I'll Always Come Back For You

Escrito por Gabriela Vale - Siga a autora no Twitter
Beta-Reader: Natashia Kitamura



Parte do Projeto Songfics - 15ª Temporada // Música: Love Is A Losing Game, por Amy Winehouse

Alguns meses antes...
- Ei amor, sou eu.
- liguei para ela no meio da noite, estávamos nas primeiras semana de namoro. - Só queria ligar pra dizer que... Eu te amo muito, muito, muito, muito. Só queria que você soubesse que você é minha princesa... ¬- eu tinha certeza de que ela rolaria os olhos por chamá-la de princesa. Tinha mais certeza ainda que ela sempre ouviria essa mensagem. - E que você é digna de todo amor do mundo. Você é o amor da minha vida.

Estávamos no meu apartamento, na televisão passava um documentário sobre os lugares que deveríamos visitar antes de morrer. Estava frio e eu abraçava embaixo das cobertas. Em um solavanco ela se levantou e sumiu da minha vista.
- ? Onde você tá? - falei, notando que ela não estava na cozinha e muito menos na sala de jantar.
Momentos depois lá estava ela, com suas meias de lã, calça leggin preta e um dos meus casacos, segurando um mapa de todo o continente europeu. Seu sorriso era radiante, igual à um dia ensolarado.
- O que significa isso? - perguntei, um sorriso intrigado e uma sobrancelha erguida revelavam muito da minha curiosidade.
- Isso? É a nossa próxima viagem! - ela disse, e por fim, me olhou. - Eu não estou louca, ! - sua voz saiu mais estridente que o normal devido, provavelmente, a minha cara de que de fato eu a estava achando louca.
- Uma viajem, ? Pra onde? Europa? Você sabe como eu odeio o frio. - aconcheguei-me ao encosto do sofá.
- Uma viagem, pelo menos a primeira de muitas, e sim, para a Europa. Algum problema, ? - ela enfatizou meu nome, com seu velho e conhecido tom que dizia agora-vai-ser-do-meu-jeito. - Na verdade, sim, todos os problemas! - o sorriso que se abriu no meu rosto fez o dela desaparecer. - Primeiro, não gosto do frio da Europa...
- E quem disse que só faz frio na Europa? - ela me interrompeu.
- Eu te conheço muito bem pra saber que você vai querer ir na época do frio! - esclareci, e um sorriso sádico apareceu em seu rosto. - Segundo, onde juntaremos tanto dinheiro para fazer essas viagens? Eu não sou rico, ok? Então, não, sem chances dessa viagem acontecer!
- Seu pessimismo me broxa, sabia? - comentou e só o que pude fazer foi dar boas gargalhadas.
- Eu te broxo? - perguntei para ter certeza. Ela murmurou um "Aham". - Eu te broxo, ? - puxei-a para que ficasse sentada no meu colo, minhas mãos abraçando seus quadris. Ela dizia um "Muito".
- Essas viagens – começou, com a cara fechada. -, devem ser planejadas com antecedência, não estou dizendo que a gente vai viajar amanhã, semana que vem ou mês que vem. Isso é para daqui a um ano e meio ou dois, bobinho! E eu não quero ir só nos lugares frios! Esqueceu que tem Ibiza?
- Ibiza? - repeti. - Mulheres gostosas andando apenas de biquíni, sem eles, e distribuindo beijos e sexo gratuitamente... - comentei. - Pelo menos algo bom nessas suas viagens loucas... - a provoquei vendo-a morder o lábio inferior.
- É, assim como os caras ultra sarados andando só de cueca, mostrando barrigas e pernas definidas, agarrando as mulheres gostosas sem nem olhar direito para o rosto delas. Será que eu vou conseguir ser uma vítima de um deles? - seu tom era de uma falsa inocência que me deixou possesso de ciúmes.
- Pensando bem... - ela apenas gargalhou de mim. - o frio me parece bem melhor agora. Pessoas devidamente vestidas, só com o rosto de fora porque não dá pra evitar...
- Então isso é um sim? - ela sorriu, quase vitoriosa.
- E eu conseguiria negar algo pra você? - olhei-a nos olhos antes de beijá-la. Quando terminamos, ela já estava com um marcador na mão, riscando os muitos lugares que iríamos visitar em alguns anos.

