Infralove

Forlly | Revisada por Mariana (até capítulo 6) | Angel

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Prologue

Lá estava ela. Parada em frente à parede de vidro, analisando a calça preta de couro com olhos curiosos. A colher pequenina e branca indo e voltando do potinho transparente talhado com o M do McDonalds e todo melecado de cobertura marrom por dentro. O sorvete branco sujando sua boca e a castanha estalando em seus dentes.
   queria entrar em todas as lojas daquele shopping. A escolha daquele bairro foi proposital e estratégica. Muito bem localizado, com tudo do seu interesse por perto. Morou sempre em uma cidade menor, sem tantas lojas grandes e opções de compras. Porém, a garota empolgada sabia que precisava controlar o dinheiro. A herança não duraria para sempre. Sendo assim deveria controlar bem seus impulsos consumistas. Algo bem cruel para seus desejos borbulhantes. Claro que não vivia uma miséria. Tinha uma boa quantia na poupança, pensão todo mês sendo depositada. Ou seja, algo garantido para a vida toda se fosse ajuizada. Mesmo assim achava melhor se controlar para não comprar tudo que visse pela frente.
  O impulso acabava sendo maior que a razão por muitas vezes. Por isso mesma ela acabou entrando na loja. Várias opções tentadoras à sua frente. Começou a pensar e lembrou de precisar comprar novas calcinhas. Meias também, alguns pincéis de maquiagem. Algumas camisetas básicas seriam úteis assim como shorts novos. Fechou os olhos quase que irritada. Prometeu para si mesma que iria apenas passear pelo shopping e saborear um sorvete. Nada além disso, nada além disso. Fez o bico de sempre, aquele biquinho birrento de quando se sentia injustiçada pela vida e saiu. bem que poderia ser mais uma jovem que recebia presentes dos pais amorosos e dos tios queridos. Mas não era uma dessas.
  O carro derrapou naquela sexta-feira chuvosa. Atravessou a pista e voou ladeira abaixo. Os corpos achados às seis da manhã. A notícia correu a cidade até chegar à casa da matriarca às oito da manhã. No susto acordou a garotinha. No fundo sabia que algo estava errado. Mesmo com doze aninhos e cheia de fantasias, enxergava além do mundinho criado por si. A noite não fora tranquila, o sono pesado não conseguiu disfarçar aquela coisa nefasta que pesava em sua barriga. Mamis e papis tinham embora, não tinham?
  Demorou um mês para conseguir chorar e expulsar a dor. Depois de onze anos ela não era mais capaz de se lembrar de tantos detalhes do pior funeral de sua jovial existência. Quem a abraçou no dia continuava um mistério, era incapaz de captar a informação. Recordava-se de pegar na mão da avó, de ir até o caixão de seu papis e reclamar que tinham fechado a camisa azul marinho até o último botão. Ele não gostava daquele jeito, o pai não gostava de usar camisa social de manga comprida, por que tinham posto aquela roupa idiota nele? E por que tinham tirado o esmalte vermelho vibrante da unha de sua mamis? Ela adorava o esmalte chamativo, sabia disso. Afinal, por qual razão sua mamis tinha uma faixa branca enrolada na cabeça?
  Muitas perguntas que nem sabia mais a resposta. E era melhor assim. Nada melhor que esquecer o ar macabro do funeral e enterro e focar nos bons momentos ao lado de seus pais. Depois daquele dia maldito, lidar com as dificuldades seguintes seria mais fácil se ela não se lembrasse do clima desesperado da fatídica desgraça.
  A concentração de enxofre do infernozinho pessoal de passou a transbordar por culpa dos tios. A mãe deu a ela apenas uma tia, a única que ficou ao seu lado. Os irmãos do pai brigados há anos fizeram juras de pazes ao lado do túmulo do falecido casal. Apenas para brigarem novamente pouco tempo depois. Com as brigas vieram o sentimento vazio com a sobrinha órfã. Ela não teria que ser problema deles, certo?
  A realidade não deu muito tempo de folga para a garota. Algumas horas depois ela já berrava alto em seu ouvido que os dias de criança feliz eram finados.
  Maturidade forçada. Medo. Tristeza. Solidão. Bullying.
Abandono. Surtos. Ira. Bullying.
  Choro. Frustração. Bullying.
  Saudades. Bullying.
  Bullying.
  E um pouco mais de bullying.
  Os dias dela não se resumiram em um mar de acontecimentos ruins e sentimentos malvados. Havia espaço para um pouco de alegria, para amizades divertidas. Menos para garotos, era um tanto ruim com eles. Beijou um pouco tarde para os padrões dos colegas. A virgindade se foi de um jeito meio torto.
  A parte menos cruel é que não viveu um turbilhão de desgraças a cada dia de sua pequenina vida. Porém, os momentos ruins pareciam tão maiores e tão mais vívidos. Uma semana divertida e de paz parecia ser engolida por um majestoso dia ruim na escola.
  Assim foram caminhado os meses. Assim foram passando os anos.
   mutou aprendendo sobre a vida, amadurecendo suas raivas e ansiedades. Alguns traumas se superaram, outros foram aliviados. Algumas amizades se foram, poucas ficaram. A personalidade se formou e aquele desgosto e o amargo beliscando a língua se aliviaram.
  E lá estava ela. com seus vinte e três anos que em algumas horas pareciam quarenta e em outras quinze. Oscilando entre uma adulta bem vivida e uma adolescente infantil.
  Saiu da loja sem olhar para trás. Aquela cidade era tentadora demais para os bolsos dela. Uma boa grana fora gastada na semana passada comendo quase todos os dias no shopping. Já poderia ganhar um cartão fidelidade do Burguer King se comprasse mais um combo por lá. O coturno holográfico passou a trotar mais devagar enquanto tentava arrancar o último resto de cobertura do potinho. A colher caiu no chão e ela revirou o rosto indignada. Merda, pensou. Que a vida resolvesse a sacanear outro dia, ela pegaria outro sorvete só de raiva.
  Entrou na fila novamente e teve de esperar uma senhora sair relutante com seu neto que insistia em comer um sorvete grande demais para o seu tamanho. A criança saiu choramingando, a senhora com pouca paciência explicando para o garoto que ele não aguentaria comer tanto sorvete. Foram andando à esmo pelo corredor, driblando a escada rolante e os vasos de planta.
  A senhora teve que parar no café perto dali e comprar um chocolate para o neto. Quase suando de tanto lutar com aquele genioso garotinho pediu um capuccino com muita canela para a mocinha de avental marrom. Foi se sentar naquele deck no meio do largo corredor próximo a praça de alimentação e se abanou com um dos menus.
  O deck estava sempre movimentado. As mesinhas de vidro sempre cheias de xicarazinhas e pequenos pires de porcelana. O shopping ficava perto de vários prédios empresariais e as pessoas de roupa social e carros caros adoravam tomar o cafézinho da tarde por ali.
Não fora diferente naquele dia. Uma mesinha com de secretárias fofoqueiras, outra com dois CEOs borbulhando ideias e tantas outras pessoas. Numa delas o clima era um pouco diferente daquele social e descontraído. Uma morena ria alto segurando o maxi colar cheio de pedras brilhantes. As pernas se descruzaram e tiveram de cruzar de novo para controlar aquela coceira entre as coxas. O batom não manchava a xícara que demorava tempo demais em seus lábios.
O que acontecia ali seria facilmente percebido por quem analisasse com calma. A morena estava flertando abertamente com o companheiro de andar. Os dois ficaram se provocaram a semana inteira. Toques indiscretos, risadas longas demais e olhares ambiciosos. A secretária de Alexia já havia sacado o fogo da chefe.
  Alexia andava pelos corredores com calças de cintura alta e tecido fino que marcavam suas ancas. Os homens comentavam sempre e tentavam investir direto. Além do mais, sua posição na empresa permitia que exercesse poder. O bando da testosterona adorava ouvi-la falar sobre os números da empresa nas reuniões. A voz grave, a certeza no olhar os deixava perigosamente tentados.
Ela geralmente descartava a maioria deles, alguns eram casados e outros simplesmente sem graça. O que realmente não era o caso de .
  Os deuses concordaram sem muita discussão que vestia muito bem a combinação de calça social e camisa ambos de cor preta. Tão simples e ao mesmo tempo tão... sexy? Quem sabe até mesmo excitante. era um homem de hábitos discretos, roupas minimalistas e presença tranquila. Engenheiro elétrico de formação, acabou em algum momento de sua vida se viciando em ler resenhas de carros, em assistir programas sobre carros e... se viciando em carros.
Se iludiu na formatura que não conseguiria escapar do destino de plantar a bunda o dia todo em uma sala claustrofóbica em alguma empresa tediosa. mordeu a própria língua ao ser contratado pela Ariel Motor. Engenharia elétrica e aquelas coisas maravilhosas sobre quatro rodas seriam seu trabalho, como desejar algo melhor?
  E pelo Ariel Atom como o homem queimava por dentro naquela bendita cadeira. Alexia poderia fazer um favor para seu libido, ser menos atraente. Desejava prestar atenção no que ela dizia, porém, os olhos diabólicos inevitavelmente iam na direção da gravidade e paravam sorrateiramente no decote. As sardinhas discretas no alto dos seios aumentavam o nível da desatenção.
O engravatado tentava ferozmente fazer aquilo dar certo. Ele não era o mais sortudo homem do mundo quando o assunto era relacionamentos. Não apenas namoros, mas qualquer tipo de relação que envolvesse ele e uma mulher em situações de desejo. Afinal, poderia se sentir culpado perante as leis morais por seu gosto nada católico por seres do gênero representado por Vênus.
Quando a última tentativa transformou-se em um grande desastre decidiu que seria melhor dar um tempo. Os amigos mais próximos resmungaram bastante em seu ouvido para dar chances à mulheres e não garotinhas. Elas não eram bem garotinhas por uma questão de idade e sim por questões um pouco mais complexas que não tinha paciência para explicar. poderia fazer o que os amigos tantos. poderia facilmente se excitar por uma mulher da sua idade, madura, independente e com a vida pronta, objetivos conquistados. Eram esses os adjetivos que os amigos usam e ele não discordava do raciocínio errôneo pela mesma falta de paciência.
E ali estava ele, tentando.
  Lá escondido por debaixo de todo o pano que vestia o de verdade dormia. Ou pelo menos fingia dormir ou se obrigava a tal. Aquela última garotinha quebrou sua espinha por inteira. Depois de mais um pouco de um ano e meio ele acabou por superar tudo.
Aqueles ursos de pelúcia idiotas foram para o saco preto junto com as caixas de lápis de cor. Ele ficou um bom tempo sem comprar sorvete de morango e até mesmo tacou algumas lingeries na lareira. Não teria outra little girl em seu colo tão cedo.
Mulheres nos padrões de seus amigos eram o foco. Nada que remetesse ao mundo mais infantil invadiria seus pensamentos. Obviamente não foi tão fácil. sentia falta de ser aquela figura cuidadora e atenciosa. Que era responsável e exercia poder. Os dois melhores amigos que sabiam de seu gosto pessoal demoraram a entender. Outros se viram deliciados pela ideia e até mesmo tentaram. Mas, nenhum deles tinha aquele dom natural para a coisa tal .
  Alexia era mais uma mulher na lista. E continuava repetindo para si mesmo o termo mulher com um negrito berrante e fontes grandes. Mulheres e não garotinhas, o mantra diário de criado por e Lord. Sendo realista percebeu que era possível se divertir no método novo. Realmente ganhou gosto por aquele tipo de sexo depois de algumas noites selvagens e pecaminosas. Diferente do que ele teve por tanto tempo. E era bom, era muito bom. Mais que bom, ele podia soltar que era gostoso.
Tão gostoso quanto a confissão indevida e íntima que Alexia permitiu-se expor. Contava sobre como perdeu a virgindade na faculdade na mão de um professor casado. se forçando a parecer compenetrado no conto sensual quando realmente não conseguia parar de se imaginar com os mamilos da mulher no meio dos seus dentes. Almejava insistente em abrir os botões da camisa roxa. Alexia poderia contar todas as suas histórias sexuais contando que permitisse a a honra de tarar os seios imponentes. Mordeu os lábios e apertou a mão firme na xícara, difícil se manter um animal racional.
   caminhava firmemente para cumprir aquele novo objetivo. Porém, se tem uma coisa a ser aprendida na vida é que há momentos em que não importa a nossa vontade. O universo vai por as engrenagens da existência para funcionar da sua própria forma. O caminhar do mundo vai interferir no seu caminho e atropelar suas expectativas.
Assim como atropelou seu próprio cadarço e quase se estatelou no chão. Abaixou-se injuriada pela perseguição que o azar promovia ao seu passeio. Amarrou o maldito cadarço e voltou a ajeitar os fones de ouvido. Cantarolava a música toda animadinha, os lábios se movimentando no ritmo. Se alguém passasse por perto até ouviria a voz fraca soltando o idioma inglês.
O cheiro de café dali a lembrou da casa de sua avó. Ela sentia saudades daquela senhorinha linda que ganhou sua tutela depois do acidente dos pais. Entretanto, não gostava de café e se apressou para sair de perto daquele cheiro de uma vez.
Infelizmente o player de música passou a tocar uma que saía da vibe sensual da música interior. era daquelas garotas movidas à música que fantasiava o inimaginável com os fones de ouvido à postos. Parou em frente aquele deck cheio de pessoas empresariais. Os dedos corriam pela tela procurando por uma música mais interessante. Prometeu a si mesma que arrumaria tudo em playlists assim que chegasse em casa.
Quando achou um som do seu agrado voltou a sorrir. O quadril instintivamente se balançou para o lado. Até se esqueceu da irritação sem fundamento. Uma risada alta veio aos seus ouvidos e curiosa ela procurou pelo som. Tirou um dos fones para poder ouvir melhor. Era uma hiena maluca em forma de engravatado rindo do colega que desastrosamente derrubou o pingado na mesa. sempre se divertia com idiotices daquele tipo.
  Aquela figura sapeca rindo em silêncio do fortuito incidente caiu aos olhos de . Foi num daqueles instantes em que se passa o olho em algo rapidamente e a necessidade de voltar a olhar é maior.
esqueceu de Alexia por um momento. Com a xícara quase vazia encostada na boca ele analisou a sorridente . Foi como o martelo de um açougueiro amaciando a carne. Como uma colheitadeira em meio à plantação de trigo. Como um redemoinho no oceano pacífico.
As engrenagens do universo esmagaram os ossos da racionalidade de que se viu perdendo a compostura. Alexia aos poucos se tornando desinteressante e desinteressante e... Porra! ficou todo desequilibrado e lascado.
  Balançou a cabeça discretamente tentando se desvencilhar daquilo. Do instinto natural de seu ser. Mas, ele já sabia que a porra estava fodida de vez. Não havia explicação para a forma que se atraía por elas. Sempre assim. Um sonar propagando-se em sua audição, a atenção desviada para aquelas presenças irresistíveis e tão deliciosas. caiu como um torpedo violento e potente no mar quase tranquilo que tão dificilmente assegurou para seus encontros.
O olhar serelepe de parou nos olhos ainda perdidos de .
  Ela pareceu confusa.
  Ele repuxou os lábios sem querer.
Ela colocou o fone de volta.
Ele expressou safado.
Poderiam ter continuado aquela paquera disfarçada de estranhamento. Mas, ainda não era hora.
Ainda.
O daddy reencarnou-se em tomando seu devido lugar. Nada mais poderia freá-lo a partir dali. ainda acreditou fiel como um monge que Alexia poderia proporcionar tudo que seu corpo clamava por. Outra ilusão furada em sua vida.

Chapter 1 - Hamburguer and Fries

O elevador lotado e nenhum ser de relógio caro ou bolsa combinando com o sapato tinha coragem o suficiente para evitar todo o bando de gente e a mistura insana de perfumes escolhendo subir as escadas. Mas, isso é o que se espera de engravatados e mulheres de saia lápis, não? Escadas são para faxineiras.
Normalmente aquela falação alta e confusa e o número grande de empregados passando para lá e para cá em trotes apressados e copos do café caro da quadra ao lado acontecia em dois horários. Na tão esperada hora de ir embora onde o alívio escorre pela testa e clama por um happy hour e pela manhã no horário de entrada. Para quem não chegava um tanto antes do horário ou tanto depois era hora de topar com meio mundo e ser sociável.
E talvez não houvesse pessoa mais sociável que o ilustríssimo Lord Luxor naquele prédio. O careca de cavanhaque e pele de avelã que derretia todo mundo do lugar com seu sorriso super convidativo e com a mania de tratar com bastante carinho a mulherada que via pela frente. Como sempre não desgrudava do celular. A coisa tocava trinta vezes por dia e todo mundo sabia que uma conversa com Luxor não durava mais de cinco minutos por causa daquela porcaria.
Acenava pra lá e pra cá e mantinha um papo animado no telefone. Olhando de longe nem parecia que ouvia um chefe bravo e ranzinza reclamando do outro lado da linha. Lord não se abalava por velhotes grisalhos e barrigudos cheios da grana com síndrome de mandões, o cara contornava todo mundo com a lábia de deus africano da fertilidade.
Coçou a careca com um sorriso sarcástico e dolorido. Ouviu um tanto de baboseiras sem sentido e respirou para ignorar todas. Era sempre assim, o chefe entrava em desespero e chorava com palavrões grosseiros em seu ouvido para pouco depois perceber que tinha feito merda. Ligava posteriormente bem mansinho procurando um jeito de se desculpar sem pedir desculpas. Lord mordia os lábios com uma carinha de eu já sabia e seguia seu dia.
Passou pela porta bem limpinha de vidro e cumprimentou a secretária um tanto interessada na tela do seu computador que brilhava azul na página do facebook. Ela nem disfarçava mais, Lord era um patrão gente boa. Contando que ela não fizesse alguma besteira bem grande, ele a deixaria em paz para futucar porcaria na internet.
E finalmente pairou seus olhos de chocolate derretido sobre as duas antas que pareciam perdidas em meio a papéis, computadores e caixas mal organizadas. Lord segurou o celular com força e prendeu a respiração para não entrar na sala com o pé preparado para descer um chute na cabeça de um dos dois.
- As crianças não conseguiram guardar os brinquedos, ainda? - ergueu sua cabeleira mal penteada e sorriu impertinente para a figura autoritária que mais parecia o Vin Diesel em Operação Babá.
- Você sabe que o problemático com prazos aqui não sou eu. - , que estava sentado no chão olhando para anotações antigas que ele já não fazia mais ideia do que era, somente levantou de forma simpática o dedo do meio na direção de que sorriu vitorioso.
- Eu só não entendo porque eu e o garoto nerd ali temos que levar esses computadores para o escritório novo se nós somos engenheiros elétricos e não dois caras que trabalham num caminhão de mudança. - então fez com que seus olhos enigmáticos e reclamões encarassem a figura relaxada de um Lord Luxor visivelmente com pouca paciência.
- Você sabe que eu normalmente tomo teu lado, Lord. Mas, dessa vez, você precisa de um bom argumento para explicar a razão pela qual eu e estamos aqui empacotando coisas enquanto você brinca de atendente de telemarketing. - achou a piadinha engraçada e encarnou uma hiena sem vergonha ao rir bem divertido do homem de camisa social bordô escorado na porta prestes a soltar alguns palavrões bem pesados.
- Eu não tenho tempo pra isso… - Lord encarou como se ele fosse um pedaço de pedra suja na calçada - Vocês sabem que a empresa não quer nenhum ser humano além dos dois responsáveis pela criação do projeto do câmbio do novo Atom perto dele.
- Na verdade, não é sistema de câmbio, o termo correto é Engine and Gear Box Upgrade. - soltava essas sem querer, era mais forte que ele. E aí sim o famoso impaciente e nada calmo Lord Luxor ficava puto de verdade e revirava os olhos cheio de ira. tinha quer ser o bonitinho sedutor e além de tudo esnobe com seus conhecimentos técnicos?
- Só calem a boca e deixem o resto aí. Coloquem esses malditos computadores no carro, temos que estar no prédio novo daqui uma hora e eu não quero e nem sou obrigado a lidar com um chefe que recém se descobriu corno descontando a raiva em mim por culpa de vocês. - abriu bem os olhos e apontou para os dois em tom militar - Entendido?
- Você sabe que por isso hoje a cerveja é por sua conta, não sabe? - não estava pedindo, fez uma ordem disfarçada de pergunta.
- Se vocês pararem de chorar. - e Lord não esperou nenhum dos dois responder algo, se virou e foi fazer o que tinha que fazer.
- Esse cara precisa relaxar. - comentou com a voz baixinha evitando que Lord pudesse ouvir seu comentário.
- Ele não precisa relaxar, Lord gosta de trabalhar sobre pressão. Coloque vinte pessoas gritando na orelha dele que o humor melhora rapidinho. - olhava para todos aqueles sulfites rabiscados com um lápis Faber Castell cheio de contas e palavras desconexas que não significavam nada para ele. Provavelmente era algo muito importante que ele jogaria no lixo e se arrependeria depois.
   , Lord Luxor e trabalhavam para a montadora inglesa Ariel Motor, especialista em produzir veículos de pequeno porte. Como em toda grande montadora a empresa possuía pequenas equipes trabalhando em partes específicas de seus projetos. As três criaturas faziam parte de uma dessas, ficavam isolados em um prédio empresarial com poucos companheiros de trabalho. era o engenheiro responsável, as grandes decisões partiam dele. As ideias geniais e brilhantes que surgiam no meio da madrugada depois de comer um lanche entupido de maionese provinham da caixola dele. O cara era meio que um cientista maluco, daqueles que se perde em ambiente organizado e praticamente ninguém consegue acompanhar seu raciocínio por não seguir um padrão lógico convencional.
, seu assistente. O ringside guy* do engenheiro mais velho. Normalmente engenheiros da idade de não ocupavam um local numa equipe especial como aquela, mas ele era uma boa exceção. Inteligente pra diabo, ótimo estrategista e tinha algo bem interessante que com toda sua incompetência não possuía, a capacidade de prestar atenção nas coisas. Ele não era capaz de pirar a cabeça e de repente boom! Tirar uma solução do meio do cu para resolver um problema quase impossível. Mas ele era o lado de que iria conferir coisas importantes que esqueceria de por nos orçamentos, nos relatórios e derivados.
E finalmente no fim da escala estava Lord. O maravilhoso homem que salvava a bunda dos outros dois ao conseguir dilubriar uma imprensa faminta por novidades e deslizes. Além de cobrir os furos que dava quase que constantemente nos prazos da empregadora. Era um inferno para ele lidar com a mistura de falta de atenção e hiperatividade de . Faltava coisa de uma hora e meia para entregarem um relatório oficial super importante e ainda não tinha achado uma solução para uma certa coisa que ele jurava ter consertado duas semanas antes. Se não fosse a praticidade e frieza de o homem estaria bem melecado de merda.
O filho único da família teve a típica infância feliz e de boas. Os pais foram sempre presentes, o tipo de progenitor que dá tudo que o filho precisa e mais um pouco. Mimado, com certeza, porém, sempre muito humilde e com a cabeça no lugar. não era um homem de muitas carências, seu dom era mesmo cuidar dos outros. E as coisas foram se mostrando pra ele não muito tardiamente.
A fantasia começou na adolescência. Ele sentia o que desejava, mas não entendia direito. Então como todo adolescente curioso parou no meio da pornografia escondida procurando por aquilo que podia suprir seus desejos. Não foi tão simples assim achar uma resposta, afinal, ele nem sabia o que procurava.
document.write(Magno) era um cuidador nato, o homem indicado para oferecer carinho e autoridade sem nenhum tipo de abuso. Para punir de forma orgástica e dar tapas na sua bunda enquanto você pede para ele parar querendo que a sessão de estapeamento continue.
E pela primeira vez ele foi chamado de daddy e pela primeira vez ele sentiu a porra do fogo latente em seu pau confirmando o quanto era realmente aquilo que o corpo dele pedia.
O relacionamento com aquela menina inquieta foi rápido. Ela queria curtir e experimentar, nunca quis se amarrar. entendeu perfeitamente e três anos se passaram. Aos 25 se deparou com uma situação inédita, pediu uma garota de 21 anos em namoro. Foi um treco tão diferente na vida dele. Basicamente seu primeiro relacionamento sério, sério de verdade. Até que sua little girl escolheu a faculdade ao invés dele. Doeu, obviamente, mas ele superou.
A porra ficou feia aos 29. Um namoro de 3 anos com uma garota 5 anos mais nova. Perto do fim do namoro o trem desandou de um jeito feio. Brigas feias, ofensas… Aquele tipo de relacionamento que simplesmente dá errado. ficou fodido, quebrado, arrebentado. Ele chorava sozinho, chorava acompanhado. Caralho, ele amou a desgraçada. E acabou tão cruelmente.
  Foi ali e com um copo de uísque que Lord simplesmente interferiu. Deu de dedo na cara de e disse que entendia os desejos deles, mas que ele não tinha mais como se envolver com aquelas garotas. Mesmo que elas fossem mais velhas e entrassem na fantasia, não dava mais. Podia ser uma mulher 85 anos, se fosse pra ser naquele estilo que descobriu chamar Daddy’s Litte Girl, daria merda. apareceu munido de estatísticas que ninguém sabia da onde tinha saído dizendo que relacionamentos assim tinham 32% a mais de chance de dar errado pela dependência emocional entre os parceiros.
   Lord não tinha a mesma capacidade em dar sua opinião de forma tranquila. Luxor gritava com e só faltava dar na cara dele. E entendeu de uma vez por todas que precisava de um tempo daquele universo. Resolveu dar uma chance para os planos do amigo com cor de café com um pouquinho de leite.
No momento se encontrava no meio de um flerte passivo agressivo com Alexia, uma empresária do prédio. Trabalhava para uma fabricante de eletrônicos cuidando da logística da mesma. Encontros ocorriam semanalmente e as barreiras do motel foram rompidas no terceiro deles. Ele era bem sincero consigo mesmo, a trepada foi boa pra caralho. fodeu gostoso… e meio que parou ali. Alexia e ele continuavam meio que se comunicando, mas sabia em seu âmago que estava se enganando quando comentava com os amigos que tinha planos com Alexia. Ele até tinha, mas não os planos que Lord e esperavam. Eram planos de deixar a mulher pra lá mesmo. Cansaço era pouco para descrever o que sentia ao abandonar suas preferências.
Lord era o cara da conversa casual de pé de ouvido, sempre jogando sorriso pra cima. Se isso atraía mulheres? Sem dúvida. era dono de um charme mais sutil, os sorrisos eram mais contidos, mas a mulherada pirava na sua voz baixa e no jeito fofo de por o cabelo atrás da orelha.
tinha um pouco dos dois, mas também contava com suas particularidades. Mistério poderia ser uma das palavras usadas para descreve-lo. Enquanto Lord se abria todo e cumprimentava timidamente, acenava com a cabeça e um olhar compenetrado. Numa passada pra lá e pra cá pelo ambiente de trabalho ele nem olhava pros lados. O bando de calcinhas apenas olhava admirando aquela classe e poderio todo.
  Conservar com era como ingerir LSD. Falava devagar e calmamente, mas as ideias pulavam rápido demais e a conversa fluía num ritmo acelerado. Quando se via as horas passaram no papo quando se jurava não ter ficado mais de 15 minutos do lado do homem. E olhava para aquelas que se interessava numa intensidade tão filha da puta que só faltava transformar as íris alheias em pedras de gelo cristalizadas. Intenso, o bendito homem era intenso. E também hiperativo e meio desatento. E quando se perdia no meio papo e voltava com um rostinho perdido até se poderia sentir vontade de dar na cara dele por não ter ouvido metade da história, mas… quando ele pedia desculpas e explicava seus motivos não havia jeito de negar as desculpas.
  E convenhamos também que um diabo dum homem que veste roupa social toda preta e na medida de marcar as polpas da bunda e os braços fortes mexe com as estribeiras de uma cidadã.
As mulheres que passavam por ele poderiam formar uma fila de espera. não aguentava mais sua abstinência. De quê adiantava ser tudo isso se ele não se encontrava nas relações que andava se metendo?
De um jeito ou de outro, logo daria um jeito de resolver suas carências.

  

xx

  

O novo escritório ainda não tinha cara de um lugar que abrigaria profissionais como , Lord e graças à bagunça. No outro dia eles dariam um jeito. O novo prédio era novo, recém construído com resquícios de cimento na calçada lá perto da rua e cheiro de tinta ainda era inalado nas andanças. Algumas salas comerciais ainda estavam vazias e na beirada uma loja de colchões e uma agência de viagens inauguravam. A construção era formada por quatro andaras enormes e altos com janelas espelhadas de vidro. O sistema de ventilação foi muito bem feito para evitar o calor maldito que poderia vir num dia de sol. As plantas que secavam na segunda semana enfeitavam um jardim que custou mais dinheiro do que valia.
Porém, enfim. Era um prédio de aluguel caro para empresas ricas e fim de papo.
No andar da nossa galera já funcionava o financeiro de uma empresa de metalurgia. No superior um consultório de dermatologia e odontologia, uma sala fechada e um algo inusitado. Uma grande escola de modelos instalou ali seu estúdio fotográfico e junto com este ministrariam um curso de maquiagem. No terraço, digamos assim, uma área aberta, espaço para fumantes, plantinhas e mesas com guarda-sol e um café. adorou saber que não teria que olhar só para mulheres mais velhas e que teria um pessoal na sua faixa de idade andando por ali. Não que ele fosse tão novinho assim, seus 25 anos já não deixavam ser um adolescente. Mas, era bem mais novo que a maioria do pessoal com calibre o suficiente para ocupar cargos de alto escalão. ostentava muito bem os seus 33 assim como Lordlidava com seus 36. Uma trupe e tanto.
Deixaram aquele bando de caixa vazia pra lá e dispensaram a coitada da secretária que quase dormia em sua cadeira. Mais tarde uma equipe de faxina viria para fazer o ambiente ter uma aparência melhor, mas especificamente na sala onde e trabalhavam somente os dois e Lord podiam entrar. Ou seja, os dois protelariam serviço para o dia seguinte. O projeto que trabalhavam era quase que secreto. A Ariel Motor produzia carros milionários de muitos dígitos comprados por clientes especiais. Quando estavam em desenvolvimento sempre lançavam notas para a imprensa. Revistas publicavam novidades assim como programas que tratavam do tema. Lord tinha que driblar entrevistas e perguntas cretinas. O chefe do departamento deles não queria margem para que alguma informação interna vazasse.
Depois daquele dia de trabalho do cão, cansativo e infeliz se reuniriam no lugar de sempre para beber.
  - Eu nem vou beber hoje, Lord. Não precisa ficar com essa de mão de vaca. - resmungou apertando o botão do térreo.
- Eu, mão de vaca? - Luxor era conhecido pelos seus gastos ostensivos em relógios entre outras coisas.
- Prepara esse teu cartãozinho porque eu vou beber e vou beber bastante. Não sou obrigado a trabalhar por quase 14 horas pra ter cerveja regulada. - acrescentou desabotoando a camisa nos pulsos e puxando o tecido para cima.
- Por um acaso alguma vez eu neguei alguma coisa pra vocês? - questionou um Luxor incomodado e visivelmente afetado. começou a rir algo como se a pergunta fosse uma piada das boas.
- Você vai querer jogar esse jogo, chocolate quente? - Luxor era dono de vários apelidos carinhosos que envolviam chocolate. Ele os adorava, diga-se de passagem.
- Sabia que há um limite de tempo pra se jogar coisas na cara das pessoas? Você não pode usar o mesmo argumento pra sempre, . - nunca se esqueceria do dia que recebeu um não bem sonoro de Lord ao pedir pizza durante uma reunião importantíssima. E ainda teve o dia em que ele os negou uma saída para relaxar durante um seminário.
- Eu posso. - sorriu enquanto a porta se abria. Luxor suspirou e completou.
- Ele pode e ele vai, você sabe disso. Desfaz a carinha amarrada e vem ser feliz comigo, não liga para o menino bobo. - tirou uma com o amigo que riu com a situação.

passou o braço pelo ombro de Luxor e enfiou a outra mão no bolso. Foram assim, grudados saindo do prédio.

  

Não havia barzinhos por ali. A região era central e cheia de comércios e um campus de uma das faculdades da cidade. A área dos agitos ficava longe e a maioria se reunia no grande centro de diversões para todas as idades uma quadra para cima, um shopping.
De Mc Donalds a restaurantes à la carte caríssimos. De quiosque de suco natural à adegas de vinhos importados. De sorvete de casquinha à sorveterias gourmet. Opções para todos os bolsos, inclusive para os que queriam comer porção e ingerir álcool.
  - Ei, eu preciso ir lá em cima comprar camiseta. - avisou sabendo que iria ouvir.
- Puta merda, hein . Não pode ficar para amanhã? - quase chorava de frustração.
- A criança precisa da nossa ajuda, . - piscou para que sorriu sem graça e partiu em direção às escadas rolantes. Os outros dois aceleraram o passo para não se perder do amigo entre todo aquele povo - Já não passou da hora de usar jeans e camiseta e usar roupa social igual gente grande? - Luxor tirou uma com ele.
- Não, estou bem assim, obrigado.
- Deixa de ser um xarope, Lord. O garoto já é grandinho pra escolher o que veste. Não é, ? - odiava ser tratado como criança só por ser mais novo. Bleeh! - Viu, nosso menino tá crescido.
  Finalmente chegaram na loja e era bem prático para esse tipo de coisa. Sabia onde estava a sessão masculina, qual camisetas iria pegar porque as tinha namorado uns dias antes. A loja era enorme e a parte de roupas voltadas para os homens era minúscula. Dividia espaço com sapatos, óculos, plus size e… lingeries? Sim, lingeries. Não fazia sentido, mas assim o era.
Enquanto futucava as araras em busca da camiseta perfeita Lord e enchiam o saco do mais novo por comprar em loja de departamentos. Ele ganhava bem, custava comprar algo um pouco melhor? achava aquilo uma besteira gigantesca e ignorava.
Sem surpresa o celular de Lord começou a tocar. Ele nem pedia mais licença. Deixou e sozinhos. O assistente fuçava as roupas e passou a averiguar o local. Achou até algumas calças interessantes e na promoção, porém perdeu seu olhar do lado de lá. Viu a mesma garota que havia chamado sua atenção ao prestar atenção no incidente do café com leite derramado. Era ela mesma, a sapeca cheia de graça.
Seu peito se estufou e ele se sentiu nervoso. A menina tirava cabides de sutiãs e averiguava com cuidado a etiqueta e o material das peças. O cabide em sua mão virou só uma coisa sem sentido perante aquela paradisíaca visão. Os lábios ficaram mais secos e parecia que precisava desabotoar todos os botões da camisa para respirar. Que desgraça, ela era tão quase que perfeita.
Um gloss brilhando nos lábios gordinhos e um jeito cativante de apoiar um pé no outro. Um vestido jeans super simples e ao mesmo tempo sensual por marcar sua cintura e as nádegas que se mostravam arrebitadas. Ah diabo! nem conseguia disfarçar. Logo ao seu lado percebeu que nem escutava o que ele falava e foi para perto do seu amigo cutuca-lo. E então ele também teve o prazer de observar concentrada em sua missão de comprar peças íntimas.
  - Uhhh! Também gostei. - suspirou perto do ouvido de , que tomou um susto.
- Intrometido. - reclamou objetivo.
- Não seja um ciumento babaca e nem um daqueles caras que berram “é meu” quando vê primeiro. - sabia bem que ferida cutucar - Até porquê… Sei que faz bem o teu tipo, mas você não ia deixar isso um pouco pra lá, hein? - mordeu os lábios em braveza e apertou os dedos dentro do sapato. - Deixa de se doer fácil, .
   nem iria discutir. Iria ouvir mais um monte de que realmente não tinha jeito para falar as coisas de forma legal. Ele não era enérgico e bravo como Lord, mas dava vários tapas de luva que doíam. era pura insensibilidade.
  - Acharam algo mais interessante que camisetas pelo o que vejo. - e logo Luxor estava de volta.
- Não achei nada, vou até dar meia volta para evitar que a boca santa de vocês se abra. - arregalou os olhos para suas duas pestes e saiu dali. Queria tirar da cabeça e a coceira na nuca, mas era tão mais forte que ele. Lutar contra instintos internos era realmente um inferno.
- Você não suporta ouvir as verdades, né? - Lord não perderia sua chance - Cara, sai dessa merda. Sério, para de querer arranjar uma substituta para sua ex. Quer ser daddy? Compra um cachorro! - parabéns para Lord e sua agressividade sem igual.
- Menos, Lord, menos. O cara está apenas com saudade. - até pensou que fosse ser entendido – Mas ela realmente não merece um cara que ainda se dói pela ex, deixa a menina curtir, . - e mudou de ideia logo depois. Ele não se doía pela ex, não queria uma substituta para ela. Ele já tinha esquecido a garota, ele só queria encontrar uma nova garota para si, porra.
Os três patetas que de desengonçados e fora de forma não tinham nada desciam a escada rolante em um papo que tentava ser discreto e disfarçado. Tentava, pois e Lord insistiam naquela conversinha idiota que não os levaria pra lugar nenhum.
  - , a gente já não conversou sobre isso? Ela é para o , não é pra você. - Lord estava com a cota de paciência estourado com a teimosia filha da puta de .
- Não foi muito bem uma conversa, foi mais uma audiência no tribunal da Santa Inquisição Espanhola. - era uma peste maligna às vezes preso na mente de um moleque de treze anos que adora caçar confusão. Denis, o Pimentinha particular de e Lord.
- Cansei de dar trela pra você, Luxor. Cuida da tua vida. - foi o primeiro a sair da escada rolante e se virou para Lord com um olhar desdenhoso. Lord odiava aquele olhar - Você não precisa ser meu grilo e eu o Pinóquio. Acabou a temporada de meter o dedo na minha vida.
- Continuem discutindo, eu vou pra fila pagar isso aqui. - se desvencilhou dos dois dinossauros e partiu para seu destino.
   era um pilantra bem espertinho. e Lord ficariam trocando poder e medindo o tamanho dos paus enquanto ele se esgueirava pelas pessoas para chegar o mais rápido possível na fila para ficar o mais perto possível daquela garota de vestido jeans e uma sacola plástica transparente cheia de calcinhas de renda e sutiãs sem bojo.
Uma senhora grisalha e super bem perfumada munida de uma infinidade de camisas sociais discretas passou à frente dele e roubou o lugar logo atrás de . Puta que pariu, hein? Velha maldita! Reclamou com uma estalada de língua e entrou atrás da vaca da terceira idade. Fora da loja em frente à porta e à loja da Polishop ele podia ver ignorando um Lord que não calava a boca. Luxor era pior que um testemunha de Jeová quando começava a dar sermão em alguém. Ninguém sabia da onde ele tirava tantos argumentos pra derrubar o ponto de vista do outro.
A fé do engenheiro nerd e insensível já ia para o brecho junto com algumas vacas quando em sua simpatia gigantesca ofereceu lugar para senhora que mostrou os dentes recém arrumados para a garota. E então, finalmente, ele ficou justamente onde queria. era um nerd meio sem jeito, mas nem por isso era retardado perto de uma mulher. A desgraça tinha charme próprio.
Por outro lado… a senhorita parecia ser, mas não era tonta. Ela botou os olhinhos em cima de no andar superior da loja e prestou uma puta atenção naqueles cabelos castanhos presos atrás da orelha. Os outros dois com cara de mais velhos eram tão gatos e charmosos quanto o novinho, mas o mais novinho… Ele tinha uma carinha de safado tão gostosa de olhar.
A garota ficou meio coisada com atrás de si. A síndrome das pernas inquietas fazendo sua parte naquele momento e uma espécie de ansiedade sem sentido. odiava o fato de ficar meio nervosa em situações assim. E ela percebeu que o carinha prestava atenção em seu corpinho por aquela sensação que todo ser humano tem quando é bem observado de perto. Não se sentiu invadia. Ficou foi curiosa e bem tentada a dar um jeito de puxar assunto. Virou um pouquinho para o lado fingindo se interessar em um fone de ouvido meio cor-de-rosa e cheio de bolinhas. Não gostou daquele, era meio brega. O de caveira seria legal se a caveira não usasse um laço lilás. achava idiota quanto tentavam feminilizar caveiras.
E o amigo de e Lord teve que prender bem a respiração e segurar suas coisas com afinco. não fez bem, olhar pro rosto dela tão de perto não fez. Menina gata do caralho! Com aquele batom que deixava a boca dela com um aspecto molhadinho interessante, então? Ele tinha que fazer algo.
E iria fazer algo.
  - Eu também odeio essas filas. - Hunther sorriu e não foi falso, o sorriso pulou da cara dele sem que ele precisasse pedir.
- Sempre tento me distrair, mas não dá certo. - nem conseguiu acreditar quando ouviu a voz dele. Era meio rouca, meio baixa e simpática. sorria de ladinho com a barba ralinha e uma mecha de cabelo caindo na frente dos olhos. Que coisa mais fofa e gostosa! Dava vontade de morder.
- Fala sério, é estressante, não é? Depois de trabalhar o dia todo pegar uma dessas é sacanagem. - ai meu Pai! O que responder? era meio ruim nisso, era nova na cidade, o cara era uma delicinha…
- Essa não é a melhor ideia pra um happy hour, é? Sair do trabalho direto pra uma loja lotada. - gostou da resposta. Ele até quis engolir aqueles dentes e fechar a boca, mas a empolgação era mais forte.
- Não mesmo, eu realmente pretendo beber algo depois de sair daqui. - retorceu o joelho e rezou baixinho para que o moço recém conhecido não tivesse percebido - Acho que nós dois podemos nos desestressar tomando algo, o que acha? - o que ela achava? Um máximo, sensacional. Muito, mas muito bom. Puta que pariu!
- Acho que é uma boa ideia. - e finalmente eles sorriram mais aliviados, menos nervosos e um pouco mais safadinhos - Mas depois que você me falar seu nome. - achou de um charme sem fim. E a coisa foi assim, fluindo rápido demais.
- . - estendeu a mão esperando pelo contato de em sua mão.
- . - o fogo daqueles dois só faltou carbonizar a sacola de plástico transparente assim que a mão ainda meio ansiosa de grudou na de .

- Próximo. - a caixa grossa e babaca berrou.
- Te espero ali na frente. - anunciou e concordou com a cabeça. Ele ficou reparando no balanço da bunda dela e em como o vestido deixava uma boa parte da suculência dos glúteos de fora. Seria uma boa noite, ainda mais quando visse o tamanho do bico de descontento na boca de .

  

xx

  

e Lord foram abandonados e deixados de lado por . O relações públicas ficou animadão com a ideia de sentar ao lado de um de cara fechada batendo a long neck na mesa com raiva enquanto comia sua carne como se fosse seu pior inimigo. Ele não conseguia se segurar, era mais forte.
Um pouco mais afastados estavam e devastando um lanche do Burguer King.
- Só um mês? Você é mais que nova na cidade, é tipo, super fresca aqui. - caiu na risada pela milésima vez. tinha um humor tão besta quanto o dela.
- Sim, eu mal me acostumei com as coisas ainda. O único lugar que eu conheço de cabo a rabo é aqui. Esse lugar já tem um dinheirão meu investido. - se vidrou em de um jeito doido. Ela era uma coisa tão gostosa, mais gostosa que aquele copo enorme de Coca Cola gelada acompanhada de batata frita.
- Eu também venho aqui praticamente todo dia. Trabalho aqui perto e almoço aqui, janto aqui.
- E com o que você trabalha e onde é? - já tinha esquecido a vergonha e estava interessada demais em saber mais de .
- Sou engenheiro elétrico da Ariel Motor. - o queixo dela foi lá no chão. Com aquela carinha de babe e era engenheiro de uma puta montadora? até achou que teria sorte numa cidade maior, mas nem tanto assim - E trabalho num prédio novo na quadra debaixo.
- No prédio bonitão ali da esquina? Sério? - ah não, mais essa agora? estreitou os olhos confuso - Eu vou fazer curso de maquiagem ali. - por que estava tão empolgada? Ela nem sabia.
- Nele mesmo. Que sorte, hein? Nem vou precisar de uma desculpa esfarrapada pra te chamar pra sair de novo. - segurou sua Coca Cola e a subiu no ar, entendeu o recado a bateu seu copo de plástico no dele. Fez sujeira, mas ninguém se importou.
  Eram dois jovens cheios de hormônios e fogo no rabo, prontos para viver se aventurar e ter uma noite gostosa.
O mesmo não se podia dizer de . Nem fazia questão de disfarçar seu descontentamento. Ele não gostou de ver a bagunça na mesa, segurando na mão de e garota rindo super maravilhada. Porém, também falhou bonito em não se afetar pela boca suja de batata, o jeito infantil de segurar o garfo e a personalidade brincalhona da menina. Caramba, ele sentia falta demais de uma garotinha do seu lado. Respirou fundo e engoliu a cerveja embravecido.
E lá do outro lado a batata e hambúrguer foram embora na velocidade da luz, mas o a conversa ainda rolava fervorosa. A maioria dos clichês das primeiras conversas entre pessoas ficaram lá para trás. Já sabiam a comida favorita do outro, o que gostavam de ouvir, de assistir. Qual era a tia mais chata, se tinham um bichinho de estimação ou não. Idade e cidades de origem. Algumas opiniões sobre os assuntos mais recorrentes, se assinavam no Netflix e se costumavam passar as madrugadas acordados.
quase saltou da cadeira ao ver no seu celular o número 2 seguido de outro número 2. Ca-ram-ba! Estavam ali há duas horas. Ela nem sentiu mais sede ou vontade de fazer xixi e duas horas se passaram. Fluiu de um jeito tão natural que se sentiu até boba por se sentir tão confortável perto de .
  - Acho que a gente gostou de conversar, viu? Já são dez horas! - ela ainda estava embasbacada com o horário.
- Já? Caramba, fala sério a gente é bom de papo. - deu aquela piscadela marota que derreteu . Ela se viu toda boba por ele - Quer ir embora? - a companhia dele era sem igual, sentiu que poderia passar a noite toda falando merda com . Mas o cansaço pesava na sua cabecinha. Passou o dia arrumando coisas no apartamento, resolvendo problemas de banco e de documentos… Queria ir pra casa, dar um tapa na nhaca e capotar.
- Vamos, quando eu cair na cama só levanto às duas da tarde. - abriram os dentes um para o outro e foram meio sem jeito entre o povo.
   Lord e tinham vazado fazia tempo. nem sentiu falta deles, afinal pra que dois barbudos com pinto se ele tinha a companhia gostosinha de uma garota com nome russo, sem frescura pra encher o rabo de batata frita e com as carnes bem distribuídas?
O movimento de carros era tranquilo na avenida em que morava, o calor comendo solto e aquela tensão crescendo entre os dois. Sabem como é, né? A conversa vai ficando lenta e mais calma, as mãos chegando perto uma das outras, os olhares se atrevendo e a vontade corroendo a espinha.
Pararam em frente ao prédio de que era gigantesco com 24 andares e sabe-se lá quantos apartamentos. A garota cruzou os pés com as mãos para trás e o quadril balançava de um lado para disfarçar o nervosismo. Já não conseguiam parar de sorrir.
Era uma cidade nova, uma casa nova e uma vida toda nova. Todos os carinhas sem sal lá da cidade minúscula de tinham ficado no passado e bem longe, os infeliz que infernizaram sua vida não a veriam nunca mais. Ninguém passando naqueles carros a veriam e iriam contar para sua avó e sua tia. Nenhuma criatura descendo a rua lhe julgaria pelo vestido, pelo horário e por conversar com um carinha.
Moralismo pra quê quando a vontade é grande demais?
  - Segura e salva. Sua avó não iria aprovar isso aqui, né? - conversaram sobre a vovó ser bem religiosa e ter pânico da neta perto de garotos.
- Nem um pouco, mas… Ela não está aqui pra me encher o saco. - não dava umas bitocas há mais de seis meses. E a última vez ainda beirou o desastre. O moleque era otário e ela se sentiu mais otária ainda por ter caído no papo dele.
  O zé mané não chegava aos pés de . Os pés ainda eram muita coisa pra ele, não chegava nem perto da pedrinha branca solta perto do pé de . Se deslumbrou com o jeito descontraído, o sorriso gostoso e o jeitinho charmoso e sexy de falar porcaria.
  - Sorte a nossa. - se aproximou vagarosamente e abriu a bocona num sorriso malicioso. sentiu a vagina dar uma contorcida, tudo ficou mais brilhante. Até os pelos recém raspados da canela se arrepiaram. Ca-pe-ta!
- Ainda bem que você falou comigo naquela fila. Eu ia ficar empacada pra sempre. - riu alto e sorrateiramente tomou pela cintura e percebeu que tocar a garota por cima de tecido era bom, mas não o suficiente.
- Pode ter certeza de que eu gostei de puxar papo contigo. - pôs o pé direito para frente e se permitiu viver. Depois de tantos anos bostas ela merecia uma noite decente com um cara decente. Beijar no primeiro encontro era só um detalhe daquele momento. Vadia? Na cabeça de alguns. Rápido demais? Dependia do ponto de vista.
Do ponto de vista dela estava tudo perfeito.
- Bom, e agora a gente vai estar pertinho um do outro então eu posso aproveitar pra desempacar. - adorou ouvir aquilo, era o que ele precisava pra saber que estava querendo o mesmo que ele. Uma porra de um beijo de boa noite.
- Ah, eu quero conhecer essa desempacada. - ela não se aguentou e riu. E também não se aguentou e passou a mão na franja de que estava caída de um jeito engraçado.
O rapaz deu um sorriso bobo. Se tinha gostado dele dando o passo inicial uma vez, com certeza gostaria ainda mais na segunda. Passou o dedão pela boquinha ansiosa de que tremeu de cima abaixo. Por fora estava controlada, mas por dentro queimava e dava pulinhos idiotas. O ambiente todo gritava: vão crianças, se beijem!
Boca tocando boca, a língua de se atrevendo junto com a de e finalmente os dois mataram aquilo que estava os matando, a vontade de sentirem seus gostos, dividirem um paladar excitado.
Porra, a garota gemeu alto o suficiente para ouvir e quase perder as estribeiras. Ela precisou apertar o pescoço dele e puxar o cabelo castanho compridinho para baixo e mataria alguém pra poder enfiar a mão por baixo do vestido dela. E quando a coisa ficou desesperadora a ponto das línguas se enroscarem visivelmente e esfregar sua bucetinha na coxa dele separou tudo na marra.
Se olharam como se fossem um pedação de picanha temperada com sal grosso. Parar aquela delícia era crueldade
- O que acha da gente combinar outra coisa e continuar da onde parou? - achava uma maravilha.
- Uma excelente ideia. - ficaram se encarando meio que sem saber o que fazer - Bom, agora eu preciso subir. - apontou para o portão com a boca toda inchada, queixo babado e um tesão desgraçado.
- Então boa noite. - acenou mesmo, se encostasse nela não iria largar mais.
- Boa noite e até. - tirou coragem do cu pra virar em direção ao portão. Prometeu que não olharia para trás ou seria capaz de voltar correndo.
ficou observando a garotinha ir em passos rápidos para dentro do prédio e só se permitiu ir embora quando soube que ela estava segura lá. Penteou suas madeixas com os dedos e respirou fundo engolindo todo o ar em volta. É, ele estava bem fodido, morrendo de vontade de fazer coisas não católicas e nem evangélicas com , a santa punhetinha da noite que o salvasse!
- A gente se deu bem até demais. - comentou até meio assustada enquanto passava as costas das mãos na boca.
- Sorte que nenhum carro passando aqui do lado pegou fogo. - sabia que seu pau estava bem vivo e duro por ali chorando atenção. Se recompôs devagar e se acalmou por saber que estaria sempre por perto - A gente pode sair de novo e partir da onde parou, o que acha?

Chapter 2 - Playtime

Acordar sem despertador tocando na orelha. Coisa deliciosa, maravilhosa, sedutora e sensual. sabia que mais parecia uma vaca preguiçosa largada no pasto verde e fofo de um dia fresco na cama de casal gigantesca do quarto novo e recém pintado. Mas, ela a-do-ra-va a sensação de ser uma vaca preguiçosa. Rolar pra cá, descobrir a bunda e cobrir de novo. Mexer no celular e voltar a cochilar, beber um pouco de água e voltar a cochilar e simplesmente dormir sem culpa. Sem vó berrando pra tomar café da manhã, sem telefone tocando, sem vizinha aposentada enchendo o saco logo cedo. Liberdade e independência, duas coisas as quais não abriria mão nunca mais na vida.
  Seria seu primeiro dia no curso de maquiagem e a garota não conseguia parar de pensar em toda a diversão e glamour. foi uma criaturinha sem vaidade por muito tempo durante sua vida. Até os treze ou talvez catorze anos não possuía um item de maquiagem que fosse somente seu. Passava um batom quando a avô insistia e nem ao menos se importava em pentear o cabelo que mais parecia uma vassoura depois de ficar mais de duas semanas sem lavar.
   não se importava com garotos e com competições de ego entre as meninas. Ela gostava de brincar na rua com outros moleques e jogar The Sims e assistir Nick e Cartoon Network na televisão até capotar no sofá. A maioria dos amigos eram garotas como ela ou então meninos nerd que passavam a tarde toda na lan house jogando GTA e Counter Strike. E sempre estava junto deles sentada num computador separado brincando de chutar pessoas e roubar carros no GTA Vice City.
  Um pedaço de todo o inferno vivido por na escola era consequência disso. Ela se lembrava dos primeiros anos escolares e de como era difícil fazer amiguinhos, de como riam dela, de como a isolavam e de como ela tinha dificuldade de se enturmar. Tinha a mesma idade das outras crianças e era da mesma classe social e mesmo assim não se adequava. Esta época era meio nublada em seus pensamentos e apesar de se lembrar de uma loira que sempre levava uma casa de boneca e usava batom rosa choque que a exclui e fazia com que as outras a excluíssem, não se importava muito.
  Quando mudou de escola, as coisas ficaram mais complicadas. Fez algumas amizades na sua sala e na com umas meninas que estudavam na mesma turma de uma prima. Porém, a partir dali tudo ficou bem mais problemático.
   tirava boas notas, não se metia em confusão e os professores gostavam dela. Mas, dentro da escola as crianças não se importam só com isso. Elas querem amigos, querem chamar atenção, querem ser interessantes.
Tudo ficou pior a partir da quinta série, o começo da pré adolescência. Ali ela presenciou a crueldade ferrenha de meninas que conforme se desenvolviam sentiam necessidade de sair pisando nos outros. Os meninos não viam nada de interessante nela. chamava atenção do jeito "ruim". Não tinha beijado ninguém, não usava brincos, nem roupas sensuais e os peitinhos não se desenvolviam tão rápido quanto os das outras meninas. Ficava na lista das meninas mais feias da sala, não conseguia pares para dançar no festival de fim de ano. Definhou sua auto estima, tinha uma visão completamente distorcida de si mesma e por mais que todos os anos passados depois dali tivessem a ajudado a superar um bom tanto de tudo, ainda era cheia de complexos.
E por isso, exatamente por todo esse peso em sua vida, pelos complexos e pelas inseguranças não poderia se sentir mal por ter lascado a língua em . Nunca que na sua cidade, no meio daquele bando de caras incompetentes, ignorantes e medíocres ela encontraria alguém no mesmo nível de , o engenheiro elétrico mais gostoso do mundo, pelo menos para ela.
E a danada demorou a pegar no sono. Revirou no colchão se lembrando dos detalhes da noite passado. Caramba, tinha sido um beijo só e rápido ainda por cima. Porém, para ela era como se fosse muito mais. Foi só a preliminar de muitas coisas que se imaginava fazendo com . Se uma punheta salvou a noite do assistente de , tenham certeza que uma brincada com o grelinho foi a salvação de todo o tesão corroendo as partes de .
  Ela precisou ir fervorosa na masturbação e gemer um pouco alto demais com dois orgasmos consecutivos para tentar dormir. E olha, demorou pra bichinha cair no sono. Ela ainda ficou pensando e fantasiando. era ótima em abstrair. Saía da realidade em dois toques, afinal, quando você vive uma desgraça nada melhor que entrar numa realidade paralela para conseguir suportar viver.
Se na infância a tática funcionava perfeitamente para ignorar a existência alheia, agora serviria de forma eficiente para projetar para si o futuro que imaginava com a atracando e a jogando contra a parede.
  Quando tomou coragem para levantar da cama já passava da uma hora tarde. O curso começaria às quinze horas e por ser lerda demais para se arrumar correu para o banheiro novo que ainda pedia uns itens de decoração e se enfiou embaixo da água quente. Um banhinho quente e cheio de espuma era o melhor jeito de começar o dia. Colocou o celular escorado onde colocava os xampus, condicionadores e outras coisas e abriu o Youtube. As vantagens de ter um celular à prova d'água... Não era uma ideia lá muito saudável para o celular, contudo, distraía a cabeça da mocinha se lavar e gastar água demais vendo tutoriais de maquiagem.
O café da manhã de não seria aprovado por nenhuma mãe desse mundo. Um copo de Coca Cola e um pacote de cookies de Hershey's. Tudo errado, tudo completamente errado. sempre teve que andar na linha casa da avó , mesmo tendo liberdade para comer sorvete antes do almoço a avó se esforçava para que a neta cumprisse uma rotina saudável. Agora que se via livre de um ser responsável por si, nada melhor que criar suas próprias regras. Talvez precisava de alguém para a por na linha, por enquanto ela viveria bem sem isso.
Devidamente alimentada e com o notebook tocando uma playlist de música pop dos anos noventa parou em frente às suas roupas bagunçadas. Precisava escolher alguma coisa decente, talvez sexy, porém confortável. Queria ir pra ahazar, mas também não queria parecer uma sem noção. ainda tinha probleminhas em assumir quem realmente era, os olhares de certa forma ainda incomodavam.
  O sol a fez escolher um shorts e talvez ela criasse culhões para usar a meia rendada até a altura do joelho que se afinava formando uma falsa cinta liga que subia pelos glúteos e terminava na numa faixa larga na cintura. Um soutien sem bojo e preto, que os mamilos ficassem livres, e uma regata cinza bem solta e com cara de barata. Descolado e simples.
  Separou toda a porcaria comprada para o curso, gastou uma grana do caralho em trocentas coisas de maquiagem. Primer, bases, pincéis, corretivos, paletas, esponjas, lápis, batons e mais o diabo a quatro. Uma maleta gigantesca que ganhou da tia de presente e uma ansiedade sem igual. A ansiedade quadruplicou e todo o chilique e vontade de sair correndo pelo apartamento tomaram conta da garota com uma mensagem de a chamando para fazer alguma coisa depois do expediente. Ela nem sabia onde iria, mas diria um sim bem grandão para ele.
   prometeu surpresa e disse que a levaria a um lugar que iria adorar com toda certeza. Mal podia acreditar que em pouco tempo a vida já tinha dado um salto daquele, dias com adrenalina e emoção. Nem nas melhores suposições pensou que seria tão gostoso assim mudar de cidade e encarar a vida.

  

xx

  

Conseguiu decorar alguns nomes com mais ou menos uma hora e meia de curso. Como era o primeiro encontro da galera rolou aquela coisa básica das pessoas se apresentarem, falarem um pouco sobre si e blah blah blah. Nessas situações logo se percebe quem é o engraçadinho, quem é mais quieto, quem perde a paciência fácil e quem é esnobe. nunca foi boa em fazer amizade com meninas, ela não sabia a razão.
Meninas a assustavam e ela até mesmo evitava contato. Grande parte das amizades da escola foram meninos e se sentia mais confortável perto deles, sem medo de ser julgada. Era meio assustador estar perto de tantas meninas, ela temia olhares e julgamentos. Um pouco do trauma sempre aparecia nessas situações e muitas vezes se impedia de viver. Boicotava quem era, evitava interagir. Não ia às festas com o pessoal por evitar contato com pessoas. Ficava presa na própria bolha com medo enquanto as outras pessoas viviam. Se sentia estúpida ao perceber ser a única pondo barreiras em seu envolvimento com outras pessoas. Trouxisse das grandes.
Estar ali era um novo passo em sua vida e tentava aos poucos mudar sua mentalidade. Aquele lugar novo dava a ela a oportunidade de mudar a forma de pensar, de arriscar e de abandonar as amarras que a impediam de ser feliz. Portanto, tentou se soltar, se permitir falar e rir em voz alta. Até mesmo se infiltrou em um grupo de meninas que acharam um papo em comum sobre regras idiotas de maquiagem. Ótimo, algumas garotas para pensar assim como ela. Afinal, essa coisa de que não se pode usar olho escuro e batom escuro no mesmo look é história pra boi dormir.
  A primeira aula não foi prática e nem teórica. O pessoal estava ali para se familiarizar com os esquemas, com a estrutura e os professores. Cada menina organizou sua bancada, escutou as regras sobre organização, limpeza e boa convivência. Receberam uma espécie de plano de aula, conheceram seus professores e trocaram experiências. Foi tão gostoso, tão legal e animador. até pensou que o pânico iria invadi-la, entretanto, a sensação horrível de desespero e vontade de ir embora nem passaram perto dela. Ela se achou e não poderia ficar mais feliz por isso.
  As horas passaram correndo e logo foi liberada. Com a agitação do primeiro dia de curso de maquiagem a garota se esqueceu totalmente de que iria encontrar . Ela deveria ter levado uma outra blusa dentro da bolsa e até mesmo uma calcinha limpa. Mas que merda. Por um momento parou para pensar e percebeu que tinha esquecido de passar lâmina nas pernas. Ótimo, a insegurança deu o ar da graça.
  Foi correndo para o banheiro pensar no que fazer. Percebeu que era tudo idiotice da cabeça estragada. Estava cheirosa e limpinha, com isso não teria que se preocupar. Tinha tudo que precisava para retocar a maquiagem e se sentir mais segura. Decidiu que seria melhor tirar a base e ficar apenas com a parte dos olhos feitas. odiava a sensação de base escorrendo e testa brilhando. Arrancou um lenço demaquilante da bolsa e passou o lenço úmido e perfumado no rosto notando a cor bege cobrindo o branco.
  Por sorte tinha um adstringente e hidratante consigo, algo que aprendeu com a mãe que não saía de casa sem seus produtos de pele. A mãe era muito vaidosa, bem perua e gastava rios em cosméticos. sempre viu a mãe se arrumando e se cuidando e pegou alguns costumes para si.
  Com a boca pintada de roxo e o delineador devidamente arrumado ela se sentiu bem melhor. O horário combinado se aproximava e aquela coisa na barriga se tornava mais forte. Esse tipo de novidade mexe com a cabeça de uma jovem, não era o primeiro encontro e isso não queria dizer que as coisas seriam menos tensas. A sensação de novidade não fora embora e sabia que ainda a surpreenderia muito.
  Respirou fundo sussurrando palavras de confiança para o espelho e saiu pisando forte. Chamou o elevador e ficou batendo os pés até ouvir um apito e a luz vermelha indicar seu andar. Entrou na caixa metálica e se encarou mais uma vez no espelho. Ela tinha que evitar as antigas sensações de duvidar da própria beleza.
Apertou o botão do andar de e deu graças por não ter companhia. Assim poderia falar sozinha em voz meio alta sem ninguém para atrapalhar. O elevador parou e respirou fundo, era a hora.
  Tomou um susto quando encontrou e os dois amigos da noite passada junto dele. A preparação que fez fora para dar de cara com apenas um gato gostoso. Não contou com a possibilidade de ter que dividir espaço com mais dois homens lindos e sedutores. Se sentiu uma besta quadrada.
  - Oi. - ela não soube formular algo melhor para falar, então tentou ser objetiva. Ergueu a mão e balançou os dedinhos para os três. sorriu de orelha à orelha. O careca de cavanhaque sorriu para ela e outro amigo de camisa cinza bem abotoada não demonstrou muitas emoções, talvez fosse o estresse do trabalho.
  - E aí, dona , tudo bem? Como foi o curso? - era elétrico e bem humorado, era fácil se sentir bem perto dele. Foi entrando e se aproximando de , passando uma mão pela cintura, subindo o braço para o ombro dela. Ou seja, tomando posse e isso mexeu com a eletricidade de que ficou quase paralisada.
  - Foi mais divertido do que eu pensei e estou bem por sinal. E você? - ela até já tinha se acostumado com , mas era estranho ter a presença dos outros a observando.
  - O garotão aqui está muito bem, . Passou o dia todo sorrindo por causa de um certo beijo... - sorriu totalmente sem graça, provavelmente ficou da cor do botão de emergência. Lord Luxor tinha uma alma encapetada e falou aquilo só para provocar . quase morreu quando chegou todo empolgado e maravilhado por ter beijado . Ele não conseguia calar a boca e não se sentiu nada confortável. Ele nem deveria sentir ciúmes da menina. Nem sequer trocou um olhar com ela, qual a necessidade daquele sentimento invejoso?
  - Não liga, essa peste se chama Lord e ele fala demais. - percebeu a vergonha no olhar de e não pode evitar achar aquilo uma verdadeira graça - Mas é verdade, estou especialmente bem humorado. - piscou para ela que quase se derreteu em sorvete de creme pelo chão.
  - Bem humorado até demais. - completou um soltando fogo pelas ventas. Uma coisa era ouvir contar suas aventuras outra era ver o amigo grudado na menina que mexeu com ele de um jeito muito maluco e idiota. Não, ele não era obrigado a presenciar aquela esfregação.
  - E o senhor Acordei com o Pé Esquerdo ali se chama . - Lord deu umas palmadas nas costas de . Ele até tentou ignorar o sorriso sincero e discreto que lançou para si, mas convenhamos que ele não conseguiu. mexia com a necessidade ele, fodia seu equilíbrio. Ela tinha exatamente o que procurava, os trejeitos malditos de uma little girl carente e danada. podia dar à garota as travessuras que ela curtiria por um tempo, mas o mais jovem jamais proporcionaria as experiências que era capaz.
  - , Lord e . Então esse é trio? - perguntou tentando ser simpática.
  - Exatamente e agora o quarto membro é uma gatinha chamada . - , por favor, seja menos maravilhoso. estava perdidinha por aquele idiota.
  O elevador finalmente parou no térreo e mal se despediu e partiu na frente. Que aquela ceninha fosse à merda, não iria brigar com , mas também não assistiria de camarote.
   , o engenheiro elétrico que ganhava bem pra diabo numa super empresa e fazia inveja em muita gente era genial e ao mesmo tempo estúpido. Qual o sentido de se doer tanto com o novo caso de ? Alguém me responde, qual? Basicamente nenhum, é claro. Viu míseras três vezes. Quem cria uma necessidade tão grande por alguém por vê-la apenas três vezes? Talvez fosse carência, talvez estivesse projetando o fetiche na garota por ela se encaixar no que ele desejava.
  Ah, meu pai. , pobre coitado, morava em um poço oco, vazio. Ao acordar de manhã enxergava um reflexo sujo e distorcido no espelho. Uma solidão que não ia embora, a sensação de um pedaço seu ter sumido. Toda essa bosta por ter entregado sua vida nas mãos dos amigos. Que todo mundo fosse pra puta que pariu, ele era um daddy. Não queria saber de mulheres como Alexia. Não queria mais transar como na noite em que foi para o motel com Jax, uma executiva da Ariel. Era ótimo, as mulheres arrebentavam, rodavam a buceta na cara da sociedade, mas não era a coisa dele. Seu corpo pedia por uma menininha má. Por aquele momento em que a realidade se sucumbe à uma fantasia. Uma garota safadinha de mente aberta e corpo entregue a uma sensação única. Precisava por uma criaturinha em seu colo e descer o spanking mais delicioso do mundo. Fazer com que a inocência fosse quebrada ao pedir para que ele arrebentasse sua bucetinha e a fizesse gemer até gozar. Ele queria lingerie de renda e laços, um gemido tão manhoso quanto o miado de um gatinho que pede leite para a mamãe. Precisava dominar e ao mesmo tempo acolher. Mandar e ao mesmo tempo se entregar.
Todo esse cenário se encaixava como feito sob medida em . Ele tinha tino para a coisa, um dom em enxergar potencial. E ao botar os olhos em sabia que seria ela a próxima, teria que ser ela. E então as coisas desabaram. É claro que prestaria atenção em , é óbvio que derreteria pelo sorriso infantil e encantador de . O garoto atraía meninas como como um super ímã. Ela não olharia para ele, não seria de primeira. teria que criar paciência, esperar e confiar que com o passar do tempo seria capaz de enxergar o que ele já previa, que de alguma forma a órfã precisava dele como seu daddy.
   parou em frente à enorme porta de vidro blindado do prédio e esperou por Lord que veio todo faceiro para o lado dele. e andavam colados e rindo de algo super divertido. respirou fundo e lançou um olhar cheio de significado para Lord, um olhar que dizia cale a porra da boca.
Os dois foram ao estacionamento, o que não foi o caso do novo casal 20. e ainda teriam uma noite toda pela frente. percebeu que era uma garota que não curtia balada, lugares agitados e que um barzinho seria sem graça para ela. A recém chegada merecia mais que sentar numa mesa à luz baixa por sabe se lá quantas horas. Ele pensou e pensou até se lembrar de um lugar que adoraria.
  Um galpão enorme e industrial foi captado pelos olhos de , ela ouvia uma música alta e animada vindo de dentro daquela caixa que parecia um container de navio. Olhou curiosa e instigada para que sorriu de volta como quem dizia “ei, confia em mim”.
  Por mais recente que fosse, estavam de dedinhos cruzados e o contato era bem confortável. Atravessaram a rua e logo entraram. quase caiu para trás.
AI MEU DEUS, QUE LUGAR LEGAL!
Era uma coisa maluca que misturava um pitada dos anos 70, umas boas xícaras dos anos 80 e umas colheres dos anos 90. Sabe-se lá Deus como descrever aquilo. Ela não prestou atenção no nome do lugar, mas nem faria diferença. O importante era tudo que estava ali na sua frente.
  Uma pista de boliche à esquerda, um cara com boca de sino e cara de hippie andando com um monte de algodão doce para lá e para cá. Um karaokê enfiado em uma espécie andar superior que era envolto por vidro a fim de isolar a cantoria que rolava solta. Mesas do estilo da lanchonete que aparece no filme Pulp Fiction e pessoas se matando loucamente com taças enormes de Milk Shake de morango e baunilha. Uma porra de uma pista de skate numa parte mais baixa que estava cheia de adolescentes descolados. Uma bandinha alternativa tocando umas músicas até legais perto daquelas paredes de escalar. percebeu que havia até um canto que indicava ser o caminho para um espaço reservado para laser tag. Era muita coisa divertida em local só e ela nem sabia por onde começar.
  - Deixo você escolher. - a despertou do transe.
  - Caramba, eu não sei. ... - ela o repreendeu com um tapa leve no braço. Ele entendeu bem o significado do tapa. reclamava o fato de não ter sido preparada.
  - Ei, não seja assim. Se eu tivesse falado a graça seria bem menor. - ela sabia, mas mesmo assim, ok?
  - Tá bom, mas é que... Cacete, acho que quero um Milk Shake pra ajudar meu raciocínio. - gargalhou, se ele pensasse bem seria fácil prever que gostaria de começar pelo Milk Shake. Não sabia bem o porquê, mas era a cara dela.
  - Certo, um sorvete na taça e a gente decide para onde ir primeiro.
   quis um Milk Shake de Oreo, sua saliva quase escapava por cada cantinho de sua boca. foi clássico e ficou com um de baunilha. Num dia normal estaria enchendo o rabo de cerveja, mas ninguém precisava de cerveja na situação que se encontrava.
Enquanto saboreavam o gelado saboroso trocaram mais umas informações sobre suas vidas. odiava protelar sobre contar o fato de ser órfã e abriu o jogo. logo fez a cara de tristeza e piedade que t-o-d-a santa pessoa fazia e deu um jeito de interromper aquilo. Odiava, simplesmente odiava quando olhavam para ela como se fosse uma coitadinha. Seus pais se foram, não estavam mais consigo, porém, nem por isso precisava de um copo de dó vindo de toda santa pessoa que ouvia sua história. Fez uma piadinha, contornou o assunto e voltou para onde queria. Trocar indiretas safadas com , muito melhor que ficar na deprê do pior dia da sua vida.
  Decidiram começar pelo boliche. não jogava há anos, tirou sarro pelo fato de seu pé ser enorme e ela se vingou dando uma lavada nele. se considerava bom e teve que engolir o ego ao ver a garota dar strike atrás de strike. Ele daria um jeito naquela carinha convencida já, já.
As horas foram passando. Escalaram a parede ou pelo menos tentaram. não possuía força suficiente nos braços e logo escorregava e fica pendendo na corda e voltava para o chão. comemorou como se tivesse chegado no topo do Everest quando completou a escalada e não perdeu a oportunidade de desdenhar. Ela chorou mais um Milk Shake antes de ir para uma competição de atirar dardos. Descobriu ser melhor de mira do que imaginava ao ganhar mais uma vez de . Ele desistiu dos jogos e ela obviamente bancou a cuzona e ficou enchendo o saco do cara que bem queria calar aquela boca atrevida com um beijo de língua guloso.
  Saíram de lá mais de quatro horas depois. Quando olharam no relógio puderam ter a plena certeza de que apreciavam loucamente a companhia um do outro. No dia anterior fora do mesmo jeito, o tempo comprou uma passagem de foguete e rasgou o céu numa velocidade impressionante.
   sentia como se tivesse passado dois dias diretos sem dormir somado à umas quatro horas de corrida. Estava suada e descabelada e nem por isso menos interessante. já não aguentava mais controlar o fogo estacionado da noite anterior, eles teriam que dar um jeito naquela coisa queimando o corpo de ambos.
  - Da próxima vez quero chutar sua bunda no laser tag. - estava bem mais solta com , o que era bom. Em momentos assim esquecia de suas limitações e se jogava.
  - Você não seja abusada, garota. - sabia onde morava e tomava as ruas para levar a garota até sua casa. Em sua cabeça um pedido desesperado para que ela o chamasse para subir.
  - Você que é ruim, a culpa não é minha. - ele riu afetado, a infeliz iria provocar mesmo, mas ele iria se vingar.
- Então eu sou ruim, tem certeza disso? - não era mais dos jogos que ele falava e a menina percebeu isso e entrou no jogo.
- Acho que eu não experimentei o suficiente para saber. - a essa altura a vergonha saiu pelo escapador do carro. ligou o foda-se, ela queria e ela iria se atracar com . Por todos os anos perdidos em sua vida e por todos os momentos que deixou de viver por medo ela iria se entregar agora e ser feliz. O moralismo podia ir para o quinto dos infernos.
- Então isso é um desafio? - o carro de estacionou bem em frente ao local onde os dois safadinhos trocaram carícias de língua umas trinta e seis horas antes.
  - Quer perder mais um jogo, ? - escorou o braço no volante e olhou fundo em para absorver sua excitação. não estava para brincadeira - Se quiser é só subir comigo. E aí? - a coragem pintou e a abraçou e a jogou toda de uma vez pra cima de .
  - Nunca se desafia , ... - a garota adorou o tom extremamente indecente na voz do cara gostoso. Sorriu sapeca e abriu a porta do carro. ouviu o metal se chocar ao que fechou a porta com força e desceu como um raio.
abriu o portão e ficou à espera do nerd. Mandou um beijinho bem atrevido para ele antes de caminhar rumo à porta de vidro escuro do prédio. encarou aquele rebolado bem caprichado e agradeceu aos céus por ter escolhido comprar camisetas na hora certa. Foram pessoas comportadas dentro do elevador, mas logo que a porta do apartamento dela foi fechado se desfizeram de todas as vergonhas restantes e permitiram que o fogo tomasse conta do apartamento conforme se alastrava pelas paredes.
  Enquanto ela rodava a chave na fechadura se esvaiu como um líquido derramando pelo chão. Procurou as costas de e a grudou contra seu peito. A regata de nem viu da onde vieram as mãos de que sem aviso prévio deixou apenas com seu soutien preto.
Os arrepios estrondavam em sua pele retorcendo os músculos, sensações tão boas quanto bolo de chocolate cheio de recheio e coberto por granulado.
   começou sua vida com meninos um pouco mais tarde que outras garotas da escola e da igreja, a vaidade passou a ser algo importante apenas no primeiro ano do ensino médio. Porém, o certo atraso não significava que a pilantrinha era idiota e tapada. era uma taradinha e tanto, ninguém sabia das pornografias que assistia de madrugada, dos gifs eróticos salvos em uma pasta escondida e dos boquetes que pagava em caras estranhos no escurinho de uma festa. Uma vez que as inseguranças iam embora, a safadinha sabia mostrar com quantos paus ela fazia uma canoa.
  Um estalo anunciou a porta trancada e se escorando na madeira empinou a bunda vagarosamente. Pressionava as nádegas bem no volume de . A coluna arqueava e a bunda se afundava no membro de . Ele ficou instantaneamente petrificado e sem reação. Oh, se surpreendeu e ah, foi uma surpresa boa. Apoiou as mãos nos ombros de , que não sabia mais o significado da palavra vergonha. Com as duas mãos escoradas na porta passou a rodar o quadril de com um sorriso assassino dos bons costumes.
O pau do cara iria explodir em porra naquela menina desgraçada!
  - Onde você escondeu tudo isso? - não era uma reclamação, como poderia ser? só ficou realmente curioso.
  - Aqui na minha cabecinha, ... - e mais uma rebolada no caralho carente de . Fosse ser covarde assim lá no inferno.
  - Quer dizer que enquanto tomava Milk Shake você estava pensando nisso aqui? - queria ouvir dizer, queria a voz da menina confessando seus pensamentos tarados de desejo por ele.
  - Isso mesmo... - largou a porta e se desencostou dela. Roçar a bunda no cara era formidável, mas eles tinham um beijo indecente para terminar e a distância da boquinha dele a matava.
  Estreitou o olhar nas íris famintas de , incrível como o olhar sedento dele dizia para ela o quanto entendia as fantasias criadas para suprir a vontade que tinham um pelo outro. fez charme alisando a própria barriga se oferecendo para o engenheiro. precisava toca-la e ao mesmo tempo não podia desgrudar suas órbitas daquele pequeno show que a peste fazia. Que menina do cão.
  A garota passou a caminhar na direção de e finalmente tocou o rosto dele. entortou os lábios para a direita e abriu de leve a boca para mostrar seu sorriso safado. ainda possuía um pouco de dificuldade para chutar a bunda distância, aquele nervosismo em dar o primeiro passo. Não era um problema para , que sabia muito bem o que fazer.
Agarrou a cintura de , girou o corpo da garota e a empurrou na direção de uma bancada de mármore que dividia a sala da cozinha. As costas dela não se importaram com o choque quando elevou o quadril feminino. Ela ficou sentadinha na bancada balançando os pézinhos de forma encantadora. amou a cena e amou mais ainda assim que abriu as perninhas e passou os dedos atrevidos por cima de sua bucetinha ainda coberta pelo tecido do shorts.
O nerd se enfiou no meio dela e usou as mãos para fechar as pernas da menina em suas costas. Os braços de tomaram posse dos cabelos compridinhos de e repuxou como pode para faze-lo chegar perto de sua boca. Finalmente atracou os lábios dele e passou a língua pela língua que sonhou a noite inteira em ter.
Assim que as pernas dela se prenderam nas costas masculinas largou-as para agarrar os peitos de . Os mamilos durinhos tomavam espaço no tecido de forma visível, dois pontos excitados e atraentes. O garoto babou literalmente na boca de ao se imaginar chupando aqueles peitinhos.
Agarrou o seio direito com tudo que podia e não conseguiu permanecer no beijo. Ela gemeu liberando todo seu tesão e quase capotou com o efeito daquela manha que vazava fora do corpo dela e forma de gemido.
se divertia guiando os movimentos de com as puxadas de cabelo que dava no rapaz. Mas logo pegou gosto por aproveitar outras partes dele, como arranhar o pescoço e demorou para se tocar de queria passar as unhas verdes pelas costas dele.
  ALOK!
   quis lamber cada rastro do corpo de assim que viu o rapaz tirar a camisa. Jesus, socorre porque a porra ficou feia. empurrou e saltou da bancada. E do jeito mais desengonçado do universo fez com que ele se sentasse no sofá. O jeans da Levi's tinha um pacote enorme à mostra. Ela não sabia pra onde olhar, como se comportar. Era demais pra sua cabecinha perdida.
  - Filho da puta... - ela reclamou, não tinha aquele direito de ser tão gos-to-so!
  - Gostou, né danadinha? - abriu o maior sorriso convencido assim como abriu os braços dando a uma total visão de seu abdômen e peitoral dos céus.
  - Cala a boca. - ficou levemente intimidada pela gostosura sombria dele e não era hora pra drama, tinha que dar um tapa rápido naqueles pensamentos desnes. Então, que igualasse o jogo.
Mirou bem fundo o olhar de . E sem desviar-se dali puxou o botão do shorts. passou a suar e afundou o traseiro no sofá. E depois ele que era o filho da puta, né?
O jeans ficou mais solto com o zíper abaixado e o desceu bem devagar, testando a santa paciência do coitado do . O tecido cortava o atrito passando por sua pele até desabar no chão. Um pé para cima e depois outro e ficou paradinha com a boca mordida em frente à apenas com a lingerie simples e matadora.
A calcinha de tira larga tinha a cintura um pouco mais alta e o tecido meio transparente deixou que visse bem o fato de ter dedicado um tempo do seu dia para passar o gillete na sua área íntima.
  - Gostou, né danadinho? - parafraseou que estendeu o braço oferecendo o colo para ela.
   mal chegou precisou chegar perto, já a agarrou e forçou seu pau em sua bunda. Os dois gemeram juntos e riram. Era safado, adolescente e sem juízo algo. Abaixou uma alça do soutien para poder ter em seu paladar o seio da garota. Mamou em seu mamilo durinho e fechou os olhos em êxtase. Ela não conseguia parar de arrastar a bucetinha naquele volume não permitido para menos de dezoito anos que guardava entre as pernas.
No ápice daquela esfregação sem vergonha um som abafado vindo do bolso traseiro de atrapalhou tudo. Merda, porra, capeta dos infernos! Quem se atrevia a atrapalhar o momento de indecência de dois jovens explodindo hormônios? toda molhada e todo duro e a porra do celular tocando Wild Boys do Duran Duran.
  A música só poderia dizer uma coisa, era Lord ligando do número da empresa e quando Lord ligava do número da Empresa ele era obrigado a atender.
  - Desculpa, . Eu tenho que atender. - tentou não falar com a voz brava, mas estava mais puto que o Godzilla - Lord, é bom que alguém tenha morrido. - o descompasso da frase fez com que Luxor percebesse na hora o que rolava.
  - Ah, você vai contar o que aprontou na frente do , né? Diz que vai. - lembrou do amigo enciumado e permitiu uma risadinha.
  - Não foi pra isso que ligou, Luxor.
  - Não foi mesmo. Preciso do senhor agora, deixou um furo de cálculo no último relatório e me ligaram dizendo que eu tenho até às seis da manhã para apresentar essa porcaria de novo. Só você pode me salvar. - ah, mas o safado irresponsável do pagaria caro por aquilo.
  - Eu já chego aí.
   fez bico e jurou para ela que no dia seguinte nada, mas porra nenhuma na superfície do universo iria impedi-los de foder e gozar até caírem duros no chão.

Chapter 3 - F*CK

Bom humor pela manhã é um treco doido. Tem gente que já acorda chutando a beirada da cama, xingando a mãe e querendo que o dia se estoure e morra.
  Mas não nosso garoto. acordou assim, reluzente. A pele brilhando, o xixi clarinho e com os dentes no quarador. Tudo bem, a gente sabe que Luxor empatou a foda dos dois jovens foguentos, mas, mesmo assim, deu uns pegas gostosos. Beijos indecentes, pegadas safadas, putaria falada e praticamente nua. Um pau duro e bem duro e por mais que a frustração de uma segunda noite terminando em punheta fosse irritante ele sabia com seu cérebro de gênio que muito em breve ele e acabariam com a tensão trepando pra valer.
  No enorme espelho de seu banheiro acarinhou o cavanhaque ralo e mediu os músculos do braço. perdeu um pouco de peso depois de ter entrado no novo projeto da Ariel. Nunca ficaria no porte Lord, que era um maromba de primeira e fazia burpees por puro hobbie numa quarta feira à tarde, só que estava se curtindo. E a tal da ajudava no processo de auto estima.
  Quando procurava pela chave do carro já tinha uma ideia digna de Maquiavel rondando sua cabeça. Não que fosse do tipo de cara que conta vantagem pros outros e se acha o fodão por ter pegado uma garota, também não era do tipo que saía espalhando a intimidade alheia ao Deus dará… Mas provocar fazia parte da agenda de e ele não abriria mão deste compromisso.
  Assim que apertou o botão do controle o portão passou a caminhar para sua direita acelerou o carro para subir a rampa e enfrentar um pouco trânsito. Dez horas da manhã era um bom horário, com o tanto de horas extras que fazia e por quase morar dentro de uma sala com e Lord o mínimo era não precisar acordar cedo. Diferente dos dois amigos, que não importava a ocasião estavam de pé logo cedo com uma energia não registrada nos livros.
  E sem surpresa alguma ouviu o celular tocar aquela mesma música que tocava todo santo dia em horários apropriados ou não, aquele hit dos anos 80, o theme de entrada de Mirko Cro Cop e sucesso sobre garotos selvagens do Duran Duran.
  - Estava demorando. - comentou irônico sabendo que Lord riria do outro lado da conversa.
  - Nunca vou deixar de desejar um bom dia pro meu garoto. Se bem que acho que não é preciso por hoje, hm? - Luxor tinha a capacidade de escorrer malícia 24/7.
  - Vai tomar no teu cu, Lord. Você empatou minha foda, não seja cínico comigo. - e a gargalhada escandalosa ecoou pelo viva voz. Lord girou o corpo em sua cadeira cara de couro morrendo de dózinho de .
  - Primeiro as responsabilidades, , depois as garotas.
  - Engraçado que eu sempre atendo suas ligações de última hora que só enchem o saco e ainda me lasco. Teu amigo nunca atende essas merdas e não vejo ninguém se estressar pro lado dele. - era péssimo, mais que péssimo em cumprir as rotinas do seu trabalho. Senão fosse seu cérebro e capacidade teria perdido o emprego em seis meses.
  - Você sabe que isso não sai de graça pro , não sabe?
  - É eu sei, mas mesmo assim é bom te encher o saco e te lembrar que eu gozei na minha mão e na minha casa essa noite. - Lord achou mais graça ainda com sua sonora risada.
  - Eu vou dar um jeito de te recompensar depois, só confia em mim . Já saiu de casa?
  - Sim, daqui um pouco eu chego aí. - o carro virou à esquerda e ficou feliz pelo sinal ter aberto.
  - Te liguei porque preciso de um favor… - já no novo escritório a mente maligna do chocolate sensual maquinava.
  - Você pedindo um favor? A coisa deve ser feia, até onde eu sei Lord Luxor dá ordens. - e obviamente não perderia a oportunidade de aloprar seu companheiro.
  - Me deixe ser um cara legal, poxa vida. - então suspeitou do que se tratava - Infernize nosso , ele estava tão putinho da cara ontem. Eu preciso ver o homem pegando fogo de raiva. - profissionalismo pra quê mesmo?
  - E você acha que eu já não decidi isso por conta própria? Hoje somos nós dois contra ele, meu negro maravilhoso. - Lord então percebeu que chegara ao ambiente de trabalho. A recepcionista tinha uma tara pelo engenheiro e sempre se ajeitava na cadeira, puxava o decote e retocava o batom. Sorriu mais galante ainda.
  - A donzela chegou, estou te esperando, gatinho.

