Ich Liebe Dich

Escrito por Mandy Poynter | Revisada por Lyra M.


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Capítulo Único - NUR

NUR

Era mais um dia frio nas ruas de Dortmund, e eu caminhava calmamente, carregando meu famoso cappuccino em uma das mãos. Eu estava mais cansada do que o normal, mas não podia furar com ele de novo. Já fazia dias que eu e Mario não tínhamos um momento nosso de casal, mas ultimamente nada contribuía para isso, e posso afirmar com certeza que a maioria das vezes era por minha causa, mesmo sem querer. Ou eu estava trabalhando ou cansada demais do trabalho, ou cheia de coisas da faculdade acumuladas. Não me culpem, eu sei o meu dever como namorada, mas ultimamente Mario não tem me dado nenhum crédito, sempre me pressionando e me culpando por coisas que eu não tinha como evitar. Ele estava muito carente nos últimos dias e necessitava de atenção redobrada, uma coisa que eu não tinha a menor condição de dar no momento. Entrei no seu prédio e acenei rapidamente para o porteiro, que já me conhecia, e chamei o elevador. Passaram-se alguns minutos até que eu finalmente pudesse entrar no elevador e subir para o andar do apartamento de Mario. Saí após o elevador indicar seu andar e andei apressadamente para a porta, revirei a bolsa que eu carregava e encontrei a chave do apartamento, abrindo-o rapidamente. Entrei no cômodo e já pude ouvir o barulho e o cheiro que vinham da cozinha, e fui nessa direção.
— Espero que não esteja fazendo nosso jantar, porque eu realmente não estou a fim de morrer hoje. — Disse brincalhona, abraçando-o por trás ao vê-lo cortando alguns legumes na bancada da cozinha.
— Dormiu com um palhaço, foi? — Perguntou ele, virando de frente para mim com um sorriso lindo nos lábios.
— Talvez. — Sorri ao ver a careta que ele fez depois da minha última fala.
— Espero que esse talvez esteja mais para um não. — Abriu um sorriso novamente e grudou nossos lábios em um beijo. — E eu estou fazendo o jantar sim, então sem dramas. — Ri da sua última fala.
— Precisa de ajuda? — Perguntei somente por educação, eu odiava cozinhar.
— Você quer mesmo ajudar? — Mario era tão inteligente que eu nem precisava falar nada que ele já saberia o que eu pensava. — Termino em 30 minutos.
— É por isso que eu te amo. — Dei-lhe um breve beijo e saí em direção à sala, onde me sentei no sofá, encostando minha cabeça nas almofadas e fechando meus olhos rapidamente.

##

Senti meu corpo sacudir levemente e meus olhos aos poucos foram abrindo. Pude enxergar, ainda meio embaçada, a imagem de Mario sorrindo para mim.
— Vamos acordar, dorminhoca. — Sussurrou ele no meu ouvido, fazendo com que eu fechasse os olhos novamente. — Vamos, acorde, meine Liebe. — Depois disso não tinha como continuar dormindo. Sorri levemente e, abrindo os olhos devagar, ouvindo o sorriso baixo de Mario, o safado sabia que eu não resistia quando me chamava assim.
— Você é muito chato, sabia? — Me levantei devagar, pois ainda estava meio sonolenta.
— E você é muito preguiçosa. — Fiz careta ao final de sua última frase. — Schäfer, vamos levantando logo.
— Hey! — Protestei ao ouvi-lo me chamar pelo nome completo. — Eu já estou indo, seu chato. — Me levantei rapidamente.
— A comida vai esfriar, . — Eu tenho certeza que ele disse aquilo somente para me irritar, pois sabe como eu odeio que me apressem.
— Se você quer continuar com seu rostinho intacto para jogar a próxima rodada da Bundesliga, eu sugiro que você fique quietinho. — Logo após minha frase, Mario soltou uma gargalhada, fazendo-me deixar de birra e rir junto com ele.
— Você não faria isso. — Mario me puxou para junto de si, segurando minha cintura firmemente. — Você ama meu rostinho lindo.
— Tem uma coisa que eu amo mais do que seu simples rostinho lindo. — Disse passando os braços pelo seu pescoço.
— O quê? — Perguntou curioso.
— Você por inteiro. — Depois disso puxei seu rosto de encontro ao meu, selando nossos lábios.

