A Última Mihail - A Caçadora de Vampiros

Escrito por Fabiane Ramos | Editado por Luba

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PARTE UM

O mundo que nós conhecemos, já não existe mais.
O caos se instalou e com ele a chegada das seres perversos das trevas.
Os vampiros existem e eles estão mais perto do que você imagina
Crônicas de um Conde das Trevas — Autor Desconhecido*

"... Eles me disseram que o fim está próximo.
Temos que sair daqui..." — Styles, Harry

Prólogo

  Vampiros existem e estão bem ao seu lado.
  Esqueça tudo o que você sabe sobre eles!
  Nada de estacas em seus corações, crucifixos, alhos ou balas de prata.
  Apenas usamos essas ferramentas para retardá-los. Claro que a água benta os queima, mas não os mata, o único modo de se matar um vampiro de vez, sem que ele volte para te atazanar, é cortando sua cabeça e queimando seu corpo separadamente.
  Desde as eras primordiais, os vampiros apareceram nos vales da Fortaleza de Bucarest* e tomaram conta de tudo. Fizeram os humanos de escravos e os matavam para saciar sua sede.
  Cansado de ter sua jugular furada e seu sangue perdido, dia após dia, um escravo se rebelou contra seus amos e os apunhalou, arrancando-lhes as cabeças. Famoso pela sua afronta, esse homem conseguiu juntar uma legião de humanos, que também cansados de serem escravos de sangue, rumaram para o castelo. Dizem, que o homem era o próprio demônio encarnado.
  E seu nome? Petre Mihail...
  Mihail com seus guerreiros humanos, invadiram o castelo e cortavam as cabeças de cada vampiro que se encontrava em seu caminho. Sua força e sua coragem surpreendia até o mais vil dos vampiros, sendo ele, o rei.
  Petre finalmente conseguiu ficar de cara a cara com o rei dos vampiros que na metade do embate conseguiu fugir jurando vingança à Mihail. Poucos dos que sobraram para contar história, diziam que Petre continha sangue de vampiro misturado ao seu sangue humano. Essa era a explicação mais plausível para tamanha força exalada pelo humano.
  Com seus caninos venenosos, a população vampiresca cresceu em um número absurdo em comparação a própria população global. Mesmo com Petre os caçando, os números não paravam de crescer, então a igreja que comandava os reis, tomaram a frente escolhendo a dedo os cavaleiros que ajudariam Petre em sua missão para acabar com os seres das trevas. Assim nascendo a primeira liga de Slayers.
  Anos, décadas, séculos e milênios se passaram e a caça ao vampiro foi passada de geração a geração na família Mihail, até sobrar o último Mihail.
  E quem eu sou?   A última Mihail. A caçadora de vampiros.

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*: "Fortaleza București" Foi como a (atual) Bucareste foi chamada pela primeira vez.

