Encaixando a Música

maio. 20, 2017 by

A música está presente em nossas vidas o tempo todo. Ela tem o poder de fazer você sentir o que ela desejar: animação, excitação, terror, tristeza, tensão ou até mesmo alegria.

É normal o desejo de adicionar alguma música em sua história, porém às vezes não temos ideia como abordar ou fazemos de forma “errada”. Claro que eu não estou aqui para julgar sua maneira de escrever, no entanto tais dicas podem ajudar e muito nos seus textos e deixar os seus leitores mais confortáveis ao lerem seu projeto. Essas dicas valem também para aqueles que desejam fazer uma Songfic.

Sabe quando você escuta aquela música em inglês que se encaixa perfeitamente ao romance dos seus personagens e seu desejo é fazê-los dançá-la?

Eu explico.

Imagine que esteja escrevendo uma história de um casal de adolescentes que têm uma relação de amor de ódio. Em um dos momentos no qual eles se provocam, os dois estão dentro de uma casa de show e a banda está tocando Shut Up And Dance de Walk the Moon. A música se encaixa na situação que os dois estão vivendo e você quer evidenciar isso.

A primeira dica que quero dar é evitar colocar toda letra da canção, a não ser que toda ela tenha um peso/significado importante para seus personagens.

A verdade é que nós leitores não lemos tudo. Principalmente o refrão for repetido na história — aliás, se nós conhecemos a letras dificilmente vamos querer lê-la de novo.

Outra coisa que quero ressaltar é que evite colocar a letra e a tradução de forma simultânea. Até mesmo para leitores que tem uma boa base da língua estrangeira, é desconfortável ter que ler dos dois modos e apenas deixa o capítulo cheio de informação que muitas vezes não estamos tão interessados em ler.

Outro conselho que devo acrescentar é que tenha total certeza da função da música em sua história. Se não vai usá-la durante a narração, receio que não seja necessário colocá-la como encheção de linguiça, não é verdade?

Exemplo:

Bruce cruzou os braços e fingiu que não observava Clary dançar em sua frente. Ao redor dele havia um grupo de adolescentes pegajosos e bêbados que balançavam ao ritmo da música. Ele parecia um peixe fora d’água parado e carrancudo no meio de uma pista de dança.

Oh, não se atreva a olhar para trás
Apenas mantenha seus olhos em mim
Eu disse que você está se segurando
Ela disse, “Cale a boca e dance comigo!”

— Não sabia que você era tão careta assim, Bruce. — Comentou ela colocando as mãos dele na sua cintura.

— Sinceramente, Clary, não vejo como isso possa… — Foi interrompido pelo indicador da menina em seus lábios.

— Cale a boca e dance comigo. — Sussurrou ela com um sorriso ladino.

Mas há aqueles momentos que você quer que o personagem sinta a música e se identifique com a mesma. Há momentos que você o imagina com um violão e se declarando para algo ou alguém.

Nesse caso existem dois jeitos legais de se abordar. O primeiro é da forma mais tradicional em que a letra da música aparece no texto enquanto são narrados os sentimentos e expressões dos que vivenciam a cena. Vão exemplificar com uma música brasileira desta vez; chama-se Mais de Amanda Rodrigues.

Exemplo:

Meu coração batia como uma britadeira dentro do peito. Derek subiu no palco improvisado segurando o violão, esquecendo-se de sua timidez e que todos o olhavam ansiosos. Ouvi algumas piadinhas sem graça de seus amigos quando ele arrumou os óculos do rosto e deu duas batidinhas no microfone, me deixando mais nervosa ainda. O que diabos ele estava fazendo?

— Essa música é para a mulher da minha vida, Faith. Eu poderia dizer mais coisas, porém acho que a música fala por si só — e deu uma risadinha.

Derek demorou alguns segundos para achar a nota e coçou a garganta. Com sua voz melodiosa começou a cantar nossa música.

Meu amor, eu nunca vou conseguir explicar
O que eu sinto por você
O que sinto ao te ver
Mas eu vou tentar
Eu vou continuar tentando,
Eu vou tentar pôr em palavras
Traduzir meu coração

Meus olhos se encheram de lágrimas, as pernas bambas com aquela declaração de amor em público. Derek odiava chamar atenção e nunca fez algo semelhante quando estávamos apenas namorando.

