O Hífen e o Novo Acordo Ortográfico

jan. 23, 2018 by

O hífen, que já causava um pouco de problema para os escritores, acabou se tornando um elemento com uso bastante difícil depois do acordo ortográfico. Se você está, atrás da sua tela do computador ou celular, soltando um enfático “SIM!”, continue lendo para resolver suas dúvidas!

Basicamente, a regra geral é que se você vai ligar uma palavra à outra, você usa hífen se são letras iguais. Caso sejam letras diferentes, você apenas junta as palavras. Exemplos disso são: anti-inflamatório, supra-auricular, arqui-inimigo, e neoliberalismo, extraoficial, superintendente.

Preste atenção em alguns casos especiais:

1) Palavras iniciadas com H no Português não tem um som consonantal, portanto, considera-se que todas elas devem ser separadas por hífen. Por exemplo: pré-histórico, anti-higiênico, super-homem.

2) Prefixos que terminam em vogal e são seguidos de uma palavra que comece por R ou S devem dobrar essas letras, como em “suprarrenal” e “minissaia”. Mas se o prefixo terminar com consoante, deve-se usar o hífen sempre! Se não, pode transformar-se em uma nova sílaba e se pronuncia diferente, como em “ab-rogar”, “sub-reino” e “sob-roda”. Imagine-se lendo “abrogar”, “subreino” e “sobroda”. Você automaticamente lê como uma sílaba, certo? Por isso, o hífen ajuda a manter o prefixo separado.

É importante notar que no caso do R ou S, se o prefixo terminar com R ou S e a palavra seguinte também, mantém-se a regra geral de que LETRAS IGUAIS são separadas por hífen.

Não se usa mais o hífen quando a vogal final do prefixo e a inicial da palavra são diferentes, por exemplo “eraoespacial”. Isso com prefixos como agro-, anti-, auto-, infra-, pluri-, semi-… Destaca-se que o prefixo “co-” sempre se junta com a segunda palavra, mesmo quando ela começar com O, como no caso de “coordenar” e “cooperar”. A exceção dessa regra é o prefixo “vice-”, que sempre é escrito com hífen ao se juntar à outra palavra.

Depois da reforma ortográfica, palavras que se utilizavam do hífen para transformar o “não” em prefixo (Organização Não Governamental, texto não verbal, filme de não ficção) não precisam mais dele. Ou seja, assim como eu escrevi nos exemplos entre parênteses, essas palavras não vão ser mais ligadas através dele.

O uso obrigatório do hífen restringe-se agora aos seguintes prefixos: ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré e pró.

Espero que a coluna tenha ajudado, e uma dica bastante bacana que vi enquanto pesquisava era que os escritores tentassem lembrar-se de pelo menos uma palavra de cada tipo de sufixo, para usar como base para as próximas que desejam escrever e possam causar dúvidas. E, caso ainda fique em dúvida, não deixe de pesquisar, porque uma hora se torna automático lembrar o que vai junto e o que vai separado!

Coluna por Annelise Stengel


Dicas de Gramática – O Uso do “que” Parte II

jan. 9, 2018 by

Confira a primeira parte dessa coluna aqui!

O “que” é uma palavrinha muito versátil e que tem diversas utilidades na língua portuguesa. Por causa disso, é muito comum que acabemos utilizando-a várias e várias vezes ao longo do nosso texto, sem perceber que acaba ficando muito repetitivo. Muitas das funções realizadas pelo “que” podem ser, na verdade, substituídas por palavras adequadas a cada situação, o que elimina o excesso e limpa nosso texto. Nesta segunda parte da coluna, falaremos dos casos em que não tem problema trocar por alguma outra palavra com o mesmo valor, e quais palavras podem ser essas.

PARTE II – Uso do QUE: Substituível

Primeiramente, é importante destacar que apesar da palavra “que” ser substituível em muitos casos, ela não pode ser substituída por qualquer palavra em qualquer situação. É preciso prestar atenção, pensar se aquilo soaria direito de ambas as formas, e realizar as alterações necessárias. Você precisa pensar no sentido que quer dar na sua frase, e pensar em outras palavras que possam ter esse sentido, como as que exemplificarei abaixo.

