Just Give Me a Reason

Escrito por Julia Massotti - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Pepper



Parte do Projeto Songfics - 4ª Temporada // Música: P!nk ft Nate Ruess - Just Give Me A Reason

P.O.V.

Eu não entendo... Realmente não entendo... Tudo aconteceu tão de repente, um dia eu estava quebrada, sozinha, perdida e então ele apareceu e com apenas alguns toque ele me consertou. Todas aquelas partes que não eram tão bonitas... Eu as mostrei, na verdade, eu me abri para ele, contei todos os meus segredos, minhas dores, minhas perdas e ele as aceitou e as concertou, ele me mostrou que eu não estava quebrada de verdade como eu pensava, eu não era um caso perdido, era apenas uma garota precisando de ajuda... Ele beijou cada uma das minhas cicatrizes e as curou. Apenas aquele sorriso fazia isso comigo, eu só me sentia viva com ele...
Basicamente ele foi um ladrão e eu fui sua vítima condescendente, apenas deixando que ele levasse meu coração com ele e fugisse. Mas eu não me arrependo, mesmo depois de tudo eu ainda o amo, mas ele não tem noção do quanto. Ele às vezes me trata com se eu fosse uma criança idiota e que precisa de algum adulto por perto para não fazer besteira. Ele não entendo tudo o que aconteceu (e acontece) comigo, ele finge entender mas no final ele ajuda.
E tudo foi perfeito, ele me pediu em namoro e eu aceitei... Os 2 melhores meses da minha vida, mas então tudo desmoronou e começamos à brigar. Ele parou de me contar os seus problemas e começou à ficar sozinho me ignorando, e doía, machucava. Mas ele não dava mais bola, todas as promessas, os juramentos... Tudo foi jogado para longe quando ele começou à ter seus problemas e não se abrir para mim... Ele provavelmente acha que se fizer isso eu vou voltar à fazer idiotices.
Mas eu notei tudo... Ele começava à chegar em nossa recém comprada casa e ir se deitar sem mesmo deixar um "boa noite" para mim, ele começou à chegar em casa tarde com cheiro de bebida e cigarros, okay, eu entendi. Pressionei ele à contar mas ele mudou de assunto, e simplesmente se levantou e foi embora. Eu ainda o amo, mas será que eu conseguiria fazer ele aprender a amar de novo? Ele não parece mais saber disso. Ele fala comigo sem me olhar nos olhos, grita, briga e anda por aí com terríveis olheiras.
Eu até chego à pensar que ele já teve o bastante do nosso amor e se cansou, mas então eu penso novamente e desisto. Eu não sabia o que fazer até ele começar à falar durante o sono, eu não sabia o que era... Eram palavras balbuciadas e tremidas, como: "Medo." "Morte." "Dor.", e isso começou à me assustar mas eu fiquei quieta... Ele se abriria quando ele estivesse pronto, não?
E as brigas "casuais" pioraram, e muito. Qualquer coisinha ele ficava agressivo, ele começou à emagrecer... Perdeu os músculos, começou à definhar e seus ossos ficaram mais salientes, e por mais que ele não imaginasse isso doía em mim. Mas tudo o que eu fazia era em vão, eu aguentava tudo com um sorriso no rosto. E cada vez mais nasciam cicatrizes no meu coração, a cada coisa que eu descobria durante o seu sono e que ele não me contava me aterrorizava mais... Eu comecei à entender, e comecei à pesquisar... Eu não podia deixa-lo de maneira alguma.
Afinal, se você ama alguém, você não pode deixa-lo ir tão fácil.

P.O.V.