##

— Marco me ligou. — Falei depois de mastigar a comida.
— O que ele queria? — Perguntou Mario, dando mais uma garfada no seu bife.
— Me disse para falar contigo, porque você estava muito chato. — Ri ao ver a careta que Mario fez. — Mandou eu curar sua TPM, que ninguém está aguentando mais.
— Tá vendo só o efeito que alguns dias sem você causa em mim? — Disse, se levantando e recolhendo seu prato já vazio. — Vai dormir aqui, não vai? — Perguntou Mario, fazendo um biquinho adorável.
— Não sei se você está merecendo. — Peguei meu prato, também vazio, e o acompanhei até a cozinha.
— Não seja chata. — Ele colocou as coisas na pia, inclusive o prato que estava na minha mão, e agarrou minha cintura, me puxando para perto de si. — Faz tempo que a gente não tem um momento sozinho, você está sempre ocupada e me deixa de lado.
— Você é tão dramático. — Rolei os olhos e passei meus braços por seu pescoço. — Não sabia que Marco Reus dava aula.
— Ele vai amar saber que você acha que ele já é professor de drama. — Gargalhei após sua última frase.
— Ele não precisa que eu fale, ele já sabe disse. — Dei um selinho em Mario, ainda o abraçando. — Vamos logo dormir, seu chato. — Disse soltando-o e o puxando pelas mãos, nos levando em direção ao quarto.

##

— O que você acha de Dortmund? — Perguntou Mario quando me deitei em seu peito, o abraçando.
— Como assim? — Levantei um pouco minha cabeça e o olhei confusa.
— Sabe... — Fez uma pausa suspirando profundamente antes de voltar a falar. — Você gosta daqui?
— Claro. — Falei voltando a deitar minha cabeça em seu peito e senti seus braços me rodearem em um abraço por debaixo do cobertor. — Por que eu não gostaria? Eu tenho tudo que preciso aqui. Minha faculdade, meu trabalho, meus amigos. — Suspirei e voltei a olhá-lo. — Você.
— Você não pretende, sei lá, sair quando se formar? — Fiquei um pouco confusa com sua pergunta. — Sabe, Dortmund não é um lugar de alto nível.
— Por que está falando isso? — Perguntei indignada, voltando a olhá-lo. — Sei que Dortmund não é como Berlim ou Munique, mas eu amo aqui.
— Foi só uma curiosidade. — Mario voltou a abraçar minha cintura por debaixo da coberta, me fazendo relaxar. — Desculpa se te irritei com minhas perguntas idiotas.
— Sabe, Götze, vai precisar mais do que isso para você me irritar. — Sorri, dando-lhe um selinho, e voltei a encostar minha cabeça em seu corpo, fechando os olhos ao sentir seu cheiro.
— Já vai dormir? — Perguntou ele após uma longa pausa.
— Se não for incômodo, senhor. — Respondi com uma pitada de ironia.
— Agora você está sendo chata. — O olhei um pouco indignada e o vi segurando o riso.
— Você quer mesmo começar com isso? — Perguntei em forma de desafio.
— Não mesmo. — Me apertou mais ainda no abraço e relaxou a cabeça em seu travesseiro. — Dorme logo, chatinha.
— Para de encrencar comigo. — Disse sorrindo e fechando meus olhos. O sono já se fazia presente, e minha consciência já se despedia, mas não antes de ouvir as últimas palavras dele:
Ich liebe dich für immer meine Liebe.


