I like the way that we play

Escrito por Escrito por Lelen | Revisada por Mari Alves


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Quantos amores permaneceriam?
Simplesmente dia após dia nesta merda
Como nós nos enrolamos desta maneira?
Prestando atenção em nossas bocas
Para as palavras que estamos dizendo
3 doors down – Story of a Girl

Ensaio na casa do , isso significava casa da também.
Já fazia cerca de três semanas que eu aceitara aquela loucura de namorado de mentirinha. Isso não daria certo porque... Bem, porque na verdade eu não queria que fosse de mentirinha.

Naquela manhã eu acordei desanimado.
estava quase conseguindo o que queria com essa história de namoro, e isso definitivamente me desmotivava. Mas qual é , ele é o cara que ela quer, mas quem é que está com a garota? Talvez eu não seja tão azarado assim...

Calei meus pensamentos, e fui logo me trocar. Oito e meia, merda! Eu já estava atrasado! Passei como um furacão pela cozinha, assustando minha mãe. Peguei uma maçã e saí correndo de casa, os garotos me matariam por mais um dia chegando depois do horário.

Cheguei ao portão da casa dos olhando o relógio: quinze minutos de atraso. Até que não demorei tanto assim...
A mãe de me atendeu sorridente e me informou que todos os outros já estavam no sótão, onde nós geralmente ensaiamos.

- Desculpa pessoal, dormi demais... De novo... – Sorri sem graça. – Bom dia, pequena. – Murmurei dando um beijo no topo da cabeça de .
- Legal , agora que namora não diz mais bom dia pra ninguém além da , é? – reclamou cruzando os braços.
- BOM DIA, PESSOAL! – Exclamei fazendo todos rirem, inclusive .

Já disse o quanto amo a risada dela?
É sempre tão espontânea e...

- A gente vai ensaiar ou não, Romeu? – perguntou rindo da minha cara. Maldito, é sempre ele quem estraga meus devaneios.
Fomos para nossos lugares, e ensaiamos até a hora do almoço.

- Pessoal, que tal almoçarmos no Jelly? Vai ter comida oriental hoje! – Dakota, a namorada de sugeriu.
- Boa idéia. – Ele concordou. Claro, era a namorada dele, por que não concordaria?
- Por que não ficam aqui para almoçar? – Perguntou a Sra. .
- Não queremos incomodar. – murmurou.
- Não seria incômodo nenhum! – Ela sorriu deixando a sala.

- Bom, eu ainda acho melhor irmos para o restaurante para não dar trabalho... – Dakota murmurou.
- É, é melhor... Mais tarde a gente volta, certo?
- Eu vou ficar, mamãe vai fazer panquecas. – murmurou. É, ela não trocaria panquecas por nada nesse mundo.
- Eu também vou ficar. – disse se sentando ao lado de .
- Também fico. – Exclamei fazendo os outros me encararem surpresos. – Que foi? Preciso terminar algumas coisas ainda...
- Tudo bem, se você diz... – deu de ombros. – Então vamos, meu estômago clama por comida! – Disse saindo da casa.

resolveu dispensar as panquecas e foi junto com os outros dois comer comida oriental. Eu, e ficamos sentados na sala conversando enquanto o almoço não ficava pronto.

- Você não ia fazer alguma coisa? – perguntou curiosa.
- Não, só disse isso para eles não ficarem me amolando... Não tava a fim de almoçar em restaurante hoje.

É, nada como uma comida caseira feita por uma mãe.

- Você vai adorar as panquecas da minha mãe, ! – sorriu largamente, já com os olhos brilhando.
- O cheiro está ótimo. – Tive que concordar.
- Crianças, o almoço está servido! – A mãe de chama da cozinha.
- Por que ela insiste em chamar a gente de crianças? – Ela perguntou indignada.

O almoço foi realmente divertido, pelo menos para mim. A senhora passou a nos contar coisas que a pequena fazia quando era criança, e isso era mesmo interessante. ficou envergonhada com certas coisas, mas tudo o que eu achei, foi... Bonitinho. Ela sempre fora aquela garota alegre, sorridente e inteligente. A minha garota.

Depois de duas horas, Dakota, e voltaram para casa, e nós passamos a ensaiar de novo.


Os dias se passaram assim, nossa banda ensaiando, e nos acompanhando e nos divertindo. Até aquele maldito dia chegar.

A banda estava reunida na casa dos novamente quando a infeliz campainha tocou. foi atender, enquanto nós continuamos conversando na sala.

- Pessoas, que tal irmos ao cinema hoje? – perguntou sorrindo.
- Ótima idéia, isso aqui tá parado demais para um sábado. – concordou. – Vamos num filme de terror, que tal?
- Perfeito! – entrou na conversa abrindo um largo sorriso.
- Tá, vou falar para a . – se levantou, e de uma maneira cômica todos nós levantamos juntos. – Vocês são muito curiosos, credo!

caminhou com a gente em seu encalço quase a atropelando.

- , a gente resolveu ir ao cine... – Ela parou de falar ao mesmo tempo em que parou de andar, fazendo com que todos nós trombássemos. Eu tinha ficado para trás, e não conseguia enxergar o que quer que fosse. Estiquei meu pescoço, e encarei aquela cena em choque. e Edwin?

Tudo bem, não preciso mais ir assistir a nenhum filme de terror, minha vida já tinha se tornado um. Tentando ignorar aquela imagem, dei as costas para todos, e saí da casa pela porta dos fundos. Eu sou mesmo um idiota, não sou? E ainda tinha esperanças das coisas entre mim e mudarem da noite para o dia.

Caminhei sem prestar atenção para onde ia, e meus pés me levaram a um parque deserto. Me sentei na balança e fiquei ali, observando o fim de tarde mais deprimente de toda a minha vida. Eu pensava em ficar mais um longo tempo no parque, quando ouvi passos atrás de mim. Por alguma razão eu já sabia quem era.

- O que tá fazendo aqui? – Minha voz saiu mais rude do que eu esperava, e eu mal tinha o direito de agir daquela forma.
- Eu vim me explicar. – murmurou sentando na balança ao meu lado.
- Por quê? Nós não somos nem namorados... – Tive que reprimir uma careta. Nós não passávamos de nada, a não ser bons amigos...
- Acho que isso mudou ... – disse baixando o olhar.
- Quê? – Perguntei encarando-a.
- É , as coisas mudaram. Antes eu diria que o que sinto por você é coisa de amigo, mas agora sei que não é.

Opa, que conversa era aquela?
Eu só posso ter adormecido na balança, e agora com toda a certeza eu devo estar jogado no chão e babando. Só podia ser sonho, não é?

- Aonde quer chegar, ? – Perguntei sério. Claro que eu já sabia a resposta, e mesmo que fosse em sonho, eu queria ouvir aquelas palavras saírem da boca dela.
- ... Eu te amo. – Ela falou, e eu pude sentir meu coração dar pulos de alegria. – Sei que deve estar me odiando por eu ter te usado dessa maneira, e ainda mais para uma coisa que nem valia tanto à pena, mas...

Eu não prestei atenção em mais nada depois do ‘Eu te amo’. Aquilo era mesmo real? Eu não acordaria a qualquer momento estirado no chão do parque? Bom, se fosse a segunda hipótese, eu precisava correr.
Me inclinei em direção a ela, e finalmente a calei com um beijo. Depois das três palavras o resto já não me importava mais.

Por um instante ficou paralisada com minha ação, mas eu não liguei já que segundos depois ela finalmente me correspondeu.
Nos beijamos por um longo tempo, e aquela sensação estranha no estômago me invadiu. Me sentia como num primeiro beijo, completamente inexperiente com essa nova sensação.

Partimos o beijo, e ela me encarou vermelha.
Eu gosto de vê-la corada...

- É sério o que você disse? – Perguntei a encarando.
- Nunca falei tão sério em minha vida toda, . – Ela respondeu, e eu sorri largamente.
- Eu também te amo, sabia? – Dei-lhe um selinho e sorriu ainda mais.
- Como eu não percebi isso antes? – Ela resmungou segurando minha mão.
- Talvez porque não fosse a hora.
- Mas o que importa é que estamos juntos agora. – Ela sorriu.
- Estamos é? – Perguntei maroto.
- É claro que estamos! E mesmo que não estivéssemos, você é obrigado a ficar comigo ta? – exclamou cruzando os braços.
- Ah é? Por que, hein?
- Porque você me beijou!
- E daí?
- E daí, que você não me beija sem ter um relacionamento sério! – Ela replicou fazendo careta.
- Sabia que você é doida? – Perguntei brincando com os cabelos de .
- Eu sei, e também sei que você ama isso! – Ela respondeu marotamente.
- Hum... E sabia que você é a doida mais convencida, de nariz empinado, escandalosa... Que por um acaso eu amo? – Sorri ao vê-la sorrindo.

Ficamos sentados encarando a noite cair, e eu realmente não conseguia acreditar em tudo aquilo. Minha vida tinha se tornado um filme de comédia completamente sem noção; depois num drama básico; depois num filme de terror; e agora era a história mais perfeita de toda a minha existência.

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