  

Elevadores causavam aflição em . Se lembrava das aulas de mecânica e uma sensação notória de tédio beijava suas bochechas angulosas. Ignorava o espelho gigantesco e brilhante e procurava não prestar atenção nas pessoas do lado. Não fazia o estilo Lord que se arreganhava para todo mundo e não fazia o estilo “James Bond” de que sorria simpático, porém, matador e sedutor para derreter meio mundo de fundilhos.
   era um garoto sorridente e quieto que a mulherada do prédio ainda tentava desvendar. Ele não falava muito, não mostrava muito os dentes. Era suave, calmo e tranquilo. Sempre descolado, bem humorado. Bem jovial, afinal, era uma garotão. Apesar de odiar ser tratado com o caçula. e Lord às vezes o tratavam como um menininho de 8 anos.
  Deu bom dia pra um povo e empurrou a porta de vidro. Respondeu a voz fina da recepcionista e passou por alguns que trabalhavam ali e finalmente chegou no seu reduto, no seu espaço trabalho com as outras duas criaturas.
  - Bom dia, meus engravatados preferidos. - Lord sentado no sofá de couro marrom passando o dedo pela tela do celular e em pé em frente ao quadro anotando ideias sem sentido no quadro de vidro.
  - Bom dia. - respondeu concentrado em sua letra cursiva que só ele era capaz de entender.
  - … - e ali Lord pregou sua malícia pecaminosa. Os dois se olharam cúmplice enquanto respirava fundo e compenetrava sua mente nas resoluções de eficiência de motor - Alguém teve uma noite agitada, heim? - o moreno abriu os braços e fez um biquinho encantador para o colega mais novo.
  - Senão fosse você e seu celular maldito eu teria descansado essas costas doloridas num colchão novo. Ainda iria poder vir a pé para o trabalho e quem sabe com um boquete no lugar de café da manhã. - desencostou o marca texto preto do quadro e se virou para Lord e com um semblante extremamente irônico.
  - Vocês podem parar com o joguinho imbecil. - apontou a caneta de ponta grossa para eles - Se eu fiquei com tesão pela menina? Sim! Se eu fiquei bravo com indo pro apartamento dela e não eu? Sim! Se eu pareço um moleque mimado e birrento? Sim! Se eu tenho que aguentar essa palhaçada? Não! - Lord desatou a rir enquanto batia palmas e sentou-se ao lado dele.
  - Ora, ora. O primeiro passo é conseguir assumir, estamos caminhando para algum lugar. Só que me perdoe, eu realmente estou a fim de falar sobre como foi gostoso beijar . - se espalhou sobre o sofá e cruzou a canela direita em cima da coxa esquerda, todo faceiro.
  - A vontade, assistente. - lançou sua piscadela meio recalcada meio esnobe e virou-se para seus afazeres.
   desatou a falar e ele sabia que Lord perguntava e cutucava detalhes para que ambos brincassem com a sua cara. Ele levaria na esportiva, afinal, ele tinha que levar. ainda era um mistério em sua mente. No dia anterior, dia em que e saíram como um casal jovem cheio de energia pra gastar entrou em seu carro puto com a vida e revoltado. Até mesmo invejoso, porque né, sejamos francos. Ele queria estar no lugar de .
   não tinha conhecimento deste seu poder. Ela não fazia ideia de que muitos homens que ela julgava nem saber de sua existência na verdade a encaravam e a desejavam em silêncio. E no ardor de sua mudança e louca por aventuras ainda não tinha tido tempo de perceber que estava como Pompéia por ela.
  E ele ainda teria altos e baixos envolvendo aquela garota. Algo berrava dentro de e ele não iria desistir de ter do jeito que queria mesmo com no meio do caminho. Ok, não era uma competição. Ele não iria se meter no meio da coisa deles e aprontar algo. era paciente, ardiloso e estratégico. E quando sua hora chegasse tudo daria certo.
  A manhã foi cheia daquilo e disso e não aguentava mais. O horário de almoço também. E a tarde toda, claramente. Os ponteiros do relógio dando voltas e voltas e os outros dois não calavam a boca. Uma piada pra cá e uma provocada do capeta pra lá e a paciência do engenheiro chefe indo pro ralo do purgatório.
  Precisava relaxar, dar um tempo pra cabeça e quando se esgotou das línguas maledicentes de e de Lord procurou seu caminho para fora dali. Estalou a escápula algumas vezes, desabotoou o primeiro botão da camisa e subiu um pouco as mangas de tecido cinza e decidiu tomar um ar.
Caçou o maço de cigarro no bolso da calça social costurada por algum alfaiate que cobrava caro demais e puxou um cigarro. O maço foi guardado e assim o esqueiro resgatado. Deixou tudo no jeito e assim que a porta pesada do elevador novinho em folha se abriu adorou sentir o frescor do vento correndo pela cobertura do prédio.
  Um baita céu bem iluminado, aquela cor pastel de um azul escuro que foi misturado com bastante branco. Pessoas relaxando nos brancos feitos de madeira reciclada, nas mesas de guarda sol de tecido sustentável de faixas verdes e faixas beges.
  Decidiu observar a vista, nunca tinha estado naquela área nova aos seus olhos. Caminhou pacientemente e já acostumado com todos os olhares admirados pro seu lado não se incomodou e nem tentou prestar atenção em quem o olhava. não abria a boca perto dos outros e tinha aquele ar de mistério. Novidade alguma, as pessoas sabiam disso.
  A verdade é que estava de saco cheio daquele tipo de gente. Se sentia um estrangeiro no primeiro dia de viagem. Perdido, isolado, fora de casa e sem identidade. possuía mundo próprio, mundo que era julgado e boicotado.
  Pobre, . Tão chateado e sozinho e frustrado. As palavras de latejavam em sua cabeça. Vamos perdoar o colega, né? Todo mundo tem esses momentos idiotas na vida. A gente sabe que não faz sentido, sabe que está pensando merda e não adianta. Pensa mesmo assim e fica remoendo aquilo. Seres humanos são imbecis. Somos assim, otários. Fazemos papel de trouxa mesmo, é evolutivo quase.
  Na hora de lidar com sentimentos todo mundo tem suas manias e idiotices. se deixou levar. Ele precisava deixar, se ficasse remoendo pra sempre sua vontade e reprimindo a inveja só ficaria pior.
  O resumo da ópera era bem simples, queria . desejava .
  Pronto e acabou. Ele desistiu de encontrar sentido na atração maluca e desmedida que saiu do meio do seu rabo quando ele pregou o olhar nela.
   era dona de pequenos detalhes que o enlouqueciam. Ele não precisou olhar pra ela por muito tempo para saber disso. O tino de era certeiro, quando botava os olhos em algo a porra já apitava e ele sabia, ele conseguia ler as garotas. O potencial piscava em torno dela e quando se encontraram no elevador analisou toda as pequenas características de e as desenvolveu mentalmente. Ele leu seus sinais e os interpretou.
  A forma como sorria envergonhada, por exemplo. Dizia que não estava acostumada a ficar perto de homens a admirando. Parecia surpresa com a animosidade de e Lord e isso dizia que talvez sofresse com problemas de estima. Se fosse habitual aquele tipo de assédio sadio não fecharia os ombros e abaixaria a coluna.
  Evitou contato ocular direto, mais um sinal de que era arredia com pessoas. Porém, pelo outro lado fora amigável e simpática em sua timidez. E isso mostrou a ele que apertando os botões certos poderia fazer com que a garota perdesse as estribeiras e mostrasse quem realmente era para o mundo.
  Coçou o pescoço com o cigarro preso entre os dentes. Até sentiu um leve gosto forte de tabaco puro na língua. A mordida foi forte, fez o papel ceder e o cigarro despencou ainda pela metade. Foi caindo e passando em frente as janelas de vidro até chegar na calçada. Bufou irritadinho e procurou pelo maço de novo.
  Ao ter dificuldade para enfiar a mão pelo bolso abaixou o rosto e viu algo diferente refletido no espelho do lavabo.
  Adolescentes. Um monte delas. Quietinhas, bem vestidas, arrumadinhas escutando um chinês de braços enormes e camiseta agarrada dar dicas de maquiagem enquanto maquiava uma modelo daquelas que é loira demais e tem os dentes da frente bem separados.
  Arqueou a sobrancelha como faz Dwayne “The Rock” Johnson e passou a correr o olho por elas. Várias meninas de estilos diferentes em um lugar onde a permissão para explorarem suas personalidades era dada de bom grado. , não era necessariamente um daqueles caras com tara por “novinhas”. Esse era um grande problema com o senso comum na hora de entender que porra confusa era um relacionamento DD/LG.
  Gente. não era um pedófilo maluco que ficava tarando menininhas inocentes. Seus olhos atraíam-se por determinados padrões que chamavam sua atenção. Padrões de personalidade mais que padrões físicos. Sabe aquele homem que diz ter um tipo? Ou é loira ou é morena, ou é peituda ou é bunduda. não tinha dessas, era um cara simples. Quando o santo batia era aquilo e pronto. Mais velha ou mais nova, mais gorda ou mais magra, tanto fazia. Ele precisava da essência certa, da combinação mágica.
document.write(Magno) que conseguiu achar as pernocas de no meio daquelas meninas. Riu sem fazer barulho e não desviou o olhar ao acender um novo cigarro. estava com uma pequena caderneta preta em mãos e uma caneta roxa cheia de glitter. Como ela estava concentrada, cassete. Alguém ia ter que dar um estalo barulhento na frente da carinha dela para chamar sua atenção.
   adorou encarar aquele concentração. Prendeu seu vício entre os dedos e o tirou da boca liberando a fumaça de cheiro forte e esbranquecida que se perdeu no ar. Admirou dos pés a cabeça. Notou como tremia as pernas e balançava o quadril. Um provável sinal de déficit de atenção e hiperativismo.
  A pentelha não precisava olhar para a caderneta para escrever, conseguia observar o professor e anotar as ideias sem se desviar, também reparou neste detalhe e o achou interessante. Achou mais interessante ainda como era dona de uma personalidade bem própria.
  Seu sangue ficou confuso e não soube se começava a correr para em mais quantidade para seu pênis ou se mantinha a rota normal ao se dar conta que ela usava um choker de couro com uma argola de metal no meio.
Pescoço.
Aperto no pescoço.
Choking. Ok, se segura . Você consegue respirar e agir como uma pessoa concentrada e não tarada e não vai pensar em como sua mão encaixa perfeitamente no pescocinho fino e comprido daquela menina que tá pegando teu colega de trabalho e amigo pessoal. Não, você não precisava fantasiar com isso e lascar mais ainda a tua cabeça. Tu é forte, é mais forte que a fantasia.
  Não, não é.
Isso. Quer saber? Foda-se, pensa sim. Deseja, bota esse caralho pra fora. Esse caralho de desejo e não teu pinto. Teu pinto você guarda ou pode ficar ruim pra você. Controla tua ereção, você quer mexer com isso no conforto da tua casa e não no meio de todo mundo no teu ambiente de trabalho.
É, foi complicado. ficou quase bêbado de tanto prestar atenção em . Foi ali que ele percebeu que fazia sentido estar fixado demais nela, afinal, a garota soltava por cada mísero poro daquela pele reluzindo hidratante da Victoria’s Secret uma essência que o atraía pra caralho.
  E o potencial? era assim, um gênio. Achava soluções malucas pra resolver seus problemas no projeto da Ariel assim como fazia na sua vida pessoal. Sua cabeça trabalhava de um outro jeito e sua visão clínica não o enganava. precisava de um guia para se encontrar. Uma little esperando para florescer.
  Não pensava nisto de uma forma egoísta. Não era pra saciar seus desejos e sim os dela. A fazer descobrir de quais coisas realmente gostava, terminar de se achar na vida. Se completar, viver um verdadeiro eu. Era da conta dele? Não. O interessava? Sim. deixou tapado e demente de atração, escorrendo tesão por ela. Na bagunça de pensamentos apostando corrida na mente dele, fazia sentido.
  Só que tinha um probleminha. e o compartilhavam, por sinal. O celular de também tocava a qualquer hora sem aviso. E também ecoava Wild Boys, era uma música que Lord curtia muito e obrigou os dois a colocaram como toque especial para o número profissional de Luxor. iria agradecer Luxor de uma forma não muito elegante por acabar com sua miragem particular.
  - . - era assim que sempre atendia o telefone, respondendo seu sobrenome com um tom sóbrio e profissional.
  - Perdão por acabar com seu intervalo, mas preciso avisar uma coisa importante. Anote bem, tá bom? Pega uma caneta e escreve na testa pra não esquecer. - revirou os olhos, tinha aquela má fama de ser irresponsável, não suportava os conselhos que recebia.
  - Não me torre, Lord.
  - Dez horas, apartamento do Doutor Bonitinho Sabe-Tudo. Atrasos não serão tolerados, dez horas são dez horas. - um dia Lord morreria engasgado pela própria ironia.
  - Aye, Aye, Capitão. - nem se deu o trabalho de esperar Luxor responder, Encerrou a ligação com frieza. Sabia que o aviso de Lord significava que o moreno teria que sair e não sabia se voltaria para avisa-los.
  Apagou seu cigarro e o jogou no local indicado na lixeira ao lado. Deu uma última checada em e sua bunda arrebitada e arredou o pé. Fazia mal só olhar e não ser notado. E ainda saber que por companheirismo não furaria o olho do amigo sendo um babaca de segunda. Não estava fácil ser .

  

xx

  

Roupas. Roupas passando rapidamente pelos olhos de como um leitor de código de barras. pelada no meio quarto com o Spotify aberto e nada de achar uma roupa. Ela não conseguia se maquiar antes de decidir qual roupa usar. Mas, pra que uma roupa especial? Afe, que pergunta idiota. A resposta não é óbvia?
  … foda empatada…
Assim que saiu da Ariel, meteu o celular nas mãos e avisou, nem sequer perguntou se ela queria já que ele sabia que sim, que iria busca-la para eles irem pro apartamento do nerd. Afinal, dois encontros e já estavam bem íntimos. Não aguentavam mais segurar o fogo no cu que sentiam um pelo o outro. A frustração sexual escalando as paredes, pulando a janela e berrando pra quem quisesse ouvir que não dava mais pra esperar. Ou fodia ou fodia. E sabia disso, apesar de meio tapada, ela sabia disso.
  Precisava começar pela lingerie. cresceu com, Vogues, Instyles, Marie Claires ao seu colo e ela aprendeu lendo as colunas e vendo as fotinhas das revistas que lingerie era um treco importante tanto pra auto estima, pra se sentir sexy quanto pra sensualizar em encontros. E a danada desenvolveu um gosto caro por lingeries. Comprava coisas mais casuais em lojas de departamento, mas vivia parcelando comprar gigantes no cartão de crédito. Consumista, imagina!
  Abriu a gaveta de calcinhas e analisou uma por uma até achar a perfeita para o momento. Agent Provocateur, loja bem carinha. Renda bordô, costura fina, tradicional lacinho de fita na parte da frente. Caçou o soutien da mesma cor e material, aquele meia taça com bojo e alças finas. Ficou feliz ao por uma peça perto da outra, nunca tinha os usado. Ficou esperando e esperando pela ocasião perfeita e se deu conta da besteira logo quando os vestiu. A hora perfeita não existia, então que fosse com . Valeria a pena.
  Passou os cabides de um lado pro outro. Encontrou aquele crop top preto bem cavado e sem mangas que deixaria a lateral do soutien de fora e ficou bem satisfeita. O shorts de cintura alta cobriria um tanto da barriga, mostraria as pernas e… Olhou para um espacinho reservado do closet para peças especiais. Aquelas peças e acessórios que comprava e tinha vergonha de usar. e seus devaneios, suas inseguranças e complexos.
  Encarou aquele pedaço de couro sintético com spikes e tiras. Uma heart gater. Acessório de por nas coxas, com um coração de metal presos à tiras de couro e com spikes de de coração. Ela achava aquilo tão lindo e maravilhoso. Desde quando descobriu aquele site chamado We ♥ It e encontrou o estilo que a inspirava e completava só sabia desejar uma daquela. E quando pode comprar, quase teve um treco. Tirou um zilhão de fotos, mas usar pra sair que era bom… Nada!
  Cidade nova, apê novo, bofe gostoso. Põe essa merda!
  Encaixou o trem na coxa e percebeu que o cabelo só precisava ser posto de lado e encarou o relógio. Atrasada, pra variar. Batom escuro deixava a boca dela maior e mais gostosa, um traço de delineador grosso pra dar menos trabalho e pronto. estava pronta dois minutos antes do horário combinado com . Sentou na cama e tomou o celular e mãos. Os joelhos indo pra cima e pra baixo bem rapidinho.
   podia ser meio sonsa e tonta, perdida com algumas coisas. Experiências ruins e tudo mais, mas ela menina manjava dos esquemas. Tumblr, conheceu quando uma prima da ex melhor amiga a mostrou e disse que ela gostaria. Juntou a fome com a vontade de comer. Um bando de gringa estilosa, alternativa do jeito que ela sempre quis ser. Achou referências de maquiagem, de cabelos, de roupas, de tudo. E virou o que virou. E claro, Tumblr é um poço sensacional de pornografia.
  Gifs pornôs, quem os conhece com certeza os ama. E mais que isso, aquela pornografia meio pastel sassy goth? Isso existe? É, deve existir. Aquela coisa meio inocente, porém bem safada. Um toque feminino com trevosidade, lingeries maravilindas, renda e muita renda. Chokers, meias 7/8s, corsets e meias finas rasgadas. Muita coisa, informação pra diabo num parágrafo só. Um jeito preguiçoso de resumir a menina. adorava tudo isso daí e na cidade nova era hora de encarar sua verdadeira personalidade.
  O celular apitou. Mensagem lida. lá embaixo, saiu desvairada percebendo que estava descalça e caçou a primeira coisa que viu e meteu o coturno no pé sem meia. Estava calor, mas fazer o quê? Pelo menos iria disfarçar a falta de esmalte na unha do pé.
  O elevador demorou demais e ela foi de escada. Isso mesmo, ansiedade era demais pra esperar a porcaria chegar. Apareceu no térreo quase tropeçando nos próprios pés e só parou para respirar quando deu de cara com o porteiro abrindo a porta para si. Deu aquele boa noite afobado e tentou parecer normal ao sair pela porta e caminhar tranquila para o portão.
   acenou da janela e só conseguia prestar atenção nos dentes caninos dele que deixavam o sorriso mais sexy e na barbicha rala que faria um atrito dos bons em seu clitóris.
  - E aí, dona ? - já veio com aquele perfume maravilhoso chegando perto, dando selinho. Ai, assim o cu da gente não aguenta.
  - Hey, boa noite. Tudo bem? - brigou consigo mesma de forma interna. “E aí, tudo bem?”. Dava pra ser menos tediosa, não?
  - Dia não foi muito bom no trabalho, estou contando com sua ajuda pra melhorar o humor. - deu aquela piscadela que quer dizer mil coisa e arrancou dali e só faltou engasgar na própria baba.
  O apartamento de era bem maior que o dela, mais bonito, melhor decorado e provavelmente bem mais caro. O espaço da sala era gigante e era a cara de . PS1, PS2 ao lado de um Atari e outros consoles que não sabia o nome numa prateleira de vidro. PS3, PS4 e XBox próximos da enorme Smart TV. Trocentos DVDS ao lado da televisão, pôsteres dos filmes preferidos dele. Paredes azuis marinhas e cinzas e aquele toque de modernidade dado pelos eletrônicos, pelas lâmpadas baixas, luzes de LED. Um ar meio futurista sci-fi que intrigava . Ela não conhecia muito, mas se seduzia pelo tema.
  Um tapete tão macio ajudava a dar um ar mais confortável ao lugar. Ela não sentiu a textura com os pés, mas dava pra ver que era muito macio. gostou do tapete, gostou daquela ovelha gigante esparramada no chão. Ela inclusive teve ideias com o felpudo.
  - Toma algo? - voltou à realidade ao ouvir a pergunta de .
  - Não tomo álcool, lembra? - encarou , deu aquela analisada e voltou pro enorme refrigerador prata.
  - Suco ou refri? - a cabeça enfiada na porta a procura das latinhas de bebida pra menores de idade.
  - Refri. Deixo você escolher. - riu e escolheu uma Pepsi. Pepsi era bom, era anos 90, ele gostava de Pepsi.
   queria sentir a porra da maciez do tapete. Tirou o coturno sem se sentir constrangida e se largou no sofá escuro de . Oh coisa boa. textura maravilhosa. O sofá era gigante e ela esqueceu que estava na casa alheia. Virou de barriga para baixo e esticou as pernas, rolou ficando com a barriga agora para cima e jogou os braços lá para trás para se alongar. Até reparar em parado um pouco mais à frente segurando as bebidas e sorrindo safado.
  - Pode ficar à vontade, eu não me importo. - caminhou para sentar-se ao lado dela. continuo lá deitada e abestalhada.
  - Estou chateada porque esse teu tapete e teu sofá são mais confortáveis que meu apartamento inteiro. - não controlou a risada.
  - Pode vir deitar aqui sempre que quiser.- ai, santa malícia. Isso não faz bem pra sanidade das pessoas.
  - Olha lá, eu posso ser bem folgada. - a forma como se soltava com era natural e quase mágica. A vergonha, a insegurança voavam para longe e ela simplesmente se entregava para as coisas que sentia vontade. Algo ótimo, formidável.
  - Seja folgada, eu não me importo. - abriu a lata dela e colocou sobre a mesa do lado. sorriu e sentiu o gosto da própria boca ao morde-la.
  Se esticou de forma proposital para pegar sua latinha. Arrebitou a bunda, a polpa das nádegas ficaram de fora, lambeu um dos lábios e assim que voltou para a posição inicial e encostou o bico no alumínio e deu um gole na bebida ficando com a boca vermelha e molhada não teve volta. pegou a latinha, pôs pra lá com pressa e atacou a garota. Eles não queriam conversar, queriam acabar com os assuntos pendentes. Assuntos que envolviam língua na língua e mãos apertando peitos e bunda e tudo que tivessem direito.
   se projetou em caindo por cima do corpo da garota. Ela abriu as coxas, deu espaço para que ele se enfiasse entre ela. sentiu saudades do corpo de , daquela peitoral malhado e da barriga lisa de fazer inveja e puxou a camiseta dele. O tecido prendeu no meio da coluna, se remexeu e teve que separar o beijo para tirar a peça de vez. Sorriu para ela como se dissesse “você é safada e eu adoro isso”.
   desfalecia com os braços de procurando seu quadril para subi-lo e poder finalmente tomar para si aquele tanto de carne que escapava do shorts. Arfou na boca dele ao cortar aquele beijo desesperado que guardava o tesão encrustado na pele dos dois.
  - Porra heim, ! - o corpo todinho do engenheiro tremeu assim que brincou de vampira em seu pescoço. Ali era um ponto mais que fraco.
  - Descobri algo aqui, né? - uma risadinha peralta ante de voltar para o pescoço e o chupar ferozmente. não teve forças para responder, coitado. Teve de apertar mais ainda a garota que não teve dó daquela área. E lambeu e chupou e mordeu. Que chegasse no trabalho com um digno roxo de um chupão bem dado, seria engraçado.
  Fora de si e devidamente fodido, puxou os cabelos de . A garota saiu da sua brincadeira rindo e desafiou com seus olhinhos. Ele notou a cor do soutien e a tentação sucumbiu. Tratou de despi-la, assim como a menina havia feito, e empatou a jogo.
  Roupas no tapete: 1 a 1.
  A peça foi devidamente admirada. até perdeu as palavras. Ele não esperava um gosto tão refinado da parte dela. não entendia muito disso e por mais estranho que fosse acabou por lembrar de , sim era experiente no assunto, o cara adorava o negócio e os termos técnicos que conhecia foram ensinados pelo amigo.
  Esqueceu de , pra que pensar em amigo com ali gemendo o nome dele? Voltou a beijar a menina, tomando toda a língua dela na sua. A saliva dividida e os lábios cada vez mais inchados e vermelhos. Sentiu o mamilo de pressionar a palma de sua mão quando atreveu-se adentrar os dedinhos gulosos pela renda bordô.
   adorou o toque, adorou e quis mais. Por conta própria abaixou a alça da peça e toda sem jeito puxou para baixo as taças libertando seus peitos. Foi a vez de adorar alguma coisa. Largou a boca dela para beija-los. rebolou no sofá e o dançar de quadril roçou na virilha de um homem muito excitado. Aquele pau estourando novamente na cueca.
   fez com que se levantasse. Ficou de pé em frente dela. Segurou o peitinho direito e não parou de apalpa-lo enquanto dava um jeito naquele shorts. então percebeu que não queria ficar para trás e foi para a calça dele.
  Roupas no tapete: 2 a 2.
  Que coxas eram aquelas? E aquele volume maravilhoso na boxer branca?
  Não deu tempo de babar muito. caminhou para frente com prensada em si. E um detalhe: aquele treco sexy e desconhecido nas coxas dela. Tinha visto antes, mas nunca pessoalmente. ganhou na loteria com a surpresa em forma de gostosura que era a recém chegada.
  A calcinha dela não aguentava mais proteger aquela bucetinha incendiada em pura umidade. A coisa vibrava, pulsava. se contorcia conforme arrastava as mãos por todo o corpo dela e dedicava seu paladar mamando em si.
  O carinho estava ótimo, sensacional. Porém, poderia descer um pouco mais a boca pelo corpo de .
  Entre as pernas, brinquem entre as pernas!
  - Seu tapete! - chiou.
  - No tapete? - raciocinou e lembrou-se de que nunca tinha comido alguém naquele tapete. Então, que fosse no tapete. o merecia - No tapete!
  Só então ele percebeu a calcinha dos infernos que ela usava. Ah, se a coleção de calcinhas e soutiens de fossem daquele tipo ele iria querer conhece-la. Uma por uma e se pudesse arrancaria todas do corpo dela no dente.
   foi por cima de aproveitando da maciez prevista daquela coisa felpuda do Olimpo.
  Um pau duro. Foi tudo que pensou a semana toda. A desgrama do caralho duro de a deixou roçando pernas a noite inteira e todo o dia. No meio do curso ela percebeu a calcinha se molhar ao lembrar da noite passada.
  Até que enfim ela pode curar a ansiedade esfregando a buceta ali. Tão gostoso! Fazia bem pra alma assim como fazia bem para o nerd e para o nó no fundo da alma. A garota rebolava e ele enlouquecia cada vez mais. A merda do tecido atrapalhava tudo e ele precisava tirar aquilo do caminho. Pele com pele é o que precisavam. E, aliás, mais que só se esfregar. Meter mesmo. Meter fundo e meter gostoso.
  Quando a fase pop dos anos 2000 passou e os jovens e adolescentes passaram a procurar por um novo tipo de música surgiu a fase em que todo mundo se meteu, mas nega de pé juntos que nunca fez parte dela. Até dá pra acreditar que determinadas não se envolveram diretamente, que não estavam envolvidos ali dentro da panelinha que fazia parte do estilo. Mas, podemos dizer que mesmo assim, mesmo aqueles que worshipavam o deus Metal tiveram um dedinho enfiado.
  My Chemical Romance.
Simple Plan.
Sim, emos. Os emos. Quem esqueceu dos emos? Ninguém, eles são lembrados até hoje. nunca ouviu My Chemical Romance, aliás, até ouviu, mas não era fã. Mas, com certeza, curtia um Fall Out Boy. não berrava "I'm sorry I can't be perfect", mas teve várias execuções de Funeral for a Friend no Lastfm. E com certeza e mais um bando de garotas da época dela ouviram pelas rádios e baixaram pelo Lime Wire, Ares ou até Kazaa e Emule uma certa música de uma banda chamada Panic! at the Disco.
  Oh, well imagine as I'm pacing the pews in a church corridor and I can't help but to hear, oh I can't help but to hear an exchanging of words:
  "What a beautiful wedding!"
"What a beautiful wedding," says a bridesmaid to a waiter "Yes, but what a shame, what a shame, the poor groom's bride is a whore."
  Trágico, não? Esta música foi um hit, indiscutivelmente, quem é daquela época se lembra dela. Não precisa que a pessoa tenha sido "Senhoritah" no orkut ou rido "oksopkspk" no MSN ou ter postado uma foto de alguém com uma lâmina no perfil do MySpace.
  É complicado de se presenciar um caso assim na vida real. Quantas pessoas descobriram um segredo cabeludo em um casamento? Difícil de se achar, apesar de existirem algumas, claro.
  Porém, mais do que uma historinha esta música tem um verso em si que se encaixa tão perfeitamente em vários cenários da vida real que chega a dar vontade de rir. Você não precisa ter sido emo, odiado emos em comunidades ou ter ouvido I Write Sins Not Tragedies para ser vítima disto.
  Afinal, "Haven't you people ever heard of closing the goddamn door?!"
Heim, e , vocês nunca ouviram falar em passar a porra da chave no caralho da porta?
  Assim ... Talvez, mas só talvez seus dois melhores amigos entrem no seu apartamento enquanto você está montado em cima de .
  Vinte e uma horas e cinquenta e cinco minutos.
  Lord cobrou pontualidade não queria arrumar confusão com o esquentadinho. Assim que apertou o botão do elevador e puxou seu celular da calça social ouviu a voz de Luxor cumprimentar o porteiro.
  - Quem diria, chegando na hora.
  - Vai lá, calma. Eu não me atraso sempre. - se atrasava sim, mas que ficasse pra lá.
   e prestes a arrancar as peças íntimas.
  Lord e discutindo coisas sérias no elevador.
Vinte e uma horas e cinquenta e sete minutos.
  A porta se abriu em um andar e ninguém entrou.
   gemeu escandalosamente e riu esfregando com força o dedão no grelo dela.
   e Lord esperando a porta do elevador se abrir no andar de .
  Vinte e uma hora e cinquenta e nove minutos.
Porta aberta.
   xingando alto e saindo desesperada tampando o que podia.
   fechando os olhos com um amargo na garganta e Lord rindo olhando para o lado.
  É, galera, fodeu. Mas não do jeito que a gente queria.

Chapter 4 - Cherry Waves

Pela janela o homem enxergou vários pontos de luz. Na rua normalmente movimentada e cheia de carros apressados, apenas alguns veículos passavam com muita calma. As pessoas do prédio vizinho em suas cozinhas cuidavam de algo para comer e aqueles na sala de televisão descansavam de um dia provavelmente cheio e irritante. Algumas pessoas atravessavam a rua voltando da academia e outras eram donas de algum destino que ele não sabia qual era.
  Porém, seu próprio destino estava todo lambuzado na confusão de sua mente. Afinal, não é todo dia que a fonte de todo o nosso tesão aparece semi nua e deliciosamente rebolando no pano da cueca de um dos nossos melhores amigos.
  Inferno, por que tinha que estar tão vidrado naquela menina?
  A resposta caiu sem vergonha alguma bem no meio da sua testa como o cocô de um pombo abusado e sem educação.
  Talvez o único momento em que abandonou seus pensamentos foi aquele em que encontrou com Luxor no térreo e subiu o elevador com o moreno. Apenas ali naquele pequeno pedaço de tempo ele deixou pra lá e se concentrou no trabalho e em outras coisas que não a envolvessem, E bem como um teste divino ou provocação demoníaca ao abrir a porta se deparou com aquilo.
  Aquela cena.
Covardia, a desgraça da visão berrava covardia. Era covarde fazer um ser humano passar por esse tipo de situação. É um dos momentos da vida em que a gente tem que dizer que ninguém merece. Puta que pariu, não merecia um trem daqueles.
  Enquanto Luxor atendia a porra do telefone no corredor e falava coma um voz bem mansa e caliente entregando que marcava um encontro com alguém, ainda estava parado na entrada do apartamento com o olhar perdido. O cérebro bagunçado como se batido em um liquidificador junto com leite, bananas e maçã para fazer uma vitamina.
Suspirou longamente e pesadamente com as mãos no bolso e o lábio inferior foi feito de refém por seus dentes.
E de todas as sensações que sentiu nos poucos segundos que avistou o quase sexo de e a garotinha encapetada acabou focando na mais errada e mais urgente delas, a sensação de desejo. De desejar com toda a vontade da porra do seu corpo que fosse ele no lugar de .
  Que fosse ele ouvindo os gemidos dela e que fosse ela com as mãos no corpo nu e que fosse ele arrastando o pau duro por sua vagina molhada e carente. Que fosse ele o homem ao ter o fogo da menina tão perto de si e que fosse ele o cara com o poder de grudar sua carne e lamber seus peitos. Ah, qual tipo de sacrifício ele teria que fazer para ser ele no lugar de ? Quantas daquela ele iria engolir até que sua vez chegasse?
   era amigo íntimo de , os dois dividiram dores e alegrias como membros de famílias não são capazes de fazer. Ele jamais colocaria suas vontades na frente da amizade, não deixaria seu egoísmo drenar a parceria de anos que valia muito mais que posses e bens materiais. E mesmo que não fosse seu melhor amigo e seu garoto espuleta, não era um homem de jogar sujo. De atropelar outro homem e de atropelar a vontade de uma mulher.
   escolheu e ele respeitaria esta vontade.
  Contudo, há sempre outro lado. Por mais que ele fosse um cara decente que não fode o relacionamento alheio para se beneficiar e também um ser controlado nesse quesito não tinha poder para evitar remoer e remoer a constante repetição de imagens em sua cabeça.
Consumiu o máximo que pode do corpo excitado de para que aquilo pudesse render boas memórias que acabariam com sua própria mão resolvendo toda a questão. A experiência audiovisual seria sua companheira.
Após respirar fundo e tentar focar na outra parte da ida até o apartamento de seu assistente que era uma reunião importante criou coragem para entrar. Foi rápido para o sofá e ali descansou seu corpo esgotado. A pulsação parecia se acalmar e o nervosismo deu um alívio para nosso companheiro até sua mente, excelente em prestar atenção em detalhes que fogem aos outros chamarem sua atenção.
  Um lampejo em sua mente o fez mal e agiu de forma traiçoeira. Ao buscar novamente o flagrante em sua cabeça notou um apetrecho em particular sendo usado por . Uma heart garter, algo que o homem apreciava, um acessório que vislumbrava e que gostava de ver sua parceiras usarem.
   era dono de gostos um tanto quanto característicos. Para ele o sexo envolvia mais que os fluidos e os toques dos dois corpos e mais que isso, diria. Ia além da conversa, das palavras escolhidas no determinado instante. admirava o bom uso de apetrechos, de peças capazes de inflamarem ainda mais sua libido.
E há quanto tempo não via a sua frente uma de suas garotinhas usando algo como aquela liga. E se deparar com a triste realidade de que não era sua por aquele momento e sim de voltou a machucar seu peito.
  Então ele riu. Doído e levemente derrotado. não deveria fazer ideia do que aquilo representava, talvez ele até admirasse e achasse exótico, mas nunca teria a mesma reação que . Para ele o efeito não seria o mesmo que arrebentaria a caixa torácica do engenheiro mais velho. A vida sabia ser uma vaca sem sentimentos, uma vadia arrombada que te esfola no asfalto. vivia dizendo que não entendia a porra da tara de e naquele momento estava justamente com uma garota que parecia se encaixar, entender e até mesmo gostar do mesmo que enlouquecia .
  Analisou os fatos e se perdeu em outro fator. Um fator bordô muito bem costurado e de renda cara com alças retorcidas e levemente úmido estirado sensualmente no tapete antes usado como ninho de amor.
   comprando na Agent Provocateur? Uma coisa daquelas seria possível?
   não conteve o sorriso serelepe e imponente que usou seu rosto como tela. Deixou suas pernas relaxarem um pouco e pendeu seu tronco para frente. A camisa azul marinho de seda franziu e foi um pouco para cima deixando seus pulsos de fora e a calça fez o mesmo estampando suas meias escuras. Balançou os cabelos um pouco injuriado, levemente tocado.
  Lingeries eram um fraco para . Adorava presentear suas pequenas com peças caras e bem desenhadas que preenchiam suas personalidades e claro, seus belos corpos.
  A peça de cobrir seios reluziu em seus olhos desejosos e amargurados. Como um diamante super caro, como um tesouro espanhol. Mirou a porta e encontrou o vazio. Ouvia a voz de Luxor ainda paquerando no telefone e nenhum sinal de e .
  Sozinho e com o caminho livre permitiu que seus joelhos tomassem a frente e logo estava em pé andando até a peça. Ao parar bem em frente dela baixou o corpo e ficou de cócoras. No alcance de seus dedos o tecido fino e valioso, uma peça íntima de . Tomou controle de seu corpo para não violar mais que aquilo da privacidade da garota. Não o tomaria em suas narinas para sugar o aroma de e não o afagaria para ter um pouco da garota de si.
  Entretanto, o encarou e tomou dele o máximo que pode. Prometeu então para si mesmo que assim que o caminho estivesse livre e que escolhesse não mais dedicar seu tempo a , que as lingeries da menina inocentemente safada descansariam em seu próprio chão, sob o teto de sua residência.
  Com um gosto tão refinado e peculiar, teria conhecimento sobre um relacionamento daqueles que tanto sentia falta? Ele se perguntou isso e ponderou as opções. Talvez não tivesse total conhecimento sobre um DD/LG, mas tivesse noção de suas bases. Gostaria ela de apanhar? De receber ordens? De escutar palavras xulas? De ser enforcada? E mais que isso, gostaria ela de viver sob uma disciplina? Teria ela necessidade de ter um espaço seguro para regredir e viver um momento daqueles?
  Perguntas que carbonizavam o raciocínio de e o deixavam a beira de um surto, de uma vontade louca de andar pelo corredor e chegar ao quarto de enchendo a menina de indagações. Mas, obviamente, a ideia morreria antes mesmo de nascer. tinha o juízo no lugar e por isso cautelosamente abandonou o toque daquela peça e se pôs de pé para ir até o corredor observar Luxor com seus dentes branquíssimos escancarados enquanto ouvia uma de suas namoradinhas contar que estava sem calcinha na cama.
  - Luxor? - chamou desacreditado. Lord o olhou safado e voltou a atenção para a voz da mulher.
  - Amor, eu tenho que ir. Mas, eu te prometo minha linda, que minha noite é todinha sua por hoje. Pra você também. Tchau, tchau, amor. - Lord suspirou exagerado e colocou o celular de volta ao bolso - Não me olhe com essa cara, oficialmente a reunião não começou. Já que quebrou o protocolo eu decidi me distrair. - Luxor não mudaria nunca.
  - As duas beldades tem mulheres para satisfaze-los e eu fico muito feliz por isso, gosto de ver meus companheiros sendo bem servidos, mas eu juro que desmarquei um encontro hoje pela minha fama injusta de mal trabalhador. Então, eu quero trabalhar. Dê um jeito no seu menino e o traga pra essa sala. - Luxor riu na cara do amigo sem medo algum e recuou ao ver os olhos do outro se inflamarem.
  - Tudo bem, tudo bem. Eu dou um jeito com o garoto, o senhor vai trabalhar, sem chateações, ok? - levantou a mão em sinal de rendição e foi andando de costas até entrar no apartamento. Respirou tirando a imagem da morena safada de sua cabeça e foi procurar por .
  Bom, eis um questionamento plausível. O que estavam fazendo os dois jovens foguentos?
Havia uma divisão de sensações dentro dos aposentos do senhor . A frustração era uma constante, algo em comum entre os dois. Porém, o paladar dos garotos a saboreavam de maneiras únicas. A mais constrangedora e perturbadora, talvez, era a que sentia amargar sua língua.
   superava sua inseguranças, ela tinha esse poder. Apesar de sofrer com os medos e com uma auto estima instável, quando necessário sabia driblar as peças que pregava sua cabeça. Estar com era um avanço, um passo a mais no caminho da vitória contra todos os seus demônios do passado. O momento em que parava na frente do espelho e admirava um reflexo capaz de orgulha-la.
  Mas, infelizmente, não havia como ser segura o tempo todo. Principalmente quando algo tão surreal como ser pega no flagrante acontecia. E no momento em que a porta se abriu e ela se deparou com os dois homens enxergando algo tão íntimo, uma tão aberta e livre as antigas sensações do passado voltaram.
O mesmo que a amedrontava ao vestir uniforme e fazer chapinha na franja para evitar o frizz do cabelo. O frio nas entranhas ao parar em frente a sala de aula. O medo de ser julgada. , por mais crescida que estivesse e longe de todas as pessoas que a mergulharam em um verdadeiro oceano ácido de maldade, ainda reagia a coisas daquele tipo.
  Sentada na cama de se via impotente. O que teriam pensado dela? Por que ela precisava saber o que haviam pensando sobre ela? Por que a incomodava? Eles não tinham nada a ver com sua vida e suas escolhas, ela sabia disso. Mas o cérebro, sua cabecinha calejada e até mesmo traumatizada não seguia uma linha tão racional.
Precisou olhar para com todo esse misto confuso permeando seus pensamentos, com uma carência estampada em suas bochechas bem contornadas para buscar um alívio, uma resposta de que estava tudo bem.
  - , eu não vou perguntar se você está bem porque eu sei que é algo bem complicado. Me perdoe, tudo bem? Eu me esqueci da reunião. - senão fosse tão bom em lidar com problemas estaria sendo bem ridículo ao se explicar para a menina - Eu te juro que aqueles dois não estão pensando coisas ruins de você. Eles são homens decentes, não vão tirar proveito. Eu não deixo isso acontecer, não quero te ver preocupada como está agora.
  Sentada na cama dele, encarando os olhos tranquilos e observando o cabelo ainda meio úmido e bagunçado do nerd. Chegou até a sorrir de leve, ele era tão lindo e fofo. a fazia sentir bem. Poucos meninos em sua vida conseguiram alcançar tal estágio, aquele de a deixar confortável. Aos poucos se acalmou, o pânico ruim que provocava em si mesma foi aliviando.
  - Meu sutiã ficou por lá… - teve que rir. Seria difícil fazer a menina se desligar do ocorrido. O pessoal não julga um homem passando a vara, mas julga a menina que abre as pernas. Ele sabia que Lord e não eram desse tipo, eles a respeitariam ao máximo, mas era muito exigir que tivesse o mesmo sentimento.
  - Olha, toma aqui. - pegou uma camiseta que estava largada no criado e estendeu para ela - Pode vestir e se embrulhar no edredom. Liga a televisão e pode roubar chocolate do meu frigobar. Quero que se sinta confortável. - se sentou ao lado de e cuidadosamente a abraçou pelos ombros como um melhor amigo faria - Eu preciso ir lá falar com os dois bocós, infelizmente, porque eu bem queria te aproveitar. - era possível resistir ao sorriso cachorroso de ? Não. viu um arco-íris sair da boca dele e se derreteu.
  - Você vai demorar? - questionou apreensiva.
  - Não, eu já despacho os dois. - olhou para si mesmo ainda de boxer e decidiu usar uma tática interessante.
  - Isso é bom. - ela estava nervosa, meio agoniada. Senhor, era demais pedir para poder transar em paz com seu novo peguete gatoso? - Quero terminar nossos… negócios. - um sorriso tímido despontou, o suficiente para animar novamente a alma de .
  - Nós queremos, dona . - ele iria dar um selinho nela, mas levou um susto com a batida na porta.
  - … - Lord do outro não queria ser um fdp insensível, então nem disse nada além disso.
  - Eu volto logo. - fez um bico charmoso e abriu a porta do local saindo de lá.
   arregalou os olhos ao perceber que saiu do quarto usando apenas a cueca e depois passou a rir. Por mais besta que fosse fez com que ela se sentisse menos constrangida e desconfortável. Já Lord não viu tanta graça assim…
  - Bundinha grátis, então? Posso me acostumar com esse corpinho desnudo e essa boxer branca, mas eu não sou obrigado a encarar teu pênis durante a reunião. - arqueou a sobrancelha grossa e cruzou os braços para .
  - É sim, Lord. Acostume-se. - Luxor riu divertido ao observar as coxas brancas e a bunda de locomoverem-se pelo corredor. Que noite!
   ainda repousava no sofá. Não quis ligar a televisão, não se deu o trabalho de procurar algo para beber na geladeira do companheiro. Nem ao menos encarou o Dewitt em seu pulso ou procurou pelo celular para se distrair. Ficou intacto e preso a melancolia de sua realidade.
  A figura do tronco definido e magro de ocupou espaço em seu campo de visão, um puro ato de rebeldia. Abaixou a cabeça um tanto quanto aflito. Era o jeito de se vingar, ignorar qualquer lei de ética e bons costumes e aparecer entre os amigos quase como veio ao mundo.
  - Hora de trabalhar, meus garotos. - se jogou ao lado de e esticou os pés na mesa de centro. Estendeu os braços para o lado e aproveitou-se para puxar o amigo para grudar em seu corpo. O sorriso escorria uma áurea escarnicenta e também birrenta.
  - , eu esperava mais de você. - proferiu encarando os olhinhos do garoto.
  - Ele esperava que você fosse capaz de vir pelado, esperava mais ousadia. - Luxor tomou para o si o celular do trabalho que mais parecia um tablet pelo tamanho e abriu as planilhas necessárias para discutirem.
  - O meu pênis não é pro bico de vocês, vamos logo com isso?
   não facilitou para , mas o nerd estava no seu direito. sentiu em sua própria derme o quanto o amigo estava incomodado e sedento por vontade de sair dali. Cerca de quinze minutos se passaram e se não fosse pela capacidade genial pertencente a de simplificar problemas ficariam ali para sempre. Mais cinco minutos correram e ambos sentiram o cansaço. Estavam acostumados com reuniões de horas, mas não naquelas circunstância. O ambiente era outro, completamente afetado por um de roupas íntimas e uma garota logo depois do corredor. O engenheiro principal não suportava mais. Queria a sua casa, seu espaço e um descanso. Botar o corpo na banheira, aliviar a mente e também o tesão encrustado.
  - Chega já, não? - coçou os olhos ignorando a atenção exagerada dos outros.
  - Eu concordo com ele. - respondia as questões e as solucionava rápido para pular de um tópico para o outro e terminar logo o enrosco, mas não conseguia se desligar de e do desejo de voltar logo para ela.
  - Vocês são dois infelizes. - Lord trancou a tela do celular sem nem fechar os aplicativos e o tacou no sofá - Sua sorte, garoto, é que tem crédito comigo.
  - E ele também tem uma mulher bem interessada em aliviar o estresse do trabalho em um motel bem caro. - confessionou para como uma adolescente fofoqueira.
  - Isso também, não que seja da conta de vocês. - levantou-se procurando pelas chaves - Amanhã, depois do meio dia. - bateu as mãos fazendo um barulho alto.
  - Depois do meio dia? Você não tem vergonha. - comentou e também levantou-se, desacreditado.
  - Como é? - o esquentadinho de ébano já trancou os dentes.
  - Se fosse com um de nós dois seria no horário normal, mas como o senhor vai transar e beber vinho branco a noite toda abre uma exceção. Você nem disfarça, Luxor. - prestou atenção no rosto de Lord e viu como este avermelhou-se rapidamente.
  - Dois ingratos, são dois ingratos. Não vou nem discutir, até amanhã. - partiu para fora abrindo a porta com selvageria sem nem fecha-la. e sorriram um para o outro como se compartilhassem algo.
  - Até amanhã, meu pirralho favorito. - algo no sorriso de chamou a atenção de . Passava uma mensagem, uma que ele entendia muito bem.
  - Você sabe que eu não quis, não é? - o outro sabia do que tratava.
  - Eu sei. Não se preocupe. Aliás… - respirou fundo e engoliu todo o amargo da garganta - Se preocupe com ela, não comigo. - deu aquela batidinha melancólica no ombro direito de e preparou-se para sair - Boa transa, aproveite. - respondeu o carinho com um soquinho no peito de que logo seguiu o mesmo caminho de Lord. Seria difícil esvaziar a mente e permitir que o sono tomasse posse de seu corpo.
  Ao fechar a porta segurou a maçaneta com uma certa intensidade. Em seu interior um leve incômodo nasceu o fazendo refletir por um instante. sempre fora o mais racional, o mais estratégico e até mesmo frio entre os três. Acontecimentos trágicos, mortes, problemas aparentemente sem solução explodiam a passionalidade de e Lord, ambos em plenos nervos e cheios de preocupação. Mas não com ele, com era diferente.
  Por tal razão era muito estranho perceber que passou a se importar, nem que por um momento, com a situação de e seu olhar dolorido.
  A culpa não era dele, não mesmo. E lembrar da menina gostosa o esperando em ansiedade fez com que esquecesse e abandonasse qualquer pensamento que fosse contra o sexo que os dois não aguentavam mais para ter. Pisou firme no piso para castiga-lo e caminhou decidido para seu aposento.

  

Dentro deste só faltava entrar em combustão espontânea. Que sensação horrível era ficar ali inerte e impotente, sem ter para onde correr. Era esperar por e esperar. Durante a quase meia hora em que o outro ficou fora dali acabou por devorar uma barra de chocolate e quase um litro de água. A garganta seca, os pés tremelicantes e a ansiedade escalando pelas paredes internas de seu estômago.
  Cansada de ficar na cama e apertar os botões de trocar canal de forma hiperativa decidiu fazer algo por si mesma. Deu um salto ficando em pé em cima do colchão. A camiseta que deu para vestir saiu de seu corpo com rapidez e brutalidade, chegou até a esgarçar a manga direita e a gola. A tacou no chão e desceu ao solo. De cara amarrada e com raiva do universo terminou de se despir. Parou em frente ao guarda roupa de portas de correr e espelhadas e encarou sua nudez.
Ao fazer isto em dias normais não podia deixar de encontrar defeitos em si mesma. O culote grande, a bunda dos dezesseis anos não mais existia. Via um pedaço de celulite aparente no quadril e desejava morrer. A saliência da barriga a lembrava que o sedentarismo um dia a mataria e que o espaço entre seus seios era ridículo.
  Porém, o determinado período de vinte e quatro horas não era mais um em sua vida, não era um dia convencional. A sua paciência já esgotada e torrada esgotou-se do chororô, da raiva de si mesma. Já não suportava enxergar-se de maneira distorcida e ainda ouvir no fundo de sua mente as vozes alheias do passado a dizendo que ela era toda errada.
Viu em sua aparência física algo poderoso, algo que levaria a loucura e capaz de guia-la para uma porra de uma noite de prazer bem merecida.
Entortou a boca e franziu seu nariz bem irritadiça e decidida. A testa vincou em três lugares e finalmente tomou coragem para fazer algo. Ela berraria por até ele chegar no quarto e não daria trégua para o nerd até gozar no lençol dele.
Assim que virou na direção da porta para esgoelar o nome de foi vítima de um baita susto. Tão decidido como ela estava o assistente de ao abrir a porta com tanta violência. A saliva correu queimando a garganta masculina.
Peladinha. Completamente sem roupa, escancarada para ele. Deu um passo para trás meio desnorteado, esperou encontrar na cama assim como estava quando saiu dali. Uma força sobrenatural e instintiva se apossou dos movimentos dele. Com todos os pelos de sua coxa arrepiados partiu na direção da garota.
  À sua frente não teve poder para encarar outro coisa senão a presença de . O peito inflado e a respiração latente no descer e subir de seu abdômen delineado. Quis tanto morder aquele trapézio e escorrer seus dedos pela pelugem do tronco. Acompanhar o sentido do tão poderoso caminho da felicidade até as entradas pélvicas e deixar sua dignidade pendurada no cós de sua Diesel branca.
  - … - ela queria dizer algo, extravasar toda a sua gana pelo corpo dele em palavras e não conseguiu tamanho seu desespero.
  - Eu juro que esse apartamento pode desabar na nossa cabeça. - o tato firme e onipotente de um cheio de vontade em dar fim naquela putaria tomou conta da cintura de . Agarrou as costas dela com seus braços e passou a empurrar na direção do espelho que serviu de inspiração para há pouco tempo atrás - Um avião pode atravessar aquela janela. O alarme de incêndio pode tocar, o apocalipse pode chegar e os aliens podem invadir o planeta. - a boca de se secou por completo e ela precisava da saliva de para sanar a falta de líquido - Nenhuma dessas coisas vai nos impedir de novo, nenhuma delas. A gente não sai daqui até se esfolar.
  Como era sexy o excesso de desejo que escorria de todos os poros de . Deus, que homem era aquele? Se venceu a insegurança sozinha os impulsos de foram a pimenta malagueta a intensificar e fazer todo seu tesão arder e queimar suas entranhas.
  - Me come, pelo amor de Deus. - suplicou com a voz extremamente grave, a voz grave que fazia para falar em momentos críticos. O tom animalesco rebateu como um estímulo sexual demoníaco nos tímpanos de que percebeu o tecido de sua peça baixa perder espaço frontal para a latência de seu pau.
  - Como, do jeito que você quiser. - propositalmente a trouxe para frente e um pouco para cima com o fim de poder voltar a roçar na bocetinha ardente e já em processo de molhação total, tal como faziam antes dos intrometidos estragarem tudo.
   nem mais possuía forças para aguentar seu próprio peso. Não fossem as mãos precisas de em seu corpo teria desmoronado no segundo em que o engenheiro lambeu sua boca e enfiou sua língua em desespero por encontrar a dela.
  Esticou seu quadril para frente para aumentar a intensidade do esfrego e engoliu a maior quantidade possível de ar para conseguir ficar presa à boca de por um longo tempo. Seus instintos mais profundo começaram a não mais suportar ter apenas um pedaço do pau de em si e ainda coberto por pano. Com os dentes presos no lábio inferior masculino trouxe o quadril para o espelho e desceu suas mãos do pescoço dele. Acariciou os ombros firmes e traçou uma rota pela lateral do tronco. retesou cada mínimo pedaço de sua musculatura e parou o movimento do beijo. Engoliu mais uma boa quantidade de saliva e trincou seu olhar para a carinha exasperada de . A garota não quis abandonar o beijo. A boca entreaberta do nerd continuou a receber o carinho da sua. Molhava os lábios não tão bem hidratados e ia de pequenos a pequenos selinhos demorados o enfeitiçando.
  Finalmente ambos os toques femininos chegaram a barriga de . Realizou seu desejo de seguir o traço dos pelos finos e de ter em seu tato a textura dos músculos pélvicos. Escorreu os dedos para o tecido de algodão e enroscou o dedão direito em seu devido lado assim como no esquerdo.
  , enquanto isso, fazia um esforço desgraçado para reaprender a respirar. Puta que pariu, ele estava morrendo ao poucos. O toque de se assemelhava a lâmina afiada de uma espada mongol. Como se o próprio Genghis Khan o atribulasse em uma sala de tortura para força-lo a contar seus segredos. A peça que o separava da nudez foi aos poucos descendo por seu quadril até ter sua queda interrompida pelo chão.
   vislumbrou a extensão petrificada do caralho de e estremeceu. Lambeu a própria boca e como consequência o toque de sua língua alcançou os lábios próximos de . Com um puro impulso subiu a mão para a parte traseira de e simplesmente a rodou com toda a força de seu braço. Assustada a garota se deparou com a imagem de seu rosto avermelhado e dos lábios inchados. foi selvagem no aperto em sua nádega direita e empurrou mais ainda a coluna da garota para que ficasse devidamente arrebitada. As mãos tiveram que procurar apoio no vidro refletor.
  Era tão erótico, se sentiu tão vagabunda e tão gostosa. Até mesmo sorriu, perdidinha naquele torpor indecente que adorava. As pessoas não conheciam aquele lado dela. Quando superava seus medos tornava-se uma peste sem vergonha. A garota que usava almofadas da sala de televisão para se esfregar, a garota que passava batom vermelho aos onze anos de idade e beijava o espelho. A mesma garota que andava atribulada pelos corredores escolares com medo de ouvir xingamentos era capaz de encorporar um baita mulherão poderoso. A problemática sem pais e sem amigos que chorava no banheiro era capaz de deixar um completamente fodido. E nos momentos que enxergava isso sorria cheia de malícia e preenchia sua existência de orgulho.
   encarou as costas bem curvadas de e os pés equilibrados em suas pontas. Mirou o espelho e sorriu de um jeito moleque ao encontrar a boca entreaberta de e seu olhar pecaminoso. Tomou contra sua mão mais um pouco da carne do traseiro a sua frente e percebeu o corpo da outra reagindo ao seu toque.
  Ele nem sempre foi um lindo sensual que seduz ao sorrir com seus caninos atraentes. Houve um tempo em que era mais um garoto da faculdade, esteriotipado por ser o mais novo da sala, por tirar as maiores notas de cálculo e por se enfiar na biblioteca ao invés de festar. Sempre tivera sua beleza perceptível e tinha a atenção das meninas, mas precisava de mais que isso.
  As interessadas por caras mais fortões e brutais não botavam muita fé nele, as universitárias querendo um playboyzinho cheio da grana do papai e com um super carro o deixavam para lá. teve que construir uma certa imagem. Usava de seu raciocínio lógico e de sua mente estratégica para acertar com as garotas. Na cama sabia lê-las. Interpretava os sinais que passavam através de suas reações e conseguia assim agir da forma certa para satisfaze-las. Com isso ganhou confiança e as boas novas sobre o cara gatinho de cabelos castanhos e olhar observador foram correndo.
  Até que o daquele instante se formasse. Ali estava em sua melhor forma e entorpecido por . Sua capacidade de saber o que uma mulher desejava ao analisar seus sinais, mais afiada que nunca. Ao notar a insistente respiração confusa de , seu corpo balançando, como jogava o equilíbrio do corpo de uma perna para outro soube exatamente qual a vontade dela.
Abandonou sua bunda e correu seu dedo indicador e médio pela espinha em um caminho contrário até levanta-los para sua própria boca. Deixou a baba escorrer por entre a pele dos dedos juntos. Quando os sentiu bem melados estalou a língua nos dentes chamando a atenção de que observou seu semblante excitado no espelho.
Voltou a se aproximar de , contaminando-se pelo calor emanando das partes íntimas da garota. Curvou-se sobre ela seguindo a linha de sua coluna e depositou o queixo em seu ombro. Ela gemeu com o contato grosseiro da barba rala e embaçou o vidro à sua frente com o suspiro intenso. tratou de mordiscar a pele de sua bochecha ao descer seus dedos e os intrometerem entre os lábios da bocetinha. Os pés da garota se cruzaram e o corpo solavancou com o toque. Ele teve de segura-la para manter a altura necessária e não quis ser gentil na forma de trata-la. As impressões digitais de se espalhando por toda a carne molhada, tomando conta do clitóris duro, rodeando o toque por ele.
  A pouca vergonha que restava à garota simplesmente virou fumaça e fugiu pelas frestas da janela. Chamou baixinho pelo nome dele reclamando, de certa forma, por estar tão gostoso e liberou gemidos capazes de perturbar as veias fálicas do homem.
O rebolado da menina foi gradivamente tornando-se mais escancarado. A forma de elevar e baixar a bunda permitia que os dígitos do outro se espalhassem por mais áreas sensíveis. usou da outra mão para apreciar os mamilos durinhos e apertou os seios com força para ter tudo que podia daquela carne para si.
A temperatura corporal de ficava cada vez mais alta. Gotinhas de suor em sua testa, um mormaço com cheiro de puteiro se alastrando pelo quarto. Foi demais para sua sanidade quando cansado de esperar a penetrou e rompeu seu canal vaginal com os dedos firmes indo fundo e se enfiando até não caberem mais.
  Ah, porra! Todos os palavrões do universo juntos. Todas as formas de xingar conhecidas pelos homens. Todas elas. Mais gostoso que batata frita com bastante bacon e queijo derretido. Para ela não havia outra delícia no mundo que não fosse aquele nerd infeliz começando, literalmente, a fode-la.
O ritmo não era calmo. usava de todo poder de seu bíceps e tríceps para cadenciar da forma mais rápida possível a meteção na garota. Os grunhidos masculinos ecoavam pelo ouvido de que não aguentava manter os olhos abertos por muito tempo. Já gemia explicitamente e não controlava os impulsos de se mexer como uma gatinha arreganhada ao receber carinho.
  Um problema apareceu e ele tinha forma de pênis. adorava a forma de masturbar e provocar a frustração de , abaixo de si porém, seu pau chorava por uma atenção bem mais dedicada. Foi isto que o fez abandonar o interior da boceta de que chiou e ganhou uma risada quase debochada como resposta.
  - Ei, não precisa reclamar. - sussurrou para ela - Vou te dar algo mais gostoso que somente dois dedos. - a ansiedade iria matar . Ela não iria aguentar viver por mais trinta segundos se o cacete de não fosse atolado em si. Que merda, por que tudo precisava ser tão complicado e difícil? Ela desejava foder, foder forte e pesado. Viu seu desejo se embolar como uma bola de neve descendo uma montanha e se transformar numa avalanche assassina. Em sua mente reberverava um canto escandaloso de “quero dar, quero dar, pelo amor de Deus, eu quero dar”.
  E finalmente, finalmente o universo parou de conspirar contra aquelas duas alma joviais.
  - Vou te dar isso aqui… - abriu as polpas da bunda da garota para abrir espaço. Chegou a tremer seus dedos ao encarar as aberturas de a sua frente. O cuzinho apertado e a bocetinha encharcada. Postou sua glande no local certo e foi se enfiando, ocupando o espaço que naquela noite era todo seu.
  Com a cabeça jogada contra o espelho foi sentindo o prazer crescendo e crescendo e sendo distribuído para cada uma de suas células. agarrou seu pescoço e a fez ficar mais ereta e com o rosto virado para ele.
  - Vem, , vem ser a dona do meu pau por essa noite.
Jeová!
Alá!
Odin!
Rá!
Todos os deuses de qualquer mitologia enfiada no cu do mundo, rezava para todos eles agradecendo para qualquer um o fato de estar ali sendo fodida por aquele pau maravilhoso e por aquele homem sensacional e delicioso que a arrombava com força e a fazia gemer como uma maluca desvairada.
   a segurou firme pela barriga para poder girar os dois corpos juntos. Assim que desprendeu os pés de do chão rodou para que pudessem ir em direção da cama. Sessou a penetração só por instante, apenas para poder joga-la sentada na beirada da cama. foi procurar por ele que sorrindo a empurrou para baixo. Gostou do impacto contra o colchão e também mostrou os dentes. O nerd segurou suas canelas e as separou abrindo o quanto podia. Assim que gostou da abertura e do arreganhamento abaixou-se e flexionou os joelhos para voltar a fode-la.
Mais uma vez a menina viu os planetas girando em cima de sua testa com a pressão desgraçada do bombeamento do pau dele dentro de si. A buceta se abrindo e acolhendo a dureza da excitação de . Ele segurou firme na coxa direita a sua frente, a envolveu entre seus dedos com firmeza e usou disso como impulso para entrar com ainda mais vivacidade.
Os cabelos de viraram uma zona em cima do lençol. o rosto virando de um lado para o outro e procurando o ar que parecia querer fugir para longe de seu nariz. não desgrudava do corpo da menina, sempre atento aos olhares dela, no seu jeito de vibrar e gemer. Logo era ele como um animal grunhindo com aquela merda deliciosa, com a trepada tão esperada. As horas de espera, os mal entendidos fizeram cada estocada valer a pena. Foi na medida do desespero, na angústia transformada em vontade. Na força que saía lá do fundo de seu âmago para continuar a penetração enervada.
   nunca havia experimentado algo tão fodido. Até que enfim, capeta! Até que enfim era comida de verdade e do jeito que merecia. Ela ainda sentia falta de um algo, um algo que ela não sabia explicar. Mas, mesmo assim era bom demais para pensar em botar defeitos.
  Ao largar a coxa que segurava, aproveitou a mão extra para puxar e envolve-la em mais um beijo. Ou um projeto de beijo já que os dois não suportavam ficar sem gemer e berrar. A garota escorregou a boca para o ouvido dele e proclamou seu tesão em forma de rasgos vocais. se esforçou para beijar cada parte que pode do rosto embaixo do seu. Lambeu o pescoço suado e aceitou o sabor salgado como sinal de satisfação.
Entrelaçados em seu próprio deleite, com as forças físicas esvaindo e no alto do sexo aqueles dois se perderam e continuaram a se doar um para o outro até que , surpresa, sentiu sua vagina apertar o pau de como se não fosse permitir que ele saísse dali jamais. As costas arderam, os olhos se fecharam sem que ela quisesse. A mesma sensação maluca que sentia ao se masturbar em seu colchão apossou-se de sua existência, entretanto com muito mais ânimo e intensidade.
Achou que fosse morrer, derreter em pedaços de torta doce naquela cama. Sua dificuldade em gozar com sexo era imensa. Raramente acontecia graças aos caras errados e incapazes que trazia para sua vida. Foi uma surpresa idiota perceber que realmente não era um deles. Começou a rir e achou aquilo o máximo. Sua risada misturada aos gemidos malucos era uma coisa tão fofa e gostosa de assistir. Ela sorria e então retorcia o rosto e se perdia em seus próprios sentimentos.
  - Eu vou gozar… eu vou gozar… - enroscou as unhas no ombro dele, ficando as garras na carne vermelha - … eu…
  - Vai, você vai gozar. Vai gozar gostoso. - ao saber do anúncio ele se esforçou mais ainda para dar tudo que podia por ela, para que a garota tivesse aquele orgasmo matador como o melhor boas-vindas que alguém poderia ter - Se derrete em mim, .
  O grito sofrido escapou por todos os lados do quarto. queria deixa-lo gravado para ouvir sempre que pudesse. retorceu-se por completa, agarrou o engenheiro como se ele fosse o último pedaço de carne de um morto de fome. Gozou encarando os olhos dele, gozou berrando o nome de e sentindo a sua pele queimar.
  Com toda a situação foi impossível para ele segurar o gozo. Era informação demais, incentivo em excesso. Desenterrou-se dela, segurou a base de seu pau e passou a se masturbar em extrema vontade. engoliu a cena, e quase atingiu outro orgasmo só ao observar a punheta particular que batia sobre seu corpo. Com as pernas trancadas e a boca completamente mordida fez os últimos movimentos necessários para que sua porra clara e vistosa saísse e descesse para barriga da garota. Atentou ao acontecimento com tanto vigor que quase ficou cega, ficou petrificada na cama analisando o resultado de todo seu trabalho em proporcionar prazer a ele pintar sua barriga de branco.
  O homem soltou barulhos incompreensíveis e segurou o peso para não desmoronar sob a figura cansada de uma completamente nas nuvens. Sentia-se montada em um unicórnio alado e brilhoso ao voar por nuvens de algodão doce pintado em tons pastéis.
  Ainda rindo, ainda perdidinha da Silva com tantas sensações adversas sentiu o beijo simpático e caloroso de em seu nariz e mandou um beijinho para ele como resposta. Era o máximo que sua musculatura poderia fazer por ela no dado momento.
Fraca demais para fazer qualquer coisa deixou seus olhinhos descansarem e controlou sua respiração para aproveitar o momento surreal que vivia. Limpar a porra da barriga ficaria para depois, para o outro dia quem sabe. Estava cansada e esgotada demais para se preocupar com isso.

Chapter 5 - Pls, Kill Me

Sabe cachorro manhoso quando acorda de uma soneca bem gostosa? Eles esticam as patinhas lá longe e dão aquele bocejo escandaloso, a língua vai lá pra fora e a boca parece que vai engolir tua cabeça inteira.
   estava assim. Esticou as pernocas e botou os braços lá pra cima. Deu uma bocejada poderosa e cheia de bafo e virou para o lado abraçando o travesseiro de fronha azul e maior que o dela.
  Pera.
  Por que o travesseiro era maior que o dela? Por que a fronha era azul e não de zebra? Por que a cama era mais baixa e ficava do lado da janela?
  Como um defunto que sobe do nada do caixão no meio do velório pra matar todo mundo de susto a garota ficou sentada na cama com a confusão estampada na cara amassada e vermelha. Limpou a remela do olho esquerdo e fez um esforço para enxergar melhor o quarto. Ah sim, era o quarto que presenciou o sexo da noite passada. Era o quarto de , o engenheiro elétrico nerd que sabia muito bem onde comprar sua roupa de cama, tudo era macio demais.
Na época da adolescência em que começou a abrir as asinhas e as perninhas nunca dormia na casa dos caras. Ela tinha pânico da ideia de namorar, de fixar compromisso, de dar a entender que ela os veria uma outra vez. era o tipo de menina que dizia que não iria namorar, que não queria marmanjo nenhum pra encher seu saco.
Mas obviamente houve uma primeira vez. A primeira vez em que foi pra casa de um estranho.
  Uma sexta feira dessas da vida um amigo ligou dizendo que dava pouco menos de meia hora para ela se arrumar e montar num salto, ele iria passar lá para pega-la e não era pra teimar. Era pra acatar a ordem, obedecer e ficar quieta.
A cidade de era pequena, era chata, mas de vez em quando dava pra fingir fazer algo legal, tipo ir na maior boate da cidade ouvir música que não gostava na esperança de achar algum cara gato pra dar uns beijos.
Na casa do amigo e também na presença da melhor amiga comeu uma pizza, já que ninguém é obrigado a pagar a fortuna que é comer em boate, e aproveitou para trocar de vestido com a amiga. Trocou de roupa rápido demais e depois de um tempo analisando o figurino no espelho odiou a escolha e obrigou a outra a ceder o vestido.
Não ficou lá aquela coisa, mas ficou melhor do que estava antes.
  Na tal da boate, ela já quis morrer. A melhor amiga estava de rolo com um carinha. Ele fazia direito, era o estereótipo do playboy que anda num carrão dado pelos pais, que vai pra boate de camisa social e uma barba meticulosamente feita. Que leva a própria garrafa de uísque caro e é machista. Ou seja, não demorou cinco minutos para que visse a baranga sumir pra ir arrastar o rabinho pro lado do cara.
O amigo encontrou o ex beijando o outro e já ficou depressivo, já comprou vodka, já começou a encher a cara e a procurar alguém pra enfiar o pinto frustrado até o fim da noite. olhou para o lado e viu meia dúzia de pseudo conhecidos, sorriu para alguns, mas internamente não queria conversar com ninguém.
Foi para o bar comprar o seu refrigerante e decidiu ir pra parte de cima, caso não tivesse mais esperanças para a noite iria ficar sentada em alguma sacada comendo batata frita. Porém, os planos foram trocados de última hora.
No meio da escada ela sentiu um toque no braço. Olhou meio que sem entender e viu um carinha a sua frente acompanhado de mais dois e um terceiro que era o rolo da melhor amiga. Ela arqueou a sobrancelha e ficou esperando o que vinha para frente.
  - Você é muito linda, só consigo pensar em te beijar.
  As pernas tremeram. Ao mesmo tempo em que era uma cantada barata, pedreira e nada galante, era interessante. era boa demais em fazer coisa suja por falta de juízo e excesso de fogo na xana.
E o que acabou acontecendo no final das contas?
Ela beijou o cara. No meio da escada. Na frente de todo mundo. Um cara que ela não sabia o nome, nunca tinha visto na vida. Nem deu tempo de decorar os traços faciais do infeliz, nem deu tempo de prestar atenção no fato dele ser mais baixo que ela.
Depois do beijo, ela subiu a escada e fingiu que nada aconteceu.
Até ela encontrar o infeliz de novo. Agora ele tinha nome e agora ele chamava ela pra ir pro apartamento dele, apartamento que o cara disse ficar perto. Usou o argumento de os dois precisarem de privacidade. E foi nesse dia que perdeu a virgindade de ir pra casa de um estranho.
Se alguém perguntasse para ela a razão de aceitar o convite, de esquecer todas as regras que sua avó empunha ela não saberia responder. Foi por impulso.
E ela lembrava claramente da cena épica do cara na porta do apartamento, pelado e implorando pra que ela dormisse lá. E ela negava segurando o salto na mão perto da escada prestes a descer com a cara toda manchada de maquiagem para esperar o amigo ir buscar-lhe.
acabara de entrar na lista como a segunda vez. E a primeira vez em que definitivamente dormia na casa de alguém. nem sabia como tinha acontecido. Ela lembrava de ter gozado, de ter levantado para limpar a barriga suja de esperma e fazer xixi. Bebeu água e beliscou amendoim e foi para o quarto dele dar uns beijos de volta e simplesmente acordou na cama dele.
E ainda por cima sozinha.
E ainda por cima pelada.
A porta estava fechada e foi aberta na velocidade da luz. não ouviu nem sinal de e não raciocinou direito. Saiu pelo corredor como veio ao mundo, com a bunda de fora igual ao diabo do desenho da Vaca e o Frango, o Bundefora.
Parou na parte principal do apartamento e encarou a televisão, o micro-ondas e mais outros elementos de forma desorganizada. Onde estava, porra? Será que tinha ido trabalhar e a deixou sozinha? Sem chance de voltar para sua casa até a hora do filho da puta voltar?
Uma mistura de agonia, de desespero e vontade de morrer formigaram sua barriguinha pelada até a porta do apartamento abrir do nada.
Ela saltou literalmente. Colocou a mão no coração e soltou um nome feio assim que viu passar para o lado de dentro com uma sacola de pão, queijo e bolo de laranja. Seria até normal e mais confortável se não estivesse nua.
até poderia ter tido a oportunidade de dar bom dia sem reações adversas tomando conta de sua natureza ao se deparar com a garota desnuda de cabelo amassado e pintas acesas na cara. Não tão sutilmente abandou as sacolas no chão, o coitado do pão que tocou o piso amassou e soltou lasquinhas de casca pela sacola.
ainda não reagia direito e eletrificou por inteira quando o engenheiro do capeta a prensou contra a bancada de tomar café da manhã. Os cabelos compridinhos escorriam um pouco de água, o canino ficou de fora com o restante dos dentes e os olhos dele brilhavam. Se ela ficou medrosa e consternada por um tempo logo ficou mais confusa por perceber que era possível ficar excitada logo depois de acordar.
  - Bom dia, . - e quando deu por si, a língua de já estava dentro de sua boca. E ela nem tinha escovado os dentes.
De repente tudo ficou quente. As canelas começaram a queimar e o couro cabeludo a suar. O plástico da sacola de pão ficou suado por dentro e o queijo deformou de leve ao começar a derreter. As gotas da torneira da pia da cozinha passaram a evaporar antes de bater no ralo.
reagia por puro instinto, pois sua cabeça não sintonizou na frequência certa. Ela queria acordar e parar um segundo para entender o que acontecia, mas ao invés disso espalmou as mãos no peitoral de e mordeu o lábio dele.
A mordida não fez parar, apenas o fez o sorrir e sentir mais vontade ainda de passar manteiga naquela boca gostosa e faze-la de seu desjejum. só faltava colocar uma colher de açúcar em e mexer o pó doce, pois, já quase tomava o homem como se fosse suco de laranja.
A vontade era tanta que as bocas estalavam e as línguas não davam sossego tentando pular de uma boca para a outra. inerte e perdido na saliva da menina achou que seria interessante usar de sua força para faze-la sentar na bancada, para faze-la abrir as pernas, para faze-la quase deitar sobre o mármore. Aniquilou com o olhar as partes nuas de que ficaram a mostra para si. Observou pescoço alongado e teve que enfiar seus lábios ali, molhar toda a pele e sugar de propósito afim de deixar manchas para a posteridade.
E , para a ajudar, fez o favor de erguer o quadril o suficiente para que a vagina livre de qualquer tecido roçasse na barriga não alimentada de um sofrendo de paudurência.
  E ao mesmo tempo que ela amava o contato e achava maravilhoso o fato de algo ter escorrido de sua boceta para a camiseta preta de na esfregação quis parar por um momento para respirar, lavar a cara e provavelmente fazer um xixi digno de primeiro xixi da manhã.
  - … - ela empurrou o homem de leve que levantou deixando sua boca inchada e rosada num biquinho manhoso um tanto quanto cretino.
  - Ok, eu me empolguei. - ele não se incomodou, sabia que tinha ido com sede ao pote e que a recém acordada não estava pronta para uma pegação além daquela.
  - Vou me vestir e vir comer, agora bateu a fome. - o estômago dela roncou alto e o barulho não escapou aos ouvidos do nerd que riu da menina e levou um tapa no ombro. Deu um salto da bancada e foi correndinho para o quarto enquanto parava concentrado ao admirar o pular das nádegas da menina. Oh tentação do inferno!

  

xx

  

A tensão foi esvaindo para o ralo juntamente com a água excessivamente quente que iria exigir um tanto de hidratante corporal para evitar aquele efeito cinza esbranquiçado. Na época da escola acabava passando saliva ou água nas canelas quando via aquele cinza, mas depois da chegada da vaidade descobriu a existência de hidrantes.
Um pouco de dor a incomodava no ombro esquerdo, conforme a água caía no local queimava de leve e a sensação era dúbia, no começo ruim e depois uma queimação gostosa. A garota molhada não sabia muito bem o que pensar. A ordem de pensamentos estava desalinhada, não sabiam muito bem qual rumo seguir. Segurando o sabonete embaixo da água de forma irresponsável, pois acabaria com ele rápido e gastaria água demais, começou a ponderar sobre a vida. Sabe aquele banho que serve pra raciocinar sobre suas últimas decisões e acontecimentos? Então, passou a tomar um desses.
Era como se ela tivesse chegado ao ponto em que não havia mais volta.
  Muitas garotas saem de casa no começo da vida adulta. Para trabalhar, fazer faculdade, viver novos ares… Com a ajuda dos pais, com um trampo nas costas para dar conta das coisas sozinhas. Os motivos são vários, mas a realidade está ali. entrou para as estatísticas no dia que colocou sua mala no carro da avô e despediu da mesma no aeroporto.
  Ela quis tanto aquilo, quantas vezes ficou confinada no quarto planejando como seria a vida quando pusesse o pé fora daquele buraco sujo em que morava e estudava. Quando ela poderia simplesmente ser ela mesma e encarar a vida do seu jeito e no seu tempo. Um recomeço, uma forma de resetar a vida, de sair na rua sem medo de encontrar algum demônio da escola. Sem ter que olhar pros carinhas sem graça e escrotos da cidade que não prestavam para satisfazer suas preferências.
É clichê de boa parte da população adolescente, achar que a casa e a cidade são um saco. Nada está bom, nada presta. Você julga tudo e acha que escapar é o melhor remédio. Talvez não seja assim, talvez deveria ter sido forte e encarar o fato de que não importa onde estejamos, nossos demônios nos seguem. O passado fica cravado na garganta em qualquer lugar, mudar de cidade não resolve e não faz desaparecer.
  Foi o primeiro momento em que percebeu isso. Ela percebeu estar assustada assim como quando punha o pé na porta da escola. A vontade de ficar em seu refúgio seguro e fugir da realidade apareceu novamente. Xingou seu comportamento em voz alta e deu um tapa no jato de água escorrendo do chuveiro.
Mas que bosta! Era algum tipo de maldição? Ela seria aquela besta quadrada pra sempre?
Precisava clarear a cabeça, falar sozinha quem sabe.
  - Por que faz isso consigo mesmo, heim ? Qual seu problema? Você está num cidade legal, num bom apartamento, cursando o que queria e ainda pegou um gato que, ao tudo indica, ainda quer te pegar mais vezes? Então qual seu problema, sua franga do caralho!
  Medo? Insegurança? Um passado apontando o quanto as coisas podem dar errado? Trauma?
Que irritante, puta merda!
  É meio que normal as pessoas ficarem assim quando conhecem alguém novo. Garotas ficam histéricas, nervosas, ansiosas. É estúpido dizer que todas ficam assim, mas uma grande maioria fica ou ficará. É normal dessa raça humana besta. E era boa demais em fantasiar cenários e supor como as coisas aconteceriam para evitar traçar situações envolvendo o tal do . As pernas deram uma vacilada ao lembrar da gozadinha da noite passada.
   sofria um pouco por ter sido ruim em chamar atenção dos garotos. Mesmo quando saía de casa devidamente feliz com o que tinha visto no espelho tentava provar para si mesma que iria conseguir alguma reação do público masculino de seu interesse. E mais que isso, reações que viriam por ela ser fiel a sua personalidade, ser quem realmente era. Sem precisar se esconder atrás do estereótipo da sociedade. Usando suas gargantilhas, seu batom colorido e cara de moça estranha.
Então ela viajou no tempo. Voltou lá no dia em que encontrou na fila da loja. Foi ele quem puxou assunto, foi ele quem demonstrou interesse primeiro. Naquele dia deu tudo certo, uma hora estava comprando lingerie e na outra estava em frente ao seu prédio beijando . Foi aí que sua cabecinha começou a querer saber como teria sido o primeiro momento em que cravou os olhos em si e ficou interessado. Ela lembrava de tê-lo visto com os amigos andando pelas roupas masculinas.
  Inclusive, ela prestou atenção naqueles três. sabia muito bem disso, os homens destacaram-se entre as outras pessoas rondando ali. Notou que era raro encontrar homens daquele porte em sua cidade. Talvez até existiam alguns bons perdidos, mas o desdém pelo local cegava a garota.
   congelou-se no momento em que prestou atenção nos três amigos, nos poucos minutos que dedicou seu olhar a eles.
   foi o que chamou atenção primeiro, Ele sorria, parecia ser um cara divertido. Era alegre e jovem e tão gatinho, Puta, era gato e tinha uma carinha de imprestável, carinha de que toparia fazer arte junto com ela. Depois foi Lord. Que homem, é o tipo de homem que você olha e baba e sente que nunca vai te ofuscar com o brilho. Ele sorri e você treme, ele abre a boca e você saliva, ele toca no seu ombro e você derrete. Aparentava ser mais velho que os amigos e não tirava o olho do celular.
  Por fim, .
  As coisas foram um pouco diferentes com . não conseguiu decifrar de primeira suas sensações em relação a . Seu sorriso era bem mais retido e ele parecia estar meio que irritado com os outros dois. A gravata grafite quase não destoava da camisa preta e seu cabelo era tão bem penteado e bem diferente das madeixas de . Teve a impressão tê-lo visto ao andar pelo shopping um outro dia, mas não teve certeza.
  Algo no olhar de a balançou, ao tentar observa-lo melhor percebeu ficar fraca. Alguma coisa naquelas íris passava intensidade demais e foi o sujeito que a deixou mais envergonhada, mais constrangida. Reparava em Luxor e em e quando ia fazer o mesmo com entrava em uma áurea estranha que desacelerava suas reações nervosas e psicológicas. Era estranho e foi por isso que voltou a atenção as suas compras.
  Depois de conhecer e seus companheiros ela percebeu que sua opinião sobre o nerd e sobre Lord permaneceu a mesma. Os dois eram o extremo da simpatia e riam a deixando confortável, mas … Tinha algo estranho e errado com ele.
   não se lembrava dele sorrindo amigavelmente, ele respondia de forma fria e séria. Parecia que o infeliz não gostava de te-la por perto. Mas, também, que engravatado bem sucedido na vida iria querer com uma menina monga tipo ela?
Lord era simpático até com uma pedra em seu caminho e era o cara mais jovial que quer viver a vida. Ela sabia que a faixa etária era parecida e que seus interesses batiam e por isso o conforto estourava os limites ao lado dele. destoava de tudo, a deixava nervosa.
  E finalmente chegou a conclusão inevitável. , o engenheiro elétrico de terno, não gostava dela.
  Como sempre, alguém aparecia para fazer aquilo. Afe, que saco! E o pior era que teria de topar com , afinal, não estava a fim de deixar pra lá. Mas, eles eram amigos e andavam juntos, trabalhavam juntos e uma hora ou outra acabaria ao lado de e sua má vontade em estar ao lado dela.
  Que ele fosse enfiar um dildo bem grande no meio do rabo! Se não gostava dela que crescesse e aprendesse a se comportar como um adulto. e Lord a queriam por perto e se ele não queria, problema dele. Ela não iria parar de viver por causa de alguém, não mais, não em sua nova vida. Cara chato!
  Porém… lindo. E sensual também. era uma delícia, mas tinha uma coisa sexy no semblante, uma postura misteriosa que a deixava intimidada. Voz séria de gente grande, de gente responsável. E quando ele a olhava, nas poucas vezes que cravava o olhar nela, sentia um pulso eletromagnético fodido atravessar seu crânio. Ela não sabia o porquê, não entendia muito bem as razões para sentir-se tão derrubada e tão atingida por uma simples olhada e logo reparava em e a boa paz arrumava seus batimentos cardíacos.
  Saiu do banheiro molhando todo o piso por ter esquecido de pegar toalha e foi para o quarto dar um jeito naquelas olheiras. ainda precisava fazer coisa de adultos e não gostou de lembrar que precisa ir ao banco. Odiava bancos, odiava fazer burocracias de gente grande. O tempo passou voando, era boa demais em enrolar se arrumando e sair de casa toda atrasada.
  Quando atravessou o elevador em direção ao curso viu que faltavam três minutos para a aula começar. Não gostava de chegar em cima da hora, era horrível a sensação de falta de fôlego e nem dava tempo de descolar um suco de maracujá ao leite antes da aula começar.
  E o dia comeu solto. prestou atenção em tantas dicas na aula e anotou tantas porcarias na sua agenda que mal percebeu a passagem maluca do tempo. Era assim, toda vez que se empolgava com algo aproveitava ao extremo. Foi esforço algum ficar no curso por quase cinco horas em ambiente fechado olhando para a cara das mesmas pessoas.
Um pouco mais para baixo, não foi bem assim.
  Para aquela pessoa chamada o dia foi uma cruz. Nunca recebeu tantas broncas, tantas cobranças e nunca se deparou com a cabeça tão atribulada, passada e cansada. O projeto passava por um momento delicado, não conseguia ajustar um problema que decaía a eficiência e não sabia mais como enrolar em seu relatório geral.
  Quando Lord berrou da recepção que era de parar e mandar o estresse a merda o engenheiro largou o mouse do computador e quase o tacou na parede. Vincou a testa e apertou o excesso de pele de sua fronte em um sinal de extremo saco cheio. Levantou dando uma respirada longa e até meio frustrada. Fez o favor de livrar-se do paletó o pendurando no ombro e seguiu para fora daquela porcaria de escritório.
  Ao ir aproximando da figura de Luxor notou o sorriso sujo que o outro estampava e logo percebeu que poderia livrar-se da pressão e do nervosismo em cerveja e conversa furada. Era sexta-feira, o dia oficial do happy hour e da vadiagem pós expediente.
  - Onde vamos? - Lord costumava ter os melhores itinerários.
  - Centro. Cansei de beber no shopping e o menino disse que quer comer fajitas de carne, então, a opção é ir pro centro.
  - San Juan? - se pudesse iria lá todos os dias encher o cu de fajitas, Lord adorava o fluxo de mulheres. Não era o lugar preferido de , ele gostava de ter um pouco mais de privacidade e paz. Na verdade, a dele era comer no conforto de sua casa, pelo menos no período noturno, almoçar fora era um hobbie e tanto apesar de gostar do que fazia na cozinha de seu apartamento. Curtia beber em pubs escondidos que só quem manja sabe a localização e as manhas de qual é o melhor destilado para pedir e qual a melhor hora de descer para jogar uma sinuca ou apostar um pouco no pôquer.
   foi capaz de livrar-se de boa parte da frustração, ele precisava viver um pouco. Depois de uma semana do capeta, de um dia exaustivo e destrutivo para seus ombros tudo o que precisava era descontrair. Apenas ser um cara normal bebendo com os amigos, falando inutilidades, reparando em mulheres gostosas e nada mais. Nada de pensar nas garotas que você não tá podendo dar uns pega. O mundo não gira em torno de boceta.
  Só que ferrou, lascou com tudo. Quando pôs o pé pra fora do escritório distraído em seu celular deparou com gargalhando com em seu encalço. Logo a paz disse adeus e foi pra longe. Não que ele estivesse sendo tão birrento assim, mas era foda cara. Era foda mesmo!
   era tanto a personificação dos desejos latentes que era difícil lidar com o problema de tê-la longe de forma tão direta. Focou no fato de só querer relaxar, ter um bom tempo e parou de ser um chato amargurado.
  - Olá, . - a garota direcionou o olhar para e já sentiu aquela coisa meio estranha e pink flutuando sua cabeça. Balançou o cabelo de leve e tentou não ser esquisita.
  - Oi, . Tudo bem? - a menina era tão descontraída, exalava uma simplicidade de gente que bota a cabeça no travesseiro e dorme na santa paz.
  - Exausto. - soltou um sorriso verdadeiramente cansado - Nada que umas cervejas não resolvam.
  A garota não respondeu, ela não sabia o que dizer. O homem foi mais simpático que o costumeiro, mas mesmo assim algo destoava e ela achou que era melhor não interagir mais. Afinal, ela nem sabia que raio falar pra ele. Era melhor dar atenção a .
  Alguns minutos de trânsito depois e as quatro criaturas caminhavam pela calçada repleta de pessoas animadas demais para irem embora tão cedo. O San Juan não costumava ser um lugar muito agitado, mas algumas pessoas ocupavam toda a parte da frente com tacos e tequilas em mãos.
Para as pessoas, como os tais, que queriam um pouco mais de paz e uma mesa para sentar e comer em conforto era melhor ficar pelo lado de dentro. e não ligavam muito para e Lord, que estavam em conversa paralela mais a frente dos outros dois que volta e meia trocavam falas pervertidas e acabavam rindo baixinho para tentar disfarçar o furor que vazava por seu poros.
  Todo mundo sentado, bonitinhos. Batendo aquele papo, falando sobre as trivialidades da vida. não fazia o tipo possessivo, mas o tempo todo dava um jeito de passar os braços por , a puxar para perto. Beliscava as coxas de fora e falava baixinho no ouvido dela, fosse algo mais safado ou alguma besteira sequer. Lord não calava a boca, o homem já era empolgado e falante sem bebida, imagine depois da quarta cerveja.
  Ao lado de Lord e um pouco mais contido e não tão no clima como os outros estava e seu chopp. Ele bebia o álcool com gosto de inveja. O bichinho corroía as entranhas do engenheiro chefe, escalava suas veias. Desejo sem sentido é a coisa mais estúpida que um ser humano pode sentir. Não faz sentido, queima e irrita.
  Não demorou para o telefone de Lord tocar, em uma hora daquelas só podia ser uma de suas cinquenta e cinco ficantes. Liberou um sorriso danado antes de levantar da mesa. O garçom chegou com duas fajitas para as duas crianças da mesa acompanhadas de molho chilli. lambeu a boca ao olhar pra carne mal passada e deliciosa a sua frente. A bichinha era carnívora pra cassete.
  Eles conversavam sozinhos e fazia poucos comentários. Uma loira que sentou próximo a eles resolveu dar umas investidas no homem e ele achou que seria mais prudente prestar atenção nela. Porém, a cada risada de ficava mais difícil. A cada suspiro que a garota soltava pelo atrevimento de em passar mão na garota por baixo da mesa o fazia perder o foco. A loira continuava em seu campo de visão, mas era como se ele simplesmente dispersasse da realidade. Tomar no cu!
  Uma hora precisou ir mijar. Foi nessa hora que extraterrestres sobrevoaram o local e despejaram em forma de raios invisíveis um pulso fortíssimo de constrangimento. permaneceu com os olhos na loira que conversava com as amigas e volta e meia sorria para ela e abaixou a cara analisando o quanto o vermelho de sua carne era suculento. Não demorou até a garota enjoar da comida, não queria mais comer aquilo. Ela quis doce, precisava de um doce.
  Chamou um garçom que passava do lado e pediu um cardápio que logo veio. Começou a ler as letrinhas dele como se fossem a coisa mais sensacional e interessantes do planeta, passou os olhos pela parte das sobremesas umas quinze vezes só para não ter que olhar para .
  Contudo o homem notou algo que não deixaria passar. Percebeu que não terminara sua comida. O prato estava quase que pela metade e ela segurava o cardápio fuçando por algo. Sorriu internamente e deixou a outra mulher pra lá. Começou a prestar atenção em .
  “Então a garota é indisciplinada?”, pensou em voz baixa. Todo daddy quer participar do processo de disciplinar sua garota. Faz parte de algo importante para os dois, rotinas estabelecidas fora do parâmetro sexual. Ali ele percebeu que não respeitava noção alguma de disciplina e que com seu jeito descolado só reforçava o comportamento. Algo remoeu dentro dele. Se estivesse com ele seria diferente.
  - Já terminou de comer? - questionou. engoliu em seco e não tirou o olho do cardápio.
  - Sim. - não dava pra reproduzir mais do que isso sem engasgar. A voz dele era forte e intimidadora demais.
  - E procura por outra coisa no cardápio? - era óbvio, não era? Se ela olhava o cardápio é porque queria comer alguma outra coisa. Mas, sentiu uma pitada de ironia na pergunta que não fez muito sentido.
  - Quero comer doce. - “e você não tem nada a ver com isso, chatonildo”, essa parte obviamente ficou apenas dentro de sua cabeça serelepe.
  - Você não deveria comer doce antes de terminar sua comida. - saiu como uma ordem. Era o daddy falando. Era seu espírito inerente de cuidador que quer estabelecer limites para que sua garotinha ande na linha.
   não entendeu seu corpo. Seus dedos vacilaram no papel plastificado. Ela ficou meio zonza, meio tonta. Por que a frase disfarçada de ordem estalou em seu crânio e por mais invasiva que fosse causou uma sensação boa? não era nada dela, mas ela gostou de ouvir aquilo ali. Internamente era o fato de ter se virado sozinha sem ninguém para cuidar de si e evitar seus impulsos dizendo olá.
  Ela abaixou o cardápio, enfim. Tinha decidido por um petit gateau e precisava chamar alguém para fazer o perdido, porém, por um instante curto de tempo fincou uma encarada funda na cara de . A expressão do homem transbordava uma coisa, refletia autoridade e poder e quis entender melhor o motivo de sua reação interessada. Entretanto, quebraram o clima. voltou e o garçom veio a mesa. Ela sacudiu a cabeça e deixou o xarope misterioso pra lá e perguntou a se ele topava dividir um petit gateau e ele nem atreveu a negar.
  O grande problema real daquela mesa é que os três homens trabalhavam num sistema confuso e Lord descobriu de tempos em tempos que sempre havia um jeito de algum chefe foder com sua ida ao motel.
  - Garotos, eu odeio atrapalhar, mas o garotão e eu precisamos voltar pro escritório. - o prato com brownie e sorvete de creme chegou e logo roubou um pedaço antes que fosse tarde demais.
  - Me dê um bom motivo, Lord. Eu mereço viver nessa merda. - um pouco de chocolate escorria da boca dele e não resistiu a dar um beijinho para limpar. O toque só serviu para deixa-lo mais puto por não ter que voltar ao escritório ao invés de levar pra uma transa no banheiro.
  - Eu também mereço, mas nós dois esquecemos daquele report do problema de eficiência. Lembra, aquele que era pra ter saído quarta-feira e prometemos pra hoje? - a cara de Lord não era nada boa.
  - Caralho. - sofria em sua vidinha malvada - , eu…
  - Tudo bem, . - ela não achou ruim, a garota era crescida, ela sabia entender.
  - Então vamos, . - continuou sentado e ficou olhando para a cara de Luxor que fez um bico feio por não entender o infeliz ainda estar sentado.
  - Você vai esperar eu comer mais disso aqui. - queria pegar fogo e sumir da existência do planeta. Enfiou a colher no monte de sorvete e tentou ignorar a vida.
- Agiliza, . A gente tem menos de meia hora pra mandar a merda.
  - Caralho, Luxor. - já eram onze e meia? Mas que porra. E ainda tinha uma outra coisa.
  - precisa da minha carona pra ir embora. Não dava pra ter lembrado disso antes? Vai indo que eu a levo.
  - E não vai te atrasar? Eu vou posso pedir um táxi.
  - pode te dar carona, oras. - a cabeça infestada de sujeira daquele Lord maldito e astuto quase implodiu, o cérebro dele cruzava os dedinhos com o espírito de Dick Vigarista, naquela coisa de aprontar com a cara de alguém e assistir de camarote.
  Não foi bem assim que ficou, seu olhar não mudou, ele não deixou de olhar fixamente para o dourado manchado de espuma branca de sua caneca de vidro suada. As pernas não tremeram e a mão não vacilou e as pupilas ficaram paradinhas no lugar de sempre.
  Mas ao contrário de toda a organização biológica visível, o interior do engenheiro elétrico mais velho transformou-se em um campo de batalha nervoso. Suas tripas eram trincheiras, suas células bombas caindo de aviões do exército dos Estados Unidos, sua alma um verdadeiro massacre de soldados caídos na lama gritando pela vida.
  O cara era um homem formado e fazia o que podia para manter o controle e não parecer um moleque histérico e birrento, mas que merda, viu? Luxor sabia bem o que fazia naquela hora, deu uma de engraçadinho, deu uma de espertinho. podia levar a menina numa boa já que eles eram peguetes oficiais e o próprio Lord poderia ter se oferecido para fazer o favor.
  Mas, não. O diabo consternado de avelã arregaçou suas mangas e lançou suas feitiços demoníacos, enfiou a faca de ritual nas costas dele e o entregou nos braços do capeta, basicamente isso.
  A questão principal é que não estava pronto para ter um contato mais pessoal com . Não estava pronto mesmo, nem era uma possibilidade na cabeça dele. Decidiu que iria se afastar, deixar a menina quieta no colo de e manter a cabeça em outros assuntos, entre esses assuntos, mulheres.
  Obviamente não ligava pro planejamento dele, já que ferraram com tudo. Já que Lord Luxor ferrou com tudo, mais especificamente. Dentro daquele beco era difícil dizer não para a proposta. Seria tão errado, tão inconveniente e mal educado. E prezava por tratar bem as pessoas e ser o mais polido possível, negar, falar que não iria levar para sua casa seria horrível.
  Não existia desculpa para aquilo, a rota que ele faria era realmente a mais próxima da casa da menina, ele era o único que não precisaria ir para o escritório e os motivos que o levavam a acreditar que o mais coerente seria dar a carona riam na cara ainda séria. Não havia escapatória, felizmente ou infelizmente, não dava muito bem pra decidir qual dos dois se encaixava melhor para a situação.
  - Tudo bem, pode ir comigo.
  Sentadinha e quieta do lado de , dando uma mordida no pedaço de brownie estava . Ela solavancou, engoliu um pedaço de massa maior que a garganta e lotou a goela de refrigerante pra evitar engasgar e passar vergonha.
   cria piamente que a odiava. Isso, bem dramático mesmo. A menina botava fé no fato de que ele não ia com sua cara, de que tinha desdém enraizado ali. E não era nada justo ela ter que pegar carona com ele. achava que era muito sério, ele sorria de um jeito controlado ao contrário de que gargalhava escandalosamente. era mais centrado, mais misterioso. Aí morava o problema, em tanto mistério se achou atraída.
  Pois bem, isso mesmo que estão lendo. ficou atraída pelo engenheiro mais velho, curiosa pra saber qual era a dele e tentando entender o que tinha errado com ela pra ele ser sempre tão sisudo e até meio mal humorado.
   se dava mal em contato com pseudo conhecidos, tentava evitar contato direito, rezava pra não topar na rua com alguém que pseudo conhecia. encaixava-se perfeitamente naquele padrão e suas pernas começaram a bater inquietas uma nas outras.
  - Ótimo. - respondeu, uma resposta verdadeira sem nada de ironia no meio - Te vejo amanhã. - ele sorriu abertamente para a menina ao fazer um carinho em sua bochecha. Ela não soube se corou ou não, mas provavelmente o tinha feito - E aí a gente pode repetir a dose de ontem. - essa parte foi sussurrada assim que ele soltou o selinho e tratou de provocar a garota ao passar a ponta da língua em sua orelha.
   se tremeu por inteira. O corpo reagiu as palavras, ao toque molhado da boca de e a ansiedade de estar no mesmo carro que , aquele cara quietão, fechado e que parecia não ir mesmo com a cara de besta dela.
  Ela viu o garçom vindo para passar os cartões de débito e crédito, viu Lord dar um tchau muito animado e sorridente, viu a piscadela de , viu os dois se afastando, viu o sorvete de creme derretendo no prato junto com a cobertura de chocolate e um olhar plantado em que transmitia uma frieza e tranquilidade capaz de deixar um urso polar com frio.
  - Vamos então? - a chamou encarando seus olhinhos nervosos sem medo de impor aquele contato firme. se perguntou internamente se era para ela mesmo que ele olhava daquele jeito, passando umas coisas muito fortes e estranhas para as suas pupilas, criando uma sensação maluca. Ela se arrepiou, foi inevitável, foi fora de proporção. Era o típico momento em que ela se sentia mais que idiota por reagir a uma coisa besta do jeito errado. Estava viajando na paçoca e inventando coisas naquela cabeça que distorcia tudo.
  Mas, ela não estava errada. realmente fez algo com aquele olhar. Foi demais para ele, foi além do necessário o fato dele ficar sozinho com aquela coisa com a boca suja de chocolate, com o prato todo manchado e com sorvete nos dedos. parecia confusa, meio atordoada como se precisasse de um beijo na testa para perceber que estava tudo certo. E toda a intensidade que se criou no peito masculino ao perceber todas as porcarias e quase ter certeza de que precisava dele foi inevitável. Trincou as íris e passou as informações para ela através dos olhos. não sabia disso e por isso não entendeu.
   acenou em positivo com a cabeça e ainda tímida, ainda sem jeito se levantou e esperou guiar o caminho. Pela primeira vez na noite ele riu de verdade. não entendeu aquele repuxado nos lábios dele e os dentes ficando de fora. Aquele chatonildo de primeira resolveu rir?
  Para ela não fazia sentido, mas para … Como fazia. Ele jamais deixaria a menina para trás, ele precisava deixar que ela tomasse a frente. iria primeiro e assim ele poderia cuidar dos passos dela e tomar conta da menina a observando com carinho e certificando-se de que nada aconteceria a ela.
  - O carro preto ali atrás do sedan branco. - procurou o veículo e logo o achou. Não teve coragem para abrir a boca e piscou algumas vezes o encarando até virar a cara para frente e ir em direção ao veículo.
   esperou alguns instantes até seguir o caminho da garota. Foi inevitável e irremediável notar a forma como o jeans do shorts apertado e curto subia pelas coxas e como ela parava discretamente pelo caminho para puxar o tecido evitando que a polpa da bunda ficasse de fora. Gracioso, admirável e tão excitante. Por Deus, aquela menina não precisava de muito para foder-lhe o juízo, para aflorar dentro de si a porra do daddy desesperado para dar um jeito numa menininha desobediente.
   ouviu o alarme, percebeu que a porta estava aberta e mergulhou para dentro o quanto antes. Era só impressão dela ou não desgrudou o olhar de si enquanto andava? Ela sabia muito bem dizer quando era observada. Os anos na escola com todo mundo reparando em cada passo a ensinou a perceber facilmente a sensação e saber quando era verdadeira ou falsa. Ficou nervosa e os pensamentos fantasiosos começaram a rondar sua mente, se apossar de sua sanidade. Não demorou um minuto para mergulhar em seu mundinho de abstração para fantasiar, para criar um cenário em que estava interessado nela, a desejando, louco para beijar-lhe. Tremeu novamente, mas com uma entonação diferente. Já não era mais nervosismo, era tesão. Era fogo na boceta, o fogo na boceta que sobrava naquela menina e que a colocava em uma condição bem constrangedora ao pensar putarias pecaminosas ao lado de estranhos.
  Perdida em seus pensamentos safadinhos ela não prestou muita atenção no fato de sentar-se no banco do motorista pronto para dar partida. era assim, perdia-se fácil nos nós e labirintos de sua cabecinha bem criativa e aflorada para a abstração. Ele observou os olhos da garota presos num ponto fixo, a boca entre aberta respirando com calma e quis apostar sua cara para descobrir o que era que a garota tanto pensava com tamanha concentração.
  - Ei. - chamou dando uma batidinha no volante. deu um pulinho bem fofo em seu banco e virou a cara para ele meio assustada, com o coração quase na boca e as pernas coçando - Não posso sair até você colocar o cinto. - pera… Ele estava mesmo sendo simpático e preocupado? Aquele sorriso era de verdade? foi legal com ela?
  - Ok… - virou o rosto procurando pelo cinto e logo o prendeu no lugar para que ficasse protegida - Pronto. - ela não sabia como proceder. Ela não sabia lidar com o fato de decidir fixar o olhar daquela forma e agir tão diferente, tão mais aberto e menos apático. Dava pra morrer e não ter que enfrentar aquilo? E dava pra morrer e ignorar o fato dela estar com o fogo subindo pra todo lado?
  - Agora sim. - manobra feita e o carro saindo pela rua pronto para virar na próxima esquina. não sabia onde morava, não fazia ideia se era perto ou longe e por mais besta que fosse desejou que demorasse, desejou que fosse lá na puta que pariu. Queria mesmo uma desculpa bem cretina para ficar mais perto daquela coisa moleca e tonta que dividia o espaço consigo.
  O passeio seria longo. estava um tanto longe de casa e com a cabeça fervilhando. Ficar perto de deu um nó em tudo, ela ficou perdidinha procurando internamente por uma resposta. Talvez fosse seu problema com figuras que representavam autoridade e por algum motivo ainda desconhecido ela sentia que a afetava seriamente, sério ao ponto de querer se comportar do jeito certo para merecer sua atenção. Merda, merda. Por que ela precisava sempre se meter nesse tipo de merda?

