Just Kiss Me Slowly

Escrito por Miika - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Feer Diniz



Com os olhos fechados apertadamente, passei os dedos entre meus cabelos e suspirei pesadamente. Sentia tanto a falta dela…

“Fique comigo, fique comigo amor
Não me deixe sozinho esta noite
Caminhe comigo, venha e caminhe comigo
Para o limite de tudo o que nós conhecemos”

- Como você pôde fazer isso comigo? - ela disse em uma tentativa falha de berrar, mas sua voz era fraca e rouca por se esforçar para segurar as lágrimas.
- Eu não fiz nada, eu juro! – minha voz não estava muito diferente da dela, apesar de estar um pouco mais elevada – Ela me agarrou, . Eu… Eu tentei afastá-la, mas não quis empurrá-la. Iria machucar.
- Então preferiu me machucar, ? – disse, arqueando uma sobrancelha – Dói tanto, dói muito. – ela colocou uma das mãos na boca, abafando seus soluços.
- , eu… – me aproximei, abrindo os braços para abraçá-la, mas, como previsto, ela se afastou, andando de costas até chocar-se com a parede.
- Não encosta em mim – balançou a cabeça de um lado para o outro e escorregou parede a baixo. Juntou os joelhos e os abraçou, colocando o rosto entre os mesmos – Eu confiei em você…
- E eu já disse que não traí sua confiança! Você precisa acreditar em mim, por favor… - sussurrei a última parte e nós ficamos em silêncio, exceto pelos soluços frenéticos e profundos de .
- , eu… – ela deixou a frase no ar durante um tempo, e isso me fez observá-la – Eu não consigo – ela murmurou por fim.
Franzi o cenho com a boca boquiaberta de incredulidade. Então era isso? Ela não acreditaria em mim e ponto final? Alguns segundos depois, ela olhou nos meus olhos pela primeira vez naquela discussão, tão profundamente que me senti culpado pela sua dor.
– Eu não consigo – ela repetiu, dessa vez mais claramente e em um tom mais autoritário.
usou a manga do meu moletom que estava usando para secar as lágrimas, levantou e suspirou pesadamente. Depois de um tempo caminhou até um canto da sala e pegou sua mochila da faculdade que estava jogada no chão. E eu continuava lá, parado como um babaca que não conseguia pensar em nada para fazer ou dizer. Dei uma risada fraca e insegura.
- Você não pode estar falando sério – meu sorriso se desfez quando seus olhos voltaram a marejar e ela se virou para a porta. – … Você vai jogar três anos fora? E tudo aquilo que eu te disse, tudo aquilo que você me disse? Todos os “eu amo você” não valeram de nada? Eu te amo, e assim será até o último dia da minha vida, e até depois disso. Nada nem ninguém pode mudar o que eu sinto por você – nesse momento, nós dois já estávamos chorando novamente. Ela caminhou até mim e colocou a mão em meu rosto.
- Você sabe que te amarei para sempre – acariciou meu rosto tranquilamente, suas unhas arranhando minha bochecha levemente. – Eu te amo – sua voz saiu embargada e ela beijou meu rosto.
- E eu te amo… – segurei seu rosto entre minhas mãos.
- Não piore as coisas – disse por fim, tirando minhas mãos de seu rosto e caminhando até a porta.
- Não, , por favor… – sussurrei, mas já era tarde demais.
Sentei-me no sofá e fitei a porta por muito, muito tempo. Aquilo não podia estar acontecendo. Ela tinha apenas… Ido embora e me deixado aqui. Ela tinha ido, pensando que não a amava, pensando que a tinha traído. E só de pensar que tudo isso aconteceu, porque fui idiota por não ter empurrado aquela droga de garota que eu não faço a mínima ideia de quem seja, tenho vontade de me esmurrar. Pela falta de um ato tão simples, perdi o que tinha de mais importante na minha vida.

“Eu posso te ver lá com as luzes da cidade
14º andar, olhos azuis pálidos
Eu posso respirar você
Duas sombras ao lado da porta do quarto
Não, eu não poderia te querer mais do que naquele momento
Em que nossas cabeças se aproximaram
Bem eu não tenho certeza do que isso vai ser
Mas com os olhos fechados tudo o que vejo
É a linha do horizonte pela janela
A lua acima de você e as ruas abaixo
Prendo minha respiração quando você está se movendo
Saboreio seus lábios e sinto sua pele
Quando a hora chegar, não tenho pressa, amor
Apenas beije-me lentamente”

tinha acabado de chegar da , pois tinha ido visitar sua família. Durante sua viagem, comprei um apartamento novo e ela ainda não o tinha visto. Quando a busquei no aeroporto, levei-a para o meu prédio. Chegamos lá e eu a mostrei cada cômodo, incluindo o quarto de hóspedes, dizendo que esse último podia ser ocupado por ela sempre que quisesse. Á propósito, nós éramos apenas melhores amigos.
- Caraca, seu apartamento é muito maneiro! – ela disse com um sorriso divertido nos lábios.
- Você não viu nada – disse convencido. Ela me deu um tapa leve. – Ouch!
- Vai me dizer que tem Nárnia no seu guarda-roupa? - disse sarcástica.
Nós começamos a rir e ela jogou a cabeça para trás, fechando os olhos enquanto gargalhava. A observei com um sorriso bobo nos lábios. A puxei subitamente para mim, fazendo-a se chocar contra meu corpo e a abracei. Ela ficou na ponta dos pés por conta da baixa estatura. Eu ri baixo e ergui seu corpo para ajudá-la. Senti suas mãos acariciando meus cabelos, enquanto a outra buscava apoio em meus ombros.
- Senti sua falta – disse contra seu pescoço enquanto inalava seu perfume de avelã e amêndoa. É, nós éramos bem próximos.
- E eu a sua – respondeu. – Me lembre de levá-lo comigo da próxima vez – rimos novamente. Isso é uma das coisas que sempre amei nela. Ela sempre conseguia me fazer rir com tão pouca coisa!
- Bem, eu não tenho Nárnia, infelizmente, – ela soltou um resmungo de desapontamento - mas tenho uma vista extraordinária na sacada do meu quarto, se quiser vê-la… – disse próximo ao seu ouvido.
- E o que você está esperando? Vamos logo! – disse, me soltando rapidamente.
- Argh, odeio ser trocado por paisagens – resmunguei brincando enquanto a puxava pelo pulso e ela ria.
Chegamos no meu quarto e paramos em frente à cortina.
- Feche os olhos – e assim ela fez.
Eu abri a vidraça logo após puxar a cortina e, de imediato, uma brisa gelada nos atingiu. A puxei para dentro da sacada.
- Pode abrir agora – disse, encarando-a.
- Ca-ra-ca. – ela sibilou num sussurro.
Ela tinha razão. A vista era realmente encantadora. Não era uma praia, nem montanhas ou qualquer outro tipo de paisagem natural, e sim uma boa e enorme parte de . As luzes iluminavam o décimo quarto andar que, a propósito, era o último e onde eu morava. Ao olhar de relance para , pude ver seus olhos azuis ficarem pálidos na luz dos postes elétricos. Cara, nunca a vi tão bonita, e olha que ela é simplesmente linda, não dá para negar. Respirei fundo e senti seu olhar sobre mim.
- , isso é… Isso é lindo – disse e me encarou com a boca semiaberta.
- É… Eu sei – sorri com o canto dos lábios.
Estávamos tão próximos que se não fosse pela brisa leve que nos atingia frequentemente, acho que poderia sentir a respiração quente de em minha boca. Seus olhos foscos me hipnotizaram, e eu só voltei ao normal quando meus lábios encontraram os dela. Sem hesitar, apertei sua cintura e a puxei para mais perto de mim. Suas mãos pararam em minha nuca enquanto ela me puxava, e em alguns momentos, suas unhas arranhavam meu pescoço ou seus dedos davam leves puxões em meus cabelos. Depois de um tempo, pedi permissão para explorar sua boca e ela cedeu, e logo minha língua estava acariciando a dela, de forma que podia senti-la apertando meus ombros com força. Às cegas, a levei para dentro do meu quarto e a prensei contra a parede.
Não, eu não poderia a querer mais do que naquele momento e eu nunca a desejei tanto quanto naquela noite.

“Fique comigo, fique comigo amor
Não me deixe sozinho esta noite
Ela me mostra tudo o que costumava conhecer
Molduras e estradas rurais
Quando os dias eram longos e o mundo era pequeno”

- Cara, isso é tão legal! – ela disse quando apontou para um quadro de um pintor que eu não faço ideia de quem seja, e saiu correndo para vê-lo de perto. Revirei os olhos, dei uma risada baixa e fui atrás dela.
- Amor, consegue parar de correr todas às vezes que vê uma pintura qualquer por aí?
- Uma
pintura qualquer? – ela frisou, e me fuzilou indignada e um pouco irritada. – Isso aqui não é uma pintura qualquer, . Pintura qualquer era aquilo que você fazia no jardim de infância e sua mãe pendurava na geladeira com imãs. Isso é uma verdadeira obra de arte, entendeu?
- Tá. Tá legal, obra de arte, sem problemas. Desculpe-me – disse um pouco amedrontado. Sim, eu tenho medo dela. Ela é meio sinistra quando quer, e você não tem ideia do quanto os tapas, chutes e socos dela doem, beleza?
- Desculpado – ela me olhou com ar de superioridade e voltou-se novamente para a “obra de arte” que, na verdade, continuava sendo nada para mim.
- Estou com fome… – disse logo depois de ouvir minha barriga roncar.
- Legal – ela disse fria e sem me dar atenção.
- Ah, qual é?! Vai ficar bravinha comigo agora? – eu perguntei e cruzei os braços, erguendo uma sobrancelha para ela.
- Algum problema em relação a isso? – ela me imitou e ficamos nos encarando. Eu cedi e sorri primeiro, a puxando pelos braços cruzados e a abracei, distribuindo beijos por todo o seu rosto.
- Ah, , qual é? Eu só estava brincando – ela me olhou, com a expressão de que não acreditava em mim. – Ok, eu não estava brincando, mas eu não falei por mal. Desculpe se eu sou burro pra caramba e não entendo as coisas que você gosta – disse. Me humilhar era uma das únicas maneiras de conseguir ganha-la de novo. É, ela era uma garota difícil, e isso só me faz amá-la mais. – Vai me desculpar ou não?
- Tá, – ela revirou os olhos e eu a abracei, beijando seu pescoço. Ela ria descontroladamente, até que um dos seguranças nos mandou ficar quietos. – Certo, nos desculpe – ela respondeu, e me olhou brava outra vez.
- Não começa – sorri e a puxei pela mão, saindo da galeria e entrando no carro. Dirigi ao som de Summer, do Calvin Harris, enquanto nós cantávamos loucamente e ela balançava os braços. – Você pode, por favor, tirar os pés do painel? – gritei por cima da música alta.
- Não! – ela gritou de volta e deu uma gargalhada alta, o que me fez balançar a cabeça de um lado para o outro com um sorriso nos lábios. Avistei uma 7-Eleven e estacionei em uma vaga um pouco afastada da entrada da lanchonete. Nós descemos do carro e eu fui até ela para pegar sua mão. Entramos no estabelecimento e sentamos em uma mesa estilo anos 60, um ao lado do outro.
- O de sempre? – perguntei a ela, que só resmungou um “uhum” e voltou a olhar pela ampla janela. Logo uma garçonete veio nos atender e eu fiz o pedido. – O que está olhando? – perguntei, olhando através da janela como ela.
- Essa rua costumava ser uma estrada rural – ela disse, e me encarou.
- Como assim? Você quer dizer “estrada rural” com vacas pastando, e plantações de trigo e milho para todos os lados? – perguntei, estreitando os olhos.
- O que? Não! – riu um pouco. – Quero dizer que ela não tinha comércio. Lembro-me de ter visitado parentes distantes algumas vezes quando era pequena. Ali - ela apontou para um local onde, agora, um Pet Shop tinha sido construído – costumava ser um parquinho. Meu primo, Luke, costumava me trazer aqui todas as vezes que eu os visitava – ela deu um sorriso fofo e deitou em meu ombro. Eu rodeei os seus ombros com o braço esquerdo e acariciei seu braço que estava próximo à janela, depositando um beijo em seus cabelos.
Logo nossos pedidos chegaram. Nós comemos, conversamos, pagamos a conta e fomos embora.

