I think I love you better now

Escrito por Zã Nogueira - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Natashia Kitamura



Parte do Projeto Songfics - 7ª Temporada // Música: Lego House, por Ed sheraan

Olhando pela última vez para a sala de estar, deu um longo suspiro. Os móveis cobertos com lençóis brancos pareciam fantasmas de uma vida passada naquele cômodo mal iluminado. Ele se dirigiu até a calçada e entregou as chaves à mulher sorridente vestindo um tailleur verde.
- A casa está em ótimo estado, tenho certeza que a venderemos rapidinho – Ela disse.
- Ótimo – Ele falou sem demonstrar nenhuma satisfação na afirmação – Me ligue quando os papéis estiverem prontos.
Ele continuou caminhando até o carro que estava estacionado ao meio fio. Antes de entrar no veículo, olhou para a casa. A construção era bonita, largas janelas e um belo jardim. Não era grande, de maneira que não se sentiria sozinha quando ele estivesse fora da cidade, mas também não era pequena de modo que eles não precisariam se mudar caso desejassem aumentar a família. Porém, ela era grande demais para que ele ficasse sozinho ali com seus pensamentos.
não viu o fim chegando, nem mesmo em mil anos poderia ter antecipado aquilo. Eles eram felizes. Aliás, ele nunca fora tão feliz na vida. Ele lembrava de quando contou que estava grávida. Ela estava nervosa, eles já namoravam há alguns anos e já haviam falando sobre filhos, mas ambos concordaram que era cedo. Quando ela finalmente achou as palavras para contar a novidade, tudo o que ele conseguia sentir era alegria. Se tinha alguém com quem ele gostaria de ter uma criança, definitivamente era com .
É óbvio que com o passar do tempo outros sentimentos passaram pela cabeça de ambos incluindo o medo de não serem os melhores pais que seu filho merecia e preocupação em relação à rotina não convencional de . De qualquer forma, as coisas iam bem. estava se preparando para a turnê de verão e estava em sua décima semana de gestação.
- Você acha que já dá pra perceber? – Ela disse ficando de perfil em frente ao espelho.
- Sim – Ele respondeu com um sorriso no rosto colocando as mãos delicadamente na pequena saliência na barriga da garota – E aí, carinha? Confortável ai dentro?
- Você acha que é um garoto?
- Acho que sim. Quando poderemos saber?
- Em mais oito ou dez semanas.
- Ah, eu não vou estar aqui – resmungou.
- Eu vou pedir para a médica escrever o sexo em um papel e prometo não olhar até você chegar em casa.
- , eu conheço bem você e a sua curiosidade incontrolável – Ele disse com um sorriso de canto no rosto – Isso não vai funcionar.
- O que você tem em mente?
- Talvez você possa voar até mim depois da consulta...
- Parece uma boa ideia – Ela falou passando os braços pelo pescoço dele e selando os lábios do namorado.

estava em seu tour bus, em algum lugar a caminho da Flórida quando o seu celular começou a tocar. Ele acordou confuso e atendeu a ligação ainda entorpecimento pelo sono, mas logo ficou desperto ao perceber a formalidade da ligação.
- Hey, eu preciso que você me deixe no aeroporto mais próximo – Ele disse ao motorista.
- Não posso fazer desvios, colega – O motorista respondeu – Temos horários para cumprir.
- É uma emergência! – Ele falou mais alto do que gostaria – Desculpe. É a minha garota. Ela está grávida. Alguma coisa aconteceu, ela está no hospital.
- O que está acontecendo? – apareceu tão sonolento quando se encontrava alguns minutos atrás.
- Eu tenho que ir para casa, me ligaram do hospital, não está bem.
- Algo errado com o bebê?
- Não me deram detalhes pelo telefone. Eu preciso ir para lá.
- Já estamos a caminho do aeroporto – O motorista anunciou.
- Obrigado – disse e voltou para a parte de trás do ônibus, tentando pegar as coisas essenciais para que conseguisse voltar para casa.
Logo a banda toda estava acordada. Enquanto um tentava obter mais informações do estado de pelo telefone, outro comprava a passagem de e os demais tentavam manter o garoto calmo, o que era de longe a mais difícil das tarefas.
O coração dele permaneceu acelerado do momento em que atendeu aquela ligação até quando chegou no hospital, ainda sem saber o que de fato havia acontecido com .
- Boa noite – Ele disse ao chegar ao balcão de informações, apesar de não ter certeza de que horas eram – Minha namorada está aqui, . . .
- Ela deu entrada durante a madrugada – A enfermeira disse após digitar rapidamente no teclado – Mas já foi liberada.
- Você sabe me dizer o que aconteceu?
- Sinto muito, mas não posso te informar – Ela disse com um sorriso plástico.
- Certo – Ele disse tentando se acalmar, se ela foi liberada é porque tudo estava bem.