Capítulo 1

DIAS ATUAIS
  O RONCO ALTO DE MINHA MOTO se fez ouvir na rua silenciosa no subúrbio da cidade de Bucareste. Minha noite começou assim como para os vampiros que saíam de seus porões. Estaciono minha moto no beco atrás da rua quinze e subo as escadas de incêndio do prédio em frente, parando apenas quando acho a quarta janela à esquerda. Abro a janela e observo a pessoa roncando igual um porco desesperado. Como as portas de seu guarda-roupas já estavam abertas, apenas puxo de lá suas roupas e seu coturno. Jogo tudo em sua cama e me aproximo dele, lhe dando um tapa na bochecha. Ele pula da cama assustado e após se recuperar do susto, me olha com raivinha. Que fofo.
  — Eu poderia ter enfiado uma estaca em seu coração para depois cortar sua cabeça. — Ele foi falando enquanto descia sua calça de moletom xadrez vermelho e preto, que é sua única vestimenta, já que gosta de dormir sem camisa. Me sento em sua cadeira giratória de frente para seu notebook rolando os olhos pelo drama. Pesquiso no doutor Google alguma boate pelas redondezas que estaria fazendo mais sucesso que o esperado, era ali onde os vampiros achavam suas presas fáceis, vendendo suas drogas misturadas com seus sangues. Alguns jovens desprotegidos do verdadeiro mundo onde vampiros existem e adoram um pouco de substâncias ilícitas. Ao clicar em pesquisar, uma boate que eu já havia visitado alguns meses atrás, havia voltado às suas atividades ilegais. Ri e me viro para trás a tempo de ver meu amigo colocando sua jaqueta de couro.
  — Pronto? Temos trabalho! — O mostrei a página aberta em seu notebook e o mesmo riu incrédulo.
  — Eles são persistentes. — Concordo em um aceno com a cabeça;
  — É, mas nós somos mais. Vamos. — Bato em seu peito e passo pela janela indo para o lado de fora.
  — Qual é o seu problema com as portas? — Ele perguntou ofegante, enquanto se espremia para passar por sua janela.
  — Sua mãe me odeia por te arrastar pela cidade afora a noite e só te deixar em casa de manhã. Melhor evitar a fadiga, não? — Ele ri nasalado enquanto me acompanha nas escadas, as descendo.
  — Ela te odeia por isso mesmo. Ela sempre fala das roupas que você usa. "Não sei como você permite que sua namorada ande como uma mulher da vida com aquelas roupas." E eu já deixei claro que não somos namorados para minha mãe, mas ela não acredita. "Amiga não entra em seu quarto na calada da noite sem se importar se você está pelado ou não, mas eu espero que não e o chama para sair." É coisa de mãe. — Eu escutava seu monólogo sobre sua mãe e me lembrei quando eu tinha uma.
  — Sorte a sua de ter uma mãe viva e que se importe com você e não com vampiros. — Ri amarga e ficamos em silêncio ao chegar em minha moto, subi o banco dela e tiro um capacete igual ao meu, no qual tem um adesivo de cobra o contornando. O jogo para ele que o pega ainda no ar. Enrolo meu cabelo e coloco o capacete, subo na moto e a ligo o esperando. Meus olhos encontram sua figura ainda parada olhando na direção das escadas de incêndio com o cenho levemente franzido. — O que foi Jimmy? Viu alguma coisa? — Pergunto abafada pelo capacete e ele balança a cabeça parecendo que saíra do transe em que fora posto.
  — Pensei que tinha visto, mas não é nada. Vamos, temos alguns vampiros para chutar a bunda. — Gargalho com sua frase.
  — É assim que se fala. — O respondo, enquanto o mesmo coloca o capacete e sobe em minha garupa. Acelero a moto ainda parada fazendo aquele barulho gostoso em nossos ouvidos, subo o apoiador e puxo um cavalo de pau fazendo com que a ponta da garupa se encostasse no chão. Volto o pneu dianteiro para o asfalto e acelero pelas ruas afora.
  Paro a moto na rua de trás do galpão onde é a boate e desço da moto após Jimmy descer. Tiro o capacete e a minha jaqueta de couro, ficando apenas com um cropped e a calça de couro cós alto, amarro meu cabelo de modo para que meu pescoço ficasse a mostra, assim como meu colo.
  — Vamos embora! — Caminho em passos rápidos e logo me alcança e me abraça por meus ombros, eu o abraço pela cintura e caminhamos em meio ao monte de adolescentes que curtiam suas vidas sem se preocupar em matar vampiros, eu fazia isso por eles, abri mão de minha adolescência para manter a bunda desses idiotas a salvo. Serrei meu punho livre e subi meu olhar para o segurança parado na entrada da porta, reparo com alívio que não é o mesmo de alguns meses atrás.
  Abri meu sorriso malicioso arrumando meu decote e ele logo olhou para meus seios. Sim, é um humano. Quando é vampiro, você pode estar pelada em sua frente que ele irá olhar para o seu pescoço antes de descer o olhar para o seu corpo. Ele engoliu em seco e me deixou passar e logo puxei , e entramos.
  Logo olhei para os cantos da boate onde é mais escuro e encontrei mais de vinte vampiros drenando o sangue de suas vítimas. Apontei um canto para , que foi sem questionar e eu olhei para cima, onde ficava o escritório. Subi para a área VIP e vi mais vampiros nos cantos com suas caças. A batida eletrônica penetrava em minhas entranhas fazendo que meu corpo reagisse e começasse a se mover conforme a música. Andei até a porta do escritório e quando estava perto de abri-la, uma mão segurou o meu braço me fazendo parar. Estreitei meus olhos que faiscavam raiva e olhei para a pessoa.
  — Você não tem permissão para entrar aí. — Logo soube que era um vampiro, o mesmo olhava vidrado em meu pescoço. Sorri em escárnio e tirei minha arma da bota.
  — Aqui está a minha permissão! — E atirei em sua testa. O grandalhão começou a ficar muito lento e eu aproveitei para entrar na sala e a trancar. Eu devo ser mais rápida que a recuperação do vampiro lá fora. Me viro para frente com a falsa expressão de assustada quando Jimmy começou a botar o terror em cima dos vampiros distraídos.
  — O que está acontecendo? Quem é você? — Um deles perguntou enquanto eu me sento na cadeira de frente para a mesa, existem apenas cinco vampiros nesta sala enorme, dois deles estão se beijando no canto esquerdo nos fundos da sala, um está sentado atrás da mesa de frente pra mim e os outros dois estão com um garoto e uma garota perto deles. Os garotos deviam ter no minímo dezessete anos e eram humanos.
  — Bem. Vamos com uma pergunta de cada vez, bonitões. — Pela minha visão periférica, vi o casal de vampiros se desgrudarem e me observarem com atenção. — O que está acontecendo? Bem, acho que devem se lembrar de alguns meses atrás quando esse local fora limpado por, sim, por mim. E isso responde a sua segunda pergunta. Você sabe quem eu sou. — Apoio meus pés na mesa, me ajeitando confortavelmente na cadeira. Espero pelo ataque ás minhas costas, mas o cara que está na minha frente levanta a mão impedindo o ataque.
  — Então foi você quem "limpou" minha boate, hã? Deveria te agradecer? — Ele começa a gargalhar forçadamente e se vira para os vampiros ali. — Vão olhar o que está acontecendo, mas deixem os humanos. — Os vampiros tentam abrir a porta, mas constatam que a mesma está trancada.
  — Procurando por isso? — Pergunto rodando o molho do chaveiro em meu dedo indicador, quando eles começam a olhar em volta em busca da chave. Um deles, moreno robusto tenta tirar a chave da minha mão, mas a coloco de volta no bolso da calça. Eu estava os irritando e assim o combate ficaria mais emocionante.
  Assim que eu voltei a chave da porta para o bolso de minha calça, uma vampira que observava tudo calada em seu canto se aproxima em sua velocidade sobre-humana e me levanta da cadeira onde eu estava sentada, pelo meu pescoço. Pressionei minhas unhas banhadas a prata em suas mãos a enfraquecendo. Girei meu corpo até ficar de frente para a vampira que me encarava com seus olhos vermelhos exalando ódio deles.
  — Você deveria saber uma coisa sobre mim, querida. — Disse enquanto tirava minha catana de sua bainha. — Eu nunca entro em uma briga despreparada! — Ao finalizar minha frase, enfiei a lamina na altura de seu abdome, mas logo o puxei de volta quando o companheiro dela veio tentar me parar. Em um impulso, pulei para cima da mesa de vidro que trincou com a força que pousei com minhas botas de combate. Girei minha catana observando a vampira que começara a ficar lenta, em um salto mortal voltei para o chão e continuei meu serviço. Cortei a cabeça loira da vampira que antes de tocar o chão, entrou em combustão instantânea.
  Cego de ódio por eu ter matado sua fêmea, o vampiro veio para cima com sua velocidade sobre-humana e conseguiu me atingir um soco. Pelo impulso pego mais sua super força, voei direto para a parede mais próxima batendo minhas costas, escorreguei para o chão tentando sugar o ar que faltou em meus pulmões e me desesperei quando minha visão embaçou. Eu não poderia sucumbir, eu me nego a tal ato. Suguei todo o ar que eu consegui e lentamente me levantei.
  — Vocês já deveriam saber que é duro de me derrubar. — Disse enquanto chutava o rosto de um dos vampiros que estava curvado em posição de ataque.
  Consegui pegar minha catana e cortei a cabeça de um deles, que tentou a sorte. Antes que eu voltasse ao embate, escutamos um estouro do outro lado da porta e a mesma voou, batendo com violência na parede perto de onde eu estou. Curvei meu corpo para não ser atingida pelos estilhaços e logo olhei para ver o que tinha acontecido. e mais dois Slayers estavam parados no lugar da porta enquanto vestiam máscaras de gás. Logo me jogou uma e eu a coloquei rapidamente. Antes que o gás fizesse efeito, o vampiro que havia me atacado, alguns minutos antes, se levanta com a fúria cobrindo seu nariz e sua boca com a mão esquerda e acerta o abdome de com suas unhas enormes. No mesmo instante, eu decepei sua cabeça que caiu aos pés do restante que já mostram sinais que o gás fez efeito. A cabeça e o corpo entraram em combustão, enquanto eu deixo os outros vampiros para aqueles Slayers e vou na direção de que está caído, segurando seu ferimento.
  Saio da sala com dificuldade, por ter que suportar o peso de um ferido que quase não consegue ficar de pé. Desci as escadas com mais dificuldade ainda, mas logo chegamos na pista, onde todos os vampiros do recinto estavam desmaiados ou mortos.

**

  — , você deveria aceitar nossa carona. — Dallas se aproxima para me ajudar a carregar , até onde eu havia deixado minha moto. — Sério, não parece bem para montar em cima de uma moto. — Ele até que tem razão, mas não deixo minha bebê aqui, de jeito nenhum.
  — Tudo bem, vocês levam o até a entrada do beco de trás do prédio, e eu irei seguindo vocês. — Como já está apoiado sobre Dallas, eu o solto e vou até minha moto. — Encontro com vocês lá.
  Olho pela última vez , antes de colocar meu capacete e acelerar para longe, mas logo freio bruscamente ao ver uma pessoa parada no meio de meu caminho. Desci uma perna para apoiar a moto parada no lugar. Meu corpo se arrepia me dando um sombrio aviso, de que aquela pessoa só se afastaria do lugar para vir me atacar. Eu já estava muito cansada e zonza por ter batido a cabeça na parede com força. Eu sei que eu sou uma presa fácil nesse momento.
  Minhas previsões estão certas, quando, o carro de Neculai para e tanto ele quanto e Edmond me olham de dentro do veículo esperando a minha reação. Com um sinal, os mandei seguirem seus caminhos, enquanto eu ficaria para trás. Eles mal haviam saído do lugar, quando eu virei para o lado contrário de onde iria e rapidamente fui seguida pelo vampiro. Pulei de minha moto ainda em movimento, quando a criatura se chocou em meu veículo, rolo por alguns metros me ralando, mas logo tento ficar de pé.
  — Quem é você? — Pergunto para ganhar tempo, quando não acho minha catana.
  — Procurando por isso? — Ele estende o braço direito, onde sua mão segurava a bainha com a espada dentro. Parece que eu entrei em um dejá vu. Minha respiração trava em minha garganta, quando o vampiro lança minha espada para longe. Eu teria que lutar mano a mano com um ser dez vezes superior a mim, não só na força, mas, no tamanho também.
  Estralo meu pescoço me preparando para o combate, no segundo seguinte, o vulto do vampiro me cerca em uma armadilha, onde eu tenho duas opções para a morte eminente. A adrenalina cobre meu corpo quando, a criatura tenta socar meu rosto, mas em câmera lenta, eu consigo segurar seu punho com a palma de minha mão. Aproveitando de seu ligeiro estado catatônico de surpresa, puxo com toda a força que eu tinha seu braço e dou um salto nos virando, para que eu caísse no chão com minhas pernas enroladas em seu pescoço. Enquanto fazia o giro que iria nos derrubar, aproveito para apertar ainda mais seu braço, assim, o tirando do lugar. O berro que ele deu pela dor, fez eu perder os sentidos por alguns segundos e quando dei por mim, ele já havia conseguido se livrar do meu agarre. Ainda estava no chão, quando o vampiro se aproximou e me suspendeu pelo pescoço. Me debato o máximo que consigo para conseguir me livrar dele, mas a pressão que fazia somado com meus movimentos violentos, acabam me tirando o ar mais rápido.
  — Sua sorte é que meu mestre me mandou levá-la com vida, mas ele não se importa se eu te entregar com alguns litros de sangue faltando. — Após terminar sua frase, o vampiro lambe meu pescoço como se quisesse comprovar que não estava para blefe. Antes que ele realmente pudesse tirar meu sangue, eu ouvi um som cortando o vento e logo após o pescoço do vampiro lentamente despencou para o lado e logo estava no chão.
  — Você está bem? ? — Essas são as últimas coisas que escuto antes de perder a consciência.

Continua...

Capítulo 02

  MINHA CABEÇA MARTELAVA como se alguém tivesse pisado nela diversas vezez como em uma briga de rua, o que realmente aconteceu. Eu havia brigado com um vampiro no meio da rua e estava prestes a virar lanche, quando algum slayer o impediu arrancando sua cabeça. Como eu estava machucada demais e fadigada demais, eu havia caído no chão e bati a cabeça. Acho que o slayer me levou de volta para a igreja, já que estou escutando a voz do preot* Grigori e do Gehaard, um dos slayers mais velhos. Tento me levantar do lugar onde eu repouso, mas uma mão me para no lugar e logo sinto uma toalha úmida tocar em minha testa, demorou um pouco, mas a minha temperatura corporal voltou ao normal e eu finalmente pude me sentar na cama.
  — Como você se sente, minha filha? — Preot Grigori pergunta enquanto ajeita o travesseiro em minhas costas.
  — Me sinto como se um caminhão passasse por cima de mim. Preot, quem me trouxe até a basílica? — Pergunto antes de dar um gole no chá de erva doce que Gehaard me entregou, assim que me viu acordada.
  — Ah, sim. Quem te trouxe... como é mesmo o nome daquele rapaz, Gehaard? — Preot toca suas temporas com os dedos tentando lembrar o nome.
  — Se não estiver errado, o nome dele é Ciprian. Ele veio transferido da sede principal da Valáquia. Ele já foi instalado e entrou no lugar do Neculai como treinador de tiro ao alvo. — Gehaard responde sem nunca deixar de me observar. Coço minha nuca incomodada pela intensidade de seu olhar e quando ele percebe meu estado de espirito, desvia o olhar para Preot Grigori.
  — Onde está o Padre Martin? — Pergunto quando sinto a falta do Padre que cuidou de mim, quando mamãe morreu, me deixando sozinha no mundo.
  — Ele foi chamado no Vaticano. — Estremeço só de ouvir o nome da cidade-estado onde reside o Papa e onde é nossa sede oficial, onde somos chamados para reuniões importantes ou para julgamentos.
  Logo Preot Grigori me deixa sozinha com Gehaard em meu quarto, segundo o slayer, ele ficaria de guarda até que eu ficasse pronta para outra e se ele fosse requisitado em alguma caça, ele deixaria Neculai em seu lugar e falar em Neculai, me lembro que antes de parar para lutar com o vampiro na rua, eu havia deixado Neculai levar ferido para casa. Bato em minha testa por ter me esquecido de meu melhor amigo.
  — Ged, você poderia chamar Neculai? Preciso tirar uma dúvida com ele. — Ele logo assente e me deixa agora, completamente sozinha. Mas não demora meio minuto e aparece com Neculai atrás de si. — Nec, preciso saber como você deixou, ... — Nem espero ele entrar direito em meu quarto e já despejo minha questão em sua cara.
  — Assim que chegamos no beco onde você havia nos indicado, eu e Edmond esperamos você aparecer para subir com seu namorado, mas...
  — Ele não é meu namorado. — O corto e ele bufa impaciente.
  — Deixe eu terminar de falar. — Ele grunhiu e logo volta a falar. — Mas você demorou a voltar, então por vias das dúvidas, eu o trouxe para a basílica e ele está instalado no quarto que está vago. — Assinto suspirando mais calma por saber que pelo menos está em um lugar seguro.

*

  Eu seguro a barra de ferro fortemente a ponto dos nós de meus dedos esbranquiçarem, enquanto espero conseguir passar para o seu quarto. Depois que o Preot Grigori se deu por satisfeito sobre a minha saúde, ele abanou as mãos e mandou eu levar de volta para a casa dele, que da basílica ele era capaz de escutar os berros da Senhora me xingando por ter sequestrado seu precioso menino.
  Assim que consegue passar para dentro de seu quarto, entro atrás dele e me jogo em sua macia cama fechando os olhos. Esperei ele tirar a camisa que Neculai o emprestou, já que a sua estava praticamente destruída, olhei para seu ferimento já limpo e saturado.
  Esperei ele tirar a camisa que Neculai o emprestou, já que a sua estava praticamente destruída, olhei para seu ferimento já limpo e saturado.
  — Sua mãe tem razão, sabe? Eu ainda vou acabar provocando sua morte e eu não quero que isso aconteça. Você é a calma em minha desordem depois que entro em seu quarto após uma longa noite em batalha. Você é meu melhor amigo e eu não quero sentir o que sentir hoje quando vi aquele vampiro te ferindo. — Eu paro de falar para engolir em seco, eu estava abalada emocionalmente, ver aquele vampiro ferir , foi a mesma coisa de me ferir. Eu tinha e ainda tenho a responsabilidade de cuidar de sua integridade, de sua vida, por que eu sou egoísta ao pensar em uma vida sem nela. Eu o amo como amava meu irmão e não suportaria em perdê-lo do mesmo jeito em que perdi Stelian, meu irmão mais velho.
  — Não se atreva, Mihail. Eu não vou parar de caçar esses demônios sugadores de sangue só porque você quer. É o que eu faço! — rebate com raiva se levantando de sua cama.
  — Faz o que, ? Você tem uma vida. Sua faculdade, sua mãe...
  — Para . Você não vai me tirar assim tão fácil.
  — Você não entende, .
  — Tem razão! O que eu estou fazendo, não é mesmo? — Seu deboche me irritou profundamente.
  — Não virei mais te chamar, . Contente-se com isso. — Me levanto de sua cama e rumo até a janela pronta para ir embora. — Eu só não quero que morra. — Sussurro antes de passar para o lado de fora e desço a escada de incêndio.
  Entrei no carro de Neculai e acelerei para longe daquele bairro.

**************
*: Tradução: Preot = Padre em romeno.

Continua...



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