Posted by on 27/11/2017

Suor & Curvas {Outros, Restrita, Finalizada}

Nota: (4,7 / 5)

ASPECTOS POSITIVOS: A autora soube dar um significado literal para a expressão “comer com os olhos”, e fez isso perfeitamente. Achei interessante usar o conceito da telecinese para outras coisas, se é que me entende – foi uma ideia criativa e bem explorada. A abordagem do feminismo também foi muito boa no que se diz respeito à influência que essa ideologia tinha sobre as ações da protagonista, uma gerente de uma agência de modelos que vai contra todos os padrões (apesar de algumas contradições ao longo da história terem me decepcionado). A autora também soube contextualizar a história de uma forma magnífica, apresentando uma subtrama tão interessante quanto a trama principal, e se preocupou em não deixar lacunas ao longo do enredo. Também teve o cuidado em criar um desfecho impecável, conferindo ao leitor uma sensação de satisfação ao final da narrativa. Erros de português são raríssimos (arrisco ao dizer que são inexistentes) e a habilidade de caracterização da autora é notável, principalmente nas cenas mais quentes e no detalhamento das sensações dos personagens. Também houve um equilíbrio excelente entre descrição e diálogo, que conferiu fluidez à leitura. Se estava procurando uma história que provocasse sensações intensas, essa é a escolha certa.

ASPECTOS NEGATIVOS E COMO MELHORÁ-LAS: Apesar da abordagem do feminismo ter sido bastante pertinente e inteligente de início, me decepcionei fortemente com alguns eventos posteriores. Sangria insiste em passar “a mão” ou sei-lá-o-quê por meio da telecinese no corpo da protagonista sem a sua permissão. Ela se incomodou diversas vezes com as carícias repentinas no meio do salão de festas, e chegou a lhe pedir para parar – pedido esse que linhas depois foi desrespeitado. Durante a narrativa ele praticamente toma controle sobre ela e desenvolve uma espécie de sentimento de possessão, assim como a protagonista o faz, como mostra na sua conversa com Mia antes de se dirigir à Ametista para conseguir o contrato. Esses fatores contrariam fortemente a ideologia feminista, ainda que a autora tivesse tentado traduzir esse sentimento como um querer da protagonista, ao meu ver, sem sucesso. Outro fator que levantou um questionamento foi a reação de alguns personagens em relação aos poderes da família Sangria. Hunter é absolutamente inexplicável. Suas habilidades, seu olhar e as reações que ele provoca na mulher são quase inacreditáveis. E parece que ela soube compreender isso muito rapidamente, sem questionar muito. A telepatia é um poder fantasioso, e para um indivíduo que a desconhece, o primeiro contato é extremamente complicado e assombroso. A forma branda que a mulher lidou com isso me deixou um pouco confusa, assim como a reação de Ametista ao saber que seus netos invadiam a mente de uma convidada trouxe o mesmo efeito.

DICA: O enredo é muito criativo e muito promissor. No entanto, seria interessante trabalhar com as reações da protagonista de uma forma mais realista, assim como seria interessante vê-la se impondo diante das investidas de Hunter a fim de dar validade ao seu pensamento feminista. Para aqueles que acreditam nessa ideologia, relacionamentos baseados no sentimento de possessão ou dependência, além de falas como “fique em silêncio” e “Não, você não quer” após a mulher pedir para que ele ficasse longe dela são absolutamente inaceitáveis. Trabalhando um pouco mais com esse raciocínio traria maior verossimilhança para a história, da mesma forma que exaltaria ainda mais o caráter feminista da personagem.

SUGESTÃO DE COLUNA: Você querendo ou não já é minha!

– Crítica por: Sofia C

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