Ao chegar em casa, reconheceu o carro de , irmã de , na calçada. Ele pulou os três degraus em frente à casa e rapidamente tirou as chaves do bolso, abrindo a porta em seguida.
estava dormindo em nossa cama, sua cabeça descansava no colo da irmã mais nova que a observava cautelosamente.
- ? – Eu falei baixinho para não assustá-la.
- ! Tentei falar com você por horas.
- Eu estava no avião. O que aconteceu?
- ? – abriu os olhos vagarosamente. Eles estavam vermelhos e inchados e foi o necessário para que eu entendesse o que estava acontecendo. Olhei para que assentiu ao meu pedido silencioso e nos deixou a sós. Eu ocupei o lugar dela na cama, mas se afastou de mim, abraçando os próprios joelhos.
- O que aconteceu? – Ele perguntou, mas não respondeu. Lágrimas saiam dos olhos dela em um choro silencioso e cansado – Foi com o bebê? – Ela assentiu com a cabeça e se aproximou da garota, passando o braço pelos ombros dela e beijando-a no rosto – Tudo vai ficar bem, podemos tentar de novo.
A garota ficou em silêncio. Ela já estava em um estado de dormência completa, nem mesmo o frio de dezembro a incomodava, mas faria o que fosse possível para mantê-la aquecida em seus braços.

Se tivesse que apontar um momento como o começo do fim, seria aquela noite. começou a se distanciar a partir dali. Ele tinha seus compromissos profissionais que foram adiados por algumas semanas, mas logo tiveram de ser retomados. Logo começaram as brigas, os ressentimentos, nunca estava presente quando precisava, ela não o tratava mais como antes, a única forma de comunicação era aos berros, a vida sexual era inexistente, discussões sobre procurar ou não ajuda profissional para tentar consertar as coisas. Depois de meses naquela situação desgastante, ela decidiu que era hora de pôr um basta naquilo tudo.
- Você não me ama mais? – Ele perguntou e ela o olhou, incrédula.
- Isso não tem nada a ver com amor, . É claro que eu te amo, mas o que isso quer dizer?
- Que queremos passar o resto da vida um com o outro!
- Amor tem vários significados – Ela disse – Eu tenho certeza que vou continuar te amando por muito tempo, mas não dá pra continuar desse jeito. Eu vou para a casa da minha irmã, você sai em turnê em alguns dias, acho que será bom esse tempo para decidirmos o que é o melhor para nós dois.

Quando a turnê terminou e voltou para casa, as coisas de já não estavam mais lá. Ela já havia decidido o que era melhor para os dois: que cada um seguisse em frente. Ele não levou muito tempo para sair com outras pessoas. Ter sempre alguém ao seu lado parecia deixar a cama menos vazia, apesar de o cheiro de persistir em ficar nos travesseiros, mesmo que ele já tivesse os lavado. Pensou até em comprar outros, mas sabia que aquilo estava em sua cabeça, que enquanto estivesse naquela cama, naquele quarto, naquela casa, a presença dela estaria ali já que tudo aquilo era para ela. Mas ele tinha esperanças de que ela voltaria, por isso se submetia àquela tortura de voltar para aquele lugar todos as noites.
Ele resistira até uma festa na casa de um amigo. Sabia que havia chances de estar lá, mas ele nem em mil anos poderia imaginar que ela levaria um acompanhante.
- Quem é o magrelo com ? – perguntou para .
- Uh, é o Nate, hm, eles estão namorando – Ele respondeu receoso.
- Namorando? De verdade? Não é um pouco cedo?
- Faz um ano que vocês terminaram, . E eles não estão juntos há muito tempo, um mês ou dois...
- Você já sabia disso?
- Ahn, sim. Eles estavam em uma festa que eu fui algum tempo atrás.
- Certo. Eu preciso de uma cerveja.