Mas é clichê dizer que você é especial pra mim
É tão clichê dizer que eu não vivo sem você
Você merece mais
Muito mais

Ao contrário do que ele cantava na canção, eu não acreditava que merecia aquele novo homem que meu marido se tornara; apenas tinha certeza que sentia-me muito grata.

A outra forma, que particularmente adoro, é a de resumir a música em um parágrafo. Você destaca o que quer dizer e ainda expressa o que o personagem sente. Vou usar a mesma música do exemplo anterior.

Exemplo:

A música era calma, acústica e familiar. Fiquei com um sorriso maior do que o rosto quando prestei atenção na letra conhecida que falava o quanto eu merecia mais do que um “você é especial para mim” e quão clichê era falar aquelas frases prontas; dizia que já havia cansado de procurar um presente que demonstra-se o amor que sentia por mim e que era pouco dá para mim algo que só dinheiro pode comprar. Ele finalizou dizendo que tudo que podia fazer era viver para me fazer feliz e não consegui evitar chorar como uma criança. Eu não o merecia e assim como Derek havia prometido, fiz uma promessa silenciosa em fazê-lo feliz na mesma proporção que ele me fazia sentir ser a mulher mais sortuda do mundo.

Dessa forma eu resumi a música, passei a mensagem dela e mostrei o que a personagem sente. Tudo sem precisar ser direta e simplesmente jogar a letra da canção; às vezes só é necessário um resumo do que ela está escutando. Os escritores também podem usar essa ‘técnica’ caso a música da história não exista e você não queira criá-la de forma literal.

Então, esse é o fim de mais uma coluna. Espero ter auxiliado vocês com seus próximos projetos! Até breve.

Coluna por Maraíza Santos

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A Idade Que Interessa

mar. 1, 2017 by

Na coluna da vez vim tratar sobre um assunto bastante comentado que ainda vem com sua carga de dúvidas de muitos escritores e leitores: a diferença de idade de seus protagonistas. Obviamente, quero lembrar que o post é baseado na opinião da colunista que vos fala e que estou aberta discussões sadias sobre o assunto.

A faixa etária do personagem é uma das primeiríssimas coisas que decidimos ao criar uma história. Alguns gêneros tendem a exigir algo mais específico – até porque um colegial em que a aluna tem vinte e dois anos não faz muito sentido, não é? – Há outros gêneros, no entanto, que não tem sua idade ideal fixa. Para se ter um drama até mesmo crianças de cinco anos podem ser protagonistas; nesse caso, a idade não interessa.

O grande “A’’ da questão é como ela será aplicada na história. Em algumas não é estritamente necessário pensar em quantos anos seu personagem tem, porém a verdade é que a idade estabelecida pelo autor pode sim voltar-se contra ele no pensamento dos que leitores. Por exemplo: Se seu personagem diz ter vinte e cinco anos e faz birra como um adolescente de quinze, o leitor logo se perguntará onde estará a coerência das informações propostas.

Entretanto, isso tudo depende do trama que você quer abordar. Talvez a pessoa tem um passado inglório que o faz ter certas atitudes inapropriadas para sua idade, por isso o assunto deve ser abordado no decorrer da história. Não deixe passar um furo como esse!

Agora, vamos para aquilo que realmente nos interessa: diferença entre idades de protagonistas. Relacionamentos amorosos são difíceis de lidar em qualquer faixa etária, entretanto, quando os dois estão em momentos diferentes da vida, o olhar de cada um no relacionamento será divergente. Sem exceção.

Não estou aqui dizendo que você não pode escrever um romance entre personagens com dez anos de diferença, mas deve trabalhar essa pauta sem dúvida! Se sua personagem tem dezoito anos e o par dela tem trinta é óbvio que eles estão em fases diferentes e tem visões controvérsias em relação a vida. Retratar isso é importantíssimo para dar coerência aos seus protagonistas e profundidade a sua trama.

