Dicas de Gramática – O Uso do “que” Parte I

dez. 5, 2017 by

O “que” é uma palavrinha muito versátil e que tem diversas utilidades na língua portuguesa. Por causa disso, é muito comum que acabemos utilizando-a várias e várias vezes ao longo do nosso texto, sem perceber que acaba ficando muito repetitivo. Muitas das funções realizadas pelo “que” podem ser, na verdade, substituídas por palavras adequadas a cada situação, o que elimina o excesso e limpa nosso texto. Nesta coluna, que é dividida em duas partes, vamos explicar melhor um pouco as diversas funções do “que”. A parte um aborda os casos em que ele não pode ser substituído, e a segunda parte, aqueles que não têm problema trocar por alguma outra palavra com o mesmo valor. Se você sente dificuldades com isso, não deixe de conferir!

PARTE I – Uso do QUE: Insubstituível

O “que” pode funcionar como substantivo, e, neste caso, é sempre acentuado graficamente. É também quando nomeamos a letra do alfabeto “Q”, ou quando usamos a palavra para falar dela mesma, como estou fazendo nesta coluna (no entanto, como vai ficar bastante repetitivo, preferi deixa-lo entre aspas para destacar quando ele é o assunto!). Como substantivo, ele pode exercer várias funções, por isso é difícil substituí-lo.
Exemplos: Todo o seu discurso tem um quê de arrogância.
Tal palavra escreve-se com quê.
Este quê exerce o papel de objeto direto.

Outros três casos em que é bom deixar o “que” é quando ele se torna um pronome interrogativo substantivo, um pronome indefinido substantivo ou um pronome interrogativo adjetivo. No primeiro caso, ele não determina um substantivo, ligando-se ao verbo, e deve ser acentuado no final da frase.

Exemplos: O que fazes aqui?
Desconfia de quê?

No segundo caso, ele sempre tem um sentido mais vago, e também é acentuado:

Disse-me não sei o quê e foi embora.
Chegou anunciando não vi bem o quê.

E por fim, o último caso ele tem a função sintática de adjunto adnominal, ou seja, delimita o significado de um substantivo quando se conecta a ele, o que o pronome interrogativo substantivo não faz.

De que candidato estamos falando?

O “que” também é extremamente importante na construção de orações subordinadas como conjunção integrante, ou seja, ela vai integrar uma nova frase, normalmente com sentido de objeto ou complemento, à outra frase. Lembrando que objeto é, neste caso, a frase que vai completar o sentido do verbo, e complemento, a mesma coisa, só que complementa o sentido do substantivo! Em geral, as orações substantivas são as que mais utilizam a conjunção integrante “que”. Então, a frase seguinte vai ter o valor de algum desses elementos sintáticos (objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, sujeito…)

Exemplos: É urgente que você seja aprovado. (complementa o substantivo “urgente”)
Desejo que você seja aprovado. (objeto direto de “desejar”, quem deseja, deseja alguma coisa)
A verdade é que triunfamos. (predicado da oração principal, completa o sentido de o que a verdade é).

O último caso do uso do “que”, e provavelmente o mais fácil de ser lembrado, é quando ele funciona como interjeição. Mais uma vez, ele é sempre acentuado graficamente.

Exemplos: Quê!? Você ainda não saiu de casa?

Na próxima coluna, continuação desta, veremos os casos em que a palavra torna-se substituível ou até mesmo descartável, sendo possível limpá-la de nosso texto e então evita-la conforme nos acostumamos com seus usos!

Coluna por Annelise Stengel

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Dicas de Gramática – Aspas em Diálogo

nov. 28, 2017 by

É comum vermos que alguns autores escrevem suas histórias substituindo o travessão pelas aspas. No entanto, isso não é correto no português brasileiro.

As línguas, além de apresentarem muitas diferenças entre si, também têm algumas particularidades em relação à pontuação. Uma delas é a respeito da marcação de diálogo. As aspas duplas (“ ”) são utilizadas no inglês para indicar a fala de pessoas ou personagens, portanto, não devemos utilizá-las ao escrevermos uma história em português.

É importante notar, no entanto, que devemos utilizar as aspas para indicar discurso indireto, ou seja, quando vamos citar a fala de outra pessoa. Por exemplo:

Maria me disse “Venha logo para casa, João!”.

Neste caso, eu, o narrador, estou contando o que foi dito pela Maria em minha narração.

É possível utilizar as aspas dentro do discurso direto, aquele que indicamos por travessão, que é quando a voz é dada aos personagens.

Isabella seguiu caminhando ao lado de Luiz, e falou baixinho:
― Ontem, quando saí de casa, minha mãe me disse “vá com cuidado”.

No exemplo acima, o discurso direto é representado pelo travessão, a pontuação correta para diálogos em português, e ao inserir a fala de mãe de Isabella, sendo reproduzida indiretamente, utiliza-se as aspas.

Um lembrete que pode parecer bobo mas é muito importante, é que não adianta se o seu personagem falar inglês ou ser de um país de inglesa: a sua história está sendo escrita em português, é o travessão que deve ser utilizado em diálogos.

Também gostaria de destacar que normalmente temos três traçados no teclado português, de comprimentos diferentes, e que, portanto, têm funções diferenciadas. O travessão, que deve ser usado neste caso, é o mais longo dos três.