Havia passado em uma floricultura e comprado um buquê de orquídeas, sabia que ela iria adorar, mas ficaria roxa de vergonha.
Os corredores do prédio de Jornalismo eram cheios de exposições, e em poucos minutos eu estava batendo na porta da sala 9015. A sala de .
- Boa tarde? - disse um dos alunos que abriu a porta, e por trás do buquê, que escondia meu rosto, senti que todos olhavam para mim.
- Boa tarde! Tenho uma entrega de flores para a senhorita ! - ao dizer seu sobrenome 'revelei' minha identidade.
apenas abaixou a cabeça, enquanto todos olhavam para ela, que continuava estática. Sua professora me convidou para ir até ela, então, lentamente subi os degraus até a mesa da minha namorada.
Peguei sua mão, e a puxei para que se levantasse, e ela finalmente me olhou nos olhos.
- Foram dois longos anos, né... - falei entregando o buquê. - E mesmo assim, Deus continua me dando paciência pra aturar todas as suas loucuras e sonhos esquisitos. - ela fez uma careta. Todos na sala nos observavam, e por serem estudantes de Jornalismo estavam tirando fotos e gravando, para, no final do dia, colocarem no jornal e no site da faculdade. - Mas mesmo se ele não me desse toda essa paciência, você sabe que eu estaria ao seu lado, né?... Não responda! Eu estaria sim ao seu lado! - falei, enquanto ela soltava um riso nasalado e um sorriso desconfiado se formava em seus lábios. - Eu te amo, .
Ela apenas ficou me encarando, antes de surgir um sorriso levemente debochado, fazendo-a, em seguida, abrir a boca.
- Achei que você não fazia o estilo romântico, ! Mas a verdade é que você não tem paciência comigo, você me atura, assim como eu tive que te aturar por longos dois anos... mas foram os melhores anos da minha vida. E é por torná-la mais completa que eu te amo...

Depois de dois anos e meio de namoro nós terminamos, e se me perguntarem o porquê... Bom, nem mesmo eu sei responder o motivo. Acho que a relação foi enfraquecendo, não sei. Talvez a 'chama' do amor tenha se apagado. Ou paramos de nos gostar. Mas a promessa que fizemos ainda ecoa em minha mente.

Dias atuais...
E então eu a vi. Com olhos vermelhos e inchados, suas bochechas estavam levemente molhadas por algumas lágrimas que caíam. Ela se despedia dos pais e de alguns amigos. Estava indo embora. Para Londres, onde ela sempre sonhou estudar. Fiquei sabendo disso poucos minutos atrás.
Ela nem sequer pensou em me avisar. O que aconteceu com a gente? O que aconteceu com aquilo que tínhamos?
Eu ainda estava parado, não tão distante da porta de embarque. Quando me diziam, que em momentos como esse, era difícil mandar as pernas se moverem, e depois de anos achando isso uma bobagem, eu pago pela minha língua. Mas ao vê-la indo para longe de mim, me fez ir atrás.
Era tarde demais...
Parei na metade do caminho, quando ela olhou para trás e me viu. Seus olhos focados em mim, enquanto a primeira chamada do voo era feita.
- Eu te amo! - gesticulei ao mesmo tempo em que uma lágrima solitária caia pelo meu rosto.
- Eu também te amo! - ela disse, mas não pude ouvir sua voz uma última vez.
Lentamente o chão voltou para os meus pés e me vi fazendo meu caminho de volta para casa. Era isso? Estava acabado?
- ! - ouvi sua voz gritar meu nome, e antes mesmo de me virar totalmente, seus braços estavam me apertando.
- Tão linda... - murmurei, aproveitando o pouco de tempo que me restara com ela.
Nossos olhos, o dela principalmente, estavam tão vermelhos, ela chorava tanto. Senti suas mãos, macias, acariciarem o meu rosto.
- Não importa o que aconteça - seus grandes olhos me fitaram com tanta intensidade. -, eu sempre voltarei pra você!
E como se selasse essa promessa, me beijou, com um toque de despedida e esperança, de que muito em breve estaríamos juntos nos braços um do outro. Então a vi partir, dessa vez sem olhar para trás, como se tivesse certeza de que encontraria tudo do mesmo jeito quando voltasse. E bom... Ela estava certa.

 

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