I Am Free

Escrito por Bianca Barbosa
Beta-Reader: Francielle



Lidar com a morte não é fácil, mas quando isso acontece com alguém que amamos parece ainda mais difícil. A dificuldade de aceitar perder uma pessoa que esteve ao seu lado desde que se entende por gente é torturante. Segundos, minutos, horas e dias, semanas, meses contados. Aproveitar cada momento o máximo possível, não deixa se quer um sonho sem ser realizado, não levar nenhuma frustração seja lá pra onde for depois da morte. Sorrir mesmo sem ter necessidade, abraçar a todos o mais forte possível como se fosse a ultima vez que pudesse fazer tal ato, pedir desculpa aqueles a quem magoamos. Procurar levar só que for bom [...].
Querer ser lembrado após a morte é o desejo de todos, marcar a vida de pessoas com sua presença poucos conseguem. Marcar com boas memórias, com sorrisos bobos, brincadeiras e até brigas por que ninguém é perfeito todos cometem erros, todos sempre irão machucar, às vezes sem querer ou até querendo, o ser humano pode ser muito primitivo quando deseja.
Seis meses e vinte e um dias foi o tempo determinado pelos médicos, duzentos e vinte um dias para ser mais exato. Câncer diagnóstico que se encontrava no prontuário que estava no hospital, todos os tratamentos possíveis foi tentado, mas nenhum fez com que a doença regredisse. Quando descoberto o câncer já estava em seu estado avançado impedindo a cura.
Como queria que isso fosse apenas um sonho ruim (pesadelo) acordar lavar o rosto e simplesmente seguir a vida normalmente, o que infelizmente não era. “Vida nua e crua”, dolorida, sofrida, difícil de viver. Dos seis meses e vinte e um dias restava apenas mais uma semana, talvez a mais difícil de todas, as dores, a lucidez, falta de ar a cada dia mais ia se perdendo, levando embora o sorriso e deixando apenas a tristeza pra trás.
- Não fique triste eu estou bem. - a voz fraca e rouca devido à falta de ar que estava sentido denunciava que estava mentindo. – Vou estar sempre ao seu lado mesmo você não me vendo.
- Promete?
- Prometo meu amor. - o mundo girou, mas logo parou, a cor branca os olhos abertos já sem vida e a respiração nula.
- PAPAI!
- Ele está em um lugar melhor que esse meu amor. – a voz de mamãe embargada devido ao choro me obrigou a olha-la vendo-a me olhar com pena com dor, aumentou ainda mais a dor e vazio dentro de mim. Senti os braços de mamãe me envolver e mais do que nunca senti necessidade do seu carinho.

UM MÊS DEPOIS [...]

- Eu queria poder dizer que estou seguindo em frente mesmo sem você ao meu lado. – a lápide a minha frente com as informações do meu pai era única coisa que me chamava a atenção no meio daquele imenso lugar que tanto tive medo, mas que agora era o meu refúgio. Cemitérios nunca foi o lugar onde consegui ficar por muito tempo, mas agora simplesmente me fazia bem à sensação estranha que antes sentia agora era reconfortante, saciava o vazio que sentia por dentro. – Mas não posso, simplesmente não consigo, tudo me lembra de você e sem você papai a vida não tem o menor sentido. – as lágrimas que tentei esconder da minha mãe durante todo esse tempo agora cobria o meu rosto por inteiro deixando rastros de saudades. – Você gostaria que eu seguisse em frente não é? Desculpa por está te decepcionando!
- Mostre a ele que você consegue. – a voz atrás de mim me assustou fazendo com que eu vira-se para olhar quem era o dono. – Não o decepcione.
- Quem é você? – o garoto de olhos , cabelos , e quem em outra situação, com certeza, eu cairia aos seus pés.
- , prazer. – o sorriso de canto em seus lábios era encantador, levantei-me do chão ficando a sua frente e reparando ainda mais em sua beleza. – E você como se chama?
- Achei que saberia já que veio falar comigo.
- Desculpa, é que sou meio enxerido e ouvi sua conversa, ou melhor dizendo monólogo, decidi ajudar. – a voz suave e o olhar sincero me causou um arrepio estranho.
- . – respondi hesitante. - Não preciso de ajuda.
- Sei exatamente pelo que está passando.
- Não, não sabe! - eu não sei o que leva uma pessoa que nunca me viu achar que me conhece, achar que simplesmente pode dizer o que eu sinto. – Ninguém sabe, e nunca saberá!
- A minha mãe morreu quando eu tinha apenas cinco anos. – eu havia me surpreendido com aquela revelação. Tenho dezessete anos e perde o meu pai dói tanto, imagina uma criança com apenas cinco anos perder a mãe, seu ponto seguro. – O meu pai me abandonou quando ainda estava na barriga da minha mãe, fique com meus avós e quando eu tinha dezessete anos o meu avô faleceu e três anos depois a minha avó.
- N-nossa! - foi à única coisa que consegui dizer. A gente nunca pensa no outro, é sempre achando que a nossa dor e maior, nunca acha que existi outro pior que você. Como eu disse antes, às vezes o ser humano tem tendência a ser primitivo.
- Então acho que sei exatamente o que está sentindo.
- Desculpa, fui grossa com você – sim, eu estava envergonhada.
- Tudo bem.
- O que faz aqui?
- Hoje foi o sepultamento da minha avó.
- Você não parece abalado.
- Me acostumei a viver com essa dor. – não consigo acredita que alguém se acostuma com a dor, à dor incomoda e é desconfortável, mas isso impede a felicidade.
- Não acredito ninguém consegue fazer isso.
- Eu consegui.
- Você finge que conseguiu, mas no fundo grita para que todos escutem o quanto você sofre por dentro. – era o que eu queria fazer. Grita. Tira de dentro toda dor, todo sofrimento. Libertar-me. – Admita!
- Você fala como se fosse fácil.
- PAPAI, EU TE AMO, SINTO SUA FALTA MAIS DO QUE TUDO! - gritei o mais alto que consegui. - SEI QUE NÃO FUI A FILHA QUE VOCÊ MERECIA TER, MAS DE UMA COISA EU TENHO CERTEZA, VOCÊ FOI O MELHOR PAI DO MUNDO! – as lágrimas que descia no meu rosto eram de liberdade. Liberdade da dor, do sofrimento da tristeza e a volta da coragem para seguir em frente e ser feliz. – VOCÊ FOI TUDO, PAI, AMIGO, COMPANHEIRO, CONSELHEIRO E CHATO NA MESMA INTENSIDADE. – sorri lembrando-me de momentos que o senhor tentava me dar bronca, mas sempre acabava sorrindo e deixando a bronca de lado e dava início a brincadeiras. – PROMETO SEGUIR EM FRENTE, POIS SEI QUE VOCÊ SEMPRE ESTARÁ COMIGO! – olhei pra que tinha um sorriso de lado. – Tenta você consegue.
- Posso só gritar? – sorri da sua cara de cachorrinho e assenti com a cabeça. gritou ficando de joelhos logo em seguida, abaixando a cabeça, ouvi um soluço vindo de e me abaixei o abraçando de lado. Não o conhecia, mas sabia que era uma pessoa boa e por que não, viramos amigos. – Isso é bom.
- O que?
- A sensação de liberdade – assenti com cabeça. Um sorriso surgiu nos meus lábios, levantei e ofereci minha mão para que fizesse o mesmo e foi o que ele fez, saímos do cemitério de mão dadas, não sabia o porquê disso, mas a sensação de tê-lo perto era boa. Ele me deu a liberdade, segurança para seguir em frente. O destino nos apresentou e tenho certeza que um dia o agradeceria por isso.

FIM

 

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