Keep it simple

Escrito por Beatriz Paino - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Natashia



Frio. Nunca vi ficar tão frio aqui desde meus 10 anos, e olha que Nova York sempre tinha invernos rigorosos. E pra melhorar, a neve insistia em cair, e já bloqueava a passagem dos carros na rua.
Eu estava voltando do supermercado a pé, já que ainda não tinha um carro, infelizmente, porque com a quantidade de compras que eu carregava, um carro viria a calhar. O vento que batia em mim estava me congelando, afinal apenas um vestido jeans, uma meia-calça e um cachecol não te deixam necessariamente aquecida. Odiava estar desprevenida para quedas bruscas de temperatura.
Ao chegar na porta da minha casa, coloco as sacolas no chão, agora coberto de neve, para pegar a chave, e ao fazê-lo, sinto alguém me cutucando.
- Hm, que foi? - perguntei fria e indiferente.
trabalhava comigo, e eu podia dizer que ele não era muito agradável comigo.
- Er, posso entrar com você? - disse bagunçando os cabelos, tímido. Céus, ele podia não ser a melhor pessoas do mundo, mas sabia se sexy, e como sabia.
- Por que eu deixaria você entrar em casa, ? - falei com desprezo.
- Porque meu carro está preso, eu não posso ir pra casa, e estou com frio. Por favor, eu sei que você também está morrendo de frio, quanto mais rápido você me deixar entrar, mais rápido eu te deixo em paz. Por favor, , prometo de vou me comportar...- fez uma cara de cachorro sem dono.
- Está bem. Entra ai. - revirei os olhos. Como alguém podia ser tão apelativo? abriu um sorriso. Um lindo sorriso. Abri a porta, pedindo que meu colega fizesse o mesmo.
- Vou ali na cozinha descarregar minhas compras. Se quiser ficar no sofá, fique, mas não ponha os pés na mesinha e não mexa nas minhas coisas.
- Calma , não ia fazer nada... Quer ajuda? - perguntou ao ver que eu tinha certa dificuldade de carregar todas as sacolas.
- Por favor. - dei um sorriso sem graça ao notar que o era um cavalheiro.
Ele pegou metade das minhas compras e me acompanhou até a cozinha e as colocou em cima da bancada que havia lá. ficou observando a cozinha, e às vezes a sala.
- Que foi? - perguntei com curiosidade.
- Sua casa é pequena, mas deve ser bem confortável.
- Pois é, eu gosto daqui. Não me imagino morando em outro lugar. - dei um suspiro. O silencio se instalou no ambiente, e eu estava ficando nervosa, então resolvi quebrá-lo.
- Erm, já volto. Se quiser ir para a sala e ligar a TV, tudo bem. - de onde eu tinha tirado tanta gentileza? Realmente, minha amiga tem razão em dizer que eu mude de humor tão rapidamente que é preciso ter muita paciência comigo.
Subi no meu quarto, e fui procurar uma roupa mais quente para usar. Depois de me trocar, peguei um cobertor e levei para a sala, entregando-o para .
- Obrigado. - falou sem-graça.
Apenas sorri e fui para perto da janela olhar a rua, e me assustei ao ver a quantidade de neve que havia se acumulado na rua nesse meio-tempo.
- , vem ver isso.
O mais velho ficou atrás de mim, e deu pra ver que este fez uma cara de espanto.
- Droga, e agora?
- Qualquer coisa você dorme aqui em casa, no quarto de hospedes, e tem algumas roupas do meu irmão por aqui, aí eu te empresto. - falei prestativa.
- Obrigado , se não fosse por você, provavelmente eu estaria dentro do meu carro, congelando.
- Por nada. E por favor, não me chama de , parece que estou levando uma bronca da minha mãe. Me chama de .
- Só se você me chamar de . - sorriu maroto pra mim, e eu retribui.
E o silencio voltou.
- Hm, ? Eu vou ali fazer um chocolate quente, vai querer também?
- Vou sim. Peraí, não quer que eu ajude?
- Não precisa, pode ficar ai mesmo. - sorri tímida.
estava sendo muito legal comigo.
Fui até a cozinha preparar os chocolates quentes. Depois, eu esperei um pouco para esfriar, afinal eu os tinha esquentado demais, e enquanto isso, eu me perdi nas meus pensamentos, e me assustei, já que o ocupava todos eles.
- Bu. - falando nele, olha quem aparece.
- Ai, caramba! - dei um pulo e me virei para , ofegando e com a mão no peito. - Sorte sua que não tenho problemas de coração - comecei a rir, e me nos braços de para não cair.
Passando algum tempo, nós dois ficamos sérios, e ficamos nos encarando. Eu estava ficando muito sem-graça com aquilo.
- Erm, aqui ta o seu chocolate. - entreguei uma canela para ele, que a devolveu na bancada, pouco tempo depois, sem ter bebido nada.
começou a me encarar, e eu tinha a impressão que sua visão era de raio-x, e aquilo estava me incomodando um pouco.
Abaixei a cabeça, constrangida, mas a levantou, segurando meu queixo. Ele começou a mexer nos meus cabelos, e foi aí que percebi que completamente encurralada, exatamente entra e a bancada.
Antes que eu pudesse falar alguma coisa, ele me beijo. No inicio, era um beijo urgente, estávamos desesperados pra sentir um ao outro, mas depois este se tornou um beijo doce e calmo, e não me segurava mais com força, e sim com carinho.
Meu cérebro falava que aquilo não era o certo, mas meus sentimentos me mandavam ir em frente, então dane-se minha consciência, no momento não existia certo nem errado pra mim, e garanto que para ele também não.
Não sei o que deu em mim, mas subi as escadas e entrei no quarto com - tudo isso sem interromper o beijo - e deiteipor cima dele em minha cama.
Quando - finalmente - paramos o beijo, estávamos completamente ofegantes, e sem tertido tempo de respirar, ele trocou nossas posições, ficando em cima de mim, evoltando a me beijar, desta vez alternando os beijos entre meus lábios e pescoço.
De repente ele parou e ficou me encarando, olhando os meus olhos.
- Eu te quero. Eu preciso de você. - falou serio para mim, e apesar do calor dasituação, eu sento um leve arrepio ao ouvir aquelas palavras.
- Eu também. - foi a última coisa que eu lembro de ter falado antes de começarmos anos despir.

