Last Breath

Escrito por: Bella Silva - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Naty



Parte do Projeto Sorteio Surpresa - 9ª Temporada // Tema: Câmara de gás

Eu o esperava impacientemente do outro lado da cerca, onde nós judeus ficávamos porque Adolf Hitler nos fez acreditar que era o melhor, onde seriamos felizes com nossas famílias, estávamos errados. Em 1941 não era fácil ser judia, eu vivia no campo Belzec que é um dos sete campos para judeus, era o jeito dos legítimos alemães tirarem a ''sujeira'' do país, mas se eu não tivesse vindo para cá não o teria conhecido. Ele se aproximou de mim e perguntou o porque eu estava de pijama se já se passava das onze da manhã. Eu também me fazia essa pergunta, quando nos obrigaram a vestir estes pijamas listrados de branco e azul, muitos tiveram seus cabelos raspados por navalhas, eu consegui evitar isso usando uma touca também listrada que escondia meus enormes cabelos pretos e lisos, os quais ficou fissurado quando os mostrei pela primeira vez em uma noite que ele fugiu pela janela do seu quarto e ainda me trouxe um grande sanduíche. era filho do general, braço esquerdo de Hitler, encontrou este campo quando vagava pela trilha do rio a procura de alguma cachoeira e acabou me encontrando, levando um velho carrinho de mão. Ele vem quase todos os dias me ver, mas hoje era especial, ele viria pra me ajudar a achar minha mãe desaparecida há dias, tentaríamos procurar por dentro do campo e talvez em outros também. Em meus quinze anos de vida era difícil amar alguém que não se podia tocar, sempre quis um amor igual aos dos meus pais, mas depois que meu pai foi levado primeiro, minha mãe parou de se importar, e então ela se foi. Sentei-me no mesmo lugar onde esperava todos os dias, atrás de uma enorme rocha, consegui roubar um desse ''pijamas'' de tamanho um pouco maior para vestir e não ser notado pelos soldados, vi sua cabeleira chegando perto e não pude evitar sorrir, ele estava tão lindo, sorrindo com suas bochechas rosadas, e seus pequenos olhos transbordavam esperança. Ele chegou perto e eu joguei o pijama discretamente pela cerca.
- Acho que nós vamos conseguir encontrar sua mãe.
cavou com uma pequena pá um buraco com espaço suficiente para ele passar por baixo da cerca de arame farpado, ao acabar de cavar começou a se despir. Fechei meus olhos quando ele ficou apenas de roupas intimas, ouvi sua risada e então ele se arrastou pela terra até estar de frente para mim, me joguei em seus braços sendo bem recebida por eles.
- Precisamos ir, parece que vai chover.
Falei para o e ele saiu correndo pegando minha mão e entrelaçando nossos dedos, começamos a procurar pelos dormitórios, pelas pequenas cozinhas sujas onde as pessoas nos encaravam como se fossemos loucos, até os soldados começaram a nos guiar por trilhas de lama, e eu segurávamos em cercas de arame farpado que machucaram um pouco minhas mãos na tentativa de achar equilíbrio. Entramos em um enorme galpão onde tinha vários bancos e roupas iguais a nossas, eu ouvia pessoas gritando que era somente um banho coletivo e que deveríamos retirar todas as nossas roupas e deixar em cima dos bancos de concreto a nossa frente. já estava se despindo após ver um judeu levar um tapa no rosto de um soldado nazista, comecei a me despir devagar sentindo os olhos de em meu corpo já nu, o que era normal com quinze anos e hormônios a flor da pele, mas isso não me impedia de sentir minhas bochechas arderem, também não pude evitar reparar no corpo de que estava inteiramente nu pela primeira vez em minha frente. Nos empurraram dentro de uma espécie de câmara em que eu achava que iríamos levar jatos de água fria como da primeira e ultima vez em que estive em um lugar assim. enlaçou minha mão com força, olhei para ele e seu olhar encontrou o meu, lá tinha tudo o que eu sentia: medo, angústia, paixão, amor, carinho e esperança. Minha mão livre agarrou seu rosto, distribui um beijo em seus lábios macios, o qual retribuiu de bom grado. Uma espécie de gás começava a intoxicar o ar do pequeno e apertado ambiente, meus lábios não deixavam os de e então eu tive certeza que seria meu primeiro e último beijo, do meu primeiro e último amor eterno. Minha mente vagou pela vida que poderíamos ter tido, precisava de ar, contudo consegui dar um último suspiro ao meu amor.
- Eu te amo, .
- Eu te amo... - E então eu perdi meu ar, a escuridão me levava, mas a única coisa que vi foram seus olhos brilhando de paixão ardente quando fomos tomados pelo último suspiro.

 

Comentários da autora



--

Nota da Beta: Encontrou algum erro? Não use os comentários. Fale por aqui.