Posted by on 26/12/2017

Ao escrever, os autores traçam algumas características dos personagens e entre elas está a profissão que eles exercem. Quando o emprego não tem influência grande na história, os cargos costumam ser os mais genéricos possíveis: secretárias, advogadas, empresários, garçonetes, médicos… Há um grupo de profissões que forma um padrão que é constantemente encontrado no mundo da escrita. Ainda há os cantores, os atores e os artistas em geral, os quais costumam ser bem sucedidos na maioria de suas carreiras. Mas, ao desejar escolher uma profissão não clichê, as dificuldades aparecem. Como, então, escolher o ganha-pão dos personagens?

A primeira coisa a se fazer é avaliar a personalidade do personagem. É difícil imaginar um personagem misterioso que trabalha como publicitário, por exemplo, assim como pensar em alguém extremamente tímido ser vendedor de sapatos. A partir das características mais marcantes da pessoa, pode-se tirar um trabalho que explore a qualidade ou defeito do protagonista.

Outra coisa que deve ser lembrada é a influência que a carreira tem sobre o olhar que o leitor terá sobre seu herói; até mesmo pode inferir quem ele é. Se a personagem x é uma militar, podemos entender que ela é bem durona; se ela é estilista, imaginamos que seja alguém criativa, que goste de cores e de coisas novas. É claro que isso se dá a partir de estereótipos, mas é interessante o autor usar isso ao seu favor na construção de sua história.

Há também a interferência do enredo no personagem. Se as cenas se passam na faculdade, é interessante mostrar protagonistas antagônicos em suas escolhas de curso como engenharia civil e pedagogia. Se é o enredo pede um encontro em um clube à noite, um dos personagens pode ser um vigia ou recepcionista, e assim por diante. É importante lembrar que nem todos as pessoas na vida real vão a faculdade e que podemos usar como ponto de partida profissões que são marginalizadas e que contém salários mais modestos. Soldadores, funcionários de comércio, motoristas de ônibus, cinegrafistas, produtores musicais, compositores desconhecidos, ilustradores de livros infantis… Há uma infinidade de profissões esperando para serem explorados a espreita. Apenas é necessário pensar um pouco em quem o personagem é e no que a história pede/permite.

No livro Encanto da luz, da autora Nora Roberts, o protagonista, vulgo Grant Campbell, é um autor de quadrinhos que criava tirinhas para um jornal famoso, embora mantivesse seu nome em anonimato. Desde o começo da trama vemos como essa profissão reflete, de certa forma, o caráter de Grant e seus sentimentos no decorrer da história. Antes de escrever, é visível que a autora fez seu dever de casa ao pesquisar mais sobre o emprego dele e não deixou de lado essa característica peculiar do personagem. Ao escolher a ocupação do(a) herói/heroína, lembre-se de pesquisar o suficiente para mostrar segurança ao leitor da obra, procurando saber desde o que o profissional faz a quanto, em média, ele ganha.

Inspirações para a escolha das profissões estão ao redor de você o tempo todo! Se parar para analisar, todos produtos que são usados no dia-a-dia passam por profissionais de todas as áreas. Cabe a você, autor, ficar atento a existência deles.

Por fim, devemos reconhecer a influência que a profissão pode causar no enredo e que ela pode ser um reflexo da personalidade do personagem. Diante disso, devemos, também, usar a criatividade para escolhê-la na história, lembrando da importância que cada um dos profissionais têm e quão bem explorados seus trabalhos podem ser nas mãos de um bom autor.

DICAS DE PROFISSÕES:

Engenheiro cartográfico, farmacêutico, cartunista, consultor de marketing e mídias, contador, webdesigner, vendedor de sapatos, eletricista, banqueiro, atendente de loterias, geógrafo, lixeiro, professor particular, hoteleiro, designer de sobrancelha e etc.

Coluna por Maraíza Santos


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