Libertad

Escrito por Lizandra Antunes - Siga a autora no Twitter
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Parte do Projeto Songfics - 7ª Temporada // Música: OneRepublic - Secrets

Mais uma xícara de café naquele apartamento vazio; mais uma noite em claro que ela passava. Já não se preocupava mais com sua saúde, afinal, qual a graça em viver se não estaria ao seu lado para ver o próximo amanhecer? Um buraco crescera em seu peito desde a morte de seu companheiro. Não eram casados, mas eram mais que namorados. Eram amantes. Dividiam o apartamento que agora era unicamente habitado pela garota. Enrolada num edredom, sentada numa cadeira de frente para a janela da sala, ela entornava outro gole daquele café insosso e amargo ao mesmo tempo. A mesma cena de um mês antes se repetia em sua mente. Seu erro, sua confissão, a briga e, por fim, o acidente. Ela era culpada pela morte de , sim, e nada lhe tiraria da mente que, se ela jamais tivesse tentado contar a ele o que fizera, jamais o teria perdido. Desde aquela maldita noite, a culpa a matava pouco a pouco, corroendo-a e desmanchando toda a vida que existia em si. , com 26 anos, havia rapidamente desaprendido a viver.
Cansada de observar a monótona vista de sua janela naquela noite fria de janeiro, a garota se levantou, deixando o edredom na cadeira em que estava, e caminhando em direção à cozinha. Sua roupa, composta inteiramente por moletom, era larga, mas muito quente. O cabelo, contrariando o inverno estadunidense, estava preso, mal arrumado. Era um coque que se desmanchava, mas ela não se importava com isso também. Dirigiu-se até a bancada que dividia a cozinha da grande sala e atravessou a passagem sem porta entre os dois cômodos. Deixou a caneca vazia dentro da pia de inox, parando um instante. Aquela ideia passava mais uma vez por sua cabeça. Seria ela a certa? Ainda em dúvida e um pouco relutante, abriu a gaveta de talheres, encontrando ali uma enorme faca. Afiadíssima, ela sabia. Com certo cuidado, pegou o instrumento de corte e começou a virá-lo de um lado para o outro, analisando a lâmina. Qual o sentido da vida se você não quer mais sequer existir? Ela estava certa ao cogitar pôr um fim nisso, não estava? Respirou fundo, procurando coragem em seu interior, e fechou os olhos, posicionando a ponta aguda da faca na direção de seu peito. No caminho para o seu coração.
As imagens de momentos felizes entre e vieram como bombardeios de sua memória, fazendo com que os dedos da garota se afrouxassem levemente. Mas ela não poderia fraquejar. Determinada a pôr um fim em sua existência, visto que já não vivia há um bom tempo, ela apertou um pouco mais a faca contra o agasalho de moletom, sentindo a garganta se fechar em um grande e doloroso nó. O tecido grosso estava sendo prensado contra a pele do tórax de e a vontade de cravar em si o objeto de suas mãos vacilava. Ao mesmo tempo que não aguentava mais passar os dias com a culpa lhe consumindo, ela também tinha muito medo da morte. Tinha medo de partir dessa vida para a outra e encontrar do outro lado, magoado e ressentido com tudo o que aconteceu. Tinha verdadeiro pânico dessa ideia.
Forçou ainda mais os olhos e o nó de sua garganta passou a se desfazer aos poucos. Uma lágrima lhe escorreu. Tentou conter-se, no intuito de impedir a própria desistência, mas foi inevitável. Grossas gotas salgadas começaram a descer por sua face e toda a energia que era depositada em seus punhos se esvaiu. Tudo o que conseguia pensar era em chorar. Ainda com o objeto pontiagudo em mãos, a garota se jogou contra a parede da bancada, desmoronando em lágrimas. Ela não conseguiria fazer isso, não na casa que fora dela e daquele que ela tanto amava. Não tinha esse direito. Com o pouco de força que lhe restara, jogou a faca no chão a sua frente e abraçou os joelhos o quanto conseguia. Ela precisava mesmo era de um bom calmante. Pensou em procurar algo nas gavetas do banheiro, mas não sentia vontade alguma de se levantar. Seu choro ainda não havia cessado. Um grito de dor estava entalado em sua garganta e, mesmo fraca, ela o soltou. Gritou como se nunca o tivesse feito antes. As palavras que também estavam presas em seus lábios não saiam e ela precisou gritar mais para se sentir, no mínimo, menos sufocada. Ela não conseguia dizer “Me perdoa?”. Seu choro se intensificou. sentia que poderia morrer ali, sentada no chão daquela cozinha, mas acreditou ser melhor deitar e dormir. Faria mais efeito que um calmante, talvez. Sem se incomodar com a roupa que usava, com o banho que não tomaria ou com os dentes sem escovar, simplesmente foi até seu quarto e deixou-se cair em sono profundo sobre a cama de casal. A cama de um casal separado pela barreira da morte.