Na última coluna, falamos do “que” como pronome interrogativo substantivo, pronome indefinido substantivo e pronome interrogativo adjetivo, e como nesses casos ele não pode ser substituído por outras palavras. No entanto, quando ele é um pronome indefinido adjetivo, com a função de adjunto adnominal (explicada na outra coluna!), ele é equivalente às expressões quanto(s), quanta(s). Portanto, você pode substituí-la exatamente por esses exemplos caso seu texto esteja muito poluído. Veja o exemplo:
Que perda de tempo e dinheiro!
Quanta perda de tempo e dinheiro!

Percebe como as frases podem ser equivalentes?

Outro exemplo bastante parecido com este é quando o “que” está como advérbio de intensidade – e é muito fácil encontrar equivalentes a advérbios de intensidade. Veja só:

Que bom termos ido até lá.
Muito bom termos ido até lá.

E você pode até mesmo substituir isso por outra frase equivalente, como:

Foi fantástico termos ido até lá.
Adorei termos ido até lá.
Fico feliz que tenhamos ido até lá.

Uma coisa que temos costume de fazer é trocar a preposição “de” que acompanha alguns verbos por “que”, em nosso uso coloquial da língua. É claro que elas não são incorretas, mas não custa nada usar o original quando se pretende limpar seu texto.

Tenho que resolver esse problema.
Tenho de resolver esse problema.

Agora, também temos os casos das conjunções coordenativas e subordinativas. As coordenativas são aquelas que ligam orações independentes entre si, mas acrescentam uma relação de sentido a elas. Esses sentidos também são as classificações das conjunções. E todos os casos em que usamos “que”, podemos trocar para uma dessas conjunções cuja função é mais específica para aquele tipo de relação.

Vejamos os exemplos:

Conjunção Aditiva = e
Anda que anda e nunca chega a lugar algum.
Anda e anda e nunca chega a lugar algum.

Conjunção Explicativa = porque
Fique, que você não vai se arrepender.
Fique, porque você não vai se arrepender.

O “que” pode substituir ainda algumas conjunções alternativas (mas, porém) e alternativas (ou), no entanto, seria mais difícil trocá-la nestes casos pelas conjunções originais, tendo que alterar muita coisa da frase ou até reescrevê-la.

É importante lembrar que nem sempre a frase ficará do mesmo jeito quando você substituir o “que”, algumas alterações precisarão ser feitas. Alguns exemplos disso serão mostrados a seguir, que falaremos das conjunções subordinativas.

As conjunções subordinativas também conectam orações, mas com dependência entre elas, ou seja, uma das frases completa o sentido da outra. Elas também apresentam categorias, e muitas vezes substituímos as conjunções mais comuns delas por “que” pelo costume. É também interessante destacar que há muitas construções que utilizam a palavra “que” no meio delas, por isso se você tiver a intenção de tirar ela dali, talvez não seja a melhor opção. No entanto, já dá um sentido a mais na frase quando “que” está em conjunto com outra coisa. Veja a seguir quais são as conjunções, suas funções, e opções de substituição.

– Conjunção causal
Não sairemos agora, que vai chover.
Não sairemos agora, porque vai chover.
Não sairemos agora, uma vez que vai chover.
Não sairemos agora, visto que vai chover.

– Conjunção consecutiva
Choveu tanto que não pudemos sair.
Choveu tanto, de forma que não pudemos sair.
Choveu tanto, de sorte que não pudemos sair.

– Condicional
Que me esforçasse mais, a situação seria outra.
Se me esforçasse mais, a situação seria outra.
Caso me esforçasse mais, a situação seria outra.

– Conformativa
Que eu saiba, nada de grave ocorreu.
Conforme o que eu sei, nada de grave ocorreu.
Segundo o que sei, nada de grave ocorreu.

– Concessiva
Indisciplinados que sejam, merecem nova oportunidade.
Embora sejam indisciplinados, merecem nova oportunidade.
Ainda que sejam indisciplinados, merecem nova oportunidade.

– Final
Fazemos votos que você alcance o sucesso.
Fazemos votos a fim de que você alcance o sucesso.
Fazemos votos para que você alcance o sucesso.

– Temporal
Passara um ano que ele retornara de Nova Iorque.
Passara um ano desde seu retorno de Nova Iorque.
Passara um ano depois que retornara de Nova Iorque.