Estávamos nus, enrolados nos meus lençóis, abraçados, e em silêncio, apenas ouvindonossos corações em ritmos sincronizados e um sentindo a presença do outro. Resolviquebrar este silêncio.
- Como vamos ficar? - me virei para encara ,que se assustou, pois provavelmente estava detraído passando a mão nos meus cabelos.
- Gripados, se não colocarmos uma roupa logo. - apesar de ser algo sério, ele vemcom piadas, e pra piorar, eu achei graça.
- Não, seu bobo. Quero dizer, nós, sabe? Juntos, ou fingimos que nada aconteceu?
- Por mim a gente ficava aqui pra sempre, e nem precisaríamos dar satisfações aninguém.
- ! Tô falando seio, poxa! - ele estavacomeçando a me irritar.
- Desculpa, . Então, sobre nós, eu acho que émelhor a gente tem que pensar no que é melhor pra cada uma antes de qualquer coisa.Mas se eu tivesse que tomar uma decisão agora, é obvio que eu ficaria com você. ?sorriu pra mim e de um beijo na minha testa.
O maldito silêncio voltou. Já cometei que o silêncio é um barulho assustador?Quando eu decidi me levantar, me puxou praperto dele e me prendeu pela cintura.
- , fica aqui comigo. - argh, odeio quando elefaz essa carinha de cachorro se dono, eu sempre cedo. Assenti, e ele me puxou paraum abraço, me beijando em seguida.
- , a gente precisa de um banho quente, senão agente vai ficar gripado. - interrompi o beijo, e falei séria, o impedindo de mebeijar de novo.
- Ok, você é a dona da casa, então vai primeiro. - homens gentis como ele nãoexistem mais.
Tomei o meu banho bem rapidamente, vesti o meu pijama habitual, e fui para o meuquarto. Pedi a que fosse tomar banho também,enquanto eu trocava os lençóis e colocava alguns cobertores.
saiu do banho, mas ele chegou no quarto comuma toalha enrolada na cintura, e não pude evitar de olhá-lo da cabeça aos pés. Eleera realmente bonito.
- , quer parar de me olhar e me dar umaroupa? - disse rindo sem jeito pra mim.
Fui ao quarto de hospedes e peguei algumas roupas que meu irmão esquecera lá antesde se casar, e não havia ido buscá-las ainda. Também achei uma boxer novinha em cimada poltrona que havia ali.
Voltei ao quarto e me deparei com um seminupraticamente dormindo sentado na minha cama.
- , toma essas roupas, estão todas limpas. Seveste rápido e vai dormir. - sussurrei para não assustá-lo.
Virei o rosto e esperei ele se trocar. Quando este terminou, deitou na cama, mepuxou e nos cobriu.
- Queria ficar assim pra sempre com você. - falou fofo para mim, me puxando pra maisperto e acariciando o meu rosto.- Eu também. - sussurrei e em seguida selei os nossos lábios.
Ficamos assim por um bom tempo até adormecermos, cada um de acordo com a suaexaustão. E posso dizer que aquela foi a noite mais quente desse inverno, e quedepois desta, viriam e ainda virão muitas e muitas outras noites assim.

 

Comentários da autora



Gente, finalmente uma fic minha aqui, nossa que orgulho. *-* É a primeira fic que eu finalizo. Terminei em duas semanas mais ou menos, mas só to mandando agora. D: E faz tempo que eu tenho ela no pc, é eu sei, enrolei muito. Mas enfim, eu achei essa fic tão bonitinha. *-* Eu tive a ideia no meio de uma aula de química, e não pude deixar de descartá-la. Comentem, critiquem, e se quiserem, aqui ta meu twitter: @heybeea (: