Inspiração: Frank (2014)

nov. 14, 2017 by

excêntrico
adjetivo substantivo masculino
1. diz-se de ou indivíduo que age ou pensa de maneira extravagante, fora dos padrões considerados normais.

Em um dia corriqueiro durante as minhas férias de 6 meses (coisa que nunca irá acontecer novamente) marquei em assistir um filme com meus amigos pela Netflix Party. O filme da noite era Frank e, além daquela sinopse capenga que acompanha toda e qualquer produção disponível na plataforma, eu não sabia muito sobre o que se tratava a longa-metragem.

A história era de John, um jovem adulto que tinha um sonho antigo de ser tecladista e compositor de uma banda de sucesso. Por uma coincidência, nosso protagonista se viu performando junto a uma banda de pop-alternativo que tinha como líder e vocalista Frank, um homem amável, generoso e excêntrico. Perto dos membros claramente malucos, o vocalista da banda era o mais racional, exceto por um detalhe: ele sempre usava uma cabeça artificial, a qual não tirava em momento algum. É uma comédia dramática onde cada um de seus personagens têm suas particularidades; sem contar no bom trabalho de atuação.

O que mais me chamou atenção e que trago para aqui por meio da coluna é as características excêntricas dos personagens. Estamos sempre tentados a criar pessoas perfeitas nas ficções e há uma grande dificuldade ao construí-lo com algo que marque o leitor. Os grandes personagens não são aqueles que fazem grandes atos heroicos e sim os que mesmo após a leitura deixam sua marca no leitor.

Então, o que o filme Frank tem que permita esse tipo de pensamento?

Frank, personagem principal, aquele que o título carrega o nome, tem uma característica que o faz diferente dos outros: em nenhum momento retira a cabeça de plástico que usa. Tal mania intriga John e consequentemente o expectador que assiste o filme. Com base nisso, tenho uma proposta nossos queridos escritores: que tal criar uma característica que foge do normal na persona da sua história? Penso em algo muito maior que o fugir do clichê, algo que, talvez, seja loucura no contexto onde você vive.

E se o personagem gosta de repetir expressões e provérbios populares? E se ele sempre usa camisas que contenham alguma frase de efeito?

São exemplo práticos, nem tão fora da normalidade, mas que pode se tornar peculiar nas mãos de um autor criativo.

Há outra característica no filme Frank que gostaria de trazer à tona. A banda que é retratada na longa metragem também tem suas singularidades. Não direi quais são por conta dos spoilers, mas o que posso destacar é que a excentricidade e loucura estão continuamente predominante neles.

Coluna por Maraíza Santos

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O que são Songfics?

out. 31, 2017 by

Quando entramos no Admirável Mundo Novo das Fanfics, nos deparamos com uma terminologia própria das fictions. Há diversos estilos de gêneros que permeiam esse universo, mas a que vamos nos ater agora são as songfictions.

Se levarmos em conta a palavra em si, ela é a junção entre SONG + FIC, duas palavras inglesas, que significam música e ficção respectivamente (FIC é a sigla para fiction, algo que vocês já estão carecas de saber).

Uma songfic é uma história fictícia baseada em uma música. Tal base deve provir de uma canção que contenha letra; não que seja impossível escrever algo com apenas um instrumental, mas é infinitamente mais difícil.

Como se faz uma songfic?

Primeiro de tudo é necessário escolher a música que será usada. Recomendo aos autores a usar aquelas que contam uma história, pois facilita a formação das personalidades dos personagens, ambientações e sentimentos, no entanto, aquelas que cantam mais sobre emoções dão mais liberdade criativa aos escritores.

Eu, particularmente, acredito que os dois são bastante desafiadores e caberá ao autor escolher o que melhor encaixa para ele.

Quando nos deparamos com uma música que é fácil de identificar a personalidade do eu-lírico, recomendo para que o desafio seja criar o protagonista mais fiel possível a letra original. Claro que há exceções de algumas cenas ou características, as quais não podem caber em toda a sua trama, mas é interessante tentar encaixá-las. Escrever com uma aba aberta do lado com a música ou escutando-a ajuda bastante.

Na hora de colocar a letra na história e abordar a música há alguns ou outros impasses e diferentes formas de resolver isso. Na coluna Encaixando a música converso um pouco mais sobre isso.

Muitas vezes a canção fala sobre um momento específico e não conta como os personagens chegaram naquela cena ou o que acontecerá depois. Daí, cabe ao autor soltar sua imaginação e criar uma hipótese verossímil o suficiente para prender a atenção do leitor.

PROJETO SONGFICS

O Projeto Songfics é um projeto já tradicional do Espaço Criativo, sendo ele muito mais antigo que o próprio site (o mesmo existe desde o falecido All Time Fics). Como escritora devo ter participado mais de cinco vezes e indico muito aos autores a estar juntando a nós nessa! Nele,você irá mandar uma música para uma songfic e esperará o sorteio para saber com qual você vai escrever a sua.

Por exemplo: eu enviei a música Holy Dove de Civil Twilight e alguém terá que escrever uma songfic baseado nela; mais tarde recebi o e-mail que dizia minha canção sorteada: Run da Amanda Cook. Então, terei um prazo para cumprir, escrever uma songfic baseada nela e enviá-la para o site.

Simples, não?

Espero que tenham gostado da coluna e se sintam motivados a participar da o Projeto Songfics.

Comentem e indiquem temas para os próximos posts!

Até breve.

Coluna por Maraíza Santos

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Encaixando a Música

maio. 20, 2017 by

A música está presente em nossas vidas o tempo todo. Ela tem o poder de fazer você sentir o que ela desejar: animação, excitação, terror, tristeza, tensão ou até mesmo alegria.

É normal o desejo de adicionar alguma música em sua história, porém às vezes não temos ideia como abordar ou fazemos de forma “errada”. Claro que eu não estou aqui para julgar sua maneira de escrever, no entanto tais dicas podem ajudar e muito nos seus textos e deixar os seus leitores mais confortáveis ao lerem seu projeto. Essas dicas valem também para aqueles que desejam fazer uma Songfic.

Sabe quando você escuta aquela música em inglês que se encaixa perfeitamente ao romance dos seus personagens e seu desejo é fazê-los dançá-la?

Eu explico.

Imagine que esteja escrevendo uma história de um casal de adolescentes que têm uma relação de amor de ódio. Em um dos momentos no qual eles se provocam, os dois estão dentro de uma casa de show e a banda está tocando Shut Up And Dance de Walk the Moon. A música se encaixa na situação que os dois estão vivendo e você quer evidenciar isso.

A primeira dica que quero dar é evitar colocar toda letra da canção, a não ser que toda ela tenha um peso/significado importante para seus personagens.

A verdade é que nós leitores não lemos tudo. Principalmente o refrão for repetido na história — aliás, se nós conhecemos a letras dificilmente vamos querer lê-la de novo.

Outra coisa que quero ressaltar é que evite colocar a letra e a tradução de forma simultânea. Até mesmo para leitores que tem uma boa base da língua estrangeira, é desconfortável ter que ler dos dois modos e apenas deixa o capítulo cheio de informação que muitas vezes não estamos tão interessados em ler.

Outro conselho que devo acrescentar é que tenha total certeza da função da música em sua história. Se não vai usá-la durante a narração, receio que não seja necessário colocá-la como encheção de linguiça, não é verdade?

Exemplo:

Bruce cruzou os braços e fingiu que não observava Clary dançar em sua frente. Ao redor dele havia um grupo de adolescentes pegajosos e bêbados que balançavam ao ritmo da música. Ele parecia um peixe fora d’água parado e carrancudo no meio de uma pista de dança.

Oh, não se atreva a olhar para trás
Apenas mantenha seus olhos em mim
Eu disse que você está se segurando
Ela disse, “Cale a boca e dance comigo!”

— Não sabia que você era tão careta assim, Bruce. — Comentou ela colocando as mãos dele na sua cintura.

— Sinceramente, Clary, não vejo como isso possa… — Foi interrompido pelo indicador da menina em seus lábios.

— Cale a boca e dance comigo. — Sussurrou ela com um sorriso ladino.

Mas há aqueles momentos que você quer que o personagem sinta a música e se identifique com a mesma. Há momentos que você o imagina com um violão e se declarando para algo ou alguém.

Nesse caso existem dois jeitos legais de se abordar. O primeiro é da forma mais tradicional em que a letra da música aparece no texto enquanto são narrados os sentimentos e expressões dos que vivenciam a cena. Vão exemplificar com uma música brasileira desta vez; chama-se Mais de Amanda Rodrigues.

Exemplo:

Meu coração batia como uma britadeira dentro do peito. Derek subiu no palco improvisado segurando o violão, esquecendo-se de sua timidez e que todos o olhavam ansiosos. Ouvi algumas piadinhas sem graça de seus amigos quando ele arrumou os óculos do rosto e deu duas batidinhas no microfone, me deixando mais nervosa ainda. O que diabos ele estava fazendo?

— Essa música é para a mulher da minha vida, Faith. Eu poderia dizer mais coisas, porém acho que a música fala por si só — e deu uma risadinha.

Derek demorou alguns segundos para achar a nota e coçou a garganta. Com sua voz melodiosa começou a cantar nossa música.

Meu amor, eu nunca vou conseguir explicar
O que eu sinto por você
O que sinto ao te ver
Mas eu vou tentar
Eu vou continuar tentando,
Eu vou tentar pôr em palavras
Traduzir meu coração

Meus olhos se encheram de lágrimas, as pernas bambas com aquela declaração de amor em público. Derek odiava chamar atenção e nunca fez algo semelhante quando estávamos apenas namorando.

Mas é clichê dizer que você é especial pra mim
É tão clichê dizer que eu não vivo sem você
Você merece mais
Muito mais

Ao contrário do que ele cantava na canção, eu não acreditava que merecia aquele novo homem que meu marido se tornara; apenas tinha certeza que sentia-me muito grata.

A outra forma, que particularmente adoro, é a de resumir a música em um parágrafo. Você destaca o que quer dizer e ainda expressa o que o personagem sente. Vou usar a mesma música do exemplo anterior.

Exemplo:

A música era calma, acústica e familiar. Fiquei com um sorriso maior do que o rosto quando prestei atenção na letra conhecida que falava o quanto eu merecia mais do que um “você é especial para mim” e quão clichê era falar aquelas frases prontas; dizia que já havia cansado de procurar um presente que demonstra-se o amor que sentia por mim e que era pouco dá para mim algo que só dinheiro pode comprar. Ele finalizou dizendo que tudo que podia fazer era viver para me fazer feliz e não consegui evitar chorar como uma criança. Eu não o merecia e assim como Derek havia prometido, fiz uma promessa silenciosa em fazê-lo feliz na mesma proporção que ele me fazia sentir ser a mulher mais sortuda do mundo.

Dessa forma eu resumi a música, passei a mensagem dela e mostrei o que a personagem sente. Tudo sem precisar ser direta e simplesmente jogar a letra da canção; às vezes só é necessário um resumo do que ela está escutando. Os escritores também podem usar essa ‘técnica’ caso a música da história não exista e você não queira criá-la de forma literal.

Então, esse é o fim de mais uma coluna. Espero ter auxiliado vocês com seus próximos projetos! Até breve.

Coluna por Maraíza Santos

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