Posted by on 30/01/2018

Para muitos, escrever a sinopse é a maior dor de cabeça no processo de criação. Para mim, o grande e temido problema é o título da história. Nas histórias publicadas online, o título costuma chamar a atenção mais do que a capa, embora a mesma tenha uma grande importância para a conquista dos leitores. Aqui darei dicas que possam lhe ajudar a escolher o título certo a partir de algumas premissas.

Primeiro, é necessário ter em mente que o título precisa fazer referência a algo da história. Você não pode pegar um nome aleatório que não tem nada a ver com a história apenas porque achou bonitinho. É muito legal quando o leitor encontra a referência na história e entende a ligação do texto com o tema. Sentimo-nos igual ao Capitão América dizendo “Eu entendi a referência”.

Há diversas formas de se chegar a um bom título, mas eles costumam ser caminhos árduos e difíceis de trilhar. Minha preferência sempre foi para títulos longos, mas os mais curtos são bem mais fáceis de lembrar, obviamente. A vantagem do primeiro é que você pode usar siglas para facilitar a lembrança, já o segundo costuma colar como chiclete em nossas cabeças.

Existem também polêmicas que permeiam essa escolha. Há quem diga, por exemplo, que se um texto é escrito em português obrigatoriamente ele deve ser intitulado na mesma língua. Apesar de concordar em parte com isso, não acredito que haja alguma obrigatoriedade ou regra para ser seguida. A grande questão é se o título em inglês/italiano/alemão/coreano/etc faz sentido para sua obra. O que adianta ter um nome como I Need You se em nenhum momento o leitor sente a referência dele no texto? Qual é a lógica de escrever uma história que se passa em Florianópolis com o título em inglês e não há sequer um personagem americano/britânico/australiano/etc? Então, tenha em mente a coerência ao escolher o título.

Um bom caminho para encontrar o título certo é buscar a quem você quer fazer referência. É o protagonista, o enredo ou o lugar onde se passa? Se for o primeiro, pense na personalidade do personagem: o que mais se destaca em quem ele é? No enredo é um pouco mais complicado. O autor pode escolher dar uma resumida no plot, como em Amor por Contrato de Andhromeda ou especificar uma cena, como um spoiler para chamar a atenção do leitor. Em Seis Anos Depois do Harlan Coben, por exemplo, nos dar uma ideia do plot, mas nos faz pensar no resto da sentença “seis anos depois de quê?”. Já o lugar como título é o mais simples, porém apenas aconselho se ele for extremamente importante para a história.

Alguns autores usam os títulos das músicas que se encaixam com suas histórias, o que também é uma boa estratégia. Há um tempo escrevi um conto ao som de Águas de Março de Elis Regina e Tom Jobim e coloquei Àguas de Maio como título. Não que o conto esteja diretamente ligada a música, mas ela me inspirou o suficiente para ser nomeada desse jeito. Pelos principais acontecimentos terem ocorrido no mês de maio e a impressão é de que tudo é passageiro (igual as águas de um rio/mar), montei meu título como algo que havia se passado naquele mês em específico.

Muitos leitores levam bastante em consideração o nome, e títulos genéricos não chamam a atenção de jeito nenhum! Por isso ser original e criativo sempre é um bom caminho. Para saber se está no caminho certo, se pergunte “o título parece alguma coisa que li antes? Parece o título de uma novela mexicana?”

Nada contra novelas mexicanas.

Ficamos por aqui com as dicas para encontrar o título certo! Você tem outra estratégia para encontrar o seu? Compartilha com a gente nos comentários.

Até breve!

Coluna por Maraíza Santos


Posted in: Colunas

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