dirigia tranquilo sempre dando um jeito de cuidar da menina, prestar atenção no que fazia. Ela pensava sozinha e às vezes soltava um resmungo ao gesticular não muito discretamente, algo que tirava risos modestos do homem.
  - Gostando da cidade? - ela levou um susto. Qual a razão dele ficar puxando papo do nada, heim?
  - Sim, sim. É muito mais legal que a minha. - ela evitou não olhar para ele e manter as respostas curtas para não passar vergonha.
  - Nada melhor que morar sozinho, não é mesmo?
  - Estou adorando. - acabou se empolgando na resposta, morar sozinha era algo que despertava empolgação demais - Amo minha avó, mas ela era muito… cheia de coisa de avó, sabe? - adorou o jeito de falar da garota.
  - Coisas de avó? Me explique isso melhor.
  - Ah, você sabe. Elas te fazem por blusas demais no inverno, te cobram pra dormir cedo, tem pânico de garotos, te obrigam a tomar chás quando você não quer, brigam porque você não arrumou a cama depois de acordar, enchem o saco pra ir na igreja no domingo. Coisas de avó. - então percebeu que realmente possuía problemas com disciplina. Ele adoraria como o inferno dar um jeito naquilo. A tenra possibilidade ferventou o estado do pau protegido pela calça social.
  - E sozinha você é livre pra fazer do seu jeito.
  - Exatamente. - esticou os pés e pareceu ficar um pouco mais confortável.
  - Não acha que um pouco de organização é necessário? - que diabos ele queria dizer com aquela pergunta?
  - Eu sou organizada. - respondeu ficando com a cara um pouco mais feia.
  - Claro que é. - concordou para apazigua-la - É só uma questão de não precisar cuidar de tudo sozinha, é bom ter alguém para te ajudar a se organizar, a fazer as coisas de forma disciplinada, não acha? - uma pontada atingiu o interior de . Ela sempre se virou sozinha, sempre cuidou de si, pois, a avó não estava ali o tempo o todo. E por isso ficava de saco cheio quando a senhora vinha querer impor regras. Ela aprendeu a ter sua própria rotina, seu jeito de fazer as coisas, ninguém tinha o direito de atropela-la. A vida a deixou sozinha para se virar sozinha, então que a deixassem assim.
  - Nem sempre é o caso. Você acha que é?
  Bem, tinha uma resposta na ponta da língua.

Chapter 6 - Tell Me Why

“Por quê esse imbecil tá com essa cara?”
   sentiu um pouquinho de birra formigando seu peito, ria e o nariz fez aquele barulho não muito discreto de uma fungada que sai sem querer. O homem tamborilou os dedos no volante de seu automóvel e colocou os ombros no lugar ajeitando a coluna. E a garota continuou tentando entender, procurando uma razão para ele agir desta forma ao invés de responder a porra da pergunta que era extremamente simples de ser respondida. Tipo, cara, qual seu problema?
  Infelizmente ela ainda não conhecia o suficiente para entender seu modo de reagir ao que ela falava. Era simplesmente inocente, ela se irritava com o fato do idiota sempre agir estranhamente ao invés de conversar normalmente.
Ela não sabia, mas a resposta para o “Você acha que é?” era tão óbvia, mas tão óbvia que a única reação plausível seria uma gargalhada enorme na sua cara. E é claro que evitou gargalhar na fuça da menina. sabia ser paciente e obviamente sabia lidar com meninas.
  - Sim, eu acho. - estalou a língua nos dentes cheirando a cerveja - Há pessoas que gostam de ser mimadas, tratadas como príncipes e princesas e há pessoas que gostam de mimar e tratarem os outros como príncipes ou princesas. - por um minuto a garota ficou sem reação, presa em sua própria cabeça. Certamente ela adoraria ter sido mimada, tratada como uma princesa por todo aquele tempo, mas ela não pôde. A vida arrancou seus pais e não permitiu que ela pudesse ter esse tipo de mimo - Normalmente é uma via de mão dupla, nós gostamos dos mimos, porém, não gostamos de ser cobrados. Mas, essa cobrança faz parte e obedecer algumas regras não faz mal.
  Automaticamente assumiu uma postura defensiva ao cruzar os braços próximos aos seus peitos. Para era só uma reação natural de seu corpo, mas para era muito mais. Ele sabia interpretar esses sinais, ele entendia a mensagem que o corpo de passava, era capaz de decifrar os sinais e decodifica-la.
  Notou a forma como as pernas passaram a tremer agitadas, os joelhos subindo e descendo bem rapidamente e as mãos inquietas arranhando a pele ao seu redor. Tentava prestar atenção no trânsito o suficiente para poder observar melhor a garota e encontrar uma explicação para a mudança repentina de comportamento. Era especialidade de lidar com o comportamento de garotas.
  - É, deve ser. - respondeu friamente e virou o rosto para a janela.
  Toda a injustiça caiu em seu colo, precisou morder a língua e engolir seco. Os olhos começaram a arder e ela sabia que não precisaria de muito para começar a chorar. A revolta apossou-se de seu corpinho cansado. Óbvio, é ótimo e maravilhoso ter um pai e uma mãe ao seu lado pra cuidar de você, pra dizer quais são suas responsabilidades, pra te cobrar, pra te dar bronca porque você fez errado. Enche o saco da maioria dos adolescentes, mas no final das contas a maioria sabe o quanto vale.
E enxergava a situação perfeitamente. Claro, era muito melhor ser órfã de pais mortos que de pais vivos e a garota era extremamente grata pelos pouco mais de dez anos ao lado dos pais. Só que não dava pra engolir, ela foi obrigada a se virar sozinha, a crescer por si só, assumir responsabilidades que uma criança não deveria ter.
Sua avó era maravilhosa, mas trabalhava o dia inteiro e não tinha mais pique e paciência para criar uma criança. E sozinha dentro de casa resolvendo seus próprios problemas sem ajuda e se recompensando da forma errada pelos acertos e se cobrando de forma errada pelos erros desenvolveu seu próprio jeito de viver.
  Princesa… Era risível. Existem pessoas com este privilégio, mas ela passou bem longe desta possibilidade depois da morte dos pais. Mas bem longe mesmo. E não era capaz de conter a frustração toda vez que não davam valor ao caminho percorrido para superar seus problemas. quis estapear a cara de . Seu comportamento não era bom o suficiente para ele?
  Porém, não era bem assim.
não sabia da história de e ele mais estava pegando em seu pé para encher o saco. O engenheiro apenas queria entender melhor a garota que em uma hora comportava-se como uma adulta completa e logo depois mostrava uma falta de disciplina tamanha, como se estivesse acostumada a fazer tudo do seu jeito sem aceitar alguém a corrigindo.
Entretanto, ele não podia culpa-la. Cruzou uma linha que não deveria ter cruzado. Uma falha de comunicação, onde um não sabia do passado do outro. e eram bons demais em se desencontrar.
Tudo acontecia por se apegarem a sua essência e seu ser. Não percebiam que as pessoas ao seu lado não eram obrigadas a saber e muito menos a entender seus passados. ainda não entendia a razão pela qual o estranhamento e o desconforto eram tão presentes ao lado de .
  Com eram risos e nada de preocupações, já com , era confrontar desajustes dentro de si.
E naquela ansiedade de não conseguir controlar sua síndrome das pernas inquietas respirou fundo e tentou não desabar no colo de ao reclamar como a vida havia a fodido, ao chorar por descontar com seu jeito irresponsável o fato de ter sofrido pra caralho. Ela sabia do fato de existir outros passando por muito pior e sabia que muitas vezes incorporava uma criança fazendo birra por nada, mas não era justo ignorar seus problemas.
   sentiu que a menina estava com algo entalado na garganta, ela mantinha o controle para evitar desatar a falar um monte de merda. Ele não queria boicota-la de faze-lo e não fez as perguntas com a intenção de cala-la. Pelo contrário, era justamente por querer provoca-la a ponto de abrir a boca e quem sabe ser uma peste mal educada, queria descobrir a garota má e boca dura que estava presa dentro de por algum motivo ainda secreto.
  - Deve ser? - a pergunta cheia de sarcasmo e uma pitada de provocação fez virar a cara para e o fuzilar com o olhar - Isto é falta de vontade de falar comigo?
  Então deixou o ar fluir por suas narinas e relaxou um pouco. Ela sempre acabava fazendo essas besteiras, era mais arisca que um gato desconfiado. Achava necessário ficar na defensiva ao ser confrontada. Já havia passado da hora, e como havia passado, de parar de lamentar pelo passado e pela morte dos pais. Se ela não enterrasse os defuntos, os defuntos a enterrariam.
  - Eu não gosto de pessoas se metendo no meu jeito de fazer as coisas, eu odeio que mandem em mim ou me digam que eu não posso fazer do jeito eu quero fazer. - prendeu um lábio no outro e focou ao máximo para não bater o carro - E você falou como se fosse ruim viver desse jeito, só que nem todo mundo pôde ser mimado durante a vida ou teve alguém pra tratar como uma princesa, no meu caso. Então é bem chato generalizar. - as palavras de escorriam um veneno que ela precisava derramar toda vez que era ameaçada.
  - Eu não quis dizer que o seu jeito é errado, . Só quis dizer que é bom quando nós temos alguém por nós, pra nos mimar. - falando assim ela era obrigada a concordar, porque realmente era. Custava ele ter sido mais objetivo?
  - Mas é óbvio, né? Eu queria ter tido a oportunidade. - notou a melancolia da última frase e segurou as pontas para não ser invasivo. Era sua primeira conversa com e as coisas não caminhavam muito pacificamente. Teria que conter a curiosidade corroendo suas pernas.
  Para sorte de a menina ao seu lado era bem espertinha e também tinha suas habilidades em analisar as pessoas e perceber o que seu corpos diziam. entendeu muito bem o significado daquela arqueada de sobrancelha. queria saber a razão pela qual ela falara de forma tão saudosista.
  E afinal, não estava escrito em sua testa o fato de ser órfã, não era obrigação das pessoas saber. No fundo sabia ser infantil a vontade de querer ser tratada diferente, por mais que doesse assumir.
  - Você está com medo de perguntar, então eu vou te fazer um favor e vou contar o que você quer saber. - então começou a conhecer o lado língua solta de - Eu sou órfã de pais desde os doze anos e eu tive que virar sozinha. Toda vez que alguém fala sobre crianças e adolescentes bem cuidados que têm modos e essas coisas chatas eu levo pro lado pessoal. A culpa não é sua, eu que sou birrenta.
  Sentido, ele finalmente apareceu.

- Me desculpe.- a primeira reação de foi se culpar por ter falado demais e ter colocado a menina contra a parede. Deveria ter ficado quieto. Maldito fogo no rabo!
  - Não, pelo amor de Deus, não pede desculpas como se eu fosse uma coitadinha. - odiava quando as pessoas transpareciam aquela pena - Eu que fui infantil, tá bom? Você não tem culpa das coisas. - e finalmente um sorriso amigável surgiu entre os dois - Eu só sou estranha com essas coisas, confusa. Uma hora eu me sinto injustiçada e na outra não quero ser tratada diferente por ser órfã. Não me acertei com a minha cabeça ainda. - sorriu levemente sem graça.
  - Eu não vou dizer que te entendo, eu realmente não te entendo. - procurava por palavras que pudessem dar tranquilidade - Mas, eu realmente sinto muito e você não deveria se culpar por ficar confusa ou por querer tratamento especial, todos nós merecemos.
  - Obrigada. - riu e riu meio alto contagiando . Ah, garota espoleta.
  A ideia de ser uma pessoa completamente idiota piscou em , como ela se sentiu boba. Começou o dia achando que a odiava e ficou o xingando mentalmente ao longo das últimas horas passadas e logo estava rindo com e para ele. Ele era legal, no final das contas. ainda estranhava algumas coisas que o homem falava, mas era por não saber. Ainda não enxergava como a pessoa que estava li embaixo de seu nariz para curar as carências e frustrações que a assombravam.
  Por outro lado, compreendia perfeitamente que mulher alguma precisa de um homem para ajuda-la a superar nada. Para ele a ideia de mulheres serem independentes e terem forças para lutarem sozinhas era completamente verdadeira. Contudo, havia uma linha fora da curva. E essa linha era aquela em que garotas totalmente cientes de suas capacidades e dificuldades desejavam ser ajudadas. Dentro da liberdade que possuíam estas mulheres escolhiam ter alguém ao seu lado. E para algumas delas, era um daddy. E a do futuro logo clamaria pelo seu.
  - Evitamos desacordos, fico feliz. - aliviou o pé no acelerador para respeitar o sinal vermelho. Isto fez com que procurasse pelo celular para fuça-lo. Não andava de bolsa e mocava tudo no bolso. Bufou alto e quis bater na própria testa quando sentiu a falta de sua chave.
  - Temos um problema. - fez uma carinha de criança arteira que só por Deus. adorou aquela carinha - Minha chave ficou no carro do . - instintivamente mordeu os lábios graças ao nervosismo - Eu sou meio tapada.
  - Não se preocupe. - sorriu mostrando que não havia problema - Eu só não esqueço minha cabeça porque está bem grudada, sei bem como é.
  - E agora? - não fazia ideia de como proceder.
  - Certo. - bateu a mão no bolso da calça e encontrou seu smartphone. O pegou e olhou para o trânsito para se certificar que não atrapalharia alguém quando o sinal abrisse - vai estar com o número pessoal desligado, então ligarei para o número do trabalho, tudo bem?
  - Sim. - estava nervosa e inquieta, pra que precisava ser tão anta assim?
   ficou por uns segundos procurando o número e assim que apertou o botão para iniciar a ligação colocou o aparelho no viva voz. teria que atende-lo, ninguém ligava no telefone de trabalho caso não fosse importante.
  - Diga, senhor .
  - , viva voz. - estendeu o celular para que ela falasse.
  - , me desculpa te atrapalhar, mas esqueci minha chave no seu carro. - a voz saiu como um miado choroso.
  - Ah, é verdade… Ok, calma! - calou-se por um minuto para pensar e levou uma cara feia de um Lord não muito bem humorado - Eu não posso sair daqui e você não pode vir aqui, são regras. E também provavelmente vou embora pela meia noite, então… , você pode levar pra sua casa?
  Ah não! De novo? De novo a solução seria salvar a pátria?
   procurou a menina para buscar uma resposta e ela balançou a cabeça positivando a opção. O que poderia fazer? Ficar do lado de fora de seu apartamento pelas próximas cinquenta e duas horas? Ainda eram nove da noite, nem a pau que ela iria esperar todo aquele tempo na recepção do prédio ou no corredor ou na rua ou whatever.
  A realidade era uma bitch e fez com que quisesse bufar escandalosamente em exagero. se mostrou um cara legal e ela foi uma vadia daquelas que julga as pessoas sem provas concretas, mas também não precisava ser assim. Ela podia muito bem estender a mão e fazer as pazes com e a imagem que criou dele, mas os acontecimentos começaram a correr um pouco rápido demais.
Respirou e manteve a calma. Tinha que parar de reagir histericamente.
  - Tudo bem, vou com para lá.
  - É melhor. Eu te busco, , e me desculpa, tudo bem?
  - Não se preocupe, . - ela bem que queria grudar nos cabelos de e meter a língua na boca dele pra descontar a ansiedade.
  - Então até mais tarde. Beijo. - o celular apitou o fim da ligação e colocou o aparelho no colo.
Ele também ficou nervoso. Disfarçava um pouco melhor que , mas não deixou de sentir um nó na garganta com a pergunta de . Era muita informação nova para processar sobre a menina e além de tudo, sejamos francos, ele estava totalmente interessado na garota. O homem era forte e totalmente respeitoso, não iria ser um problema ter por perto. Não teria que se controlar nem nada do tipo, ele não era um animal. Mas convenhamos, era uma puta sacanagem.
E do outro lado a dona quis beliscar seu braço algumas vezes para interromper as formiguinhas da sua cabeça que começaram a fantasiar com o fato de estar sozinha com . O observou voltando a prestar no trânsito com as mãos firmes no volante e sentiu uma leve atração pelos braços pedindo para sair da camisa, pela barba bagunçada e o repuxado do tecido social nas coxas. O mundo da cabecinha infame de não era fácil, uma hora querendo chorar e na outra fantasiando sapequices.
  A meia noite daria trabalho até chegar.

  

xx

  

não era o tipo de cara que dizia “não repara na bagunça” quando recebia visitas. O apartamento estava sempre no jeito e com a maioria das coisas no lugar. Primeiro pelo fato do homem passar mais tempo no escritório do que em casa. Segundo pelo fato do homem ser completamente desatento e se perder facilmente em seu raciocínio em um ambiente bagunçado. era um daqueles adultos diagnosticados com déficit de atenção e transtorno hiperativo durante a infância. Cresceu sofrendo com as perturbações causadas pelo problema.
  E se precisava de algo em seu trabalho esse algo era atenção. Ou seja, nem todos os dias eram bons dias para o engenheiro elétrico. Quando em casa fazendo algo de última hora ou tendo um lapso criativo poderia olhar pra um quadro a sua frente ou pegar uma caneta e simplesmente desligar. Neste fluxo maluco que era o raciocínio de a mínima bagunça era capaz de desnortea-lo. Encontramos aqui uma boa explicação para o ambiente bem arrumado que se apresentava aos olhos de .
   concentrou o olhar diretamente nos dois livros vermelhos postos em cima de uma baixa mesa de centro em frente ao sofá coberto por uma manta creme. O vermelho destoava do resto de sobriedade que as cores neutras e precisas emprestavam ao ambiente.
  Mas, acabou deixando os livros pra lá, o próximo alvo de sua atenção foi a mesa de sinuca na continuidade do ambiente. As bolas numeradas estavam dentro do triângulo e ela se perguntou brevemente o porquê de ter escolhido pintar algumas paredes de preto e ter deixado o teto cru como se no cimento puro. Também pensou no valor da conta de luz de , vários pontos estavam acesos permitindo que fosse possível enxergar quase que o total do apartamento.
A criatura era curiosa, porém respeitosa e não quis fazer perguntas. Quando estendeu o braço a convidando para entrar deu poucos passos e ficou parada esperando o dono da casa guiar o caminho. Na casa de era diferente, os dois compartilhavam um nível generoso de intimidade e ela bem que podia pular no sofá e arrancar os sapatos. Não era o caso com , os dois mal sabiam os sobrenomes do outro, de jeito nenhum sentia liberdade para tomar conta do local.
  - Fome? Sede? - questionou tirando da árdua tarefa de desvendar o que era aquele treco preto de metal do lado sofá.
  - Hm… - ela demorou para acordar e continuou encarando aquele negócio - Água, por favor. - estava atrás da garota e notou a atenção dedicada.
  - Faz parte do Home Theater, é um aparato de som. - de maneira instintiva arqueou as sobrancelhas analisando a informação. Entortou o bico e percebeu a textura de furinhos ao longo do objeto. Claro, jumenta, era uma caixa de som.
  - Faz sentido. - concluiu virando-se para que mantinha um meio sorriso no rosto. Não queria dar a impressão de rir dela, mas ria de leve.
  - Água então? Tenho cerveja ou algo do tipo se quiser. - ai aquele papo… revirou os olhos em desdém.
  - Eu não teria vergonha de pedir caso quisesse, . - ela percebeu ter um pouquinho menos de paciência que o normal quando se tratava de . Algo não compreendido direito, mas em breve ficaria fácil de entender.
  - Claro que não. - notou o fato de sempre ter uma resposta na ponta da língua, a garota estava sempre pronta para se defender, ou melhor, defender sua independência - Venha.
  Os tecidos cerebrais de enrugaram e provocaram um leve aperto em sua cabeça. Doía um pouco. Há muito uma mulher não entrava em sua casa e as últimas a entrar pararam lá unicamente com destino certo para a cama. Não que tenham sido muitas, mas não quis dar a impressão de estar flertando. Ele não queria jogar com as palavras e não intencionava criar um clima que induzisse a qualquer chamariz de sedução. Por tal, tentou ser o mais despojado e descontraído possível. Relaxar e gozar, figurativamente é claro.
  Não olhou para trás enquanto virava a esquerda até chegar em outro amplo espaço de seu lar. observou todo o espaço aberto, as luzes baixas como as do living room, o prateado dos eletrodomésticos e a madeira de demolição da parede cheia de espátulas, conchas e artefatos de cozinha pendurados, até mesmo uma frigideira de bronze que provavelmente nunca usava.
  Ele percorreu o trajeto direto para a geladeira e naturalmente procurou pelo banco de madeira grossa e o puxou para sentar-se ali. Observou atentamente uma leve poeira nos copos para beber álcool um pouco acima de sua cabeça e notou um baralho meio que abandonado perto de um outro livro vermelho.
  - Tenho Coca Cola, se você quiser. - a voz de saiu abafada, pois o homem estava com a cabeça enfiada dentro da geladeira procurando por um maldito resto de queijo.
  - Vou trocar a água pela Coca Cola. - a garota tentava manter um ar despreocupado encarando as cutículas secas, mas não pode evitar olhar para frente ao ouvir a porta da geladeira fechar-se.
  O ser de sobrenome parecia parte da decoração trajando roupas de cores semelhantes as usadas na decoração do apartamento. não costumava ver muitos homens de terno e há muito tempo não via um de camarote. A saliência das nádegas de chamou sua atenção e a peste retorceu o pé se culpando por olhar. Mudou a direção da cabeça procurando bisbilhotar outros cantos. Ela não conseguiu ver muita coisa do corredor a frente, aquelas luzes estavam apagadas e a claridade da cozinha ajudava em nada.
Começou a brincar com sua cabeça enquanto esperava servir o refrigerante em um copo. Era notável o fato da residência do engenheiro mais velho ser mais clássica e mais adulta que a de . No apartamento de sentiu-se na casa de um amigo, de um primo universitário, o clima era definitivamente outro. Ali sentada pacientemente sem abrir a boca para falar alguma coisa sem besta teve a impressão de estar na casa de um tio chato e sério que nunca ri. ainda possuía muitas dúvidas envolvendo e elas não permitiam que a garota relaxasse.
  A vontade arranhando sua pele era a de ter uma conversa de boteco com , aquela conversa de bêbado que só serve para abrir a vida a um estranho e receber murmuros pacientes como resposta. Talvez não fosse má ideia tentar, talvez conhecer um pouco mais de fosse o suficiente para tirar aquela bola de pelo enroscada na garganta.
  - Limão? - foi tirada de seu transe com o copo sendo empurrado gentilmente em sua direção.
  - Não, obrigada. - parecia até uma menina recatada e educada, usou a mesma postura de quando ia na casa das amigas da avó e elas ofereciam bolo de milho.
  Silêncio constrangedor. O momento em que as palavras não fazem sentido, a cabeça trabalha fortemente para procurar o jeito certo de formular frases e criar um assunto para interromper aquele zumbido intrometido e insuportável que rodeia dois pseudo conhecidos. O ar correu as narinas femininas indicando um início de perda de paciência, precisava fazer algo ou iria enlouquecer.
  - Eu não bebo. - grudou as digitais no vidro gelado de seu copo ocupado por uma dose de conhaque e levantou a sobrancelha em sinal de confusão mental.
  - Perdão? - foi pego de surpresa, ele não sabia mais como reagir. Tentou ser descontraído e acabou encorporando um iceberg desinteressado. Equilíbrio não era uma qualidade de .
  - Não aceitei álcool, porque eu não bebo bebida álcoolica. - virou o copo de Coca como se fosse um shot de tequila e em momento algum desgrudou os glóbulos decididos do olhar sedento por explicação do homem a sua frente.
  - Não bebe? - entendeu porra alguma. Puta que pariu, por que tinha que dar uma de doida? Ele lutou com seu eu interno para não tomar uma postura mais dominante. Sua reação mais óbvia seria estender a mão para e oferecer seu colo. Pentear os fios soltos da garota e pedir para que ela falasse em seu ouvido qual o incômodo. Não era uma opção, não era mesmo.
  - Não. É uma escolha, sei que é incomum… Mas, é um saco quando eu nego e as pessoas procuram por mil explicações e nenhuma delas é o fato de eu ter escolhido não beber.
  O conteúdo das conversas com não chegava próximo desta parte de . Com ele a garota esquecia de todas as baboseiras que bagunçavam a cabeça. Pessoas diferentes provocam reações diferentes e despertava na menina uma necessidade natural e impulsiva de expor este lado. Alguma parte de seu subconsciente agia para que ocorresse, sua própria natureza reconhecia que era de algum modo uma boa pessoa para revelar os incômodos.
  - … - ele sentiu vontade de dizer que ela não precisava se explicar, não devia satisfações a ele. Mas apenas procurava criar um laço de comunicação com para mandar embora aquele constrangimento confuso e sem sentido.
- Eu escolhi não beber porque eu queria ser diferente daquelas pessoas. - a Coca Cola foi bebida em sua totalidade e empurrou o copo para o engenheiro como um bebum faz para o dono de um boteco.
  - Onde estamos indo com esta conversa? - ele precisava questionar, uma parte de sua sanidade dependia da resposta. O interesse de por ela era real e se a garota continuasse puxando justo os botões que despertavam o espírito de cuidar e dar carinho ele teria que faze-la parar.
  - Eu fico com seu amigo, você me viu em um momento íntimo no apartamento dele, nós nunca trocamos mais que quatro palavras até o dia de hoje e é estranho ficar aqui sem te conhecer direito, sabe? Eu... - a sensação de manter tanto contato visual com a garota era nova, olhar firme para e interpretar seus sinais de forma direta provavelmente tornaria-se um vício em breve.
  E pensando no futuro desligou completamente da fala de . mergulhou em si, o comportamento de berrava para ele, de forma subjetiva e não declarada, mas berrava para ele e por ele.
  - ? - percebeu o lapso do homem e o chamou. O chamado o fez voltar ao plano real.
  - Perdão. - o sorriso saiu meio melancólico e sem graça, era sempre uma merda apagar no meio de uma conversa - E você acha que me contar estas coisas irá resolver este pequeno desconforto? - ficou em pé e deixou pensar enquanto reabastecia o refrigerante.
  - Não tive muito tempo para pensar sobre. - o homem foi obrigado a rir. As suspeitas de que retinha segredos e revelações profundas transformaram-se em confirmações.
  - Se te ajuda um pouco você acabou de presenciar um péssimo… - parou para pensar por um momento e prosseguiu - Costume, se assim posso chamar. Às vezes eu me distraio no meio das conversas, pode ser irritante.
  Não foi irritante, pelo menos no dado instante. Ao notar o esboço dos lábios abrindo um sorriso quase envergonhado, sentiu uma leveza interior. mostrou-se um pouco mais humano, era um homem como qualquer outro e não uma presença misteriosa a qual enxergava como ameaçadora.
  - Todos temos hábitos ruins. - foi quase uma tentativa de conforta-lo - Eu desenvolvi vários depois da morte dos meus pais. - a nostalgia vibrou ferranha em que conseguia lembrar perfeitamente das coisas erradas que fazia usando a vida injusta como desculpa.
  Por outro lado, não desejava que utilizasse sua pequena confissão como impulso para confessar a vida. O detalhe exposto por era mínimo próximo das revelações da criaturinha, revelações que remetiam a um momento complexo e muito íntimo de sua vida.
  - Você não precisa fazer isto, tudo bem? - estava de volta em seu banco e novamente com bebida para dar um jeito na garganta seca.
  - Por que você sempre fala desse jeito? - a dúvida era real, não insinuava ironia. Era uma das coisas que mais incomodava .
  - De qual jeito? - uma garota questionadora era um dos fracos da existência humana de .
  - Como se estivesse, sei lá, tentando me proteger de algo. Cuidando, tentando prevenir alguma coisa. - ele engoliu toda a saliva produzida em sua boca. A língua incorporou as características do deserto, ficou arenosa e extremamente seca. Mas, que merda heim, ? Segura teus impulsos, filho da puta!
  - Sinto muito se esta é a impressão que passo, . - ela bufou escancaradamente perdendo um tanto de paciência.
  - Acabou de fazer de novo. Por favor, . - por Deus! Não dava pra explicar, era impossível. Como fazer a infeliz entender que não dava pra explicar? - Você não precisa me proteger de nada, não é sua obrigação. Eu me viro muito bem sozinha.
  A frustração era tão real que a enxergava sentada ao lado de . O discurso tão passional, tão cheio de vontade e de furor representava uma verdade irrefutável, realmente se virava muito bem sozinha, porém, não é como se ela gostasse. Era uma afirmação que na verdade precisava ser repetida para tornar-se verdade e soube muito bem reconhecer este fato. As informações sobre a vida dela eram muito rasas para que pudesse juntar as peças e formar aquele quebra-cabeça, mas tinha plena noção da necessidade de . A órfã queria alguém para cuidar de si.
  - Não quero ser invasivo, . Não quero forçar uma aproximação por ser amigo do e muito menos quero que você ache ser necessário criar intimidade comigo por eu ser amigo do nosso nerd. Eu posso ir pro meu quarto e te deixar a vontade com a televisão até vir te buscar, não sinta que você precisa se aproximar. Você não precisa.
  Imbecil! Ela sabia que não precisava. Era tão difícil entender que era responsável por suas falas e que já era bem adulta para tomar a decisão certa?
  - Não precisa dessa preocupação toda, ok? Eu sou responsável pelo o que falo, tudo bem? Relaxa, pelo amor de Deus. - respirou fundo e invocou umas deusas pra recuperar o saco - Você fica parecendo minha vó e a última coisa que eu preciso morando sozinha é de uma cópia da minha vó.
  Internamente soltou uma gargalhada gostosa e escandalosa. Aquela menina odiava qualquer indício de autoridade perto de si, enfrentava simples falas como ameaças e logo colocava as garrinhas de fora. Foi inevitável e extasiante apenas o vislumbrar de desobedecendo regras e levando um bom spanking como punição. A mera possibilidade de estapear as nádegas da pestinha fez retorcer a musculatura inteira, incendiou o estômago como se engolisse uma dose absurda de absinto.
  - E do que você precisa? - a garrafa de um livro de Coca Cola chegava ao fim assim como a capacidade de de manter neutralidade naquela conversa.
  - Você me detesta? - sabe um tiro? Então, levou um tiro bem no meio da testa, a bala cravou em seu cérebro e começou a ferrar com cada pedaço de seu sistema nervoso. Da onde tinha tirado aquilo? Jeová, iluminai-nos.
  - Te detestar? Eu jurava que estava servindo Coca Cola pra você, mas pelo jeito é rum. - foi obrigada a dar risada. Passou tanto tempo da vida lidando com o fato de ser excluída pela maioria e não suportava a ideia de ficar perto de gente que não ia com sua cara. Precisava ou confirmar ou descartar de vez essa hipótese.
  - É sério, ok? Você vive de cara feia quando eu tô por perto. - a incomodava, no fundo não gostava da ideia de desgosta-la.
  - Ok, como te explicar? - se viu na popularmente conhecida sinuca de bico. Ou então entre a cruz e a espada. fazia perguntas difíceis de responder - Dias ruins, nada a ver com você. Se eu te detestasse iria te dar carona e te trazer aqui? - a garota estava pensativa com a boca meio aberta e a língua cutucando os dentes. observava a cena com cuidado guardando as expressões de em sua memória.
  - Muito tempo de bullying deixa uma pessoa assim. - e então ela sorriu sem graça, até meio amargurada. nunca pensou que fosse dar algo deste nível como resposta. Ela parecia manter um esforço para não fazer sentido.
  A garota respondia a um impulso desmedido. Muitas vezes era difícil manter contato com alguém de forma casual, a irritava, pois em algum momento surgia uma situação desconfortável e ela sentia vontade de justificar para si e para o outro o fato de não conseguir lidar com aquilo. era aquele tipo de estranho que pessoas acabam usando para desabafar coisas da vida em momento de crise mental, quando é preciso deixar a merda sair. Era algo natural do homem, quantas vezes foi vítima de uma senhora na fila do mercado ou de um mendigo pedindo moedas no estacionamento.
  Contudo, se nada da postura de era racional e se seu comportamento não obedecia uma regra sequer da lógica, havia uma verdade. Uma única e inegável verdade.
  A pouca parcela de cuidado que oferecia, aquele pequeno cisco de preocupação despertou em uma sensação única, uma vontade quase não controlável de estar perto de , de se abrir para ele, de aceitar seu cuidado.
  Algo que revelava mais sobre . Apesar de ser forte, de ter sido guerreira e ter superado boa parte de suas dores algo dentro de si pedia por ajuda. Ela só queria remediar todo o tempo de sofrimento ao ser cuidada por alguém e não precisar ser responsável por mais nada.
  Porém, esta vontade irreparável e crescente estava escondida na cabecinha de , ela não sabia da existência e muito menos a entendia. Por este motivo todo o comportamento estranho, as palavras pulando de sua boca de forma bagunçada e confusa. Lidar com algo que faz parte de nós e não entendemos pode ser completamente estranho e provocar reações nada normais.
  - Este o motivo de não querer parecer com aquelas pessoas? - segurava firme em seu copo concentrando toda a sua força de vontade para não correr e abraçar . Ele só poderia tomar tal iniciativa quando ela reconhecesse seu desejo e o pedisse.
  - Aquelas pessoas ferraram comigo. - deixou um sorriso levemente maligno decorar seu rosto. Escorria escárnio e rancor. Ali começava a mostrar o lado malvado que a garota envergonhada de antes não transparecia tão facilmente - E eu nunca pude ferrar com elas. Faz parte da vida, não?
  - Eu poderia te dizer muitas coisas, . Até mesmo fazer algumas… - e não deu pra segurar o tom pervertido, algo safado escapou e o percebeu. E por mais errado que fosse acabou sentindo uma curiosa fodida de saber qual seriam essas coisas que poderia fazer para ajuda-la a lidar com a realidade - Nenhuma delas é adequada para agora. Acho que não podemos ter essa conversa.
  Um ponto final. necessitou estabelecer um ponto final. Ele não teria mais nenhuma capacidade de controlar, de segurar sua natureza ao ouvir as confissões de . Limites servem justamente para este fim, estabelecer até onde certas coisas podem e devem ir e ali a situação atingiu o seu.
  - … - as entranhas da menina começaram a queimar, seu interior perturbava-se por uma crescente perigosa e curiosa que escalou suas veias, alastrou por seus tecidos e tomou o lugar de sua capacidade de raciocinar.
  Ela precisava saber, ele não tinha direito de nega-la. Foi justamente neste exato momento, neste exato instante em que sua espinha deu um nó incapaz de segurar a tensão da eletricidade produzida pelo cérebro cansado que percebeu o primeiro lapso da verdade.
   a incomodava.
   a deixava nervosa.
   a questionava.
   a intimidava.
   simplesmente despertava em o verdadeiro “eu”. A parte mais fiel de sua personalidade. E ela precisava entender o porquê.
  Precisava saber a razão de enxergar todas as vontades mais sujas de sua cabecinha ao encara-lo. a fazia lembrar de momentos íntimos, resgatar desejos. O barbado a sua frente a fazia recordar de beijos dados, de orgasmos atingidos, da umidade da excitação. Despertou algo extremamente animal e safado que a fez contrair todos os músculos, até as pregas da bunda.
  Nunca foi santa. Nunca foi exemplo. E possuía uma leve e pequena noção dos fetiches da garota. A gargantilha o fez perceber, assim como a heart garter. A pestinha também não sabia que compartilhava fetiches com o engenheiro.
  O tumblr ensinou muitas coisas para , a fez descobrir seriados e bandas e além disto a apresentou o mundo da pornografia. E cada gif de meninas apanhando, levando mãos brutas no pescoço e gemendo ao gozar num cenário sujo e bruto pipocou em sua cabeça ao ouvir as palavras de . Ele tinha feito algo com ela e com certeza existia uma razão.
  E ela precisava entender o porquê.
  - Por quê? - a saliva fervendo queimou todo o céu da boca do homem. Ele tremia as pernas e pensava em todos os motivos racionais para simplesmente ignorar a tensão sexual do caralho.
  - Do que fala, ?
  - Nós dois nos sentimos desconfortáveis perto do outro e existe um motivo. Eu não sei qual é, eu preciso que você me diga o porquê.
  Não. De jeito nenhum. Não abriria a boca. Era totalmente errado, totalmente fora de hora. Doeu fundo no peito, mas ele decidiu por tomar a decisão certa. Só que pouco se importava pra isso.
  - Essa conversa acaba aqui, . - ela perdeu a voz, nem conseguiu responder. Ficou tão sem norte e tão quebrada. Precisou tirar um treco lá de dentro da alma para criar coragem e abrir a boca para vociferar sua vontade.
  - Abre a boca, . - por que tinha que fazer tudo mais difícil? Kirido, apenas pare!
  - Eu vou tomar banho e você vai pra sala. Essa conversa acaba aqui. - a cara feia de faria qualquer criancinha inocente chorar de medo. Bufou e levantou do banco com vontade de chuta-lo até quebrar - E aproveite, uma hora esse tipo de comportamento não vai mais ser tolerado.
  E o mundo parou para . Toda a raiva e frustração condensaram-se numa massa densa e extremamente concentrada que emanou algo particularmente desconhecido em seu corpo. Não mexeu um dedo e ficou parada encarando o olhar carregado de autoridade de . Ficou hipnotizada por aquela coisa doida e quase doente que a fez sentir uma forma simples e pura de prazer.
  Foi a primeira vez em que obedeceu uma ordem de . A garota não fazia ideia, ainda, do quanto amou obedece-lo.

Chapter 7 - Kiss me kiss me kiss me

Meu Deus, Meu Deus!
arrotou tão alto que se assustou com a coisa que saiu pela sua boca. Deixou o prato melecado de maionese na lateral do sofá e levantou para ver se o sangue fluía melhor pelo corpo. O notebook estava no HDMI e ela assistia ao terceiro episódio seguido de uma série que era besta o suficiente para faze-la rir e distrai-la.
Só que a cabeça de não parava um minuto sequer. Não a dava paz, não a deixava esquecer a noite passada. O único tempo em que foi capaz de esquecer a conversa com foi aquele passado em sua cama embaixo e por cima do corpo de . E de lado também e ajoelhada na boca dele. Por sinal, foi assim que ela gozou. Com segurando em seus peitos com força o suficiente pra deixar os sinais de dedo. Só assim, só ficando cansada pra caralho de rebolar na língua do nerd e com as coxas doendo pra cassete pelo sedentarismo e falta de capacidade física de ficar por tanto tempo apoiando todo o peso nas pernas pra esquecer das coisas.
Quais coisas, pergunta-se?

voltou a sentar e segurou a coxa de frango pelo osso sem medo de lambuzar o dedo e passou a pele douradinha e sequinha pela maionese que já tinha se misturado quase toda com o arroz e deu uma mordida campeã, daquelas que rasga a carne do frango e até faz voar uns pedaço da ave para fora do prato. Quer atitude melhor que comer feito uma laricada pra aliviar a cabeça?

Ela olhava para a televisão nova que ganhou da avó e até ria das piadas dos personagens segurando agora um copo de suco todo engordurado, mas no fundo da sua cabeça ficavam as coisas. A coisa , aquela coisa imbecil sem graça, aquela coisa mal humorada que não prestava pra rir no meio de uma conversa idiota.

Primeiro ela se sentiu burra. Sabe quando a gente decide desabafar e depois sente vontade de sumir do planeta? Ela não precisava mesmo ter falado aquilo tudo pra ele. Afinal, quem era ele? Um chatonildo! Este poderia ser o apelido oficial de , chatonildo! Tão chato e rabugento quanto o Patolino.
Perfeito, ela chamaria de Patolino. E ela seria o Pernalonga. Afinal, o papel do Patolino é tentar acabar com a felicidade do Pernalonga, é vir com aquele humor rabugento e xarope e dar fim na graça do Pernalonga.

Ela teimava com a própria cabeça enquanto almoçava completamente fora do horário normal de uma pessoa normal. Eram três horas da tarde, pulou o café da manhã e foi direto para o almoço. O frango acabou e ela se contentou com o resto de arroz misturado com maionese. A cada garfada um choque diferente de #verdades em sua cara.

Não fazia sentido, nenhum mesmo, mas ela gostou do que fez. Ela gostou e ela não entendia e nem gostava de ter gostado. Confuso, mas confusão era o nome do meio de .
Em um primeiro instante a fala de parecia ser uma coisa, porém, a garota percebeu um pouco depois que se tratava de outra. O engenheiro deu a entender que ele a puniria se ela insistisse naquele comportamento. Contudo, não era o tipo de punição que conhecemos como castigo, como algo ruim. Como ficar sem internet durante a semana e não poder sair com os amigos. Ah, não não! Era outro tipo de castigo.

Castigos que sabia mais ou menos como funcionavam. Ela só não sabia muito bem até onde ia nessa de castigar. A garota conhecia algumas coisas de BDSM, e aquele lado mais extremo não era com ela. gostava de sentir dor, mas só um pouco. Chicotadas fortes no lombo, não! E ela tinha pavor da ideia de algum homem mandando em si fora da cama. Ela curtia submissão, mas não como estilo de vida. Só pra brincar na hora do sexo. Ou pelo menos achava já que não havia experimentado nada do tipo.
Será que curtia amarrar as mulheres? Será que ele fazia aquelas coisas de deixar aqueles vibradores que tem tipo uma bola na ponta presos no clitóris de uma mulher enquanto ela ficava com as pernas separadas por uma corrente e os braços presos por algemas?

Pronto, essa era a última coisa que precisava pensar. Afinal, ela era meio monga, mas conhecia homens. E tinha uma tensão sexual brilhando em suas íris que poda explodir uma cidade inteira. Era muito feio ficar tentada em provocar para saber de que jeito ele não iria permitir aquele tipo de comportamento? Uma coisa deu um nó em sua vagina e ela levantou num pulo deixando o prato na bancada. Arrancou o cabo HDMI do notebook com pressa e o trouxe para seu colo enquanto voltava ao sofá.

Abriu o navegador correndo e entrou no tumblr. Foi direto no search e procurou por spanking. Seus olhinhos até brilharam com o primeiro gif de uma menina de calcinha rosa levando umas palmadas na bunda. Um mais pra baixo era de um tumblr de um casal muito fofo que ela mesma seguida, Peach a garota do casal estava na clássica posição de criança levada apanhando. Seu namorado, que era chamado de daddy, sentado na cama e a garota de quatro em seu colo. A câmera não filmava o rosto de Peach nem o rosto do namorado. Ele dava tapas na menina e a fazia contar. Então, ela agradecia os tapinhas e logo ganhava um agrado com dois dedos entrando em sua já molhada vagina.

Riu em puro nervosismo. Será que era desse tipo de coisa que falava? Ela sempre, mas sempre quis apanhar daquele jeitinho. Mas não é algo que se consegue assim. Jamais que ela iria pedir uma coisa dessas para qualquer mané. São pouco os homens que realmente manjam dessas coisas. Talvez ela conseguisse conversar sobre com , eles já tinham uma boa intimidade e ela confiava nele.

Só que pintou um probleminha. Quanto mais mergulhava em seu mundinho virtual particular de meninas levando tapas menos ela considerava para a tarefa e mais pensava em . Algo na fala dele, alguma coisa naquele olhar autoritário o qualificava.
respirou fundo e fechou aquela aba. Ela ainda não sabia muito bem qual daqueles fetiches ela realmente gostava ou queria, nunca provou para saber.

Toda a conversa de daddy também lhe era estranha. Até pesquisou sobre e vivia vendo coisas sobre na internet, principalmente na sua fonte principal de pornografia que era o Tumblr, porém, ainda não conseguia se encaixar. Sabia muito bem que não dava pra conversar dessas coisas com as duas amigas que tinham ficado em sua cidade, elas jamais entenderiam. As amigas não falavam nem sobre masturbação, quanto mais sobre levar tapa na bunda.

já merecia umas lapadas na cara por ter mexido com sua cabeça. Agora estava em sua sala calçando uma meia preta e outra branca falsificada da Adidas com uma vontade imensa de estar novamente no apartamento de para tirar o homem do sério. Essa era sua vontade, mostrar que ele não mandava em nada e ao mesmo tempo massagear a esperança dele tomar a decisão de fazer algo disfarçado de castigo, um castigo que a molharia por inteira. Ótimo! Agora estava com a mente infectada na hora errada.

Levantou do sofá com muito desgosto e foi pro chuveiro. Precisava ir no banco dar uma de adulta, a bela merda de morar sozinha. Ainda teria que ir na imobiliária reclamar de um vazamento e simplesmente odiava o fato de ir naquele lugar. Aquelas gerentes de terninho cinza e brega a tratavam como se estivessem fazendo um favor. E pela experiência que teve com o problema da descarga, sabia que os prestadores de serviço demorariam mil anos até ir lá.

O quarto por um milagre estava dignamente arrumado. Olhou para a maleta do curso de maquiagem escorada ao lado do criado e decidiu que mataria aula. Mataria mesmo, sem dó nem piedade. Não estava com saco pra ir e também, não queria correr o risco de encontrar num corredor ou no elevador. era assim, tinha pânico de encontrar gente conhecida na rua, detestava dar um “oi” pra pseudo conhecidos e quanto mais confusa se sentia, menos interação social queria.
Quando passou a alça da bolsa preta pelos ombros e verificou se o cartão de débito estava ali ouviu seu celular apitar freneticamente dentro do bolso da calça. Achou aquilo muito estranho e retirou o aparelho dali para se deparar com umas tantas notificações de .
Teve um solavanco quando terminou de ler as mensagens no Whatsapp. Foi pega de surpresa, tudo bem que ele pediu desculpas por pega-la de surpresa, mas mesmo assim.

Primeiro disse que tudo era culpa de Lord e depois a comunicou de que a Ariel iria oferecer um coquetel para seus funcionários em comemoração a alguma coisa que ela não entendeu. Continuou a conversa dizendo ter direito a um acompanhante e de uma maneira galantemente engraçada a convidou para ir como sua donzela.

tremeu de uns dez jeitos diferentes. Passou a mão no cabelo solto e bagunçado e sua primeira reação foi dizer não. Inventar uma desculpa, dizer que a menstruação descia feito uma cachoeira feroz de sangue radiativo, que o feto de Michelângelo pintava o teto de seu útero com um estilete cego. Se ela não foi pro curso pra não encontrar humanos conhecidos, por que iria naquele coquetel?

PRA VIVER, CRIATURA!

Precisava parar com a mania de fugir do mundo, de ter medo de aparecer. Não conhecia ninguém, não iria encontrar seus inimigos, ninguém boçal da sua cidade. era um gostoso, era tão imbecil dizer não pro convite. Pensou em e ela decidiu dar um rumo diferente aos pensamentos. Era estranho pensar em ve-lo, era estranho saber que ela queria se arrumar para impressiona-lo, mas serviu como um último empurrão para dizer sim. Respondeu com um sim seguido de emojis desnecessários e foi firme para o centro.

Depois de resolver suas pendências de pessoa responsável decidiu por ignorar os shoppings. Iria para o centrão mesmo para procurar por um vestido e sandálias novas. Desculpa pra gastar dinheiro era uma das coisas preferidas da vida de . Pensava em qual maquiagem faria, em como iria prender a cabeleira e começou a se animar. Apenas fora em coquetéis quando criança e só sabia comer salame e chorar pra ir embora quando eram dez horas da noite. Agora iria como adulta, como uma mulher, como a companheira de um gatão sedutor. Sentiu que virava algo na vida, por mais fútil que fosse.

Na terceira loja ela conseguiu se achar. Cada passada de cabide pela arara era um golpe no peito. Cada vestido maravilhoso, cada conjunto de deixar qualquer criatura largada na calçada tamanho o glamour. Pegou umas dez peças para provar. A vendedora que a atendia era pura simpatia e com sua grande boca comentou que iria a um coquetel com o carinha que estava saindo e a confissão deixou a vendedora mais animada ainda.

Enquanto ela provava os vestidos em um espaçoso provador todo espelhado tentava ignorar o culote e a saliência da barriga. Começou a desejar uns peitos maiores para preencher direito o decote daquele vestido roxo e desistiu de tentar fazer os peitos crescerem com a força do pensamento e o deixou de lado. As peças pareciam não encaixar até ela provar um certo vestido vermelho. Por mais que não fosse um modelo que costumava usar, olhou para seu reflexo e não conseguiu imaginar-se vestindo outra coisa. Era longo, ia até os pés. considerava roupas compridas sem graça, mas aquele coisa vibrante era extremamente elegante e sexy. Marcava o corpo de um jeito que a agradava, o caimento do tecido leve fazia umas dobrinhas simpáticas, algo meio que drapeado. Tinha uma alça só e não marcava os mamilos, algo realmente bom, detestava usar sutiã. Gostava mesmo de usar como peça decorativa em momentos de sedução e só, sair de sutiã era um saco. Virou um pouco de lado, achou sua buda o máximo no modelo e teve certeza, era aquele.

O tirou e vestiu sua roupa novamente e nem deixou a vendedora tentar convece-la de provar mais nada. Era aquele e aquele, não tinha papo. Pagou uma grana meio preta no vestido, mas ignorou os dígitos e focou na sua felicidade em adquiri-lo. Saiu com a sacola de papelão pela calçada toda faceira e logo bateu os olhos num cartaz amarelo de promoção em uma loja de sapatos do outro lado da rua.
Passou mais uma vez pelo processo de provar e provar enquanto uma vendedora atenciosa e interessada na comissão não largava, quase que literalmente, do seu pé. Achou a alma gêmea perfeita de seu vestido em uma sandália preta reluzente com meia pata e salto mais grosso. Foi outro amor a primeira vista. Ignorou a vendedora e partiu pro caixa desesperada ao se tocar de que já passavam das cinco da tarde e que a buscaria as nove. Do jeito que era enrolada, chegaria e ainda estaria saindo do banho.
Fora da loja uma fome descomunal a abateu. Olhou ao redor e viu um café simpático, melhor hora do dia pra se comprar um pedaço de torta de chocolate e beber um chá de pêssego. Quando olhou na direção da vitrine sua cara de pata quase bateu de frente com uma menina sorridente e simpática. Ela a conhecia, faziam curso juntas. Pelo visto alguém também tinha decidido matar aula pra comprar sapato.

- Não posso ver uma promoção. - a garota abriu um sorriso pra que tentou ser a melhor pessoa não sociável que podia.
- Eu também não, sai dali antes que vendedora me enfiasse mais vinte e cinco pares de sapato. - até que seu sorriso não foi falso, a menina era verdadeiramente simpática. Não foi tão difícil assim ser legal.
- Fazemos o curso de maquiagem juntas, né? Não estou te confundindo?
- Fazemos sim. - era tão estranho papear com alguém daquele jeito, não sabia o que fazer com as mãos e as grudou na sacola como se fossem fugir dali - Sou a , a garota das maquiagens trevosas. - a companheira de curso começou a rir. Ela também estava nervosa, também era nova por ali e queria fazer amizades, não aguentava mais só conversar com o namorado.
- Eu sou a Yeva, a que vive levando bronca por esquecer de limpar a bancada.

Não deram beijinhos no rosto e nem estenderam as mãos. Ficaram ali meio que sorrindo numa timidez até bonitinha e não sabiam como continuar o papo. também queria fazer amizades, sua vida não podia ser baseada em , e Ariel. Seria legal ter alguém pra papear, uma menina pra falar abobrinhas, uma companheira pra fofocar no curso, alguém pra fazer brigadeiro e dar uns rolês no final de semana. Focada na parte boa da história e tentando ignorar suas lembranças ruins de amizades que terminaram super mal num desfecho trágico decidiu que sairia da zona de conforto. Já tinha dito sim para , uma decisão diferente a mais não a mataria.

- Tô indo tomar café e comer torta, tá afim de ir? A gente pode conversar sobre, sei lá, maquiagem. - pra muitos é fácil tomar este tipo de iniciativa, mas para era escalar o Everest.
- Claro, ai, ótimo. Ai eu sou horrível com amizades, já ia ficar aqui com cara de mula sem saber o que falar. Então vamos, vamos comer torta e ser fúteis. - Yeva grudou no braço de num surto de empolgação, começou a rir ao ser arrastada e não tirou aquele sorriso mongo do rosto. Era meio assustador, porém, gostoso começar uma amizade nova.

xx

Cruzou a perna pela terceira vez em trinta segundos e escorou a caneca quente e cheia de chá mate na coxa descoberta. Assistia ao jornal da noite com uma cara meio feia e com as luzes da grande sala quase que completamente apagadas. odiava muitas luzes quando estava de mal humor, principalmente depois de um dia desgastante como foi aquele.

“Vocês tem direito a uma acompanhante.”

Lord Luxor, um demônio egípcio cheio de maldade. Uma serpente australiana cheia de veneno e poder de aniquilação. começou a rir de si mesmo, de como Luxor era um amigo xarope que não perdia a oportunidade de ser cretino e pilantra. E o pior, sabia que era só pra provocar e irritar e obviamente ele caiu que nem um patinho. Mal imaginava ele que até tinha apelido de pato.

Patolino, digo, levantou do sofá com o final do jornal e caminhou com um tanto de preguiça até sua pia. Ligou a torneira para lavar a caneca e a pendurou no secador de louças. Odiava pia suja, sempre lavava as coisas antes de acumularem, todo mundo sabe que não existe coisa pior que uma montanha de louça pra se lavar.

não era a única com a cabeça borbulhando, remoeu cada palavra dita por , analisou e re-analisou cada movimento e comportamento da garota a fim de achar uma resposta plausível para a situação que ele só conseguia chamar de aquilo.
Ele quis tanto levar a coisa para além, descobrir junto com os motivos pelos quais a garota incendiava com sua postura. Ele viu no olhar dela uma espécie de gosto pela situação, sentiu que tomava gosto pelo caminho que seguiam com o diálogo e até mesmo conclui que ela realmente vibrou, que suas mãos tremeram e seus pés vacilaram no ponto onde suas palavras foram mais rudes ao sugerir que faria algo a respeito em relação ao seu comportamento.
O engenheiro mais velho não estava com medo do confronto, não tinha problemas em encontrar e ser sociável. Entretanto, ele não resistia a e eis a grande questão. Disfarçar o quanto sentia-se atraído. Não seria mais fácil que antes, não mesmo. mostrou um furor e uma vontade de saber mais fundo sobre ele, de fortalecer os laços que mal existiam entre si. Ela tinha a língua solta e pelo visto assim que perdia o medo se jogava de vez onde queria. Isto ficou bem claro na conversa, não escondeu suas intenções e não teve medo de cutucar e até mesmo exigir dele uma resposta.

A situação mais contraditória de todas. Em um primeiro momento era ele querendo romper as barreiras e então tudo se inverteu. dava as cartas. A garota era muito esperta, uma menina astuta que berra por suas vontades e protege muito bem seu território. Sagaz o suficiente para perceber em pouco tempo aquele algo inerte e escondido dentro de , a natureza que ele tentava ignorar. A natureza a qual ressuscitou.

Ele sempre partia do sentido em que os desejos de uma mulher precisavam ser respeitados. Respeitar as vontades de uma mulher era uma obrigação de sua existência em sociedade e como um ser humano decente sabia muito bem disto. Mas, e quando os desejos o levavam justamente para o lugar em que desejava estar? As perguntas de eram justamente as perguntas perfeitas para estender a mão a ela e apresentar seu mundo.

Porém, não poderia ser assim. Não era o jeito certo e só seria do jeito certo quando ele soubesse o máximo sobre ela, só seria do jeito certo quando tivessem mais conversas como aquela. E para ter conversas como aquela precisaria estar livre por vontade própria e aí morava o problema. Ter paciência para esperar pela possibilidade de talvez deixar pra lá. E era gostoso, lindo e um doce e ela não iria simplesmente des-quere-lo.

Bom, abrindo o humilde closet, realmente humilde, tinha dinheiro, mas também não era tanto assim. Não ia a um evento social há tempos e não comprava um traje social há tempos. Para evitar ficar muito tempo pensando em qual dos ternos velhos vestir, decidiu pela primeira opção para a parte reservada a roupas mais… elegantes.
Enquanto abotoava a camisa preta chegou a conclusão que já tinha choramingado demais por , pelo destino cruel, por e enfim, por tudo. Bastava, né? Bastava de chororô, que fosse para o tal coquetel e bebesse vinho com queijo e talvez pudesse jogar cartas. Alonso gostava de cartas, se a coisa toda seria na casa do homem, provável que alguém iria bancar o fodão apostando uns dinheiros para jogar pôquer.

Alonso adorava exibir o enorme espaço verde no fundo de sua casa. Uma garota muito bem maquiada, com um decote enorme e batom laranja levava até a parte onde o coquetel ocorria. Ele já estava acostumado com aquela vista, com a porta de vidro aberta, com a área coberta que abrigava a enorme mesa branca com dezoito cadeiras, o lustre milhares de dólares e as colunas marmorizadas. Pelo visto a mulher do chefe havia escolhido uma iluminação azul para a piscina e os tecidos brancos que decoravam o local refletiam um turquesa sutil e calmante.
O homem tomou uma taça de vinho tinto para si assim que possível e passou a rodear pelo lugar sem saber exatamente para onde ir. Pela primeira vez em anos chegou antes de Lord e em um coquetel daqueles e não gostou da sensação de estar sozinho. Era um tanto estranho. Conforme bebia seu vinho com bastante paciência e elegância percebeu alguns rosto novos entre os empregados da Ariel e alguns rostos antigos. Como o rosto redondo e de bochechas salientes de Salamanca, uma antiga paquera dos velhos tempos que reconheceu assim que pôs os olhos sobre ele.
Ele até iria interagir e ir dar um olá, jogar quem sabe um charme se um terremoto reluzente com uma camisa social de seda roxa não chegasse dando um tapa em suas costas e abrindo o sorriso mais branco de todos.

- Ora, ora, . Vejo que levou a sério a parte de ter direito a acompanhante. - Lord sorria bem escarnicento e revirou o olhar e acabou rindo também.
- Lord, por que não vai tomar no seu cu, heim? - a frase fez Luxor rir mais ainda e apertar a mão nos ombros do amigo.
- Cadê o bom humor, ? Não se trás acompanhantes para esses coquetéis, você sabe que Alonso adora convidar mulheres solteiras e eu adoro conhece-las. Você também deveria. - ele claramente deveria.
- Prefiro me abastecer de vinho, por enquanto. - abandonou Salamanca e seu vestido branco e passou a caminhar pela grama baixa juntamente com Lord até chegar em uma área menos iluminada perto de alguns coqueiros, ou seriam palmeiras, que ficavam na parte mais estratégica daquele lugar. Na beirada da piscina gigantesca, lugar mais alto que dava uma bela visão da parte baixa da cidade e seus vários prédios brilhantes.

Brilhantes assim como os olhos de e a maquiagem cheia de glitter dourado. Ela adorava glitter e uma boa desculpa pra sair brilhando feito uma alegoria de carnaval. inclusive notou o impacto holográfico daquela coisa brilhante e elogiou. E também elogiou o vestido e seu quadril e reparou no fato dela estar praticamente na altura dele.
estava maravilhada com aquela mansão e notou que o lustre brilhava quase tanto seus olhos. Um senhor simpático que se apresentou como Alonso cumprimentou com um abraço de urso e tomou suas mãos enfeitadas por alguns anéis para beijar e elogiar sua beleza. Ela com certeza ficou meio roxa nesse momento, mas se recompôs e conseguiu não sorrir idiotamente.
Observou aquele céu negro, a luz azul turquesa dando um ar moderno e meio futurístico ao belo jardim a sua frente, com plantas bem podadas e bem verdinhas. segurava sua mão, algo que a fazia se sentir bem. comentava maldosamente sobre os velhos que bebiam uísque e usavam as esposas troféus para aparecer e ela tentava rir discretamente. E conforme caminhavam percebeu a presença dos amigos no local em que sempre ficavam nos eventos na casa do chefe Alonso. demorou um pouco para perceber e quando olhou para frente sorriu simpática para as duas coisas segurando taças cheias de algo bordô.
Lord sorriu de volta, afinal, ele era o senhor sorriso. também, mas seu sorriso era uma forma de disfarçar, de tentar engolir a bala que entrou violenta em sua boca ao notar . Suas íris reviraram, seus olhos arderam e a garganta secou completamente. era o reflexo de algo tão deslumbrante e belo. Linda, ela estava linda. Não que ele duvidasse disso, mas o seu jeito todo era lindo. Ela ria baixinho ao lado de , o rosto ficava engraçado e era contrastante com sua roupa elegante e classuda, não perdia em nada para as coroas e peruas com brincos de brilhantes.
Até as clavículas não escaparam na análise de , os ossos expostos deram a um ar de capa de Vogue, ele queria sei lá, bater palmas para a garota. Não podia desviar o olhar, ele sabia que Lord o olhava e julgava fortemente, mas ele ligou o foda-se. E admirou, admirou a criaturinha espuleta e irresponsável que se mostrou extremamente adulta no meio do resto dos adultos. Era meio pedreiro pensar assim, mas caramba, gostosa era uma boa palavra a ser usada por uma mente desnorteada para descrever .

O contrário também aconteceu, pois reparou em . Começou pelas mãos que seguravam a taça com vontade e imaginou seu pescoço no lugar do vidro, ou cristal, tanto fazia. Logo se repudiou por pensar putaria logo de cara e tentou desvincilhar. Não deu certo. a surpreendeu pelo quanto ficou gostoso de terno e gravata, mas tinha nascido para usar roupa social. A coisa o vestia de um jeito único, o deixava com aquela cara de Patolino chatonildo, com uma postura dominante e uma áurea tão poderosa. Ficou quente, tudo ficou quente, o tecido vermelho começou a encher o saco e ela bem quis puxar tudo pra cima, Mas, não dava né?

- Olha o nosso menino, . De roupa social, camisa de marca, até acertou o nó da gravata. Essas crianças crescem. - nazalou uma risada desgostosa e discretamente coçou o nariz com o dedo do meio ao olhar para Luxor.
- Eu gosto do seu modelito casual. - comentou com o tom de voz calmo e sereno arrancando uma risada de Lord. sorriu de lado com as graças daqueles dois que amavam se cutucar.
- Tenho apoio Luxor, tua opinião é um grande monte de nada. - Lord estendeu a sua taça de vinho para e nada proferiu. ria da graça dos dois até reparar na cara de .

Talvez o Patolino tivesse tomado um chá de bom humor naquela noite. Não estava de cara fechada, pelo contrário. Um sorrisinho sem definição que não dava pra saber que tipo de coisa representava estava ali. se demorou um pouco demais na cara de e recebeu uma piscadela do engenheiro. Deu um leve passo para trás e sentiu o salto afundar de leve na grama, foi pega de surpresa. Felizmente foi capaz de retribuir com uma entortada de boca muito simpática ao invés de agir feito uma besta.

- E você, ? Onde está o funcionário mais viciado em queijo da Ariel? - tinha essa fama não era por menos. Adorava queijo e não disfarçava o gosto nos coquetéis, sempre, mas sempre tinha algum pratinho ou coisa do gênero em mãos com pedacinhos de queijo dentro.
- Hoje eu decidi começar pelo vinho. - logo após terminar a frase percebeu que o vermelho do vestido de combinava muito bem com o bordô do vinho e não evitou fazer uma analogia entre a bebida e a vestimenta da menina. Riu por si só.
- Tem refrigerante nesse lugar? - questionou chamando a atenção dos outros dois e logo Lord se prontificou a procurar para ela.
- Eu arranjo para você. - bem sabia que não era só sobre pegar refrigerante para .
- Arranja e enquanto isso passa o radar por todas as mulheres da festa e paquera cerca de oitenta e cinco por cento delas. - adorava a relação de Luxor e , como se cutucavam e entravam na brincadeira um do outro. Percebeu que era sempre mais quieto e analisava os dois sempre rindo.

Porém, algo estava diferente. Ele não parecia dar atenção ao cutucamento dos amigos. estava em outra vibe, confabulando coisas dentro daquela cabeça e o analisava da forma mais discreta que podia para tentar realmente perceber se era isso ou se estava vendo demais.
Então se deu conta de que não conhecia o suficiente para saber se estava certa ou não e deixou os pensamentos para lá. Não demorou muito para Lord voltar com uma taça cheia de Coca Cola e entregar com toda a educação do mundo.
Um garçom passou ao lado deles e como um bicho esfomeado roubou o pratinho cheio de salame. Ela adorava salame e não perderia a oportunidade de encher o bucho de salame. notou a cena e sorrateiramente tentou roubar uma fatia do pratinho e levou uma palmada na mão. As unhas pintadas de dourado de acertaram sua pele e ele reclamou de dor.

- Quantos anos vocês têm mesmo? Doze? - Luxor agora tomava algum destilado mais leve e continuava tranquilo com seu vinho, ainda no começo da segunda taça e sem pressa para acaba-la.
- é quase um esquilo. Ele sempre tenta roubar meu queijo, não baixe a guarda. - comentou olhando diretamente para que naquele momento colocava uma fatia inteira de salame na boca sem se preocupar com etiquetas.
- Meu Deus, liguem pra polícia, o ladrão de petiscos alheios está a solta. - fez um showzinho com os braços pra cima e uma expressão histérica. Lord colocou o copo na frente da boca e desatou a rir tentando disfarçar o volume da gargalhada e foi pelo mesmo ritmo sem se preocupar em chamar atenção das pessoas com sua risada.

ao invés de cair na piada vidrou-se na sinceridade do riso de e simplesmente a encarou. estava distraído demais em sua imitação de uma pessoa chocada com seus gritinhos fingidos e praticamente não enxergava nada a sua frente pelo efeito do riso. Mas, Lord Luxor notou. Lord notou muito bem a falta de vergonha de de escancaradamente medir os movimentos da garota com uma admiração intensa demais para o momento. Parou de rir e limpou a garganta decidido sobre fazer algo a respeito.

- . - chamou sério e o nerd estranhou a mudança de comportamento do amigo, mas nem chegou a falar algo a respeito.
- Eu? - olhou para a carinha confusa de seu acompanhante e decidiu não entender nada, apenas comeu mais duas fatias de salame.
- Acho que você deveria mostrar a visão de perto da fonte para a . - para disfarçar o comentário aleatório, mostrou os dentes em simpatia - Casais gostam de se inspirar por aquela vista. Você vai gostar, . - para sua sorte era gente boa demais e muito cativante para que algum dos dois o questionasse.
- Lord, às vezes você acerta. - o nerd grudou nas mãos de cheio de empolgação - Ele está certo, você vai adorar.

O coraçãozinho de até disparou nos batimentos devido a empolgação e foi saltitante como uma gazela ao lado de que sem motivo algum parou em um momento para fazer cócegas em sua cintura. chegou a virar o rosto para observar a cena e foi neste momento que Lord decidiu atacar.

- . - chamou bravo, sua voz vibrou de forma temerosa e o estalo que fez na cara de chamou a atenção do homem para o amigo emputecido.
- Diga. - enquanto Luxor se mostrava bem incomodado e putinho, era pura tranquilidade.
- Que porra é essa, imbecil? - sutileza não era uma das qualidades do afro-americano.
- Qual porra, Lord? - se tinha uma coisa que Luxor não suportava era gente fingida e falsa inocência. Coçou os dedo controlando o ímpeto de esmurrar o Patolino.
- é muito tonto pra perceber, mas eu não sou. Você tem merda nessa porra de cabeça?
- Será que dá pra ser menos enigmático? Não estou te entendendo. - mentira deslavado. sabia muito bem do que se tratava e achou que era uma boa hora para brincar com o relações públicas.
- Se faça de idiota mais uma vez que eu te taco dentro daquela piscina sem o mínimo de dó, me ouviu? - e o dedinho de Luxor já subiu pra cara de e este percebeu que era hora de parar de brincar ou Lord realmente o jogaria na piscina ou faria algo pior.
- Qual seu problema com isto? - e toda a calmaria, a boa paciência que cultivou para a noite foram embora sem nem dar tchau e trouxeram a vontade de bufar e uma certa raiva para seu peito.
- Muitos. Muitos mesmo. Eu sei que essa garota é simplesmente o seu tipo, tudo que você e essa sua cabeça oca querem. Mas foda-se o que você quer. Ela está com o . Ela não te quis, pelo menos por enquanto. Será que você é tão maduro realmente pra brincar nessa coisa de daddy? - vish, vish, vish. Mexeu com os brio de e seus olhos começaram a queimar e atingiam a cor do vinho - Porque se eu gostasse disso, se eu me achasse resolvido o suficiente para cuidar de alguém em um relacionamento como você faz, eu também seria resolvido o suficiente para aceitar que perdi. - Lord bufava como um touro ensandecido, sua mão até tremia. Ele ficava nervoso com uma facilidade tremenda e estava louco de vontade de bater a cabeça idiota de na calçada.
- Ah, é? Eu sou uma criança mimada, não sou? Eu respeitei a menina de todos os jeitos possíveis. Eu não fiz mais que a minha obrigação como ser humano que presta. Não vou me vangloriar por ter respeitado todo o espaço de , eu sei que é o mínimo que eu deveria ter feito. - e foi ficando tão puto e irritadiço quanto o homem a sua frente - E você vem me dar bronca. E por quê? Porquê acha que eu ultrapassei alguma barreira, porquê acha que eu ultrapassei o limites ao olhar pra ela. Me poupe, Luxor. - ele não conseguia acreditar no fato de Lord ter ficado tão doído por nada.
- Vá se foder, engenheiro. Você acha que eu não sei que a está linda hoje? A menina é engraçada, simpática, bonita, gente boa e o caralho a quatro. Eu sei disso. E mesmo que ela fizesse meu tipo, o que não faz, mas mesmo que eu a desejasse o quanto você supostamente deseja, acha que eu iria bancar o adolescente na puberdade analisando e encarando do jeito que você estava? - se alguém prestasse atenção o suficiente iria perceber que os dois caíriam no soco a qualquer momento.
- Vá a merda, você Luxor. Eu não fiz nada demais além de prestar atenção por um momento e admirar a menina. Não me trate como se eu fosse um filho da puta, você sabe bem que eu não sou.
- Eu te conheço, . Eu sei que você é um respeitador, eu sei de tudo isso. Não estou te acusando de filha da putagem, se eu desconfiasse que você desrespeitou o espaço da menina eu mesmo já teria estourado sua cara no meio. - teve que rir, ele bem sabia que Lord dizia a verdade - Mas, será que você não cai na real? Você quer ser daddy de novo? Quer voltar a se relacionar com uma menina que se encaixa nisso? Ótimo. Agora, vai cair no mesmo erro do passado? Vai começar a namorar alguém só porquê a pessoa se encaixa? Vai se relacionar com uma garota pronta que vai cair como uma luva no seu fetiche? Pensa comigo e pensa bem. - as tripas de começaram a rasgar dentro de si, o vinho ficou com gosto de estrume e ele quis atirar na testa de Lord por ele estar certo - Valeu a pena nas outras vezes? Você simplesmente achou, como gosta de chamar, little girls que caíram como uma luva e depois viraram um pesadelo. Será que não está na hora de conhecer alguém, sem pensar nisso num primeiro instante, e ir crescendo com a pessoa na merda do namoro? Será que não chegou a hora de construir o relacionamento aos poucos e depois chegar onde você realmente quer? Te garanto, amigo, assim vai ser bem melhor.

Abocanhou os lábios com tanta raiva. parecia alguém que acabou de perder todas as economias por ter apostado no cavalo errado. Era frustração, a mais pura frustração de todas. odiou e odiou com fervor o fato do maldito Lord Luxor ter falado as coisas mais verdadeiras da vida.
Seus namoros foram um fracasso, deu tudo errado. Ele teve momentos bons como daddy, mas e dai? Tudo acabou em briga e em merda. Ficou lá, destruído e largado com uma mão na frente e outra atrás. se apaixonava, ficava gamado, se entregava rápido demais pros sentimentos. Depois uma paulada na cara e ele ainda insistia na porra do erro.
Será que sua intuição sobre estava completamente errada e era sua cabeça inventando coisas? Por qual motivo ele sentia que tinha tudo pra ser a pessoa certa? O alarme apitava dentro de si, era incrível. Quase tinha certeza ao conhecer mais e mais da garota que algo os ligava, que ele era dono das ferramentas pra acabar com uma dor que carregava lá no fundo dos olhos.
Entretanto, Lord colocou tudo em xeque. Não era pra ir com tanta sede ao pote, não era pra chegar chegando. No fundo tinha plena consciência disso, se não a tivesse, teria extrapolado os limites com em seu apartamento e teria feito merda. A merda não foi feita, pois ele sabia que não era hora e muito menos o certo.
Racional e bem iluminado, porém ainda puto da cara. Lord era um dinossauro descontrolado que falava com pura grosseria sem medo de ofender e ele ficou profundamente atingido. Nem olhou para o lado saiu batendo firme o pé ignorando Luxor que nem se importou e também saiu dali colocando o melhor sorriso na cara na direção da morena a sua esquerda.

deixou a taça pela metade na bandeja de um garçom que passava e rumou para dentro do lugar, sentiu vontade de estourar o lustre filho da mãe e saiu consternado e sem rumo pela grande sala de decoração abastada de Alonso. Para seu azar simplesmente deu de cara com sentada no sofá a sua frente mexendo em seu celular e por algum motivo desconhecido, sozinha.

- Hey, . - notou uma sombra a sua frente e encontrando o engenheiro foi verdadeiramente gente fina. Estava feliz em saber que a noite passada não os colocou em algo constrangedor.
- Ei, . - decidiu sentar ao lado dela com a cara da derrota e sem muita paciência.
- Tudo bem? - a menina franziu a testa e notou que o homem era o reflexo da irritação e entendeu foi nada. Como alguém muda de humor tão rápido?
- Sim. - não quis estender a conversa. Era capaz de Lord o ver ali e sair correndo em sua direção com uma arma.
- Eu acho que não. - respirou fundo soltando o ar da forma mais calma que poderia e virou a cabeça para que deixou o celular de lado e cruzou os braços o olhando quase que desafiadora.
- Não agora, . - a garota bufou e logo o Patolino voltou a dar as caras, é claro que faria aquilo.
- A gente já não conversou sobre isso? Sobre você parar de tentar me proteger de coisas que nem existem? - foi obrigado a rir. E ela não gostou muito, o imbecil tava rindo da cara dela?
- , há coisas que não nasceram pra ser entendidas, vai por mim. - ela não reconhecia a postura mais largada do homem e ele mesmo se incomodou pelo modo como sentou naquele sofá todo sem postura.
- Eu vou por mim, , não por você. - a patada doeu e foi um bom motivo para ele se ajeitar e voltar a sua forma natural de se comportar.
- Certo. - estalou a língua nos dentes e virou o rosto para . Ficou distraído pelo brilho do glitter dourado. A boca não reluzia como os olhos, estava com uma aparência mais matificada, porém, o alto das bochechas reluzia um brilho meio amarelado quase que hipnotizante - Nós conversamos sim sobre isso, mas também achei que tinha deixado algo bem claro. - que Lord fosse a merda, ele não iria ignorar o diálogo com .
- O quê? - ela foi desdenhosa na resposta, como se tentasse disfarçar algo.
- Que uma hora essa boca dura e essa petulância não vão acontecer sem que você sofra consequências.

Para a porra toda! Apenas para, por favor.
Toda a saliva que tinha na boca foi simplesmente engolida e jurava que tinha ficado tonta e que iria desmaiar. Suas suposições da hora do almoço ficaram claras, pularam em sua cara e flechas reluzentes surgiram apontando para o rosto do homem. Estava confirmado, estava falando em puni-la do jeitinho que ela pensava. Então, a reação foi em cadeia. Todo seu corpo se acendeu e a quentura voltou a aparecer. Ela sentia o nariz ficando mais quente e com certeza derreteria sua base e seu poros ficariam dilatados. A canela xingava o fato do vestido estar ali a fazendo suar e a cabeça ficou tontinha como se alguém tivesse botado álcool em seu refrigerante.
Diante todas as coisas que ela poderia ter feito ou dito, abraçou seus instintos e a língua solta, decidida a acabar com a dúvida. Odiaria, era ansiosa demais para voltar a sua casa com o peso de não saber quais eram as reais intenções de ., Ela precisava saber, era obrigação dele contar. E ai de se ele viesse com o joguinho de merda de esquivar e rir.

- , seja bem sincero comigo, ok? Porquê eu sei que você sabe. - fincou os pés no chão, provavelmente a gravidade o trairia e ele queria ter certeza que estava bem preso a superfície.
- O que é, ? - sua revolta foi um tanto embora, sua voz era novamente tranquila, a voz que despertava ideias feias na cabeça da menina.
- O que acontece entre a gente? Por quê eu sinto vontade de beijar quando você fala assim?

Saiu. Foda-se, ela falou mesmo. Sem medo e sem frescura. Era a verdade e os dois eram adultos e o mínimo que ela esperava era conseguir conversar sobre aquilo. Nada pior que ficar com as coisas na cabeça e martirizar aquilo até virar um monstro.
O vinho que foi ingerido passou a circular junto com o sangue do homem, o deixou meio tonto, meio leve. Ele esperava algo forte por vir, mas não chegou a cogitar que ela iria tão ao ponto. amava esta parte da , a boca solta, a independência de pensamentos. A raiva de Luxor ficou pra lá e ele só imaginou por um instante que estava pouco se fodendo pro significado da sua frase anterior. Afinal, ele avisava que o comportamento dela seria punido uma hora ou outra e o que fez a respeito? Nada, ignorou. Mandou pra puta que pariu o desafiando e praticamente falando: pode me punir, tô pouco me fodendo, aliás, eu quero mesmo que você me puna.
Mediante tudo isso, perante a verdadeira situação, a sua cabeça inflamada de desejo e as possibilidades do futuro entre ele e a garota, optou por responder da forma mais sensata que seu tesão permitia.