Aquilo fora o suficiente para perceber que ele era o único se agarrando à algo que não existia mais. Dessa maneira resolveu vender a casa com tudo dentro, nada que o lembrasse de era bem vindo em sua nova vida.
- Isso parece uma casa de brinquedo – A mãe do rapaz disse ao entrar na nova casa dele. Com certeza ele tinha dinheiro para morar em um lugar mais confortável.
- Se as coisas derem errado de novo, só tenho que desmontá-la, veja que prático – Ele fez piada da sua situação.
- Como você pretende sobreviver ao inverno aqui? Não tem calefação!
- Acho que tenho algumas semanas pra pensar nisso, não é?
- , você sabe que pode vir morar conosco...
- Mãe, isso não será necessário. Eu já sou um garoto crescido, vou tomar conta de tudo – Ele garantiu.

A única coisa que tomou nas semanas seguintes foram volumes consideráveis de toda e qualquer bebida alcoólica. Naquela noite em especial ele nem ao menos precisaria pagar por elas estando na festa que celebrava o aniversário de . Ele estava apertado para eliminar toda aquela cerveja do seu corpo, mas o banheiro estava lotado, de maneira que ele pretendia achar a saída de emergência e fazer xixi na rua. Não era uma medida das mais inteligentes, mas ele estava apurado, bêbado e já fazia algum tempo que não usava o cérebro apropriadamente.
Ao chegar na rua, ele agradeceu por ter amarrado a jaqueta na cintura já que o inverno já dava os sinais de estar em seu auge. Estava caminhando em direção ao beco ao lado da boate quando ouviu os gemidos. Ele parou de supetão e girou sobre os calcanhares, tudo o que ele não precisava naquele momento era dar de cara com um casal fazendo sexo.
- Me solta! – Ele ouviu com clareza. Reconhecia aquela voz, era . Sem pensar direito, ele correu até o ponto de origem do chamado e viu a garota resistindo às investidas do namorado que parecia bem consciente do que estava fazendo. Nate deu um tapa no rosto da garota insistindo que a mesma permanecesse quieta. Se antes estava preocupado, após ver a cena estava enfurecido, de modo que mesmo nunca tivesse estado em uma briga antes não teve grandes dificuldades em socar Nate repetidas vezes.

- , você está bem? – perguntou segurando o rosto da garota com as mãos. Elas tinham sangue nos nós dos dedos, mas nem o próprio saberia dizer se era dele ou de Nate que estava no chão.
- Você pode me levar daqui, por favor? – A garota pediu entre lágrimas e assentiu, colocando a jaqueta dele nos ombros dela e caminhando para o ponto de táxi.
Ele sabia que eles deveriam ir até a polícia, mas a garota havia adormecido e ele não queria acordá-la, poderiam tomar as medidas legais necessárias quando ela despertasse na manhã seguinte. Ela abriu os olhos por um momento, para caminhar do táxi até o quarto de . havia pedido para que ele não a levasse para casa, provavelmente porque não queria que a irmã a visse naquele estado, então o minúsculo apartamento com péssimo aquecimento do rapaz era o único lugar disponível. Ele tratou de colocar várias cobertas sobre ela assim que deitou na cama dele e pegou o que precisava para se ajeitar no sofá da sala.
- Se você precisar de mim, estarei na sala.
- ...
- O que foi?
- Você pode ficar aqui?
Ele hesitou por um momento. estava fragilizada e ele não queria se aproveitar da situação, mas presumiu que faria mais mal do que bem recusar o pedido da garota naquele momento. caminhou até a cama e deitou-se do lado vago, atrás de . A garota tomou a mão dele, puxando-a pela sua cintura. Com a proximidade dos corpos dos dois, pode perceber que mesmo com todas aquelas cobertas, ela tremia, mas ele duvidava que fosse de frio. Sendo assim, ele a abraçou forte, garantindo que ela ficaria bem. Eventualmente ele percebeu que estava dormindo. saiu delicadamente da cama e foi para a sala, ele precisava falar com .
Não muito depois, apareceu na casa dele com o olhar cheio de fúria e uma muda de roupas para .
- Onde ela está?
- No quarto, dormindo.
- E ele?
- Da última vez que eu chequei, resmungando de dor na sarjeta.
- Ótimo – Ela disse e olhou para o relógio no pulso – Cinco da manhã. Você chegou a dormir essa noite?
- Na verdade, não.
- Você quer dormir?
agradeceu e se ajeitou no sofá, dormindo em seguida. Apesar do móvel não ser dos mais confortáveis, quando ele despertou estava se sentindo bem melhor. Após caminhar pela casa, percebeu que estava sozinho. Pegou o celular que estava na bancada da cozinha, uma mensagem de dizia que elas foram resolver até a delegacia e agradecia por tudo. passou a mão pelos cabelos, parte dele queria acreditar que a noite anterior tinha sido um pesadelo.