Temos o hífen: –
A meia-risca: –
E o travessão: ―

Normalmente, você pode editar os atalhos para eles no próprio Word, quando for escrever, ou utilizar um método de copiar e colar. Todos estão disponíveis em Inserir > Símbolo, no programa mencionado. A meia-risca costuma aparecer automaticamente quando você utiliza o hífen e dá um espaço antes e um depois, voltando a escrever em seguida, e o hífen tem seu botão próprio. Infelizmente, acho que o travessão é o único que precisa ser configurado para ter um atalho de teclado mais fácil.

Então, não esqueçam: em português, aspas em diálogo só para discurso indireto! Caso contrário, vamos usar muito nosso travessão!

Coluna por Annelise Stengel

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Dicas de Gramática – Colocação Pronominal

nov. 21, 2017 by

A colocação pronominal no Português tem uma variação grande, e é por isso que revisar as regrinhas é bom para saber como escrever melhor e de uma forma que sua frase não fique confusa! É importante relevar que na língua falada, não se corrige rigorosamente os casos incorretos de colocação pronominal, mas não se pode deixar esses vícios alcançarem sua escrita, ainda mais quando algumas normas devem ser lembradas.

Temos três tipos de colocação do pronome: antes do verbo (PRÓclise), no meio do verbo (MESÓclise) e após o verbo (ÊNclise). Tratarei principalmente da primeira e da última, já que o uso da mesóclise tem caído muito, tanto no português falado quanto no escrito.

1. Próclise

Como foi dito, a próclise é a colocação do pronome oblíquo antes do verbo. Há alguns casos especiais que te ajudam a lembrar quando deve usá-la.

O pronome vem sempre antes do verbo em:

orações iniciadas por palavras interrogativas (quem/ qual/ quanto/ quando…) ou que exprimem desejo.
– casos que há presença de palavras que atraem o pronome para antes do verbo. Essas palavras sendo aquelas de sentido negativo (não, nunca, jamais), advérbios (agora, imediatamente, ontem), conjunções que introduzem uma oração subordinada (que), pronomes relativos, indefinidos e/ou demonstrativos (que, poucos, alguém, disso, daquilo).

Exemplos:

1. Quem te procurava já foi embora.
2. Que Deus o ajude.
3. Não me lembre disso!
4. Jamais a leve neste lugar de novo.
5. Agora se negam a depor.
6. Ontem os encontrei chorando.
7. Eu já sabia que se interessariam por isso.
8. Os meninos que se ouvira falar nunca mais apareceram.
9. Alguém me ajude!
10. Daquilo as acusaram, sem provas.

IMPORTANTE: na fala coloquial, é muito comum começarmos frases com o pronome antes do verbo, por exemplo “Me disseram…”, “Me dá…”, “Se cuide”, “Os esperei…”. No entanto, isso é um uso incorreto (de acordo com a norma) e não deve ser realizado na escrita. Não se pode iniciar uma frase com o pronome oblíquo! Em todos esses casos, deve-se realizar a ênclise, que vemos a seguir.

2. Ênclise

A ênclise ocorre quando o pronome é colocado depois do verbo. Normalmente, quando não é possível fazer nem a próclise, nem a mesóclise. Ela é mais relacionada com os tempos verbais e o próprio verbo do que com palavras específicas. Os casos de ênclise são:

– quando o verbo estiver no imperativo afirmativo (aquietem-se, ouçam-na, escute-me), no infinitivo impessoal (machucar-te, afastar-se), no gerúndio (fazendo-se, ouvindo-a, amassando-o).
– quando houver pausa antes do verbo.
– quando o verbo iniciar a frase, como foi dito anteriormente.

IMPORTANTE: Caso o tempo verbal esteja na negativa, acontecerá a próclise, por conta da palavra de valor negativo que “puxa” o pronome.

Exemplos:

1. Quando eu avisar, aquietem-se, por favor!
2. A professora está falando: ouçam-na.
3. Não era minha intenção machucar-te.
4. Tenha certeza de avisar-me sobre o ocorrido.
5. Eu não acredito que ela fica fazendo-se de desentendida.
6. Enquanto estava ouvindo-a, preparava o almoço.
7. Se as coisas melhorarem, vou-me amanhã mesmo.
8. Encontre-o amanhã cedo e resolva isso.

3. Mesóclise

O único caso em que a mesóclise ocorre no português é quando o verbo está no futuro do presente (acontecerá, viverá, moverá…) ou futuro do pretérito (aconteceria, viveria, moveria…), sem que haja a presença das palavras mencionadas que exigem a próclise.

Exemplos

1. Mover-se-á caso esteja com fome.
2. Viver-se-ia melhor sem estes eletrônicos todos.

Há vários exemplos online e exercícios, caso queira praticar. Algumas frases realmente não soam bem quando você erra o pronome, e pode parecer uma coisa tão pequena, mas faz muita diferença! Ficar de olhos nas palavras que está usando e o tempo verbal é uma boa, e caso tenha dúvidas sobre esses tópicos, não deixe de pedir uma coluna específica sobre isso, ou confira se alguma já não foi feita!

Coluna por Annelise Stengel

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