- Você quer me beijar, ?

Sim, não, talvez, não sei! Mil possibilidades de respostas e estava tudo na mão dela. A decisão era dela, o momento era dela.
E convenhamos, ele bem sabia. Estava escrito na testa de quais suas intenções, não era sua melhor qualidade disfarçar. O ventre de mergulhou na gasolina e alguém fez o favor de acender o fósforo. Sua língua coçava de vontade de lamber a boca de . Não dava pra escapar, a atração ali era verdadeira e inegável e ela queria sim, queria muito beija-lo e se afogar no meio do beijo por não conseguir respirar.

Porém… Ela também queria beijar . E essa parte foi particularmente confusa, a deixou até meio tonta e teve quase certeza que bebia álcool ao invés de refrigerante quando quase caiu pra trás no sofá. Não tava dando não. E era sua zona de conforto e meu Deus, como ela amava estar com ele. Mas, também amava trocar farpas com e tudo deu um nó e seu estômago solavancou e sua cabeça deu tela azul.

- Preciso do . - sumiu do sofá como um raio, vazou dali feito uma Mercedes na Autoban e ficou sentado na sua posição com um sorriso do tamanho do universo na cara. Aquilo foi bem mais que um sim, foi o com certeza mais escancarado de todos os tempos.

Avistou o nerd e partiu em disparada trombando com quem estava em sua frente, ele segurava um pratinho de salame que foi tomado de suas mãos e engoliu umas vinte e cinco fatias de uma vez só enlouquecida e histérica. a olhou e começou a rir, viu o desespero misturado a tensão sexual em seu olhar e com eu raciocínio lógico fodedor fez as honras.
- Precisa conversar comigo? - algo o dizia que finalmente tinha chegado no momento de ruptura.
- Muito, preciso muito muito mesmo. Vamos pegar mais salame, vai ser uma conversa longa.
- Então vamos pegar mais salame e ir escondido pro andar de cima, nada melhor que conversas longas numa cama macia. - grudou as mãos suadas de e assim que descolou o petisco usou suas táticas ninjas e partiu pro andar superior da casa sem dificuldade em entrar em um quarto qualquer que era maior que seu apartamento inteiro e fez se sentar .
- , eu… - ela nem sabia por onde começar e como começar, sorte a sua que era lindo demais e inteligente demais.
- Tá em dúvida, não tá? - já tinha cantado aquela bola e previsto o dia, chegaria a hora em que seria atraída por ele e seu companheiro engenheiro.
- Eu quero beijar você e… - engoliu a vergonha, afinal pra quê vergonha se já tinha dito pro ? - Quero beijar o também. Não sei o que fazer, eu sou imbecil. - o outro riu e deu um tapa ardido em seu braço. Não funcionou para que ele parasse de rir.
- E por qual razão você não faz o que quer?

Os olho de arregalaram e ela ficou perdidinha, largada na BR. Olhou para os lados buscando inspiração e a pergunta repercutiu por sua mente cerca de trezentas mil vezes e a resposta mais sincera pulou de sua garganta.

- Longa história.

- Tá com pressa?

- Não.

- Nem eu… Então pode abrir a boquinha.

respirou fundo e pensou bem. Estava tão ansiosa, nervosa. Talvez, a conversa fosse ter que esperar.

- Não tô com pressa, mas realmente tô agitada. Pode me ajudar com isso também? - ir pro colo dele foi tão natural quanto comer salame feito uma alucinada.
- Minha língua pode nos ajudar, com certeza. Te faço um oral bem caprichado. - piscou daquele jeito nerd apaixonante delicioso me deixa beliscar você inteiro e só conseguiu pular na boca dele - E daí a gente vê se você vai dar uns beijos no ou não.

E aí, sim ou não?

Chapter 8 - Venus Fly

- Entende? - uma leve agonia dançava nos olhos de . O nervosismo ensaiava alguns passos mais ousados ao ficar tão evidente em seus gestos bem expressivos.

  Era muito confuso para ela e a coisa não ficava mais fácil com a culpa remoendo seu dedinho ao lembra-la de que e eram amigos e que talvez a situação em que ela se meteu e deu um jeito de meter os dois pudesse dar cabo da amizade. Aí sim ela se sentiria um verdadeiro desastre.
possuía uma personalidade forte e sabia se posicionar. Mas como todo ser humano, alguns medos e desconfianças tornaram-se inerentes ao seu estado de espírito assim como as ideias erradas de si mesma. E ali travava a batalha que a desgastava todos os dias, a de viver a vida como queria sem deixar que o medo a comesse viva.
E todo o drama a enlouquecendo parecia ser tão estúpido se olhado de longe... ela bem sabia disso, mas né, é muito mais fácil olhar de fora e achar uma solução espertinha que realmente lutar com a coisa de dentro para fora.

  - Eu entendo, . - ali estava como um irmão mais velho cheio de sabedoria - Mas, você não está mais lá e nem perto daquelas pessoas, certo?
- Eu sei. - por um momento fez um bico triste. É claro que ela sabia, mas entre saber e agir racionalmente havia um baita de um abismo gigantesco - Mas é que como se todo mundo fosse me olhar daquele jeito e me julgar daquele jeito… Daí minha coragem some e eu só quero me esconder no meu canto.

   não conseguia entender, não mesmo. Quão injusta é a vida ao fazer com que uma garota com pouco mais de vinte anos ficasse daquela forma? Com uma âncora a prendendo, com um peso no olhar com medo de ser quem era? Se ele pudesse encheria a cara de todo mundo que a fez ficar daquela forma de socos extremamente raivosos e vingativos.

  - Nós não vamos te julgar. - ele viu a desconfiança de quem não tem fé em nada nos olhos levemente cansados - , é sério. Nós não vamos te julgar. - ela acreditava e não acreditava ao mesmo tempo e não poderia se sentir mais imbecil por isso.
- Eu sei, eu sei... - e finalmente a criaturinha foi capaz de sorrir para . Ela sabia que sim e ela sentia que sim, o único problema eram as vozes do passado comendo sua mente traumatizada - E bom… Acho que é hora de falar com o . - as bochechas incharam e riu de sua aparente inquietude vergonhosa.
- Vontade ainda tá aí, né?
- Sim. E não me olha com essa cara! - mostrou a língua para o nerd com uma cara safada insinuando coisas a sua frente.
- Aproveita sem medo. Brother tá aqui se quiser conversar depois. - ela se levantou e cautelosamente caminhou até e parou de frente para ele. O engenheiro mais novo sorriu para a garota e a puxou para beijar sua bochecha - Agora vai lá arrastar o pra dar um jeito naquele xarope.

   não precisou falar duas vezes. Feito uma zebra fugindo de um leão desceu as escadas meio que correndo meio que andando, não queria tropeçar na sandália e se enroscar no vestido e descer aquele tanto de degraus capotando, não merecia aquela vergonha.
não estava longe dali conversando com Lord e mais dois outros. Ele nem teve tempo de ver o furação chegar perto, só a percebeu quando autoritária o puxou pelo braço o arrastando um pouco para trás. Luxor viu aquilo e ficou foi perplexo, entendeu foi nada. Nem se meteu, aquele povo ali era tudo doido. Já tinha dado bronca em , agora ele fizesse o que quisesse, já era adulto pra se virar por conta.

  - Vem comigo pro meu apartamento. - estava tão enérgica que nem pediu com licença ou por favor, saiu mandando como se fosse a Rainha da Inglaterra e um mero serviçal que obedece e não questiona. Se bem que não estava muito longe disso, admirava o gênio de e se ela quisesse mandar nele que mandasse. Ele já sabia que estava perto do dia em que seria geniosa e ele teria toda a liberdade do mundo pra castigar a garota do seu jeitinho especial.

  

xx

  

Duzentas e cinquenta mil formigas andavam pelo corpo de , ou talvez até mais. A sensação de formigamento em cada pedacinho de pele era gritante, assim como uma queimação incessante, ela sentia a pele irritada e coçando. Até talvez algumas formigas estivessem dentro de seu corpo, correndo pelas tripas para causar uma irritação no estômago que quase a fez arrotar um ácido venenoso.
Tinha noção do que precisava fazer, mas não sabia como fazer. E claro, se sentiu estúpida e besta por estar nervosa sendo que a coisa toda era tão clara e óbvia. Por isso, chacoalhou a alma pra mandar o medo pra lá e dar um jeito de espantar as formigas. Parou no meio da sala e virou de frente para o sofá preto novo e não muito confortável que ficaria com a marca da bunda de no seu lado direito.
Falando em
O homem estava mais apaziguado, se o problema de eram formigas irritando sua derme, a paz de parecia ter vindo de uma boa fumadinha de maconha. E assim como as formigas de eram fruto de sua cabeça a tranquilidade de era sua por simples experiência.
Em nenhum momento tentou acelerar ou a questionou sobre a demora para abrir a boca. Ele simplesmente ficou sentado no seu canto esperando a hora certa da garota sem pressiona-la. Ela o chamou ali, ela queria falar algo, ela tinha uma mensagem a passar e ela e somente ela ditaria o ritmo.
Contudo, nem tudo eram rosas vermelhas e violetas azuis para o engenheiro. Curiosidade e inquietude sopravam ao seu ouvido e faziam com que ele, discretamente, mudasse o cruzamento das pernas. Primeiro era a direita por cima e logo a ânsia pelo o que estava por vir fazia a perna esquerda subir.

   era abusada e geniosa na medida do possível. Porém, a insegurança a fazia travar em alguns momentos. E isto era uma das coisas que ela precisava entender em relação a , os motivos que a levavam a ficar tão intensamente afetada perto dele. E bem, gesticular sozinha e ficar pensando não responderia a pergunta. Então, ela decidiu finalmente abrir a boca e começar o descarrego.

  - … - chamou conquistando firmeza, respirou fundo e deixou a coisa fluir de dentro de si direto para ele - Você disse que nós não podíamos conversar sobre essa coisa em torno da gente e eu assumo que fiquei meio nervosa sobre isso… - deu uma pausa para respirar mais fundo e prosseguiu - Mas, eu entendi o seu ponto. Então, eu conversei com o e expliquei pra ele. Não que eu devesse explicações pra ele, já que a gente mal se conheceu, mas eu queria falar com ele. E agora que a gente se falou e se entendeu eu acho que nós dois podemos dar conta desse Tiranossauro Rex que existe entre nós.

  Com as mãos cruzadas na frente dos peitos e a alma um pouco mais leve ela foi capaz de sorrir ao olhar para e apreciar sua serenidade.

  - Certo. É justo, eu concordo. - o engenheiro puxou a manga da camisa mais acima para deixar os pulsos livres do tecido e foi um pouco para frente com sua coluna assumindo uma postura mais concentrada - Agora me diga, por qual motivo acha que há um Tiranossauro Rex entre nós? - era ótimo em manter contato ocular, achou que fosse explodir com a intensidade do olhar cravado na cara dela, aquela intensidade toda era um treco muito louco, por falta de adjetivos melhores.
- Eu já falei sobre o jeito que você fala comigo às vezes, como se estivesse tentando cuidar de mim e me proteger e esse tipo de coisa. E você sabe que faz isso, se não soubesse, não teria travado a nossa outra conversa. E é confuso pra mim, porquê eu… - naquele instante já tinha se tocado de qual era a real treta em relação ao comportamento de e assumir em voz alta não era lá tão fácil - Porquê eu percebi que gosto de ser tratada assim. E sinceramente, ao mesmo tempo em que eu sei os motivos, eu também não sei.

  Terminou a frase em um bico e sorriu abertamente de uma forma tão pura que chegou a irradiar ondas holográficas pelo apartamento da menina. Ele observou atentamente aquela criaturinha complicada e linda a sua frente, aquele vestido vermelho arrazador e o dourado pintando seus olhos e não conseguiu controlar os músculos labiais que se morderam insinuando algo completamente safado.

  - E você me arrastou, discretamente, para cá para eu ver se eu te ajudo a entender? - uma característica de como daddy era esta, uma forma meio didática de mostrar a sua menina que ela era capaz de compreender as coisas por si só, porém, que ela teria seu apoio no processo sem ter que fazer isto sozinha.

  - Por que você age assim comigo? Eu descobri que gosto, ok, e eu até consigo me entender. Mas me ajudaria mais se eu entendesse você também. - colocou uma das unhas na boca e logo se corrigiu, bastava o drama não precisava descascar o esmalte, né?
- Vou tentar não enrolar muito, tudo bem? - ela balançou a cabeça positivamente e foi a vez de respirar fundo e encarnar um monge centrado - Eu tenho algo aqui dentro de mim que eu descobri quando tinha a sua idade mais ou menos, um algo que regula o modo como eu prefiro me relacionar com mulheres. Acontece que eu descobri isso e me empolguei e mergulhei em alguns relacionamento que no fim não deram certo e por esse motivo e alguns outros eu comecei a travar esse algo. Eu tentei me envolver com pessoas deixando esse algo de lado, mas não deu certo.
A velha frustração de começou a fazer parte da conversa. Ficou um pouco menos tranquilo, sua voz pesou e uma leve quantidade de tristeza amargou sua língua.
- E aí eu continuei tentando, mas não dava certo. Eu queria voltar a ter esse algo preso em mim e usa-lo, mas não tinha como e nem por onde. Por um tempo eu aceitei a derrota. Porém, quando eu te notei em variados momentos esse algo gritou, efervesceu e ganhou vida novamente. Entretanto você estava com o e eu segurei o máximo que eu pude. E esse algo, , é uma característica e preferência minha de estabelecer um relacionamento onde eu posso cuidar de alguém, dar a essa pessoa o carinho que ela precisa, suprir as necessidades e desejos dela, como em qualquer relacionamento. Mas, do jeito que eu prefiro é um pouco diferente, é mais intenso e mais complexo.

   achou que estivesse no palco de um grande mágico sendo hipnotizada na frente de uma plateia vazia. As palavras de foram uma a uma paralisando suas reações e ela ficou boba e inerte. Maravilhada e com vontade de rir, rir por se sentir bem ao saber que despertou os desejos profundos do homem, aqueles que o faziam feliz. E confirmou sua teoria de que era alguém desejoso pelas coisinhas safadinhas que ela tinha imaginado mais cedo naquele dia.

  - E quando você disse que não ia tolerar meu comportamento aquele dia na sua casa você quis dizer que iria me punir, certo? Só que essa punição é um agrado disfarçada de castigo, certo? - ela se sentiu tão atrevida e sapeca brincando de se fazer de inocente. A manha ficou clara no seu jeito de falar e ela finalmente relaxou deixando a danadinha entrar na parada.

  E o tal do … o cinto quase desfivelou sozinho. Foi um choque, aquela porra eletrificante correu a coluna e desceu pelas pernas e depois voltou com tudo deixando todo os músculos carregados e vibrantes. Agora ele já sabia que poderia entrar no jogo junto com ela, deixar seus instintos fluírem mais naturalmente. E como também já suspeitava, a dona era um pouco entendida do assunto.

  - Uma punição disfarçada de castigo… Digamos que seja, como você imagina isso? - dar voz aos pensamentos e fantasias de era algo que o daddy precisava fazer. Ele não se dava o direito de supor o que ela pensava e muito menos usava suas próprias ideias para representar as de , só a garota poderia dizer claramente o que se passava em sua cabeça e seria um exercício fazer com que ela fosse capaz de falar sem se constranger.

   imaginava a cena perfeitamente e mais que isso, ela sabia muito bem como gostaria que fosse. Se buscasse no passado não saberia dizer quando foi que tomou gosto pela ideia e a achou tão atrativa, mas não estava mais no estágio de tentar entender, estava no estágio de querer provar, de matar a vontade. E as reações calientes de seu corpo a mostraram que seria quem mostraria todos os esquemas.
Porém, a novidade provocou coisas demais na existência de e é normal do corpo externar as sensações nossos movimentos, expressões e até no jeito de respirar. que prestava toda a atenção do mundo em percebeu que a garota queria falar, mas sofria com uma resistência extremamente normal de sua cabeça. Ele claramente desejava ouvi-la falar, mas antes disso precisava deixar claro que respeitava seu espaço.

  - , você não precisa me responder. Se não se sentir confortável, se não quiser levar a conversa por esse caminho você não precisa. Você sabe disso, não sabe? - ele não elevou o tom da voz nem se levantou do sofá. Não fez movimento algum que pudesse demonstrar algum tipo de autoridade ou subversão que intimidasse a garota.

  Os tímpanos de acabaram derretendo com a fala masculina. Ele realmente se preocupava por pura vontade e a menina curtia cada segundo do mimo e da preocupação. Agora era muito mais fácil compreender e aceitar a dinâmica de . Em momento algum sentiu que precisava acelerar, ela bem sabia que era dono de toda a paciência. Aquela coisa que sentia perto dele e não entendia direito, que causava um incômodo praticamente não existia mais. Descobriu que o incômodo era na realidade a ansiedade em lidar com sentimentos novos, sentimentos que naquele momento faziam sua vagina dar pulinhos.

  - Eu quero falar, . - e ela riu, novamente. Numa mistura de nervosismo e inquietação se atropelava nas imagens de meninas levando tapa na bunda que estava tão acostumada a ver. Uma coisa era observar tão atentamente os gifs e vídeos, outra era se imaginar tão próxima daquilo - Eu imagino algo como spanking, você deve conhecer, né?

  Enquanto prendia os lábios nos dentes e pendia o quadril para a direita esperando por uma resposta do engenheiro a sua frente, o mesmo engenheiro quase perdeu o equilíbrio do corpo. Se seu reflexo estivesse um tantinho fora do lugar teria caído daquele sofá feito uma laranja madura que despenca do pé sem nada de sutileza.
Ouvir a palavra simplesmente sair da boca de com tanta naturalidade como se ela fosse completamente acostumada a dize-la, procura-la e vive-la foi como uma bazuca apontada na sua testa, foi como o ataque de uma pantera negra ciborgue com velocidade e força alteradas em laboratório.
Ficou quase estática jogando o corpinho de um lado para o outro observando o rosto de e o modo como ele ficou uns minutos digerindo a pergunta. Ela abriria um sorriso, mas segurou a boca e a entortou para evitar rir de novo. Na verdade ficou bem espuleta e realizada ao perceber que o fez perder a linha de raciocínio.

  - Sim , eu conheço spanking, eu entendo de spanking. - ela quase levou um susto com a mudança na voz que atingiu a profundeza das Fossas Marianas e com o olhar que trincou escuro com um ponto de luz incandescente - Você gosta? Você iria gostar de ser castigada assim?

  Teve a impressão de que as formigas voltaram todas para seu estômago. Tudo dentro dela pulava e coçava, se pudesse faria igual em desenho animado quando viram um corpo do avesso para poder coçar sem parar até aquela pinicação passar. Mas não eram formigas. Era mais um tanto de ansiedade, de um nervosismo bom a deixando ouriçada. Não seria uma má hora para começar a usar a palavra excitação para os dois lados da conversa.

  - Eu não sei se eu gosto… eu só vejo na internet, nunca fizeram comigo. - ela nem soube quando foi que ficou tão natural falar sobre sua intimidade com .

  As sandálias novas começaram a encher o saco. Ela não aguentava mais trocar o apoio dos pés para sustentar o corpo e estava difícil pensar e dar conta de sua cabeça possuída pelo satanás da euforia sexual. Abaixou o corpo e quase ficou enroscada no vestido e acabou caindo sentada no chão com as pernas esticadas. não conseguia mais parar de rir, não teve como segurar a barra toda. tocado com situação desastrosa de foi contagiado pela risada alta e decidiu que era hora de avançar um pouco mais na brincadeira.

  - Ei, venha aqui. - estendeu a mão para a garota ainda sentada ali feito uma criança tonta que bem rápido deu um jeito de levantar agarrando a mão de . A transmissão de calor foi insana para ambos, sentiu um arrepio correr sua alma e subiu os ombros de uma vez só com o calafrio e trancou a respiração por um momento para o corpo voltar ao normal. - Eu tiro para você.

   abocanhou seu lábio de cima e se sentiu uma princesa. O cuidado e delicadeza de ao tocar seus pés a fez esquecer por um instante toda a confusão que sua vida foi e continuava sendo de vez em quando. Não lembrou de nada e não pensou em nada que não fosse os dedos cuidadosos de desprendendo as fivelas com uma paciência digna de Dalai Lama.

  O engenheiro aproveitava o momento. Jesus, fazia quanto tempo que ele não tinha aquele contato com alguém? Era tanto tempo que parecia uma invenção da sua cabeça. Mas não, era real mesmo. era de carne e osso, bastante carne nas coxas por sinal.

  - Você não precisa descobrir agora se gosta ou não de spanking e qualquer outra coisa. - o encarou como um cachorrinho curioso e tentou nem piscar para não perder o inebriante movimento dos lábios do homem - Nós não precisamos acelerar isso aqui, vamos ir aos poucos, uma coisa por vez.

  A capacidade do engenheiro de tranquilizar e a deixar confortável era formidável. Era uma novidade muito boa, ela nunca havia se sentido assim. Com , obviamente, foi uma aventura super gostosa e excitante, porém, ele não a afetava como . a seduzia e a fisgava em seu âmago, trabalhando com elementos que atraíam o mais interno e profundo de si. Era forte e ela se perdia dentro daquilo tudo. Aquilo não tinha nome e demoraria a ter, mas pelo menos tinha uma explicação.

  - E o que a gente faz? - ela queria fazer coisas com ele, coisas com nome e sobrenome que de inocente tinham nada. A vozinha manhosa que soltou poderia até insinuar uma certa inocência, mas tudo que se passava em sua mente era extremamente pervertido.
- Você ainda está com vontade de me beijar? - por dentro berrava “diz que sim, diz que sim, pelo amor de Deus diz que sim” entretanto, por fora continuava na mesma paz de espírito.
- Na verdade a vontade ficou maior. - desviou o olhar sem querer, ficou um pouco envergonhada em assumir os desejos descaradamente. Só que logo depois o fogo na bucetinha agitada a fez olhar direto para que calmamente retirou a sandália de seu pé esquerdo e a colocou do lado da outra no chão.
- Então é isso que vamos fazer, aliás, você vai fazer. - ela notou o tom de desafio que saiu na fala dele e ficou confusa. Pera, como assim ela iria fazer?
- Eu vou fazer? - a agitação aumentou drasticamente e suas pernas começaram a tremer por cima das coxas do homem. Prontamente percebeu o sinal de euforia e começou a acariciar a canela de . As unhas curtas alisando a pele da canela fez com que se arrepiasse mais forte do que da primeira vez. O ritmo de no carinho diminuiu a tremedeira de suas pernas e recostou a cabeça para trás relaxando.
- Sim, . Esse beijo é seu.

   arrastou o quadril para frente e sem pedir autorização levantou o corpo puxando o vestido um pouco para cima sentado de lado no colo do homem. a recebeu convidativo e abraçou sua cintura. Eles agiam com a intimidade de quem já se conhecia e se curtia há tempos. Não era muito lógico, mas o tesão faz isso com as pessoas.

  - , isso não faz muito sentido. - acostumou bem rápido com o colo quentinho de , ficou até com total liberdade pra fazer uma manha e passar as unhas pelo pescoço dele.
- Não está com vontade de me beijar ? - ela fez que sim com a cabeça, fez até com vontade demais - Então é você quem beija. Você vem com a boca na minha, a sua língua se enrosca na minha, suas mãos agarram o meu cabelo… ou seja, você me beija, . - o coração de deu uma louca, não parava de palpitar em pura ansiedade e a garota começou a rir contagiando que fazia de tudo para lhe passar segurança. Por isso ficou ali sentado com a maior paciência que podia.
- Tudo bem, eu vou te beijar. - virou o corpo ficando sentada de frente para ele, foi meio desengonçado o jeito que passou as pernas pelas costas do homem, sua bunda ficou pra fora do colo e depois voltou, mas enfim, ela deu um jeito - E quando eu começar acho que não vou conseguir parar.

  Pela primeira vez em sua vida passava por uma dessas. Nunca teve um homem gostoso, lindo, delícia daqueles parado embaixo de si esperando para que ela simplesmente fizesse do seu jeito, como quisesse. só faltou dizer “me usa” e sabia que se pedisse ele repetiria os dizeres até a hora que quisesse.
Vai , rebenta com esse homem! Você consegue!

  Nem nos melhores dias imaginou que fosse acontecer assim.
elevou as costas arrumando a postura, ficou com ela reta e com possessividade passou os braços pelo pescoço de . O engenheiro prendeu-se no sofá com força para não reagir, para deixar mandar e desmandar em seu corpo. Já inebriada e cheia de ideias na cabeça deixou o clima tomar conta de si e não mediu os movimentos. Levou a mão direita pelo pescoço de e subiu os dedos agressivamente pelos cabelos da nuca e seguiu subindo até ficar com várias madeixas presas em seus dedos.
Mandona puxou a cabeça de para frente e a entortou um pouco para esquerda. Há tempos não exercia tanto poder, adorou ser a rainha da porra toda.

  Começou com um selinho. Encostou na boca de com os cabelos dos homens em seu comando e devagar passou a abrir os lábios para sugar . Manteve contato roçando seu lábio inferior por toda a boca masculina. Toda a birra sem sentido por tornou-se combustível para botar fogo no beijo. percebeu se empolgando com o boca e o restante do corpo. No instante que soltou a língua para lamber seu quadril subiu e ao abaixar arrastou por todo o colo de e apenas parou quando sentiu o maior volume. Fritou por inteira na hora. Era o pau dele e a única coisa que se passou por sua cabeça foi deixar o homem de pau duro. Foi a gota de água para a calmaria do beijo.
Decidida em botar pra foder largou os cabelos de e puxou o paletó dele para fora do corpo. fez nada além de esticar os braços para facilitar o serviço. Ela nem quis joga-lo pra lá, do jeito que caiu o paletó ficou. Segurou o colarinho do homem e o puxando como se fosse seu e finalmente tomou a boca por inteira.
beijou a boca, a alma, a existência por completa de . Provou do gosto do homem e não quis mais deixar sua língua longe daquele mousse de maracujá. A cada passada de língua uma rebolada no pau do homem e a cada estalada de saliva uma contração em sua bucetinha.
foi perdendo a compostura e toda sua paciência, o fodia com aquela língua explorando cada pedaço seu, mas ele ainda queria deixa-la brincar mais um pouco. Era tudo novo para a menina e ela precisava aproveitar.
Com um calor do cão a matando, achou interessante subir a bunda e puxar o vestido mais para cima. Ela viu como baixou o olhar para suas pernas e adorou a atenção que ele prestou ali. Ao saber que o excitava só quis saber de excita-lo cada vez mais. E claro que aumentando o tesão do homem ela aumentava o próprio.
Determinada a ir um pouco mais longe deu um jeito de empurrar para baixo. Percebendo a vontade da garota deitou no sofá a trazendo consigo. Esticou as pernas no tecido preto e ali ficou deitado com a dona e seu sorriso lascivo por cima.
A primeira coisa que quis fazer na posição nova foi abrir a camisa dele. Assim que segurou o primeiro botão abaixou o corpo e decidiu que brincaria de beijar o pescoço do homem enquanto abria os botões. Começou a dar certo. Sugava a pele perto do colarinho da camisa e arreganhava o pescoço para boca de . Quando ouviu um grunhido grave bem perto do seu ouvido quase desmontou em cima do corpo do engenheiro. Ficou cheia de uma curiosidade infame de saber como gemeria quando ela fosse chupa-lo. A ideia de aproveitar o membro do homem como um sorvete a ferrou e ela se perdeu completamente na brincadeira de abrir os botões. Percebendo que estava bem mais além de um beijo, viu que era hora de tomar as rédeas da situação.

  - Isso não é só mais um beijo, é? - era tão injusto a boca dele estar tão perto e não a beijando. Ela queria beijar por uns três dias seguidos, era tão gostoso usa-lo.
- É um beijo misturado com outras coisas. - reclamou chorona.
- Outras coisas? - a pergunta sugeriu várias safadezas. afastou os cabelos da garota para observar melhor o rosto suado, cheio de brilho dourado e avermelhado - Quais outras coisas?
- Você sabe… - descaradamente rebolou a bucetinha e cravou seu clitóris bem em cima da cabeça do pau do homem e forçou mantendo pressão constante. Ela quase delirou tamanho o prazer de roçar naquele desgraçado. Acabou gemendo de levinho na boca dele.

  Aquele gemidinho acabou com . Não dava mais pra brincar, pra levar aquilo ali num ritmo devagar e paciente. despertou cada santo pedaço das fantasias e fetiches de . Ele estava extasiado e completamente excitado. Um pau devidamente endurecendo e em sua cabeça dezenas de cenários de como ele poderia dar prazer e mais prazer para aquela criaturinha impossível que o provocava e usava sem pudor.

  - Eu te disse que comigo as coisas eram diferentes, certo? - por mais que estivesse doido de vontade de ter uma noite repleta de putarias com , tinha um sistema. E ele não atropelaria nada com ela. Se realmente fosse entrar no roleplay com ele, teria que seguir algumas regras.
- Sim… - ela não estava nem aí pra ele tentando alerta-la de alguma coisa. Continuou na mesma ideia de se esfregar em e sentir como era gostoso se masturbar usando a cabeça do pau dele, mesmo por cima da calça, da calcinha e do vestido.
- E você quer tentar fazer desse jeito diferente? - a menina mal prestava atenção nele e por isso encostou em seu queixo e o subiu, fazendo olha-lo na marra - Você quer? - ela queria, omg, como ela queria. Por mais que fosse gostoso daquele jeito, ela sabia que do jeito diferente dele seria trocentas vezes melhor.
- Eu quero. - os olhinhos de brilhavam, ele percebia a curiosidade corroendo a menina. Diabo, como ela estava empolgada para experimentar o mundinho de !
- Então … - segurou a garota pela cintura e a levantou. Com cuidado a colocou mais de lado e logo percebeu que era pra sair do colo. Ela quis rosnar e berrar não, mas resistiu. - A gente precisa parar aqui.

   não iria deixar se esfregar um pouco e logo tirar seu vestido e come-la. Definitivamente não. Ela precisava entender melhor a dinâmica e teria que mostrar tantas coisas a ela que ficou tonto.

  - Você vai pedir pra eu assinar um contrato? - riu da própria pergunta, talvez não fosse a hora certa de brincar com a cara dele.
- … não é assim e você sabe. - a semi cara de bravo dele a fiz rir mais ainda.
- Eu sei, desculpa. Diga, eu vou ficar quietinha.
- Você conhece spanking e outras coisinhas, pelo o que eu percebi deve procurar e ver esse tipo de coisa na internet. - ela fez cara de santa e ele quis morde-la - Então você bem deve saber sobre daddy kink. - AAAAAAAAAAAAH! Esse grito foi interno, a mente de berrou isso loucamente. Ela sabia, ela sabia, ela sabia! Era mais que oficial, curtia daddy kink. O incêndio de sua calcinha não apagaria tão cedo.
- Eu sei. - as palavras quase não saíram, sua garganta ficou burra e estava desaprendendo a falar.
- Esse tipo de coisa não se começa do nada. E se você quiser experimentar vamos ter que seguir alguns passos. Ok? - decidiu que não falaria mais nada, se falasse só iria sair merda - O primeiro deles é parar por hoje. O segundo é você descobrir do que gosta...
- Como assim? - atropelou impulsivamente.
- Você não sabe se gosta de levar tapas e provavelmente não sabe se gosta de outras coisas. Mas, antes de descobrir se você gosta destas coisas você precisa saber do que gosta. Então, se você aceitar, eu vou te passar uma tarefa. - uma tarefa? Ai meu cuzinho! estava prestes a fazer xixi de tanta ansiedade.
- Eu já aceitei tudo, . - ele sabia que tinha um tanto de uma curiosidade impulsiva ali, o querer de era bem verdadeiro.
- Eu vou embora e a sua tarefa é se masturbar antes de dormir. Não só se masturbar, é se tocar e experimentar seu corpo. O que te excita? O que você faz que te faz molhar mais rápido? O que te deixa no ápice do gozo? Se toque, se experimente e preste atenção nos detalhes. Você vai contar tudo isso pra mim.

   travou o olhar na cara de Mago com a boca aberta. Quase mijou em si mesma, de verdade. Aquele filha da puta queria matá-la, não era possível. Mas, a tal da curiosidade era maior que tudo, maior que a vergonha ou o medo. Cumpriria a tarefa muitíssimo satisfeita. Se masturbaria trezentas vezes se possível e prestaria atenção em cada mínimo detalhe. Ficou louca de vontade de ir correndo no quarto naquele instante e já contar tudo para ele.

  - Eu aceito, sério. Eu aceito! - a empolgação de deixou de tão bom humor que nem Lord o estragaria.
- Certo. - levantou do sofá. deu um pulo na sequência e nem sabia como proceder - Eu vou pra casa e a senhorita vai fazer sua tarefa. Depois nós combinamos como você vai entrega-la para mim.
- Tudo bem. - engoliu sequíssimo e só quis que aquela saliva imbecil fosse a porra do homem.
- E antes de ir, eu vou te beijar.

  Ela nem viu da onde veio. a segurou firme no pescoço e a trouxe para si com a brutalidade que ela tanto queria sentir na pele. Foi um raio cortando seu corpinho fraco no meio. A língua do homem se atreveu por sua boca e sua única alternativa foi aceita-la e enrosca-la na sua. As mãos masculinas grudaram em sua coxa vindo para cima com vestido e tudo e tomaram posse do seu quadril. o agarrou como se fosse seu e o trouxe direito para si chocando osso com osso, pele com pele, buceta com pau.
acabou largando a boca de , pois não conseguia respirar. Ficou com o rosto da cor do seu vestido e nem se lembrava se ali era sua casa ou não. Que diabo aquele homem fez com ela? Foi um beijo ou um soco na cara? Não sabia mais nada, a cabeça ficou tão tonta e besta que não foi capaz de processar a informação e voltar a o beijo. Foi a deixa para fazer um carinho em seu nariz.

  - Terra para . - ela o olhou ainda feito uma barata tonta envergonhada e fez um bico engraçado - Boa noite, criaturinha. - a beijou na testa e o carinho dos lábios molhados em sua cabeça a fizeram voltar para a realidade. Mas, ele tinha que ir embora mesmo? - Não esqueça da sua tarefa.
- Não vou esquecer. Boa noite.- ela tinha tanto pra falar, mas nem falou. abriu a porta, passou por ela e a fechou. E ficou ali, parada, largada, molhada e sei lá mais o quê.

  Enquanto caminhava para o quarto e tirava o vestido o largando no meio do corredor sem pressa para tira-lo dali não conseguia pensar em outra coisa não fosse esfolar seu grelo até o outro dia, que desse cãibra no braço.

  Se ela pedisse um dildo de uns 50 cm pela internet será que chegaria em 15 minutos pra poder sentar e morrer atolada nele?

Chapter 9 - Touch me, yeah!

Se aquele não fosse um bad hair day nenhum mais seria. As pontas dos cabelos bagunçados de estavam secas e desidratadas e aquele maldito pitufo da franja não se aquietava de jeito algum. Grudou os fios com raiva sentada em sua cadeira e emputeceu a expressão para o espelho. O rabo de cavalo não deu certo e quando tentou fazer um daqueles coques bem apertados pensou que seria melhor raspar todo o cabelo de uma vez. Achou que o rosto ficou extremamente redondo e as duas espinhas gigantes que vieram das profundezas do inferno para perturbar-lhe a vida ficaram vinte vezes maior com o penteado.
  Soltou a crina pela terceira ou quarta vez e bufou desacreditada. Ainda era uma hora da tarde e seu curso começaria as quatro. Nem sabia qual o sentido de tentar arrumar o cabelo faltando tantas horas para sair de casa. A verdade é que estava extremamente agitada, pulava de uma atividade para outra sem parar. Ou seja, estava com formiga no cu.
  Levantou de frente a sua penteadeira e perambulou para a direita até cair de cara na cama com os pés para cima. Rolou seu corpinho desanimado e encarou o teto tentando achar a resposta para os dramas da vida na tinta branca.
   não deveria estar tão largada. Acabou combinando com Yeva de jantarem em seu apartamento e a nova amiga aceitou super animada o convite de dormir na casa da garota. Fechou os olhos frustrada e bagunçou ainda mais o ninho de rato que chamava de cabelo. Era pra estar feliz e animada por finalmente ter uma companheira para falar merda, comer sem medo e dar risadas sem sentido, não era para estar mergulhada naquela quase agonia.

     A quase agonia, porém, possuía seus motivos para existir.   

  A tarefa passada por eletrizou o corpo de que ligado no 220 não prestava para finalizar as outras tarefas começadas ao longo do dia. Afinal, existia hora certa para se masturbar? fez a pergunta infinitas vezes para sua moral. Pensou em fazer logo pela manhã, até arrastou o dedo por seus pelinhos, mas pensou demais e levantou já irritada, Algo na cabeça dela a dizia que se masturbar logo ao acordar era pervertido demais, que ficasse para depois.
  E ela protelou e enrolou e procrastinou por várias horas que na verdade não foram tantas assim, apenas quatro. Quatro horas que rolaram pelo relógio como duzentos anos. até pensou em cumprir sua tarefa quando fosse dormir, mas a nova colega dormiria em sua casa e seria impossível. A tarefa ficaria para o outro dia, sexta feira, e se ficasse nessa de se tocar apenas na hora de dormir só falaria sobre com no sábado.
  Ah não, muitos dias para esperar e a ansiedade a rasgaria sem dó nem piedade e depois a engoliria. E além do mais, não daria a atenção devida a Yeva por ficar pensando em arrastar o dedo por sua vagina. Suspirou mais confusa e indecisa tentando focar no importante e ignorar todos os poréns que seu estúpido cérebro criava.
  Não sabia da primeira vez em que roçou o dedo em seu clitóris. Lembrava-se de fazer isso quando mais nova, mas não exatamente com detalhes. Um dia descobriu o poder do jato do chuveirinho e passou a alongar seus banhos ao brincar de levantar o quadril na torrente de água quente que a fazia revirar os olhos com a bunda marcada pelo azulejo do banheiro.
  Resgatando todas as suas memórias de prazer próprio percebeu que não conhecia as informações tão necessárias para a tarefa de . Quantas vezes havia se masturbado para gozar em menos de dois minutos para simplesmente dormir depois? Muitas delas foram no automático apenas para acalmar o corpo e outras por puro fogo no rabo ao assistir alguma pornografia ou consumir algo que a deixasse excitada.
  Se em alguma vez realmente parou para entender como seu corpo funcionava na hora da masturbação, ela não se lembrava. Começou a ponderar qual o nível de sabedoria de ao propor aquela tarefa tão incomum. Por acaso estava escrito em sua testa o fato de não se conhecer direito?
  Suspirou pesadamente em seu colchão e afundou mais o corpo no lençol branco tentando entrar em um estado de espírito mais apropriado. Esticou todo o corpo para alongar-se e ainda de olhos fechados tentou mandar em sua mente, quis esvazia-la de qualquer coisa que a enchesse o saco. Demorou algum tempo para eliminar a maioria dos pensamentos sem sentido para o momento.
  Era sempre assim. Ao relaxar e fechar os olhos entrava em um estado de recuperar cada uma de suas frustração e fantasias melancólicas. Lembrava das obrigações a cumprir e como estava longe de cumpri-las. As manchas da parede da cozinha vinham assombra-la assim como culpava-se por não dar a atenção devida ao seu novo curso. Voltava até mesmo aos seus dias mais ruins e os remoía sem explicação aparante para faze-lo.
  E sentia-se uma completa idiota, frustrada em sua incompetência de vencer na vida. E ao se deparar com a culpa e uma certa raiva de si mesma focou mais ainda em relaxar as ideias. Correu por muitos cenários até seu cérebro traiçoeiro recuperar uma lembrança verdadeiramente boa. A lembrança de .

     E aí as coisas mudaram seu rumo.
  A mente de entrou em uma sintonia muito mais lenta, os neurônios trabalhando em uma melodia calma permitindo a menina relaxar seus músculos e começar a entrar em um devido clima para cumprir a porra da tarefa. Tarefa que tanto queria cumprir e a inquietação dava um jeito de atrapalhar.
  O corpo passou a mover como realmente queria. Visualizou mentalmente o leve rebolado que a bunda provocou no colchão e o modo como elevou os seios ao contrair a barriga. Como se uma nova tomasse poder de seus movimentos, a simples visão dos lábios de presos aos seus deixaram-na quente e o cheiro de seus corpos juntos e em contato espalhou-se por suas narinas a enfeitiçando com o nível de excitação que precisava para romper todas as porcarias que a privavam de tomar seu próprio corpo.
  Consciente do pedido de tomava nota de mental de como reagia aos pensamentos impuros. Lembrou-se da textura da barba do homem em seu pescoço e automaticamente abriu mais suas pernas. Escutou a voz de dizendo “você vai me beijar, ” e suspirou desejosa pelo Patolino. Não demorou para que os dedos direitos fossem como leopardos até a bocetinha coberta pelo shorts extremante curto que deixava a polpa da sua bunda de fora.
  Agarrou o clitóris com força e vibrou em sua cama, a delícia prazerosa a fez rir. Riu saudosa dos amassos dados em seu sofá e logo passou a imaginar como teria sido se o homem não houvesse interrompido a porra toda. Um pouco de frustração a fez apertar com mais força sua região íntima, tomou em seu tato os grandes lábios e tudo mais que coube em sua mão.   Largou a porção de carne para tirar o maldito shorts, pois, claramente precisa de mais liberdade e intensidade. A blusa levemente suado também tomou seu caminho para fora do corpo. A garota não usava sutiã dentro de casa e muito menos calcinha com seus shorts extremamente pequenos. Apesar de ter suas problemáticas com seu corpo curtia demais a nudez para encher-se de roupas, a não ser que fosse inverno.
  Olhou para si própria com a respiração acelerada e os flashes da noite passada rasgaram suas córneas. Naquele momento já não podia livrar-se todo o maldito tesão que lhe causava mesmo sem estar ali. O homem tinha as merdas das suas ordens, as palavras preocupadas, o carinho tentador e toda aquela coisa que a deixava nervosa sem conseguir raciocinar direito.
   a quebrava no meio. Teve certeza de que ele era parte de seu novo ritual de masturbação assim que tocou novamente em si e molhou o dedo médio em meio a umidade crescente em sua bocetinha. Então fechou os olhos e imaginou ao seu lado. O que ele diria a ela em uma situação daquelas? Quais palavras cuidadosamente escolhidas diria para acalmar ou incentiva-la?

     "Qual seu gosto, ? Já se provou?"

     Engoliu o próprio dedo e o chupou como desejou chupar o pau de em seu sofá quando rebolou sobre o homem e sentiu a dureza que apertou seu canal vaginal e a fez fechar os olhos pela tensão. Como ela poderia descrever aquilo que sentia em seu paladar? Era gosto de boceta e não foi capaz de pensar em algo mais específico que isso. Entretanto, sentiu uma particular sexualidade extra. Quão maluco ficaria ao ve-la provar de sua própria excitação?

      "Não pense em quais coisas eu gosto, . Pense naquilo que você gosta."

     Demônio! Resmungou e deixou que o dedo escapasse sua boca. Estava pensando demais em e esquecia de focar em si. A tarefa era sobre ela e não sobre . Reconheceu o quão difícil seria não cair na tentação de focar todas suas energias no homem.
  Suas masturbações sempre começavam no grelinho e foi para esta particular parte de seu corpo que destinou a atenção. Dobrou as coxas e arqueou o quadril para pudesse admira-lo. A ponta de seu dedo preferido para a brincadeira apertou o pequeno músculo endurecido e avermelhado e um maremoto fez-se pela água melada que escorria de si. Porra, pensar em ferrou com tudo, fantasiar com fez o prazer no toque ser praticamente instantâneo.
  Prosseguiu como de costume ao rodar o dedo pelo clitóris assim como rebolava o quadril que abandonava o colchão para toma-lo outra vez. Virou o rosto para a direita arrastando os cabelos por sua cama até sua cabeça girar para o outo lado. Precisou morder os lábios e notou que o reflexo repetia-se conforme intensificava o movimento dos dedos.
  Também notou que não mais circulava por seu clitóris, arrastava o dedo na horizontal com quantidade considerável de empenho. O rebolado a ajudava a aumentar a delícia que era masturba-se com a cabeça presa na fantasia certa. O prazer crescia e precisava cada vez mais lutar com seu corpo para não ir cega em encontro ao orgasmo.
  Precisou apertar um de seus seios, a pressão no mamilo a fez gemer mais alto do que gemia até então e os dedos da mão esquerda perseguiram o outro seio tentando agarrar os dois ao mesmo tempo. Debateu-se contra a cama e contraiu o canal vaginal provocando uma pulsação ainda maior em sua bocetinha. Os constantes arrepios foram sentidos em seu ânus que decidiu participar da brincadeira. A mão antes ocupada em seus peitos endurecidos foi certeira até a região anal para acaracia-la.
  Lançou um sonoro porra ao alto ao tocar o cuzinho e a mera tentativa de enfiar a ponta de seu dedo ali provocou outra contração que quase a enlouqueceu de vez. Um algo irracional a fez largar o ânus para agarrar seus glúteos. A musculatura dali passou a doer sem explicação e então percebeu que agarrar as coxas como se fosse arrancar um pedaço delas a deixava ainda mais maluca na perseguição ao orgasmo.
  Uma leve dorzinha apoderou-se do dedo que guiava a dança no clitóris e tentou ignora-la para continuar a cumprir sua tarefa. Ela sabia que não duraria muito mais tempo, toda a áurea envolvendo o sexo consigo mesma era intensa demais. Mais que antes concentrou sua mente em desvendar os segredos do seu corpo.
  O corpo da garota era a mais pura pulsação sexual. Compenetrada e dedicada, nada a faria parar de perseguir cumprir sua tarefa da melhor forma possível. Em meio a desgrama que começava a causar cãibra nos dedos de seu pé que reclamavam o excesso de uso do sistema nervoso, não deixou de pensar em como a envolveu. Não precisou de muito, a pouca imaginação que a levou a ponderar sobre o homem e o jeito do outro agir a colocaram ali. Nua em sua cama imaginando o sexo entre eles que no momento era o sexo de seus sonhos. assustou-se ao notar que naquele ponto de sua vida, naquele ponto em que transava sozinha ao dar para o ar com as ancas aceleradas no rebolado, naquele ponto em que grudou o pescoço com sua mão cansada de revesar entre quase rasgar suas coxas e penetrar seu cuzinho, naquele ponto em que sua traqueia ficou presa em um aperto perigoso era o único que importava.
  Mente fora de controle. O cabelo embrenhou-se mais pelo atrito constante com o lençol todo bagunçado e amassado. Os dedos berravam por sua misericórdia, as pernas não aguentavam mais a tensão que a bocetinha alastrava para o resto dos músculos.
  Se esforçava mais e mais levando seu corpo a um limite ainda não conhecia. a levava por um caminho doloroso e confuso que a dava um prazer puro e animal, perdida em uma nível de excitação que fazia seu coração quase desmaiar de tanto bombear sangue.

     "Está gostando ? É gostoso esfregar o dedo na sua bocetinha?"

     A voz correu o interior de seu crânio sem chance de ir embora. A testa suava e o tecido que cobria a cama grudava em suas costas. Deixou toda a dignidade para trás ao gemer alto em seu quarto sem preocupar-se com o vizinho que fez barulho abrindo sua porta. Que fosse ouvida, ela estava muito se fodendo para isso.

     "Você vai gozar, ? O que vai te fazer gozar?"

     Odiou estar sozinha. deveria estar ali para assista-la, para apreciar todo o esforço que fazia para ser uma boa garota para ela. A ideia de ser a garotinha de acertou os parafusos que voaram para longe prejudicando qualquer resquício de comportamento racional. A garota estava praticamente sem condições de continuar a batalha que o dedo anelar travava em seu grelinho. Sua salvação seria gozar logo de uma vez, porém, ainda precisava de um estímulo a mais que não havia encontrado.

     "O que vai te fazer, heim, ?"

     Mas o diabo do homem não a abandonou. Estava vivinho da Silva na cabeça da desesperada de garganta seca e dedos doloridos. Sentiu o último fiapo de razão ir embora assim que travou a mão no pescoço com mais fervor, decidida de que o enforcamento era o fim de tudo. O aperto na garganta que tanto via na internet era sim um gosto particular e a fazia sentir uma pervertida de primeira, descobriu gostar daquele aperto.

     "Eu vou gozar, porra!"

     O gozo desliza por nosso corpo. Há um anúncio prévio e junto com este uma última partícula de força que vem das profundezas do útero para dar aquele último boost no clitóris para que tudo se arrebente. É uma explosão na vagina que se alastra para o resto do corpo e traz aquela doideira sem explicação para cada célula. Um orgasmo é um palavrão gritado, não dá pra ficar pensando em formas poéticas de descreve-lo. A mulher não vai ser poética no meio do orgasmo, não vai recitar um poema ou pensar em palavras difíceis que só são encontradas em dicionários antigos para. Ela vai fazer aquilo que fez.

     As cordas vocais produziram os urros, os gemidos ou seja lá o que for que a garota proferiu quando sentiu seu clitóris quase rasgar e tudo embaixo de si molhar. O dedo prosseguiu corajoso até que o corpo desligou-se pelo uso excessivo de esforça. A mão travou e os pulmões trataram de fazer a menina respirar rapidamente para recuperar a sanidade.   Num flash acelerado todas as características e atitudes tomadas durante a masturbação correram sua mente e ela teria levantado para anotar cada coisinha se não estivesse morta e largada na cama sem condições para existir. Cerrou os olhos compenetrada e ainda pôde perceber a contração compassada em sua vagina e um pouco de líquido ainda escorrendo em sua bocetinha gozada.
  Precisaria beber uns cinco litros de água para recuperar sua hidratação e de uma memória capaz de não esquecer os detalhes tão vivos na ponta de sua língua. Tá vendo? tinha de estar ali ao seu lado para abrir a boca e despejar todas as novidades que não sabia sobre si. Rezou para algum deus que não achasse a situação ofensiva para que não desse um branco total na hora de falar tudo aquilo para .
  E também rezou para que perdesse a vergonha, pois certamente iria olhar para a carinha simpática de e querer sumir da frente dele antes de contar em detalhes como se masturbou e gozou feito uma desvairada.
  Por qual motivo tinha aceitado a tarefa, mesmo? Ah é claro, pelo fato de retorcer sua cabeça e vulva e a colocar num modus operandi totalmente sexual.
  Procurou pelo celular e quase chorou quando o viu na penteadeira. Toda quebrada levantou-se e foi para o aparelho para instantaneamente voltar para o macio do colchão. Quase chorou uma outra vez ao ver as horas que indicavam a necessidade de se arrumar para ir cumprir com as obrigações da vida adulta.
  Iria gozada sem tomar banho e só Jeová poderia julgá-la.

     

xx

  

A graça de ser uma pessoa besta é justamente encontrar outra pessoa besta e juntas aproveitarem a bestisse em seu ápice. e Yeva Valinski subiam a avenida movimentada soltando risadas que fariam qualquer senhora mal humorada virar a cara. Chamaram a atenção por onde passaram pelo pequeno escândalo que faziam no caminho até o apartamento de .
      não foi uma garota com sorte na vida e as amizades eram um tópico cheio de trágicas histórias que quando contadas mais pareciam histórias cômicas. Pelo menos, apesar da raiva e revolta que aparecia de vez em quando, aprendeu a rir delas. Com o ano escolar rolando mal conseguia falar com a amiga caloura em Farmácia e o amigo quase formado em Engenharia Mecânica. Mesmo batendo aquele casual papo com os dois em alguns dias da semana sentia muita falta de alguém por perto, alguém na cidade para dar uns rolês, assistir um filme e comer fora.
      não se tornou exatamente um amigo. Era mais um quase ex ficante com quem ela se deu bem e criou um pouco de intimidade. Além do mais realmente desejava uma amiga. Uma garota com quem ela pudesse reclamar das mais variadas coisas que só uma amizade feminina pode oferecer.
     Reclamar da calcinha enfiada no rabo. Pedir socorro quando o sangue mancha a cadeira. Chorar pelos carinhos do Tinder. Chamar de demônia e puta, mas com amor. Ajudar a descolorir a raiz do cabelo. Dar uma real sem medo de ofender. Furar o regime juntas porquê não são obrigadas a ser fitness. Apoiar as decisões da outra, mesmo quando são meio bostas.
     Todos esses clichês, mais alguns deles e até mesmo algumas outras situações que de clichê possuem nada. Precisava de uma companheira e de uma parceira, afinal, sua vida não poderia rodar ao torno dos recém conhecidos. O resumo básico é que precisava de Yeva. A novidade, é que Yeva também precisava de .
     A jovem Valinski fez tanta merda durante um período de poucos anos em sua vida que sumir da terra natal foi necessidade ao invés de escolha. escolheu para onde ir, Yeva foi para onde pôde. Ao entrar no ensino médio em uma nova escola deparou-se com um mundo novo, poderia escolher novos amigos e até mesmo incorporar uma nova personalidade. E caramba, como Yeva enfiou o pé na jaca!
  Escolheu participar da pior rodinha possível e para assegurar a popularidade aceitou desafios deveras impróprios para sua idade. A questão é quando mergulhada na adrenalina buscava por mais e mais. Beber cerveja e fumar um cigarro era a coisa mais trivial do universo e os novos amigos não eram simplesmente más companhias, foram as piores escolhas possíveis. Meteu-se em tantas encrencas, deu tanta dor de cabeça para os pais e para si mesma que quando deu por si já era quase tarde demais. Felizmente deu tempo de fugir.
  Yeva não chegou a terminar o Ensino Médio, os pais até entenderam e preferiram providenciar ajuda para a filha que misturava a realidade com as mentiras que inventava para se safar do prejuízo de suas decisões. Quase se meteu num rolo gigantesco de tráfico de drogas e por questão de minutos não foi parar dentro de uma viatura.
  Um carinha quase da sua idade, de jaqueta jeans e boné de time de futebol percebeu a jovem Valinski se metendo numa enrascada gigantesca como acessório de um crime que nem fazia ideia de que cometeria. Chegou sem aviso e a tacou nas costas como um carneiro. Ela tentou berrar alto, mas ele não permitiu. Apenas a soltou quando chegaram na porta da casa da menina para entrega-la para os pais. A dedurou sem dó e Valinski jurou que o odiaria para sempre.
  Mentira. Iniciaram uma amizade confusa que acabou no namoro de quatro anos. Yeva estava ali há pouco mais de um ano e nesse período teve apenas o namorado ao seu lado. Lavou sua alma do passado, mas ainda morria de vergonha. Esperava encontrar alguém para recomeçar o ciclo de amizades, alguém que não fosse arrasta-la para a merda. Alguém como .

     As duas estavam paradas lado a lado em frente a bancada da cozinha analisando panfletos de lanchonetes, pizzarias e restaurantes que faziam entrega e passavam cartão. O constrangimento que ambas temiam nem chegou a aparecer. A idade próxima, o passado atribulado e a necessidade de alguém as deixaram confortáveis e uma sintonia natural as uniu.

     - Eu voto em frango frito, sem medo. - Yeva decretou esperando por uma resposta de .   - Eu provavelmente vou comer demais e passar mal. Mas, tudo bem. Vamos pedir frango frito. - Valinski riu da preocupação da outra e começou a pensar no combo que pediriam.
  - Não se preocupe, . Hoje é dia de fazer gordice, ficar com a barriga inchada é o de menos, pelo menos ficamos juntas. - sempre perdia a noção da vida quando comia coisas como frango frito e acabava indo dormir com a barriga a matando. Prometia comer saudável pelos próximos vinte anos, mas sempre falhava.
  - A gente vai almoçar salada amanhã. - Yeva achou a preocupação de meio engraçada, a garota era mais desligada do assunto peso - Você liga? Eu tô sem crédito.
  - Sim senhora. - Yeva correu para o sofá, tirou seu celular da bolsa e discou os números do local e fez o pedido grande demais para as duas darem conta.

     Enquanto isso passou a fuçar no próprio aparelho buscando algo para distrai-la. Mexendo no whatsapp deu de cara com uma mensagem não lida de . Ficou apreensiva, ela havia esquecido completamente do engenheiro mais novo. Não queria climão com e mesmo com ele prometendo que nada ficaria estranho entre os dois temeu que a coisa ficasse meio embaçada. Ao ler a mensagem percebeu estar errada.

     “Hey, . Só pra saber se está tudo bem, se quiser conversar estamos aí, bjs.”

     Na conversa com desabafou o fato de não ter para quem contar as suas novas aventuras. Ela não queria despejar todos os sentimentos e coisas que passava em sua cabeça na cara de sem nem o conhecer direito e confessou para que ele era o mais próximo de um amigo no momento. Até chegou a perguntar para se poderia encher seu caso precisasse. Com um sorriso enorme o garotão respondeu que sim. gostava de e a enxergava como mais que uma ficante. A garota era gente boa e legal, te-la por perto seria sempre divertido. E ele foi sincero ao oferecer ouvido, não era estratégia para saber dos rolos de com para tirar vantagem. Não quis ser cuzona com ele, mas tinha Yeva para ouvir os dramas e safadezas e sabia que a nova amiga chutaria a bunda de no quesito ouvir história de macho.

     “Tudo certo, nerdzinho. E você? Valeu por lembrar de mim, mas estou com uma amiga nova aqui em casa. Mas, tô te obrigando a ir tomar sorvete comigo essa semana. Beijo.”

     Yeva enxergou o sorrisinho sem vergonha pendurado no rosto de e a observou digitar no celular julgando seus movimentos e tentando entender o quê passava ali. Esperou a amiga deixar o celular num canto e ir atrás dos pratos para encher o saco.

     - Tava trocando mensagem com quem, posso saber? - o tom de ciúmes foi forçado e caiu na risada.
  - Tá com paciência pra ouvir o rolo? - levou dois pratos para a bancada e foi procurar pelos dois copos de vidro da Coca Cola - Porque a história é meio longa.
  - Minha filha, olha pra minha cara de quem tem alguma coisa pra fazer a não ser ouvir teus rolos. - Yeva levantou com pressa e arrastou para o sofá. Sentou a li e já ficou atiçada, aquele sofá nunca mais seria o mesmo - O frango chega daqui quarenta minutos, abre a boca.
  - Tá bom, tá bom. - organizou a cabeça pensando por onde começar - Eu estava no shopping comprando roupa, fui pra fila toda saltitante e de repente esse carinha fala comigo.
  - Poderosa! - Yeva atropelou e a olhou com cara de quem comeu e não gostou, cara que fez Yeva rir.
  - Cala a boca e me deixa contar!
   - Tudo bem, estressadinha, pode falar. - não tem coisa melhor que amiga sendo abusada no meio das fofocas.
  - A gente conversou na fila e combinou de comer algo. Ele estava com alguns amigos, mas nem falei com eles. Comemos e ele veio me trazer e a gente… - havia beijado pela primeira vez há poucos dias e ficou surpresa ao notar como pulou de um para o outro com certa rapidez - A gente se beijou lá embaixo em frente ao portão. - Valinski abriu a boca super jogada no clima de pegação e paquera.
  - Adorei, já chegou chegando. - Yeva só ouvia as histórias que o namorado contava sobre os amigos, não aguentava mais rolo de marmanjo, era ótimo finalmente ter caso de bofe pra ouvir.
  - O fogo acendeu e a gente já combinou de se ver no outro dia, ele veio aqui pra casa. A gente se pegou na porta e na bancada e no sofá, mas, ele recebeu uma ligação urgente do trabalho e teve que sair. Fiquei largada aqui querendo morrer. - só de lembrar da tristeza daquele dia já ficou com vontade de chorar, foi horrível. O trabalho da trupe era o pior caso de empata foda do mundo.
  - Eu não acredito nisso! E daí? Vocês se viram depois, né? - Yeva falava como se assistisse uma novela mexicana.
  - Sim, eu fui pro apartamento dele e começamos a nos agarrar, arrancar roupa e tudo. Nenhum dos dois aguentava mais esperar, até que os dois melhores amigos dele abriram a porta do apartamento e nos pegaram no flagra. - o dia mais embaraçoso da sua vida. Ela semi nua se esfregando num pinto duro pra dois marmanjos chegarem e assistirem a cena de camarote. Mas, já havia passado e ela não iria reviver o constrangimento de novo.
  - Eu tô passada, sério. Que porra de azar é esse?
  - O trabalho do é confuso, ele trabalha com os amigos numa montadora fazendo um projeto todo secreto e eles têm essas reuniões e ligações do nada e enfim. Fui pro quarto dele enquanto os três resolviam as pendências. Depois de duzentos anos os dois foram embora e a gente finalmente transou. - a transa com … uh la la! Foi daquelas de tirar as teias de aranha com vontade.
  - Hm, então o nome do Don Juan é . - Yeva fez sua melhor cara sensual e gargalhou alto - E depois da trepada vocês continuaram se vendo?
  - Aí entra a parte confusa da história… - não fazia ideia de como explicar o resto.
  - Para de enrolar e me conta, sua diaba!
  - Diaba é você, sua curiosa. - troca de carinho mais singela.
  - Olha aqui me conta logo se não você vai ver quem é diaba aqui nessa bagaça! - organizou toda a história de novo, porque era fácil demais se perder nela.
  - Eu acabei me interessando pelo amigo, . E nós nos pegamos ontem aqui em casa. - mordeu a boca e engoliu em seco, a vontade de se masturbar veio loucamente e fortemente.
  - Você trocou o cara pelo melhor amigo dele? Adoro! E como ficou o rolo?
  - Tá tudo certo, conversei com o e ele entendeu, não foi um otário escroto comigo. Inclusive foi ele que me mandou mensagem perguntando se tava tudo bem. - quantos likes esse merece? Não muitos, alguns por ter sido camarada, mas nem tantos já que não ser escroto é meio que obrigação.
  - Já adorei o menino, pode apresentar pra mim. Mentira, eu tenho namorado. - Yeva era bem humorada demais e começou a adorar ouvir as besteiras que saía da boca da outra - É bom demais encontrar uns caras assim, eu só me meti com enrosco até conhecer meu boy.   - Nem me fale, na minha cidade só tinha merda. Agora eu estou nessa parte confusa onde estou conhecendo o . - travou na hora de contar a parte realmente complexa da história. Ela até tentou pensar num modo de contar os detalhes para Yeva, porém, notou que última frase dita pela amiga carregava algo meio obscuro de seu passado. A curiosidade foi subindo por sua canela, escalando as coxas, tomando sua barriga até chegar na língua - E a senhora tem histórias sujas com homens, então? Acho que é sua hora de abrir a boca.

     O sorriso de Yeva não foi tão divertido quanto antes, carregava um pouco de melancolia e ela até tentou disfarçar. Não deu muito certo, notou a mudança na expressão de Valinski e até se sentiu mal por abrir a boca na hora errada.

     - Eu tenho uns rolos complicados....
  - Não seja por isso, eu também tenho.

     Encararam uma a outra dividindo uma espécie de compaixão. não sabia das tretas de Yeva assim como Yeva não sabia as de , mas prontamente compartilharam empatia. Dariam um passo extra na amizade assim que abrissem suas boquinhas para escancarar o passado confuso e sofrido. Até fariam no momento se a campainha não tivesse tocado anunciando a chegada do frango.

     As duas realmente comeram demais. Deram cabo da porção de coxa empanada, da porção de polenta frita e da porção de batata frita, juntamente com os dois molhos que pediram. Yeva tentou dar uma de educada se oferecendo pra lavar a louça, mas a fez tacar tudo na pia e deixar para o outro dia. Capotaram depois do banho e de ficar mais um tempo no quarto rindo alto demais ao conversar sobre as presepadas qu
e se meteu em seu curto período na cidade.   O sono iria longe se o despertador de não tivesse berrado ás onze e meia da manhã. Yeva xingou o barulho e demorou a conseguir desligar o negócio. Enrolaram horrores na cama e tentaram traçar um plano do que fazer.
  Devidamente vestidas depois de quase um milênio se arrumanda voltaram a rua arrastando suas maletas cheias de maquiagem para almoçarem no shopping. prometeu que iria cozinhar mais e parar de comer fora quase todo dia, mas era tentador demais para resistir, além do fato de não sujar louça. Já bastava os pratos engordurados na pia.

     - A gente vai almoçar salada, vê se não esquece disso. - Yeva parou abruptamente encarando como se fosse mata-la.
  - Você não tá falando sério, né?
  - É claro que sim, viada. Agiliza que eu odeio terminar de comer e já ir pro curso.

  A praça de alimentação estava lotada por todos os lados. Cada restaurante com filas enormes, quase todas as mesas ocupadas. O cheiro de hambúrguer se misturava com o de lasanha e churrasco. Elas nem sabiam exatamente para onde ir. Avistaram a taquería e sua fila não tão gigantesca. Yeva olhou para e apontou o lugar com o pescoço e ouviu o estômago roncar.

     - Tacos tem salada, né? - perguntou para uma Valinski quase matando alguém por comida.
  - Esse é o espírito, amiga.

     As coisas entre e Yeva rolaram muito melhor que o programado. Uma noite juntas e já sabiam o suficiente sobre suas vidas para conseguir bater um papo íntimo e confortável. Mas, se existe uma desgraça entre meninas é que o papo sempre flui para pintos e obviamente a conversa entrou no mérito . Valinski não sabia da tarefa de , tarefa essa que não saía da cabeça de . Estava desesperada para falar com o mais rápido possível. Nem sabia se ainda lembrava de tudo que havia feito, só sabia que repassar a masturbação em sua mente a deixava acalourada. Bebeu muita Coca Cola para refrescar o corpinho e nada do fogo no rabo ser apagado. Não queria dispensar Yeva e nem arranjaria uma desculpa boa o suficiente que justificasse o fato de sumir para fazer algo que nem sabia ainda. Para a sorte de o telefone de Valinski vibrou na mesa e a menina demorou um pouco respondendo alguma coisa.

     - É o boy. - Yeva comentou sorrindo sem graça - Preciso encontrar com ele para resolver uns probleminhas, ele está me esperando lá fora. Não me odeie. - o problema que Yeva tinha para resolver não era tão grave assim, era somente seu namorado se certificando de leva-la até a psicóloga para acertar algumas coisas. Yeva decidiu deixar o detalhe de lado - Te pago um sorvete com calda extra depois.
  - Relaxa, Yeva. A gente se vê no curso. - Valinski sorriu aliviada e levantou sem saber como se despedir. Abriu um pequeno sorriso e deu um tchauzinho meio envergonhado e foi se misturando ao povo.

     E aí, ficou livre para dar um jeito no seu probleminha. Nada melhor que curar aquela suas pernas tremendo e sua cabeça largada em safadezas ao mandar uma mensagem para . Agarrou o celular como se fosse fugir da sua mão e os dedos suaram na tela do aparelho. Engoliu mais um pouco de refrigerante para hidratar a garganta novamente seca. Avisou a que havia cumprido sua tarefa. Deu ênfase ao fato de precisar conversar logo sobre o assunto antes de ir a loucura. Balançou as pernas com mais inquietude até receber a resposta de .   

  “Quando terminar sua aula de hoje me avise e me espere lá em cima. Preste bem atenção no seu curso, mocinha. Não quero saber de distrações envolvendo sua tarefa durante a aula. Se você ficar pensando sobre as coisinhas sujas que fez durante a aula eu vou ficar sabendo e a madame irá aprender um pouco mais sobre ficar de castigo.”

     Como é que se respira, mesmo? Ainda teria três horas pela frente até se encontrar com , talvez ela derretesse na sala espelhada e virasse uma poça de tesão no meio dos outros, mas tentou focar todo o ânimo para as habilidades com as cores.

     Mas, falando sério. estava doida para desobedecer e levar uns tapas na bunda.

Chapter 10 - Running in the Night with You

Nostalgia. Junto dela o sentimento de que algo estava diferente. A garota fixou os olhos nos mesmos detalhes vermelhos que chamaram sua atenção na vez passada e a cor quente encontrou abrigo tranquilo para ajuda-la entender o motivo daquele espírito nostálgico, daquela sensação de que algo havia mudado ou estava para mudar.
O estalo do interruptor a trouxe para a realidade. Arregalou os olhos brevemente e por menos de um segundo seu coração disparou. Encarou a paciência personificada em e acalmou-se. Esperou que ele puxasse o caminho ou autorizasse sua entrada, mas nenhum destes aconteceu. cruzou os braços e observou a menina a sua frente como se ela fosse um cubo mágico a ser organizado.

- Impressão minha ou você e o apartamento estão tendo um momento de tensão? - o sorriso discreto e atencioso do engenheiro a fez rir.
- Acho que ele não gosta de mim… - desvencilhou do olhar preciso de e observou o lugar que diferente de minutos atrás, estava iluminado. Iluminado do jeito , luzes baixas e discretas. Segurou firme a alça da mochila em suas costas e botou o primeiro pé para dentro.

Quando o encontrou no último andar do prédio do curso de maquiagem mal conseguiu controlar o nervosismo. A tarefa não saía de sua cabeça e ela ensaiava modos diferentes de como responder as perguntas de . Para o alívio de sua mente o engenheiro nem ao menos passou perto do assunto. Ele o esperava com dois copos altos e largos cheios de suco de laranja. disse ter escolhido laranja por ser algo padrão, normalmente as pessoas gostam. Mas, logo perguntou seu sabor preferido de suco, assim ele poderia escolhe-lo sem medo da próxima vez. respondeu ser morango ao leite ou abacaxi com hortelã, ambos bem gelados e com açúcar. jamais esqueceria as informaçõe, era um homem de boa memória.
Depois de uma conversa tranquila e pacificadora fez um convite à garota. A pressa em responder sim foi tão grande que quase engasgou com o suco. sabia ser impulsiva quando esperava por algo, estava meio agoniada para ter mais de perto, de poder reviver seu momento de toque íntimo junto dele, mesmo com aquele nervosismo e a vergonha cutucando sua barriga.
Pularam em sua casa para buscar roupas, não vivia sem tomar seus três banhos por dia e jamais chegaria perto de roçar em sem ter certeza de que estava tudo limpinho. Rondou o apartamento a procura do que precisava. A mochila estava mocada no guarda-roupa e seu método de socar tudo que via pela frente e achava necessário levar fez a mochila ficar cheia e quase não fechar. Quando chegou na porta lembrou de estar esquecendo escova de dente e creme da área dos olhos. Voltou com pressa e ainda descolou um extra, carregador de celular, afinal nunca se sabe.
Ao descer teve a impressão de que o tempo travou e não passava mais. A porra não descia, não chegava ao térreo, estava prestes a derruba-lo de tanto bater os pés no granito do elevador. Finalmente as portas se abriram e ela tentou respirar tranquilamente para evitar chegar no carro suada e afobada. Ao abrir a porta mostrou os dentes em fofisse e a fechou.

- Espero que vocês se entendam. - estendeu a mão dando a a autorização que ela, bestialmente, esperava.
- Eu também. - comentou baixinho ou caminhar em direção a cozinha. Parou em frente ao balcão e esperou que falasse algo.
- Venha! - por algum motivo sentia mais confiança quando via estender a mão para si. Segurou nos dedos longos do engenheiro e o seguiu pelo corredor escuro que havia visto da outra vez.

apertou outro interruptor e o corredor se iluminou. Mesmo esquema de iluminação e cores. Entrou pela porta de madeira escura entreaberta e deparou-se com um simples, porém, aconchegante quarto de hóspedes.

- Sinta-se em casa. - por mais incrível que fosse, ela se sentia. A ansiedade inicial foi embora ao ser contaminada pela hospitalidade que o quarto emanava - Tem toalhas ali na primeira porta e o banheiro é nesta porta aqui em frente. Não tenha pressa, ok? Como disse, sinta-se em casa.
- Obrigada. - ainda havia um estranhamento, a intimidade entre os dois não estava bem entrelaçada, precisavam conhecer muito mais um do outro. A noite serviria justamente para isso. se afastou sutilmente e encostou a porta. Ela mais que adorou a privacidade, nada pior que um homem que te sufoca invadindo seu espaço.

Acomodou a bunda cansada na beirada da cama e apurou o quarto como um scanner. Passou os olhos por todas as paredes e móveis na tentativa de absorver suas essências como se isso a fizesse conhecer o engenheiro melhor. Deixou a mochila cair no colchão e com dois tapas sincronizados no joelho levantou-se. As paredes dali também eram cinza, como se não tivessem sido pintadas e estivessem no cimento. A madeira escura de todos os móveis lembravam a mobília da sala e cozinha. Não reconhecia a figura pendurada na parede e sentiu falta dos detalhes vermelhos, ali os detalhes extras eram verdes. Uma planta que não sabia o nome, o tapete e a capa dos travesseiros.
Procurou pela tal primeira porta e pegou a toalha azul que estava por cima das outras. Olhou para a porta fechada do quarto e apurou os ouvidos para ouvir algo. Identificou um homem falando sobre esportes e o barulho de sapatos no chão distanciando-se. Aproximou da saída do quarto e apertou a maçaneta com bastante cuidado para não fazer barulho ao sair dali. O barulho ficou mais nítido e notou o jogo de cores na porta de madeira escura mais larga do corredor, aquela que ficava no fim dele. Só poderia ser o quarto do homem e ela decidiu que seria uma hora de ir ao banho quando ouviu ruídos de jatos de água vindo de lá.
Parou de besteira ao interromper a bestisse de evitar fazer barulho. sabia que ela estava ali, não precisava se comportar feito uma ladra a procura de um cofre. Com a toalha em mãos rumou para o banheiro. Não sentiu necessidade de trancar a porta, encosta-la era o suficiente. Pendurou a toalha no suporte de metal a sua frente e entortou a boca em aprovação para o boxe. Vidro jateado com listas verticais e todos os aparatos de metal. Pia larga e quadrada de porcelanato branco, um banco de madeira que por algum motivo a lembrava escoteiros, espelho redondo de bordas pretas e as típicas paredes cinzas escuras.

Despir-se foi uma tarefa complicada. Os calafrios causados pela diferença de temperatura só acentuaram as necessidades carnais da garota, necessidades que atiçavam seu cérebro em imaginar como as coisas rolariam com naquela noite. Deu graças pelo chuveiro ser a gás e quase gozou com a água quente que bateu pesada e fervente em seu lombo. Adorava transformar o banheiro em uma sauna e observar a fumaça tomando conta do ambiente. Deixou que um pedaço da sua franja se molhasse e tomou posse do sabonete esfoliante de frutas exóticas. O cheiro era maravilhoso, não mais maravilhoso que se perder naquele banho restaurador.
Perdeu o tempo, sempre o fazia. A cabeça foi parar em um universo alternativo que nada tinha a ver com ou sua tarefa, viajou para longe pensando no passado e contemplando a virada que havia dado em sua vida. Depois de tantos anos ela conseguiu sair do buraco em que nasceu e caminhava, aos poucos, para superar seus medos.
Girou a torneira de metal aquecido e deu passos corridos até o tapete. Passou a secar o corpo e depois de enrolar a toalha no corpo pescou as roupas no chão e saiu dali. Novamente no corredor, não ouvia mais barulho de chuveiro, mas as cores da televisão continuavam a iluminar a porta. Foi para seu quarto e largou as roupas no chão e as empurrou para um canto perto da mochila.
Devidamente vestida sentou-se na cama pensando no que fazer. apenas disse para ela se sentir em casa, mas ela não sabia bem como proceder dali em diante. Abriu novamente a porta para ir até o corredor. O caminhar foi lento e vergonhoso, seria muito mal educado ir ao quarto dele de supetão? Quando estava perto da entrada respirou fundo e deu duas batidas de leve na madeira.
Quantos batimentos cardíacos alguém pode ter por minuto sem explodir em um enfarte? Os pés dentro do cômodo tocaram o chão e a audição da garota atiçaram feitas a de uma raposa a procura de uma presa. chegou à porta e encarou a cidadã parada com as pernas inquietas e a boca franzida.

- Fome? - perguntou simplista.
- Mais ou menos. - sua barriga implorava por uma barra de Hersheys para controlar a ansiedade.
- Certo. - cruzou os braços e examinou ainda parada sem mover o pé para frente - Ei, você não precisa esperar autorização para circular pela casa, não precisa de um chamado especial para entrar no meu quarto. - ficou ali travada esperando por um convite como se fosse um vampiro de Buffy, a caça vampiros.
- Eu sou meio besta… - e lá estava a necessidade de se inferiorizar para justificar suas ações.
- Você só não está acostumada, é algo normal. Agora venha. - e naquela noite o ato de estender a mão para virou rotina.

A decoração do quarto das pessoas diz muito sobre elas e inclusive diz, ou neste caso berra, a diferença estrondante entre e . Toda a áurea sci-fi, futurista, nerd e jovial de apagou-se ao observar a serenidade e simplicidade do quarto do engenheiro mais velho. Mesmo estilo de parede, roupa de cama cinza. Dois criados, duas luminárias, alvo de dardos em uma parede, cama ao chão, duas pilastras de concreto, uma planta perto do tapete azul marinho e praticamente mais nada. Talvez seu local de trabalho com notebook e coisas de escritório fosse em um cômodo separado, adultos gostam de separar prazer de trabalho.

Demorou para notar a vasilha gigante de vidro em cima de uma mesinha perto da parede atrás de si. O vidro repleto de Ruffles e duas garrafas de um litro de Coca Cola. Algo que não entendia era gente que vai no mercado e compra duas garrafas de um litro ao invés de uma de dois litros. Anyway....

- Não costumo fazer isso, mas hoje é um dia especial. - sorria por várias vezes quando perto de , poderia até parecer falsidade para atrai-la, mas realmente não era. Tê-la ali o deixava alegre.
- Especial? - ela quis rir, mas se conteve.
- Claro, é a primeira vez que você vem até aqui com a bandeira branca devidamente levantada. - lembrou-se dos pequenos shows que armou no apartamento do homem e quis rir mais ainda. A risada desta vez não pôde ser contida.
- Então você não é de comer Ruffles? - as lombrigas se assanharam e foi sutil até a vasilha roubar um pedaço da crocância dos deuses.
- Eu sou, mas não sou de comer na cama. - o homem foi até as garrafas e as pegou - Pode pegar a vasilha, por favor? - ela poderia devora-la. Deu um jeito e arrastou a mesinha para perto da capa. Deixou ali as garrafas para abri-las e relutante devolveu as batatas ao seu lugar. Mas, logo pegou mais uns pedaços e socou na boca.
- Minha vó odiava quando eu comia na cama ou no sofá, ela tinha um problema sério com formigas. Aliás, insetos no geral. Sempre com telinhas na janela e panos com veneno na porta. Pare de me lembrar minha avó. - saiu como um aviso mandão e o acatou rindo.
- Gosto de como eu volta e meia te lembro de pessoas idosas. - a falsa mágoa dele ligou o interruptor de sapequisse de .
- É melhor que você lembrar meu pai… - era pra ser uma piada, mas pegou fundo em . Mas, que bela hora para ficar sentimental.
- Ei? Posso saber o motivo da mudança de carinha? - largou a postura afundando a bunda no colchão. Deu uma longa golada no copo e tentou manter a pose digna.
- Às vezes eu tento ser descolada ao falar de pais e não dá muito certo. - notou a vergonha colorindo as bochechas com pintinhas.
- … - respirou fundo. Não queria intrometer-se mais que o recomendado nem atropelar todas as coisas, mas era hora de tomar um posicionamento - Nós estamos entrando em algo aqui. É algo pessoal e eu sinto que você quer dividir intimidade comigo, mas que há ganchos do teu passado te prendendo. Talvez conversar sobre eles te ajude. - as palavras não foram inquisitórias como ordens. mordiscou mais batatas sabor salsa e encarou o bigode raspado de procurando um jeito certo de abrir a boca.
- Eu nem sei como começar a falar alguma coisa. - o riso foi puro nervosismo - Só quero que você entenda que a morte dos meus pais não é realmente meu maior problema, na verdade, é o que veio depois…

Ah, mas não gostava de entrar naquele território. Quando passava as fronteiras para o passado raramente voltava bem humorada e com o rosto sem lágrimas. Eram tantos traumas e memórias ruins para dar conta. Talvez estivesse certo em propor que ela desabafasse, liberasse as ânsias e dividisse-as com alguém.

- Não estou forçando, tudo bem? Só quero que se sinta a vontade para falar, tenho problema algum em te ouvir. - decidiu aceitar a proposta. A confiança que o homem passava era forte demais para ser ignorada.
- Eu tenho vagas lembranças de quando pequena, muitas delas envolvem a escolinha que eu estudava. Desde lá eu experimentei o lado ruim das pessoas, mas eu nem entendia direito. Eu mudei de escola depois, morrendo de medo. Eu era uma criança introvertida que gostava de morar na minha própria cabeça. Aquele bando de criança nova me assustou demais e eu, inocente, achei que poderia ser amiguinha de todo mundo. Literalmente eu não fui. - mais nervosismo transformado em sorrisos e barulhos nazais - Eu sofria muito bullying, . Eu odiava aquele lugar, odiava aquele povo e me agarrava ao máximo aos poucos amigos que eu tinha. Isso me quebrou, eu tinha zero confiança nessa época e vários problemas vieram dali. E então meus pais morreram… - estalou a língua tentando não apelar demais no drama. observava as expressões da garota com cuidado, tentando notar como as lembranças influenciavam em seu modo de se comportar. Não fosse a Coca Cola, já teria secado toda a garganta.

- Eles morreram bem naquela época horrível onde meninas estão virando mocinhas. - bem ouviu o tom de nojo usado naquela parte da frase - Eu era como qualquer menina daquela escola, eu queria atenção, me sentir bonita, saber que me achavam bonita. Mas, volta e meia eu saia na lista das meninas mais feias da sala e ninguém queria dançar comigo no festival da primavera. Meus pais entendiam o drama quando eu chegava em casa, mas minha vó não ligava para isso. Nem era por mal, mas machucava, sabe?
- Sua avó não levava a sério o fato de você passar por isso, não é mesmo? Te enxergava como criança e que não era hora pra esse tipo de drama? - se lembrava de sua avó o tratando feito um bebê, e não qualquer bebê, mas sim o mais bonito e maravilhoso do universo.
- Basicamente, era um saco - revirou os olhos sem nem notar - Eu desisti de conversar com ela e para a história ficar mais clichê, minhas amigas eram justo como eu. Nós morríamos de raiva das populares consideradas gostosas e tínhamos raiva dos meninos imbecis que se achavam os reis jogando futsal e ouvido as músicas de Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio. - desta vez riu alto e jogou um Ruffle na cara dele.

- A coisa foi se complicando. Minha auto estima na merda, choro antes de dormir e vontade de sumir do mundo. Eu não era igual aquele povo, eu não me encaixava. Além do mais, eu era uma péssima mocinha. Minha vaidade apareceu tarde demais, meus peitos não cresciam tão rápido. Descobri que aquele não era meu lugar e desejei com o inferno fugir dele.

quis dizer que sentia muito, mas preferiu calar-se. não precisava de sua pena e sim de sua capacidade de cuidar e de faze-la perceber que era tão importante e bonita quanto as garotas que a causavam pesadelos.

- Eu superei a merda que foi até a oitava série. Pra mim aquele povo estava morto, eles pediram para me expulsar dali, eles arrebentaram com a minha cabeça e minha auto estima, E eles fizeram com que eu quisesse não existir. Mas quando eu pude sair daquele inferno de colégio católico do caralho que não prestava para nada além de fazer playboy e patricinha se acharem mais que outros, eu senti que poderia vencer… Senti errado.
- E então? - optou por não se intrometer, deixaria falar até enjoar.
- Chegou o ensino médio, o antro dos hormônios enchendo todos os cantos. Tinha uma necessidade idiota de chamar atenção dos garotos e dava cada passo pensando em como eles queriam que eu os desse. Eu fiquei sequelada, . Achava normal deixar os meninos me influenciarem, achava normal me vestir para chamar a atenção e assim eu fui enterrando minha personalidade. Ela só me trouxe problemas, porque mante-la em um lugar novo onde as pessoas poderiam ter outra impressão de mim? - como aquele tempo foi uma bela de uma merda. fez amizade com pessoas tão diferentes de si que cada dia era um passo a mais para dentro do inferno - Eu até consegui ficar amiga das meninas populares, eu dancei Beyoncé de salto e vestido curto, meninos pediram meu telefone e eu tinha companhia pra sair no final de semana. E pra quê? Chegava em casa e o desgosto batia. Aquela não era eu.

Como a menina chorou, ela não entendia. Pior que isso, chorava sozinha sem ter para quem recorrer. Ninguém a entenderia e todos da família achavam que finalmente havia se encaixado como uma menina normal e que tudo estava bem, Não estava, na verdade, estava prestes a enlouquecer.

- Meu novo eu me fazia mal e meu verdadeiro eu só me trouxe problemas. Eu precisava tomar uma decisão e eu finalmente tomei, optei por seu eu mesma e deixar toda aquela bullshit que eu criei pra lá. Mudei de escola no outro ano e encontrei pessoas que se encaixavam comigo. O problema, é que algumas meninas malditas que me infernizavam no colégio de freiras estudavam lá. Elas se reuniram com gente feito elas e mais uma vez eu entrei no círculo sem fim de sofrer com a infernização sem fim. E sabe qual o problema?
- Me conte, . - ele estava desesperado. Assistir abrir-se daquela forma fazia com que quisesse interferir e coloca-la no colo. Mima-la até os confins do universo e repetir sem parar que ela não merecia nada daquilo. Mas tomar tais atitudes naquele momento não ajudariam e muito menos resolveriam o problema. Se ele fosse realmente agir como daddy para ela, teria que ter mais um pouco de paciência.

- Eles me quebraram. Foderam a minha cabeça. Eu me distorci por inteira, eles regulavam meu humor e a forma como levava meu dia. Me odiava e todo o rancor me faz um mal do caralho, eu só sabia julgar os outros como me julgavam, destilava meu veneno como desculpa para a injustiça que sofri. Eu não me amava e não suportava quem o fizesse, eu me detestava e queria encher de socos a cara de quem tinha auto estima. Todo esse comportamento auto destrutivo e rebelde me fez por o pé pelas mãos várias vezes. Principalmente quando eu comecei a realmente me envolver com garotos… - não entraria em detalhes nesta parte, não ainda. - Enfim, eu sou assombrada até hoje. Quando eu vou sair de casa e quero por tal roupa eu travo pensando neles e em como as pessoas lá fora vão reagir, o que acharão de mim. Eu melhorei, mas não o suficiente. Essas coisas influenciam no meu humor e me inibem. E aqui entra você.
- Eu? Eu tenho uma participação no meio da história? - a curiosidade saltou em e o tomou por inteiro.
- Sim, porque você faz eu sentir o contrário. Com você a última coisa que eu quero é me inibir e me esconder. Isto cria um conflito na minha cabeça. Parte de mim quer correr e se acha uma merda, parte de mim quer aprontar e tem confiança. Você desequilibrou as coisas e me fez pensar nelas, é isso que me deixa assim… Inerte e com cara de toupeira.
- Posso me sentir elogiado? - a garota atirou em um desdém gigantesco ao entortar a cabeça e lhe dar um dedo do meio caprichado.
- Não se ache. - tomou mais Coca Cola, falou demais e sentia a garganta cheia de areia. só conseguiu pensar que iria aumentar seu nível de celulite se continuasse a entupir de refrigerante.
- Falando sério agora. Não vou exigir que ignore suas lembranças e não vou passar conselhos inúteis de auto ajuda. Algo que nos penetra assim e distorce nossa visão não muda do nada. Eu sei que passou por isso sozinha e que aprendeu a lidar com isso sozinha, a questão é que agora você já viveu o suficiente com os traumas para saber que você não é nada do que te fizeram crer que era.
- Só consigo me sentir uma completa idiota. - abaixou a cabeça e olhou para seu all-star com o bico branco manchado de marrom. a descascou como uma laranja e a deixou exposta com as sementes ensopadas em seu suco ácido - Só sinto que nunca vou ser ninguém. Eu estou tentando, mas é como se fosse em vão.

Os anos passam, mas as marcas ficam. Tão clichê, mas é a verdade. As outras pessoas nem lembravam dos acontecimentos que remoía pelo menos uma vez por dia. Ela era a pessoa que sonhava acordada com o fim do pesadelo rezando para que não durasse para sempre. E não durou, realmente. Porém, outro tipo de sonho ruim a assombrou com o decorrer do tempo, o trauma. Ou melhor, os traumas.
Cada dia era uma luta contra a procrastinação e o desejo de desistir. Deixar tudo pra lá e aceitar a derrota. O problema é que não queria ser uma derrotada, ela precisava seguir adiante. Não era fácil, nem um pouco fácil. O sentimento de ser um lixo inútil a perturbava. O monstro do passado a atacava em momentos em que estava forte e prestes a meter uma voadora bem dada na cara do passado.
Então chegava a parte de remoer o sentimento de culpa, de ter deixado que a fizessem daquele jeito. sabia que as pessoas do seu passado, pessoas que a massacraram e a fizeram crer que era o ser mais imbecil do planeta Terra, viviam sem se importar com os outros, sem ligar para o julgamento alheio. A quebrada com a cabeça distorcida era ela e o pior, mesmo depois de tantos fucking anos ainda não havia superado a porra da síndrome de inferioridade. Caramba, era tão mais fácil se esconder da sociedade e ficar no quarto com as janelas fechadas.

- Sua cabecinha foi muito machucada, . - a tremedeira poderia muito bem transformar o corpo de em uma batedeira. Ela quis chutar o guarda roupa pela raiva da impotência, impotência por não possuir uma solução instantânea para as agonias de - Machucados na pele a gente passa remédio e espera cicatrizar, machucados como os seus precisam de muita mais atenção e cuidado.

A garota deixou de tentar eliminar a sujeira do tênis com os lasers inexistentes de seus olhos e passou a admirar a cara de gente séria e linda de . Era muito carente sentir uma súbita vontade de abraça-lo e morder suas bochechas?