Alguns dias depois, estava jogado no sofá quando a sua campainha tocou. Do outro lado da porta estava , apesar da tentativa dela de esconder com maquiagem, ainda era possível perceber o hematoma no rosto da garota. deu espaço para que ela entrasse e a garota o fez, o abraçando em seguida.
- Você está bem? - Ele perguntou e ela apenas acenou com a cabeça.
- Eu queria te agradecer...
- Isso não é necessário. Você continua sendo importante para mim, . Sempre vai ser. Eu sinto muito que isso tenha acontecido.
- Eu sabia que ele não prestava - Ela falou encarando os próprios pés - Bem como todos os outros caras com quem saí desde que terminamos.
- Eu não consigo deixar de me sentir culpado. Você merece alguém que trate bem, melhor do que qualquer um desses caras, melhor do que eu te tratei. Todo esse tempo que ficamos distantes um do outro, eu percebi em como fui burro, como não demonstrei o meu amor por você da melhor maneira. A verdade é que mesmo depois desse tempo todo, eu ainda te amo. Honestamente, faria qualquer coisa por você, . E me destrói saber que eu tive a minha chance e arruinei tudo. Eu fui estúpido, egoísta e não pensei em como você estava lidando com a nossa perda. Eu sei que o que você está sentindo agora é diferente de como aquilo foi, mas eu prometo que dessa vez eu estarei ao seu lado te ajudando a ficar inteira novamente.
apenas sorriu e mordeu o lábio inferior, tentando segurar as lágrimas. Os dois se abraçaram e ela secou os olhos em seguida.
- Obrigada, . Eu senti falta de ter você na minha vida - Ela falou novamente sentindo os olhos umedecidos - Certo, eu estou cansada de chorar! Vamos comer alguma coisa?

e voltaram a se ver com frequência, mas apenas como amigos. Ele estava dando tempo e espaço para ela, que apreciava o gesto do rapaz. Naturalmente as coisas evoluíram e depois de alguns meses, eles eram namorados novamente. Elas iam com calma, apesar de passar bem mais tempo na casa de do que na da irmã.
Os dois, juntamente com os demais colegas de banda de e suas respectivas namoradas, estavam passando o dia no lago que costumavam ir em todos os verões desde que se conheceram. Aquele era o último fim de semana antes dos garotos sairiam em turnê e era uma boa maneira de se despedirem. Eles estavam prontos para voltarem para a casa dos pais de , onde todos iriam jantar, quando o garoto sugeriu que fossem tirar uma foto do alto da cachoeira, com o lago e o belo por do sol de fundo. Lá de cima todos tiraram fotos e alguns até pularam direto para a água, de forma que o grupo se dispersou ficando apenas , e lá em cima.
- Hey , você pode tirar uma foto nossa? - perguntou antes que o amigo também fosse embora.
- Claro - falou pegando a câmera de e dando alguns passos para trás. tomou o rosto da namorada com as mãos e deu selou os lábios dela longamente, permitindo que tirasse a foto. Eles se separaram e sorriram um pro outro, era fácil notar como estavam felizes.
- Eu te amo - Ele disse. Já havia dito antes, mas agora era diferente, ele sabia o que essas três palavras realmente significavam e percebia isso.
- Eu também te amo - Ela respondeu e ele a segurou pelas mãos, abrindo distância suficiente entre eles para que ele pudesse ficar de joelho. Ele tirou o anel de diamantes do bolso e o estendeu na direção da garota.
- , você aceita se casar comigo?
- Sim! - Ela respondeu sendo seguida por gritos de viva vindo do lago, onde os amigos do casal aguardavam ansiosamente pela resposta da garota.

Já de volta à casa de , ele observava enquanto a noiva colocava o porta-retratos na parede. Nele havia uma foto do momento exato em que ele a pediu em casamento, tirada por . estava de joelho e cobria a boca com a mão.
- Você não acha que deveríamos procurar outro lugar para morar? Minha mãe sempre diz que essa casa parece de brinquedo.
- Sabe aquele ditado que diz que nosso lar é onde mora o nosso coração? Então, tudo o que eu preciso está bem aqui - Ela disse antes de beijá-lo.

 

Comentários da autora



Gente do céu, se eu escutar Lego House mais uma vez, eu vou explodir em lágrimas! Fazia um bom tempo que eu não ouvia a música e reavivou vários sentimentos que eu nem lembrava mais que existiam, haha. Enfim, espero que chegue perto do que a pessoa que sugeriu a música tenha imaginado, foi um ótimo exercício pra tirar a ferrugem depois de tanto tempo sem escrever (: