meio confusa com aquilo. Com o motivo de sentir da forma que me senti. Das faíscas que davam para ser sentidas de longe. Eu não estava ficando louca, algo aconteceu, eu precisava saber quem ele era antes de ficar louca. Suspirei enquanto andava pelo jardim e vi uma figura solitária sentada na grama em meio aos esqueletos e abóboras, ri ao ver o violão descansado ao seu lado enquanto ele o olhava com raiva.
- Qual o problema? - chamei sua atenção, que me olhou surpreso por puxar assunto. Me sentei ao seu lado, cuidadosamente porque aquele vestido podia mostrar mais do que eu queria.
- Esqueci alguns acordes, odeio quando isso acontece – deu de ombros – Você sumiu pela festa
- Eu? Não te vejo desde que a gente tava com a .
- Eu também não te vejo desde aquela hora, onde você tava? E a também sumiu – franziu o cenho
- Falei com ela umas 2 horas atrás, quer procurar…
- Na verdade
- Eu… - falamos juntos, e ele começou a rir
- Pode falar, damas primeiro
- Só tá falando isso porque tá com medo de falar comigo – mostrei a língua – Eu queria pedir desculpa por ter falado daquela forma. Eu tava tensa e sobrecarregada, sei que não é desculpa, mas… Acho que é mais fácil descontar nas pessoas que nós gostamos porque no final elas meio que vão tentar entender nosso lado e nos perdoar. Desculpa mesmo
- Não, tudo bem. Às vezes eu esqueço que você é nova aqui e ainda se sente meio perdida. Eu não devia ter falado como se você soubesse que vinha comigo, foi errado não ter chamado e ter sido grosso. Eu não quero que isso prejudique a amizade que nós estamos construindo sabe…
- É,às vezes não parece que eu cheguei aqui hora, quer dizer, com você é tudo tão natural – dei de ombros – Não vai estragar nada. Eu tenho um carinho muito grande por você – sorri, vendo que ele sorria de volta.
- E eu por você – riu – Então tá tudo bem?
- Ta tudo bem – confirmei, vendo ele se aproximar para me abraçar. Aceitei o abraço rindo pelo momento sentimental que tivemos, mas parei de rir aos poucos sentindo o abraço se apertando. Niall estava se tornando imensamente importante para mim, com ele as coisas pareciam fáceis, ele fazia tudo parecer menor do que realmente era, qualquer preocupação e mal-estar. Ficar sem falar com ele estava me corroendo por dentro, eu precisava da alegria que ele trazia no ambiente e só fui perceber a falta que fez ao sentir aquele abraço apertado. Começamos a conversar, ele havia me sentado em seu colo, meus braços estava em volta de seu pescoço e aquela situação não era constrangedora, era confortável. Contei para ele sobre o ocorrido na pista de dança e ele me zoou muito.
- Vai ver ele ficou assustado com você e não quer te ver nunca mais
- Você sabe como elevar meu ego como ninguém – fiz careta.
- Ou ele não gostou do beijo, não gosta de mulher, são tantas opções – bagunçou meu cabelo, me fazendo dar um tapa em sua nuca – Grossa! - franziu o cenho.
- Não é isso. Ele não queria que eu soubesse quem era, mas eu vou descobrir – olhei para o nada.
- Relaxa, , se ele gostou ele vai te procurar – sorriu. Sorri de volta e perguntei como estava sendo com Lia, ele disse que ela era bem quieta e na dela, mas era uma boa pessoa. Concordei com a cabeça tentando não fazer careta, e senti o celular vibrando. - Vai que seu homem mistério - fez piada, me fazendo revirar os olhos e pegou meu celular para ler – Quem é Samuel?
- Que? - peguei o celular na hora. Minha respiração descompassou e eu fechei os olhos com força. - Meu irmão tá por perto.
- Irmão? - ele fez careta – Você disse que não tinha
- Não, eu disse que dependia – mordi o lábio – Que inferno, só porque as coisas estavam indo bem – balancei a cabeça.
- O quê? Aconteceu alguma coisa? - perguntou todo preocupado, me segurei pra não abracá-lo novamente.
- Não quero falar sobre ele hoje. Toca alguma coisa pra mim? Preciso me distrair – pedi, olhando em seus olhos
- Tudo pra você, princesa! - sorriu, começando a dedilhar algo. Continuei sorrindo ao ouvir “princesa”. Niall nem percebia o efeito que tinha nas pessoas e se percebia fazia de propósito.- Se você continuar me encarando assim vou achar que tá me querendo.
- Talvez eu esteja – arqueei a sobrancelha
- Não brinca comigo, , porque eu não sou que nem seu garoto que foge; eu vou até o fim – falou, olhando nos meus olhos fazendo cada parte de mim arrepiar. Não consegui responder nada enquanto ele sorria ao me ver sem respostas e olhava meu corpo na fantasia. E naquele momento eu esqueci do meu irmão, esqueci do garoto da pista e tudo porque eu havia me desculpado com alguém que me fazia sentir leve, só esperava que o sentimento se estendesse até o dia que viria a seguir.

Capítulo 20

Liam

Os socos no saco de pancadas ficavam mais fortes conforme minha raiva crescia. Fazia uma semana da festa e eu ainda não entendia o que tinha acontecido com , ela já agia com uma louca, as coisas só pioraram. Ela se afastou. Não só de mim, mas de também e ninguém entendia os motivos. não queria falar sobre isso, envolvia mais do que achando que nós dois havíamos ficado… Sim, aquela louca achava que eu havia ficado com minha melhor amiga e eu não estava com vontade de ir atrás para entender o que estava acontecendo. Outra coisa estranha era , ela estava afastada de todos e só falava com Louise, aquele sorriso que sempre animava o dia de todo mundo também estava sumindo e ninguém a reconhecia.
Quando terminei de deferir a sequência de socos no saco de pancadas e o suor começou a descer pelo meu corpo fazendo a camisa ficar colada e me incomodar, tirei a blusa e a joguei no chão, pegando a garrafa d'água e dando um longo gole.
- Você precisa relaxar – Zayn falou, largando suas luvas e sentando ao meu lado. - Não acredito que você tá assim por causa dela e…
- Não é isso, são problemas em casa
- Quais? - Zayn perguntou. Olhei bem sem saber se falava a verdade ou não… A verdade de que minha família estava falindo porque meu pai viciado em jogos apostou o que não tinha, investiu o que possuía na tentativa de conseguir pagar o que tinha que pagar, mas acabou sendo passado para trás. Não sabia se falava que minha irmã estava com problemas de saúde e graças ao vício dele nós não tínhamos dinheiro para pagar o tratamento. Mas no fim acabei falando tudo, Zayn era meu melhor amigo e eu precisava conversar. Saímos da academia e eu fui contando todas as minhas preocupações enquanto ele acendia um cigarro em silêncio e me fitava com atenção. Conversar com Zayn era quase uma terapia mesmo que ele não falasse nada. O cara mostrava interesse e te deixava falar tudo o que tinha para falar sem questionar ou interromper.
- Porra, não sabia que tava rolando tudo isso
- É aquele lance de falar deixa as coisas mais reais! - dei de ombros – E eu to mais preocupado em achar uma solução do que em desabafar, pra falar a verdade. É coisa demais acontecendo de uma vez, as vezes parece que eu vou ficar louco, cara.
- Se você quiser eu posso ver se meu pai te arranja um trabalho lá na empresa dele
- Eles só contratam pessoas formadas, mesmo sendo amigo da família ele não vai relevar, você sabe como seus pais são – falei, vendo ele concordar – Mas valeu pela oferta.
- A gente vai pensar em alguma coisa, Liam, mas relaxa que nessa você não tá sozinho. E sua irmã vai ficar bem – falou, segurando meu ombro. Apenas concordei com a cabeça, nem pique para forçar um sorriso eu tinha. Respirei fundo olhando para um papel pendurado na porta do dormitório falando sobre o show de talentos, revirei os olhos e tirei o papel dali, amassando e só não joguei no chão porque o inspetor estava por ali e provavelmente me faria engolir. Do outro lado, através do campo onde ficava o dormitório feminino, Harry saia rindo com uma loira que eu conhecia, mas queria não ter me aproximado tanto. Tanta coisa rolando até silenciou os pensamentos sobre e como foi dor de cabeça achar que ela algum dia pudesse sentir alguma coisa verdadeira por alguém que não fosse ela mesma. Aquele sorriso que ela dava para Harry estava me tirando do sério, ela agia como se nada tivesse acontecido e eu queria saber que porra de história era aquela de que me traiu e com quem foi. Estralei o pescoço e pendurei a camisa que estava nas mãos no pescoço, devo ter encarado tanto que logo ela se virou, percebendo que alguém a olhava, e manteve o contato visual, mas acabou desviando ou fugindo, como gosto de falar. Ela sempre fugia de tudo.
- Eu tenho que ir terminar um trabalho que é pra quarta-feira, mas qualquer coisa me chama, demoro?
- Valeu – bati na mão de Zayn e o vi se afastar. Respirei fundo e olhei para cima sem acreditar que estava indo encontrar com a pessoa que menos queria ver, mas no momento era a única saída que eu tinha se queria ajudar minha família. A coisa mais difícil que tem é querer ajudar as pessoas que você ama e não saber direito como fazer, a pior coisa que tem é se decepcionar com quem você ama da forma que me decepcionei com meu pai. Até pedir para minha mãe me trocar de internato eu havia pedido, mas segundo ela era uma tradição a família estudar aqui e meu avô ficaria chateado se eu não me formasse aqui. Ela estava gastando um dinheiro que não tinha por uma tradição de um homem que nem ao menos gostava dela. Minha mãe, com certeza, é a mulher mais maravilhosa que já conheci.
- Para de sonhar acordado e anda logo, Payne! - ele estava encostado na porta do celeiro de braços cruzados. - Já falei com os caras e tá tudo certo pra quinta-feira, não se atrasa se não sem dinheiro pra você.
- Ta já entendi, só vim saber como funciona e qual o endereço – falei, vendo Derek sorrir e se aproximar. Começou a me falar como tudo funcionava e quando seria minha vez, apenas balancei a cabeça concordando com o que ele estava falando e passei a mão pelo nariz concordando assentindo com a cabeça.
- Nunca pensei que logo você ia querer minha ajuda!
- Você é o único babaca que eu sabia que ia ter alguma ideia absurda pra me arranjar um dinheiro – falei, vendo que ele ria. A última coisa que eu queria era pedir ajuda logo para esse verme, mas no internato ele era quem eu sabia que conheceria algum esquema e não abriria a boca para comentar com ninguém. Claro que ele não sabe meus motivos, só sabe que preciso de um dinheiro mesmo, então eu não precisava me preocupar.
- Quinta-feira vai ser o dia mais divertido da minha vida, ver você se fodendo é um sonho – falou, conforme eu me afastava.
- Você deu sorte que não é sua cara que eu vou ter que quebrar porque eu tenho certeza que você lembra como da primeira vez não foi agradável, né seu otário – falei, virando para ele e vendo seu sorriso morrer – Eu não sou seu amiguinho pra você vir de brincadeiras pra cima, você tá me fazendo um favor e eu vou retribuir, mas é só isso, guarda esses seus comentários pra você se não quiser que dessa vez eu realmente quebre seu nariz. Todo muito sabe que você é muito papo e pouca ação
- Se eu fosse você ficava pianinho, Payne, quem tá ajudando quem, aqui?
- Eu vou te fazer ganhar um dinheiro que você nunca pensou, seu lixo. Sozinho você não ia ter nem metade do dinheiro porque você é um bosta, então fica na sua e vamos manter as coisas profissionais. E aqui dentro finge que não me conhece – virei as costas antes que eu perdesse o controle e partisse para cima de Derek, meus punhos fechados diziam muito sobre o estado em que me encontrava. Parei no meio do caminho me apoiando em uma árvore e respirando fundo. Tudo que eu não precisava era ter que me envolver justo com aquele lixo de homem.
- Que porra foi essa, Payne? - aquela voz aguda que eu não ouvia há uma semana falou, com as mãos no quadril.
- Deu pra me seguir agora? - falei, ainda apoiado e ainda respirando fundo.
- Porque você tava todo de segredinho com o Derek?
- Vai pro inferno, ! - falei, desviando da garota e voltando a andar. A raiva que eu estava sentindo era maior do que pensava.
-To nele desde que me aproximei de você.
- Sua namoradinha não tá te procurando não? - falei, ainda sem acreditar que ela havia me traído com outra e eu nem sabia quem era.
- Me responde, Liam Payne! - ela falou de forma autoritária, e me segurou pelo ombro me puxando para trás. Respirei fundo e a encostei com força no tronco de uma das árvores, vendo que ela havia ficando assustada.
- Eu to sem um pingo de paciência hoje, muito menos pra você, então fala logo o que você quer e me deixa em paz.
- Só avisar que semana que vem tem o acampamento dos Seniors e o lugar já foi decidido, vai ser na praia e você precisa entregar a autorização até sábado – falou rapidamente.
- Eu não vou, agora que você já deu o recado pode seguir seu rumo – falei, fazendo menção de me afastar, mas senti sua mão quente e pequena segurando meu pulso e acabei me virando. Seus olhos me fitavam atentamente e ela parecia realmente preocupada.
- O que aconteceu?
- Para com essa farsa de tentar ser minha amiga, você já conseguiu o que queria comigo e eu não to com cabeça nenhum para os seus jogos.
- Eu sei que eu estraguei as coisas e eu mereço cada uma das suas palavras. Mas não fala que eu to tentando ser sua amiga porque isso não é verdade – abaixou a cabeça – Nós convivemos juntos por muito tempo antes de todo nosso rolo, Liam. Não deixa o clima do grupo ficar estranho porque nós…
- Nós não, porque você – apontei o dedo para ela – Começa a arcar com as consequências dos seus atos, – sorri de forma amarga – Você fodeu tudo porque você quer ter tudo, você age de forma inconsequente porque é mimada e acha que todo mundo sempre estará aos seus pés por causa da sua beleza ou o que quer que seja. Eu te falei desde o começo que não ia ser feito de trouxa e esse sou eu mantendo minha palavra. Se o clima no grupo tá ruim é porque você não consegue se controlar. E eu não sei qual o motivo da sua briga com a , mas melhor você arranjar um jeito de resolver as coisas se não esse grupo vai se desfazer e vai cair em cima de você.
- EU TAVA BÊBADA, VOCÊ ACHA QUE EU LEMBRO O QUE FALEI? - começou a gritar, me fazendo encostar meu tronco no dela e vendo a garota se assustar com a proximidade.
- Problema é seu. É fácil demais colocar a culpa na bebida ou no caralho que for. Você se vira com os problemas que você arranjou porque eu tenho os meus pra cuidar e eles não envolvem mais você – falei com raiva, vendo segurar a respiração e os olhos enchendo de lágrimas.
- Eu sei de tudo isso, não precisa ficar jogando na minha cara. Eu sei que eu tenho defeitos pra caralho, mas você também tem, e foda-se, eu que estraguei tudo, to bem ciente disso, mas você não sabe PORRA NENHUMA QUE TA ACONTECENDO NA MINHA FAMÍLIA E NA DA E… - ela gritava tanto, descontando sua raiva e frustração, e eu via o movimento que sua boca fazia sentindo falta daquele beijo. Mas minha raiva era maior, meu orgulho então nem se fale, eu simplesmente comecei a ignorar tudo que ela falava e foquei em como o rosto dela adquiria um tom avermelhado por causa do choro e da raiva, como os olhos estava menores, e como ela soltava o ar com força pelo nariz o fazendo inflar. - Eu realmente não preciso que você fique falando como eu sou um ser humano terrível no momento – abaixou a cabeça, lembro de tê-la ouvido falar sobre sua família e de , mas nem dei muita atenção porque para mim tudo que ela fazia era pra ser o centro da atenção. havia conseguido me deixar puto e eu não gostava da sensação nem um pouco.
- Eu me recuso a ser feito de consolo. Tem coisa demais acontecendo e eu preciso me concentrar nessas coisas. Você não queria nada entre a gente, você conseguiu isso, no momento não tem espaço pra ninguém na minha vida – dei de ombros vendo ela se afastando de mim lentamente, como quem não acreditava no que estava ouvindo. Ela parecia decepcionada e eu queria não ter me sentido um monstro. Ouvi ela fungando ao se distanciar, não olhou para trás nenhuma vez. Mas quando meu celular tocou e aquela imagem invadiu meus olhos quem correu para o dormitório para encontrá-la fui eu. O coração disparado sem saber qual seria a reação dela ao ver o que eu estava vendo.
- Espera! - foi minha vez de segurar em seu pulso antes que ela passasse pela porta, vendo que ela ainda chorava.
- Veio jogar mais o que na minha cara?
- Eu me preocupo com você, mesmo você não merecendo. Por isso já vou te mostrar logo antes que você fique sabendo por outros – falei, entregando meu celular para ela, que me olhava sem entender nada. Vi que ela percebeu o que era assim que pegou o celular, a expressão de tristeza que invadiu seu rosto vou o suficiente para eu esquecer a raiva por hora e abraçá-la.
- Ela voltou pra fazer da minha vida um inferno! - soluçou – Eu não aguento mais, esse ano devia ser perfeito, Liam. - escondeu o rosto no meu peito, a proximidade já não incomodava porque a preocupação era maior. As pessoas conseguem descer a níveis baixíssimos quando querem atingir alguém e Valerie era a prova de que o ser humano é desprezível.
- E vai ser – acariciei seu cabelo, vendo que Louise se aproximava com Louis. Os dois pareciam meio tensos, já deviam ter visto o vídeo e a foto.
- Vai ser, loira. Ela não vai conseguir te atingir, você tem um exército do seu lado – sorriu, segurando uma das mãos de , que apenas balançava a cabeça de  um lado para o outro. - Não tá fácil pra ninguém, mas é porque a vida é assim. Quem vê de fora pensa que nossas vidas são perfeitas, mas não fazem a menor ideia do que cada um passa. Outras pessoas também tão passando por várias merdas nesse exato momento e ninguém sabe. Não somos só nós – Louise sorriu triste – Eu não conheço essa Valerie, mas ela quer atenção, não dá a atenção que ela quer e não deixa ela te atingir.
- Na verdade você que devia atingir ela, bem na cara – Louis falou, fazendo rir.
- Eu amo vocês, cara – puxou todos nós para um abraço – Mas agora eu só preciso tomar um banho e chorar – mordeu o lábio. Louis e Louise concordaram com a cabeça e se afastaram, nos deixando sozinhos – E eu ainda não esqueci que te vi justo com Derek, essa conversa não acabou.
- Não força, , não é porque eu to preocupado que nós vamos começar a compartilhar segredos. Você que não quis compartilhar alguns momentos comigo, você fez sua escolha – falei, dessa vez sem tentar soar agressivo – Vê se você se cuida – baguncei o cabelo dela, dessa vez me afastando de verdade.
- É, só não se se foi a melhor escolha – ouvi ela sussurrando e suspirando. Segurei o sorriso porque não havia motivos para sorrir. Ela é toda confusa e quer me confundir também. Ela tomou uma decisão por nós dois e eu tinha que me concentrar em conseguir o dinheiro, e agora também tinha que me concentrar em ajudar nossos amigos distrair da merda que estava por vir.

Louis

- E ai nós colocamos bexigas no corredor inteiro, só que com tinta dentro, assim quando os professores ficarem irritados tentando estourar vai ser um festival de cores – terminei de explicar minha ideia.
- Isso vai dar problemas – fez careta, mas apenas ignorei a ruiva e olhei para os meninos esperando uma reação.
- Qual é, esse é nosso último ano e nós ainda não fizemos uma Prank. As pegadinhas do pessoal do último ano tem que ser épicas, isso é tipo lei e meus caros, com Louis no meio tem que ser legendário – abri os braços, vendo revirar os olhos.
- Ele tá certo – Niall apontou para mim, estiquei a mão para que ele batesse – Vocês sabem que todo ano tem que ter pegadinha, e outra, o internato que o Sidney tá estudando já começou, eles fizeram o típico copos de plástico com água no chão, aqui tem que ser original.
- E desde quando encher o corredor de balão é original? - e sua voz de tédio invadiram meu ouvido.
- É isso que eu quero que todo mundo pense, linda – ironizei a última palavra, vendo ela me mostrar o dedo do meio – Todo mundo vai chegar lá e pensar “nossa são só balões com hélio, que criatividade hein” e ai na hora de estourar vai sair tinta pra todo lado, ninguém vai esperar por isso.
- Isso é verdade – ela parecia começar a se convencer.
- Eu topo fácil – apareceu com Connor, aquele cara agora estava sempre por perto, assim como Lia. Não que eu não gostasse deles, mas nosso grupo era fechado, ninguém entrava e ninguém saia, agora esse cara fica grudado na e eu já to ficando de saco cheio.
- E depois a gente pode fazer o lance dos porcos e…
- Uma coisa de cada vez cara – cortei Connor, e virei para os caras do time – Amanhã a gente começa que ainda tem que comprar a tinta e as bexigas, quem der pra trás ou abrir a boca vai se foder comigo! - deixei bem claro.
- Segura a onda ai tigrão, tá achando que isso é alguma operação arriscada? - zombou me fazendo rir.
- Não sei pra que fui te ensinar a ter bom humor.
- Ei, eu sempre tive bom humor, eu só fazia questão de te chamar de sem graça – deu de ombros.
- Tudo pra não confessar que eu sou maravilhoso – respondi, e me virei para que estava abraçada com Connor. Niall olhava para os dois como quem tivesse levado um soco e eu não entendia, ele sempre falava que entre os dois era só amizade, mas morria de ciúme, ao mesmo tempo que exigia essas coisas de , ele ficava de graça com Lia, mas como eu não tenho nada a ver com eles apenas deixo os dois nessa palhaçada. - Você vem comigo – segurei no braço de , vendo ela me olhar com dúvida.
- Eu te empresto ela cara – Connor sorriu.
- Ela não é um objeto pra ser emprestada e, com certeza, não precisa da sua permissão pra sair daqui – respondi, andando e esperando me seguir.
- Louis! - ela gritou irritada, enquanto Niall ria da minha resposta. Continuei andando lentamente para que ela me alcançasse, eu estava indo em direção as piscinas e ela sabia, era sempre nosso local de conversas. - Precisava daquilo? Eu sei que você é um babaca, mas pelo amor de Deus né…
- Eu não gosto dele e todo mundo sabe, não vou ficar fingindo só porque você anda enfiando a língua na garganta dele.
- Você é ridículo – fez careta.
- Mas não te chamei pra falar sobre como eu odeio seu namoradinho, eu queria saber se você viu a esses dias, ela só tá falando com você – falei, sentando em uma espreguiçadeira e a chamando para sentar comigo. - E pra perguntar do seu irmão – falei lentamente. sempre evitava falar disso e já fazia uma semana que a mensagem de que ele estava chegando no internato havia sido recebida.
- Vi, ela não tá muito bem, mas não vou dar detalhes, Louis, ela me pediu pra ficar quieta – falou, se encolhendo e ignorando a segunda pergunta.
- Nós somos amigos dela, , temos o direito de saber…
- E ela tem o direito de querer esconder. É a vida dela, os problemas dela – esticou as mãos para o alto – Ela precisa de ajuda, mas no momento vocês só tão piorando tudo.
- Desculpa? - falei, sem entender de onde vinha aquele ataque.
- Por acaso algum de vocês tentou conversar diretamente com ela em vez de ficar me pedindo pra levar recadinho? Alguma das meninas saiu do próprio mundinho pra ver como ela tá? - falou, mostrando a irritação na voz – Ela tem o direito de estar chateada e não querer contato nenhum e eu não posso interferir nas decisões dela. Vou ajudar no melhor que puder, mas vocês vão começar a se mexer.
- Nossa grossa – fiz careta – Por isso sou seu amigo, joga as coisas na minha cara, não é agradável.
- Por isso ninguém te suporta – mostrou a língua, me fazendo rir.
- Eu to preocupado mesmo com ela, acredita que ela mandou a ir pro inferno? Em espanhol – falei, mostrando o absurdo – Ela só xinga em espanhol quando tá muito puta – olhei para baixo – Mas e seu irmão?
- Ai não, sério, esse assunto não.
-
- Louis… - fechou os olhos – Nós nunca fomos próximos, não fomos criados juntos porque a mãe dele foi só um lance que meu pai teve, ele me odeia e ponto final.
- Quero detalhes.
- Outra hora porque agora você precisa dar o fora daqui e ir comprar os balões, já tá ali esperando e ela odeia esperar, então corre meu amigo – bateu no meu ombro e saiu correndo.
- Volta aqui sua… Essa menina só dá a volta em mim, não gosto disso – falei sozinho, enquanto ia encontrar com . Ela sorriu e me deu um selinho, mas não fiquei satisfeito e dei um beijo de verdade, fazendo com que as pessoas ao redor encarassem sem entender quando havíamos parado de nos atacar e começado a nos beijar. Segurei na mão dela e andamos juntos em silêncio.
Olhei para o lado a observando quando entregamos nossa autorização para sair do internato e saímos pelo portão. parecia tranquila, mas eu sabia que não estava, sua amizade com estava abalada e ninguém havia falado o real motivo, todos achavam que era por causa daquela foto com Liam, que ela já havia explicado para o grupo inteiro não ser realmente um beijo. Resolvi pedir sua ajuda para comprar todas as coisas só para tirá-la um pouco daquele lugar, ir na cidade e relaxar. Pegamos o trem e ela ia falando de uma banda que ela gostava, me falava sobre cada integrante e a inspiração das músicas.
- E porque você parou de escrever? - perguntei, saindo do trem e a ajudando a descer.
- Ah, foi meio gradativo. A vida começou a ficar corrida, eu fiquei sem tempo e as músicas pararam de ser escritas – deu de ombros.
- Agora é um bom momento, aposto que você tem muito pra dizer – passei meus braços em sua cintura e entrei com ela em uma loja. Pegamos as bexigas e escolhemos as cores das tintas em silêncio, e então voltei a falar - E ai você vai me mostrar todas as letras e eu vou escolher as melhores, ai quando eu tiver uma banda vou te largar e usar suas letras. - comentei, entrando na fila para pagar as coisas.
- Primeiro de tudo: quem disse que vou te mostrar alguma coisa? E se você roubar minhas letras eu te processo – ela apontou.
- Eu uso meu charme contra você, funcionou bem até agora – mordi a bochecha dela, fazendo-a sorrir e rir, chamando atenção de algumas pessoas, mas quando ela percebeu que estavam ignorando acabou diminuindo a risada e adotando aquela postura de menina perfeita. Por isso revirei os olhos e lambi o rosto dela, vendo que ela ia abrir a boca para reclamar, e na mesma hora comecei a fazer cócegas, tirando risadas altas dela, fazendo as pessoas da loja olhar novamente, alguns fazendo careta, outros rindo junto, e dessa vez ela em tentou controlar as risadas.
- Para, tá todo mundo olhando – falou entre as risadas.
- Deixa olhar – dei de ombros, e parei com as cócegas apenas para abracá-la – Você tá se divertindo, não tem nada demais em mostrar isso.
- Nojento – passou a mão onde eu havia lambido, e retribuiu a lambido, me fazendo rir e balançar a cabeça. Enfiei minha mão no bolso de trás do short dela, vendo que ela reclamaria, porque aquela mulher só sabia reclamar – Nem começa – coloquei minha boca em cima da dela, e mordi seu lábio – Te desafio a ficar um dia inteiro sem reclamar, amanhã – falei, separando nossas bocas.
- O amor jovem é tão bonito – o senhor que estava no caixa falou – Tão apaixonados, é bonito de ver – falou, nos olhando e me fazendo rir. parecia sem graça, ela tinha essa mania de sempre ficar sem graça conversando com quem não conhecia porque para ela ter intimidade com alguém era difícil, tudo causado pelo abandono da mãe.
- Nós não…
- Sabemos como agradecer, muito obrigado senhor – sorri, vendo ela me olhando confusa.
- Não deixa a moça escapar, ela é muito bonita e adorável.
- Ah sim, muito bonita, adorável então nem se fala – olhei para cinicamente, recebendo um beliscão em resposta. Pagamos o senhor e saímos, ela com a cara fechada e eu me divertindo. Acho que nunca me diverti tanto com uma garota, era divertido ver as reações de , como ela lutava para se controlar, mas acabava cedendo, era engraçado ver como ela respondia ao que eu fazia e como aquela cara zangada se abria em um sorriso. - Vem, eu pago um sorvete pra você ficar mais feliz – segurei sua mão.
- Não vale usar meu maior amor contra mim – fez bico, mas logo sorriu e me puxou pela mão para escolher o que queria, e um simples sorvete fez a garota que sempre queria parar uma mulher controlada parecer uma criança. Enquanto ela comia aquilo como se fosse a coisa mais maravilhosa do mundo, Valerie e Rebbeca apareceram na nossa frente, a fazendo travar.
- Olha só Chuck e a escrava de chuck.
- Chuck não tem escrava, Louis – balançou a cabeça.
- Foda-se, elas são horríveis de qualquer forma – dei de ombros.
- Eu não era horrível quando você tentava me pegar – Valerie falou, passando a língua na boca e me fazendo revirar os olhos.
- Acho fofo você tendo sonhos comigo porque é claro que isso nunca aconteceu. Fala logo o que quer e mete o pé.
- Saber se tá tudo bem entre a e a , uma amizade tão bonita não pode se despedaçar, certo? - Valerie falou, tirando risadas de Becca, enquanto respirava ofegante. Ela estava ficando nervosa e isso podia desencadear outra crise, já fazia uma semana que ela estava tranquila.
- Você deixou cair uma coisa – falei, vendo as duas olhando pro chão.
- O quê? - Becca procurava.
- Sua moral… Junto com sua máscara, dignidade, aquela famosa adoração que você achava que todos tinham, nossa se eu começar a lista vai ser eterna, então deixa só eu terminar falando quão insignificante você é completando com o grande foda-se que deram pra sua volta. Vai pagar de gostosa longe daqui porque você não é mais novidade e ninguém se importa com uma garota mimada – dei de ombros, vendo Rebbeca abrir a boca surpresa.
- Se eu fosse você me tratava muito bem, Louis – Valerie sorria de forma fria – Nós não queremos machucar ninguém né? E desde quando você é amiguinho justo da mosca morta da ?
- Na verdade eu quero machucar alguém – levantou a mão, olhou para a mesma, olhou para Valerie e em seguida sua mão foi de encontro com o rosto da garota, que ficou parada no mesmo lugar tentando processar o que havia acontecido. – Agora eu to bem – sorriu, virou as costas e saiu andando.
- Isso não vai ficar assim – Valerie jogou o cabelo.
- Para com os comentários clichês de meninas malvadas e vai passar uma maquiagem, os 5 dedos da vão demorar pra sair dai. E se liga, isso vai ser cada vez mais constante, as pessoas cansaram de você, continua provocando que tapa na cara é o que você mais vai levar – sorri, e virei as costas – E você fica longe da , ou a próxima vai ser você, a mão das meninas tá coçando pra encontrar seu rosto – pisquei e fui atrás de , que realmente parecia mais leve.
- Eu sou contra violência, mas… Louis, eu descobri umas coisas sobre minha mãe por causa daquela palhaçada que ela fez – olhou para o chão, andando na minha direção e acabou esbarrando em mim, fazendo meu sorvete ir de encontro a sua blusa – GAROTO, VOCÊ TA LOUCO?
- Você que tá andando ai de cabeça abaixada, louca tá você – fiz careta ao ouvir os gritos.
- Nossa, eu te mato – falou, pegando o sorvete e passando no meu rosto
- Você precisa esfriar a cabeça – joguei meu sorvete no cabelo dela, que abriu a boca e gritou, começando a correr atrás de mim, mas acabou tropeçando e caindo. Fui rindo até onde se encontrava, pensei que ela estaria emburrada, mas para minha surpresa também estava rindo. Estiquei minha mão para que ela se levantasse, e assim que o fez senti meu rosto sendo lambuzado pelo sorvete que ela carregava e espalhando com a mão no meu rosto inteiro. Olhei para ela que ria como uma criança que sabe que aprontou, com a língua entre os dentes.
- Você que começou – levantou os braços.
- Ta mais calma, pelo menos? - perguntei, a segurando pela cintura e esfregando meu rosto no dela, que fez careta, mas não reclamou uma vez
- To, só curiosa pra saber o que ela vai fazer, porque ela não vai deixar assim – suspirou, mas não prolongou o assunto.
- Vamos voltar? Ainda tenho que conversar com a – fez bico, não resisti e mordi seu lábio, percebendo que ela estava menos resistente.
- Certo, vamos, mas antes você precisa limpar isso – falei, esfregando o sorvete que eu tinha passado em seu cabelo, deixando tudo ainda mais melado.
- Eu te odeio – revirou os olhos e saiu andando na minha frente.
- Isso podia até ser verdade no passado, mas agora que você passa a maior parte do tempo com a língua enfiada na minha boca nós sabemos que é mentira – gritei, fazendo algumas cabeças se virarem, enquanto ela apenas mostrava o dedo do meio e me ignorava.

Zayn

Tentei muito me concentrar em encontrar uma solução para Liam, mas eu não conseguia e aquilo só me deixava irritado; tentar ajudar um amigo e não ter a menor ideia de como fazer isso, então levantei da cama e fui sai do dormitório indo até meu ponto e de . Ela estava ali e parecia tranquila como não ficava a muito tempo. Estava meio frio e o vento batia fazendo o cabelo dela balançar, seus olhos estavam fechados e uma serenidade parecia tomar conta da minha amiga. Sentei ao seu lado e ela abriu os olhos me analisando e sorrindo.
- Ta feliz, né? - perguntei, acendendo o cigarro e levando até a boca.
- Eu nem sabia que podia ficar feliz assim – riu fraco – É estranho né? Eu nunca quis me abrir pra ninguém, muito menos pro Harry. Quando as aulas começaram que ele tentava se aproximar de todas as formas eu fazia de tudo pra afastar o cara.
- Mas ele é teimoso!
- Mas ele é teimoso – concordou – Eu só não quero ele achando que pode resolver todos os meus problemas sabe? Ter complexo de super-herói não vai rolar comigo, eu não quero ninguém achando que precisa me salvar.
- Ele só quer ajudar. Todo mundo sabe como você é independente.
- Bom que saibam mesmo – riu – E seu pai?
- Me infernizando pra tomar conta das coisas da família, já falei que não vou.
- Mas vocês não fizeram um acordo?
- Se eu entrasse na linha esse ano ele me deixaria escolher se queria ou não fazer faculdade e qual curso, por enquanto tá tudo tranquilo, mas vira e mexe ele vem com umas ideias de que eu preciso continuar o negócio da família e essas porras – cocei o nariz – Minha mãe tá vindo ai daqui duas semanas e quer almoçar comigo, to até vendo que ela falando que eu devia voltar com a Rebbeca e tentando enfiar a ideia do meu pai goela abaixo.
- Uma hora eles entendem que você não foi feito pra ficar sentando em um escritório.
- É, espero, porque tá foda ter que ouvir sempre a mesma coisa.
- E o que aconteceu com a ? O que você fez com a minha neném, Zayn? - perguntou, cerrando os olhos. Ela estava colocando todos os assuntos em dia e eu não conversava assim com mais ninguém além de , então não me importava com as perguntas.
- Eu não sei, tava tudo bem sabe? E ai do nada ela falou um monte de coisas sobre ter medo de ser uma brincadeira pra mim, que tá confusa, que tá destruída e fingindo estar feliz. Depois disso ela fugiu e ai a Rebecca foi falar um monte de merda pra ela, de repente ela passou a evitar todo mundo, menos a Louise – respirei fundo.
- Você tentou falar com ela? - perguntou, mordendo o lábio.
- Não! Eu mandei uma mensagem aquela noite, ela ignorou e depois não olhou nos meus olhos. Eu entendi o recado – dei de ombros.
- Deixa de ser tapado – deu um tapa na minha cabeça – Quando ela fala que não te quer atrás é quando ela mais quer.
- Que? - eu estava realmente confuso. apenas revirou os olhos e me olhou entediada.
- Porra, você é um dos caras que mais fica com meninas por aqui e não aprendeu lidar com nenhuma?
- Eu não precisava me preocupar com elas
- Certo, vou ignorar isso! Cada pessoas reage de uma forma a investidas, a foge.
- Tem como ser menos óbvia? - soltei a fumaça, olhando para frente.
- Olha, você me respeita que eu to te ajudando, ogro – deu um tapa na minha nuca – Você foi com muita sede ao pote se tratando da . Um dia vocês quase não se falavam, no outro você tá me dizendo que ela tá diferente do ano passado e do nada você tá agarrando a garota, imagina como ela ficou confusa? Aconteceu tudo muito de repente e todo mundo notou algumas diferenças nela esse ano, mas ninguém sabe o motivo e eu acho que você sabe – apontou para mim – A é uma mulher, mas também é uma criança, ela é totalmente confusa e você tem que ter tato com ela. Se ela se sente acuada, ela foge, e se ela fala que não quer te ver, ela quer te ver. Se ela fala que não quer conversar, ela tá morrendo pra conversar, mas não quer parecer louca por atenção.
- Então quando ela fala uma coisa ela quer dizer o contrário?
- Não em todas as situações, mas quando se trata do emocional dela é basicamente isso. Ela não gosta de conversar, não gosta de contar o que tá sentindo, mas quando ela fala que não quer se abrir é quando ela mais precisa – deu de ombros.
- Vou tentar falar com ela de novo, mas acho que vou ficar ainda mais confuso – falei, vendo rir, mas parou de rir assim que o celular tocou. Assim que ela olhou na tela seus olhos arregalaram, espiei para saber do que se tratava e tive que desviar rapidamente.
- Vamos falar com a – balançou a cabeça – É coisa da Valerie, desde que ela voltou que essas merdas acontecem – respirou fundo, tentando conter a irritação.
- Vamos! - a abracei pelos ombros e fomos caminhando em silêncio. está sendo atacada, elas atacaram também, seria questão de tempo pra tentarem infernizar todas as meninas e eu não queria nem ver no que daria. As meninas andam ignorando tudo isso, mas eu sei que uma hora todas vão explodir e eu não quero nem ver a guerra que isso vai dar.
Chegamos no dormitório feminino e eu sabia que daria problema se eu entrasse sem a autorização da Jojo, mas eu precisava conversar com e saber se estava bem; a resposta era bem óbvia, mas como amigo eu precisava checar.
- […] sério , minha vida acabou nesse internato, para de me ignorar e presta atenção – choramingava para quando entramos no quarto. Mesmo dividindo o quarto com e Louise, sempre estava no quarto de e ou em qualquer lugar que tivesse pessoas.
- Sua vida não acabou – falou, sem prestar muita atenção em .
- Acabou sim e você não tá nem ai. O que tá acontecendo, ? Você anda tão egoísta essa semana.
- Calma, você acabou de me chamar de egoísta? - despertou do nada e se levantou – Eu? EU? Eu que to sempre tomando conta de todas vocês, sempre escutando todas as reclamações, sempre tentando animar todo mundo, sempre dando conselho, sempre carregando vocês nas costas sem abrir a boca? Yo? Pasarse de la raya, ! Você passou dos limites.
-
- No no no no, sem , pra cima de mim – falou, movendo os dedos e a cabeça, seu sotaque estava cada vez mais forte – EU CANSEI! - gritou – Cansei de sempre ser a amiga que tem que prestar atenção em todas vocês. Por acaso você perguntou como eu to? Quer dizer, perceber que eu to “egoísta” você percebeu, mas em algum momento você SE perguntou ou ME perguntou o motivo? - falou, permaneceu quieta e ela apenas riu – Exatamente. A única egoísta aqui são vocês. Sempre presas no próprio mundinho, sempre arranjando brigas ridículas e achando que é o fim do mundo, e eu sempre aqui sofrendo quieta porque vocês são estúpidas demais pra perceber quando uma amiga precisa. O grito por ajuda em silêncio é o mais forte que tem, e eu to dando esse grito desde que esse semestre começou, mas vocês estão pouco se fodendo, então eu não vou me desculpar por querer que todas vocês vão se foder. Eu não sou egoísta, . Eu só cansei de cuidar de todo mundo e não receber nada em troca, então se isso tá te incomodando imagina como é aguentar isso desde o começo dessa amizade – virou as costas e viu a encarando sem saber o que falar, olhou pra mim e abaixou a cabeça sem me encarar, desviou de nós dois como se tivéssemos alguma doença contagiosa e saiu, esbarrando em Delphine, Lia e Nina no caminho.
- Não chora, , eu sei que tá difícil
- Ta falando de que, garota? - foi rude pela primeira vez na vida.
- Esse mês tem 5 planetas em retrógrado.
- Que porra isso significa? - cruzou os braços.
- São 5 planetas andando pra trás, por isso parece que tudo tá indo na direção errada! Mas mês que vem tudo melhora, não precisa se preocupar – Delphine encostou em , que se esquivou do toque.
- Isso é coisa de gente idiota que tenta colocar a culpa das coisas em algo maior. Tudo tá dando errado e não é por causa das suas merdas de planeta, é porque as pessoas são nojentas, e me deixa em paz – saiu batendo o ombro no de Delph.
- A dá medo quando tá nervosa sabe? Ela é um amor a maior parte do tempo, mas nas raras vezes que ela tá irritada é assustador – Delphine explicou para as meninas que estavam com ela – Ela acredita nos planetas, só tá irritada, fiquem tranquilas, eu não me senti ofendida – sorriu, e olhou para frente nos vendo. - Oi gente, acho melhor alguém ir falar com ela – acenou, e desceu as escadas nos deixando ali sem entender o que havia acontecido.
- A foto – falou.
- Nós realmente somos egoístas quando se trata da sentou na cama, ignorando o que havia falado – Eu não perguntei uma vez como ela tava essa semana mesmo percebendo que ela tava distante.
- Todos nós fizemos isso – Ally se sentou ao lado de , que encostou a cabeça no ombro da morena. Balancei a cabeça percebendo que eu também havia feito aquilo, mesmo depois dela falar que estava acabada e que andava se escondendo atrás de sorrisos. Dei as costas e vi as meninas me olhando confusas.
- Alguém tem que falar com ela e eu vou porque eu preciso entender umas coisas – falei – Ah, e a gente dá um jeito nisso, , não vai ficar assim – fui até as meninas dando um beijo na testa de cada uma.
- Jura que não? - perguntou, se encolhendo um pouco.
- Ele eu não sei, mas eu juro – Harry falou – Eu vou acabar com quem fez isso –Harry falou, se sentando ao lado de e perguntando como ela estava.
O primeiro lugar que procurei foi no estúdio de dança, mas era óbvio demais, então procurei aquele internato do começo ao fim e não achei aquela latina louca em lugar nenhum. Sentei em uma das espreguiçadeiras da piscina e fiquei pensando onde ela poderia estar, lugar nenhum vinha na cabeça, até olhar para a trilha que subia depois do celeiro. Lá no começo, quando tudo estava bem entre todos e ela nos tirou da festa e nos levou até a cachoeira, o dia em que Louise quebrou o pé por causa de Louis e o dia em que passei a ver de outra forma. Respirei fundo e comecei a seguir o caminho torcendo para estar indo para o lado certo, tive a confirmação quando ouvi o barulho de água caindo e vi uma pessoa sentada com os pés na água, ela estava toda molhada e tremendo um pouco, mas não parecia se importar.
- Você vai deixar todo mundo louco – sentei ao seu lado, ela se assustou pois estava tão concentrada nos próprios pensamentos que não me ouviu chegando. Me ignorou e voltou a olhar para frente – Desculpa não ter falado com você durante essa semana, eu não sabia o que fazer…
- Você não tinha que fazer nada – fungou, sua expressão estava tão triste que doía não saber o que fazer.
- Tinha. Você me contou coisas que não queria contar pra mais ninguém e eu disse que estaria aqui, fiz exatamente o oposto. Me desculpa por isso? - perguntei, sentando mais perto, ela mordeu o lado de dentro da boca e apenas concordou com a cabeça – Quer conversar sobre o que aconteceu agora pouco?
- Eu só cansei, Zayn – me olhou novamente – Nada deixa uma pessoa mais exausta do que colocar um sorriso no rosto quando a única vontade que ela tem é de desaparecer – respirou fundo – Eu não aguento mais deixar as pessoas pisarem em cima de mim, eu não sei mais o que fazer.
- Porque você não começa ser sincera da forma que é comigo? - perguntei, mantendo o contato visual.
- Porque eles não me escutam que nem você – levantou os ombros – Você escuta até o meu silêncio, eles não escutam nem quando eu to gritando. Elas só me percebem quando precisam de mim, só que eu to cansada de ser sempre a amiga esquecida que só é lembrada quando precisam desabafar ou precisam de um favor. Se sentir invisível mata as pessoas aos poucos.
- Então porque você quer me afastar se você sabe que eu te enxergo? - perguntei, levantando o queixo dela, para que ela me encarasse.
- Já te falei, eu tenho medo – falou, como se fosse óbvio.
- Eu não vou te machucar, .
- Já tá machucando, Zayn – balançou a cabeça – Eu não sou quem você acha que eu sou, eu não sei o que você criou na cabeça, mas eu sou louca – riu fraco, me fazendo rir junto – Eu sou insegura, eu não me acho boa o suficiente pra ninguém e pra nada, muito menos pra você, eu tenho tantos medos e minha falta de confiança tá começando atrapalhar minha vida, eu deixo de fazer coisas e…
- Para de ter medo de viver, você é quem tem mais coragem entre nós e você sabe disso. Ter medos é normal, você só não pode deixar que isso confunda sua cabeça e te faça perder a vontade de viver. Para de me afastar porque eu vou continuar voltando, – falei, segurando seu rosto entre minhas mãos – Eu sei que o que a louca da minha ex falou tá na sua cabeça, mas ninguém tem o direito de falar por mim – aproximei meu rosto do dela, sentindo sua respiração ofegante – Eu não vou deixar você ficar fugindo de mim, garota.
- Eu não quero fugir, é uma reação automática – mordeu o lábio – Promete pra mim que isso não é uma brincadeira, Zayn. Eu já me sinto um lixo, se for tudo uma mentira eu não vou aguentar…
- Tira aquela aposta da sua cabeça – falei, roçando meus lábios no dela – Eu nunca brincaria assim com uma pessoa, se eu to aqui é porque eu quero, e se eu to insistindo tanto é porque sei que vale a pena – mordi o lábio inferior dela – Você é sim doidinha e complicada, mas eu gosto de desafios – falei, vendo que ela sorria.
- Eu nem tenho forças pra te afastar, Malik – falou, tomando atitude pela primeira vez e dando um selinho em mim, que se transformou em um beijo. Não sei quando aconteceu, mas estava no meu colo, sua pele fria e molhada dava choques na minha que estava quente, ela estava toda arrepiada, eu sabia que era pelo frio, mas esperava que o beijo também tivesse algo a ver com isso. Da mesma forma repentina que ela veio parar no meu colo, ela saiu quando sentiu minha mão debaixo da sua blusa. - Desculpa, eu sou pesada – fez careta, me fazendo revirar os olhos.
- Primeiro nós resolvemos seu problema com as meninas – falei, passando meu dedo nos lábios dela que tremiam e estava meio roxos – Depois nós resolvemos esse seu problema de achar que eu me importo com essa sua insegurança boba – beijei sua testa. - Mas primeiro nós vamos voltar pro internato e tomar um banho pra você não pegar uma gripe – me levantei e estiquei minha mão para ela. olhou por alguns segundos pra minha mão e eu sabia que era a forma dela de decidir se ia querer minha ajuda mesmo ou não, mantive minha mão esticada e a movi para que ela a segurasse, e quando senti sua mão pequena e fria se fechando contra a minha, soube que ela pararia de fugir; pelo menos por enquanto.
- Já tá me chamando pra tomar banho, você me respeita que eu não sou…
- Pronto, a louca voltou. Que bom saber que meus beijos fazem isso com você – falei, andando na frente e passando o braço dela pelo meu ombro.
- Não faça com que eu me arrependa – ela sussurrou, sorri fraco sabendo que seria difícil tirar essa ideia da cabeça dela.
- Não vou! - garanti, apertando sua mão e andando um pouco mais rápido. Precisava cuidar dela e ensiná-la a cuidar de si.