Outra coisa que deve ser cuidadosamente pensada é a questão da pedofilia. O código penal considera crime qualquer “mediação de menor de 14 anos para satisfazer a lascívia de outrem;” (Art. 218 do CP). Quando a idade é um pouco maior do que isso até os dezoito anos causa controvérsias de opiniões sobre relacionamentos de pessoas de quinze, por exemplo, com alguém de vinte e sete anos. Muitos acreditam que não há problema desde que os dois estejam de acordo enquanto outros creem que é, no mínimo, errado.

Seja sua opinião contra ou a favor, há uma coisa certa: se o relacionamento retratado na sua história é com diferenças grandes de idade, é necessário tratar isso com cautela. Lembre-se que há os pais e família envolvidos que talvez não concordem com o romance, assim como a disparidade de fases entre os personagens podem afetar e muito na história deles.

Espero que tenham gostado desse post e prestado bem atenção nas dicas! Qualquer comentário, crítica ou ressalva serão bem-vindos.

Até a próxima.

Coluna por Maraíza Santos

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Mau ou Mal? Mais ou Mas? Quando usar?

fev. 1, 2017 by

Mais ou Mas? Mau ou Mal? Se não ou Senão? Onde ou Aonde? E aí sabem a diferença? Costuma ser bastante comum entre as histórias a autora ter problemas quanto a essas palavras, mas vamos mudar esses maus costumes.

Mais ou Mas?: Ambos estão certos, mas vale lembrar que a forma como devem ser empregados são diferentes.

Mais: Indica quantidade ou intensidade. Como usar: Quantas vezes mais precisarei ir ao mercado./ Eu já o amava mais do que qualquer coisa./ Não aguentava mais estudar./ Por mais que desejasse, era impossível./ Prefiro não vê-la nunca mais.
Mas: Porém, entretanto, sempre acompanhado de vírgula anteriormente a ele. Como usar: Gostava de estudar, mas (entretanto) já estava exausta. / Eu poderia ir, mas (porém) estava sem dinheiro./ Ninguém acredita, mas (entretanto) ainda tenho esperanças./ Ela me deixava louco, mas (porém) era algo que adorava.

Mau ou Mal?: Ambos estão certos, mas são empregados de maneiras diferentes.

Mau: Antônimo/Oposto de bom. Como usar: Eles formavam um mau (bom) casal. / Ele era mau (bom). / Aquele estava sendo um mau (bom) dia. / Estava tendo um mau (bom) desempenho.
Mal: Antônimo/Oposto de bem. Como usar: Tudo ia indo muito mal (bem). / Ele mal (bem) olhou na minha cara. / Fazendo mal (bem) feito. / Mal (bem) pensei e ela apareceu.
*Para facilitar na hora da dúvida sempre lembre: U de Mau é semelhante ao O de Bom. Mesma coisa com o L de Mal que é semelhante ao E de Bem. Ajuda muito na hora da pressa ou quando dá um branco mesmo. Não entendeu? Aqui vai uma imagem que vai deixar toda essa história de mal/mau facinho facinho:

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Se não ou Senão?: As duas formas estão certas, mas devemos usá-las em situações diferentes.

Se não: Caso não, quando não. Como usar: Se não (Caso não) estivesse cansado iria. / Quem mais iria ajudar se não (caso não) você. / Se não (Caso não) for a minha festa te mato.
Senão: A não ser, do contrário. Como usar: Vá a escola senão (do contrário) perderá a prova. / Você não tem outra opção senão (a não ser) vir comigo. / Vamos rápido senão (do contrário) chegaremos atrasados.

Onde ou Aonde?: Novamente as duas palavras estão corretas, mas têm funções diferentes.

Onde: Expressa ideia de lugar fixo. Também podendo ser substituída por: Na qual, no qual, em que. Como usar: Fomos num parque onde (no qual) estava vazio. / Iríamos para o restaurante onde (em que) comeríamos. / Esse não é um lugar onde (no qual) gostaria de morar.
Aonde: Expressa a ideia de destino ou movimento. Como usar: Aonde vamos agora? / Não fazia ideia aonde iríamos. / Aonde nos levará isso tudo?

Espero que a coluna seja de grande ajuda para você que ainda tinha dúvidas.

Coluna por Thaís M.

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