Mais um dia de trabalho cansativo, mais um dia onde meu chefe gritava e deixava todos de mal humor. Eu não estava mais aguentando isso, mas hoje consegui sair mais cedo e poderia ir ver minha .
Levei o copo com café fumegante aos lábios apreciando o sabor amargo do café em meus lábios... Era uma coisa que me acalmava. Estacionei o carro na frente do grande edifício de classe média da cidade, suspirei tirando as chaves e saindo do carro em direção aos elevador.
Minha , meu amorzinho... Fazia tanto tempo que não tínhamos tempo só para nós dois, ela estava na faculdade à noite e eu trabalhava até tarde na maioria das vezes e depois saía com os garotos do meu trabalho à algum bar qualquer por mais que eu quisesse voltar para casa, e então eles se embebedavam e eu ficava para levar-lhes às suas casas.
Eu, logo que abri a porta, ouvi o doce som de uma música indie tocando pelo apartamento, ela amava esse tipo de música. Joguei minhas chaves em cima da mesa e fui para o nosso quarto, costumava passar grande parte do seu dia lá escrevendo, e eu estava certo. Ao entrar no quarto ela estava na varanda com um caderno em mãos, os óculos na ponta do nariz enquanto rabiscava algo rapidamente no caderno. Seus cabelos desleixados estavam presos em um coque desarrumado e ela vestia apenas um leve vestido branco, solto e longo.
Eu nunca entendi meus sentimentos por ela, era algo especial... E quando eu comecei a ama-la eu simplesmente não entendia da onde tudo aquilo estava vindo.
Andei lentamente até a porta da varanda e surpreendentemente vi que lágrimas transparentes escorriam de seu rosto, o que havia acontecido? Ela continuava escrevendo e vez ou outra limpava algumas lágrimas que ameaçavam cair no caderno. Ela não havia notado a minha presença ali, suspirei e perdi a paciência, todos os tipos de motivos já havia passado por minha cabeça mas nenhum era plausível!
Com o meu suspiro ela se virou surpresa.
- ! - ele exclamou dando um leve pulo para se levantar. - O que está fazendo tão cedo em casa?!
Eu olhei para seu caderno, ele havia caído no chão durante o pulo. Me agachei e o peguei, vi ela ficar tensa.
- N-Não mexe aí ! É pessoal... - ela murmurou a última parte.
Abri em uma página qualquer, provavelmente uma das últimas... Eu ia descobrir o que estava causando o choro da minha namorada.
"Eu não entendo... Por que ele não nota? Nós não estamos muito bem mas eu acho que [...]"
Isso... Isso era sobre mim? Enruguei o cenho. Ela estava chorando por minha causa, droga.
- O que é isso ?! - vociferei e a vi se encolher de medo. Mas não era minha culpa! Ela estava escondendo coisas de mim. - Pensei que estivéssemos bem! Desculpe-me se não entendo!
E as lagrimas começaram a vir em mais intensidade. Eu tinha tanta vontade de apenas a abraça-la e lhe dar carinhos até ela se acalmar. Mas por tudo que é santo, por que ela havia escondido isso de mim?!
- Desculpa ... Desculpa, é só que... - ela abaixou a cabeça - Parece que você não me ama como amava antes...
E então tive a súbita vontade de socar a parede com toda a força que eu tinha, e foi o que eu fiz. Senti os ossos da minha mão estalarem e as juntas dos mesmos começarem à ficarem roxos, ela olhou espantada para mim.
- VOCÊ ESTÁ PERDENDO A CABEÇA! Você está maluca!
Ela reagiu ao meu tom de voz e deu um passo para trás... Ela realmente tinha medo de mim... Por que ela teria? Eu, eu não quis fazer nada de errado. Mas o que ela está pensando de mim?
- Eu não estou maluca! É só que, apenas pegue o começo da nossa relação e agora compare! Você não me ama mais! Eu estou fazendo de tudo para melhorar para você!
Eu respirei fundo, relaxando meus músculos, eu tinha que me acalmar. Agora. Andei até estar frente a frente com ela e peguei seu rosto com as minhas mãos.
- Nós ainda temos tudo meu amor. - vi um pequeno sorriso aparecer em seus lábios - E me desculpe pela raiva, ando estressado nos últimos dias.
Desci minhas mãos até seus pulsos e os puxei para mim.
- Você não fez nada, né? - fechei os olhos. Eu devo ter mudado mesmo nesse tempo. Ela pode ter feito algo e eu não ter notado.
Eu estava esperando pelo pior.
Ele soltou seus pulsos de mim e me abraçou, apoiando a cabeça em meu ombro.
- Fique calmo ... Eu não fiz nada, por você.
Retribui o abraço.
- Você está tão distante... E acho que é por minha culpa, seus pesadelos voltaram... Eu notei, e também... Você costumava deitar tão perto de mim e agora, não há nada além de lençóis vazios. - soltei um risada envergonhada no final.
- Você também. Anda tão distante ultimamente... Eu sinto sua falta.
Passei minhas mãos para a sua cintura e rompi o abraço, a música fazendo a trilha sonora desse drama.
- Nós apenas temos que soprar a poeira do nosso relacionamento. Eu não quero te perder, você é minha e eu sou só seu. Que tal um drinque? - riu, e apenas assentiu. Puxei ela até a cozinha, onde enchi duas taças com champanhe. A entreguei uma e estendi a outra.
- Um brinde à nossa reconciliação?
- Um brinde! - ela exclamou feliz, batendo de leve com sua taça na minha. Puxei a para mim ignorando nossas taças e comecei a nos embalar, uma dança leve e silenciosa.
- Preciso te contar uma coisa...
Ela me silenciou com um beijo.
- Eu já sei, e não vou te deixar... Acredite em mim. - ela balbuciou sorrindo.
Sorri para ela, ela sempre sabia mais de mim do que eu mesmo.
Ela sabia, provavelmente desde o começo...
Bem… Eu tenho câncer.

Oh, we can learn to love again
Oh, we can learn to love again
Oh, that we're not broken just bent
And we can learn to love again

 

Comentários da autora