“Ela desmoronou junto ao que foi desfeito
Quartos separados e corações partidos
Mas eu não serei aquele que deixa você ir”

Cheguei do trabalho e estacionei o carro na garagem do prédio. Entrei no elevador, apertei o botão do último andar e esperei chegar nele. Andei até o fim do corredor e destranquei a porta, entrando em meu apartamento.
- Princesa? – a chamei, mas não obtive resposta. - ? – chamei novamente, mas ela não respondeu. Ouvi um barulho de algo quebrando na cozinha e fui até lá.
A encontrei de joelhos no chão, a torneira estava aberta, a pia cheia de espuma e louça para lavar, e o chão cheio de vidro quebrado. Ela estava pegando os cacos com a mão.
– Deixa que eu pego – disse me aproximando. Fechei a torneira e me abaixei junto a ela, abrindo suas mãos e pegando os vidros. Vi que uma de suas mãos estava cortada e saia sangue do machucado. – Droga, – praguejei baixo e segurei suas mãos pelas costas das mesmas. – Vem, vamos dar um jeito nisso – a puxei e nós subimos as escadas, indo para o banheiro do nosso quarto. Ela se sentou na privada e eu comecei a fazer o curativo em sua mão. – Está tudo bem com você? Não disse nada desde que cheguei – a encarei e ela continuou olhando para sua mão.
- Você esqueceu de novo, – ela disse baixo. – Falei sobre isso a semana toda, e você esqueceu.
- Esqueci? Esqueci o que? – perguntei confuso e parei de cuidar de sua mão para prestar mais atenção nela. Ela deu um riso de incredulidade e balançou a cabeça suavemente.
- A e o vieram jantar aqui, mas você não estava. Eles vão viajar e ficarão três meses fora – bati a mão na testa e bufei.
- Droga. Não acredito que me esqueci. Eu estive tão ocupado essa semana, e…
- Você prometeu que iria dar um jeito, .
- É eu sei, mas… – balancei a cabeça. – Me desculpe, sério.
- Será que você consegue fazer alguma coisa certa para não ter que se desculpar depois? – ela me encarou e se levantou, indo para o quarto.
- Ah, desculpe se eu sou humano, Srta. Eu Sou Perfeita Em Tudo – disse sarcástico e a segui.
- Eu não sou perfeita, mas me esforço para te agradar, 'tá legal? – ela colocou as mãos na cintura e se virou para mim. – Que droga, ! – sua voz começou a se alterar. - Você nunca dá atenção para o que eu falo. Eu peço para você me levar no show da minha banda favorita, e o que você me diz quando chega em casa e me vê pronta para realizar um dos meus sonhos? “Desculpe, . Esqueci de comprar os ingressos”. Eu peço uma carona para o trabalho, você chega super atrasado e diz “desculpe, amor. Saí com os garotos e esqueci completamente de te levar”. Meu irmão vem nos visitar e eu peço para você ir comigo busca-lo. “Nossa, desculpe, princesa. Jurava que ele chegava as sete”. Eu te esperei por três horas, ! Será que você consegue me escutar pelo menos uma vez?
- Nada que eu faço está bom para você! – gritei. Ela deu uma risada alta e sem humor algum.
- Se você pelo menos fizesse alguma coisa estaria bom!
- Claro, me esqueci que você paga a minha faculdade! Me esqueci que você sai de casa às 6 da manhã para enfrentar um transito do cacete por duas horas para ir trabalhar! Esqueci que você tem que aturar o filho do seu chefe porque aquele pirralho tem implicância com você! Esqueci que você sai do trabalho com dor de cabeça todo o dia e ainda tem que ouvir o namorado gritando com você porque você dá um duro danado para ele não precisar passar pelo que você passa! – fiz uma expressão falsa de que estava me lembrando de alguma coisa. – Ah, é. Esse sou
eu!
- Eu não te obrigo a me sustentar, você faz isso porque quer! – ela começou a chorar e tive que me obrigar a não ir abraçá-la e permaneci na minha posição. Eu não iria ceder dessa vez.
- Faço isso porque te amo e porque não quero que você tenha que fazer faculdade e trabalhar todo o dia!
- Não finja que se importa! Não finja que liga para o que eu passo ou deixo de passar!
- Eu me importo, droga! Será que você não pode dar o braço a torcer pelo menos uma vez na vida? – ela fechou os olhos com força, passou a mão no rosto e respirou fundo.
- Quer saber? – ela perguntou para ninguém em especial. Andou até o seu lado na cama e pegou seu travesseiro e um edredom no baú ao pé da cama. – Tenha uma boa noite - abriu a porta e saiu do quarto.
- Aonde você vai? – perguntei suavemente, me arrependendo aos poucos pela minha atitude. Ela parou de costas.
- Vou dormir no quarto de hóspedes – ela disse por fim e caminhou até o seu destino. Andei até a porta.
- Por que não dorme comigo? - Porque o apartamento é seu! – ela gritou e ouvi a porta bater.
Bufei e troquei de roupa, colocando uma calça de moletom e ficando sem camisa. Me deitei na cama e rolei na mesma até as três horas da manhã ouvindo os soluços de . “Droga, ”, pensei e me levantei da cama, abrindo a porta do quarto e andando até o quarto de hóspedes, onde abri a porta do mesmo e adentrei o cômodo. Ela estava encolhida em um canto do quarto, no escuro, seus soluços incansáveis sendo soltos pelo ar.
- Amor… – disse suplicante, e isso só a fez se encolher mais.
- Vai embora, – ela disse com a voz embargada. Aproximei-me dela e ergui seu corpo contra a sua vontade, abraçando-a.
- Eu não serei aquele que deixa você ir… – sussurrei contra seu ouvido e ela me abraçou apertadamente.

“Não fuja
E é difícil amar de novo
Quando a única forma que tem sido
Quando o único amor que você conhece
Simplesmente foi embora
Se é algo que você quer
Querida você não tem que fugir
Você não tem que ir
Apenas fique comigo, fique comigo amor”

Respirei fundo e abri os olhos. Eu não aguentaria ficar mais um dia me torturando sem ela. Levantei-me e peguei uma Varsity Jacket que estava jogada sobre o criado-mudo, vestindo-a e saindo do quarto em seguida. Fiz todo o percurso até o carro, entrando no mesmo e dirigindo pelas ruas até a casa de e , onde eu sabia que ela estaria. Ela não tinha outro lugar para ficar desde que a convenci a morar comigo e vender sua parte em seu antigo quarto no campus. Estacionei o carro e desci, caminhando até a porta da casa do meu melhor amigo e tocando a campainha. Depois de alguns segundos que, na verdade, parecera à eternidade, atendeu e se apoiou na moldura da porta com os braços cruzados, me encarando irritada.
- O que você está fazendo aqui? – ela perguntou com seu tom de voz frio.
- Olha, … – eu bufei, passando a mão pelo rosto.
- É para você. E, além disso, eu estou muito ocupada, quem sabe outr… – ela disse com o mesmo tom e eu fechei os olhos com força.
- Por favor… – disse suplicante, minha voz saiu mais fraca do que eu desejaria. – Se eu ficar mais um segundo sem ela, eu…
- E quem te garante que ela está aqui? – ela perguntou. Sua voz subiu uma oitava, e eu descobri no mesmo segundo que ela estava mentindo.
- Não se faça de tonta, . Nós dois sabemos que você é a única pessoa que ela recorreria em qualquer situação, principalmente nessa – a encarei e, pela expressão dela, deduzi que eu estava com a típica cara de “cachorro que caiu do caminhão de mudança”. – Por favor… – disse baixo.
- Não fui eu quem te deixei entrar – ela sussurrou e saiu da porta, me dando passagem. Eu sorri e a abracei. – Tá legal, já pode me soltar – ela disse de um jeito fofo. – Quarto de hóspedes.
- Obrigado, obrigado, obrigado! – subi as escadas correndo, mas ainda pude ouvi-la resmungando um “Eca!” e ri.
Parei em frente ao quarto de hóspedes e bati na porta. Ela abriu a porta e eu simplesmente fiquei parado, sem mover um músculo. Ela estava usando a calça de flanela do Batman que eu tinha dado a ela e meu moletom dos The Beatles, o mesmo moletom que ela usara na noite em que foi embora. Seus olhos estavam inchados e com profundas e escuras olheiras, e parecia que ela não tinha penteado o cabelo desde que acordara. Ela me encarou por alguns segundos, e bateu a porta na minha cara.
- … – bati na porta mais algumas vezes.
- O que é? Quem foi que te deixou entrar? - ela gritou e pude perceber pela rouquidão de sua voz que ela estava chorando.
- Hãm… Juro que não foi a ! – disse sem pensar, percebendo depois que tinha acabado de dedurar minha cúmplice. Ela iria me matar. Pude ouvir xingando a amiga do outro lado da porta.
- Me deixe em paz. Já não bastou me fazer sofrer naquela noite, quer piorar ainda mais a minha situação? – ela gritou novamente.
- Por favor, você tem que acreditar em mim! – forcei a maçaneta da porta até conseguir quebra-la e empurrei a porta, entrando no quarto e encontrando-a jogada de bruços na cama. Sentei-me ao lado dela e toquei sua cintura, fazendo-a rolar para o lado e se afastar de mim. – , eu… Eu nunca faria nada que pudesse te magoar e você sabe disso – esperei uma resposta, mas não obtive nenhuma, então continuei falando. – Eu sei que você me quer tanto quanto eu a quero. Eu sei que tudo o que dissemos não foi em vão. Eu sei que você não quer ir, e você sabe de tudo isso tanto quanto eu sei. Você não tem que ir,
- … – ela disse em um suspiro e se virou para me encarar.
Seus olhos azuis estavam pálidos como naquele dia, como no dia em que percebi o quanto eu a amava, como no dia em que percebi que ser só seu melhor amigo não bastava, como no dia em que percebi que independentemente do que acontecesse, eu não conseguiria suportar perde-la. Arrastei-me até ela, e dessa vez ela não se moveu, apenas ficou lá, vendo eu me aproximar dela. Ela não se moveu quando eu envolvi sua cintura com meus braços, e nem quando eu segurei seu queixo e ergui seu rosto em minha direção. Ela tocou meu rosto com a ponta dos dedos e o acariciou, fazendo meu coração saltar freneticamente. Durante essa semana, todo o meu corpo passou a sentir falta dela.
- Eu não tenho certeza se isso vai passar, mas nesse momento tudo o que eu sei é que eu não posso ficar sem você nem um segundo da minha vida – disse e nós suspiramos em uníssono. - Apenas fique comigo. Fique comigo, amor – sussurrei em seu ouvido, e pude sentir os pelos de seus braços se arrepiarem.
- Eu não irei a lugar nenhum sem você – ela respondeu e sorriu, o sorriso que eu tanto sentia falta.
Eu retribui o sorriso e me inclinei em sua direção, finalmente a beijando depois de tanto tempo. Ela moveu seus lábios contra os meus da forma mais doce que já tinha feito, sua língua espalhava choques elétricos por todo o meu corpo todas as vezes que encontrava a minha. Perdemos o fôlego rapidamente e nos separamos para recuperá-lo. Rolei para cima dela e a prendi contra a cama, olhando em seus olhos.
- Eu te amo,
- Eu te amo mais que isso – beijei seu pescoço e murmurei contra ele: - Me descul… – ela me interrompeu, colocando o indicador em meus lábios para pedir silêncio.
Ela levantou meu rosto e seu olhar era suave sobre mim.
- Apenas beije-me lentamente.

Fim...

 

Comentários da autora



Sinceramente, eu amei escrever essa fiction. Kiss Me Slowl é a minha música favorita do mundo inteiro, mesmo eu não sendo fã da Parachute, então super recomendo. Vocês não têm noção de quanto tempo eu demorei pra terminar e postar essa fic! Eu já tinha o comecinho dela escrito a mão, mas me esqueci completamente dela, até que resolvi fazer uma pasta de fictions para me organizar melhor (tenho vários projetos, fics não começadas, não postadas e etc, acreditem. Prometo me organizar melhor para postar pra vocês, okay? :3) e a encontrei. Demorei para escrever porque a criatividade estava em greve, e quando finalmente consegui, bateu um medo enorme de enviar - isso é coisa minha: eu sou muito perfeccionista e sempre quero mais de mim. Por mais que eu me esforce, por mais que todos digam que eu fiz um bom trabalho, eu nunca estou satisfeita. Uns acham defeito, outras qualidade... Mas eu sou assim, uai kadakdkdakd. Mas até que essa fic me deixou satisfeita, amo ela de paixão <3 – e blá blá blá. Quando eu tomei coragem, a Internet simplesmente bugou e eu fiquei 2 meses sem ela, aaaaaah :’(. Depois de tantos empecilhos e coisa e tal, cá estou eu com a minha fiction, kdakdskdadk. Bom, eu espero de todo o meu coração que vocês tenham gostado. Não deixem de comentar, isso ajuda e motiva MUITO um escritor. Contatos (se quiserem o whatsapp, passo por DM ou Facebook):
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