16 Passos Para Tê-la de Volta

Escrito por Effy Stanfield | Editado por Natashia Kitamura

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// PRÓLOGO

  

Cinquenta e duas mil pessoas. Essa era a estimativa do público para o show àquela noite. Nosso primeiro show de verdade. Não estávamos no ginásio da escola ou no barzinho da esquina, estávamos no Píer de Santa Mônica, um grande ponto turístico do Estado da Califórnia. Era 4 de julho e seríamos a atração principal; eu ainda estava achando que aquilo era um sonho.
  Mal dormi na noite passada devido ao tamanho nervosismo, toda vez que pensava sobre me apresentar na frente de todas aquelas pessoas, meu coração palpitava, meu estômago embrulhava e eu sentia como se fosse vomitar todos os meus órgãos pela boca.
  E se eu não conseguir cantar? E se eu errar a música? E se acontecer um imprevisto e um dos caras não puder tocar porque, sei lá, teve uma dor de barriga? E se alguém cair do palco e quebrar a perna? E se?
  — Cinto minutos, rapazes — Josh, nosso empresário, anuncia.
  Suspiro e me sento sobre uma das caixas de som que tinha no nosso pseudo camarim, tentando controlar a respiração e não surtar.
  — Pronto para arrasar, Astro do Rock? — ouço a voz de minha namorada atrás de mim e sorrio, virando-me em sua direção.
  — Pronto para fracassar, você quer dizer. — digo, irônico.
  Ela semicerra os olhos, lançando-me um olhar furioso — que para mim só a deixava ainda mais encantadora do que já é —, e segura em ambas as minhas mais, obrigando-me a levantar.
  — Não, não, nada de pensamento pessimista, Senhor , hoje é o seu dia de brilhar e eu não vou permitir que você se dê por derrotado sem ao menos tentar.
  Ela passeia as mãos pelos meus cabelos, bagunçando-os ainda mais, e ajusta a gola do meu insuportavelmente quente terno.
  — Quem foi que deu a ideia estúpida de a gente se vestir como pinguins mesmo? — questiono, tentando abrir o colarinho da camisa e recebendo um tapa na mão.
  — A ideia foi sua, .
  — Eu sei disso, foi por isso que disse que era estúpida. — digo em tom de obviedade.
  A menina solta uma gargalhada, fazendo-me sorrir. A risada dela é um dos meus sons favoritos no mundo.
  Envolvo a cintura de com os braços, contemplando cada mínimo detalhe do rosto da mulher quem eu sou completamente louco.
  — Eu te amo — profiro, fazendo o sorriso em seu rosto se alastrar.
  — Eu também te amo. — Ela acaba com a distância entre nós, dando-me um selinho. Josh reaparece, dizendo que estava na hora do show. — Agora suba naquele palco e me deixe orgulhosa!
  Concordo com a cabeça e aproveito para lhe roubar um beijo de despedida e boa sorte. Pego minha guitarra, assim como meus companheiros de banda também pegam seus respectivos instrumentos, e nos reunimos para fazer nosso “grito de guerra” antes de seguir para o palco. As luzes são direcionadas a nós e a multidão grita enquanto cada um se faz presente ocupa seu lugar. Posiciono-me ao centro do palco, frente ao microfone, e olho para a plateia, perdendo o ar ao me deparar com a tamanha vastidão de pessoas. Eu sabia que seria um público de grande número, contudo, a minha imaginação não havia nem chegado perto da proporção real. Um barulho de microfonia se faz presente, acordando-me do meu devaneio, e eu pigarreio, ajustando o meu microfone.
  — Boa noite, Santa Mônica! — exclamo, recebendo gritos em resposta. — Nós somos a Wireless Hearts e vamos fazer um pouco de barulho para vocês essa noite, ok? — Mais gritos são ouvidos. — A primeira música de hoje é sobre uma garota incrível que eu conheci há muito anos atrás e, como a música fala, é a minha Número Um.
  Sorrio vasculhando pela multidão os olhos cor de avelã que eu tanto amo, e como o espero encontro-a no mesmo lugar de sempre, na primeira fileira, sorrindo para mim. Começo a cantar, sentindo as batidas do meu coração acelerarem, mas dessa vez não era por nervosismo ou insegurança e sim por felicidade, felicidade porque eu sabia que havia encontrado o grande amor da minha vida. E nunca a deixaria escapar.

// CAPÍTULO 1

  

O primeiro pensamento que passou pela minha cabeça quando coloquei os pés em solo californiano, após chegar de uma longa turnê mundial de quase quatro meses, foi que eu precisava de uma bebida, urgente, então após deixar minhas bagagens em meu apartamento, saí a procura do bar mais próximo, e agora eu me encontrava sentado rente ao balcão, sozinho, com um copo de whisky nas mãos.
  Ter uma vida de "Astro do Rock" era tudo que eu sempre sonhei desde o dia que montei
  minha banda, aos dezoito anos. No início, não éramos levados muito a sério, pois não passávamos de um bando de adolescentes mimados fazendo barulho em uma garagem que nem haviam terminado o Ensino Médio ainda.
  Foi na época da Faculdade que começamos a decolar. Dois anos após o início da banda, fomos chamados para fazer nosso primeiro show de verdade e não paramos mais. Hoje, oito anos depois, temos seis álbuns gravados e uma legião de fãs espalhadas pelo mundo inteiro.
  Então agora eu teoricamente deveria estar feliz e satisfeito com a vida que levo, certo?
  Errado.
  Quer dizer, não me leve a mal, eu amo a minha banda, amo meus fãs e amo o que eu faço. O problema era que, depois de quatro anos, fiquei sabendo, por intermédio de uma das conversas que tive ao telefone com minha irmã, que ela estava voltando.
  E por ela eu quero dizer minha ex-namorada. .
Eu e tivemos uma longa história, nos conhecíamos desde pirralhos; ela morava de frente a minha casa e nossas mães sempre foram amigas, o que praticamente tornou impossível não frequentarmos a casa um do outro e consequentemente fez com que eu me tornasse melhor amigo de seu irmão mais velho, Eric, e ela melhor amiga da minha irmã mais nova, Samantha.
  Bem confuso, eu sei.
  Mais confuso ainda era o fato de que ela me odiava, pois, por ser homem e dois anos mais velho, eu sempre implicava com ela e a fazia chorar. Porém, por alguma ironia do destino, em algum momento entre os seus dezessete e dezoito anos, eu comecei a vê-la de forma diferente, algo sobre seu jeito todo certinho despertou minha curiosidade, então aproveitei o fato de ela estar sempre em minha casa para por em prática o meu plano de conquistá-la e poucos meses depois começamos a namorar.
   sempre foi o perfil da namorada perfeita: Não era ciumenta, não me cobrava nada e me apoiava em todas as decisões que eu tomasse. Ela acreditou em nós quando ninguém mais fez, e até nos ajudou a compor algumas músicas. Não perdia um ensaio sequer e estava sempre na primeira fileira de cada show nosso. era nossa fã número um.
  Qualquer pessoa depois de saber de toda essa história provavelmente deve estar se perguntando: "Se ela era assim tão perfeita, então por que não estão mais juntos?
  Bom, infelizmente, por burrice minha. Por puro egoísmo.
  Tentei enganar a mim mesmo dizendo que havia terminado com ela porque queria libertá-la e lhe dar oportunidade de conhecer outras pessoas, visto que eu havia sido seu primeiro em tudo: Primeiro namorado, primeiro beijo, primeiro amor.
Mas era tudo mentira.
  Conforme minha banda ia crescendo e fazendo cada vez mais sucesso, meu desejo por liberdade também aumentava. Eu queria toda aquela coisa de Sexo, Drogas & Rock 'N Roll, queria frequentar as festas que meus amigos davam e poder dar atenção ao crescente número de mulheres que davam em cima de mim, e ter um relacionamento sério não condizia com nada disso.
  Eu me lembro bem do dia que terminei com ela, do meu maior momento de covardia. Lembro claramente da sua expressão triste e seus olhos avelã marejados. Lembro de como quebrei seu coração.

Tínhamos acabado de chegar de mais uma AfterParty, do qual tive que sair mais cedo graças à dor de cabeça de . Mais uma vez.
  Isso tinha se tornado algo constante nos últimos dias.
   odiava bebida alcoólica e odiava algazarra, por isso sempre inventava algum compromisso ou uma dor de cabeça para poder ir embora e eu, como um bom namorado, sempre a acompanhava.
  Mas eu já estava cansado disso.
  Eu queria ficar nas festas, beber com meus amigos, comemorar. Queria ser livre pra fazer o que quisesse.
  Durante a viagem de volta, tive um grande conflito interno sobre realmente ser o certo a se fazer e cheguei à conclusão de que, sim, eu deveria por um ponto final em tudo isso. Sento-me em sua cama, espero impacientemente que ela saísse de seu banho e repasso mentalmente tudo que estive ensaiando dizer durante o caminho.
  Logo ouço o barulho da porta se abrindo e seu cheiro inebriante de rosas preenche o quarto. Vê-la caminhando sorridente em minha direção abalou meu coração, mas meu cérebro continuava me mantendo são, dizendo que não havia outra saída.
  — , nós precisamos conversar — digo, firme
  Sua expressão logo muda de feliz para preocupada e, em seguida, ela se senta ao meu lado, segurando minhas mãos.
  — O que houve, meu amor? Está tudo bem?
  O doce tom de sua voz fazia tudo aquilo ser mais difícil. Eu precisava ser rápido como quem tira o band-aid do machucado.
  — Isso não está mais dando certo.
  — O que não está dando certo? — Seu semblante muda de preocupado para confuso.
  Eu sabia que não conseguiria dizer tudo olhando nos olhos dela, então me levanto rapidamente e começo a andar de um lado ao outro do quarto.
  — Nós! Não é mais a mesma coisa, ambos queremos coisas diferente e estamos seguindo caminhos diferentes. Logo eu estarei em turnê e nós não vamos nos ver com muita frequência, já que você não vai poder me visitar por causa da faculdade e não seria justo eu continuar te prendendo a mim. Você merece ser livre e conhecer novas pessoas.
  Termino de falar, euforicamente, e, por um impulso idiota, resolvo levantar meu olhar de encontro ao dela e me arrependo no mesmo instante. Suas íris estavam brilhantes, mas não pela alegria de sempre e sim pelas lágrimas que se acumulavam ali.
  — Você está terminando comigo, é isso? — sua voz sai embargada, indicando que ela estava prestes a chorar.
  Viro-me de costas, não aguentando vê-la chorar e um longo silêncio se instala no quarto.
  — Eu sinto muito — digo, por fim, antes de sair porta afora.

  

Aquele dia foi a última vez que a vi. Uma semana depois embarquei em turnê de divulgação do segundo álbum da minha banda e quando voltei minha irmã me informou que ela havia viajado para Paris para terminar a faculdade de Moda e estagiar com Karl Lagerfeld, seu tio em segundo grau.
  Fiquei feliz por ela, afinal esse era o seu grande sonho.
  Os anos foram se passando e a vida de rockstar que tinha uma mulher por noite estava funcionando muito bem para mim, obrigado. Exceto, é claro, quando lançávamos um álbum novo ou quando uma música nossa chegava ao top do iTunes ou até mesmo quando divulgávamos um novo videoclipe; nesses momentos eu não tinha com quem comemorar, visto que as mulheres com quem eu saía apenas queriam prazer momentâneo que eu podia lhes proporcionar.
  Eram nessas situações que ela me vinha à cabeça e meu traiçoeiro subconsciente me transportava para os momentos felizes que vivemos juntos. Felizmente, uma boa dose de whisky sempre me ajudava a afastá-los.
  Entretanto, desde que recebi o telefonema de minha irmã, há mais ou menos um mês atrás, eu simplesmente não conseguia tirá-la de minha cabeça. Não conseguia parar de pensar em como fui burro por terminar um relacionamento de quatro anos em que eu era extremamente feliz, em como eu quebrei o coração da garota mais doce e gentil que conheço, em como...
  Tenho meus pensamentos interrompidos pelo toque de meu celular no bolso esquerdo de minha jaqueta. Alcanço-o e logo contato ser Samantha, suspiro e atendo:
  — Maninho! — ela diz animada do outro lado da linha.
  — Fala, Sam — respondo desanimado.
  — Credo! Isso é jeito de atender a sua maninha que tanto te ama?
  — Não estou muito no clima hoje, desculpa. Mas desembucha, qual é o favor dessa vez?
  — Como você sabe que é um favor?
  — Porque você só me liga para gritar comigo ou pedir favores e como você não me recebeu com gritos, eu deduzi que fosse um favor.
  — Isso não é verdade! — ela grita, falsamente ofendida, e eu reviro os olhos.
  — Samantha...
  — Ok, talvez seja um pouco verdade, mas é justo, já que eu estou sempre livrando a sua bunda branca de se meter em confusão. Enfim, vou logo direto ao ponto: Você lembra daquele cargo que eu quero muito aqui na editora, não é?
  — E como não lembrar? Você me liga todo santo dia falando desse maldito cargo — respondo, mal-humorado.
  — Culpada! — Sam solta uma risada. — Bom, eu recebi uma ligação hoje dizendo que haverá uma reunião daqui a exatamente uma hora para decidir quem vai ocupar o cargo de Diretor de Arte e você sabe que a chega de viagem hoje...
  NÃO! NÃO, NÃO, NÃO E NÃO!
  Eu sabia o que ela iria pedir e não estava gostando nada disso.
  — Eu sei aonde você quer chegar e a resposta é não — respondo, firme.
  , por favor! Você sabe o quanto eu esperei por isso e o quanto é importante para mim!
  Ela estava certa.
  Durante o curso de Design Gráfico, Sam conseguiu um estágio em uma editora, na qual trabalha até hoje, e desde então ela alimenta o sonho de se tornar uma Diretora de Arte e, agora que ela finalmente teve uma oportunidade, eu simplesmente não podia tirar isso dela.
  — Eu sei que é pedir um pouco demais e que, provavelmente, você não está pronto para vê-la agora, mas eu prometo que vai valer a pena.
  Minha irmã me conhecia bem demais. Ela sabia que eu não conseguiria dizer não em casos como esse se tivesse nem que seja um mínimo de argumentação.
  — Tudo bem. — suspiro, derrotado, e ouço um grito vindo do outro lado da linha.
  — Muito obrigada, maninho! Juro que você não vai se arrepender!
  — Assim espero. Só diz onde e quando devo busca-la.
  — No LAX mesmo. O avião dela vai aterrissar às 11:45, por favor, esteja lá no horário certo, você sabe o quanto ela é paranoica com horários.
  — É, eu sei.
   Ecomo sei...
  — Agora eu tenho que ir. Preciso me arrumar da melhor forma possível, preparar o meu discurso e... Oh, Deus, eu estou tão nervosa!
  — Tenho certeza de que vai dar tudo certo. E... Sam?
  — Sim?
  — Vá pegar esse cargo.
  — Sim, senhor! — rio, sabendo que provavelmente ela batia continência do outro lado da linha, e encerro a ligação
  Alcanço o copo com líquido âmbar sobre a mesa e bebo todo o seu conteúdo com uma única golada. Pago minha conta e saio do bar, seguindo em direção ao meu carro.
  Eu estava cheirando a álcool, então precisaria passar em casa e tomar um banho. Se eu iria ter de encontrá-la, precisava fazer isso direito.

********

  

A viagem de Long Beach, onde moro atualmente, ao Aeroporto Internacional de Los Angeles durou meia hora. Isso porque eu corri como um piloto de fórmula um, para não perder a hora. Felizmente, acabei chegando cinco minutos mais cedo, que na verdade pareceram ser horas, dias, séculos.
  De repente o pensamento de jogar tudo para o alto, sair correndo e encher tanto a cara a ponto de precisar ser carregado para casa me atinge de forma avassaladora. Minhas mãos suavam e tremiam apenas em cogitara possibilidade de ter de encará-la novamente. Eu estava parecendo a droga de um adolescente e, de certa forma, eu me sentia um.
  Felizmente, minha tortura mental acaba quando avisto-a caminhando em minha direção. Demorou alguns segundos para que o choque me deixasse realmente reconhece-la.
  Ela parecia tão diferente. Seus cabelos, antes longos e caramelados, agora se resumiam em um corte Chanel em tom achocolatado. Vestia jeans e algo que já ouvi Samantha chamar de quimono de estampa florida. Tão elegante. Tão... Linda.
  A cada passo que ela dava, o desespero dentro de mim aumentava. O que eu deveria fazer? Cumprimenta-la como se nada tivesse acontecido no passado? Esperar que ela tomasse alguma atitude? Fingir que eu estava ali apenas como motorista e nada mais?
  Merda. Eu estava parecendo um adolescente. De novo.
  — ! Oi! — me envolve em um abraço, deixando-me surpreso e confuso. — Onde está Samantha? Não sabia que você viria!
  Fala alguma coisa, idiota!, repreendi-me mentalmente enquanto a encarava, estático, tentando formular alguma frase que não me fizesse parecer mais patético do que eu provavelmente já estava.
  — Ela... Hum... Ela... — Pigarreio e escondo minhas mãos tremulas no bolso de minha jaqueta. — Teve um imprevisto. Surgiu vaga para um novo cargo na editora, sabe como é...
  — Ai, meu Deus! — ela cobre a boca com as mãos. — Aquela vaga?
  — Sim, aquela vaga.
  — Isso é ótimo! Fico tão feliz por ela, Sam esperou tanto por isso!
  — Eu que sei as tantas vezes que ela me ligou no meio da noite para falar disso. — rio, sarcástico, e solta uma risada.
  O som emitido pela sua garganta era uma melodia tão envolvente que praticamente te obrigava a acompanha-la. Sem perceber, estávamos ambos rindo no meio do aeroporto lotado.
  E então a realidade me atinge como um soco no estômago, lembrando-me o motivo de eu sentir tanta falta daquele som. Automaticamente cesso o riso e , mesmo parecendo não entender minha atitude repentina, faz o mesmo.
  Um silêncio torturante se instala entre nós e trocamos um olhar significativo. Tantas coisas passavam por minha mente, no entanto, nenhuma parecia querer sair por minha boca. Trato de interromper aquele momento extremamente constrangedor e agarro a alça do carrinho em que se encontravam suas malas, assumindo o dever de carrega-las. Pigarreio novamente.
  — Então... Vamos? — pergunto finalmente.
  — Claro! Só... Podemos passar em algum lugar para comer antes? Estou faminta!
  — Sim, com certeza! Você enfrentou doze horas de viagem. Comida de avião não é suficiente nem para um terço disso. Acho que tem algum fastfood por aqui — comento enquanto começava a empurrar o carrinho.
  — Ah, não, eu... Não como mais esse tipo de coisa. Sou vegana.
  Automaticamente paro de caminhar e a encaro boquiaberto.
  Vegana!? Aquela garota louca por hambúrguer e queijo que eu namorei agora é vegana!?
  Tento me recompor ao perceber que ela parecia constrangida com minha reação e volto a caminhar ao seu lado.
  — Uau! Isso é uma surpresa e tanto! Bom, acho que deve ter alguma Starbucks por aqui. Você ainda toma café, né?
  — Claro, nada melhor do que um bom café para renovar as energias! — Ela ri, fazendo acompanha-la.
  Caminhamos lenta e silenciosamente pelo terminal 2 até o pequeno quiosque da Cafeteria. Felizmente, o lugar estava relativamente vazio e a fila não estava tão grande.
  Encosto o carregador de bagagens rente a uma das mesas no canto.
  — Espere aqui, eu vou fazer o pedido — digo e corro para a fila.
  Em menos de dois minutos fui atendido. Pedi Frapuccino de Chocolate e Brownie para mim e Café Mocha com leite de soja e Bagel Multigrãos para
  Eu estava apreensivo caso pedisse errado, mas eu queria tentar. Queria mostrar que ainda a conhecia.
  Devido ao nervosismo, decido não voltar à mesa enquanto não tivesse com tudo em mãos, mas felizmente em pouco mais de cinco minutos nossos nomes são chamados. Pego os pedidos com a atendente e sorrio em agradecimento. Caminho lentamente até a mesa com a bandeja em mãos, petrificado de medo de acabar fazendo alguma besteira e passar vergonha. Até a droga da respiração eu prendi!
  — Espero que seu gosto não tenha mudado tanto — digo enquanto colocava o copo e o pão em sua frente. — Pedi com leite de soja.
  — Uau. Você ainda lembra.
  — São poucas as coisas que não lembro sobre você — rebato, sem pensar.
   me encara, surpresa, e abre levemente a boca algumas vezes, porém nada sai dela. E então aquele silêncio agonizante. De novo.
  Merda. Por que eu disse aquilo? Por que diabos eu disse aquilo!?
  Sento-me e tomo um gole do meu café, tentando de alguma forma me manter longe de falar mais alguma besteira.
  — Quem diria que a garota viciada em hambúrguer se tornaria vegana, hum? — brinco, na tentativa de amenizar a situação, mas, bem, nem todas as tentativas são feitas para dar certo.
  — Pois é... Depois que eu entrei definitivamente para o mundo da moda, descobri como são feitas os casacos de pele e de plumas e fiquei horrorizada com a  tamanha crueldade feita com os animais. Comecei a repensar minhas atitudes e me tornei mais consciente. Praticamente obriguei o tio Karl a só usar peles e penas sintéticas. — ela ri. — Foi um pouco difícil no início, mas sinto que foi a melhor decisão que tomei na vida.
  Droga. Ela estava no auge dos seus vinte e seis anos e parecia tão mudada, tão madura, enquanto eu, aos vinte e oito, parecia a merda de um playboy mimado.
  — Como estão os meninos da banda? Ouvi dizer que vocês estão fazendo o maior sucesso!
  — Melhores do que nunca. Acabamos de fazer uma turnê mundial e em breve começaremos a gravação de um novo álbum — respondo, empolgado. Falar da minha banda sempre me anima.
  — Isso é ótimo! Ficou muito feliz por vocês, sempre acreditei que tinha grande potencial. — ela sorri. Um sorriso que eu conhecia bem e sabia o quanto era verdadeiro.
  — É, você sempre esteve lá por nós... Obrigado por isso.
  E você a chutou como se não significasse nada, babaca.
  — Ah, que isso, não precisa agradecer, eu adorava bancar a groupie!  — solta uma risada. — E você como está? Deve fazer o maior sucesso entre as meninas, hum? Não pude deixar de perceber como aquela atendente não para de te olhar desde que chegamos.
  E foi nesse momento que engasguei com minha bebida e comecei a tossir igual cachorro velho. arregala os olhos, se levanta e tenta me ajudar abanando meu rosto.
  Ótimo. Tinha como isso ficar mais constrangedor?
  E como se o universo tivesse decido me fazer pagar por todas burradas que fiz na vida, acaba esbarrando em meu copo, fazendo com que parte do líquido se derramasse sobre meu colo. Porra.
  — Ai, meu Deus! Como eu sou desastrada! — dizia enquanto tentava, inutilmente, limpar a minha calça com os guardanapos que estavam em cima da mesa. — Mil desculpas!
  — E-está... T-tudo... B-bem... — tento dizer entre tossidas, mas continuava esfregando minha calça e dizendo palavras em uma língua estranha, que eu imaginar ser francês. Respiro fundo para recuperar minha respiração. — ! — grito, chamando sua atenção. — Já disse que está tudo bem!
  Suas bochechas coram automaticamente e ela volta a se sentar em seu lugar.
  — Desculpe-me por isso, eu...
  — Não precisa se desculpar, foi um acidente. Sorte que a bebida era gelada — tranquilizo-a e ela balança a cabeça.
  E então, de repente, começamos a gargalhar como dois adolescentes. Nós sempre fazíamos isso em momentos constrangedores. Talvez tudo não tenha mudado, afinal.
  — Meu Deus, isso foi horrível! — comenta.
  — É, foi extremamente embaraçoso. Não quero nem ver se formos parar em uma capa de revista.
  — Acho que é melhor irmos embora, não quero fazer você passar mais vergonha.
  Concordo com a cabeça e retiro minha jaqueta, amarrando-a na cintura e tentando tampar ao máximo a imensa mancha em minha calça. Terminamos o que restou de nosso lanche e nos levantamos, seguindo para o estacionamento. O caminho foi silencioso, talvez porque ambos não
  queríamos estragar ainda mais o dia.
  Ao chegarmos no estacionamento, assumo o controle do carregador novamente, desarmo o alarme do meu Range Rover Suv preto e começo a colocar as bagagens na mala do carro. Em seguida, vou para o banco do motorista e dou partida no carro.
  — Então... Devo deixa-lá na casa dos seus pais? — pergunto, não querendo muito que a resposta fosse sim. Eu não os visitava desde que tudo aconteceu e pretendia continuar assim. Eles provavelmente me odiavam.
  — Não, eu vou ficar no apartamento da Sam. Quero descansar um pouco e me estabilizar, depois penso em visitar meus pais. Sabe como eles são, provavelmente vão querer fazer festa.
  Isso era verdade. Os pais de adoravam fazer festas e aproveitavam qualquer oportunidade para isso, até mesmo quando ela teve sua primeira menstruação. É, foi bem embaraçoso.
  — Tudo bem. Então casa da Sam será.
  Liguei o som para que o caminho não seguisse tão desconfortável, uma música bem antiga minha banda começa a tocar e acompanha balançando a cabeça e cantarolando o refrão, o que me fez sorrir. Durante o resto do caminho, ela fez algumas perguntas sobre coisas que aconteceram enquanto esteve fora, e quando expliquei a loucura que seu irmão fez quando resolveu praticamente se vender, começar namorar a queridinha da américa e se mudar de mala e cuia para Beverly Hills, a garota quase chorou de tanto rir.
  Em menos de meia hora estávamos parados de frente ao prédio onde Samantha morava. Saio do carro e ajudo a descarregar as malas na porta do prédio.
  — Quer que eu ajude a subi-las? — ofereço.
  — Não precisa, peço ajuda ao porteiro, você já fez mais do que o suficiente. Muito obrigada por tudo. Mesmo. E mil desculpas pelo pequeno acidente, juro que lhe dou uma calça nova! — levanta a mão direita no ar, fazendo-me rir.
  — Ok, você pode desenhar uma então. Seria uma honra para mim carregar uma roupa desenhada pela famosa estilista — dou de ombro e ela ri, fazendo-me acompanha-la.
  E mais uma vez fitávamos os olhos um do outro sem dizer uma palavra. Eu tinha tanto a dizer. Queria tanto ter coragem de dizer alguma coisa. Me desculpar. Saber que ela me perdoa por toda a merda que eu fiz. Mas eu simplesmente não conseguia. Não conseguia.
  — Bom, acho que é isso. Obrigada mais uma vez. Tchau! — se despede e segue em direção ao prédio.
  Vê-la se afastar despertou algo em mim. Eu não poderia deixa-la ir assim. Deveria fazer alguma coisa. Deveria dizer alguma coisa.
  Antes que algo pudesse me parar, corri em sua direção, gritando seu nome. Quando ela se virou e eu pude olhar mais uma vez os seus brilhantes olhos cor de avelã, lembrei-me de como eles estavam da última vez que os encarei há quatro anos atrás. Tão tristes. Tão magoados. Tão decepcionados.
  Fiquei desestabilizado por alguns segundos e engoli em seco. me encarava em uma mistura de confusão e curiosidade.
  — Eu preciso... Eu nunca... Me desculpa por como as coisas terminaram, eu nunca quis te magoar.
  — , não precisa se desculpar. Isso ficou no passado.
  — Não, eu fui um babaca com você! Não deveria ter sido daquele jeito! Preciso saber que você me perdoa.
  — Eu já te perdoei há anos atrás. Não guardo mágoas de você, de verdade. Nós tínhamos acabado de sair da adolescência, você queria a sua liberdade, eu entendo. Não era para ser. Talvez agora podemos começar de novo, do jeito certo, sendo amigos.
  Amigos. Não sei o porquê, mas essa palavra veio como um soco na boca do estômago.
  — Claro, eu... Adoraria — respondo, ainda meio aéreo.
  Ela sorri, se aproxima e da um beijo em meu rosto, deixando-me surpreso, sem reação.
  — On se voit*, !
   sorri mais uma vez e se vira em direção ao prédio. Enquanto a observava desaparecer entre as portas de vidro, decidi:
  Eu precisava ter aquela mulher de volta.

  

*On se voit: Nos vemos depois em francês.

Continua...

Comentários da autora
Estive namorando essa ideia há mais de um ano e espero realmente não fazer merda svfgghfbhfggfgjk peço desculpas a quem estava acompanhando a outra fic que eu comecei e abandonei, mas a história realmente não estava fluindo, então eu aproveitei os nomes dos personagens para essa outra ideia. Espero que tenham gostado desse começo e não se esqueçam de comentar. Qualquer coisa podem me chamar no Twitter ou no Ask (ambos o user é @effywrites), Enfim, é isso. Beijinhos <3



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// Sobre a ideia
Ideia Nº: #003
Doada por: Natashia Kitamura (@natashiamk)

→ Sobre a ideia

Eles são um casal de namorados que se amam, mas então a banda dele estoura no país/mundo e ele se vê querendo ter a vida que um rockstar tem, com todo o negócio do ‘sex, drugs & rock’n roll’. Devido a isso, ele decide terminar com a namorada e viver a vida de celebridade. Algum tempo depois (anos, de preferência), ele percebe que está cansado de não ter ninguém fixo e se lembra de como a vida era boa quando ele namorava a ex, que por sinal ainda a amava. Com tudo isso, ele resolve correr atrás dela, que a esta altura já não quer mais nada com ele pelo que ele a fez sofrer. E a fanfic se desenrola nos métodos de conquista que ele tem para consegui-la de volta.

→ Nota

De preferência o namoro dos dois deve ser em uma idade não muito baixa, porque um amor verdadeiro deve ter tempo e idade, mas não alta, para que o passar dos anos não seja mínima (tipo, 1 ano depois), deve ser no mínimo três anos depois para que haja uma diferença de personalidade na garota e no garoto.

→ Sugestão

Você pode acrescentar NC-18 se quiser. A fanfic deve ter um prólogo ou capítulo que demonstre como era o relacionamento antes para que as leitoras saibam que era algo forte e que o favorito apenas quis se ver livre disso porque era mais forte que ele a vontade de viver a vida de rockstar.


Adotada por: Effy Stanfield

→ Sinopse

Jamie Price sempre sonhou em se tornar um Astro do Rock. Quando finalmente conseguiu realizar esse feito, o desejo por liberdade falou mais alto e ele acabou tomando uma decisão precipitada em terminar seu namoro. Quatro anos se passaram e sua ex namorada está de volta na cidade, totalmente diferente ao que ele se lembra. O reencontro desperta no rapaz sentimentos que não imaginava que fosse sentir novamente, e agora ele está determinado a reconquistar o grande amor de sua vida.

→ Contato com a Autora




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