Há pouco mais de um mês

A noite não parecia nada amigável. e voltavam de um jantar incrível num restaurante recém-inaugurado. No estômago da garota, porém, nada tinha se diluído e a comida parecia lhe fazer mal, mas ela sabia o que era: culpa. O céu escurecido não ameaçava chuva, todavia, ainda assim, provocava arrepios na mulher no banco do passageiro. O inverno nunca parecera tão frio. Chegaram ao seu destino e o rapaz estacionou o carro na calçada de frente ao prédio onde moravam. Ele estava feliz por ter passado um tempo especial com e esperava que ela se sentisse da mesma maneira. Virou-se para a namorada, acariciando seu rosto e beijando-lhe os lábios. Contudo, ela se sentia imunda. Havia traído noites antes e já não conseguia mais sentir o gosto bom do beijo dele em sua boca, somente o gosto amargo da culpa. Ela não se sentia boa o suficiente para ele. não tinha feito o que fez por desprezo ou mesmo falta de amor; foi um momento de fraqueza. Aceitara o convite de sua irmã, Krista, para ir a um coquetel promovido pela empresa onde trabalhava. viajara naquele dia. Durante o evento, caiu na lábia de um dos convidados e tomou alguns drinks. Sendo fraca para bebida, ficou rapidamente alcoolizada e fez as coisas sem muita noção, apenas dando-se conta do ocorrido na manhã seguinte, na cama do homem que ela nem sabia o nome. Voltara para casa arrasada, mas sem coragem de entregar ao namorado sua confissão. Ela não aguentaria vê-lo se decepcionar com ela. Não aguentaria perder o seu amor.
Agoniada com tudo o que havia feito e com o segredo que passara a esconder, separou-se de e o convidou para acompanhá-la de volta ao apartamento dos dois. Ele a seguiu inocentemente. Assim que subiram todas as escadas necessárias do prédio sem luxo que o salário de ambos podia pagar, a mulher abriu a porta do apartamento 32 e foi imediatamente agarrada pelo namorado, que a enchia de beijos. Separou-se dele num piscar de olhos.
- Hoje não, .
Ele estranhou sua reação.
- O que foi, ?
- Nada. Podemos só deitar?
Ele não se convenceu de sua resposta. estava saindo da sala, encaminhando-se na direção do quarto, mas a segurou pelo braço.
- , me fala o que está acontecendo.
Ela parou onde estava e engoliu em seco. Sua mente culpada a perturbava desde o dia de seu deslize para contar toda a verdade ao namorado. não merecia ser traído. Inspirando tudo o que conseguia, considerou manter em segredo o que fizera, mas não se permitiu. Escolheu contar toda a verdade. Virou-se para e se soltou de sua mão, encaminhando-se ao sofá.
- Venha – ela bateu com a mão no acento vago ao seu lado –, preciso te contar uma coisa.
a seguiu, desconfiado, sentando-se ao lado da namorada. Ele não era ciumento, não era agressivo e muito menos constantemente nervoso. Era um homem tranquilo, alegre, divertido e que confiava na namorada. Porém, uma coisa ele não suportaria: mentiras, e sabia que estava se favorecendo de uma.
- Pode começar.
Dada a ordem, a garota tomou fôlego mais uma vez, esperando a vontade de dizer “Estou brincando, não é nada!” surgir em seu peito, mas nada disso aconteceu. O medo de perder o homem que ela amava e a vontade de lhe pedir perdão duelavam dentro de si. Ela sabia o certo a fazer. Com toda a coragem que conseguira recrutar, disse as primeiras palavras sobre o que fizera para . Ela evitou olhá-lo nos olhos, mas não pôde deixar de fazer isso assim que pronunciou a frase “... eu te traí”. Antes que pudesse dizer o quanto se arrependia, gritou com ela, xingou-a de todos os nomes que se lembrava, chorou, perguntando-a por que ela havia feito aquilo. Não deixou que respondesse. A pergunta que lhe fizera fora retórica; não queria saber os motivos que a levaram a isso. Largou a namorada em casa e saiu do prédio, pegando o carro e dirigindo sem direção.
não estava ligando para o que ia acontecer; ele só queria esquecer as palavras que sua proferira. Já com o rosto molhado por gotas de pura tristeza e ódio, ele prosseguia andando desgovernado, buscando uma saída para organizar seus pensamentos. Dentro dele, aquelas palavras imundas ainda ecoavam. “Eu te traí.” Como pudera fazer isso com ele? Amargurado, seguiu caminho. Ele não planejava ir a lugar algum, mesmo porque sua mente ferida não podia traçar uma rota plausível, mas sabia que seguia na direção da ponte que unia sua cidade à vizinha, sendo as duas separadas por uma grande porção de água. A ponte era um tanto quanto extensa, relativamente larga, com vários cabos ao seu redor, emitindo proteção aos condutores dos veículos que por ali passavam. confiava nessa segurança. Pisou mais fundo no acelerador e o marcador de velocidade no painel do carro mostrou 68 km/h; uma velocidade muito alta, considerando o horário e a tranquilidade do ambiente e o limite permitido.
O carro não estava muito distante da tal ponte. O rapaz queria engolir o choro, mas era impossível na situação em que seu coração se encontrava. As lágrimas lhe caíam dos olhos e escorriam até a boca, fazendo com que uma de suas mãos fosse até acima dos lábios e tentasse arrancar de lá qualquer vestígio de sofrimento que aquelas gotas significassem. Ela já não merecia mais qualquer sentimento que proviesse dele. Sua visão estava embaçada e ele dirigia quase que por instinto. Notou que se aproximava da ponte e tentou inutilmente se recompor. Começou a subir o trajeto que o levaria para a cidade vizinha. não conseguia distinguir com exatidão o que acontecia a sua frente; sabia apenas que devia continuar. Chegava perto da metade do caminho, quando uma luz forte inundou sua visão. Sim, era um carro na direção contrária, mas este estava na faixa ao lado, a da esquerda. Contudo, com os olhos molhados e a visão turva, não foi isso o que interpretou. Com medo de uma colisão que parecia praticamente certa, o rapaz girou todo o volante e o carro derrapou na pista, deixando as marcas dos pneus no asfalto. O controle do veículo não dependia mais de suas mãos. rodou com o carro, até que este se encaixou entre dois cabos no meio da ponte, desequilibrando e tombando em direção à água. Naquele momento, a única imagem que se fazia presente na memória dele era a última vez que ele e se beijaram, dias atrás. Seu último momento de amor. O carro submergiu e logo a pressão exercida pela água estourou os vidros, inundando tudo. Todo o amor de por sua fora afogado naquela noite.

Presente

despertou com o um sol de meio-dia de inverno batendo em seu rosto. A claridade incomodava todo o seu corpo e ela queria voltar a dormir; se possível um sono eterno. Suas constantes noites mal dormidas resultaram em profundas olheiras e uma forte depressão. Sim, ela caíra em depressão. Era uma garota alegre, extrovertida, cheia de ânimo. Vida. Mas a morte de acabou com tudo o que havia nela. Principalmente o desejo de se erguer a cada queda.
Quer fosse pela necessidade de um banho ou pela simples vontade de fazer mais um dia passar como se nunca tivesse existido, se ergueu da cama e dirigiu-se ao banheiro. Despiu-se e girou o registro, sentindo a água fria bater forte em seus ombros. Ela havia sonhado com sua discussão com mais uma vez. Mesmo tendo lutado contra isso a noite toda, a voz de seu homem perfeito rugia alto em sua cabeça: “Por que?”. A feição triste e raivosa que ela vira pela última vez aparecia para completar o conjunto. Por mais que não quisesse, sua consciência gritava em seu interior: “Culpada!”. já não aguentava mais. Sabendo que nada mudaria as vozes que vagavam dentro de si, a garota resolveu investir no banho.
Um pouco mais relaxada, talvez, depois de alguns minutos, saiu do banheiro enrolada na toalha, procurando em seu guarda-roupa outro moletom qualquer, mas estes haviam se esgotado. Ela usara todas as peças de roupa com tal tecido aquela semana. Restava uma calça jeans jogada lá dentro, que ela supôs estar limpa, e algumas blusas menos quentes na gaveta. Optou por uma branca neutra de mangas compridas. Ainda se sentia gelada. Tomou do cabide uma jaqueta preta, feita de couro e algum outro tecido quente nas barras, ela não soube identificar qual. Vestiu-se adequadamente e foi para a cozinha procurar algo para preencher o estômago. Como diria sua velha mãe, saco vazio não para em pé.
Comeu algo básico, como pão com manteiga de amendoim, e tomou seu clássico café. Aquele mesmo gosto amargo de sempre prevalecia em sua boca e ela decidiu comer um pouco de açúcar. Chocolate seria bom. Caçando pelos poucos armários da cozinha, encontrou ali um tablete do chocolate preferido de . Há quanto tempo estaria ali? A vontade de algo doce no paladar sumiu naquele instante. Fechou as portas do armário com força e correu até o sofá, jogando-se ali e afundando o rosto numa almofada, antes que voltasse a chorar. Controlou-se. Respirando da maneira que a almofada lhe permitia, fechou os olhos com força. Será que por um único momento ela conseguiria esquecer tudo? Será que só uma vez ela poderia não tentar se matar? Seja com facas, tesouras, giletes ou mesmo por causa da saúde fraca, estava se matando aos poucos; mas, afinal, era só isso o que ela sabia fazer nos últimos dias. Chamar pela morte. Cansada e um pouco sem ar, virou para cima, largando a almofada sobre o ventre. Nada mais tinha sentido. Outra vez, uma lágrima lhe caiu dos olhos. A última lágrima antes de ela adormecer sem mesmo ter passado o dia.
Faltando um minuto para as onze da noite, acordou. Tudo estava escuro em seu apartamento e ela ainda estava vestida como se lembrava, o que significava que o dia não havia acabado. Frustrada com sua recente conclusão, sentou-se no sofá e olhou um reloginho digital em cima do raque. Era marcado 23h em ponto. Passando as mãos pelos cabelos, impaciente, a garota não sabia mais o que fazer. Quase louca, ela ouvia diversas vozes ecoando cruéis dentro de si.

É tudo culpa sua...
Ele poderia estar vivo...
Por que, ?
Eu te amava...
Você me matou...