Capítulo 21

Niall

Depois da festa Lia grudou em mim. Não sei se ela teve a ideia errada por tê-la convidado, ou pelo selinho – que foi acidental, já deixo bem claro. Foi no fim da noite, levei a garota até seu dormitório, na hora de dar tchau rolou aquela confusão do rosto ir pro mesmo lado, ir pra lados diferentes, os lábios se tocaram brevemente e ela ficou sem graça. Agora ela se aproxima a cada oportunidade e eu não quero ser grosseiro, ela é uma garota legal, só está confundindo um pouco as coisas.
se trancou no quarto depois da foto, e falaram com ela e depois foram conversar, eu fui até a quadra de golfe ver o pessoal jogar e ignorar todo mundo. Todo mundo acha que eu sou o cara mais tranquilo que tem, também acham que eu amo estar rodeado de pessoas, na maioria das vezes gosto mesmo, mas também curto ter um tempo só pra mim, pensar um pouco na vida e todas essas coisas. Fiquei ali vendo os caras jogando e até arrisquei umas jogadas, era até legal aquilo, quem sabe eu não tento um pouco mais? Eu sentia falta de fazer parte do time de futebol, sentia falta de praticar algum esperte. me aconselhou a procurar algo que eu gostava e, a música me dava o que eu precisava, liberdade pra me expressar, lidar com sentimentos e todas essas coisas, mas eu sentia falta da adrenalina que o esporte me proporcionava, eu precisava encontrar algo que preenchesse o espaço que o futebol havia deixado.
- Nossa, que difícil te achar criatura, quando você quer sumir você realmente some – apareceu do nada com o uniforme do vólei e se sentou ao meu lado – Hoje o treino foi um desastre, sem a lá foi um saco – fez bico.
- Mas deu tudo certo? O jogo é esse fim de semana…
- Eu sei, se ela não se concentrar nós vamos perder e aquele internato nos odeia, elas vão tentar acertar minha cabeça com todas as bolas, tenho certeza – cerrou os olhos me olhando – O que você tá fazendo aqui? - olhou em volta.
- Um dos caras da minha aula de biologia me chamou pra ver o treino deles outro dia, agora que não to fazendo nada resolvi aceitar – dei de ombros – Até curti, quem sabe não tento?
- Golfe é coisa de velhinho – zombou, colocando a língua pra fora.
- É difícil, eu tentei fazer umas jogadas, tenta depois e ai você me fala se é coisa de velhinho – imitei sua voz e ela fez careta.
- Eu não falo assim – me empurrou – Então… Por acaso você tem alguma ideia de quem era o carinha do baile? Ninguém falou nada com você?
- Puta que pariu, , ainda nisso? - falei, revirando os olhos – Você tá obcecada, só fala desse cara o tempo inteiro.
- Não precisa ser rude também – revirou os olhos – Eu vou tomar banho, te vejo quando você esfriar a cabeça – sorriu e saiu andando, enquanto meu olhos seguiam seu quadril, ai tive que lembrar que ela era minha amiga que estava obcecada com um carinha que nem sabia quem era. Bufei e levantei indo procurar , aparentemente ela havia brigado com , Liam mandou uma mensagem pedindo pra ver se eu a encontrava. Liam era outro que estava todo estranho, todo mundo tava estranho e eu não faço a menor ideia do que tá rolando com essas pessoas. É extremamente complicado se manter atualizado quando tem briga entre a e a o tempo inteiro, mas agora a ? Ela nunca arranja briga, só quando tá muito cansada mesmo, e o Liam, ele meio que se fechou essa semana e eu sei que não tem relação com o lance dele com a , é alguma coisa pessoal. Eles acham que eu não presto atenção, mas sempre sei de tudo que acontece. Sou tipo a Delphine, mas menos assustador.
- Niall – Lia me despertou, eu já estava no meio do campo que atravessa do dormitório masculino pro feminino – Tudo bem?
- Tudo, Lia, e ai? - sorri, vendo a garota ruborizar.
- Tudo… Você viu o Connor? Ele ia me encontrar mais tarde pra gente ir jogar boliche, mas não consigo encontrar em lugar nenhum.
- Provavelmente colado na – revirei os olhos, vendo a cara de confusão que ela fazia – Eles não desgrudam desde a festa. Inclusive, por acaso você sabe se ele participou daquele jogo das fantasias?
- Não que eu saiba, ele não comentou nada comigo – falou, concordei com a cabeça lembrando a conversa que tive com ele, mas repassaria essa informação, quem sabe ela parar de encher meu saco sobre o cara misterioso que beija super bem. – Você quer ir jogar boliche com a gente? - mudou de assunto rapidamente, olhando para baixo.
- Pode ser, vou avisar a galera – sorri, vendo que ela não parecia tão animada – É todo mundo né? Os caras, as meninas e tal?
- Claro que é – riu – Acho que até a Delph e a Nina vai, a pode chamar aquela amiga dela, Jesy né? Se você ver o Connor avisa que eu to procurando? - pediu, estralando os dedos.
- Pode deixar, aviso sim – sorri, ela fez menção de vir para frente, mas acabou ficando no mesmo lugar, riu meio nervosa e desviou de mim, andando rapidamente para o dormitório dos meninos. Ri da falta de jeito da menina e balancei a cabeça. Quando cheguei no dormitório vi Jojo na sala de convivência, ela me olhou e veio até onde eu estava, já arregalei os olhos esperando a bronca, mas ela apenas balançou a cabela.
- Harry me explicou o que aconteceu e só por isso todos vocês vão poder ficar no quarto, mas deixa a porta aberta e eu to indo lá de 20 em 20 minutos.
- Jojo, sabe quanta coisa pode acontecer em 20 minutos?
- Niall Horan, você não me irrita – a mulher falou, colocando a palma da mão pra cima – To louca pra dar uns tapas na bunda de vocês.
- Isso é assédio, mulher! - brinquei, vendo Jojo fechar os olhos e respirar fundo – Mas não vim pro quarto da não, por algum acaso aquela latina louca voltou?
- Não, todo mundo tá me perguntando da hoje, o que ela aprontou?
- Ela só sumiu, tipo, já faz quase 2 horas – cocei a parte de trás da cabeça.
- Já to de volta, respirem – apareceu gritando, olhei para onde ela estava e Zayn se afastar em direção ao dormitório masculino.
- Vocês vão me deixar de cabelos brancos – Jojo falou, e afundou no sofá novamente. me chamou com a cabeça, fui na mesma hora querendo saber o que tinha acontecido. Ela resumiu o que tinha falado para e contou com detalhes o que aconteceu na cachoeira. Eu entendia o sentimento dela, sempre via as meninas subestimando a capacidade de de ficar triste, elas achavam que minha melhor amiga só tinha um sentimento e que sua felicidade era infinita, mas ninguém é feliz o tempo inteiro, nem . Se ela explodiu foi porque cansou de vez, só tinha medo do que aconteceria para frente. é um amor, mas quando está nervosa ela assusta, ela te trata de uma forma tão fria que você se sente invisível, a morena consegue fazer você se sentir um bosta e no momento nós precisamos nos unir.
- Você vai conversar com a ? - perguntei, sentando no degrau e entregando minha jaqueta para que ela se protegesse do vento.
- Não vou atrás – balançou a cabeça negativamente – É pra valer, se elas querem ser minhas amigas vão ter que mostrar que se importam, eu já mostrei demais e to cansada.
- , não é bom ser orgulhosa…
- Não é orgulho, Niall, é amor próprio. Você que sempre diz que eu tenho que me amar, to fazendo isso.
- Eu apoio a sua decisão se isso for realmente o que você quer. Se essa decisão te magoar, então eu já não vou conseguir apoiar.
- Tava me magoando esconder, isso que você não tá entendendo. Guardar aquilo tava me sufocando.
- E agora você tá melhor?
- Em partes. É ruim saber que elas nunca mudariam se eu não tivesse dado uma de louca – abaixou a cabeça.
- E o Zayn? - sorri, apertando sua barriga, fazendo ela rir e se esquivar.
- Eu tenho medo, mas cansei de ter medo e deixar de viver sabe? Vou ver no que dá, se eu quebrar a cara então eu quebro a cara dele – falou, me fazendo rir ainda mais.
- Você contou pra ele da clínica?
- Contei, só vocês dois sabem, e vou falar com a também. Ela foi a única das meninas que percebeu que tinha alguma coisa errada – me olhou sorrindo.
- Ela é uma boa pessoa né? - sorri.
- Niall, você tá dividido entre a Lia e a ? - falou, me fazendo olhá-la na mesma hora.
- Ta louca? A é minha amiga, converso sobre tudo com ela. E a Lia é fofa, ela deve tá confundindo as coisas, mas eu to tranquilo.
- Sei, tranquilo – balançou a cabeça e se levantou – Vou tomar banho, te encontro depois – bagunçou meu cabelo e se afastou. Fiquei sentado ali sem forças pra lidar com aquele drama das meninas, mais tarde eu falaria com elas, resolvi ir até meu dormitório falar com Zayn, ele precisava me explicar essa história com a .
- […] e se você machucar ela eu vou fazer questão de arrancar suas bolas – falava para Zayn com as mãos na cintura.
- Eu não vou…
- Você foi mais rápida – entrei no quarto, chamando atenção dos dois.
- Vocês dois tão me assustando, eu não vou fazer nada com ninguém, e nem me olha assim, Niall. Eu to afim da sua amiga sim, não vou brincar com ela, por que todo mundo acha que eu não a levo a sério?
- Porque Zayn, você tem essa pequena fama de ficar com as meninas e nem lembrar o nome depois.
- Algumas eu não lembro mesmo, mas não são todas e, pelo amor de Deus, vocês acham mesmo que eu faria alguma coisa justo pra ? Sem falar que nenhum de vocês tem que se meter na nossa vida, então saiam – se levantou abrindo a porta e apontando para fora – Bando de maluco
- Fica esperto, Malik – apontei para meus olhos e depois para ele, que apenas balançou a cabeça com cara de tédio e esperou que saíssemos do quarto. Fiquei em silêncio vendo andar até o quarto que eu dividia com Connor já que Liam dividia com Zayn, e Louis com Harry.
- Nunca entrei no seu quarto – falou olhando ao redor – É menos bagunçado do que imaginei – falou, mexendo nos bonequinhos que tinham por ali.
- Não sou tão bagunçado assim.
- Mas é um garoto, tá na genética de vocês serem desorganizados – falou, mexendo no guarda-roupa, ela estava rindo e me zoando como era rotina, mas parou de rir quando achou alguma coisa – Niall, onde você tava na hora do jogo lá?
- Porra, , de novo essa história? - falei, passando as duas mãos no rosto.
- Só me responde…
- Ta achando que sou eu? - falei, andando até ela, que ainda estava de costas para mim – É isso? Ta achando que eu que te beijei e agora você não consegue parar de pensar naquilo? - perguntei, a virando para mim e encostando meu corpo no dela, que me olhava assustada, enquanto apertava sua cintura – E se for? O que você vai fazer a respeito? - sussurrei, aproximando meu rosto – Vai finalmente parar de pensar nisso?
- Eu to falando sério – lambeu o lábio, e olhou para baixo – O que isso tá fazendo no seu armário? - falou, colocando a máscara vermelha entre nós dois.
- É só uma máscara, não é nem minha – falei, vendo a garota mordendo o lábio e balançando a cabeça
- Tava no seu armário – respirou fundo – Eu te perguntei tanto quem era, você podia ter falado que era você, eu não ficaria nervosa – fechou os olhos – Mas o perfume… - franziu o cenho e se aproximou, seu nariz foi de encontro a meu pescoço e os arrepios foram involuntários – Não é o mesmo – falou no meu ouvi e encostou a cabeça no meu ombro – Eu to confusa aqui, dá pra me explicar?
- Não sou eu, sinto muito – falei, sentindo a cabeça dela deixando meu ombro e seus olhos fitando o meu.
- Só tem um jeito de ter certeza – falou, mordendo o lábio e olhando para cima. Respirou fundo e olhou para baixo, ela parecia lutar internamente com algo e eu sabia o que era no momento que sua cabeça começou a se aproximar de mim, seus olhos fixos na minha boca enquanto eu sentia sua respiração no meu rosto. Eu não a pararia, queria aquele beijo, os motivos dela eram diferentes dos meus, ela só queria saber quem era o carinho da festa, eu queria saber qual era a sensação de beijá-la. Seus olhos estavam fechados e eu estava a ponto de fechar o meu quando o barulho da porta batendo chamou nossa atenção nos separando.
- O que é isso? - Connor perguntou, seus braços estavam cruzados e sua atenção em nós dois.
- Nada – dei de ombros, me afastando dela e sentando na cama.
- Nada? Eu tenho cara de trouxa?
- Na maioria das vezes – falei, vendo que ele não tinha achado graça – Ai pelo amor de Deus, Connor, é uma brincadeira.
- Você tava em cima da minha garota e…
- Eu não sou sua garota, não fala de mim como se eu não tivesse aqui – pareceu voltar a si e se aproximou de nós – E ele não fez nada, eu que praticamente ataquei o garoto porque…
- Ela achou a máscara vermelha – falei, olhando para Connor, que me olhava de volta balançando a cabeça, balancei a cabeça para ele de forma positiva, não parava de me olhar e eu não sabia o que falar, então apenas dei de ombros novamente xingando Connor por ter atrapalhado nosso momento. Ele se sentou na cama e respirou fundo.
- É minha! - falou, fazendo a atenção de se voltar para ele, enquanto coçava o nariz – Não contei antes porque pensei que você ia ficar decepcionada – falou, olhando para baixo e meio que escondendo a cabeça entre os ombros, cruzando os braços logo em seguida. Tentei ler a expressão de , mas ela não mostrava nada, por algum motivo ela parecia realmente decepcionada.
- Naquele dia eu perguntei se era você e você negou – cruzou os braços, sentando do lado dele.
- Eu tava com medo – olhou para ela – Ai pedi pro Niall guardar essa coisa pra mim onde ninguém acharia, mas ele não levou a sério.
- Foi mal cara
- Depois a gente fala disso – apontou para Connor – Sua prima tá louca te procurando – falou, respirando fundo e dando a entender que queria ficar a sós comigo.
- Certo… Desculpa ter mentido – Connor falou, saindo pela porta depois de olhar para mim. Mordi o lábio e fiquei esperando o que ela faria, mas ela apenas riu e se sentou ao meu lado, estralou o pescoço, uma mania dela que eu odiava, e me olhou.
- Ele tá mentindo – falou, mordendo o lábio.
- Como você sabe?
- Não olhou nos meus olhos, coçou o nariz, contraiu os ombros, cruzou os braços…
- Isso não quer dizer nada…
- Quer dizer que ele tava mentindo – revirou os olhos – Niall?
- ? - olhei nos olhos dela – Você só queria me beijar, pode falar a verdade – falei, fazendo-a rir.
- Eu não acredito que ia te beijar mesmo – olhou para baixo.
- É só pedir, eu que não vou negar – falei, olhando para ela, que me olhou atentamente.
- Quando você me contar a verdade… Eu ainda acho que foi você.
- Me beija e descobre.
- Quem quer beijar quem, agora? - riu – E sério, eu beijei o Connor e não foi a mesma coisa que o beijo da festa.
- Vai ver o mistério tenha deixado o beijo melhor, e talvez ele não estivesse mentindo, só tava nervoso mesmo – revirei os olhos.
- Não sei, alguma coisa não tá certa sabe? Com o carinha do baile eu senti uma conexão, é difícil explicar – respirou fundo – Se for você então para de mentir pra mim e fala de uma vez, Niall, eu vou ficar puta se tiver perdendo tempo com Connor.
- … Eu não sei o que você quer de mim – levantei as duas mãos, ela ia responder, mas seu celular tocou e ela fechou os olhos, pensei que era outra foto de , mas ela respirou fundo e falou
- Meu “irmão” chegou! - sentou ao meu lado e encostou a cabeça no meu ombro.
- Você vai me contar direitinho sobre ele – a apertei contra meu peito, vendo que ela concordava com a cabeça.

Harry

- Ela dormiu – falei para , fechando a porta do quarto e andando com ela até o lado de fora. Depois de muito choro havia dormido, ela se culpava pela foto, pela briga com , pelas verdades que jogou na cara dela, era um choro que queria sair desde que o pai dela sumiu.
- Eu precisava conversar com ela – respirou fundo e continuou andando até o campo, se sentando na arquibancada.
- Você conversa quando ela acordar – Louis falou, se sentando também.
- Eu acho que todo mundo precisa conversar – comentou, levantando a mão – Eu sei que cheguei aqui agora, mas é óbvio que tem muita coisa pra ser dita entre vocês, por isso todas essas brigas tão rolando.
- O que você sabe? Você nem amigo tinha quando morava na Califórnia – atacou , ela estava irritada com o fato de que só queria conversar com ela.
- E mesmo não tendo amigos lá ela foi a única que conseguiu perceber que eu não tava bem, diferente de você que tem tantos amigos, né, ? - foi defender , que fechou os olhos e balançou a cabeça.
- Eu não tenho nada a ver com as brigas de você, se você quer me atacar só porque a não tá se sentindo confortável pra se abrir com você pode ficar à vontade, mas me atacar não vai mudar esse fato, então você devia prestar um pouco mais de atenção no que é importante aqui, que é a forma que vocês andam se tratando. Eu cheguei aqui agora, não tenho problemas nenhum, vocês que tem – deu de ombros e se sentou ao lado de Louis, que balançou o cabelo da amiga.
- Você concorda com ela, Louis? - falou, irritada.
- Eu acho que atacar a garota não vai resolver todos os problemas que vocês tem e ela não falou nenhuma mentira – falou, fazendo bufar e revirar os olhos.
- Agora eu que vou falar – Niall se levantou, mas não como uma pessoa normal, ele subiu na arquibancada mesmo para que todos o olhassem – Eu to cansado dessa palhaçada, valeu? O Liam tá todo estranho e ninguém sabe o motivo – apontou para o garoto, que deu de ombros – e tão cheia de problemas e ninguém fala nada, todo mundo já sabe que a família de vocês tá no meio – apontou para já disse que precisa contar alguma coisa pra todo mundo, mas vocês ficam com frescura de briguinha o tempo todo e até agora ela não conseguiu falar nada – se virou para tem que falar do irmão, ela é o menor dos problemas por enquanto – falou, vendo a menina mostrar o dedo do meio para ele – E a tem que contar também porque surtou hoje e mais coisas…
- Não tenho que contar nada – cruzou os braços – Só porque eu surtei – falou, e Niall pareceu entender o que quer que seja que ela queria esconder, então apenas concordou com a cabeça – Então eu to pouco me fodendo pro que vocês querem, hoje depois do boliche nós vamos acampar no lugar de sempre e vocês vão falar…
- Mas nós já vamos acampar semana que vem – fez careta.
- Eu to pouco me fodendo, nós vamos hoje também. Cansei de vocês se maltratando, nós somos amigos porra, não inimigos – Niall falou, e se sentou.
- Nossa que másculo, amei – falei, passando a mão no peito de Niall, que se esquivou rindo – Concordo com a loira, também cansei disso ai.
- Todo mundo de acordo? - Zayn perguntou, vendo todos concordando.
- Então eu vou acordar pra ir pro boliche, vão arrumar as coisas de vocês pra gente ir e…
- Calma, mas e se pegarem a gente? - perguntou, meio tensa
- Não pegaram até agora, fica tranquila – Louis piscou e se levantou. Fomos brincando como nos velhos tempos pelo campo, e seguimos direções diferentes quando chegamos no campo, os caras para o dormitório masculino e eu fui com as meninas para acordar , o que foi muito difícil, ela não queria abrir aqueles olhos por nada no mundo.
- Não quero jogar boliche – falou, fazendo bico.
- Quer sim – sorri, tirando o edredom de cima dela.
- Todo mundo vai ficar me encarando – fungou.
- Deixa encarar, você não vai ficar se escondendo – falei, fazendo-a se sentar na cama – Se arruma, a vai te explicar o que nós vamos fazer depois do boliche – dei um beijo na testa dela e fui para o dormitório.

[...]


- Eu sou um desastre nisso – fez bico, quando chegou sua vez de jogar. As coisas estavam estranhas, dava para perceber a tensão no nosso grupo e essa tensão não existia, eu não sei quando as coisas mudaram, mas nós estávamos nos atacando em vez de sermos os amigos que uma vez já fomos.
- É fácil, tenta prestar atenção nas marcas no centro e tenta mirar ali – falei, escolhendo uma bola para ela.
- Ela vai pra canaleta, tenho certeza – riu, e foi fazer como falei, ela fechou os olhos e jogou, fazendo a bola realmente ir pra canaleta.
- Linda, você precisa jogar com os olhos abertos – falei, fazendo rir – Você tem outra chance, vai – ela concordou e foi novamente, dessa vez com os olhos abertos, acertou uns 5 pinos e pulou comemorando – Viu como é fácil? - falei, dando um selinho nela.
- Quando é sua vez? - perguntou, passando os braços pelo meu ombro.
- Quando um deles perder – apontei para o time de Liam e de Louis, os dois eram tão competitivos que já tava vendo a hora de um jogar o outro na pista. Aquilo estava uma zona, Niall jogando a bola por debaixo da perna de , sentando no chão e fazendo a bola rolar dali, Zayn tentando fazer estratégias, mas acabava jogando na sorte mesmo, Liam jogou com tanta força que a bola foi parar na pista do lado e eu não sei como, mas Louis conseguiu jogar a bola para trás em vez de jogar para frente. Delphine cantava algum mantra enquanto a bola ia em direção aos pinos, Lia não queria jogar porque estava tímida, o que fez Niall ir dar atenção para a menina e ficar emburrada. Connor puxou pela mão para conversar sobre algo que eu não sabia e a discussão parecia calorosa, estava realmente uma confusão ali.
- Já sabe o que vai fazer depois da escola? - perguntou, fazendo minha atenção voltar para ela.
- Provavelmente faculdade, e você? - perguntei, brincando com o cabelo dela.
- Também, meus pais querem que eu vá pra faculdade, mas eu não sei o que cursar, to totalmente perdida sobre o que escolher e essa pressão de saber o que fazer no futuro vai me deixar totalmente louca. Na verdade eu queria tirar GAP year, sabe? Passar um ano viajando, me descobrir…
- , Niall e Louis apoiariam isso – sorri.
- Eu tenho medo de tudo mudar entre a gente – olhou para o pessoal e voltou a olhar para mim – Eu odeio mudanças, Harry. Minha relutância de deixar você se aproximar é prova disso, eu não suporto mudanças. Assim que a gente se formar vai cada um pra um lado, e se nossa amizade não for forte o bastante? - coçou a testa, fazendo bico.
- Se depois de todas essas brigas as coisas continuarem iguais não vai ser uma distância boba que vai mudar – falei, assegurando que tudo ficaria bem.
- Você tem uma forma de me acalmar né, Styles? - sorriu, me beijando e acariciando minha nuca.
- Para de pegação e vai jogar, Styles – Louis me puxou pela gola da camisa, me afastando de que ria. Depois de jogar, fomos comer alguma coisa e todos estavam rindo e se divertindo, estava conversando algo com Jesy meio afastada dali e se juntou a elas, percebi a careta que fez, mas ela escolheu não falar nada e continuou conversando. Quando uma gritaria começou e eu olhei para frente vi que Lia beijava Niall, ele parecia meio rígido, mas retribuiu e se afastou dela meio sem jeito. Arregalei os olhos com aquilo e ri, olhando para que revirava os olhos e balançava a cabeça.
- O que ele tá fazendo? - perguntou, apontando para os dois - Esse tapado gosta da , então porque ele tá beijando outra?
- Ele gosta?
- Ele só não sabe ainda, ou tá fingindo não saber. Não aguento mais esses garotos se fazendo de idiota, Zayn com a , Niall com a
- Eu sou o único aqui que tem jeito – falei, arqueando a sobrancelha.
- Você ainda não cansou de mim? - perguntou, passando a língua nos dentes.
- Você tá louca? Depois de todo sofrimento que foi me aproximar de você? - perguntei, vendo rir.
- Eu sou problema, garoto.
- Eu aguento – falei – Inclusive – me levantei segurando pela mão e a levando até o lado de fora do estabelecimento – Escuta, é meio adiantado e pode até te assustar porque você tem medo de mudanças, mas acho que é uma mudança boa, quer dizer, espero que seja…
- Harry, para de enrolar e fala – riu, cruzando os braços e me olhando.
- Ta! Lá vai – respirei fundo – Eu sempre quis ficar com você, isso é óbvio pra todo mundo. No começo foi só porque eu te achava muito gata, mesmo, mas assim que sua amizade com Zayn começou e você se aproximou do grupo eu percebi que você não era só linda, era engraçada quando queria, era gentil, uma boa amiga pra ele, que sempre escolhia ficar quietão, eu fui percebendo essas coisas, mas também percebi que você era sempre tão misteriosa e preferia não se envolver com ninguém, nem com amizades muito menos relacionamentos. Depois que eu finalmente consegui quebrar as paredes que você construiu eu percebi que você é muito mais do que eu pensava, você é tão forte e corajosa, passou por tanta coisa e nunca se fez de vítima, anda por ai com a cabeça erguida e, apesar de ser independente, eu quero te ajudar no resto da sua caminhada – falei, mordendo o lábio e me aproximando, segurando o quadril dela e olhando no fundo dos olhos de .
- Você tá me pedindo em namoro, Harry? - ela perguntou, umedecendo os lábios e engolindo seco.
- Ainda bem que você entendeu, não sei se ia conseguir falar.
- Ah não, eu quero te ouvir falar – riu, mordendo o lábio.
- Você quer namorar comigo, ? - fechei os olhos assim que as palavras saíram da minha boca. Mantive os olhos fechados diante do silêncio que se fez, provavelmente eu fui afobado e ela falaria não – Olha, eu… - comecei a falar, mas fui cortado ao sentir sua boca na minha enquanto ela puxava os cabelos da minha nuca e sorria entre o beijo.
- Foi muito fofo te ver todo nervoso. Você nunca fez isso? - perguntou, rindo da minha cara.
- Não, e você me deixou nervoso com aquele silêncio, não foi legal – fiz bico e ela riu, mordendo minha boca.
- Eu realmente pensei que você só me queria na sua cama, mas você já provou que é mais que isso. Desculpa ter pensando tantas coisas ruins sobre você, eu realmente não conhecia o cara incrível que você pode ser – falou – Ai, eles vão encher o saco – riu, encostando a cabeça no meu peito.
- Vem, vamos – segurei sua mão e entramos no boliche, vendo algumas garotas cercando . Nos aproximamos e ouvimos as garotas xingando de vários nomes enquanto mostravam a foto no celular.
- Falei que não queria vir – sussurrou para Liam, que respirou fundo a abraçando de lado.
- Chega, vamos embora – apareceu do nada – E olha o que eu faço com essa porra – pegou o celular da mão da menina mais próxima e jogou no chão, pisando em cima, pegou o celular da mão da outra garota e enfiou dentro de um copo de refrigerante que estava ali – E ao menos que você não queira que eu jogue uma bola de boliche na sua cabeça é melhor sair da minha frente – apontou para a terceira menina, enquanto Louis e Niall riam da cena, Zayn parecia meio perdido enquanto abraçava por trás para ter certeza que o sangue quente da garota não a fizesse tomar atitudes ruins como puxar o cabelo de uma delas.
- Você é louca – a primeira menina falou, olhou seu celular destruído no chão.
- Loucas são vocês de fazerem uma palhaçada dessas. Essa menina aqui é incrível – apontou para – E essa porra dessa foto foi vazada, algum engraçadinho espalhou uma foto da minha amiga pelada pra fazer a vida dela um inferno, vocês, em vez de defender, tão ajudando essa pessoa a fazer o inferno. Tenham o mínimo de decência e se coloquem no lugar dela.
- Se ela não queria que a foto fosse espalhada não devia ter tirado foto nenhuma – a garota que o celular foi jogado no copo falou.
- Pelo amor de Deus, usem o cérebro que vocês tem, não enfeite – apareceu, com os braços cruzados, e olhou para , que piscou para ela – Vocês já devem ter tido algum segredo espalhado, é a mesma coisa que falar “se você não quisesse que ninguém ficasse sabendo não teria feito, mimimi” - revirou os olhos – Ela pode tirar quantas fotos quiser, mas ninguém tem o direito de espalhar assim sem autorização. Espalhar fotos íntimas é crime e vocês deviam parar de agir como se fosse algo engraçado, porque pode acontecer com qualquer pessoa e ai eu quero ver se vai ser engraçado se acontecer com alguém próximo a vocês, parem de ser idiotas e comecem a pensar nas consequências dessas coisas.
- Sem falar que ela não enviou essas fotos. Só 2 pessoas tinham acesso a isso, eram amigas dela, e essas fotos tinham até sido apagadas. Você tem que tomar muito cuidado quando tira uma foto do tipo, ficar enviando não é bom, mas pior ainda é tratar as pessoas que tem essas fotos compartilhadas como se fossem culpadas, elas são vítimas e esse tipo de coisa afeta demais a vida de uma pessoa. Fazer bullying não é bonito nem legalzinho, vocês são nojentas e eu realmente espero que nunca passem por isso, porque a é forte pra aguentar, mas e vocês? Um bando de menininha alienada – se colocou na frente da amiga.
- Então é melhor vocês saírem daqui agora porque papel de idiota vocês já fizeram o suficiente por hoje – falou, encarando as meninas, que olharam nos olhos da minha namorada e abaixaram a cabeça, realmente dava medo em todos, essas meninas conheciam das competições de animadoras e provavelmente sabiam como ela podia ser um sargente quando queria – Tão esperando o que pra dar o fora daqui? - estalou os dedos, fazendo as meninas saírem dali rapidinho.
- E se eu ver algum engraçadinho compartilhando essas fotos vão se arrepender. Vocês sabem que minha mãe é uma puta de uma advogada e isso não vai ficar assim – subiu em um banco pra falar – Então quem tem essa foto é melhor começar apagar, porque o I.P de quem tá compartilhando vai ser rastreado, hijos de puta falou, e foi tirada dali de cima por Zayn.
- Calma, você vai acabar sendo presa – Zayn falou, rindo
– Ninguém mexe com mis chicas – jogou o cabelo para trás enquanto e batiam as mãos uma na outra. - Eu ainda to brava com vocês – apontou para as meninas e saiu andando nos fazendo rir. e saíram de braços dados conversando enquanto nós olhávamos como um drama unia as meninas.
- Ta tudo bem? - perguntei para , que sorriu.
- Saber que vocês tão do meu lado é bom – mordeu o lábio, olhando para Liam que quando percebeu que ainda a abraçava se afastou lentamente, mas sorriu para ela.
- Então, vamos acampar, tem muita coisa pra gente conversar.
- Acampar? - Lia perguntou, se apoiando no ombro de Niall.
- não me falou nada – Connor franziu o cenho.
- Ah, desculpa cara, é que hoje é só entre a gente, mas se preocupa não, semana que vem tem aquele do internato inteiro – Louis bateu no ombro de Connor, e saiu com Niall.
- Ta preparada? - perguntei para , a segurando pela cintura enquanto saíamos do boliche.
- Não muito – fez careta.
- Não se preocupa, vou segurar sua mão até você terminar de falar – beijei o topo de sua cabeça, vendo que ela ainda estava pensativa

Capítulo 22

. O natal estava chegando e com ele o frio. Nós caminhávamos todos o mais próximo que conseguíamos para tentar nos aquecer enquanto fazíamos o caminho que ficava na floresta, atrás do internato, para chegar onde desejávamos. Era uma caminhada de 40 minutos, mas a vista era incrível no nascer e pôr do sol. Dava para ver a cachoeira de e o lago do internato, a forma como as luzes se misturavam na água, a iluminação do internato e das casas que ficavam próximas, a forma como os raios de sol ou da lua passavam pelas folhas da árvore era hipnotizador, virou nosso local de acampar. Quem descobriu foi Harry e Louis, aos poucos eles vieram nos trazendo e nós temos tantos momentos bons aqui, foi uma boa ideia fazer isso já que nosso grupo anda uma bagunça. Antes de irmos ao boliche havia dito que nada disso acontecia até chegar, mas ela só estava com raiva porque não queria falar com ela, todos nós sabíamos que incluir no grupo não havia sido erro nenhum, se ela não estivesse conosco estaria se sentindo ainda mais solitária e saber que nós fomos tão cegas em relação aos problemas dela é horrível. Delphine e Lia disseram que nos criam no internato caso alguém percebesse que estávamos sumidos, mas todo mundo estava empenhado na organização do acampamento da praia que provavelmente ninguém perceberia nada.
Liam estava me evitando, ele sabia que eu queria saber qual conversa ele teve com Derek, mas nem olhar para mim ele estava, seria difícil colocar o cara contra a parede. Quando chegamos, eu, , e fomos montar as barracas, enquanto Niall, Zayn, Liam e procuravam gravetos para fazer a fogueira. Louis e Harry estavam tirando as bebidas que trouxeram de dentro da mochila e acenderam as lamparinas que nós trouxemos.
- Era uma quarta-feira a noite quando 10 amigos resolveram se aventurar nas florestas perdidas de Londres, estava tudo estranhamento silencioso e calmo, quando um grito vindo da escuridão os assustou - Louis falou com uma voz assustadora enquanto iluminava o próprio rosto com uma lanterna, e um grito realmente foi ouvido.
- Sai de perto de mim com isso, Niall, eu vou fazer você engolir esse inseto - gritava, se afastando rapidamente do garoto, nos fazendo rir do timing perfeito deles.
- Nem começa, eu odeio histórias de terror - tirou a lanterna da mão de Louis, com uma mão no peito causado pelo grito de , e bateu com o cabo no braço de Louis, o fazendo reclamar e massagear o local.
- Só por me desrespeitar eu te mataria primeiro na história - Louis falou, nos fazendo rir.
- Lembra na oitava série quando nós viemos pra cá e o Zayn desafiou Harry a correr pelado na neve - Niall falou todo nostálgico
- Ele ficou doente depois, e o Zayn ficou com peso na consciência e fez as vontades do Harry por 2 dias? - riu, balançando a cabeça.
- Ou quando a conseguiu convencer aquele entregador de pizza que tinha uma quedinha nela a entregar pizza aqui pra gente? - falou, mas sem olhar para mim.
- Foi uma das únicas vezes que os rolos da salvou nossa vida, ninguém passou fome - Zayn bateu na minha mão. apenas observava nossa conversa quieta, sentada ao lado de , com um sorrisinho no rosto, as vezes parecia que ela não se sentia parte daquilo, como se estivesse sempre deslocado, acho que esse era o maior motivo de sempre ficar com o pé atrás, mas ela estava sempre presente, era claro que estava se empenhando em conseguir fazer parte do que nós somos.
- Eu tenho medo das coisas mudarem quando a gente se formar - falou, recebendo um abraço de lado de - Daqui a pouco cada um de nós vai fazer alguma coisa da vida, nossos caminhos vão se separar.
- Nossos caminhos nunca vão se separar, sempre vai ter uma estrada que vai nos levar de volta, . Não é só porque não vamos nos ver todos os dias que as coisas vão enfraquecer - Niall segurou na mão da melhor amiga, que suspirou. Todos estavam pensativos com o que a latina havia falado, acho que todos tínhamos o mesmo receio, mas ninguém queria falar em voz alta, nós preferíamos agir como se esse não fosse nosso último ano juntos, preferíamos não tocar no assunto assim precisaríamos pensar menos no que aconteceria conosco no futuro.
- Então, quem começa? - Liam perguntou, dando um gole do copo e quebrando aquele clima pesado que havia nos envolvido.
- Eu começo - levantou a mão rapidamente - Eu não beijei o Liam aquela noite, você precisa acreditar em mim, eu nunca faria isso com você. Nós somos amigas, nós temos a lei de que uma não fica com o ex da outra, ou com qualquer cara que ela já tenha ficado, e é o Liam, ele é tipo um irmão, eu nunca teria coragem.
- Essa lei existe? - Louis sussurrou, fazendo Harry rir e dar de ombros. - Isso não é justo, e se... Sei lá, eu e a nos apaixonássemos um pelo outro, a gente não ia poder ficar por que eu já me envolvi com a ? - Louis falou, realmente ofendido.
- Esse caso seria diferente, para de atrapalhar, imbecil - deu um tapa na testa dele, irritada com o exemplo que ele deu - Continuando. Eu nunca te trairia, não da forma que você me traiu.
- Como a te traiu? - perguntou totalmente confusa, todos estavam, na verdade.
- Eu não fiquei com o Louis, se é o que vocês tão pensando, credo! - fiz careta, recebendo o dedo do meio do garoto em resposta e uma risada alta de - Eu acredito em você, acredito que foi só pra se livrar do Derek, mas você também precisa entender meu lado, só que você nem me deixou explicar.
- Explica então, pra todos nós - cruzou os braços, me esperando falar. Respirei fundo e dei um longo gole do copo esperando encontrar alguma coragem naquele liquido. Limpei a boca e levantei olhando para o céu escuro , e depois para cada um deles.
- ta me odiando porque eu descobri onde a mãe dela se enfiou - todos me olharam chocados.
- Você me disse no dia que voltou do hospital que ouviu sua mãe falando com seu pai no telefone, e que alguma coisa envolvia a ?
- Sim - respirei fundo sentindo meu coração acelerar, ele havia olhado pra mim sem uma expressão de raiva ou de dó, como era o normal nos últimos tempos - Lembra como meu pai nunca era presente em casa e meus pais começaram a brigar? E como uns meses atrás ele simplesmente sumiu? - perguntei, e todos afirmaram com a cabeça - Sabe como quando as melhores amigas tem pais que são separados e como elas passam muito tempo juntos os pais acabam se apaixonando? Na nossa família nada pode ser da forma certa, a mãe da largou ela quando era pequena porque tinha se apaixonado pelo meu pai e queria fugir com ele, mas meu pai não queria deixar a família - funguei, balançando a cabeça sem acreditar na história que estava contando - Conforme as brigas dele com minha mãe foram ficando mais sérias ele foi ficando mais ausente porque passava mais tempo na casa da mãe da - mordi o lábio - Eles dois estavam juntos esse tempo todo, nos fazendo de idiotas e...
- Meu Deus, - meu melhor amigo se levantou, segurou minha mão, que estava tremendo demais, e me sentou ao seu lado - No dia que eu ouvi minha mãe no telefone ela desconversou, mas eu insisti e ela só me falou que sabia onde meu pai estava e que era pra eu esquecer ele, esquecer de tentar contato com ele porque ele estava com outra mulher, eu achava que tinha ouvido o nome da mãe de , mas não tinha certeza de nada e ouvir minha mãe dizer com tanta calma que meu pai estava com outra me deixou sem saber como reagir - mordi o lábio - Na festa eu gritei com , gritei que a mãe dela estava arruinando minha vida. Quando a Valerie mandou aquela foto ela não só fodeu meu relacionamento, ela fodeu minha amizade também porque você pensou que eu estava mentindo pra você, mas eu não estava, - balancei a cabeça - Você precisa entender minha posição, , eu não tinha certeza de nada, minha mãe não tinha me dado detalhe nenhum, não tinha como eu contar uma coisa pra você que nem eu tinha certeza, você estava ruim das crises de novo, eu não queria piorar as coisas, eu precisava ter certeza do que estava acontecendo antes de falar com você, mas naquela festa eu... - abaixei a cabeça, sem acreditar em como eu tinha sido injusta.
- O que você falou aquele dia me magoou demais! - finalmente olhou nos meus olhos e eu podia ver que ela tinha ficado realmente chateada.
- Eu sei, e foi tudo na raiva do momento, eu não direito nenhum de falar aquilo, mas você não pode me culpar por um erro que é dos nossos pais. Eu não queria ter falado o que falei, acho que... O maior defeito de nós duas é tentar machucar as pessoas quando nós estamos machucadas, nisso nós somos iguais, . A gente se machuca e tenta fazer o outro sentir a mesma dor, não é desculpa pro que eu falei, eu sei que não, mas você mais do que ninguém sabe como nós agimos quando estamos decepcionadas com tudo a nossa volta - falei, e coloquei a mão na boca, tentando segurar o choro que estava preso na garganta.
- Se você não tivesse soltado aquilo, você teria me contado a verdade? - se ajoelhou na minha frente - Eu preciso saber disso, preciso saber se você teria sido sincera comigo
- Claro que eu teria, eu estava fazendo a vida da minha mãe um inferno pra ela me contar a verdade pra poder te contar tudo, ela só me contou porque eu acabei soltando aquilo pra você, ela sabia que a única forma de conseguir seu perdão era contando tudo que eu sei, ela sabe que eu não podia perder sua amizade, e por isso me contou, e é isso o que eu sei. Meu pai largou minha família por causa da sua mãe
- E aquela desgraçada largou os filhos por causa do seu pai - balançou a cabeça - E agora eles vão ter um bebê - riu de forma amarga, me fazendo franzir o cenho - Você não sabia? - neguei com a cabeça, totalmente confusa - Foi por isso que ela reapareceu, pra me contar que eu vou ser irmã. - falou
- Será que minha mãe sabe disso? - fiz careta, apenas deu de ombros
- Eu te entendo, não sei como eu teria reagido a isso tudo, acho que também esperaria o melhor momento pra contar
- Nada que eu falei aquele dia é verdade, eu sei que você não me fez de idiota e você nunca arruinou minha vida, você é minha melhor amiga e eu te amo - funguei novamente, sentindo os braços de me envolver. Foi a cena mais dramática da minha vida, nós duas abraçadas na grama chorando enquanto nossos amigos olhavam tudo.
- Você ta chorando? - ouvi a voz de Niall.
- Cala a boca - respondeu, nos fazendo rir e limpar o rosto para olhar todos eles. Me levantei e levantou comigo, segurando minha mão.
- É isso gente, nossa família é completamente fodida, meu pai é um traste e não o cara legal que pensei que fosse...
- Minha mãe é uma cretina, mas isso todo mundo já sabia...
- E nós duas vamos ter uma irmã em comum - mordi o lábio, sem saber como me sentir sobre essa nova informação.
- Ta melhor que keeping up with the kardashians - comentou, nos fazendo rir.
- E sobre a foto - falei - Só quem sabia daquela foto era a Valerie e a Britt, uma delas duas, ou as duas, vazaram aquilo, e eu vou prestar queixas. Vocês foram incríveis hoje me defendendo, saber que ninguém aqui me culpa por aquilo foi muito importante e eu amo todos vocês - falei, e logo fui abraçado por todos eles. Harry me entregou meu copo novamente, e eu me sentei entre ele e Liam, sentindo meu joelho encostar no dele e ficando aliviada em ver que ele não se esquivou, quando olhei para o lado mordendo a borda do copo os olhos dele estavam em mim.
- Vai ficar tudo bem - ele falou, e olhou para frente como se não tivesse falado nada
- E eu preciso falar com você - ele me olhou pronto para negar - Não é sobre o que eu presenciei entre você e o Derek, é sobre a noite do banheiro, eu... Preciso te contar uma coisa... - falei, mas parei sem saber se estava pronta, o medo de me prender naquele garoto era tão grande que eu preferia ser vista como uma filha da puta traidora do que falar a verdade, mas quando os olhos dele estavam em mim eu sentia meu corpo inteiro aquecido, e então eu sabia que queria ter essa sensação por um bom tempo, mas ele merecia alguém melhor que eu. Ficar nesse impasse ia acabar me deixando louca, e o fato de que Liam estava me fazendo ter todas essas sensações que ninguém mais tinha me dava a certeza de que ele era o cara certo pra mim, mas eu era a garota certa para ele?
- Quem é o próximo? - Liam falou, sem esperar que eu terminasse. Eu sabia que as coisas ficariam bem com , mas com Liam eu já não tinha tanta certeza.