- Eu posso fugir de toda essa merda hoje a noite, aqui com você? - com a carinha digna de Gato de Botas e um brilho holográfico nos olhos tentou esconder a vergonha pela cara de pau ao cruzar os braços ao redor dos peitos. não queria ir além e ultrapassar barreiras, mas já era hora de avançar um cadinho na relação.
- Sim, mocinha. Eu quero cuidar de você.
E a vontade incubada de agarrar foi curada quando abriu os braços e se jogou nele como um Golden Retriever choroso. Trouxe o traseiro mais para frente e ficou de joelhos ao passar os braços pelo pescoço de . A menina o apertou firme, tomou conta do pescoço e quase o deixou sem ar. A pele do engenheiro era gostosa de roçar, o cheiro de roupa lavada a fez sentir-se em casa. não era mais um estranho, alguém que te faz tão bem não pode ser chamado de estranho. Era um tanto surreal esquecer da vida conforme tomava sua cintura e fazia um carinho compassado e sutil em sua cintura.
não queria sutileza. Deixou tudo para trás e levou a sério sua promessa de fugir da realidade por aquela noite. Forçou o corpo no homem que mal preparado capotou para trás e caiu com a cabeça no travesseiro. poderia tomar muitas decisões no trágico momento, mas sua reação foi rir. Ela estava feliz! Compartilhou sua alegria com e o cômodo em uma gargalhada alta que iluminou o ser de que não resistiu aos risos galopantes da garota. Com cuidado puxou o rosto da pestinha para cima e encarou a testa franzida e os dentinhos de fora. Se ele precisava de algo para a noite ser maravilhosa, esse algo era aquela risada extremamente sincera, aquela carinha sapeca e aquela garota o deixando fazer parte de si.

- É muito egoísta e mimado eu sentir essa coisa dentro de mim? Querer ser cuidada por você? - essa era outra parte que deixava inquieta. A questão de julgar o desejo de ter para pega-la no colo e enche-la de carinho.
- , de forma alguma. Todos merecemos cuidado e você não pode e nem deve se sentir mal por desejar o que eu quero te dar e você quer receber. - não pesava pouco, tinha as pernas longas e mais parecia aqueles cachorros grandes que sobem na cama e ocupam todo o espaço, mas nem ligava para o fato dela estar em cima de si.
- Toda essa coisa de daddy me deixou meio eufórica, não quero ficar banalizando o fetiche alheio. - ele precisou rir. Mas riu contido para não passar a impressão de zomba-la.
- Não é só fetiche, é um jeito de levar as coisas entre duas pessoas. Nós vamos precisar descobrir nossa sintonia, nosso ritmo, nosso próprio jeito de levar as coisas. - a vontade de tocar os cabelos mal penteados foi maior.

sentia-se enfeitiçado, para ele possuía algo especial que o deixava, sei lá, perdido. Nem poderia entender o fato de não se perceber da forma como ele a percebia. Deixou os cabelos para apreciar sua cintura, a pouca pele exposta pela blusa que subia pela barriga sentiu seu toque gentil. , a intensidade em pessoa, interpretou o leve passar de mão em si como um desfibrilador bem carregado. não deixou o tremor passar em branco e suas pupilas dilataram ao conceber que a garota reagia eletricamente a sua presença.
Desejava que ela ficasse ali, naquele momento não lidava com a ideia de sair de perto de seu corpo. Precisava de o mais perto possível, necessitava trocar o mesmo ar que ela e absorver sua essência. De que forma ele poderia dizer isto ela? Como seria possível tentar fazer a garota entender o quanto ele queria faze-la sua?

- Eu acho que vou gostar de tapinhas… - a frase saiu de forma tão espontânea que ela engoliu o riso e fez um barulho extremamente engraçado com nariz. O barulho lascou mais ainda e passou a rir. Essa coisa de rir quando o nervosismo bate era especialidade dela. por sua vez sentiu zero vontade de mostrar os dentes e rir.

A confissão foi mais como dardo envenenado cravado em seu pescoço. O veneno distribuindo-se pela corrente sanguínea e afetando seu sistema nervoso. A desgraçada não fazia ideia de como o deixou o engenheiro perturbado, sua derme inflamada pulsando e provocando reações não controláveis. era cheio de paciência, mestre da discrição. mas existe um limite para tudo. Tomou ar e o deixou sair. Travou a língua e a levou ao céu da boca.
Seus dedos clamaram pelo cabelo de e ele obedeceu ao chamado de sua mão e enroscou os fios de trás da garota entre as falanges. arregalou os olhos e engoliu a expressão entorpecida do homem. Congelou o corpo e ficou esperando o próximo passo. A pele de ambos esquentaram e o leve encostar dos corpos provocou faíscas levando o desejo ao seu ápice.
O homem esticou as pernas e as travou perto dos pés de . Ela levou-se mais para frente e invadiu o espaço entre o pescoço de e o travesseiro tomando toda a pele daquela região em seus braços. A mão desocupada de não quis ficar isolada da brincadeira. Guiou o dedão e o correu pelo lábio superior de uma que não era capaz de piscar ao engolir o rosto concentrado do engenheiro. O mundo era uma porra fodida e cruel, mas no meio da desgraça e dos traumas há espaço para ser feliz e a luxúria é sempre bem vinda. Quando o maldito prendeu os dedos na boca de e a apertou, ela tomou conta disso. E finalmente quando o desgraçado grudou seu quadril e fez questão de tomar conta de sua bunda sem medo de exercer muita força e seu pau claramente endurecendo pressionou-se em sua virilha, ela teve certeza.

Ela poderia ser feliz.

Foi natural a vontade de rebolar o traseiro no volume a perturbando e mais natural foi usar da mão prendendo o cabelo para aproxima-la mais ainda e desfrutar a boca faminta por língua e saliva. Lábio preenchendo lábio e o tesão tomando forma no beijo. deixou o trauma e o medo ir embora e se entregou a criatura que fazia sentir-se tudo que ela sabia que realmente era. não sabia como proceder, desejou ter mais mãos para aproveitar toda existência física da garota. Sentiu falta de oxigênio, mas não cogitou abandonar o beijar encorpado que escorria prazer. Prazer, de Ruffles a um beijo em , o engenheiro delicioso que a molhava apenas por lembranças. adorava sentir prazer assim como adorou quando os dedos do homem impactaram em suas nádegas. Ela bem sabia que iria gostar de levar uns tapinhas. Tanto gostou que perdeu o ritmo no meio beijo, necessitou respirar e acabou por permitir que o gemido incrustado em seu ventre encontrasse a liberdade. Uma vez percebido pelos tímpanos, perdeu o resto de juízo, ele só quis saber de mais, fazer com que gemesse mais.

- Quer saber, ? - o homem respirava acelerado e sua voz não era a tranquila e serena de sempre, foi um som afobado e agudo - Acho que chegou a hora da senhorita me mostrar a sua tarefa.

estourou as TNTs presas à bocetinha de . Chegou a hora do ou vai ou racha e Minha só quis saber que ela iria rachar. Ah, mas ela iria rachar aquele homem no meio.

Chapter 11 - Look at my eyes

Paralisou por um momento ao reviver as memórias impertinentes de seu momento íntimo na cama nova de seu primeiro apartamento. Então era hora, não era? não interpretava a situação como obrigação, não sentia que estava sendo obrigada a dividir sua intimidade com , era quase o contrário, ela queria faze-lo de bom grado. A coisa ainda era meio turva, não sabia muito bem a razão de provocar em si faíscas cada vez mais intensas que a faziam querer se mostrar. Se exibir.    nunca foi exibida, pelo contrário. Ser o centro das atenções a deixava nervosa, a fazia suspirar e coçar os braços. Normalmente ficava no meio da roda quando zuada pelos chamados colegas de escola. Ela bem odiava quando os chamavam de colegas, meu Deus! Colega da onde? Aquele povo era a própria personificação de alguma desgraça demoníaca do quinto dos infernos.   Então o paradoxo criado pelo espírito de a desconcertou. Era muito, mas muito estranho mesmo, sentir tanta vontade de fazer algo que não gostava. Não gostava até então, ali no quarto do engenheiro estava mais que gostando da ideia de ser o foco principal da atenção do homem.
     - , saiba que…   - Que eu não preciso fazer se não quiser, blah blah blah. Ok, , eu já entendi essa parte da coisa toda. - a falta de paciência dela o fez arquear as sobrancelhas.
  - Ok… - o homem se recolheu em sua insignificância e arrastou-se para a cabeceira de sua cama, a parede. Sentou com as pernas cruzadas e inspirou-se para manter a tranquilidade de um monge.
     , sentada da mesma forma, porém virada de frente para o homem sabia bem quem ditaria o ritmo, ela mesma. O engenheiro deixou claro por tantas vezes que as coisas rolariam do jeito dela e quando quisesse que estava até mal acostumada.
  Algo intrigante, é que mesmo com o fogo alastrando por seu corpinho agitado ainda havia um rastro de vergonha a prendendo. Não é tão fácil assim deixar as amarras para lá e simplesmente se soltar deusa & diva para alguém, por este motivo, usou de uma tática interessante, fechou os olhos. Quando as pálpebras cerraram enxergou o negro, a ausência de luz limpou sua mente e os sons ambientes ficaram mais nítidos.
   observava cada pequeno movimento da garota, ele gostava de perceber como ela se comportava, como seu sistema nervoso tomava rumos diferentes dependendo da ocasião. A viu arrumar a postura e notou seu respirar compassado procurando criar um ritmo. se distraía fácil para diabo, um pequeno barulho poderia tira-lo de seu foco. Mas não ali. Ali ele possuía apenas um foco, apenas um elemento que merecia toda sua atenção. Seria difícil quando começasse a falar, seus olhos e ouvidos talvez não entrassem em sintonia, contudo, se esforçaria para dar um jeito. O homem mirou as pálpebras brilhantes de e cravou-se ali, enfiou-se na presença da menina.
      ainda pensava em como começar. Não havia um manual ensinando pessoas a fazer aquele tipo de coisa e quanto mais pensava, mais confusa ficava. Estar de olhos fechados, porém, ajudava bastante. Por um momento até esqueceu estar acompanhada, penetrou fundo em sua própria mente recobrando o mais sincero, o mais verdadeiro.
  Enlaçada por sua própria natureza e entrou em um ritmo quase perigoso. deixou seu sistema banhar-se em seu sensorial, notou como sua pele inflamava ao recobrar as sensações, como o prazer rodou por todo seu cérebro. Neurotransmissores fizeram uma zona em seus músculos e ela sentiu-se drogada, não que já tivesse usada drogas antes, mas é como se provasse uma carreira de cocaína pela primeira vez. ficou alta. E finalmente inspirou-se para abrir a boca logo de uma vez.
     - Eu sou acostumada a me masturbar, mas eu normalmente não faço cerimônias. As vezes é por tédio, as vezes é pra relaxar.
      sem perceber levou a coluna um pouco para frente na tentativa de aproximar-se. Contudo, ele mesmo criou uma separação invisível entre os dois. Queria dar espaço a menina e não dar a impressão que invadia seu espaço. era cheio dessas, preocupado em fazer o ambiente ser o mais amigável possível assim como proporcionar a maior naturalidade possível.
     - Mas eu nunca prestei atenção no que eu faço, não do jeito que você disse para eu prestar atenção. - tombou a cabeça para a direita e largou a coluna para trás. Precisou apoiar-se em seus braços e as mãos se espalmaram no colchão para segurar o peso de seu corpo. Um pouco mais solta, um pouco mais relaxada.
     - Eu normalmente não me penetro, as coisas no clitóris são tão mais… rápidas. Muitas vezes eu consigo gozar, sei lá, em uns dois minutos? É como se não tivesse nem graça. Tem alguns dias em que estou mais inspirada e até fantasio algum cenário e prometo pra mim mesma que vou gozar e depois tentar gozar me penetrando, mas quando o orgasmo chega eu fico com um pouco de preguiça e deixo pra lá.
     Ele não pensou que fosse dividir tais confissões, que ela fosse fazer uma introdução de seu jeito de se masturbar antes de contar como fora sua experiência, foi surpreendente. As palavras de atiçaram sua consciência de homem controlado. Ele não podia deixar-se distrair, mas pelo andar da carruagem seria praticamente impossível. Os sinais de eram muitos, a garota estava bem mais leve e pelo rodar descontraído do pé direito dela percebeu que não demoraria para estar completamente sexualizada escorrendo tesão por tudo quanto é lado.
  - E então você deu a tarefa. Eu estava em casa toda inquieta, eu não conseguia me controlar. Fazia tempo que eu não ficava daquele jeito, sabe? Com fogo. Fiquei com um puta fogo no rabo. - e começou a rir, mais que rir, ela começou a gargalhar. , como sempre, não resistiu às risadas espontâneas da garota. Deus do céu, aquela menina era uma coisa do satanás mesmo. Ele ficava parecendo um moleque tobó, o deixava assim, o fazia voltar no tempo e abandonar a coisa de adulto sério.
     - Aí eu fui pra minha cama, não sei por qual motivo. Eu poderia ter me masturbado em qualquer canto, mas ainda restava algo moralista em mim que me fez ir pra cama. E eu deitei lá e fiquei ansiosa. Eu estava sozinha, mas é como se algo estivesse me julgando. Engraçado, né? Homem bater punheta é tão normal, mas uma menina tocando a própria vagina é imoral. Enfim…
  Não que esperasse santidade e castidade da garota à sua frente, mas ouvi-la escrachar alguns termos era uma experiência nova, um pouco chocante. E também prazerosa, gostando de observar relaxando ao seu lado e abandonado qualquer peso que a puxasse para trás.
     - Eu costumo molhar meu dedo, mas eu nem precisei. Lembrei da nossa noite no meu sofá e foi o suficiente, lembrar me molhou e notar que eu já estava molhada me molhou mais ainda. - e riu mais uma vez, quase um show de comédia. desistiu de se sentir besta por rir, era seu jeito de agir e mudar não era uma opção. E além do mais, ela se sentia tão safadinha… e especialmente safadinha para . A ideia a entorpecia, o sentimento de poder a inflava de auto estima e isso era tudo que precisava para seguir adiante.
     Se por um lado a cabeça de rodava na montanha russa extremamente divertida de sua excêntrica tarefa, purgava numa ansiedade cruel. Veja bem, estava em sua missão mergulhada em si mesma, até então de olhos fechados, interagindo apenas com suas memórias e as sensações que essas causavam.
  Ele não, ele estava simplesmente preso na cama, não literalmente, atado a sua necessidade de equilíbrio mental, teimando contra sua própria biologia. Era uma situação complexa e inédita também para ele, nunca havia passado por algo assim. Não que se arrependia de ter inventado aquela artimanha que inicialmente deveria servir apenas de provocação para a garota e que no final das contas virou-se contra ele. Mas o resumo da ópera é que aquele satanás realmente não era fácil. E os olhos fechados da garota o instigavam, não dava para saber verdadeiramente as reações de , afinal os olhos expressam muito mais que movimentos corporais, que um leve sorriso ou as risadas constantes. Respirou fundo, tomou bastante ar e deixou suas narinas tranquilizando seu espírito agitado.
     - Eu também não tenho o costume, de sei lá, ser sexy enquanto me masturbo, sabe? Mas eu agi como se você estivesse me olhando e eu senti vontade de te seduzir. - mordeu a boca ao franzir a testa e não entendeu muito bem a ação da garota, mas nem tentou entender. Se ficasse fissurado em interpretar todo e qualquer movimento ficaria louco - Mas eu não consegui manter o foco por muito tempo, pois eu lembrei do sofá de novo, parando pra pensar acho que eu me guiei o tempo todo pela pegação no sofá, não dava pra evitar.
     A garota não lembrava com clareza de todos os seu movimentos, ela tentou manter nota mental de tudo acontecendo, porém, não deu. Só se tivesse se filmado e fosse assistir o vídeo posteriormente para estudar-se, mas não foi o caso obviamente.
     - O inevitável depois disso foi fantasiar. Eu fiquei com a sua imagem cravada, me guiando, ditando meu ritmo. Mas só a lembrança não foi suficiente, eu tive que ir além e imaginar o que poderia ter acontecido. Minha mente consegue abstrair fácil, acho que você já sabe disso. E logo foi como se você estivesse do meu lado dando uma de chato, você sabe muito bem dar uma de chato. - soltou um riso nasalado, quase ofendido. ficou com um sorrisinho escarnecido na cara, ela não o via mas sabia muito bem que o havia afetado - Era como se me perguntasse coisas que me fizessem focar no que eu estava fazendo, já que era difícil prestar atenção o suficiente no que estava fazendo para me lembrar depois.
     - Acho que acabei chupando meu dedo que estava enfiado lá por baixo, fazia um bom tempo que eu não sentia meu próprio gosto.
     Se tentava manter a dignidade até aquele momento, chegou a hora de falhar. Ele descruzou as pernas e fez questão de se levantar da cama, o sangue gelou como o de um réptil e sua musculatura passou a chacoalhar. Ele até sentia a carne se desprendendo dos ossos quase derretendo pelo chão como naqueles filmes de criaturas infernais dos anos oitenta.
      bem distraída por sua performance não parou para pensar em como havia progredido, mas ela não estava raciocinando racionalmente. Seu modus operandi agora deixava-se guiar pela naturalidade. O quê saia por sua boca saía porque tinha de sair e provavelmente o ritmo espontâneo não diminuiria dali para frente, não tinha noção mas estava prestes a expor-se de um jeito que não havia feito antes. E era melhor assim, raciocinar demais nessas horas mata o espírito da coisa.
     - Eu fiquei pensando em como meus atos poderiam te influenciar, mas como eu já disse, mesmo não estando lá de verdade você dava um de chato, foi como se eu te ouvisse dizer que era sobre mim e não sobre você. E a partir daí, sei lá. Eu fui mais bruta que o normal, eu estava quase arranhando meu clitóris, usei bastante força e quanto mais eu arrastava o dedo, mais vontade de eu sentia de aperta-lo.
     Os pés descalços do engenheiro poderiam deixar sinais no piso. Ele andava para lá e para cá como um parente de alguém que sofreu um acidente esperando por notícias positivas do médico em um hospital desses que aparece no Discovery. A experiência o desnorteava, sempre mantinha o cabelo penteado mas naquele instante uma coisa que seu cabelo não estava era arrumado. Os fios ainda meio molhados grudaram em sua testa e ali ficaram junto do suor. Talvez fosse uma boa ideia tirar a camiseta preta, mas deixei continuar usando a peça. Poderia muito bem ir de tirar a camiseta a ficar pelado… péssima ideia no final das contas. Agora sua atenção já estava fodida, não estava com cem por cento dela em , às vezes só a ouvia ao encarar o teto ou então de olhos trancados. Mas não como os dela, meditava com as pálpebras levemente fechadas, ele agonizava com as pálpebras completamente raivosas.
     - Eu fiz um monte de coisas, eu me apertei por todos os lados. Acho que isso me mostra que eu queria um pouco de violência… Igual aqueles gifs do tumblr, eu sempre os via mas não entendia muito bem o que queriam dizer, até porque eu nunca fiz nada daquele tipo. Lembro de ter apertado minhas coxas e de ter gostado daquela pontadinha de dor. Na empolgação acabei fazendo outra coisa fora do script, eu… - ok, mesmo jogada na naturalidade hippie acabou travando de um jeito ou de outro ao chegar na hora de falar daquele outro buraco em especial, buraco entupido de tabus. - Eu fui pro meu ânus. E é estranho falar sobre isso, já que ânus é o nome científico da coisa e o outro nome vulgar dá vergonha de falar.
     Para a sorte de seu apartamento possuía uma boa estrutura, se não a tivesse a parede a qual ele lascou o próprio corpo teria caído em dois tempos. Coçou a testa ao abaixar o rosto e encarar seus pés limpos. A tortura continuava ferrenha e sua cabeça rodava como a cabeça de um bêbado largado na calçada. Estava quase desesperado, quase. Ainda era uma pessoa contida, mas pessoas contidas têm seus limites. A mente extremamente criativa estava quase ganhando a batalha ao viajar para longe, ao criar um cenário fantasioso onde ele teria assistido a cena toda com toda a liberdade possível. Se ele cedesse ao desejo de viver a fantasia não ouviria mais as palavras surreais de , e ele não queria perder a verdadeira coisa que acontecia em sua cama. sofria por não conseguir prestar atenção em dois acontecimentos ao mesmo tempo.
     - Foi estranhamente bom e eu fiquei ainda mais excitada. Naquela altura eu já havia deixado toda e qualquer vergonha para lá. E eu não sei muito mais que isso, . Todo meu esforço foi para gozar logo de uma vez, eu não estava aguentando me controlar e não tinha condição alguma de prestar atenção em mais nada. Eu odiei estar sozinha, mas não tinha opção, não é mesmo? Rolei no colchão, me debati, falei sozinha e acho que gemi muito alto. E aí, eu gozei.
     “E aí eu gozei”. Ela se atreveu a ser tão simplista assim mesmo?
     Achou que estava em outro cômodo quando abriu os olhos. O sorriso em seus lábios quase convencidos sumiu. não estava à sua frente e ela entendeu foi nada. Virou o corpo procurando o homem e o encontrou encostado na parede no lugar da mesinha que foi arrastada para suportar o chips.
  Percebeu o homem bem afetado e nunca, mas nunca mesmo, havia visto afetado por alguma coisa, ele estava sempre com a cara simpática e contida de quem tem o controle do mundo, de quem pode assistir um furacão derrubar sua casa e não entrar em desespero. Não que ela o havia visto muitas vezes na vida, mas não condizia com seu comportamento habitual. Os lábios entortaram novamente ao sorrir um tanto contente ao perceber que sua tarefa ocorreu da melhor forma possível.
   não sabia o quão difícil era controlar uma ereção, se um homem consegue pensar forte sobre isso, se recitavam algum tipo de mantra para evitar a pau durência. Queria saber se suas palavras causaram algum efeito realmente físico no homem, mas não dava pra ver dali. Na verdade, ela nem conseguia ver o rosto de , o queixo do homem estava erguido e os olhos dele, fechados. A mão direita segurando a pele da testa e a mão esquerda na cintura como se o segurasse em pé.
     - E aí você gozou… - ajeitou o corpo na parede e as roupas ajeitaram-se junto. A calça de moletom fino e preto revelaram aquele tal efeito físico que queria saber da existência, assim como a camiseta também preta subiu um tantinho o suficiente para revelar que ali existiam alguns pelos e entradas um pouco marcadas guiando ao membro do homem. A tentação de visualizar de longe esses detalhes não chegava perto da tentação colossal pela qual acabara de passar.
  - Sim, eu não consegui mais prolongar a coisa toda. Não deu pra desacelerar e aí eu gozei… - visualizou em câmera super lenta o movimento muscular feito pela boca de ao pronunciar a palavra gozei como em uma hipnose poderosa.
      não enxergava como se estivesse em desvantagem por demonstrar seu estado crítico. Não era um jogo para ele, não era sobre mostrar quem aguenta mais ou para provar algum ponto. Na verdade detestava esses joguinhos onde um homem e uma mulher precisam medir forças ao fazer o outro ceder primeiro. Não, não, não. Essas besteiras não existiam no mundo de e ele queria mesmo que visualizasse o quanto o excitou em meio a sua frustração e luta contra a distração.
  - E você costuma se masturbar apenas na sua cama, é isso? - o suor escorria discreto pela testa masculina e os poros do rosto mostraram-se mais abertos.
  - Normalmente… - tentou relembrar seus costumes passados de masturbação, mas estava a desconcertando. Sabe quando você está se concentrando em algo e não consegue ouvir o que uma pessoa ao seu lado está dizendo? estava assim.
  - Acho que nós podemos testar algo novo então. - o engenheiro desgrudou o corpo da parede e deu míseros passos a frente ao chegar mais perto do corpo da menina. Ela ficou estática o encarando de cima a baixo de forma desorganizada - Divide esta intimidade comigo? Posso te assistir?
     O quarto rodou a frente de que caiu sentada na cama. Ela respirou bem fundo e encarou os pés que balançavam freneticamente. Acabara de se expor loucamente para ele, mas não de forma visual. teve um gosto do que seria assisti-la, mas teve de se contentar com uma hipótese, uma visão fantasiosa. O capetinha tomando conta de seu ombro cochichou que melhor que o fazer pirar ao ouvir só o fazendo assistir. A garota aprendeu bem rápido que judiar da sanidade do engenheiro era divertido.
  A rotina se repetiu assim que o homem estendeu sua mão para o tato de , a garota a agarrou levemente nervosa e percebeu que ele a levava em direção ao banheiro. Não fez ideia do que poderia fazer por lá e a ansiedade a abraçou. O banheiro era similar ao outro e ela não ficou atenta aos detalhes dele, estava perdida demais tentando adivinhar qual seria o plano.
  Cautelosamente largou a mão de e foi em direção ao box de vidro, abriu a porta dali e adentrou em busca do chuveiro. A água quente instantaneamente levantou fumaça e o banheiro ficou mergulhado no esbranquiçado. De repente a água parou de jorrar do chuveiro e ela procurou aflita com os olhos o motivo. Notou o chuveirinho nas mãos de e como ele se abaixou para distribuir água por todo o piso para esquenta-lo um pouco.
  Somou dois com dois mentalmente e um choque de neurônios a fez perceber qual era a intenção do Patolino, o chuveirinho.
  Muitas meninas começam assim, inocentemente no banho brincando de descobrir o que é aquela sensação maravilhosa que sentem ao jogar o jato de água em seu grelinho sensível. Ela havia estado lá, mas não praticava o método há algum tempo, os dias de andavam agitados na nova rotina. Observava curiosa a água escorrendo do chuveirinho e notou sua atenção. Virou o rosto e sua visão atravessou a transparência do vidro para apreciar a curiosidade da garota.
     - Desvendou meu plano maligno? - abaixou a cabeça para observa-lo e fez que sim com a cabeça um pouco mais animada - E você o aceita?
      poderia dizer sim de várias formas, movimentar o corpo como havia acabado de fazer, poderia apenas dizer “sim” ou algum derivado ou então dar pulinhos eufóricos cheios de animação. Ela decidiu, porém, deixar a áurea exibicionista tomar conta de seu corpinho e tomou uma decisão mais atrevida e compatível com o espírito do momento.
  Deixou o olhar de desfocar-se conforme segurava a barra de sua blusa branca e mangas compridas. Ela viajou por seu corpo oferecendo atrito a pele ao exibir a derme desnuda fazendo com que o sutiã sem bojo e cinza tomasse liberdade. deixou que o chuveirinho fugisse de seus dedos e observou a cena com o devido cuidado. Era um masoquista mesmo, suas ideias brilhantes só o fodiam.
  Foi a vez de se livrar do shorts preto. Puxou o cordão e o laço se desfez liberando espaço para que a peça chegasse ao chão. Levantou os pés para se livrar dele e o chutou para o canto. A calcinha tão preta quanto o shorts fez uma composição interessante com o sutiã, composição que não pôde acompanhar por muito tempo já que a garota fez questão tirar a calcinha com a mais pura simplicidade de quem abaixo o tecido enquanto levanta as pernas. Por algum motivo mal percebido pelos dois, decidiu ficar com o sutiã. Ela gostava bastante dele, era sexy e marcava seus mamilos, talvez ficasse legal molhado. De qualquer forma, ela o manteve em uma decisão interessante.
  Caminhou para a porta de vidro e finalmente entrou no box juntando-se a , Abaixou na mesma altura apoiando nos joelhos do homem. Ele estava se perdendo, para seu azar. Era literalmente muita informação para digerir de uma vez só, mal conseguiu prestar atenção na bocetinha desnuda a sua frente, a mente do engenheiro sempre pregando peças.
     - Acho que tem sua resposta. - a voz de era mais séria que aquela que contou as experiências ao homem, algo notado e bem analisado. Era o jeito da menina dizer que a porra estava ficando séria! - Como vamos fazer isso? - mesmo segura ainda estava em dúvida e de um jeito ou de outro amava quando o mais velho a inspirava em seus atos.
  - Como você quer fazer? - a tranquilidade na fala do homem voltava aos poucos, conseguiu centrar-se melhor no que precisava ser feito.
  - É muito egoísmo da minha parte querer gozar agora? - o sorriso masculino surgiu inevitavelmente.
  - … o homem levantou-se passando o chuveiro a ela em uma simbologia de que o poder estava em suas mãos. - Eu posso ser o daddy, pode parecer que eu sou o cara que manda, mas isso não é verdade. A verdade é que quem manda é você. - piscou um pouco esnobe e caminhou para fora do não tão pequeno retângulo de vidro. A espuleta estava ajoelhada no chão, com a boceta de fora e os mamilos marcados no sutiã - Faça como preferir. - disse o homem antes de pôr a mão no vidro, ele iria fechar a porta mas desengonçada correu a outra criatura o impedindo de fecha-la.
  - Deixe a porta aberta, fique aqui perto. - wow, girl! Foi inconsciente, a ordem saiu e achou inusitado o fato de aprender rápido a lição sobre quem mandava.
  - Claro. - deixou o vidro e pôs se cócoras em frente a .
     Como fazer aquilo? resolveu voltar ao passado ao recuperar sua antiga técnica de masturbação com o chuveirinho, era algo tão antigo que ela lembrou de começar a se masturbar com ele antes dos onze anos de idade. Agora ela conhecia muito melhor seu corpo e tinha noção de como era um orgasmo, algo que faria a experiência ser incrivelmente melhor.
  Deitou-se no chão e sentiu o peso ainda meio gelado. A pele de suas costas não gostou e por isso ela deixou o chuveirinho por um tempo em seu pescoço para aquecer a região. Instintivamente arreganhou as pernas e sua parte íntima começava a ganhar vida com o vapor que subia por alguns pêlos que ali estavam. Assim que sentiu a coluna menos gelada fez questão de levar o jato quente até seu grelinho. Foi um choque certeiro, o arrepio correu livre sem enfrentar barreiras. Já gemeu com a água batendo na pele sensível e já lascou com que levou a mão até a boca para limpar a baba.
  As mãos do homem coçavam, mas era adorável demais observar a cena. tinha lá suas experiências, mas ainda havia tanto para descobrir. Isso era o que mais o empolgava, participar deste momento de descoberta e estar ao seu lado para dividir as conquistas, era uma honra poder participar. rebolou ao arquear o quadril e notou que o movimento de subir e descer de sua bunda aumentava o prazer decorrente da água. Também notou que afastar e aproximar o jato simulava algo semelhante a penetração, gostoso também.
     Perdido em sua própria cabeça tentava encaixar as peças. A cena era simples, mas ainda assim cheia de detalhes para uma mente tão ligada como a de . Por isso percebeu ser melhor acompanhar o rosto de ao invés de apreciar o movimento de seu clitóris inchado. Esse inchaço foi percebido pela garota, o grelo chegava a ir para cima e para baixo conforme a água o castigava.
   sabia que gozaria rápido, fora muito estimulada, provavelmente entrou no chuveiro com a bocetinha já lubrificada e a cabeça infestada de safadezas. Seria uma boa hora para brincar um pouco, cortar o silêncio dos gemidos ainda meio tímidos da mais nova.
     - . - chamou com a voz baixa, porém firme.
  - Sim… - já a garota praticamente suspirou.
  - O que sente com o chuveiro aí? É gostoso? Te faz querer gemer? - isso é o que poderia chamar de um puta de um estímulo para se perder em tesão. Não era de conversar na hora do sexo, mas costumava conversar sozinha ao masturbar-se. Transformar a brincadeira em realidade a deixou especialmente feliz.
  - É uma delícia, . É tão… mas tão… gostoso! - as palavras saíram com a mais pura manha, era quase um miado.
  - Então você vai se masturbar até gozar, hm? - , assim como ela, adorava os resultados de um bom dirty talking. Odiava meter em silêncio, precisava falar e fazer perguntas, contar o que iria fazer e ouvir uma resposta sobre. Melhor que gemidos e contorções era ouvir da própria boca da garota o que ela realmente experimentava.
  - Até gozar! - desta vez afirmou determinada a fazer daquele chuveirinho uma transa deliciosa.
  - E como você fazer? Como você vai gozar? Conta pra mim. - ah Jesus, aquele homem dos infernos ficava tão gostosamente sexy fazendo perguntas cretinas. quis pular na cara dele e esfregar sua boceta ali até gozar de tanto roçar o grelo em seu nariz.
  - Eu vou usar o chuveirinho e vou rebolar e…
  - Vai usar o chuveirinho onde? Onde que o jato de água vai cair e te fazer gozar? - o joelho de não suportava mais seu peso e por isso ele sentou no chão, um pedaço do pano de sua calça molhou-se, mas ele nem fez questão de ligar. Seu foco era interagir com , a estimular a liberar seus desejos, a vociferar suas vontades. - Onde, ? - questionou mais uma vez?
  - Na minha bocetinha. - era tudo que ele precisava ouvir e era tudo que ela precisava dizer, era passada a hora de cruzar a última barreira de moralismo que os intimidava de escrachar o português.
  - E teu cuzinho, não vai dar atenção a ele? - se Satanás aparecesse em um lugar quando chamam seu nome, teria aparecido no banheiro pelo menos umas vinte vezes. A pergunta de atiçou a menina até o talo - Que tal experimentar colocar o jato de água nele e usar teus dedinhos na bocetinha, hm? - que ótima desgraça de boa ideia.
     Foi exatamente isso que ela fez, baixou o jato e o mirou em seu ânus. Tremeu mais uma vez sobre o azulejo que já havia deixado marcas vermelhas em suas costas. O calor incomodou no começo e ela teve impressão de queimar a pele delicada do local. A sensação foi passageira e o prazer aumentou a um nível incrível. O dedo indicador, companheiro de todas as horas, gostou de ser usado na atividade, forçou contra o clitóris e fez seu trabalho de estimular a musculatura extremamente inchada. A região até ficou vermelha tamanho o esforço, os gemidos eram longos e estridentes e deixou de lado qualquer compostura.   E não, não havia mantra algum capaz de evitar um pau bem duro. Talvez existisse um que fizesse não gozar e escorrer porra por sua calça recém lavada, mas ele se esforçaria para evitar o pequeno acidente. Se esforçaria nervoso, observar a dança de o fodia e caramba, ele estava há um tempo naquela brincadeira sem receber nenhum tipo de atenção. O homem sabia a hora certa de fazer as coisas, mas era complicado esperar que chegassem.
     - Rebola, . Atiça esse grelinho e fode esse cuzinho com a água, vai… - apesar das tristezas, ele ainda podia usar sua língua para proferir tamanhas imoralidades. era um boca suja de primeira e ele adorava usar de seu enorme vocabulário de termos vulgares.
  - Ai , porra… Tá muito gostoso! - queria que focasse nela e não tirasse os olhos dela, queria ser engolida por suas íris perigosas. Era pra ele chegar mais perto e continuar dizendo aquelas coisas. Afinal, ele era dela.   - Então vai, contina. - que estava estimulada por mais duas dela e optou por voltar com o chuveirinho em sua boceta e usar do dedo do meio em seu ânus. Foi a melhor ideia que teve. Não preciso de muito mais para derreter naquela água quente, abriu o cuzinho recebendo seu dedo e levou o quadril lá em cima com o chuveiro quase se enfiando em seus lábios.
   mordeu o próprio pulso, foi a única reação que conseguiu ter com aquilo tudo acontecendo bem embaixo do seu nariz. largou o chuveirinho e o desperdício de água nunca foi tão grande naquele apartamento. O homem relutou em toca-la, mas não o fez. Ele gostava de se torturar, mas ela estava sensível demais em sua própria brincadeira para trocar calor com suas mãos secas. Seria a forma perfeita de encerrar a noite, provavelmente sairia dali extremamente cansada e os dois precisariam acordar cedo na sexta-feira que viria no dia anterior.
   pensou bem diferente dele. Levantou ainda atribulada pelo orgasmo diferente dos que teve desde que chegou a cidade e quase sem equilibrio deixou o corpo cair em cima do de , As roupas pretas do engenheiro se molhavam com a água que escorria do corpo feminino e a racionalidade de levou um chute do resto de fogo que ainda iluminava a alma da menina. Ela abraçou o pescoço do homem que conseguiu manter os dois sentados com um pouco de esforço. Gemidos ainda eram liberados pela garganta extasiada e ela mal teve forçar para beija-lo com a intensidade que desejava, mas era seu jeito de agradecer. Agradecer toda a porra, a sensibilidade, as ideias, a inspiração, a tarefa e aquele plano de usar o chuveirinho para gozar deliciosamente.
  Merecedor de uns bons beijos, usufruiu do que o oferecia. Deixou a língua correr e a saliva molhar, permitiu-se agarrar a garota e apoderar-se de sua pele extremamente quente e molhada. Sem perceber arrastou a bocetinha pelas coxas dele e reagiu ao impulso excitado ao liberar mais espaço para que ela roçasse do jeito que desejasse. O segundo orgasmo sempre vem fácil depois do primeiro, é uma questão de tempo e jeito. E também questão de um pouco de desespero, que era algo que a pestinha demonstrava ao se esfregar com tanta vontade. O engenheiro ajudou com os tapinhas malévolos soltos no mamilo aparecido e empinado e não largou a boca de até que ela o fizesse para gemer e gozar mais uma vez. O melado sujou todo o moletom, mas foda-se. Quem liga pra uma desgraça dessa? gozava na coxa de feito uma cadelinha desesperada e nada era mais importante que isso. O cansaço que previu veio e ela desmontou no meio do beijo em cima do seu mais novo preferido engenheiro. O beijo na testa que recebeu cheio de saliva e carinho a ajudou a se acalmar perante o esforço.
  - … - chamou chorosa.
  - Sim, .
  - Acho que cansei. - respirou fundo no cangote dele e não cogitou sair dali.
  - … - foi a vez dele.
  - Sim?   - Se quiser já pode me chamar de daddy ao invés de . - se seu sistema nervoso não estivesse tão maltratado teria aberto mais os lábios ao sorrir pela mais nova e maravilhosa novidade.
  - E eu posso comer mais batata? - o homem acarinhou seu pescoço que esfriava aos poucos.
  - Claro que pode.
  - Obrigada, daddy. - essa foi mais uma ideia que saiu pela culatra, não estava pronto para o choque filho de um capeta que era ouvir a vozinha carente e serelepe de o chamando por aquele nome.

Chapter 12 - The one true power

O teto rodava na visão de uma exaurida do esforço físico exibicionista. Seu queixo largado no peitoral de que segurava o controle remoto em mãos zapeando pela televisão de tela plana de seu quarto. Fazia silêncio, não se ouvia outras vozes senão as da TV que mudavam seus tons com a passagem dos canais. Era um momento de tranquilidade, de descansar e deixar o corpo se recompor das fortes emoções sentidas um tempo atrás.    tentava disfarçar o formigueiro em sua bunda, ela não estava realmente tranquila. Seu interior se agitava em mil pensamentos, procurava por respostas para perguntas sem sentido e criava cenários irreais. Não estava acostumada com uma situação como aquela e não sabia que tipo de coisa falar para dar cabo da ansiedade.   Na verdade, estava cansada, mas o cansaço não era maior que a disposição de sua adrenalina. Fez um barulho baixinho com a língua ao passar o dente por toda a boca, quis mais batata, mas o arsenal havia acabado. O copo meio cheio de Coca escorria água pela sua lateral indicando que o refrigerante esquentava e perdia o gás, sentiu sede, mas não quis desgrudar do corpo do engenheiro.   Precisava fazer alguma coisa, sua inquietude nem explicação possuía, era difícil lidar com algo sem sentido sem expressar algum tipo de reação. Sabia que não precisava sentir vergonha ou receio de se expressar perto do homem e também sabia que ele não se importaria com suas bestagens. Então afiou a língua com o queixo ainda preso no peito esquerdo de .
  - Nós já temos regras? - questionou ainda olhando para o teto como se ele pudesse salva-la. Ele pacientemente decidiu desligar a televisão para fazer-se ouvir melhor.
   usou as mãos para impulsionar o corpo para trás e assim encostar as costas na cabeceira da cama. foi obrigada a levantar-se e ajeitou-se na cama respirando fundo, talvez tivesse falado demais. Ou não.
  - Qual o motivo da preocupação com regras? - estranhou a pergunta, mas não quis transparecer a estranheza para que não entrasse na defensiva, caso entrasse poderia desistir de explicar seus motivos. Ela deveria estar relaxada, mas estava ali encucada com regras, quem falou em regras?
  - Eu estou sem saber muito bem como proceder… - não que ela devesse sentir vergonha de , depois da cena do banheiro seria difícil pensar em vergonha, mas ela estava receosa.
  Receosa e ainda excitada. Sim, o fogo de não apagaria tão cedo, era muita informação nova para processar e mesmo com dois orgasmos e vários arrepios na vagina, ainda havia algumas coisinhas ouriçando seu corpinho. Uma dessas coisinhas era o fato de querer usufruir melhor de , de vê-lo assim como ele a viu, eroticamente nu.
  Ela também pensava sobre o pau de . Ela viu o volume duro em suas calças, ela observou as vezes em que olhou para o próprio pênis e como ele o acariciou de leve algumas poucas vezes na tentativa de saciar alguma coisa. E ela ficou com aquilo na cabeça, com o membro do engenheiro rondando a área de curiosidade de seu cérebro.
  Precisava mais que ve-lo, queria sentir a textura, saber do tamanho, espessura e de preferência sentir o gosto. queria prova-lo, po-lo na boca e lamber, dar a prazer, o mesmo prazer que sentira um pouco antes. almejava por um boquete longo e no fim dele, a recompensa em forma de porra. Qual seria o gosto dela? A gente sabe que esperma não tem gosto de churrasco ou de Nutella, mas no calor do momento as coisas mudam e para algumas pessoas, sentir o gosto da porra quente deixa tudo mais gostoso.
  - , não quero que pense que alguma regra entre nós irá te inibir de algo que queira. - buscou a atenção da garota pelo queixo e mirou firme sua incerteza sem sentido para demonstrar a seriedade das suas palavras - A relação é sobre nos satisfazer e não nos reprimir. - estava agitada, com alguma coisa atravessada na garganta. Não era sua vontade complicar tudo, mas aconteceu sem que ela percebesse.
  - É, eu sei. Mas… - suas capacidades de se comunicar decentemente se desligaram por um instante. Como iria abrir a boca para vomitar suas reais vontades em um momento feito aquele onde tudo estava meio cinzento? - Talvez eu esteja confusa.
   não poderia simplesmente estalar os dedos e endurecer o pau de , ela não sentia que possuía essa intimidade ainda, de simplesmente enfiar a mão em sua cueca e boom, fazer a mágica acontecer. Poderia ser até ultrajante. tentava entender, juntar as linhas de pensamento e explicar para si como a dinâmica de daddy e little girl mudaria a relação de em relação a uma normal como a com .
  Com ela se soltava e dava as coisas logo na cara, abaixava o shorts e pulava nele, as línguas se molhavam e fim, estava feito. Não era preciso pedir permissão ou então se preocupar com alguma burocracia. A verdade é que tudo era novo demais para cair de cabeça com tranquilidade. Ela precisava conhecer melhor. Era isso.
  Foi o estalo que a despertou. A realidade atropelou seus neurotransmissores e a garota sentiu que todo o calor do ambiente era absorvido pelo seu corpo que suaria sal e pimenta. O problema não estava nas regras, estava no fato de ainda ser uma incógnita, ele ainda não havia baixado a guarda por completa, não se sentia suficientemente próxima e íntima do engenheiro. E bem, ela realmente necessitava dessa proximidade para saciar suas vontades. Como resolver isso rapidamente, ela não sabia. E nessa hora ela percebeu que era o único a poder ajuda-la.
  - E como eu vou saber se posso fazer as coisas que quero, a gente não se conhece direito ainda. - expulsou como um padre exorcizando um demônio em nome de Deus, nosso único salvador.
  - Ok, parece que o bicho da pressão te picou. - deu um jeito de desviar da garota para poder sentar na cama. Ela entendeu o recado quando ele bateu em suas coxas, levantou em um pulo e sentou-se no colo dele apoiando os braços nos ombros largos.
  - Eu só não entendo como as coisas funcionam ainda. É um pouco confuso e eu não gosto de sentir que você sabe tudo e eu, nada. - fez um biquinho meio que pedindo desculpa pela sinceridade rasgada, mas era realmente o que esperava de , que ela rasgasse na sinceridade para garantir que suas vontades fossem respeitados.
  - Eu não defino nada sozinho, mocinha. É um trabalho em dupla. - ela fez que sim com a cabeça, mas não de um jeito convincente. Então percebeu que teria de interferir com um pouco mais de vontade. - Mas, se você quiser, podemos falar sobre regras.
  - Na verdade, eu não sei se consigo fazer isso agora. - sua cabeça estava perdida em tópicos mais pornográficos que regras. percebeu o pézinho inquieto batendo em sua canela e a agitação no corpo da garota, aquilo só poderia dizer que ela pensava em aprontar alguma coisa.
  - E o que você quer fazer agora, hm? - os olhos dela brilharam e ele bem percebeu que o brilho refletia perversão, tentava disfarçar, mas não conseguia muito bem.
  - Eu não sei muito bem… - sua língua embolou dentro da boca, meio que envergonhada, meio que travada. Alguns dias passados no sofá não sentiu nada aquilo, mas ali havia um pouco mais de seriedade e ela se sentia meio weird por deixar aquela coisa tão pequena atrapalhar tudo.
  - Na verdade, eu acho que você sabe, mas algo está te impedindo de dizer.
   soube interpretar , ela estava pensando demais e pensar demais sempre atrapalha. Passou a mão com cuidado por sua cintura para agarrar a carne protegida por uma camiseta fina. Pôde sentir um leve tremor percorrendo o corpo da garota, mais uma prova de que desejava uma outra dose de excitação. Agora ela estava com o peitoral grudado no dele e com as pernas trançadas na dele, sua bunda perfeitamente segura nas coxas de .
  A garota fechou os olhos por algum motivo e pendeu a cabeça para o lado, decidiu aproveitar-se do momento para afastar qualquer rastro de cabelo a fim de apreciar seu pescoço. Primeiro aproximou seu nariz e o raspou desde a clavícula até a orelha, cheirava o seu sabonete preferido. Brincou com a orelha usando a ponta de seu nariz e percebeu o relaxar de conforme a menina ficava mais confortável em seu colo.
  O engenheiro adorava começar devagar, sem pressa, sem necessidade de acelerar qualquer movimento que fosse. Além do mais, sabia da impaciência de e testa-la era tão tentador que o homem não poderia resistir.
   foi entrando em estágio de topor pouco a pouco, provoca a decadência de seu equilíbrio ao planejar para que cada toque fosse devidamente devagar e intenso. Quando a língua do engenheiro lambeu cada santa célula da pele da parte frontal de seu pescoço abriu os olhos de uma vez, o choque foi forte demais para se manter inerte. Procurou os olhos do homem e então deparou-se com as íris estridentes do homem. O castanho refletia luxúria e cada músculo do canal vaginal da menina deu um nó a fazendo solavancar no colo dele. conseguia fazer com que ela fosse entrando no clima ao deixar os estímulos tomarem conta no lugar de sua preocupação.
  Ter a posse do corpo de naquele momento deixava maluco! Ele passaria horas apenas concentrado em excita-la, em dar prazer aquela pestinha. andava precisando de algo sem nome que agora atendia por . Pouco a pouco construía uma ganância pela menina, ganância a qual ele precisou mostrar ao deixar o tecido e infiltrar as mãos pela camiseta e ao buscar pelos mamilos que insistiam em marcar o algodão branco. Fez um carinho sutil ao deixar a pele tocar o vão de seus dedos e então fez solavancar mais uma vez com o apertar o seio direito sem o mínimo de dó. Provocou dor, seus dados ali ficariam marcados, mas não se preocupou com nada disso. A danadinha curtiu a brutalidade e mostrou isso a através de um grunhido nada discreto. O som da garota o incentivou a prosseguir, guiou a outra mão ao outro peitinho e também o tomou, desta vez com ainda mais força. O mamilo girou na palma da sua mão e o reflexo de foi mais que grunhir, foi liberar gemidos longos e graves ao apertar as pálpebras e franzir a testa. Também forçou as ancas no colo de e mais uma vez, assim como no dia em seu apartamento, tentou o pau de com suas nádegas.
  O esfregar constante da bunda da garota no membro gerava vibrações sérias em , ele começava a abandonar sua paciência e seu instinto o dizia que realmente desejava o mesmo que ele, uma putaria bem feita. O passo mais lógico foi arrancar a camiseta e faze-la voar para o chão, não foi preciso mais que três segundos para que se dedicasse a mamar em . Só chupa-los, porém, não foi o suficiente, precisou voltar a usar suas mãos nos seios. Agarrou tudo que seus cinco dedos permitiram e arrastou o peito direito para cima para logo arrasta-lo para baixo e exercer ainda mais pressão. A essa altura a compostura de tinha ido para o inferno, ela rebolava sem nenhum rastro de preocupação, gemia sem um sinal sequer de vergonha.
  Regras…
  Conhecer melhor…
  Pressão… Pff! Me poupe, ela só queria muito mais daquilo.
  Agarrou os cabelos de junto de sua cabeça aproximando os corpos o que fez a boca de se enfiar mais ainda entre seus peitos. Ele não reclamou, obviamente, lambe-la e chupa-la nunca seria desagradável. A região já estava com um gosto mais salgado, e mesmo assim não sentiu vontade de largar os peitos da garota, todo ser humano sua no meio da pegação, ele não iria parar por nojinho. Iria, porém, parar por outro motivo.
  Decidiu aproveitar melhor dos gemidos de . Deu um último aperto firme em uma das mamas para agarrar o pescoço de com a mesma firmeza. A garota apertou os lábios experimentando a sensação e a aprovando, o aperto no pescoço lhe agradou mais do que imaginou.
  O engenheiro forçou o movimento de controlando seu pescoço e fez com que as testas ficassem praticamente grudadas, um respirava o hálito do outro tamanha a proximidade.
  - Já sabe o que quer, heim ? - seu hálito cheirava a Ruffles e adorava Ruffles. O contorno dos lábios do homem estavam avermelhados, seus lábios cheios de saliva provocando ao extremo. Ela queria falar, mas percebeu que estava disposto a provoca-la mais caso não falasse.
  - … - choramingou em falso constrangimento. Ele adorou ouvir seu nome sair naquela entonação manhosa, mas queria ouvir o chamando de outra coisa.
  - ? - questionou dando uma mordiscada filha da puta no lábio inferior de . A garota praticamente tremia, seu coração acelerou mais ainda e a respiração estava complicada - Vai mesmo me chamar de ? - ele estava a desafiando a fazer isso.
  - É pra eu te chamar de outra coisa? - que garotinha levada! estava fazendo aquilo bem de propósito, ela estava o provocando, cutucando onça com vara curta por saber onde a coisa iria parar. estava adorando o joguinho, disciplina-la seria surreal.
  - Então você não sabe?
  Grudou as costas de e a aproximou mais, quando a garota sentiu-se confortável para arrumar-se no colo foi travada por ele que a fez levantar e logo se sentar novamente, mas desta vez, com as costas viradas para o peitoral masculino.
  Com uma falsa delicadeza separou as pernas da garota garantindo que o tecido do shorts subisse pelas coxas e deixasse partes da virilha de fora. vestiu o shorts sem a calcinha depois de se secar e sair do banheiro, escolha bem apropriada. Com as duas mãos, uma em cada coxa, forçou os glúteos ao prende-los entre seus dedos. Seu nariz provocou a espinha de , mordiscou a parte traseira do pescoço e tratou de não aliviar o aperto nas coxas.
  - Vai ser malvada de propósito, ? - estalou a língua após a finalizar a frase sussurrada covardemente em seu ouvido. Deixou o dente raspar em sua orelha e deixou aliviar a pressão nas pernas. A garota olhou para baixo e viu o vermelho marcado ali.
  - Eu estou sendo malvada? - quanto cinismo, não? ficou insano por puni-la. Deixou a vontade falar por si e estapeou as duas coxas de uma vez provocando um estalo alto, um berro feminino e uma crescente no tesão de ambos.
  - Acho que a resposta é sim.
  O pau já devidamente duro se enfiou entre as nádegas de e ela odiou o fato de estarem vestidos. passou o braço direito pelo pescoço de e o prendeu em uma gravata. A garota foi para trás pelo movimento feito em seu pescoço e precisou abrir mais as pernas para garantir seu equilíbrio. Parte de sua bocetinha ficou exposta e o seu clitóris foi provocado pelo ar frio que saída do ar condicionado. Gemeu baixinho e prolongadamente até largar seu pescoço e a puxar para trás de uma vez. Ela não entendeu muito bem como, mas o homem usou de sua força para deixa-la deitada de barriga para cima na cama. Postou-se em pé a sua frente e tirou a camiseta sem fazer cerimônias.
observou a pelugem escura de seu peitoral e abdômen e sentiu tudo dentro de si revirar. Ela ainda não havia visto muita coisa do corpo do e porra! Seu sistema nervoso ficou completamente ouriçado com cada músculo inflamado, ela o desejou ainda mais.
   abaixou-se para deitar sobre e fez questão de arrastar-se por ela para intensificar o contato, o suor de ambos não permitiu um deslizar sutil, mas ele pouco se importou. Alcançou a boca de e antes de toma-la, virou a garota de lado. Subiu a perna feminina que não estava encostada no colchão e fez questão de ergue-la bem para encaixar-se entre as bandas da bunda dela. O shorts enrolado deixou as polpas de sua bunda de fora, mas ela queria mesmo era estar pelada para sentir a cabeça do pau dele brincando na entrada de seu cuzinho.
  A mão direita cheia de possessividade de virou o rosto de para si e fez questão de engolir a expressão extasiada da garota em puro exibicionismo. Aproximou a boca dela e lambeu sutilmente os lábios antes de deixar que encostassem no seu. O ritmo lento do beijo acompanhou o carinho vagaroso que a sua rigidez fazia na bunda da garota. queria engoli-lo, mas fazia com que fossem devagar, como numa degustação de vinho. As bocas foram se encontrando aos poucos, as línguas aumentando gradativamente o nível de enrosco. Em uma cadência gradativa foram se degustando e tomando um ao outro, caminharam com paciência para o momento em que engolir-se tornou-se necessário.
   tomou o rosto da menina para si, sua mão explorando as bochechas e fazendo que cada pedaço daquela parte de corresse por seus dedos. Ela resolveu ajudar na coisa toda e arrebitou a bunda no pau que envergou quando a cabeça não foi capaz de penetra-la. Foi a gota d’água para .
  - Você queria saber das regras para quê, ? Para fazer questão de quebrar cada uma delas? - as bocas ainda estavam próximas e o calor consumindo os dois.
  - Não. - respondeu seca tentando e falhando em se fazer de difícil.
  - Pois, eu acho que sim e acho que a gente vai ter que ter uma conversa séria sobre punições, mocinha. - afastou seu caralho de propósito das nádegas arrebitadas.
  - Você vai me punir? - o cinismo de escalava o Everest e estava doido para derruba-lo de lá.
  - É bem o que você quer não, é? Pois eu não vou te dar o que você quer se for desobediente só para me provocar. Saiba que…
  - Mas, daddy! - tiros! Tiros de submetralhadora sendo distribuídos pelo corpo de . Ela fez aquilo bem de propósito, o chamou de daddy bem naquela hora como estratégia para derruba-lo e tirou esforço do cu para permanecer forte.
  - Não adianta vir com falsa manha para fugir das consequências, você não vai me derrubar assim, viu? Regras são estipuladas por um motivo e… - o interrompeu de novo sem se importar com seu discurso.
  - Daddy, eu quero chupar seu pau! - mas, faça-me o favor viu? foi quebrado em vários pedaços como um copo que capota de cima da pia. Ficou arrebentado e seria impossível manter sutileza. Ela queria ser punida e chupar seu pau, certo? Bem, daria a ela e daria com uma vontade descomunal.
  - E como você quer fazer isso? - questionou de forma incisiva ao levantar-se. Sentou na cama de um jeito despojado, apoiou os braços para trás e deu abertura em suas pernas para provocar a garota. Ela permaneceu deitada com a perna ainda levantada tentando processar as informações.
  - Foi por isso que perguntei das regras. - tudo bem que ela não era um poço de inocência, mas também não estava acostumada a dar as cartas daquela forma.
  - Sem regras, . Você quer chupar meu pau, certo? Então também deve saber de qual forma quer chupa-lo. Duvido que não tenha imaginado a cena dentro dessa sua cabecinha. - ele estava lá, enfiado em sua mente. Óbvio que ela havia imaginado a cena, pelo menos umas dez vezes nos últimos instantes. Criar coragem para liberar as informações assim na lata é que era complicado.
  Afastou suas coxas e foi mais para trás para curvar mais a coluna e ficar em uma posição mais confortável, finalmente acordou do transe e ajoelhou-se na cama tentando pensar em como agir exatamente.
  Postou-se de quadro e passou a engatinhar vagarosamente em direção a , que estava do outro lado da cama. Seus mamilos apontavam para o colchão e de sua posição o engenheiro pôde avistar as pequenas manchas avermelhadas nos seios da menina. Em um cenário do dia-a-dia ficaria bem preocupada com a saliência da sua barriga saindo pelo shorts, ainda mais naquela posição, mas ela estava entretida demais em sua própria fantasia para lembrar-se disso. Algo bom, muito bom. Por muitas vezes não conseguiu relaxar durante os amassos por temer sua barriga como se ela fosse um monstro devorador de criancinhas, também não costumava mostra-la em público por vergonha, não tinha a barriga chapada e por isso se boicotava. Mas, ali não havia boicote, apenas excitação.
  - E como você quer fazer isso? - questionou de forma incisiva ao levantar-se. Sentou na cama de um jeito despojado, apoiou os braços para trás e deu abertura em suas pernas para provocar a garota. Ela permaneceu deitada com a perna ainda levantada tentando processar as informações.
  - Foi por isso que perguntei das regras. - tudo bem que ela não era um poço de inocência, mas também não estava acostumada a dar as cartas daquela forma.   - Sem regras, . Você quer chupar meu pau, certo? Então também deve saber de qual forma quer chupa-lo. Duvido que não tenha imaginado a cena dentro dessa sua cabecinha. - ele estava lá, enfiado em sua mente. Óbvio que ela havia imaginado a cena, pelo menos umas dez vezes nos últimos instantes. Criar coragem para liberar as informações assim na lata é que era complicado.
  Afastou suas coxas e foi mais para trás para curvar a coluna e ficar em uma posição mais confortável, finalmente acordou do transe e ajoelhou-se na cama tentando pensar em como agir exatamente.
  Postou-se de quatro e passou a engatinhar vagarosamente em direção a , que estava do outro lado da cama. Seus mamilos apontavam para o colchão e de sua posição o engenheiro pôde avistar as pequenas manchas avermelhadas nos seios da menina. Em um cenário do dia-a-dia ficaria bem preocupada com a saliência da sua barriga saindo pelo shorts, ainda mais naquela posição, mas ela estava entretida demais em sua própria fantasia para lembrar-se disso. Algo bom, muito bom. Por muitas vezes não conseguiu relaxar durante os amassos por temer sua barriga como se ela fosse um monstro devorador de criancinhas, também não costumava mostra-la em público por vergonha, não tinha a barriga chapada e por isso se boicotava. Mas, ali não havia boicote, apenas excitação.
  Quando aproximou-se do homem desistiu de pensar em regras e estabeleceu as próprias. Agiu rápido ao usar das coxas dele para fazer apoio, seus dedos cravaram na carne levemente endurecida, tanto pela academia de uns anos atrás como pelo sistema nervoso enervado, e um tanto macia. tinha coxas salientes, quando sentava elas ocupavam um pouco de espaço extra no jeans e gostou de usufruir de sua carne assim como ele usufruiu da sua.
  O engenheiro tentava mostrar controle, mas começava a falhar aos poucos. Ele já havia explorado de algumas maneiras, mas ela o explorando era algo completamente novo. Cada mexida dos dedos da menina em seus glúteos induzia uma alta amperagem que arrepiava cada mísero pelinho grudado a sua pele.
   prosseguiu em sua escalada nas pernas do homem fazendo questão de cravar as unhas ao subir por elas. Chegou finalmente próximo da virilha e acariciou a região chegando as mãos o mais perto possível do pênis rígido, mas sem toca-lo.
fechou os olhos prendendo as pálpebras com força e logo os abriu chacoalhando a cabeça de leve. adorou observar aquela reação.
  Para apreciar melhor da situação, deixou uma das unhas pretas caminhar desde a parte baixa dos testículos volumosos até o fim da cabeça. não queria desgrudar a visão dos movimentos de , mas seu corpo não estava nem aí para isso. Os olhos queriam se fechar e a garganta se trancar, que inferno de menina! Acontece que, todavia também não estava com toda aquela santa paciência e então, permitiu-se segurar a barra da calça para puxa-la. precisou erguer o quadril e as dobrinhas da barriga enchiam o saco dificultando a tarefa. A menina quis despi-lo sem perder contato visual com a nudez que entraria em cena e conseguiu dar um jeito de faze-lo. A cueca cinza clara tinha uma abertura na lateral, mas não queria só puxar o pinto pro lado, ela o queria todo de fora em sua bela majestade. Não tinha tempo para brincar e nem considerou provoca-lo por cima do tecido, obrigou a mais uma vez levantar a bunda para ficar finalmente pelado.
  Existem diversos tipos de pênis, todos nós sabemos disso. Alguns são realmente grandes e outros realmente pequenos, têm os na média e os grossos que exigem uma camisinha maior mesmo não sendo enormes. Tem gente que circuncisa e gente que não, tem pinto que parece um picolé mini saia com duas cores.
  Aquele pinto em especial preferia pender para a direita e possuía a pelinha que cobria a cabeça bem proeminente, o tamanho era o suficiente para questionar-se se conseguiria engoli-lo por completo sem engasgar. Por um momento ela quis compara-lo com o de , mas deixou para lá, era algo idiota de se fazer.
  A espessura dura foi tomada por suas duas mãos, a vontade de te-lo era tanta que não soube decidir qual mão usar e optou pelas duas. A pegada foi destemida, porreta, fez trancar o cu e se rearranjar na cama para não cair para trás e bater a cabeça em algum lugar. A garota passou a masturba-lo com as duas mãos, aquele movimento conhecido de sobe e desce que leva mais sangue ao membro e o deixa mais duro conforme a punheta toma mais ritmo.
   não resistiu em trancar os dedos novamente no pescoço já quase acostumada com uma enforcada bem de leve. arrebitou o nariz e visou engolir a alma de com sua carinha de putinha safada.
  - Ah … assim você fode meu cu sem nem chegar perto dele. - será que dá pra rasgar um pau sem querer? estava com tanto afinco ao masturbar que talvez, só talvez, suas duas mãozinhas aceleradas pudessem rasgar a pele. Mas, a sensação que sentia passava bem longe de dor.
  Ela nem soube o que responder, seu cérebro trabalhava em uma sintonia em que produzir sons com significado era impossível. a apertou mais ainda fazendo com que sua punheta se intensificasse mais ainda quando soltou uma mão e a deixou procurar pelas bolas dele. gemeu, apertou mais e foi obrigada a gemer junto. Sua boca salivava e a baba estava doida para escorrer no pau.
  Deixou a masturbação de lado para abaixar-se na direção da glande empinada e o segurou com a mão direita desta vez. Assim que sua boca chegou perto o suficiente passou a lamber a cabeça em um ritmo rápido, as lambidas de pontinha de língua passavam pela pontinha da cabeça deixando alucinado sem saber o que fazer consigo mesmo para controlar a porra do tesão.
  Porém, algo lhe chamou a atenção. largou o pau que foi para baixo com tudo e bateu em sua boca, riu um pouco mais alto do que gostaria e a garota contagiada, riu junto. Empinou mais a bunda para abaixar-se e precisou agarrar uma de suas nádegas e arrasta-la mais para perto. se enfiou pelos testículos passando a língua por tudo, toda a saliva se espalhou entre a pele da região e os pêlos curtos. Para ajudar na intensidade o engenheiro tomou o próprio pau com uma das mãos e usou a outra para acariciar o cabelo de a fim de garantir que ela não diminuisse o ritmo extremamente agradável.
  O rabo de balançava conforme se esforçava para tomar a maior quantidade possível de bolas em sua língua e não deixava a bunda balançante escapar dos tapinhas que serviam de impulso para ela. Não resistindo a porra do prazer que o oral lá embaixo o garantia, tratou de masturbar-se por conta própria, não suportava mais não tem contato em seu pau. observou a cena e expulsou a mão masculina e mesmo com a cara enfiada lá embaixo, deu um jeito de sincronizar as lambidas com a mão da punheta. Dessa vez o homem urrou e socou o colchão, ele não estava pronto para uma praga daquelas!
  Ninguém estava com paciência, porém. A garota queria chegar ao final, depois ela poderia aproveitar melhor com provocações e joguinhos, mas naquele instante estava ansiosa demais para finalmente engolir a rola de . Levantou a cara e nem deu tempo de respirar, caiu literalmente de boca no engenheiro. Engoliu até onde deu e voltou para cima apenas para engolir novamente, e aí o boquete começou.
  - Porra, … Assim vai, bem assim. - não parava de incentiva-la, até mesmo usou o apoio do colchão para foder de levar a santa boca que o devorava.
  Dedicada em sua tarefa voltou a usar da mão para estimula-lo dos dois jeitos, manualmente e oralmente. Tudo bem que homem gozando rápido pode ser meio chato… mas naquele momento não. estava desespera por porra! Ela queria gemendo pra caralho e esparramando porra pra todo lado. Por isso largou o pênis e usou das duas mãos na bunda de para incentivar que ele a fodesse mais rápido. Ele não deixou de reparar esse detalhe.
  - Quer me fazer gozar logo, ? - como ela iria responder com o pau atolado na boca daquele jeito? Não era óbvio?
   foi bonzinho e deu a sua pestinha o que ela queria até um certo ponto, mas decidiu que seria uma boa hora para crueldade. Grudou na cabeleira da menina a tirando de sua rola e a boca de expulsou uma quantidade enorme de baba. O beiço todo inchado e molhado e uma cara pidona bem desgraçada.
  - A mocinha quer minha porra?
  O cabelo engrenhado nos dedos de provocou aquela umidade que escorre do canal vaginal e inunda o shorts. Ela estava prestes a chorar de tanta excitação, não era hora para ser um fdp. Ou talvez fosse, porque te-lo a dominando daquele jeito quase causava uma explosão em seu útero.
  - Eu quero… Deixa eu te fazer gozar! - ela pediria pela porra dele por mais mil vezes caso fosse necessário.
  - Eu deixo, . - a trouxe para perto erguendo seu corpo. Todo o controle ali nos cabelos, alcançava o colchão com a pontinha dos dedos praticamente sendo apoiada pela força de em sua cabeça - Mas não vai ser do jeito que você quer.
  A empurrou e a garota caiu deitada na cama. Ela não teve tempo de tentar levantar-se, a dominou mais uma vez e garantiu que ficasse deitadinha ali. Com cuidado e paciência girou o rosto feminino para que ficasse de lado e calmamente deitou-se na cama. Precisou trazer o corpo mais para frente para que chegasse na posição desejada, ficar com o pau na altura da boca dela.
  - Quer mesmo minha porra, então? - ele a adorava fazer falar o que queria com todas as letras.
  - Quero, daddy. - a bichinha aprendeu rápido o poder da palavra no sistema de .
  - Quer mesmo, hm? Então pede pra mim. - dessa vez nem foi possível hesitar.
  - Daddy, me dá a sua porra. Por favorzinho… - ai que manha, amava aquela manha, a comeria no jantar se possível.
  Ele sorriu. balançou os pés.
  A garota abriu a boca assim que o pau se aproximou e o recebeu em completa animação. Quando a glande entrou toda em sua boca não enfiou um centímetro mais sequer e passou a cuidar da própria punheta. Ela tentou levantar os braços para encostar nele, mas recebeu um chiado de bronca que a fez recuar.
  - Eu vou te dar minha porra. - Ah! Ela só soube achar aquilo sexy demais para ser verdade.
  O engenheiro também não aguentava mais, estava desesperado para encher a boca da menina de esperma. Trancou os olhos quando o orgasmo estava para vir, notou a iminência no caldinho que saía e nas expressões de . O homem não calava a boca, era um baita escandaloso. Num segundo ele estendeu o grunhido e no outro saiu o primeiro jato. Foi direto para sua garganta e ela quis se engasgar com ele. Foi tudo que desejou a porra da noite inteira, finalmente ter aquilo acelerou tudo em seu corpinho cheio de marcas. tirou o pau da boca dela e projetou a porra para escorrer pela cara da garota. Ela se alavancou nos cotovelos e apreciou sua carinha sendo pintada de branca ao engolir o que podia.
  Porra quentinha s2
   estava com forças ainda e fez questão de recuperar as suas para trazer a garota para si. Voltaram a posição que estavam antes de todo o enrosco de corpos, deitado e o abraçando com o queixo em seu peito. A questão é que agora um pouco de gozo enfeitava a carinha de e que estava como veio ao mundo. O carinho feito no cabelo do homem o agradou e ajudou sua musculatura a acalmar, a respiração ainda estava afoita, contudo, tranquilizando aos poucos. A agitação de deu bye bye, saciar aquilo que a engolia por dentro foi bom, a aliviou para pegar no sono.
  - Cansadinha? - a voz dele estava mais serena que o normal, e um pouco mais grave.
  - Não mais que você. - ela ainda carregava malícia na língua, menina sem jeito mesmo.
  - Me deixou morto, está feliz, né? - ela fez que sim com a cabeça e levou um beliscão ardido no braço - Infelizmente amanhã ainda é sexta, preciso aguentar meus dois queridos me enlouquecendo no escritório, preciso dormir.
  - Ai nem me fale. Eu juro que não quero ir pro curso. - afundou mais a cabeça no peitoral do homem e pediu para que Deus fizesse o dia de amanhã sumir e pular direto pro sábado. Quem nunca?
  - Responsabilidades, . Responsabilidades. E, aliás… - olhou para ela que precisou erguer o queixo e ficar numa posição desconfortável para enxerga-lo - Também acha que precisamos conversar melhor sobre as coisas? - se soltou maravilhosamente naquela noite, entretanto, sabia que a cabeça de ainda estava afoita com a quantidade enorme de novidades.
  - Sim. E de preferência em um lugar público onde não haa risco da gente esquecer a conversar e troca-la por outra coisa. - ah que lindinha, se preocupou com o fato de perderem o controle.
  - Certo. Então levarei a senhorita para jantar. Preferência? - jantar? Sair para jantar? não era nada acostumada em sair para ir a restaurantes e sofrer com a pressão de escolher algo digno num cardápio caro. com certeza não a levaria em lugares descolados como o fazia.
  - Jantar? Ok, isso é novidade pra mim. - não que seria ruim, mas bate aquela insegurança, né?
  - Juro te levar para um lugar discreto, confortável e não que tenha cara de empresário sério, certo? - sendo assim, ela aceitaria, claro.
  - Combinado. E a pauta do jantar será…? - um encontro com , aquilo seria muitíssimo interessante. Imaginou o homem em seus ternos saboreando um vinho e ficou bem animadinha.
  - Tudo. Vamos falar sobre tudo, vamos acabar com as dúvidas. - digeriu a afirmação e concordou mais uma vez.
  - Tudo bem então. Vamos jantar fora, vou infartar procurando a roupa certa, mas eu supero. - ele teve que rir, sofria muito por antecedência e ficava meiga assim.
  A luz foi apagada e eles se enrolaram no lençol. escolheu cair no sono de conchinha, escolheu cheirar seu pescoço e deixar a boca ali perto. Mas, o cansaço era maior que tudo, mal disseram boa noite seguido de um selinho sutil e carinhoso e viajaram para a terra dos sonhos. Mal sabia que costumava roncar pra caralho!

Chapter 13 - Exercise the Lines

Sabe as aulas de educação artística que a gente adora no ensino fundamental? Aquelas que os alunos sempre querem “desenho livre” para pintarem rabiscos e usarem todas as cores da caixa Faber Castell de quarenta e oito cores e duas camadas? Os mais esnobes têm aquelas caixas de metal onde a organização dos lápis formam um arco-íris e os mais humildes se virem com a caixa de doze cores mesmo, aquela que ainda vem com uma borracha branca, apontador e lápis de escrever.
  Deve ser muito frustrante ser professora de educação artística para algumas moças, elas querem ensinar um pouco sobre história da arte e mostrar às crianças que desenho tem lógica e que a pintura também, mas a maioria não quer saber. A molecada só quer pintar, porque afinal não gostam de estudar e a educação artística e a educação física dão um tempo das regras de português e da divisão com dois números na chave.
  Quando chegam no ensino médio a coisa muda um pouco, fica mais séria. É preciso aprender sobre história da arte, mesmo que daquele jeitinho eurocentrista que sempre fala de Picasso. E se começa a aprender as coisas de maneira mais técnica, fala-se até do tal do ponto de fuga que era usado por Da Vinci. E claro, trabalha-se um ponto muito importante, o da luz e da sombra.
  Talvez se tivesse se dedicado mais um pouco às aulas não passaria por aquele aperto. O professor chinês de braços fortes e mamilos marcados na camiseta apertada treinava na modelo magrela e de pele escura essa questão da iluminação e do contorno. As Drags faziam há décadas, mas o povo só foi descobrir com a Kim Kardashian. E daí o tal do banana poder ficou famoso junto com a paleta de contorno da Anastasia Beverlly Hills.
  A garota anotava as dicas mentalmente, mas sabia que quando fosse ter de reproduzir que faria meleca. Tinha dificuldade em entender o formato do rosto das pessoas, assim como tinha dificuldade em controlar a quantidade de produto usado no rosto. Além do mais, eram opções demais. Poderia usar corretivo líquido ou cremoso, talvez base ou então só fazer o contorno com pó. O professor tentava explicar as diferenças entre o fenômeno do instagram que mostrava mini tutoriais e fotos com contornos exagerados e pesados e a maquiagem editorial de revistas e passarelas, que eram mais sutis.
  Conseguia entender a diferença, não era tão burra assim! Mas por em prática já era outra coisa. As meninas teriam que treinar em si em breve, portanto, já arrastou-se em direção a Yeva que não prestava atenção direito, provavelmente já sabia aquilo de cor e salteado. Ou não.
  - Você vai ter que me salvar. - sussurrou discretamente para Valinski.
  - Relaxa, sua louca. Ele não vai brigar com você, você está aqui pra aprender. - Yeva falou aquilo como se fosse o óbvio do óbvio e revirou os olhos.
  - Cala a boca e me ajuda. - o chinês logo olhou para as alunas e deu o decreto: iriam treinar uma nas outras.
   pulou na cadeira de salão confortável atrás de si e esticou os pés como um filhotinho preguiçoso. Yeva a olhou com desdém e sorriu abusada. A amiga pegou sua paleta de corretivo na bancada e um buffer brush para começar a treinar o bendito contorno na diaba sentada ali.
  - Minha pele é oleosa, pode usar corretivo líquido. - reclamou se achando a última bolacha do pacote.
  - Mas você é um pé no saco! - reclamou Yeva dando meio volta - Vou na sua bancada pegar tuas porras. - e caminhou apressada e voltou com as coisas quase caindo das mãos - Você deveria ter vergonha. - reclamou uma última vez antes de parar em frente a para estudar seus traços.
  - Eu não sei fazer isso direito, ok? Se você fizer em mim primeiro eu fico menos perdida. Será que dá pra ajudar? - a cruzada de braços foi desafiadora e só fez Yeva querer meter a mão nela.
  - Tá bom, desgraça. Vê se colabora. - Yeva procurou pelo algodão e o molhou com a loção de limpeza pertencente a . Passou a limpar o rosto da amiga que estava sem um pingo de maquiagem, nem todos os dias iam maquiadas já que algumas aulas eram práticas. Assim que o fez tratou de catar o hidratante firulento de para hidratar a pele com algumas manchas. não se importava com as pequenas cicatrizes de espinha, não mais, até porque sardas estavam começando a ficar na moda.
  - Me deixa bem Miss Fame. - Yeva sentia cada vez mais vontade de estapear .
  - Só nos seus sonhos, né lindinha? Não aprendi a fazer milagres ainda. - Yeva começou a rir do ultraje fingido por que logo passou a rir junto e tentou ficar quieta para que a amiga passasse o corretivo em sua área do olho sem fazer meleca.
  Yeva enrolou o suficiente para que a aula acabasse sem que tivesse a obrigação de maqui-la. O professor as liberou, mas passou um dever de casa não muito simples, estudar algum maquiador ou Drag Queen para reproduzir suas técnicas de contorno na próxima aula. iria ter que treinar mil anos na frente do espelho para não passar vergonha na frente dos outros. Valinski ignorou o nervosismo idiota de e arrastou a amiga pelas mãos enquanto se oferecia sem vergonha alguma para ir a sua casa.
  Obviamente, não negou o convite. Era bom ter uma amiga, se sentia sozinha e a companhia de alguém da sua idade e tão besta quanto si era o que precisava para ter dias relaxantes e longe do tédio. E também, claro, uma parceira de crime.
  Atropelar era pouco para os acontecimentos com . não viu da onde veio, ela apenas se deixou levar uma vez na vida e boom!, estava se relacionando com ele e abrindo sua vida, mostrando detalhes de sua fraqueza e permitindo que o engenheiro tomasse posse de si. E era bom! E ela não se arrependia! Mas mesmo assim, era muita informação e ela precisava de alguém para desabafar, então ter Yeva ao seu lado no elevador para encher seu saco e ser uma amiga xarope e desnecessária praticamente completou a vida nova.
  - Antes de qualquer coisa você me dá um tempo que eu preciso comer. - o apartamento de não era dos maiores, a sala de estar barra visita barra televisão era em conceito aberto tendência junto da cozinha. O corredor para o banheiro e quarto também não era dos maiores, assim como o quarto, mas ela também não precisava de tanto espaço. O quarto possuía um closet de bom tamanho e já que ela costumava fazer a limpa nas roupas praticamente todo mês tinha espaço o suficiente para suas coisinhas.
  - Pode dividir comigo, que se eu for comer no shopping todos os dias fico pobre largada na rua. - Yeva e toda sua folga sentaram-se na banqueta alta de madeira e encosto baixo. Seus pés batiam inquietos na bancada de MDF branco e suas mãos brincavam com as pimentas ali em cima plantadas dentro de um pequeno balde de alumínio - Você come essas pimentas?
  - Não, é só decoração. Minha língua é fraca pra isso. - estava com a cabeça enfiada na geladeira, coisa que fazia oitenta vezes por dia - Minha vó me deu e eu não quis fazer desdém, se não já viu, né?
  - Nem me fale. Quando me mudei com meu namorado deixei todas minhas coisas pra trás e até hoje minha mãe choraminga que não vai jogar fora por dó. Povo não sabe desapegar. - percebia que a amiga tinha ressalvas quando citava o namorado e nunca o chamava pelo nome, ela ainda iria ser mais enxerida no assunto.
  - Já minha vó não esperou uma semana antes de transformar meu quarto em uma sala pra receber as amigas. Aquela lá desapega fácil. - virou segurando um prato com ricota, o presunto embrulhado em plástico e maionese. Em outra ida a geladeira agarrou azeitona e cenoura ralada - O pão tá aí dentro desse cesto, pode se virar. - Valinski catou o pão mais rápido possível e enquanto o tirava de dentro do saco pegava facas e garfos.
  Tentou organizar tudo bonitinho em cima da bancada, mas a verdade é que ficaria tudo sujo em cinco minutos. sentou-se do outro lado da bancada de frente para Yeva e o silêncio se instaurou por um minuto enquanto cortavam os pães e ajeitavam seus sanduíches.
  - E quais são seus planos para hoje? - perguntou tentando puxar assunto daquele jeito meio desajeitado.
  - Meu namorado vai viajar então… o apê é meu pra eu fazer nada. - ah não! Chegava dessa de chamar o namorado de namorado.
  - Vem cá, pode parar com essa putaria de não chamar seu namorado pelo nome. - Yeva arregalou os olhos por um instante e logo apresentou um semblante meio envergonhado. Era isso mesmo? A dona do sorriso sempre ouriçado estava meio que com vergonha?
  - Me desculpe. - e sorriu sem graça com os olhos fechados - É que minha história com ele é meio complicada, a família não aceita direito e eu fico reservada, sabe? - e então se sentiu mal por ter atropelado tudo.
  - Ai, você me desculpa! - ela segurou a mão de Yeva com vontade de enfiar a cara dentro do pão.
  - Para de ser tonta, sua louca! - e Valinski voltou a rir com seus caninos proeminentes - Eu nem me toquei que estava sendo reservada com você, logo com você. - a frase da menina meio que entoou o fato de ser fogo no rabo.
  - Então você vai me contar o motivo da sua família não aceitar o namoro direito? - ela queria se controlar, mas a curiosidade era maior.
  - Bem… - Yeva teria que relembrar coisas ruins do passado, mas era hora de enfreta-lo como passado ao invés de realidade. Assim como , estava longe de seus fantasmas e era bom ter alguém tão parecida consigo para abrir o coração - Digamos que eu tive uma adolescência perturbada, me enfiei no meio de pessoas ruins. No começo era uma festa aqui, uma ressaca ali. Mas então eu comecei a beber demais, estava prestes a me viciar em tudo de ruim e quando vi, estava no meio de traficantes prestes a ser presa. - se chocou, Yeva não tinha cara de criminosa. Tudo bem que isso era meio preconceituoso da parte dela, mas ela realmente não tinha. Essas carinhas sempre enganam - E quando eu estava prestes a me foder pra valer, meu namorado apareceu. Essa conversa de donzela salva pelo cavaleiro é um porre, eu sei, mas a real é que ele deu um jeito de me tirar daquela merda. Ele teve a cara de pau de me dedurar pros meus pais e daí tudo desmoronou. - trancou os dentes nos lábios procurando pelas palavras certas.
  - Porra, heim! - e mostrou como era ruim em escolher palavras certas. - Digo, ele te salva e te joga na encruzilhada de novo.
  - Eu sei agora que ele fez o certo, mas eu fiquei com tanta raiva no dia! Eu nunca tinha o visto na vida e ele simplesmente me arrasta pra casa e me dedura pros meus pais. Depois disso eu passei por umas semanas horríveis. Eles me pressionaram de todos os lados, reviraram meu quarto, me colocaram de castigo e o diabo a quatro. Depois que a poeira baixou um pouco me levaram pra fazer terapia. Eu tentei levar a sério e ajudou um pouco, mas eu estava com ele na cabeça. Curiosa e brava ao mesmo tempo. Um dia voltando da terapia eu o encontrei na rua e fui tirar satisfação, nem preciso dizer que deu merda, né?
  - Que tipo de merda? - estava com um bigode de cenoura e maionese na ponta do nariz, mas quem liga pra isso no meio de um bafão desses?
  - Ele me chamou de ingrata e disse que eu precisava criar juízo, que estava enfiando meu futuro na minha bunda. Fiquei completamente ultrajada e sai de lá com fogo saindo por tudo quanto é lado. Eu nem sabia quem ele era, ! E ele se achava no direito de se meter na minha vida desse jeito! Foi muito ódio misturado a frustração. E com isso minha coisa por ele só aumentava. Sabe como isso funciona, né? O cara fica na tua cabeça…
  - E a tensão sexual nasce, eu bem sei disso… - Yeva relembrava em sua memória os momentos com o namorado e os momentos com . Coisa curiosa.
  - Enfim, o nome do sujeito é Cédric, Cédric Laurens. - nome peculiar, meio francês, gostou.
  - E qual o motivo da sua família entortar o nariz pro namoro de vocês? - aquela era uma peça que não se encaixava de jeito nenhum.
  - Frescura no rabo, basicamente. Ele é um pouco mais velho que eu, mas isso é o de menos. O que pegava de verdade é que ele veio de fora e morava sozinho na cidade, sem família e sem referências. Você sabe como famílias são, elas sonham em ver os filhos casados com gente de raiz, metido a importante. Ele era meio que um ninguém, não sabiam seu passado, se prestava, da onde vinha. Quando a gente começou a se ver minha mãe achou que seria uma coisa boa, mas quando ela viu que foi ficando sério começou a surtar. A impressão é que eu não tinha juízo, e não tinha mesmo, e ela ficou assustada achando que eu fosse me meter em um em buraco sem fundo, engravidar e esses detalhes nada básicos. - Yeva precisou dar uma pausa para respirar, estava cansadinha de falar já - Eu a entendo e entendo a ressalva que ela e meu pai têm até hoje, mas é sério, eu criei juízo e nós estamos bem. - e o sorriso de quem está amando e sendo amada, e principalmente, está feliz iluminou o rostinho moreno de Yeva e gostou de ve-lo.
  - Novelona mexicana heim, querida? - Valinski sentia-se mais leve, era bom, bom pra cassete! Ela literalmente nunca havia contado nada daquilo para ninguém e se sentia feliz por ter sido a escolhida.
  - Nem me fale… Já passei cada estresse. - e o sorriso de nervosismo apareceu - Mas estou bem e quer saber? Nunca estive melhor, a única parte ruim é que… - tamborilou as unhas com esmalte descascado na madeira com o bicho da curiosidade comendo sua barriga - Ele viaja bastante.
  - Ele tem uma segunda família? - Yeva desatou a rir da espontaneidade da pergunta feita pela toupeira a sua frente.
  - Para, menina, você tá parecendo a minha mãe. - tentou se constranger pela pergunta feita, mas não conseguiu - Cédric é piloto de avião, mas particular. Inclusive, se mudou pra cá porque foi contratado por um empresário e eu vim atrás porque não sou besta.
  - Esse é o espírito. - quis brindar, mas lembrou-se que não pegou bebida - Ai esqueci de pegar suco, segura. - voltou para a geladeira em galopes e pegou a jarra com suco de laranja. Clichê, porém clássico. Serviu nos copos novos e quietou a bunda na banqueta uma outra vez.
  - E você, senhora. Me conte as novidades! - adorou ouvir as histórias alheias, mas ficou meio nervosinha para abrir a boca e contar suas safadezas.
  - Ai Deus. - tomou o suco numa golada só para criar coragem. Ela iria meio que se abrir, mas também não iria arreganhar.
  - Não me enrola, sua cretina.
  - Vamos relaxar, por favor? Obrigada. - ela estava se fazendo, mas se fazia bem. - Eu dormi na casa do cara. - Yeva ergueu a mão em sinal de tapa e custou a entender.
  - Se eu falo o nome do namorado você fala qual o nome do cara. - justiça é justiça.
  - Nome dele é , ok? , engenheiro elétrico e não lembro quantos anos. Enfim, eu fui até a casa dele e dormi lá, mas a gente não passou das coisas mais básicas. - Minha ficava super fofa com medinho de falar as coisas obscenas.
  - Coisas mais básicas? Eu preciso de mais que isso.
  - Ai menina, a gente não passou de oral, que coisa! - queria só a cabecinha e Yeva queria era meter fundo.
  - , faz o favor de parar de me enrolar? - e dessa vez Yeva segurou o pão francês como se fosse uma faca, ótimo jeito de se ameaçar alguém.
  - Afe, tá bom! - força , você consegue e você também quer - Eu estava bem louca, porque o homem me deixou subindo pelas paredes depois daquele dia. E então eu fui para o apartamento dele e eu estava loucamente nervosa porque convenhamos que ir pra casa de alguém assim é meio estranho. Mas eu fui e a pior parte é, ele tinha me passado uma tal de tarefa. - Yeva ficou assim, desconfiada tentando entender o quê aquilo queria dizer.
  - Tarefa? Hm, isso tem cara de ser algo bem pervertido. Gostei!
  - Ele basicamente pediu pra eu masturbar tentando entender o que me deixava mais perto do orgasmo para eu contar tudo em detalhes depois. - Yeva bateu palmas em meio ao riso escandaloso e foi ficando meio avermelhada com vontade de voltar a enfiar a cabeça na geladeira.
  - Bem pervertido, eu estava certa.
  - E claro, eu contei. E o homem acho que ficou meio louco e eu também, tava bem rabo aceso e só sei que terminei me masturbando no chuveiro dele com ele assistindo. - Yeva já nem sabia mais como reagir. Poderia cair da banqueta ou ter um ataque do miocárdio, todas as opções eram válidas.
  - Esse homem, eu já virei super fã dele. Cédric poderia aprender algumas coisas. - ela realmente iria contar ao namorado para lhe dar a ideia, escondendo o nome dos santos é claro.
  - Depois disso eu continuei com o fogo aceso, porque foi algo tão erótico, mas tão erótico que foi impossível sossegar o facho e eu acabei basicamente implorando pra pagar um boquete. Claramente, ele não negou. - só de lembrar da cabeça do pau de em sua língua, já revirou o canal vaginal.
  - Grava pra mim da próxima vez, com o Cédric viajando preciso de estímulos pra usar o vibrador. - tem coisa mais divertida que amiga abusada torrando sua paciência? Tem, mas aquilo também era muito divertido.
  - Vou te ignorar, ok? Ok. - colocou um pouco mais de suco, falar em ou pensar nele sempre secava sua garganta - E hoje ele vai me levar pra jantar. Onde? Não sei, sei nem o que vou vestir.
  Yeva levantou em um pulo bem desvairada, driblou a bancada branca e foi até como um tubarão drogado. entendeu foi bosta nenhuma, mas quando deu por si, estava sendo arrastada até o próprio quarto sem nem um pouco de educação.
  - Abre esse closet que nós vamos arrumar uma roupa pra você. Agora, tô mandando. - Valinski cruzou os braços como se mandasse na porra toda.
  - Como é que é? - não estava preparada para algo tão empolgado.
  - Minha filha, o homem vai te levar pra jantar, provavelmente em algum lugar digno de produção, então me faça um favor e me obedeça.
   respirou bem fundo para afastar a agoniazinha que sempre a deixava meio assustada. Yeva estava certa e deu graças a Jesus nosso Cristo pela existência daquela doida sem juízo em sua vida.