Como você deve ter observado, em alguns casos o “que” foi mantido, mas junto com outras palavras que formam a conjunção, como nos casos das conjunções finais, concessivas, conformativas, consecutivas e causais. No entanto, só de usarmos outro tipo de conjunção além do “que” sozinho já muda o ar da frase. E, no caso de alguns outros exemplos, podemos apaga-lo completamente. É legal notar também como algumas frases mudaram de um exemplo para o outro, estruturalmente, para encaixar melhor com a palavra escolhida.

Espero que essas dicas tenham ajudado a tornar a substituição do “que” um pouco mais fácil, e o mais importante é manter em mente que o texto pode se tornar muito repetitivo mesmo com essas pequenas palavrinhas, e reler e tentar substituir algo pelo equivalente pode fazer uma baita diferença tanto para sua escrita quanto para os leitores!

Coluna por Annelise Stengel


Dicas de Gramática – O Uso do “que” Parte I

dez. 5, 2017 by

O “que” é uma palavrinha muito versátil e que tem diversas utilidades na língua portuguesa. Por causa disso, é muito comum que acabemos utilizando-a várias e várias vezes ao longo do nosso texto, sem perceber que acaba ficando muito repetitivo. Muitas das funções realizadas pelo “que” podem ser, na verdade, substituídas por palavras adequadas a cada situação, o que elimina o excesso e limpa nosso texto. Nesta coluna, que é dividida em duas partes, vamos explicar melhor um pouco as diversas funções do “que”. A parte um aborda os casos em que ele não pode ser substituído, e a segunda parte, aqueles que não têm problema trocar por alguma outra palavra com o mesmo valor. Se você sente dificuldades com isso, não deixe de conferir!

PARTE I – Uso do QUE: Insubstituível

O “que” pode funcionar como substantivo, e, neste caso, é sempre acentuado graficamente. É também quando nomeamos a letra do alfabeto “Q”, ou quando usamos a palavra para falar dela mesma, como estou fazendo nesta coluna (no entanto, como vai ficar bastante repetitivo, preferi deixa-lo entre aspas para destacar quando ele é o assunto!). Como substantivo, ele pode exercer várias funções, por isso é difícil substituí-lo.
Exemplos: Todo o seu discurso tem um quê de arrogância.
Tal palavra escreve-se com quê.
Este quê exerce o papel de objeto direto.

Outros três casos em que é bom deixar o “que” é quando ele se torna um pronome interrogativo substantivo, um pronome indefinido substantivo ou um pronome interrogativo adjetivo. No primeiro caso, ele não determina um substantivo, ligando-se ao verbo, e deve ser acentuado no final da frase.

Exemplos: O que fazes aqui?
Desconfia de quê?

No segundo caso, ele sempre tem um sentido mais vago, e também é acentuado:

Disse-me não sei o quê e foi embora.
Chegou anunciando não vi bem o quê.

E por fim, o último caso ele tem a função sintática de adjunto adnominal, ou seja, delimita o significado de um substantivo quando se conecta a ele, o que o pronome interrogativo substantivo não faz.

De que candidato estamos falando?

O “que” também é extremamente importante na construção de orações subordinadas como conjunção integrante, ou seja, ela vai integrar uma nova frase, normalmente com sentido de objeto ou complemento, à outra frase. Lembrando que objeto é, neste caso, a frase que vai completar o sentido do verbo, e complemento, a mesma coisa, só que complementa o sentido do substantivo! Em geral, as orações substantivas são as que mais utilizam a conjunção integrante “que”. Então, a frase seguinte vai ter o valor de algum desses elementos sintáticos (objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, sujeito…)

Exemplos: É urgente que você seja aprovado. (complementa o substantivo “urgente”)
Desejo que você seja aprovado. (objeto direto de “desejar”, quem deseja, deseja alguma coisa)
A verdade é que triunfamos. (predicado da oração principal, completa o sentido de o que a verdade é).

O último caso do uso do “que”, e provavelmente o mais fácil de ser lembrado, é quando ele funciona como interjeição. Mais uma vez, ele é sempre acentuado graficamente.

Exemplos: Quê!? Você ainda não saiu de casa?

Na próxima coluna, continuação desta, veremos os casos em que a palavra torna-se substituível ou até mesmo descartável, sendo possível limpá-la de nosso texto e então evita-la conforme nos acostumamos com seus usos!

Coluna por Annelise Stengel

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