- Chega!
Gritou, sufocada com tantas acusações vindas de sua consciência.
- Eu não aguento mais! Parem! Chega!
gritava e gritava, mas era em vão. Tudo continuava falando dentro dela; inclusive a voz de . Mais lágrimas correram de seus olhos agora fechados.
- Chega...
Sem forças, caiu de costas no encosto do sofá, chorando fraco. Ela já estava cansada dessa condição. Queria se ver livre disso, queria se levantar, mas a única pessoa que poderia lhe dar essa dádiva era , com seu perdão. Só que isso jamais aconteceria. estava morto; e sentia suas mãos sujas com o sangue dele. Olhar para seus braços não era uma tarefa fácil. Ela os via manchados de vermelho; sua roupa toda estava tingida com o sangue do homem que ela amava. Os minutos corriam no relógio e a garota tentava não cair em sua tão rotineira depressão. Ela precisaria se erguer um dia, não é mesmo? Mas era tão difícil. Aquele buraco gigantesco em seu peito, o vazio e a dor de se sentir completamente sozinha quase não permitiam que o ar que puxava chegasse aos seus pulmões. Ela precisava de ajuda, não de calmantes. E quem poderia ajudá-la? Só teria esse poder.
Supersticiosa, encontrou a solução que tanto procurava. . Era isso. Ela precisava falar pra ele tudo o que sentia, tudo o que não conseguira dizer naquela noite; toda a verdade que ele não quis ouvir. Levantando-se num salto, a garota secou os olhos com as costas da mão, direcionando-se para a porta. Pegou seu celular em cima da bancada e correu para sair de casa, colocando as chaves no bolso. Ela estava pronta para se libertar.
Com uma energia que já não sabia ter, caminhou em direção à ponte onde ocorrera o acidente com . Ela acreditava que, sim, ali estaria seu espírito; preso e enclausurado no fundo d’água. Eternamente acorrentado a todas aquelas mágoas em seu coração. Andava em passos largos e ágeis, não demorando muito para alcançar seu destino. Entrou na ponte e um carro passou na faixa paralela à que estava, então deixando tudo novamente deserto; imerso no mais profundo silêncio. foi devagar até a metade da ponte, onde se lembrava de ter estado no mês anterior, acompanhada dos policiais que cuidavam do “Caso ”. Aquele mesmo nó na garganta que ela sentira na noite anterior e que vinha atormentando-a há tanto tempo se refez. Entretanto, ao invés de um choro reprimido, só o que ela podia ver dentro de sua alma era dor. A dor mais profunda da perda. Caminhando aos poucos, chegou o mais perto da beirada da ponte que conseguia, observando a água abaixo.
- Será que se eu pular te encontrarei aí no fundo, meu amor?
Murmurou segundos antes de uma gota molhar o trajeto de seu olho ao queixo.
A garota inclinou um pouco o corpo, deixando que as lágrimas que escorriam por sua face caíssem até tocar a água. Misturaram-se. Perderam-se ali. Fitando todo o líquido abaixo da ponte, se questionava se deveria prosseguir. não poderia ouvi-la, poderia? O que, afinal, ela estava querendo que acontecesse? Que seu choro fosse sentido por uma fada madrinha e esta lhe concedesse o desejo de trazer seu namorado de volta? Essa era a vida real; e sabia disso. Mas, em sua visão, não importava se não poderia ouvir suas palavras em vida; a morte poderia ajudá-la naquele momento. Ele a ouviria, sim. Pelo menos era o que ela se obrigava a crer. Tombando um pouco mais o corpo na direção do fim daquela construção, perdeu um pouco do equilíbrio, quase caindo n’água. Voltando rapidamente, agarrou-se a um dos cabos próximos de seu corpo. Ela precisava falar tudo o que pretendia antes de se dar permissão de cair. Sua última queda. Sugou o ar ao seu redor. Caindo de joelhos, apoiou as mãos na frente do corpo, tentando segurar o próprio peso. Preparou-se. Começou.
- ?
Chamou baixo. Nenhuma resposta.
- !
Gritou dessa vez, mas ele continuava sem respondê-la. Um pânico recém-chegado se apoderou da garota por inteiro e ela passou a chorar desesperadamente.
- , me responde! Eu estou aqui! Eu sei que você está me ouvindo!
Nada.
- Eu vou falar, mesmo que você não queira ouvir. Você precisa ouvir. Eu tenho que te dizer o que realmente aconteceu, meu amor.
Como falava? Ela não sabia. Permanecia prostrada e mantinha os olhos bem fechados. Não queria ver nada. Tinha medo de que a imagem de emergisse da água. Em meio a alguns soluços e às grossas lágrimas que embaçavam seus olhos, continuou.
- Querido, no dia em que você estava viajando, a Krista me convidou para ir numa festa na empresa dela. Você sabe que eu sempre atendo aos pedidos da minha irmã. Eu fui com ela, já que era seu melhor emprego nos últimos anos e ela não poderia fazer feio naquele evento. Eu a estava ajudando... Lá, um idiota qualquer me ofereceu uma bebida e eu aceitei. Eu devo ter tomado mais uma, não sei... Você sabe como sou fraca pra beber. Não tenho esse costume. Eu só vi o que tinha feito no outro dia, quando acordei e não me lembrava de onde estava. Meu amor, pelo amor de Deus, me perdoa! Eu não sabia o que estava fazendo!...
Todo o choro que estava sendo contido por causa das palavras tomou força novamente. estava aos prantos.
- Me perdoa...
Quase caindo com o rosto sobre as mãos, ela tentou se segurar. Precisava continuar mais um pouco. Precisava terminar o que fora fazer ali.
- Meu Deus, , você não faz ideia de como eu me senti a pessoa mais imunda desse universo quando vi seu rosto alegre e apaixonado de volta pra mim. Eu queria morrer! Eu queria explodir, te contar toda a verdade, implorar pelo seu perdão... Eu precisava do seu perdão. Tentei esconder o meu erro por um ou dois dias, mas, naquela noite, eu vi que não tinha o direito de te esconder nada. Você foi a melhor pessoa que eu conheci na vida... E agora eu te perdi pra sempre!...
Mais pânico e choro misturados. Era como se os pulmões da garota fossem esmagados, como se todo o seu corpo estivesse tentando matá-la por contar a verdade. Era como se ela fosse sofrer as consequências de tentar ter sido honesta naquela noite e sofresse mais agora que contara tudo.
- Eu jamais te trairia, meu amor, você sabe disso. Eu te amo! Eu sempre te amei e sempre vou te amar! Perdoa-me, , por favor...
Caindo sentada sobre os próprios pés, gritou alto, muito alto, tentando mais uma vez não se sentir sufocada. Seu chorar cessou por um instante. Naquele momento, sua loucura, talvez, se manifestou. Ela não saberia dizer se era sua consciência libertando-a do peso da culpa ou se realmente ouvia falar-lhe ao pé do ouvido, mas tinha certeza de estar sentindo uma brisa suave e reconfortante passando por seu corpo fraco e sem vida, dizendo-lhe apenas:

Está tudo bem, . Eu entendo o que aconteceu. Eu te perdoo. Te amo. Para sempre.

E sumindo em seguida. abriu os olhos. Tentou respirar fundo e, depois de tempos, conseguiu se sentir aliviada. Ela conseguira fazer entender? Estava livre? A garota jamais saberia explicar com precisão o que havia acontecido ali, mas sentia que o peso de seus ombros não estava mais lá. Ele havia libertado-a. Poderia viver agora. Um sorriso se abriu aos poucos no rosto de e mais lágrimas molharam sua face. Dessa vez, era apenas alegria. Alívio. Paz. Outros gritos foram soltos; também libertos. Algo que ela nunca tinha sentido antes a possuiu. Que sentimento misto seria aquele? Além de toda a felicidade, a alegria, a paz e o alívio de se sentir perdoada, ela também podia sentir amor. Muito amor. Podia sentir dentro dela. Ele viveria em seu coração a partir de agora; e era isso que a manteria em pé.
Ainda com o rosto riscado por lágrimas e com todas as evidências de sua felicidade mancando a pele, se pôs a andar de volta para casa. Sentia que poderia sair correndo pela cidade que não se cansaria; ela estava mais leve, poderia fazer isso. Livre era como ela se sentia. Andou, andou e andou. Suas pernas pareciam ter recuperado a força e a vitalidade de quando sustentavam apenas a criança que ela um dia foi. Já era meia-noite. Com passadas tranquilas, entrou numa rua que ficava a algumas quadras de seu apartamento. Não costumava passar por ali, mas sabia que era um atalho. Pelo horário, ela preferiu a opção de chegar em casa mais rápido. Contudo, havia um motivo para ela não fazer aquele caminho. O Beer Bottle, bar muito famoso por suas constantes brigas violentas, era o único atrativo daquela rua sem brilho e quase desabitada. Amedrontada, a garota prosseguiu com seu trajeto. Ela teria sorte.
Mas estava errada. Justamente por causa da hora, as figuras presentes no estabelecimento não eram nada amistosas, pelo contrário, eram homens com um grande potencial de se tornarem violentos. A garota que andava solitária escutou algo que a aterrorizou mais que aquele ambiente escuro. Tiros. Ela estava do outro lado da rua, mas podia ver a confusão instalada no bar. Dois brutamontes saíram pela porta andando de costas. se jogou contra um prédio qualquer, apavorada, preocupada com o que poderia acontecer a ela. Antes tivesse respeitado sua intuição e feito o caminho mais longo. Um dos homens envolvidos na briga saiu de dentro do bar, na intenção de balear outro dos dois que saíram, e puxou o gatilho. O atirador, que parecia bêbado, contudo, apontou a arma para uma direção completamente oposta à daquele a quem queria acertar. Péssima mira sob o efeito do álcool. A ideia seria até mesmo engraçada, se o tiro não tivesse acertado em cheio o braço da garota do outro lado da rua. Foi tudo rápido demais e nem teve a chance de fugir. Seu problema também poderia não ter sido tão grande, afinal, ela poderia simplesmente tirar o celular do bolso e chamar a polícia. Foi o que ela fez. Mas tinha mais uma coisa. era quase como uma hemafóbica¹ e, portanto, um tiro no braço era um problema. Pior. Era um grande, um enorme problema. Quando a garota pôs o celular de volta no bolso, ainda evitava olhar para o braço, mas se obrigou a fazer isso quando sentiu o líquido quente não só escorrendo até seus dedos, mas também por sua perna. Sangue; muito sangue para ela. Bem que tentou permanecer lúcida. Impossível. Seus sentidos foram se perdendo e ela não conseguiu sequer esperar a polícia chegar.

Dia seguinte

O sol raiava dentro e fora daquele leito de hospital. dormia tranquila e seu ferimento estava enfaixado. Na noite anterior, quando a polícia chegou ao local onde ela estava desacordada, a briga estava um pouco pior. A garota foi levada para o hospital e seu celular foi apreendido. O policial que pegou seu aparelho procurou pela última ligação feita. Antes da chamada efetuada para a polícia, o nome salvo era Krista, de pouco mais de um mês atrás. Foi a ligação em que contou para a irmã sobre o acidente de . O policial chamou pela garota que estava marcada no celular, descobrindo que era a irmã mais nova de sua vítima. Krista não demorou a chegar no hospital e ficar a par de tudo o que o homem tinha a lhe dizer.
acordou sem se lembrar de nada senão seu sangue na calçada. Olhou ao redor e não reconheceu o lugar onde estava. Logo que se movimentou na cama, a porta do quarto foi aberta. Era Krista. Sua irmã parecia cansada, mas feliz. O que havia acontecido?
- Bom dia, Bela Adormecida...
A mais nova falou baixo.
- Por que eu estou num hospital, Kris?
Aproximou-se da irmã deitada e se sentou na beirada da cama.
- Você não se lembra de nada, ? Do que aconteceu ontem à noite?
- Lembrar, eu lembro. Mas como eu vim parar aqui?
O policial apareceu na porta.
- E quem é ele?
Krista olhou para trás, conferindo se era mesmo quem esperava que fosse. O homem se aproximou da cama também e estendeu a mão na direção de .
- Sou o policial Jones. Ontem você pediu socorro, se lembra?
somente confirmou com a cabeça. Krista começou a explicar a situação.
- Ele que te encontrou na calçada ontem de noite, . Você estava desmaiada, e nem precisa me explicar porque eu já sei a razão. O fato é que a briga estava feia no BB² e te trazer para o hospital, além de ser o mais adequado para cuidar do ferimento da bala, também era o mais seguro.
- Entendi.
A garota deitada afirmou.
- Senhorita , preciso que me diga o que estava fazendo por ali aquela hora da madrugada. A senhorita tinha algo a ver com a briga?
se surpreendeu com a pergunta, mas explicou a ele o que havia acontecido. Pelo menos do seu ponto de vista; pelo menos o que não indicaria insanidade ao explicar. O policial se deu por satisfeito com as informações que recebera da jovem. Pediu que a enfermeira voltasse para verificar se a paciente estava em condições de receber alta, já que o tiro tinha sido de raspão. Vendo que ela estava bem, o homem se despediu e foi se retirar. Num segundo, a consciência praticamente limpa de mandou que ela contasse a verdade para a polícia. Que verdade?
Na manhã seguinte ao acidente de , a polícia retirou o carro da água e descobriu a identidade do rapaz que estava lá dentro. A namorada dele foi chamada a fazer o reconhecimento do corpo, mas não aguentaria, então sua irmã fez isso por ela. Depois, as duas foram levadas para a delegacia, a fim de prestarem esclarecimentos. Quando foi perguntado a como era sua relação com , ela até que contou sobre o ótimo relacionamento de ambos, mas omitiu a briga da noite anterior. Contou uma mentira perfeita. Disse que não fazia ideia da razão pela qual seu namorado havia saído de casa e nem o que tinha acontecido depois. Meias verdades. Quis manter a bela imagem de casal sem problema algum. Antes que o policial Jones pudesse atravessar a porta, chamou por ele.
- Sim?
Respondeu ele, voltando na direção da cama da garota.
- O senhor ficou a par do caso de ?
- O rapaz que sofreu o acidente na ponte?
Uma enorme vontade de chorar chegou a , mas ela não se permitiu. Engoliu a seco.
- Exatamente.
- Sim, eu soube. Por quê?
- Eu era a namorada dele. Tenho algumas coisas para contar, mesmo que sejam irrelevantes agora.
O policial pareceu mais interessado.
- Algumas coisas?
- É. Algo que eu mantive em silencio durante esse tempo, mas está na hora de contar. Eu estou me desfazendo de todos os meus segredos. Este será o último.
O policial Jones ouvia atento, mas não se moveu.
- Quando estiver pronta, pode começar.
abaixou a cabeça um instante, sorrindo para si mesma. Era esse o momento. Erguendo os olhos na direção do policial, ela diminuiu o sorriso e o chamou para mais perto.
- Venha. Eu vou te contar tudo.
Depois de contar tudo o que precisava, de esvaziar-se de seus segredos, estava pronta para recomeçar. O policial Jones foi embora, prometendo ajeitar tudo o que fosse necessário depois desse novo depoimento que ela dera. A garota se sentia livre, leve, solta. Feliz. Sua irmã permaneceu no quarto o tempo todo. Assim que o policial foi embora, Krista voltou-se animada para a irmã mais velha.
- Então, , por que não me contou a novidade? Eu entendo que você estava mal e tudo mais, mas eu tinha o direito de saber que seria tia!
Ela falava brincando e sorria contente. A outra não entendia uma palavra sobre o assunto que era falado.
- Como é? Do que você está falando, Kris?
Krista entendeu o que acontecia. não sabia de nada.