  

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Estar no carro de já não era mais novidade, desde o dia em que teve a brilhante ideia de praticamente obrigar a oferecer carona para a garota, esteve dentro do automóvel bem mais de uma vez e até sentia-se meio que íntima dele.
  Não tão íntima, porém, de todo o lance de jantar fora em encontro de gente séria. estava nervosa, como se a situação exigisse uma certa seriedade que ela não gostava de apresentar. Gostava de coisas leves, sem áureas burocráticas, tudo bem que tentou de todas as maneiras tornar tudo muito natural, mas seu relógio caro e camisa de marca bem abotoada não ajudava, muito menos a falta de música no rádio. Talvez gravaria um pendrive para deixar plugado no carro do homem ou criaria coragem de abrir o Spotify no celular e simplesmente colocar o fone de ouvido ignorando a presença do engenheiro.
   não conhecia aquela avenida, era mais agitada que a de seu prédio e bem melhor iluminada. Na verdade, ela não conhecia aquela parte da cidade e muitas outras partes da cidade, acabava sempre transitando nos arredores do seu lar. Fazia um silêncio absoluto dentro do carro, por algum motivo, nenhum dos dois decidiu puxar assunto e segurava a língua para evitar perguntar se já estavam chegando.
  Com a curiosidade atiçada pela paisagem nova ao seu olhar deixou a necessidade de puxar assunto para lá e passou a observar com atenção os vários lugares que serviam comida ficando para trás com o avanço do carro. Alguns mais descolados com mesas do lado de fora e luzes brancas, outros mais aconchegantes e discretos com luzes alaranjadas e alguns com aparência chique de gente rica e cores neutras. notou o estudo que a garota fazia dos ambientes e sempre que podia dedicava-se a discretamente virar os olhos para notar melhor os movimentos de . Voltava a atenção ao trânsito, mas a tranquilidade em linha reta o permitia dar os pequenos deslizes bem calculados. Virou a esquerda e permaneceu atenta ao jogo de luzes e mudanças de cores.
  - Chegamos. - mudou bruscamente de posição ao procurar pela voz de e demorou um pouco para assimilar a palavra dita com calma, porém, rapidez. Ao seu lado direito surgiu o prédio de dois andares e aparência rústica de nome Torre Italiana. A tal da comida italiana era meio que fácil de acertar, não? jogava assim enquanto não sabia exatamente os gostos particulares da garota, apostava em algum tipo de senso comum para garantir que ela sairia satisfeita. Escolher comida asiática poderia ser um tiro no pé assim como alguma outra coisa exótica. Mas todo mundo come algum tipo de massa, então era bem provável que não passaria fome ou constrangimento.
  Gostou do fato de não haver nenhum vallet, normalmente eram locais mais sofisticados que ofereciam o serviço e tinha alguns problemas com lugares sofisticados demais, não trazia boas lembranças da família. Não esperou nenhuma crise de cavalheirismo e abriu a própria porta tomando cuidado para que a sandália tratorada não enroscasse no meio fio. apostou na simplicidade em seu outfit e também deixou quase todas as suas roupas jogadas na cama ou na cadeira, provavelmente alguma coisa acabou indo para o chão. Yeva influenciou na decisão das roupas, obviamente, pois a amiga estava bem disposta a brincar como se fosse sua barbie. Acabou com a calça preta que imitava couro e com a camiseta branca com alguns buracos desgastados que ela mesma havia feito. Se sentiu bem e segura, como se a roupa não mudasse sua personalidade, como se fosse fiel a si mesma e não tentasse mudar para agradar . Falhou demais com isso no passado para repetir a bosta.
  Ambos não sabiam qual etiqueta seguir ao estarem na calçada e decidiram não segurar as mãos. Caminharam lado a lado ao passarem pela porta entalhada de madeira e passaram por todo o processo de serem recepcionados, escolheram uma mesa e finalmente se sentaram em um lugar reservado e tranquilo que permitisse uma conversa devidamente imprópria. Impróprio era uma boa palavra para definir muitos conceitos relacionados a e .
  O garçom que os ofereceu o cardápio andava ao redor das mesas, com toda a discrição possível, esperando que os presentes levantassem o dedo para solicitar sua ajuda. abriu o cardápio longo e negro com letras douradas num papel bonito, feito a música do Gian e Giovani, e ficou passeando os olhos pelos pratos.
  Seu método de decisão se baseava em não consumir alguma comida que não a desse qualquer tipo de complicação gástrica, tipo azia ou gases. Portanto, já excluiu qualquer macarrão e lasanha das possibilidades e ficou caçando alguma coisa mais light e leve. Viu uma opção que envolvia salmão, alecrim e cenoura e gostou dela. Anotou mentalmente o nome do prato e foi procurar pelas bebidas, já bastava de tanto refrigerante então escolheu uma jarra de suco já que todo mundo sabe que um copo de trezentos ml de suco não é o suficiente para matar a sede de ninguém. Observou a forma educada com que pedia sua lasanha de molho branco e nozes… isso realmente era uma coisa real? adorava nozes, principalmente em sorvetes e trufas, mas nunca tinha visto algo envolvendo Lasanha. Ele pediu a sugestão de vinho para o garçom que o indicou um nome que não conhecia, não manjava de bebidas. Ela quis roubar um pãozinho quentinho da cestinha e molhar no molho de sabor desconhecido ao lado, mas ficou com medo de que cobrassem pelo pão. Uma vez passou por isso em um aniversário em família em outro restaurante Italiano da cidade dos tios e foi uma confusão depois, confusão sobre o preço das cestinhas e enfim…
  Também estava preocupada com o outro fator, o fator pagar a conta. Não passava por dificuldades financeiras, nem perrengues como os que havia passado alguns anos atrás quando a avó ficou doente, porém, não sentia-se bem ao saber que iria gastar bastante dinheiro de uma vez só. E não queria de jeito nenhum que pagasse sua conta, era até meio ultrajante para si, já bastava o tempo em que dependia dos outros para dar as coisas que queria já que seus pais não estavam ali para mima-la. Gostava dos mimos de , mas nada que envolvesse dinheiro.
  A cabeça de caminhava, contudo, em uma sintonia completamente diferente. Primeiramente não estava preocupado com técnicas de flerte, em usar as palavras certas para seduzir a mulher a sua frente. Não era mais necessário, e ele passaram com louvor desta parte que na real, é um pé no saco. Também não estava preocupado em impressionar e causar uma boa primeira impressão, algo bem auto explicativo. O que rondava sua mente bem relaxada era a forma mais indicada de realmente entrar no cerne dos problemas, entre aspas, que enfrentava com ela. A coisa de regras, limites e preferências iria caminhar no vale da sombra da morte de sua sanidade e provavelmente também ficaria atiçada com sua carinha de demônia ao abrir o sorriso construído por metade de vergonha e metade de excitação. Então, procurava uma forma de manter tudo sob controle, depois que realmente jogassem as cartas e a situação se tornasse mais clara aí sim ele se dedicaria a fazer com que o controle fosse para a puta que o pariu.
  - Será que eles cobram pelos pãezinhos? - questionou a garota quebrando o silêncio quase interminável, os dois estavam ligados demais em seus pensamentos e esqueceram de conversar. mostrou os dentes, ele todo preocupado com a dinâmica da conversa e pensando em pão. Aqueles pães eram irresistíveis demais para não pensar neles, todavia.
  - Se cobrarem você não irá comer? - pacientemente acomodou os cotovelos sobre a toalha acizentada da mesa quadrada e ajeitou o queixo em cima de seus dedões. Observar era seu mais novo e preferido hobbie.
  - Eu gosto de saber o preço das coisas antes de consumi-las. - estava concentrada na cestinha bem trançada sem nenhum defeito visível aos seus olhos. Optou por matar a lombriga e segurou um deles para abri-lo com a faca e passar o molho. O pão ainda estava quentinho e sua saliva triplicou por apenas pensar em coloca-lo na boca. Cada um com suas prioridades.
  - Mas não, eles não cobram pelos pãezinhos. - já havia estado ali algumas coisas, com amigos, com a família e em um encontro ou outro.
  - Ah, então é bom saber disso... - abocanhou um pedaço maior que o poderia comer e fechou os olhos em instinto ao sentir o sabor do maldito molho que tinha um quê de alho com… mostarda? Foda-se os ingredientes, era uma delícia. queria puxar o papo da noite, mas a mastigação da menina meio que o impedia - É muito bom, você deveria provar. - sua boca não estava realmente vazia, mas ela não se importou em abri-la.
  - Só espero que o pão não seja um escape, . - ele realmente esperava, ela estava mais quieta que o comum e conversava sobre o preço do pão.
  - Não é, sério. É que comida me distrai. - ela passou mais molho no segundo pão e o mordeu novamente. Colocou os dedos em frente a boca para prosseguir falando - Não estou fugindo, até fiz uns tópicos mentalmente no caminho. - uh, o engenheiro gostou de ouvir a frase.
  - Que tipo de tópico? - se comunicava com poucas palavras buscando objetividade. Ele gostava da dinâmica onde falava mais que o homem da cobra e ele a ouvia com cautela.
  - As regras, por exemplo, eu tenho dificuldade em lidar com gente mandando em mim, sabe? - o bom é que já conversava com com um tom natural que evitava constrangimento - Mas eu gosto da ideia de brincar com isso, sabe? Você manda e eu obedeço ou você manda e eu não obedeço de propósito, já que até onde entendi, nós decidimos as punições em conjunto e elas só são coisas prazerosas disfarçadas de punições. Certo? - ela nem ao menos olhava pra cara concentrada dele, é como se os pãezinhos e o molho fossem as coisas mais atraentes do universo e só mais uma pessoa no meio.
  - Você já está bem planejando em praticamente não obedecer nenhuma regra, não é mesmo? - ela riu, riu assim na cara dele - Estou falando sério, senhorita. - até queria ficar sério e falar sério, mas na verdade se divertia.
  - Não é que eu faço de propósito, mas a ideia é tentadora. Não é? - ela não estava tentando brincar com ele, as perguntas eram verdadeiras, saíam do fundo de seu coração preenchido por miolo de pão e molho.
  - A parte tentadora para mim é justamente te punir, . - e aí ela arregalou os olhos para ele, finalmente focalizou na simpática fuça a sua frente.
  - Como assim? - a confusão era também verdadeira.
  - E se eu disser que gostaria de ter, digamos… - virou o rosto levemente para a direita para respirar fundo e manter um semblante centrado, não queria mostrar um sorrisinho pervertido - Ter alguma liberdade criativa na hora da punição. Mas para ser sincero, creio que começamos pela parte errada. - ela ainda o encarava com o pão na mão e o molho escorrendo por seu dedo. Nem ligou para o líquido que sujava a pele de sua mão, ela estava quase que paralisada pela confissão.
  - Parte errada? Por que parte errada? - seu cérebro virou um emaranhado de perguntas sem cabimento.
  - Estamos focando nas punições sem antes decidir o que nos leva às punições e essas são as regras, não são? - sim eram, claro, obviamente.
  - Ok, regras. - retomou a postura e até deixou o pão finalmente em paz. Jogou os ombros para os lados para se ajeitar na cadeira alta e de madeira escura - Eu gosto da ideia de você só me dar o que quero quando eu pedir com todas as letras. - fincou os pés no chão para gruda-los ali. Adorava, simplesmente adorava ouvir a voz da garota se retorcendo em termos vulgares, a regra seria mais que aceita.
  - É uma boa regra para começar. E a punição seria não te dar até que diga, certo? - fez que sim com a cabeça e parou por um segundo para coordenar as ideias.
  - Mas eu não quero nada sobre eu ter que pedir permissão sobre qual roupa vestir, se posso sair e nada disso. Detesto me sentir amarrada. - ele escutava com bastante atenção. Conversar claramente sobre a dinâmica a transformava em algo prazeroso e saudável.
  - E pedir permissão para se tocar? - uh, se tocar! Por algum motivo não falar se masturbar deu um toque um pouco mais erótico a pergunta. Abocanhou o lábio debaixo enquanto raciocinava sobre a resposta.
  - Talvez seja legal… Talvez também seja legal que você tenha um pouco de poder sobre os meus impulsos, sabe? Se estamos juntos e eu fico toda acesa seria legal você controlando isso, eu acho... - se imaginou em casa com a xoxota ouriçada, com vontade de dar uma gozadinha antes de dormir tendo que mandar mensagens indecentes para para convence-lo a deixa-la fazer aquilo. Adorou a ideia e não a enxergou como uma amarra - Eu aceito essa regra, mas você precisa ser um homem moderno e usar o celular pra isso. - por acaso a menina achava que era um daqueles velhos que não sabem lidar com tecnologia? Ele nem tinha chegado nos quarenta e era um engenheiro elétrico pelo amor de Jeová, trabalhava com tecnologias avançadas todos os dias, que abuso!
  - Eu sei muito bem como usar meu celular, viu? Também sei o que significado da palavra nudes, não me subestime assim. - saiu em tom de desafio e bem foi. até chocou-se, então ele era safadinho assim? Muito bom saber.
  - Oh, me desculpe! - fingiu - Não quis subestima-lo, senhor . - seu riso irônico deixou o ambiente um pouquinho mais hostil - E tem alguma outra sugestão?
  - Entendi que você não pretende levar a dinâmica tão adentro da sua rotina, mas acho que alguns aspectos poderiam se encaixar, como por exemplo, eu estar por dentro dos seus afazeres e assim poder brincar contigo. - ela precisava analisar a proposta. não propunha mandar em sua rotina, mas gostaria de saber qual ela era para brincar. Algo a se avaliar melhor.
  - O que seria brincar com a minha rotina? - os pratos foram postos na mesa e até arrepiou por um momento pelo susto. Deu graças pela chegada de sua jarra de suco, já estava arrependida de pedir para que viesse junto da comida.
  - Se eu sei que você tem que ir ao curso ao tal horário eu posso brincar. Posso te tentar, te provocar e exigir que preste atenção no que precisa fazer, entende? - provocar… era facilmente provocada pelas safadezas de , ele era bom naquilo. E ela era boa em ficar excitadinha, quer algo mais excitante que controlar a boceta no meio dos outros? A molhação estaria garantida.
  - Eu aceito, mas tenho uma contrapartida. - mas é claro que teria, não ficava para trás - Se você pode me provocar eu também posso. - segurou os talheres com devida força para não que caíssem à mesa pela fraqueza que o atingiu a ouvir aquilo. nem se esforçava para tenta-lo feito a cobra do Éden, caramba!
  - Como pretende me provocar? - saboreou um pouco do molho depois de esfria-lo na colher e a mistura do sabor levemente adocicado atiçou o seu paladar e consequentemente o restante de seus sentidos.
  - Resolver dizer que estou pelada no banho com o chuveirinho enquanto você está em uma reunião importante… - ela rodou o garfo entre a cenoura e as ervas fingindo uma inocência que nunca seria sua. nunca havia experimentado algo nesse nível, era completamente novo como era para . Teve uma visão do futuro, viu a sua frente a tela do celular piscando no meio de uma reunião daquelas em que só falta comer o cu dos outros com areia e uma mensagem de compartilhando seus atos luxuriosos. Aí sim ele saberia sobre seus poderes de controlar a paudurência.
  - Acho que são bons termos. - ele levantou a colher e apontou para a garota selando o acordo - Mais alguma coisa que queira dizer?
  - Não sei se consigo pensar em mais coisas pro dia-a-dia, sabe? - pensava na cama, no sofá e no carro, isso sim. Agora a cabeça de estava focada na boa e velha putaria.
  - Pro sexo, então? - ela abriu a boca e disfarçou enfiando um pedaço de peixe grelhado lá dentro.
  - É, por aí. Tipo, eu gosto quando você fala sujo comigo. E eu gosto de avisar que vou gozar e eu também quero levar tapas. - um pouco do fogo era curiosidade, ainda tinha uma pontinha de medo da dor. Mas só saberia tentando e tentar com valeria a pena.
  - Vamos com calma ao pote, sim? Algumas coisas só vão se esclarecer quando estivermos no meio do ato, então, não precisa acelerar a cabeça tentando tomar decisões. - lembram do pagode? Deixa acontecer naturalmente e tal? Então.
  - Tudo bem. - foi um tudo bem que realmente dizia que tudo estava bem. A mistura de encontro, com refeição gostosa e conversa aberta aliviou muitos pesos que a garota carregava em cansaço - Eu vou poder falar palavrões? - a pergunta surgiu do nada.
  - Você quer poder? - questionou.
  - Não sei… - ela tinha tantas coisas para pensar, talvez seus tópicos foram mal feitos - Acho que quero. Digamos que eu queira, me puniria como? - saboreou a massa caseira e a mistura de comida gostosa com papo safado era afrodisíaca pra porra!
  - Existem níveis, entende? Eu poderia apenas te repreender, poderia dar um tapa na sua bunda ou um tapa na sua cara… - já havia visto coisas assim pela internet, das mais sutis até as mais brutas e ela se empolgava ao vê-las, porém, não sabia como era senti-las - Depende de como você levaria cada uma delas, entenda que é uma dinâmica. Eu não estou te agredindo, nem nada do tipo, é algo prazeroso para os dois no momento, eu jamais te puniria por algo assim na vida real. - ele sempre fazia questão de avisar, sentia que era seu dever esclarecer esses detalhes importantes.
  - Eu entendo isso, . - saberia diferenciar, era esperta e apesar dos pesares, sabia se resolver com essa realidade - Acho que eu posso tentar algo um pouco mais pesado, mas a gente pode ir progredindo, certo?
  - Sempre, . - era a primeira vez que mantinha uma negociação, digamos assim, como aquela. Foi um pouco melhor do que imaginou, fluiu maravilhosamente com ambos expondo suas vontades e ideias sem medo de repressão. Como realmente deveria ser entre adultos bem resolvidos com sua sexualidade.
  - Tenho a impressão que cobrimos o mais importante e que a partir de agora só vamos descobrir, você sabe, fazendo… - claro, transando. Pondo tudo em prática, testando os limites. Tentador, muito mesmo!
  - Podemos aproveitar nossos jantares então? Espero que o restaurante tenha sido do seu agrado. - a sinceridade na fala de agradava , era tão bom estar perto dele.
  - Acho que sim, nada melhor que comida pra fazer esquecer de safadeza. - e ele riu com molho na boca e quase queimou todo o céu da boca, coisa de gente estabanada - Mas pra ser sincera, preciso confessar uma coisa… - ele pressentiu, pressentiu que viria, que uma tormenta, que uma prova de fogo iria testar todas as suas capacidades.
  - E qual seria essa confissão, hm? - os tímpanos de vibravam, as vontades de eram sua perdição e ele se deixaria levar para qualquer canto do inferno para se fazer desta dádiva.
  - Eu preciso testar tudo isso depois de sair daqui, senão eu nem vou conseguir dormir. Vou sair daqui, você sabe… - abaixou o rosto e o cabelo tomou a frente de seus olhos, mas sua boca avermelhada ainda presente no campo de visão masculino - Molhada. - todo o sabor maravilhoso daquela lasanha desapareceu do paladar de . o atropelou com um tanque de guerra, até suas pernas pareciam criar vontade própria praticamente levantando dali para ir a qualquer buraco para se atracar com ela. Contudo, se manteve firme, era esse seu papel. E inclusive, outro papel de seu pertence era o de satisfazer o pedido da garota e o faria de imediato.
  - Por acaso eu permiti que se molhasse, ? - abandonou os talheres do lado de seu prato e cruzou as mãos com uma seriedade no olhar que contorceu as entranhas da menina - Heim, me diga se eu permiti.
  - Não… - os olhinhos se fecharam escondidos pelos cabelos, notou o sensorial alterando sua respiração, o pesar que caiu sobre sua cabeça e a tensão alastrando-se pelos músculos - Não permitiu.
  - Pois então, uma punição realmente será adequada, mas não será um teste. - continuou travada como estava, porém, precisou abrir mais a boca para respirar com maior facilidade e a saliva que tomava espaço entre os dentes molhando a carne da boca a deixou incrivelmente luxuriosa - Certo, ? - incorporou sua persona e esperava pelo sinal de que também o havia feito. O fez ao levantar o pescoço e usar as mãos que quase tremiam para afastar a cabeleira de sua visão ao deixar seu rosto novamente exposto. As íris queimavam e as narinas inflavam para um atingido por um terremoto de testosterona.
  - Certo, daddy.
  O sinal foi recebido e não permitiu que aquela jantar se estendesse nem um pouco sequer, exigiu a conta e pediu para que se levantasse e o esperasse do lado de fora, ela nem pode reclamar sobre dividir a conta. As pernas da menina trançavam-se, precisou procurar por muito ar e coragem para conseguir andar sem trupicar pelo caminho. Quando chegou até a calçada e o vento noturno lavou sua face, estava com a calcinha toda melecada e prestes a desmoronar entre os que ali passavam. Não fosse a chegada de e o toque gentil em seu braço nem teria tido capacidade de entrar no carro. Uma vez dentro do Ford Focus modelo europeu não havia volta. Agora a porra era pra valer!

Chapter 14

As batidas do coração poderiam ser sentidas em seus pulsos, em seu pescoço e também em sua testa. Há um limite para quantas vezes um coração pode bater por minuto, algumas pessoas mais neuróticas, talvez ansiosas, costumam controlar este fator com seus aparelhos de pressão que além de dar os valores de alta e baixa mostram a quantidade de pulsações por minuto.
      desejou um desses para verificar quanto tempo ainda lhe restava de vida. Sentada na cama de estava mais uma vez, era como se o quarto do engenheiro fosse tão íntimo quanto o seu próprio. Ela, porém, não era íntima das dadas sensações caminhando ferrenhamente por seu corpinho, pensou que nunca ficara tão ansiosa para sensualizar com alguém como naquele momento. , parado à sua frente sem nada dizer com uma expressão quase inquisitiva, encarava a garota a purgando em sua própria cabeça. A brincadeira praticamente nem havia começado e já jazia sem forças, suas energias não dariam conta não!
      aparentava calma, mas sua testa brilhava graças aos óleos naturais. Cozinhava na tensão, pois, ele mesmo tentava organizar os milhares de pensamentos que sugeriam mais milhares de possibilidades. Também era inédito para o engenheiro, uma novidade excelente por sinal. o levava para estados desconhecidos, dava nó nunca antes desatados, precisava se contorcer em si mesmo para lidar com tantas novidades. A intimidade era única, nunca havia estado em algo de tamanha intensidade e tão propício a dar certo.
     - Você sabe o que fez, ? - o salto tratorado fazia um barulho irritante e insistente no piso de madeira escura e os braços batiam com certa cadência em suas coxas. Era a hora de entrar na sua persona, incorporar o algo a mais que a separava da realidade, mas sua língua ainda estava com certas dificuldades.
     - Eu... - deus, ela queria tanto falar e assumir uma outra postura, mas era difícil. Moralismo e vergonha se mesclando em uma receita que a destinaria a ficar travada. E ela sabia, sabia muito bem que ficar travada justo ali não seria uma opção aceitável.
     - Sei que sabe. - exalava a santa paciência, a tranquilidade falsa que só ele poderia fingir. A sua percepção era clara quanto ao fato de possuir ressalvas e pequenas âncoras a deixando presa. Por tal, decidiu que dar a ela determinados estímulos ajudaria a desencanar. Não tem coisa mais triste que deixar de fazer aquilo que se quer por conta de medo - Mas, eu quero que me diga. Quero te ouvir dizer. - pôs-se de joelhos à frente sem deixar de mira-la com íris acesas. O toque sutil no alto da coxa direita a fez tremer, ela não conseguiu disfarçar e ele percebeu.
     - Fiquei excitada. - soou erótico ao extremo aos seus tímpanos. Nem chegou a pronunciar alguma palavra realmente xula e explícita, mas sentiu como se estivesse arreganhando as pernas na cara dele e ali esfregando sua vulva. A tensão ainda a mantinha com dificuldade para ligar o foda-se e suas ações eram medidas com cautela, por isso, foi difícil lutar contra a vergonha.
     - Você também sabe que não é exatamente isso, . - arqueou a sobrancelhas grossas com pelos dispersos e bem escuros. Ela formigava e o colchão era uma fogueira fazendo sua bunda pegar fogo.
     - Não pedi permissão para ficar excitada. - engoliu em seco e fechou os olhos como na vez de cumprir sua primeira tarefa. observou com todo o cuidado as palavras sendo proferidas e as reações musculares do rosto da garota, mas, ele ainda queria mais. Fechar os olhos era mais um sinal de receio e não haveria como aproveitar totalmente se houvesse rastros de receio.
     - Exatamente. - as caras que faziam só deixavam mais destinada a ficar maluca - Eu não me lembro de ter permitido que você fantasiasse e se molhasse, por consequência. Precisamos, então, fazer algo a respeito. - a seriedade do engenheiro era como atrito pesado na pele de criando uma energia estática que a faria sentir pequenos choques ao se tocar. Estava tão próxima de ser punida que seu coração acelerava em crescente.
     - Preciso ser punida. - concluiu e deixou seus castanhos à mostra. agradeceu mentalmente pela resposta positiva aos seus estímulos.
     - Precisa, sim senhorita. - pôs força para levantar-se e tão brevemente quanto pôs-se de pé, sentou-se ao lado dela, despojado como sempre - , preciso dos seus sinais, tudo bem? As coisas irão avançar aos poucos e preciso que me dê permissão explícita para que eu avance. - não haveria brincadeira sem antes se preocupar com certas particularidades - Também preciso que deixe claro quando se sentir desconfortável e quiser parar ou diminuir o ritmo.
     - Ok, tudo bem. - parou para refletir por um instante - Quando quiser que avance eu te digo mais, . Acho que é melhor não te chamar de daddy nesses momentos... - seus pensamentos estavam meio dispersos, mas conseguia organiza-los aos poucos - Quando me sentir desconfortável eu peço por menos e caso não consiga falar, pelo motivo que seja, eu te dou vários tapinhas. - ela sorriu, era bom tomar essas decisões. O engenheiro, inclusive, tomou um gosto incrível por ter decidindo tais coisas.
     - Então estamos combinados. - a ponta dos dedos formigavam e o homem, apesar de calmo, mantinha esforço para não se distrair com os variados cenários criados em sua cabeça. - Agora preciso que se levante.
      pensou que talvez fosse ficar presa ao lençol sem condições de fazer as pernas funcionarem, mas não foi o caso. Pôs-se de pé e caminhou até ficar virada de frente para o homem. Seus olhinhos curiosos não paravam de encara-lo. estendeu a mão direita e instantaneamente a segurou, o aperto dado por ele guiou seus próximos passos. Silenciosamente passou a conduzir , ao puxar sua mão para baixo indicou que ela precisaria postar-se de quatro e engatinhar até o meio da cama. Feito isto, com a garota devidamente posicionada com o traseiro virado para o lado de seu rosto, a soltou com cuidado.
     - O que eu faço contigo, hm? - o tato firme e masculino foi diretamente para sua bunda. travou os joelhos no lençol e tentou respirar decentemente. - Você sabe o que é spanking, não sabe? - tapinhas, ah os tapinhas. Ela queria tanto levar tapinhas.
     - Sim, eu sei. - a cabeça que balançou positivamente estava animada demais para levar tapinhas, foi péssima em disfarçar.
     - Claro que sabe. - riu, porque fala sério, era muito divertido. Ele sabia que sabia, não havia necessidade para perguntar, mas a graça morava justo aí. Expor o óbvio e brincar com ele - Mas, sabe o que é levar um bom spanking? - era virgem de coisas assim tão descoladas. Ela poderia gritar ou mijar com toda a ansiedade. - Sabe?
     - Não, daddy. - a mais sapeca começava a tomar mais forma e a coisa mais incrível é que chama-lo de daddy acendia um trem doido que a fazia ficar mais sem vergonha - Como é? - era um desafio? OMG, ela o estava desafiando? Sim, estava. começou a ficar com o Cão no corpo.
     - Você vai sentir. - sua empolgação era alta, mas o calor o atrapalhava de verdade. A roupa já enchia seu saco e também sofria com problemas de ansiedade - Vai sentir gostoso!. - ela ficou esperando afoita, mas nada dos tapinhas. Quando virou sua carinha esperta para trás na tentativa de espiar levou um puxão de cabelo dos mais brutos. A raiz doeu e seu rosto revirou, mas ela estava ligando? Não. E sua resposta, só poderia ser uma.
     - Mais, . - o primeiro sinal da noite e estava bem disposto a dar mais.
     - Achei que estava clara a questão de se pedir permissão, . - os lábios de se morderam, primeiro inferior e depois o outro - Não estava?
     - Sim, daddy. - doía um pouco, ela precisava admitir, mas nada que a fizesse recuar.
     - Então repete para mim que está claro. - ordenou. Ordenou com vontade, com firmeza.
     - Está claro, daddy. - sua voz começava a falar e não gostou, queria falar com clareza justo agora que estava realmente com o fogo bem alastrado pelo rabo.
     - O que é que está claro? - e o primeiro tapinha da noite foi dado, mas foi na cara. Ali, no meio dela com a palma no nariz e os dedos na bochecha. Poderia ter sido ultrajante e embaraçoso? Sim, contudo, a garota sentiu um fervor nunca antes sentido, uma trancada na bocetinha que escreveu em sua cara estapeada o seu gosto em apanhar. Tapas começavam a entrar para a lista de favoritos de .
     - Está claro que eu preciso pedir permissão para fazer as coisas. - a loucura é que a aspirante a maquiadora não sentia sua independência sendo ameaçada, foi um dos medos que a preocuparam e comprovar o erro lavou sua alma.
     - Talvez não esteja. - desceu os dedos para o maxilar de e puxou a pele, juntamente veio sua boca em bico que molharam as falanges masculinas com um pouco de saliva - Acho que eu preciso reforçar.
     Caiu com tudo no colchão e ele tomou as honras em levantar seus joelhos para voltar até a posição inicial. não necessitava de nudez para chegar ao ápice de sua excitação, o vestuário da menina era simples e mesmo assim instigava um tesão em si. A calça preta que ele não sabia se era de couro ou não deixava com um ar de mulher badass da porra que sempre o agradou e a simplicidade da camiseta branca encaixava-se como uma luva. não necessitava estar nua para excita-lo, este era o ponto. O pouca pele das costas à mostra e a bunda bem arrebitada eram o suficiente para deixa-lo a mercê de uma vertigem prazerosa.
     Tentou ser um pouco mais delicado, mas foi complicado frear a força natural vinda de seu sistema nervoso. O impacto levou a estrutura de para frente, seus dentes trancaram na boca e o gemido nem pôde ser escondido. Deu permissão para mais e preparou-se para estapea-la mais uma vez. O barulho do couro foi belo, o tapa preciso e a dor instigante.
     - Conte para mim, - pediu um pouco mais seco que o normal. demorou a entender e quando desceu mais um tapa e a contagem não fora iniciada, achou uma brecha para ser um pouquinho mais perverso - Conte os tapas, .
     O impacto foi maior que os outros, maior inclusive que o tapa levado na cara mais cedo. Seu gemido saiu choroso e ela viu a porra da parede ficar azulada tamanha a força. Caralho, aquilo doeu de verdade e foi confuso. Confuso, pois, lá no fundinho estava sua cabeça a dizendo que precisava sentir um pouco mais e ela notou com muita facilidade uma determinada quantidade de lubrificação que despencou e se alojou em sua calcinha.
     - Um... - sempre chegava a hora em que voz e gemidos se misturavam num sussurro luxurioso. , por outro lado, já lidava com uma ereção crescente e mais suor fazendo questão de aparecer em outro locais. Sentiu a necessidade de usar a mão esquerda para abrir um dos botões da camisa próximos do pescoço. Não sendo o suficiente, interrompeu a sessão por um tempo para abrir os botões que grudavam o tecido de algodão ao seu pulso, a pele precisava de mais contato com o ar para evitar a crescente na temperatura. Devidamente liberto, pelo menos por aquele instante, voltou a sua tarefa inicial, molha-la toda usando apenas suas mãos.
     - Dois! - a força impactava-a com mais ferocidade ao passar de cada tapa, talvez desfalecesse na cama ao dez. Sua surpresa foi que não prosseguiu, decidiu fazer uma outra coisa. Cretina, por sinal.
     O pau bateu bem ali no meio de sua bunda. Ela se assustou, mas não olhou para trás, afinal estava sendo punida por isto também. inclinou-se sobre ela e deixou a barba não aparada pela manhã roçar no alto de sua espinha. A tremedeira tornou-se crônica para a garota que já sofria ao manter o equilíbrio da sua posição. O corpo caiu para frente e sua cabeça ficou afundada na cama e mesmo assim foi complicado manter o quadril erguido. Mais complicado foi não pirar de uma vez por todas quando a mão de passou sorrateiro por sua cintura ao procurar pelo botão de sua calça. não deixou de tortura-la ao começar a beijar seu pescoço permitindo que saliva escorresse e que língua lambesse.
     Com o botão aberto descer o zíper foi uma questão de segundos. O engenheiro voltou a ficar com a coluna ereta para poder despi-la. Demorou um pouco, pois, o tecido agarrou de forma resistente as pernas de e não facilitava o serviço. Seu quadril foi de um lado para o outro para ajudar e quando finalmente passou pelas coxas, perdeu um pouco do raciocínio ao ter em seu campo de visão a calcinha amassada e bordô. Santa menina com um santo gosto por lingerie! O veludo reluzia o azulado da iluminação de seu quarto e o avermelhado da peça fazia seu sangue ficar atiçado ao caminhar feroz em direção ao seu membro.
     A calça ficou presa na sandália que ele nem fez questão de tirar, a paciência estava esgotada e perder tempo com detalhes desse tipo não se encaixava mais. postou-se novamente como estava, ajoelhada bem frente a bunda de e abaixou em direção a ela para beijar-lhe com um carinho exagerado. Da mesma forma que adorava ter o pedaço de carne vibrando com a violência de sua mão, adorava poder acaracia-la e mima-la. Todo o mimo, contudo, não durou por muito tempo. De surpresa meteu outro tabefe bem no meio da nádega direita que se distorceu ao distribuir carne para os lados, contou o três e logo contava o quatro, o cinco, o seis e o sete. Sua boca movia-se para pedir por mais a e até mesmo ele cansou-se. A bunda estava pintada de vermelho, marcas de dedo enfeitavam as nádegas e a umidade de marcava a calcinha bem no meio onde o montinho de boceta se acumulava.
     Era a porra da primeira vez de e , eles pensaram que seriam capazes de manter o controle e não caminhar rápido demais, mas como? Com tanto estímulo que porra de ser humano dá conta de ficar nas preliminares? Ainda mais quando se provocaram tanto nas últimas vezes com esfregações, masturbações e sexo oral. Uma coisa berrava no quarto e era necessidade de sexo. Sexo puro, meteção mesmo. Quando o pau mete gostoso e a boceta se alarga para ele e ambos se descabelam, suam e gemem. interrompeu o spanking, deu fim nele. Pulou para trás para ficar em dois pés para se livrar de sua roupa. tentava adivinhar o que ele fazia, atiçou a audição para poder ter uma ideia e soube que ele tirava a roupa ao ouvir o barulho do botão da camisa bater ao chão. Meias saíram após as calças e quase depilou as coxas pela forma que tirou sua cueca que rasgou pela perna até atingir o chão.
     - Você se molhou, mocinha. - atestou lembrando-se da mancha que havia visto. gelou, capeta! O que viria agora? Não saber era enlouquecedor - É teimosa mesmo, não é?
     Ela sentiu que não precisava responder à pergunta, era retórica, bem sabia que a teimosia ali era grande pra cassete. O homem voltou até a cama devidamente nu, diferente de , mas ele realmente não se importava. Se continuasse vestido teria um ataque de alergia as suas roupas, a porra do caralho duro precisava de espaço, de ar, de paz.
     Da mesma forma que acaricou a bunda da menina antes de estapea-la foi imitada ao sentir o veludo macio em sua mão. Puxou a renda da mesma cor para cima e enfiou boa parte do tecido no meio da bunda feminina transformando a peça numa espécie de fio dental. O ato criou atrito no clitóris e ficou como se Tesla fizesse testes com raios em suas partes baixas. Choques e mais choques, umas pontadas cretinas a deixando meio que desesperada para foder logo de uma vez.
     Com a leveza possível começou a retirar o veludo bordô de e para passa-lo pelas canelas empurrou a coluna de para baixo que ao encostar a barriga no colchão teve liberdade para levantar as pernas e permitir passagem. Dali a visão era perfeita. Uma boceta bem avermelhada, iluminada por lubrificação e carente por orgasmo. A segurada firme nos tornozelos fez virar-se de barriga para cima e finalmente os olhos voltaram a se encarar. Em um dia normal ficaria circuitada por causa de sua pancinha, mas quem se lembra disso quando o tesão é tão forte?
     A encarada dizia tudo um ao outro, explicitavam o tesão desgraçado e a vontade praticamente imensurável. sentiu sede e molhou a língua no riacho que o oferecia. A menina deixou a garganta tomar conta e o grito escapuliu. Não um grito escandaloso, mas devidamente agudo e agoniado. A lubrificação junto da saliva de criou um ambiente escorregadio e muito sensível, a língua escorria fácil do grelinho duro aos lábios pequenos. Ao explorar mais a fundo foi de uma simplicidade assustadora como a vagina permitiu a entrada da língua endurecida com o propósito de brincar com penetração. Ao perceber a situação não resistiu a dispor de seu dedo indicador para meter-lhe na xoxota e poder usar a língua novamente para dar prazer ao clitóris. Desgraça!
     - Porra, daddy... - ao ouvir o palavrão que proferiu demorou alguns segundos para travar e parar. Ela praticamente chorou, fechou os olhos e quis bater na própria testa. Abriu a porra da boca do inferno para falar um palavrão, justamente na hora de aprender o caralho da lição sobre não fazer coisas a qual não recebeu permissão. tinha a disciplina de uma batata.
     - Como é? - perguntou ao sorrir digno de Malévola - Falou palavrão, é isso mesmo?
     - Daddy, eu... - ela nem tentou negar, desistiu ao iniciar a frase, não dava para fingir que não havia falado.
     - Eu ouvi, você falou um palavrão. - começou a levantar vagarosamente e como uma naja cretina passou a caminhar com seu corpo sobre até chegar a altura do rosto - Não adianta tentar me enganar. - o olhar pervertido de fez a garota ficar paralisada na cama apenas ponderando que diabo ele iria fazer dessa vez.
     - Você não vai gemer, . - as palavras a hipnotizavam - E muito menos vai falar um palavrão. - a colocavam num estado complicado de fascínio. O cretino nem teve a decência de avisar que iria enfiar dois dedos. Jogou a cabeça para trás e trancou a língua no céu da boca para evitar qualquer ruído. Uma missão fadada ao fracasso, pois, não estava para brincadeira. A penetração nem tão veloz, mas acertadamente ágil tornou a crescente no prazer quase dolorida. E aí... ele usou a porra do dedão no clitóris e não teve jeito.
     - Filho da puta! - ela chamou claramente, foi baixinho, mas chamou. E na devida rapidez, largou a boceta para atacar os cabelos da menina a puxando para cima. Ficou parado encarando-a, esperando que ela desse a resposta que esperava.
     - Mais, . - mas era óbvio que ela queria mais, não brilhava em sua testa? Levou uma mão firme ao pescoço que a fez respirar com a boca aberta, quase sem poder falar pela perda de energia fez questão de esforçar-se para ser ouvida - Mais, , mais!
     Uma cusparada. Direta na sua cara, saliva escorrendo pelo nariz e indo até a boca. Sua reação automática foi pôr a língua para fora a fim de busca-la e traze-la para sua boca.
     - Eu não te deixei falar, eu não te deixei gemer. - outra cusparada, agora direta em sua boca. A sensação de sujeira não foi negativa, era um outro tipo de suja. Um sujo carnal, libidinoso que a fazia sentir poderosa feito uma feiticeira que controla vários espíritos.
     - Essa boca suja... Ah, essa boca suja! - o torpor no homem tornou-se imensurável. Sua situação era catastrófica, ele apenas exercia poder sobre ela. Contudo, seu ser fodeu-se tanto quanto o de . O pau só faltava ranger sobre a barriga de .
     - ... - o esgotamento era iminente, não estava acostumada àquilo, seu corpinho não estava preparado. Sentia como se fosse ter cãibra em todos os dedos do pé e que fosse preciso dormir por três dias seguidos, ainda assim lutava - Mais!
     Então, o homem cuspiu uma outra vez e fez questão de usar a palma direita para espalhar a própria saliva pela boca dela. de boca aberta e boceta dilacerada pela falta de atenção abriram ainda mais a boca e a tentação fez com que enfiasse os dedos lá dentro forçando-os contra a garganta. mais uma vez experimentou a confusão das consequentes sensações, mas apenas o fez parar quando não pôde mais respirar. Bateu com rapidez no braço e o engenheiro imediatamente retirou a mão. Mudando a dinâmica, apertou os lados de sua cintura e forçou o giro que compreendeu como sinal para virar-se de barriga para baixo. Uma outra puxada de cabelo indicou que as nádegas precisavam ser erguidas e ainda usou de suas mãos para levanta-las mais ao, novamente, forçar as costas para baixo.
     A gente sabe qual o momento em que a boceta está pronta para ser fodida. É uma meleca só, uma meleca das boas. Ela vibra, parece que tem um vibrador enfiado ali e ela pulsa, você sente o canal vaginal se fechando e nas contrações ele deixa bem claro que está pronta. Vai descer, simplesmente descer atritando da forma mais maravilhosa de todas. Pode ser que doa um pouco, mas só um pouquinho e a emoção de ter aquele pênis te fodendo faz com que o incômodo seja um nada.
     Definitivamente estava pronta. O lençol de seda amaciou a superfície para seus joelhinhos já cansadas e ela percebeu que babava enquanto sua boca estava baixa no mesmo lençol. mantinha sua cabeça enfiada no colchão, a coluna dela tão alongada como se fosse yoga e a bunda devidamente arrebitada. Ela queria ter gritado, mas perdeu o ar e a voz e toda as outras porras que poderiam ser perdidas. Foi sutil e intenso ao mesmo tempo e quando saiu de si e se afundou novamente foi que finalmente se tocou, seu daddy era totalmente seu.
     Precisavam tanto daquele sexo desgraçado, foi como se as forças do corpo se restaurassem a medida que a penetração tomava forma. , mesmo cansada e fodida, não deixou de tentar manter o ritmo ao foder o pau de com sua bunda que não cessava a movimentação de ir vir. Como forma de presentea-la pela iniciativa a puxou ainda mais para trás e envolveu a cintura toda suada. Desceu os dedos novamente ao grelo e ali começou a brincar ao arrastar as digitais pelo músculo intumescido. A questão é que voz não mais existia para , os gemidos saíam em forma de ar, seus olhos ardiam pela transpiração escorrendo de sua testa, à essa altura, ardiam e não aguentavam mais tanto esforço.
     - Essa bocetinha estava louca para ser fodida, não estava? - expôs em voz alta. ganhou tara pela falta de vergonha de ao falar essas coisas sujas. Ela tentou responder, mas capeta, a voz não saía! Era sério, estava prestes a perder o controle de seu sistema nervoso.
     O engenheiro tomou a decisão de usar o ninho de cabelo comprido mais uma vez como estímulo e prendeu ambas as mãos em seu meio e não teve dó ao puxa-los para baixo. Com a cabeça erguida e olhos no teto, a garota usou suas últimas forças para abrir as nádegas ao arreganhar-se mais. Os peitinhos pulavam ao ritmo da foda e o saco de batia sem parar em sua bunda. Os dedos, porém, esvaíram e largaram as nádegas. A cabeça cansou e o queixo forçou-se para baixo. As pernas renderam e caiu sentada esticando os pés para frente e o alívio ficou claro na passada mais calma de sua respiração.
     Todos estes movimentos foram constatados por . Por mais que estivesse morrendo de vontade de meter mais, de ir ao orgasmo com ela, de ve-la revirar os olhos com o gozo e de derramar esperma, tomou a decisão de respeitar o corpo de sua menina que pedida por descanso.
     Permaneceu dentro e buscou para abraça-la. mudou o comportamento no mesmo instante. Beijou a testa transpirada e franzida e com um beijo calmo e demorado procurou dizer que não havia problema, que eles poderiam parar e descansar. Um leve constrangimento a abateu, se sentindo fraca. Porém, já havia deixado claro umas oitocentas vezes que ela tomava as decisões e que tudo ocorria conforme sua vontade. Estava protegida e ele a entendia, o abraço dizia isso. Seus olhos queriam fechar, os seus glúteos berravam por socorro e seu pulmão meio que esqueceu a sua função.
     - Ei. - a chamou sorrindo, ainda meio sem graça mirou o engenheiro também todo estrupiado - Descansa, meu amor.
     O meu amor ferrou com tudo que já estava ferrado. tentou absorve-lo e interpre-lo, mas seu cérebro deu tela azul do Windows e resetou. Suas funções de pensamento se interromperam e sua única opção foi cair para o lado para tentar respirar de volta e recuperar a desgrama dos seus movimentos. Nada feito. O cansaço a venceu e finalmente entregou seu corpinho derrotado à mercê do cosmos. estudou tudo com cuidado e quando os olhos dela se fecharam, abriu um puta sorriso. Fazer o que? Foda-se que perdeu as forças, foda-se que ninguém gozou.
     Simplesmente foda-se. Afinal, era uma desculpa e tanto para brincar de puni-la uma outra vez e começar tudo de novo!

Chapter 15

Não era de ficar nervoso, nem nada do tipo. Mas, a situação era diferente de tudo que já havia enfrentado em sua carreira. Finalmente havia chegado o fatídico teste do Atom e seu trabalho em conjunto com o de estava completamente em risco, se algo desse errado Lord comeria os cus dos dois com muito chilli, alho e carne moída.
  Claro, a Ariel Motor contava com muito mais funcionários além dos dois ditos cujos, mais classes da engenharia e outras áreas formavam toda a equipe. Porém, aquele era o mais novo projeto da Ariel o qual atraiu mais investidores internacionais. Portanto, era um caso para deixar o gerente de projetos enterrado na pressão e um caso para se tornar a Capela Sistina de Rosengart, o chefão.
  Lord estava muito à frente na rodovia com como carona, porém evitava acelerar atrasando sua chegada de propósito, chamem isso de mal pressentimento. Teria de lidar com muita pressão na desgrama da pista de teste da Ariel. Inclusive, o primeiro teste feito para os investidores estrearia o raio da Pacific Coast, a nova pista de testes. realizava seu trabalho com precisão dentro do seu habitat, mas estar ao ar livre observando carros dando voltas e voltas no circuito o incomodava. Diferentemente de que ficava feito uma criança espoleta correndo para os lados com uma empolgação quase irritante, quando tinha a oportunidade de dirigir ninguém conseguia suportar sua animação. Mas, essa animação deixava os chefes felizes e seu espírito empolgado tornava o garoto de ouro de Vincent Hauser, o gerente de projetos.
  Não que não fosse querido, apreciavam muito seu trabalho e suas soluções tiradas miraculosas de última hora, mas o engenheiro mais velho não possuía a jovialidade simpática e animada do companheiro de trabalho. Sorria ao conversar e mantinha boas relações, mas estava longe de ter a simpatia de ou o carisma de Lord. Ele era o cara mais sério, mais misterioso que preferia observar detalhes a manter uma conversa de duas horas e meia. E também havia um problema complicado, nem todas as vaciladas de escapavam aos ouvidos do Gerente de Projetos. Hauser ia feroz até um Lord que precisava entregar as falhas do amigo. Afinal, não dá para sempre cobrir o erro dos outros mesmo sendo chegados pra caramba.
   temia um algo invisível. Não que fizesse muito sentido, mas ele bem sabia que havia negligenciado o trabalho nos últimos dias. Ah, como o homem tinha dificuldade em manter-se focado. Era tenebrosa sua facilidade de ignorar as responsabilidades pelos prazeres, sempre sofreu por isso. Quantas vezes sua vida escolar foi afetada pelo desleixo com trabalhos? Deixava de estudar para as provas para brincar e quando mais velho, por dormir tarde demais a fim de curtir a madrugada. Sempre dava um jeito de passar de ano, porém, sempre levava broncas a respeito, os pais o diziam que na vida adulta não daria para viver desta forma e ele concordava em falsidade.
  Bem, os pais estavam certos no fim das contas. Sua cabeça começava a ferver em meio a pressão crescente. Desta vez não eram provas batalhando contra suas saídas boêmias da faculdade, era a seriedade de seu trabalho batalhando contra , uma distração e tanto. Nenhum mortal seria responsável e centrado o suficiente em seu lugar, quem iria preferir pensar em engenheria elétrica ao invés de saciar o fogo inconsumível de ? Ele certamente não.
  E o fantasma das decisões passadas o assombrava. Tudo ficou um pouco pior quando chegou à entrada do grandioso espaço verde que abrigava a tenebrosa pista de testes. O alvoroço fazia barulho, os motores roncanvam e as garotas de saias curtas e cabelos longos caminhavam guiando os investidores gringos. Como detestava aquilo! Uns velhos tarados com dinheiro enfiado até o fundo do rabo prontos para investir em algum projeto promissor e os chefes, entorpecidos pelas oportunidades, jogavam toda a porra do comprometimento na mão dos simples trabalhadores comuns, os engenheiros. Os engenheiros ganhavam bem, contudo, os grandes da montadora ganhavam infinitamente mais e essa grana sempre parava na mão dos herdeiros que nada faziam para merecer o sobrenome, os mimos milionários e o direito de dizer que eram donos daquilo. Isso irritava , irritava mesmo! Ele poderia ficar horas discutindo esse tipo de assunto, mas Lord sempre o cortava. evitava conflito puxando outro assunto, mas jamais mudava de opinião.
  Ao descer de seu carro uma moça muito sorridente e prestativa leu seu crachá e imediatamente fez questão de guia-lo até o local que deveria ir. Assustou-se pelo local contar com uma escada rolante além dos elevadores. Subiram até o primeiro andar de um complexo de containers de paredes de vidro e encontrou uma decoração caprichada e branca demais. Outros companheiros de trabalho estavam ali servindo-se de quitutes e drinks. Era um dia de festa e toda a empolgação alheia o assustava ainda mais. E se algo realmente desse errado? A frustração tomaria conta de todos e ele temia, temia fortemente que sobrasse para si.
  Sabe quando fazemos uma prova e na madrugada um estalo nos surge mostrando que erramos aquela questão que jurávamos ter acertado? Pois então, teve um estalo daqueles e seu humor murchou completamente ao contemplar tanta animação. Torceu para que o destino o ajudasse e tentou deixar toda a vibe negativa de lado ao avistar e Luxor.
     - Gostei do clima de coquetel de gente rica. - comentou ao completar o trio.   - Nunca tomei drink com berries e umas outras coisas que esqueci o nome, a gente precisa ser convidado para essas coisas com mais frequência. - tomava seu drink como se fosse água.   - A gente, né? Porque o bonitão aqui sempre está nos melhores eventos sociais. - Lord bufou de seu jeitinho incomodado.
  - Primeiro que eu sou o chefe e segundo que eu não desfruto muito mais do que isso, junto das vantagens vêm altas tomações no cu. - o trabalho de Lord o cansava muito e em alguns dias de semana só gostaria de explodir as reuniões com uísque as quais era obrigado a ir.   - Adoro esse discurso sofrido de patrão… - Luxor não deixou terminar a frase e desceu o cotovelo em suas costelas o fazendo cuspir um pouco de bebida. Disfarçou o acidente com certa elegância e fingiu que nada havia acontecido.
  - Eu só quero que o show acabe logo, estou com um mau pressentimento. - Lord pescou na hora a dor de , ele também não gostava de toda a pompa. Testes não deveriam ser feitos pela primeira vez como decidiram fazer. Era arriscado e burro.
  - Ordens do chefão, quem somos nós? Os investidores prometeram mais grana caso pudessem ver com seus olhos enrugados o primeiro teste. Está escrito em todas as testas que algo de errado vai acontecer. - Lord respirou fundo e sentiu necessidade de beber algo mais pesado. Se estourasse para o lado deles não seria fácil.
  - Não quero ser o babaca que deseja o mal para os outros, mas eu espero de verdade mesmo que não sobre para a gente. - completou a corrente de temor e oração torcendo pelo melhor.
  - Nós nunca fizemos algo dessa estirpe, aposto que todos aqui estão sorrindo por fora e agonizando por dentro. Vincent deveria ter pegado mais pesado, ter feito mais revisões, conversado melhor com as equipes. Não está certo. - o medo de crescia e saber que Lord e estavam no mesmo barco não serviu para acalma-lo, pelo contrário, o deixou ainda mais sofrido.
  - Isso nunca foi feito na história do automobilismo, mas… - Luxor bebericou mais um pouco de sua bebida esverdeada e completou - Vamos confiar no nosso taco e sermos otimista. Mais que precisar, nós devemos. - Lord era o chefe, então os outros obedeceriam.

     

Sofrência, medo e sexto sentido não faziam parte do dia de duas molecas loucas por algazarra, e Yeva. O destino da vez fora o apartamento de Valinski e começou a achar que havia escolhido um apartamento pequeno demais. O ambiente principal em espaço aberto era decorado sem minimalismo e os vários objetos a fizeram ficar confusa, costumava achar que menos era mais, porém, Yeva e o namorado descordavam.   O enorme sofá em L berrou por seu nome e ali ela se jogou. Estendeu as pernocas cansadas sob uma das mesas de centro que na verdade eram peças de vidro sobre pneus. Percebeu que aquele espaço não tinha muito a cara da amiga e talvez Cédric fosse responsável pelo design, pelo menos dali.
  Os grandes janelões estavam escondidos pelas cortinas de cor azul claro e seus olhos seguiram para a cozinha e finalmente enxergou um algo estilo Valinki. Os ladrilhos da rodabanca combinavam com o tom azul das cortinas em um verde claro meio turquesa. Os potes com bombons e os pratos coloridos nas prateleiras suspensas tinham a cara dela. Não costumava gostar de decorações coloridas, mas gostou do contraste de cores do ambiente em específico.
  A mochila estava lotada de tranqueiras, sempre carregava coisas demais quando saía de casa para dormir fora. Não era por maldade, mas sua desorganização a fazia lembrar de trocentos itens de última hora que iam sendo mocados nos cantos que davam e no fim das contas ficava parecendo o quasímodo com a mochila nas costas. Tirou todo o peso ao tacar a mochila no canto e espreguiçou com vontade. Sua cabeça pensava em comida e em como iria se montar para a festa de mais tarde.
  O curso havia fechado o primeiro módulo e ela estava tão feliz com isso! Não era faculdade ou algum curso técnico complexo, mas era algo que a interessava muito, uma atividade que não a cansava ao se dedicar por horas. Gostava de fazer, de falar a respeito e também de consumir sem dó, então, nada melhor que comemorar com uma festa.   Deram a sorte do local escolhido ser perto da onde moravam, poderiam ir a pé sem ter de gastar com ônibus ou táxi. Combinaram de se arrumar juntas, pois, tem algo gostoso e divertido sobre se aprontar junto da melhor amiga e fazer a maior zona pela casa. e Yeva estavam juntas há poucos meses, mas já se consideravam melhores amigas. Não seria necessário passarem anos se conhecendo para assumir este posto, eram e pronto!

     

- Que número você calça? - questionou arrependendo-se do sapato que havia escolhido.
  - 37 ou 36, depende do sapato. - bufou em frustração, sempre foi a pézuda que não podia emprestar sapato dos outros.
  - Nem sei porque pergunto… - olhou com desdém para Yeva que a ignorou de propósito - Eu calço 38 ou 39, mas não tô querendo usar o sapato que trouxe. Só me lasco. - momento de #whitegirlproblems.
  - Às vezes tem alguma sandália 37 que te sirva, não precisa ser dramática. Agora vem pra cá comer. - era incrível como quando estavam juntas boa parte do tempo era investido pensando no que comer ou comendo.

     

Yeva era um pouco menos saudável que e o lanche da tarde oferecido foi pizza de ontem com refrigerante. Olhou desacreditada para Valinski, mas pelo menos ela teve a decência de esquentar no forno ao invés do microondas então o queijo não ficou feito a sola de um chinelo.
  Perderam um bom tempo conversando sobre as porcarias do passado. Yeva levou mais à fundo nas suas histórias de adolescente sem juízo e sem vergonha e aproveitou para aumentar a intimidade contando em detalhes os momentos marcantes do bullying e das crises de auto estima. Falaram sobre garotos, porque querendo ou não eles fazem parte da vida, e riram de como meninas podem ser bestas aceitando migalhas de atenção, beijos ruins e orgasmos que nunca chegam.
  Depois de tanto papo sobre o passado foram para o banho e sentiu saudade do seu chuveiro capaz de despejar água quente com uma pressão maravilhosa. Depois de se controlar para não gastar demais a água alheia encontrou Yeva no quarto. A intimidade entre as meninas crescia rápido, entretanto, ainda era estranho ficar de lingerie na frente da outra. Quando entrou sem ser delicada no cômodo teve a atenção tomada pelos mamilos de fora de Valinski, as duas travaram. Yeva constrangida por estar à mostra e constrangida por ter invadido a privacidade da outra.

     

- Ok, isso é estranho. - comentou Yeva, mas também não fez questão de se tampar ou sair correndo atrás de uma camiseta.
  - Pelo menos não é sua vagina que está fora. - e com essa frase as duas abandonaram a cara de nada e riram. Com o gelo quebrado acabou ficando mais fácil - Eu me desacostumei com amigas, mas desculpe, não quis ser intrometida. - meio que virou os olhos para não constrange-la ainda mais.
  - Eu também não estou acostumada, mas tudo que eu tenho você também, não é? - estava de calcinha e sutiã e mesmo não tendo nada explicitamente nu ficou um tanto com vergonha. Era só uma questão de tempo, de se acostumar. Fez isso por tanto tempo quando adolescente, por que ficaria de frescura e vergonha depois dos vinte?
  - É, isso é verdade. Então vamos fingir que eu não reparei no fato dos seus peitos serem maiores que os meus e vamos falar sobre alguma porcaria. - Yeva deixou seus caninos proeminentes de fora e concordou em silêncio.
  - Então você começa me falando sobre como foi dar pro engenheiro safadão. - ainda se ultrajava com bastante falsidade quando Yeva decidia ser curiosa e boca suja demais. Porém, depois de ter levado um bom castigo pela mesma boca suja no sexo, quem seria para julgar Valinski? Ninguém.
  - Eu fiquei, literalmente, sem condições de ir até o final. - Yeva continuou com os caninos de fora rindo em alto e bom som enquanto abria a primeira gaveta de sua cômoda provençal - E também fiquei com uns bons roxos na bunda. - afinal, com o tanto de tapas que levou seria bem improvável ficar sem manchas. Yeva sentiu vontade de ve-las e por isso fincou o olhar curioso nas nádegas de . Ainda ria e quis tacar o travesseiro ao seu lado na cara da desgraçada.

     

Desgraçada mesmo era a apreensão entrelaçada entre os dedos de que tamborilavam no tecido de sua calça cinza e social. Lord Luxor não estava mais entre os meros mortais há algum tempo e havia saído para buscar algum outro drink exótico e demorava a voltar. Da onde estava podia observar os pinheiros em volta da pista, o rastro de vida selvagem que não havia morrido ou fugido pela construção e barulho de motores e também os grandes da empresa junto das meninas e dos engravatados da grana. Pouco faltava para o carro finalmente rodar na pista, o piloto estava junto dos outros com o capacete em mãos e o sorriso largo no rosto. Ele queria ter algo bom em sua mente para faze-lo sorrir, mas não o tinha. Tentou se distrair com o celular ao mandar mensagens para , mas a menina não respondeu. O fato de estar ali em horário pós-expediente o deixava de saco ainda mais cheio, saco prestes a estourar.
  Eram sete horas da noite e o sol começava a dar uma brecha ao baixar na horizonte. Porém, a luminosidade que refletia no vidro o deixou com o olhar meio fosco e embaçado. Não estava com fome e não bebia por prazer, era apenas para desarmargar a boca e tirar o seco da garganta. Há tempos não se sentia tão sozinho, perdido e...carente? Jesus, um homem do seu tamanho com a vida toda arranjada se sentindo carente. O orgulho de hétero o dizia que era errado se sentir assim, mas ele não gostava de dar muita trela pra babaquice heterossexual do macho bem resolvido. Há alguns meses passados estava na mesma situação e ao relembrar da pequena má fase percebeu que um elemento o havia tirado da melancolia pessimista. Isso mesmo, .
  Algo bom e algo ruim. Todas as coisas novas, as trocas de intimidades e desejos o deixaram imerso e distraído. era assim, se envolvia demais e se entregava sem perceber. Lord o avisou umas mil vezes sobre o erro de mergulhar em determinadas circunstâncias sem tomar certas precauções. Mas poxa, que tipo de perigo poderia oferecer? Nenhum, na verdade. Se havia distraído no serviço, sido relapso e se depositava mil esperanças era culpa plenamente sua. estava curtindo a nova vida, nem era justo querer que ela desse pausa em seu espírito aventureiro para suprir as carências suas. Jogou o pescoço para trás e respirou fundo entregando o ar ao ambiente com uma lufada alta.
  Era cedo demais para pensar em envolvimento sério e todos esses rolos que podem ser bem complicados. Queria que desse certo, ah queria mesmo. havia o conquistado, o entrelaçado e ele se via cada vez mais desejoso pela menina. Só precisava caminhar devagar e com calma. As lembranças do primeiro sexo dos dois não ajudava em nada, em nada mesmo. A eroticidade vulgar acontecida entre os dois era o suficiente para o deixar com uma ereção massiva e ainda mais carente no sofá branco, podia ouvir o barulho dos tapas castigando e como ela gemia de dor para logo pedir por mais. Ela pediu por tanto mais, ela rogou por mais dele! Aí estava a perdição que o deixava louco. Era intenso, uma entrega profunda, exigia uma energia da porra de ambos e para ele não era fácil se desligar. Seria loucura perguntar como ela se sentia? Seria demais tentar conversar sobre o futuro, sobre até onde iriam? Talvez, a única resposta era um gigantesco talvez, era impossível dar uma resposta concreta a um questionamento ainda tão aberto. Sofreu ali sozinho, toda a circunstância judiava de sua cabeça e a iminência do teste não prestava para tranquiza-lo. Só queria que acabasse logo de uma vez, que fosse liberado para ir embora e que pudesse ter um pouco mais daquela devorada de batatinhas. Seu alento era saber que ainda tinha a excitante missão de foder direto à uma gozada bem dada.

     

Para as meninas não havia necessidade de um alento, elas estavam on fire com música alta rolando no quarto e sem nenhuma regra de etiqueta ao se atropelarem na frente do espelho. tentava acertar o contorno da boca decentemente e Yeva vasculhava os confins das suas roupas atrás do vestido de veludo azul. Demorou um pouco para finalmente se ajeitarem, mas ficarem enfim prontas. emprestou uma sandália 38 da amiga e Yeva acabou roubando o batom vermelho de e as duas ficaram com a boca pintada da mesma cor. Sem ressentimentos.
  Dentro do elevador tentaram tirar alguma foto no espelho, mas tudo saiu tremido e sem foco. Com um pouco de frustração passaram pela portaria. Deram cumprimentos simpáticos e zarparam para a rua como se fossem donas dela.
  Era algo muito novo para as duas, vinha lá de onde Judas perdeu as botas e Yeva estava acostumada a festas xexelentas em algum buraco com bebida barata e gente metida a drogada. A novidade de segurar um convite holográfico com seus nome impressos sem ter tido pagado por eles era surreal.
  Verde, azul e pink. As luzes ricocheteavam suas pupilas e a música, para o bem de seus tímpanos, estava em volume o suficiente para desejarem sair dançando com a capacidade de conversarem no meio da dança. Avistaram outras meninas da sua turma, algumas de turmas mais velhas e outras que não faziam ideia de quem poderia ser. Graças a Jeová as outras garotas não tinham espírito de nasty bitch, pelo menos a maioria, e não havia nenhuma áurea de baile de fim de ano. De competição, de meninas se odiando, de bullying a ser feito, de meninos a serem conquistado. Sem competição feminina, sem fofocas maldosas sobre a coleguinha. Era um ambiente amigável de se estar desligou-se completamente de . Era uma delícia estar com ele, claramente. Mas, sentia que andava girando em torno do homem e também sentia necessidade de viver um pouco sozinha. Precisava aproveitar a fase da sua vida e estar amarrada a ele o tempo todo não a permitia explorar outros lados. A vontade de explorar o lado sexual era quase compulsiva já que a garota andava movida à tezão nos últimos dias, contudo, Yeva tornou-se sua companheira para todos os momentos e existem coisinhas que o dono de um pênis competente não podem suprir.
   não costumava manter muito contato físico com as amigas, as que perdeu em sua cidade eram meio problemáticas e não gostavam de ficar se encostando, porém, Valinski era do tipo que gostava de sentir contato físico. Grudou pelo braço e passaram a andar feito um casal hiperativo para todos os lados, queriam reconhecer o local e prestar atenção aos detalhes. Nem sabiam exatamente o que aquela festa estava comemorando, mas gostaram de todo fim de módulo no curso exigir um evento social descolado.
  Os ouvidos da forasteira não eram apreciadores de música pop, mas as batidas meio repetidas não a irritaram como costumavam irritar nas boates da cidade vizinha à sua. Acharam um lugar para descolar bebibas e Yeva foi fácil na cerveja, os dias de menina problema havia passado, mas o gosto por cerveja geladinha, não. Não aprendeu a beber destilados, nem drinks sofisticados, gostava mesmo de matar uma latinha e no caso da festa, uma long neck da Bud.
   e sua abstinência de álcool garantiram uma garrafinha de Coca Cola, andava enjoada do refrigerante mais popular do mundo, mas não é como se tivesse muitas opções. Sempre precisava passar pela preocupação de talvez não ter algo para beber em festas do tipo, então agradeceu pelo fato de alguém ter se preocupado com as criaturas que não bebem ou que não beber naquela noite. Estavam bem alimentadas, mas não perderam a oportunidade de roubar os cupcackes de coberturas coloridas, foi direto no de chocolate com nozes e Valinski no de morango, coisas avermelhadas sempre chamavam sua atenção.

     

- Faz tanto tempo que não venho à uma festa que eu não sei mais como se faz isso. - Yeva comentou puxando o papelzinho pink de seu bolinho.
  - Estou acostumada a fingir de que gosto das pessoas festando comigo, então essa noite não vai ser problema. - a cara de dissimulada de indicou sua ironia e Yeva jogaria no cupcake na cara dela se não fosse desperdício de gostosura.
  - Vaca! - não resistiu e começou a rir - Mas sério, a gente socializa, faz moral com os professores ou vai dançar? - ficou pensando por um instante ao mastigar sua noz. Tentou avaliar o ambiente para encontrar algo que chamasse seu interesse. Notou um corredor bem iluminado com luz fluorescente e um espelho enorme que já reunia algumas meninas à sua frente. Soube na hora o que fazer.
  - A gente emula o tipo de gente que vai em festa, mas fica preocupada em tirar foto. Vem! - puxou a parceira de crime pelo braço como se puxa uma criança desobediente e passou a marchar pelo meio do povo até o espelho. Receberam alguns “ois” e sorrisos e os retribuíram antes de caçarem os próprios celulares. Poderia ser um momento de constrangimento, mas as outras estavam tão distraídas em suas próprias fotos que seria besteira se inibir.

     

descobriu não saber fazer duck face nem sorrir em fotos, Valinski não sabia reproduzir a cara de puta que imaginava em sua cabeça e sua roupa não marcava seu corpo do jeito desejado. A sandália emprestada por começava a machucar seu calcanhar direito e ela tentou disfarçar jogando o peso do corpo para o lado esquerdo. Testaram algumas poses e alguns ângulos e finalmente acharam um jeito decente de se fotografarem. A iluminação dos deuses e os trinta e cinco quilos de base e corretivo as ajudaram com bravura na tarefa. As coisas pioraram um pouco na hora de usar a câmera frontal, um destino perigoso onde as coisas não são capturadas do jeito que realmente são. Uma chiou por uma testa distorcida e a outra estava estressada pela cor da sombra não destacar direito. Essa brincadeira fez o tempo voar e Yeva foi pega de surpresa pela vibração no celular indicando uma mensagem do seu boy. enfiou a cara na frente do celular para tentar bisbilhotar mas ganhou um chega pra lá que foi aceito com risadas e deu privacida para a outra ao ir tentar fotos sozinha.

     

Estou todo quebrado, morto e com saudades. Mas aproveita a festa, viu? Balança essa bunda por mim que estou sem forças até para um banho. Beijos nessa boca de batom vermelho e até amanhã.

     

Yeva acendeu e piriquita. Estava sem seu namorado há mais de quinze dias. Entendia muito bem a dinâmica do emprego de Cédric e eles nunca brigavam por conta dela e da distância, mas era bem chato e solitário dormir sozinha, não te-lo para dividir o dia, não te-lo para fazer cócegas em sua barriga sensível e não te-lo para saciar as carências. Yeva não conseguia decidir qual sua maior vontade ao reve-lo, se ir direto para um boquete guloso, se arrastar a boceta pela cara dele ou se montava no pau no sofá mesmo. Toda a saudade fez que sua mente tão suscetível a putaria quanto a de criasse uma vaga possibilidade que logo se tornou uma ideia executável e por fim, ação a ser feita imediatamente.

     

- ! - estava agitada e com os dentes mordiscando seus lábios, para sua sorte era o batom era resistente. A outra reconheceu o chamado, mas tirou uma última foto antes de responder. - , caralho! - a demora fez Yeva chama-la outra vez, estava prestes a botar um ovo.
  - Que foi, porra? - caminhou até a amiga quase mancando e com pressa - Quem morreu?
  - Vem comigo e fica quieta. - foi a vez de Valinski arrastar a seu bel prazer. A criatura sendo arrastada ficou bem confusa tentando entender por qual raio de motivo se afastavam do agito da festa e ficou mais confusa ainda quando foram parar um lado mais distante e entraram em um banheiro.
     Apenas as duas ocupavam o espaço avistado por Yeva quando dava corpo a sua ideia. olhou ao redor tentando entender e entendeu foi nada.
     A mesma confusão assolava o grande grupo de homens e míseras mulheres em frente ao janelão de vidro do ambiente no qual estavam há horas. Antes de completar a primeira volta o santo protótipo sagrado da Ariel Motor simplesmente diminui a velocidade até parar. Os corações foram até às bocas, pessoas quiseram socar o vidro espesso, pessoas quiserem virar as poltronas branquíssimas para cima e pessoas como quiseram se enterrar no chão e cavar até a China. Não era possível! Ele nunca confiou em sexto sentido e em nenhuma superstição falida do tipo mal olhado e coisas que estão para acontecer irão acontecer junto de há males que vêm para bem e Deus escreve certo por linhas tortas, então, foi embaraçoso e triste o suficiente para deixa-lo desacreditado.
  Um engenheiro cortou o silêncio instaurado ao xingar sem rodeios, virou as costas para os outros e foi direto para o bar. nem conseguia olhar para a pista e os olhos de Lord invocavam Satanás à Terra para queimar todos os humanos vivos.
     - Eu sabia, eu sabia… - repetia baixinho de forma que só os dois amigos podiam ouvi-lo.
  - Quem não sabia que essa porra ia foder. - Lord não conseguia conter seu ódio, as unhas fincaram na palma de sua mão ao fechar-se prestes a socar a primeira coisa que cruzasse seu caminho.
  - O pior é que o velho maldito não vai reconhecer o erro e adivinha pra quem vai sobrar? - reclamou e encarou o teto procurando por inspiração para manter-se com um espírito positivo.
     Porém, era bem complicado ser otimista ao observar a cena do piloto saindo do carro, tirando seu capacete e fazendo gestos agitados para os homens de camisa pólo que tiravam seus headphones fazendo gestos ainda mais agitados. O piloto era o menos culpado da história e os na reta para tomarem no cu estavam todos no maldito contêiner de paredes de vidro.
  A situação não ficou melhor quando Hauser meteu a cara no local invocando todos os engenheiros responsáveis. Luxor engoliu o uísque sem esperar que o cara do bar enfiasse gelo dentro do copo. Controlou a fúria e nem olhou para e ao atender o chamado de seu chefe.   
  - E agora? - nunca ficou tão assustado em sua vida. Não era medo do fracasso, afinal esses projetos são assim, suscetíveis a vários erros até serem finalmente finalizados. Mas não era seu potencial profissional em jogo e sim milhões de dólares indo pelo ralo.
  - A gente começa a rezar para não ter sido um problema elétrico. - no fundo de seu coração pressentia ter sido alguma falha referente ao seu trabalho com , entretanto, se esforçou ao máximo para afastar o tal pressentimento.
  - E se for? E se a porra da culpa for nossa? - o desespero de em nada ajudava.   - A gente começa a rezar para não perder o emprego.
     Carregar a culpa de um erro daqueles poderia foder com a carreira dos dois até os confins da eternidade. Quem iria querer contratar o engenheiro culpado por lambuzar as relações da empresa com investidores milionários, quem iria confiar no engenheiro culpado por afetar os lucros da empresa? só conseguia pensar nisso. Todos os outros só conseguiam pensar nisso, alguns em revolta e outros em depressão.   
  - Eu só queria que alguém perdesse o controle com Rosengart e metesse o louco naquele velho desgraçado! - Lord não era de expressar seu desgosto ao chefe dos chefes, mas perante a situação foi tudo muito justificável.
  - Nossa única esperança seria Lord e ele ainda não enlouqueceu o suficiente. - transparecia calma, mas na real, seu estômago foi engolido por uma azia ácida terrível.
  - O filho da puta nunca vai assumir que essa porra de teste foi a pior ideia da vida dele. - até encarou com as sobrancelhas arqueadas, seu menino não costumava mostrar tanta revoltada - A pior ideia de todos os tempos!
  - Calma garotão, melhor converter essa raiva em energia para criar uma boa desculpa caso a culpa caia em nós. - passou os braços pelos ombros de seu em um nível quase paternal.
  - Pior ideia de todos os tempos. - repetiu tirando um riso improvável do mais velho.
     Aquele poderia ser considerado o dia das ideias confusas. olhava do próprio celular para a engraçadinha à sua frente tentando assimilar as informações ouvidas. Yeva decidiu se aventurar por territórios os quais não possuía intimidade, e na verdade, nem a própria idealizadora do plano tinha experiência na área.
     - Então você me trouxe pra cá, pra longe dos cupcakes, da música e das pessoas, para mandar nude pros outros? - Yeva quis que seu olhar fosse capaz de atear fogo no cabelo de , mas não foi possível.
  - Primeiro que não são nudes, são fotos provocantes. E segunda que não é pros outros, é pro meu namorado. - não que ela acreditasse no fato de Yeva ser uma santa casta, mas também não imaginou que ela seria tão direta a respeito.
  - Certo, você quer sensualizar com seu namorado. - não estava no meio de uma crise moralista, mas foi bem pega de surpresa - Tudo bem, eu posso ser sua fotógrafa. - o único empecilho foi o sorriso cafetino enfeitando o rosto da desgraçada.
  - Você pode muito bem aproveitar e mandar foto pro seu engenheiro… - abriu a boca sem condições de responder com xingamentos. O ultraje foi instantâneo, era como se fosse a coisa mais vulgar a se fazer. Porém, parou para raciocinar. Já havia falado sobre com e ela mesma sugeriu que brincassem daquele jeito, não fazia sentido amarelar. Foi só que o fator surpresa não colaborava.
  - Tudo bem, tudo bem. - respirou fundo tentando entrar em equilíbrio emocional - Você começa e depois eu vejo.
     A fotógrafa do momento mal abriu a câmera do celular e já encontrou Yeva subindo o vestido até a cintura a deixando com a calcinha branca à mostra. começou a rir em uma mistura de embaraço e nervosismo e fez o possível para usar a luz do banheiro e os ângulos ao seu favor. Valinski empinou a bunda, subiu na pia e usou a porta de madeira dos cubículos como apoio para se exibir e se concentrou na tarefa dando dicas de como a amiga poderia jogar o cabelo ou usar as mãos. Quando a modelo cansou-se e decidiu parar não foi curiosa ver o resultado de suas fotos, catou o celular de de cima do aparador envelhecido e ficou encarando a amiga com o mínimo de paciência.
     - Dá pra agilizar, por favor? - ainda sofria com o travamento, para Yeva era bem mais tranquilo. Ela namorava a mesma pessoa há anos e eles mantinham um boa intimidade. Para ela mal havia rompido o estado de ser humano desconhecido.
  - Calma, caceta! - foi andando como um cachorro intimidado e parou em frente a parede branca sem saber o que fazer com os braços.
  - Vai, fica de costas e arrebita a bunda. - Yeva não costumava se fotografar, mas cansou de aprender posições com as Suicide Girls em 2008.
  - Ai meu Deus, não tinha uma posição mais ridícula? - e tentou improvisar abaixando as alças de seu vestido preto ao ficar apenas com o bralet minúsculo de renda bem transparente. Valinski fez questão de ligar o flash para ter certeza que os mamilos da outra ficassem aparentes na foto.
     Continuaram a sessão com desdenhando das ideias da sua fotógrafa. Tentou ser sensual ao sentar no vaso sanitário, mas arrependeu-se da ideia. Uma outra hora ficou de saco cheio de tentar achar poses segurando o vestido e livrou-se dele. Yeva comemorou o fato e claro, aloprou a chamando de safada. No fim de suas energias cantou o final da sessão e resgatou seu celular. Poderia ser a chata ao botar mil defeitos nas fotos, mas acabou gostando de várias.
     - Agora é só mandar e esperar os dois ficarem loucos! - Yeva tinha uma empolgação invejável.
  - Você não vai editar?
  - Pra quê? - Valinski achou a pergunta bem desnecessária.
  - Eu gosto de editar minhas fotos antes de postar, não encher de photoshop, mas arrumar brilho e essas coisas. - passava as fotos para lá e para cá na tentativa de criar coragem.
  - Não estou com tempo pra isso, quero garantir um sexo gostoso pra amanhã a noite. - Yeva deletou as fotos ruins e ficou as preferidas no jeito.
  - Cédric volta amanhã à noite?
  - Sim, então nem pense que vai escapar de almoçar comigo. - sorriu involuntariamente pelo fato de ser querida por Yeva e decidiu dividir uma solução para seu empacamento.
  - Vamos fazer assim, eu pego o seu celular e mando as suas fotos e você manda as minhas, assim ninguém fica enrolando. - trocaram os aparelhos e trataram de fazer o negócio logo de uma vez. Iriam embrulhar o estômago até esperar resposta, mas fazia parte.
     Algo que não fazia parte era se largar em seu sofá sem tirar a gravata ou desabotoar o paletó em caminho para o seu banho relaxante do dia. Não era de beber para descontar os problemas, mas a ocasião pedia vodka ou alguma coisa do tipo. Sua barriga berrava de fome, mas ele não estava com paciência alguma para pilotar o fogão ou sequer abrir o saco de pão. Sacou o telefone do bolso e se arrependeu por não ter nenhum aplicativo moderno de pedir comida. Procurou por hamburguerias no aplicativo do Google e por voz, pois seus dedos não foram capazes de digitar. Copiou o número do local mais perto e pediu um hambúrguer com fritas. Seus hábitos alimentares foram ignorados, mas ele resolveu se dar uma folga de manter o controle. Tudo já havia ido pra merda mesmo.
  Um pouco depois de ter sido convocado Lord voltara ao local destinado aos engenheiros para dar o recado aos seus meninos. Foram instruídos a irem embora e esperarem um comunicado, analisariam para encontrar a fonte do erro e entrariam em contato com os responsáveis. Foi um facão atravessado na garganta, preferia ficar ali até o amanhecer para saber logo a resposta. A lua estava sumida entre as nuvens, mas os holofotes potentes projetavam luz o suficiente para manter toda a pista bem iluminada. Ainda olhava para as coisas acontecendo embaixo. Rosengart conversando com os investidores visivelmente irritados esperando por respostas e outras dezenas de pessoas passando de um lado para o outro tentando amenizar a situação.
  Foi para casa à contra gosto, furou um sinal vermelho e buzinou para uma senhora. Poderia não ter um emprego no dia seguinte assim como poderia estar livre de qualquer culpa. O fato de esperar no escuro, porém, matava qualquer possibilidade de calmaria. Pensou em e como em um feitiço recebeu uma notificação da garota. Foi seu nome na tela de bloqueio que o fez criar forças para desbloquear a tela.
  Em frente à um espelho. A foto tirada por trás. De sandálias pretas. Sutiã de renda e minimalista. Mamilos no reflexo do espelho. Calcinha de tiras em tecido brilhante. Nádegas empinadas. Pele de fora e reluzente. Olhos fechados brilhando em dourado. Lábios reluzindo vermelho. Boceta saliente e marcada.
  O sangue de seu corpo passou a correr na direção oposto e seus olhos falharem. Coçou as têmporas e bufou pela milésima vez no dia. Precisou endireitar a postura para observar melhor aquela foto. mandou do nada, sem aviso prévio. Ele não esperava nada do tipo e seu dia de bosta ficou extremamente melhor. Salivou pensando em morder o pescoço estirado e travou as coxas ao imaginar puxa-la pelos cabelos para aprofundar a penetração.
  Imediatamente respondeu a chamando para ir até lá.
     Porém, ele esqueceu-se da festa e a resposta de o lembrou da questão.
  Ficou cinquenta vezes mais agoniado e estendeu o convite para o dia seguinte.
  Com simplicidade a garota lhe disse que iria dormir na amiga e que tinham combinado de almoçar juntas. Disse que poderia ir até lá depois de almoçar. Também disse que o deixaria fazer tudo que quisesse pelo fato de tê-lo deixado excitado só com as mãos de companhia.
   desejou a morte, mas obviamente aceitou a proposta. Teria que fazer um esforço gigantesco para não enlouquecer até o dia seguinte.
     Olhou a foto uma outra vez tentando decorar alguns detalhes e levantou em um pulo largando o celular no sofá. Paletó foi para o chão, sapatos ficaram no corredor. Entrou em seu box apenas de cueca e o jato potente de água inundou o tecido. Encostar a testa na parede e ressuscitar o espírito de punheteiro foi a solução mais rápida que seu cérebro calejado conseguiu formular.
  Teria que servir para pelo menos o distrair até o hambúrguer chegar.