.
Todos olhavam para mim em uma demonstração óbvia de que queriam que eu falasse, Zayn me cutucou na barriga me fazendo mover para o lado e eu joguei o pescoço para trás. Não estava pronta para falar sobre a clínica, nem um pouco segura para falar do transtorno alimentar e menos pronta ainda para falar sobre todas as minhas inseguranças. Eu queria ser a última, mas nenhum deles deixariam, e Niall me olhando intensamente de um lado, enquanto Zayn me olhava do outro, não ajudava.
- Ta, tando faz, dios mio, vocês são insuportáveis - respirei fundo e fui até o meio - Eu preciso fazer algum tipo de ritual em volta da fogueira antes de falar?
- Só se você quiser se jogar na fogueira pra parar de falar besteira - falou, me fazendo olhar para ela.
- Você me maltrata, mas você me ama - mandei um beijo para ela, que riu. estava mais risonha, ela parecia mais leve do que quando chegou aqui no começo do semestre, era bom ver a garota sorrindo com facilidade.
- Você só ta enrolando porque você só faz isso com a gente - Louis falou, me fazendo suspirar - Nós sabemos que você anda cansada, , pode falar - Louis me incentivou.
- Eu nunca quis parecer ingrata nem nada do tipo porque eu sei que você me acolheram, eu não ligo em ser o apoio de todos vocês, toda série e filme precisa do "alívio cômico", o personagem que vai aliviar a tensão, sempre sendo bobão e fazendo piada, mas eu não sou um personagem, eu sou uma pessoa real e, se até na televisão esse personagem se sente sozinho e precisa de atenção, vocês podem imaginar como eu me sinto? - falei, andando de um lado para o outro, desistindo de olhar para eles e olhando para o fogo que queimava na fogueira para nos manter aquecidos - Vocês tão vendo esse fogo? Queimando tão brilhante, as chamas dançando, nos distraindo, nos mantendo aquecidos e seguros? Eu sou isso pra vocês. Quando todo mundo tem algo que precisa desabafar sou eu que vou distrair, eu que vou ouvir, quem vai aconselhar e quem vai fazer vocês se sentirem aquecidos, mas, sabe de manhã, quando o fogo da fogueira já não queima e tudo que nós vemos são os gravetos usados e a fumaça subindo? Essa também sou eu quando vocês já conversaram comigo, eu fico drenada, tudo que eu tinha pra dar eu dei ; eu fico lá, sentada sem ouvir um "mas e você, , ta bem?", fico usada que nem aqueles gravetos, com uma carga emocional negativa que não é minha, mas que eu carrego pra ajudar vocês, e o que resta de mim é só aquela fumaça subindo de tão exausta que eu fico. Por muito tempo a dança foi minha terapia, mas chega uma hora que nós precisamos de um amigo - levantei a cabeça, vendo todos eles me olhando atentamente pela primeira vez - Eu não ligo de ajudar gente, mas eu to cansada de ser sempre deixada de lado por causa de um drama qualquer, e o pior de tudo foi a me chamando de egoísta porque se tem uma coisa que eu não sou é egoísta.
- Foi errado, todo mundo sabe que se existe alguém aqui sem um pingo de egoísmo no corpo é você, me desculpa por isso - me olhava arrependida e se levantou vindo até mim - Ultimamente eu to tendo que pedir desculpas por muitas coisas, e eu me arrependo profundamente de ter magoado duas das melhores pessoas da minha vida - olhou para mim e com carinho - Eu quero aprender com meus erros, dar mais valor pra vocês e tudo que vocês representam na minha vida. Eu te amo demais e se você ta magoada então todos nós estamos porque você é nossa luz, , mas se a sua luz ta apagando nós todos vamos reacender - segurou minha mão dando um apertão - Essa sua metáfora da fogueira pegou, então nós vamos reabastecer pro fogo continuar queimando, você não é só uma distração, todos nós precisamos de você.
- Eu sei que muita coisa aconteceu com você, mas se eu não estava conseguindo ajudar é porque eu não tinha forças nem pra mim. Gente, vocês precisam perceber que pra ajudar vocês eu preciso estar bem, e isso não vai acontecer se eu tomar conta de todo mundo, mas ninguém se importar comigo. - balancei as mãos de forma agressiva porque era de mim, mas sorrindo carinhosamente para a loira a minha frente, que me abraçou apertado e sentou novamente. - E você deve desculpas a porque enquanto você estava a atacando, ela estava me ouvindo - falei para , que cruzou os braços na defensiva e desviou o olhar - Parar de infantilidade e admitir que você está errado é muito mais bonito do que agir como a dona da verdade - falei, e todos pareciam chocados já que eu nunca atacava ninguém. - Vocês todos reclamaram do meu mau-humor porque só estão acostumados com os meus sorrisos, mas ninguém sabe como eu me sinto por dentro, ninguém se importa se o sorriso é forçado, vocês só querem me ver bem, não importa se é uma mentira e eu cansei disso. Se eu surtei aquele dia e fui ignorante até com a Delphine é porque eu to exausta - falei, esperando ver Delphine pulando de uma árvore, já que ela estava sempre em todos os lugares.
- Você pode conversar com a gente, . Nós estamos te ouvindo e isso não vai acontecer nunca mais. Você não é só o "alívio cômico", você é nossa latina doidinha, a melhor dançarina que eu já conheci e a melhor amiga que alguém poderia ter. - falou, tirando um bico e um sorriso de mim.
- Ela tem outra coisa pra contar - falou, fazendo minha cabeça virar para ela tão rápido que provavelmente eu dei um jeito no pescoço, eu tinha contado para ela sobre meu problema de imagem, mas não imaginei que ela me entregaria assim, eu confiei nela e ela me traiu assim? - Sobre os presentes - incentivou com a cabeça, me deixando aliviada em saber que ela guardaria meu segredo.
- Ah, eu tenho recebido uns presentes caros de um tal de anônimo e eu to começando a ficar assustada com isso. Na festa de Halloween a fantasia de sereia foi mandada por essa pessoa e ela sabia minhas medidas exatas, isso é muito estranho - fiz careta.
- Você precisa procurar a polícia - Niall falou
- Essa pessoa é tipo minha fada madrinha, não acredito que queira me fazer algo ruim - falei, pensativa - Mas no momento isso não vem ao caso, eu só queria que vocês soubessem como me sinto porque não gosto de maltratar ninguém.
- Nós nunca mais vamos fazer isso. Você não é descartável pra gente, e nós fomos muito estúpidos em achar que você é feliz o tempo inteiro porque é impossível até pra você. Isso vai acabar, , nós prometemos - falou, me fazendo sorrir, mas eu sabia que elas ainda achavam que eu estava nervosa.
- Tirem essas bundas britânicas e americana - falei, olhando para - dai, e vêm me dar um abraço - abri os braços, sentindo as 3 me envolvendo - Você faz parte da gangue agora, ta esperando o que? - olhei para , a chamando com a cabeça, e ela me abraçou por trás, sorrindo.
- E nós também vamos ser menos insensíveis, você é nosso mascotinho - Liam sorriu, se levantando para bagunçar meu cabelo.
- E eu tomei coragem e agora nós estamos juntos - Zayn se levantou, me afastou de todo mundo e me beijou na frente deles, fazendo todos aqueles escandalosos gritar e assobiar. Um "Zayn finalmente conseguiu a garota" foi ouvido e eu tinha certeza que era Harry, e preferi ignorar Niall ameaçando Zayn "Se você machucar minha amiga eu vou desconfigurar sua cara"
- Quem é o próximo - falei sem jeito, depois de me afastar de Zayn, ele sempre sabia me deixar sem saber o que fazer ou falar.
- To orgulhoso de você, mas você ainda não contou tudo para eles! - Zayn sussurrou, quando nos sentamos.
- Ainda não to pronta - falei, e senti sua mão apertando a minha. Meu coração estava mais aliviado depois de falar tudo que eu precisava, eu tinha a impressão de que algumas coisas melhorariam de agora em diante.
- Quando você estiver é só falar, eu vou continuar segurando sua mão - falou, dando um beijo nas costas da minha mão e acariciando o local, me fazendo sorrir.


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Respirei fundo olhando cada um deles, cada vez que alguém se levantava e ia ali no meio contar alguma coisa pareciam que aquela nuvem negra de negatividade ia ficando menos densa. Liam contou sobre sua irmã estar doente, mas disse que nós não precisávamos nos preocupar porque estava tudo bem, acariciando suas costas e ele aceitando o carinho foi bom de ver, ele não estava se mantendo afastado, Zayn disse que seus pais viriam para Londres e queriam encontrar com ele, mas que ele não sabia se queria o encontro porque não sabia como contar que estava quase certo de que iria para escola de arte, nenhum de nós sabíamos da decisão, apenas . Niall não falou muito, seus pais eram realmente legais, ele se dava bem com o irmão, não tinha muito drama rolando com ele, mas eu sempre tinha a sensação de que ele escondia coisas da gente. Dei de ombros me concentrando no que estava rolando, no pessoal rindo e contando piadas para descontrair antes de mais alguém falar. Eu estava sendo injusta com e sabia, mas não conseguia controlar, quando jogou na minha cara que eu estava agindo como a dona da verdade eu soube que precisava realmente pedir desculpas, por mais orgulhosa que eu pudesse ser.
- Eu sei que já falei uma vez, mas vou falar de novo
- Claro, você fala pra caralho - Louis brincou, levando uma cotovelada - Ai, amor, doeu
- Próxima vez eu arranco sua língua
- Olha que graça, ele chamando ela de amor - fez bico
- Eu achando que depois de ficar juntos as discussões iam parar - Harry balançou a cabeça.
- Desculpa agir como uma descontrolada, eu só sou extremamente defensiva quando se trata dos meus amigos. Quando você chegou eu não gostei muito da ideia de uma garota nova no grupo, não gostei que todos tinham se dado bem com você, não gostei que eu estava brigada com a e ela havia te acolhido porque se dar bem com a é difícil, ela é fechada. Eu sou controladora sim e não gosto de mudanças, e por muito tempo fomos só nós, te ter no grupo foi meio diferente pra mim, aceitar uma pessoa nova depois de tantos anos, isso não justifica nenhuma das vezes que eu fui antipática. Você foi a única que percebeu algo de errado com a e ficou do lado dela, eu estava nervosa comigo por não ter sido uma boa amiga, e não com você. Na verdade, se não fosse por você ela teria se sentido ainda mais sozinha. Desculpa não ter sido tão aberta como todo mundo foi, você é uma ótima garota, .
- Tudo bem, eu não sei como me sentiria se achasse que alguém estava tentando roubar meus amigos. Você tava certa quando disse que eu não tinha tantos amigos, nunca tive e talvez por isso as vezes eu me fecho tanto e te deixo com o pé atrás, mas eu to gostando de ter vocês agora e eu não quero que as coisas fiquem estranhas por alguma briga individual entre nós. Eu te admiro muito, não quero que fique um clima ruim - foi sincera, ela sempre era.
- Eu sei, não vai ficar um clima ruim, tem espaço pra todo mundo e algumas mudanças são boas, te ter aqui ta sendo legal, eu que sou meio louca, mas eu agradeço pelas coisas que você faz, por ser amiga daquele louco ali - apontei para Louis - Por cuidar da , sei lá, você trouxe algo que estava faltando aqui que é compreensão, você é super compreensiva e nós estamos aprendendo com você, então me desculpa ter sido uma grande nojenta.
- Não tem problema, sério. Saber que não é nada pessoal e que o problema não era realmente quem eu sou, mas a forma que você se sentia, foi um alívio - ela sorriu, e erguei seu punho para que eu batesse nele. Sorri para ela, e senti meu coração apertado quando vi a abraçando e dando vários beijos em sua bochecha, mas eu sabia que aquela amizade fazia bem para a latina, então deixei meu egoísmo de lado e resolvi me sentir feliz pela amizade que elas haviam construído enquanto nós estávamos cegos com nossos próprios problemas
- Minha vez - Louis se levantou em um pulo - Como é normal para todos adolescentes problemáticos ter problemas com os pais comigo não seria diferente
- Claro, você é o mais problemático de todos - comentou, fazendo todos rir.
- E é por isso que você não pode dar intimidade - apontou para ela - Mas continuando como se eu não tivesse sido grosseiramente interrompido. Meu grande pai resolveu reaparecer, não sei que porra ele quer, mas que se foda, só queria que vocês soubessem que se um dia desses eu for preso é porque ele ta tentando se aproximar das minhas irmãs pra me atingir, mas eu já conversei com elas e com o pai delas, ta tudo certo, de qualquer forma, eu posso perder a cabeça, mas espero que vocês paguem minha fiança - falou tudo rapidamente e com o humor de sempre, balancei a cabeça rindo daquilo, não conseguia nem ficar nervosa por ele não ter me contado isso, mas fiz questão de perguntar quando ele se sentou ao meu lado.
- Por que você não me falou nada? - perguntei, ouvindo Louis suspirar.
- Eu não gosto de falar sobre ele. O cara me abandonou na primeira oportunidade, eu tenho orgulho da minha mãe e tenho sorte em ter um padrasto que cuidou de mim como se eu fosse seu filho. A aproximação comigo não é o que me atingi, é o fato dele tentar se aproximar das minhas irmãs, ele não é pai de nenhuma delas, ele não tem direito nenhum de pensar em respirar perto delas, só que ele sabe que sou protetor, o cara só quer me fazer perder a cabeça.
- Você sabe que ta tudo bem né? Que ele não vai conseguir nada com isso e daqui a pouco ele some de novo - falei, o olhando - Você não confia em mim?
- Que? Por quê?
- Você nunca comentou nada sobre isso, você quase não fala sobre sua família e... - falei, dando de ombros, e fui interrompida pela boca dele que me calou com um selinho, sorri com aquilo e balancei a cabeça - Você não vai conseguir me distrair, Tomlinson. Eu sinto que você não confia mesmo em mim e...
- E o que? - perguntou, respirei fundo e levantei, o chamando com a cabeça. Nossos amigos nos viram saindo, mas ninguém falou nada, fui até a beirada onde dava para ver as luzes fracas, e balancei a cabeça
- Isso é só diversão? Quer dizer, é só toda aquela sua história de me tirar da minha zona de conforto?
- Você quer realmente ter essa conversa agora? - perguntou, e pude ouvir a diversão em sua voz
- Acho que esse ambiente de sinceridade que começaram realmente me envolveu - dei de ombros e me virei, ficando de frente para ele. - Eu só quero saber pra caso eu comece a... Sabe, me apegar demais em você - dei de ombros novamente, tentando não me sentir muito exposta pela minha própria pergunta.
- Eu falei que não tenho intenção nenhuma em causar destruição, eu posso não ser o cara mais levado a sério por aqui, mas eu não sou de brincar com as pessoas, eu sei que você não acredita muito em mim e eu que causei isso, mas se não fosse pra valer você acha que eu ia insistir tanto? Logo você que é toda irritadinha e quer sempre ter o controle? - falou, segurando minhas mãos - Eu não sei como ou quando isso começou, não sei quando parei de te achar a pessoa mais irritante que tem, mas é impossível negar que nós nos tornamos pessoas melhores!
- Como eu te tornei uma pessoa melhor? - perguntei, achando graça naquilo.
- Pode não parecer, mas você me ajuda a manter o foco que é uma coisa que eu não tenho muito. Você tem me ajudado a levar algumas coisas mais a sério e até a pensar no meu futuro - confessou, passando a mão na nuca e rindo meio nervoso - Eu pensei que era uma via única, eu te ajudava e me divertia vendo você relutante com as minhas ideias, mas na verdade é uma via de mão dupla. - respirou fundo - É a única vez que eu vou confessar isso e se você contar pra alguém eu nego, mas você meio que me mudou um pouco também, me fez levar a vida um pouco mais a sério. Se você ainda acha que é só diversão então ta na hora de abrir os olhos e perceber o óbvio, - balançou as duas mão.
- O que é o óbvio, Louis? - perguntei, me aproximando e olhando em seus olhos tão azuis, vi seu sorriso de moleque, aquele sorriso esperto que ele sempre dava e que eu odiava, mas que agora me agradava.
- Que você ta louca por mim - deu de ombros, fazendo empurrar seu peito - Para de pensar o tempo todo, só aproveita - falou, me puxando pelo cós da calça - Você fica melhor quando ta relaxada - mordeu meu lábio, me fazendo fechar os olhos - Eu sou bom em te relaxar - riu contra minha boca.
- Você realmente é - falei, passando meu braço pelo seu pescoço, acariciando seu cabelo.
- ... - Louis olhou no fundo dos meus olhos e eu já sabia o que viria, e também sabia qual seria minha resposta.
- Louis...
- Namora comigo? - ele fez a pergunta e eu respirei fundo fechando meus olhos.
- Não! - assim que minha voz saiu eu vi a confusão se passando nos olhos dele. - Não é o momento, entende? Tem um monte de coisas acontecendo, tem essa história que a descobriu, minha mãe tentando contato comigo, essa irmãzinha que pode vir ai, eu to sem cabeça pra nada e eu sei que se nós começarmos algo agora isso vai acabar de uma forma horrível.
- Que susto, pensei que você já tinha achado algum problema com a gente - ele sorriu, mas não era aquele sorriso animado e eu me senti culpada por isso, mas eu não podia enganá-lo e aceitar assim sabendo que eu ferraria tudo, era hora de pensar nele. - Eu entendo, sei lá, acho que foi o momento, eu nem estava planejando isso... Que dizer, não que eu não queira, eu... - tossiu, e eu comecei a rir vendo o nervoso do garoto.
- Não é que eu não queira, mas eu me conheço, eu sei que com tudo isso acontecendo eu vou ficar louca e...
- Mais? - ele brincou, me fazendo rir, aliviada por ele não estar irritado.
- Mais. - concordei - Quando isso passar a gente fala sobre isso de novo - mordi o lábio, sem saber muito bem o que fazer. - Você não ta bravo, ta?
- Claro que não - sorriu me puxando novamente para um beijo, o qual eu nem pensei em recusar.
- Dá pro casal esperar até mais tarde pra ficar se pegando? Tem mais pessoas aqui pra contar coisas - gritou, recebendo meu dedo do meio em resposta - Você é muito mal educado garoto, , dá um jeito no seu homem que eu não vou aceitar esse desrespeito não - continuou, nos fazendo rir.
- É, , dá um jeito no seu homem - Louis imitou , me fazendo revirar os olhos.
- Não é meu homem - falei, me afastando - Ainda - olhei para ele que ria, vindo atrás de mim.

Capítulo 23

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Eu via aquela cumplicidade deles e me sentia deslocada. estava ao meu lado com a cabeça encostada em meu ombro e rindo de alguma história que Harry contava enquanto eu tentava afastar aquelas sensação de que aquele não era meu lugar. Eles são amigos a tantos anos, compartilham tantas coisas e eu me sinto uma intrusa. Sempre tive dificuldades em me abrir, fazer amigos, me sentir incluída, e por mais que eu tentasse socializar, eu sabia que deixava claro meu desconforto. Niall estava do meu outro lado zoando a falta de habilidade de Harry em contar piadas, ele dedilhava o violão que estava em seu colo vez ou outra e eu não pude deixar de notar como ficava bonito na frente daquela fogueira, seus olhos azuis brilhavam intensamente e as chamas da fogueira dançavam em seus olhos; era hipnotizante.
- Sua vez! - me passou a garrafa, como quem passa o bastão, me fazendo rir e tomar um gole.
- Sei lá, não tenho muita coisa pra confessar - fiz careta tentando lembrar de qualquer coisa que precisasse deixá-los saber.
- Sobre seu irmão - Niall deixou o violão de lado e me olhou atentamente, me fazendo suspirar e balançar a cabeça - Ele já chegou aqui, , não tem muito mais o que fazer, só... Conta pra gente - me olhou nos olhos.
- Nós não sabemos quase nada sobre você, . Só que seu pai surfava e você também, vocês eram próximos e sua mãe não te quer perto do mar, tipo, faz meses que nós nos conhecemos e nós não sabemos mais nada sobre sua vida - comentou, me fazendo balançar a cabeça. Eu tinha essa mania de fazer as pessoas pensarem que me conhecem, quando na verdade elas não sabem nada sobre mim. Talvez fosse por isso que sempre ficava hesitante a meu respeito.
- Ele não é meu irmão - revirei os olhos - Eu não preciso levantar nem nada né? - não esperei por uma resposta e continuei - Eu sou um ano mais velha que ele. Meu pai se envolveu com outra mulher quando passou um tempo separado da minha mãe, quando meus pais se acertaram essa mulher ficou louca e, sei lá, ela ligava pra minha mãe e essas palhaçadas, até que ela cansou e nos deixou em paz, só que durante esse rolo dela com meu pai ela engravidou e escondeu da gente. Meu pai só descobriu quando ele tinha uns 7 anos - respirei fundo - Esse "irmão" se chama Samuel Peterson e ele meio que me odeia.
- Por quê? - Liam perguntou, curioso.
- Quando eu nasci meu pai deu um tempo do surfe, quando fiz 8 anos, que foi a época que ele descobriu sobre o Samuel, ele tinha voltado a surfar e ia em campeonatos e todas essas coisas. Quando eu fiz 13 meu pai morreu no mar. Ele já tinha surfado as piores ondas que tem, a Jaws, a Pipeline e muitas outras, e ele foi surfar a Maverick's, ele conseguiu - sorri, lembrando de como ele ficava animado a cada conquista - Mas, um dia, ele foi surfar com um grupo de amigos e um deles, meu padrinho, tomou um caldo feio; meu pai morreu salvando o melhor amigo dele - meus olhos encheram de lágrimas ao lembrar do desespero que senti vendo aquela cena, vendo os dois homens mais importantes da minha vida em perigo. Eu não sou de chorar na frente das pessoas, mas em situações como essa é inevitável, minha garganta estava fechada com o esforço de não chorar tudo que eu precisava, apesar de deixar algumas lágrimas caírem, eu precisava ficar sozinha para chorar tudo. Meu coração estava acelerado de lembrar o horror que foi aquele dia e contar para eles era como reviver o pior dia da minha vida.- Samuel tinha 12 anos na época, fazia só 5 anos que ele tinha descoberto que tinha um pai e eles não tiveram nenhum contato maior porque a mãe dele não deixou, quando ele ficou sabendo da morte dele o garoto ficou louco! - funguei - Ele sentiu bastante porque sempre quis ter um pai sabe? Só que a mãe dele não deixou, ela fazia de tudo pra afastar meu pai e colocou na cabeça do filho que meu pai não queria contato com ele. Samuel cresceu achando que meu pai tinha o rejeitado e ele me odeia por ter tido mais tempo com nosso pai - olhei para o fogo, sentindo um arrepio percorrer meu corpo quando lembrei de Sam falando que minha família era um lixo e que me odiava - E ele passou a odiar meu pai por ter parado de surfar quando descobriu que eu ia nascer, mas não parou quando descobriu a existência do menino; ele acha que meu pai dava mais valor a mim por ter deixado os riscos de lado durante meu crescimento, e não fez o mesmo por ele, ele também acha que meu pai não lutou por ele.
- Aquela foto da revista no seu quarto? - Niall falou, colocando a jaqueta dele nos meus ombros. Sorri o agradecendo e balancei a cabeça - Foi a volta dele depois de 8 anos parado, ganhou o campeonato, óbvio - ri, limpando as lágrimas que escorriam. - A mãe do Samuel odeia a minha, e me odeia também - ri, balançando a cabeça - E acho que ela meio que incentivou o garoto a me infernizar e ele vem fazendo isso já faz um tempo - mordi o lado de dentro da boca - Eu sei que a vinda dele pra cá é por isso. Quando eu sai da Califórnia foi complicado. Parte de mim odiou porque quando meu pai morreu parte de mim foi junto, mas estar perto do mar me fazia lembrar dos nossos momentos e eu me sentia completa de novo, mas mudar de lá também foi uma chance de recomeçar. Ele aqui só vai trazer todas as lembranças ruins de volta - engoli seco, coçando o nariz.
- Ei, ele não vai chegar perto de você - Louis me olhou, me fazendo encolher os ombros - É sério, agora você tem um exército. Liam aqui é tipo o Thor, só de olhar pro cara seu irmãozinho vai tremer - deu um tapa no ombro de Liam, que riu - Harry também sabe uns golpes, Niall e Zayn são imprestáveis, mas ninguém precisa saber - falou, sentindo a latinha de cerveja de Zayn atingindo sua cabeça e Niall mostrando o dedo do meio.
- Nós construímos memórias legais aqui, não vai ser ele que vai estragar isso - Niall segurou minha mão que estava gelada.
- Acho que é só isso mesmo. Ele vai tentar inventar um monte de coisas e fazer as pessoas desconfiarem que eu sou uma péssima pessoa, eu só quero que vocês falem comigo antes de acreditar em qualquer coisa que ele invente - pedi, olhando para cada um deles e sentindo medo de perder aquilo. Apesar de não me sentir totalmente parte do grupo, era bom ter o conforto de saber que tinha eles ali.
- Nós vamos te proteger, Mami - piscou, me fazendo rir. sorriu para mim, e eu sabia que aquilo queria dizer que estava tudo bem.Talvez isso estivesse faltando, me abrir um pouco mais, ser um pouco mais honesta, e foi bom contar, me fez bem, mas também me fez mal. Depois daquilo os meninos começaram a brincar e cantar, mas eu me mantive quieta, apenas pensando no que aconteceria daqui para a frente. Me assustei quando senti Niall segurar minha mão e me puxar para um canto onde conseguíamos ver a cachoeira dali de cima. Ele sentou na grama e eu sentei ao seu lado esperando para saber o que ele queria.
- Eu não queria falar disso porque...
- Não queria lembrar do momento que mais doeu em você? - Niall perguntou, eu estava olhando para frente, mas conseguia sentir seus olhos em mim - Eu entendo e acho que tudo isso é o motivo de você não se aproximar tanto das pessoas - virei meu rosto para ele - Você tem medo de perder o que é importante.
- Eu só não quero me machucar de novo, dói demais, Niall - deixei as lágrimas descerem novamente, fazia tempo que eu não falava sobre ele em voz alta, muito menos sobre a saudade e sobre como machucava - No começo eu mandava mensagem pro celular dele todo dia, mesmo sabendo que ele não ia responder, eu ia toda manhã na praia porque sabia que ele gostava de surfar cedo, ficava sentada na areia na esperança dele aparecer,mesmo sabendo que isso nunca iria acontecer. Até hoje as vezes eu ainda espero perceber que isso é um sonho ruim - mordi o lábio - Dói tanto que as vezes chega a ser sufocante e parece que não vai parar nunca. Eu não quero perder quem eu amo, esse é meu maior medo - olhei para baixo, sentindo vergonha do que estava acontecendo, do que estava falando. Percebi que ele ficou em silêncio, e a próxima coisa que senti foram os braços dele me puxando para seu colo e me abraçando forte, me balançando para frente e para trás.
- Ta tudo bem! - sussurrou no meu ouvido
- Eu só não quero ficar sozinha. Minha relação com a minha mãe mudou tanto depois que isso aconteceu, e depois que nós mudamos foi pior ainda. Eu não quero ficar sozinha mesmo - afundei meu rosto no pescoço dele, resolvendo não ligar para a vergonha que eu estava sentindo.
-Você não vai ficar sozinha - se afastou, segurando meu rosto com as mão - Nunca! - olhou nos meus olhos, me fazendo concordar com a cabeça. - Eu não vou te deixar sozinha, , isso simplesmente não vai acontecer - sorriu, me fazendo sorrir fraco. Ele estava tão perto que sua respiração batia em meu rosto e meu coração bateu mais rápido ao perceber ele se inclinando, pensei que meu peito explodiria no momento que senti seus lábios gelados nos meus, não foi um beijo de verdade, foi um encostar de lábios; rápido demais para me deixar querendo mais e longo o suficiente para me deixar sem ar. Mas então o beijo dele com Lia apareceu na minha cabeça e eu me afastei lentamente, abaixando a cabeça sem saber como olhar para ele; não era certo ser a outra, eu percebi que queria sim o beijar, mais do que pensei, mas não dessa forma, não sem saber o que ele tinha com a garota.
- Gente, a quer falar! - Zayn gritou, nos assustando e terminando com o clima. Respirei fundo olhando para o céu sem saber o que falar, mas por enquanto seria melhor agir normalmente, então me levantei dando a mão para ajudá-lo a levantar também.
- Vamos. - passou o braço pelo meu ombro e deu um beijo na minha cabeça, passei meu braço pela sua cintura tentando ignorar aquela bagunça de sentimentos em que eu estava.


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- Não hesita, eles não vai mudar com você por causa disso - Harry, beijou minha testa, me encorajando.
- Obrigada, pelo apoio e por entender - beijei Harry, e levantei, me sentando no meio de todos eles. - Todo mundo sempre soube que eu... Não sei como explicar isso. - respirei fundo - Eu me fechei mais que o normal e vocês também sabem que meu tio foi preso certo? - perguntei, vendo todos concordando - Por favor, deixem eu terminar de contar tudo pra fazer comentários, se eu não falar de uma vez não vou conseguir falar nunca - pedi, vendo todos prestando atenção em mim - Quando eu fiz 11 anos meu tio começou a ir em casa com mais frequência, e foi quando meu inferno começou. Ele entrava no meu quarto e me acariciava, eu não entendia direito o que estava acontecendo, mas sabia que não era normal ou certo, eu queria muito contar para os meus pais, mas ele me ameaçava e falava que meus pais me odiariam; eu acreditava, eu era só uma criança com medo e assustada, eu achava que eles me culpariam por aquilo. - mordi o lábio, tentando manter a voz firme - Com 12 anos ele tentou me beijar, mas eu mordi a língua dele e sai correndo, nós estávamos na minha casa e a governanta estava lá, não tinha muito que ele pudesse fazer naquele momento, eu grudei nela até ele ir embora, a mulher percebeu que eu estava assustada, mas eu não contei, inventei uma história qualquer e disse que queria ajudá-la naquele dia. Com 13 eu comecei a evitar nossa casa, preferia ficar no internato dizendo que tinha coisas pra fazer,ou ir pra casa de alguma amiga, mas sempre que eu ia pra lá os abusos continuavam, eram por cima da roupa, mas não era menos pior, era nojento e o medo que eu sentia só crescia no meu peito. Meus pais perceberam meu comportamento mudar, perceberam que eume tornei uma criança fechada, assustada, com medo de adultos, com medo de tudo, mas eu não contava o que estava acontecendo e eles passaram a achar que era coisa de pré-adolescente. - senti meus olhos encherem de lágrimas e balancei a cabeça - Fazia um tempo que eu não o via, pensei que as coisas melhorariam, que ele me deixaria em paz, mas nessas férias quando eu voltei pra casa ele estava lá, ele falava coisas tão nojentas, era horrível... Ele veio pra cima de mim e... E rasgou minha roupa, eu implorava para ele parar, mas parece que meu desespero excitava aquele monstro... Ele... Ele enfiou os dedos em mim e... - fechei os olhos com força, sentindo as lágrimas rolando, eu tremia tanto, era assustador lembrar de tudo e mais assustador ainda contar para eles, eu me sentia tão vulnerável que não consegui olhar para ninguém enquanto contava. Senti duas mãos segurando as minhas e abri os olhos vendo Zayn segurando uma das minhas mãos e Harry segurando a outra, eles me olhavam intensamente, me dando forças para terminar de contar - Doia, mas ele não se importava com os meus pedidos de acabar com aquilo, ele tampava minha boca pra que eu não gritasse, mas ele foi descuidado, não sabia que tinha gente em casa... Ele tava quase conseguindo... Ele... Já tava sem roupa e eu não tinha mais forças pra nada, só queria que aquilo acabasse,era um pesadelo. Ai eu ouvi o barulho da porta e comecei a gritar novamente - abaixei a cabeça, tentando recuperar o fôlego, eu soluçava e minha voz já não saía tão firme - Meu pai ouviu meus gritos e entrou correndo no quarto, não pensou duas vezes em tirar ele de cima de mim e espancar o cara, enquanto isso eu chorava abraçada na minha mãe. Fiz os exames que precisavam ser feitos e fomos para delegacia; por isso ele foi preso, todo mundo acha que foi por corrupção porque meu pai pediu silêncio sobre o assunto pra não me expor, e por isso meu comportamento anda estranho - engoli em seco.
- Você ta fazendo tratamento? - perguntou, sem olhar para mim
- Sim, tomando remédios também, pra ansiedade, depressão... Pra dormir - sorri triste. De todos eles só quem conseguia me olhar era , Liam e Niall. - Vocês podem olhar pra mim, sabe? - funguei - Eu não contei antes porque é difícil, é muito difícil falar em voz alta que você foi violada, é horrível relembrar tudo, é péssimo se sentir usada e saber que isso vai me marcar pra sempre, é angustiante pensar que isso pode atrapalhar meus relacionamentos com todos e que eu preciso de remédios pra conseguir apagar de noite sem lembrar daqueles momentos. Os flashbacks são sufocantes e a sensação de que esse corpo não pertence a mim me faz querer gritar, o nojo que eu sinto de mim mesma e a insegurança que isso me deu são coisas que não dá nem pra colocar em palavras, mas o pior de tudo são vocês que não conseguem nem me olhar - balancei a cabeça enquanto minha voz falhava devido às lágrimas.
- Não é... - Louis limpou a garganta e me olhou - Não é por causa dessas coisas... É saber que você passou por isso e nós não tínhamos nem ideia do que você estava sentindo.
- Foi não poder ajudar - me olhou, seus olhos vermelhos. Mas ainda não me olhava e isso estava me matando.
- Eu briguei com você quando você mais precisava de mim... - ela falou, olhando para as próprias mãos.
- Não tinha como você saber - me abaixei na sua frente - Eu quis guardar tudo isso, você só queria saber o que estava acontecendo para me ajudar, mas eu não conseguia... Não dava... - segurei suas mãos, fazendo-a me olhar, ela concordou com a cabeça e me abraçou forte. Todos eles me abraçaram em seguida, tentando me fazer sentir segura e aquilo me fez sorrir por um momento, ouvindo toda as palavras carinhosas que eles tinham para me dizer.
- Nós sabemos que é difícil superar algo assim, mas... Nós vamos segurar sua mão a cada passo do caminho, - sorriu, apertando minha mão.
- Eu sei, eu só...
- Não precisa falar nada - Harry me abraçou por trás, quando percebeu que eu não sabia mais o que falar. - Ta tudo bem! - beijou meu ombro, me fazendo respirar fundo.
- Você se importa se eu dormir com a essa noite? - perguntei, sabendo que ele entenderia. Depois de lembrar disso tudo eu não conseguiria dormir com ele.
- Claro que não, eu já tava com saudade de dormir de conchinha com Louis - sorriu, me fazendo balançar a cabeça, me afastei dele indo sentar com as meninas, que me abraçaram novamente e resolveram falar sobre algo mais leve para me distrair. A noite inteira foi pesada, mas nós finalmente estávamos livres dos segredos que vinham causando as brigas e desentendimentos, apesar de tanta coisa negativa que compartilhamos o ar estava mais leve porque estávamos voltando a ser o grupo que éramos no começo.
Quando o sol nasceu, a esperança de que a partir dali tudo ficaria bem novamente nasceu junto.

Capítulo 24

Louis

Eu ainda não sabia muitas coisas sobre e uma delas é que a garota era fã de música eletrônica e me fez ir em uma sexta- feira de manhã o caminho inteiro até a praia ouvindo um tal de Dj Blasterjaxx que eu não fazia a menor ideia de quem era. Eu até curto eletrônica, mas não por horas e ela estava tão animada ouvindo aquilo que eu não queria cortar a onda da garota. Todos os anos a turma Sênior tem esse acampamento na praia, as escolas normais fazem o acampamento na própria escola, mas como já moramos lá não teria graça, então para inovar eles resolveram fazer isso e acho que esse era o motivo da animação da garota; estar voltando para a praia. Sempre vai pelo menos dois professores juntos para supervisionar e dessa vez os escolhidos foram os melhores possíveis; a professora de biologia e o professor de educação física. Os dois eram tranquilos e por isso não precisaríamos viver de regras até domingo.
- Então... - começou e eu tampei a boca dela, além de ir o caminho inteiro enchendo o saco com aquela música, ela foi enchendo o saco pelo fora que levei da - Eu não disse nada é só que... Eu lembro assim, perfeitamente bem de você dizendo que nunca tinha levado um fora na vida e eu adorei estar presente na primeira vez, sabe?
- Eu te odeio! - falei, mantendo uma expressão de tédio, o que fez rir alto chamando atenção de todos que estavam sonolentos. Eu entendia , entendia que muita coisa estava rolando na casa dela e entendia o motivo do não, mas isso quer dizer que eu fiquei feliz com o acontecido? Não. Nem eu sabia que queria pedir a garota em namoro, foi totalmente espontâneo e depois que as palavras saíram da minha boca confesso que fiquei assustado, por isso a semana inteira foram poucas as vezes em que nos encontramos, ela parecia tão entretida com as responsabilidades da escola que pareceu não notar; o que eu não sabia se me deixava preocupado ou aliviado, mas me fez pensar sobre o assunto a semana inteira.
- E você e o Niall? - sussurrei, já que Lia estava a poucos assentos de nós. havia me contado sobre o pseudobeijo dos dois e eu queria mesmo saber qual era a deles.
- Nem pensei nisso esses dias para te falar a verdade - suspirou, olhando para os bancos da frente onde seu irmão estava sentado rodeado de meninas. O cara era boa pinta e assim que chegou fez sucesso com as garotas, até o momento não havia falado direito com e ela estava preocupada com o fato dele ignorando dessa forma, mas nós tentamos ignorar todos os problemas aquela semana porque todos estavam cansados de ter que pensar o tempo inteiro. - E nós combinamos que esse fim de semana vai ser livre de problemas e nós só vamos curtir, então é isso que nós vamos fazer. Sem mencionar meu irmão, o cara da máscara, seu pai, a família da e da , nada... Só vamos viver um fim de semana bem tranquilo fazendo coisas idiotas.
- Eu sou bom nisso... Em fazer coisas idiotas - sorri para, balançando seu cabelo.
- Eu sei que é - me empurrou, rindo.

[...]


- Eu amo dar ordens - comentei com depois de ficar apenas olhando os meninos montando nossas barracas, ela estava ao meu lado vendo as pessoas de um lado para outro saindo da área do acampamento para ir até o parque de diversões da praia. As barracas já estavam montadas, Harry e Niall pareciam mais fazer um ritual do que qualquer coisa, a cena era ridícula, , que havia lido o manual, havia montado a sua e ajudado as meninas, que se divertiam assistindo meus amigos patéticos tentando. Agora estávamos a caminho do parque de diversões que tinha na praia, apenas 10 amigos se divertindo sem drama e preocupações, estava tudo na maior tranquilidade.
- Eu não vou em nenhum desses brinquedos - fez careta, apesar de não ser um parque pequeno caindo aos pedaços ela ainda ficava com o pé atrás.
- Eu te desafio - falei, segurando sua mão e apontando para a roda gigante, dava para ver a estrutura balançando, mas todos haviam garantido que aquela coisa era segura, então por que não tentar?
- Eu topo - foi a primeira a levantar a mão.
- Eu odeio rodas gigantes suspeitas, passo - Harry fez careta - Nós vamos procurar algo que não nos coloque em risco de vida - segurou a mão de , que o olhou de canto.
- Desculpa, nós quem? - arqueou a sobrancelha - Homem nenhum responde porque mim, amor. Eu to louca pra ir nessa roda.
- Mas amor...
- Não precisa ir, mas eu vou - deu de ombros, nos fazendo rir da cara de indignado que Harry havia feito. No fim todos concordaram em ir, apenas pelo desafio, já que odiava pular fora de qualquer um. Na fila encontramos algumas pessoas da escola, e era incrível como as pessoas eram diferente fora e dentro do internato. Peter, o nerd da aula de química avançada já não parecia mais tão nerd da química avançada, e a Penny, uma das líderes de torcida que faziam sucesso no internato porque sabia que aquele era seu domínio, já não parecia tão segura do lado de fora onde ninguém a conhecia.
- , olha isso... - falei, apontando para onde eu fazia a análise profunda sobre as pessoas da escola, mas olhava para a roda gigante assustada e com a respiração acelerada; suas mãos soavam. - Ta tudo bem? , olha pra mim - pedi, virando seu rosto em minha direção - Respira direito, ruivinha - falei, esfregando suas costas, ela concordou com a cabeça e começou a tentar regular a respiração.
- Desculpa, eu sei que isso é ridículo, mas... Eu não consigo controlar e. como tá meio quente isso acontece mais frequente e..
- Você tem medo de altura? - perguntei, segurando seu rosto para olhá-la nos olhos.
- Não... Eu só fico nervosa e ai fico assim - falou, seus olhos começando a encher de lágrimas - Essa coisa, esse transtorno que eu tenho me controla, Louis. Eu fico nesse estado do nada e com as coisas mais bestas, eu não quero ter uma crise aqui no meio de todas essas pessoas e... - ela tinha dificuldade para falar, e fazia bico o tempo inteiro para tentar controlar a respiração, seus olhos iam para todos os cantos, com medo de alguém estar prestando atenção. Eu não sabia o que fazer, que dizer, eu sabia como ajudá-la a controlar a crise, mas não sabia como fazê-la sentir melhor.
- Amor, olha pra mim - falei, mas ela não me encarava - . Olha, pra mim - falei pausadamente, vendo seu rosto virar em minha direção - Você ta segura, nós estamos aqui, seus amigos. Não tem ninguém prestando atenção em você, ta tudo bem! - falei, sentindo a garota me abraçar e encostar a cabeça no meu ombro, seus olhos azuis provavelmente estariam fechados, ela tremia um pouco, mas disse que queria ir em frente. No segundo seguinte o funcionário nos chamou para entrar e assim o fizemos. Sentei com e segurei sua mão, vendo que sua respiração já não estava mais tão acelerada.
- Desculpa por isso, eu... - começou a falar, mas parou. Ela se transformava em outra pessoa quando tinha uma crise ou uma quase crise, toda aquela pose de durona ia embora e ficava apenas uma garota assustada.
- Para de se desculpar por uma coisa que você não tem controle - olhei para ela - Em vez disso presta atenção nesse pôr do sol - apontei para frente onde o sol descia no nível do mar deixando tudo alaranjado e lindo.
- - ela me chamou - E se eu te jogasse daqui? - perguntou, rindo, me fazendo balançar a cabeça por ter achado que ela falaria algo importante.
- Você provavelmente seria presa por homicídio. Ta pensando nisso por quê?
- Não sei, é mais forte que eu. Tipo, quando to em lugares altos fico pensando nessas coisas, e se alguém caísse por acidente ou fosse empurrada por acidente? E no metrô também penso em coisas do tipo, e se alguém caísse no trilho acidentalmente? - franziu cenho provavelmente pensando nas possibilidades e me fazendo rir.
- Credo, tanta coisa pra pensar e você pensa nisso.
- Eu não controlo meus pensamentos, ué - falou, dando de ombros, o que me fez rir - Eu ando escrevendo – confessou.
- Vai me deixar ler? - sorri, me aproximando e vendo ela negar e arregalar os olhos quando a cadeira balançou - Qual é, , me deixa ler suas músicas - insisti.
- Claro que não, é íntimo.
- Eu enfio a minha língua na sua boca todos os dias, quer mais íntimo que isso? - perguntei, vendo a careta da garota e levando um soco no ombro em resposta.
- Você é um ogro nojento - revirou os olhos, meio emburrada. tentava muito ser uma mulher madura, mas por baixo da máscara de inatingível e responsável estava uma garota que tinha vontade de viver, mas que teve que se organizar desde pequena para tomar conta de si com a partida da mãe. E só nos últimos meses que percebi que o motivo para me identificar com ela era por ter passado pelo mesmo. Ter que crescer e cuidar de mim e da minha mãe quando meu pai sumiu, e depois tentar ser um bom irmão para minhas irmãs. Eu posso ser o mais imaturo dos meninos, mas é porque quando estou no internato eu não tenho o peso de todas aquelas responsabilidades que eu tive desde pequeno, eu via em a vontade de fugir dessas responsabilidades, a vontade de ser apenas uma adolescente normal, mas também o medo causado pelo seu transtorno; estagnava no lugar por puro medo e eu queria que ela sentisse parte da liberdade que eu sentia quando me permitia esquecer de tudo. Não era mais uma diversão desafiar a sair de sua zona de conforto, era vontade de ajudá-la. - Louis, eu to falando faz meia hora e você não ouviu nada, você é um babaca, não sei nem porque eu ainda tento ter uma conversa com você. As vezes eu acho que você só ta interessado em "enfiar a língua" na minha boca - repetiu minhas palavras.
- Desculpa? Semana passada eu te pedi em namoro e levei um fora, se eu quisesse só isso não ia te aguentar reclamando no meu ouvido 24 horas por dia - revirei os olhos, esquecendo que estava admirando a garota quando ela começou a reclamar e não parou mais.
- Eu teria aceitado se soubesse que você ia ficar jogando isso na minha cara, seu ridículo - bufou, e ia continuar, mas sua fala morreu assim que a roda gigante parou no alto, sua mão agarrando a minha, o que me fez rir. - Ta rindo de que? Não tem graça, ai meu Deus.
- , lembra que você me falou sobre uma das suas cenas preferidas de uma série? - perguntei, vendo que ela começava a ficar nervosa novamente.
- Você quer mesmo falar sobre séries agora?- seus olhos estavam fechados e eu balancei a cabeça rindo daquilo.
- Quero! Lembra qual foi a cena que você me falou?
- Pelo amor de Deus, por que você quer falar disso agora? - a irritação era notável.
- Porque talvez você só precise de alguma coisa para te distrair - revirei os olhos citando a frase da cena que ela me fez assistir pelo menos vinte vezes.
- Como eu vou me distrair, seu desgraçado? Eu não consigo respirar e essa coisa não desce, eu... - ela ia continuar falando, mas segurei seu queixo e a beijei. Sua reação deixou óbvio que ela não estava esperando por aquilo, mas ela me beijou de volta, as mãos ainda na barra de segurança, acaricie sua cintura sentindo sua boca se movendo contra a minha, ela mordeu meu lábio e abriu os olhos, ainda bem perto, seu nariz encostando no meu. - Não acredito que você lembrou - continuou me olhando nos olhos.
- Pode parecer que eu sou desligado que não ouve que você ta falando, mas eu ouço, - dei um selinho nela, que respirou fundo e riu. - E você ter me feito assistir The O.C um milhão de vezes ajudou a lembrar da cena.
- Você não existe - balançou a cabeça, percebendo que já estávamos no chão novamente. Ela segurou minha mão e me guiou até nossos amigos enquanto eu via o sol batendo em seus cabelos ruivos. Eu estava preocupado, em menos de 1 hora ela havia quase tido duas crises, mas se eu falasse sobre isso agora ela provavelmente me afogaria, então deixei para falar disso depois. se juntou as meninas enquanto eu e os meninos víamos a animação delas escolhendo algodões doce.
- Não é o irmão da , ali? - Liam apontou para onde Samuel estava, ele conversava animado com enquanto as meninas ignoravam, concentradas no algodão-doce.
- Não gosto desse cara - Zayn comentou, encarando os dois com os braços cruzados.
- Não gosta porque ele ta conversando com a , ou... - Niall provou, sendo acertado por um soco de Zayn, o qual foi revidado e os dois começaram uma lutinha ridícula enquanto nós três ignorávamos.
- Queria saber qual a dele - Harry comentou, vendo que ele tentava uma intimidade com .
- Pode ser irmão da , mas eu vou quebrar a cara dele, com licença - Zayn foi em direção aos dois, abraçando por trás e dando um beijo em seus ombros, ela nem percebeu que o garoto estava com ciúme porque apresentou os dois.
- Minha amiga é muito burra mesmo, puta que pariu - Niall bateu na própria cabeça - Vamos lá, se o Zayn resolve virar o incrível Hulk nós temos que intervir - saiu andando na nossa frente.
- Desde quando ele conhece palavras do tipo “intervir” ? - apontei para o loiro.
- Desde que sua namorada ajudou ele com um trabalho ai - Harry deu de ombros.
- Ela não é minha namorada - falei despreocupadamente.
- Mas queria que fosse - Harry insistiu, me fazendo respirar fundo - Qual é cara, eu sou seu melhor amigo, eu sei que você ficou chateada quando ela disse não.
- Ela tem os motivos, Harry.
- Eu sei que tem, mas Louis, a tem esse defeito de achar que todo mundo vai fazer as vontades dela e esperar o momento dela, esse é um dos motivos pelo qual ela e a discutem tanto - Harry parou de andar, segurando meu ombro - Ta na cara que você ta louco pela ruiva, cara. E ta mais na cara ainda que ela ta assustada com isso, eu acredito que tudo que rolou na família dela faz ela acreditar que não é o momento certo para vocês dois, mas ela ta tentando SE convencer de que é esse o real motivo, quando na verdade ela só ta com medo.
- Desde quando você entende dessas coisas, Styles?
- Eu tenho uma irmã mais velha, babaca.
- E eu tenho 85 irmãs, mas nada disso fez sentido.
- É porque você é um imbecil com sensibilidade zero. - deu um tapa na minha testa, me fazendo desviar do segundo tapa que viria - Sua garota ta assustada por causa dos transtornos dela, tenho certeza que ela acha que você não vai querer ficar por perto quando tiver as crises fortes, então deixa de ser mole e fazer as vontades dela, vocês dois estão namorando, deixa de veadagem.
- Você ta falando pra colocar ela contra a parede?
- Não, isso vai deixar ela ainda mais assustada e ela vai te dar um pé. Conversa direito com ela sobre isso, vocês dois tão juntos, essas conversas têm que rolar, sobre os medos de vocês e essas palhaçadas todas que faz você se conectar com a pessoa...
-Você ficou fresco depois da e...
- Cala a boca e escuta, sua anta. Se você ficar parado esperando a hora dela vocês não vão chegar a lugar nenhum porque é inconsciente, mas ela usa todos esses problemas como desculpa pra fugir do que quer, mas tem medo. Se liga se não você vai perder a , cara - bateu no meu peito, e fazendo olhar para onde ela estava. estava nas suas costas tentando dar algodão-doce para ela que ria cada vez que errava sua boca, tirava fotos das duas que nem perceberam.
- Eu tive uma ideia para a noite da fogueira - falei, mordendo o lábio e indo em direção a eles.
- Que? Não, Tomlinson volta aqui, não era pra ter ideia nenhuma, suas ideias são péssimas, puta que pariu - Harry gritava atrás de mim.
- Se alguma coisa der errado eu coloco a culpa em você já que você que quis ter essa conversa profunda - respondi, vendo Harry balançar a cabeça.
- Isso que dá querer ajudar - Harry balançou a cabeça, parando ao lado de , que logo começou a mostrar as fotos para eles, enquanto ignorava seu irmão que sorria em sua direção.
- Perdeu alguma coisa aqui, cara? - perguntei, chamando sua atenção.
- Não, só queria conhecer os amigos da minha irmã - deu de ombros como se não quisesse nada.
- Conta para eles da competição de surf, Sammy - sorriu, parando ao meu lado e segurando minha mão. A olhei com cenho franzido pelo apelido usado enquanto o garoto começava uma história que eu não estava interessado porque estava claramente desconfortável com aquilo.
- Eu acho que vi o Connor passando por ali e tenho que falar com ele, depois eu encontro vocês - ela falou rapidamente e já ia sair andando, até Samuel finalmente dirigir a palavra a irmã.
- Não precisa sair só porque eu to aqui! - seu sorriso não parecia ser bem-intencionado.
- Deixa de ser patético, eu não deixo de fazer coisas por sua causa - parou de frente para ele, e os vários centímetros que separavam os dois não parecia fazer a menor diferença porque a raiva de a fazia parecer grande e eu nunca havia visto tanto ódio naquela garota.
- Ainda com problemas pra controlar a raiva irmãzinha? - o sorriso de Samuel nunca morria.
- Já te falei um milhão de vezes para não me chamar assim. Eu sempre quis um irmão, mas você é um psicopata - cuspiu as palavras em Samuel, que finalmente parou de sorrir - Fica longe de mim e dos meus amigos - virou as costas e começou a andar, enquanto nós não sabíamos o que fazer. Nunca havíamos visto com raiva, ela estava sempre tranquila, então ninguém sabia o que fazer ou falar.
- Será que eles vão continuar sendo seus amigos depois de descobrir a louca que você é? - Samuel gritou, chamando atenção de algumas pessoas que estavam por perto, sua fala estampando curiosidade no rosto de todos nós, mas não parou de andar, apenas seguiu o caminho sem olhar para trás. - Foi ótimo conhecer vocês - o garoto sorriu novamente, como se nada tivesse acontecido e saiu para o lado oposto ao da irmã.
- O que acabou de acontecer aqui? - Liam perguntou, coçando a cabeça.
- Será que ela está bem? - perguntou
- Eu não sei, a é complicada de entender - olhei para a direção que ela havia ido. - Melhor a gente ir atrás, daqui a pouco voltamos pro acampamento e ela perdida por ai.
- Então vamos nos dividir - Zayn me olhou sorrindo. Mais cedo ele havia me falado que não aguentava mais Liam reclamando sobre e o sorriso que Zayn me dava deixava claro que ele separaria as pessoas por casal, mas ele não teve a oportunidade de continuar falando com a aproximação de duas pessoas que nós não queríamos por perto no momento.
- Olha Lia, o pessoal - Delphine sorria, com um urso nos braços -Como vocês estão? Lembraram de aplaudir o astro-rei? Vocês sabem que o Sol é o regente desse ano? Esse é um ano de encerramento sabe? É um ano onde nenhuma mentira tem espaço, ta todo mundo mais sincero que o normal por causa disso.
- É, ta todo mundo muito sincero mesmo - nos olhou sorrindo, lembrando da nossa rodinha da sinceridade e dando corda para Delphine. Eu não sabia se era muito desligada ou fazia de propósito, era impossível descobrir - E mais o que você tem pra falar sobre esse ano? - perguntou, ainda sorrindo. Ouvi Zayn soltar um gemido ao seu lado, enquanto e riam e Niall balançava a cabeça, o único que realmente parecia interessado naquelas coisas era Harry, que prestava atenção de verdade.
- Ah, é o ano do encerramento, por isso muitas mudanças acontecem, é o ano de conclusão, por isso você tem que desapegar das coisas sabe? Deixando o passado pra trás de verdade, tem muitas decisões que estavam sendo adiadas sendo tomadas agora e é por causa das vibrações desse ano - Delphine olhava para o horizonte enquanto falava.
- Também o ano das desgraças? Porque olha, só aconteceu merda esse ano - , como a cética de sempre, falou de forma cínica, mas Delphine não parecia notar.
- Assim, por causa de dois planetas você pode sentir certo caos e incertezas, e como muitas mudanças aconteceram e ainda vão acontecer esse ano isso te deixa confusa sentindo que só coisa ruim ta acontecendo, aposto que algumas coisas aconteceram na vida particular de vocês que fez sentir como se suas vidas tivessem de pernas para o ar - ela falou dando de ombros, e foi o momento em que todos nos olhamos porque isso realmente havia acontecido com quase todos - Mas vai ficar tudo bem - ela sorriu para Lia, que apenas concordava com a cabeça. Acho que a amizade delas duas é assim, Delph só fala coisas sem nexo e Lia apenas concorda.
- Isso explica muita coisa - Harry falou o cenho franzido e recebeu um tapa na cabeça de .
- Tudo isso foi super interessante, mas nós estamos meio que ocupados no momento - falou, me fazendo rir.
- Ah, certo. Nós não queríamos atrapalhar - Lia sorriu de forma tímida, olhando para Niall que como o grande banana que era evitava encarar a garota.
- Que isso, não ta atrapalhando não - só podia estar brincando com a minha cara.
- Certo, continuando - Zayn falou, passando a ignorar as meninas - Louis e vão para um lado. Eu, Niall e para outro - Zayn apontava para nós - e Harry, Liam e e...
- Opa, e quem? - levantou o dedo enquanto Liam fazia careta ao seu lado.
- Sem frescuras, sua amiga saiu por ai estressada e ela não conhece nada por aqui, só quem conhece ele lugar é a e a , vocês vão calar a boca e cada um vai para um lado, se em duas horas ninguém tiver notícias nós vamos falar com o professor, fiquem de olho no celular - Zayn continuou.
- É uma missão de resgate? - Delphine olhava animada.
- Não, é um jogo nosso na verdade - respondi antes que abrisse a boca. O que nós menos precisávamos era das duas querendo ajudar porque provavelmente ela tentaria se localizar pelo sol e nós teríamos que procurar não apenas , mas Lia e Delphine também. - A gente se vê na festa mais tarde, tchau meninas - acenei com a mão e chamei o pessoal com a cabeça. - Na frente da roda daqui duas horas, combinado? - falei, vendo todos concordarem. Enquanto falava algo com e eu apenas observava Samuel com algumas garotas do time de torcida, podia ir com a cara dele, mas eu não conseguia ver nada de bom naquele garoto, ficaria de olho nele para ter certeza que ele não tentaria fazer nenhum mal a .
- Vamos? - fui surpreendido por se pendurando no meu pescoço e dando um beijo na minha bochecha.
- Ta tudo bem? Não ta cansada? - perguntei, ela ficava esgotada depois de ter crises e mesmo não chegando a ter ela devia estar cansada.
- Mais ou menos, mas procurar a é nossa prioridade agora. Querendo ou não agora ela é parte de nós! - falou, enquanto eu andava ainda a carregando nas costas. Sorri percebendo que ela estava aceitando melhor a ideia de ter conosco.
- Se você acha que eu vou te carregar o tempo inteiro você ta enganada! - falei, inclinando para trás e ouvindo o grito dela, que achou que cairia.
- Idiota, se eu cair eu juro que te mato, Tomlinson - ela falou, se segurando mais forte no meu pescoço e rindo.
- Me mata de amor né? Olha como ta agarrada em mim.
- Só segue seu caminho, Louis! - sussurrou no meu ouvido, rindo ao me ver arrepiar.

Liam

Zayn havia feito de propósito e eu sabia. Ver andando a minha frente e o sol, já fraco, batendo em seus cabelos loiros que sempre brilhavam tanto era hipnotizante, mas eu não dava o braço a torcer, ainda não conseguia aceitar que ela havia colocado um puta de um chifre na minha cabeça e falou com a maior naturalidade, depois veio se fazendo de vítima e querendo saber meus assuntos com Derek como se ainda fomos amigos, eu não conseguia conter minha irritação perto dela. Irritação em saber que acabaríamos dessa forma, irritação em ter achado que ela seria diferente comigo, irritação em ter achado que nós poderíamos ter algo sério e em como eu havia sido feito de otário direitinho. E ultimamente por causa dos problemas em casa eu estava ainda mais irritado, meus negócios com Derek, tudo virava uma bola de neve me fazendo ter vontade de socar algo, eu odiava não ter o controle sobre minha vida e saber que o vício do meu pai havia me colocado nessa posição era ridículo, ele devia cuidar da família e não fodê-la, tudo isso e não me resolver com estava me tornando em uma pessoa estressada.
-... ela é desse tamanho, tem os cabelos escuros e ondulados. Ai, calma que essa pode ser qualquer uma, eu tenho uma foto dela aqui - falava com um grupo de adolescentes que pareciam prestar mais atenção em seu decote do que no que ela falava - Aqui, é essa garota, vocês a viram? - mostrou o celular, vendo todos negando.
- Não, mas já que você ta com o celular na mão podia aproveitar e anotar meu número, né gata? - um dos caras falou, me fazendo reviras os olhos, me irritei mais ainda ao ouvir as risadas dela.
- Essa foi boa, mas você tem que tentar uma melhor pra conseguir meu nome, imagina meu número! - respondeu, o que fez os amigos do garoto gritar - Valeu pela ajuda gente, caso vocês a vejam avisa que ela precisa voltar pro acampamento, por favor? Ela vai entender! - sorriu, e virou as costas me olhando, até achei que ela falaria algo, mas ela respirou fundo e virou as costas andando para longe de mim e ignorando minha presença; era assim nossa convivência, um evitando o outro. Coloquei a mão no bolso da calça e fui andando atrás dela a um espaço seguro. Ela era tão confiante, dava para saber apenas pela forma como havia falado com aqueles garotos, ela sabia que eles a olhavam como se fosse um pedaço de carne, mas ela sabia lidar com isso. Andava como se o mundo fosse uma passarela com passos firmes e exatos, seu quadril balançava com elegância e ela fingia não perceber todos os olhares que recebia; ela era confiante e isso sempre havia me intimidado, por isso nós não eramos tão próximos antes do começo do ano. Depois do que aconteceu com Derek e eu vi seu lado vulnerável pela primeira vez me senti confortável em tentar uma aproximação, não por ela estar vulnerável, mas por perceber que ela não era nariz empinado como eu achava, ela era apenas uma garota confiante que sabe o valor que tem. O problema do mundo é achar que mulheres não podem saber os direitos que tem, não podem ser conscientes da beleza que tem, não podem saber o valor que tem, se essas mulheres têm noção de todas essas coisas e não abaixam a cabeça por ninguém todos já começam a julgar como metidas, pura ilusão, elas apenas sabem quem são e o que merecem. Depois de conhecer a ideia de que mulheres não podem ter essa atitude parecia cada vez mais ridícula. Lembro muito bem do dia em que ela me disse que eu havia a defendido do Derek por ele tratá-la como uma vagabunda, suas palavras foram “se eu fosse você não faria o mesmo”. Ela sabia muito bem que merecia respeito. - Se você não vai ajudar então pode voltar que eu faço isso sozinha - finalmente ouvi sua voz se direcionar para mim com uma indiferença absurda.
- Você lida com isso melhor que eu! - falei, dando de ombros.
- Porra, eu to cansada desse clima. Todo mundo conseguiu se resolver, mas você sempre tem que ser o babaca mal humorado. - eu apostava que ela estava revirando os olhos.
- Não é porque todo mundo desculpa todas as suas merdas que eu tenho que desculpar também - passei por ela, mantendo a voz firme. Ou nos ignorávamos, ou nos atacávamos, não tinha como ter paz e isso era culpa do meu gênio forte e de sua mania de falar verdades. Ouvi sua risada e estranhei, mas continuei andando, eu nem sabia para onde estava indo, mas não parei de andar, estava irritado, ficar perto dela me deixava assim.
- Você fala como se não cometesse erros. Desculpa se você é perfeito, nem todo mundo sabe tomar todas as decisões na vida, nem todo mundo tem uma vida sem preocupações. Algumas pessoas cometem erros, Liam. Algumas pessoas ficam confusas e perdidas, mas a diferença é que eu não finjo como você faz, eu admito meus erros, me desculpo e sigo em frente - sua voz estava mais perto, e ela jogava as verdades na minha cara com vontade.- Você agindo assim só mostra que é covarde, mas eu nem devia me surpreender, quer dizer, é isso que a gente pode esperar de um cara que anda de conversinha com o Derek né? - sua voz, ainda, indiferente me fez explodir, ela falando sobre Derek sem nem saber como eu odiei ter que procurar ajuda logo dele me fez querer contar o que estava acontecendo, me justificar, tirar aquela visão ruim que ela estava tendo de mim, mas ela tentaria me fazer mudar de ideia e eu não queria isso. Respirei fundo e olhei para ela, que quando percebeu meu movimento parou no lugar, mas não pareceu intimidada em nenhum momento, muito pelo contrário, seus olhos nos meus pareciam ainda mais firmes.
- Covarde? Você quer falar de covardia? - cerrei os olhos, me aproximando dela - Você só me traiu porque tinha medo de confessar que estava apaixonada por mim, . Você não consegue aceitar que finalmente ama um cara, você não suporta a ideia de ter um relacionamento sério porque morre de medo desse sentimento, é por isso que você traí, é por isso que você escolhe pessoas com quem sabe que não vai ter ligação nenhuma. Você só sentia atração por mim e nunca imaginou que se transformaria nisso, e ai, por ser covarde, você teve que foder tudo - minha voz era baixa, mas as palavras saíam com firmeza e eu vi seu olhar vacilar, mas se recuperou logo em seguida, erguendo o pescoço.
- Você não sabe o que... - ia continuar, mas seu celular tocou, ela continuava me encarando até lembrar de atendê-lo - Oi - falou mordendo o canto da boca, mas seus olhos nunca deixaram os meus. - Acharam? Não vai mais pra roda gigante não? Direto pro acampamento? Ok, estamos indo! - desligou e respirou fundo.
- Onde você ta indo? - perguntei ao ver a garota me dar as costas.
- Acharam a e agora ta todo mundo voltando, não sei se você percebeu, mas já ta escuro - bufou, e continuou andando, eu apenas a segui. Queria saber qual seria sua resposta, mas não provocaria novamente, não valia a pena entrar nessas discussões, era desgastante e cansativo.
Depois de andar por uns 10 minutos eu comecei a ficar preocupado, nós não achávamos o parque e nem algum lugar conhecido. O que me faltava era ficar perdido com ela logo agora que haviam achado . Após nossa discussão ela permaneceu quieta, não abriu a boca para nada e para falar a verdade eu estava achando ótimo, me dava a oportunidade de pensar em tudo e tentar entender como deixamos as coisas chegar a esse ponto.
- Acho que nos perdemos - me assustei com sua voz, que não saía a minutos.- Vou perguntar ali como faz pra...
- Não precisa pedir informação, eu tenho certeza que o parque está por perto - revirei os olhos.
- Eu sei que homens são babacas e tem mania de achar que não precisam pedir informações, mas eu não to nem um pouco afim de ficar perdida, já está escuro e eu to cansada, se você quiser pode tentar se achar, mas eu vou pedir informação porque não aguento mais ficar aqui e nem ficar perto de você - sua voz parecia magoada e agora eu entendia porque ela não estava falando. Fiquei parado ali vendo a garota pedindo informação para um casal, eles apontavam para a direção oposta a que íamos e ela balançava a cabeça. Sorriu, provavelmente agradecendo e me olhou me chamando com a cabeça, nem esperou uma resposta e continuou andando.
- Não aguento mais ficar perto de mim? Eu que devia falar isso já que… - comecei novamente, eu não aguentava ficar em silêncio novamente, nem que precisássemos colocar nossa raiva para fora.
- Puta que pariu, Payne, troca o disco. Eu sei que te traí e essa palhaçada toda, mas chega de jogar isso na minha cara, para de agir como se você não cometesse erros, seu babaca - começou a gritar comigo, empurrando meu peito. Era mais uma das nossas brigas e eu sentia falta delas, não por ser masoquista, mas era nossa forma de mostrar que nos importávamos, por mais torto que isso possa ser. - Eu preciso te contar uma coisa sobre aquela noite, mas não vou abrir a boca até você me contar o que quer com o Derek.
- Assunto particular - respondi, vendo a garota respirar fundo e concordar com a cabeça.
- Então você vai continuar achando que é chifrudo - deixou essa no ar e voltou a andar, me deixando com um grande ponto de interrogação na cabeça. Achando que é chifrudo? Ela estava insinuando que não havia me traído? Como se eu fosse acreditar naquilo, ela só queria me fazer ir atrás.
[...]


- Ela só tava sentada na frente do mar, sem expressão nenhuma - Niall contava sobre quando encontraram , estávamos sentados na frente da barraca e era louco ver a lua refletida no mar aquela hora e o tanto de estrelas que enfeitava o céu, dava uma paz ficar sentados ali só sentindo o vento fingindo que nada nos preocupava. Sempre gostei de como a praia ficava a noite, para mim era mais bonito do que no pôr do sol, o céu brilhava tanto com as estrelas que não parecia nem real;
- Ela falou alguma coisa? - ele negou, suspirando.
- E você? Não vai falar com a mesmo? -
- Não, ela só quer atenção - dei de ombros, mas eu estava curioso de verdade.
- Para de ser teimoso e conversa com ela, pode te surpreender cara, aproveita que ta todo mundo fingindo ser normal esse fim de semana e não deixa passar essa oportunidade, vocês dois são orgulhosos, mas só de mencionar de contar a verdade ela já abriu mão do orgulho.
- Então faz o mesmo em relação a , cabeção - dei um soco em sua cabeça e levantei, ele veio correndo atrás de mim e eu corria dele para me juntar ao pessoal que estavam em volta de uma fogueira, Niall me alcançou e me jogou na areia, fazendo nossos amigos rir.
- Agora que as duas moças se juntaram vamos começar! - Louis se levantou com uma garrafa d'água na mão - Inspirado pela nossa rodinha da sinceridade, como apelidei, nós vamos ter a rodinha da confissão onde confessaremos nossos maiores medos - falou, estranhei vendo Harry bater na cabeça a balançando de forma negativa, mas não falei nada - Teremos que ser rápidos porque daqui a pouco as damas têm que se arrumar para a festa, então eu começo. Meu maior medo é crescer e...
- Nossa, sério, toda sua maturidade nem deixa isso óbvio - zombou, fazendo todos rir e sentir um alívio de saber que ela aparentava estar bem.
- Continuando... Crescer e perder as pessoas que eu amo - falou, se sentando ao lado de . Zayn confessou que tinha medo de altura e não sabia nadar, Harry falou do medo das cobras e riu falando que medo da cobra do Louis ele não tinha, concordou e Harry ia entrar em uma discussão sobre o assunto, mas Niall o cortou e contou do medo de aves e eu confessei que não era muito fã de alturas, mas não tinha muito problema com isso. No geral, nossos maiores medos eram os mesmos, perder as pessoas que amamos ou não ser capazes de fazer algo que nos complete.
- Eu tenho medo de palhaços - fez careta - E de falhar - olhou para baixo com um olhar triste e distante. Na mesma hora Louis e Harry se olharam, pareciam ter entendido algo que eu não havia, mas dei de ombros enquanto as meninas continuavam.
- Eu tenho medo de cobras, como Harry – mostrou a língua para o melhor amigo - E de decepcionar as pessoas que eu amo - ela me olhou e eu nunca havia sentido arrepios só com o olhar de alguém, mas fingi que não havia acontecido nada e desviei os olhos.
- Eu tenho medo de escuro - comentou.
- Dorme agarradinha no Niall - interrompeu, e levou um empurrão em resposta.
- Escuro e de me abrir - deu de ombros, como se não fosse nada demais, fazendo todas as meninas se olharem com a confissão, ninguém imaginava que ela se isolava e não se conectava tanto conosco por medo de se abrir.
- Eu tenho medo de chuva - comentou com um sorriso, ficamos esperando o resto que não veio
- E mais o quê? - Zayn perguntou, mas ela apenas negou com a cabeça em resposta – Fala, mi amor, é pra ser sincera aqui - Zayn comentou, a fazendo sorrir com o "mi amor" e acho que foi isso que a convenceu a continuar.
- Medo de não ser boa o suficiente - mordeu o lábio, tampando o rosto com a mão - Esse não é o tipo de atenção que eu gosto, vai - ela cutucou que riu
- Medo de cachorros - fez careta - E de sexo... - seu olhar estava distante - Não necessariamente disso, mas medo de não sentir mais prazer sabe, de não conseguir me conectar com alguém por causa de... Enfim - respirou fundo e sorriu fraco. As meninas deram uma abraço coletivo em , que sorriu tentando abraçar todas de uma vez.
O silêncio se instalou enquanto todos pensávamos nos nossos medos, era estranho falar em voz alta para todo mundo, parecia que aquilo nos tornava mais próximos porque não eram apenas medos bobos, eram coisas que realmente nos assustava e compartilhar aquelas coisas nos fazia mais fortes como um grupo, da mesma forma que foi contar nossos traumas semana passada, aquilo estava sendo fundamental para entender o que estava acontecendo com cada um,para entender como agíamos da forma que agíamos e para diminuir as brigas, aquilo nos fazia tentar nos colocar um no lugar do outro e aquilo era fundamental para que qualquer coisa funcionasse. Não sei qual motivo levou Louis a fazer aquilo, mas aposto que todos estavam agradecendo mentalmente no momento.
- Eu acho que a gente devia se ajudar sabe? Começamos pelas coisas pequenas como medo de chuva - comentou - E ai vamos passando para as coisas mais pesadas. Tipo, sozinha é difícil superar coisas, mas quando alguém te apoia fica menos assustador e nós somos em 10, acho que nós conseguimos isso né? - sua pergunta saia mais como um pedido desesperado de ajuda, e todos concordávamos com ela.
- Acho que a gente consegue - Niall mordeu o lábio a olhando. Depois daquilo as conversas individuais começaram, mas dei falta de , que estava molhando os pés na água. Eu não sabia como ou o motivo, mas quando vi já estava parado ao seu lado, suas mexas azuis balançavam com o vento, ela parecia uma sereia e eu achava que estava realmente hipnotizado.
- Eu não queria te decepcionar - ela falou me assuntando, não achava que ela tinha percebido minha presente, mas ela ainda estava sem olhar para mim - Meu maior medo como eu falei é decepcionar quem eu amo, então acho que eu preciso falar a verdade - se virou para mim e respirou fundo. - Eu não te traí, o que aconteceu não pode ser considerado traição. - aquilo me deixou curioso. - Eu estava muito bêbada e entrei no banheiro, tinha uma garota passando mal, tendo um ataque de pânico e as amigas dela estavam desesperadas sem saber o que fazer. A menina chegou a falar em suicídio Liam, eu não podia ficar parada vendo aquilo, mesmo estando bêbada, mesmo sem conhecer a garota, ela precisava de ajuda.- ela falava tudo rapidamente, parecia querer se livrar daquilo logo - Eu lembrei das crises da e resolvi ajudá-la, mas ela me beijou e segundo ela, eu sai do banheiro com pressa depois daquilo, por isso eu estava toda bagunçada. - fungou, olhando para o céu, e em seguida para mim - Eu nunca te traí. - deu de ombros e continuou me encarando, mas eu não sabia o que falar. Esse tempo inteiro eu a ataquei porque acreditava que havia sido feito de trouxa quando a verdade era outra, e o pior era que ela me deixou pensar o pior, ela não tentou se defender, simplesmente aceitou mesmo sem ter motivos para isso. Ela havia ajudado uma pessoa que nem conhecia e no momento que o beijo aconteceu ela saiu dali para me procurar, não era uma péssima pessoa, nunca foi. Diante o meu silêncio ela virou para voltar até onde nossos amigos estavam, e só então eu percebi a merda que estaria fazendo se a deixasse sair dali, por isso segurei em sua mão e a puxei rapidamente para perto de mim, não vi qual foi sua expressão e muito menos reação, apenas senti seus lábios contra os meus e na mesma hora meu coração acelerou, eu não tinha noção de como sentia falta do beijo dela, de saber que podia fazer isso quando quisesse, da pele macia dele em minhas mãos, dos arrepios que eu sentia quando ela passava as unhas compridas pelas minhas costas, de como ela sabia exatamente o que fazer para me deixar querendo mais. Eu estava apaixonado e não tinha como negar, ao ouvir a verdade saindo de sua boca tudo que eu consegui foi sentir um alívio e tudo que eu estava sentindo estava sendo colocado naquele beijo, as mãos dela estavam em meu rosto me puxando mais para perto, e foi impossível conter o sorriso que queria sair. Quando me afastei ela ainda estava de olhos fechados, beijei sua testa e respirei fundo - Quer dizer que você me desculpa?
- Não tem o que desculpar, eu que tenho que pedir desculpas, na verdade, você não fez nada de errado. Por que você escondeu isso? - segurei sua mão vendo a diferença de tamanhos.
- Porque você tinha razão quando disse que eu tenho medo desse sentimento. Eu preferi te deixar achando que eu era filha da puta por medo de me prender em um relacionamento, mas desde que nós começamos a ficar que eu não saio com mais ninguém, eu só tenho vontade de você, Payne, e isso nunca aconteceu antes. Eu não vou mentir e falar que não me assusta porque eu sempre tive medo de relacionamentos, mas eu não aguentava mais a forma que você me olhava, eu não aguentava mais saber que você estava decepcionado. Eu preciso aprender a lidar com essas coisas que eu sinto, mas acho que eu consigo fazer isso do seu lado - sorriu, me fazendo sorrir de volta.
- Então me desculpa por todas as coisas horríveis que eu falei e volta pra mim? Eu não tinha o direito de te julgar da maneira que julguei, mas eu não sabia como lidar com o fato de ter te perdido, . Nunca escondi que queria algo mais sério com você e eu não conseguia entender porque você não nos levava a sério. Eu sou louco por você e sempre deixei óbvio, vamos fazer isso dar certo, você volta pra mim
- Volto! - ficou nas pontas dos pés para me beijar - Mas você precisa me contar seu lance com Derek...
- Hoje não, esse fim de semana é sem preocupações, lembra? - acariciei seu rosto, tentando realmente não me preocupar.
- Você ainda não escapou dessa conversa - me olhou atentamente, e chutou água em mim, correndo em seguida, me fazendo correr atrás dela e a segurar por trás a rodando no ar, enquanto ouvia sua risada. - Vai se arrumar garoto, a festa vai começar - apontou para um local afastado onde várias tendas estavam montadas e algumas pessoas chegavam.
- Te vejo mais tarde - a beijei pela última vez e cada um foi para sua barraca. Assim que entrei Zayn me olhava com expectativa, balancei a cabeça rindo.
- Porra, finalmente, eu não aguentava mais te ouvir enchendo o saco por causa dela - abraçou minha cabeça e começou a bagunçar meu cabelo. - Mas cara, deixa eu te falar, a Jessica e uma das meninas da torcida disseram que viram a Valerie por ai com a prima dela, fica esperto com essa louca porque agora que você se acertou com a ela vai fazer o inferno.
- Não to preocupado com ela não, cara, ta tudo certo entre a e eu - dei de ombros sem prestar atenção no assunto, Valerie não era uma preocupação.

Zayn.
- QUE COMECE A FESTA, VADIAAS! - foi esse o grito que ouvi de Brittany que passou correndo ao meu lado com suas amigas do time de dança, todas vestidas no tema, que era deuses e deusas gregos ou algo do tipo. Eu e os meninos estávamos todos no mesmo estilo de roupa, um tipo de vestido branco com faixas de cores diferentes, a minha era dourado, de Niall verde, a do Harry vermelha, Louis um marrom que parecia um tipo de ouro velho e Liam perdeu uma aposto e teve que ir com o que lembrava um boxer branca com elástico dourado, uma capa também dourada e coroa de folhas dourada na cabeça, eu e os meninos não aguentamos quando o vimos daquele jeito e rimos mais que tudo, até algumas garotas passarem por nós secando o Liam e ele mandou um "quem ta rindo agora mesmo?"
- Cara, se liga - Niall apontou para onde as meninas vinham. Nós combinamos de nos encontrar na entrada da primeira tenda, todas ficavam de frente para o mar e eles haviam caprichado na decoração, por ser na praia e em tendas precisava ser simples, mas não deixava de ser incrível, o dourado predominava, tinha uns tipos de panos pelo teto decorando, as inscrições não eram em grego, mas com aquela letra que lembrava, as filas para entrar nas tendas e para o "bar" eram com pilares gregos pequenos, as bebidas não eram alcoólicas, como se isso fosse parar alguém. - Olha para elas - Niall estava abismado, na verdade acho que todos estávamos. As quatro estavam rindo e brincando, o vento batia e fazia os vestidos delas se movimentarem, elas estavam realmente parecendo Deusas e nem se davam conta disso. Muitas pessoas paravam para olhar, mas estavam tão presas em seus mundos que isso passava despercebido. estava com um vestido dourado de um ombro só e a alça grossa do ombro era longa descendo pelo ombro, uma laço também dourado marcava sua cintura, os acessórios eram dourados e seu cabelo loiro estava preso em uma trança que eu não sabia o nome. estava com um macaquinho curto e branco com aberturas no ombro, aberto na cintura e com um detalhe dourado na parte do meio, a gargantilha também era dourada e o cabelo enrolado estava ainda mais enrolado, Harry parecia um bobo a olhando. O vestido de era azul e longo, com duas aberturas de cada lado da perna, também possuía duas fitas douradas abaixo do busto e na cintura como de , e seus cabelos também estavam em tranças, os acessórios sempre dourados. O vestido de era o mais ousado, as costas estavam nuas, a frente era cruzada deixando a cintura a mostra e também havia abertura nas pernas, uma faixa dourada enfeitava a área do quadril e outra abaixo dos seios, também com o cabelo em traças e todas tinham tiaras de flores douradas enfeitando o cabelo, todas estavam descalças. Elas estavam lindas, mas eu senti falta da que eu sabia que estaria ainda mais linda.
- Cadê a ? - perguntei assim que elas chegaram.
- Você também ta lindo, Zayn - brincou, me dando um tapa na cabeça.
- Se eu já não tivesse te pedido em namoro ia pedir de novo - Harry falou, indo até , que sorriu sem jeito com o elogio.
- Preciso voltar a estudar mitologia grega porque essa deusa eu não conhecia ainda - Louis falou com a voz mais ridícula do mundo, fazendo bater a própria mão na testa.
- Eu acho ótimo como o Louis sempre consegue deixar a sem saber o que falar porque ela não calou a boca desde que nós fomos para barraca - cutucou , que riu com vontade.
- Isso foi ofensivo, e essa cantada foi péssima, você precisa atualizar seu repertório. - foi até Louis e pegou sua mão - Você ta um gato, agora vamos pegar alguma coisa pra beber - falou rapidamente, com certeza, sem vontade de ouvir Louis enchendo o saco pelo elogio. Niall ainda olhava para como se nunca tivesse visto uma mulher na vida e aquilo estava hilário.
- Niall, daqui a pouco ela chama a polícia com você olhando desse jeito psicopata.
- Fala baixo, animal - Niall me deu um soco no ombro.
- , o Niall - comecei a falar, mas ele tapou minha boca.
- O Niall adoraria que o Zayn calasse a boca - ele sorriu, enquanto nos olhava estranhando - Vem gente, vamos entrar - Niall continuou o assunto, enquanto eu ria de como ele conseguia ser patético.
- Calma, cadê a ? - perguntei para , que encolheu os ombros.
- Ela disse que tinha perdido um brinco e já vinha, mas eu sei que ela só queria ficar sozinha, ainda insisti pra ficar com ela, mas ela me expulsou de lá - mordeu o lábio - Espera uns cinco minutos e se ela não aparecer você vai até lá - finalizou, apenas concordei com a cabeça um pouco preocupado.
Quando Liam apareceu daquele jeito na tenda a professora de biologia apenas balançou a cabeça, mas fingiu que não tinha visto nada, enquanto o professor de educação física foi fazer piada. As meninas resolveram ir para a outra tenda onde ficava a pista de dança e nós ficamos por ali mesmo porque as meninas precisavam do tempo delas, assim como nós precisávamos do nosso. Niall e Louis tinham começado um jogo de dar notas para as meninas, até lembrar de como as garotas haviam brigado com eles por essa mania e falaram como aquilo era ridículo, ai o sorriso deles murchou e eles pararam na hora, ai começaram a falar sobre um time de futebol que eles gostavam e não paravam mais, eu estava ficando ansiosa com a demora de aparecer e não estava conseguindo me incluir na conversa dos meninos devido a preocupação.
- Eu vou atrás da - avisei Niall e sai de lá. Ela parecia estar bem mais cedo então eu não sei o que pode ter acontecido. No caminho eu via pessoas indo e vindo das tendas, várias pessoas do internato que eu nunca havia me comunicado, todo mundo estava bem animado, mas o que foi desagradável foi ver minha ex parando na minha frente junto de Britt e Valerie, revirei os olhos e fui desviar, mas elas pararam na minha frente.
- Cada vez que eu te vejo você ta melhor - Rebbeca passou a mão no meu peito, mas retirei as mesmas dali e coloquei ao lado de seu corpo.
- Fala logo o que vocês querem que eu to ocupado.
- Ocupado com o que gato? Tem uma festa rolando bem ali - Valerie apontou.
- O que vocês duas tão fazendo aqui? Vocês nem estudam mais...
- A praia é um local público.
- Você convidou elas né? - olhei para Brittany, que apenas olhou para baixo sem nem tentar sustentar meu olhar.
- Ta indo atrás da sua namoradinha? - Rebbeca perguntou.
- Se eu souber que você foi infernizar a você ta fodida, Rebbeca. Vocês três precisam parar de encher o saco das pessoas que eu amo porque todos nós sabemos muita coisa sobre vocês, e vocês sabem disso - falei, vendo o sorriso de Valerie e Rebbeca morrer.
- Você ta aprendendo brincar, Malik. Mas nós estamos nessa a mais tempo. - Valerie se recompôs.
- Isso não quer dizer nada, linda. O ego de vocês é tão grande que é sufocante ficar por perto, imagina se todo mundo soubesse como vocês são podres por dentro, esse narizinho empinado de vocês ia cair - arqueei a sobrancelha, enquanto elas me encaravam com raiva - É bom vocês pararem com essa obsessão ridícula de infernizar a e a , eu to falando sério, agora saiam da minha frente. - falei, as duas não falaram nada e aquilo era preocupante, apenas deram de ombros e seguiram o caminho que já estavam fazendo, exceto Britt, que ainda estava na minha frente.
- Ela ta bem? A ? - perguntou com a voz baixa, franzi o cenho com aquela pergunta.
- Porque você quer saber?
- Por nada! - respondeu rapidamente.
- Vamos Brittany - Valerie chamou a menina, que concordou com a cabeça e foi correndo até elas.
Quando cheguei na barraca das meninas, estava deitada com roupas de moletom e lágrimas escorrendo pelos olhos. Abaixei ao seu lado e fiz carinho em sua cabeça, ela sequer olhou para mim. Estava toda encolhida como se quisesse sumir, estava abraçada com um outro travesseiro onde escondia o rosto vez ou outra enquanto chorava.
- Linda, o que aconteceu? - perguntei, deitando sua cabeça no meu colo. Ela balançou a cabeça negativamente e fungou.
- Vai embora, Zayn - sua voz estava fraca e aquilo apertou meu coração.
- Não, eu não vou embora. Vem cá - segurei sua mão a fazendo sentar e encostar a cabeça no meu peito - Fala comigo.
- Alguém rasgou a roupa que eu tinha trazido - fungou novamente, e eu sabia que aquilo tinha dedo da louca da minha ex - Eu nem estava ligando sabe? Dava pra usar alguma roupa que eu tinha ai, mas ai aquele anônimo deixou uma caixa aqui e eu coloquei a roupa - sua voz tremia, e eu estava preocupado com essa história de presentes anônimos - E eu acho que é algum tipo de piada malvada porque a roupa era pra pessoas extremamente magras, ficou ridícula em mim e quanto eu olhei... Eu odiei tudo, e ai... Ai eu... - começou a chorar novamente mordeu o lábio com força.
- Você o que, amor? - perguntei com a voz calma, acariciando seu cabelo.
- Tive uma recaída... Eu... - ela engoliu seco e eu sabia que não sairia da sua boca, mas eu já havia entendido tudo, ela havia forçado o vômito novamente.
- , é normal ter recaídas durante o tratamento, eu li sobre isso - falei, e aquilo chamou sua atenção. - Que? Se eu quero te ajudar eu tenho que entender melhor sobre isso - acariciei seu rosto - Você só não pode desistir, essa recaída não vão te definir nem desvalidar todo seu esforço pra melhorar, você teve um dia ruim, mas amanhã vai ser melhor, você só tem que continuar o tratamento e contar sobre essa recaída para sua terapeuta, ela vai te ajudar e eu também.
- Eu não aguento mais isso, por que eu não posso ser normal? - as lágrimas caiam novamente.
- Não tem nada de errado com você, para de se culpar porque você não pediu por isso. Eu não posso dizer que imagino como é porque eu não imagino, mas eu sei que é difícil, só que eu também sei que você é forte, não desanima não, você estava tão bem no começo do ano, eu lembro que foi isso que chamou minha atenção em você no começo do semestre - sorri, lembrando do dia da cachoeira. - Quando você pensar em desistir lembra como você chegou longe, lembra em como você se sentiu bem quando estava tendo avanços, isso vai te fazer querer sentir daquela forma novamente. E você tem todo mundo pra te incentivar e te dar forças, você não ta sozinha, e quando você decidir contar para as meninas sua força vai ser multiplicada - falei, vendo que ela prestava atenção em cada palavra.
- Eu só to exausta de lutar com isso e sempre voltar para o mesmo lugar.
- Você não ta voltando para o mesmo lugar, cada avanço é um avanço, você teve uma recaída hoje, mas não muda o fato de que você vem sendo uma guerreira, não muda o fato de que você ta ficando cada vez mais saudável, não muda que você ta se cuidando, não muda o fato de que você ta tentando construir essa confiança e autoestima que todos nós vimos desde que você voltou. Não foca no negativo, nessa recaída, foca em tudo que você fez pra chegar aqui hoje e...
- Mas esse problema, parece que foi tudo uma perda de tempo porque eu vejo tudo que eu fiz para chegar aqui hoje e ai eu vou e faço isso de novo, eu me sinto tão ridícula e fraca...
- Fraca é a última coisa que você é - a abracei, vendo que ela se acalmava a cada segundo que passava. - Não é tudo em vão, , você sabe que não. - falei, ouvindo ela concordar baixinho.
- Você merece alguém melhor - suspirou, me fazendo balançar a cabeça.
- Não fala isso, eu sei o que é melhor pra mim e é você. - falei, sentindo o coração disparar ao falar aquelas palavras. Ela não falou mais nada, muito menos eu. Foi ai que eu percebi que nunca havia feito nada parecido por ninguém, eu não sou o cara mais paciente para falar sobre assuntos profundos, mas quando se tratava de eu ficaria ouvindo por horas qualquer coisa que ela tivesse para falar. Eu gostava de estar perto dela, gostava de ouvir as besteiras que ela tinha para falar, mas também gostava de saber que ela se sentia confortável para me mostrar esse lado vulnerável.
- Se arruma? - perguntei depois de um bom tempo em silêncio, quando ela já estava mais calma - Vamos te distrair, ta todo mundo te esperando e perguntando de você. Não precisa nem entrar na tenda se você não quiser, a gente senta naquelas rochas que você viu mais cedo e ficamos de frente pro mar. Vamos sair dessa tenda e parar de chorar, vamos? - pedi, e ela negou com a cabeça.
- Eu não quero me arrumar – suspirou. Era tão difícil quando ela ficava assim, sua vontade de socializar sumia, ela só queria se esconder, não queria que ninguém a visse e eu entendia que era causado pelas suas inseguranças, ela já havia me contado sobre isso, mas ela precisava se esforçar e se eu precisasse dar um empurrão eu daria.
- Lembra do que sua psicóloga fala, - pedi, acariciando seu rosto e dando um beijo em sua testa.
- Eu odeio te contar as coisas - bufou - Eu odiei o vestido, não quero colocar aquilo de novo - fechou os olhos - Vai, sai daqui para eu me vestir - apontou para fora, sai rapidamente antes que ela mudasse de ideia. Ouvi todos os palavrões que ela soltou, em inglês e espanhol, e depois de vários minutos ela me chamou para entrar novamente.
- Meu Deus - falei com a boca aberta olhando a garota debaixo para cima, ela estava perfeita.
- Eu sei que ta ridículo, vou tirar! - abaixou os ombros, mas segurei em sua mão a fazendo me olhar.
- Você ta perfeita, . Por que não gostou? - perguntei. Seu vestido era longo e branco, a saia era transparente deixando o que parecia um maiô a mostra, o decote deixava seus seios lindos e uma faixa dourada enfeitava as bordas do decote, tinha umas fitas douradas na cintura também e as duas pulseiras faziam parte do vestido trazendo o que parecia um véu de cada lago, aquele vestido deixava sua silhueta bem marcada e evidenciando todas as curvas latinas que ela tinha. Não entrava na minha cabeça como ela não conseguia enxergar tudo o que eu e todo mundo enxergava.
- Porque deixa tudo que eu mais odeio em mim em evidencia - seus olhos estavam cansados.
- Eu sei que eu falar que você está perfeita não vai adiantar e mudar nada porque você não está se sentindo bem. Mas você precisa fazer um esforço para se enxergar de verdade. Você não precisa ter o corpo que consideram perfeito, você é maravilhosa, , eu nunca vi uma garota tão linda como você - falei, vendo que ela queria chorar novamente.
- Eu odeio ser insegura assim, parece que essa pessoa quer me fazer sentir mal, primeiro foi a fantasia de sereia que fazia a mesma coisa, deixava tudo que eu odiava em evidência, e agora esse vestido - levantou a cabeça, e ai me veio na cabeça que talvez aquela pessoa estivesse tentando ajudar, , mas eu não sabia quem podia ser.
- Você quer tentar ir mesmo assim? - perguntei, sabendo que ela não podia ser forçada a nada, tinha que ser uma decisão sua.
- Você que me disse pra ouvir a psicóloga.
- Mas no fim tem que ser uma escolha sua - falei. Ela que precisava decidir, se ela negasse saberia que não estaria tendo avanços, era exercícios que sua terapeuta pedia para que ela tentasse se soltar aos poucos, mas não colocava quase nenhum em prática, ela sabia que não estava dando 100%, por isso eu sorri ao ver ela revirando os olhos e pegando minha mão para irmos até a festa, reclamando o tempo inteiro, mas me deixando orgulhoso por tentar.
- Não acredito que você não tinha deixado a gente te ver vestida, eu teria pedido pra trocar de vestido com você. - falou, fazendo dar uma voltinha.
- Você ta completamente gostosa. - , a única que sabia de tudo, abraçou bem forte, as meninas não desconfiaram de nada já que a amizade delas era assim mesmo, mas ela me olhou e piscou sussurrando um "obrigada" por ter conseguido tirar ela da barraca.
- Se eu não estivesse com a sua melhor amiga, com certeza, tentaria te dar uns pegas - Louis falou, o encarei sem acreditar na cara de pau - E se eu não tivesse medo do seu namorado que ta me olhando como quem vai me matar.
- Valeu gente - ela sorriu fraco, ainda estava para baixo, mas parecia um pouco mais confortável na roupa.
- Uns três caras já vieram me pedir seu número, eu devia te esconder dentro do internato porque sempre que nós saímos é assim - Niall cruzou os braços assim que se aproximou de nós, era incrível como ele tratava como uma irmãzinha, conseguia sentir mais ciúme que eu. - Me recuso a falar que você ta linda porque agora eu vou ter que ficar a festa inteira de olho em você.
- Pode deixar que eu faço isso - a puxei para perto, dando um beijo no topo da sua cabeça. Sorri com aquilo, nenhum deles sabia dos problemas de e mesmo assim conseguiam a deixar mais animada, ela sabia a sorte que tinha em ter aquelas pessoas e eu sabia que era questão de tempo até ela contar a verdade para todos eles.
- Caralho, é a mesmo? - Derek apareceu, a comendo com os olhos, me fazendo tensionar o maxilar e ficar observando o que aquele otário queria.
- Cai fora - Liam se colocou na frente dela, encarando Derek.
- Payne, meu grande amigo, como vai esse rostinho - deu dois soquinhos no queixo de Liam, nos deixando perdidos com aquela pergunta.
- Derek, meu grande amigo, você sabe que eu posso te arrebentar em dois tempos, já viu em vários ocasiões, vai querer brincar comigo mesmo? - cruzou os braços. Todos nós cada vez mais perdidos com aquela interação dos dois. Derek não parava de sorrir.
- Cuidado, Liam, se você quer ajuda não é assim que vai conseguir! - piscou para ele - Você devia usar mais roupas assim, , ta gostosa. Vocês também meninas.
- Nojento - fez careta.
- Nojento por que princesa? Vocês garotas são tão engraçadas, não sabem aceitar um elogio, vai me dizer que você é dessas feministas escrotas que vão ficar ofendidas se eu fizer isso - e então ele deu um tapa na bunda de , todos nós já estávamos prontos para acabar com ele, mas foi mais rápida dando uma joelhada no saco dele e o jogando no chão, ele mantinha as mãos no meio das pernas gemendo e a chamando de louca.
- É, eu sou uma daquelas feministas escrotas que exigem respeito, e você é só um babaca com complexo de superioridade que só se afunda cada vez mais, encosta o dedo em mim de novo que eu vou fazer mais do que te deixar estéril, otário - se levantou e arrumou o vestido - E é bom você arrumar suas coisas para deixar o internato, porque isso não vai ficar assim. - virou as costas e saiu andando, vendo que seu irmão olhava tudo de braços cruzados.
- Nenhuma delas precisa da gente - Harry comentou, vendo como as meninas sempre se viravam sozinhas - Vem, vamos dançar - puxou todo mundo, quebrando aquele clima que havia ficado. Derek ainda estava fazendo o show dele no chão, mas ninguém dava atenção, todo mundo já estava de saco cheio dele. Eu e fomos até o local que ela havia ido mais cedo, ela não estava com vontade de ir dançar e aquilo me preocupou.
- Eu só não quero ficar perto de muitas pessoas hoje. - explicou, brincando com meus dedos. - Eu sempre gostei da praia, mas odiava ter que ir.
- Como assim?
- Ter que usar shorts, biquíni e essas coisas sabe? - contou – A dança me ajudou a ter um pouco de confiança, não só pelos movimentos, mas as roupas usadas para me apresentar, as pessoas estavam interessadas nos meus passos, na história que eu contava com meu corpo e não em como eu ficava com um short e um top, isso me ajudou - olhou e sorriu, me fazendo sorrir junto, sem saber o que falar. - Mas cada recaída me faz sentir assustada de novo. - tombou a cabeça e sorriu quando ouviu a música que havia começado - Tenho certeza que foi a que pediu, ela sabe que eu gosto dessa música - mordeu o lábio se levantando e dançando, ela já era incrível quando dançava hip hop, mas quando era seu ritmo era diferente, ela brilhava.
música
(min 2:40 para os dois dançando)

El quier una latina bien loca, loca loca loca
(ele quer uma latina bem louca, louca, louca, louca)
De esas que bailando se sueltan, suelta, suelta, suelta
(dessas que dançando se soltam, soltam,soltam, soltam)
Pero yo no soy una desas, de esas de esas de esas
(mas eu não sou uma dessas, dessas, dessas, dessas)
Lo dejo con el trato en la mesa, mesa, mesa, mesa
Anoche estaba em un lugar de esos que voy para bailar

(a noite estava em um desses lugares que vou para dançar)

Me dijo echa pa ca, me gustas tu
(eu disse vem para cá eu gosto de você)
Aquí se va a bailar com poca luz
(aqui você vai dançar com pouca luz)


- Vem, eu te ensinei - me puxou pela mão, dançando a parte final comigo, me fazendo rir e rindo também, vendo como a música se encaixava. Vira e mexe ela tentava me ensinar, e essa foi uma delas.
- Você me faz passar cada vergonha. - balancei a cabeça.
- Você dançou bonitinho, não reclama - ficou na ponta dos pés para me beijar, minhas mãos imediatamente em sua cintura, descendo cada vez mais conforme sentia seu beijo ficando mais necessitado, quando vi, ela já estava encostada nas rochas e eu no meio de suas pernas, passando as mãos por todas suas curvas, a sentindo suspirar contra meus lábios.
- Você me deixa louco, sabia? - falei, e ela parou de me beijar, me olhando um pouco assustada, não entendi muito bem, até vê-la descendo a alça do vestido.
- ? - franzi o cenho, enquanto ela descia o vestido ficando apenas de lingerie na minha frente, mordi o lábio olhando aquilo sem entender qual era a intenção dela. Sua barriga não era lisinha e aquilo a incomodava, mas eu queria tocá-la, brilhava com a pequena joia que enfeitava seu umbigo, seus seios eram fartos, e as coxas, que ela tanto odiava, pareciam tão macias e convidativas.
- Meu dia não foi nada bom, e eu odeio cada parte de mim - falou, olhando para o chão e mordendo o lábio, segurando um braço com a mão oposta e tremendo um pouco. - Mas eu me sinto confortável com você.
- Você não precisa fazer isso - balancei a cabeça, tentando olhar seu rosto, mas seu corpo chamava pelos meus olhos e eu tentava entender porque ela odiava tanto. Que não era como o de meninas como era óbvio, mas ela era tão linda quanto e não fazer ideia.
- Não to te recompensando por nada - ela balançou a cabeça - Eu quero isso - finalmente me olhou nos olhos, chegando perto de mim, passando os braços pelo meu pescoço - Eu to me sentindo extremamente exposta no momento e nem um pouco sexy, mas também to adorando a forma que você ta me olhando, com desejo - ela falou, aproximando seu rosto do meu - Melhor você fazer alguma coisa agora mesmo - sussurrou, me fazendo balançar a cabeça novamente e finalmente a beijar, sentindo sua pele quente em contato com a minha mão. Ela devia estar se sentindo bem insegura, ficar daquela forma na minha frente me fazia perceber como essa garota era imprevisível. A beijei com calma e a deitei contra a areia, sentindo seu corpo ainda tremendo.
- Tem certeza? - perguntei, olhando em seus olhos, a lua iluminando seu rosto a deixando com uma aparência angelical, minha mão em seu rosto acariciava sua bochecha, ela parecia calma e serena ao mesmo tempo.
- Absoluta - sorriu, e ela não precisou dizer mais nada para que eu a beijasse novamente, descendo a alça de seu sutiã, sentindo suas unhas em minhas costas e sorrindo enquanto eu sussurrava como ela era linda.

Capítulo 25

Niall.

- ... precisava daquilo? - Samuel perguntava.
- Você nem conhece ele, e por que você ta falando comigo? - jogou os braços para o alto mostrando como estava impaciente.
- E que roupa é essa? Ta muito exposta - Samuel continuou, ignorando a pergunta dela e fazendo o papel de irmão, o que era bem estranho considerando que os dois não se davam bem.
- Como se você se importasse - revirou os olhos - Por que você ta aqui?
- Minha mãe achou que o ensino era bom e...
- Eu sei que é só ela ainda me infernizando, não precisa arranjar desculpa. Eu quero dizer aqui, falando comigo.
- Queria saber porque você bateu no cara.
- Ele tocou em mim sem minha autorização. Agora sai daqui, você já me irritou demais por hoje - ela parecia bem irritada mesmo. - Já não basta roubar meu lugar na academia, me fazer ser expulsa da escola nos Estados Unidos, me afastar dos únicos amigos que eu tinha lá, agora você também veio acabar com a minha vida aqui? Você acha que o pai ia gostar disso?
- Eu não sei do que ele ia gostar já que ele nunca me procurou - Samuel gritou, mas não se assustou nem um pouco.
- No fundo você sabe que isso não é verdade, você sabe que ele fez o impossível pra se aproximar, mas a louca da sua mãe nunca permitiu que ele chegasse perto. Você sabe qual é a verdade, mas você ta tão cego pelo ódio que ela injetou em você. - eu nunca havia visto com raiva e acho que preferia ficar sem saber, ela parecia descontrolada, o cutucando no peito a cada frase. Apesar de o irmão ser maior e mais forte, ela o peitava de igual, não media as palavras e não demonstrava intimidação, ela não precisava que eu interferisse, e eu achava que mesmo se tentasse, ela provavelmente também me deixaria no chão.
- Não fala da minha mãe - o maxilar dele estava travado e ele se aproximava dela.
- O que você vai fazer Samuel? Vai me bater? É só isso que falta pra você ser um verme completo - ela que se aproximou agora, as mãos do irmão fechadas com força - Você é muito parecido com o pai em alguns aspectos, mas ele ia odiar um filho desse tipo, ele teria vergonha de você. Quando você quiser ser um homem de verdade ai você fala comigo que eu te conto tudo sobre ele, mas enquanto você continuar agindo pela cabeça da louca da sua mãe é melhor ficar longe de mim, eu não vou mais ficar quieta, Sammy - o chamou pelo apelido carinhoso mesmo depois de todas as palavras duras, eu não conhecia esse lado dela, que usa as palavras como arma sem medo de ferir. Ele fez careta ao ouvir seu apelido sair da boca da irmã que se virou para sair dali, mas ele segurou seu braço.
- Algum problema por aqui? - eu queria ter sido a pessoa a falar aquilo, mas era Connor que havia parado ao lado de de braços cruzados.
- Não, nenhum - Samuel encarou o segundo garoto com a sobrancelha arqueada.
- Tem certeza? - Connor se direcionou a , que concordou.
- Briga de irmãos - deu de ombros.
- Parecia bem intenso, fora de controle até...
- Se mete nos seus assuntos, cara. Esse babaca é seu namorado? - Samuel perguntou, e agora os dois garotos a encaravam, eu também encarava aguardando a resposta.
- Não - não contive o sorriso ao ouvir aquilo - Pode ficar tranquilo Connor, eu sei lidar com o Sam.
- , você é só uma garota frágil, olha... - assim que as palavras saíram da boca dele eu já sabia a merda que ia dar.
- , a pediu para te chamar - apareci, tentando evitar as brigas, era pra ser um fim de semana calmo, mas em um dia tanta coisa já havia acontecido. Ela me olhou e eu podia ver como ela estava abismada, desviou os olhos de mim e se virou para Connor.
- Eu sou SÓ uma garota? O que você quis dizer com isso? - ela cruzou os braços na frente do corpo. Seu irmão ria se divertindo com a confusão que estava para acontecer.
- Não foi isso que eu quis dizer, é que se...
- Você passou pelo Derek caído no chão, certo? Você sabe que eu e as meninas estamos tendo aula com Liam e o Harry, eu entendi a preocupação e foi até fofo, mas cara, nunca mais fala que eu sou SÓ uma garota frágil. Sem falar que ele é meu irmão, pode ser um babaca, mas nunca tentaria encostar o dedo em mim - revirou os olhos, claramente irritada por Connor se meter onde não havia sido chamado.
- Eu não quis ofender, eu só...
- Sério, eu não quero ter que lidar com isso hoje - movimentou as mãos em círculo - Você disse que a estava me procurando? - se virou para mim, que concordei com a cabeça com medo dela surtar comigo também - Me mostra onde ela está, por favor?
- Quer que eu acompanhe? - Connor perguntou e fui eu quem quase revirou os olhos.
- Cara, mulheres não gostam de Stalker, finge pelo menos - Samuel bateu no ombro de Connor, enquanto fazia seu caminho para sair dali - A gente se vê por ai, irmãzinha. - apenas negou com a cabeça enquanto via ele se afastando.
- A gente se vê na festa - falou para Connor, mesmo irritada ela tentava manter a educação. Ele apenas concordou com a cabeça - Vamos? - sorriu para mim, segurando em meu braço e me arrastando dali.
- Você vai querer me matar se eu perguntar sobre o lance de ser expulsa da escola? - perguntei com calma, tentando amenizar qualquer irritação dela que pudesse aparecer.
- Vou! - falou de forma seca e continuou me arrastando pela mão até o local em que Louis e Liam se encontravam - Quero - apontou para a garrafa térmica dos meninos que continha vodka, nenhum deles questionou, apenas entregaram para ela.
- Eu tive uma ideia - chegou minutos depois, se apoiando nos ombros de - Vamos ser adolescentes normais fazendo o que adolescentes normais fazem.
- Naaaão - eu e Liam negamos a ideia, mas e Louis se olharam animados.
- Verdade ou desafio? - os dois perguntaram, apenas concordou com a cabeça e foi chamar os outros.
- Da última vez o Louis me fez invadir o quarto da professora Lucinda e eu quase fui expulso - protestei, ouvindo as risadas de .
- Eu não te obriguei a nada, você podia ter negado.
- O castigo ia ser bem pior - fiz careta, enquanto andava a frente olhando para o mar. Era óbvio que ela sentia falta de casa, ela deixava claro que sentia falta daquilo, desde que chegamos tudo que ela fazia era sentar na beira do mar ouvindo as ondas, até perguntei porque ela não alugava uma prancha, mas ela negou dizendo que só queria ficar sentada ali vendo o vai e vem das ondas. Quando a encontrei sentada na beira do mar, após a primeira briga com o irmão, ela contou que em uma época ela pensou que os dois podiam ser dar bem, mas agora não tinha tanta certeza e só queria esquecer do pesadelo que foi nos Estados Unidos, ela dizia que tinha medo de se abrir, mas sempre acaba entregando parte de seus sentimentos sem nem perceber.
Eu estava confuso com nosso quase beijo, ela parecia tão vulnerável depois de desabafar, não queria que ela achasse que eu estava me aproveitando, quando ela se afastou fiquei mais confuso ainda, ela queria aquilo ou não? A garota estava obcecada com aquela história do cara da fantasia e me deixava bem confuso com todos os sinais ambíguos que me dava, uma hora parecia querer descobrir quem o cara a todo custo e em outra flerta abertamente comigo me deixando sem saber o que fazer. Outra dor de cabeça era Lia, ela achava realmente que nós tínhamos alguma coisa, eu não queria magoar a garota e dizer que não passava de amizade.
- Não to bêbado o bastante pra isso - Harry fez careta.
- Não achei nem Zayn, então vamos nós mesmo - sorriu – Ta, eu começo - girou a garrafa que parou em .
- Desafio – fechou os olhos, nos fazendo olhá-la admirados, ela sempre pedia verdade, foi inesperado.
- Eu te desafio a tirar uma peça de roupa - sorriu, vendo a careta de .
- Eu to de vestido, caralho - revirou os olhos
- Não posso fazer nada! - sorriu mais ainda.
- Eu me pergunto todos os dias porque sou sua amiga - levantou e suspirou, olhou para Louis que se divertia com aquilo e suspirou mais ainda - Não vou tirar o vestido, sinto muito - sorriu e fez algo que nenhum de nós estávamos esperando mais uma vez, tirou a calcinha por debaixo do vestido e jogou em , que riu com aquilo e rodou a calcinha no ar.
- Eu sei exatamente porque somos amigas!
- Só tenta não sentar de perna aberta - Louis falou, parecendo meio chocado com a atitude de , ninguém esperava por aquilo mesmo.
- Minha vez, e parem de me olhar como se eu fosse um alienígena - fez careta. A garrafa parou em Liam que pediu verdade.
- Já beijou um cara? - ela perguntou, e ele demorou alguns segundos para responder, mas confirmou com a cabeça.
- É o que? - , que já estava bêbada, perguntou com a boca aberta.
- Todos nós aqui já, é por curiosidade ué - Liam deu de ombros, enquanto eu e Harry concordávamos com a cabeça.
- OK, vamos aos desafios - Louis falou quando a garrafa caiu nele.
- Eu te desafio a...
- Nada sexual, por favor - pediu.
- Assim não tem graça - Harry protestou, levando um soco de em resposta. E a brincadeira passou assim, verdades sendo reveladas, eu não sabia que Liam já havia feito um menage ou que havia ficado com gêmeos porque confundiu os dois irmãos, Zayn teve que lamber a barriga de Louis, teve que dançar para Louis, teve que dar um beijo de 10 segundos em , e então Louis parou em , que já estava meio bêbada o que não era bom, ela nunca bebia. e estavam sóbrias, pelos remédios e porque preferia algo mais natural.
- E ai, vai ser o que? - Louis olhava a melhor amiga de forma desafiadora.
- Desafio, óbvio! - revirou os olhos. Louis olhou de mim para ela e tudo que ele poderia escolher se passou pela minha cabeça, mas para minha surpresa ele não me escolheu para o desafio.
- Eu desafio a a fazer um body shot em você.
- Pra já - sorriu se levantando, e então olhou para o vestido que estava usando, deu de ombros e simplesmente o levantou - assim, como se não fosse nada demais - ficando apenas de sutiã e calcinha, meu queixo caiu, mas meus amigos pareciam achar aquilo normal, e então eu me lembrei da semana em que nos conhecemos e nos levou até a cachoeira, as meninas pularam com os mesmos trajes, então não era nenhuma novidade, mas naquela época eu não olhava para da forma que a olho hoje, me senti um pouco desconfortável e quando olhei para o lado Louis me olhava com um sorriso debochado; ele queria provar um ponto com aquela palhaçada. - Vamos loira, lambe a tequila do meu corpinho! - falou com a voz arrastada, fazendo todo mundo rir. Eu tentei muito não olhar, mas sua pele bronzeada brilhava demais me fazendo olhar, e então eu reparei em algo que em todos esses meses não havia visto, uma tatuagem pequena próxima ao seio, uma ondinha.
- Lá vamos nós! - gritou, pegando a garrafa que Liam havia arranjado e derramando na barriga de , que a encolheu por causa da temperatura, o limão foi colocado em sua boca e eu não conseguia parar de olhar lambendo a tequila da barriga da garota que soltava umas risadas falando como fazia cócegas, desejando estar no lugar da loira, e quando ela pegou o limão eu tive que virar o rosto, era tortura demais para assistir.
- É cara, eu até ia dar esse desafio pra você, mas você insiste tanto que vocês dois são tão amigos e nunca rolaria nada, eu não queria acabar com essa linda amizade! - Louis parou ao meu lado, falando de forma baixa, com um sorriso irônico.
- Você é um grande filho da puta - falei, respirando fundo e engolindo seco.
Depois daquele jogo desnecessário e de todos bêbados, nós ficamos ali pela praia mesmo, sem vontade de voltar até a tenda, chegamos a conclusão de que não importava onde estivéssemos, nós sempre acabaríamos apenas os 10 porque essa era a nossa diversão, nos fechávamos no nosso próprio mundo e era isso que estava acontecendo. , já vestida, conversa com Louis e , e voltava correndo e rindo, com e Zayn atrás, enquanto eu estava tentando não lembrar da cena entre e .
- Caraca, vocês não vão acreditar no que... - Zayn tampou a boca dela antes que a garota pudesse começar a falar.
- Liam dá um jeito, por favor - Zayn falou, ainda tampando a boca da loira.
- Olha, daqui a pouco vai amanhecer - apontou para longe - Nossa, como eu sinto falta de ver o sol nascer na praia - fechou os olhos.
- Nós já devíamos ter voltado - olhou para onde ficavam as barracas.
- Relaxa, ninguém vai perceber que nós não estamos lá - Harry tentou tranquilizar a ruiva. No celular de Liam, que nós colocamos para ouvir música, Needed me começou a tocar e todo mundo olhou.
- O que? Rihanna faz música boa ué! - deu de ombros, enquanto todos riam dele, já puxou Zayn para dançar e ele era tão desengonçado que dava dó.
- Zayn parece aqueles bonecos de posto tentando dançar - não consegui controlar e comecei a balançar os braços imitando um.
- Quero ver fazer melhor - Zayn rebateu, balancei a cabeça rindo e me levantei, puxando pela mão que aceitou na hora. Nós também estávamos desengonçados, ela porque estava bêbada, eu porque tentava fazer o que ela fazia, mas era impossível. Ela ria o tempo inteiro enquanto dançávamos e era impossível não rir junto. Não sei em que momento paramos de dançar e começamos a agir feito crianças, ela chutando areia em mim e eu tentando jogar areia em seu cabelo, ela correu para longe me fazendo ir atrás.
- Sai, sério, chega, já tem areia na minha boca - fez careta, ainda rindo e apoiando as mãos no joelho.
- Por que você bebeu assim? - perguntei, depois de um tempo sem falar nada. Ela me olhou por alguns segundos e se aproximou, arrumando meu cabelo que estava uma zona e dando de ombros.
- Eu só fiquei com vontade, era um fim de semana sem preocupações e meu irmão conseguiu me irritar, ai eu fiz o que todo adolescente normal faz! - virou o rosto de uma forma engraçada, me fazendo virar também para olhar em seus olhos. - Que? - falou, seu corpo indo para frente e para trás.
- Você fica engraçada bêbada, mais solta!
- Mais solta - repetiu com a voz lenta, fechando os olhos por alguns segundos e indo mais para frente, se aproximando mais - Por acaso você tem alguma coisa com a Lia? - perguntou do nada, me fazendo quase engasgar.
- Não, nada, por quê? - perguntei, vendo que ela me encarava atentamente.
- Aquele dia da fogueira eu queria muito ter feito uma coisa, mas fiquei pensando no seu lance com ela - mordeu o lábio quando terminou de falar - E pelo jeito que você ta me olhando você queria tanto quanto eu - sussurrou no meu ouvido, deixando um beijo em meu pescoço que queimou e me fez arrepiar. Ela sempre tomava atitude e eu ficava admirado. não se conformava com a ideia de que o homem que deve tomar atitude, ela sempre vinha com as palavras, ela sempre dava a entender o que queria, ela que estava deixando claro que queria me beijar enquanto eu estava parado no lugar feito um idiota, ainda sentindo seus lábios no meu pescoço.
- Você ta bêbada! - sussurrei, segurando seus braços, a afastando um pouco e olhando em seus olhos, buscando algo que dissesse que ela estava sã.
- Não tanto quanto você acha, eu ainda sei o que estou fazendo e você tem minha permissão para fazer o que quiser! - sussurrou, e então e foi o momento que eu decidi parar de pensar porque uma hora ela cansaria de ter que tomar todas as atitudes quando se tratava de nós dois. A segurei pela nuca com firmeza trazendo seu rosto de encontro ao meu. Ela estava sorrindo enquanto nossas bocas estavam encostadas, suas mãos passeavam em meu peito quando eu resolvi aprofundar o beijo de forma urgente, sentindo sua língua molhada contra a minha, suas mãos puxando o tecido da minha roupa nos aproximando ainda mais enquanto uma das minhas mãos a segurava pela cintura sentindo a pele quente, e a outra mão ainda em sua nuca, puxando seu cabelo e ouvindo seu gemido contra minha boca. Ela me beijava com vontade, arranhava minha nuca sem dó me fazendo arrepiar dos pés a cabeça. Quando vi nós dois já estávamos deitados na areia, minha perna entre as suas, uma das minhas mãos segurando meu peso e a outra passeando pela lateral do seu corpo, ela sorriu mais de uma vez enquanto me beijava e eu não queria parar. Não sabia o quanto queria aquele beijo até ouvir suas palavras, até sentir sua boca contra a minha, seu corpo quente se movimentando tentando ficar o mais próximo possível do meu. Foi ela quem partiu o beijo mordendo minha boca, mas eu não estava satisfeito, desci os beijos pelo seu pescoço sentindo sua respiração ofegante, seu peito descer e subir rapidamente embaixo de mim, enquanto ela puxava os cabelos da minha nuca me fazendo morder seu pescoço, lambi o local da mordida e soprei, vendo sua pele se arrepiar ainda mais.
- Niall... - ela chamou baixo - Niall - ela falou novamente, rindo ao ver que eu fingia que não escutava - Eu não te deixo mais me beijar se você não parar.
- Ok, parei! - falei, olhando para , que estava com a boca vermelha e inchada, os cabelos bagunçados, e sorri ao ver que eu havia feito aquilo.
- Daqui a pouco eles vem até aqui - falou, olhando para o lado, onde conseguíamos ver nossos amigos se levantando.
- Problema deles, agora para de falar e me beija de novo que você que provocou isso! - falei, ouvindo sua risada, mas não dando tempo para que ela respondesse, a beijei novamente percebendo que queria fazer aquilo por um bom tempo. Era viciante, o desejo contido em ambos por tanto tempo finalmente se mostrando. Ela me beijava com um equilíbrio de suavidade e intensidade, sua boca acariciando a minha de forma doce enquanto suas mãos puxavam e arranhavam, ela estava me deixando louco e eu percebi que não era de hoje.
- Muito bonita essa indecência pública e eu poderia processar vocês por diversas razões, mas será que os dois animais no cio poderiam sair um de cima do outro e nos acompanhar em uma adorável e agradável caminhada. - reconheci a voz de Louis.
- Agradável seria se vocês se mandassem daqui e me deixassem beijar essa mulher em paz - falei, saindo de cima dela e me jogando de costas na areia ouvindo a risada rouca de .
- Olha como ficou ousadinho depois que resolveu tomar atitude - se juntou a Louis para me zoar.
- Eu ofereceria uma camisinha se tivesse uma - Liam falou rindo, e levou um soco de , deixando bem claro que eles haviam transado.
- ENTÃO VOCÊ VEIO ME JULGANDO, MAS VOCÊ TAVA PRATICANDO O COITO? - gritou, apontando para que fechou os olhos e balançou a cabeça.
- Calma, te julgando por quê? - me sentei rapidamente, ao ouvir as palavras de , e me levantei olhando para Zayn - O que você fez com a seu imundo? - perguntei.
- Não, nós não teremos essa conversa aqui - Zayn me ignorou e virou as costas, seguindo para um local que eu não fazia a menor ideia onde era. -Volta aqui, Malik - gritei, mas antes de segui-lo me virei para - Elas vão me expulsar daqui de qualquer forma para poder fofocar com você, te vejo aonde quer que seja que essa caminhada vai levar - encostei minha boca na dela, que apenas acompanhava a conversa rindo.
- Isso foi uma metáfora sobre a vida ou só sobre o Zayn? - brincou, mas era sobre as duas coisas mesmo.
- Você ainda ta intoxicada! - beijei sua testa levantando.
- INTOXICADA PELA SUA PAIXÃO, GARANHÃO! - gritou, levando um tapa de . Corri atrás dos meninos e segurei Zayn pelo ombro. Não que não pudesse fazer sexo, eu sabia que ela não era virgem, mas também sabia sobre todas as inseguranças da minha amiga e como aquilo era importante para ela.
- Não magoa a , por favor! - pedi, vendo que ele me olhava com um sorriso.
- Isso não vai acontecer, para de se preocupar! - bagunçou meu cabelo - E me conta que cena foi aquela - falou, passando o braço pelo meu pescoço e me arrastando pelo caminho.
- Que garota, cara, que garota! - sorri, pensando no beijo de e em como eu finalmente havia tomado coragem para fazer aquilo.

Harry
- Sério, escuta. Stonehenge, foram feitas por alienígenas - falava aquilo me empurrando. Depois que os casaizinhos resolveram ter uma competição foi sentar um pouco mais longe e eu não entendia o motivo, até ver que ela estava com um vaporizador, nunca havia visto usando maconha, ela disse que por isso tinha ido sentar longe, não queria que eu visse, e agora ela estava me contando sobre as teorias dela que envolviam seres de outros planetas.
- Sério? Os alienígenas? Você não acha que foram as civilizações passadas? Tipo, eles construíram pirâmides incríveis sem tecnologia.
- Harry, os Stonehenges tem cinco metro de alturas e cinquenta toneladas, não é possível - sua voz estava calma, ela parecia relaxada de verdade.
- Tão falando de que? - se sentou na minha frente e fez careta ao ver o que estava nas mãos de - Que isso?
- Um vaporizador! - falou, esticando para , que negou com a cabeça.
- Pra que serve? - inclinou a cabeça parecendo curiosa.
- Tipo, eu uso pra fumar porque é a forma menos prejudicial sabe, porque não tem a combustão da erva ai não ataca tanto o pulmão, também não fica tanto cheiro e tal - a medida que ela falava fazia careta - Eu sei que vocês não curtem isso, mas eu sei de todos os riscos gente - jogou o cabelo para trás e olhou para - Eu só uso quando preciso mesmo relaxar ou em uns momentos desses sabe?
- Mas por que, ? Eu fico tão preocupada.
- Eu sei, eu sei que abuso de drogas acaba com a vida das pessoas, por isso eu nunca tentei nada além disso, por isso eu não uso todo dia e toda hora, por isso eu não exagero. Foi por causa do meu trauma que eu usei a primeira vez, mas eu não tenho a necessidade disso, entende? Não tenho vícios e nada do tipo, não precisa ficar preocupada - passou a mão rosto de que acabou rindo daquilo.
Como é? - sussurrou - Aquele dia nós nãos falamos mais sobre o assunto porque ninguém entende muito bem, acho que tá todo mundo tentando processar ainda - concordei com a cabeça
- Eu sei. Provavelmente vão falar comigo um por um e na verdade é meio que um alívio não ter que lidar com todo mundo de uma vez, como foi aquele dia - falou lentamente.
- Mas..Como é, sabe? Como você se sente?
- Péssima - suspirou, me fazendo aproximar e a abraçar de lado, sentindo sua cabeça deitada em meu ombro - Quando eu começo a esquecer que meu corpo foi violado alguma coisa me faz lembrar. Os dias que eu não fui para aula foi porque não conseguia sair da cama, e às vezes que eu saia da sala dizendo que precisava ir ao banheiro na verdade era pra chorar. Eu tenho medo de deixar isso controlar minha vida, eu quase afastei vocês por medo de contar, mas ainda é difícil sabe? Ninguém sabe como vai ser daqui pra frente, minha única certeza é a de continuar tentando cada dia sabendo que eu posso avançar quantas casas for, mas nós dias ruins vai ser como se eu tivesse regredido mais casas do que avancei - ela limpou a garganta - Eu lembro que eu chegava a tomar mais de 3 banhos por dia, eu esfregava meu corpo tentando apagar aquelas lembranças, mas elas nunca iam embora - ela mordeu o lábio - E agora que eu resolvi dar uma chance pro Harry... Eu tenho medo que ele não aguente, porque não é fácil namorar uma pessoa instável e... - quando ela falou aquilo meu coração disparou e meu estômago afundou, ela tinha medo disso e eu não fazia a menor ideia, precisava tirar aquela ideia de sua cabeça.
- Ei, não tem nada de errado com você e ele tem sorte por te ter. Não fica pensando nessas coisas agora que não vai te fazer bem. Você tem todo direito de se sentir da forma que sente, nada do que aconteceu foi sua culpa. Em vez de ficar pensando no que vai ser do futuro, usa essa energia pra se concentrar na sua recuperação, seguir as instruções do psiquiatra e da psicóloga, se distrair, é isso que importa agora - sorriu, falando antes mesmo que eu pudesse assegurar de algo coisa, me lembrando porque aquela era minha melhor amiga. - E se ele te magoar eu vou fazer ele se arrepender pra sempre – me chutou, me fazendo rir.
- , olha para mim - falei, fazendo-a me olhar, ela parecia envergonhada de ter confessado aquele medo. - Eu não vou a lugar nenhum, já te falei isso, eu não ligo pro seu passado, eu quero saber do seu presente e do seu futuro, aquilo te machucou, mas nós todos vamos tentar curar essa ferida. Eu não vou sair daqui por causa disso ou por nenhum outro motivo que você pensar. Quando eu te pedi em namoro foi pra valer, nós vamos passar por tudo juntos, não importa o que for. - a beijei, sentindo seu sorriso no meio, enquanto ela acariciava meu rosto agradecendo, ouvimos os gritinhos de e nos separamos rindo.
- Meu casal preferido com toda certa – falou, batendo palmas.
- Eu devia ter contado antes, eu só queria me proteger e proteger vocês, mas foi um erro porque, apesar de ser um pesadelo, ter esse apoio faz bem. - ela falou, assim que se afastou de mim.
- Não precisa se explicar, passar por isso não é fácil, ter que falar deve ser ainda pior. - apertou sua mão. - - Mas do que vocês tavam falando? - retomou o assunto, querendo eliminar o clima pesado.
- Como os extraterrestres existem e só não vê quem não quer - falou, nos fazendo rir novamente.
- Você acredita naquele lance da área 51? - perguntou, realmente levando a sério a conversa de uma chapada.
- Claro que sim, eu tenho certeza que eles tem alins lá e fazem estudos - falou, olhando para o céu - O universo é imenso, impossível que só tenha a gente por aqui - suspirou - Vai me dizer que a Pedra de Roswell não te deixa curiosa? Ou o vórtice de Áden?
- Vórtice de quem? - perguntei, achando graça naquela conversa toda.
- Se você quer namorar comigo então vai ter que aprender sobre essas coisas, meu amigo - bateu no meu ombro.
- Delphine vai adorar saber dessas suas conversas - provoquei.
- É estranho pensar que você já ficou com ela, quer dizer... Você já ficou com muitas daquele internato, devo me preocupar?
- Você sabe que não! - ri, dando um forte beijo em seu rosto.
- Gente, tem uma estradinha ali que é uma caminhada legal que leva a gente até ali em cima - apareceu com o pessoal e apontou - E dá pra gente pular, sabe, cliff jump? - sorriu, nos fazendo trocar olhares. Em uma das nossas reuniões Louis teve que praticamente empurrá-la de cima da varanda para piscina, e agora ela queria pular de um lugar alto no mar? Ela realmente estava saindo de sua zona de conforto e nem era ideia do Louis.
- É seguro? E como você sabe desse lugar? - perguntou.
- Você nos levou pro meio do mato de madrugada pra pular em uma cachoeira onde você só esteve uma vez, me dá um crédito - provocou a amiga.
- Ai mami, ta afiada! - mostrou as unhas em garras, nos fazendo rir.
- Vocês sabem que meus pais e os da tem casa de férias por aqui, eu ia algumas vezes com meu irmão, quando ele ainda não tinha fugido de casa, depois nunca mais voltei lá porque não tinha muita graça e me deixava triste não ir lá com ele - deu de ombros.
- Ok, vamos! - levantei, ajudando se levantar e passando os braços nos ombros de e - To parecendo rei.
- E eu sou sua rainha, larga essas barangas que eu to com saudade - Louis me empurrou para longe das meninas e fomos até onde Niall e tentavam procriar. Depois de Louis e encher o saco dos dois nós fizemos o caminho que indicava. Louis ia o caminho inteiro falando e os outros vinham atrás, até que ele entrou no assunto e eu sabia que ele não me deixaria em paz.
- Mas é sério, é pra valer?
- Claro que é, eu realmente gosto dela. Hoje ela disse que tem medo da gente não dar certo e tal.
- Eu sei que vai dar certo, você 'tava meio fixado nela no começo do semestre, inclusive te devo 100 libras. - ele falou de forma natural.
- Por quê? - franzi o cenho, sem entender.
- Porque nós apostamos que você não conseguia tirar dela o que ela tinha ué, mas você acabou tirando - Louis riu, mas parou quando ouviu um pigarro, nos viramos vendo que e estavam atrás de nós, Louis trocou um olhar nervoso comigo.
- Estamos chegando! - a voz de havia saído seca, e ela e passaram por nós esbarrando e de mãos dadas.
- Você não consegue calar a boca né?! - dei um tapa na cabeça de Louis, sem saber se era seguro chegar perto delas duas ou não.
- Como eu ia saber que elas estavam bem atrás da gente? - sua voz soava indignada.
- Ta todo mundo junto, imbecil, óbvio que alguém estaria perto e eu nem lembrava dessa aposta - balancei a cabeça, fazendo a curva e vendo as duas paradas ali, o vento balançando os cabelos e os vestidos, o sol nascendo. Não andamos nem por 10 minutos, era lindo ver o mar dali de cima, o céu com aquele tom alaranjado, rosa, os raios do sol, o mar tranquilo.
- - me aproximei, vendo me olhar feio e sair, nos deixando sozinhos, mas aposto que se ela pudesse me jogar de um local mais alto que aquele ela faria sem pensar duas vezes.
- Aposta, Harry? Você é tão moleque assim? - falou, de braços cruzados.
- Não foi isso, não foi uma aposta real e eu nem me aproximei de você por isso, tanto que eu nem lembrava disso. Eu estava realmente preocupado com você no começo do semestre, a forma que você estava distante, por isso eu queria te ajudar, só que eu e o Louis temos essa mania idiota de apostar tudo e...
- Eu lembro quando vocês apostaram quem ficava mais tempo dentro de uma banheira cheia de gelo e o Louis quase morreu de hipotermia - riu daquilo - E de quando vocês apostaram que conseguiam pular uma fogueira, mas o Liam mostrou que um de vocês iam morrer queimados e vocês mudaram de ideia, ou...
- Ta vendo? Nós somos idiotas, se ele falar que consegue enfiar 10 uvas na boca eu vou apostar que consigo 20 e vou morrer engasgado. É uma mania ridícula que nós dois temos. Eu nunca te enfiaria no meio de uma aposta, não sou esse tipo de pessoa e você sabe, não tenta me afastar de novo, não quando nós dois demoramos tanto pra chegar até aqui. - falei segurando seu rosto e olhando em seus olhos para ela saber que eu estava falando sério.
- Eu acredito em você - ela respondeu, me beijando e fazendo com que meu corpo relaxasse ao saber que ela não me culpava – Eu tinha mania de complicar as coisas, se fosse um tempo atrás meu medo de te deixar aproximar ia me fazer ser irracional e eu ia me cegar só pra arranjar um motivo pra te afastar, mas nós somos tão sinceros um com o outro, você não mentiria sobre isso, acho que você já provou o suficiente que não é o cara que achei que você fosse.
- Eu quero te fazer sentir que sua escolha valeu a pena, não quero te decepcionar e nem quero que você ache que eu faria alguma aposta te envolvendo. Você tem uma importância enorme na minha vida e eu nunca te machucaria – falei tudo olhando em seus olhos, vendo que ela sorria.
- Eu sei disso, só queria ouvir sua explicação mesmo. E bom, foi uma aposta com o Louis, vocês dois são idiotas – ela ria, me fazendo rir também.
- Só não vou ficar ofendido porque é verdade, nós somos mesmo – mordi o lábio, contornando sua boca com o dedo e a beijando, feliz por estar tudo bem e por conseguir nos resolver com diálogos em vez de entrar em guerra como e Liam sempre entravam.
- Nossa, eu te amo - ela falou baixinho e então arregalou os olhos tampando a boca ao perceber o que havia falado. - Quer dizer, eu...
- JÁ SE RESOLVERAM, ÓTIMO, VAMOS! - apareceu gritando e puxando pela mão, que olhou para trás me fazendo sorrir enquanto tentava acalmar a respiração e fazer meu coração se controlar, ela havia falado aquilo mesm. Eu não sabia o que responder, que dizer, eu sabia que estava apaixonado, mas chegava a ser amor? Eu conseguiria dizer essas palavras agora? Enquanto pensava naquilo ouvi um grito e vi pulando com Niall e enquanto Zayn tirava fotos rindo.
- Não quer tentar?
- E morrer afogado? Não, to tranquilo, não to com a menor vontade de pular disso, mas fique à vontade. Niall e foram em seguida, também e, por fim, eu e Louis nos olhamos.
- Aposto que eu consigo voltar para superfície primeiro - Louis falou, arqueando a sobrancelha.
- Vamos ver, manézão - respondi, e então nós dois corremos e pulamos ao mesmo tempo, senti o impacto com a água quando meu corpo afundou, e logo em seguida comecei a subir, sendo recebido com jatos de água no rosto.
- É, parece que eu ganhei essa - Louis continuava jogando água em meu rosto, quando subiu em suas costas e nas costas de - Eu vou morrer, puta que pariu - Louis gritava, enquanto tentava se livrar das duas.
- Eu vou ali com meu homem que o coitado já deve estar na praia sozinho - falou, e começou a nadar em direção a praia, que não ficava muito longe de onde estávamos. ria nos ombros de Liam em uma lutinha com que estava nos ombros de Niall e eu jurava que um deles ia morrer afogado porque aquele lugar não dava pé, mas logo as duas caíram e eu ri me aproximando e segurando pela cintura.
- Escuta...
- Não fala nada agora! - pediu, passando a mão em meu rosto molhado - Eu nem sei porque falei aquilo, se foi pra valer mesmo ou se apenas saiu, você não precisa falar nada de volta, só vamos aproveitar - me deu um selinho, seus lábios gelados, molhados e salgados do mar. Ela era incrível e eu tinha sorte de uma garota como ela ter me dado uma chance, eu não estragaria tudo, mas aceitei quando ela me pediu para não falar nada por enquanto, nem ela sabia o motivo de ter falado aquilo e a verdade é que todos nós estávamos assustados com todos os relacionamentos surgindo sabendo que logo estaríamos indo para faculdade. Voltando para o internato as fichas já seriam enviadas para as faculdades de interesse e por isso nós queríamos tanto um fim de semana como o que estávamos tendo, mas eu não esqueceria aquelas palavras tão cedo.
Voltamos para onde nossas barracas estavam exaustos, veio nas minhas costas e no colo de Liam, o resto do grupo apesar de cansados, ainda estavam animados, mas paramos assim que chegamos no local ao ver os dois professores nos olhando de braços cruzados.
- Nós fazemos chamadas quando voltamos da festa para ter certeza que nenhum aluno se perdeu. Da mesma forma que fizemos quando fomos ao parque, quando fizemos ao ir para praia e assim como faremos quando chegarmos no Parque aquático - a professora de biologia falava tudo muito séria e com os braços cruzados.
- Nós ficamos extremamente preocupados quando percebemos que 10 alunos estavam faltando, mas nem um pouco surpresos ao saber que eram vocês - Brian, de educação física, não parecia decepcionado - Eu já tive a idade de vocês, sei como é. - riu.
- Não encoraja, pelo amor de Deus - Lucy colocou a mão na cabeça - Graças a Brittany nós ficamos sabendo onde vocês estavam, mas vocês deviam ter nos avisado, nós não somos chatos ou ditadores, mas vocês são nossa responsabilidade esse fim de semana e qualquer coisa que acontecesse seria nossa culpa - concordamos com a cabeça sabendo que havíamos errado feio, eles eram professores legais, mereciam uma explicação.
- Quem vai começar explicando? - Brian perguntou, e todos falamos juntos.
- Deixa que eu explico - , que já havia sido representante de sala por anos e sabia lidar com esse tipo de autoridade falou.
- Vocês podem ir tomar banho e trocar de roupa enquanto falamos com , depois conversamos sobre as punições - Lucy falou, concordamos e fomos para as barracas pegar roupas, antes de ir ao local onde poderíamos tomar banho.
- Será que eles vão cortar nossa ida pro parque? - perguntou, passando colírio nos olhos.
- Acho que não, a sabe lidar com essas coisas - Louis falou antes de entrar do lado masculino.
Depois de tomar banho e nos trocar, nos encontramos e voltamos para onde estava com os dois, agora em uma conversa mais tranquila, rindo, ficamos sem entender, mas demos de ombros e esperamos que terminassem, sentados, com a cabeça encostada no meu ombro, quase dormindo.
- Vão descansar antes de irmos até o parque, e nunca mais façam isso, nós não seremos tão compreensíveis na próxima - Lucy falou, passando por nós para ir até sua barraca, olhamos para atrás de explicações.
- Eu contei por alto que várias coisas estavam rolando e nós precisávamos de um tempo de distrações, eles entenderam, deram conselhos, contaram histórias deles mesmos quando tinham nossas idades, mas vamos ter uma semana de detenção - fez careta, todos nós gememos em protesto, mas sabíamos que podia ser pior.
- Ainda bem que tem uma no nosso grupo pra livrar a gente da pior - agarrou a amiga, quando íamos para nossa barraca.
- Eu até ia tentar dormir com você hoje, mas já tivemos problemas com esses dois pro resto do semestre, deixa pra próxima - soltou essa bomba, me deu um beijo e entrou na barraca que dividia com me deixando ali que nem um babaca sabendo que poderia dormir pela primeira vez com minha namorada, mas não iria, não que algo fosse acontecer, seríamos só nós dois dormindo um ao lado do outro, mas já era um avanço. Era mais do que querendo dormir ao meu lado, era sua tentativa de superar, era sua vontade de recomeçar ao meu lado.
Essa viagem realmente havia feito um bem do caralho para todos nós.

Capítulo 26


Depois de voltar do acampamento tivemos de cumprir nossa detenção, estava surtando porque aquilo mancharia seu histórico perfeito, mas no fundo eu sabia que ela não estava ligando muito, toda pressão que ela colocava em si para ir para faculdade imediatamente vinha na verdade de seu pai, aposto que por ela essa pressa toda não aconteceria, acredito mesmo que ela preferia esperar um pouco antes de mandar as fichas. Depois de uma semana intensa de provas nós resolvemos tirar o fim de semana para ficar deitadas no quarto comendo um monte de besteiras - mesmo que eu estivesse evitando, e conversando sobre besteiras, garotos não eram permitidos naquele momento; e claro que o assunto chegou no dia da praia.
- Eu cheguei lá e eles estavam se vestindo, o que eu achei ótimo porque não queria ver nudez - falou, me fazendo revirar os olhos.
- Como foi? - perguntou. Ela sempre gostava de saber detalhes. Outra coisa que estava rolando com ela era a perseguição por causa das fotos que vazaram, mas ela até que lidava bem com aquela situação, acho que em seu lugar eu provavelmente me esconderia por mais ou menos o resto da vida.
- Ah, foi bom - falei, dando de ombros.
- Como assim, logo você que sempre fala sem parar, diz só que foi bom? E outra, na praia? Toda aquela areia...- perguntou, me fazendo rir e balançar a cabeça.
- Eu estava com vergonha, mas ele me fez sentir à vontade sabe? Tipo, eu não era virgem, mas com Zayn foi diferente, e sei lá, o tesão era tanto que a gente nem se preocupou com isso... Sabe quando o cara te faz sentir amada mesmo? Ele me fez sentir assim, me fez sentir bonita, sei lá, sexy - falei, tampando o rosto com as mãos e rindo. - Eu odeio esse tipo de atenção... Foi bom, ele sabe exatamente o que fazer e isso é tudo o que vocês vão tirar de mim.
- Isso quer dizer que ela teve um orgasmo - foi extremamente desnecessária como sempre. - Sorte a sua, tem caras que não conseguem dar um para a namorada não importa o quanto tentem, né ? - perguntou para a garota que só ouvia.
- Eu não saberia dizer - falou, vendo que todas nós a encarávamos. - Que? Eu sou virgem, ué - falou, noz fazendo abrir a boca surpresas. O fato é que algumas pessoas com quem conversávamos sobre isso e eram virgens ficavam extremamente desconfortáveis, mas sempre participava do assunto normalmente, então pensamos que ela tinha algum tipo de experiência. demorou muito tempo para se acostumar com esse tipo de conversa, ela sempre ficava sem graça e ignorava o assunto, demorou para começar a participar da conversa e fazer as perguntas que queria.
- E aquela cena com Niall? - perguntou, a fazendo rir.
- Uns amassos... Vocês sabem que eu nunca tive muitos amigos na Califórnia, não saia muito e quase não tive experiências com garotos - deu de ombros.
- Mas você não tem curiosidade? - perguntou, a fazendo rir.
- Claro que eu tenho - mordeu o lábio e nos olhou rindo - Eu meio que masturbei o Connor e...
- Que mãos de fada hein? Porque o cara não sai do seu pé - falou, nos fazendo rir novamente.
- Eu também sou virgem - comentou, mas nós já sabíamos - Meu ex era um otário e nunca me deixou à vontade.
- Isso é importante, sabe? Se sentir à vontade, se conhecer também, masturbação garotas - continuou, nos fazendo rir e fazendo tampar o rosto rindo, é, ela ainda ficava meio sem graça, mas quem poderia culpá-la? era bem direta quando queria - E não fazer nada achando que você tem obrigação, ninguém pode te forçar a nada - falou, e na mesma hora se movimentou desconfortável; ela havia sido forçada. O assunto meio que morreu na hora e ficamos em um silêncio estranho, nós ainda não sabíamos como lidar muito bem com isso, o que falar e o que não falar. Minha cabeça que nunca parava nesse momento me deixou na mão, o que você faz ou fala em uma situação dessas?
- Eu falei para o Harry que eu o amo - que quebrou o silêncio, nos fazendo gritar e sair daquela atmosfera pesada que havia surgido. Na mesma hora pipocas voaram nela e eu me joguei em cima da garota a abraçando enquanto ela ria. - Ele não falou nada de volta e eu entendo, foi muito espontâneo... E sai de cima de mim, - disse, me empurrando de cima dela e me fazendo rir.
- E de pensar que no começo do semestre você só queria distância dele - comentou.
- Assim como você e o Louis quase se matavam e agora você fica aí, enrolando o menino - cutucou, vi fazer uma careta engraçada como quem sabe que aquilo vai dar briga, mas antes que algo pudesse acontecer ouvi um barulho da janela e vi Zayn surgir dali.
- E aí - sorriu me dando um selinho, e olhando para as meninas, nós o encarávamos perguntando o que ele estava fazendo ali.
- Eu falei que não precisava dessa entrada dramática - Niall abriu a porta se sentando ao lado de , passando os braços pelos ombros da ruiva e mandando um beijo para .
- Nós falamos que hoje era o dia das meninas, se mandem - se levantou, colocando a mão na cintura e abrindo a porta. - A Jo viu você entrando? - perguntou para Niall que negou com a cabeça.
- Eu gostava mais quando era liberado entrar aqui, agora dá muito trabalho - fez careta.
- Se vira para sair, nós estamos no meio de algo aqui - falou, o puxando pelo braço, mas ele a abraçou pela cintura tentando beijá-la enquanto ela empurrava a cabeça do garoto, nos fazendo rir.
- Escuta, meus pais vem no fim de semana que vem, vamos almoçar com eles? - Zayn perguntou, me fazendo morder o lábio.
- Tem a opção do não? - perguntei, sorrindo, ele fingiu pensar, mas balançou a cabeça. - Sua mãe já não era muito minha fã antes, agora então...
- Fica tranquila, vai dar tudo certo - segurou minha mão sorrindo, enquanto eu ainda fazia careta. A mãe de Zayn queria uma princesa para seu filho e eu estava longe de ser uma. Quando nos conhecemos eu e Zayn ainda não éramos muito próximos, mas ela deixou claro que não gostava de mim e de , eu não sabia qual era o problema daquela mulher comigo e mantinha distância cada vez que ela aparecia para visitar, a última coisa que eu queria era almoçar com ela no fim de semana, mas agora, sendo namorada do Zayn, preciso me acostumar em estar ao redor da mulher. Seu pai me tratava bem, ele só era um carrasco quando se tratava do futuro de Zayn, de resto era um homem tranquilo.
- Agora vai embora, eu e as meninas estamos conversando e descansando, sai - o empurrei pelos ombros, sendo puxada pela mão, ele me beijou demoradamente e se afastou, piscou para mim e puxou Niall pelos ombros para os dois saírem.
- Se a Jo pega esses dois... - riu, balançando a cabeça.
- Mas então, como você e o Liam estão? - perguntei para , retomando nossas fofocas, e assim passamos o fim de semana. A viagem havia nos reaproximado.

[...]

O pesadelo começou na terça-feira. Primeiro coloquei a blusa do lado errado e só percebi no café da manhã quando todo mundo começou a olhar estranho, entrei na aula errada e tive que ouvir reclamações do professor, em seguida Samuel se aproximou e começou falar algumas coisas estranhas sobre , as quais ignorei, mas ele continuava tentando ser meu amigo e o cara até que era legal; mas Zayn havia reclamado no meu ouvido por causa disso. E agora nós estávamos no ensaio do time de torcida e tudo estava dando errado, estava a ponto de matar alguém, só não o fez porque a treinadora entrou em campo, logo atrás dela vinham as animadoras dos Sharks. A treinadora chamou de canto e, pelo que pude ver, elas estavam em uma discussão intensa.
- Isso é impossível - falou, não se deixando intimidar.
- Elas mostraram a gravação...
- Não, isso é realmente impossível...
- , você poderia vir aqui, por favor? - treinadora Molly pediu, e assim eu fiz. Ela colocou o tablet na minha frente e deu Play em um vídeo; era o treino das animadoras, mas logo percebi muitas coisas familiares com o nosso treino.
- Essa é a nossa rotina - falei exasperada, como assim haviam roubado a nossa rotina?
- Essa é a rotina delas. Elas gravaram o treino e tem a data. Você copiou a dança delas? Seja sincera,
- Claro que não, eu nunca faria isso. - falei, cruzando os braços.
- Elas têm provas, - Molly falou, me fazendo passar a mão pela testa e respirar fundo; só podia ser um pesadelo. - Eu terei que te afastar definitivamente das animadoras, isso é sério, poderia nos dar muitos problemas nas competições e nós não podemos deixar isso acontecer. - ela continuava me culpando, e o pior é que não tinha como eu me defender. Mesmo nossa rotina estando pronta há meses, nós não tínhamos como provar, seria nossa palavra contra aquele vídeo.
- As meninas podem te comprovar que nossa rotina foi feita antes desse vídeo.
- É a palavra de vocês contra provas concretas delas, . Eu sinto muito, mas a partir de hoje você não faz mais parte da torcida - ela falou, me fazendo engolir seco e balançar a cabeça.
- Então boa sorte arranjando outra capitã - falou, jogando os pompons no chão.
- ,não - falei, Molly falando comigo.
- Elas não têm culpa disso - falei, olhando para as garotas, que apenas nos observavam sem abrir a boca.
- Eu não vi nenhuma delas tentando te defender - arqueou a sobrancelha - Eu sempre ressaltei como devíamos ser um time, nenhuma delas agiu como um e não só hoje, elas nunca agiram assim. Eu não vou ser capitã sabendo que uma palhaçada dessas está acontecendo - falou para mim, e se virou para Molly. - E quando você descobrir a verdade eu vou amar te ver pedindo desculpas para ... Você nos conhece melhor que isso, mas está na cara que só não quer ter problemas. - falou, amarrando o cabelo e segurando na minha mão. Caminhamos até ficar de frente para a capitã do outro time. - Ganhar sujo não é ganhar, querida, nenhuma vitória vem desse tipo de coisa, eu não sei o motivo de vocês fazerem isso, também não sei o que vocês vão ganhar com isso, mas não é na minha consciência que vai pesar.
- Nem na minha, afinal, vocês que roubaram a nossa coreografia - jogou os cabelos loiros para trás.
- Nós sabemos que você não tem capacidade de montar uma coreografia dessas, todos os campeonatos que vocês perderam comprovam, mas se isso te faz sentir melhor pode ficar com a minha coreografia, é o melhor que você vai conseguir mesmo - falei, esbarrando em seu ombro ao passar por ela, com me seguindo e segurando minha mão, eu tremia de raiva, mas não conseguia expressar.
- Nós vamos descobrir quem fez isso - falou, me fazendo suspirar.
- Não precisava ter saído por minha causa - falei, parando e a olhando.
- Até parece que eu ia ficar lá, eu só aguentava aquelas garotas porque tinha você para me distrair, e eu não faço parte de um time que faz esse tipo de injustiça, elas que se virem agora - deu de ombros. - Elas não são nada sem a gente - falou, fazendo o caminho para o dormitório.
- Eu quero ficar um pouco sozinha, tudo bem? - perguntei, vendo ela concordar com a cabeça, depois de me olhar preocupada.
Sentei de frente para o espelho e respirei fundo, eu nunca tinha sido acusada de roubar uma dança antes, eu só queria gritar ou socar alguma coisa, logo eu roubando coreografias, aquela treinadora só devia estar muito louca mesmo, era óbvia a inspiração latina nos passos, ela estava se fazendo de cega só para não ter dor de cabeça. Conectei meu celular com o tocador e logo ShakyShaky estava tocando; algumas pessoas precisam de drogas para se distrair, outras precisam de bebidas, eu preciso de dança. Deixei meu corpo se mover livremente dançando com raiva, o que não combinava nada com a música, mas eu não estava nem ai, precisava extravasar aquela raiva.
- Mal momento? - ouvi aquela voz conheci e ri, dando de cara com Samuel.
- Um pouco - falei, me sentando novamente e deixando a música rolar.
- Posso ajudar em alguma coisa? - perguntou, me fitando com aqueles olhos extremamente azuis que me deixavam desconfortável.
- Na verdade não - dei de ombros, vendo que o garoto me observava atentamente.
- Você é a única do seu grupinho que não me evita - comentou, me fazendo rir. Depois do que nos contou sobre ele nenhum de nós confiávamos nele, mas eu não o maltrataria, estava curiosa para saber qual era a dele, não sou tão inocente como todos pensam, achando que eu vou deixar com que ele me engane.
- Não quer dizer que eu confie em você. - comentei, amarrando meu tênis e me levantando.
- Eu sei que não - sorriu de lado, ainda me observando enquanto eu pegava minha mochila. - Eu sinto muito pelo que aconteceu, as animadoras e tal - falou e eu ri, incrível como as pessoas desse internato são fofoqueiras.
- Pelo menos eu ainda tenho o time de dança, ela não pode me impedir, nunca tive problemas lá - falei, tentando me convencer daquilo. - Mas agora eu tenho que ir - falei, acenando para ele e saindo dali, esbarrando em Zayn e Louis, que entravam no prédio. Zayn me segurou pelos braços e deu um beijo na minha testa.
- A gente estava te procurando e eu lembrei que você vive aqui, a confirmou. Estava fazendo?
- Dançando reggaeton - falei, vendo ele franzir o cenho e tentar repetir a palavra. - Você fica fofo tentando falar espanhol - ri, dando um beijo nele.
- Credo, eu ainda to aqui - Louis nos separou, me fazendo revirar os olhos.
- Não acredito que aquela louca da treinadora fez isso - Zayn balançou a cabeça - Como isso aconteceu? - perguntou, se apoiando na porta.
- Não sei - movi a mão - É uma conspiração - cerrei os olhos, os fazendo rir - Claro que eu to chateada, mas não é o fim do mundo, uma hora eu vou enfiar a verdade no cu dela e...
- É, voltou ao normal - Louis falou rindo, e bagunçou meu cabelo que já estava bagunçado - disse que você tinha ficado daquele jeito estranho que você sempre fica quando não está bem, meio distante.
- É o jeito que todo mundo fica, porque comigo é um jeito estranho?
- Porque não é normal te ver assim, ué - deu de ombros, me fazendo rir.
- Eu to puta e quero arrancar fio por fio do cabelo daquela loira mentirosa, mas eu vou preferir ver ela pagando mico tentando fazer minha coreografia porque ela não tem experiência nenhuma com dança latina, eu vou morrer de rir vendo aquelas garotas duras tentando mover a cintura daquele jeito - dei de ombros - Ela mexeu com a latina errada - movi o dedo. - Só deixa eu me recuperar das provas, vou descobrir quem fez essa palhaçada e...
- É, ela realmente voltou ao normal, já começou a falar sem parar - Louis comentou, me fazendo acertar um soco nele. Zayn estava distraído olhando para frente, segui seu olhar e vi Samuel saindo do prédio.
- Ele estava com você? - Zayn perguntou.
- É, não vou ficar para a DR, adeus casal - Louis logo saiu nos deixando sozinhos.
- Não necessariamente comigo. Ele entrou, ouviu a música, falou comigo e depois eu fui embora; não que eu te deva esse tipo de explicações - falei, vendo o rosto dele se virar para mim surpreso. - Qual é Zayn, ciúme dele?
- Não é ciúme - cruzou os braços, me fazendo rir.
- Deixa de ser idiota, garoto, claro que é. E só para, ok? Eu não preciso te dizer cada passo que dou e com quem to, é só o Samuel, ele não é meu tipo - segurei as mãos de Zayn - E eu me abri para você, te contei coisas que nem as meninas sabem, sério que você vai dar dessas, querendo que eu dê satisfações de tudo?
- Não é isso - colocou as mãos na minha cintura, me aproximando de seu corpo - Eu só não gosto dele, nem da forma que ele te olha... já deixou claro que o cara não é gente boa - abaixou a cabeça, me olhando nos olhos. - E eu não posso culpar ele de te olhar do jeito que olha, quer dizer, olha para você - mordeu meu lábio, me fazendo rir. - Desculpa está agindo que nem um babaca, é que eu não quero ele perto de nenhuma de vocês - falou, entrelaçando nossos dedos, o puxei comigo para irmos para o dormitório.
- Para de se preocupar com ele, sério - falei, estralando o pescoço - Agora eu só preciso de um banho - continuei não vendo a hora de chegar no meu quarto e me jogar na cama.
- Gostei da ideia - me abraçou por trás, beijando meu pescoço.
- Eu to soada, para - ri, tentando afastá-lo de mim. - E é uma ótima ideia que vai ser executada por mim... Sozinha, e sem reclamações, eu to exaustada e preciso pensar em um jeito de torturar a palhaça que tentou me ferrar, acho que a pode me dar umas ideias, ela é boa com ideias, ainda mais métodos de torturas.
- Você é encantadora - Zayn falou, me fazendo rir.
- Eu sei disso, mas obrigada por lembrar - falei, subindo no primeiro degrau para ficar do tamanho dele. Zayn me beijou intensamente, podia ouvir os gritos de algumas pessoas que passavam por perto, mas eu não ligava. Puxei o cabelo da nuca dele, e senti uma mordida no meu lábio em resposta, seu aperto em minha cintura ficou mais firme e eu já estava a ponto de puxá-lo para dentro, mas me separei dele. - Nem adianta me olhar com esses olhos mel fazendo essa cara sedutora que não vai funcionar, Malik, eu não vou te chamar para o meu quarto para tirar minha roupa, mesmo sendo o que eu quero, eu tenho coisas pra fazer e lugar a ir e... - não consegui continuar, ele logo me beijou novamente, rindo no meio do beijo, o empurrei novamente.
- Ok, vai. Te vejo mais tarde- falou, me soltando. Ri balançando a cabeça e subi os outros degraus, vendo que algumas das meninas me olhavam, provavelmente já sabendo do que tinha acontecido. Balancei a cabeça e fugi de Delphine, que se aproximava com uma xícara soltando fumaças, provavelmente tentaria ler as folhas do chá para mim ou algo do tipo. Ela me lembrava aquela professora de Adivinhação do Harry Potter com todo aquele ambiente místico que criava; eu até que curtia.
- Ta tudo bem? - perguntou, assim que entrei no quarto e me joguei na cama.
- Vai ficar - respondi suspirando. Na minha cabeça só vinha uma pessoa que gostava de nos perseguir, mas não fazia sentido, quer dizer, nós achávamos que ela havia espalhado as fotos de , mas ela e estavam brigadas, então fazia sentido; então porque agora ele resolveu me ter como alvo? Só podia ter outra explicação, talvez fosse apenas as meninas do outro time se sentindo ameaçadas mesmo e eu que estava pensando demais. De qualquer forma, eu precisava me preocupar com uma sogra e com as passagens para Porto Rico para passar o Natal com a minha família.


Todo lugar que eu andava algumas cabeças se viravam, não era por causa do meu incrível charme ou por estar linda; era por causa das fotos. Eu evitava ficar perto deles, adolescentes são incrivelmente idiotas quando querem e adolescentes ricos e mimados conseguiam ser três vezes mais idiotas. Ninguém ligava se aquilo me afetaria de alguma forma, eles só queriam saber de fazer piada, ninguém tratava o que aconteceu como crime. Claro que fui falar com o diretor, ele disse que faria o possível para descobrir se algum aluno da escola que havia espalhado a foto, disse que o Internato tinha zero tolerância com bullying, claro que ele só queria fazer média com a minha mãe porque, se descobrissem que quem fez isso é filho de algum senador, advogado influente ou o caralho que fosse, nenhuma providência seria tomada. Minha mãe não confiava muito no diretor, eu sabia que ela faria o impossível para descobrir o que havia acontecido por conta própria e isso me deixava um pouco mais tranquila.
Sentei no local mais afastado que consegui achar e encostei na árvore olhando para a frente e apertando minha jaqueta contra meu corpo, não demoraria nada para começar a nevar e eu estava empolgada com isso, significava que logo eu iria para casa ver minha mãe e esquecer desse inferno de lugar com essas pessoas idiotas. Lado positivo: ficar longe daqui e passar mais tempo com minha mãe. Lado negativo: ter que falar sobre o traidor do meu pai, para isso eu não estava nem um pouco empolgada.
Harry havia me mandado mensagem e eu avisei onde estava, desde que a foto foi vazada ele ficava ainda mais por perto fazendo o papel de irmão mais velho que ele sempre assumia comigo, eu agradecia por isso. Não que eu não soubesse me cuidar, já perdia conta de quantos caras já ameacei e quantas garotas já pararam de olhar na minha direção depois de tentar ser engraçadinhos para cima de mim, mas quando Harry ou Liam estavam por perto ninguém se atrevia a abrir a boca. Por causa dessa proteção logo o vi subindo com . Os dois sorriram e sentaram-se ao meu lado, olhando para a frente, assim como eu fazia.
- Dá para acreditar que daqui uns dias nós vamos para casa, e quando voltarmos serão tipo, nossos últimos meses? - Harry falou, ainda olhando o nada.
- E eu ainda não faço ideia do que vou fazer, minha mãe não para de mandar mensagem perguntando - riu, balançando a cabeça.
- Eu vou tirar um ano - falei, mordendo o lábio e olhando para eles. - GAP year, eu mereço sabe?
- Todos nós merecemos - Harry gemeu - Sério, eu to exausto, parece que vai chegando o fim do semestre você vai ficando cada vez mais de saco cheio - falou, e logo em seguida me olhou - Como você está? Com o lance das fotos?
- Bom, você e todos os meninos ameaçando matar quem compartilhar ajudou - balancei a cabeça, fazendo os dois rir - Mas ainda tem uns engraçadinhos que vem me parabenizar, perguntar se é tudo real e essas palhaçadas - revirei os olhos. - Claro que minhas respostas são sempre as mesmas né; "ta tão interessado porque nunca viu peitos sem ser através de um computador?" ou "Sua namorada sabe que você guarda fotos minhas?". Coisas do tipo - dei de ombros, vendo os dois rirem e balançar a cabeça.
- Daqui a pouco aparece outra pessoa para eles encherem o saco - tentou me tranquilizar, mas na mesma hora eu vi cabelo loiros conhecidos passando por nós e a segui com os olhos, me levantei rapidamente - Já volto - percebi que os dois me olhavam curiosos, mas ignorei e fui até Brittany. Ela estava distraída olhando para um livro e quase morreu do coração quando coloquei a mão em seus ombros, me olhou com os olhos arregalados, mas logo suavizou a expressão.
- Tudo bem? Como a está com aquela história toda? - perguntou, fechando o livro e me olhando.
- Por acaso foi você ou suas amiguinhas que espalharam aquela foto? - perguntei, cruzando os braços e vendo que ela não me encarava mais.
- Qual é, , nós éramos amigas - olhou para baixo.
- Isso nunca impediu vocês de nada, vocês não tem amigas, tem marionetes e quando eu cansei disso vocês decidiram que eu devia pagar por não fazer mais parte dessa palhaça.
- Você sabe que não foi isso, a Valerie só ficou chateada por causa do Cody...
- Ela era apaixonada pelo primo, Brittany, você sabia que a família deles nunca ia aceitar isso, não vem me culpar não. Todo mundo me julgava achando que eu tinha ficado com ele mesmo sabendo dos seus sentimentos, mas você nunca teve sentimento nenhum por ele. Todo mundo achava que ele era seu melhor amigo, ela te usava, todo mundo achava que você era quem estava apaixonada por ele porque a Valeria espalhava isso para disfarçar que na verdade era ela, disfarçar que todos os ataques de ciúme que ela tinha quando ele aproximava de qualquer pessoa era para te proteger, você sabia a verdade e nunca abriu a boca para desmentir. E agora você quer falar que nós éramos amigas? Nós nunca fomos amigas, vocês são um bando de cobras - falei, levantando a voz e vendo Brittany abaixar a cabeça. Lembrei aquele dia na sala de convivência quando Liam perguntou se minha briga com Britt havia sido por causa do melhor amigo dela, eles só andavam juntos porque Valerie pedia, porque ela queria saber que uma de suas amigas seguiam cada passo do primo. As pessoas acreditavam em tudo que Valerie falava, se Valerie falava que eu era uma vadia sem coração que prejudica uma das amigas, então as pessoas achariam isso. - E vocês acreditam realmente que ele mudou de cidade e parou de falar com ela por minha causa? Vocês são tão burras assim? - perguntei, passando a mão no cabelo. Valerie e Cody eram muito próximos, sempre foram, tanto que ela implorou para os pais do garoto deixarem ele estudar no mesmo internato que ela, e como ele adorava ver a garota feliz é claro que aceitou. Logo que ele entrou eu fiquei interessada, o cara era um gato e tinha um papo incrível, mas depois que começamos a nos aproximar minha amizade com Valerie mudou. Ela ficou rude, eu sempre soube que era, mas nunca foi comigo. Pegava meu celular e apagava mensagens, fazia de tudo para me fazer sentir mal, tudo para me afastar do primo, mas eu sabia qual era o interesse dela nele. No dia que nós dois ficamos eu cheguei a perguntar se eles tinham ou já tiveram algo, ele me garantiu que não, que ela era como uma irmã para ele; infelizmente a louca ouviu nossa conversa, ficou puta por ele ter usado o termo "irmã”, viu nosso beijo e enlouqueceu. Eu tenho certeza que ele não mudou por minha causa, mas porque Valerie era totalmente pirada e provavelmente havia o ameaçado.
- Eu acredito nela, ela é minha amiga e não me deixou na mão - Brittany arqueou a sobrancelha, tentando me atingir de alguma forma.
- Eu te disse que nada entre nós duas mudaria, mas você preferiu escolher o lado delas, Brittany, porque você é covarde. Então não vem falar que eu te deixei na mão quando eu deixei claro que as coisas entre nós poderiam continuar iguais; você e sua covardia são culpadas por você ainda ser uma boneca na mão delas - falei, me aproximando da garota e a vendo engolir seco - Se eu descobrir que foram vocês que mandaram aquela foto as coisas vão ficar feias, então é melhor vocês esconderem isso muito bem - cerrei os olhos a encarando. Virei as costas e sai andando; por um lado um tinha pena de Brittany, ela só queria que as pessoas gostassem dela, era meio solitária, mas por outro lado eu queria mais que ela se fodesse.
[...]

- Não quero mais - fiz bico, jogando as luvas no chão, me sentando e apoiando as costas na parede. Liam se sentou na minha frente e colocou uma perna de cada lado.
- Você anda preguiçosa - comentou, apertando minha barriga.
- Você anda folgado - empurrei seu ombro, o fazendo rir. Depois que brigamos nós havíamos parado de treinar, agora que eu tinha voltado meu corpo ainda não havia se acostumado e eu estava toda dolorida, ele parecia achar graça naquilo. Não vi quando, mas ele devolveu meu empurrão e quando vi tínhamos entrado em uma lutinha besta, e ele havia conseguido ficar em cima de mim me fazendo rir.
- Você que anda folgada demais - me dei um selinho enquanto passava a mão na minha perna. O selinho logo se transformou em um beijo, toquei sua cintura e o senti retrair, o que o fez parar de me beijar, o olhei estranho e ele sorriu - Não é nada - falou, se sentando novamente e me ajudando. O olhei curiosa, mas ele não falou nada porque na mesma hora um grupo de amigos passavam me encarando e sorrindo para Liam, revirei os olhos e balancei a cabeça.
- Por acaso algum de vocês perdeu alguma coisa assim? – a voz grave de Liam fez com que eles parassem de olhar.
- Isso não vai parar nunca? - encostei a cabeça na parede e fechei os olhos, senti Liam fazendo carinho na minha panturrilha e abri um dos olhos o fitando.
- Claro que vai, eles logo esquecem isso - falou, me fazendo bufar e balançar a cabeça. Me levantei e estiquei minha mão para que ele se levantasse também.
- Todo esse exercício me deu fome - falei, pegando minha mochila e esperando Liam pegar a dele.
- Eu sei outro tipo de exercício que...
- Nem continua - apontei o dedo para ele - Porque eu não vou correr o risco de ser pega no seu dormitório - falei em seu ouvido e mordi o lóbulo, vendo que ele sorria.
- Eu que vou ser pego no seu se você não parar com isso - falou, enquanto eu passava a mão pelo seu peito. Eu gostava mais quando estávamos assim, quer dizer, todo aquele negócio de reconciliação era ótimo e o começo do nosso relacionamento foi baseado em brigas, éramos tão complicados. Era tão comum me ver dando empurrões naquele peito largo e musculoso, ele me encostando na parede para tentar me fazer ouvir já que sou cabeça dura, um tentando fazer o argumento prevalecer e no final sempre acabávamos nos entendendo, mas quando estávamos bem era incrível, a gente se entendia completamente e eu nunca tive isso com ninguém.
- Você que começou, agora pega suas coisas e vamos logo que eu ainda tenho que tomar banho antes de jantar - falei, o empurrando. Eu estava distraída enquanto mandava mensagens para , mas assim que Liam colocou a mochila ela bateu em sua cintura e ele levantou a blusa revelando um machucado feio, franzi o cenho e deixei que ele me segurasse pela mão me levando para fora, ele achava que eu não tinha visto aquela mancha que não era nem roxa, era quase preto.
- [...] e a disse que no ano novo nós podemos ir para a casa dela na Califórnia, você era de lá também, vai ser legal e... - Liam continuava falando, mas eu só conseguia pensar naquele machucado.
- Como você fez isso? - perguntei, parando de andar e vi ele me olhando curioso. Respirei fundo e levantei a blusa dele, vendo que aquele roxo se estendia pelo tronco - Que isso, Liam? - perguntei preocupada, tocando o local e vendo ele se esquivar.
- Se você quer tirar minha roupa não precisa arranjar desculpas - sorriu, tentando se livrar do assunto, quase sorri junto vendo seus olhos ficarem pequenos como sempre ficavam, mas balancei a cabeça e coloquei o cabelo para trás.
- Não muda de assunto.
- Qual é, , eu luto boxe, foi assim que eu consegui essa belezinha - falou, deixando suas mãos irem de meus ombros e descer pelos meus braços, até alcançar minhas mãos onde ele entrelaçou nossos dedos.
- Tem certeza? - perguntei preocupada, algo me dizia que ele estava mentindo - Não mente para mim, sério, nós estamos tão bem - pedi, sentindo Liam largar uma das minhas mãos para olhar em meus olhos.
- Eu não to mentindo - falou, me olhando com atenção. Mordi o lábio e concordei com a cabeça, vendo ele sorrir - Não se preocupa - a mão que estava em meu queixo desceu para minha nuca e ele me puxou para me beijar, aceitei o beijo com prazer, era sempre bom sentir seus lábios contra os meus. Ele me levou até o dormitório comentando como seria estranho ir para sua casa com a situação chata de seu pai, até o convidei para passar o Natal comigo, mas ele recusou dizendo que precisava estar em casa com sua mãe e irmã. Percebi Derek nos olhos quando passamos pelo campo e logo viajei novamente, pensando no dia que vi os dois juntos. Liam ainda não me contou o que ele queria e eu não perguntei mais, estava evitando brigas; pelo menos por enquanto.
- Te vejo no jantar - falei, dando um selinho nele e indo para meu quarto. estava lá, largada na cama, mais estressada que o normal. Seu pai acabaria a deixando louca. Pelo menos ela não teve mais nenhuma crise desde o acampamento, isso era bom, quem sabe as crises não param finalmente?
- Você está parecendo a quando entra naquelas viagens dela - comentou, finalmente se sentando.
- Como você sabe quando uma pessoa está mentindo? - perguntei, olhando para a janela.
- A, tem uns sinais tipo, não olhar nos olhos, voz trêmula, irritação, tentar mudar de assunto e tipo, muitos outros, mas por quê? - perguntou, respirei fundo e contei sobre o machucado de Liam, mas ele não tinha dado nenhum desses sinais, a não ser tentar mudar de assunto.
- E eu acho que ele está mentindo, alguma coisa me diz isso - falei, a encarando.
- Ou talvez seja só sua cabeça te sabotando para arranjar briga com ele e se afastar novamente. Pensei que você já tinha passado dessa fase, você não aceitou que está apaixonada por ele? - se sentou na minha frente.
- Já, não é isso... Não sei explicar - cocei a cabeça.
- Para de pensar nisso, não é nada - sorriu, tentando me tranquilizar - E vai tomar banho se não vamos ficar sem janta. Anda, anda, anda - falou, me puxando pelo braço para levantar. É, talvez ela estivesse certa e era apenas minha mania de tentar afastar quem se aproximava demais.


Depois de largar a torcida a treinadora não largava o meu pé. Eu queria muito dar uma resposta mal-educada, mas não queria correr o risco de ser expulsa logo no último ano. Falando em último ano, eu ainda não havia contado para ninguém que estava preparando cartas de admissão para estudar nos Estados Unidos, não queria ver a reação dos meus amigos, da minha família, de Harry... Eu precisava colocar todos os sentimentos de lado e focar no meu futuro, nas minhas necessidades, e era isso que eu queria. Todos eles tentariam me fazer ficar quando o que eu mais queria era partir. Eu precisava de um recomeço, ficar aqui apenas me faria mal, mas eles não entenderiam, pelo menos não por enquanto.
- ? Eu to falando com você faz uma meia hora - praticamente gritou.
- , fala baixo, nós estamos em uma biblioteca - pedi, procurando o livro que o professor de Inglês havia pedido.
- Por fala nisso, o que nós estamos fazendo na biblioteca? - Zayn perguntou, me fazendo encarar meu melhor amigo tentando descobrir se ele estava falando sério.
- O que se faz em uma biblioteca, gênio? - perguntei, ainda procurando o livro. - Procurando o livro que o professor Rhodes pediu.
- Eu não acredito que as pessoas realmente vêm na biblioteca pra estudar - Zayn comentou, como se a ideia fosse absurda.
- E para que mais elas viriam? - perguntou, achando graça do garoto.
- Essa biblioteca tem história - Zayn falou, mas fechei os olhos apenas esperando a reação de enquanto pegava o livro e me afastava daqueles dois.
- Perdón? - assim que ouvi falando em espanhol já soube o que estava por vir, mordi a boca segurando a risada e me apoiei no balcão entregando meu cartão para a bibliotecária. - Lo que usteddice? Se está volviendo loco, Malik? - falava dando tapas no peito de Zayn, que olhava sem entender.
- Que? Amor, fala em inglês? - Zayn tentava desviar dos tapas, mas ele ria, sabendo que a garota estava com ciúme, enquanto uma das funcionárias brigava com eles, pedindo silêncio. Ri da briga besta dos dois e peguei o livro saindo, vendo que os dois vinham atrás de mim.
- Essa biblioteca tem história? Eu vou fazer umas histórias nessa biblioteca também, com o primeiro que aparecer - falou, se virando e sendo parada por Zayn.
- Eu só estava brincando, - Zayn ainda ria.
- Não to vendo graça, ridículo.
- Vocês são adoráveis, mas vamos que eu tenho que ler isso aqui para segunda - peguei pela mão assim que vi Harry em nossa direção. Eu estava o evitando desde o acampamento. Não sei o que me deu em simplesmente falar que o amava, não era mentira, mas eu não precisava simplesmente abrir a boca. Harry sempre foi desprendido, sempre teve várias garotas, nunca parou em um relacionamento, eu não sabia se ele queria um logo agora, quer dizer, daqui alguns meses cada um de nós seguiria um caminho e como as coisas ficariam? Eu percebia que ele estava tentando conversar comigo, provavelmente para falar sobre aquele dia, mas eu não queria. Já não queria ficar com ele porque ele não aguentaria, não aguentaria lidar comigo, meus altos e baixos, nem eu sabia lidar com isso, imagina alguém de fora. Era mais fácil afastá-lo antes que ele percebesse que não queria uma namorada com os problemas que eu trazia; era mais fácil afastá-lo antes que ele se afastasse sozinho, eu sofreria menos.
- Eu não entendo porque você e a tem a necessidade de se sabotar - falou, assim que entramos na sala de convivência, as meninas estavam todas lá, jogadas no sofá.
- Ta falando de que? - perguntei, sentando no braço do sofá ao lado de , enquanto se jogava no coloca de e colocava os pés no colo de .
- Você acha que ninguém percebeu que você anda ignorando o Harry? - falou, pegando uma barra de chocolate e jogando em nós. Revirei os olhos e abri o pacote enfiando alguns quadradinhos na boca para não ter que responder.
- Me deixa fora disso - apontou para .
- Você não quer namorar Louis por medo - comentou, mais confortável para falar sobre assuntos pessoais de - E a outra ali se afastando do Harry só porque falou que o ama; vocês têm necessidade de se sabotar sim –continuou, vendo mostrar a língua para ela. - Muito madura, - jogou a almofada na ruiva, que retribuiu, dando início a uma guerra de almofadas.
- Eu pensei que essa coisa de guerra de almofadas só acontecia em filmes - Louis comentou, do lado de fora da porta, chamando nossa atenção. - Rola aquele lance de ficar só de roupa íntima? - perguntou, nos fazendo revirar os olhos.
- Era o próximo passo, se você tivesse esperado 4 minutos para abrir a boca ia ter visto, mas no caso é uma tirando a roupa da outra, isso os filmes não contam - deu de ombros. Louis a fitou com os olhos cerrado tentando entender se ela estava falando sério.
- Claro que não, né idiota - jogou a almofada nele.
- Vocês gostam de brincar com o coração de caras né? - falou, ainda do lado de fora - Jo disse que se eu entrasse aqui de noite ia me dar uma detenção tão ruim que eu ficaria traumatizado para o resto da vida e ela cumpre as promessas, então eu só vim te avisar - Louis apontou para mim e sorriu - que Harry pediu para você encontrar com ele lá na piscina daqui 20 minutos, e se você não for ele vai te fazer pagar algum mico vindo aqui com uma caixa de som, você sabe que ele é ridículo - deu de ombros - Agora vou deixar vocês com essa guerra fofa de almofadas, amo vocês, não façam nada que eu não faria. - piscou para , e saiu dali antes de Jo aparecer, nos fazendo rir. Peguei meu celular e vi que realmente havia uma mensagem de Harry pedindo para que eu o encontrasse lá, mordi o lábio e olhei para as meninas.
- Ó lá ela se sabotando de novo,ta pensando em não ir, né? - falou, tentando olhar a tela de meu celular, mas parou quando dei uma cotovelada em sua barriga.
- Só vai até lá e ouve o que ele tem para falar - sorriu, me fazendo suspirar.
- Não posso fugir para sempre, né?
- Vocês moram no mesmo lugar, amor. - mandou um beijo. Gemi e joguei a cabeça para trás. Eu e minha grande boca.
[...]

Vinte minutos depois eu estava lá, e sozinha. Normalmente as pessoas sempre ficam aqui na piscina, ou apenas sentadas nas mesinhas conversando, ou realmente a usando, mas como estava extremamente frio ninguém se atrevia a chegar perto, se queriam piscina iam para a aquecida. Harry sabia que seria um bom lugar para conversar, era afastado dos prédios e ninguém estaria aqui. A fumaça saindo da minha boca deixava óbvio o motivo, mas era legal ver as luzes dos prédios de longe, as luzes do campo, e como a água da piscina ficava quando estava escurecendo. Eu estava realmente nervosa em ter que falar com Harry, coloquei a mão no bolso sentindo o cigarro fino que eu sabia que me faria relaxar, até cheguei a tirá-lo do bolso, mas Harry apareceu na mesma hora me fazendo guardar novamente. Ele olhou para mim e para minha mão enquanto eu guardava o cigarro e engolia seco.
- Você ta tão nervosa assim? - perguntou, se aproximando, mantive meus olhos em meus dedos. - , eu não to te entendendo, até semana passada estava tudo bem. É por causa do que o Louis falou? Eu te expliquei tudo. - sua voz era suave. Harry conseguia ser bem lento quando queria. Quando Louis falou sobre a aposta eu realmente fiquei puta com Harry, mas quando ele explicou fez sentido. Ele não se daria ao trabalho de se aproximar de mim apenas por isso e ele realmente havia ficado confuso quando Louis disse que havia perdido a aposta; ele nem se lembrava daquilo porque não havia levado a sério.
- Não, não tem nada a ver com aquilo - falei, vendo que ele se movimentava bastante. Havia tirado um cobertor da mochila e se sentava no chão, me chamando para sentar ao seu lado. Assim que sentei ele me entregou um copo com café e nos envolveu com o cobertor. Ficamos em silêncio enquanto eu sentia meu corpo se aquecendo, não sabia dizer se ela por ter os braços dele ao meu redor depois de uma semana, se era o café ou o cobertor.
- Então fala comigo - pediu, virando a cabeça para me olhar. Coloquei o copo de lado e me virei de frente para ele arrumando a postura. Harry sorriu me encorajando e segurou minha mão, brincando com meus dedos.
- Eu só não sabia como olhar para você depois de ter falado que...
- Que você me ama? - completou, me fazendo fechar os olhos e rir balançando a cabeça. Abri os olhos novamente percebendo aquele verde intenso me analisando. - Olha, eu...
- Não precisa se justificar nem nada do tipo, Harry. Você não tem obrigação nenhuma, eu sei que fui apressada e...
- Apressada? A gente já se conhece há um tempão e eu sempre fiquei atrás de você, , na verdade teve um atraso dos dois lados. - Harry falou, fazendo desenhos aleatórios na palma da minha mão. - Eu fui pego de surpresa sim, eu jurava que você ia me jogar no mar depois do que Louis tinha falado, mas você acreditou em mim. - se aproximou, meus olhos não deixavam o dele por nenhum momento. - Eu acho que sempre te amei, mas nunca achei que era bom o bastante para você. Você me intimidava, intimidava todo mundo para falar a verdade. As meninas da torcida, qualquer um que olhava em sua direção, até as meninas tinham medo de entrar em alguma briga com você - Harry riu, mas meu coração havia parado quando ele disse "sempre te amei", ele percebeu o que falou? - Eu nunca me achei bom o bastante para você, mesmo sempre dando alguma indireta e tentando me aproximar, por isso eu fiquei sem reação no dia. Quando uma garota como você olharia para um cara como eu?
- Harry? - franzi o cenho sem entender o que ele queria dizer.
- , você ainda não entendeu que eu te amo? E que não importa o quanto você tente me afastar eu sempre vou me reaproximar? - sorriu, deixando sua covinha a mostra. Agora eu entendia o que havia acontecido no dia que eu falei tais palavras, porque quem não conseguia falar nada agora era eu. Ele apenas riu balançando a cabeça. - Vem aqui, idiota, para de me olhar assim - puxou minha mão e me beijou com pressa. Eu não fazia a menor ideia do que estava acontecendo. Então é assim quando o sentimento é reciproco? Sua língua quente e molhada em contato com a minha me fazia arrepiar, mas os arrepios e o frio na barriga também eram consequência em saber que ele sentia o mesmo, e em saber que não importaria o quanto eu tentasse, nunca conseguiria o afastar. Assim que mordi sua boca ele gemeu rouco contra minha boca e eu perdi a cabeça, puxei seus cabelos sem dó sentindo que ele retribuía a agressão em meu pescoço, chupando a pele por longos segundos e passando a língua logo em seguida, ele queria deixar marca e com certeza conseguiria. Comecei a me mover em seu colo, eu nem lembrava de ter vindo parar em seu colo. Com ele era tudo sempre intenso, os sentimentos, os pensamentos, a confusão, os beijos; e eu, que sempre tentava fazer tudo com calma, estava amando essa pressa que ele trazia para minha vida. Comecei a beijar seu pescoço sentindo ele apertar minha cintura com força, apertei seu ombro me sentindo estranha... Eu estava excitada? Mordi seu pescoço com o pensamento e senti sua mão apertando minha coxa, ele não estava com medo de explorar meu corpo como normalmente sentia. Mas quando senti sua mão tocando minha pele por dentro da blusa eu não sei o que aconteceu. Meu peito começou a descer e subir rapidamente, mas não de excitação, era desespero. Comecei a sentir uma falta de ar horrível, uma agonia, Harry não parecia perceber, continuava beijando meu pescoço, provavelmente achando normal minha respiração acelerada. Fechei os olhos com força e os malditos flashbacks aparecerem, fazendo meus olhos encherem de lágrimas.
- Harry... - sussurrei, sentindo as lágrimas caindo - Para... Para, Harry. PARA! - gritei, me afastando rapidamente, mas ele já havia parado, da primeira vez que eu pedi ele havia parado. Eu tremia, meu corpo inteiro tremia, as lágrimas já desciam livremente.
- ? - Harry me olhava assustado, claro que ele estava assustado, eu parecia uma louca abraçando meus joelhos e chorando. - Amor? Ta tudo bem - se aproximou lentamente, provavelmente querendo mostrar que não me faria mal. - Me desculpa? Eu não sei o que aconteceu, não sei o que... Eu não queria te assustar, me desculpa, eu... - ele passava a mão no cabelo desesperado, achando que era culpado. Balancei a cabeça e seguei as lágrimas, me levantei e respirei fundo, soluçando algumas vezes, me sentia totalmente abalada, mas encontrei forças para olhar para ele. Ele havia acabado de dizer que me amava e eu não conseguia agir como uma namorada normal agiria, eu precisava ter uma crise...
- Ta tudo bem, só, vamos embora daqui! - falei, vendo ele concordar e guardar as coisas rapidamente. Andei a sua frente enquanto ele vinha em silêncio atrás, me deixando pensar, mas eu não conseguia pensar em nada a não ser o desespero que eu havia sentido e em como meu corpo ainda tremia. - Não foi sua culpa - falei, depois de ficar em silêncio me abraçando quase o caminho inteiro. - Ter flashbacks pode acontecer com quem já... Teve um trauma desses - me virei para ele, que prestava total atenção em mim. - Ansiedade também é comum... Olha, eu entendo se você não quiser mais nada comigo, eu sei que é difícil, sabe... Namorar uma pessoa que não pode te oferecer...
- Para, - Harry falou, se aproximando lentamente - Eu acabei de falar que te amo, eu não vou a lugar nenhum só por causa do que aconteceu ali. Eu devia ter ido com calma - segurou minha mão, sabendo que eu não gostaria de nenhum contato maior no momento. - Eu entendo e eu respeito, ok? - falou, me fazendo concordar com a cabeça. Ele suspirou e deu um beijo na minha testa - Para de se culpar, ta? - segurou minha mão, me fazendo sorrir fraco e concordar com a cabeça. Eu não era culpada, eu sou uma vítima, eu não tenho culpa de me sentir assim, o culpado já estava solto, mas agora as pessoas que importavam sabiam da verdade. Claro que a justiça não havia sido feita, nunca era, mas todo mal que você coloca no mundo acaba voltando para você, ele pagaria pelo que fez comigo. Eu não sou culpada e eu enfiaria isso na minha cabeça de qualquer forma.
- Harry! - chamei, depois que ele me deixou na frente do prédio. Ele se virou e no momento um vento forte bateu fazendo os olhos verdes lacrimejar e o cabelo voar para todos os lados; ele era de tirar o ar. - Obrigada - sorri, respirando fundo.
- Te amo - ri com sua resposta. "Para de agradecer, , eu te amo e não to fazendo mais que minha obrigação", ele havia falado depois que eu agradeci algumas vezes pela ajuda. Mandei um beijo para ele e fui até meu quarto, onde todas as meninas esperavam ansiosas para saber o que havia acontecido. Contei tudo, com os detalhes que mais gostava.
- Nossa, isso é... Caralho, quem diria que o Harry era tão sensível assim? - falou, mas levou um chute de .
- Não fala do meu melhor amigo não cuzona, o garoto é de ouro - falou, recebendo outro chute em troca.
- Mas sabe o que eu mais gosto nisso tudo? - perguntou, nos fazendo prestar atenção nela. - Que tipo, todo mundo sempre acredita naquela história que "nossa, um carinha vai me curar", mas a ta mostrando para gente que não é assim, sabe?
- Como assim? - perguntei, rindo daquela reflexão.
- Claro que o Harry está te ajudando, todas nós estamos, mas você é quem está fazendo tudo, a mudança principal está vindo de você - moveu as duas mãos - Você ta se esforçando, não rola aquele lance de "meu herói", você sabe seus limites, você sabe seus traumas e você está indo atrás de melhorar, mesmo sendo uma situação difícil para cacete. Você aceitou esse relacionamento porque ta se sentindo preparada para ter um e não porque acredita que o Harry vai te salvar, você ta destruindo aquelas histórias de filmes de "ai, ele falou que me ama então eu to magicamente curada" - comentou, dando de ombros. O que me fez perceber que era exatamente isso que estava acontecendo. Ele só estava me apoiando, mas eu era quem estava me salvando, assim como as crises de , ela tinha o apoio de todos nós, mas cada vez que ela se enfiava em um lugar lotado ou saia de transporte público sozinha, mesmo sabendo que poderia passar mal, não era por causa do seu relacionamento com Louis, era porque ela estava se esforçando.
- E como você ta? - perguntou, me oferecendo uma garrafa d´água.
- Bem, na medida do possível - sorri, vendo elas concordando e mudando de assunto, enquanto eu olhava aquelas quatro loucas falando alto; eu só conseguia pensar que, se o mal que você coloca volta para você e o contrário se aplica, então eu devia ter feito muitas coisas boas, porque eu só tinha pessoas maravilhosas na minha vida.

Capítulo 27


- Não, você está roubando - apontei para , vendo a garota rir e balançar a cabeça. - Ta sim, eu vou te agredir, melhor você correr agora - falei, vendo se levantar e realmente correr. Ela subiu na cama de , e eu parei na frente da cama a puxando pela perna, o que a fez cair em cima de mim, que acabei caindo também. ria daquilo enquanto eu tentava tirá-la de cima de mim, também rindo.
- Correr cansa - ela falou, ainda rindo e respirando fundo. Por um momento fiquei preocupada achando que ela teria uma crise, mas estava tudo bem, ela estava apenas rindo.
- Eu falei que você está roubando - apontei para as cartas que provavelmente estavam embaixo dela. - Falsa - dei um tapa em sua perna, ouvindo uma batida na porta. - Deve ser a pizza - falei, abrindo a porta e vendo Jo ao lado do entregador, que era uma gracinha.
- Ta tendo uma festa do pijama? - Jo perguntou, vendo as meninas acenando - Daqui a pouco dá a hora e eu quero as moças em seus respectivos quartos.
- Sim senhora - batemos continência, vendo a mulher rir, e pagando a pizza.
- Eu nem acredito que falta tão pouco para gente ir para casa - falou, abrindo a caixa e pegando os guardanapos para distribuir as pizzas.
- Nem me fale, vou para Porto Rico ver minha abuelita linda! - falou, com a boca cheia de pizza.
- Lindo , mas eu prefiro não ver a pizza mastigada na sua boca - mandei um beijo para ela, que abriu a boca vindo na minha direção. - Nojenta - a empurrei.
- Dance Partyyyyy - gritou, assim que começou uma música que ela gostava. A garota subiu na cama pulando com a pizza na mão, não demorou nada para acompanhar, as duas pulavam enquanto tentava não derramar o refrigerante que estava em seu copo plástico vermelho.
- I WANNA RUN AWAY, I WANNA RUN AWAY, ANYWHERE OUT THIS PLACE - as duasgritavamenquanto filmava. Finalmente o desastre aconteceu. , desastrada como sempre, bateu a perna na mão de fazendo o refrigerante cair. olhou para ela e levantou 3 dedos, arregalou os olhos e se jogou para o outro lado do quarto.
- Eu vou mandar seus restos para Porto Rico dentro de uma caixinha de fósforos, - falava, puxando pela blusa. -Você que vai limpar isso - apontou.
- Eu já ia limpar mesmo - deu de ombros, indo pegar um pano no banheiro. Ri daquilo e fui ver qual celular estava apitando em cima da estante, achei que era o meu, mas era o de , e quem ligava era Samuel. Só podia ser brincadeira, esse cara estava querendo o que com ?
- , por que Samuel está te ligando? - perguntei, sentando na minha cama.
- Ele ta? - perguntou estranhando,e olhou o celular - Eu não sei - deu de ombros. - Acho que ele está querendo se aproximar. - concordei com a cabeça, vendo todas as meninas me olhando.
- Vocês podem falar com ele se quiser gente, eu já contei o que tinha que contar sobre nossa relação, não posso impedir ninguém de ser amiga dele.
- Não confio nele - falou, e concordaram.
- Eu também não, mas quero saber qual a dele - falou - Eu sei que sou idiota na maioria das vezes...
- É - falei.
- Realmente - concordou.
- Não tem como negar - deu de ombros.
- Antes que a também me ofenda eu vou ignorar esses ataques e vou prosseguir - levantou a mão, nos fazendo rir - Mas eu não sou idiota a ponto de confiar em um cara que fez o inferno da vida da minha amorzinha - se jogou em mim, me abraçando.
- Talvez seja até bom uma de nós não desprezar ele, vai que o cara fica puto e começa a te irritar de novo? - falou, pegando o celular e sorrindo com alguma coisa.
- Aposto que foi nude - comentei com , que riu.
- Bem amiga do Tomlinson mesmo - balançou a cabeça, nos fazendo rir.
- Bom meninas, ta na minha hora, foi incrível estar na companhia de vocês, mas...
- Ou ela vai dar uma rapidinha no armário de produtos ou vai fazer sexo por telefone - comentei novamente, vendo um chinelo voando na minha direção.
- Depois eu conto os detalhes - falou, saindo rapidamente do quarto.
- Ela conta detalhes até demais, eu não precisava saber que ele é circuncidado, ele é tipo meu irmão - fez careta, nos fazendo rir. Ficamos até a hora das meninas ir embora apenas falando sobre a vida, eu estava começando a me abrir com elas, estava começando a me sentir parte daquilo, por isso evitava pensar que em poucos meses aquilo acabaria.

[...]

O último jogo da temporada havia acabado de acontecer e eu estava exausta, mas feliz, nosso time havia ganhado. e foram as primas a me abraçar, estavam tão nojentas como eu já que éramos do mesmo time, e depois todo mundo fez a festa. O tempo inteiro nós conseguimos ouvir os meninos dando força da arquibancada; e por dar força eu digo gritar coisas idiotas, gritar muito, gritar demais, e até roubar os pompons de algumas torcedoras. Depois daquilo eu e as meninas fomos tomar um banho merecido e saímos, as 5, escondidas do quarto. Foi difícil porque Jo não facilitava, mas no fim conseguimos, sabia escapar muito bem e foi nossa guia. Fomos até a clareira que havia passando as estufas onde Zayn e o pessoal da arte fazia a mágica dele e rolava um tipo de festa ali. Todas as meninas do time, algumas torcedoras, os caras do futebol e os meninos. Eu só não sabia o que Samuel estava fazendo ali, até ver Brittany sentando ao lado dele com dois copos; claro que os dois tinham se identificado. Ignorei as olhadas dele e me balancei no ritmo da música.
- E aí, quanto é? - um garoto aleatório apareceu na minha frente quando as meninas se distraíram e perguntou.
- Quanto é o que? - franzi o cenho, olhando para os lados.
- Ah, entendi, você não faz negócio aqui. Vou pegar seu número com alguém e a gente se fala depois - falou, se afastando e me deixando sem entender nada.
- Quem era? - perguntou, mas balancei a cabeça sem saber.
- Sei lá, deve ter bebido demais - falei, encarando o garoto, que me olhou e sorriu.
- Mas vocês viram aquele passe? - Jesy falava animada, me fazendo rir. Jesy era uma das minhas únicas amigas foram daquele grupinho e me fazia feliz que ela estava mais próxima das meninas, quando estava rolando todas aquelas brigas e eu ficava meio perdida era ela quem sempre me salvava.
- Você está uma gata - senti um beijo no pescoço e braços ao meu redor.
- Você não devia chegar assim, uma hora eu vou te dar um soco - me virei, dando um selinho em Niall, que riu.
- Então, campeã, posso finalmente falar com você? - Niall brincou, as pessoas não haviam parado de parabenizar o time, o que não deu espaço para os meninos, mas agora todos eles estavam ali.
- Não sei, quer dizer, eu sou campeã agora e você, é só... Sabe... - dei de ombros, fazendo pouco caso dele.
- Eu fui campeão por anos, você me deve respeito - apontou para mim me fazendo rir. Às vezes eu esquecia que Niall fez parte do time de futebol, ele ainda jogava apenas para brincar, mas estava focado no lance de golfe, ele havia gostado mesmo daquilo, era bom, preenchi ao vazio dos esportes que ele não podia praticar por causa do joelho. - Ainda está de pé ir para sua casa no ano novo? - perguntou, roubando meu copo e dando um gole.
- Claro que sim - peguei o copo de volta.
- Todo mundo ta afim de ir para casa no Natal, mas você não falou nada sobre isso - Niall comentou, me puxando para sentar no tronco de uma árvore com ele.
- Eu não to animada para o Natal, nem pro ano novo - comentei, vendo ele me olhar curioso - É o primeiro sem meu pai, costumava ser nosso feriado preferido - sorri, vendo ele sorrir junto - A gente fazia aquelas casinhas com ginger bread sabe? E comprávamos aquele calendário que vem com aquelas surpresas que a gente só descobre quando abre o pacotinho. Nossa, e ele amava fazer bonecos de neve, ele era mais criança que eu - ri, ouvindo a risada dele me acompanhando. - E agora é tudo tão sem graça... Sem falar que minha mãe quer passar com o novo namorado dela - revirei os olhos - me chamou pra ir pra Porto Rico com ela, mas minha mãe nunca deixaria eu ir para casa de nenhum de vocês porque ela não conhece, sabe? - comentei, vendo que ele me olhava atentamente, e vendo que Samuel estava por perto, provavelmente tentando ouvir a conversa.
- Vai passar rápido, talvez você até goste da família do namorado da sua mãe - tentou me dar força, fiz careta e ele riu, dando um selinho em mim porque sempre que eu fazia bico ele fazia isso.
- - Louis e Connor apareceram juntos - Sai cara, eu falo.
- Eu falo - Connor comentou, me fazendo arquear as duas sobrancelhas, Niall apenas cruzou os braços encarando Connor.
- Eu sou o melhor amigo - Louis falou, colocando as mãos na cintura.
- Eu fui... - Connor falou, mas não completou, me encarando e olhando para Niall. - Ok, você fala - virou e saiu andando com raiva.
- O que está acontecendo? - perguntei, olhando para Louis com curiosidade.
- Ta rolando aí uma história de que você vende drogas e se for verdade eu quero dividir o lucro - Louis falou rapidamente, se sentando no chão na nossa frente.
- Filho de uma puta - falei, chutando o chão e vendo os dois me olhar assustados. - Eu já volto - sorri com falsidade e fui até onde Samuel me olhava, provavelmente me esperando.
- Tocante a história que você contou para o seu namoradinho sobre o papai - Samuel fez bico, me olhando com aqueles olhos ridiculamente azuis, eram idênticos aos do nosso pai.
- Você que espalhou essa história que eu vendo drogas? - falei, e vi ele fazendo uma cara de desentendido. - Lembra quando você começou a estudar na minha outra escola e a gente conversou? Quando sua mãe estava viajando e você não era esse verme que você é? A gente se entendia e eu acreditava que a gente podia pelo menos ser amigos, já que não conseguimos ser irmãos, mas a cada dia que passa você se mostra pior - falei, mas ele não tinha reação nenhuma. - Eu gostava daquele Samuel, mas ele nunca foi real né? Essa pessoa desprezível é quem você realmente é - balancei a cabeça.
- Eu não espalhei nada - ele falou, deixando de me encarar.
- Eu não acredito em você, não depois de tudo que você fez - cruzei os braços.
- Feriu meus sentimentos - falou com tédio.
- Vai ser horrível quando você amadurecer e ver o tanto de merda que fez para os outros, vai ser pior ainda quando você perceber que está servindo de brinquedo na mão da sua mãe por causa de uma vingança estúpida - me virei, senti ele segurando meu braço, mas soltei com força - Fica longe de mim - apontei para ele, voltando para onde os meninos olhavam.
- Você acha que foi ele? - Louis perguntou, encarando Samuel.
- Acho... Eu fui expulsa do meu antigo colégio por causa desse rumor - falei, era a primeira vez que eu contava sobre a expulsão. - Minha mãe não decidiu sair dos Estados Unidos porque não queria que eu surfasse, foi por causa disso também. Alguém realmente andava vendendo drogas por lá, uma menina morreu de overdose, alguém espalhou que era eu, o diretor me expulsou mesmo sem ter provas porque ele precisava tomar alguma atitude, eu fui impedida de participar da segunda bateria de testes para uma academia de surfe e ela resolveu que era hora de recomeçar em outro lugar. - suspirei, vendo os dois me olhando abismados. Eu não queria contar aquela história, queria deixar no passado, mas eles precisavam entender.
- E você acha que foi ele quem espalhou? - Louis perguntou.
- Lá eu sei que foi, agora se a mesma coisa está acontecendo só pode ter sido ele, ninguém sabe disso - mordi o lábio nervosa.
- Ok, hoje não é dia de pensar nisso, é dia de comemorar e é isso que nós vamos fazer. - Louis me puxou pela mão para nos juntarmos ao pessoal, que riam e dançavam animados. Tentei me manter presente naquele momento, mas estava difícil, a todo momento meus olhos procuravam Samuel para saber se ele estava aprontando, mas pelo resto da noite ele permaneceu encostado no canto apenas olhando a movimentação, Brittany fazia companhia vez ou outra. Juro que achei que ele se aproximaria em um momento, mas desistiu e voltou ao seu lugar. Não acreditava que isso estava acontecendo novamente, eu lembro do inferno que foi e como todo mundo me odiou achando que eu realmente vendia drogas, principalmente depois da menina que morreu de overdose, como minhas chances de entrarem na melhor academia de surfe da Califórnia foram destruídas e Samuel acabou pegando meu lugar, eu não entendia como tanta inveja, ódio e rancor podiam caber dentro de uma pessoa só.
- Você ficou estranho depois que o Connor e o Louis apareceram - falei, chamando Niall de canto e me encostando na parede, ele se aproximou colocando as duas mãos na minha cintura.
- Não é nada - deu de ombros, sem me encarar.
- Por acaso você está acreditando na história das drogas? - franzi o cenho, vendo ele negar e rir - Qual a graça?
- Você fica fofa com raiva - deu de ombros, mas viu que eu não reagi a gracinha dele. - Eu posso estar ou não estar com ciúme do Connor.
- Por qual motivo? - perguntei confusa, eu não tinha nada com Connor, havia conversado com ele e terminado qualquer coisa que nós tínhamos, que nem era nada sério. Mas Niall não havia falado com Lia ainda porque era um puta de um covarde e eu já havia falado aquilo para ele milhares de vezes, mas não adiantava. Quando perguntei o motivo do ciúme ele desviou os olhos do meu e ficou vermelho. - Niall?
- Eu meio que ouvi sua conversa no quarto com as meninas, foi totalmente sem querer, eu precisava esperar o Zayn fazer a entrada dele pela janela e juro que tentei muito não ouvir o que vocês falavam, mas foi impossível e eu sinto muito, eu não queria invadir a privacidade de vocês de forma nenhuma e eu preferia nunca ter ouvido o que eu ouvi e... - Niall falava sem parar, mas eu ri e o beijei para que ele calasse a boca. Ele recebeu o beijo sem reclamar e me encostou completamente na árvore, forçando seu corpo contra o meu e me fazendo sorrir.
- Não passou daquilo com ele - falei, assim que ele se afastou e encostou a testa em meu pescoço, respirando rapidamente contra a pele e fazendo meu corpo reagir aquilo. - O que você ouviu, é verdade, mas não passou daquilo, eu nunca tive nada sério com ele e já cortei quaisquer esperanças que ele poderia ter - falei, acariciando seu cabelo, sua cabeça continuava apoiando em meu pescoço. - Eu te desculpo por ter ouvido a conversa, mas eu não te desculpo por ainda não ter falado com a Lia. Você não pode exigir que eu me afaste do Connor e não fazer o mesmo em relação à ela. - falei, e ele deu um beijo no meu pescoço, logo em seguida afastando a cabeça para me olhar nos olhos.
- Eu só não quero magoar a garota, ela é sensível e eu não sei como fazer isso. Eu nem tive nada com ela, foi ela que criou isso na cabeça, foi meu erro não ter cortado de início, mas eu prometo que amanhã mesmo falo com ela - segurou minhas mãos, beijando as duas. - Eu não suporto como você é sempre sincera jogando essas coisas na minha cara.
- Alguém tem que jogar senão você não toma uma atitude - falei, mordendo sua bochecha e vendo ele rir. - Minha maior qualidade e defeito sempre foram a sinceridade - mordi o lábio pensando. - Agora eu estou indo e...
- Não, não, não. Vai ficar aqui - me segurou no lugar, dando vários beijos em meu rosto, enquanto eu ria e tentava afastá-lo. Logo sua boca estava na minha novamente e eu sentia meu corpo quente. Todo o desejo que sentimos por muito tempo, mas nunca tomamos atitude nenhuma, simplesmente saíam quando estávamos juntos, era sempre intenso. Suas mãos sempre me apertando com vontade do jeito que eu gostava, meus dentes mordiscando os lábios dele sem me importar com quem estava vendo; era delicioso.
- Chega, sério - falei entre beijos, o afastando. - Eu vou ali dançar com as meninas, e você vai ficar com os meninos, sem aprontar - cada palavra era intercalada por um beijo em seu pescoço, enquanto minhas mãos desciam e apertavam sua bunda.
- Você anda muito abusada - ele riu - Mas vai lá antes que venha aqui me matar por te roubar a noite inteira - falou, e quando me afastei foi ele quem deu um tapa na minha bunda, me fazendo olhar para trás e arquear a sobrancelha, ele levantou as mãos e fez uma expressão inocente, me fazendo revirar os olhos.
- Você é ridículo, Horan - falei, indo me juntar as meninas, que logo me receberam com gritos. O resto da noite se passou calma, mesmo com Samuel observando cada passo que eu dava.

.
Agora faltava apenas uma semana para irmos para casa e meu estresse estava finalmente voltando ao normal. Época de prova era sempre a mesma coisa. Todas as atividades extracurriculares que eu fazia me enlouquecia, se eu ainda fosse representante de sala acho que surtaria. Já fazia quase um mês do acampamento e eu não tinha tido mais crises, o que era ótimo, mas eu sempre esperava o momento da recaída, a hora em que todos os sentimentos voltariam a me sufocar, o ar parecendo faltar nos pulmões, os sons e cores sumindo me deixando no escuro total, o desespero que eu sempre sentia ao acontecer, sentindo que eu nunca sairia daquela crise. Eu sentia um alívio por não está acontecendo, mas ficava preocupada por saber em qual momento voltaria; era um ciclo que parecia nunca ter fim.
- Então você vai mesmo? - perguntei para , que apenas concordou com a cabeça. Nós estávamos mais próximas, depois que falei da minha dificuldade em aceitar alguém de fora, principalmente alguém que não se abria, e das tentativas dela em ser mais aberta conosco as coisas melhoraram. Percebi que ela era uma ótima amiga, era a pessoa mais compreensível que existia, bem diferente de mim, que sempre estava na defensiva, sempre estava pronta para criticar, ela estava me ensinando a ser mais como ela; ouvir mais e falar menos.
- Não tenho outra escolha, meus avós moram longe demais, ou eu fico por aqui ou vou para a casa do namorado dela. Ela não me deu muitas escolhas - revirou os olhos. Pelo que pude perceber, apesar de sua mãe ser uma ótima pessoa, ela podia ser bem rígida.
- Eu acho que surtaria - falou, jogando uma uva na boca de .
- Ela só tem medo de me perder também, por muito tempo nós só tivemos uma a outra, e acho que por isso eu fico tão relutante de conhecer o namorado dela, não quero ter que a dividir - respirou fundo.
- Só tenta ir com a cabeça aberta, ele pode te surpreender - aconselhou, a fazendo concordar com a cabeça. havia contado o que aconteceu quando estava com Harry e como eles estavam levando tudo lentamente, ela andava passando menos tempo com ele e ele não pressionava, era incrível a forma que eles dois se entendiam e eu não deixava de questionar se um dia também teria aquilo.
- Vocês falaram com os pais de vocês? - perguntou do nada.
- Você descobriu quem é o anônimo? - perguntei, querendo fugir daquele assunto.
- Não, mas to cada vez mais curiosa - respondeu, e me olhou com uma expressão estranha - Ei, sem mudar de assunto, anda, me responde...
- Não, nós não falamos sobre nada ainda. Esse natal vai ser interessante - revirei os olhos. A ceia seria com nossas famílias, mas o almoço minha família faria com a família de e então finalmente nós falaríamos com nossos pais sobre nossos pais traidores, eu não estava nem um pouco animada para isso.
- Eu não vejo a hora da gente ir para praia no ano novo - falou, deitada na grama e olhando para cima. - Vai estar calor lá? - perguntou, percebendo que nós estávamos congelando por aqui.
- Mais do que aqui eu garanto que sim - fez careta e olhou o celular fazendo careta. - Louis é tão estranho, para que ele precisa de ajuda pra comprar detergente? - olhou o celular e me encarou - Você que devia fazer isso.
- Ele está me evitando - revirei os olhos. - Vai antes que ele exploda seu celular de mandar mensagem - falei, vendo a garota rir e se afastar rapidamente.
- Seu namorado é um cara estranho - apontou.
- Ele não é meu namorado - repeti o mesmo de sempre.
- Vai ver é por isso que ele anda te evitando - falou, jogando uma uva em mim, acertando minha testa e me fazendo pensar; será que ele andava me evitando por isso?
[...]