- Você não faz ideia, né?
- Er, eu acho que não.
Respondeu, irônica.
- ... Você está grávida. De quase dois meses.
não sabia se falava, se ria ou se chorava. Seu coração pulava incansável e seu havia sumido. Grávida? Quase dois meses? Não seria um filho de sua traição. Seria um filho do seu amor com . A continuação de um amor que agora ela sentia ser maior do que nunca. Um amor que perduraria pela eternidade.
Antes que pudesse receber alta, ainda fez alguns exames básicos. Pouco depois do meio-dia, ela e Krista saiam do hospital, indo até um parque que ficava perto do apartamento da mais velha. As duas irmãs ficaram passeando pelo parque enquanto contava a Kris tudo o que realmente havia acontecido na noite anterior; tudo aquilo que não pudera contar à polícia. Krista parecia estarrecida com o que ouvia. Não sabia se acreditava em toda a história sobre o falecido cunhado ou se procurava um psiquiatra para a irmã. Sentiu em seu íntimo que um médico não seria necessário; não estava louca. Pelo contrário, ela estava curada. Toda a depressão que desenvolvera parecia ter regredido de uma maneira espetacular, até sumir. Sua irmã estava de volta, e pronta para viver uma nova história. Melhor que isso, ela agora tinha motivos para prosseguir.
O passeio das duas se prolongou mais um pouco. Andaram até um banco sob uma árvore. Perto delas, em outro banco, uma mulher fotografava os filhos, que brincavam na neve, fazendo anjinhos no chão. ficou olhando para aquilo até perder a concentração nas palavras de Krista. Quer dizer então que dentro de alguns anos ela mesma estaria protagonizando aquela cena? Um novo sentimento aflorou na garota. O sentimento de ser mãe. Ela não teria ao seu lado, mas o teria em seu coração. Veriam com os mesmos olhos o novo amanhecer, o nascer daquele ser pequenino que crescia dentro de , seus primeiros passinhos e a primeira palavra a ser dita. Ela primeiro o ensinaria a dizer papai. Krista notou quão distante estavam os pensamentos de e a chamou, trazendo-a de volta ao presente.
- Você ouviu o que eu disse?
Meio sem graça, a mais velha abriu e fechou a boca algumas vezes, para depois terminar apenas negando com a cabeça. Krista riu.
- Tudo bem, vai.
- Perdão, Kris. Perdi-me em pensamentos observando aquilo ali.
Ela maneou a cabeça de forma que a outra entendesse que falava sobre a mãe com os filhos.
- Eu estarei com você quando tiver que cuidar desse baixinho.
A mais nova colocou a mão no ventre da irmã, acariciando sua barriga, enquanto a outra acariciava seu rosto. sabia que estaria amparada com Krista ao seu lado. Quebrando aquele clima de fraternidade, Krista se levantou, surpreendendo .
- Seguinte, agora que você sabe que precisa comer por dois, precisamos comer. Quer vir procurar algum lugar comigo?
Estendeu a mão para a irmã e esta olhou mais uma vez para a família que brincava.
- Obrigada, mas eu te espero aqui. Se importa?
Recusou, ainda meio incerta do que fazia.
- Claro que não. Trago algo para comermos por aqui mesmo. E não se preocupe, eu conheço o seu gosto.
Sorrindo, Krista deixou sentada no banco do parque e foi procurar por algum estabelecimento que vendesse algo quente e com sustância para alimentar a irmã. E o sobrinho, claro. Ela estava animada com a ideia de ser tia aos 23. Seria divertido, afinal. Enquanto Kris procurava por comida, observava aquela mesma cena. As crianças indo e voltando para a mãe, abraçando-a e verificando se sua diversão era bem retratada nas fotos. Depois, voltavam a desenhar anjos no chão, a montar bonecos e a fazer guerra de bola de neve. O sorriso que se formara no rosto da observadora não diminuía por um segundo sequer. Ela agora se via naquele mesmo momento, mas com apenas uma criança ao invés daqueles dois meninos e a menininha. Pensando nisso, qual seria o sexo de seu bebê? Seria uma garotinha alegre, divertida e extrovertida? Ou um garotinho brincalhão, bagunceiro e amoroso? Independente do rosto que teria, do sexo ou mesmo da cor dos olhos, já amava muito o pequeno ser que há tão pouco descobrira que crescia em si. Um pedaço de estava ali. Mais dele agora vivia dentro dela. Acariciando a própria barriga, ela deixou que sua última gota de saudade caísse.
- Sem mais segredos, meu amor. Não existem mais perfeitas mentiras para contar. Agora seremos eu e você. Nós vamos recomeçar, vamos escrever uma nova história. Essa vida anda muito entediante, não é? Vamos fazer algo melhor para nós dois. E o papai estará sempre aqui, ok? Dentro de nós.
Outra lágrima escorreu. E mais outra e outra. abraçou o próprio corpo, aquecendo-se. Desceu os braços até a barriga, tentando esquentar o local. Já não via a hora em que colocaria as mãos ali para sentir seu bebê chutar. Algo novo era iniciado. Algo diferente, lindo e preciso. Amor; muito mais amor. E uma sensação que seria sempre parte daquela garota:
- Liberdade, pequeno. É isso o que temos.

THE END

¹ Hemafobia: também chamado de hemofobia e hematofobia, é uma patologia psicológica caracterizada pelo medo exagerado ou irracional de ver sangue. Esta aversão é devido ao fato de, ao verem o sangue, lembrarem de suas vulnerabilidades a lesões e da eventualidade da morte, por isso tanto pavor. Além disto, o fato de haver sangramento indica que algo está errado com o corpo e isso causa uma série de sensações de pânico e ansiedade, e os portadores não podem sequer ver fotografias e filmes que contenham sangue. (Site: InfoEscola.) A personagem não entra em pânico, ela desmaia, por isso eu disse que é como uma hemafobia. Não é total, mas é um grande problema com sangue, então é quase.
² BB: abreviação do nome do bar fictício, Beer Bottle. Significa Garrafa de Cerveja e é mesmo sem sentido, mas todos os nomes em inglês são sem sentido, então não tem problema.

 

Comentários da autora



Queria contar a história da fic, pode? Ok, pode sim. (São 2h03 da manhã e eu resolvo contar história quando deveria estar dormindo para o meu primeiro dia de aula na escola nova. Ai, céus. Vamos lá.) Galere, eu mal sei por onde começar. Pra dizer bem a verdade, eu não ia escrever a fic. Desde o dia em que recebi o email com a música sorteada, venho tentado pensar em algo bom e sólido, mas não me veio uma luz sequer. Quando foi dia 23, quinta, eu tinha acabado de chegar da casa de uma amiga e me lembrei que só faltavam uns quatro dias pra entregar a fic do projeto. Me bateu uma vontade de tentar uma última vez. Sabe, que bom que eu fiz isso. Abri a letra, copiei a tradução e coloquei a música no repeat. A partir daí, comecei a ouvir e analizar o que eu tinha copiado, procurando um sentido naquilo tudo. Aos poucos, e vendo frase por frase, eu consegui bolar uma ideia. Crua, mas ainda assim era uma ideia. Fui ouvindo mais e mais a música, procurando sentimento na letra, e comecei a encontrar. Saí com e minha mãe para o centro de Guarulhos e fiz ela ouvir Secrets o caminho inteiro, contando pra ela o que eu tinha pensado. Ela me deu um monte de ideias, inclusive do tiro e da gravidez, e aí eu ia anotando tudo. Devo muito a ela. Só pra comentar, eu não costumo usar meu caderno de fanfics pra nada, é mais pra dizer que tenho, mas eu o usei dessa vez. Foi uma folha frente e verso para a letra da música, mais a frente de uma folha para as ideias (uma bagunça tão organizada, linda <3) e o verso das ideias e outra frente de folha para toda a estrutura da fic. Cara, eu nunca tinha feito isso na vida. Amei! Ok, e eu saí da história. Mas não tem importância. O fato é que a história cresceu dentro de mim de uma forma tão absurda que eu queria ter começado a escrever assim que cheguei em casa. Pena que tinha prometido pra mamãe que ia dormir cedo. Enfim. Dia 24 eu comecei a história e terminei nessa madrugada do dia 27. Eu queria muito agradecer à Bruna Villanueva, que enviou a música, pois Libertad se tornou meu amor verdadeiro, tanto quanto I'll Miss You. E foi a minha primeira fic que eu quase chorei, tô mega feliz! Bruna, valeu de verdade. Mas não é só a ela que eu devo agradecimentos. Tiveram algumas garotas (gatas lindas divas goxtosas) que fizeram um favorzão em ler a primeira parte de Lib. e que me encheram de elogios, que são a Mah, a Bia, a Nanda, a Leka, a G, a Pattie, a Jojo e a Mi. Meninas, vocês são demais! Lib. é pra cada uma de vocês! E, claro, como eu já disse, se não fosse pela minha mamis poderosa (gata linda diva goxtosa master), eu não teria feito o que fiz. Mãe, obrigada por sempre ler, opinar e me ajudar com as minhas fics. Você é a pessoa mais incrível e maravilhosa que eu conheço. (E a que tem a maior paciência, rs.) Ok, acabei. Esse comentário ficou maior que a fic quase. (Não, pera) De todo o meu coração, espero que vocês tenham gostado (e chorado muito, confesso), porque eu amei demais escrever Libertad. A propósito, a inspiração pra esse nome veio da versão em espanhol de Let It Go, música que a Demi canta para Frozen, e essa outra versão é cantada pela Martina Stoessel, chamada Libre Soy. Essa outra letra parece, pelo menos pra mim, muito forte, e me marcou bastante. Assim como a letra de Let It Go, é claro, mas tanto faz. No final de Libre Soy, a Martina canta "Libertad!" e eu achei isso lindo e até mesmo profundo, mesmo sendo pra uma animação da Disney. Ah! Antes que eu vá embora sem dizer. Tem uma frase que eu ouvi esses dias e que eu acho que é super a cara da história, mas eu esqueci que de colocá-la no meio da fic (Jones '-' sorry), então decidi falar aqui mesmo: "O problema não é cair, é não querer se levantar." Lembrem-se, viu? Ah! Bruna, eu não sei se você vai encontrar/entender todas as referências que eu fiz à letra da música ou se vai achar que a fic combina com Secrets. (Espero que sim, maaaas...) Como eu disse, analisei linha por linha da letra e a ideia que me veio foi essa. Espero que você tenha gostado! Última coisa, prometo! Não sei quantas GDs leram a fic ou quantas que conhecem McFLY leram, mas a Pattie, minha amiga linda e criativa, fez uma montagem do que ela imaginou com o policial Jones. Ela fez isso aqui. Ri demais e achei digno compartilhar! UAHUAHUAHUA E ok, falei o suficiente por todas as minhas fics. É hora de dizer tchau. Volto qualquer dia desses pra postar algo novo (ou atualizar Come Back, cof cof), mas, qualquer coisa, tenho twitter e email também, tá tudo lá em cima. Beijão, gatuxos. Obrigada pela atenção e por lerem esse comentário enorme, rs.
Xx, Liz.