Chapter 16

Uma pequena distância ainda os separava de uma real intimidade. Sabe quando pais vão explicar sexo e dizem que "um homem e uma mulher quando se amam fazem coisas de adultos que se amam e então tem filhos"? Tudo mentira, porque um homem e uma mulher ou um homem e um homem ou uma mulher e uma mulher ou dois homens e uma mulher ou duas mulheres e um homem ou seja lá qual for a combinação, não precisam se amar para transar e não precisam transar apenas para ter filhos. Mas, para ter aquela intimidade excepcional de fazer cocô com a porta aberta é preciso amor.
   e estavam tão longe do estágio de fazer cocô com a porta aberta, afinal, estavam entrando no estágio de se sentirem à vontade na casa do outro a fim de andarem pelados. Por isso teve de pedir licença para ir ao banheiro arrotar.
   a surpreendeu com uma boa macarronada com molho branco. Foi servida em peça branca de porcelana e em pratos quadrados esverdeados e talheres pratas reluzentes. Os copos eram de um vidro bem fino que lembravam cristal, aliás, o seu copo já que bebeu vinho em uma taça linda que bem poderia ser de cristal.
  Estava bem cansada, Yeva sugou suas energias com suas histórias cabulosas da adolescência e as duas não se importaram com o horário ao passarem tempo demais no Netflix. Quando acordou já passava das onze e meia e ela havia combinado com que iria até o seu apartamento à uma hora para almoçar. Não descansou o suficiente, dormiu mal, até ficou com um pouco com dor de estômago por ter comido doce demais. Recusou a carona e foi até o apartamento do engenheiro de ônibus e quando chegou lá e o encontrou todo sorridente na porta nem sentiu tanta vontade de comer, ela queria sentar em seu colo no sofá mesmo e ganhar carinho.
  Porém, havia dado duro naquele almoço. Tomou cuidados que normalmente não tomava quando cozinhava para si próprio e caprichou consideravelmente, usou as louças que praticamente nunca usava e ficou inquieto esperando pela chegada da garota. Ansiava por sentar-se junto dela e perder tempo conversando idiotices divertidas.
  A intimidade, contudo, ainda era moldada. voltou à mesa e ao seu prato e prestou atenção aos seus modos para não sujar-se toda de molho como faria se estivesse sozinha em casa. Também costumava chupar o spaghetti fazendo aquele barulho desastrado, mas não era hora de comer feito uma crocodila esfomeada.
   ainda tinha as fotos da noite passada em sua mente. Caramba, aquilo foi um golpe baixo da porra. O fez ficar de pau duro depois de uma punheta fervorosa no banho e ele até mesmo arriscou assistir um pornô no notebook recém comprado para aliviar um pouco mais de sua necessidade carnal. Olhava para e lembrava-se das alças caídas do vestido, da pele à mostra, da calcinha enfiada na bunda e segurava a língua o máximo para não tocar no assunto enquanto almoçavam. Não era a hora, não parecia certo para aquela situação. Tudo culpa da tal da falta de intimidade. Afinal, e ainda não era um casal. Então, começou a se perguntar junto de seus pensamentos inquietos e mal organizados, quando seria que ele e seriam um casal desses que fazem cocô com a porta aberta?
  - Se acostumando com a noite da cidade grande? - foi uma pergunta meio ruim, mas até interessante para quebrar o gelo.
  - Falando assim parece que eu virei a noite na balada. - riu do aparente exagero do questionamento - Mas sim, estou me acostumando com a noite da cidade grande. E me acostumando a ter uma amiga novamente, senti falta. - poderia ter um pinto gostoso, mas Yeva era insubstituível.
  - E falando assim parece que você é a pior pessoa com amizades. - riu para não chorar, pois uma de suas maiores habilidades na vida era perder amizades.
  - Você não está muito errado. - encerrou a fala tomando um gole de seu suco e voltando ao passado para se lembrar das tragédias.
   estudou na mesma escola católica por muitos anos, saiu de lá apenas para fazer o ensino médio. Neste tempo sendo vistoriada por freiras sem o mínimo de toque para lidar com crianças ela conseguiu construir algumas amizades, mas apenas duas dessa perduraram para a vida adulta.   Quando adolescente criou um espírito um tanto rebelde que não aceitava ultraje de forma alguma e devido aos traumas relacionados à humilhação, qualquer coisa pequena era considerada ultraje. também sempre teve uma personalidade forte, tímida, porém com coragem de abrir a boca no meio dos outros para defender seu ponto de vista. E na sua rodinha de amigas do ensino médio com outras quatro adolescentes tentando moldar personalidade e reafirmar ego ao mesmo tempo, alguém tão boca aberta e independente pode causar problemas.
  Por causa de meia dúzia de mal entendidos e da sensibilidade de à ultrajes o grupinho desmantelou. Ela nunca parou para pedir perdão, mesmo quando teve a oportunidade, em sua cabeça estava certa e isso bastava para ficar em paz com sua consciência. As amizades se foram e o temor de ficar isolada para sempre na nova cidade era real. Como ela faria? Ficaria trancada em casa sem fazer nada, sem ter para onde ir ou para quem pedir socorro?   Não mais. Agora ela tinha Yeva Valinski e sentia que a teria por um bom tempo. Porém, a nova amiga não apagava as amizades desastrosas do passado.
  - Sua experiência escolar foi mesmo uma porcaria, não? - tentava não ser invasivo ao tocar no assunto e por isso ia aos poucos, afinal, ele queria conhece-la melhor.   - A escola apenas prestou pra me alfabetizar e me dar algumas duras lições sobre convívio social. - ela costumava conseguir brincar com o passado, mas hora ou outra a bad a pegava de jeito. E aí vinham as crises nervosas que praticamente não conhecia.
  - Eu passei pela escola pelo jeito mais normal e sem graça de todos. Se for perguntar por mim a algum professor ou a maioria das pessoas nem vão se lembrar do cabeludinho gordinho da família . - o imaginar criança com as madeixas batendo no ombro e a barriguinha pulando para fora do shorts era interessante e engraçado.
  - Então você é um daqueles patinhos feios? - começou a ficar mais curiosa sobre a juventude do engenheiro que parecia ser tão sério.
  - Não exatamente, eu fui um gordinho saudável e corado. Só aprendi a parar de descontar tudo na comida com o passar do tempo. - havia acabado de confessar que teve problemas com ansiedade no passado? Ele não demonstrava ser ansioso, mas também já era um homem bem adulto, teve tempo para pelo menos aliviar seus problemas. Ela ainda chegaria lá.
  - Bom, eu já estou me sentindo culpada pelo tanto de macarrão que comi. Ontem quase explodi minha barriga de tanto comer cupcake, vou aproveitar e parar por aqui. - engoliu o último fio de macarrão de seu prato e o afastou. Logo na sequência começou a pensar se existia no apartamento de alguma etiqueta referente à visita lavar a louça.
  - Então o bolo fica pra depois? - a dúvida foi sincera.
  - Bolo? você é a bruxa do João e Maria? Porque desse jeito eu vou ficar bem parecida com um leitãozinho e seu forno é grande o suficiente pra assar um leitãozinho. - além de bonita, ainda era besta. Uma combinação irresistível.
  - Você não deveria se culpar por comer um prato de macarrão e um pedaço de bolo. - tentava ser saudável, mas não era do tipo que contava calorias.
  - Falar é fácil, . - e a menina forte que batia o pé defendendo seu ponto de vista estava ali - Mas agora não é hora de discutir meus problemas com meu corpo. Será que a gente pode ir descansar na tua cama? Te ajudo a pôr as coisas na pia. - e começou a rezar para que ele não tocasse no assunto lavar a louça.   - Tudo bem, senhorita . - falou com um espírito tão autoritário que ele não seria tobó de contraria-la.
  Com a louça na pia e a mesa limpa segurou a mão meio molhada de pelo corredor. A inocência ao redor dos dois naquele instante era quase mentirosa, já que estavam sempre de fogo aceso quando juntos. Vagina seca, pau mole e as mentes rondando outros assuntos que não envolviam detalhes obscenos. colocou as nudes em um canto de seu cérebro e nem conseguia pensar em tirar a roupa com o macarrão tão vivo em seu estômago.
  A televisão ligada de fundo e o barulho de vento vindo lá de fora criou um ambiente tão propenso à preguiça que não demorou para o cansado e atribulado cair no sono. Ele acordou pela manhã com uma mensagem de Lord sobre todo o problema da pista de testes dizendo que teria uma resposta no final da tarde. Sua cabeça foi ficando pesada, o paradoxo prazer versus trabalho o deixando impaciente e seu cérebro decidiu apagar por um instante. levou um susto ao perceber que cochilava ao seu lado. Da outra vez ela fora a primeira dormir e agora o contato com o homem era completamente diferente. Há uma coisa meio macabra em observar os outros dormindo, mas os traços dele estavam tão relaxados e a respiração tão tranquila que seu pulmão com inveja decidiu acompanhar o mesmo ritmo. Sentiu o corpo mais relaxado e a preguiça de quase a contagiou, mas não tinha o costume de cochilar depois do almoço, só o fazia quando estava realmente morta de cansaço.
  Pegou o celular e colocou os fones de ouvido para poder se distrair pelo Youtube. Descobriu que tinha um zilhão de vídeos atrasados para assistir e também descobriu que o fato era "culpa" de sua vida que passou de entendiante dentro de seu apartamento por dias a fio para serelepe ao dormir na casa de uma nova bff e de um novo pegue-te.
  Suas preocupações eram um tanto diferentes da de , não perdia energia cerebral pensando em um possível namoro e em como as coisas deveriam caminhar dali em diante. estava em um ponto bem diferente na vida e sua cabecinha mais se preocupava em conseguir se estabelecer na área profissional da beleza que qualquer coisa. Sua vida apenas começava e todo seu vigor jovial não seria desperdiçado em suposições sobre relacionamento.
  Cerca de uma hora e meia se passou com divertindo-se entre os vídeos do Youtube, de vídeos de compras à tutoriais de maquiagem. Foi tempo suficiente para descansar a cabeça e sentir a barriga bem mais leve, Foi bom ter tirado aquele cochilo, pois, quando acordasse estaria renovado e pronto para uma dona que começava a ser consumido pelo espírito da safadeza.
  O engenheiro esticou os pés e os braços acertando o rosto de de leve, ela virou para o lado admirando os olhos masculinos que se abriam devagar. se mostrou um pouco assustado e perdido e ao encontrar a garota em sua visão abriu um sorriso fraco.
  - Quanto tempo dormi? - não planejou aquela soneca e não se sentiu bem a respeito dela.
  - Uma hora e meia, por aí. - o encarava com uma certa graça, um sorrisinho de lado que o incomodou, mas incomodou pouco.   - Caramba! - arrastou o tronco para cima e sentou-se na cama bagunçando os cabelos a fim de espantar a preguiça. Sentiu-se um velho inútil, um preguiçoso fracote. Ele poderia ter roncado, feito barulhos bizarros com a boca, peidado ou qualquer outra coisa que pessoas podem fazer quando dormem de barriga cheia. E esteve ali do lado o tempo, provavelmente presenciando coisas que estavam longe do que é considerado atraente. Ótimo, ele só esperava não ter passado muita vergonha.
  - Não se preocupe, eu só não cochilei porque meu corpo é chato. - ela mantinha os lábios repuxados e alegres enquanto tirava os fones de ouvido e fechava o aplicativo no celular - O que quer fazer agora? - poderia até ser sacanagem com alguém sem forças insinuar charme, mas passou uma hora e meia alimentando ideias impuras. não havia tocado no assunto das fotos e ela começara a ficar curiosa a respeito. O que ele teria achado? E o que ele teria feito? Pensou no homem aliviando o estresse e tensão com sua mão e gostou da ideia dele ter feito isso pensando em si.
  Finalmente os pensamentos dos dois se alinharam no mesmo raciocínio. também tinha sua mente presa nas fotos, acordou sem dúvidas de que elas deveriam ser o rumo a seguir dali em diante. Se antes de mostrar-se uma danadinha de primeira, pensava em brincar de puni-la, mudou de ideia ao passar pelas imagens por muitas e muitas vezes antes de dormir na noite passada, ele precisava recompensa-la.   - Eu quero falar sobre algo que não falamos o suficiente. - ficou eufórica e levou seu corpo a frente de e sentou-se de pernas cruzadas esperando que falasse mais.
  - O que é? - seus lábios presos no dentes entregavam sua ansiedade.
  - Focamos muito em punição da última vez. Desta vez acho que podemos focar nos mimos. - a garota descobriu que ser punida era delicioso demais, mas estava bem interessada em aprender como poderia mima-la. Se já era gostoso quando ele a dava prazer quando fingia ser um homem malvado, imagine como seria quando ele fosse literalmente agrada-la? Seu clitóris começou a querer participar da conversa.
  - Então eu mereço ser mimada? - foi incapaz de esconder sua animação, até respirava afobada. ainda daria um treco em seu coração.
  - Vem aqui, . - bateu as mãos nas próprias coxas e não sentiu vergonha de ir até ele como uma cachorrinha. Chegou sentando em seu colo dando um jeito de encaixar as pernas de um jeito confortável. Abraçou o pescoço quentinho e não escondeu o sorriso inquieto.
  - Achei que tinha sido uma má menina te mandando aquele tipo de foto... - era particularmente boa em fingir inocência.
  - Eu também pensei que tinha sido, mas então eu comecei a pensar e mudei de ideia. - não conseguia se segurar por muito tempo quando tinha daquela forma para si. Inalou o cheiro natural dos cabelos presos e prendeu os dedos na carne de sua cintura. Deixou que suas mãos descessem um pouco mais para começar a brincar de apertar a bunda quase arrebitada - Eu gostei das suas fotos, apesar de ter sido crueldade, eu adorei a iniciativa. - ela estava que não se aguentava, depois daria um jeito de presentear Yeva por ter sido a dona da ideia.
  - Eu não fui cruel! - dessa vez fingiu ter sido insultada e deixou um tapa ir de encontro ao peito de que começou a gostar instantaneamente da brincadeira.
  - Ah você foi. Você quis me provocar e ainda recusou meu pedido de vir até aqui antes. Sabe ... - liberou uma das mãos para enfia-la por baixo da camiseta larga e preta usada pela menina. Deliberadamente arrastou a palma pela barriga sentindo suas dobrinhas e desejando morde-las. Prosseguiu sentindo a pele do esterno e chegando ao aro do sutiã. Livrou-se da barreira que ele criava ao passar os dedos por baixo com certa força até chegar ao local que queria, o mamilo. Grudou a protuberância levemente endurecida e chiou pela pontada de dor - Bater punheta é gostoso, mas jamais vai substituir estar com você. E ontem, eu só conseguia pensar em estar com você. - ela ficou meio que sem ar, perdida e procurando seu lugar no universo. costumava falar umas putarias gostosas de ouvir, mas quando era mais centrado e soltava esse tipo de informação ela ficava completamente inerte, quase vesga.
  - Sinto muito. - fingiu inocência na cara lavada mais uma vez - Mas, eu realmente queria te provocar e te deixar sem saber o que fazer. - mas não conseguiu esconder o sorriso endiabrado.
  - Gostou de saber que me deixou frustrado e com o pau na mão, né? - fez que sim com a cabeça e as bochechas saltadas e brilhantes.
  - Eu tinha planos com a minha amiga, não podia deixa-la de lado. - teve medo de ser cruel ao dizer aquilo, mas aí estava toda a graça. Se ela pudesse simplesmente enlouquecer e ir até ele em seguida seria bleh. A graça justamente morava no fato de o deixar esperando e com energia acumulada.
  - E esses planos incluíam tirar fotos sensuais no banheiro? - sabia que a amiga tinha tirado as fotos de , mas ele não era do tipo que fantasiava com duas meninas se pegando. Ele ficava feliz pelo fato de ter encontrado uma companheira que a atiçava ainda mais ao invés de reprimi-la. Contudo, precisou assumir para si mesmo o fato de ter ficado frustrado por ter dedicado o tempo à Yeva ao invés dele. Talvez, ele sentiu-se trocado apesar de ser estúpido pensar assim. - Você costuma judiar assim dos caras? Deve ter feito muito homem sofrer. - teve de rir. Era meio sacana às vezes, mas nada comparado àquilo.
  - Assumo que é legal deixar os caras com esperança. - ele não entendeu muito bem, estava dizendo que ela estava o dando esperança para depois larga-lo? precisava deixar de ser tão sensível, ele estavam brincando e se continuasse com esse tipo de atitude estragaria tudo - Mas, esse não é o caso. - piscou e ele não entendeu exatamente o significado da piscadela.
  - Você sendo malvada assim e eu querendo te mimar, fui enfeitiçado. - não podia evitar ser uma toupeira em relação à , qualquer dia estaria arrastando os joelhos no chão por ela.
  - É tão ruim assim me mimar? - respondeu pressionando força mais uma vez ao mamilo e suspirou alto para que ele escutasse bem a sua reação.
  - Vamos ter que descobrir.
  Como sentiu falta daquela boca atrevida contra a sua. Grudar nos cabelos de já era algo cultural, não poderia beija-la sem tomar a cabeleira entre seus dedos para puxa-los e tomar posse dos movimentos. Ela adorava e não iria reclamar.
  O engenheiro começou a empurrar para trás e fez a garota deitar-se no colchão. Foi por cima controlando os movimentos para permanecer no beijo e deixou os cabelos femininos para agarrar o quadril. Naquela altura já rebolava a bunda contra o colchão e essa atitude inquieta de gente sem paciência deixava em polvorosa, doidinho para sentir o rebolado contra seu pau.
  Começando a ficar desesperado de vontade, foi arrastar o shorts de cordão pelas coxas da garota para deixa-la com a lingerie escura à mostra. decidiu participar a tratou de levantar o tronco para se livrar de sua blusa, estava ficando quente demais para o tecido grosso. gostaria de ter voltado à boca aos lábios dela, mas com a calcinha quase grudada em sua cara ele preferiu por beijar outros lábios. Buscou o olhar de e sorriu para a espoleta a puxar o elástico para baixo e finalmente deixa-la nua. sempre vibrava ao ficar com a bocetinha nua e crua aos olhos atentos do homem. , por outro lado, sempre vibrava ao saber que a devoraria. Lambidinhas na boceta, afinal, é um excelente jeito de mimar uma mulher.
  Entrou com a mão por baixo da bunda de para ergue-la e assim ficar com a vagina da garota em uma posição melhor. Baixo o rosto de lado para continuar encarando as íris de e passou a língua pela primeira vez tomando cuidado de gravar a reação de à sua mente. Desejava que a memória ficasse cravada ali e nunca fosse embora. A mulher deixou-se gemer ao liberar um grunhido e relaxou o corpo nas mãos de . A língua arrastou-se com saliva pelo grelo sensível fazendo retorcer o dedão do pé direito. Ficou escorada com os cotovelos no colchão para poder vislumbrar a arte de um bom sexo oral. Para aproveitar melhor da situação tirou do seu campo visão e deixou-se levar pela umidade da pele levemente mais escurecida da boceta ao seu dispor. sempre tomava cuidado com seus pêlos, os deixando totalmente depilados na virilha e ânus, porém, aparados acima do clitóris e nas laterais. Ele não se importava com falta ou presença de pêlos genitais, mas gostava de apreciar o modo como a garota preferia deixa-los. Era sempre interessante analisar a textura da pele lisa e molhada com a da pele dividindo umidade com os cabelos curtinhos. Sua saliva se misturou aos dois e ele já não mais sabia o que vinha da sua boca e o que era lubrificação.
   amava ter uma vara a fodendo, mas teria que assumir que uma chupada bem dada ainda era seu jeito preferido de gozar. Quem sabe mudasse de ideia no futuro, mas por enquanto, era assim que se sentia. Tentado pelas coxas ao seu lado, abandonou o clitóris para mordiscar o interno da coxa direita. pulou no colchão e resmungou o fazendo rir. Para intensificar e dar mais à garota decidiu por aproveitar da molhação encontrada ali para enfiar-lhe uns dedos. Com a palma da mão virada para baixo e os dedos indicador e médio alinhados a fodeu sentindo a pele da vagina o receber com o maior prazer. deve ter dado uns pulos na cama e soltado uns gritos quando o homem passou a meter-lhe os dedos e a chupar-lhe ao mesmo tempo. Caramba, ele podia mima-la assim até a porra do apocalipse!
  Para aliviar um pouco da tensão que a matava aos poucos , desengonçada, abaixou a alça do sutiã e o abaixou para poder brincar com os próprios peitos. Mordia a boca admirando o trabalho do engenheiro e masturbava o própria mamilo. Se houvesse de enfiar um vibrador ou dedo que fosse em seu cu, ela gozaria nos próximos trinta segundos.
  Estava tudo muito bom e sabia que gozar em um oral era ir ao paraíso, mas algo em a fazia querer ser penetrada. Da outra vez ficou sem forças e desfaleceu, ficou com a sensação de que faltava algo. Ela poderia gozar com a boca dele em sua boceta um outro dia, no dado instante, preferiu brincar com o pau dele lá dentro.
  - Daddy? - ainda não havia se acostumado com o estrago mental que era o chamando de daddy. Deixou o oral para dar atenção à ela.
  - Sim? - ficou admirando a testa suada e os lábios vermelhos de sua garotinha que ainda acariciava os peitinhos.
  - Você ainda quer me mimar? - outro detalhe interessantíssimo era como falava muito mais manhosa quando entrava no espírito do ddlg.
  - É claro que eu quero, . Por que? - ela respirou um segundo antes de fazer seu pedido.
  - Me fode então. Eu quero seu pau me fodendo, por favor. - não, não precisava ser educada com seu "por favor". Que mandasse e desmandasse nele, não era necessário nenhum tipo de etiqueta, se enterraria nela sem pestanejar.
  Nem a respondeu. Deu um salto ficando em pé ao lado da cama para despir-se do jeito desesperado de sempre. Algum dia daria à ela o prazer de uma tirada sensual de roupas, não naquele dia. Para ainda era uma novidade sem igual admirar o pinto duro e estirado do engenheiro. Ela gostava do caimento e de como parecia ter um tamanho normal, porém, se sobressair na espessura.
  Voltou a se debruçar sobre ela que o puxou possessiva pelo pescoço para enfiar a língua entre a saliva que produziam. fez dos dedos da mão direita um alicate para abrir espaço para seu pau passar. o queria e ele se daria para ela com toda a vontade de seu ser. A cabeça varou e lascou uma mordida na boca de , ele gostava de ser o dominante mas, toda vez que ela o judiava começava a pensar no quão seria grandioso e libertador ter a futura maquiadora o dominando.
  Imitou ao tomar conta de seus cabelos curtos e suados. Nem sabia mais o que fazia com a própria língua, pois, era bem difícil respirar, beija-lo e gemer. Para aprofundar a penetração agarrou as duas pernas de com cada uma de suas mãos em um lado e as empurrou para trás. Os joelhos foram parar ao lado do rosto de , que sentiu falta de fazer alongamentos com frequência, e as canelas e pés ficaram estirados para cima. Assim o pau de teve passagem aberta para meter lá no fundo. Ele estava com força o suficiente no quadril e pernas para garantir que sairia por completo da garota para enterrar-se uma outra vez.
  O homem levantou o tronco e tentado pelo pé balançando a sua frente decidiu dar um passo a mais e lamber a sola dele. sentiu um tipo de arrepio completamente novo e procurou o rosto de com certa estranheza no seu olhar. Ele piscou para a criatura abaixo de si tentando passar alguma segurança e chupou o dedão estirado sem deixar de engolir a visão de uma confusa e consternada. Nunca lhe chuparam o pé e ela ficou receosa, mas algo que aprendia a cada dia com é que várias coisas que são estranhar acabam ficando gostosas no meio da transa.
  - Quer gozar com meu pau te fodendo, ? - ele sempre vinha com essas perguntas cretinas na pior hora possível, quando ela estava desestruturada demais pra fazer sentido.
  - Quero. - mas a certeza era tão grande que responder não foi tão difícil.
  - Então pede, pede que eu te faço gozar com o meu pau te fodendo. - ele tirou da cartola algum truque sobrenatural para dar um jeito de meter mais gostoso ainda. engasgou na própria saliva. - Vai , pede pra eu te foder mais ainda pra te fazer gozar. Pede pra mim!
  - Me fode... Daddy, eu quero... - a dificuldade era real - Me fode que eu quero gozar. - a ouvir ser tão vulgar era entorpecente. de boca suja era como uma cobra daquelas assassinas que te enfia o veneno e te espera morrer com a mais pura crueldade.   - Te foder onde? - não é porque não estava a punindo que não poderia judiar um pouquinho. deu-lhe um tapa no culote que a fez querer chorar.
  - Na minha bocetinha... - e sim, ela estava quase chorando. Era cruel, um cruel tão suculento que ela não entendia. não entendia que diabos era que fazia para a deixar assim.
  - E com o que? - ele ficaria por mais mil anos com as perguntinhas indecentes.
  - Foder minha bocetinha com o teu pau, eu quero gozar assim. - até que enfim, né?
   lembrou-se de quando masturbou-se em seu box e em como ela se saiu bem com o chuveirinho no grelinho enquanto seu dedo se atrevia a enfiar-se na sua bunda. gostou, afinal gozou daquela forma. Então sua última contribuição para o mimo do dia foi usar da mão direita e de seu dedo ainda sujo de meleca de boceta para penetrar seu cuzinho.
  - Vou te dar um pouquinho mais que meu pau, garotinha. - ela o viu lamber o dedo e deixa-lo completamente cheio de cuspe. ficou confusa por um tempo, já que seus pensamentos estavam dispersos, até entender que ele a foderia na bunda. Rezou brevemente ao senhor para que pudesse aguentar até o fim dessa vez.
  Mas, o fim estava próximo. O fim não demorou a chegar. Ela sabia que com a penetração dupla o prazer estouraria rápido no orgasmo que tanto desejava extrair de . Seu cuzinho recepcionou o dedo do engenheiro como se fosse seu melhor amigo e o deixou entrar e sair em um sintonia gostosa pra caralho.
  - Isso, daddy, Isso... - ela estava quase lá. E ela precisou falar que estava quase lá - Vai, vai que eu vou gozar...
  - Isso, . Goza com meu pau na tua bocetinha e meu dedo no teu cuzinho. - ópera, aquilo era ópera fenomenal - Assim!   E lá foi ela se derramar no pau de o melecando com a porra do seu orgasmo. não gritou, mas deixou-se gemer alto e descontrolada. Ele prosseguiu metendo até seu pau pedir misericórdia. Abandonou a boceta pulsante e foi andando com os joelhos até chegar no rosto de . Uma última vez a puxou pelos cabelos para levantar seu rosto e ela prontamente entendeu o objetivo. Abriu a boca para receber o pênis entre seus lábios e chupou sua cabeça com todo o resto de forças que lhe sobrava. Logo a porra foi por sua garganta quase não dando chance a sua língua de sentir o gosto. esporrou dentro da boca da garota e deixou que um restinho de esperma caísse sobre o queixo de quando o tirou dali. sorria toda mal acabada com aquele cadinho de porra no queixo, boceta toda melecada e cu aberto. Ainda não eram um casal, mas caminhavam pelo melhor caminho até lá.

  

xx

  

Sentado em seu sofá e sozinho mais uma vez. ainda sentia um pouco de dor nos glúteos, talvez fosse hora de voltar a ser um ser humano ativo que pratica uns bons cardios com frequência. Tentava manter a imagem de se retorcendo e gemendo embaixo da si para evitar a realidade que tocaria na sua companhia muito em breve, já que o sem coração Lord Luxor estava à caminho de sua casa.
  O sexo o fez um bem danado, mas só uma lobotomia o poderia fazer esquecer o pepino gigantesco que estava prestes a enfrentar. Luxor o adiantou que não seria fácil, mas que nem tudo estava perdido e que ele aguentaria o tranco. Mas, era uma daquelas pessoas que sofre por antecedência e não havia muito a se fazer. Vestido casualmente com uma bermuda e pés descalços apertou o botão vermelho do controle do aparelho da TV à cabo a fim de procurar algo que o pudesse distrair. Mas não demorou para Lord chegar. A campainha tocou, ele se levantou, abriu a porta e o chocolate mais amargo de todos passou por ela com sua roupa social ostensiva e cara de muitos amigos. Foi direto para a poltrona que sempre recebia seu traseiro no apartamento do outro e cruzou as pernas.
  - Não vou fazer rodeios, tudo bem? Sobrou pro nosso lado, o problema foi elétrico. - é claro que tinha sido um problema elétrico, é claro que teria de ser culpa dele.   - Já suspeitava. - todo o ânimo trazido por abandonou-se sua alma, pelo menos por aquela hora.
  - Eles tentaram, com uma péssima discrição, tentar fazer com que eu colocasse você contra Thunder e vice-versa. Mas quer saber? - e lá vinha o estressadinho - Eu não tenho tempo pra isso, . Eu coloquei a culpa nas nossas três bundas, mas também não deixei barato. - Lord era a pessoa certa para lidar com os chefes, só ele era capaz de ser grosseiro, pontual e eficiente.
  - E então? - abriu os braços esperando pela bala.
  - Eu deixei bem claro que eles também tinham culpa por marcarem o teste mais propenso à desastre da história do automobilismo. Foi um problema simples de ser resolvido, o carro nem levantou fumaça na pista. Teríamos consertado em menos de uma semana e estaríamos pronto para mostrar o carro aos investidores. Eles sabiam disso, mas não assumiram. - continuou com a cara de quem espera pelo final da história.
  - E...?
  - Eles decidiram parar o projeto por vinte dias. Eu, você e Thunder iremos viajar até a sede para fazer um treinamento estúpido. Aliás, todos os engenheiros desse projeto.
  - Isso é algum tipo de piada? Vinte dias fora da cidade? - quis que um meteoro atravessasse sua janela.
  - É melhor que perder o emprego, não é? Nós viajamos na próxima quarta-feira. Não me deram mais detalhes que isso, vou ter uma outra reunião na segunda e passo os detalhes à vocês. Ainda estamos dentro do projeto, mas precisamos passar por essa merda pra prosseguir. - sentiu o fel da amargura. E ficou mais desanimado ao pensar que justo naqueles próximos vinte dias teria que ficar longe de . Vinta dias sem falar com a menina, que fosse a merda o fato deles não serem namorados, ele sentiria sua falta. Teria que descobrir se era bom mesmo no lance de sexting e de manter o calor vivo pela internet.
  - Era tudo que eu precisava ouvir pra ter um excelente resto de final de semana. - afundou-se no sofá querendo que o engolisse. conseguia ser bem dramático quando se esforçava.

  - Desde quando tem algo que te prende aqui? Vai pra porra da sede, , numa cidade maior e melhor com muito mais atrativos, não é tão ruim assim passar vinte dias hospedado em um hotel cinco estrelas, é? - Lord Luxor era um babaca com um ótimo sexto sentido. Quando observou a cara permanente de bunda de seu companheiro de trabalho e amigo de anos percebeu qual o motivo do grande desânimo. - Ah , vai pro inferno! Eu não acredito nisso!
  - Que foi, Luxor? Qual o problema que te deixou afetadinho dessa vez? - também não fazia questão de ser educado com o outro.
  - É por causa da menina que você está assim com essa cara de velório? - Luxor estava completamente inconformado.
  - Qual a porra do problema? - conversar com Thunder era sempre uma benção, mas Lord nunca sabia como abordar as coisas do jeito certo.
  - Vocês mal se conheceram, vai querer me dizer que está tão apaixonadinho que não quer sair da cidade? - Lord Luxor estava a um minuto de começar a cuspir fogo pelas ventas - Nós precisamos conversar e precisamos conversar sério. - o mandou um dedo do meio e levantou para ir até a geladeira pegar uma cerveja. Lord era um otário desgraçado.
  - Não se mete que não é da sua conta.
  - Ah, mas é sim. E trás uma pra mim também. - o quis mandar embora, mas não é como se ele pudesse fazer isso.
  - Se encher demais o meu saco, te tiro daqui no chute. - berrou de lá para um Lord que riu e riu alto.
  - Me poupe, você vai escutar e ainda vai gostar. - Lord era a pantera feroz e a presa indefesa que precisaria ficar quietinha e aceitar seu destino cruel. Vinte dias fora? Deus o odiava mesmo!

Chapter 17

O dia havia começado tão bem! acordou sem despertador ainda antes das nove da manhã e sentiu-se inspirado para abrir todas as janelas e deixar a luz solar entrar. Até passou pano no piso de madeira e lavou seu banheiro, algo que sempre fazia por obrigação, mas que no dia um pouco especial, fez por gosto mesmo. Lembrou-se de deitada no chão de seu box com o chuveirinho lhe dando prazer e pensou que ali deveria estar realmente limpo caso algo viesse a acontecer. Nunca se sabe.
  Pelo mesmo motivo trocou o lençol da cama e dobrou o edredom que sempre ficava jogado de qualquer jeito durante todo o dia. era um cara empenhado e quando estava inspirado ia longe nas suas tarefas. Era justamente esse espírito empolgado e impulsivo que Lord estava a fim de boicotar. Ele já não tinha mais paciência para a euforia de .
  Um coração partido pode estragar a cabeça de uma pessoa e alguns costumes idiotas adquiridos no processo podem simplesmente se tornar parte de sua personalidade sem que ela perceba, e depois disso, os próximos relacionamentos se tornam um verdadeiro desastre. E Lord bem queria evitar que e suas formigas na bunda estragassem a experiência para , pois, Luxor era bem do tipo que se fodia pros homens, o importante era a mulher não precisar lidar com merda de macho sensibilizado.
     - Vê se enche a cara e esquece esse papo. - estendeu a cerveja ao amigo e voltou a se sentar no seu sofá com as canelas apoiadas no puffe azul marinho.   - Você sabe que eu não vou desistir do papo porra nenhuma! - Luxor cruzou as pernas revelando suas impecáveis meias sociais - É inacreditável que você não quer ir viajar só por causa da menina, isso me deixa tão frustrado que eu poderia tacar esse cerveja na sua cara. - poderia parecer piada ou um exagero de quem está brincando, mas não, Lord falava muito sério.
  - Primeiro. - precisou beber para tirar fazer as mil rãs que escalavam sua garganta desceram goela abaixo - A menina tem nome e você sabe. Segundo, você está tirando conclusões precipitadas. - tentava manter a voz baixa e a racionalidade alta, se fosse grosseiro demais despertaria os demônios que habitavam o gênio do outro.
  - Precipitadas? - começou a gargalhar em cinismo - Você vai ter coragem de negar, meu amigo? Não seja cara de pau. - sabia que não adiantava contrariar Lord, ele nunca perdia.
  - Olha, vou ser sincero. Sim, eu estou caído pela e nós estamos definitivamente tendo algo, hoje mesmo ela esteve aqui e você quer saber? - Lord não queria saber, ele tinha asco em pensar em com o pinto balangando perto de alguém - Nós transamos gostoso e nós estamos nos dando muito bem nessa parte, mas é tudo muito novo e eu sinto que podemos esfriar se ficarmos longe justo agora. O que há de tão errado? - Luxor revirava os olhos, era passional demais.
  - Vocês estão construindo e tendo algo, como você mesmo disse, ou é você que está construindo ideias na sua cabeça? - sentiu a pontada lá no fígado e ficou sem resposta. Havia sim a chance de apenas ele enxergar o lance com como um pré namoro ou algo assim.
  - Que merda heim? - começou a se estressar de verdade - Qual a porra da cisma que você tem com a minha vida amorosa que precisa enfiar esse dedo podre no meio como se tivesse alguma autoridade sobre ela? - a cerveja perdeu o gosto e ele a empurrou pra lá.
  - Porque eu cansei de ter você bebendo uísque no meu apartamento com a barba por fazer reclamando que seu coração foi quebrado. Você cria esperanças demais e não aproveita as coisas. Tá gostoso ficar junto? Tá gostoso transar? Ótimo, aproveita e pára de pensar no dia seguinte, se ela realmente quiser estar com você pra valer os dias de viagem não vão fazer diferença. Agora você parar sua vida pra pisar em ovos e medir cada movimento pra não estragar só vai ser cansativo e frustrante. Não deu pra aprender ainda?
     Talvez realmente estivesse depositando esperanças demais e esperando de coisas que deveriam vir com o tempo. Era tão ruim querer te-la por perto? Era tão burro esperar que ficassem juntos logo de uma vez? Era tão clichê querer eliminar o fator casual entre os dois? havia de admitir que vivia em uma sintonia diferente e que ela aproveitava a nova vida esperando por novas aventuras enquanto ele queria entrar na monogamia com alguém que combinasse consigo.
     - Você me deixou confuso… - confessou se afundando no sofá querendo que ele o engolisse e o levasse para uma dimensão feita de costelinha de porco assada.   - Essa era minha intenção - Lord deu cabo de sua cerveja, mas não pediu por mais uma - Vocês estão no lance de daddy e tudo mais? - Lord sabia e havia aprendido ao longo do tempo sobre o tempo, não era pra ele, mas cada um com a sua.
  - Sim. E que diferença essa informação faz? - já estava cansado daquele papo, queria fazer qualquer idiotice menos continuar em tamanho papo tedioso. Era horrível se sentir julgado por um júri tão difícil.
  - Você deposita esperanças demais nisso. Eu entendo que nossos fetiches, preferências ou seja lá como você quiser chamar nos completam e fazem toda a diferença, mas vai com calma. Aposto que tudo isso é novo pra ela e ela está se divertindo. Se você gosta de se divertir com não acaba com a graça da menina, deixa ela se descobrir. Ela preferiu ficar contigo ao invés de voltar com o por algum motivo, mas pode ser que uma hora ou outra ela queira parar e ir de volta pra ele ou para outro e você vai ficar aí com a cara de tacho. - era cada soco de realidade em seu nariz que ele sentia dor no órgão como se tivesse quebrado de verdade.
  - Tudo bem então, o que Vossa Majestade me recomenda? Que eu leve na brincadeira? - Lord esbanjava cinismo em sua expressão para .   - Você está pensando em namorar e eu aposto que só quer brincar, . Convenhamos, ela tinha experiência nessa sua preferência sexual? - Lord era sempre meio desdenhoso com a respeito de suas preferências.
  - E por que eu dividiria um aspecto íntimo da vida dela com você? - Luxor suspirou sem paciência e virou o rosto para o lado da janela esperando que alguma rajada de vento o acalmasse.
  - Então vamos supor que não, certo? E se ela enjoar? E se ela só estiver curtindo agora porque é novo e depois não querer mais, vai fazer o que? Chorar pedindo pra que ela continue? Ou vai larga-la porque ela não preenche mais seus requisitos? - ficou tão frustrado e irritado quanto Lord, ele era um babaca imbecil.
  - Eu não vivo desse jeito e você não vai me fazer viver desse jeito. Não vou pedir cada passo no futuro tentando prever as coisas, você diz que eu sou muito impulsivo e cheio de esperanças, mas na realidade você é um medroso calculista que morre de medo de uma decepção amorosa. Eu não tenho medo, se ela quiser me deixar eu vou superar. Posso ir chorar na barra da tua saia com uísque, mas depois eu vou superar. E você? Vai continuar gastando horrores em motéis com garotas descartáveis porque você é um medroso! - UEPA! Bem na cara, bem no meio da fuça achocolatada de Lord Luxor que ficou completamente sem chão e resposta. Foi obrigado a levantar e quase atropelar ao ir para o freezer resgatar uma gelada. interpretou o acontecimento como sinal de vitória.
  - Então tudo bem. Você me pegou. - jogou a tampinha na pia e voltou em direção à sala, mas não se sentou, ficou escorado na pilastra de sustentação - Mas, você não tem opção, não vai escapar de sair da cidade.
  - Eu sei, meu camarada. Nunca disse que iria escapar da viagem, apenas suspirei alto e você começou toda essa palhaçada. - Lord era a personificação mais pura e verdadeira do desdém. Depois de ter levado o choque de realidade de desistiu de bancar o dono da verdade.
     - Sei que não sou o mais sutil, mas é que eu fico incomodado e com vontade de por juízo na sua cabeça. - o amigo ficou como uma mãe agoniada e preocupada - Você tem as melhores das intenções, mas sempre atropela os bois. Só tenha calma.
  - Estou tendo calma. Só estou em um nível alto de excitação e empolgação, e eu estamos nos encaixando, literalmente. - Luxor fez uma cara verdadeira de nojo, o negócio de ter aversão à transando era sério.
  - Sem detalhes, eu não preciso pensar em você com a rola dura, ok? Já entendi que está super feliz andando em nuvens cor-de-rosa. Não está mais aqui quem se meteu. - deu aquela respirada funda para recuperar seu ânimo - De qualquer forma você vai ter tempo para conversar com ela e explicar a situação, faça seu melhor, mas não force a barra.
     Obviamente não forçaria a barra. O mais jovem e imaturo poderia ser mais dramático e até lançar algum tipo de chantagem à sua pretendida a fim de dar um jeito de realizar suas vontades. Mas, ele havia aprendido, tomou bons tapas na cara. era apenas um cara que era sincero com suas vontades e sentimentos, não sentia medo de deixa-las claras. Ele não gostava de joguinhos de se fazer de difícil e de dissimular suas reais intenções. Muito homem tem medo de levar aquela mulher à sério, com certeza nunca o teve. Se atropelou no caminho com uma passionalidade desequilibrada. porém, estava em sua melhor forma ao se relacionar com e faria as coisas do jeito certo. Não estava com vontade de deixa-la escapar e tinha boas artimanhas para tal, mas ele respeitaria o espaço da mulher, poderia doer se levasse um fora dali um tempo, mas nada irrecuperável.
  Contudo, lembrar-se da entrega de e de seu espírito interessado o fazia ter uma certa consciência de que ela desejava chegar ao mesmo lugar, só demoraria um pouquinho mais. A sintonia de não era a mesma e ele bem o sabia. admirava a imprevisibilidade de estar com ela, algo novo estava sempre prestes a lhe surpreender. Claramente um bocó apaixonado! Quando Lord partiu para, supostamente, sua casa resolveu deixar tudo pra lá. Ao cair na sua cama com um comprimido para dor na mão e com um gole de água encerrou suas atividades pelo dia. Graças a Deus, ainda teria o domingo para colocar a cabeça em ordem.
     Paixão, todavia, era um fogo que realmente ardia sem poder ser visto para . Finalmente estava em paz no seu apartamento depois dos dois dias mais agitados desde que se mudou. Caramba, há quanto tempo não fazia um auê daquele? Ficou cansada e o sexo com teve dor nas ancas como consequência, precisaria ficar o domingo todo com as meias pretas até a canela embaixo de sua mantinha com um copo de Guaraná ao seu lado.
   conseguia ser uma criaturinha bem preguiçosa, mas se esforçava para manter o apartamento em dia. A máquina rodava as toalhas e meias, a louça estava toda lavada e o chão com pano recém passado. Olhou para o seu cantinho e o amou, o amou de verdade. Morar sozinha era realmente maravilhoso! Ser adulto não era tão maravilhoso assim, esquecia algumas coisas importantes e odiava fortemente pagar contas, porém, decidir sua própria rotina sem ter ninguém para se intrometer não tinha preço.
  Cansou do Netflix pelas próximas horas, olhou para a janela observando a avenida tranquila e os raios finais de sol no céu. Talvez fosse hora de ir tomar um banho e de pensar na janta.
  Antes que fosse no varal pegar uma toalha ouviu o celular apitar umas três vezes e ouriçou as orelhas como animais fazem quando se sentem ameaçados. A notificação piscou na tela bloqueada e ela viu o nome de na tela. Não que fosse estranho o cara com quem ela andava tendo um caso mandar mensagem, mas ela não esperava. Destravou a tela e foi curiosa e desconfiada ver do que se tratava.
  Deu uma engolida de saliva e fez um barulho estranho ao estalar saliva nos dentes. estava deliberadamente se convidando para ir até seu apartamento. Ele não deu um motivo específico, apenas disse que queria ve-la. Querer ve-la era um bom motivo, mas o engenheiro não costumava ser assim. Algum bicho o havia mordido? Mal sabia que uma pantera negra feroz havia estraçalhado a carne do pescoço de .
     Correu para o banho, queria a sensação de limpeza e leveza que só um banho quente e demorado pode trazer. acostumou-se com a ansiedade batendo toda vez que entrava em cena. estava se enroscando com o engenheiro há algum tempo, pouco mais de um mês, e ela tinha a sensação de que havia tanto para descobrirem um sobre outro. Uma sensação totalmente realista, pois, apesar de ter contado algumas de suas experiências passados para havia tanto que ele não sabia sobre ela. E o engenheiro ainda era uma área a ser totalmente explorada.
  Contudo, não queria atropelar as coisas. não tinha nenhum plano formado sobre em sua cabeça, estava vivendo um dia por vez. Era bem mais leve, sem preocupações bobas e sem criar expectativas. Nunca havia namorado pra valer, diferente de algumas meninas da escola e da Igreja que com dezesseis anos já estavam no segundo namorado sério. Na época ela os julgava, mas fazia parte do seu ser traumatizado que julgava demais os outros em virtude de suas próprias inseguranças. Só que aquilo não era pra ela, e também havia de reconhecer que os meninos não eram seus maiores fãs. Quando chegou na fase de acender a xoxota, preferiu curtir os prazeres ao invés de se amarrar a alguém só.
  Os questionamentos que perturbavam com certeza não faziam o mesmo com a futura maquiadora, suas ansiedades tinha um fundo bem mais carnal. Era um ritmo sexual completamente novo e ela sentia que havia tanto para explorar e tanto para ser feito que não conseguia controlar os pulmões e coração quando pensava a respeito.
  Porém, teve de abandonar todas as questões quando o interfone tocou e percebeu que estava de calcinha e com a camiseta gigante e cinza comprada em brechó. Correu para atender e autorizou a subida de . Ficou olhando para a porta como se ela tivesses respostas para algo. Quando deu por si e correu ao quarto não encontrou nada além da toalha em cima da cama, justo no dia que almejava pela zona de roupas ela não estava ali. No instante em que a campainha tocou terminava de vestir o primeiro shorts que achou e ela não cobria muito mais que a calcinha. Tanto fazia também, a havia visto quase do avesso, não fazia mal encontra-la com a franja molhada, a cara vermelha da água e camiseta suja de caldo de feijão.
     - Hei! - o comprimentou com um pouco de euforia e agitação pela corrida que deu até a porta.
  - Oi, . - sorria em sua límpida simpatia. Foi direto ao sofá de e se sentou cruzando as pernas. A garota normalmente o via de roupa social, então foi meio que novidade ve-lo de jeans e camiseta casual. Pelo menos não era daquelas camisetas bregas com o nome de uma cidade, tipo Miami, frases sem sentido em inglês e um par de números em branco.   - Quer alguma coisa? Água, algo assim? - permaneceu em pé tentando descobrir qual o melhor jeito de manejar suas mãos, era a segunda vez de no apartamento e ela queria causar boa impressão. Bobeira, pois não precisava disso.
  - Um copo da torneira mesmo. Por favor. - fez sinal positivo com a cabeça e foi o escorredor de louça pegar um copo limpo e o encheu de água. O entregou a e sentou-se ao lado dele estirando as pernas na banqueta à frente.
  - E então…? - todo o estranhamento que sentia em seu corpo era pelo fato de não saber exatamente a razão de estar ali. não lidava muito bem com situações meio obscuras e mal explicadas.
  - Agora me dei conta de que minha visita ficou bem mal explicada. - ficou um tiquinho sem graça pela impulsividade ao mandar a mensagem, mas, fazer o quê?
  - Digamos que sim. - conseguiu descontrair um pouco, afinal, não era ruim te-lo ao seu lado. Deu uma arrastadinha no corpo para ficar mais perto dele e abriu um sorriso involuntário.
  - Vou tentar fazer isso não ficar estranho, ok? - ela concordou e ficou com os olhos estatelados na cara dele - Algumas coisas deram bem errado no trabalho. Nosso chefe é um velho maldito, nós estávamos trabalhando neste novo carro e precisávamos mostrar o carro rodando na nossa pista para os investidores interessados. Mas, o velho maldito decidiu que não testaríamos o carro antes de mostrar aos investidores e o carro deu problemas ao rodar na pista. - não que fosse o estereótipo da menina que entende completamente nada de carros, mas era com certeza um papo que não estava na sua rotina - Todos os engenheiros do projeto foram para casa com medo da culpa, e acontece que os laudos mostraram que o problema foi elétrico, coisa do setor meu, de e Lord. - ao lembrar-se disso sentia vontade de atear fogo na casa do velho maldito.
  - Caramba! O quanto vocês se foderam? - ela poderia ter sido mais sutil, claramente, até sentiu um pouco de culpa ao jogar tão abertamente, mas no fim das contas, estava ultrapassando barreiras que a permitia ser mais direta com o homem ao seu lado.   - Não sei exatamente, mas digamos que razoavelmente. Lord foi ao meu apartamento à tarde e deu as más notícias. - a cabeça mais nova do ambiente ainda processava as informações tentando conceber de qual forma o desastre de se ligava à ela - E bem, nós vamos ter que ir até a sede da empresa e ficar fora da cidade por vinte dias. - se desmanchou em um suspiro longo, deu a notícia como se fosse ao velório de alguém.
      saiu da realidade por um instante, orbitou em milhares de pensamentos e um tanto considerável de sensações indescritíveis correram sua pele. Ficou tonta, ficou nervosa, ficou triste e ficou agoniada. Ela não entendeu o porquê, não é como se precisasse fugir para sempre e mudar de nome e identidade porque alguém o perseguia para assassina-lo e ela definitivamente não havia nascido grudada no homem para sofrer ao ficar um pouco longe. Mas porra! Eram vinte dias, ficou acostumada ao ter por perto e a confusão mental a deixou sem resposta encarando um ponto fixo na parede branca e suja à sua frente. Todo o papo de curtir, de aproveitar o momento a torturou. Fui um estalo cruel e definitivamente assustador, mas percebeu que era mais que um caso, se não fosse ela não teria ficado tão desorientada ao saber que não o veria em vinte fucking dias. Seu cérebro dramatizou a situação e ela dividiu do suspiro que o homem havia acabado de dar. Menos , menos! Foi o que pensou, mas suas pernas batendo indicavam bem mais.
     - Vinte dias não é tanto tempo assim… - falou mais para convencer a si mesma - A gente vai poder se falar? - ela estava preocupada em não manter contato com ele e ela definitivamente iria precisar manter contato.
  - Sim, claro! - respondeu estabanado - Com certeza vou ter horários e coisas a cumprir, mas vou ter tempo para nós nos falarmos, claro. - foi repetitivo e até hiperativo, mas ficou tão empolgado pelo fato de demonstrar interesse em permanecer se enroscando com ele que não conseguiu se controlar. sabia ser uma besta quando gostava de alguém.
  - É bom saber disso. - deu um sorriso meio frouxo, ela não queria se abrir demais, ainda estava meio aflita e com o coração palpitando, mas não queria exagerar.   - Sim, é! - foi ficando entorpecido aos poucos, afinal, seus medos foram embora e uma vontade de aprontar alguma coisa começou a deixa-lo animado - Você vai ter boas desculpas para me mandar novas fotos. - colocou um pouquinho de lenha na fogueira, por quê não?
  - Gostou realmente das fotos, né? - e claramente deixou seu espírito absorver o calor emanando do homem - Vai ser uma boa oportunidade de testar nossas capacidades de sexting. - sempre ria ao pensar em sexo por telefone por se lembrar de um episódio de Rocko onde o marsupial trabalhava numa hotline. Lembrou-se claramente dos três passos colados na repartição de escritório: be hot, be naughty, be courteous.
  - Eu nunca fui muito bom nisso, mas eu aprendo rápido. - o engenheiro tomou a liberdade de virar-se sutilmente para segurar a cintura de a guiando para sentar-se em seu colo. Ele nem preciso fazer esforço, pois, logo quando percebeu a intenção a menina pulou rapidamente para cima das coxas dele. O colo de era confortável demais para se negar.   - A gente dá um jeito, daddy. - cruzou os braços pelo pescoço do homem se apossando do espaço, friccionando as roupas que se eletrificavam. Fez questão de roçar nariz com nariz, de respirar profundamente e de expirar ar quente direto nos lábios secos. O rosto desidratado e as olheiras fundas indicavam que passava por um mal bocado e ela gostaria de ajuda-lo a se sentir bem.
  - Você tem ideias nessa cabecinha, não tem? - ajeitou a coluna no sofá ficando mais ereto e assim com a garota mais colada em si, os peitinhos sem sutiã se esfregando em sua camiseta fina e a curva da bocetinha procurando por um lugar para se encaixar.
  - Eu vou aprontar bastante… - sentiu vontade de lambe-lo e o fez passando a língua pela pontinha do nariz deixando a pele levemente molhada. As mãos de fincadas nas coxas da garota tremeram e em resposta tratou de as apertar. gostava assim, aprendeu a ter a apertando e castigando suas carnes.   - Nós já falamos sobre procurar por punição de propósito, não? - soltou uma risadinha espoleta que o fez querer morde-la.
  - Você não vai estar aqui para me impedir. - brincava de por ordem, mas adorava o espírito rebelde e terrível de obedecer que a garota possuía.
  - Eu estou aqui agora para te dar uma amostra do que eu posso fazer quando voltar…
     Não houve tempo para preparar as suas estruturas que foram totalmente abaladas quando a levantou com tudo do sofá e foi direto para a parede batendo sua coluna no gélido concreto pintado de branco. A vontade de morde-la foi saciada quando incorporou a alma de vampiro indo direto ao seu pescoço para ficar os dentes. tentou jogar o pescoço para trás a fim de ceder mais espaço, mas bateu a cabeça na parede. Ela não precisava de um galo naquele momento, não mesmo, e por isso pendeu o queixo para baixo dando um jeito de fazer a boca de grudar na sua. Ele entendeu o recado!
  Tomou os lábios de sua babegirl e forçou a pélvis contra a dela para ter mais liberdade com as mãos. Estava devidamente presa à parede com as pernas abraçando a parte alta do quadril do homem e procurando por um jeito de rebolar em seu pau. Sua vagina berrava por atenção, quanto mais a dava, mais ela queria.
  Infelizmente para o seu lado estava decidido a dar nada do que desejava. Desceu um tapa em sua barriga e instintivamente foi para trás fazendo com que perdesse o equilíbrio. Estava prestes a cair do colo dele quando fez suas pernas desceram, assim, ficou em pé com o shorts enfiado na bunda e as nádegas prensadas contra a parede. Mal conseguia respirar e raciocinar sobre as coisas acontecendo.
  Estendeu os pés caçando por beijo-lo outra vez, mas não foi o que recebeu. Com uma mão o engenheiro apertou seu pescoço e com a outra estapeou sua bochecha. O ardor a deixou tonta, seus pés passaram a pinicar e seus olhos apertaram nas órbitas. Antes que pudesse tomar alguma decisão que fosse foi rodada ficando com a cara contra a parede. Seu nariz entortou para a direita e sua língua sentiu o gosto de nada da tinta. Os pés de fizeram os seus se afastarem ao bater neles e fez sua bunda arrebitar ao puxa-la para trás. A crueldade só ficou pior ao sentir o volume da rola afundando impertinentemente em meio à suas nádegas. Puta que pariu, que cretino! Nem havia como falar, sua boca estava presa à parede e sua falta de fôlego em nada ajudava.
   aproveitou o espaço livre para si e foi direto no ponto mais sem sensível. O tecido do shorts e a calcinha e nada foram o mesmo, logo seus dedos se deliciaram pela bocetinha de . Molhada, bem do jeito que ele queria!
     - Molhou essa bocetinha, não é? - atreveu os dedos para todos os lados sem concentrar a atenção em nenhum canto, sem dar a ela o prazer da masturbação - É assim que essa bocetinha vai ficar quando estiver fora, eu vou tratar de te deixar molhadinha todo santo dia e vou tratar de fazer ir para cama com essa porra de bocetinha bem gozadinha.
     Sentiu como se viajasse na velocidade da luz diretamente para o colo do capeta. Ficou sem mover um músculo quando a largou completamente fraca e com a dignidade no chinelo. Mal conseguiu se virar estampando suas bochechas avermelhadas e a boca babada. O sorriso que Mango a lançou foi cretino, porém, cheio de compaixão. Ela o quis matar e o quis lamber inteiro, malditos sentimentos dúbios!
     - Nos vemos em vinte dias, . - quem mandou dar uma de durona? respirava de boca aberta tentando assimilar a realidade e não foi capaz de agir quando o viu ir até a porta e abri-la para ir embora - Vou sentir sua falta. - foi a última que disse ao desaparecer para o corredor.
     Excitada, fodida e mal paga focou em recuperar as forças e deu alguns passos para chegar ao sofá e ali se jogou. Passou a mão por onde havia se enfiado e notou que realmente estava melecada e quente. Bela maneira de ser largada! Fez uma cara feia de criança que não ganha o que quer de natal e fez uma promessa para si mesma: aqueles vinte dias seriam os mais infernais para o cosplay de Patolino, ! Ela não o daria paz, mas antes, voltaria ao chuveiro para dar um jeitinho na sua situação.

Chapter 18

Avós gostam de nos ensinar à sua maneira. Seus métodos são sempre melhores que os métodos de hoje em dia e nós criamos um carinho imenso pelo jeitinho que nossas avós fazem cada pequena coisinha do dia-a-dia. aprendeu muitos detalhes com sua avó e apesar de nunca ter aprendido crochê possuía alguns dotes considerados femininos que garantiriam pelo menos um pouco do estereótipo feminino em si.
  Mas, sua avó provavelmente a xingaria se a visse no movimento audacioso de colocar o arroz para fritar com o alho e a manteiga sem o ter lavado. Seria uma afronta total à senhora , porém ela não estava ali para ver e julga-la. Algo incrivelmente maravilhoso sobre ser independente, fazer do seu jeito sem ninguém para encher o saco.
  Derramou a água fervente no arroz e reclamou do respingo quente que voou em seu braço. Abaixou o fogo e colocou a tampa na panela garantindo que um pequeno espaço ficasse aberto. não tinha o costume de almoçar ao meio dia, mas acordou cedo por um milagre de Jeová. Tomou café quase às nove em ponto e estava com fome de comida, pois, já passavam das onze e quarenta e cinco. Vivendo feito gente grande!
  Deixou o arroz no seu canto e foi espremer limão sobre o peito de frango para marina-lo, outra coisa aprendida com a avó. sentia não ter lembranças dessas com sua mãe, era grata por tudo que Edita havia feito por si, mas mesmo assim. Avó Edita nunca substituiria a figura perdida há tantos anos atrás.Pôs a melancolia de lado e cortou as cebolas em rodelas para grelhar junto com o frango.   Após a mudança aproveitou da comida dos dois shoppings perto de sua casa e dos restaurantes próximos, mas logo pegou gosto por cozinhar para si. Olhava receitas na internet ou inventava coisas por conta própria e distraia a cabeça com o novo hábito. Aos domingos assistia à Mestres Churrasqueiros enquanto tentava assar uma costela, porém, sempre perdia a empolgação à noite para fazer a janta e se segurava para não pedir pizza e lanches quase todos os dias. Além de tudo, tentava levar uma vida saudável, seus problemas de auto estima envolviam o próprio corpo e ela enxergava os legumes e saladas como aliados para melhorar os aspectos que a incomodavam. Só que ninguém é de ferro e mais era feita de isopor do que algum metal e sempre pendia para o lado da batata frita e das caixas de chocolate.
     Com o almoço pronto sentou-se em seu sofá e procurou por algo na televisão. Adorava o fato do pacote de televisão à cabo estar inserido no valor no condomínio. O prédio oferecia um pacote com muitos canais, em alguns momentos eram canais demais e pouca programação, mas sempre havia alguma coisa para distrai-la.
  Quando colocou a segunda garfada na boca seu celular começou a tocar. Reclamou bufando, odiava parar de comer para atender o telefone, a comida sempre esfriava e perdia a graça. Olhou para a tela que vibrava no sofá e viu o sorriso forçado de sua tia Vera e o nome da mesma logo abaixo. Respirou fundo, as ligações da tia mais chegada exigiam uma santa paciência que perdia a cada dia longe da casa das viúvas .
     - Oi tia. - atendeu tentando manter-se tranquila procurando pelo controle para colocar a televisão no mudo.
  - Olá querida, como está? - Vera era a única tia paterna morando em sua cidade. Depois de ter perdido o marido voltou a morar na casa da mãe. Sua maior justificativa era a de que Edita já não tinha mais idade para dirigir sozinha ou fazer todos os trabalhos da casa por cont. O real motivo para Vera ter se mudado era bem maior e complexo que estes simples e lógicos, mas ninguém na família se arriscava a jogar as verdades em sua cara.
  - Estou bem, acabei de sentar para almoçar. - riu desanimada. Jogou a indireta para ver se a tia se tocava. não gostava de ser uma garota ruim, mas não aguentava mais ser tratada da forma exagerada e cuidadosa demais.
     Quando os pais morreram nenhum dos irmãos de seu pai moravam na cidade. Todos foram embora para a capital do estado vizinho para fazer faculdade e praticamente não visitavam o irmão e mãe. Edita ficou viúva mais de dez anos antes de seu filho mais velho morrer e o baque de perde-lo foi infinitamente maior que perder o marido.
  Todos os tios paternos vieram para o velório junto dos irmãos de sua mãe. Depois dos dias de luto todos voltaram para suas casas. Não parariam de viver suas vidas e não sentiriam a dor por muito tempo, afinal, os irmãos não eram muito amigos e queridos entre si. A exceção estava em Vera. Vera e o pai de muito se gostavam. Se ajudaram em momentos difíceis do passado e passavam horas em conversas animadas no telefone. Quando o irmão morreu Vera parou de enxergar apenas como sua sobrinha, ela se tornou o único pedaço restante de seu irmão e sendo assim, uma pessoa extremamente importante. Dois anos depois Vera perdeu o marido para o câncer. Não demorou para voltar para a pequena cidade do interior. Fez de tudo por até a garota se mudar e a futura maquiadora nutria muito carinho por tia Vera.
  Porém, o relacionamento nem sempre era fácil. Vera tinha seus problemas pessoais, ficou abalada pela perda do irmão do irmão e logo depois pela perda do marido. A tia era tradicionalista, cheia de costumes conservadores e muito religiosa. Uma combinação que nunca dá exatamente certo com adolescentes. Ela nunca soube dos problemas de na escola e não enxergava as lutas que a menina travava sozinha dentro de casa.
  Tia Vera não teve filhos e por isso exagerava na mão com . O excesso de cuidado costumava a irritar, já que era forçada a tomar vitaminas desnecessárias pela preocupação da tia com a falta de energia da mais nova. Seu desânimo não era proveniente de falta de vitaminas, caramba! Era culpa da escola, do quanto o bullying a sugava e a destruía por dentro. Deus também sempre aparecia quando inventava de abrir a boca.
  Você precisa confiar Nele, pois Ele sabe o que faz, a tia dizia com frequência. nunca soube lidar com essa conformidade. Vera também tinha fama de se meter na vida dos outros e julgar todo mundo. Criava barracos no salão de beleza e sempre fugia ao bater no carro dos outros quando estacionava no mercado. A relação das duas era marcada por esses traços conflitantes e por mais que gostasse de sua tia e soubesse do valor de seu carinho e ajuda, ela não gostava de ser tratada como a eterna sobrinha órfã.
     - Ah que ótimo, fico feliz por estar fazendo comida em casa. - era esse tipo de comentário que começava a tirar do sério - Liguei para saber se está tudo bem, estamos com saudades. E o curso, como vai?
  - Também estou com saudades, tia. - não era necessariamente mentira, mas também não era necessariamente verdade - O curso anda muito bem. Terminamos o primeiro módulo e hoje começamos o segundo. - o curso de duraria um ano, cada módulo com duração de três meses. A escola era reconhecida, porém cara e quem bancava o curso eram a avó e tia. Por isso se esforçava para faze-lo direitinho e também por isso sempre era questionada sobre o andamento dos estudos.
  - Que ótimo, querida. - a felicidade da tia era autêntica, era a única sobrinha morando fora, todos os outros moravam junto de seus pais e ela sentia orgulho pelo fato dela ter sido corajosa o suficiente para procurar seu rumo na vida. Vera também saiu de casa para almejar coisas maiores e valorizava quem fazia o mesmo - Não se preocupe com emprego, viu? Foque no curso que você tem a nós. - agradecia de joelhos a falta de pressão para entrar na classe trabalhadora, mas emprego era algo que a incomodava há algum tempo. Não queria mais viver na sombra da ajuda dos outros.
  - Obrigada tia, é sempre bom ter apoio. - nunca batia o pé e nunca era negativa em suas respostas, sabia ser inteligente o suficiente para que a conversa rolasse da maneira mais agradável.
  - Antes que eu desligue e a deixe almoçar, preciso comentar uma coisa. - travou o cuzinho, ela não teria ligado só para dar um oi casual - Irei para o litoral visitar seu tio Boris e todos os voos fazem escala na sua cidade. Por isso decidi comprar passagens separadas, uma até aí e outra até o litoral, assim posso conhecer seu apartamento. - via à sua frente o sorriso de Vera, mas ela não estava sorrindo. Respirou fundo e massageou as têmporas. Teria de arrumar o apartamento, de deixar tudo em ordem e de abandonar os costumes que a tia consideraria inadequados. Pensar desta forma a fazia parecer uma péssima sobrinha, uma garota ingrata e sem paciência, mas não era tão simples assim. possuía seus motivos, Vera sabia como ser invasiva.
  - Que bom, tia! - sempre se fazendo para o melhor - Me avise quando estiver vindo, vou adorar te receber.
  - Aviso sim, querida. Agora pode voltar a almoçar. A vô te manda beijos, estamos com saudades, fique com Deus.
  - Também estou com saudades, mande beijos para a vô. Até em breve, beijos!
  - Beijos querida, até em breve.
     Ela sabia que a fome iria para as cucuias depois da ligação. Jogou o celular na mesinha de centro e largou as costas no encosto do sofá. Era meio que uma tempestade em um copo de água, mas ela não queria Vera invadindo seu espaço, sua independência ainda era frágil e ficava extremamente na defensiva em relação à ela. Pegou o prato sem muita vontade e tirou a televisão do mudo, o frango estava meio frio, mas ela não teve vontade de ir até o microondas. Engoliu a comida para matar a fome e levantou-se deixando o prato na pia, lavaria a louça depois. Foi para o quarto parando em frente ao espelho, faltavam duas horas para a aula do dia começar e então, decidiu que perderia tempo se maquiando e testando sua criatividade para se distrair do furacão que rachou suas estruturas.
     A parte básica do curso havia passado, dali em diante os alunos deveriam ser capazes de manejar todas as questões de beauty basics, o nome do primeiro módulo. ainda tinha medo de contorno cremoso, mas se deu muito bem na área dos sobrancelhas, coincidentemente, a área de fraqueza de Yeva. As duas combinaram de treinar em si mesmas, mas a real é que a procrastinação era uma característica das duas e nunca chegaram a se usar como modelos. Uma verdadeira vergonha.
  Começariam um módulo um pouco mais complexo focado em uma preparação de pele perfeita. Aquele curso definitivamente não era pra gente de baixas condições financeiras, pois, quase teve um treco quando percebeu que deveria comprar um bando de produtos novos e mais caros. Nessas horas agradecia por ter Edita e Vera, mas se culpava por não ser capaz de bancar o curso por conta própria. Bem, a vida não é como a gente quer, não é mesmo?
  O professor começou a falar em colorimetria, em formatos de olhos e narizes e em mais contorno e iluminação. Nem chegaram a brincar com modelos ou tocar em seus kits, foram duas horas de pura teoria e explicação. A maioria estava imerso em preguiça ao fim da aula, morrendo de vontade de ir embora, mas com preguiça demais para sair rápido da grande sala de vidro.
     - Meu Deus, eu achei que isso nunca fosse acabar! - reclamou Yeva dentro do elevador.   - Eu sei que toda a parte teórica é importante, mas eu prefiro ouvir e fazer ao mesmo tempo. - o desânimo estava claro em suas faces cansadas.
  - Vamos comer alguma coisa pelo amor de Deus! - Yeva saiu pela porta do elevador dando graças pelo sol fraco e vento refrescante que embelezavam a segunda-feira.
  - Eu preciso de uma Coca Cola trincando de gelada com muito limão, então eu vou te arrastar pra comer em algum lugar fora do shopping porque eu me recuso a pagar um preço faturado em dois litros de refrigerante. - Valinski não reclamou, estava mesmo enjoada dos restaurantes da praça de alimentação do shopping.
  - Chinês então? - perguntou ao ajoelhar-se para amarrar os cadarços dos All Star.
  - Sim senhorita!
     O restaurante não tinha nome. Era uma portinha em uma das ruas paralelas duas Avenidas para baixo. Era, porém, confortável, com mesinhas quadradas de granito e boa iluminação. A televisão sempre no canal mais popular passando programas sem graça da televisão aberta e o chinês de avental branco sempre repondo a batata frita no buffet.    encheu seu prato com a batata frita recém colocada e descolou um peito de frango empanado e frito com um pouco de maionese. Que comer saudável fosse a merda, ela precisava de fritura! Yeva seguiu o mesmo caminho e quando chegaram à mesa a garrafa de Coca já estava lá com dois copos enormes de vidro cheios de gelo e limão. Se melhorasse iria estragar.
     - Não tô acreditando que vamos ter prova nesse segundo módulo, e todo aquele papo de que com criatividade não há regras? - Yeva reclamou enquanto jogava sal em suas batatas douradas e crocantes.
  - Bom, você sabe que a indústria de beleza é chata. A gente precisa aprender as coisas do jeito que eles querem e depois a gente põe nossa marca. - Valinski fez bico, não gostava de ser contrariada - Mas, eu concordo com você. Ter prova escrita me parece sem noção, fazer o quê?
  - Na verdade, estou mais preocupada com outra coisa… - encheu os dois copos e ficou esperando a amiga continuar o assunto - A gente quer arrumar emprego logo, certo? Minha situação é confortável, mas não é das melhores. Meus pais pagam o curso e me mandam uma grana básica, mas quem paga aluguel e todas as contas é o Cédric. E se por acaso a gente brigar e quiser se largar? Eu fico sem lugar pra morar e sem dinheiro pra me virar! Meus pais iriam me enlouquecer e exigir que eu voltasse pra casa e noway que eu volto praquele buraco. - riu discretamente, Yeva fazia as coisas ficarem mais dramáticas do que eram. Contudo, estava certa em pensar como pensava.
  - Se ele te expulsar de lá eu te adoto e a gente monta nosso plano de vingança. - Yeva caiu na risada e quase engasgou com o frango - Eu não estou lá muito diferente. Minha tia e avó pagam o curso e o dinheiro que eu uso pra pagar as contas é da minha pensão. Tenho também um dinheiro de herança no banco, mas não vai durar pra sempre e seria o suficiente para comprar um apartamento decente, não muito mais que isso. Eu não quero depender de uma pensão e de ajuda dos outros pra sempre, sabe? Meu salário paga as contas e minhas futilidades, mas se eu quiser subir o padrão de vida já não é o suficiente. Não pagaria o financiamento de um carro, por exemplo. - as duas poderiam ser jovens adultas com vários costumes infantis, mas pensavam como pessoas maduras ao analisar as próprias vidas.
  - Eu sei que nós devemos agradecer pelas nossas vidas, tem gente que nem sonha em ter o que nós temos, mas… A gente precisa de independência por completo logo de uma vez! Não quero chegar aos trinta com Cédric me bancando correndo o risco de precisar pedir socorro para os meus pais.
  - É exatamente isso! Por isso precisamos remexer nossas bundas. Só não sei exatamente como faremos alguma coisa. - o desânimo estava para aumentar, mas precisavam ser criativas e positivas.
  - Nós precisamos de um portfólio. Se sairmos do curso só com o diploma não vai ser o suficiente, vão pedir experiência e portfólio, é o básico do básico. Tem muita gente experiente por aí que tomaria uma vaga de nós em um estalar de dedos. - Yeva estava certa, só o curso não garantiria o emprego que esperavam ter, precisariam se esforçar para ter mais que um diploma.
  - Eu pensei em abrir um instagram, mas não quero postar looks feitos em mim, sabe? Quero algo com cara de profissional, mas não estou afim de gastar com iluminação e coisas de estúdio. Também queria usar modelos, se não fica com aquela cara de que eu sou uma pessoa que se maqueia e posta na internet e eu quero passar a ideia de que sou uma maquiadora capaz de fazer os trabalhados na face alheia. - andava pensando em como dar um jeito nesse problema, mas acabou perdendo o foco por causa do tal daddy .
  - Sim, eu concordo! Nós podemos aproveitar que agora estamos num nível um pouco mais avançado e tirar as fotos no curso mesmo. A câmera do celular dá pra quebrar o galho, pelo menos por enquanto.
  - O problema é que eu não sei exatamente qual meu estilo. O professor falou muito sobre isso hoje, nós precisamos começar a ter nossa própria marca e procurar aperfeiçoa-la nas modelos. Não adianta sair postando qualquer coisa. - Yeva revirou os olhos já se cansando da conversa, não tinha um jeito de ser mais fácil?
  - Capeta, viu! É muita coisa pra pensar! - repôs seu refrigerante e desceu um gole para aliviar a garganta.
  - Você, por exemplo. Você gosta de linhas mais geométricas e de cores bem vibrantes, eu consigo enxergar o seu estilo, mas no meu eu fico mais perdida. Parece que é mais fácil olhar de fora.
  - Sério que meu estilo é esse? - Valinski parou para pensar por um instante - Sim, você está certo agora que parei para pensar. Deixa eu ver se consigo fazer uma análise do seu estilo. - sabia mais ou menos como gostava de maquiar, mas ter uma opinião de fora era precioso - Bem, você prefere os olhos esfumados com cores neutras, porém fortes, e sempre que pode coloca um vermelho ou um roxo vibrante. Você se daria super bem com maquiagem editorial pra revistas.   - E você nas passarelas! - o sorriso surgiu em ambas, o dia ficou mais claro e o caminho um pouco mais fácil.
  - Sabe de uma coisa? Teve ter algum grupo de facebook onde as pessoas oferecem serviços de fotografia e de modelagem. A gente poderia procurar e se oferecer pra maquiar para algum evento ou photoshoot, o que acha? - os olhinhos de brilharam. Era uma ideia tão linda & maravilhosa que ela sentiu vontade de abraçar Yeva e não soltar mais.
  - Sim, caralho! É uma ideia genial, precisamos e iremos fazer isso. Mas, depois. Preciso de mais frango e de mais batata. - pensava demais com a barriga e Yeva não era diferente. Foram de volta ao buffet e se abasteceram para a próxima meia hora de conversa.
     Chegou em casa cansada. Não tinha feito muita coisa no dia, mas o que fez foi o suficiente para cansa-la. O peso da conversa com Yeva ficou sentado em seu ombro pouco se importando com o incômodo que causava. Agora ela tinha mais isso para pensar e pensar de verdade, pois, havia passado da hora de parar de procrastinar.
  Porém, tinha uma preocupação extra em mente.
      a largou no estilo mais cruel possível. Não é como se ela pudesse ir até a casa dele e descontar a frustração. Teria que esperar por mais dezenove malditos dias para tê-lo novamente e assim dar um jeito no fogo em seu rabo. Ficou por horas depois do acontecimento trágico pensando em maneiras de se vingar. vinha com aquele papo de que ela precisava pedir permissão para as coisas, mas, era só brincadeirinha. Ela sabia que o engenheiro esperava por uma resposta a altura, por alguma crueldade que o deixaria tão fodido quanto.
  Depois de tanto pensar e aliviar teve uma ideia que considerou boa o suficiente. Em sua cama com os travesseiros servindo de apoio para o seu pescoço pegou o notebook e abriu o Chrome já o odiando por ficar com frescura. Na aba de endereços mesmo digitou plug anal comprar.
  Boom! Uma enxurrada dos mais variados plug anais apareceu à sua frente, tipos de plug anal que ela nem sabia da existência. Porém, os que chamaram sua atenção foram aqueles de ponta prateada e acabamento em pedra, os famosos princess plug do tumblr. havia visto uma infinidade de vídeos com plugs do estilo e sempre sentiu vontade de ter um, acontece que era besta e achava idiota ter uma peça daquelas sem ter alguém para apreciar a pedra. Bem, se ela desejava por um admirador do brilho do enorme strass vermelho, havia encontrado.
  Fuçou os sites procurando pelo melhor preço e acabou encontrando um na promoção. Pensou em comprar um vibrador junto, mas não estava com paciência para pensar. Teve a sorte da loja ser da sua cidade e de eles fazerem a entrega da compra no dia seguinte e na residência do consumidor com toda a discrição necessária. Levantou para pegar o cartão crédito, já que não sabia o número de cor, e efetuou a compra pagando a taxa extra de frete.
     Portanto, ela só conseguia pensar na caixa de papelão com um sulfite colado em cima com seu nome e endereço. Decidiu deixa-la quietinha em cima da bancada para tomar um banho energizante, queria abrir a caixa com o espírito renovado. E foi que fez! Sentada na cama com os cabelos presos e de roupa trocada pegou o estilete para cortar a fita transparente. Comprou o menor tamanho, pois, não estava acostumada a usar mais que seus dedos na sua parte traseira. Rompeu a embalagem de plástico e ficou analisando com cuidado o reflexo vermelho no prateado da peça. Era um acessório bonito demais para se enfiar no cu, pensou.
  Chegada era a hora. Estava nervosa como se uma plateia estivesse ali para assisti-la. Mas, não havia ninguém e seu único admirador seria . Pensou muito sobre a decisão. Era algo sexy, contudo, extremamente íntimo. Existe muito revenge porn por aí e teria um surto caso seu vídeo caseiro acabasse vazando na internet. Mas, ela confiava nele e era um cara de caráter que não precisava desse tipo de escrotisse para ser macho.
  Com a cabeça limpa dessa preocupação e a boceta em polvorsa ficou de joelhos na cama para retirar o shorts que havia colocado por pura burocracia. Por baixo usava uma das lingeries caras que costumava comprar uma vez aqui e outra ali. Uma tanga simples de elástico na cintura e sem costuras nas laterais as deixando livres pelas coxas. O sutiã meia taça e sem bojo possuía a mesma simplicidade, cor e renda. As alças possuíam ajustes e eram de elástico firme, o aro de metal se destacava em preto e uma pequena costura na altura dos mamilos os disfarçavam sob o tecido quase transparente cheio de detalhes.   Poderosa, era assim que se sentia. liberava um espírito primitivo na garota, ela pensava e agia de uma forma que não era costumeira. Tinha coragem para explorar seu imaginativo, audácia para levar suas fantasias à frente e assim sentir-se mais completa e por consequência, feliz.
  Não soube como usaria o celular para gravar o vídeo. Testou algumas posições e percebeu que o melhor seria usar a câmera frontal para poder enxergar os próprios movimentos. Usou uma caixa de guardar bijouterias como apoio e a colocou em cima do criado de rodinhas. O puxou para o meio da cama e posicionou o celular. Apertou o círculo vermelho e ligou o foda-se. A cena já era gravada, mas ela precisava cuidar de outros detalhes, como abrir uma playlist inspiradora no Spotify. IAMX pareceu ser uma escolha adequada.
     No momento a garota não era mais a órfã de pai e mãe. Não era a novata na cidade, a aspirante a maquiadora. Naquele instante era a menina que havia superado muito para encarar seu corpo de um maneira livre. Alguém que abandonou os fantasmas no passado e exorcizou demônios que se recusavam a ir. Dona de si e de suas vontades, responsável por seus atos e o mais importante, fiel aos seus instintos, sem medo de assumi-los.
  Ela não parou para pensar no que gostaria de ver, e sim, focou em fazer conforme a sua vontade. Era um ato de prazer que dividiria com ele e dessa vez ela não precisaria parar para analisar seus movimentos e assim decidir quais suas preferências. Sabia quais eram e tinha conhecimento e liberdade o suficiente para guiar-se por seu instinto.
  Era uma dança instigada pela mais pura sensualidade. Remexeu o quadril buscando pelo ritmo certo para se guiar. Segurou a cintura com a mão esquerda para massagear o seio com a direita. Pendeu a cabeça e deixou os cabelos serem atingidos pela gravidade. Abaixou o quadril e abriu a boca para receber ar. A mão dedicada aos peitos caminhou pela barriga fazendo o caminho natural que a saliência ali formava. Prosseguiu a descida até os joelhos e passou a subir as unhas pelas coxas em um arranhado uniforme e demorado.
  As ancas rebolavam com um pouco mais de vontade e sua respiração começava a ficar acelerada. Testa um pouco quente e bochechas levemente coradas. Deixou que seus dedos passassem pelas laterais folgadas da calcinha e não teve vergonha em agarrar toda a sua carne íntima. Fez uso do próprio clitóris que estava aceso há um tempo, o estímulo de estar fazendo o vídeo foi o suficiente para deixa-lo duro. Com a mão livre tirou o peito esquerdo para fora do tecido do sutiã e molhou a ponta do dedo indicador para massagear seu mamilo quase em pedra.
  Começou por simplesmente se masturbar, um ritual inicial e necessário para relaxar a musculatura que viria a usar. conhecia bem os movimentos que a levavam ao ápice, se prosseguisse no ritmo gozaria rapidinho. Por isso, passou a se provocar indo devagar e acompanhando o ritmo com suas reboladas. Para frente e para trás, levando as nádegas a se retraírem quase o tempo todo. Enfiou o dedo no começo de sua vagina e notou o melado facilitando a entrada. a queria molhada e ela definitivamente atendia ao seu desejo.
  Pronta para a segunda parte de seu espetáculo, levantou os joelhos para facilitar a retirada da peça íntima. A deixou ao lado com cuidado e mudou o ângulo de seu corpo. Olhou para a tela do celular para verificar qual a melhor posição e a encontrou.   Com o plug anal em mãos, sabia exatamente como proceder. Empinou a bunda e com a mão esquerda novamente em seu grelinho tentou da melhor maneira possível coordenador a mão direita para guiar o metal arredondando em seu cuzinho. Procurou ficar com os olhos fixos na câmera para gravar sua exata reação e assim deixar à beira de um enfarte. E seria bem feito!
  Teve a ideia de lamber a parte arredondada que entraria em si e sentiu-se um pouco besta no começo, mas concentrou-se para fazer o que parecia certo sem ficar se julgando. O plug reluzia sua saliva e foi abaixo novamente para suas nádegas. fez o possível para abrir a bunda o suficiente para que a câmera captasse a imagem. Forçou as preguinhas delicadas e passou a esfregar o plug nelas. Caramba, tremeu toda na cama. O gelado do metal provocou um pequeno choque que arrepiou todos os seus pelos e a fez quase perder o controle da mão. Mais tezão e mais animação!
  Dali em frente tudo aconteceu rápido demais, não foi capaz de notar os detalhes ou preparar os movimentos. O plug foi entrando aos poucos, sua anatomia facilitou ao serviço e quando deu por si estava todo enterrado em seu cuzinho com a pedra vermelha enfeitando sua bunda. Soltou um sorriso espontâneo por achar que havia ficado uma graça! A mão em sua bocetinha não parou e ela gemia alto suficiente para o microfone captar o barulho. Achou interessante usar o plug e passou a usa-lo como um dildo para penetrar suaa bundinha. A brincadeira foi eficiente demais e o orgasmo venho sem que ela pudesse controlar. Literalmente gritou. O misto de brincadeira sexual, safadeza, ousadia e penetração dupla foi demais para que qualquer controle fosse mantido.
  O plug ficou enfiado em sua bunda e ela caiu sentada na cama sem praticamente senti-lo.
     - Caralho, eu gozei com um plug enfiado no cu! - falou em alto e bom som numa mistura de susto e regojizo.
     Não o tirou, afinal, ele não estava incomodando. Arrastou o corpo até o celular e dali em diante sua tarefa foi a de baixar um aplicativo para editar o vídeo e enfim posta-lo na janela de conversa com .
     Ela mal imaginava que, justo na hora em que enviou o vídeo, estava em uma reunião com Lord, , mais alguns engenheiros e o chefe do projeto. sentiu o celular vibrar no bolso e alguma espécie de premonição o fez pegar para ver do que se tratava. Viu o símbolo do whatsapp e o nome de na tela. Discretamente e com cuidado desbloqueou a tela e abriu a janela de mensagem. Viu o vídeo para ser baixado e não resistiu, clicou para fazer o download e ficou impaciente esperando. Perdeu a capacidade de escutar as palavras do chefe e de analisar as reações à sua volta. Com o vídeo baixado viu a miniatura na tela e engoliu seco. Focou a visão para ter certeza de que estava certo. Era uma imagem de ajoelhada em sua cama com um dos peitinhos de fora e a mão dentro da calcinha. Deu uma leve tossida pelo choque e Lord estreitou o olhar para o amigo tentando o interpretar, mas foi bom em disfarçar.   Não podia sair da porra da reunião, inferno! Travou o celular e o enfiou no bolso novamente. Foi uma desgraça de um purgatório esperar o tempo passar. Maldizeu o chefe o tanto de vezes o suficiente para garantir que sua alma sofresse eterna danação.   Caralho! o acertou em cheio, ela não sabia que havia mandado a surpresa em um horário tão ruim que exigia tanto de sua capacidade de ser paciente. Não foi algo extremamente mirabolante, mas foi o suficiente para fazer com que se arrependesse da maldade do dia interior.
  Bom, foi realmente bem feito mesmo!

Chapter 19

A gente sabe quando um amigo está de frescura ou inventando alguma desculpa para fazer coisas que ele normalmente não faria. Ele age estranho e fala que está tudo bem. Você questiona e ele segue dizendo que tudo está certíssimo, bem de boa. Então você desiste de discutir porque o infeliz simplesmente não vai abrir a boca e vai continuar agindo da forma estranha e irritante.
     Lord e eram os amigos rolando os olhos e fingindo acreditar no papo furado de . se recusava a voltar com os outros dois no carro de e argumentava tão porcamente para se defender que chegava a ser chorável. O caçula adorava dirigir na rodovia e quando precisavam ir até a sede, ou coisas do gênero, era o motorista do trio. Sempre havia a opção de aproveitar as passagens de avião pagas pela empresa, mas havia uma áurea aventureira em pegar a estrada. A liberdade também era maior, controlavam a trilha sonora, falavam todos os tipos de porcaria e paravam no caminho para comer algo devidamente interessante.
     Devido a estes fatos não havia lógica para insistir em convence-los de que precisava ficar mais tempo na cidade e que viajaria pela noite com um carro da empresa. Lord estava prestes a partir para o soco com o engenheiro que se embolava nas palavras e se esquivava porcamente. Simplesmente me deixem em paz, foi seu golpe de misericórdia para que os outros dois desistissem de discutir e o deixassem fazer as coisas do seu jeito.
      apenas relaxou e voltou a respirar com calma quando viu o automóvel de sumir da frente do hotel. Seu humor estava abalado e ele precisava de um tempo sozinho no bar. Homem responsável que era não pegaria a estrada logo após beber, por tal, pagou mais uma diária no hotel quatro estrelas com o próprio dinheiro para aproveitar o quarto enquanto o álcool saía aos poucos de seu sistema. Talvez até dormisse por ali mais uma noite tentando garantir estar pronto para enfrentar o apocalipse.
     O motivo da agonia desesperadora? era a única resposta plausível, resposta que ele tentou fingir não ser verdadeira. Não muito tempo depois assumiu a derrota ao realizar que precisaria estar em solidão isolada no hotel para colocar a cabeça em ordem.
     Começou com um momento de curiosidade extrema em sua primeira reunião da viagem e terminou com uma punheta excruciante ao rever o vídeo pela terceira vez. Dali em diante passou a sofrer de alguma espécie de febre radioativa e seu organismo falhava a cada dia por não poder ir embora. Os dias seguintes foram um tormento dos brabos e justo no dia de finalmente voltar ao seu lar lhe faltavam forças para simplesmente ir.
     Sentado sob a luz baixa e com a música melancólica de uma quinta-feira à noite caía no clichê tediante do cara perdido que toma uísque enquanto pensa em uma mulher. Era dramático por natureza, não era preciso muito para que caísse em tal situação. Revisitou o vibrar de celular que o deu um choque de realidade.
      ainda não sabia do estrago que havia causado, mas iria saber. sofreu ao esperar pelo fim da maldita reunião. Tentou controlar o nervosismo e a curiosidade, fingiu prestar atenção e esquivou-se dos olhos atentos da pantera Luxor ao seu lado. Dali os outros saíram para um happy hour noturno, mas ele começou com as primeiras desculpas dizendo que não poderia ir. até então não viu maldade, mas Lord o julgava e começava a criar vontade de meter a mão em sua cara barbuda.
     Entrou no quarto e certificou-se mais de uma vez que a porta estava trancada. Sentou-se na beirada da cama e percebeu suor em sua testa e axilas. Abriu os botões da camisa bordô e a jogou em cima poltrona à sua esquerda. Com todo o outfit social e os pêlos do peito de fora pegou o celular e tratou de abrir o vídeo. Queria não piscar, mas os cílios grossos batiam constantemente em suas olheiras. editou o vídeo e o deixou moderamente curto, um pouco mais curto do que gostaria já que gozou um tanto rápido.
     Foram menos de cinco minutos. Da primeira vez o vídeo correu tão rápido que ele não foi capaz de prestar atenção em todos os detalhes. Com a boca aberta e seca ele clicou no play novamente a fim de absorver as informações com mais decência, pois, foi como uma ilusão. Percebeu ser a vítima de uma vingança, ele sabia que estava retribuindo o favor. O seu atrevimento fervoroso o deixava ainda mais excitado. Excitação era uma constante em seu corpo, obviamente, o pau de macho fraco estava endurecido esperando por alguma coisa para dar conta da carência. Apenas na terceira vez ele finalmente fez aquilo que almejava que ele fizesse, se masturbar.
     Caminhou para o aparador e encostou o celular no baú de madeira que o enfeitava. Chutou os sapatos dos pés de olho na carinha extasiada de e com os pés mesmo tirou as meias. Puxou o cinto e o segurou como se estivesse pronto para mete-los nas nádegas da garota e o deixou ir ao chão para finalmente tirar a calça. A cueca foi-se junto e ele ficou livre o suficiente.
      tentou estender o próprio prazer, mas as mãos o desobedeceram ao correr pelo membro com pressa demais ao comer com suas íris a cena de enfiando em seu cuzinho a porra do plug anal. tentou entender se ela tinha aquilo guardado, se comprou justo para o vídeo e mais outras coisas. Pensou sobre já ter feito ou não sexo anal em sua vida e passou a cobiçar essa opção de penetração. O vídeo não havia terminado quando sua mão se encheu da espessa e esbranquiçada porra. Mordeu fortemente os lábios para não gritar e chamar atenção do corredor caso algum companheiro passasse por ali. A tela do celular ficou preta e o homem caiu na cama com os glúteos pedindo apoio e o pau pedindo descanso.
     Ficou inerte e com a cabeça perdida quando ouviu o telefone tocar e partiu em direção à ele faminto. Era Lord Luxor que o ligava e o desapontamento ficou evidente em seu rosto. O amigo o chamava para jantar e foi claro em dizer que havia enchido seu saco para fazê-lo. Ele aceitou, pois, seria mais saudável sair dali e ir comer algo para recuperar as energias.
     Antes do fim da noite se entregou a tentação outra vez. No banho bateu mais uma. Ao deitar na cama para dormir, outra. Mandou mensagem para perguntando a ela quantas punhetas você acha que eu sou capaz de bater antes de ter um enfarte? Ela respondeu com um emoji sorrindo e nada mais.
     Nunca sentiu tanto arrependimento por ter bancado o senhor cruel antes da viagem. levou para o pessoal, de um jeito saudável, e o fazia pagar. Ela se virava bem com a distância usando de seus joguinhos para divertir-se e não era capaz de corresponder na mesma moeda. A fome por tornava-se maior e maior. Não fosse um empregado na empresa teria vazado fora direto para ao apartamento dela. Infelizmente, a realidade o deixava afastado com as mãos atadas e zero condições de fazer algo além de se entregar à sua querida e companheira mão. Ele fez gozar pelo telefone em uma tarde enquanto encarava a paisagem da sacada de seu quarto. Ambos trocaram mensagens pervertidas durante jantares e até mesmo uma reunião. movia-se pelo dia com uma libido filha da puta que o fazia pensar em sexo com frequência demais. Lord e não o entendiam, ele não costumava prestar atenção nas coisas, mas ficou pior.
     Foi quando os questionamentos surgiram e ele começou a evitar. Não queria se entregar, não era por questão de fraqueza e muito menos medo. não sabia a razão, sinceramente. Estava entorpecido, envolto em algum tipo de estado melancólico que exigia tanta energia que ele precisava do isolamento para entrar em equilíbrio com sua mente.
     Era amor ou tesão? Uma mistura muito louca dos dois? Carinho e desejo, uma mescla infeliz de sentimentos que parecem opostos e na real se completam? Ele precisava mesmo ser tão confuso e dramático? Queria se divertir em paz e levar tudo na boa, mas a cabeça de estava numa sintonia um pouco mais complexa.
     E o medinho de Lord estar certo passou a preocupa-lo já que se viu um tanto dependente da garota. Ótimo, insegurança era tudo que precisava, não era mesmo?
     Decidiu passar a noite no hotel e aproveitar o café da manhã do dia seguinte, já havia pagado por ele mesmo. Mandou mensagem para avisando que chegaria no dia seguinte. A menina o havia perguntado e a simples pergunta o deixou mais seguro a respeito de tudo. Ele prometeu voltar em vinte dias, mas vinte e um não faria tão mal. Ela não o respondeu e lembrou-se do fato de ter dito que sairia com Yeva e estranhamente, sorriu. Era bom saber que a mulher não estava sozinha e isolada numa cidade grande e desconhecida, era bom saber que havia conquistado uma companheira confidente depois de todos os problemas com amizade.
     Era bom saber, enfim, que ela estava bem.
     ×      Precisou disfarçar a voz de sono ao atender o telefone. Tia Vera mais uma vez, nunca pediu por tanta paciência em sua vida. A tia encasquetou que a garota andava triste no telefone, mas não era tristeza, era sono. Naquela semana não precisou acordar cedo e como gastou partes de suas madrugadas com safadadezas pelo celular ou na companhia de Yeva acabou por acordar perto do meio-dia quase todos os dias. Claro, em dias em que sua tia não a acordava às oito e meia.
     Insistiu pela milésima vez que estava bem. O problema é que ela sabia sobre o posicionamento de Vera a respeito de acordar cedo. Vera tomava seus vários remédios depois das sete e dormia antes das dez, às seis estava acordada e disposta para ir até o quintal pegar folhas de cidreira para fazer chá. Para ela era coisa de gente preguiçosa que não é útil acordar depois das sete. Pior ainda era perder a madrugada feita para dormir, o escuro da noite que controla a produção de melatonina na frente do computador vendo coisa que não presta. A independência ia pro saco rapidinho quando se via fingindo estar acordada desde cedo para que a tia não pensasse mal dela. Família sempre sendo uma benção.
     - Tem certeza que está bem, meu amor? - ela queria dormir, senhor Jesus.
     - Sim, tia. Não precisa se preocupar. - espreguiçou as pernas e cobriu a cabeça com o cobertor.
     - Posso te mandar vitaminas pelo correio ou um remedinho pra te ajudar a dormir. - a sobrinha definitivamente não precisava de remedinho pra dormir ou então dormiria por umas quarenta horas seguidas.
     - Meu sono está bem, tia. De verdade, não tem porque se preocupar. - estava tranquila sem precisar forçar simpatia. Ela agradecia o carinho, mas a barra começava a ser forçada.
     - Então tudo bem, vou com sua avó até o banco. Ela tem que ir junto! - Vera e a mãe costumavam brigar com frequência e não sentiu saudades dos arranca-rabos - Como se eu fosse roubar a aposentadoria dela, né? Ela não pode dirigir, é uma briga pra ela deixar eu dirigir. - Edita se recusava a acreditar que não havia passado na renovação da carteira de trânsito - Enfim, querida, até mais. Fique com Deus, beijos.
     - Boa sorte tia e você também. Beijo.
     Suspirou bem alto largando o celular para o lado. Nem era nove da manhã e ela estava acordada sem objetivo nenhum para a manhã e com a cabeça doendo. Sabia que não voltaria a dormir, mas também sabia que ficaria inútil até às três horas da tarde, horário de ir ao curso.
      não prometeu para si mesma que seria útil naquela sexta-feira. Afinal era sexta-feira e seres humanos gostam de encerrar a semana o quanto antes. Porém, ela poderia sair do ciclo de procrastinação para cuidar de algo importante para a sua vida.
     Abriu o pinterest no celular e começou a procurar por inspiração. Iria começar seu plano de maquiar e fotografar as modelos do curso para seu portfólio que seria exposto através de uma conta do instagram. Não seria uma tarefa fácil começar do zero e dar a cara a tapa, mas sabia que pelo menos teria as meninas do curso para ajuda-la, algumas já tinham contas há algum tempo e em conversas aleatórias pelas aulas a incentivaram a levar o plano adiante. Yeva faria o mesmo e no final das contas seria uma aventura interessante.
     Levantou-se depois de duas horas de enrolação. Salvou algumas fotos, mas a busca por inspiração não durou mais que meia hora. O resto do tempo foi gasto no YouTube, afinal, tinha um vício básico em assistir tutoriais de maquiagem. Levantou por conta da vontade de fazer xixi e aproveitou para entrar no chuveiro.
     Enrolou e enrolou até chegar a hora do almoço. Por ter acordado relativamente cedo sentiu fome de almoço no horário normal em que a maioria das pessoas costuma almoçar. Quase foi até o shopping comer algum lanche, mas tomou coragem para usar o dinheiro que gastaria em algum combo de hambúrguer para ir até o mercado.
     O céu nublado não ajudou em sua preguiça, deixava o clima influenciar em seu humor e em dias como aquele ficava especialmente preguiçosa. A vontade de matar curso começou a aparecer e ela precisou pisar firme no chão para certificar-se que não deixaria o desânimo tomar conta. Porém, o desânimo veio com tudo quando entrou no mercado e viu o tamanho das filas. Meu Deus do céu, por que a porra do mercado não contratava mais gente? Apenas duas pessoas trabalhavam no caixa rápido e três nos outros, ela ficaria uma boa meia hora na fila. Passou os olhos pela gerente com desdém e pegou a cestinha azulada para começar a sua jornada.
     Decidiu comer bife com batata frita, seus olhinhos começaram a brilhar quando pegou o meio quilo de carne da mão do açougueiro. Como uma boa menina do interior ignorou as batatas industrializadas e foi para as do hortifruti. Pegou as maiores batatas e as colocou no saquinho, resolveu também pegar alguns tomates, cebola e cenoura. Ficou inspirada e teve a ideia de fazer um bolo de cenoura daqueles cheios de cobertura de chocolate. Passou mais tempo serelepando pelo mercado procurando por itens que não estavam na sua lista que o planejado.
     Quando chegou no corredor de bebidas para descolar o refrigerante da semana levou um leve susto. estava de costas com seus cabelos castanhos soltos ao ombro olhando os preços de cerveja. era meio ruim de contato social e pensou que talvez pudesse sair dali sem que ele a percebesse. Havia melhorado, mas medos sociais não vão embora fácil!
     Não existia sentimento de estranheza entre os dois, mas ela sentia uma pressão interna sem sentido que sempre a perturbava quando encontrava conhecidos depois de um tempo sem ve-los. Enquanto pensava no seu pequeno problema foi pega de surpresa pela segunda vez.
     - ? - ficar parada no meio do corredor feito uma idiota não foi um bom plano de disfarce.
     - Oi . - sorriu, afinal, gostava do rapaz. Ele era gente boa demais para não ser gostado. E claramente bonito demais para ser ignorado - Happy hour é mais cedo hoje? - fez piada tentando ser descolada.
     - Ganhamos a tarde de folga depois do estresse que foram os últimos dias. - só poderia imaginar como todos os engenheiros ficaram nervosos e com vontade de sumir do planeta - Única coisa chata é ser o serviçal que compra cerveja pro restante. - ela gostava do sorriso dele. Começou a se lembrar dos motivos que a levaram a se interessar por em um primeiro momento e nos motivos que o levaram à cama dela. era uma escolha meio óbvia, mesmo não tendo cara de mulherengo ela pensava em quantas caíam em graças por sua doçura gostosa.
     - Sempre gostam de abusar da boa vontade dos caçulas. - andou um pouco à frente para pegar seu refrigerante e sentiu a cestinha ficar um pouco mais pesada - Mas, pelo menos conseguiram resolver o rolo todo sem ninguém perder o pescoço.
     - Graças à Deus. - começou a colocar os packs de cerveja dentro do carrinho - Ninguém estava a fim de perder o emprego e muito menos a fim de carregar a culpa nas costas, felizmente tudo foi resolvido.
     Quando deu por si estavam indo juntos para a fila, o papo prosseguiu casual até entrarem na nela. desistiu do caixa rápido, pois, pelo tanto de gente ele demoraria mais que o convencional. Acabou por dividir fila com e sua cabecinha começou a ficar acesa pela primeira vez no dia.
     - Você ficou me devendo um sorvete! - comentou ao olhar para a promoção estampadas nos refrigeradores atrás de si. espremeu os olhos e aliviou a expressão ao lembrar-se da promessa não cumprida.
     - Você está certíssima. - ela não esperava que o nerd realmente saísse da fila para ir até lá pegar um pote de dois litros de sorvete de brigadeiro e junto uma cobertura de caramelo que estava numa prateleira ao lado - Aqui está. - colocou em seu próprio carrinho com um sorriso empolgado. Ele estava flertando? Não soube responder, mas ficou preocupada com a animação que crescia em si. Era traição com se animar? Eles não tinham nada sério, mas tinham algo no final das contas. Não gostava da pressão.
     - Você levou a sério! - e começou a rir, metade nervosismo, metade descrença. Gente apaixonável chega a parecer mentira e dá nervoso mesmo.
     - Claro, oras. Tenho que honrar minha família honrando minhas promessas. - fez cara de aristocrata tirando outro sorriso da garota. O engenheiro mais novo era diferente de , berrantemente diferente. Ele era dono daquela simpatia natural, sempre sorridente e cheio de um espírito animado. era mais contido e passava uma áurea séria. Os dois comportamentos a atraíam e ela bem entendeu o motivo de ter experimentado dos dois. Havia experimentado mais de , claro, mas mesmo assim.
     Opa, pera! Será que havia pensando mesmo, naquela dita hora ser preciso experimentar mais de para ter certeza das coisas? Era oficial, estava confusa e com vontade de bater a cabeça na parede.
     A fila não andava, a hora não passava e suas pernas tremiam. Ficar perto de por tanto tempo fez com que memórias fossem ressuscitadas. lhe deu seu primeiro orgasmo depois de tanto tempo e tinha um ânimo tão jovial e aventureiro quanto o seu. A disposição para aprontar era maior que a sua e por mais que gostasse das regras de que a continham e quase a faziam explodir depois, dava vazão ao seu espírito impulsivo que desejava fazer as coisas sem se importar. Eram duas situações contrastantes e igualmente excitantes.
     O céu abriu e o sol que batia nas portas de vidro não a ajudavam. Começou a sentir um calor forte embaixo da camiseta preta de mangas cheias e a calça jeans não deixava suas pernas respirarem. Não queria se sentir mal por ponderar sua vida romântica e sexual e não queria mesmo criar uma situação insuportável entre e , mas sua mente hiperativa não ajudava.
     Com a glória de Jeová finalmente saíram daquela fila horrenda, mas precisou esperar por para garantir seu sorvete, já que ele o ajudaria a controlar o fogo que se instalava em seu rabo. O rapaz não foi até o mercado de carro por considerar não ser necessário, era perto e só gastaria gasolina à toa, por essa razão, foi companhia garantida até o apartamento da menina. O papo casual ajudou a controlar sua confusão mental e ela ficou incrivelmente mais relaxada quando chegou ao portão e despediu dele com um aceno de mão. Caminhou tranquilamente até o elevador e entrou neste com uma carinha tranquila, mas assim que jogou as compras no sofá desejou que ele a engolisse.
     Obviamente não foi parar em um universo paralelo dentro do sofá. Foi para a aula, escolheu uma maquiagem para se inspirar com a ajuda de Yeva e algumas outras meninas, tirou suas fotos e ajudou Yeva a tirar as delas.
     Chegou em casa destruída. Prometeu para si mesma que editaria as fotos e as postaria naquele mesmo dia, mas desistiu depois de tirar as roupas e joga-las na cadeira em seu quarto. O bife com batata ficou para a noite, pois, faltou-lhe coragem para faze-los no almoço. quando ansiosa conseguia fazer zero bostas.
     Tentou respirar, não era para fazer uma tempestade tão drástica em um copo de água tão pequeno. Cortou cebolas, temperou o bife e descascou as batatas. O refrigerante gelava e o sorvete mantinha-se cremoso e saboroso no congelador. Colocou o azeite na frigideira e cuidou do ponto do arroz. A panela com óleo bem quente fritava as batatas e ela sentia-se mais calma cozinhando seu simples, porém, delicioso jantar.
     Mas é claro que algo tinha que foder. Óbvio que o destino precisava foder sua bunda. O telefone tocou, fez uma carinha intrigada ao perceber que não era Vera, a pessoa que jurava ser. Era . . Ou como estava salvo em seu celular, era seu daddy.
     - Hey. - não foi capaz de falar mais que isso, ainda cuidou para não queimar nada em seu fogão.
     - Boa noite, . - aparentou tranquilidade, mas como sempre, a deixava sem entender muita coisa com suas atitudes surgindo do nada - Ocupada?   
  - Estou fazendo janta, mas pode falar. - desligou o arroz e procurou pela espumadeira para tirar as batatas que começavam a ficar douradas.
     - Posso me convidar para o jantar? - o homem riu de leve, mas de forma simpática. Ela não entendeu, não era dia de festa? não comprou um milhão de cervejas?
     - Você não tem algum tipo de confraternização do trabalho hoje à noite? - perguntou espontânea com a testa franzida.
     - Sim, eu tenho. Mas, estou mudando meus planos. - Lord quase atirou em sua cara idiota quando ele simplesmente ficou no escritório enquanto todo mundo saía de lá para ir até a casa de um dos engenheiros encher a cara e comer churrasco. Depois desistiu e o mandou à merda, que fizesse a porra que quisesse, ele oficialmente desistia de tentar fazer ser coerente.
     - Mudando os planos por minha causa? - tentou evitar o ego inflando, mas não rolou.
     - Não seja convencida. - foi sua vez de rir - Mas sim, é por sua causa. Me aceita como convidado?
     - Você aceita comer bife com batata frita? - começou a ficar atrapalhada pensando em como dobraria a quantidade de comida.
     - Que tipo de monstro eu seria se não aceitasse? Te encontro em mais ou menos quarenta minutos, pode ser?
     - Claro. - desistiu de começar a agir instantaneamente e ficou parada no meio da cozinha com o celular no viva voz e mãos na cintura - Te espero.
     - Tudo bem, até mais. Beijo!
     - Beijo. - a ligação foi encerrada, mas sua ansiedade mesclada à batimentos cardíacos acelerados apenas começava a afeta-la.
     A chance de um enfarte duplo nunca foi tão grande. Os dois tinham uma porrada de tensão para dar conta e para a sorte dos vizinhos, os apartamentos tinham um bom isolamento acústico. Porém, para o azar de e , suas mentes não eram as melhores em manter o controle.
      acordou do transe com o cheiro de queimado. Ótimo, o azeite do bife havia queimado. Uma fumaceira desgraçada empesteou o apartamento a deixando ainda mais nervosa. será que Deus poderia colaborar só um pouquinho?
     Quanto viu o estrago na frigideira percebeu que não, ninguém estava a fim de colaborar. Os quarenta minutos durariam pelo menos umas três horas para . Para por outro lado... passariam em trinta segundos. Maldita relatividade!