- oh oh, be my baby, i'll look after you, it's always have and never hold, you've began to feel like home, what's mine... - Louis tocava piano e cantava com os olhos fechados, mas meus passos fizeram barulho no assoalho e ele parou na hora me olhando e sorrindo, sorri de volta e me aproximei, me sentando ao seu lado.
- Já falei que amo sua voz? - perguntei, e ele negou com a cabeça - Eu amo sua voz.
- Eu só tava matando o tempo mesmo - deu de ombros. - É uma das minhas músicas preferidas, nada demais - deu de ombros, me fazendo balançar a cabeça.
- Você é bom, deixa de ser modesto - o empurrei com o ombro - Por que você está me evitando? - perguntei de uma vez, depois de vários minutos em silêncio. Mais minutos de silêncio vieram após minha pergunta e eu esperei pacientemente por uma resposta, mas ele não falava nada, ficava apenas apertando as teclas do piano enquanto eu o olhava sem entender.
- Não quero brigar com você - suspirou
- Nós só vamos brigar se você continuar me evitando sem me dizer o motivo - insisti, vendo ele descansar as mãos no colo e me olhar.
- Mesmo depois de todas as nossas conversas eu ainda acho que você não me leva a sério - falou, e antes que eu pudesse reclamar ele continuou. - Porra, , já fazem meses que a gente ta na mesma e você só me enrola, eu só preciso saber se você ta só me enrolando, porque se for só isso é melhor a gente parar por aqui. Eu sei que eu não levo nada a sério, mas isso aqui - apontou para nós dois - eu levo a sério, é você quem está brincando, dessa vez. - falou, como se tivesse tirado um peso das costas.
- Eu já te expliquei que...
- Besteira - falou, passando a mão pelo rosto e se levantando. - Todo mundo me falou a mesma coisa e eu sempre tentava ser compreensivo porque sabia que você estava passando por um momento difícil e eu não queria te pressionar, mas eu não vou deixar você brincar comigo - se levantou, me encarando - Eu to apaixonado, cacete, e é horrível, ok? É horrível que você seja cabeça dura para porra e teimosa, é horrível que você se esconda atrás desses problemas por medo. No começo podia até ser que você estivesse realmente evitando por conta de todos os problemas, mas agora é medo. Medo porque você nunca pensou que ficaria afim de um cara como eu, que não tem um plano para o futuro, que não tem a vida inteira arquitetada como você, que...
- Você acha que eu gosto de ter minha vida inteira planejada pelo meu pai? Eu tenho que ser a filha que ele quer que eu seja, você acha mesmo que eu quero seguir todos os passos que ele planejou para mim? - perguntei, me levantando também.
- Para de fugir do assunto, a questão aqui não é essa - se aproximou, a veia em seu pescoço saltando. - Você tem vergonha de mim, ? É por isso que não quer aceitar meu pedido de namoro? - perguntou, e aquilo me acertou como um tapa na cara.
- Claro que não. - falei, minha voz ficando aguda. - Eu tenho medo da reação do meu pai, você sabe que ele não gosta de você - confessei, olhando para meus pés e o ouvi respirar fundo.
- É só disso que você tem medo? - perguntou, mas eu não respondi. A verdade é que eu tinha medo do que poderia surgir desse relacionamento, nós somos tão opostos que me dava medo, só com esse nosso rolo nós já temos várias brigas. Eu tinha medo de falhar com ele, tinha medo de falhar comigo, tinha medo de decepcionar meu pai, tinha medo desse sentimento. - Se você não pode ser sincera comigo então acho que já deu. - quando ele falou isso meu coração acelerou e eu olhei para frente, vendo que ele se afastava.
- LOUIS!- gritei, e corri em sua direção antes que ele encostasse na porta. - Eu falei aquele dia que eu tinha medo de falhar - falei, andando rapidamente e o segurando pelo braço. - Eu tenho uma necessidade obsessiva em ser perfeita em tudo que eu faço, mas eu sei que quando se trata de nós dois eu cometo muitos, muitos erros mesmo, porque eu nunca sei como agir com você. - passei as mãos pelo cabelo em um sinal de desespero. - Você sempre me deixou louca, sempre me tirou do sério, sempre me infernizou pelo puro prazer de me irritar e eu sempre deixei essas coisas me atingirem, o papel de menina perfeitinha sempre sumia quando eu batia de frente com você porque você sempre me desafiou e, por mais que eu goste de desafios, eu não gostava quando era você que me forçava porque eu tinha inveja da sua coragem - respirei fundo e olhei para cima. - Eu tenho medo de falhar com você, era isso que você queria ouvir? Medo de você perceber que quer uma pessoa um pouco mais aventureira e espontânea como você, medo de você perceber que meu medo de falhar é causado porque eu sou feita de falhas, medo de você perceber que não quer ficar com uma garota que vai ter uma caralhada de crises do nada porque não consegue nem controlar as próprias emoções e vai acabar se afastando por vergonha, eu...
- , deixa de besteira, todo mundo é feito de falhas, o ser humano é falho - Louis riu, balançando a cabeça. - Eu já te falei que você tem que sair da sua zona de conforto e isso serve para relacionamentos também, olha para gente, tinha tudo para dar certo e...
- E eu to estragando tudo... - suspirei, vendo ele morder o lábio.
- Não é consciente - ele falou, levantando a cabeça e fazendo um barulho irritado com a garganta. - Eu não quero te pressionar, não quero te obrigar a fazer algo que você não queira, mas eu também não posso passar por cima dos meus sentimentos por você, eu já fiz isso por tempo demais. - ele disse, finalmente me abraçando, e foi ai que eu desabei, deixei algumas lágrimas caindo enquanto respirava fundo, sentindo um pouco de falta de ar, mas nada da crise aparecer.
- Eu sei que eu to pedindo muito, mas será que você pode esperar até a gente voltar do Natal antes de terminar tudo? - pedi, minha voz falhando devido ao choro que eu segurava. - Eu vou falar tudo para o meu pai, vou ajeitar as coisas, vai ficar tudo bem - tentei sorrir.
- Até o Natal? - ele perguntou, a expressão tão triste quanto a minha, concordei com a cabeça rapidamente - Eu não queria te colocar contra a parede assim, mas eu sinto que se eu te perder, pelo menos que eu tenha tentado algo antes - mordeu o lábio e me olhou - Eu espero - aproximou seu rosto do meu - E eu falei sério quando disse que to apaixonado, cabeça de fogo - me chamou com o apelido que sempre usava para me irritar, o que me fez rir - Agora para de chorar que eu odeio saber que é por minha causa, e me beija. - pediu, me agarrando rapidamente pela cintura e me beijando antes que eu pudesse reagir. Era um beijo calmo, e não agitado como ele sempre dava. Seu beijo combinava com sua personalidade, eles sempre vinham quando eu menos esperava, e era sempre agitado e impaciente, mas nesse momento era calmo, como se ele estivesse tentando me deixar menos assustada; chegava até a ser romântico. Ele acariciava meu rosto com delicadeza e movia sua boca lentamente contra a minha, me dando selinhos e voltando e me beijar.
- Eu acho que não consigo mais ficar sem isso - confessei, encostando minha testa em seu peito, enquanto ele ria da minha vergonha em confessar aquilo.
- Você não precisa ficar sem, só precisa parar de esconder tanto suas vontades - falou, segurando meu queixo e me fazendo olhá-lo. Ele estava tentando me tirar da zona de conforto fazia tanto tempo, e com certas coisas funcionavam muito bem, eu só precisava me esforçar um pouquinho mais. - Para de pensar tanto - colocou o dedo na minha testa, onde provavelmente haviam rugas - Vamos deixar para pensar no que vai acontecer depois do Natal, você já sabe como eu me sinto, agora ta em suas mãos - falou, me dando outro beijo e me fazendo esquecer tudo por alguns momentos.
- Vem, me ensina essa música - o puxei pela mão em direção ao piano novamente, onde ele agora cantava "be my baby" olhando em meus olhos. Esse garoto veio para me deixar sem estruturas.
Samuel cheio de graça pra cima da Zayn girl, que ta sendo injustiçada com o lance da dança. Zayn e Zayn girl são o casal ciúme, amo esses dois.
Além de Zayn girl, Liam girl também sendo perseguida por causa da fotos, ainda sem saber qual o lance do Derek e do Liam, mil tretas.
Sim gente, Harry girl não conseguiu ir até o fim com ele porque um "eu te amo" não apaga os traumas das pessoas.
Niall girl super encrencada com esse negócio das drogas e o Niall com ciúme dela com Connor?
E Louis finalmente tomou uma atitude colocando a garota contra a parede.

Capítulo 28

O Natal havia sido como todo natal de uma família latina; muita gente, muitos primos que eu ia conhecendo e nem sabia que existiam, muita comida, mas eu estava preocupada com minha abuelita, que estava doente, e com aquele anônimo, que conseguiu meu endereço de casa de alguma forma e havia mandado presentes, já havia passado de curioso e estava ficando assustador. O ano novo havia sido na Califórnia, claro que e ficaram extremamente animadas em voltar para os Estados Unidos, havia falado que era o primeiro natal sem seu pai e nós havíamos ficados confusos porque ele tinha falecido já fazia alguns anos, até ela explicar que as cinzas dele haviam sido jogadas no mar e era o primeiro Natal que ela não ia até o oceano "conversar" com ele; aquilo partiu o coração de todos.
Como tudo que é bom dura pouco nossa pausa havia acabado e estávamos de volta ao internato. Eu não estava tão animada como quando voltei no começo do semestre. O começo do semestre sempre me deixava animada, reencontrar o pessoal, os ensaios das animadoras de torcida, dar umas risadas dos novatos perdidos, mas toda essa novidade havia passado e agora tudo estava uma correria. O começo do semestre nos trouxe , nos afastou das cobras que eram Valerie e Becca, fez muitas brigas acontecerem em nosso grupo, mas também nos aproximou de certa forma, eu até me sinto mais madura, e olha que consigo ser bem infantil quando quero, e também fez surgir relacionamentos que nunca pensamos que aconteceriam. Mas agora era diferente, ter que pensar em faculdades, cartas de aceitação, pensar no futuro, tudo isso fazia minhas mãos soarem e minha respiração acelerar; eu tinha pavor de responsabilidades.
- Por que você não entrou no quarto gritando? - já estava no quarto quando cheguei, e por incrível que pareça eu estava silenciosa.
- Porque eu sei ser discreta quando quero - fiz careta, e deixei minha mala cair ao tropeçar em um salto - QUIEN FUE LA HIJA DE PUTA QUE JÁ DEIXOU UM SALTO AQUI? O SEMESTRE COMEÇOU AGORA.
- Realmente, você sabe ser muito discreta - sorriu - E isso aí é da , ela disse que você tinha pedido.
- Aí verdade, eu amo esses saltos - sorri, os jogando para debaixo da minha cama e esquecendo que quase havia quebrado o pé com aquilo.
- Bom saber que você não mudou tanto quanto parecia, continua exagerada e escandalosa - falou, me fazendo sentar na cama e encara-la - Nas mensagens você parecia distante.
- Eu estou com medo - sussurrei.
- Mais tarde todo mundo vai se encontrar no lugar de sempre, a gente conversa, ok? - perguntou, enquanto dobrava algumas roupas. Concordei com a cabeça e me joguei na cama com um suspiro. Era bom que me dava espaço, se fosse já estaria extremante curiosa querendo arrancar minha língua por não querer conversar agora. Quem sabe ela não deu uma maneirada nessa mania?
"Tem certeza que tá tudo bem?" - Zayn perguntava pela milionésima vez, eu queria jogar meu celular pela janela.
"Já falei que sim mi amor, as aulas nem começaram e você já tá preocupado se eu vou ter ciúme?"
"É que a Rebecca é louca"
"Não sei nem porque ela voltou pra cidade, mas não vou dar atenção não, é isso que ela quer. Soy muuy mejor que ella"
"Não sei o que a última parte quer dizer, mas acho melhor eu concordar"
"Preciso te dar umas aulas de espanhol"
"Isso inclui nudez?"
"Inclui a puta que te pariu, Malik, te orienta, tá achando que aqui é bagunça?"
"Pode ser que inclua..."
mandei uma mensagem atrás da outra, rindo.
"Você é estranha, ... Vou arrumar as coisas aqui antes que o Liam jogue um tênis na minha cabeça. Mais tarde no lugar de sempre. Te amo"
"Isso aí, mostra que você serve pra alguma coisa e arruma mesmo. Marcado. Te amo"

Sorri para o celular e o coloquei de lado. Desde que ficamos sabendo que a ex do mal estava por perto ele sentia necessidade de checar que eu estava bem o tempo inteiro. Só Deus sabe o que sofri com as "brincadeiras" disfarçadas de preconceito e xenofobia de Rebecca e Valerie, eu estava em processo de recuperação, não poderia deixar nada me atrapalhar, Zayn fazia o possível para ajudar, mas no fim as atitudes deveriam vir de mim e se eu me deixasse abalar corria o risco de voltar para o fundo do poço, e eu havia me esforçado tanto para chegar onde cheguei, não deixaria ninguém se enfiar no meio das minhas conquistas.
"Podemos conversar?"
Era o irmão de . Durante a pausa ele havia conseguido meu número e me mandava mensagem vez ou outra, eu respondia por educação e não escondia de meus amigos, se teve uma coisa que aprendemos semestre passado foi que todos os segredos que guardamos fazia mal para cada um de nós. Eles não gostavam, mas não podiam fazer nada, sou uma mulher livre e independente que faço minhas próprias escolhas, certo?
"Ok, na arquibancada em 15 minutos" A arquibancada era um bom lugar. Visível o suficiente para que Zayn não ficasse paranoico, sem falar que era um dos melhores lugares para pensar. Isso era algo que todos nós concordávamos, não sei bem o motivo, mas nós tínhamos uma queda por lugares altos. Sentar no alto da arquibancada e ver as pessoas ali debaixo nos deixava sentir menos e mais vulneráveis ao mesmo tempo. O mesmo acontecia na cachoeira e no nosso lugar de acampamento proibido.
O internato era o mesmo, mas algo parecia diferente. Talvez fosse eu, foram poucos dias fora, mas o ano novo sempre me faz sentir diferente, com uma nova atitude, e eu realmente estava adotando uma nova atitude para minha vida; mentira, eu só fingia que estava. Apertei a jaqueta no corpo e vi que Samuel já estava lá, distraído com as pessoas no campo.
- Fala aí - falei, me sentando ao seu lado, vendo seu sorriso.
- Ninguém te prendeu na cama para não vir?
- Se você sabe que as pessoas não gostam de você assim então porque você age da forma que age? - perguntei. Nossa amizade era tão estranha, eu sempre falava coisas do tipo, escapava e eu não ligava, ele também não ficava ofendido, parecia saber e aceitar tudo aquilo.
- Os amigos da não gostam de mim, é diferente. - deu de ombros, e não era de todo verdade. Muitas pessoas no internato o achavam nariz empinado.
- Você sabe que não é verdade. E outra, você nunca desmentiu tudo que ela contou.
- Porque ela nunca disse nenhuma mentira - arqueou a sobrancelha.
- Por que você me chamou? - revirei os olhos, querendo sair dali logo, ao mesmo tempo que as vezes eu gostava de conversar com ele, Samuel conseguia me irritar.
- Olha eu gosto de você ok? Por isso tô te contando, caso você queira voltar para as líderes de torcida... A Britt disse que alguém filmou os ensaios de vocês e deu a dança pro outro time.
- Eu imaginei, mas eu não ligo, Sammy. Eu quero ficar longe de dramas esse semestre, só quero terminar o ano tranquila.
- Pelo menos você pode provar que é inocente. Todo mundo tá achando que você realmente roubou a coreografia... Você só precisa fazer ela falar.
- Ela não falaria para mim - suspirei.
- Ela tá cansada das duas lá dando ordens, ela falaria sim - sorriu novamente. Samuel e Brittany haviam achado certo conforto um no outro e eu não sabia se isso era bom ou assustador.
- Vou pensar nisso - dei um rápido abraço nele e me levantei - Valeu pela informação, te vejo por aí - acenei com a mão descendo os degraus com cuidado para não escorregar, era minha cara sofrer um acidente naquele lugar. Não sei porque Samuel insistia tanto em me ajudar, ele dizia que era porque eu era a única do meu grupo que não o destratava, Louis e diziam que era por interesse, eu achava que ele apenas precisava de uma amiga.

[...]

- Pensa rápido - Louis gritando, jogando uma bola em minha direção, coloquei as mãos na frente do corpo para me proteger e olhei para ele respirando fundo.
- Eu vou enfiar essa bola no seu cu e fazer sair pela boca, se prepara - apontei rindo, enquanto ele fazia bico.
Estávamos no campo esperando chegar com Niall e , enquanto isso eles iam contando as poucas novidades que tínhamos. Toda chance que havia nós ficamos por perto durante o recesso, não queríamos nem pensar que em pouco tempo nosso grupo teria que se separar, apenas o pensamento já me deixava assustada.
- Quase não te vi desde que chegou - Zayn me abraçou por trás, beijando meu pescoço.
- Nós chegamos faz pouco tempo! - falei, me virando e o abraçando.
- Os fofoqueiros da escola falaram que te viram com o irmão da - falou como quem não quer nada.
- E desde quando você presta atenção nos fofoqueiros da escola? - perguntei, fazendo carinho em sua nuca e beijando seu queixo.
- Desde que o nome da minha namorada ta na boca deles - respondeu, como se fosse óbvio.
- Ele só queria ajudar com o lance das torcedoras.
- Mas você disse que não quer mais voltar - franziu o cenho.
- E não quero mesmo, mas se eu quiser conseguir alguma bolsa em alguma faculdade não posso ter o nome manchado né - falei, vendo ele concordar com a cabeça.
- Que ta acontecendo? Você anda quieta demais - falou, apertando minha cintura.
- Eu estou pensando em contar para as meninas tudo que aconteceu, sabe, do meu distúrbio alimentar - sussurrei, vendo ele sorrir.
- Eu to orgulhoso de você - me deu um selinho. - Pensei que você estava estranha por causa da minha mãe, aquele almoço foi bem...
- Desagradável - falei, vendo ele concordar com a cabeça. Durante as férias passei alguns dias com Zayn e bom... A mãe dele odiava nosso relacionamento e fazia questão de deixar tudo bem claro, não que eu me importasse, não queria a aprovação dela, mas me incomodava demais os comentários que ela fazia e Zayn percebeu.
- Eu não te quero distante por causa dela - segurou minha mão, brincando com meus dedos.
- Eu só vou ficar distante quando você quiser que eu fique distante, corazón! - levantei o rosto dele para que me olhasse. - Eu pensei que eu era o lado inseguro desse relacionamento.
- Naah, você deixou de ser o lado inseguro desse grupo faz tempo, só não percebeu ainda - riu, bagunçando meu cabelo e me fazendo balançar a cabeça. Eu realmente havia deixado aquela insegurança de lado, claro que ainda tinha meus momentos, mas nada tão drástico como antes e era uma sensação tão boa me aceitar, gostar de quem eu sou, me dar bem com minha imagem. Eu nem acreditava que havia conseguido, claro que ainda terão dias ruins, mas graças a Deus não é tão constante quanto já foi. – Escuta, eu preciso fazer um trabalho pra aula de desenho, tem que ser um retrato de alguém e eu estava pensando que você podia ser minha musa inspiradora – falou, mordendo o lábio, o que me fez balançar a cabeça e morder seu lábio.
- Você é muito lindo, jesus cristo, não dá nem para olhar para o seu rosto sem ficar constrangida, Malik – falei, tampando seu rosto com a mão, o fazendo rir e segurar meus pulsos.
- Isso é um sim? – perguntou – Por que é difícil entender sua linha de raciocínio.
- Seria uma honra ser a sua musa. – falei, olhando seus olhos avelã, que me olhavam divertidos. – Agora eu vou te beijar de novo porque eu to com vontade.
- Eu não vou reclamar disso – levantou as mãos, me fazendo rir e beijar seu queixo, subindo para sua boca.
- ? - chamou minha atenção, me fazendo desgrudar de Zayn e olhar para ela e que estavam de braços dados. - Vamos?
- Nós estamos ocupados, aqui – Zayn falou, apontando para nós dois.
- Você pode engravidar ela em outro momento, Malik, fica tranquilo – falou, recebendo um dedo do meio em resposta.
- Já vou - falei, quando parei de rir e vi que Britt nos olhava de longe. - Tenho que falar com aquela ali antes - apontei com a cabeça.
- Chegamos, chegamos - chegou ofegante e colocou as mãos nos joelhos puxando ar.
- Para uma atleta sua condição física não está das melhores - Liam zombou.
- Para um homem você continua sem noção, o que na verdade não é surpresa - rebateu, nos fazendo rir.
- Ouch! - Liam fez bico.
- Bem feito otário - riu, apontando para ele que balançou a cabeça para a namorada. Deixei eles lá e fui em direção a Brittany que não parecia muito bem. Não que estivesse abatida ou parecendo doente, ela apenas parecia triste. Tudo nela gritava tristeza. Sua postura, seu olhar, seus cabelos despenteados, meu coração apertou ao ver aquilo. ou não deixariam aquilo afetá-las, mas eu sempre era mole.
- Oi, - sorriu, forcei um sorriso para ela e a encarei, ela devia saber o motivo de eu estar ali. - Samuel te contou - balançou a cabeça, entendendo tudo.
- Por que você não falou nada aquele dia? - perguntei, fitando seus olhos azuis, que não tinham mais nenhum brilho.
- Medo? - deu de ombros - Eu sempre fiz tudo que elas queriam e mesmo assim elas me esculachavam - riu, os olhos enchendo de lágrimas - Eu fico olhando vocês e eu sinto tanta inveja. Vocês são um grupo tão unido, todos fariam de tudo um pelo outro e vocês se respeitam.
- Britt, foi sua escolha. No momento que você resolveu ajudar elas você escolheu seu caminho, a disse que vocês podiam continuar sendo amigas. As coisas teriam sido diferentes.
- Teriam - concordou com a cabeça. - Mas não foram e eu sei que eu que escolhi isso. Mas ainda dá tempo de concertar tudo, né? - fungou.
- Claro que dá - sorri. - Você vai nos ajudar? - perguntei, vendo ele hesitar, mas acabou concordando com a cabeça.
- Sábado me encontrem no boliche, vai ser melhor eu contar fora daqui. Eu também posso ajudar a com o lance das fotos.
- Valeu, Britt. Você não é uma pessoa ruim, só está com as pessoas erradas - sorri, vendo ela balançar a cabeça. - Você mesma disse que não é tarde, ok? Essa pessoa apagada e abatida não é você, não deixa elas tirarem seu brilho não. A Valerie e a Becca vão ter o que elas merecem, a vida se encarrega.
- Sabe, elas sempre te zoaram, mas você sempre foi a pessoa que elas mais tiveram inveja - a olhei com o cenho franzido, duvidando daquilo. - Mesmo com tudo você nunca deixou se abater, e sempre teve essa energia boa que as pessoas gostam de ficar por perto, elas tinham raiva disso - sorriu.
- E você?
- Não era inveja, era admiração - falou, me fazendo rir. - Agora deixa eu ir que combinei um dia de spa com minha colega de quarto.
- Vai lá, chica. Recupera seu brilho - pisquei e me afastei, ouvindo sua risada. Zayn e Niall estavam ali esperando como os fofoqueiros que são para saber tudo que havia acontecido. - Eu conto quando contar para todo mundo, agora vamos! - segurei na mão dos dois e os arrastei. Claro que eles foram reclamando o caminho inteiro porque queriam saber logo o que havia acontecido.
Eu esperava mesmo que Britt pudesse nos ajudar, principalmente com as fotos de , se quem espalhou aquilo fosse punido então as pessoas parariam de achar graça e levariam isso mais a sério. Sábado nunca me pareceu tão longe.

.

- E você acredita nela? - perguntei, de braços cruzados, encarando , que nos olhava com firmeza. Eu estava tão orgulhosa da pessoa que estava se tornando, a postura dela estava tão confiante, nem parecia a mesma pessoa que chegou aqui toda perdida. Todos nós mudamos tanto desde que nos conhecemos e eu achava incrível como nossa amizade apenas se fortalecia quando nossas diferenças eram motivos suficientes para nos afastar, no fim das contas nós estávamos presos uns aos outros, não tinha jeito.
- Ela não tem motivos para mentir, ela não ganha nada com isso, muito pelo contrário... As duas vão infernizar ela ainda mais - comentou, se arrumando no colo de Zayn, que parecia entediado com a conversa, mas ele sempre parecia entediado.
- Então nós vamos no boliche sexta? - Niall perguntou.
- Ela disse que pode ajudar a também, quem vazou aquelas fotos merece ser punido - Liam falou, acariciando minha mão, sorri me inclinando para encostar nele, porém ele se mexeu desconfortável, estava com dor na costela novamente.
- Nós sabemos quem vazou aquela foto! - revirou os olhos, me fazendo concordar com a cabeça.
- Como foi com os pais de vocês? - Harry finalmente abriu a boca, eu não havia contado nada para ele sobre aquela conversa e ele estava chateado, era meu melhor amigo, na teoria eu devia contar tudo para ele.
- Estranha... Foi estranho ver os 4 juntos e o irmão da - fiz careta, vendo a ruiva concordar.
- Eles ficaram tentando justificar o abandono, resumindo teve muito grito, muitas lágrimas, pedidos de desculpas. Meu pai disse que ela nunca mais vai me magoar, a mãe de disse que era melhor o pai dela manter a distância também. - falou, desanimada.
- Vocês querem manter a distância? - perguntou, nos olhando atentamente.
- Eu não sei se algum dia vou poder perdoar meu pai por ter sumido do nada só para viver um romance. Tudo seria muito bonito se ele não tivesse deixado uma filha pra trás, sabe? Aquela sensação de abandono é a pior coisa do mundo...
- Eu não quero contato nenhum com minha mãe, eu nunca precisei dela e não vai ser agora que isso vai mudar, se eu tenho essa porra de transtorno hoje boa parte foi culpa dela! - falou com a voz seca e firme que sempre usava quando estava com raiva.
- Mas e o bebe que eles tão esperando? - Louis perguntou, olhando com cuidado. Os dois estavam em um momento estranho, havia falado que quando voltássemos conversaria com ele sobre o relacionamento dos dois, depois que resolvesse as coisas em casa, mas até agora eles não haviam conversado sobre isso e era óbvia a tensão ali.
- Eles vão sair da Inglaterra, Louis, não tem muita o que a gente possa fazer - falou, dando de ombros.
- Tipo, nós não vamos ter aquele contato diário com a criança, mas também não vamos abandonar como eles fizeram com a gente - respondi por , era isso que havíamos combinado. - Contanto que a gente não precise ter muito contato com os dois vai ficar tudo bem, o bebê não tem culpa de nada, nós vamos dar a atenção que conseguirmos com ele do outro lado do oceano, mas vai ser estranho! - finalizei, respirando fundo e balançando a cabeça. Eu tinha medo do que seria daquela criança, os dois foram incapazes de serem bons pais para e para mim, o filho deles não devia sofrer por culpa deles... Nenhuma criança devia sofrer porque os pais são despreparados, a coitada não pediu para nascer.
- Está tudo bem? - Liam sussurrou no meu ouvido, olhei para ele com um sorriso forçado e concordei com a cabeça.
- E você, as coisas em casa?
- Minhas irmãs tão putas com meu pai, com razão né, minha mãe tentando perdoar e nós estamos fazendo o possível para pagar o tratamento da Jamie! - Liam resumiu até demais, eu sabia que ele estava escondendo algo.
- Você disse que seu pai perdeu tanto dinheiro que não ia conseguir pagar o tratamento, então, como? - perguntei, o olhando nos olhos.
- Eu tinha um dinheiro guardado e dei para minha mãe completar, meu pai esta trabalhando dia e noite pra compensar e a Lily conseguiu um emprego, então eu não preciso me preocupar tanto com isso agora! - deu de ombros, me fazendo cerrar os olhos e concordar com a cabeça. Ele ainda estava mentindo.
- [...] e nós vamos dividir um apartamento, está tudo resolvido - ouvi falando
- Sua mãe não vai ficar puta de você voltar para Califórnia? - Niall perguntou para , que deu de ombros.
- Eu fiz tudo que ela quis desde que meu pai morreu, agora é minha vida e eu vou fazer o que eu quero. Quando nós nos formarmos eu vou voltar para casa. – falou, e Niall pareceu desanimado por um momento.
- E você? - perguntou para .
- A UCLA oferece dois programas de dança, e como ficar ali em Los Angeles eu vou ter mais oportunidades - explicou. Olhei para Zayn que não parecia muito feliz com aquilo, mas provavelmente eles conversaram a respeito. Parecia que todo mundo sabia o que queria do futuro, mas eu não fazia a menor ideia e, sinceramente, não queria ficar pensando porque aquilo me daria uma insônia terrível. Eu podia muito bem seguir os passos da minha mãe e ser atriz, mas sempre me mantive longe disso justamente por não querer essa conexão, de acharem que eu era atriz apenas por causa dela. Eu gostava de atuar e até participei em algumas peças, mas conforme os anos iam passando eu decidia focar mais no time de vôlei do que no teatro, acabei deixando isso de lado, mesmo com os pedidos de mamãe para que eu me interessasse um pouco mais por seu trabalho. Acho que eu só não queria que as pessoas achassem que eu não era boa o bastante, que eu precisava da influência dela para ser alguém.
- Já volto - Liam falou, dando um beijo na minha testa e se afastando antes que eu conseguisse responder. Zayn o seguiu com os olhos e pareceu preocupado, e quando ele viu que eu o encarava ele apenas sorriu e voltou sua atenção para Harry, que contava sobre uma pegadinha que os primos haviam pregado em no dia em que ela chegou para conhecer sua mãe. Aproveitei que todo mundo estava distraído e fui atrás de Liam, que parecia discutir com alguém no celular.
- [...] eu acabei de voltar, quinta não dá. - ele falou, e fez uma pausa, antes de continuar - Minha costela ainda está doendo, caralho, o que você quer que eu faça, Derek? Se vira porra, se eu lutar na quinta vou perder e vai ser prejuízo para ele, eu não combinei nada para essa semana... - continuou, ainda mais irritado. - Mais duas lutas e eu to fora, e dessa vez é pra valer, eu já juntei o dinheiro que precisava e to pouco me fodendo se ele... - parou para ouvir o que Derek devia estar falando e passou a mão no rosto. - Não cara, sinto muito, não vai rolar... Ele não vai matar ninguém, olha, deixa que com ele eu me entendo, só avisa que vai ficar para semana que vem! - desligou, se virando e se assustando ao me ver. Eu ainda estava de braços cruzados olhando para ele sem entender muito bem... Ele estava lutando, ok, isso eu havia entendido, mas por que mentir e por que o Derek?
- Vai ficar só me olhando ou vai me explicar?
- Você me seguiu? - perguntou, começando a entrar na defensiva e subir aqueles muros que sempre nos fazia brigar.
- Não, você não vai agir como se eu fosse louca e estivesse errado. Você estava falando com o Derek? O mesmo Derek que me tratou como uma qualquer e faz o inferno da vida de todas as garotas desse internato?
- Você não entende...
- É claro que eu não entendo, como eu vou entender se você só mente? - perguntei, respirando fundo e balançando a cabeça, ele permaneceu em silêncio, olhando para baixo. - Você não consegue nem me olhar nos olhos, né? Quer saber, foda-se, quando você quiser me contar o que está acontecendo você sabe onde me achar, até lá não chega perto de mim, eu não quero ter contato nenhum com pessoas que se relacionam com gente como o Derek - falei, me virando para sair dali, mas ele me segurou pelo pulso e me virou, me puxando para perto.
- Não faz assim - sussurrou, me olhando nos olhos. Eu estava tão exausta que não conseguia nem brigar.
- Você que tá fazendo - me soltei dele, e sai andando, me sentando perto de e Harry.
- Contou? - sussurrou no meu ouvido, mas apenas balancei a cabeça sentindo lágrimas querendo invadir meus olhos. Poucos minutos depois ele voltou e se sentou ao lado de Zayn, e passou a noite me encarando, enquanto eu fugia de seus olhos.

[...]

- Levanta dessa cama, pediu, me fazendo chutá-la para que ela me deixasse em paz, mas a garota apenas riu das minhas tentivas e se sentou ao meu lado, fazendo carinho no meu cabelo. - Ele não para de perguntar de você e...
- Você disse que ela não estava aqui – Liam apareceu na porta do quarto do nada, ofegante e preocupado. Descobri o rosto e olhei para ele, que agachou na minha frente. – As meninas falaram que você desmaiou no treino, está tudo bem? , você está pálida e gelada – Liam falou, colocando a mão na minha testa, para ver se estava tudo bem comigo.
- Eu to bem, Liam, eu só não comi direito antes do treino, é normal – falei, vendo ele balançar a cabeça e me dar um selinho. Eu ainda estava nervosa com ele, mas ver sua preocupação quase me fez esquecer o motivo da raiva.
- E por que você mentiu? – se virou para , de braços cruzados.
- Eu que pedi – falei, me sentando e arrumando o travesseiro. – Você devia estar no treino e está aqui, eu sabia que isso ia acontecer, por isso pedi para mentir por mim. – falei, prendendo o cabelo de qualquer jeito.
- Eu vou buscar alguma coisa para você comer e nem adianta fazer careta, você vai comer. – falou, ignorando meus protestos e saindo pela porta. Assim que ele saiu, fechou a porta e me olhou com a sobrancelha arqueada.
- Você tem que contar.
- Não tenho não. Nós estamos brigados, só porque ele veio aqui não quer dizer que está tudo bem, ele está mentindo para mim, . Ele está de segredinho com o Derek, o mesmo cara que me assediou no começo do ano. – falei irritada. - , pelo amor de Deus, teimosia é coisa da . Isso é sério – falou, segurando minha mão. – Você não devia nem está treinando. – balançou a cabeça. – Conta para ele que você acha está grávida, não dá para esconder isso para sempre. – sussurrou, olhando para a porta.
- Eu não vou esconder para sempre, , eu nem tenho certeza de nada, pode ser só estresse – balancei a cabeça, dando de ombros. Eu ia continuar, mas a porta se abriu e Liam entrou com algumas frutas.
- Vou deixar os pombinhos a sós para conversar – sorriu, me dando uma olhada significativa, mas fingi que não vi enquanto pegava uma uva para disfarçar.
- O que foi isso? – Liam riu, olhando para .
- Amiga do Louis né, vai entender! – dei de ombros, abrindo espaço para Liam deitar, enquanto tentava agir da forma mais natural possível.
- Eu sei que você não está muito feliz comigo no momento, mas deixa eu cuidar de você? – perguntou, colocando um pedaço do meu cabelo que estava caindo para trás da orelha. Concordei com a cabeça, vendo o sorriso dele que eu tanto amava, enquanto ele se deitava e me puxava para deitar em seu peito. Ele começou a cantar baixinho e fazia carinho no meu cabelo, o que estava me fazendo ficar com sono.
- Você ainda não fugiu da nossa conversa, Payne – sussurrei, antes de pegar no sono.

.

- , eu estou falando com você faz horas e você ta me ignorando - jogou uma almofada em meu rosto, me fazendo franzir o cenho e encarar a ruiva. estava conversando com as meninas do time de dança, agora que não fazia mais parte das líderes de torcida ela decidiu que se empenharia totalmente no grupo, estava conversando com a treinadora, que queria que a garota voltasse a ser capitã das animadoras, estava no treino de vôlei, mesmo eu ameaçando prendê-la na cama, eu e também devíamos estar com , mas ambas estávamos sofrendo com uma cólica intensa e a treinadora deixou que ficássemos no dormitório.
- Desculpa, eu estava pensando... Fala.
- Pensando em que? - perguntou, me olhando atentamente. Se fosse alguns meses atrás eu nunca falaria com sobre meus problemas, não falaria com ninguém, talvez eu me abrisse um pouco com , mas não totalmente, porém, após aquela conversa em que todos resolvemos colocar as cartas na mesa, eu percebi que podia contar totalmente com eles, inclusive com , com quem eu não tinha muito contato no começo. As coisas mudaram tanto desde que cheguei, era até engraçado pensar no quanto.
- No natal com a família do namorado da minha mãe. Por incrível que pareça ele me surpreendeu - concordei com a cabeça. - Nós duas tivemos uma discussão quando eu falei que depois da formatura eu voltaria pra Califórnia e ele me defendeu, acredita? - eu ri, lembrando do homem dizendo que eu precisava daquilo e o mínimo que ela devia fazer era me apoiar, mesmo não concordando.
- Sério? - riu. - E era só nisso que você estava pensando? - perguntou. Mordi o lábio e apertei os olhos, me levantando e sentando em sua cama.
- Eu recebi uma mensagem estranha! - falei, entregando meu celular para ela ler.
- Você confia mesmo no Niall? - ela leu em voz alta, e viu a foto. Era uma imagem dele no lago com duas meninas, e eu não entendia o porquê daquela mensagem, parecia antiga, parecia que eu nem estudava aqui ainda.
- Eu não entendi nada, ... Essa foto parece ser de antes de eu estudar aqui, então porque eu não confiaria nele? Eu não reconheci essas meninas da foto, não é como se ele tivesse me traindo com elas - revirei os olhos rindo, mas não me acompanhou, ela parecia tensa.
- Essa foto foi da noite que uma dessas meninas morreu no lago, ! - falou, olhando melhor para a foto. Me aproximei dela para olhar melhor, mas a foto estava tão escura e desfocada que não dava para entender muita coisa. - Essa pessoa está insinuando que o Niall, ou sabe o que aconteceu aquela noite, ou ele quem causou aquilo. - falou, mordendo o lábio.
- Isso é impossível, é o Niall, ele não faz mal para uma mosca - falei, balançando a cabeça. - Eu mostro isso pra ele?
- Acho melhor não... Acho que a gente devia tentar rastrear o IP da pessoa que mandou isso, as vezes só tão querendo brincar com a gente. - falou, e eu concordei. sempre olhava as coisas de uma forma mais racional, eu já estava pronta para ir até Niall mostrar a foto e perguntar quem brincaria daquela forma, mas como a sabe as circunstancias daquela foto eu concordo que é melhor não falar nada. - Você não está nervosa com isso?
- A possibilidade dele ter matado alguém? Já falaram que aquela garota tinha drogas no sistema, eu não acredito que ele tenha matado ninguém - ri do absurdo daquilo. - Na minha antiga escola rolavam muitos boatos sobre mim, e todos eles pareciam fazer sentido para quem não me conhecia, mas não passavam de boatos. - expliquei o motivo de não estar preocupada com aquilo. - Eu confio no Niall.
- Garoto de sorte, se fosse qualquer pessoa já estava acusando ele - riu, me devolvendo o celular.
- Eu já fui muito acusada, eu não faria o mesmo sem ter certeza das coisas. - expliquei. - E desfaz essa expressão preocupada, , você conhece ele a mais tempo que eu, ele nunca machucaria ninguém.
- Você tem razão! - riu, pegando uma barra de chocolate e me oferecendo. - Escuta, daqui algumas semanas tem aquele jogo importante do Louis, e eu estava pensando...

[...]

Depois da festa na fogueira, onde descobri que as pessoas estavam espalhando o boato de que eu vendia drogas, achei que logo esqueceriam, quer dizer, já se passou um bom tempo, todos já fomos para casa e voltamos, mas parecia que o rumor estava cada vez mais forte. Eu passava por eles fingindo não ver as olhadas e cada vez que alguém fazia alguma insinuação eu ignorava, e toda vez que aquilo acontecia eu olhava para frente apenas para ver Samuel me encarando, me dando a certeza de que foi ele que havia trazido o inferno que foi nos Estados Unidos para Londres, mais uma vez, porque depois que minha mãe veio comigo para Londres, e mais uma vez aquilo estava começando a me afetar. Eu estava desanimada, fingia que não, mas estava. Meus sorrisos não eram verdadeiros, eu não tinha vontade de sair da cama, eu estava me irritando com uma facilidade que há tempos não acontecia, eu estava me sentindo vazia e não queria muito contato com ninguém. E foi naquela sexta feira antes de ir para o boliche que me senti mais sozinha que nunca.
- Você vai fazer a gente se atrasar. - falei, tentando me livrar dos beijos do Niall, mas ele apenas me ignorou, como vinha fazendo, e escondeu a cabeça em meu pescoço, me fazendo arrepiar com sua respiração.
- Como se você estivesse achando muito ruim. - falou, suas mãos quentes estavam em contato com a pele da minha cintura, acariciando o local e me fazendo sentir como se estivesse queimando. Logo seus lábios roçaram em meu pescoço tão leves que quase não dava para sentir, ele estava me provocando, queria saber até onde eu aguentava aquela provocação.
- Se você não me beijar logo eu vou ter que tomar medidas drásticas - falei, fechando os olhos e sentindo o sorriso dele contra meu pescoço, onde ele mordeu e sugou, deixando uma marca.
- Seu pedido é uma ordem. - ele falou, segurando a base do meu pescoço com uma mão, enquanto seu dedo fazia o contorno dos meus lábios, onde ele logo deixou um selinho, uma mordida, e eu, já impaciente, segurei em sua camisa o puxando mais para perto e o beijando de verdade, sentindo o sorriso dele no meio do beijo. As borboletas no estômago eram reais e eu nunca pensei que chegaria a senti-las, mas aqui estava eu, sentada no colo de Niall sentindo os beijos apaixonados dele que me faziam esquecer de tudo. Minhas mãos adentravam seus cabelos macios, onde cheguei a puxar, ouvindo o gemido dele contra minha boca e me sentindo satisfeita. Chupei seu lábio inferior, o mordendo logo em seguida, e desci os beijos para seu pescoço.
- Nós realmente vamos nos atrasar - ele riu, apertando meu quadril.
- Eu to aqui para garantir que isso não aconteça, podem parar com a putaria que eu cheguei. - Louis abriu a porta com tudo, me fazendo pular. - Parece que você foi para guerra, minha filha, você não está muito melhor, Niall.
- Você é insuportável - falei, me levantando do colo do loiro e me olhando no espelho, arrumando minha roupa e meu cabelo, que realmente estavam uma zona. - Vamos?
- Vamos, mas antes o pessoal quer meio que conversar com você - Louis falou, me fazendo concordar com a cabeça. Niall segurou minha mão e fomos conversando sobre algumas bandas, mas quando cheguei onde o pessoal nos esperava eles me olhavam irritados.
- Eu nem atrasei tanto, gente -