Tocava incansavelmente a campainha, tenho certeza que ele estaria estirado naquele maldito sofá jogando FIFA e comendo coisas que, com certeza, a nutricionista do BVB não aprovaria.
— O que é? — Abriu a porta com cara de poucos amigos, mas aliviando um pouco ao notar que era eu. — Ah, é você? O que faz aqui?
— É ótimo te ver também, Reus. — Disse com um sorriso irônico no meu rosto. Empurrei-o para o lado e entrei no seu apartamento sem ser convidada.
— Pode entrar, madame. — Falou ele fechando a porta em seguida.
— Não precisamos de formalidade, Marco. — Me joguei em seu sofá e peguei um pacote de salgadinho, que estava jogada na mesa de centro da sala, e comecei a comer.
— Não acha que está muito folgada? — Perguntou ele se jogando ao meu lado e pegando o saco que eu lhe estendia.
— E você está muito chato. — Disse rolando os olhos. — Parece que anda mesmo dando aulas para o Götze.
— Por falar nele, porque você está aqui enchendo meu saco em um dia de folga, e não com ele? — Perguntou curioso.
— Eu também estou em um dia de folga, mas parece que a carência dele é menor do que a gente pensava. — Falei pegando mais um punhado de salgadinhos do saco que Marco me oferecia. — Ele disse que tinha alguns assuntos para resolver com o agente, mas disse que me liga.
— E só porque ele te descartou eu que tenho que pagar o pato? — Perguntou Marco fazendo uma careta engraçada e segurando o riso.
— Não seja assim. — Empurrei seu ombro com o meu. — Sei que você adora minha companhia. — Levantei-me do sofá e peguei um dos controles do Xbox, que estava jogado na mesa de centro. — E sei que você ama ser derrotado por uma garota no FIFA. — Disse em forma de desafio.
— Quê? — Disse ele incrédulo. — Vamos ver, mocinha. — Ele rapidamente pegou o outro controle e aproveitou pra ligar o vídeo game.

##

— Götze tá estranho. — Eu disse depois de um grande momento em silêncio.
— Estranho como? — Marco perguntou colocando uma travessa no balcão da cozinha.
— Não sei como explicar. — Suspirei, pegando dois pratos no armário ao lado do fogão.
— Ele sempre foi estranho, , você sabe disso. — Reus pegou uma concha em uma das gavetas e colocou a comida servida na travessa no prato que eu havia acabado de entregar a ele.
— Eu sei, mas é diferente. — Estendi o prato que segurava para Marco, vendo-o colocar comida nele.
— Diferente como? — Perguntou curioso.
— Ele me perguntou o que eu achava de Dortmund. — Respondi começando a mastigar minha comida.
— Como assim? — Marco perguntou com a confusão estampada em seu rosto.
— Eu não sei. — Suspirei profundamente antes de continuar. — Ele só perguntou e eu respondi. É como se ele pensasse que eu sairia de Dortmund ou sei lá.
— Talvez ele só esteja preocupado com sua carreira. — Disse Marco calmamente. — Você se forma em poucos anos, e talvez ele só queira saber se você não vai desistir dele se algo maior vier pra você.
— Eu nunca sairia de Dortmund. — Disse apreensiva. — Aqui é minha casa, assim como é a dele e a sua, Marco. Eu acho que não é isso, sabe? Eu sinto que essa estranheza dele vai muito além de mim e minha profissão.
— Acho que você deve falar com ele, então. — Disse Reus terminando de comer e se levantando.
— E acho que... — Fui interrompida pelo telefone de Marco que tocou no minuto em que eu falaria.
— Alô. — Escutou atentamente o que a pessoa falava do outro lado. — Ela está sim. — Ele olhou para mim, desafiante. — Passamos a tarde inteira na minha cama, nos divertindo. — Abri a boca indignada e vi um sorriso travesso nos lábios de Marco. — Ok, vou passar pra ela. — Tirou rapidamente o celular do ouvido e passou para mim. — É o Mario, e ele quer falar com você, disse que seu celular dava ocupado. — Sorriu descaradamente antes de me entregar o celular.
— Vai se ferrar, Reus. — Peguei o telefone que ele me estendia e coloquei no ouvido. — Hey.
— Por que não me atende? — Ouvi ele me dar um tremendo esporro do outro lado da linha.
— Desculpe, meu celular descarregou. — Ouvi o suspiro aliviado do outro lado da linha.
— Desculpe. — Ouvi sua respiração pesada. — Eu só me preocupei.
— Está tudo bem, meine Liebe. — Falei em um tom mais carinhoso, vendo Reus rolar os olhos e sair da cozinha, me deixando sozinha.
— Sério que o Marco acha que eu vou acreditar nessa piadinha de vocês dois passarem a tarde na cama dele se divertindo? No máximo vocês passaram a tarde inteira jogando FIFA e comendo besteira. Pelo amor de Deus, não tenha aulas de chatice com ele. — Disse ele.
— Não fale assim dele. — Disse gargalhando com sua última fala. — Ele é um doce de limão.
— Doce de limão? — Perguntou Mario confuso.
— É, sabe, gostoso e azedo ao mesmo tempo. — Ouvi Mario rir do outro lado da linha.
— Tirando a parte do gostoso, eu concordo plenamente. — Qualquer namorado normal morreria de raiva por ver sua garota falando isso sobre outro homem, mas não Mario, já que uma coisa que ele tinha certeza é que, se eu fosse traí-lo, a pessoa nunca seria Marco Reus. Não por ele não ser lindo e um verdadeiro gentleman quando queria, mas sim por termos uma relação quase de irmãos. E nunca, em hipótese alguma, pensei em ter algo a mais com Reus, e Mario sabia disso. Sabia que se algo fosse rolar, era para ter acontecido há muito tempo, já que conhecia Marco muito antes de conhecer Götze. — Sabia que você estaria foragida na casa do Marco. — Ri fraco.
— Espero que Reus não se venda nunca, não sei o que seria de mim sem o meu refúgio. — Ri um pouco mais.
— Er... — Vi a tensão se instalar em sua voz e comecei a me preocupar. — Se depender do Marco, você continuará com seu refúgio por muito tempo, não se preocupe. — Disse ele um pouco mais animado.
— Está tudo bem? — Perguntei preocupada.
— Claro que sim, meine Liebe. — Respondeu-me. — Não se preocupe. Podemos jantar amanhã? Preciso falar com você. — O tom de sua voz mudou completamente, me deixando um pouco apreensiva.
— Aconteceu alguma coisa? — A tensão já me pegava completamente.
— Não se preocupe, . — Mario tentou me acalmar. — Nos falamos amanhã, tudo bem?
— Tá, mas... — Eu hesitei um pouco antes de continuar a falar. — Está tudo bem mesmo?
— Fique calma, , nos vemos amanhã. — Ele estava calmo demais para o meu gosto. — Ich liebe dich. — Disse, me fazendo derreter.
Ich liebe dich auch. — Respondi, desligando em seguida.
— Já vai? — Perguntou Marco entrando na cozinha novamente.
— Tá me expulsando, Reus? — Perguntei em um tom ofendido, mas no fundo eu ria.
— Claro que sim. — Disse ele entrando na brincadeira. — Minha casa não virou hotel não, querida.
— Não, mas segundo você, virou um motel. — Disse carrancuda. — Já que passamos uma tarde nos divertindo na sua cama.
— Ele acreditou? — Perguntou curioso.
— Claro que sim. Você acabou com meu namoro. — Falei com sarcasmo. — Fala sério, Reus, até parece né? Nem as peguetes que você traz pra cá acreditariam.
— Hey, olha o respeito! — Disse ele com uma falsa indignação. — Eu nunca trago peguetes para cá e você sabe disso.
— Você é um cara horrível, Marco. — Disse me sentando no sofá em frente ao notebook, que estava entreaberto.
— E você é muito chata, . — Ele sentou ao meu lado e fechou com rapidez o computador, o que me causou uma certa estranheza.
— O que você estava vendo nisso que eu não posso ver? — Perguntei curiosa, ao perceber que ele pegou o notebook rapidamente.
— Nada demais. — Disse ele, um pouco nervoso.
— E por que esse nervosismo todo, se não é nada demais? — Perguntei desafiando-o.
— Além de chata é fofoqueira agora? — Tenho a leve impressão de que ele tentou fugir da minha pergunta.
— Você está fugindo da minha pergunta. — Argumentei.
— O quê? — Nunca tinha visto Marco tão apreensivo como naquele momento. — Claro que não.
— Então você não vai se importar se eu olhar o que você estava vendo no notebook. — Disse estendendo as mãos para que ele colocasse o objeto ali.
— Você não vai querer ver o ensaio fotográfico da nova capa da Playboy. — Falou ele tentando me fazer desistir da ideia.
— Claro que vou. — Puxei o notebook após uma distração de Marco. — Adoro ver bundas.
... — Marco hesitou antes de continuar a falar. — Não faça isso. — Mas eu não ouvi nada do que ele falou, a raiva rapidamente se apossou do meu ser após ler a reportagem aberta no computador de Reus.
— Que porra é essa? — Gritei indignada com aquilo. — Marco?
— Eu não sei, tá? — Ele estava completamente apreensivo. — Ele não me disse nada.
— Eu vou matar o Götze. — A raiva era tanta que já sentia meus olhos arderem e as lágrimas prestes a cair.
— Por favor, não chora. — Pediu Reus desesperado. — Você tem que conversar com ele, , não faça nada que vá se arrepender depois.
— Se arrepender? — Naquele momento eu só sabia gritar, sabia que Marco não tinha nada a ver com aquilo, mas eu tinha que descontar em alguém. A notícia que estava aberta no computador era em um site que dizia que o Bayern confirmara que tinham comprado Götze para a próxima temporada. — Como eu posso ficar calma com isso, Reus? — Me sentei no sofá novamente, já sentindo as lágrimas transbordarem por meus olhos.
— Hey... — Marco se aproximou de mim e segurou minhas mãos. — Vai ficar tudo bem, , vocês só precisam conversar.
— Conversar, Marco? — Eu já chorava sem vergonha nenhuma. — Aquele schwachsinnig mentiu para mim. Conversamos e ele não me falou nada. — Suspirei profundamente antes de continuar. — Você não sabia mesmo sobre isso?
— Eu juro que não. — Ele já estava esgotado daquilo, e eu podia notar perfeitamente. — Acho que deve ser assunto interno, , só entre as diretorias dos dois times, Mario e seu agente. — Ele suspirou, frustrado, e voltou a falar. — Eu estou chateado também, , ele não avisou a ninguém, e não acho que o Bayern pagaria uma multa enorme por um jogador que não queira está lá. — Aquelas palavras me atingiram profundamente. — Ele quis isso, Schäfer, ele tomou essa decisão, tenho certeza que o BVB não queria vendê-lo, mas ele preferiu assim.
— Eu não sei o que dizer. — Disse finalmente, esgotada.
— Você precisa falar com ele. — Fechei meus olhos, escutando atentamente o que Marco me dizia. — Olha, pegou todos nós de surpresa. — Abri os olhos e voltei a olhar para Reus. — Principalmente você. Eu não vou me meter, estou chateado, mas eu sei que isso magoou mais você do que eu. — Vi Marco um pouco nervoso. — Conversa com ele, sem brigas, derruba essa barreira que você vai erguer para não ouvir o que ele tem para falar.
— Você não existe, Reus. — Passei minhas mãos ao redor do seu pescoço, abraçando-o fortemente, e logo o senti me abraçar apertado de volta.
— Qualquer coisa, eu estou aqui. — Soltei-me do abraço e voltei a olhá-lo. — Sabe que pode acontecer alguma coisa, mas você é minha família também, , eu sei que tudo vai se resolver. Vocês podem passar meses brigando, mas no fim todo mundo sabe que um daria a vida pelo outro.
— Eu acho que vou morrer antes de ter a chance de matá-lo. — Olhei para minhas mãos e percebi que elas tremiam.
— Quer que eu te leve em casa? — Era evidente que ele estava preocupado comigo.
— Acho que não vou conseguir dormir sem falar com Mario e resolver tudo de uma vez. — Meus pensamentos pesavam tanto que minha cabeça doía.
— Então vou reformular minha pergunta. — Ele levantou do sofá e pegou as chaves do carro atrás da porta de saída. — Vou te levar na casa do Mario.
— Isso não foi uma pergunta. — Tentei protestar para que ele me deixasse ir sozinha.
— Exatamente. — Veio em minha direção e estendeu sua mão para que eu pegasse. — Vamos. — Segurei sua mão e levantei-me rapidamente, pegando minha bolsa que tinha ficado na cozinha e o seguindo para fora do apartamento logo em seguida.


Eu estava parada há um bom tempo na porta do apartamento de Mario. Eu não fazia ideia do que ia falar, e tinha certeza de que chegar brigando não seria a melhor das opções. Suspirei profundamente uma última vez antes de tomar a coragem que eu precisava para tocar a campainha. Esperei alguns poucos segundos até a porta ser aberta, e a imagem de um Mario confuso, após ver quem era, aparecer na minha frente.
— Hey. — Foi a primeira coisa que ele disse ao me ver, ainda sem tirar a expressão confusa do rosto.
— É bom te ver também. — Eu estava segurando a ironia, mas não consegui ao perceber sua cara assustada.
— É claro que é bom te ver, meine Liebe. — Ele estava nervoso, é claro que ele já sabia que eu sabia, e estava tentando desconversar. — Eu só não te esperava hoje. Não tínhamos combinado de jantar amanhã?
— Você é cínico assim mesmo ou só se faz? — Sarcasmo estava mais do que evidente ali. Empurrei-o para o lado, entrando em seu apartamento, e o vi fechar a porta logo depois.
— Do que você está falando? — Estava claro que ele estava se fazendo, porque não era possível ele continuar com aquilo.
— Se seu objetivo é me deixar irritada, é melhor parar. — Comecei já deixando evidente minha falta de paciência. — Porque o nível que eu estou já é de querer te matar.
— O que eu fiz dessa vez? — Perguntou se fazendo de idiota. Decretado, eu ia matá-lo.
— Para com isso! — Gritei já perdendo completamente a paciência. — Você acredita mesmo que eu vou deixar você me fazer de idiota de novo? — Ele suspirou, finalmente desistindo de tentar fazer o que ele planejava.
— Como descobriu? — Perguntou já cansado, sentando no sofá.
— Internet. — Ele rapidamente me olhou assustado. — O quê? Acha que a bosta da diretoria do Bayern ia perder a chance de divulgar isso?
— Eu sinto muito. — Vi seus olhos se fecharem rapidamente. — Não era para ser desse jeito.
— Nem me fala. — Eu não conseguia controlar minha raiva. — Imagine eu, saber que o imbecil do meu namorado se vendeu e nem achou necessário me informar que sequer estava pensando nisso?
— Eu sei que foi idiota da minha parte, mas... — Ele voltou a abrir os olhos e os direcionou em minha direção. — Eu estava com medo da sua reação.
— Acredite, saber pela internet não foi a melhor solução, Götze. — Meus olhos já estavam cheios, mas chorar não era a melhor opção. — Há quanto tempo você planeja isso?
— Eu recebi a proposta há alguns meses. — Ele levantou e me segurou pelos ombros, me guiando para que eu sentasse. — Eu quero expandir, , eu vou treinar com o Pep Guardiola no maior time da Alemanha.
— Eu não sei o que falar. — Abaixei a cabeça comecei a chorar.
— Eu não queria que fosse assim. — Levantei o rosto para olhá-lo. — Eu tinha um plano todo para falar com você.
— Não fala nada, por favor. — O interrompi antes que continuasse. — Se no seu “plano” você não tinha a intenção de conversar comigo antes de assinar a merda do contrato, então eu prefiro não saber.
— Claro que essa era minha intenção desde o início, . — Mario sob pressão era totalmente desesperador. — Mas aí eu te perguntei sobre Dortmund, e você disse que amava e que nunca sairia daqui, o que você queria que eu fizesse? Perder você não era uma possibilidade.
— E o que você acha que é agora? — Perguntei já com a voz falhada. — Porque, claramente, me perder é uma possibilidade das grandes. — O desespero se fez presente nele, e eu estava morrendo por dentro.
— Pelo amor de Deus, . — Desespero era pouco para descrevê-lo naquele momento. — Munique é uma cidade maravilhosa, você terá tantas oportunidades que nem vai poder contar!
— Você fala como se Dortmund não fosse boa, mas, sabe, Mario?— Suspirei profundamente antes de falar o que estava pronta a dizer. — Dortmund é o suficiente para mim, e eu sinto muito não ser para você.
— Eu devo muito a essa cidade e a esse time, , mas tenho que pensar maior também. — Seu sorriso triste me partiu o coração. — Eu quero algo melhor pra mim.
— E você não tem algo bom em Dortmund? — Agora quem já estava desesperada era eu. — Eu não sou o suficiente?
— Você é tudo, , você sabe disso. — Ele voltou a me olhar e segurou meu rosto com as duas mãos. – O que eu mais quero é ir para Munique e te levar comigo, mas acho que vou ter que me acostumar a sentir sua falta.
— Eu não quero ir para Munique. — Falei em um fio de voz.
— Eu sei. — Vi um sorriso mínimo em seu rosto, porém vi as lágrimas, que ele tentava segurar, deslizarem por suas bochechas, e isso foi a deixa para eu chorar feito uma criança. Mario rapidamente me puxou para perto de si, em um abraço apertado. — Eu te amo.
— A intenção de vir aqui era te matar. — Senti-o rir com a cabeça em meu ombro, fazendo seu hálito quente bater em meu pescoço.
— Por que não faz isso, então? — Perguntou soltando-se do abraço.
— Ainda estou pensando. — Disse me afastando dele novamente. — Por que não me contou?
— Eu tentei, mas tudo desmoronou quando você disse que não sairia daqui. — Levantei-me rapidamente e comecei a andar de um lado para o outro no meio de sua sala.
— E eu não vou, Mario, minha vida não para só por que você resolveu ser um idiota e sair daqui! — Eu estava sendo injusta e tinha completa noção disso, mas eu tinha que falar tudo o que eu pensava.
— Eu sou um idiota por pensar no meu futuro? — Ele estava completamente indignado comigo, e isso era evidente.
— Você é um idiota por estar me tirando dele! — Naquele momento eu já chorava.
, olha para mim. — Ele se aproximou novamente de mim e levantou meu rosto, forçando-me a olhá-lo. — Eu quero que você vá para Munique comigo, você quer isso? Você quer tentar construir algo novo comigo? Em uma cidade totalmente diferente, onde você terá inúmeras oportunidades?
— O que te faz pensar que Dortmund não vai me proporcionar o mesmo? — Perguntei, falando mais baixo que meu tom normal.
— Eu sei que pode, mas você não me terá, porque eu não posso perder essa oportunidade, . — Os olhos dele estavam completamente vermelhos, e as lágrimas ainda escorriam por seu rosto.
— Pois eu acho que terei que me acostumar com isso.
— Com “isso” o que, exatamente? — Perguntou suspirando profundamente, já sabendo minha resposta.
— Com isso. — Apontei para ele e depois para mim. — A sentir sua falta. — Repeti a mesma frase que ele havia dito minutos antes.
— Não precisa ser assim.
— Tem que ser assim, Mario. — Disse, interrompendo-o. — Você quer mais do que eu posso te dar.
— Então é assim que você quer acabar tudo, depois de anos juntos? — Sua cabeça estava baixa, mas eu percebia que ele chorava, e isso me partia o coração cada vez mais.
— Sabe, Mario, essa não é uma decisão que eu posso tomar sozinha. — Ele levantou o rosto para olhar para mim. — Mas gostaria muito que você me apoiasse na minha decisão.
— O que eu poderia fazer, ? — Ele soltou um riso triste. — Não posso te arrastar pelos cabelos, obrigando-a a ir comigo.
— Acho que é isso, então. — Olhei para ele e lhe dei um sorriso, tentando reconfortá-lo e me quebrando inteira por dentro. — Acho que eu já vou. — me afastei dele e fui em direção à porta.
— Ich liebe dich. — Ouvi sua voz fraca falar quando eu já estava prestes a abrir a porta.
— Ich liebe dich auch. — Falei quase em um sussurro, mas alto o suficiente para saber que ele tinha escutado, e saí de seu apartamento com o coração partido e as lembranças daquele lugar onde eu nunca mais pisaria novamente.

##

— Então? — Perguntou Marco assim que eu entrei no carro.
— Acabou. — Falei de uma vez.
— Como assim acabou? — Perguntou ele assustado.
— Simplesmente acabou, Reus. — Disse já irritada. — Qual parte você ainda não entendeu? — Eu sei que não deveria gritar com ele, mas toda a raiva que eu sentia se esvaziava de mim enquanto eu despejava tudo. — O idiota do Götze resolveu que seria legal se mudar para o Bayern e não avisar para a namorada, mas tudo bem, porque o idiota acha que eu deixaria Dortmund só porque ele quer! — Marco não falava, só me escutava, e a cada palavra que eu falava, mais alto minha voz saía. — Ele acha que eu sou uma idiota? Que só ele pode ter planos para o futuro?
— Eu acho que... — Marco até tentou falar algo, mas eu o interrompi logo antes que ele interrompesse meu monólogo.
— Talvez tenha sido melhor assim. — Eu continuava gritando, e lágrimas já desciam por meus olhos. — Se não fosse Munique, poderia ser outro lugar. Talvez ele seja mesmo o Judas que a torcida do BVB tá falando.
. — Eu ia interrompê-lo novamente, mas ele me puxou para seus braços em um abraço apertado. O carro era um pouco desconfortável, mas Marco estava me dando exatamente aquilo que eu precisava. — Vai ficar tudo bem. — Ele soltou-me do abraço e segurou meu rosto entre suas mãos. — Você sabe que não acha isso dele. Só está falando essas coisas porque está com raiva, mas vai passar, eu não posso prometer nada. — Ele carinhosamente beijou minha testa e voltou a olhar-me com um sorriso compreensivo nos lábios. — Mas eu vou estar aqui com você.
— Você é a melhor pessoa que eu conheço, Reus. — Dei-lhe um beijo no rosto e sorri para ele.
— Pra onde vamos? — Perguntou voltando a sua postura no volante.
— Eu só preciso da minha casa. A única coisa que eu quero é ficar sozinha. — Ele assentiu e manobrou o carro, saindo de onde estava e voltando às ruas. Virei para o lado e encostei minha cabeça no vidro, tentando, em vão, esquecer tudo que tinha acontecido há alguns minutos com Mario.


Mario Götze Standpunkt

Fazia tempos que eu não a via. Nos primeiros dias, eu tentava somente digerir que realmente tínhamos acabado, que nosso futuro não era o mesmo, e passei esses dias fazendo tudo no automático. Nas semanas seguintes, eu finalmente me toquei que tinha acontecido, e tentei de todas as formas falar com ela. No começo eram ligações, nas quais eu não era atendido. Quando resolvi fazer algo a respeito, e fui à sua casa, ela não abriu a porta para mim, ou sempre mandava o porteiro dizer que não estava em casa. Depois, ela simplesmente me mandou uma mensagem, simples palavras que me fizeram acordar e perceber que não tinha mais volta, tinha acabado e aquilo era o nosso ponto final.
— Você realmente não sabe onde ela está? — Perguntei para Marco, que estava do meu lado.
— Não. — Disse ele calmamente. — Ela entrou de férias e pediu dispensa do estágio.
— Ela não fala comigo. — Suspirei profundamente. — Acho que realmente ela me odeia.
— Ela não te odeia, e você sabe disso. — Olhei para Marco, e ele não me olhava de volta. — Mas é compreensível, Mario.
— Reus. — Eu sabia que ele estava chateado comigo também. — Vou sentir sua falta, cara. — Um sorriso simples surgiu em seu rosto, fazendo-me sorrir também.
— Eu também, Götze. — Finalmente ele olhou para mim ao falar novamente. — Eu também. — Dizendo isso, ele saiu, me deixando sozinho com meus pensamentos.
O BVB era um time maravilhoso, tanto o elenco como também a direção e o técnico. Todos sempre me proporcionaram os melhores momentos da minha vida, foi no BVB que eu consegui a minha primeira oportunidade na Seleção Principal, e foi em Dortmund que eu conheci a pessoa com quem, pensava eu, viveria para sempre. Às vezes as coisas não acontecem como queremos. Eu queria que fosse comigo para Munique, eu queria que ela continuasse do meu lado, e eu queria ela estivesse sofrendo como eu estava, mas nada disso aconteceu. Isso soa meio egoísta, e eu admito que era mesmo, ela realmente não podia parar sua vida por mim, porque, se fosse ao contrário, eu não pararia por ela. Eu a amo, ela foi parte da minha adolescência, esteve comigo em momentos bons e ruins que, infelizmente, ficarão somente na lembrança, mas eu tinha que pensar no futuro. Apesar de tudo, ela acreditava em mim, e é isso que eu tinha que fazer, acreditar que eu podia ser melhor e, quem sabe, um dia talvez, pudéssemos encontrar a felicidade em outras pessoas, que amaremos tanto quanto nos amamos.

Fim - DAS ENDE, VIELLEICHT!
Comentários da autora
Primeiro me desculpe por qualquer coisa ou erro, eu não sou bem experiente em jogadores alemães, mas fofão virou meu xodó haha <3 Espero que não tenha muita atrocidade aqui porque eu não sei bem como rolou esse negócio da transferência do Gotze, mas eu espero que gostem e se quiserem deixar um comentário ficarei muito feliz, eu não sou uma escritora maravilhosa como muitas, afinal tô mais pra leitora, mas tentando que se aprende hahah <3 <3 <3 XOXO