Chapter 20

Ser sexy possui um custo. Manter uma pose sexy por um longo tempo possui um custo ainda maior, custo o qual e não quiseram arcar. Quando se comprometeram a jantar juntos se comprometeram de verdade! deu um jeito no azeite queimado e deu a volta por cima entregando um bife no ponto para e outro para si. Pingou limão no seu, pois, gostava do azedinho se mesclando ao sabor da carne.   Depois de encher o pandu jogar-se na cama foi a coisa mais lógica a se fazer. Deitados sobre os lençóis de com a barriguinha inchada e aquela vontade de abrir o zíper, não por motivos sensuais, se recusaram a abrir as carteiras para pagar o preço de ser sexy. Afinal, os dois já tinham uma certa intimidade que os liberava da "obrigação" de manter o mode sedução ligado.
     - No final das contas a viagem serviu para quê? – não entendia o corporativo e nem tinha vontade de entede-lo. As explicações que deu sobre sua viagem não faziam sentido.
     - Para nos dar um susto, ter uma desculpa para usar dinheiro desmedidamente e para os sócios que odeiam o chefão ficarem com o gostinho de vingança na língua. – deu um riso debochado, sentia que nada nesse mundinho de escritórios e empresários prestava.
     - Eu sinceramente sinto medo de tudo isso. Fico imaginando se eu seria capaz, se teria estômago e paciência para entrar nesse mundo. Morro de desespero ao pensar em mim como uma maquiadora inserida no grande mundo da moda, são tantas burocracias a serem feitas por todos os lados que sinto vontade de entrar em um buraco sem fundo! – essa seria a maior dificuldade de em entrar no mundinho da maquiagem, tanta briga de ego, gente para passar a perna e pessoas para lamber e estabelecer moral que o cansaço mental a atropelava sem dó.
     - Você precisa ter paciência e jogo de cintura, paciência mais que tudo. – lidava com situações difíceis no trabalho todo o santo dia e tinha a tal paciência para aguentar a pressão. Mas, cada um com seu dom para ficar em pé no trabalho, o dom de Lord, por exemplo, era o de ficar puto assustando os outros e assim fazia as pessoas deixa-lo em paz.
     - Não quero pensar nisso agora... – procrastinava há alguns dias com seu plano de se fazer ser vista e arrumar emprego. Exigia uma energia que ela não tinha, a dava dor de cabeça pensar na exposição que precisava ser feita. A futura maquiadora era ciente de sua posição privilegiada de não ser obrigada a arrumar o emprego que fosse para sobreviver, e enrolava na medida do possível a difícil tarefa de se inserir no mercado de trabalho. Prolongar dor de cabeça porém, nem sempre é bom e ela sabia disso!
     - Muito menos eu! – cravou seus olhos instigados por lembranças de um certo vídeo e de um certo strass de cor vermelha na preguiçosa mulher ao seu lado.
     - Eu estava meio que cronometrando quanto tempo você iria demorar para me olhar com essa cara sem vergonha. – riu se sentindo a pessoa mais esperta de todas fazendo querer morde-la. Bichinha danada!
     - Ah, é mesmo? Então toda a conversa até aqui foi um teste? – não quis parecer o cara desesperado, mas desde que botou os pés no apartamento da menina não conseguia se desviar das ideias safadas de como desfrutar do corpo de .
     - Sim, e você reprovou já que me trocou por um pedaço de bife! – sentou-se na cama com uma falsa cara emburrada. Desejou secretamente que chegasse a agarrando, mas ele pelo visto estava a fim de bancar o cara polido.
     - Vai me dizer o que é que você espera de mim? – manteve a cara emburrada, o bico falso de birra. Mas, suas pernas já tremiam e seus olhinhos já brilhavam entregando sua dissimulação.
     - Não... – respirou fundo para manter a calma e o personagem – Você é quem tem coisas para me dizer. – mirou com toda a vontade com íris faiscantes. Fala sério, aquele vídeo havia dado um trabalho danado para sua segurança e auto estima, tinha que mima-la com elogios e confissões indiscretas.
     - Tenho? Certo... – ele bem estava afim de provoca-la, era meio afobado, mas sempre tinha um pouco de boa vontade em si para criar uma situação de impaciência com a menina – O que quer me ouvir dizer? Hm? – aproximou-se sorrateiro a resgatando pela cintura e a debruçando de barriga para baixo na cama. O jeans passava a aperta-lo nas partes baixas e a visão da bunda empinada de sobre o shorts de cetim azul não colaborou para que mantivesse tudo sobre controle.
     - , não é uma boa hora para testar minha paciência! – de menina meiga à cavala sem paciência! Tascou-lhe um tapa na bunda que a fez soltar um gritinho.
     - Não seja mal educada, ! – se controlou para não rir, se a visse rindo iria apanhar um bocado mais. Talvez, fosse uma boa ideia... Mas não! Iria estragar seu pequeno infame plano – Se não se comportar eu estou bem disposto a não ter dar o que quer. – sabia fingir muito bem, quase não deu para perceber que ele daria à qualquer coisa que ela quisesse.
     - Você não vai ser malvado assim, vai? – morder os lábios com cara de putinha carente era o truque mais velho e batido que poderia usar, mas ela o usou e claramente deu certo já que homem é tudo idiota mesmo!
      fazia o engenheiro se derreter feito casquinha do Mc Donalds na mão de uma criança distraída. Bastava pouco dela, algumas mínimas ações idiotas para deixa-lo com a garganta seca e a cabeça tonta! Era quase preocupante, mas o medo de se dar mal havia ido, finalmente, para o brejo. Desde a viagem e todo o lance do vídeo acabou por perceber que aproveitar o tempo com ela, seja como um cara casual seja como um caso sério, era mais importante que se preocupar com o futuro. Se sua cabeça estivesse mais ocupada pensando em besteiras como "Oh, Senhor! Será que ela realmente gosta mim?" teria menos tempo e energia para gastar em coisas realmente mais excitantes como puxar pelo rabo de cavalo para faze-la ficar de quatro na cama com os mamilos escapando pela blusinha de alcinha. A garota de frente para ele e com o rosto expressando tesão apenas o inspirou mais.
     - Você realmente ainda não me viu ser malvado. – ela quase não reconheceu a rouquidão de sua fala e a expressão séria em seu rosto. Nunca havia visto aquele vinco no meio de sua testa e os lábios tão travados. Ok, ele estava falando bem sério. Seu cuzinho todo com vontade de se abrir para acabou se trancando e ela ficou travada apenas aceitando a derrota. Dessa vez não iria arrancar, na esperteza, exatamente o que desejava de . Ele estava trezentos passos a sua frente e depois de encarar a feição séria do homem apenas quis que ele a debruçasse na cama e fizesse um estrago do caralho com seu corpo!
     - O gato comeu sua língua? – o gato na verdade estava entalado na sua garganta – Hm? –
      respondeu balançando a cabeça em sinal de negativo. Quando tentou caminhar para frente usando seus joelhos levou um puxão de cabelo que a obrigou a ir um pouco mais para frente encostando o nariz no queixo bem barbeado de .
     - Então você quer me ouvir falar? – mantinha a força bem distribuída no aperto para proporcionar prazer ao invés de dor pura. conseguia usar suas mãos para buscar apoio na cama, mas começava a sentir a coluna doer pelo modo ereto em que se encontrava. Porém, já sabia o que ocorreria se tentasse e escapar e ela definitivamente estava interessada em aproveitar mais daquele cheio de seriedade – Você sabe que arrebentou comigo, eu sei que sabe. Mas, saber não é o suficiente, certo? Precisa que eu diga com todas as palavras como eu me senti.
     O engenheiro soltou a mão em volta dos cabelos da garota e em um movimento natural abaixou-se. retomou o controle da posição do corpo dela ao segura-la pela cintura e forçar seu corpo a fazendo virar de barriga para cima. Usou os cabelos novamente, dessa vez os próximos da nuca, para puxa-la em sua direção. recostou sua coluna no peitoral de que logo soltou seus fios levemente suados para apertar os glúteos femininos. Apalpou a carne em apertadas levemente doloridas e as afastou fazendo arreganhar-se.
     Seu coração de menina agonia palpitava acelerado. normalmente anunciava as ações que executaria, mas dessa vez, começou a brincar com seu corpo a deixando mergulhada na angustiante ansiedade. Tentava prever quais seriam os movimentos, mas falhava completamente. Admitiu para si mesma, porém, que a estratégia dele estava a excitando mais que o normal.
     - Eu me masturbei para o seu vídeo, obviamente. – levou um susto com a voz sussurrada em seu ouvido. O calor do hálito masculino batia na lateral de seu pescoço a fazendo fechar os olhos – Mas isso não é o mais relevante. Não acho que ter a mão suja de porra por sua causa seja a parte mais empolgante da brincadeira. – lidava com um inédito para si e seu cérebro ainda tinha dificuldade em assimilar direito as coisas.
     - Estava fodido da cara com meus chefes, Lord estava uma pilha e descontando sua raivinha em todo mundo e a cara de gente feliz e otimista do não ajudava em nada. Fui para uma reunião na marra e sentei na cadeira preta desejando a morte de todo mundo, mas... – as mãos do homem estavam geladas, uma outra novidade. sempre era tocado pelo tato quente de e dessa vez deparou-se com a frieza. Calafrios correram em sua espinha e um tremor tomou conta de seus braços. Foi ainda mais afetada quando atreveu-se por seu sutiã e tocou com grosseria seus mamilos. Recolheu a coluna com o frio e um gemido indefinido saiu de sua boca. agia como se nada estivesse ocorrendo, entretanto, bem sabia o quanto estranhava as novas situações. Uma estranheza boa, uma estranheza particularmente prazerosa!
     - E então meu celular vibrou. Normalmente eu desligo meu celular nessas reuniões, mas estava tão rebelde naquele dia que decidi deixa-lo ativo. Pensei que em algum momento total de tédio poderia usa-lo para me distrair. Qual foi minha surpresa... – a garota não tinha acesso ao rosto de , mas manteve-se certa de que ele não abriu um sorriso sequer ao relembrar-se da situação. Ele dedicava-se a massagear seus seios com certa indiferença e a manter o tom de voz baixo e tranquilo. Para seu azar a atitude apática do engenheiro a fazia esquentar em uma proporção diferente. continuava tranquilo e inerte enquanto ela sentia o corpo todo fervilhar. Logo sua boceta começaria a soltar fumaça!
     - Recebi um vídeo na sua janela de conversa. Algo estranho, talvez fosse algum desses vídeos engraçados que as pessoas mandam uma para as outras no Whatsapp. Mas, não! Você decidiu que era foder comigo. E mais do que isso, você fodeu comigo. No meio de uma reunião eu recebo um vídeo seu onde a miniatura a mostra com um plug anal prestes a ser enfiado em seu cuzinho. A última coisa que me preocupou foi uma ereção prematura, eu temi pelo meu coração e pelo meu pulmão que entraram em processo de falha. O celular quase caiu ao chão e eu comecei a tossir por engasgar na própria saliva. Quando sai de lá e finalmente pude assistir a porra do vídeo, eu... – finalmente abandonou a empatia e voltou a ser o homem enérgico e cheio de vontade de sempre. Cravou as unhas curta na carne dos peitos dela e levou seu quadril a frente atrevendo o volume endurecido na parte baixa das costas de .
     A troca de temperatura deixou o espírito de ainda mais desiquilibrado. Se ela precisasse abrir a boca para pedir alguma coisa, não conseguiria, ficou incapaz de responder por si própria. Retesou toda a musculatura, estava travada em posição com os dedos do pé esticados quase causando uma cãibra.
     - Assisti sem nem conseguir piscar, eu comecei a temer pela minha sanidade. Pensei que ficaria feliz e abriria um puta sorriso, e acabei me enganando. Fiquei emputecido e transtornado... – uma mão permaneceu em seu carinho bruto nos peitos de e a outra direcionou-se para partes mais carentes. trancou a respiração conforme os dedos de adentravam seu shorts com toda a facilidade para puxar sua calcinha ao lado e toca-la. O tato dele permanecia frio e o choque térmico da bocetinha escaldante e molhada foi o ato final para faze-la debruçar a cabeça no ombro dele e deixar-se gemer em paz.
     - Depois eu esfolei meu pau. E assisti o vídeo por vezes seguidas tentando prestar atenção em tudo que podia. Em um momento eu prestava atenção em como seu cuzinho recebia o plug e no outro eu focava no tesão impregnado por todo o seu rosto. E ... – apertou o clitóris inchado tirando uma reação mais brusca por parte da garota que soltou um gritinho agudo – O resto eu só consigo explicar com meu pau dentro de você.
     Não viu da onde veio. , o homem que gostava de brincar, de fazer suas graças e ficar um bom tempo no dirty talking não estava por ali. O shorts curtinho foi arrancado logo quando ficou de quatro novamente, dessa vez, com a bunda apontada diretamente no caralho duro. encheu os dedos de saliva para ajudar a lubrificar , não que fosse realmente necessário. A mistura de caldinho e cuspe que melecou sua mão foi sentida em seu paladar quando fez o caminho de volta com a mão. Ela continuava sem poder ve-lo cozinhando na porra do mistério!
     O que também curtia ficar completamente pelado para aproveitar o sexo em todo seu vigor, não teve saco para desfazer-se da roupa. Abrir o cinto preto e deixar o pau escapar pela cueca foi o máximo de esforço que permitiu-se fazer, todo o resto da energia seria utilizado para foder aquela tentação dos infernos!
      já sabia por outras experiências que gostava de um pau a varando sem dó, entrando com tudo quando estava realmente molhada e sedenta. Foi assim mesmo que passou a fode-la e sua vontade de gritar foi saciada com as bolas quentes do homem castigando suas nádegas. Saciou sua incessante tara por cabelos presos aos seus dedos ao fazer os fios de vítimas de seu aperto pela terceira vez. Os peitos avermelhados do aperto anterior subiam e desciam e as coxas balançavam de um lado para o outro em harmonia. Tudo que gostaria de falar, mas não podia, foi extravasado em gemidos descoordenados e escandalosos, afinal, ela realmente gostava de gemer alto. Era quase terapêutico.
     O engenheiro projetou seu corpo para frente fazendo com que seu peitoral quase encostasse na coluna de . Soltou a cabeleira para apertar outra parte daquele corpo que o fazia delirar. realmente queria pedir por aquilo, mas não pôde e agradeceu aos céus pelo fato do homem ter tomado a decisão por conta. O enforcamento tirou o restante de sua sanidade, ela estava perdida em pensamentos desconexos incapaz de lidar com todas as emoções e sensações caminhando por sua pele. Uma lágrima surgiu no canto interno de seu olho e o restante deles chegaram sem aviso para tomar conta de suas olheiras. Mas que porra! Foder era gostoso pra diabo!
     Notando os pequenos soluços e fungadas que se misturavam aos barulhos de prazer liberado por , optou por intensificar as coisas.
     - A realidade nua e crua é que nós dois sabemos que você imaginou meu pau no lugar daquele plug enquanto ele fodia tua bunda. – a boca de começou a produzir mais saliva que o necessário fazendo com que babasse – Mas antes, eu vou te foder com aquele plug. – a mensagem foi clara quando o homem saiu sua boceta a deixando livre para levantar-se.
     O movimento foi de uma vez e ela quase tropeço caindo no chão. Abriu a primeira gaveta do criado ao lado de sua cama e com pressa abriu o laço de fita preto do saquinho de cetim que guardava o seu tesourou. O brilho de metal enfeitiçou os olhos de que impulsivamente roubou o apetrecho da menina. Colocou o plug em frente ao seu rosto e o analisou com cuidado examinando suas medidas.
     Não foi preciso que ele pedisse. se prostou de quatro e por conta própria segurou as nádegas fazendo questões de abri-las. O ato finalmente tirou um sorriso de que logo foi contido. Ele queria manter total concentração. Cuspiu no plug e passou a aproxima-lo do cuzinho de que a essa altura já piscava em angústia.
     Com cuidado passou a forçar a ponta levemente arredondada na área sensível, penetrava com calma fazendo revirar os olhos em agonia e alegria. Paradoxo dos mais malditos! Uma vez todo enfiado, não vou a tira-lo.
     - Vem no meu colo. – pediu com calma. olhou para trás e examinou o cidadão atrás de si com a camiseta toda colada no corpo e a calça jeans toda embolada nas pernas. Riu e recebeu um riso quase envergonhado de volta. Foi até o corpo agora deitado na cama de que a girou indicando que deveria sentar-se com as costas virada para ele.
     - Assim eu te fodo, você pode se masturbar e de quebra eu observo esse strass vermelho na sua bundinha. – deu uma piscadela que tirou uma risada das verdadeiras de . Permaneceu quieta sem abrir a boca para nada, sua língua ainda estava embolada no fundo de sua boca e ela estava era com vontade de foder e não de falar.
     Recebeu o membro dentro de si com calma, sentando sem pressa, aproveitando o delicioso atrito interno. Usou do máximo da potência de suas pernas para subir e levantar e com toda sua bondade tratou de ajudar na velocidade a alçando pela cintura. Assim, ficou com as mãos livres o suficiente para judiar de seu clitóris ignorado até então. Era rápida com os dedinhos em seu grelo e em sua animação começou a sentir o orgasmo chegando. Foi a iminência de seu prazer que a fez abrir a boca. Aleluia!
     - Porra, eu vou gozar...
     - Porra digo eu! – assustou-se travando e a levantou a deixando ainda mais perdida.
     - Quê? – perguntou lançando um olhar assassino a ele.
     - Calma, sem desespero, ok? Eu só imaginei que gostaria de gozar com eu te comendo aqui atrás...
     - Eu... Caralho, . – respirou fundo recompondo-se – Sim, eu quero – respondeu chorosa procurando pelo plug em sua bunda para mexer com o objeto um pouco, estava prestes a gozar e a ter um infarte.
     - Eu faço isso se você foder com esse plug um pouco para eu assistir. – finalmente tirou as calças e ficou de pé escorando-se na parede em frente a cama.
      nem iria discutir, se não levasse rola na bunda logo de uma vez teria um ataque. Ficou na mesma posição que havia feito para gravar o vídeo e tratou de usar o princess plug para masturbar seu cuzinho. pensou que seria capaz de assistir a cena por longos minutos, mas com pouco menos de dois não conseguiu manter o controle que tanto desejava e partiu para cima de como um crocodilo ao dar um bote em sua presa. O tapa que recebeu fez com que largasse o plug e o deixasse cair no colchão. O ânus aberto clamou pelo nome de que deixou sua cabeça penetrar. liberou todas as suas frustrações no gemido desesperado que não cessou, voltou ao seu grelo para intensificar o sexo.
     O orgasmo a pegou de jeito, eletrecutou todos seus músculos e deixou em estado de êxtase por longos segundos enquanto o engenheiro ainda tratava de penetra-la na bunda. Ela gozava em gritos e palavrões com acelerando o ritmo e estapeando as nádegas enxergando a vermelhidão como impulso para liberar a porra que inundou o cu de . Estocou fundo uma última vez antes de deixar o ânus com o esperma escorrendo de sua cabeça completamente ensopada e inchada.
      caiu abraçando seu travesseiro com a respiração toda descontrolada, como sempre. Não fazia anal há pelo menos uns cinco anos e não conseguiu entender porque ficou tanto tempo sem. Talvez, pelo fato do nojo pelos homens de sua cidade não colaborar com sua vida sexual. por outro lado, nem sabia, mas acabou fazendo com que enfiasse sua vingança... vocês sabem onde!
     -       aprendeu muitas coisas do jeito mais difícil, como o fato da buchinha de lavar louças não serem a mesma coisa, a mais barata realmente era de qualidade inferior em relação a mais cara. Outra coisa aprendida do jeito difícil é que não ter pais significava ter mais que duas pessoas no controle de sua vida. Essas pessoas não te amam como filhos, apesar de tentarem, e por mais que jurem fazer todo o possível por você nunca serão capazes de abandonar o próprio egoísmo para fazer todo o possível por você.
     Mas, eles se mantêm por perto. Eles se intrometem, eles até podem te amar, mas eles te atropelam. tinha muitos privilégios na vida, como poder buscar a profissão que desejava sem ter que se preocupar com um turno de oito horas por dia em um rotina de quarenta e quatro horas semanais por um salário mequetrefe para botar comida na mesa. O privilégio de ter uma família pelo menos um pouco normal... Esse passou longe.
     A família de sua mãe era bem mais tranquila, mas mesmo assim dava um trabalho árduo com o conservadorismo que em nada combinava com ela. Agora a família paterna era um tipo de osso impossível de ser roído. Principalmente a avó e tia mais próxima. Não bastava a guerra entre duas que afastava toda a família da casa da matriarca, tinha que lidar com o medo constante de perder o apoio por simplesmente ser quem era. Sabe a pessoa que precisava bloquear os parentes no Facebook e manter uma conta secreta para ficar em paz? Essa era . Qualquer coisa que postasse era motivo para ladainha e fofocas no telefone, cansada de dar explicações desnecessárias fez o favor de inventar que tinha excluído a conta na rede social para focar nos estudos. Seu santuário era seu Tumblr e seu Instagram, que ela pedia em clemência para que Deus não permitisse que os malditos tios não encontrassem.   
  Porém, a lição mais difícil ela ainda teria que aprender.
     A porta do apartamento se abriu sem fazer barulho às sete horas da manhã. Segurando sacolas da padaria e com uma mala de rodinha entrou analisando a cor das paredes e a louça lavada na bancada. Deixou a mala do lado do sofá e colocou as sacolas ao lado das louças limpas. Observou a porta do quarto fechada pensando no fato da sobrinha ainda estar dormindo e entrou no banheiro. Ao terminar de se aliviar deu a descarga.
      tinha um sono bem mais ou menos pela manhã e o barulho de descarga a fez abrir os olhos. estava ao seu lado e não fazia sentido algum ouvir barulho de alguém usando o banheiro. Jogou o edredom em cima de que dormia em santa paz e ficou em pé de frente para a porta pensando no que fazer. Ouviu passos distanciando-se e seu cérebro bugou tentando assimilar a movimentação que se dava do outro lado.
     Discretamente abriu apenas um pouquinho da porta para espiar e seu coração explodiu arrebentando sua caixa torácica. Tia Vera estava linda & maravilhosa sentada em seu sofá com o óculos de leitura e o celular em mãos. Poderia ser uma miragem, uma ilusão ou até um pesadelo, mas ela bem sabia que era real, afinal sua vida era fodida e nada melhor que uma visita surpresa de sua tia justo no dia em que estava em seu apartamento.
     Voltou a encostar a porta e voltou sua atenção para achar suas roupas. Vestiu-se e encarou-se no espelho tentando manter uma postura coerente com a situação a ser lidada. Quis morrer, mas segurou firme, precisaria de uma quantidade gigantesca de dissimulação e boa vontade.
     - Tia Vera? – chamou baixinho para não acordar . O primeiro erro que a levaria a aprender uma lição bem infeliz.
     - Querida! Venha cá! – mal teve tempo de fechar a porta do quarto e Vera já estava em seu encalço – Me dê um abraço! – o abraço mais parecia o ataque de um urso perverso. A garganta de alimentava seu paladar com um gosto amargo horrível.
     - Que surpresa! – expressou tentando disfarçar sua revolta. Como diabos aquela mulher tinha subido sem o interfone tocar e aberto a porta sem tocar a campainha para que o fizesse.
     - Viajo para casa do seu tia amanhã, ele faz uma cirurgia na terça-feira e eu vou ajudar a cuidar dele. – Vera tinha essa coisa de ajudar todo mundo, mas era sempre um terror já que a tia adorava controlar a vida alheia. Você a deixava ajudar e logo enlouquecia com seu jeito intrometido.
     - Ah, sim... – ela não queria ser indelicada, mas precisava perguntar – E como entrou? – Vera riu da expressão confusa da sobrinha, era uma bobinha mesmo.
     - Eu tenho uma cópia de sua chave, oras. – falou como se fosse óbvio, mas ficou como o Hades do desenho do Hércules, com uma labareda avermelhada e enlouquecida sobre sua cabeça e com a gana de matar alguém.
     - Você nunca me disse nada...
     - Apenas por precaução, você está aqui sozinha, vai que alguma coisa te acontece!
      ficou sozinho no quarto, sem saber de nada. Quando acordou com o barulho da conversa e não viu ao seu lado ficou extremamente confuso. deveria te-lo avisado antes de sair do quarto, mas na agonia saiu em disparada sem pensar direito. Ele não sabia que havia uma fera a ser evitada e fez o favor de dar mais um passo em direção do precipício.      - ? – chamou de dentro do quarto. A voz saiu abafada e rezou fervorosamente para que a tia não tivesse ouvido, mas pela cara demoníaca que a velha fez...
     - Me diz que eu estou ouvindo vozes e que a idade me deixou maluca, . – Vera não era surda e muito menos burra, reconheceu um tom masculino chamando por e indignou-se por completa. Que tipo de merda sua sobrinha sem juízo andava fazendo?
     - ! – irrompeu do quarto pronto para atacar o invasor, mas recuou como um cachorrinho assustado. Reconheceu as bochechas de no rosto da tia e os olhos castanhos vibrantes. Puta que o pariu! Ele não sabia de quem e de que se tratava, mas sentiu o cheiro de merda começar a emanar.
     - O que é isso ? Que pouca vergonha é essa? Quem é esse sujeito?
     Sabe quando a gente percebe que deu merda e que fodeu pra valer mesmo? Voltamos no passado em nossa mente refazendo os passos e pensando em tudo que poderia ter sido diferente. O estalo bate e você se sente um impotente incapaz que não presta pra prestar atenção nas coisas, que não presta pra tomar a decisão certa e agora tudo está lascado. Aceitar a realidade toma um tanto de energia do teu corpo, te faz cair e te faz rastejar para sair do lugar.
     - ? Eu estou esperando uma resposta para hoje! - era real, a voz de sua tia, a sua presença intrometida em sua casa era real. não conseguiu pensar rápido o suficiente para questionar o fato dela estar ali com uma chave do apartamento em sua mão e uma cara de velha ultrajada.
     - Ele é meu namorado, tia. - foi a resposta mais óbvia, mais clichê, mais sem criatividade e mais simples. Às vezes uma mentira lavada e idiota é mais fácil que uma verdade complexa, até explicar para tia que era um caso um pouco mais que casual ela acabaria explodindo em meleca verde como em algum filme de horror dos anos 80.
     - Desde quando? - "não é da sua conta" foi a primeira coisa que veio em sua língua, mas travou. Teria que ser melhor que isso para se safar daquela situação. sem camiseta e de calça jeans no mesmo ambiente em que as duas s completamente levava a situação a um nível de desgraça incapaz de ser imaginado.
     - Tia, eu não sou mais criança! – a possessão do humor de aconteceu rápido, sua testa enrugou como a de seu pai e suas mãos fecharam em punhos, sentia as unhas machucando a palma da sua mão e era bom que machucassem mesmo, assim ela evitaria descontar a raiva xingando Vera de todos os nomes possíveis.
     - Eu não vou discutir com você enquanto esse estranho estiver aqui. – quis berrar que a estranha era ela que chegou sem avisar e sem ser convidada – Ele vai embora e você vai ajeitar uma mala e vir comigo.
     O mundo de rodopiou. Todos os seus traumas estouraram dentro de seu peito, seus medos escalaram por suas canelas, suas aflições abraçaram seu coração e ela ficou prestes a cair no chão em prantos como a adolescente frustrada, cansada e humilhada do passou. Foram anos aguentando a perturbação da família em sua cabeça, foram muitas frustrações até que ela chegasse onde estava, com a liberdade de sua vida na palma de sua mão. sempre dançou conforme a música por depender dos outros, por medo de ser largada e não conseguir se manter sozinha. Porém, não dava mais pra aguentar toda a merda! Ela não era um incapaz, ela poderia enfrentar Vera e seus autoritarismo burro, seu preconceito imbecil. Bastava de ter medo.
     - Não! – respondeu firme feito um mulherão da porra – Não, tia. Eu não vou com você pra lugar nenhum e ele só vai sair daqui se quiser. Não faz o mínimo sentido o que você está fazendo.
     Vera ficou roxa e depois branca. Sentiu a cabeça ficar fraca e a tontura tomar conta de si. Sua sobrinha a havia desafiado? Vera sempre soube que não podia ter crescido sem terapia, precisaria intervir e dar um jeito na mais nova, nem que fosse leva-la de volta para sua cidade. Nada que um remédio para ansiedade e algumas horas na psicóloga não resolvessem, ela não deixaria sua sobrinha virar uma biscate da cidade grande de jeito nenhum! Vera só não imaginava que os poucos meses de fora de casa ao lado de pessoas como Yeva, e tinham dado luz a verdadeira que jamais voltaria a engolir um desaforo daqueles.

Chapter 21

Lidar com família simplesmente não é fácil. Algumas pessoas são abençoadas com famílias maravilhosas, mas, sempre há um indivíduo problema. Os indivíduos problemas, com o passar do tempo e com as ações que tomam, começam a perder aquele quê de família e passam a se tornar parente. Quem tem problemas de família sempre possui algum do dizer do tipo "parente não presta" ou "parente só serve pra se meter na vida dos outros". E daí tem a tia que você bloqueia no Facebook ou o primo que você manda indiretas no twitter. Até mesmo os dois, quiçá mais gente ainda.
      era cheia de parente, pessoas que dividiam o mesmo sangue, mas não faziam o favor de se comportar como família deveria se comportar, como um ninho de gente que se ama e se cuida. Famílias nem sempre são sagradas e nem sempre vale a pena tolerar pessoas por dividirem o sobrenome. sentia que deveria haver a possibilidade de pedir divórcio de alguns parentes, para se livrar deles e viver em paz na separação.
     Certo que ela não era exatamente justa com seus familiares, possuía birra e rancor de bastante gente e sabia que essa birra e esse rancor podiam ser desconstruídos se ela se esforçasse. Porém, não estava disposta a fazer o esforço! Se os perdoasse estaria assumindo para si mesma que os medos e traumas haviam ido embora, contudo, ainda acompanhavam seu espírito.
     Por outro lado, os familiares de também não eram justos com ela. Os tios paternos detestavam sua mãe e não faziam questão de esconder e os avós maternos viviam questionando o estilo de vida de seu pai. Seus pais eram sua real família e ela não suportava saber que os parentes tinham tantos problemas inúteis com eles. Quando os pais morreram os problemas passaram a ser com ela. O tratamento que davam a querida órfã na verdade mascarava o fato de não a querer como responsabilidade. Comprar um tênis no dia das crianças ou pagar um almoço em um domingo não chegava nada perto de ir nas reuniões de escola e ajudar a colocar o primeiro absorvente.
     Quem abraçou essa causa com todas as forças foi a avó e se havia alguém que realmente considerava família era ela. Vera, porém, foi um elemento importante na vida de alguns anos após a morte dos pais. Voltando à casa da matriarca passou a participação da sobrinha.
     Infelizmente, também era cheia de traumas e problemas. A morte do marido veio logo após a morte do irmão e todos os seus complexos a transformaram em uma pessoa que não fazia questão de esconder seu gênio ruim. Se quisessem a tratar como louca, aceitava o tratamento e ainda referia-se a si mesmo como realmente louca. Contudo, nunca teve problemas com a tia por saber ser dissimulada o suficiente. Aceitava as ordens da tia, não questionava suas opiniões e dançava como sua valsa.
     Essa dança desgastou seus ossos e músculos, trouxe um cansaço sem fim para sua cabeça. Machucava, a cansava muito fingir que não se importava com o preconceito e conservadorismo de Vera . Precisava esconder seus pensamentos sinceros, concordar com as opiniões berrantemente preconceituosas e antiquadas da tia além de fazer-se de santa virgem imaculada já que as outras duas possuíam opiniões bem ferrenhas sobre mulheres forniquentas.
     Dessa forma, teria sido melhor Vera encontrar com trinta e cinco carreiras de cocaína sobre a bancada ou fazendo algum ritual pagão. Agora... transando com estranhos em casualidade? Um pecado grande demais para ser perdoado.
     Vera decidiu que gritar e ser violenta deixaria a situação pior, se estava tão rebelde e carente de atenção teria que pisar em ovos para que a rebeldia não a levasse para situações mais arriscadas como tentar fugir da família por suicídio. Afinal, quem se mata não se salva!
     - Querida, venha cá! - a tia sentou-se no sofá com cara de boazinha e segurava-se como podia para não surtar. foi embora em silêncio por conta própria e deixou para se ferrar em paz. Relutante, foi até o sofá tomando assento ao lado de Vera .
     - Você não precisa fazer essas coisas para chamar a atenção. - segurou as mãos da sobrinha em fraternidade. A mais nova respirou fundo querendo desaparecer dali o mais rápido possível. Nunca teve seu espaço pessoal invadido com tanta violência em sua vida - Você foi tão bem criada, sempre teve a melhor educação, sabe que não precisa se rebaixar dessa forma. Isso não te leva a lugar nenhum! - Vera falava como se suas palavras fossem doces e amorosas, eram na verdade asquerosas!
     Vera possuía suas qualidades, não era uma pessoa abominável. Mas, como a maioria da população, carregava as inquisições e padrões da sociedade consigo.
     - Trazer um estranho para o seu apartamento e dividir a cama com ele? Isso é coisa para marido e mulher. Você precisa arranjar um bom garoto, um namorado que vá te respeitar, que vá casar com você e te ajudar a cuidar dos filhos, esses estranhos daqui não são para você! - Vera não acreditava na virgindade da sobrinha, poderia ser antiquada, mas não era burra. Ainda assim cria que ter ido até a cidade grande era uma fase e que em breve ela voltaria para os braços da avó para fazer a vida por lá.
     - O que não é pra mim é aquela cidade, tia.
     Ela sabia que Vera não confiava no seu plano de ir embora. Os parente tinham essa mania maldita de não leva-la a sério desde criança. Não confiavam em suas escolhas e questionavam tudo que fazia. Tudo isso porque ela estava vulnerável a sua mesquinharia por não ter os pais para defende-la. estava chegando perto de ultrapassar a barreira do respeito dissimulado pela primeira vez em sua vida. A gratidão estava devidamente desproporcional à frustração e humilhação pela qual passava. Sua tia havia sido uma benção em muitos aspectos, mas... Não dá pra se prender a algo que nos faz mal apenas por receber a ajuda alheia.
     - Você pode dar um tempo do seu curso, tirar umas férias. Por que não? - tinha tantas respostas para essa pergunta em específico que se fosse realmente responder se embananaria com as palavras - Lá é sua verdadeira casa. - Negativo! Porra, por que tinham de ignorar sua vida com seus pais? A casa da sua avó era um espaço que gostava muito e respeitava, mas nunca foi sua verdadeira casa!
     - Eu não quero voltar! - expressou sua vontade de forma simplista e com a intensidade que desejava.
     - Vai ser bom para você. Assim nós podemos ir a uma psicóloga juntas e fazer alguns meses de terapia para te ajudar. - claro! Típico enfiar psicólogo no meio das coisas.
     Se alguém andasse fora da linha do padrão da família era motivo para terapia. Não enxergavam tratamento psicológico como algo realmente sério para solucionar um problema realmente sério. Fulano fez uma tatuagem? Meu Deus! É satanista, leva pro psicólogo porque esse comportamento não está certo. Ciclano deixou a igreja de lado e está indo a boates na sexta-feira à noite? Psicólogos e antidepressivos nele, por favor! Ridículo. queria sim fazer tratamento com alguém, mas pelos motivos certos, para conseguir lidar com os resquícios da infância arrebentada e não por ter transado com !
     - Tia, me escuta! Eu não quero voltar e não vou voltar. Minha casa agora é essa aqui e essa é a minha vida! Eu não posso largar o curso no meio e abandonar tudo! - era tão revoltante que se sentia patética por ter de falar coisas tão óbvias e lógicas.
     Vera viu que não tinha jeito! Ser boazinha não adiantaria. Teria que apelar para o tratamento de choque, não poderia virar uma perdida como suas outras sobrinhas e primas.
     - Me desculpe, ! Mas somos eu sua avó que pagamos o curso e temos responsabilidade sobre você. - a sobrinha revirou os olhos. Que óbvio! Ela apelaria para onde dói mais, na porra do dinheiro. Porque já não bastava ter passado anos sendo a pobre coitada que não tinha pais para pagar por suas coisas e precisava pedir para os outros - Nós decidimos o que é melhor!
     - Eu já sou adulta e decido por mim, tia. Eu preciso viver minha vida - Vera estava ultrajada e se controlando para não berrar nas alturas. Aquela menina tinha o gênio do pai mesmo! Cria que daria um jeito de contornar a situação no final - Vocês não precisam mais pagar o curso, cansei de ser um peso, um encosto! Eu vou arrumar um trabalho e vocês não precisam se preocupar mais.
     Bastava, né? Ninguém merece aguentar tanto desaforo por causa de dinheiro. Há horas que nós precisamos assumir as dificuldades da vida em nome da independência. começou a traçar seu novo plano de vida mentalmente. Fazia sentido e daria certo. Ela tinha a pensão dos pais, que demorou uma vida para sair, e a receberia enquanto estivesse estudando. Arrumando um emprego poderia pagar o aluguel com o salário e o restante iria para o curso e suas contas. Mudaria para um apartamento menor em um bairro mais afastado do centro para economizar no aluguel e pararia de brincar de ser dondoca! Ninguém precisava comer fora tantas vezes por semana e comprar maquiagem com tanta frequência. tinha total noção de seus privilégios na vida e era grata por te-los, mas não dava para aguentar tanta bullshit mais!
     Vera ficou assustada pensando no que fazer. Precisava pegar outro voo logo para ir até o irmão que passaria por cirurgia. Prometeu que ajudaria a cuidar dele já que a cunhada trabalhava a semana inteira em turnos longos e uma cuidadora custaria muita grana. Teria de ficar pelo menos duas semanas com o irmão, duas semanas as quais ficaria sozinha com sua cabeça dura e propensa a cometer mais erros! Além de tudo a menina resolveu abrir as asinhas para o seu lado sendo ingrata e metida a adulta. Bem, qual a melhor coisa para dar jeito em jovem que se acha? Dar liberdade para quebrar a cara e depois voltar chorando. Era a decisão mais adequada para a situação e seria isso que Vera faria. trabalhando... ela botava zero fé nisso! Voltaria pedindo arrego com uma semana e ela estaria pronta para recebe-la e ajuda-la a recobrar a sanidade.
     - Não vou discutir com você, não quero que briguemos e também não tenho tempo. Perdemos horas nessa conversa e nem tomamos café juntas! Perdermos a oportunidade de ter um bom momento em família por causa de homem! Muito feio, . Muito feio. - a garota levantou do sofá prestes a explodir de tanta raiva! - Eu volto daqui algumas semanas para conversamos melhor e ajeitarmos as coisas, você vai ver que não é nada demais voltar e vamos dar um jeito nesse problema, ok? - meu Deus! Que inferno!
     O abraço de despedida foi o mais estranho de sua vida. O beijo gelado de Judas de Vera a deu calafrios e fez sua bochecha arder. Quando fechou a porta caiu no chão segurando o choro. Assim que ouviu o elevador começar a descer desatou a chorar feito a criança carente e assustada que fora um dia. Estava, como sempre, sozinha para se virar no mar de bosta que sua vida dava um jeito de ser de tempos em tempos. Teria que superar o medo e a agonia de enfrentar a realidade, teria que atropelar as barreiras mentais que a boicotavam. Era a hora de abrir as asinhas de uma vez e provar - para si mesmo e não para os outros - que era capaz e que sua vida dependia apenas de si!
     -      De céu azul com nuvens inspiradoramente brancas para relâmpagos e trovões estrondeantes regados a chuva pesada. Na sexta-feira passada comia bife grelhado com limão ao lado de na calmaria de seu apartamento e na atual sexta-feira descia do ônibus com as mãos tremendo e a testa suando.
      não era de agradecer à Deus, mas agradecia baixinho a cada cinco passos por ter Yeva ao seu lado. Se estivesse sozinha em um dia como aquele sofreria muito mais, ter a amiga ao seu lado era energizante e calmante.
     A semana foi nada fácil, precisou rever cada segmento de sua vida. Olhar apartamentos novos, redefinir seu orçamento, olhar direito qual seus números no banco e planejar seu futuro. A parte mais temerosa e preocupante foi o tal do "procurar emprego". nunca trabalhou, não sabia sobre como lidar com patrão, fazer uma entrevista ou elaborar um currículo. Pensou em pedir ajuda para ou , mas sinceramente, queria ter paz durante a semana e ficar sozinha. era um bicho arredio que quando ameaçado gosta de se isolar e evitar contato. Contudo, não pôde negar a companhia de Yeva que também estava disposta a largar mão da vida de ficar o dia todo em casa para ganhar o próprio salário.
     Com a ajuda de um portfólio e recomendação de pessoas do curso conseguiu duas entrevistas, uma em um salão e beleza e outra em um estúdio de fotografia. A do salão de beleza foi apenas duas horas depois de conversar com um dos professores do curso, ela mal soube o que fazer e foi na graça de Jeová. A do estúdio de fotografia pelo menos a deu tempo para parar e pensar sobre como fazer as coisas.
     O estúdio de fotografia ficava em área nobre da cidade dentro de um shopping de gente granfina. O ambiente ao redor exalava dinheiro e sabia que aquela realidade ali não combinava com a de sua vida. Por isso, ficou mais assustada, dinheiro era um tema complicado em sua vida e gente muito rica e esnobe a dava calafrios, era como se não pertencesse ao local.
     Passaram pela quinta boutique e logo avistaram a fachada de vidro e pilastras brancas do shopping. Yeva segurou na mão de dando um apertão que dizia "vai vaca, você vai conseguir". O estúdio ficava bem perto da entrada perto de um cafézinho gourmet, de uma livraria descolada e de um loja de cosméticos importados. O ambiente estava vazio com poucas pessoas passeando com sacolas. Não era o tipo de lugar que acomodava quantidades grandes de pessoas como o shopping perto de sua casa, o local era para um público bem específico: gente com grana!
     Abriu a porta de vidro com Yeva em seu encalço e se apresentou a recepcionista sorridente que prestava atenção em algo em um monitor branco antiquado que não combinava com o local. O estúdio não exalava a mesma luxúria daquele bairro com uma decoração meio antiga e até de mal gosto, mas não estava ali para julgar esse tipo de coisa.
     Sentou-se no sofá de couro preto e sintético e começou a prestar atenção no clipe que passava na televisão grande de tela plana. Alguém com gosto adolescente deixou no TMZ que passava clipes e recebia a admiração de uma pequena sentada ao lado da mãe que lia uma revista daquelas com colunas sociais.
     Em umas salinhas a frente duas mulheres com o uniforme preto do local mostravam fotos em seus monitores para futuros clientes e outra salinha do outro lado permanecia com a porta fechada.
     - Esse lugar é meio brega, não é? - Yeva cochicou observando os quadros na parede. De fotos clichês de casal à uma grávida segurando a barriga, Valinski esperava por mais originalidade.
     - Você achou que eu ia começar em um super estúdio em Nova Iorque? - percebeu que aquele lugar não era dos mais chiques com o ar de capa de Vogue do universo, mas seria seu primeiro emprego e ela precisava começar de algum lugar. Poucas são Kardashian e já começam no topo, né não?
     - Se te contratarem vão ser o melhor estúdio que esse mundo já viu, senão vou fazer uns reviews ruins pela internet! - fez aquela cara de "Yeva você é uma tranqueira" e Yeva respondeu com uma cara de "Me deixa ser pilantra em paz!"
     Ouviram a porta da sala do lado correr e atiçaram os ouvidos. Um sotaque carregado chamou pelo nome de que se levantou encarando a mulher que a chamava. Armação vermelhas para seus óculos de grau e roupa social clara. Cabelos cortados retos na altura do ombro, média estatura e seios pequenos.
     - Verona Kovac, prazer em conhece-la. - Verona era gerente do local há uns bons anos e muito amiga do dono do estúdio. Costumava julgar as pessoas pela aparência sem medo algum e o prévio julgamento que fez de resultou em uma primeira impressão positiva. Gostou da escolha do jeans escuro, da camiseta por dentro e do cinto preto fosco. O rosto de também a agradou, a garota estaria ali para trabalhar de maquiadora e não faria sentido chegar para a entrevista com o rosto limpo.
     - Igualmente. - respondeu tentando ser o mais firme possível, por dentro era uma maria mole derretendo.
     - Entre, por favor.
      deu as costas para o mundo atrás de si e engoliu a saliva produzida em excesso por sua boca para focar. Sentou-se na cadeira de estofado branco e esperou que Verona assumisse seu local. O escritório era pequeno, com iluminação baixa e poucos detalhes, muito mais bem decorado que o restante do estúdio.
      teve que dar algumas satisfações e entregar um pouco de sua vida pessoal. Falou sobre a experiência na cidade nova, sobre o curso e o papo caminhou para algo mais específico. Verona explicou como as coisas funcionavam por ali deixando um pouco menos preocupada.
     Os clientes encaixavam-se em diversas faixa etárias, mas a maioria e os que mais interessavam eram as jovens de 15 a 21 anos, as grávidas e as famílias. O estúdio não costumava atender pessoas da área, não fotografavam modelos e faziam fotos editoriais. Estavam no mercado para atender pessoas comuns com dinheiro o suficiente para pagarem pela experiência de serem clicadas como modelos. Yeva se sentiu muito mais confiante e preparada para maquiar uma cidadã comum que uma modelo acostumada a mãos muito mais experientes.
     A entrevista durou cerca de uma hora e Yeva ficou muito tranquila prestando atenção à vida alheia na salinha da recepção. Prestou atenção em todos os detalhes possíveis para fofoca-los a quando saíssem dali. saiu da sala com um sorriso no rosto e com a esperança viva. Sentia que possuía sérias chances, mas não queria se animar demais pois quanto mais esperança, mais forte poderia ser o tombo caso não a contratassem.
     As duas companheiras resolveram comemorar a entrevista indo a um restaurante perto dali. Não iria matar comer algo mais caro em um bairro chique uma vez na vida. Yeva arriscou um hambúrguer gourmet de Salmão acompanhado de batata e um molho que via pela primeira vez na vida e foi de peixe frito empanado com batata.
     - E aí, me conta tudo! - Yeva com sua animação de sempre e sempre com preguiça de descrever as coisas em detalhes.
     - Pelo o que eu pude perceber a tal da Verona é meio fria e de poucas palavras, ela não ficou se intrometendo muito na minha vida pessoal e explicou as coisas sem ficar se enrolando, sabe? Mas, teve paciência pra explicar, mais ou menos, como as coisas funcionam no estúdio. Basicamente eles recebem clientes marcados com antecedência. São adolescentes, jovens e famílias que chegam ali para fazer as fotos sem obrigação de compra-las.
     - Como assim sem a obrigação de comprar, quem vai num estúdio e não compra as fotos?
     - É eu sei, é confuso. Ela explicou que eles têm duas promotoras de venda que fazem parcerias com o comércio local. Digamos que eu fui em um salão e gastei um valor x com os serviços. Na hora de pagar alguém me oferece um cupom com direito a uma sessão de foto com um pôster grátis. Eu escolho a foto da minha preferência pra fazer esse tal de pôster que vou ganhar sem pagar nada, mas também posso comprar o restante das fotos em mídia digital ou em um book tradicional. As pessoas chegam, vão para a maquiagem, depois de prontas vão para o estúdio com as fotógrafas e depois das fotos descem para a sala das vendedoras que vão tentar vender as fotos. A dinâmica é basicamente essa. - Yeva nunca soube como um estúdio funcionava, qual a dinâmica da coisa e ficou até um pouco surpreendida. Ela esperava algo bem mais glamouroso. Caiu do cavalo!
     - O bom disso é que a culpa não deve cair na maquiadora se as vendedoras não conseguirem vender, deve cair sobre elas mesmas ou sobre as fotógrafas. Se deu bem! - Yeva alivou para seu lado. estava um pouco nervosa já pensando nos cenários horríveis que poderia enfrentar naquele lugar, desde problema com cliente a problemas calorosos com as companheiras de trabalho - E só trabalha mulher ali?
     - Sim, como o público é quase que totalmente feminino preferem que as funcionárias sejam mulheres para deixar o ambiente mais confortável. Verona disse que fazem muitos ensaios sensuais e que as clientes ficam mais confiantes ao saberem que só tem mulher lá. Outra coisa boa é que eu não preciso levar meu kit, eles têm convênio com uma empresa de cosméticos que fornece tudo, de pincéis à produtos de cabelo. - o nervosismo dividia espaço com a ansiedade e uma pontinha de empolgação. Todo trabalho tem seus poréns, mas sentia que seria divertido maquiar tantas pessoas. Tudo bem que trabalhar por oito horas de segunda à sábado não é nada dos sonhos, mas são as coisas da vida.
     - Minha querida agora é só esperar e focar no que importa, e o ? - Yeva era essa pessoa intrometida que não se pode deixar de amar.
     - A última vez que o vi foi quando saiu de casa sábado passado. Nós falamos muito pouco essa semana, preciso organizar minha vida e não quero ficar chorando no ombro dele ou dando uma de carente. - Valinski começou a rir da cara da amiga a irritando.
     - Você se fodeu, né? Que coisa mais brochante e frustrante ser pega daquele jeito, cria uma parede de gelo entre vocês. No final das contas, o que você espera de vocês de agora em diante? - não sabia, ela queria ter uma resposta definitiva mas, esse era o ponto de sua vida que não tinha uma solução fácil e prática.
     - E eu vou lá saber? Falei pra minha tia que ele era meu namorado mas, ela só o enxergou como um homem estranho. E na real ele é um estranho, a gente está se conhecendo e junto há pouco tempo, como sair namorando alguém desse jeito? Ele me pede em namoro e toda a dinâmica muda e fica séria do nada? Ai eu odeio responsabilidades! - era excruciante ter que pensar em namoro e pinto numa situação onde todo o resto está por um fio. o queria, mas não queria que ele fosse cura de carência. Medo ou insegurança, o que fosse, ela precisava pensar melhor nessa situação.
     - Vocês já conversaram a respeito?
     - Não, nós nunca tocamos nesse assunto, eu sinto que chegar falando sobre isso estraga a graça das coisas, estou muito bem com essa parte de provocação e tesão sem seriedade. - ainda estava toda confusa sobre as coisas com e tomar uma decisão parecia sério e até arriscado. Pra que estragar algo que está indo bem?
     - Você tá certa. Mas, acho que conversar é sempre válido. É sexta-feira, porque não chama o querido pra uma saidinha básica? Tudo pode acabar num sexo gostoso e revigorante para o final de semana. - olhou para o rostinho iluminado e cheio de blush de Yeva admirando sua presença abençoada na Terra. Ela estava mais que certa! Medo não podia atrapalha-la mais. Já tinha dado o fora na tia Vera, que fosse aproveitar do restante da vida!
     - Vou pela primeira vez acatar uma ideia sua como sendo uma boa ideia. - Yeva nem ligava para o tratamento desdenhoso de , ela sabia que estava certa no final da história.
     De volta ao seu apartamento já pensava em mudança, nas caixas de papelão que precisaria arrumar e nos preços de um caminhão de mudança. Precisaria sair dali o quanto antes, ver o preço da multa que teria de pagar para a imobiliária e todas essas burocracias insuportáveis.
     Durante o banho abriu o box para pegar o celular descansando em cima da privada e o destravou com as mãos molhadas e escorregando pela tela para comunicar-se com o . Não relutou e nem ficou com frescura, havia feito nada de errado e confiava em para não ficar com ego ferido de macho chato. Ele demorou um pouco para responder, mas ela não estava a fim de sair do banho mesmo.
     O engenheiro perguntou o que ela fazia no momento e sua cabeça cansada e a fim de fazer algo divertido tirou uma selfie no chuveiro. Sem mostrar os seios, sem fazer cara de putinha carente e coisas do tipo. Só fez uma careta com a água caindo em sua cara, às vezes a gente só precisa de uma desculpa idiota para dar risada!   
   respondeu com uma foto com a boca toda cheia de macarrão com molho vermelho por todo seu queixo. Algo que a fez rir, relaxar, se sentir bem. Caramba! a fazia bem quando ela estava na bosta e a fazia sentir melhor ainda quando já estava bem desde o começo. Era bom estar perto dele, era bom ter intimidade com ele, ter essa amizade e essa espécie de companheirismo.
     Talvez conversar sobre o futuro de seu caso não fosse uma má ideia no final das contas. Combinaram de se encontrar no apartamento dele no sábado à noite, ambos não eram de ir em barzinhos ou coisas do tipo. O apartamento era reservado, tranquilo, mais barato e o mais importante, não corria o risco de nenhum parente chegar sem avisar com uma porra de uma chave reserva que nunca ninguém deu autorização para ser feita!
      travou a tela do celular com o coração cheio de sensações boas, algumas incertezas, mas com a ideia que o enfrentar sua tia tinha sido uma boa coisa. Sua emancipação e entrada com fé na vida adulta não seria fácil, mas quem disse que as coisas são fáceis, afinal? Pelo menos ela sabia que namorando ou não, tinha o tal do para tirar um sorriso do seu rosto no final.

Chapter 22

  A vida adulta é uma perturbação que parece apenas ter fim com a morte! Dramático, mas real quando a bad bate. Alguns conseguem ser positivos mantendo um sorriso no rosto durante tribulações. Mas, mesmo os mais privilegiados ficam entre a cruz e a espada com aquela vontade incubada de explodir Deus e o mundo.
      conversava com pelo menos três proprietários de apartamentos pelo Whatsapp enquanto tomava seu café da manhã na cama antes das oito e meia da manhã. Queria mudar dali o quanto antes, sua tia voltaria em pouco tempo e não queria estar no atual apartamento quando isso acontecesse.
     Dessa vez teria que pular o processo com uma imobiliária por não ter alguém para ser seu fiador e por isso precisava tomar cuidado ao fechar acordo com alguém, acordo do tipo pagar dois aluguéis adiantados e depois tomar no focinho.
     A opção mais confiável era um apartamento há quinze minutos de ônibus da onde estava que ainda assim garantia acesso fácil ao seu curso e, se Deus quisesse, do seu futuro trabalho. A dona do apartamento era uma pessoa transparente que negociava sem pegadinhas e estava prestes a fechar com a mulher.
     Havia visitado o apartamento antes na semana e gostado do espaço. Apesar de mais velho e em um bairro menos atrativo possuía um quarto a mais, banheiro recém reformado e até uma pequena sacada na sala. Seus dedos digitavam apressados ao falar com a proprietária para garantir que não perderia aquele imóvel. Estava acordando os detalhes do depósito do primeiro aluguel, entrega de chave e um bom horário para pegar o contrato com a proprietária que garantiu que já o entregaria assinado e com firma reconhecida na segunda-feira.
     A segunda-feira parecia estar tão longe... Todo o cenário era surreal na realidade, ainda olhava para seus móveis e seus pertences pensando em como os colocaria em caixas procrastinando a procura por um caminhão de mudanças.
     Quando terminou de negociar com a proprietária caiu na cama cobrindo a cabeça com a cobertinha felpuda que a cobria. Estava cansada e extremamente preocupada com o futuro, sentia que o mundo despencava sobre sua cabeça e que não seria capaz de evitar um milhão de estragos.
     Mas até quando alguém pode suportar humilhação e frustração? Não eram pessoas que ela podia simplesmente ignorar e expulsar de sua vida, eram família e ainda iriam atrás dela pelo laço que possuíam. Contudo, conquistaria sua maldita independência e teria como se impor, não seria mais necessário abaixar a cabeça e acatar.
     Yeva não poderia fazer companhia naquele sábado, o namorado estava em casa e a amiga queria aproveita-lo até o talo. Totalmente compreensível! Também não teria que ficar sozinha por muito tempo, na noite passada ela e combinaram de se encontrar no apartamento do homem. O conselho de Yeva tinha sido sair com o homem ainda no dia anterior, mas preferiu pisar o pé no freio, precisava de um tempo para si, um tempo para pensar.   
  Havia pensado o suficiente! Estava numa fase de tomar decisões sérias sem medo, então, estava segura de que continuar com era o certo a se fazer.
     Acabou cochilando por um instante e acordou perto do meio dia. O fundo de seus olhos doíam e sentiu fome. A coragem de cozinhar era mínima, mas estava firme no plano de economizar grana ao comer em casa. Com muito custo abriu a geladeira pegando tomate, cebola e uma lata de sardinha. Improvisou um patê o temperando com sal e pimenta. Colocou o patê sobre pedaços de pão de forma e os colocou no forno para dar uma dourada.
     Não estava fácil se manter em pé e o diabo do tempo parecia não passar. Ligou a televisão para fazer barulho e não encontrou um santo canal passando algo que prestasse. Apenas por isso caminhou até o quarto para pegar seu notebook. O abriu em cima da bancada e colocou alguma coisa interessante no YouTube para se distrair. Optou por comer em pé apoiada na bancada e molhando sua garganta com um resto de refrigerante meio sem gás. Olhou para suas mãos e viu as cutículas secas e levantadas. Sabia que seu rosto escorria óleo por não tê-lo lavado e suas canelas estavam peludas. Verificou suas axilas para também observar os pelos crescidos e vistosos.
     Depois de uma semana tão estressante merecia um pouco de cuidado. Deixou o vídeo rolando na cozinha e foi até o quarto procurar pela cera de micro-ondas e um palito de sorvete. Aproveitou e pegou umas outras tranqueiras de cabelo, um creme de abacate e um potinho de óleo de amêndoas para dar um carinho em seu cabelo.
     Colocou a cera para derreter no micro-ondas e usou uma colher de pau para misturar o creme de nutrição com o óleo em um potinho qualquer de plástico. Passou a mistura em suas madeixas com a uma luva de plástico toda manchada de tinta de cabelo e aproveitou para joga-la fora de uma vez. Deu uma mordida na torrada derrubando sardinha na bancada e foi pegar a cera.
     Não foram precisas muitas puxadas para dar cabo dos pelos das axilas, aproveitou o óleo de amêndoas que estava ali e o passou na pele para tirar o restante de cera. As canelas encheram um pouco mais o saco, mas ela foi forte e evitou passar o barbeador que além de engrossar seu pelo a dava coceira. Decidiu que também seria uma boa ideia dar uma ajeitada nas partes baixas.
     Sentiu-se um pouco melhor e mais revigorada e por isso, pelo efeito de bem-estar, decidiu que iria esfoliar o rosto e passaria uma máscara de argila verde. Poderia almoçar mais tarde e nem precisaria comer muito, sempre a recebia com comida, algo que ela não poderia reclamar sobre.
     A tarde passou com praticamente ignorando os vídeos que seguiam tocando em seu notebook sem que ela prestasse a devida atenção. Até deixou os pés de molho para tirar as cutículas, lixar o casco de cavalo e passar um esmalte preto. Nas mãos passou apenas base, estava inquieta demais e mancharia qualquer esmalte criando mais algo para frustrá-la.
     Também não sentiu fome e por isso fez apenas mais um lanchinho bobo que mais serviu para distraí-la que para alimentá-la. estava largada em puro tédio e desânimo quando seu celular começou a tocar. Assustou-se, pois, eram quase seis horas da tarde e ninguém costumava ligar naquele horário.
     O número era estranho, mas tinha o DDD da cidade. Torceu o nariz e franziu a testa e atendeu o celular em desconfiança, odiava falar no celular e odiava atender números estranhos já que na maioria das vezes desligavam ou então eram da operadora de celular enchendo o saco com promoções.
     Qual foi sua surpresa ouvir o sotaque carregado de Verona Kovac, a gerente do estúdio de fotografia.
     - ? Verona Kovac, você fez uma entrevista comigo essa semana. - seu coração foi parar em sua boca e quase escalou um pouco mais e saiu por seu nariz. Escorou as mãos na parede com os olhos praticamente marejando.   
  - Olá Verona, boa tarde. Em que posso ajuda-la? - respondeu tentando transparecer a maior calmaria de todas, mas estava prestes a cair no chão.
     - Te ligo com boas notícias. - a essa altura não suportou o peso do próprio corpo e sentou no chão agarrando os cabelos e os puxando para trás - Com prazer estou te ligando para informa-la que a vaga de maquiadora é sua. Meus parabéns e seja bem vinda a equipe! - respirou fundo engolindo a porra do choro que pouco se fodeu com a ligação. Verona percebeu a aflição misturada a emoção do outro lado da linha e deu um tempo para que ela assimilasse a notícia. A própria Verona bem sabia como o primeiro emprego é um desafio, não havia começado no topo da gerência.
     - Muito obrigado Verona, muito obrigada mesmo! - limpou as lágrimas e engoliu o diabo do choro, mas falhava em falar com a voz normal. Estava afetada e não havia como disfarçar.
     - Você começa na segunda-feira às nove horas da manhã, certo? Não é preciso se preocupar com uniforme, as maquiadoras não os usam, mas pedimos que sempre se vistam com cores neutras, algumas clientes se assustam. De toda forma, a espero na segunda às nove. Tenha um bom restante de final de semana. - encarou a parede por alguns segundo se esforçando para recuperar a dignidade.
     - Obrigada novamente. Nos vemos na segunda, bom restante de final de semana para você também.
     A ligação foi encerrada. Deixou o celular escorregar por sua mão e cair entre suas coxas. Seu corpo ficou perdido sem saber se chorava ou ria. Acabou realizando uma mistura dos dois, uma confusão de emoção que enfraqueceu mais ainda que deitou o tronco no piso fechando os olhos e deixando os sons provindos de suas emoções ecoarem pelo apartamento.
     Era uma conquista sua e só sua. Se sua vida tivesse cursado um caminho diferente provavelmente estaria animada e empolgada para distribuir a notícia. Entretanto, não! Queria digerir a informação sozinha e compartilhar o momento apenas consigo sem envolver outras pessoas. Era uma solidão que fazia bem, que a trazia calma e felicidade.
     Levantou da porra do chão com a mão na cintura e começou a dar pulinhos sem sincronia, gargalhava enquanto as lágrimas molhavam e avermelhavam suas bochechas. Soltou um grito agudo e histérico sem se importar com os vizinhos e continuou a pular e dançar sem ritmo pelo apartamento com um frio da porra em sua barriga, com a ansiedade a deixando elétrica, porém, com motivação para acordar cedo na segunda-feira e gastar pelo menos duas horas se arrumando para chegar chegando em seu primeiro dia de trabalho.
     Porra! Primeiro dia trabalho no primeiro emprego. E era verdade! Não era nenhum tipo de fantasia ou algum tipo de sonho que a faria acordar confusa. A vida toda teve medo de responsabilidades, medo de encarar o mundo por ele ser um verdadeiro covarde com ela.
     Contudo, pela primeira vez em anos a porra do mundo colaborava consigo mesmo que por caminhos difíceis. Depois de uma notícia dessas não poderia mais ficar no clima de velório melancólico que enfrentava antes da ligação. Partiu para o banho com seu esfoliante facial e com coragem o suficiente para enxaguar o cabelo para escova-lo depois.
     Tomou um banho longo e agitado de mais de uma hora. O celular com o Spotify aberto tocava sua playlist mais animada e os pulinhos embaixo da água quase a fizeram escorregar no piso cheio de espuma. Há tempos não se sentia tão bem! Uma mulher mesmo, confiante e capaz! Sua tia a olhou com aquele desdém naquela sexta-feira do inferno quando tocou no assunto de trabalhar, sua expressão facial entregou sua desconfiança e falta de fé. E porra, caralho, demônio! Conseguiu, ela conseguiu o emprego e quem esteve ao seu lado não foi nenhum filha da puta da sua família, foi a linda & maravilhosa da Yeva Valinski que se mostrou muito mais confiável e bondosa que qualquer uma de suas primas que só queriam a ver pelas costas.
     Chegou no quarto para se arrumar de vez com a sensação de que beirava o atraso e realmente deveria ter começado antes já que se enrolava em demasia para ficar pronta. havia combinado encontrar às nove e já eram quase oito. Decidiu pegar o celular para avisa-lo que iria se atrasar, mas logo argumentou que era por um bom motivo. O homem se ofereceu para busca-la, mas ela preferiu ir de ônibus. Não queria entregar sua notícia destruidora logo de cara e não conseguiria disfarçar até chegar no apartamento do engenheiro se fosse de carona com ele.
     Separou uma das lingeries mais caras de sua coleção e prometeu para si mesma que gastaria uma graninha com calcinhas e sutiãs novos assim que recebesse seu primeiro salário. Subiu a tira bordo e veludo pelos quadris e ajeitou a calcinha em sua bunda para que se enfiasse entre as nádegas na medida certa. Arrumou os seios no bralet de renda e ignorou o mamilo ouriçado que marcaria a camiseta.
     Já vestida sua tradicional legging preta e camiseta cheia de rasgos sentou-se em sua cadeira em frente a penteadeira com empolgação o suficiente para ficar pelo menos quarenta minutos em sua maquiagem. Era uma comemoração só sua e estava acostumado a ve-la de cara limpa, mas ela quis exagerar na dose com um olho escandaloso e uma boca carregada e escura. Sujou quase todos os seus pincéis e fez uma sujeira enorme sobre a madeira escura, mas adorou o olho bordô todo esfumado e vampírico. era assim, ou saía com a cara neutra ou saía parecendo que veio do inferno depois de uma transa com o diabo.
     Conferiu o horário no celular e notou que nem estava tão atrasada assim. Deu também um tempo para desenhar os lábios com lápis antes de passar o batom com todo o cuidado do universo para não sair da linha. tiraria toda a porra do batom o manchando por todo o seu rosto.
     Mas quem se importa, não é mesmo?
     Quando terminou de amarrar o cadarço de seu tênis já passava das nove. Não se importou, havia avisado do atraso e estava determinada a usar todo o tempo que sua mente a pedia para se sentir finalmente pronta. Às nove e meia pediu um táxi que demorou menos de dez minutos para chegar. Agarrou a bolsa e partiu prédio a fora com uma confiança que geralmente não era sua. Dentro do táxi observava os prédios vizinhos e despedia-se aos poucos do bairro que a recebeu tão bem. A cidade passava aos seus olhos e parecia uma mentira enorme ela estar ali com condições de se manter e de cuidar da porra da sua vida sem um mundarel de gente enchendo o saco.
     O taxista tranquilo no volante demorou um pouquinho mais que o usual até chegar à moradia de . Reconheceu o vidro escuro das janelas e o portão moderno e procurou por sua carteira para pagar o taxista. O porteiro que já a conhecia fez seu trabalho ao interfonar que - obviamente - autorizou sua subida.
     Normalmente ficava batendo os pés esperando chegar ao décimo quinto andar, mas dessa vez a ansiedade era outra. Não viu a noite como uma saída para brincar, mas a teve como um momento de libertação em que encontraria de alma e coração. Pois é, queria sair daquele apartamento no outro dia tendo afirmado a que ele era oficialmente parte de sua vida.
     Assim que colocou os pés dentro do tão conhecido apartamento notou que algo estava no forno tanto pelo barulho quando pelo cheiro. Não se cumprimentaram com beijinho social ou selinho, fora apenas um "oi" companheiro acompanhado de um sorriso sincero. foi direto ao sofá e ali e sentou aproveitando-se da maciez do estofado cinza e reclinável.
     - Preciso perguntar se quer refrigerante? - o homem passou a comprar mais refrigerante depois de começar a sair com , ele gostava da ideia de ter estoque para servir a ela.
     - Você sabe qual a resposta. - estava lá com os dentes de fora deixando o ambiente todo iluminado. Logo ele voltou com a garrafa de dois litros de bebida e a colocou na mesa apenas para servir de apoio. Encheu o grande copo de vidro e o entregou a menina que matou metade do refrigerante em um gole só. Estava bem geladinho, cheio de gás, perfeito para refrescar seu espírito pegando fogo - Vai de cerveja? - secretamente gostava de beijar com gosto de cerveja, nunca havia comentado, mas gostava.
     - Mas é claro. - a latinha estava já em suas mãos.
     - Então eu posso começar a sessão de pedir desculpas, foi uma das situações mais constrangedoras da minha vida e imagino que você se sentiu ridículo. - queria enfiar a cabeça dentro de um buraco, ela engolira a tia mas tinha obrigação nenhuma com Vera.
     - Eu me senti com quinze anos e com vontade de morrer, mas imagino que tenha sido mil vezes pior para você. - o engenheiro sentou-se ao lado dela colocando a mão em suas coxas dando um carinho que tentava passar calmaria - Não sabia que sua família era tão cuidadosa assim! - ironizou.
     - Minha tia sempre foi sem noção e meio intrometida, mas naquele dia ela ultrapassou todos os limites que nunca tinha ultrapassado. Foi uma conversa longa e difícil e gerou algumas consequências sérias. - falou com tanta seriedade sobre a questão das consequências que fez ficar com o cu trancado. Se tivesse algo a ver com ela ir embora ele teria algum tipo de ataque.
     - Consequências? E sérias? Isso é meio complexo. - engoliu bastante cerveja na esperança de relaxar a cabeça.
     - Sim! E sérias! A primeira coisa foi chegar no tópico de eu voltar para casa. - Porra! Ele sabia que a tia de iria jogar essa carta, velha maldita intrometida!
     - Eu não sei o que dizer... - sua confusão mental apenas crescia e não havia cerveja no mundo que pudesse acalma-lo.
     - Eu soube! - respondeu firme, não agia com tanta firmeza há anos - Eu bati o pé, claro que minha tia não me levou a sério, ninguém nunca me leva a sério. Ela saiu de lá, pois, tinha que viajar pra casa do irmão dela, meu tio, por motivos que nem são importantes. O que importa é que eu tive que tomar a rédea da minha vida e decidir algumas coisas. - nunca viu falando daquela forma, era como se ela não a conhecesse e ele realmente não conhecia o lado mais maduro, sério e lascado da - agora - maquiadora.
     - Você está me deixando realmente assustado. - começou a sentir-se quente, a camiseta branca começando a ficar molhada em seus sovacos.
     - Não é nada demais, de verdade. - foi a vez da menina de usar as mãos para fazer carinho nele para acalma-lo - Eu apenas decidi que minha tia não pode mais influenciar dessa forma na minha vida porque me ajuda financeiramente. Então eu fui atrás de duas coisas, um emprego e um novo apartamento! - pôde relaxar a postura e respirar um pouco mais aliviado, de todos os cenários o apresentado por parecia ser o mais razoável.
     - E então? - ele não sabia lidar muito bem com mistérios. Mas, pelo sorriso que viu abrir teve certeza de que as respostas eram mais que positivas.
     - Eu me mudo essa semana e começo como maquiadora em um estúdio de fotografia na segunda-feira. - o salto que ela deu do sofá o assustado. A garota parou em frente a ele e então se jogou em seu corpo quase fazendo com que derrubasse a cerveja por todo lado - Eu consegui, porra! Ahhh! Eu consegui, ! - sua felicidade e realização eram tão verdadeiras que contagiaram , o engenheiro soltou a cerveja para lá que rolou pelo tapete deixando líquido vazar. Quem liga? Ela estava berrando e comemorando em seu apartamento o fato de ter conseguido um emprego que a manteria na cidade em um novo apartamento. ficaria, continuaria a estar perto de si. Não poderia querer coisa melhor! Aliás, até poderia, mas era ótimo mesmo assim.
     - Meus parabéns sua espoleta endiabrada! - o abraço foi o mais empolgado de seu tempo juntos, na verdade, não eram de se abraçar. No aperto de seus corpos havia algo maior que tesão e que vontade de dar uma gozada. e construíram uma relação verdadeira que fortalecia a cada dia.
     - Eu estou tão... Tão sem acreditar. - confessou em voz alta - Minha vida sempre foi essa bosta sem rumo em que eu não sabia quem era, o que queria. Eu nunca me vi vencendo na vida, andando com minhas próprias pernas porque sempre me vi dependente de alguém e sem acreditar em mim mesma por me achar uma verdadeira bosta. Acontece que eu sou uma bosta que deu certo! - não se aguentou e começou a rir, aquela menina não sabia do potencial que possuía.
     - Você não é uma bosta, ! - ela riu aninhando-se ao tronco largo de - Estou orgulhoso, de verdade! Eu imaginei o pior quando sai daquele apartamento, mas não sabia que sua família e você tinham essa relação de gato e rato. - a expressão no rosto de mudou razoavelmente, ele não queria acabar com sua animação, mas também gostaria de entender melhor a situação.
     - Quando meus pais morreram tudo ficou um caos, minha vó ficou responsável por mim, mas todo mundo se sentia no direito de se meter já que eu não tinha meus pais para me protegerem. E assim foi e se tornou um costume familiar se intrometer na minha vida. Minha tia Vera é a melhor nisso e eu ainda devia alguma coisa e a deixava comandar por ter uma certa dependência financeira, assim eu ficava presa. Mas não mais! - o sorriso voltou a sua boca e assim era realmente melhor. Infelizmente o papo precisou ser cortado pelo leve cheiro de queimado chegando aos olfatos dos presentes.
     - O forno! O forno! - deu um pulo do colo de que saiu apressado desligando o forno. Quando abriu a porta ficou tranquilizado, a comida estava dourada assim como desejava. se aproximou para ver do que se tratava, mas logo foi interrompida.
     - Ei, é surpresa. Volta pro sofá! - falou sério com aquele quê mandão que tirava do sério no começo. Na condição atual vibrava com a autoridade.
     - Mas daddy... - nada melhor que escapar do mundo real para o espaço seguro em que podia cair na abstração de ser a little de .      - ! - repreendeu com a expressão totalmente séria. A garota mordeu os lábios girando vagarosamente fazendo com que não resistisse e encarasse seus quadris.
     A surpresa acabou quando chegou com uma travessa cheia de nuggets em formato de dinossauro junto de batata frita e dois potinhos de cerâmica, um com maionese e outro com catchup. ficou vidrada olhando da travessa para o homem com uma vontade imensa de abraçá-lo de forma hiperativa uma outra vez. Mas, dessa vez não arriscaria derrubar todos os maravilhosos dinossauros assados no chão.
     - Daddy! - proclamou em pura emoção.
     - Minha garotinha merece. - a presenteou com um cafuné gostoso assim que colocou a travessa sobre a mesa de centro - Divide comigo, eu não jantei! - pediu com manhã.
     - Não! - respondeu em falsa birra e logo começou a rir - Claro que sim, que pergunta besta!
     A leveza nunca fora tão grande. A sensação de que tudo caminhava para o local certo, de que as decisões tomadas eram as corretas. Assim, se sentiu pronta para dar o passo a mais.
     - Vai parecer que estou sendo influenciada pelos nuggets, mas... eu realmente preciso me abrir. - mordia uma batatinha e jogou toda a pressão dos dentes no alimento o fazendo despedaçar. aberta era algo que realmente queria. Com todos os sentidos possíveis!
     - Você sabe que se pode abrir comigo... - fez cara de tranqueira deixando mais fogosa.
     - Depois de tudo isso, de todos esses meses intensos que vivi eu cheguei à conclusão que gosto de você. - nunca estava preparado para , ela sempre o pegava de surpresa, sempre o deixava sem chão e com o coração palpitando. Passou tanto momentos de raiva e tristeza tentando adivinhar coisas que nem ao menos existiam e agora confirmava aquilo que ele realmente desejava com todo seu âmago. Estava sim apaixonado pela maldita! - E eu gosto de estar com você e quando minha tia chegou ameaçando tudo eu fiquei tão preocupada, tão assustada. Ela tiraria minha vida nova, meu apartamento, meu curso, meu futuro emprego e dentre todas essas coisas eu me vi realmente triste pela possibilidade dela me tirar você. - foi abrir a boca e levantou o dedo indicador o fazendo fechar o bico - O que eu quero dizer é que... Eu quero ficar com você, ter essa coisa de verdade, sabe? E creio que isso seja namorar, por mais que eu odeie essa palavra então...
      era a noiva prestes a receber o anel caríssimo de noivado que passou anos esperando o pedido. Seu sangue percorreu seu corpo em uma pressão perigosíssima, seu espírito ficou totalmente agitado. Esperava tantas coisas de naquele dia, mas nenhuma delas envolvia um diabo de um caralho de um pedido de namoro!
     - Quer namorar comigo? Parece estranho eu pedir, mas que se foda. - a resposta era clara e objetiva, nem tinha por onde enrolar.
     - Então eu sou seu estapeador oficial de nádegas? Porque se isso for namorar para você, eu aceito ser seu estapeador oficial de bundas. E namorado!
     - E daddy! Que isso fique claro, você me meteu nessa e agora eu não quero sair mais!
     O espírito apaixonado e safado que os fazia pegar fogo um pelo outro dominou ambos os corpos os fazendo ignorar os tão deliciosos nuggets de dinossauro recheados de queijo. nunca namorou na vida e nunca pensou que seria assim, mas ele era a pessoa mais certa para isso e ela bem o sabia por tudo que havia passado. pensou tanto na situação que não estava sabendo assimilar direito. Mas, o bobinho sentia que era real e ele só queria possuir e ajuda-la a mandar tia Vera para a puta que o pariu!
     - Eu quero tanta estapear sua bunda enquanto você com esses nuggets para te punir por me deixar completamente com cara de idiota perdido! - a passada de língua que explicitou arrepiou as pregas da sua bunda.
     - Não... - choramingou - Não seja cruel comigo, eu não fiz nada de errado! - ficava tão manhosa nessas circunstância que mal conseguia controlar seus desejos de deixa-la fraca de tanto fode-la.
     - Então, sem punição... - levantou do sofá e foi ao tapete. ficou confusa mordendo seu dinossauro observando ficar de joelhos sobre o chão e a sua frente. Quando ele se atreveu a levantar seu quadril e começou a puxar sua legging com calcinha e tudo para baixo percebeu que havia se metido no melhor tipo de encrenca. Injustiça, pois, ela havia vestido uma lingerie cara e chiquérrima.
     - Acho que depois de tudo você merece uma recompensa. - observou a bocetinha recém depilada e começando a se molhar e percebeu que sua fome não era de batata e muito menos de dinossauros de frango recheados de queijo. Era da porra do orgasmo da sua maldita namorada!
     Quando sua língua passou impiedosa pelo grelinho prestes a inchar-se mordeu o nugget quase queimando a boca com o queijo que passou a escorrer por seus lábios. O engenheiro cravou as mãos nas coxas de sua garota elevando o quadril quase o tirando do sofá deliciando-se com o oral.
      sabia que estava liberta, finalmente livre! Que a língua de abrisse um novo capítulo em sua vida onde toda a dor ficasse para trás. Nada poderia substituir seus pais e seus traumas ainda a assombrariam pela noite, mas, não era mais preciso estar sozinha!
     Desejou aquilo que nunca teve, implorou por palavras que nunca ouviu.
     Palavras que a fizeram bem, palavras que fizeram se sentir viva.
     Agora poderia simplesmente ser quem sempre quis ser.
     Agora poderia ter aquilo que sempre precisou ter.
     Com os olhos fechados e o prazer alastrando foi a hora de deixar tudo ir.
     A faria brilhar como a mentira mais sincera.
     Cresceria nela um amor delicado e uma força brutal.
     Uma força doce, afinal, um Infralove.

FIM!



Comentários da autora


ACABOU! <3 Gente, ai eu me sinto tão bem quando finalizo uma história. É uma jornada e tanto e porra, cansa e me deixa louca às vezes, mas é gratificante.
     Infralove não nasceu para ser uma história complexa, sabem? Queria escrever uma romance bobo clichê e até mesmo vazio, mas foi mais que isso e eu acabei me envolvendo e ficando meio doida no processo HOHEW realizei a pira de escrever algo com ddlg e apesar de algumas frustrações no caminho, estou feliz. E estou feliz também que posso partir para um projeto que está há 3 anos na espera para ser escrito.
     Espero que tenham gostado da jornada tanto quanto eu e depois tem um textão digno de agradecimento e despedida de Infra. Beijões molhados ♥♥